Últimas indefectivações

sábado, 13 de setembro de 2014

Empate

Oriental 0 - 0 Benfica B

Como não vi o jogo, não vou tecer muitos comentários... mas é estranho ver na 11 inicial tantos 'centrais'!!!

Varela; Nunes, Valente, Lindelof, Alfaiate; Dawidowicz (Santos, 64'), Pinto; Teixeira (Amorim, 86'), Costa, Guedes (Romário, 80'); Fonte.

Derrota

Sporting 28 - 21 Benfica

Não vi o jogo, portanto não vou tecer muitos comentários... mas o resultado, infelizmente, não surpreende.

Reforços à medida do que se queria

"A ser verdade a notícia que A BOLA online anuncia em primeira mão, o Benfica comprou o avançado Jonas. Como bem sabe quem tem a paciência de me ler com regularidade, nunca exulto com contratações, e dou um valor relativo às sucessivas chegadas de prometidos craques que vão mudar o curso da vida desportiva do clube. Não sou dado a euforias de pré-época. Com excepção de Aimar, cuja chegada me maravilhou por ser um dos jogadores que mais admirava, não devo ter gasto muitas linhas com reforços.
Faço uma excepção aqui hoje, porque me confessei angustiado e apreensivo com tantas saídas e de tão grande qualidade, este defeso. Nas últimas semanas o Benfica foi absolutamente cirúrgico, e a meu ver assertivo naquilo que eram as óbvias prioridades depois das saídas.
Não havia adepto que não referisse a necessidade de um lateral esquerdo, dois médios (tanto mais com a lesão de Rúben), um guarda-redes experiente e um avançado feito.
Como sempre no imponderável futebol, pode correr mal, mas Eliseu, Júlio César, Samaris, Cristante e Jonas parecem à medida daquilo que se queria e para onde se precisava. Lateral feito, guarda-redes experiente e que não treme, dois médios créditos firmados e um ponta de lança experiente. Sem bola de cristal, parece haver agora matéria prima para lutar pelos títulos todos (adoro dizer todos) que temos em nossa posse.
Há mérito grande nas aquisições. Podia ser melhor? Podia sempre ser melhor. Poderia vir o Messi, Bale e o Manuel Neuer ou o Ibrahimovic. Mas a nossa realidade financeira impõe responsabilidade.
Logo em Setúbal, sem euforia nenhuma, mas com uma ambição enorme continua a luta pelo sonho maior: ser bicampeão nacional.
Terça-feira contra o Zénit espero ver um bom jogo, mas para mim é essencialmente o jogo que antecede o Moreirense esse sim importante e decisivo."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: Ontem, com os 5 em Setúbal, esqueci-me da crónica do Cervan... sendo assim, aqui fica ligeiramente atrasada, mas como é habitual, bastante acertada!!!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Tranquilo...

Setúbal 0 - 5 Benfica

Diria mesmo demasiado tranquilo... Num relvado tradicionalmente difícil, onde o Benfica raramente ganha folgado - ainda o ano passado, ganhámos, num dos piores jogos da época!!! -, contra uma equipa agressiva (como são todas...), acabámos por descomplicar, marcando cedo, e não deixando o adversário sequer aproximar da nossa área... Apesar das facilidades, é sempre bom recordar que o Setúbal, foi uma das equipas mais activas neste defeso, fazendo algumas contratações 'surpresa', e nas primeira jornadas até tinha dado bons sinais...
O Talisca com o 3 golos vai ser considerado por todos como o homem do jogo... para mim não é surpresa, já que defendi desde do início, e depois de ver alguns vídeos do Brasil, que o Talisca era um avançado, e não um centro-campista como o Jesus inicialmente o quis transformar. Agora com a chegada o Samaris e do Cristante, parece-me que não vamos ver o Talisca novamente no meio-campo... Mas não deixa de ser um pouco irónico, no dia em que o Benfica confirmou a contratação de mais um avançado, supostamente para o lugar do Talisca, que ele tenha feito o seu primeiro hat-trick no Benfica (logo no jogo onde marcou pela primeira vez, num jogo oficial...)!!!
Pessoalmente, estive mais interessado em observar a adaptação do Samaris ao esquema. Não é preciso ver o Grego com a bola nos pés durante muito tempo, para ter a certeza que o homem, é jogador da bola... a única questão, é a adaptação ao esquema do Benfica de Jesus. Apesar do adversário não ter dado muitos problemas defensivos, gostei bastante do jogo do Samaris... nota-se em algumas jogadas, alguma confusão no posicionamento, e ainda hesita no passe, complicando algumas jogadas desnecessariamente, mas isso só será optimizado com os minutos. Na próxima Terça-feira com o Zenit, o teste já será mais complicado, pareceu-me que as compensações nas laterais ainda não estão 'mentalizadas'!!!
O Cristante também teve direito a alguns minutos, numa altura onde o jogo estava 'fechado', mas gostei da postura... mas é necessário outras dificuldades para avaliar definitivamente.

