Últimas indefectivações

sábado, 28 de janeiro de 2012

Mais uma Final vencida !!! Só faltam 13 !!!

RESUMO - Feirense 1-2 Benfica





Tugagolo Myspace Video



Feirense 1 - 2 Benfica



Um jogo claramente marcado pelo pré-jogo - nada de novo!!! O 'Homem da Regisconta' passou pela Feira, deixou promessas, envelopes e afins... E assim a Direcção do Feirense abdicou da maior receita da época (se calhar 50%), para jogar num quintal cheiro de areia!!! O Benfica voltou a encontrar um adversário a 'espumar pela boca' - nada de novo!!! Como escrevi num comentário no Benfilado, devido às dimensões do campo, o jogo seria decidido nas 'bolas paradas', e lá tivemos 3 golos de 'bola parada' - nada de novo!!! A única novidade desta noite foi o sr. Costa (o apitador) ter marcado um penalty a favor do Benfica!!! É verdade que na primeira parte podia ter assinalado dois penalty's a favor do Benfica, não o fez, e assim faltou coragem para não marcar o terceiro!!! Neste momento deve andar às cabeçadas a uma parede qualquer: 'O que é que eu fui fazer!!!' Recordo que esta 'personagem', na Luz, já marcou um penalty a favor do Benfica, e depois teve a coragem de voltar com a decisão atrás, e marcar livre fora da área!!!


Jogo pouco conseguido do Benfica, com os espaços muito reduzidos, com o relvado em mau estado a dificultar a controle da bola, sendo assim não foi possível usar a habitual estratégia ofensiva do Benfica. As responsabilidades atacantes do Glorioso foram assumidas quase na totalidade pelo Rodrigo, que obrigou o guardião contrário a muito trabalho, aliás Paulo Lopes foi mesmo o melhor em campo - nada de novo!!!


Mais uma Final ultrapassada, já só faltam 13... o Rodrigo está em grande forma, falta-lhe afinar a eficácia, que curiosamente já demonstrou numa fase da primeira volta... as movimentações fora do campo vão-se acentuar, principalmente nas duas deslocações forasteiras antes do jogo com os Corruptos... é preciso atenção e alertar os jogadores... ainda não ganhámos nada.





PS1: Nos primeiros resumos da partida já é visível a propaganda Corrupta a funcionar: a primeira oportunidade do Feirense é um cabeceamento em fora-de-jogo não assinalado - nenhuma referência ao fora-de-jogo!!! Já uma bola que bate involuntariamente na Mão do Emerson vai ser repetida até à exaustão!!!... Já a semana passada com o Gil Vicente, a melhor oportunidade do Gil, com uma grande defesa do Artur, nasce de uma Mão na Bola do jogador Gilista, algo que ninguém referiu... Hoje parece que o último lance da primeira parte com o Rodrigo vai 'desaparecer'!!!




PS2: O King pediu o título no seu aniversário: não se esqueçam!!!




Força

Benfica 7 - 4 Candelária




Esta equipa do Candelária, é claramente a terceira melhor do Campeonato, tem 6 jogadores que podiam fazer parte do plantel do Benfica ou dos Corruptos, hoje esteve quase sempre em vantagem, mas o Benfica nos últimos minutos acabou por dar a volta... com muita garra, muita vontade, mas às vezes com pouca cabeça (continuamos a dar muito espaço nas transições defensivas)...


Para a semana vamos ao antro da Corrupção, estamos em desvantagem devido ao empate na primeira jornada, uma derrota não acaba com as nossas aspirações, mas torna as coisas muito mais complicadas... No campo temos que ser mais consistentes defensivamente, e sabemos que vamos jogar em inferioridade numérica desde do primeiro segundo...!!!

...muitos ausentes, em mais uma Vitória !!!



Ginásio 61 - 94 Benfica

20-20, 10-23, 15-30, 16-21



Obrigação cumprida, com a estreia a marcar de mais alguns jovens da formação... o adversário é a equipa mais fraquinha da Liga, portanto também ajudou à festa.

A nota mais importante talvez seja o 'reforço' da lista de indisponíveis, desta vez o Doliboa também não jogou!!! Juntando-se ao Sérgio, ao Ben e ao Barroso. E que excelente equipa se fazia com os ausentes!!!

Mais uma...



Benfica 3 - 1 Ac. Espinho

25-13, 23-25, 25-17, 25-20


O rendimento da equipa tem vindo a baixar, os Set's perdidos nos últimos jogos são um sinal negativo... algumas distracções, acabam por dar confiança aos adversários... hoje um opositor que tem uma defesa baixa muito forte, chegando ao ponto de se tornarem 'irritantes', empolgou-se, e não havia necessidade...!!! Os resultados do 3º e do 4º Set não reflectem as dificuldades que a equipa sentiu. A falta de competitividade do Campeonato não ajuda na manutenção dos índices de concentração elevados, mas apesar da invencibilidade tudo só será decidido na final da época...!!!

Hoje voltámos a ter decisões patéticas da equipa de arbitragem, é o terceiro jogo consecutivo que o Benfica 'sofre' as consequências de interpretações 'estranhas' da equipa de arbitragem... no 2º Set foram marcadas, em pontos consecutivos, por volta de 4 faltas na rede ao Benfica!!! Até parece que alguém quer equilibrar os jogos artificialmente!!!

Regresso às vitórias

ISMAI 19 - 30 Benfica


Depois da 'desgraçada' eliminação da Taça, o regresso ao Campeonato, com uma vitória normal, na casa do último classificado...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

De maçon a garçon

"O Copiador de Livros Alheios, talvez cansado de roubar parágrafos e piadas a autores estrangeiros, decidiu desta vez dedicar-se à nobre arte da culinária, transformando-se num mestre-cuca ridículo, tão parolo como daquela vez que meteu na cabeça a grotesca carcaça pelo Parque Eduardo VII em dia dedicado à bibliografia com o enrugado pescoço de peru embrulhado num cachecol de um clube mais conhecido pelos seus feitos no campo da corrupção do que propriamente nos campos de futebol. Que a bípede ratazana é fandango, já todo o País sabe.

A sua utilidade nacional é, de há muito, arrancar gargalhadas bem dispostas a quem leva pelos caminhos do puro ridículo e do inevitável burlesco as suas diatribes avinagradas e alcoolizadas, ora vomitadas em directo numa qualquer televisão capaz de lhe alimentar os vícios, ora rabiscados num português inteligível, carregado de erros de ortografia e de síntaxe, em jornais que insistem em conspurcar as suas páginas e em violar os seus princípios editoriais só para servirem de balde às suas cuspidelas raivosas. Desta vez deitou mão a uns cadáveres de perdizes, que algum labrego da sua igualha, abateu por ele, e tratou de as enfiar num forno a lenha com tanto afinco que cozeu a própria cabeça, chamuscando aquela espécie de gato morto que usa em farripas sobre o crânio vazio como se fosse uma crina. Havia nele a vontade férrea de preparar uma lauta refeição. Vinha dos confins obscuros da Madalena em especialíssimo convidado que poderia trazer consigo não apenas jovens prostitutas como até um daqueles miseráveis homens de preto que insistem em ficar de cócoras. Por isso, o Copiador de Livros Alheios colocou o avental. Não confundam: o biltre não é maçon. É garçon. Um dos garçons mais servis que o velho e decrépito Palhaço alguma vez teve às suas ordens. E de graça!"


Afonso de Melo, in O Benfica

Uma Liga lá deles

"Um alargamento do número de clubes na principal competição futebolística portuguesa para alguns é desejável, para outros inevitável e para outros tantos é inaceitável. Mas, assumamo-lo, é possível.

O que subjaz a um hipotético alargamento prende-se com uma reflexão prévia e alargada que possa trazer diferentes abordagens e perspectivas para o tema em apreço. Importa saber qual a fundamentação, as motivações, o suporte desportivo e a sustentação legal. Importa perceber se há mercado que sustente, com o mínimo de dignidade, um acréscimo de clubes, se as infra-estruturas estão adequadas ao cariz profissional da prova. Essencialmente, importa perceber se há uma sustentação minimamente racional que faça de um alargamento um melhoramento. Caso contrário, um alargamento não passa de um alastrar de uma enfermidade.

O novo presidente da Liga sustentou o alargamento pretendido num único pressuposto: a sua eleição. Ou seja, fez tábua-rasa dos pressupostos de uma liderança em troca de uma eleição. Demonstra, entre muitas outras coisas, que, apesar de ter sido eleito, nunca será um líder. Esse estatuto foi vendido aos Fiúzas desta vida que, à primeira ocasião, vieram reclamar publicamente a entrega da mercadoria comprada e prometida. A primeira medida que se reconhece a este novo presidente da Liga é a tentativa de mudar as regras a meio do jogo, fazendo com que a verdade desportiva saia moribunda de um lodaçal em que já é ferida sucessivamente. Ou seja, o novo presidente da Liga apresentou-se aos adeptos com uma mensagem ‘interessante’: em prol da vitória ajusta-se o conceito de verdade à mentira de circunstância.

