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sábado, 20 de abril de 2019

A Inteligência como atributo fundamental no Futebol

"Gosto de jogadores que entendam o jogo. Que tenham uma visão ampla, global e integrada de tudo o que um jogo de futebol envolve, nos seus distintos momentos. Que estejam familiarizados com a ideia de jogo que a equipa quer adoptar, que consigam perceber e interpretar as estratégias colectivas, que saibam por que é que se devem comportar de determinada forma. Não gosto de jogadores com uma percepção limitada, que se preocupam apenas com a acção seguinte, que sabem que têm de fazer algo, mas não percebem bem porquê. Ao fim e ao cabo, gosto de jogadores marcadamente inteligentes, com apurada tomada de decisão, embora haja bons jogadores que não decidem particularmente bem, mas mais que compensam essa lacuna com outros atributos. E é por isso que tenho preferência por determinado tipo de jogadores, em detrimento de outros.
Prefiro laterais que, ofensivamente, privilegiem a associação com os companheiros, que invadam amiúde espaços interiores e que tenham um futebol diversificado, em vez dos laterais mais estereotipados que, apesar de bons tecnicamente, baseiam muito as suas acções em subir ao longo da linha em velocidade e tentar o cruzamento em qualquer circunstância. Prefiro Grimaldo a Alex Telles, por exemplo. Ou Raphael Guerreiro a Mendy.
Prefiro centrais com grande capacidade para construir e sair com qualidade desde trás, àqueles que fazem da capacidade física e da compleição atlética as suas principais forças. Prefiro os centrais calmos e ponderados, que jogam com sobriedade, aos centrais muito voluntariosos e agressivos, que varrem a sua zona de acção sem dó nem piedade. Prefiro uma boa cobertura, uma boa contenção, a um corte de carrinho ou uma bola aérea ganha, só porque sim. Não gosto de centrais demasiado faltosos, sempre impetuosos, que 'mordem' constantemente os calcanhares adversários. Agrada-me muito mais a compreensão correcta das necessidades da equipa em cada momento. Prefiro, portanto, Mathieu a Felipe, por exemplo. Ou De Ligt a Sérgio Ramos.
Prefiro médios defensivos que pensem aos médios defensivos que lutem. A inteligência será sempre mais importante no futebol que a abnegação por si só. Prefiro um 6 competente a nível posicional, com e sem bola, que dê apoios, se sinta confortável a iniciar a construção e seja corajoso a ligar as diferentes fases do jogo da equipa; a um 6 muito físico, que abrange grandes parcelas de terreno, que vai a todas, que passa 90 minutos a correr, mas muitas vezes de forma errada. Naquela posição determinante para uma equipa jogar com qualidade, prefiro um 6 que consiga meter aquele passe interior a deixar adversários para trás, àquele 6 muito bom na marcação e que está sempre em cima do portador, mas que se 'esconde' na altura de começar os ataques. Prefiro, por isso, William Carvalho a Danilo. Ou Matic a Kanté.
Prefiro alas/extremos que saibam identificar as soluções ideais para fazer a equipa aproximar-se do golo e que, por isso, consigam distinguir as alturas de ir para cima do defesa e tentar desequilibrar individualmente em drible, dos momentos de criar sociedades com os colegas mais próximos, em passes e tabelas, ou mesmo dos momentos de temporizar e esperar pela equipa. Detesto aquele tipo de jogador unidimensional que, assim que recebe a bola, só pensa em galgar metros e ultrapassar o adversário em velocidade, sendo incapaz de olhar à sua volta e identificar possíveis caminhos mais vantajosos. Assim, prefiro Corona a Salvio, por exemplo. Ou Hazard a Salah.
Prefiro avançados que vejam o filme completo, que se comportem como parte integrante de um colectivo e que não se preocupem apenas em marcar golos. Um jogador que se movimente apenas com o intuito de facturar os seus golos, nunca prestará um serviço completo à sua equipa. Gosto de um avançado que, além da boa capacidade de finalização (como é evidente), consiga praticar um futebol combinativo, que baixe para servir de apoio aos colegas e tenha a capacidade para segurar, deixar a equipa subir e entregar com qualidade. Ou que derive para as linhas quando tal se justifica. Não gosto de avançados que só vêem a baliza! Prefiro, por isso, Gonçalo Paciência a Seferovic. Ou Mertens a Lukaku, por exemplo.
Isto não quer dizer que todos os jogadores que eu preteri em favor dos primeiros, não tenham grande qualidade e não evidenciem também muitas boas decisões em variadas alturas. Mas pela forma como olho para o jogo, na minha equipa jogariam sempre aqueles que fizessem da inteligência e do entendimento permanente do jogo, as suas principais valências."

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