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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

As escolhas para o Dragão

"No entremeio da histeria comunicacional que nos vem sendo imposta pelos tarimbeiros habituais, a enxurrada de golos do Benfica, a escorregadela do FC Porto e o consequente encurtamento da vantagem portista na classificação não serviram apenas para comprovar que não há mal que sempre dure, nem bem que se não acabe. Porque a conjugação daquelas variáveis teve também o condão de garantir que o jogo de sexta-feira, no Dragão, já não terá o carácter decisivo para um Benfica que corria o risco de ficar prematuramente desenganado quanto à renovação do título. Ficou assim afastado o espectro de um castigo indigesto e que seria ainda mais martirizante para os benfiquistas por só se ter ainda jogado pouco mais do que um terço do campeonato. Compreensivelmente, a nova realidade descontentou os portistas, retirou alguma transcendência ao duelo que os dois clubes irão travar dentro de três dias, mas, por outro lado, acrescentou fascínio não só ao "clássico" mas também ao próprio campeonato, até porque, como diria Marcelo Bielsa, o ânimo é um factor que ajuda a definir os resultados. E, por último, não é de excluir que este novo cenário acabe também por condicionar as preferências e as estratégias de Sérgio Conceição e, principalmente, de Rui Vitória.
A escolha talvez fosse diferente se o Benfica tivesse necessidade imperiosa de vencer no Dragão, mas agora seria uma grande surpresa se o técnico do Benfica abdicasse, no Dragão, do 4x3x3 que lhe garantiu um importante triunfo em Guimarães e a goleada e a exibição mais impactante da época frente Setúbal, pouco importando para o caso os constrangimentos internos com que se debate hoje o clube treinado por José Couceiro. É verdade que, pelo meio, aconteceu o festival de disparates na Rússia, mas aí a responsabilidade não foi (como raramente é) do desenho táctico escolhido (até porque é mais fácil disfarçar as deficiências jogando em 4x3x3 do que em 4x4x2 clássico), antes dos problemas crónicos que espelham a falta de método e de organização, bem patentes, por exemplo, na dificuldade em gerir o jogo com bola. E, no meio daquele caos, muitos jogadores acabaram, mais uma vez, por parecer muito piores do que realmente são (sim, também incluo neste lote Filipe Augusto, que não é o melhor médio do mundo, mas já foi presença habitual nas selecções jovens brasileiras). O que mudou então comparativamente ao jogo com os setubalenses? Desde logo, a qualidade do adversário, mesmo que o CSKA também não seja uma equipa da primeira linha europeia e tenha fragilidades que o Benfica não soube explorar. Igualmente importante foram os regressos, frente ao Setúbal, de Grimaldo e Krovinovic, cuja qualidade técnica e inteligência de jogo permitem resolver algumas das carências que sobrevivem em termos de construção. A sua simples presença exponencia um jogo mais combinativo que favorece as prestações principalmente de Jonas e Pizzi (ou alguém acredita que este, em poucos dias, "ganhou forma"?). E os ganhos neste capítulo só não são maiores porque Rui Vitória continua a privilegiar os alas que fazem da vertigem o seu ato de fé (e, neste aspecto, Cervi só leva vantagem sobre Diogo Gonçalves por ser mais fiável defensivamente), em detrimento de outros, como Zivkovic, que têm a capacidade de, a cada instante, ler o que o jogo pede. Para o Dragão seria importante poder voltar a contar com Rúben Dias, o único central do Benfica que, hoje em dia, resolve o problema da profundidade nas costas da defesa e disfarça as costuras do tempo em Luisão. Por último, importa dizer que, para se ser um bom treinador, importa transmitir honestidade aos jogadores. E foi isso que Rui Vitória fez ao manter na baliza Bruno Varela. O problema é que o critério tinha sido diferente quando lançou extemporaneamente Svilar. Na altura, a única explicação plausível foi estarmos na presença de um guarda-redes com qualidade excepcionais (o que é verdade) e que passava a ser uma escolha de futuro, estando o Benfica disposto a pagar os inevitáveis custos da sua precocidade. Mas, a ser assim, também não se percebe que a aposta tenha cedido à primeira gripe, por muito que o belga tenha demorado a curá-la…
Com Soares e Marega novamente disponíveis, Sérgio Conceição não resistiu a regressar ao 4x4x2 nas Aves, talvez já a ensaiar o esquema que mais rentabiliza a dimensão física dos seus avançados para o confronto em que se pensava que poderia deixar o Benfica totalmente "knockout". Mas as circunstâncias mudaram. Não só porque o Benfica renasceu, mas também porque o FC Porto, independentemente do mérito estratégico de Lito Vidigal, perdeu qualidade e intensidade no seu jogo. E, mesmo que isso não deva ser relacionado com o desenho táctico (até porque já se havia notado em boa parte do jogo com o Portimonense, onde até houve um meio campo a três), parece agora mais lógico o regresso à solução em que Herrera surge à frente de Danilo e Sérgio Oliveira (ou André, porque Óliver parece surpreendentemente cada vez menos deste campeonato). Com Corona castigado, o mais provável é que o técnico portista coloque Marega na direita (como fez em Alvalade) e guarde Soares para qualquer necessidade. Já se sabe que a manta é curta e a dúvida é como vão recuperar alguns dos vários jogadores que já vão dando sinais de desgaste. Mas esse é um problema que só poderá (ou não) ser atenuado em Janeiro.

Cinco estrelas - Sterling vale ouro
Num City que Guardiola transformou numa máquina de bem jogar e de bater recordes, ganham cada vez mais importância as filigranas do pequenino Sterling, que já soma 12 golos (oito na Premier League e 4 na Champions) e foi decisivo em Huddersfield.

Quatro estrelas - Cavaleiro empurra o Wolves
Ivan Cavaleiro afirma-se como figura importante num Worverhampton que Nuno Espírito Santo se apresta a conduzir até à Premier League. Marcou nos últimos três jogos, somando 6 golos.

Três estrelas - Milan de mal a pior
No sétimo posto (e a 18 pontos do líder), o Milan não rentabilizou o milionário investimento e despediu Vicenzo Montella. O que não se esperava é que André Silva passasse a ser treinado por Gennaro Gattuso, que vem dos juniores e não tem nada que o recomende.

Duas estrelas - A encruzilhada de Renato Sanches
Renato Sanches não consegue sair da encruzilhada em que se meteu e já está a ser duramente criticado por antigas vedetas do Swansea. Ter talento não chega – é preciso também o suporte psicológico que ele ainda não mostra ter.

Uma estrela - Golos fantasmas e guerras fúteis
Como alguém disse, a parte chata de discutir futebol, política e religião não é a discussão em si, mas o facto de ser inútil argumentar contra fanáticos. E isso vale tanto para quem faz a guerra da comunicação com o seu próprio entulho como para os que torcem o nariz ao VAR mesmo após o golo não validado a Messi."

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