Objectivamente, há trinta anos que vemos a essa manipulação da verdade no futebol português, mas ainda não a tínhamos visto como promessa eleitoral."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Por cima da mesa

"A polémica criada em torno da contratação de Djaniny, não faz qualquer sentido.

Diz-se que o Benfica não o deveria ter contactado naquela altura. Com o mercado aberto a partir do início do mês, não sei então quando deveria, ou poderia, ter estabelecido o contacto (em Fevereiro? em Novembro? depois de outros clubes chegarem?). Este é o primeiro elemento mistificador do caso.

O segundo, e mais importante, é que, tal como aconteceu com Jardel (ex. Olhanense), a negociação foi absolutamente transparente. Houvesse intenções corruptas e seria fácil deixar o jogador por lá, sob a penumbra do desconhecimento, e, por entre promessas e pagamentos menos claros, esperar alguma coisa em troca. Outros talvez o tenham feito. Com o Benfica, não foi isso que se viu."


Luís Fialho, in O Benfica

Profissão de Fé !!!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A que visconde se manda a conta?

"Incrivelmente sozinho está Godinho Lopes, e muito calado no que diz respeito às consequências do fogo posto na Luz...


NO sábado, o Benfica vai voltar a Santa Maria da Feira depois de 22 anos de ausência, tantos quantos o Feirense andou por fora da divisão principal do nosso futebol. O Benfica está num bom momento desportivo. Apesar de o último jogo, com o Gil Vicente, não ter sido nenhum passeio, antes pelo contrário, o Benfica continua na frente do campeonato com dois pontinhos de avanço sobre o grande rival FC Porto.

A discussão está renhida entre os principais candidatos e nenhum deles se pode dar ao luxo de escorregar antes do reencontro entre ambos, desta feita na Luz, na segunda volta da prova.

Se o Benfica está numa boa fase em termos desportivos, o Feirense está numa óptima fase em termos financeiros. Aparentemente, dinheiro é coisa que não faz falta nenhuma em Vila da Feira. E quando assim é, nos clubes, nas instituições ou nas pessoas em alto desafogo, todos podem dar asas às respectivas razões sentimentais.

O presidente do Feirense, Rodrigo Nunes, foi direito ao assunto e explicou que «por razões sentimentais» o jogo de sábado vai realizar-se no Estádio Marcolino de Castro, em Santa Maria da Feira, com capacidade para 5.494 pessoas, e não no Estádio de Aveiro, com capacidade para 30 mil pessoas, onde o Feirense tem vindo a jogar desde que regressou à Liga maior.

Com a troca de palco, o Feirense abdica de 300 mil euros em receita líquida ainda que tenha anunciado que os bilhetes para sábado iam ser «bem mais caros». É a lei da compensação. Querem os fogaceiros ver o Benfica jogar ali pertinho de casa? Nesse caso, desembolsem.

Com o respeito devido ao adversário, para o Benfica não faz grande diferença jogar em Aveiro ou jogar na Feira. Depreende-se que as regras do jogo sejam as mesmas, que o árbitro esteja lá para as aplicar e que o campo tenha relva, marcações, bandeirolas e balizas. E se há quem, por superstição, acredite ser mais fácil ganhar ao Feirense num estádio grande, que se lembre que foi em Aveiro que o Feirense impôs um empate ao campeão FC Porto na primeira volta.

A questão está longe de ser do âmbito desportivo. É exclusivamente do âmbito financeiro. E um presidente que faz vista grossa a uma receita de 300 mil euros merece a admiração geral. Sobretudo nesta altura do campeonato.


A que Visconde é que se vai mandar a conta? - perguntava em voz alta, por um dia destes, um benfiquista ironizado sobre os pergaminhos nobiliárquicos dos fundadores do Sporting em contra-ponto com o amplamente documentado comportamento de alguns delinquentes, menos nobres, que, a coberto da bandeira do Sporting, incendiaram uma bancada no Estádio da Luz no final do último derby da Capital.

O tempo já não é de Viscondes mas dificilmente se acreditará que a maioria dos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal se revê nestas proezas pirotécnicas das tropas do chamado Botafogo de Telheiras, tal como, em nome do bom senso e do respeito, nenhuma outra massa adepta de qualquer outro clube se revê e compraz, na generalidade, com os delitos mais ou menos espetaculares produzidos pelos seus próprios delinquentes, dando-se o caso de existirem.

Embora os bombeiros não tenham demorado muito tempo a apagar o fogo, o episódio da Luz está longe de chegar ao fim. Estamos chegados à hora de mandar a conta a quem a deve pagar e, talvez por isso mesmo, desapareceram dos palcos, da ribalta e dos galarins todos aqueles dirigentes, assessores e responsáveis do Sporting que na semana que antecedeu o jogo com o Benfica quase se chegaram a confundir nos ânimos e nos propósitos com as claques do seu contentamento.

Como todos estarão recordados, foi intensamente leonina a solidariedade institucional prestada às claques organizadas do Sporting perante o insulto do Benfica ao destinar-lhes assentos numa zona de segurança do estádio.

E no final do jogo, com as labaredas em fundo, Godinho Lopes, o presidente, nunca se sentiu desacompanhado pelos colegas da Direcção, nem quando, num dos momentos mais absurdos deste novo (ou velho, muito velho?) Sporting, anunciou ao país ter na sua posse «gravações» altamente comprometedoras para o bom nome do presidente do Benfica.

Não só desapareceram as ditas gravações como também desapareceram de vista os demais dirigentes e assessores do Sporting e agora, na hora de pagar a conta como aos cavalheiros é devido, está Godinho Lopes sozinho a contas na praça pública com os credores e a contas com os inimputáveis das claques de quem também o presidente andou a fugir na conturbada noite da sua eleição.

Incrivelmente sozinho está Godinho Lopes, e muito calado no que diz respeito às consequências do fogo posto na Luz. E está também Godinho Lopes incrivelmente sozinho, ainda que menos calado, no que diz respeito às minudências do futebol e à gestão interna e externa dos recados públicos vindos do treinador. Na verdade, tudo tem sobrado para o presidente.

De acordo com os regulamentos que regem a organização do futebol profissional no nosso país, é ao Sporting quem cabe pagar a totalidade da despesa das obras no Estádio da Luz. E é à Liga de Clubes quem cabe fazer cumprir o que está regulado.

A Liga tem um novo presidente, Mário Figueiredo, e, em nome da decência e da fé no progresso, há muito boa gente que se recusa a acreditar que o novo presidente da Liga tenha sido eleito só porque prometeu que este ano não ia haver descidas de divisão, como afirmou recentemente o presidente do Gil Vicente.

Também é verdade que se Mário Figueiredo tivesse apenas prometido aos clubes grandes, médios e pequenos que ia fazer cumprir as leis e os regulamentos das competições profissionais era bem capaz de ter tido uma votação fraquinha, muito fraquinha mesmo.

Obras, facturas e descidas. É isto tudo que, pelos tempos mais próximos, nos será dado a ver.


EM Inglaterra é outra louça. O Chelsea, em termos de futebol, não viverá o seu momento mais áureo mas em termos das responsabilidades que cabem a um grande e poderoso emblema, os blues não deixam cair os seus pergaminhos em mãos alheias.

Num dos seus últimos jogos para o campeonato, o Chelsea foi a Norwich empatar 0-0. Pior do que o nulo foi, no entanto, o comportamento de um grupo alargado de adeptos que se portaram como vândalos no decorrer da viagem de comboio que os levou de regresso a Londres.

No dia seguinte, em comunicado, o Chelsea anunciou que está a «colaborar com a polícia» para «identificar e condenar» os responsáveis pelos desacatos. É outra louça, não é?


O Sporting substitui as imagens agressivas com que decorava o corredor de acesso ao balneário dos visitantes por imagens bucólicas de um campo de girassóis numa estética Baby TV.

A estreia da nova decoração não surtiu efeito. Uma equipa de recurso do Moreirense, sem nove dos habituais titulares, por lá passou e por lá empatou. A rapaziada de Moreira de Cónegos entrou e saiu de Alvalade sempre com o mesmo sorriso. E com imensas razões para tal.

A coisa não vai ficar por aqui. Um dia, mais cedo ou mais tarde, quando o Sporting se deixar de anedotas e se voltar a projectar para as prioridades elementares do seu estatuto, sairão da parede os girassóis que, faça-se-lhes justiça, já marcaram de forma indelével esta era directiva tão original em Alvalade.


GRANDE jogo de futebol ontem à noite em Barcelona. De facto deve ser muito difícil arranjar equipas de arbitragem ao mesmo nível da superior qualidade das equipas de futebol em campo.

