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terça-feira, 13 de abril de 2021

A genética do futebolista português


"Atualmente Portugal é uma fábrica de talentos verdadeiramente incrível. Nos últimos 60 anos produzimos talentos como Eusébio, Chalana, Futre, Figo, Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, entre outros. Mas afinal qual é a origem deste talento no jogador português?
Durante o período republicano, os futebolistas portugueses eram vistos como talentosos, virtuosos e por apreciarem o contacto com a bola. No entanto, em termos de rotinas de treino tinham bastantes lacunas. É apontado ao jogador português a pouca disciplina de treino e de exercícios físicos e ao mesmo tempo detetava-se nas equipas em Portugal dificuldades em agrupar todos os seus elementos, uma vez que o futebol ainda não era profissional em Portugal, ao contrário por exemplo, de em Inglaterra [1]. Aliás sobre este assunto, Carlos Vilar, um dos precursores do futebol em Portugal, após a partida entre o Carcavelos e o Benfica, considerou que os jogadores portugueses estavam longe de possuir um espírito desportivo e sacrifício e, por esse motivo, o seu sucesso era fugaz. Em relação a este raciocínio de Carlos Vilar não podemos deixar de dizer que ao contrário do que acontecia noutros países o futebolista português era nesta fase totalmente amador e tinha que dar prioridade, como é evidente, ao seu trabalho/sustento.
Não obstante, a crítica à conduta dos atletas portugueses na questão do treino, hábitos de vida, tática e corrida era habitual na imprensa, sendo que se acreditava que a conduta inglesa era a mais correta. Mesmo no Desporto em geral havia um problema de berço em Portugal, que se arrastou até aos dias de hoje, que reflete numa incipiente aposta no espírito desportivo. Ou melhor, podemos explicitar tudo isto no pouco investimento que existiu nesta área.
Voltando ao futebol, Cosme Damião, histórico jogador e dirigente do Benfica percecionava um jogador ideal como combatente, paciente, enérgico e rápido a decidir, que seria um dos mais preciosos dons [2]. Por outro lado, o capitão benfiquista via no futebol uma escola de trabalho, em virtude de conservar a saúde, o vigor do espírito e ensinar o método, a precisão, a ordem e mais que tudo confirmar que são os pequenos esforços que, conjugados, realizam as grandes obras [3].
Apesar de tudo a evolução do futebol em Portugal foi-se sustentando e com a profissionalização (nos anos 60) e a maior seriedade do futebol em Portugal levou-nos a produzir uma série de talentos para o mundo. Porque apesar das dificuldades iniciais a vontade do jogador português em estar com a sua amiga bola, sempre esteve lá. É genético."

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