A nota, mais ou menos, negativa vai para o Lima: que continua a trabalhar muito, mas está a passar por uma daquelas fases, onde simplesmente não consegue marcar golos!!! À frente da baliza tudo lhe corre mal, e depois perde o discernimento, e a probabilidade de falhar os golos, ainda aumenta mais... Precisa urgentemente de marcar, para recuperar a confiança.
O objectivo número 1 é o Campeonato, que ninguém se esqueça disso. Mas para que o Campeonato seja conquistado é importante, não 'cair' novamente para a Liga Europa. O Zenit desta época, não é o Zenit do Spalletti das últimas épocas... as dificuldades vão ser muitas, ninguém tenha dúvidas, ainda por cima eles estão com mais rodagem. É verdade que hoje goleámos, é verdade que o ano passado por esta altura andávamos todos histéricos, com os golos sofridos (principalmente de bola parada!!!), mas também é verdade que ainda estamos longe do nosso potencial, que normalmente (com o Jesus) só atingimos lá para Novembro...

Jonas

A última contratação deste defeso, já foi feita 'fora de horas'... é óbvio que o Jonas não foi a primeira opção, mas dentro de todas as condicionantes (e são muitas: financeiras, projecção da Liga nacional...), acaba por ser uma surpresa pela positiva.
O Jonas é um veterano (mais novo que o Lima), que foi estrela quando jogava no Grémio, onde era conhecido pelo Detonador... acabou por se transferir para o Valência onde ficou 4 anos, com números muito interessantes para a Liga Espanhola e na UEFA...
É daqueles avançados oportunos, espertos, que não é especialmente rápido, nem especialmente forte no um para um, nem especialmente bom de cabeça... mas faz aquilo que muitas vezes parece muito complicado: marca golos!!!!
Com o Lima, o Derley, o Jara e o Talisca (que neste momento está a fazer um hat-trick!!!) - não me parece que o Nelson Oliveira seja opção para o Jesus... -, e agora o Jonas para as provas nacionais (só poderá ser inscrito na UEFA em Janeiro), ficamos com várias e boas opções para o nosso ataque...
Escrevi muitas vezes que quando o Cardozo deixa-se o Benfica seria muito difícil encontrar um substituto... acho que nenhum destes jogadores fará os números do Cardozo no Benfica, mas para o imediato não está nada mau...

Da FPF

"A Selecção Portuguesa perdeu, em casa, contra a Albânia. Isto, por si só, é um acontecimento que obrigaria a repensar o futebol na FPF. No entanto, para a FPF isto é uma espécie de sobressalto menor na triunfal caminhada da dupla Paulo Bento/Fernando Gomes ou Cristiano Ronaldo/Jorge Mendes (para o efeito, é indiferente). O jornal 'A Bola' chamou-lhe a maior vergonha do futebol português. Não é. Para o ser, isto teria de ser uma vergonha maior do que a Justiça desportiva Portuguesa (com alto patrocínio da FPF fez com as escutas do Apito Dourado. Aliás, para que isto que aconteceu com a Albânia fosse a maior vergonha do futebol português seria necessário que o actual presidente da FPF não tivesse feito a figura que fez nas escutas da... maior vergonha do futebol português.
Olhando para a derrota da Selecção Portuguesa contra a Albânia (em casa, convém não esquecer), chegamos à conclusão de que Paulo Bento até tinha razão e propriedade em dizer, no final do jogo, que a sua equipa até chegou a jogar bom futebol durante vinte minutos... contra a Albânia, em casa. É um facto. Também é um facto que nenhum jogador português se lesionou. Juntando estes dois factos deveríamos todos nós portugueses (e não apenas a dupla que manda na Selecção) concluir que o afastamento da equipa médica do grupo de excursionistas que triunfou no Mundial do Brasil se justificou e que foi aí que radicou o problema da FPF.
Para concluir, resta esperar pelo próximo momento vergonhoso, o tal que decorrerá no meio dos festejos de terem conseguido um apuramento de calculadora em punho para uma competição europeia que apura um número inaudito de 24(!) selecções. Longa vida a esta dupla (seja lá qual for) que lidera esta brilhante Selecção da FPF."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