Talvez por essa razão, ontem o árbitro foi a pior artista em Nou Camp com prejuízos múltiplos para o Real Madrid que, por exemplo, nos últimos cinco minutos do jogo sofreu uma expulsão mais do que discutível e foi impedido de jogar à bola através de um concerto de apito bastante descarado.

Mas o que fez falta ao Real foi ter transformado em golos as oportunidades que construiu na primeira parte. Aquilo com a nosso Rodrigo tinha sido uma goleada."


Leonor Pinhão, in A Bola

...ainda e para sempre Eusébio...







Liga inchada?

"O novo presidente da Liga anunciou, no seu programa, a intenção de promover o aumento da I Liga para 18 clubes.

Em Portugal, a regra é sempre mudar a regra. A estabilidade da regra nunca foi uma norma, nem uma prática enraizada na nossa idiossincrasia. É assim nas leis do país, no sistema fiscal, nos currículos educativos, etc. Como diria Lampedusa, é preciso mudar algo para que tudo continue na mesma...

Sempre estive mais inclinado para a diminuição do número de clubes na I Liga do que para o seu aumento. Mas sei que o poder futebolístico não está para aí virado. Assim sendo, podemos vir a ter uma recidiva de inchamento. E com duas aventadas e impensáveis hipóteses.

A primeira é a da desvirtuação absurda das regras com que se iniciou o campeonato. Vai a coisa a meio e, pronto, já está: muda-se. É esta a Liga que uma organização estrangeira até considerou (algo estranhamente) a quarta mais competitiva do planeta? Espero, apesar de tudo, que não se vá por esse caminho, como subentendi de recentes declarações de Mário Figueiredo.

A segunda - se tal anormalidade for aprovada (tudo é possível...) - é poder haver festa na aldeia! Por outras palavras: ninguém desce... assim se consagrando um período de jogos entre solteiros e casados na segunda volta, estimulando certas manipulações e batotas de todo inconcebíveis e deixando certos estádios ainda mais às moscas!

Ao menos que haja uma qualquer poule, antes chamada, em espanholada expressão, de liguilha, por exemplo, entre os últimos dois classificados da primeira e desonrada Liga e os 3.º e 4.º da Liga ainda chamada de Honra..."


Bagão Félix, in A Bola

O contraste

"Diz-se e escreve-se desde há muito até à exaustão que a hegemonia do FC Porto nos últimos quase 30 anos é fruto da excelência da sua 'estrutura', entendendo-se por isto qualquer coisa como organização, disciplina rigorosa, blindagem do balneário e hierarquia centralizada com mão de ferro na presidência. Mas isso foi chão que deu uvas. Agora já não é assim. A tal estrutura que conferia vitória e títulos mudou de epicentro: do Dragão para a Luz. Cito apenas dois exemplos, como pequena amostra, para ilustrar a falência de uma e o emergir da outra: Danilo e Enzo Pérez. O brasileiro foi comprado e pago a peso de ouro no Verão passado e disse-se então que só não veio logo no início da época porque, magnanimamente, o FC Porto autorizou que ele permanecesse no Santos até Janeiro. Como se explica assim que, para o ter em Janeiro, fosse obrigado a ceder à borla ao mesmo Santos, por um ano, o internacional uruguaio Fucile? Que raio de estrutura de bananas é esta?

Ao invés, o argentino, contrariado pela pouca ou nula utilização que Jorge Jesus lhe deu na 1.ª volta do campeonato, foi de férias e 'jurou' não voltar, batendo o pé durante semanas. Perante a posição irredutível do Benfica, personificada no presidente que chamou a si a condução do processo, o jogador meteu o rabo entre as pernas e regressou ao redil, onde está a treinar-se à parte e sob alçada disciplinar, que culminará com pesada multa.

Querem duas atitudes mais emblematicamente contrastantes? Eu não, para tirar as conclusões que se me afiguram mais óbvias. Aliás, poderia recorrer a muito outros casos, todos eles recentes, para chegar à mesma ilação. Ou seja, no reino do Dragão o rei vai nu."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Luz, sombras e moedas

"A passada semana foi marcante para dois atletas de diferentes modalidades. Falo de Pepe e de Nélson Évora. Por diferentes razões.

Pepe - brasileiro da selecção portuguesa - é, indubitavelmente, um jogador acima da média. Mas percebe-se que é também um jogador estruturalmente agressivo que faz do corpo uma arma de arremesso. Não prestigia a profissão pela qual é pago a preço de ouro.

Quem não se lembra da barbárie nas costas de um jogador do Getafe há dois anos? A desculpa esfarrapada (ele que, sem vergonha, disse sempre ter respeitado os colegas de profissão!) sobre a pisadela impiedosa sobre um genial e educado Messi, negando o que as imagens evidenciam, é o II Acto de uma peça cujo III e último Acto deveria ser o seu profiláctico afastamento temporário. Curiosamente foi Pepe que, minutos antes, caiu fulminado simulando uma agressão por um jogador do Barcelona.

Pepe é dos jogadores mais violentos e fingidos que não merece estar num clube de referência como o Real Madrid. Nem na selecção, onde não é exemplo para ninguém. Para mim, e em função do uso excessivo do pé, passou a ser o Pépé! Uma má moeda.

Nélson Évora, ao contrário, é um atleta completo e de eleição. Campeão olímpico, desportista exemplar, homem generoso. O azar que o atingiu irá impedi-lo de defender em Londres o título olímpico. Imagino a dor que sente (que sentimos), mas anima-me o sorriso esperançoso que sempre transporta nos momentos mais difíceis.

Nélson Évora dignifica o desporto. E encoraja os mais jovens a seguir o seu percurso. Nélson Évora é uma luz no meio das sombras. Uma boa moeda."


Bagão Félix, in A Bola

Malmequer

"Mesmo depois do forcing de 20 milhões de euros que no final de agosto compôs o ramalhete, parecia que Domingos Paciência seria o melhor reforço para a época de arranque dos novos dirigentes do Sporting. Um magnífico tirocínio em crescendo, de patamar em patamar, indicava a aptidão para um desafio de máxima grandeza, após ter atingido os limites do Sporting de Braga.
Também os pressupostos publicamente colocados estavam corretos: reconstrução do plantel, ambições comedidas, prazo alargado, tranquilidade ambiental, comunicação positiva. Talvez correto de mais, tratando-se de um clube com o passado do Sporting e uma ansiedade por glória difícil de aquietar, sem resultados nem títulos.
De facto, o fervor clubista rebentou, a ritmo quase semanal, em crises de paixão pelos maus resultados iniciais, pelo bode expiatório dos árbitros, pelas recuperações miraculosas, pela sobreavaliação de alguns jogadores, pela deceção dos primeiros percalços, pelo desencontro das vozes de comando, pelas incongruências técnicas, pelo esvaziamento do sonho. Tudo em seis meses, de picos para abismos, como numa montanha russa a alta velocidade e sem timoneiro.
Um clube como o Sporting, eclético e nobre, não podia colocar-se à mercê dos resultados da equipa de futebol, quando esta não dispõe de condições imediatas para se opor ao poderio dos adversários históricos. Por isso, a abordagem comunicacional devia desprender-se da vertigem do sucesso mirabolante e assentar em racionalidade, sem arrefecer o entusiasmo dos adeptos nem atrapalhar a recuperação paulatina das vendas de lugares e merchandising.
Era um belo desafio, portanto, que obrigava a uma concertação entre os responsáveis do futebol e os da comunicação para que todos os planos não escorressem pelo cano aos primeiros deslizes, a maior parte das vezes de modo comprometedor e prejudicial – como ainda ontem aconteceu com um dos principais patrocinadores, compelido a anular uma operação por causa do “mau momento”.
As dificuldades que o treinador tem evidenciado na discussão dos maus resultados, deslizando sem rede com argumentos mal estruturados e confundindo os alvos, realçam o descontrolo interno. E até o que parecia impensável está a acontecer: Domingos a afundar-se, vítima de impreparação num domínio em que, afinal, também era virgem, pois no Porto a comunicação nunca é livre, muito menos descontrolada, e nos clubes mais pequenos não existe pressão mediática, nem fadistas. Quando lhe falhou a retaguarda foi como se lhe abrisse debaixo dos pés o alçapão que recentemente engolira outros treinadores bem menos capacitados.
O pitoresco episódio do passadiço de Alvalade ilustra estes seis meses de bem-me-quer, malmequer, em que o Sporting insiste em viver, como se a estratégia comunicacional fosse desenhada por crianças: assim como a euforia acéfala das claques rouba a lucidez nos ciclos triunfais, também a contemplação depressiva de um campo de flores motiva pouco ao recobro de uma fase de derrotas. Devia ser ao contrário: para sair do túnel, garra, inteligência e personalidade."


