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segunda-feira, 27 de abril de 2020

E se o futebol nacional acabasse?

"É sabido que 80% dos clubes profissionais (a principal e secundária ligas de Portugal) já se encontravam, antes de irromper a crise em que vivemos, em falência técnica. Perante este cenário, não se augura um futuro promissor para os clubes e ligas profissionais de futebol. Face à incapacidade de sobrevivência da grande maioria dos clubes profissionais, sem a intervenção da solidariedade da indústria do futebol, sobejarão os mais fortes financeiramente, que se estimam ser cerca de 5 a 6 clubes nacionais. Insuficientes para manter uma liga nacional.

Estamos há mais de um mês sem futebol. Com vontade de ir ver a bola ao café, para alimentar a nostalgia, no meio do zapping, revejo por minutos alguns lances dos grandes clássicos da primeira liga de futebol portuguesa e principais ligas europeias. Estes canais desportivos de sinal aberto, onde, agora, passa em diferido a história do futebol, têm, neste momento, maior relevância que os canais desportivos codificados. Estes, sem matéria para transmitir em directo, perante a invasão global do novo coronavírus, suspenderam abruptamente a relevância que vinham impondo. Mas, apesar da oferta de ouro para os tempos de hoje, não perco muito tempo com esta narrativa, uma vez que nunca gostei de rever partidas de futebol. E sigo com o zapping. A repetir, antes um filme que um jogo de futebol. O futebol só em directo na TV ou ao vivo no estádio, preferencialmente repleto de emoção e com assistência esgotada e ruidosa. 
Com a chegada da Peste e declarado o estado de medo, fecharam-se todas as portas. Inclusivamente as dos estádios. Não com o objectivo de ocultar a táctica e estratégia de jogo, mas para fintar um adversário comum, que favorece o individualismo, em detrimento do jogo colectivo. Os clubes profissionais carecem, naturalmente, de ajuda financeira. E privados momentaneamente de render, valorizar ou vender os seus activos, planeiam um recomeço à actividade desprovidos de receitas de bilheteira, de publicidade, de verbas provenientes dos direitos televisivos, de sócios pagantes e de jogadores com ritmo. É sabido que 80% dos clubes profissionais (a principal e secundária ligas de Portugal) já se encontravam, antes de irromper a crise em que vivemos, em falência técnica. Perante este cenário, não se augura um futuro promissor para os clubes e ligas profissionais de futebol. Face à incapacidade de sobrevivência da grande maioria dos clubes profissionais, sem a intervenção da solidariedade da indústria do futebol, sobejarão os mais fortes financeiramente, que se estimam ser cerca de 5 a 6 clubes nacionais. Insuficientes para manter uma liga nacional. Será que iremos assistir ao brotar de uma liga única europeia com a participação dos clubes profissionais sobreviventes? E a liga dos campeões, contará com a participação dos clubes profissionais do resto do mundo? As crises pandémica e económica irão, certamente, impor um ambiente moderno e globalizado no futebol."

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