PS: A crónica do Pedro está um bocadinho desactualizada, num pormenor, mas não deixa de ter razão no resto...!!! 

Encarnado é o Vermelho-amor (avençados)

"A ingratidão causa-me revolta. A ingratidão relativa ao Benfica ainda mais. Vem isto a propósito de alguma imprensa desportiva e de alguns jornalistas. É inconcebível que o Benfica seja tão maltratado por alguns, quando é o ganha-pão desses mesmos. Já imaginaram as vendas desses jornais sem notícias do Glorioso? O Benfica não está, como ninguém deverá estar, acima da crítica. O que eu não aceito é que seja provocado, denegrido ou, simplesmente, que tenha um tratamento desigual, relativamente a outros. E deparando-nos com este fenómeno, perguntamos às direcções desses periódicos se tal facto é uma estratégia editorial ou uma fraqueza da própria direcção que permite que alguns jornalistazinhos ajam desta maneira? Sem dar publicidade a esses pasquins, quero recordar e desmontar como alguns títulos e notícias são forjados para provar e apoucar o Benfica: 'Jara Riscado' era notícia de capa inteira. A palavra 'riscado' não é inocente. Ela carrega um sentimento de punição, de falta de consideração, que o Benfica nunca teve para com o jogador. Havia, certamente, outra terminologia. Mas mais gravoso é que o dito jornaleco não percebeu que o jogador estava lesionado. Se a intenção não fosse a de provocar o Benfica, sobre a mesma matéria poder-se-ia ter dito: 'Nélson Oliveira é aposta do Benfica na Champions'.
O que espanta é que não se falou de um Rolando riscado depois das palavras do presidente desse clube, nem dos três últimos reforços do FC Porto, nem se falou dos riscados do Sporting contratados com tanta pompa há um ano. Há dias, anunciava-se que, para o mesmo lugar, o Benfica havia gasto 15 milhões em dois atletas. Quiseram dar a imagem de despesista, esqueceram-se que nos grandes clubes assim acontece e, inocentemente, elevaram a qualidade do plantel. Mais: 'Crise no eixo do ataque'; 'Não ir para o Benfica foi a melhor decisão'; 'Irregularidade tramou afirmação de Jara', etc, continuam a encher jornais e a agredir o Benfica. Tenham vergonha, não desceremos do nosso lugar: o mais alto!"

Carlos Campaniço, in O Benfica

A Formação

"A indecorosa derrota da Selecção Nacional diante da Albânia acentuou o debate sobre a Formação. Também no Benfica o tema tem sido recorrente, quer para aqueles que vêm nele a cura para todos os males, quer para os que olham com alguma prudência para tão grande optimismo (nos quais me incluo). 
Desde logo, quando se fala em Formação, há que distinguir o interesse do futebol português, dos interesses dos clubes portugueses. Se a Selecção teria a ganhar com uma política desportiva que reforçasse a utilização de jovens jogadores portugueses nas principais equipas e nas principais competições, para os grandes clubes o compromisso é vencer, com ou sem juventude, com ou sem portugueses. Perante gerações bastante apagadas de futebolistas lusos, é natural que a aposta de quem busca títulos e presenças internacionais de relevo incida noutro perfil de jogador - mais agressivo, mais disponível, e mais resistente, que os mercados sul-americanos vão fornecendo.
Seria interessante perceber se esse apagamento é conjuntural, ou se, pelo contrário, se deve à agonia de um certo futebol de rua (que conferia criatividade e robustez aos Futres, aos Figos e aos Ronaldos), e ao recrudescimento das gerações “Play-Station” (mais acomodadas e sem grande capacidade de sofrimento), assumindo então uma matriz estrutural, logo mais difícil de inverter. A verdade é que, na última década, contam-se pelos dedos os jogadores de classe internacional que o futebol português produziu. Mau trabalho de base, ou inexistência de talento natural? Suspeito que a segunda hipótese também seja de considerar. 
Sendo este um problema do âmbito da FPF, das selecções jovens, ou, no limite, da regulamentação desportiva, não me parece que o Benfica deva ter pruridos em recorrer aqueles que lhe dão mais garantias imediatas, independentemente de nomes, nacionalidades ou datas de nascimento. É verdade que existe, bem perto, quem alinhe com seis ou sete jogadores formados internamente. Mas…quantos títulos têm eles conquistado?"

