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terça-feira, 27 de junho de 2017

Breve história de uma morte anuciada


"Portugal disputa, nestes últimas quinze dias de Junho (se tudo correr bem) uma prova em que é estreante e parece condenada ao desaparecimento: a Taça das Confederações. Responsabilidade acrescida: é campeão da Europa e a Alemanha apresenta-se com uma espécie de equipa B...

Esta edição da Taça das Confederações é a oitava organizada sob a égide da FIFA e, muito provavelmente, a última a que poderemos assistir. O novo calendário internacional que se perfila no horizonte para as selecções deixará de ter espaço para uma prova que, vendo bem, nunca caiu muito no goto das federações nacionais.
Orgulhosa dos seus galões de campeã da Europa, a selecção nacional, que um dia Ricardo Ornellas, um dos mestres do jornalismo, apelidou de Equipa-de-Todos-Nós, vê nesta sua primeira presença na prova a possibilidade da conquista de um troféu que ficaria a matar nas vitrinas da sede da federação, lado a lado com a Taça Henry Delaunay, triunfalmente ganha em Paris, Saint-Denis, na cara dos chauvinistas franceses.
Como durante esta semana e até à saída deste seu jornal teremos vários jogos que não conseguimos reportar antes do fecho, fiquemo-nos hoje pelo um breve historial desta competição.
Foi em 1992 que a Federação da Arábia Saudita teve a interessante ideia de realizar uma competição envolvendo os vencedores da Copa América, da Taça das Nações Africanas, da Taça da Ásia e da Copa de Ouro da CONCACAF. Meias-finais, final e jogo para os terceiros e quartos lugares, tudo em três dias de Outubro, meio à pressa por vicissitudes mais do que compreensíveis, com vitória dos argentinos sobre os sauditas no jogo decisivo de Riade (3-1).
O primeiro passo estava dado.
Três anos mais tarde, em 1995, nova dose. Também na Arábia Saudita. Chamava-se, na altura, Campeonato Intercontinental. Sendo o Japão campeão asiático, acrescentou-se a equipa do país organizador, como não poderia deixar de ser. Seis participantes, já em dois grupos iniciais para apurar os semi-finalistas. Vencedor: Dinamarca, na final contra a Argentina (2-0).
Tudo piava, a partir de agora, mais fino.
Em 1997, já estávamos, muito mais prosaicamente, perante a Taça das Confederações.
Com edição agendada de dois em dois anos. Entravam na liça o campeão do mundo (Brasil, no caso), o campeão da Oceânia (Austrália) e o finalista da Taça da Ásia, os Emiratos Árabes Unidos, já que a Arábia Saudita voltava a apresentar-se como país organizador. O campeão europeu, a Alemanha, declinou a presença, chegando-se à frente o finalista do Euro-96, a República Checa. Atingia-se o número ideal de oito, divisível por dois grupos de quatro, tal como acontece actualmente.
Vitória brasileira sobre os australianos 6-0!

Tempos modernos
A edição de 1999 teve lugar no México. A França, campeão do mundo em 1998, decidiu não participar. A prova disputou-se no início de Agosto, embora estivesse agendada para Janeiro.
O México venceu o Brasil e, dois anos depois, já se encontrava estabelecido que a Taça das Confederações serviria para para  teste das fases finais dos Campeonatos do Mundo.
Como co-organizadores do Mundial de 2002, Coreia do Sul e Japão receberam a edição de 2001. E participaram nela, como está bem de ver. Com o campeão do mundo e da Europa confundidos na mesma selecção, a França (1998 e 2000), o México teve direito a entrar como titular.
Ao título mundial e europeu, somou o título confederativo, batendo o Japão por 1-0.
Dois anos mais tarde, em 2003, seria a própria França a receber o torneio.
Ganhou outra vez.
Aos Campeões que, na meia-final, tinham visto o seu jogador. Marc-Viven Foé colapsar em campo inanimado ao minuto 71. Seguiu-se a morte.
A partir de 2005, a FIFA estabeleceu que a Taça das Confederações só se disputaria nos anos anteriores às fases finais dos Campeões do Mundo.
E, mantendo o principio de que o grande objectivo era o de servir de teste aos Mundiais, sempre no país que, no ano seguinte, organizasse a prova.
A nova era teria, assim, início na Alemanha.
Seguir-se-iam a África do Sul, o Brasil e a Rússia.
O Brasil conquistaria todas as Taças das Confederações a partir daí, embora tenha ficado de fora da deste ano.
4-1 à Argentina, em Frankfurt; 3-2 aos Estados Unidos, em Joanesburgo;3-0 à Espanha. Mas fala-se à boca cheia pelos corredores que a Taça das Confederações não tem futuro.
Ou melhor, que o futuro dela é já agora. Na Rússia, de onde daremos notícias..."

Afonso de Melo, in O Benfica

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