Últimas indefectivações

sexta-feira, 30 de março de 2012

Nova vitória...


Castêlo da Maia 1 - 3 Benfica
23-25, 10-25, 26-24, 18-25

...e agora, no Domingo, temos a final da Taça de Portugal, com a Académica de Espinho... o jogo é em Coimbra, e o 'caneco' é para juntar ao do ano passado!!!

A história da Ratazana contada para meninos

"Batem leve, levemente, pauladas de circunstância, nas costadas do lente, na circunstância. A Velha Ratazana, já careca e repelente, está contente. Não gosta de meninos de cançonetas, nem hinos. O pau atira-se ao gato: tudo mais é literatura de cordel. Nem mais pulga nem mais pato, nem mais prato nem sapato, que é tudo muito chato. Para o Madaleno só bordel! Tem os olhos deslavados, de quem soma cataratas, por isso recusa as batatas, e vai destilando fel, contra crianças de batas. Grita, resmunga, esperneia: a Velha Ratazana além de nojenta, é feia.
Exige exemplos: ninguém mais dará a mão a meninos. Coisa que já não davam. Comportamentos cretinos de lobos que uivavam ao mero toque dos sinos.
Ri-se o palhaço, feliz de tão imbecil, que proibir as canções é fácil, e matar as lengalengas não tão difícil, desde que haja um ministrozeco macio a precisar de um bilhetilho para um jogo com vício. Em coro, os petizes cantam - «Em cima do piano / estava um copo com licor / de que cor?» - e olham uns para os outros de olhos muito abertos, tanto os mais burros como os mais espertos, porque sabem de seguida a resposta proibida. Se algum responde vermelha, a Velha Ratazana ergue a celha, cospe-se pelo lugar onde lhe falta um dos dentes da frente, dá um guincho para que alguém se apresente, e avança legalmente contra o desgraçado do docente que se lembrou de pergunta tão indecente, tão impudente. Indisciplinado, um indez cantarola. - «Em cima do pianinho / está um anãozinho / De que cor está vestidinho?» - e olha por cima do ombro para a Velha Ratazana que cheira a cebola e esfrega o pescoço sujo na gola da camisola. E com um sorriso atrevido responde - «azulinho» - enquanto o Madaleno, de esgar estúpido, larga um grunhido, um latido, arrependido por não o ter agredido tal qual sentia ele houvera merecido. Para este rato cobardola, não se brinca com a escola..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Benfica - ...

Obrigação ou milagre

"A derrota com o Chelsea custou menos que o empate em Olhão. O jogo da Liga dos Campeões teve um resultado ingrato e injusto, o Benfica mostrou maturidade, embora este resultado deixe o Benfica a um milagre das meias-finais. Resta pois ir a Londres procurar... um milagre.
Ganhar em Londres seria épico, ser eliminado deixando tudo em campo é uma obrigação. Vamos cumprir a obrigação à procura do milagre.
Um golo do Barcelona teria feito do Benfica a melhor equipa a jogar em casa nesta Champions. Não parece nada provável mas teremos que procurar desafiar a estatística em Inglaterra.
Já fomos heróis em Londres contra o Arsenal, já fomos em Anfield contra o campeão europeu Liverpool e já fomos em Old Trafford. Falta Chelsea.
Já as contas do campeonato estão muito simples: ou ganhamos os jogos todos ou não aspiramos a nada de interessante. Para o Benfica o único lugar interessante é o primeiro.
Garay é muito importante. Aimar é decisivo, e Jardel faz falta. Este campeonato tem alçapões de difícil resolução. Ganhar sem os melhores, é muito mais difícil mas essa é a nossa tarefa.
O campeonato será decidido nas próximas duas jornadas, depois creio que não haverá espaço para arrepiar caminho. Esgotámos a nossa folga. Se ganhamos os próximos dois jogos estamos na luta pelo título. Depois deles, teremos um título para vencer em Coimbra. Importante: títulos são sempre importantes.
Melagrejo, tão apreciado pela nossa concorrência, já fez mais pelo Benfica que alguns que no passado vestiram a camisola uma época inteira. Para a próxima época, se for chamado, entra com créditos nos adeptos, e estará por provar se não marcou o golo que fez o Benfica campeão. Se formos campeões devia ganhar o prémio prometido ao plantel.
O treinador do FC Porto queixa-se de tudo e do universo, mas o universo azul e branco já só se queixa dele."

Sílvio Cervan, in A Bola

Aldrabice

"Para acabar de vez com os equívocos: subscrevo, porque quero e porque posso, a ideia de uma “classificação aldrabada pelos árbitros” na Liga portuguesa. As virgens escandalizadas ripostam de várias formas. Primeiro, que tal sugere premeditação e má-fé dos árbitros. Mentira: continuo a assentar argumentos na incompetência e nas deficiências – porventura mais sensíveis no campo psicológico – e não faço juízos de intenção. Nem seria útil rubricá-los, como facilmente se percebe pelo desfecho de um Apito Dourado tão transparente que tudo acabou na mesma. Segundo, é a linguagem que as eriça, às almas impolutas. Brincadeira: os que hoje gemem diante da “aldrabice” são os mesmos que já ouvi falar em “roubos”, em “Bin Ladens” e por aí fora. Também aparece a ideia, de um automatismo redutor, de que quem defende que há aldrabice está necessariamente a defender uma equipa, um clube, uma cor. Entendamo-nos: não há apenas uma vítima na cegueira e na aselhice dos juízes de campo. Basta recordar o discurso do presidente da Académica, no final do jogo de Braga.
Tudo isto dificilmente ultrapassa as “revisões da matéria dada”. A novidade, cúmulo da cobardia, é querer fazer passar as críticas às arbitragens – que sempre fiz às claras, em textos que não se escondem em pseudónimos, dando a cara ao manifesto – como parte de uma campanha que, por exemplo, se expressou na divulgação na Internet de dados pessoais de alguns árbitros, o que – pelo menos num caso – já se traduziu em ameaças ao próprio juiz e à respetiva família. Condeno, claro. Da mesma forma que deploro aqueles que me oferecem insultos periódicos. Põem-me a dizer frases que nunca disse, atribuem-me intenções que nunca tive, multiplicam ameaças rasteiras, fazem queixinhas, incluem-me em grupos que não frequento, sentam-me a mesas em que nunca passei, inventam de uma forma que me faria rir – se não fosse assustadora, por não ter rosto.
Cometo, com todo o orgulho, um pecado voluntário – penso por mim mesmo, não sou moço de recados nem correia de transmissão. Mais: ao contrário de outros, que conheço bem, posso fazer a qualquer momento, a declaração de interesses. Não preciso do futebol para (sobre)viver, não trafico informação, não faço favores, não me curvo, não presto vassalagem a ninguém. Vou defendendo, à inglesa, que insultos e ameaças são um desvio ainda tolerável – “it comes with the Job”. E gostava de continuar a falar sobre o que entendo, dos árbitros, que não são vacas sagradas e estão sujeitos a escrutínio como qualquer outro grupo social, às aldrabices. Se não puder, paciência; também não é morte de homem. Será, isso sim, um mau sinal: o de que chegámos à fase de condenar sumariamente o delito de opinião."

De cabeça perdida...

