Últimas indefectivações

domingo, 23 de janeiro de 2022

Bancadolândia


"Nos braços da Serra, nós, miúdos da aldeia, investíamos tempo, habilidade e imaginação na construção de fisgas. Na puerilidade rural daqueles anos, acreditávamos que tudo valia para provocar. Era um engano! Todavia, hoje, as recordações daquele tempo ainda me assaltam quando, por exemplo, assisto a conferências de Imprensa, nas antevisões ou nos pós-jogos, em que os veios do ardil (numa espécie de concurso 'A minha pergunta é mais desconchavada do que a tua') se sobrepõem à curiosidade que os factos tangíveis deviam alumiar.
Verdade seja escrita, a ausência de uma certa estirpe de questões nos momentos mais recentes de projeção e de análise dos jogos da equipa de futebol profissional do Benfica mostrou-nos (e provou-nos) que, afinal, ainda é possível falar de bola, do porquê do que se faz e do que não faz técnica, tática e estrategicamente, individual e coletivamente. Este saudável 'regresso ao passado', discutindo-se e debatendo-se nexos no contexto futebolístico, assentou bem, por efémero que possa ser. Uma nota positiva, portanto.
Noutro quadrante, enquanto espectador, interessado no fenómeno, adepto e também entusiasta dos frutos da Formação, sinto-me no dever, muito para lá de uma obrigação moral ou reparadora, de aproveitar este espaço de ponderação para ressaltar um facto que fortalece as constatações do potencial e da qualidade que revestem a equipa B do Benfica, mais líder da Liga 2 após a jornada de abertura da 2.ª volta da competição.
Sobre o mais fresco triunfo da juventude prometedora, obliterando na visita ao candidato à subida de divisão que mora na Madeira, vale destacar que o mesmo aconteceu frente a um conjunto do Nacional constituído na sua esmagadora maioria por atletas que na época passada competiam no principal escalão do desporto-rei nacional.
Na manhã do passado domingo pudemos acompanhar um duelo entre a experiência e o talento este, respondendo pelo nome de Benfica B, estruturado e assente na utilização, no desafio em apreço, de 14 jovens jogadores, quatro com 21 anos, cinco com 20, quatro com 19 e um com 17. Arriscando repetir-me, avanço para o remate: o futuro, ou uma importante fatia, mora ali, já é inquilino no Clube."

João Sanches, in O Benfica

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