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Não vi mas também não gostei

"Será que a Selecção tem cozinheiro? Tem? Então a culpa é do cozinheiro. No Benfica também temos cozinheiro: o Talisca já engordou cinco quilos.

NÃO fizemos um mau jogo disse Paulo Bento.
Lamento, e lamento muito sinceramente, mas não usufruo do grau mínimo de legitimidade para desancar com os meus argumentos impiedosos a supracitada análise do nosso seleccionador nacional devido a uma razão nada complicada. É que não vi o jogo.
Não ver é um direito que a todos assiste e que não menoriza ou, pelo menos não deveria menorizar, os que dele (do direito) não prescindem em certas e bem determinadas ocasiões. Como esta, justamente.
Portugal contra a Albânia não era grande programa, admita-se sem complexos. O cartaz só não era fraquíssimo para quem não anda nestas coisas. E ainda são algumas privilegiados.
Mas para os outros, os que andam forçosamente nestas coisas mas com consciência plena dos factos, e ainda são muitos, fazia arrepiar só a ideia de que o cair da noite do primeiro domingo do sempre admirável mês de Setembro pudesse vir a ser importunado por um acontecimento tão insuficientemente exótico como um Portugal - Albânia.
E se fosse ao contrário? Se em vez de um Portugal - Albânia marcado para Aveiro, antes fosse um Albânia - Portugal agendado para Tirana?
Com o devido respeito pelas duas federações em contenda, ia das ao mesmo.
Mas, sendo o jogo no estrangeiro e sabendo-se que as excursões para fora do país provocam sempre formigueiros em qualquer tipo de comitivas, não se poderia antecipar um Albânia - Portugal prometedoramente mais atractivo do ponto de vista da qualidade das emoções? Não, de modo algum. Sò os ingénuos acreditam numa coisa destas.
Cá ou lá, a coisa tinha todos os ingredientes para estar condenada à partida.
Começou mal a campanha de qualificação da Selecção portuguesa de futebol para a fase final do Europeu de 2016, evento para o qual ainda falta imenso tempo? Sim!
Começou pessimamente. Mas pior teria começado para mim, egoistamente falando, se tivesse de ver esse mesmo jogo de que me escapei, muito decididamente, atravessando a fronteira para a Espanha sem pinga de remorso.
Remorsos? Nada, nem um bocadinho. Mas onde é que as exóticas festas da Senhora das Angústias de Ayamonte ficam alguma vez atrás, no domínio das mais básicas expectativas, de um Portugal-Albânia ou de um Albânia-Portugal, seja em que modalidade for?
Devo dizer, em abono da verdade, que estava o jogo precisamente no seu intervalo e ainda estava eu em terras portuguesas. Mais precisamente numa estação de serviço à beira da estrada. Foi aí que ouvi em fundo, e sem querer, o som vindo do minúsculo aparelho de televisão que para lá está a um canto a fazer companhia ao gasolineiro nas horas mortas, que devem ser incontáveis daqui até ao próximo verão.
A televisãozinha estava sintonizada na RTP que transmitiu o jogo como é deu dever. Conto-vos então o que ouvi no momento em que liquidava a despesa sob um cheiro intenso e inebriante a gasolina.
«Chegamos ao intervalo e em termos de ocasiões, uma para Portugal, zero para a Albânia».
Foi este (e num tom enfadado) o modo como o comentador de serviço resumiu os primeiros quarenta e cinco minutos do tal desafio internacional.
E pensei com grande tranquilidade: «Deve estar a ser bonito, deve».