"Os árbitros quiseram deixar de ser “anónimos” e contribuíram muito para aquilo que (de grave) está a acontecer. Quiseram adquirir importância e notoriedade. Quiseram alcançar o estatuto de “estrelas”, a par de jogadores e treinadores. Os árbitros fazem-me lembrar aquelas “figuras públicas” que, num determinado momento das suas vidas, se colocam a jeito das revistas cor de rosa, e, depois, já cansadas de tanta exposição, queixam-se de não ter privacidade. Contudo, nada justifica – nem essa irresistível queda no “caldeirão da fama” – a entrada em cena do monstruoso Big Brother, capaz de tornar acessível a todos aquilo que deve ser do domínio privado, em nome da protecção do valor da cidadania.
Por mais resistência que se peça aos portugueses, não se trata de um caso de pieguice. É um caso muito sério de “direito à segurança” que não se pode nem deve alienar.
Outra coisa, bem diferente, é a chamada de atenção para as deformações do sistema, que potenciam o erro. O erro de facto e o erro por influência.
Em relação ao erro de facto já todos percebemos que, numa superfície de 120x60 metros, mesmo com a ajuda de 2 ou 4 auxiliares e de um 4.º árbitro, não é fácil decidir bem em todas as situações. É para isso que servem as reformas. O Mundo avança e o futebol está parado. Há algum paradoxo maior do que este? A competição tornou-se mais rápida, mais atlética, mais “científica”, alcançou uma dimensão “industrial” e “comercial” compatível com a sua capacidade de gerar receitas (não confundir com a capacidade também enorme de destruir essas receitas...), mas as “leis do jogo” não acompanharam a evolução nem das sociedades modernas nem do futebol em si mesma. É também por isso que se estagnou nesta visão do erro por influência. É sobre ela que recaem há muito as atenções (e as movimentações), com maior prevalência nos países latinos.
Em vez de reformas, a persistência na manutenção ou na mudança das plataformas que geram essas influências.
Pinto da Costa percebeu isso de forma cabal. Em duas décadas, foi mudando as peças do tabuleiro de maneira a conseguir o “jogo” que mais lhe convinha. Os principais adversários não perceberam isso e, quando entenderam, já a relação de forças estava totalmente alterada: o FC Porto tornou-se mais forte, não apenas por razões que se acham no espaço das competências técnicas e táticas, mas também porque soube posicionar-se nos corredores do poder futebolístico. E não deixa de ser curioso que, antes de ter um treinador com o mesmo nome, as críticas ao nomeador Vítor Pereira sempre se fizeram com conta, peso e medida...
Quem não percebeu nada foi o Benfica. E achou que ia conseguir mudar as dinâmicas dos últimos tempos com o apoio a Fernando Gomes e a Vítor Pereira, na corrida à FPF.
As últimas movimentações são caricatas e dignas de “parque infantil”: os árbitros vão à FPF com um cenário de greve na cabeça; saem da FPF satisfeitos com a hipótese de não haver contestação nesta jornada. Se os dirigentes se portarem bem e não atirarem “o pau ao árbitro” estarão disponíveis na jornada do Braga-Porto e do Sporting-Benfica. Portem-se bem, ouviram? Caso contrário, não saímos de casa, está bem? Ridículo e patético.
Patético e ridículo, também, Alexandre Mestre receber o Sporting “por causa das arbitragens” e não haver divulgação das nomeações. Andam mesmo de cabeça perdida."

quinta-feira, 29 de março de 2012

Parabéns Rui Costa!!!

Mas como é que é possível ainda não ter visto (quase) ninguém dar-lhe os parabéns? Mas está tudo com os neurónios no jogo das osgas ou quê?

PARABÉNS RUI COSTA!!!



Desculpa não escrever nada de jeito Rui, para mostar que não me esqueci, como muitos outros, tantos Benfiquistas ou não, ou dizer-te algo mais no teu aniversário. A minha intenção até era ter sido um dos primeiros a dar-te os parabéns durante a madrugada mas não pude mesmo devido a um horário um bocado apertado. Seja como for, desejo-te muitos e enormes parabéns, feliz aniversário e que contes MUITOS mais pela frente, de preferência no nosso Benfica! Uma vez mais, PARABÉNS RUI!!! Um enorme abraço!


«Prática diária e três vezes por dia» ...na verdade é muita fruta

"Foi uma semana em que o Sporting foi conversar com um secretário de Estado e em que o FC Porto se dirigiu ao ministro da Educação. O Estado a intervir nas futebolices...

O campeonato está a chegar ao fim e o País progride no mesmo passo. Esta semana foi especialmente importante, quer para o campeonato quer para o País. Com franqueza, nem sei por onde começar. Se pelo País, se pelo campeonato.
Começo pelo país, por uma questão de respeito.
Foi uma semana ao mais alto nível. Nem sequer foi de Estado, foi de Estadão. O FC Porto foi meter conversa com o ministro da Educação.
O Sporting (o de Lisboa, não o de Braga) foi meter conversa com o secretário de Estado do Desporto e da Juventude. Ambos os emblemas apresentaram queixas ao Governo. O Sporting foi queixar-se dos árbitros porque, segundo o presidente Godinho Lopes, “em condições normais” o Sporting estaria “a lutar pelo título”. Isto das condições normais tem muito que se lhe diga porque a normalidade para uns pode ser a anormalidade para outros e cada um chama-lhe sua.
Para cúmulo, no momento em que festeja o primeiro ano sobre a data da sua eleição como presidente do Sporting, Godinho Lopes poderá sempre admitir que em condições normais ou anormais, conforme o gosto, nem teria sido eleito para o cargo.
Deixemos agora em paz o secretário de Estado do Desporto e da Juventude e passemos, sem hesitar, para o Ministério da Educação que também foi forçado a vir a jogo nesta semana.
Em comunicado oficial, o FC Porto foi queixar-se ao ministro de uma professora de um jardim-de-infância na Ericeira.
Foi a segunda queixa contra a mesma professora no espaço de poucos dias. O primeiro queixoso foi o pai de uma criança que se insurgiu contra o facto de na sala de canto coral estar em vigor uma versão do Atirei o pau ao gato com uma estrofe final à primeira vista absurda mas que se revela perigosamente politizada e errónea.
São estes os versos da discórdia: vai-te embora, pulga maldita / batata frita / Viva o Benfica!. Compreende-se toda a revolta potencialmente gerada. Trata-se de entreter crianças e de as ensinar ao mesmo tempo. E não é que nem rima? Desde quando é que Benfica rima com maldita ou frita?
O pai da criança considera-se um adepto do FC Porto «não muito ferrenho» e considera que a alteração do poema «compromete o respeito pela diferença e pela individualidade». Ora aqui está uma causa pela qual vale a pena combater.
Lamentavelmente, parece que esta situação não é da exclusiva responsabilidade da professora da Ericeira.
O caso é bem mais profundo e generalizado como revelaria, sem medo, o FC Porto no seu comunicado oficial tendo como destinatário o ministro da Educação: «Mais grave é que a adulteração da letra é prática diária e repetida três vezes ao dia, não só no jardim-de-infância da Ericeira, mas também em todas as escolas do pré-escolar e noutras de Lisboa e de Cascais», protestou o FC Porto. E com razão. «Prática diária e três vezes por dia» da Ericeira a Lisboa passando por Cascais, é muita fruta. E acaba por ofender.
Está visto, portanto, por que razão é que a semana foi importante para o País através das acções diplomáticas concertadas entre o futebol e o Estado.
Mas, como referimos no início da conversa, esta semana também foi importante para o campeonato. Não por causa de nenhuma pulga maldita. Mais por causa de uma melga. Melhor dito, por causa de uma picada de um Melgarejo.
E, com isto, temos um Sporting de Braga isolado no comando do campeonato e com um calendário mais apetecível do que o de qualquer um dos outros dois pretendentes. Esta revolução no topo da tabela não deixa de espantar e não foi inspirada por nenhuma lenga-lenga infantil, que fique bem claro. Antes pelo contrário.
Aliás, nem se sabe bem de onde é que veio esta inspiração minhota que não estava no programa, por exemplo, do presidente do FC Porto. Porque jamais o presidente do FC Porto diria desta já estamos livres, quando foi afastado pelo Benfica da final da Taça da Liga, se não tivesse a certezinha absoluta, a confiança inabalável de que o campeonato já lhe era pertença.
Isto está bonito, está.