Ameaças e fantasmas

"A notícia vem da tarde de ontem, li-a no Record e, confesso, olhei através dela como de um mau presságio, um sinal assustador para o que espera o futebol português. Dá conta de que um “grupo organizado de adeptos” do Benfica, os Diabos Vermelhos, vai estar ausente da deslocação dos encarnados a Santa Maria da Feira, na próxima jornada. A razão é simples e transparente: o preço dos bilhetes, considerado insensível face ao momento que o país atravessa.
Podem argumentar que é um caso isolado e que, assim, não serve como representativo daquilo que poderia ser tomado como uma deserção entre os mais fiéis. É uma forma de olhar a questão. Mas há outras. Por exemplo, pensar que, por hábito, o Benfica é o clube que mais gente leva com a sua equipa à esmagadora maioria dos estádios portugueses, tantas vezes superando o número de adeptos dos clubes que recebem as partidas. Quando a época corre de feição, a diferença aumenta – e o Benfica está na liderança, em andamento dinâmico e poderoso, ambicioso e com bases para levar aos campos essa ambição. Tal é sinónimo de um apoio presencial que, em múltiplas ocasiões, rende a muita e boa gente a melhor receita de toda uma temporada desportiva.
Mas há limites. Tome-se o exemplo do Feirense como apenas… um exemplo. Alguém quer convencer-me que, com preços como os praticados, os adeptos de FC Porto e Sporting, os outros dois “encarregados” de lotar os estádios, vão manter as suas romarias, pagando o que lhes é pedido por quem não leu a história da galinha dos ovos de ouro? Se temos números crescentes de espectadores “in loco” ao longo desta época, talvez valha a pena fazer um esforço de adaptação aos tempos correntes. Quem não ganha o que já ganhou deve ser chamado a pagar o que nunca pagou? Vem aí um período quente para a renegociação dos direitos de transmissão televisiva. E aí, aqueles que agora puxam a corda, hão-de lançar o laço para ver o que apanham na “solidariedade”. Se juntarmos tudo isto a um projeto populista e inconsequente que, pelos vistos, nasce na Liga, apetece dizer que o futebol português está mesmo ameaçado. E, como de costume, nem é preciso o inimigo externo – vem de dentro.
Mais do que ameaças, o Sporting vive com fantasmas. Quem viu o jogo de Olhão percebeu como a bola queima, como os assobios doem, como as botas pesam. Domingos tem tarefa de peso e tem cada vez menos tempo. Precisa de virar o rumo antes de jogar a hipótese de um troféu que lhe salve a época. Mas tem de ser já – este Sporting não ganha ao Gil Vicente (Taça da Liga) nem ao Nacional (Taça de Portugal). Não ganha a ninguém. E isso ninguém aguenta: nem os adeptos, nem os adversários, nem o futebol português a que o leão faz muita falta."


Slides de meia-tijela

"O Palhaço abriu a boca e babou-se, como costumava fazer sempre. Mirou as paredes coloridas como se observasse com atenção a fachada de um palácio à moda do bovino que de facto é. Viu barrigas proeminentes multiplicarem-se em seu redor, com os seus proprietários exibindo orgulhosamente umbigos e pêlos repelentes. Um desses animais, tatuado por todo o peito descaído, ensaiava a saudação nazi. Mais por vicio do que por outra coisa qualquer, o Palhaço esticou o braço e respondeu à saudação. Depois olhou em redor, meio envergonhado, continuando a babar-se. Não tinha vergonha da saudação, todos sabiam das suas simpatias por qualquer tipo de fascismo, mas não queria ser apanhado ali, sozinho, em troca de simpatias com um matulão presumivelmente mal-cheiroso, logo ele que era tão namoradeiro, benza-o Deus.

Os rapazolas multiplicavam-se pelas paredes, de um lado e do outro. Semi-nús, simiescos, esgares broncos, um sem fim de mamilos e sovacos, bocas abertas soletrando palavrões, olhos esbugalhados, sanguínolentos, exprimindo o esforço titânico do cérebro na busca de mais insultos. O Palhaço estava agradado com tamanha porcaria mas, no fundo, ia crescendo em si um desprezo intenso por aquilo que ele considerava uma brincadeira de meninos de colo. Tanta ameaça, tanta ira, tanta cara feia e punhos fechados para quê? Toda a gente sabe que fotografias não fazem mal a uma mosca, riu-se o Palhaço para dentro. Cá comigo não há brincadeiras nos túneis! Ou os encho com criolina e mando atacar o guarda Abelha; ou atiço-lhes com o Incrível Shreck e com o outro paspalho que não sabe estar calado. Não anda cá a ameaçar pontapés na tromba e murros no nariz com slides de meia-tijela. E muito satisfeito consigo próprio, o Palhaço foi à sua vida insalubre, não sem antes ter voltado a esticar o braço, respondendo à saudação nazi do biltre que estava à sua frente, imóvel, na parede."


Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (Osgas)

"Luís Duque teve a tirada da semana quando afirmou que o «Sporting estava a tentar aproximar-se dos grandes do Futebol português» e que, no fundo, não era obrigado a ser campeão logo no primeiro ano da «revolução». Em resumo, era isto que queria dizer o vice-presidente do Sporting, contrariando as arrojadas afirmações do presidente Godinho que, com a arrogância que se lhe conhece, não parou de lançar provocações, sobretudo ao Benfica, e que culminou com aquilo que se viu no Estádio da Luz após a derrota leonina para a Liga.

Mesmo assim, Godinho ainda veio «dar chá» depois do jogo, com os seus amigos do FC Porto, dando exemplos de bem receber, como se alguém do Benfica precisasse desses recados dos fidalgos falidos, ou os tivesse recebido mal, mesmo sabendo das provocações e desfeitas ouvidas na semana que antecedeu o jogo da Luz entre os dois velhos rivais!

Paga-se sempre pela língua de palmo!

A publicidade enganosa que desde Agosto anda a ser lançada nos Media e que tem entretido os adeptos sportinguistas está aí desmascarada com a verdade dos números: estão piores que na época passada e gastaram à volta de 23 milhões de euros em compras... para nada!

Não me esqueço quando se queixavam do Benfica por gastar muito dinheiro em compras ternado a Liga 'sem verdade desportiva'! Diziam que os clubes não deveriam investir em contratações quando a crise é tão forte! Pois. O problema é que uns investem para ganhar e valorizar os activos e outros investem sem critério 'enterrando-se' cada vez mais!

É bom que peçam contas a quem de direito. E, já agora, que mostrem os resultados da tal auditoria que Godinho prometeu na campanha eleitoral para que TODOS possam ver o que fizeram nos últimos anos por Alvalade. E não são só os sportinguistas que precisam de saber isso. Diz respeito ao Futebol português e a quem defende seriedade no Desporto."


João Diogo, in O Benfica

O Folclore de Alvalade

"Cadeiras arrancadas, incêndios em estádios, ameaças a árbitros no intervalo dos jogos, e a treinadores no fim dos mesmos, imagens odiosas e violentas nos balneários. Ao 'novo' Sporting, cosmeticamente refundado, apenas têm faltado... resultados.

Na verdade, se Godinho Lopes até parece um gentleman, na sua equipa directiva subsistem verdadeiros 'senhores', cujo alinhamento (subserviência?) com a principal claque não tem paralelo na vida quotidiana de mais nenhum clube português. A juntar a isto, vemos agora um treinador da velha escola portista, habituado a truques subterrâneos, como ficou bem patente na sua passagem por Braga.

Se, com as fotos colocadas no túnel, a ideia era impressionar os jogadores contrários, creio que recordar os triunfos (embora necessariamente já longínquos) do Sporting, lembrar Peyroteo, Travassos, Yazalde, e, porque não, Carlos Lopes ou Joaquim Agostinho, faria bastante mais efeito. Esse Sporting, sim, ainda assustava muita gente. Delinquentes da 'Juve Leo', com suásticas tatuadas, caras tapadas e mãos estendidas, não assustam. Repugnam.

Estes episódios - como, noutro plano, a ridícula pintura do relvado - definem o insanável conflito entre aquilo que o Sporting quer parecer (um clube grande, distinto e respeitador), e aquilo que verdadeiramente é (uma entidade amesquinhada, sem norte, submersa em conflitos existenciais, e moralmente vendida aos seus ultras).

Até porque, como lembro acima, os resultados não ajudam. Diria mesmo que 'o Sporting está de volta!' pois, à excepção da Taça de Portugal, que lhe caiu de borla nas mãos (e que, mesmo assim, hesita em agarrar), a época não promete nada de especial em relação ao seu passado recente.

Desde 6 de Novembro de 2011, apenas ganhou um jogo do Campeonato; está afastado do título pelo décimo Natal consecutivo; e termina a primeira volta em quarto lugar, exactamente com os mesmos pontos que tinha em 2010/2011. Como acontece com o relvado, a diferença está na máscara - agora bastante mais folclórica."