O homem ou adivinhou os meus pensamentos ou terá reparado num franzir de sobrolho que me escapou e logo se dispõe a dar-me razão sem eu lhe pedir:
- Não está a perder nada de especial, não senhora.
E disse-o com bonomia que é o que ser quer. Segui viagem.
Meia hora depois, sentada à mesa com um grupo de bons amigos na esplanada da Puerta Ancha na já mencionada cidade de Ayamonte, perante a excelência de tudo o que se me deparava, afligiu-me um rebate de consciência muito característico de quem na infância frequentou a catequese.
Foi maior a preocupação do que o arrependimento, convenhamos. Mas a perspectiva de uma derrota da Selecção portuguesa frente à selecção albanesa, resultado indiscriminadamente exótico, obrigava-me por isso mesmo, e por razões morais, a ter visto o jogo sobre o qual toda a gente, dos amadores aos profissionais, iria falar durante a semana.
E eu, no fundo, considerei-me e considero-me uma profissional, anda que sem nada para dizer sobre o assunto albanês.
Vi o jogo? Honestamente, não, não vi.
Não vi mas também não gostei.
Pronto. É o mais longe que me posso permitir em termos do comentário profissional, do tipo intelectualmente honesto predominante.
E, sem ter visto o jogo, o que escrever?
Poderia, nas circunstâncias difíceis em que me encontrava, optar por uma de duas soluções para uma saída airosa tendo em vista a crónica desta quinta-feira.
A primeira era desancar à tripa forra no seleccionador nacional. Para dizer mal do Paulo Bento e deixar toda a gente satisfeita nem é preciso ver jogos da Selecção que ninguém dá conta. Mas não será fácil de mais, quase ignóbil, desancar no seleccionador goleado por 1-0 pela Albânia num jogo que nem vi?
A propósito desta questão moral lembrei-me de uma frase que nunca me saiu da cabeça lida num romance de Conrad - «... aquela cobardia peculiar da respeitabilidade» - e logo se me afastou essa ideia tristíssima de me fazer consensual às custas de um pobre diabo caído em desgraça.
A primeira solução ficou, portanto, imediatamente arrumada.
A segunda solução era cumprir a crónica desta quinta-feira sem considerações sobre o jogo da Selecção ou sobre qualquer outro jogo ou evento desportivo, ou mesmo escândalo judicial, considerando eu, do meu imbatível lugar sentado numa esplanada espanhola, que não havia nada de mais contundente, espirituoso e urgente para os leitores de A BOLA do que conhecer o menu proposto pela casa juntando-lhe eu a minha muito pessoal descrição sábia e vaporosa de uns quantos pratos que me mataram a fome.
É isso, é isso queremos! - gritam os leitores que, francamente, já preferem não importa que assunto a ter de ler mais uma página de alto a baixo a descansar no Paulo Bento.
Ganhou, portanto, a segunda solução. Cá vai. Da exibição do nosso renovado meio campo nada sei nem quero saber. Mas naquela hora de domingo à noite em Ayamonte podia garantir-vos que o tataki du atún con wasabi y encurtido de jengibre ganhava de largo a qualquer prato confeccionado pelo cozinheiro da Selecção Nacional.
E agora interrogo-me: será que a Selecção tem cozinheiro? Tem? Ah, então a culpa, está visto, é do cozinheiro. Há que substitui-lo com urgência. La vida es demasiado corta para beber vino malo, reza o cardápio da Puerta Ancha na contracapa. E reza muito bem. Por alguma razão já foram campeões do mundo.