OS energúmenos que puseram on-line todo um conjunto de informações confidenciais sobre os árbitros colocam numa situação difícil todos aqueles que, não sendo nem de perto nem de longe energúmenos, se entretém a gostar de futebol e, por isso mesmo, no exercício da sua liberdade de expressão gostam, de vez em quando, de poder criticar o desempenho de um árbitro sem se verem incluídos nas fileiras do grande banditismo.
Compreenderam? Ainda bem. Aimar foi bem expulso em Olhão. Os jogadores têm de conhecer não só as regras do jogo como os critérios dos árbitros. O critério do árbitro João Capela devia ser sobejamente conhecido pelos jogadores do Benfica. No princípio de Novembro, no jogo com o Sporting, na Luz, João Capela expulsou Óscar Cardozo por ter dado uma palmada na relva.
Aimar deveria saber que aquela perninha marota que deixou para trás jamais passaria impune. Rui Duarte, o jogador do Olhanense com quem Aimar disputou o lance, definiu em poucas palavras aquele momento do jogo:
- Fiz o meu papel, tal como o Aimar e o árbitro – disse, no final do jogo.
E disse muito bem. Os três fizeram o seu papel. Foi bem expulso o Aimar.
Pena só que o Benfica não estivesse a ganhar por 3-0 quando tudo Rui Duarte fez o seu papel, Aimar fez o seu papel e o árbitro fez o seu papel. Mas como pouco ou nada fez por isso, o nulo aceita-se com resignação.

JANKO, o austríaco que chegou ao Porto no Natal, deu uma entrevista a um jornal do seu país e confessou o seu gosto por estudar a realidade portuguesa. Para se integrar melhor na sociedade que o acolheu e para perceber filosoficamente as origens das grandes rivalidades do futebol português.
Aluno aplicado, Janko está praticamente um catedrático como se comprova por esta sua conclusão divulgada pela imprensa austríaca: «No Porto estão os trabalhadores, no centro estão os estudantes e em Lisboa estão as pessoas que gastam o dinheiro.»
Não quero pôr em causa o esforço estudantil de Janko mas o professor que o anda a ensinar, cá para mim, já deveria ter sido reformado compulsivamente há mais de 30 anos.

O Benfica e o Chelsea estão longe de ser as melhores equipas em prova na Liga dos Campeões e assim o provaram no jogo que fizeram na terça-feira. Não foi uma coisa do outro mundo. Mas foi um jogo curioso, bem disputado, muito equilibrado, como se reflectiu nas estatísticas, com 50% de posse de bola para cada uma das equipas.
Foi mais feliz o Chelsea que marcou um golo e teve em Petr Cech e em David Luiz dois bombeiros de alto coturno. Foi mais infeliz o Benfica que não marcou golo nenhum, que sofreu pelo seu lado esquerdo como é habitual e que viu o árbitro não ver uma mão de John Terry na sua área.
Apesar de ser um árbitro italiano diz-se à boca cheia que também benfiquista desde pequenino.
Na próxima semana o Benfica vai a Londres jogar o que falta nesta eliminatória e, com um bocadinho de sorte e de juízo, pode muito bem discutir o apuramento com os ingleses. E depois se verá…"

Leonor Pinhão, in A Bola

Perplexidades

"1. Jogadores portugueses que jogaram na Champions: Apoel 4 - Real Madrid 3; Benfica 0 - Chelsea 3!
2. As múmias paralíticas que a UEFA estaciona na linha de cabeceira deveriam pagar bilhete para assistir aos jogos. Numa derrota com alguma injustiça perante um idoso Chelsea (que alguns teimam em pronunciar «Chelcia», como se igualmente o mar em inglês fosse cia), um braço inglês foi escandolasamente amputado.
3. O SLB tem sempre uma ovelha tresmalhada. Há 2 anos, Peixoto que, porém, não era titular; no ano passado, Roberto; este ano, Emerson. Que veio para discreto suplente, mas que joga sempre e com insuficiência evidente. Conseguiu ser o 12º jogador londrino.
4. Em Olhão, um relvado impróprio numa Liga que pensa em alargamentos. E num país que se dá ao luxo de ter estádios caros como o do Algarve e Leiria onde não há jogos.
5. Mudanças de Inverno no Benfica: Ruben Amorim foi ano e meio(!) para um rival directo por causa de uma zanga entre empregados do clube. Com Enzo Perez fingiu-se um processo disciplinar e fez-se-lhe a vontade de o recambiar para os argentinos que o haviam aliciado desonestamente.
6. Aimar - com a ficha limpa - leva, zelosamente, 2 jogos de suspensão (braga e Sporting, obviamente). Já vi sarrafadas a sério com um só jogo de castigo. Tudo uma farsa.
7. Não vi o meu clube soltar uma palavra que fosse sobre o alargamento da Liga. O único em silêncio. Porque será?
8. O austríaco Janko do FCP revelou os seus profundos e fulminantes conhecimentos de Portugal: «Em Lisboa gasta-se o dinheiro; no Porto é que se trabalha». Lavagem ao cérebro em doses cavalares?"

Bagão Félix, in A Bola

Parábola do absurdo

"A recente tentativa de alargamento do número de clubes nos Campeonatos profissionais demonstra bem a falta de senso que grassa no Futebol Português, e em muitos dos seus agentes. Num país em crise, numa indústria que faz das tripas coração para reinventar fontes de receita cada vez mais escassas, ponderar sequer a ideia de um alargamento parece-me algo que toca as fronteiras do surrealismo. Por mim, há muito que defendo justamente o contrário: uma forte redução, porventura para apenas dez equipas, e um Campeonato a quatro voltas, com competitividade acrescida e menos bocas para alimentar.
O presidente do sindicato dos jogadores garante que mais de metade dos clubes mantêm salários em atraso. E o mais estranho é que sejam justamente esses clubes (pelo menos, é o que parece) a defender um alargamento que iria necessariamente fazer crescer essa chaga. Trata-se de uma questão aritmética, que nem uma criança terá dificuldade em perceber.
De igual modo me provoca o maior repúdio a ideia de os principais clubes serem obrigados a partilhar as suas receitas com aqueles que, sem adeptos nem audiência, as não conseguem criar. O conceito de solidariedade faz todo o sentido quando está em causa a economia de um País, as famílias, as empresas e o emprego. Em Futebol - que é um negócio de paixões e afectos, predominantemente lúdico - é totalmente absurdo falar-se de solidariedade. Quem tem adeptos, movimenta multidões e gera receitas, não pode ser penalizado por isso. E quem vive artificialmente a custa de generosas subvenções autárquicas, ou, pior ainda, do incumprimento das obrigações que assume, e espera pelas esmolas de terceiros, não tem lugar no Futebol que idealizo.
Sobram poucos? É verdade. Talvez apenas os tais dez de que falo. É essa a realidade do nosso País, da nossa economia, e da nossa geografia. Querer subvertê-la à força, e à custa da competitividade internacional dos emblemas que verdadeiramente apaixonam o povo, é um prato que não devemos estar dispostos a aceitar."