Luís Fialho, in O Benfica

Velocidade

Benfica 12 - 2 Paço de Arcos


Goleada a grande velocidade, mas voltámos a conceder muito espaço ao adversário, que obrigou o Ricardo Silva a muito trabalho...!!!

Tu és um dos meus ídolos!

"No domingo, em Viseu, depois do almoço no sempre recomendado Cortiço, o Senhor meu Pai - infelizmente cada vez mais debilitado e sem audição - dizia-me: «Eusébio vai fazer anos. Diz-lhe que se aguente!» Aqui estou a repetir-te, meu Bom Amigo, o pedido do Senhor meu Pai. Com ele na televisão a preto e branco, vibrei com os teus golos. Emocionei-me com as tuas dores. Entusiasmei-me com a tua Fé. Acompanho-te neste comum fervor benfiquista. Menino da Luz, com a farda castanha que nos identifica com toda a honra, vi-te tantas e tantas vezes no velho estádio - no terceiro anel ou no peão aplaudi-te, rejubilei com as tuas jogadas e com os teus golos. Recordo muitos dos que marcaste. E, menino de Viseu, tive o privilégio de te conhecer, de ser teu Amigo, de te acompanhar em viagens, de escutar histórias que nunca esquecerei, de sofrer com os teus problemas de saúde. Tu és um dos meus ídolos. Aprendi com o Senhor meu Pai e admirar-te. Ensinei o meu Filho a reconhecer a tua ímpar capacidade e exemplar dedicação ao futebol. E transmitirei aos meus netos o teu querer, a tua vontade de vencer. Neste dia digo-te: Aguenta-te! Todos queremos sentir a tua amizade por muitos anos. E quero que o teu neto, o Luís Pedro, continue a marcar golos. Com o amor da Sandra, a alegria da Carla e o entusiasmo dos Avós! E, quero continuar a escutar, em particular, o teu relato vaidoso pelos golos que ele, o teu neto, já marca! Parabéns Senhor Eusébio da Silva Ferreira. Um abraço amigo."


Fernando Seara, in A Bola

Os 'royalties' de Eusébio

"A nossa diferença de idades é de pouco mais de seis anos. Por isso, tive o privilégio de, na adolescência, ter sempre visto jogar Eusébio. Faz, assim, parte do meu reduto memorial. Daquele que a erosão do tempo não apaga, antes selecciona.

Já tudo foi dito e escrito sobre Eusébio. Aos 70 anos, continua a ser um ídolo e uma referência. Porque a etiqueta da idade só se aplica às pessoas vulgares. Por vezes, imagino um Eusébio a jogar no século XXI. Não que o verdadeiro Eusébio tivesse sido jogador no tempo errado, mas para sublinhar a intemporalidade da sua magia e a universalidade do seu talento.

O Benfica tinha 37 anos quando Eusébio nasceu em Moçambique e 57 anos quando se estreou no clube. Não é possível calcular quantos benfiquistas (ou simplesmente amantes do futebol) há hoje por causa dele. Mas, certamente, muitos... Eusébio, porque 'rei' com direitos de autor e de patente indeléveis, deveria ter direito a 'royalties' por tal contributo que perdura para além de qualquer idade.

«Conta a tua idade pelo número de amigos e não pelo número de anos» disse um outro ídolo do seu tempo de jogador, o Beatle John Lennon. Eis uma boa síntese da riqueza do genial Eusébio. Os seus verdadeiros, imateriais e compensadores 'royalties'!"


Bagão Félix, in A Bola

A primeira lenda planetária

"A 25 de Janeiro de 1942 nasceu aquele que foi a primeira lenda planetária do futebol mundial.

Porquê?

Por várias razões. Primeiro porque os míticos jogadores que o antecederam como Pelé, Garrincha, Pukas ou Di Stefano não viveram o tempo da televisão. Depois porque foi um jogador assombroso. Eusébio apenas disputou um Mundial onde foi o melhor marcador e o melhor jogador. Imaginem que o menino tinha tido a possibilidade, como fazem todos os astros, de jogar 2 ou 3 mundiais e 2 ou três europeus?

Quando a FIFA recentemente elegeu os 10 melhores jogadores dos 100 anos do futebol mundial. Lá estava Eusébio, o único que só disputou uma grande competição de selecções, daquelas que definem muito estas classificações.

Todos os outros grandes mitos, tiveram em vários palcos e por diversas ocasiões de Pelé a Cruyff, de Beckenbauer a Maradona, de Van Basten a Platini. Todos repetiram grandes provas, com uma excepção Eusébio da Silva Ferreira.

Eusébio é grande porque foi enorme. Ainda hoje o meu pai, também nascido em Janeiro de 42, para me arreliar, diz que é de um Benfica de Eusébio e Coluna enquanto eu apenas nasci em 1969. Ainda não sei se perdoo aos meus pais não ter nascido mais cedo só para ver Eusébio jogar!!!"



Sílvio Cervan, in A Bola

Alguns devaneios pessoais

"Todas as segundas-feiras procuro saber o resultado da Juventus. Sou do Benfica e não me divido em afectos infantis por clubes estrangeiros, embora estime o Real Madrid. Em 1971, levaram-me a visitar o Santiago Bernabéu e foi grande emoção poder tocar nas seis Taças dos Campeões perfiladas na sala de troféus. O meu pai disse-me: «Falta-lhes ali uma.» Faltava aquela que o Benfica lhes tinha conquistado. Fique esclarecido que se estimo o Real Madrid não se deve a Di Stefano ou a Fábio Coentrão. É por causa do Benfica e de Eusébio.

Com a Juventus é ainda mais antigo o sentimento. Vem desde 1968, de um jogo que não vi mas que me contaram. Para a Taça dos Campeões, o Benfica jogou em Turim num terreno hostil empapado por uma chuvada torrencial. Estaria mesmo a chover? Não interessa. No futebol, tal como no cinema, a chuva acrescenta um importante elemento dramático. E, sem tempestade, sem terreno empapado, sem a bola pesada, não se explicaria a sublime rendição do público da casa no momento em que Eusébio disparou um tiro a 40 metros do alvo e fez entrar a bola (de canhão) na baliza italiana. Contaram-me que o estádio o aplaudiu de pé. Sou um bocadinho da Juventus por causa de Eusébio. E é com alegria benfiquista que vejo a Juve na frente do campeonato italiano."



Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um venerável cidadão do Mundo

"Falar de Eusébio é fácil, mas retratar a admiração que o Mundo lhe dispensa, hoje, como há 50 anos, ou seja, transmitir a imagem verdadeira do que ele continua a representar, aqui, como em qualquer lugar, ou mais em qualquer lugar do que aqui, é missão a que não me atrevo, pela razão simples de temer não ser capaz de honrar pela palavra escrita a elevação de situações que esta profissão que amo me permitiu testemunhar. Recordo-as apenas:

Nova Iorque, espera no aeroporto para regressar a Lisboa. Passa um grupo de freiras, com destino à Índia. Perguntam: quem são? É a equipa de futebol do Benfica. Ah!, Benfica, está aí o Eusébio? Gostávamos de tirar uma fotografia com ele. Infelizmente, Eusébio não estava. Reacção entusiasmada do nosso Alfredo Farinha: é espantoso, estas irmãs de certeza que nunca o viram jogar...

Bucareste, ainda no tempo de Ceausescu, com as longas e demoradas filas no controlo de passaportes. Eusébio aguarda pela sua vez... até ser reconhecido. Polícia intervém e o «senhor Eusébio faz o favor de nos acompanhar». Esperam os outros, Eusébio, não. Nem na Roménia do ditador.

Manchester, final da Champions. Está lá Eusébio em iniciativa promocional. O interesse é enorme e a organização tem de arranjar uma sala só para ele ser entrevistado por televisões, rádios e jornais maioritariamente britânicos. Confidencia-me: «não percebo isto, nunca consegui ganhar em Wembley e gostam de mim»...

Roma, Eusébio recebe o galardão de Cavaleiro de Roma. A sua presença agita o centro da capital italiana. Aparece a polícia, Eusébio viaja para o local da homenagem, e um jovem, 16-17 anos, grita: «Eusébio, és grande!». Também eu pensei: este miúdo nunca o viu jogar...

Londres, Eusébio, entre figuras sonantes, é incluído na feira da promoção da final da Champions. Centenas de pessoas aguardam mais de uma hora ao frio por um autógrafo, uma fotografia, um sorriso.

Cá dentro, vemo-lo como Eusébio. Nós acentuamos-lhe os pecados; eles valorizam-lhe as virtudes. Eusébio é maior do que País, é um venerável cidadão do Mundo."


Fernando Guerra, in A Bola

Eusébio, o imortal

"Eusébio, que Deus o guarde por muitos e bons anos, conseguiu aquilo de que só uma elite pode gabar-se: a imortalidade em vida.

