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sábado, 26 de agosto de 2017

O fim dos árbitros

"Nicola Rizzoli, árbitro italiano de 45 anos que já apitou finais de Liga Europa, Champions e Mundial, deu entrevista à Gazzeta dello Sport na qual, analisando os efeitos do videoárbitro em Itália, se socorreu de discurso de preparação geral - do estilo, «toda a gente vai ter de habituar-se» - que me soou, felizmente, ultrapassado pela realidade portuguesa. De resto, pelo menos uma das opiniões de Rizzoli sobre a arbitragem, com todo o respeito, pode ser debatida; diz ele que «o VAR não vai acabar com a importância dos árbitros». Lamento, mas vai. Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, investigadores de Oxford, publicaram em 2013 The Future of employment: how susceptible are jobs to computerisation?, documento no qual antecipam a probabilidade de desaparecimento de várias ocupações nos próximos 20 anos por força da informatização.
A lista incluiu 702 o sectores de actividade e os árbitros de modalidades desportivas estão no lugar 684, com uma probabilidade de 98 por cento de desaparecerem. Por isso, miúdos, se estão a pensar fazer disto vida, pensem melhor. Há pior do que árbitros, é verdade, como operadores de telemarkting e reparadores de relógios. Enfim, Rizzoli também já está no final de carreira e não vai ser afectado. De resto, a outra profissão dele, a de arquitecto, está no lugar 35 da lista, com menos de um por cento de probabilidade de desaparecer. No que me toca, como jornalista, tenho razões para optimismo, porque repórteres, editores de informação, autores e escritores não estão, dizem eles, em risco. O desporto, mesmo sem árbitros, por cá continuará: treinadores, detectores de talentos, cientistas de treino, nutricionistas e atletas estão bem na lista de Frey e Osborne. Os árbitros, portanto, tal como quem gosta de lhes discutir as decisões nos limites primários da inteligência, é que parecem ter os dias contados. O futuro soa muito bem."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

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