Luís Fialho, in O Benfica

YouTube Benfica

O Canal oficial do Benfica no YouTube teve a gentileza de colocar alguns resumos de antigos jogos do Glorioso online (isto devido à renovação do Facebook oficial do Benfica)... recordo que no passado recente, muitos, mas mesmo muitos dos vídeos de jogos antigos do Benfica que estavam no YouTube foram retirados após queixa da Sportinveste, espero que desta vez não sejam 'apagados'!!!







quarta-feira, 28 de março de 2012

Lixívia Extra-Forte XXIV

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......56 ( -10)...66
Corruptos...57 (+5)...52

Braga..........58 (+9)...49
Sporting.......44 (-1)...45

Atrasei esta crónica por três razões: a 1ª para tentar ver as potenciais jogadas polémicas do jogo do Braga; 2ª para saber o castigo do Aimar; 3ª para saber se afinal vai ou não vai haver greve dos árbitros!!! É que se houver greve dos árbitros da 1ª categoria, eu aposto o que quiserem que o Benfica será Campeão....!!!


Em Olhão tivemos um Capela ao seu nível, ou seja uma Merda!!! Pensando melhor, o homem nem foi incompetente, fez exactamente aquilo que lhe pediram...!!! Enquanto os jogadores Algarvios tiveram permissão para fazer tudo o que lhes apetecia, distribuindo porrada a torto e a direito, no primeiro lance onde deu a ilusão de um Benfiquista entrar duro sobre o adversário, o Capela transformou-se num zeloso árbitro, e expulsou o Aimar... Condicionando o jogo de Olhão, mas mais importante retirando o Aimar dos dois próximos jogos (Braga, Sporting). E esta noite com o Chelsea ficou mais uma vez provado que o Benfica com Aimar é uma coisa, e sem Aimar é outra...!!! Portanto, o carteiro Capela entregou a encomenda com muito zelo!!!


Ficaram pelo menos 2 penalty's por assinalar, ambos sobre o Javi, e ambos cometidos pelo Maurício!!! E como o Maurício estava à 'queima' com os Amarelos, portanto só necessitava de levar um amarelo para ficar de fora do próximo jogo contra os Corruptos, assim, mesmo fazendo dois penalty's e agredindo adversários... conseguiu chegar ao fim do jogo, somente com um amarelo!!! Um verdadeiro artista!!! Aos 3 minutos num lançamento lateral do Maxi, Javi é agredido com uma cotovelada e impedido de saltar: penalty por assinalar; no lance onde a bola vai à Mão do Toy na área após cabeceamento do Luisão, Maurício mais uma vez atropela Javi Garcia: penalty por assinalar!!! Ainda houve, um lance sobre o Cardozo, que aparentemente foi agarrado pelo braço, mas nunca saberemos a intensidade!!! Já depois da expulsão do Aimar, Meza faz uma 'tesoura' por trás sobre o Jardel, falta claríssima para Vermelho directo, Capela dá amarelo, e não dá a lei da vantagem, impedindo um contra-ataque muito perigoso ao Benfica... O Maurício ainda deu uma chapada ao Gaitán, e na expulsão do Aimar resolveu o empurrar, atirando o Pablo ao Chão, o Jardel segura-o, e o Capela dá um amarelo a cada um!!!


Alguns Benfiquistas compararam o lance do Aimar, com a entrada do Toy, pois bem, eu acho que as duas jogadas são completamente diferentes: enquanto o Toy, está a ver o Javi, não está desequilibrado, e dá uma patada perfeitamente evitável ao Javi, nada disso se passou com o Aimar... não sei se o Toy quis agredir, ou se foi só uma entrada imprudente, mas era para vermelho. E o árbitro viu, porque marcou falta, mas resolveu nem sequer dar o amarelo!!! Já ouvi muita coisa sobre o lance do Aimar, inclusive alguns Benfiquistas darem a sua opinião com base nas fotografias publicadas nos jornais no dia seguinte!!! A manipulação foi verdadeiramente vergonhosa. Não existe agressão, nem sequer existe uma entrada imprudente. Existiu uma bola disputada, com o Aimar a saltar, e no momento do contacto com a bola, o jogador menos apoiado no chão (e o mais leve), ficou desequilibrado, entrando em rotação, levando um dos seus pés a roçar no adversário... mas na repetição é visível que mal sente o contacto, Aimar encolhe a perna!!! Na minha opinião nem sequer é falta, é um contacto fortuito, que sem o teatro do Rui Duarte, nada aconteceria... Transformar este lance numa agressão é o cumulo do absurdo... Mas conseguiram porque o Aimar foi castigado com 2 jogos!!! Num Campeonato onde um jogador deu um murro a um adversário e foi castigado com um 1 jogo, é cumulo da 'sem-vergonha'... se alguém tinha dúvidas sobre a obsessão do Sistema em afastar o Benfica do título, este castigo, acima de tudo o resto, é a prova final que o Benfica esta época não será Campeão, independentemente da nossa competência... Alguns podem alegar: a Comissão de Disciplina mudou a meio da época, portanto o critério também mudou!!! Pois bem, se o alargamento da I Liga a meio da temporada é de uma falta de ética tremenda, mudar os critérios dos castigos disciplinares no último terço da época, é igualmente ignóbil...



Os Corruptos depois do empate do Benfica (com mais dois dias de descanso) foram a Paços empatar, com um grande empurrão de um tal Hugo Pacheco!!! O melhor defesa dos Corruptos foi o 'Bandeirinha'!!! Sim, o Bandeirinha ainda não se reformou!!! O homem já deve ter 50 anos, mas ainda joga... e joga muito bem!!! Só ao Melagrejo tirou 3 foras-de-jogo. erradamente!!! Além disso ficou um óbvio penalty por marcar contra os Corruptos, por falta de Sapunaru sobre Luisinho: o contacto existe, o bêbado impede a progressão do adversário que depois aproveita-se e atirar-se par ao chão, mas o contacto é suficiente para ser marcada a falta. Os Corruptos pediram um penalty na 2ª parte, que na minha opinião não existe!!! E não existe porque o Givanildo antecipa o contacto!!! Antes de chocar com o Cássio, levanta ambas as pernas, dobra os joelhos, e 'deixa-se' ir!!! É no limite, só na repetição verifiquei a situação... Mesmo com as 'ajudas', e com uma tremenda 'vaca' (mais um auto-golo), o vitinho não conseguiu ganhar, isto contra um Paços eficaz, com vontade em ganhar, mas com uma atitude muito diferente do jogo do Benfica!!! Aquele Paços com entradas muito violentas sobre os adversários que vimos contra o Benfica, desta vez foi substituído por um Paços à espera do erro, com muito cuidado nos contactos com os Corruptos!!! Eles lá sabem porquê?!!!