Estátuas, nome de ruas e de um avião da TAP, tudo isso faz parte de excepcionalidade que separa Eusébio da Silva Ferreira do comum habitante do planeta. Como explicar o fenómeno-Eusébio? Não é fácil. O king atingiu o auge quando a televisão era a preto e branco e ir a Badajoz era considerado ir ao estrangeiro. Mas, mesmo assim, continua a ser reconhecido como se de Cristiano Ronaldo - estrela nascida na aldeia global - se tratasse.

Viajar com Eusébio e assistir às manifestações com que é acolhido é uma coisa como a Coca-Cola, primeiro estranha-se depois entranha-se. É perceber como todos são iguais mas alguns são mais iguais que outros. É, enfim, partilhar momentos com uma lenda viva, a derradeira lenda viva portuguesa... Tive oportunidade de privar directamente com Eusébio durante vários anos e depois disso temos mantido um contacto regular. Conheci-o no início dos anos 80, quando ele regressou ao Benfica, primeiro como treinador dos juvenis, depois como treinador dos guarda-redes. Já lá vão 30 anos, o king ia nos 40, já tinha o joelho muito maltratado mas, mesmo assim, continuava a rematar como ninguém, para mal dos pecados do Bento, do Silvino, do Neno e meus também. O que Eusébio mais gostava de fazer era colocar meia dúzia de bolas na linha da grande área e rematá-las, de rajada, dizendo antes para onde ia chutar. Dessa forma, a humilhação do guarda-redes era maior, porque nem por saber que a bola ia para a direita ou para esquerda, para cima ou para baixo conseguia defendê-la (salvo raras e honrosas excepções a que Eusébio respondia, «essa não valeu!»). Hoje, celebramos os 70 anos do maior jogador português de todos os tempos. Deve ser um dia de festa colectiva, porque Eusébio, apesar de todo o benfiquismo que transporta agarrado à pele é, de facto, património nacional. E é também património da humanidade. Mas antes disso é nosso. Muito nosso..."


José Manuel Delgado, in A Bola

Reverencialmente como eles em 72

"Até eu tenho, passe o exagero, milhentas histórias com Eusébio. A primeira, era eu muito miúdo, não mais de 10 anos, aconteceu no Paco, na Avenida de Berna: tímido, picado por minha Mãe, papel na mão... saquei-lhe um autógrafo; anos depois, já espigadote, houve no Estádio da Luz um daqueles jogo/festa que metia jogadores de múltiplos países e vedetas da TV, e levado por meu Pai, naquele frenesim de final de jogo, quando lhe apertei a mão, ouvi-lhe carinhosamente «és filho do Amadeu?»; no início da década de 80, na primeira vez que fui a Moçambique, foi a seu lado, e do senhor Mário Coluna, que tive a felicidade de conhecer essa figura imensa que foi Samora Moisés Machel; finalmente, para não ser fastidioso, jamais esquecerei duas noites de convívio fantástico nos Açores, quando A BOLA muito bem decidiu agraciar Pauleta. Porém, aquilo que me traz aqui passou-se em 1972, quando Luanda foi brindada com a visita do Benfica de Lisboa (era assim que a malta dizia) para um jogo com o Benfica de Luanda. Nessa noite cálida, Estádio dos Coqueiros repleto nos seus 12 mil lugares. Obviamente muito nas calmas, o SLB goleou: 8-0, como A BOLA confirmava (que comprei três/quatro dias depois, como sempre fazia, a 50 escudos de então cada exemplar), deliciando-me a ler o que o saudoso Homero Serpa escreveu e eu vi. Bom, o SLB goleou, mas até ao 7-0 sem qualquer golo de king. Até que aconteceu uma falta aí a uns 10 metros da grande área e o povo gritou a plenos pulmões «Eusébio, Eusébio, Eusébio». E Eusébio fez-lhe a vontade. Bola batida com perícia, não em força, mas em jeito, que o bom do Magalhães não conseguiu travar, nem a barreira fez por isso, pois reverencialmente curvou-se o mais possível, assim ao jeito da saudação dos encarnados aos adeptos, para que o MAIOR deixasse a sua marca. A exemplo dos jogadores do Benfica de Luanda naquela saudosa noite, aqui estou eu, meu querido amigo KING a dar-lhe os parabéns, disposto a fazer o mesmo daqui por mais 70 anos. Seria óptimo para ambos..."


José Manuel Freitas, in A Bola

Valeu-me a tareia do Real Madrid

"Estava o Benfica no auge da sua projecção europeia, coube-me ser o enviado-especial de A BOLA a uma das suas frequentes deslocações ao estrangeiro. E quis o acaso que, numa das escalas da ida, a equipa do Real Madrid se juntasse à equipa do Benfica no avião onde também eu viajava. Houve natural confraternização entre as duas caravanas, esse saudável convívio foi apreciado e realçado por diversos passageiros, mas até alguns deles notaram (sobretudo quando solicitaram autógrafos) que a humildade dos jogadores do Benfica contrastava com algum distanciamento dos jogadores do Real Madrid. E, naturalmente, tudo isso registei no primeiro serviço que enviei para A BOLA. Pouco tempo depois, Outubro de 1962, coube-me acompanhar o Belenenses a Barcelona, para jogo da então existente Taça das Cidades com Feira. E, numa manhã, quando do hotel saí para comprar jornais, o homenzinho do quiosque julgou-me adepto do Belenenses e, assegurando-me copiosa goleada do seu Barça, levou-me a revelar-lhe a minha profissão e a razão da minha presença ali. Surpreendido, reagiu (sempre em espanhol, já se vê): «Periodista português? A última edição da revista mensal do Real Madrid bateu forte num seu colega». E eu, naturalmente, perguntei-lhe se tinha algum exemplar da publicação a que aludia. Tinha, sim senhor. E a surpresa passou a ser minha, pois era eu o visado, com a tareia em grande nas duas páginas centrais da revista mensal do histórico clube espanhol, por causa do que eu escrevera sobre o encontro Benfica-Real Madrid no avião. O homenzinho do quiosque começou por se confessar incrédulo. Mas, quando lhe mostrei documento de identificação, terá visto em mim o herói que ousara afrontar o grande rival do seu querido Barça, pois abraçou-me, foi chamar o colega do quiosque vizinho, falou-me de mim como se fosse de outro mundo, fez questão de me oferecer a revista do Real Madrid e só a muito custo consegui pagar-lhe os jornais do dia.

Um forte abraço de parabéns, sr. Eusébio da Silva Ferreira, por sempre ter sido como que o símbolo de tal humildade profundamente marcante daquela histórica equipa do Benfica e pelos sete a zero de vida que hoje alcança."


Cruz dos Santos, in A Bola

O irmão branco de Eusébio

"Eram irmãos gémeos. Falavam por sinais, como se a vida fosse um jogo de bisca. O Nuno achava sempre graça ao que o Eusébio dizia, ao que Eusébio fazia. Abria o sorriso quando estava com ele e os seus olhos eram os olhos de um irmão orgulhoso. A amizade do Nuno Ferrari e do Eusébio era indestrutível. Estava acima dos homens e deste mundo de rancores e de invejas. Juntos eram um. O Nuno com a máquina, o Eusébio com a bola. Cada qual conhecia, como as palmas de suas mãos, o melhor ângulo do outro. Às vezes, nesses intervalos de vida que permitem vagares, trocavam silêncios como se dissessem palavras. De outras vezes, quando a paixão frenética que Eusébio sempre teve pelo jogo de futebol se desenrolava na tela verde dos estádios, o Nuno vivia em frenesim pela melhor foto da sua vida, que sempre ficou por tirar. Por fim, o jogo terminava, o Eusébio seguia para o duche e o Nuno corria para o seu pequeno automóvel, arrancando a toda a velocidade na direcção do Bairro Alto. Era o tempo em que os carros pequenos cabiam em todas as pequenas esquinas da rua Diário de Notícias e as nossas vizinhas da vida nocturna nos avisavam da presença impertinente dos chuis. O Nuno subia esbaforido a velha escada do 23 da Travessa da Queimada, o suor a escorrer-lhe pela cara, as calças (mesmo com suspensórios) deslizando pela barriga, as rugas mais marcadas pelo desespero da hora urgente. Depois a redacção debruçava-se sobre a arte derramada a preto e branco e deslumbrava-se a ver o Vítor Santos na escolha da melhor fotografia do Eusébio para a primeira página de A BOLA. Quando o Nuno achava que a foto era digna de Eusébio, voltava ao seu pequeno estúdio, fazia cópias e guardava-as num envelope para, depois, lhas entregar. Ficava, então, a vê-lo, embevecido, a olhar o espelho do seu talento. Eusébio pagava sempre com um sorriso único, que é como se devem pagar estas lembranças. E se hoje, dia em que Eusébio cumpre 70 anos de vida, seria dia para eu homenagear Eusébio, achei, assim, preferível, por dever de memória e de companheirismo, falar-vos dessa história que ainda ninguém escreveu, de dois irmãos de alma gémea que, como se sabe, não tem idade, nem cor."


