Últimas indefectivações

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A demissão

" «Oh Erlestina, vamos embora, que isto foi tudo uma grande aldravice!»
Canção de Lisboa, filme de 1933

«Que triste sina ver-me assim, que sorte vil, degradante». Vasco Santana cantava sobre ele próprio, ou sobre Vasco Leitão, o Vasquinho da Anatomia, mas aqueles dois versos aplicam-se na perfeição à FIFA. Quem a viu e quem a vê. As suspeitas há muito existiam, mas poucos anteciparam que a obscuridade do organismo que rege o futebol mundial fosse posta a nu nesta podridão de corrupção com consequências criminais para muitas das suas maiores figuras - senão todas...
Que a FIFA é uma organização pouco democrática não havia muitas dúvidas. Mas aquela acusação que é regularmente feitas aos jornalistas, de que sabem muitas coisas e não as escrevem, é injusta. Era claro que havia troca de favores, benefícios a países menos favorecidos e aos dirigentes desses países, mais influenciáveis com o luxo de Congressos e Mundiais, que quereriam manter o status quo a toda a força. Na verdade, algo não muito diferente do que Platini fez com o Leste europeu para garantir a sua eleição na UEFA. A fronteira entre o desenvolvimento do futebol onde mais é necessário e os favores em troca de votos é ténue. A coisa parece interesseira, não mais que isso. Muito pior já se viu no Comité Olímpico Internacional.
Desses jogo sujo à corrupção o passo não parece muito grande mas é decisivo, e pouco gente poderia garantir que ele tinha sido dado. Até agora. Agora, é mesmo caso para dizer, como a espectadora ofendida depois de António Silva premiar a filha Beatriz Costa, «vamos embora que isto é tudo uma grande aldravice».
Blatter vai embora, sim. Mas com tempo suficiente para destruir documentos e tentar escolher sucessor."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

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