Não vi o jogo de Alvalade, parece que arbitragem foi estranhamente boa!!! O penalty no golo do Sporting existiu, e o resto terá sido normal, incluindo a quantidade brutal de amarelos ao Feirense!!! Alguns Lagartos ainda se queixaram de um suposto penalty sobre o Elias, o Feirense queixa-se de um fora-de-jogo mal assinalado já nos descontos, mas eu não vi nada...!!!



Pois é, eu queria ver os tais lances polémicos em Braga, mas a Sporttv não acha importante repetir os tais lances!!! Mesmo assim na camisola rasgada do Reiner, parece-me muito difícil a camisola ter-se rasgado sozinha!!! Sendo o Djamal, acredito no agarrão...!!! Não consegui ver o lance dos 52 minutos, onde a Académica também reclama penalty, não me parece que os golos do Braga tenham sido ilegais... Deixo só uma estatística interessante: vamos na 24ª jornada, e vocês sabem quantos cartões vermelhos têm o Braga?!!! Não sabem?!!! Tentem adivinhar?!!! Pois bem, eu ajudo... ZERO!!!! Repito: ZERO!!! À 24ª jornada o Braga tem ZERO cartões vermelhos!!! Interessante... e ninguém dá por isso. Até os Corruptos A já têm 2 vermelhos, pelos vistos os Corruptos B, lideram na geral e na 'disciplina'!!! E já agora também lideram na Tabela Anti-Lixívia nos pontos conquistados à custa dos apitadeiros!!!


Anexos:


Benfica
1ª-Gil Vicente(f) E(2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) V(3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) V(0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4º-Guimarães(c) V(2-1), Duarte Gomes, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Académica(c) E(4-1), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
6ª-Corruptos(f) V(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Paços de Ferreira(c) V(4-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Beira-Mar(f) V(0-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Olhanense(c) V(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
10ª-Braga(f) E(1-1), Proença, Prejudicados, (0-2), -2 pontos
11ª-Sporting(c) V(1-0), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Marítimo(f) V(0-1), Sousa, Nada a assinalar
13ª-Rio Ave(c) V(5-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
14ª-Leiria(f) V(0-4), Cosme, Nada a assinalar
15ª-Setúbal(c) V(4-1), Malheiro, Prejudicados, Sem influência no resultado
16ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
17ª-Feirense(f) V(1-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
18ª-Nacional(c) V(4-1), Jorge Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
19ª-Guimarães(f) D(1-0), Xistra, Prejudicados, (0-0), -1 ponto
20ª-Académica(f) E(0-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), -2 pontos

21ª-Corruptos(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, (2-0), -3 pontos
22ª-Paços de Ferreira(f) V(1-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado 23ª-Beira-Mar(c) V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
24ª-Olhanese(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-2), -2 pontos


Corruptos
1º-Guimarães(f) V(0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Leiria(f) V(1-4), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Setúbal(c) V(3-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Feirense(f) E(0-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
6ª-Benfica(c) E(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Académica(f) V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
8ª-Nacional(c) V(5-0), Cosme Machado, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
9ª-Paços de Ferreira(c) V(3-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
10ª-Olhanense(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-1), -2 pontos
11ª-Braga(c) V(3-2), Soares Dias, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
13ª-Marítimo(c) V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
14ª-Sporting(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Rio Ave(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
16ª-Guimarães(c), V(3-1), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
17ª-Gil Vicente(f), D(3-1), Bruno Paixão, Prejudicados, Impossível contabilizar
18ª-Leiria(c), V(4-0), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
19ª-Setúbal(f) V(1-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Feirense(c) V(2-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
21ª-Benfica(f) V(2-3), Proença, Benefeciados, (2-0), +3 pontos
22ª-Académica(c) E(1-1), Marco Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar

23ª-Nacional(f) V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
24ª-Paços de Ferreira(f) E(1-1), Beneficiados, (2-1), +1 ponto


Sporting
1ª-Olhanense(c) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) E(0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
4ª-Paços Ferreira(f) V(2-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
5ª-Rio Ave(f) V(2-3), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6ª-Setúbal(c) V(3-0), Cosme Machado, Nada a assinalar
7ª-Guimarães(f) V(0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(6-1), João Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado
9ª-Feirense(f) V(0-2, Gralha, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10ª-Leiria(c) V(3-1), Manuel Mota, Beneficiados, Impossível contabilizar
11ª-Benfica(f) D(1-0), Capela, Beneficiados, Sem influência do resultado
12ª-Nacional(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
13ª-Académica(f) E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
14ª-Corruptos(c) E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Braga(f) D(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Olhanense(f) E(0-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
17ª-Beira-Mar(c) V(2-0), Duarte Gomes, Nada a assinalar
18ª-Marítimo(f) D(0-2), Cosme, Nada a assinalar
19ª-Paços de Ferreira(c) V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Rio Ave(c) V(1-0), Paulo Baptista, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
21ª-Setúbal(f) D(1-0), Gralha, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), -1 ponto
22ª-Guimarães(c) V(5-0), Soares Dias, Nada a assinalar
23ª-Gil Vicente(f) D(2-0), Bruno Paixão, Prejudicados, Impossível contabilizar
24ª-Feirense(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar


Braga
1ª-Rio Ave(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) V(2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos
4ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Costa, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f) E(1-1), Pedro Proença, Nada a assinalar
6ª-Nacional(c) V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
7ª-Leiria(f) D(1-o), Marco Ferreira, Nada a assinalar
8ª-Feirense(c) V(3-0), João Ferreira, Nada a assinalar
9ª-Académica(f) E(0-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
10ª-Benfica(c) E(1-1), Proença, Beneficiados, (0-2), +1 ponto
11ª-Corruptos(f) D(3-2), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
12ª-Paços de Ferreira(c) V(5-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
13ª-Olhanense(f) V(3-4), João Ferreira, Nada a assinalar
14ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15ª-Sporting(c) V(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Rio Ave(c) V(2-1), Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
17ª-Marítimo(f) V(1-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
18ª-Setúbal(c) V(3-0), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
19ª-Gil Vicente(f) V(0-3), Hugo Miguel, Nada a assinalar
20ª-Guimarães(c) V(4-0), Capela, Nada a assinalar
21ª-Nacional(f) V(1-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
22ª-Leiria(c) V(2-1), Xistra, Beneficiados, (2-3), +3 pontos
23ª-Feirense(f) V(1-4), Duarte Gomes, Nada a assinalar

24ª-Académica(f) V(2-1), Gralha, Beneficiados, (2-2), +2 pontos

terça-feira, 27 de março de 2012

Cruel


Resumo - Benfica 0-1 Chelsea por tugagolo

Benfica 0 - 1 Chelsea


Muito injusto, o empate a zero (o jogo estava claramente a caminhar para isso...) já saberia a pouco, a derrota é cruel. O Benfica não fez um jogo espectacular, jogou com muitas cautelas, principalmente na 1ª parte, mas as oportunidades foram suficientes para vencer o jogo... Um Chelsea, que quando contra-atacou criou perigo, mas com posse de bola, nada arriscou... Derrota muito amarga, porque a vitória estava ao nosso alcance, e a equipa fez pela merecer... É também verdade que ainda faltam mais 90 minutos, o Benfica costuma jogar bem em Inglaterra, mas está muito mais difícil... é possível, 2-1 serve, com uma calendário diferente, talvez tivesse mais optimista, enquanto algumas equipas, com Fruta, ou com ressaltos ou mesmo auto-golos vão marcando golos, o Benfica ultimamente, para marcar, tem que suar muitíssimo, nada nos é oferecido, nem a Fruta, nem a Sorte, e é carregando este fado, que temos que ir a Londres, acreditando...!!!