Vítor Serpa, in A Bola

Por muitos anos com Vitórias e muita Saúde. Parabéns King



PS: A forma como a RTP Informação tratou a mais recente entrevista do Eusébio, é vergonhosa... mas não surpreende. Um pedido de desculpa é o minimo exigível. Recordo que o tal jogo Beira-Mar-Benfica acabou empatado, 2-2, e o Benfica foi Campeão nesse ano com 9 pontos de vantagem. Numa altura onde as lesões nos joelhos impediam o King de fazer aquilo que mais gostava...

Tango. Ontem, hoje e amanhã...!!!

Campeões Nacionais de Juniores em Pista Coberta - Masculinos e Femininos

Mais uma grande vitória da secção, títulos revalidados e futuro garantido...

O sabor da palavra vitória

"Que fiquem as análises técnicas para os especialistas, para os que tudo sabem, anotam e decoram. É uma sabedoria que respeito e admiro, mas que não partilho, já que o meu olhar se demora muito mais nas emoções e nas impressões fugazes, que costumam ser as do espectador comum e anónimo cujo coração bate ao ritmo do grande massa de adeptos que associa o Benfica ao desejo de vitória com o qual uma grande parte dos Portugueses se identifica, sobretudo em tempo de generalizada descrença e de persistente falta de alento.

O Benfica dobrou a metade do Campeonato, espécie de Cabo da Boa Esperança, numa promissora posição de liderança que foi confirmada com mais uma excelente exibição frente ao esforçado Vitória de Setúbal, com um bom guarda-redes, uma defesa demasiado vulnerável e com parcos argumentos para travar o fluxo ofensivo de uma equipa confiante nas suas capacidades e na força moral que abre o caminho para os títulos que a História regista.

Disse um grande poeta e ensaísta norte-americano, de nome Erza Pound, que a técnica, na escrita poética, é tanto mais importante quanto menos nos damos conta dela. E isso acontece quando essa técnica se converte, para quem escreve, numa verdadeira 'segunda pele'. Com propriedade, poderá aplicar-se esta ideia ao Benfica actual, já que a técnica que milita a favor das suas boas exibições é tão natural e fluente que nunca se sobrepõe à alegria de jogar e à capacidade de fazer golos. A média tem sido de quatro, os últimos jogos, o que significa que a pontaria está certeira e que o trabalho colectivo não cessa de dar frutos.

Não faltam os jogadores certos para todas as posições, sendo visível a força e a agilidade de uma equipa que nunca deixa que a arquitectura táctica cerceie a criatividade individual e o talento exibicional. O Benfica de hoje conseguiu o ponto de equilíbrio ideal entre essas duas componentes que fazem a diferença e nos fazem confiar cada vez mais num epílogo triunfante. Força, Benfica!"


José Jorge Letria, in O Benfica

Invencibilidade

"O segundo semestre de 2011 foi excelente para o Benfica. Não fosse o empate na jornada inaugural, em Barcelos, frente ao Gil Vicente, mais a eliminação da Taça de Portugal, no Funchal, com o Marítimo, e bem se poderia falar de uma caminhada assombrosa e sem ponta de mácula. Ainda assim, o registo 'encarnado' terá, porventura, superado as melhores expectativas, sobretudo depois da frustração na fase terminal da primeira metade do ano.

Este Benfica, tão categoricamente competitivo, está a entusiasmar os aficionados e a justificar loas de todos aqueles que acompanham de perto as diferentes provas em que a formação de Jorge Jesus está envolvida. Ademais, não é apenas a nível doméstico que o Benfica tem revelado grande competência e mestria. Também no contexto internacional, a equipa assinou na primeira metade da temporada um desempenho que chegou a roçar o brilhantismo.

Sem derrotas na Liga, numa altura de dobragem do Campeonato, há já quem equacione a possibilidade do Benfica não apenas se sagrar Campeão, como o poder fazer na posse do invejável estatuto de conjunto invicto, algo que aconteceria pela segunda vez (outra houve, mas o Campeonato não foi ganho) no seu vasto historial. A probabilidade até tem consistência, mas afigura-se prematuro conjecturá-la sem reservas.

Pior de que a animosidade dos adeptos é o triunfalismo exacerbado. Os campeões são-no - também - por cultivarem a modéstia, por saberem renunciar à sobranceria. De resto, doravante, cada vez será mais dilatada a vontade dos opositores, quaisquer que sejam, de infligirem na Liga o primeiro desaire ao Benfica. Importa que esse desejo dos adversários seja (sempre, sempre mesmo) menor do que a vontade da nossa equipa de se manter imbatível na prova mais importante do calendário nacional."


João Malheiro, in O Benfica

Em grande...

"1. Muitos motivos de satisfação no sábado. Estádio quase cheio, muita animação, equipa com grande disponibilidade física, vários golos, excelentes exibições. Terminada a 1.ª volta, lideramos, sem derrotas, como há muito não acontecia. E o nosso Cardozo, que marcou mais dois golos, é o melhor marcador, por muito que isso custe a uma colunista do Record que ali escreve na condição de benfiquista mas, lamentavelmente, com os seus escritos, só pode desestabilizar a equipa, que é como quem diz, prejudicar o Clube. Teremos que manter a onda de apoio até final do Campeonato. E a equipa terá de manter a atitude demonstrada no sábado passado. Porque as maiores dificuldades chegarão agora.

2. Gostei de ler as notícias a propósito de Enzo Pérez. A Direcção foi firme perante a atitude do jogador e do seu empresário e estes tiveram que ceder. Os jogadores têm que se convencer de que têm direitos mas também têm deveres. E, ao tomar esta firme decisão, a nossa Direcção enviou um recado claro para todos os outros e, principalmente para os empresários!

3. O Sporting processou o jornal Público pela reportagem sobre as fotos (no mínimo) agressivas (e que a UEFA já obrigou a retirar), colocadas no corredor de acesso ao balneário das equipas visitantes. E quer pelo menos um milhão de euros de indemnização! Ridículo. Se calhar o jornal é que teria direito a indemnização pelo mentiroso comunicado do clube!...

4. Título de 1.ª página do Diário de Notícias de domingo: 'Cardozo e James mantêm acesa guerra entre Benfica e FC Porto'. Acompanha-o fotos dos dois jogadores. Título de 1.ª página do Jornal de Notícias do mesmo dia: 'James ajuda FC Porto a manter luta com Benfica'. Acompanha foto do jogador portista. Os dois jornais pertencem à mesma empresa (Controlinveste), um tem sede em Lisboa e outro no Porto. O de Lisboa mostra ser um jornal nacional, o do Porto aposta em ser um jornal regional. O exemplo destes dois jornais generaliza-se às empresas em geral. As que estão sediadas em Lisboa (nacionais) sentem-se na obrigação de apoiar todos os clubes; as sediadas no Porto (regionais) não têm problemas em apoiar apenas os clubes locais."


Arons de Carvalho, in O Benfica

56 Mil

"Mais precisamente: 56.155. Da minha parte éramos três. E ao fim da tarde de sábado passado, o Benfica, a jogar em casa com o 14º classificado, e respondendo a um apelo da equipa, fez a segunda maior 'casa' da I Liga até ao momento. Mais público só na Luz para o Benfica-Sporting: 63.146. Nenhuma outra equipa fez nada que se parecesse. A terceira maior assistência da Liga é em casa do FC Porto, no jogo com o Benfica, claro. E não é apenas de uma fria estatística que se trata. O Benfica enche o maior Estádio de Portugal com entusiasmo, euforia, ondas e cânticos nas bancadas, bom futebol no relvado e golos, muitos e bonitos golos. Como diria o malogrado Jorge Perestrelo 'é disto que o meu povo golo'.

O Benfica tem o melhor ataque e o melhor marcador. O segundo melhor marcador do Benfica tem mais golos que os melhores do Porto e do Sporting.

Falando de golos, quero aqui prestar singela homenagem a Óscar René Cardozo Marin, o 'Tacuara'. Em mês e meio é a segunda vez que Cardozo é expulso por acumulação de amarelos: frente ao Sporting, por dar um murro na relva ao falhar um remate; desta vez, por cair ao saltar por cima do guarda-redes contrário para evitar o choque. Nem com estas 'ajudas' os demais marcadores conseguem evitar que Óscar Cardozo lhes fuja. O público da Luz, que tantas vezes se impacienta quando o Tacuara não marca, desta vez aplaudiu-o de pé quando saiu mais cedo, com dois golos à sua conta no marcador e mais dois remates para golo parados pelo guarda-redes contrário.

