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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Verdadeira grandeza. E impar

"O Benfica é muito grande. É difícil, para quem não vive o dia a dia dentro do Clube e para quem nunca teve oportunidade de observar, nos quatro cantos deste país e lá longe, em diversos lugares bem afastados entre si, espalhados pelas sete partidas do mundo, do que tamanho é o Benfica.
Para percepcionar as verdadeiras dimensões e todas as grandezas do Benfica, não nos podemos limitar a verificar quantos são os Sócios; a contar quantos são os seus adeptos e simpatizantes; a ver como e até onde, se estende a actividade das Casas do Benfica; que números oficiais de frequência e assiduidade de espectadores e visitantes conseguirmos atingir, época após época, no nosso Estádio e no Museu Benfica - Cosme Damião, ou nas piscinas, nos pavilhões e, mesmo, no complexo comercial da Av. Eusébio da Silva Ferreira; a quantos beneficiários já mudou a vida a Fundação Benfica, no permanente exercício de responsabilidade social assumido pelo Glorioso, durante a última década; quais são os números de adesão às redes sociais e ao site; ou quantos subscritores já atingiu a BTV e quantos leitores e assinantes temos, das versões física e digital do nosso jornal. Tudo isso e nada disso chega, só por si.
Não basta, sequer, servirmo-nos da memória dos registos históricos e dos troféus que desde sempre viemos a acumular, nas anteriores sedes da Farmácia Franco, da Rua Direita de Benfica, da Rua Garret e no Rossio, 30, ou na Av. Gomes Pereira e soubemos preservar, até hoje. Para avaliar a grandeza do Benfica, não chega, nunca nos chega, relembrar as vitórias e as derrotas, as marcas e os recordes, os títulos. Nem sequer basta apenas invocar os nomes e as figuras das centenas de milhares de nobres atletas, técnicos, dirigentes eleitos e designados e de todos os profissionais que, em cento e quatorze anos, cederam os seus talentos próprios e, em especial, as suas capacidades desportivas, ao permanente engrandecimento desta ideia singular. Quem pode medir verdadeiramente o Benfica? Quem poderá calcular o que somos hoje, todos juntos com aqueles que construíram a nossa história? E quem (muito menos!) poderá imaginar do que seremos capazes, quando estiverem vividos outros cento e quatorze anos?

Perante e metralha mediática que, afinal, só serviu para escancarar as pequenezes, as divisões e ilusões que os continuará a fazer definhar constantemente, apanhei-me a sorrir várias vezes, com alguma bonomia, sempre que, nas últimas semanas, ia ouvindo aqui e ali as repetidas e enfatuadas loas de 'tamanho', concedidas com revoltante ligeireza a uma outra agremiação, aqui ao pé. A impressionante disparidade que nos diferencia deles não sã os números. Nunca foram os números! O que cada vez mais nos afasta e, irremediavelmente, os deixará sempre mais para trás, no tempo e nos espaços, nos posicionamentos e nos motos, é o próprio conceito de clube e a partilha que os nossos maiores nos deixaram como absoluto legado: sabemos conviver nas nossas diferenças e unirmos-nos ainda mais, de cada vez que nos pretendem atacar."


José Nuno Martins, in O Benfica

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