Fomos brindados com mais uma arbitragem digna da UEFA, só esta época na Champions, a lista de erros graves no Estádio da Luz já é longa: 2 livres perigosos com o Man United, penalty claríssimo com o Basileia, um livre e um (pelo menos um) penalty com o Zenit!!! A expressão 'arbitragem caseira' na Luz é uma impossibilidade matemática, parece que a Fruta junto ao Tejo está estragada!!! Posso até discutir se a Mão do Terry foi ou não deliberada, mas em Londres se um jogador do Benfica repetir a 'graçinha' será seguramente penalty, tal como nos famosos Quartos-de-final com o Barça!!! Mas além deste lance, a falta de critério disciplinar (se o Bruno César leva amarelo então mais de metade da equipa do Chelsea também tinha que levar...!!!), a maneira como no momento de maior pressão do Benfica (início da 2ª parte) foi 'salvando' o Chelsea com uma sucessão de faltas e faltinhas, sempre assinaladas para o mesmo lado, e a forma como não deixou o Benfica fazer uma 'recuperação alta' marcando sempre falta, permitindo ao Chelsea várias, demonstram bem as intenções dos animais!!! Prevejo um futuro internacional muito bom para este Italiano...!!!

Os assobios ao Emerson depois do golo do Chelsea foram vergonhosos, demonstram bem a cegueira colectiva, eu sei que o bode expiatório para tudo o que acontece dentro de campo de mau, está escolhido, o homem hoje cometeu vários erros, é verdade, mas com adeptos destes... O Jardel estava a ser um dos melhores em campo (melhor mesmo que o Luisão), até à falha que dá o golo dos Ingleses (além do golo 'feito', que falhou...), mas ninguém o assobiou (justamente)... Mais vale cair em graça do que ser engraçado!!! Em contraste, os meus Parabéns aos adeptos que no final do jogo aplaudiram a equipa...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Heróis da Bancada

"Faça sol ou faça chuva, em casa ou fora dela, no País ou no estrangeiro, nos bons e maus momentos, há quem nunca falte à chamada, e esteja sempre com a nossa equipa, dispensando-lhe um apoio pleno de generosidade. São os 'No Name Boys', que fazem já parte integrante da história e da cultura benfiquistas.

Sem eles, os jogos não teriam a mesma beleza. Ao filme que os artistas protagonizam no relvado, eles dão a banda sonora adequada, com a voz que empurra a equipa para as vitórias e acrescenta uma estética muito própria ao espectáculo. Ao contrário de quem afirma ter deixado de ir ao Futebol por causa das claques, eu digo que, sem elas - em particular sem esta -, talvez até lá fosse menos vezes, pois já não dispenso o colorido, visual e sonoro, que só a sua presença garante.

Desconheço a origem do nome que escolheram, e admito que a sua semântica se preste a equívocos. O que sei, porque vejo, é que os 'NN' são uma claque multi-racial, bastante heterogénea, não se notando entre os seus melhores qualquer predominância étnica, social, política ou económica de qualquer grupo sobre os restantes, identificando-se apenas um forte vínculo entre todos: uma paixão extrema e radical pelo Benfica.

Enquanto noutras claques, de outros clubes, vão emergindo figuras sinistras, que se pavoneiam pela Comunicação Social (até escrevem livros), e daí fazem trampolim para um protagonismo pessoal que de outra forma jamais teriam, nos 'No Name' pouca gente sabe quem são os líderes, ou os membros mais proeminentes. Enquanto outras claques, de outros clubes, funcionam tantas vezes como grupos de pressão sobre dirigentes eleitos (até escolhem e demitem treinadores), os 'No Name', pese embora alguns excessos do passado, remetem-se ao papel que tão bem sabem desempenhar, e no qual são inigualáveis: o apoio à equipa.

Se o Benfica é o maior Clube português, pode também dizer-se que a sua principal claque, particularmente nos últimos anos, tem sabido estar à altura da dimensão do emblema que apoia."


Luís Fialho, in O Benfica

Joana Campeã



A nossa canoísta Joana Vasconcelos tornou-se no último fim-de-semana Campeã Nacional de Fundo... Esta não é a especialidade da Joana, acabou por ser uma surpresa muito agradável...

Objectivamente (Final Champions)

"Fixem bem esta data: 20 de Março de 2012. O orgulho é enorme e imensa é, também, a nossa gratidão. E há que referir, desde já, aqueles que em boa hora ultrapassaram inúmeras dificuldades para realizar este difícil projecto. A equipa de Luis Filipe Vieira, Manuel Vilarinho e... o destemido vice-presidente, Mário Dias. Todos os dedicados benfiquistas que acompanharam de perto, sabem quantos «impecilhos» foram ultrapassados para concretizar o sonho! Estes, com alguns outros que lideraram o processo, merecem nestas horas o nosso agradecimento, porque foi tremendo o esforço e o risco (até pessoal) de alguns dos grandes benfiquistas que aqui referi.

Por isso a decisão da UEFA ordenando a escolha do nosso mágico Estádio da Luz para a final da Liga dos Campeões (Champions League) de 2014, é uma decisão justa e que nos enche de orgulho. Está na linha da escolha dos magníficos palcos de Futebol. Na presente época é o Alianz Arena, em Munique (Alemanha) e no próximo ano o Novo Wembley, em Londres, Inglaterra.

A decisão foi tomada na reunião do Comité Executivo da Confederação Europeia da UEFA, em Istambul, na Turquia.

Contas feitas, e não olvidando a preferência mais que óbvia sobre a qual recaiu a disputa final do Euro'2004, é a segunda vez que Lisboa irá receber um evento desportivo deste gabarito, depois do Estádio Nacional de todos os portugueses ter visto, na época desportiva de 1966/67, o Celtic de Glasgow vencer o Inter de Milão.

Se, hodiernamente, o Sport Lisboa e Benfica está no topo das instituições internacionalmente mais reconhecidas pelas suas conquistas desportivas e pela contínua e incessante dedicação dos seus adeptos espalhados por todo o Mundo, vem juntar-se agora mais um motivo à colecta, colocando o nosso Clube, a nível nacional, na vanguarda no que respeita à organização do evento desportivo europeu mais visto logo após o Europeu de Selecções (EURO)."


João Diogo, in O Benfica

Limpinho

"No final do embate, Jorge Jesus, no seu estilo popular, disse o que havia a dizer: 'Foi limpinho'. E foi mesmo. Quando os jogos com o FC Porto são 'limpinhos' a música é outra. É mais vermelha do que azul. E esta semana, o vermelho da música competitiva até podia ser mais carregado mais altissonante. Foi por um triz que a equipa do Norte escapou à goleada.

Jorge Jesus também disse que o Benfica era melhor do que o FC Porto. Disse e disse bem. Este Benfica é mesmo superior ao seu principal antagonista. Houvesse sempre jogos 'limpinhos' e a pauta classificativa na Liga tinha, nesta altura, outro escalonamento. O Benfica seria líder, sem quaisquer reservas.

