Últimas indefectivações

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Um sentir português

"'Olha o Eusébio!' foram as primeiras palavras de um grupo extasiado com a visita ao Estádio da Luz. Nem todos eram benfiquistas, a maioria, sim, mas todos se lembravam com orgulho daquele Benfica europeu e daquela pantera negra de futebol potente e visceral que arrebatou o mundo. Todos se lembravam, em primeiro lugar, porque foram doces momentos da sua juventude, mas também porque nos sítios onde haviam chegado há pouco como imigrantes pouco conhecimento havia de Portugal além das caravelas de antanho e o que havia não abonava a democracia nem a modernidade, muito menos o carácter pacifico e a alma portuguesa.
Eram tempos difíceis, onde a condição de muitos e a fuga e uma guerra fratricida em que só havia perdedores ditaram a saída para terras longínquas, mesmo para lá da Europa, cruzando céus e mares com a esperança na mente e a incerteza no coração. Foram tantos, que Portugal lhes perdeu a conta e o rasto, poucos de torna-viagem, como então se dizia, regressariam com dinheiro que chega para uma boa casa e um par de campos, um táxi ou um café.
A esses correu a vida bem, e hoje cá estão eles, espalhados pelo país, por entre filhos e netos no país onde nasceram e que, talvez mais importante, escolheram para viver. Mas a tantos outros a vida não sorriu da mesma forma, e a emigração levou-os sem volta até paragens distantes, umas vezes remediados, outras condenados à pobreza, mas sempre sem meios para voltar de novo à sua terra natal, sentir de novo este ar e este sol atlântico que nos enche o peito e faz das nossas algumas das mais belas paisagens e cidades que a humanidade conhece. Hoje, estamos felizes de os receber na nossa casa, que também é sua. E estamos orgulhosos de ver que Portugal não os esqueceu, e o Benfica, como muito bem sabemos, também não. Não os esqueceria nunca porque são parte de nós, desta família global que usa bandeiras vermelhas!"

Jorge Miranda, in O Benfica

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