Já fora do Estádio, vi no pequeno ecrã de uma roulotte de comes e bebes um jogador do Benfica a dizer que os adeptos ajudaram muito. A equipa também ajudou muito os adeptos."



João Paulo Guerra, in O Benfica

Para sempre eterno...


20/07/1979 - 25/01/2004

SEMPRE ETERNO! NÃO TE ESQUEÇEMOS MIKI!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Lixívia Extra-Forte XVI

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......42 ( -2)...44
Corruptos...40 (+1)...39

Braga...........34 (+4)...30
Sporting.......29 (0)...29


Mais uma semana estranhamente calma!!! Na Luz as queixas dos Gilistas não fazem sentido, nenhum. No primeiro golo do Benfica, existe uma falta sobre o Nolito, e depois existe jogo passivo perigoso... A minha nota principal sobre a arbitragem, foi a dualidade de critérios entre a primeira parte e a segunda!!! Se nos primeiros 45 minutos, além da já habitual condescendência disciplinar com os nossos adversários, tecnicamente não houve reparos. Ao intervalo com o jogo empatado, com o Benfica aparentemente em dificuldades, com o Gil motivado, e com força, provavelmente alguém fez um telefonema para os balneários, e o árbitro voltou do intervalo completamente transfigurado: o ponto alto foi quando considerou atraso ao guarda-redes, quando o Witsel cortou de carrinho uma bola!!! Mas houve mais decisões ridículas, várias faltas não assinaladas a favor do Benfica, total permivissidade com o anti-jogo Gilista, e para terminar em beleza a marcação de uma falta inexistente ao Rodrigo que acabou em amarelo ao nosso jogador!!!
O golo do Guimarães nasce de uma falta inexistente, e o penalty a favor dos Corruptos não existe: mergulho descarado do James...
O penalty contra o Braga foi milimetricamente fora da área. Não vi, nem ouvi nada sobre o jogo dos Lagartos...


Anexos:
Benfica
1ª-Gil Vicente(f) E(2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) V(3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) V(0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4º-Guimarães(c) V(2-1), Duarte Gomes, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Académica(c) E(4-1), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
6ª-Corruptos(f) V(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Paços de Ferreira(c) V(4-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Beira-Mar(f) V(0-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Olhanense(c) V(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
10ª-Braga(f) E(1-1), Proença, Prejudicados, (0-2), -2 pontos
11ª-Sporting(c) V(1-0), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Marítimo(f) V(0-1), Sousa, Nada a assinalar
13ª-Rio Ave(c) V(5-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
14ª-Leiria(f) V(0-4), Cosme, Nada a assinalar
15ª-Setúbal(c) V(4-1), Malheiro, Prejudicados, Sem influência no resultado
16ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar

Corruptos
1º-Guimarães(f) V(0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Leiria(f) V(1-4), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Setúbal(c) V(3-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Feirense(f) E(0-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
6ª-Benfica(c) E(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Académica(f) V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
8ª-Nacional(c) V(5-0), Cosme Machado, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
9ª-Paços de Ferreira(c) V(3-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
10ª-Olhanense(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-1), -2 pontos
11ª-Braga(c) V(3-2), Soares Dias, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
13ª-Marítimo(c) V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
14ª-Sporting(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Rio Ave(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
16ª-Guimarães(c), V(3-1), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Sporting
1ª-Olhanense(c) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) E(0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
4ª-Paços Ferreira(f) V(2-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
5ª-Rio Ave(f) V(2-3), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6ª-Setúbal(c) V(3-0), Cosme Machado, Nada a assinalar
7ª-Guimarães(f) V(0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(6-1), João Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado
9ª-Feirense(f) V(0-2, Gralha, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10ª-Leiria(c) V(3-1), Manuel Mota, Beneficiados, Impossível contabilizar
11ª-Benfica(f) D(1-0), Capela, Beneficiados, Sem influência do resultado
12ª-Nacional(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
13ª-Académica(f) E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
14ª-Corruptos(c) E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Braga(f) D(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Olhanense(f) E(0-0), Vasco Santos, Nada a assinalar

Braga
1ª-Rio Ave(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) V(2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos
4ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Costa, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f) E(1-1), Pedro Proença, Nada a assinalar
6ª-Nacional(c) V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
7ª-Leiria(f) D(1-o), Marco Ferreira, Nada a assinalar
8ª-Feirense(c) V(3-0), João Ferreira, Nada a assinalar
9ª-Académica(f) E(0-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
10ª-Benfica(c) E(1-1), Proença, Beneficiados, (0-2), +1 ponto
11ª-Corruptos(f) D(3-2), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
12ª-Paços de Ferreira(c) V(5-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
13ª-Olhanense(f) V(3-4), João Ferreira, Nada a assinalar
14ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15ª-Sporting(c) V(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Rio Ave(c) V(2-1), Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado

Coração sofre !!!



Benfica 3 - 1 Gil Vicente



O fim-de-semana não estava a correr nada bem para o Benfica - derrotas nas modalidades. Após a vitória frente ao Setúbal, o ambiente à volta da equipa, começando nos adeptos, foi - e continua a ser-, na minha opinião, demasiado festivo... por tudo isto, estava bastante receoso. Durante o dia, vi alguns dos nossos adversários a marcarem golos 'estranhos' - em Braga!!! - o 'medo' aumentava, e infelizmente o jogo deu-me razão. E deixo já o aviso: o caminho para o título que todos desejamos, será construído em cima de muitas vitórias sofridas, quem pensa que vamos golear até ao final da época, pode tirar o 'cavalinho da chuva'!!!

O Gil fez aquilo que era esperado: defendeu bem. Em contra-ataque teve algumas oportunidades, mas poucas, e quase sempre na consequência de ressaltos. O ritmo mais lento do Benfica deveu-se essencialmente ao esquema táctico do adversário. O 4-2-3-1 é claramente o esquema mais complicado de ultrapassar por este Benfica de Jesus, a única diferença de hoje, é que as 'pilhas' dos Gilistas estavam bem carregadas: a 'pastilha' foi de boa qualidade, prevejo durante esta semana a chegada da ressaca a Barcelos, vamos ver quantas lesões musculares vão aparecer, nas vésperas da recepção aos Corruptos!!! Como é normal em Portugal, confunde-se uma boa postura defensiva, com qualidade de jogo. O Gil até tem bons executantes, trocam bem a bola, mas a vontade do treinador em jogar com o 'autocarro' - sim, jogaram com o 'autocarro', por muito que digam o contrário - acaba por limitar o jogo da própria equipa...

O Benfica, hoje, não sendo brilhante, acabou por ser inteligente: nunca desesperou, continuou sempre a trocar a bola no pé -mesmo com as ameaças dos assobiadores profissionais vindas das bancadas -, nunca caiu na armadilha de tentar o jogo 'directo', e com a entrada de Aimar 'matou' o jogo - e o El Mago até entrou algo trapalhão!!! Era claro na bancada que a melhor maneira de dar a volta a este jogo, era pelo meio do campo com o Aimar (e com o melhor Saviola...), porque nos flancos não tínhamos hipóteses, estávamos sempre em 'inferioridade' numérica - essa foi a grande estratégia do Gil -, e com Rodrigo sem espaço para embalar em velocidade, tinha que ser no passo curto... E foi assim que marcámos, com alguma sorte pelo Rodrigo, e com muita arte pelo Pablito...

Depois das 'férias' de Natal quem regressou em grande forma foi o Witsel, não é nada fácil decidir qual foi a melhor contratação do Benfica, mas este Belga é um grande jogador, em algumas situações devia soltar a bola mais rapidamente, mas não é por isso que deixa de ser provavelmente o jogador mais importante na consistência do Benfica desta época - e hoje fez 3 posições!!! Já critiquei aqui várias vezes o Gaitán, mas acho que o actual muito mau momento de forma deve-se à recente lesão, e com mais alguns jogos, o ritmo vai regressar... Quem esteve um pouco abaixo do normal, na minha opinião foi os Centrais: os dois, com algumas estranhas hesitações.












Invencíveis



Benfica 3 - 1 Guimarães

24-26, 25-20, 25-9, 25-14


Entrada demasiado descontraída, que somado ao empurrão da arbitragem no final do Set, deu em derrota... (curiosamente já ontem tivemos um apito muito 'amarelado'!!!) Como é normal isto deu confiança ao adversário, e não foi fácil retomar o nosso ritmo habitual, só no terceiro Set as 'coisas' voltaram ao normal... É muito importante manter a invencibilidade, mesmo se matematicamente não for 'necessário' é importante manter o ascendente emocional sobre os adversários...

Em nome dos adeptos do Benfica presentes no Pavilhão, acho que esta vitória deve ser dedicada ao Azenha (jogador dos Vitós), que anda com muita azia !!!