Para não variar, responsáveis portistas viram o que mais ninguém viu. Tiveram o desplante de verberar o desempenho da equipa de arbitragem. Quanta desfaçatez! Como é possível que os grandes beneficiados dos últimos anos no Futebol indígena apresentem queixas.

No deve e haver das competições nacionais, o desequilíbrio é uma brutalidade. De que se queixa o FC Porto? Preparava-se era para comemorar mais um triunfo na Luz e atribuir, finalmente, importância à Taça da Liga, prova que dizem ser menor, pela elementar razão de que nunca a venceram. Já agora, a Supertaça, na qual são recordistas, é no plano competitivo mais importante do que a Taça da Liga? Por que razão nenhum dirigente do FC Porto alguma vez o afirmou?

Este jogo, no anfiteatro da Luz, provou à sociedade que o Benfica tem mais futebol do que o FC Porto. Venham mais jogos 'limpinhos' e teremos a confirmação. Ainda assim, uma monitória. Sem embargo do triunfo, custou ver o FC Porto marcar tantos golos 'limpinhos' quantos aqueles que apontou no jogo do Campeonato. Dá para entender, não dá?..."


João Malheiro, in O Benfica

Somos milhões

"Gostei de ouvir o treinador do Benfica declarar que não se cala. E gostei tanto mais quando Jorge Jesus invocou o 25 de Abril em defesa do exercício da liberdade de expressão. Pois agora, que vivemos num regime no qual é legítimo criticar as instituições, o Presidente da República, o Governo, as oposições, como haveria de ser possível que a corporação da arbitragem do Futebol, sem qualquer sombra de legitimidade e de escrutínio democrático, se sobrepusesse ao exercício da Constituição da República?

Para além dessa questão de princípio, a determinação de Jorge Jesus é particularmente oportuna. O Benfica perdeu uma preciosa vantagem pontual na liderança do Campeonato porque se ressentiu do desgaste de um jogo em condições terríveis: a temperatura de 15 graus negativos, o terreno que não passava de um batatal e a brutalidade impune de alguns adversários.

Mas não foi só esse desgaste que roubou pontos ao Benfica. Foram também os penálties por marcar em Guimarães e em Coimbra, foi o duplo fora-de-jogo de onde saiu a cabeçada para o golo da vitória, martelada, do jogo entre os dois primeiros da classificação. Isso para não falar de erros que têm levado ao colo adversários do Benfica. Mas se os árbitros reconhecem que errar é humano, com que direito querem impor o silêncio sobre os seus erros?

É de prever que a recta final da temporada coincida com uma multiplicação de casos e de erros. Por isso, em defesa da verdade desportiva e no exercício constitucional da Liberdade, eu também não me calo. Já somos dois? Não. Somos milhões.

Nota: É em todas as modalidades e em todos os escalões. Se vissem a arbitragem miserável que eu vi num jogo de Basquetebol entre miúdos Sub-16!"


João Paulo Guerra, in O Benfica

Um Campeão bem simples

"1. O nosso Atletismo (e o Clube, claro) teve um domingo com sensações bem díspares. Foi a triste notícia (embora, infelizmente, esperada) da morte de António Leitão, o nosso primeiro medalhado olímpico e um homem que, apesar das partidas que a saúde lhe pregou, esteve sempre disponível para o Clube, com uma simplicidade e simpatia notáveis.

Foram por outro lado, os recordes nacionais históricos de Marco Fortes e do bem jovem Tiago Aperta na Taça da Europa de Lançamentos. É a vida. Enquanto uns nos deixam, outros vão avançando e progredindo...

2. Foi certamente o último jogo 'calmo' da época. A vitória sobre o Beira-Mar nunca esteve em dúvida e até deu para algum descanso. Terça-feira passada, frente ao FC Porto, já terá sido 'a doer' (escrevo antes do jogo) e, daqui para a frente, o ritmo será terrível. FC Porto e Sp. Braga não têm os jogos europeus e os minhotos até poderão ter uma vantagem extra: irão a Alvalade na última jornada. E se ele for decisiva?...

3. O presidente da Liga de Clubes e vários presidentes, desde o Fiúza do Gil Vicente ao Bartolomeu do U. Leiria, continuam a querer avançar com a 'golpada' do alargamento da Liga a meio de uma época. A Federação já se opôs, vários elementos do Conselho Nacional do Desporto consideraram impraticável a decisão e a opinião pública está largamente contra. O Futebol Português não tem nem 14 clubes com capacidade para uma I Liga quando mais 18. E o que os dirigentes estão a arranjar é forma de abortar uma boa ideia que a todos servia: a presença de equipas B dos principais clubes na Liga de Honra. Era bom para os grandes, pois permitia-lhes rodar os jovens, e era bom para os pequenos, pois isso dava visibilidade à competição. Mas alguns desses pequenos clubes (não todos...) preferem a 'golpada'. Acabarão derrotados.

4. O presidente do Nacional, Rui Alves, vê sempre os jogos no banco da sua equipa. Desta vez, na recepção ao FC Porto, preferiu ficar na tribuna, ao lado do seu amigo Pinto da Costa. Estranho...

5. Pois é. A ida do FC Porto à Madeira apenas levou cerca de 2500 pessoas ao estádio. O Sp. Braga quis mobilizar os seus adeptos a irem ver o jogo em Vila da Feira, pediu 3500 bilhetes mas acabou por devolver 2500. Pois é. Não é grande quem quer..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Pau ao gato

"From: Domingos Amaral

To: Pinto da Costa

Caro Pinto da Costa

Quem será o senhor nesta história: a dona Xica ou o gato? A dona Xica, sabemos todos desde crianças, assustou-se. E o gato, também o sabemos todos desde tenra idade, deu um berro. Contudo, não percebi bem qual dos dois papéis lhe cabe a si. Para quem não está a perceber nada deste texto, eu passo a explicar. Esta semana, soube-se que um pai de uma creche da Ericeira se queixou da professora porque ela canta a célebre cantilena infantil “Atirei o pau ao gato”, adulterando um pouco a letra e incluindo pelo meio um “Viva o Benfica” totalmente inesperado (e até um pouco incompreensível, dado o contexto). Soube-se também que o queixoso pai era adepto do FC Porto e, no dia seguinte, de imediato a SAD do FC Porto emitiu um comunicado público protestando contra a ocorrência, e acusando certos professores infantis, ou mesmo o Ministério da Educação, de “fascismo do gosto”! Sim, leram bem, “fascismo do gosto”! Olaré, que pérola! Dá direito a entrada direta para o “Top do Ridículo” nacional. O FC Porto agora assusta-se, como a dona Xica, e dá um berro público, tal como o gato deu! Mas será o FC Porto a dona Xica ou será o gato? Sabemos, pela canção, que há um “eu” que atira o pau ao gato. Até aí, é fácil: trata-se da professora. Depois, sabemos que a dona Xica se assustou com o berro que o gato deu e é aqui que, por assim dizer, a porca torce o rabo. Tanto o pai queixoso como a SAD do FC Porto se assustaram e deram um berro público. São portanto, em simultâneo, dona Xica e gato. Ora isso torna as coisas extremamente difíceis de explicar às crianças. Por isso, daqui lhe peço um esclarecimento: o senhor é a dona Xica ou é o gato?"