UMA vez sem exemplo a falar de comida, é verdade, mas não por falta de assunto, nem por temor reverencial, muito menos por gula, Deus me livre, antes por deliberada falta de comparência, tal como ficou justificado.
No entanto, o tema alimentar, devo confessar, persegui-me durante a semana e coloco-o mesmo no cume da minha montanha de atenções neste primeiro terço de Setembro. E pelas melhores e mais felizes razões.
Então não é que o nosso Talisca, dizem os jornais já engordou cinco quilos em massa muscular desde que aterrou no Estádio da Luz? No Benfica, ao menos, temos cozinheiro."

Leonor Pinhão, in A Bola

Fellini 8 1/2

"Era um jovem quando nos anos 60 do século passado vi o filme de Fellini 8 1/2, por sinal bem difícil de descodificar. Veio o notável realizador italiano à minha memória, quando surgiu uma nova e sofisticada aritmética (tabuada) no futebol. As posições dos jogadores deixaram de ter nomes substantivos para se lhe aporem números significantes. Não me refiro à numeração nas camisolas, que essa deixou de ter qualquer sentido, excepto se ligada a alguma tradição ou até superstição.
Estou a falar de outros números que enquadram posições e movimentos. Ouve-se dizer que um certo jogador é um puro 8, mas pode adaptar-se a ser um bom 6 e, em caso de emergência, até um 3. Assim como são raros os bons 10 para  assistir os 9. Fala-se agora de Jonas para o Benfica, com uma interessante referência: não é bem um 9, nem um 10: é um 9,5. Confesso que não conheço as suas capacidades. Mas ser um número fraccionado é o mesmo que dizer que não é inteiro? Será 9 por excesso e 10 por defeito? Já agora, sendo o 1 o guarda-redes haverá alguns que só são 0,5?
Também ouço dizer, de vez em quando, que certo jogador é, por exemplo, um falso 6. Quer dizer que é um número imaginário?
Ainda a propósito dos novos algarismos, recordo a sagaz explicação de Jorge Jesus durante o jogo em Londres contra o Totteham. Ganhava o Benfica gloriosamente por 3-1 e dirigindo-se ao seu colega inglês fez o gesto com os dedos indicando 3 (golos, claro). Mas, na conferência de imprensa, mais cauteloso, explicou-se: «Estava a dizer Luisão, number 3» que, por acaso, veste a camisola n.º 4. Mas que para Jesus ocupa a posição 3. Ou seja, um número primo no SLB, evidentemente."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Há dias de sorte !!!

Hoje foi um dia de sorte (dentro do 'azar'), o nosso Franco Jara, safou-se de um aparatoso acidente de viação, sem mazelas...

Noutro local, um dos maiores corruptos portugueses - no mundo do futebol -, um dos grandes 'pais' do famoso sistema, finou-se!!! Conheci-o pessoalmente... na última vez que o vi, fugiu!!! Porque não quis ser confrontado, com alguém que o conhecia de gingeira... os cobardes são assim, são perigosos quando 'negoceiam' nos recantos escuros, mas a consciência é tramada, e mais tarde ou mais cedo, a vergonha acaba por lhes 'conquistar' a cara!!! As excepções são os 'sortudos' que nos últimos dias ficam com Alzheimer, e esquecem-se de toda a porcaria que fizeram...!!!
Infelizmente, deixou muitos seguidores...

Chamem o médico!

"Como já vem sendo regra, a Selecção começou mal o apuramento para uma fase final. É mesmo o pior começo, superando os anacrónicos 4-4 contra cipriotas.
Nunca um apuramento se apresentou, à partida, tão acessível. O sorteio bafejou-nos com um grupo de 5 (e não 6) equipas, das quais são apuradas as duas primeiras directamente e - imagine-se! - a terceira ainda tem um play-off, num Europeu que, pela primeira vez, vai contar com um número exorbitante e injustificado de 24 selecções. No nosso grupo estão as as acessíveis Dinamarca e Sérvia e as generosas Albânia e Arménia...
Sem Ronaldo, Portugal é uma equipa vulgar. Aliás, foi Ronaldo que nos pôs no Brasil numa exibição soberba em Estocolmo. A Selecção, para utilizar uma imagem popular, «não é peixe, nem é carne». Talvez «ovos mexidos, mas sem sal». Presa por egos, tatuagens, penteados e conversas. Os velhos já jogam com o estatuto de aposentação antecipada, os novos são lançados aos soluços sem uma linha estratégica pensada. Alguns dos debutantes são-no em função de factores que fogem ao racional do puro futebol. Ser seleccionado passou a ser uma vulgaridade. Há jogadores que se tornam internacionais porque mudam de um clube secundário para um grande (veja-se Licá e Josué, no ano passado) ou porque vão para a estranja (como o duo ex-setubalente Vezo e Horta).
O discurso já não mobilizador. Antes, é cansativo, repetitivo, sem chama.
No fim da indigna derrota diante de uns medíocres albaneses, lembrei-me da substituída equipa médica que acumulou as culpas do desastre por terras de Santa Cruz. Afinal, a culpa no domingo não foi do médico. De quem terá sido agora?"

