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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Patos-bravos e outras aves

"O futebol sempre foi reduto de mentiras, intrigas, confusões e até crimes, alguns dos quais aguardam intervenção legal, que há de chegar, no ritmo e no tempo que a justiça portuguesa sempre tomou como de sua rara exclusividade.
Os mais experientes nesse mundo armadilhado, entre os quais me incluo, com o peso de mais de três décadas de jornalismo da área do desporto, convivem com esta realidade quase sem se darem conta dela, como se o normal fosse a podridão, o insulto, a refrega, a ameaça e até a ofensa física.
Dizer-se que o futebol deveria ser um campo de meninos de coro, dominado por franciscanos da escola argentina, também não será ideal pelo qual devamos pugnar; mas exigir educação, respeito e alguma nobreza, que aqui pode ser traduzida por fair-play, é imperioso, ecológico e de boa higiene mental. Afastar de cena os patos bravos que por aí andam a contaminar a espécie, alguns deles com tiques de indigência, parece-me, pois, razoável e urgente. Embora difícil.
É claro que podemos sempre dar um desconto por insanidade intelectual a tudo o que essas aves papagueiam ou executam, atirando-as para a lixeira como quem deleta um vírus perigoso do computador. Tudo ficaria assim melhor. Só que não resolveria o problema. Um problema que, aliás, nem o será assim tanto, salvo o desconforto de ter que respirar o ambiente conspurcado por esses novos empreendedores da demagogia.
É que apregoar a asneira para iludir os bem contabilizados milhões de acólitos é metodologia arcaica, que pode ter dado frutos mas que já só colhe por instantes, ainda que com entusiasmo das massas e dos 'share' televisivos. Por que raio subsistem então estes refinados aldrabões que gritam mais alto ao fim de semana?!... Aí teremos que voltar ao início do texto..."

Paulo Montes, in A Bola

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