TotoGomes

"Na década de 90, a adesão dos clubes ao Plano Mateus, com a Liga e a FPF atravessadas, a fim de regularizarem quase € 60 milhões de dívidas ao Fisco acumuladas até 1996, parecia ser uma tábua de salvação. Teve um imponderável: as verbas da exploração do Totobola, que foram “dadas em pagamento” ao Estado, não foram suficientes. Em 2004, o Estado fez uma revisão do acordo e das receitas consignadas. Não obstante, avançou para os tribunais com a execução da Liga e da FPF, como responsáveis solidários pelas dívidas dos clubes, para pagamento de cerca de € 20 milhões em falta para a 1.ª fase de avaliação da dívida (1998-2004). A situação não melhorou. E, em 2011, avançou novamente para os tribunais para executar os milhões que estão em falta para a 2.ª fase de avaliação da dívida (2004-2010). Nos tribunais, FPF e Liga esgrimem argumentos jurídicos válidos mas, de todo o modo, arriscados. Em 2012, começaram a chegar aos clubes os “ofícios” das Finanças para pagarem a parte que cada um deve originariamente no “bolo” total de mais de € 30 milhões em dívida no totonegócio. Os clubes discordam dos montantes, avançam com suspensões cautelares e alegam prescrições. Em suma, um imbróglio bem longe do fim.

Eis senão quando a FPF de Fernando Gomes negoceia com o Governo e se “oferece” para pagar a dívida dos clubes correspondente à fase 2004-2010: 13 milhões! Razão: “uma Federação ao serviço do futebol de Portugal”. Será?

Talvez seja. Mas se efetivamente é, conviria que Gomes explicasse aos clubes, nomeadamente aos profissionais, a sua noção de “serviço”. E desse, sem o biombo de uma deliberação da direção, algumas respostas: 1) Por que é que o seu “acordo” serve para receber do Estado € 1,3 milhões dos subsídios de deslocações às ilhas? 2) Por que é que serve ainda para Gomes receber indiscriminadamente quase € 2,3 milhões dos jogos sociais de 2011, que estão por ora retidos e dão crédito aos clubes? 3) Por que é que Gomes não ambiciona um acordo global, incluindo portanto a dívida apurada entre 1998 e 2004, período em que a responsabilidade atribuída pelo Fisco à FPF é de € 3 milhões e a responsabilidade da Liga é de… € 17 milhões? 4) Por que é que Gomes fica sem mais com as receitas futuras dos jogos sociais existentes, a que os clubes têm direito, em vez de estimular a posição dos clubes como detentores maioritários das receitas de “jogos” futuros, como as “apostas on-line”? 5) Por que é que Gomes está a debilitar a impugnação jurídica dos clubes e da Liga na execução fiscal do período 1998-2004, o que, em especial, projeta a impossibilidade futura de a Liga pagar a sua parte de € 17 milhões e abriria a porta à falência e extinção da Liga?

É para assuntos desta gravidade que servem as assembleias gerais da Liga. Para os clubes assumirem que vão pagar o que realmente devem. Para os clubes saberem todas as alternativas de que dispõem para acabar, em definitivo e em conjunto, com a dívida restante do Plano Mateus. Convoquem-se, pois, os clubes e chame-se Gomes à assembleia, para que responda àquelas perguntas, cara a cara. E sem a máscara que o levou até à FPF!"


O futuro

"Qual a inscrição de um clube na vida de um profissional? Como é que um clube pode ser de tal modo vivido por um profissional do futebol que chegue a cicatrizar-se, a inscrever-se, na sua vida?

Na vertigem dos tempos, na voragem do mercantilismo actual, parece que toda a ligação emocional está subjacente à melhoria do contrato, à comissão do intermediário e ao conselho interesseiro do empresário. Vive-se a emoção no “tempo que dura” e o “tempo que dura” é balizado pela alínea c) da adenda Y ao contrato X. Depois, há as excepções. São aqueles em quem a cicatriz se tornou visível para o exterior. Aqueles que percebem que a cicatriz da inscrição de um clube na sua vida acaba por transformá-los em referências simbólicas e colectivas. Ou seja, aqueles que sabem viver a sua profissão também pela emoção da pertença a algo que os transcende.

É, para todos nós, um enorme orgulho ver a carreira de Ryan Giggs cicatrizada no Manchester United ou a de Gerrard no Liverpool; ver como o River Plate respira o sonho de ver regressar o “nosso” Aimar; sabermos que o Aimar é nosso por adopção e do River por nascimento, da mesma forma que o Rui Costa “é” da Fiorentina por adopção e nosso por nascimento. Esta vitória da componente emocional sobre a racional é das maiores alegrias que o adepto pode vivenciar na sua relação com este desporto apaixonante.

Recentemente, surgiu a notícia de que a Fiorentina gostaria de poder contar com a ajuda do nosso Rui Costa. Percebo, e bem, esse interesse. É natural que em Florença se queira construir o futuro alicerçado em estrutura sólida. Perceberão também os da ‘società viola’ que nós, os da Luz, também contamos com ele para alicerçar o nosso futuro. E nós, Benfica, não podemos abdicar do futuro."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

O Azeiteiro-de-cabeça-d'unto

"O Azeiteiro-de-cabeça-d'unto acordou nessa manhã com uma ligeira indisposição gástrica que atribuiu ao facto de andar a abusar de caranguejos, santolas, lavagantes, percebes e burriés a todas as refeições. Olhou-se ao espelho e procurou debalde a marca das olheiras de uma noite mal dormida. O Criador, na sua infinita bondade, lançara-o no Mundo sem essa maçadora virtude da consciência que actua sobre os salafrádios como uns quartilhos de cafeína ou como a voz esganiçada e ininterrupta do velho grilo falante. O Azeiteiro-de cabeça-d'unto tinha por hábito por hábito levantar-se cedo. Tomar um fortificante pequeno-almoço de café com leite e fruta à discrição, que em sua casa nunca faltava fruta, e sair em peregrinação a centros comerciais antes de seguir para a sua diária visita ao dentista.

Pode-se dizer, com propriedade, que se tratava de um homem rico. Só para esbulhar meia-dúzia de pobres diabos que ainda caíam na asneira de confiar no aprumo da sua espinal medula, enfiara ao bolso qualquer coisa como 28 mil euros no curto espaço de dez meses, sem contar com as alcavalas dos subsídios e com as mordomias de umas viagens ao estrangeiro. O Azeiteiro-cabeça-d'unto não era homem de grandes desperdícios. Necessitava, está bem de ver, de alguns alqueires de banha de porco para alindar o seu crâneo helicóidal, assim a modos como que a deixar a cabeça tão gordurosa por fora como por dentro. Infelizmente para o seu sistema digestivo, o Azeiteiro-de-cabeça-d'unto foi acometido, nessa manhã de que falamos, de vómitos contínuos. Desconfiou ter ingerido algo de estragado: ou marisco, ou fruta... Ou mesmo leite azedo. Sentiu que tinha abusado, da mesma forma como muitos e muitos milhares sentiram que ele havia abusado deles. Enquanto a própria sociedade o vomitava, como se fora um produto estragado, o Azeiteiro-de-cabeça-d'unto vomitava-se a si própria. Quando finalmente ergueu a cabeça para o espelho, sentiu nojo. E vomitou-se outra vez. Mas a porcaria não saiu. Já lhe estava no sangue..."


Afonso de Melo, in O Benfica