Bagão Félix, in A Bola

A entrevista que parece não ter existido !!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A noite dos príncipes mal educados...

"Em Junho de 1960, o Mónaco, vencedor da Taça de França, visitou o Estádio da Luz para um jogo amigável. Vitória encarnada por 1-0, que podia ter sido por quatro ou cinco e um episódio caricato que indignou a imprensa da época.

Dificilmente outro clube vive com as vantagens deste Mónaco que cabe ao Benfica defrontar para a Liga dos Campeões.
Association Sportive de Monaco Football Clube: fundado em 1924, joga na liga francesa já que o Principado do Mónaco não está filiado na UEFA. Mas, ao contrário dos seus adversários de França, beneficia das facilidades fiscais de um paraíso do jogo. Uma injustiça sentida no seio do campeonato francês e que tem levado a acesas discussões.
Deixemo-las. É lá com eles... Mas assim se compreende mais facilmente os negócios de gente como Dimitri Rybolovev, patrão russo dos monegascos.
A história europeia do Mónaco é pobrezinha. Duas finais das competições da UEFA frente aos felizardos Werder Bremen e FC Porto, na Taça das Taças e na Taça dos Campeões, e viva o velho! Oficialmente, nem um jogo com o Benfica, pelo que assistimos a uma estreia.
O que nos faz viajar hoje até 1960. 16 de Junho 1960.
O Mónaco veio a Lisboa, ao Estádio da Luz, defrontar os encarnados num encontro particular. Que tal falarmos deles? Em termos de embates entre ambos é do melhor que se arranja. Nesse ano, os rapazes do Principiado tinham conquistado a Taça de França. No ano seguinte seriam campeões. Tinham alguns nomes que fizeram história no futebol gaulês. Ora vejam: George Casolari - defesa que cumpriu onze épocas no clube; o médio Henry Biancheri; Michel Hidalgo - figura do grande Satde de Reims e que, mais tarde, como treinador levou a França ao título de campeã da Europa em 1984; Raymond Kaelbel - central com 35 internacionalizações, titular no Mundial de 1958, no qual a França atingiu o terceiro lugar. Enfim, gente de inegável qualidade.

Um atendado à «delicatesse»
Mas a imprensa da época, não poupou críticas aos monegascos. O domínio do Benfica foi tão intenso, tão continuo, que, a despeito do ritmo do encontro, ficaram os portugueses a dever a si mesmo mais um rosário de golos. José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém formavam a linha ofensiva. Santana e Coluna eram adjectivados de infortunados, tais as oportunidades perdidas. Fernando Soromenho, um dos nomes grados da imprensa da altura, sublinhava: «O Benfica ganhou muitíssimo bem, além de que em todas as circunstâncias soube vincar um aprumo e uma compostura que contrastou sobremaneira com a inexplicável má-criação dos monegascos que atingiu as raias do cúmulo quando um suplente (por sinal Carlier, que fora substituído no princípio do segundo tempo), entrou em campo sem autorização do árbitro e foi interferir numa jogada de ataque da sua equipa. O mais curioso é que o citado elemento saiu do banco onde costumam sentar-se os dirigentes e o treinador. Uma tristeza que se lamenta e que é um atentado contra a proverbial 'delicatesse'. A cena, inédita, era digna de uma fita cómica, que bem poderia ter intérprete, por exemplo, Fernandel. As gargalhadas das plateias seriam idênticas às que ecoaram ontem no Estádio da Luz».
O Benfica ganhou como já se percebeu. Por 1-0, golo de Santana aos 26 minutos. «A diferença de quatro ou cinco bolas estaria mais certa», insistia o mesmo Soromenho. Só que o vento do futebol nem sempre bafeja com a fortuna aqueles que por ela porfiam. Ficaram os jogadores encarnados a dever golos a si próprios e ao público que acorreu ao estádio. Na segunda parte, a troca de Águas por Torres e de Coluna por Mendes não aprimorou a dinâmica do conjunto. O Mónaco, esse, desiludiu em jogo e em compostura. Um grupo de «príncipes» mal educados estragou a noite de Lisboa.
Já se passaram 54 anos sobre o episódio. Outro Mónaco está à beira de visitar a Luz. E as estórias continuam a iluminar a História."

Afonso de Melo, in O Benfica