Últimas indefectivações

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Acreditar num Maio Campeão

"Perguntei a um amigo que tal lhe corriam as festas e ele respondeu-me;

-Isto de estar 18 dias sem ver o Benfica não é fácil, de resto tudo bem.

A verdade é que o organismo de um benfiquista suporta melhor um exagero de rabanadas com muito queijo da serra que a ausência de jogos durante tanto tempo.

Bem sei que temos o 'Boxing Day' recheado e, ainda o inigualável 'Old Firm' para entreter, mas sem o Benfica não é a mesma coisa, falta adrenalina.

Regresso marcado para terça-feira, num jogo em Guimarães com o objectivo de defender um titulo que vencemos por três vezes consecutivas.

Gostava de ganhar pela quarta vez. O Benfica nunca ganhou uma prova nacional quatro vezes seguidas. Jesus e os seus rapazes podem continuar a acrescentar historia ao clube.

Será difícil, até porque o treinador do vitória é especialista em grandes Taças da Liga, no último ano levou o sensacional Paços de Ferreira à final de Coimbra.

O jogo de Guimarães não é para ganhar ritmo antes da deslocação a Leiria, é para ganhar o jogo e assumir mais um objectivo.

Entretanto o Manchester United, que muitos diziam ser fraco por não ter vencido um jogo ao Benfica e ter ficado apeado na Liga dos Campeões às mãos dos rapazes de Jorge Jesus, assumiu a liderança do campeonato Inglês. Incapazes de valorizar qualquer vitória do Benfica, os nossos detractores relativizam o valor dos nossos adversários. Resta-nos continuar a vencer e conseguir títulos.

Que 2012 seja um ano com muitas conquistas encarnadas e cheio de êxitos no futebol e nas modalidades de alta competição. Não podendo ganhar sempre e ganhar tudo, que se ganhe muitas vezes e em muitas modalidades a começar pelo futebol.

Há razões para acreditar que em Maio pode haver novamente um Benfica campeão."


Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O melhor do ano? Futre, o desopilante da nação

"O aparato entre árbitros no activo, polícias no activo e polícias fora do activo, em Alvalade, no intervalo do Sporting - Marítimo, sugerem que, finalmente, o Sporting terá o seu guarda Abel


A personalidade do ano do futebol português não joga à bola desde 1998. Em Março de 2011, por outras artes e obra de um acaso feliz, redescobriu-se não o jogador que foi mas a personalidade que é.

Naquele que foi o melhor momento de stand-up comedy em Portugal, o sonho de qualquer humorista, bastou-lhe uma frase - «Se vier o melhor chinês, vai vir charters todas as semanas.» - para que Paulo Futre se transformasse, pela segunda vez na sua vida, num ídolo.

E um ídolo pelas melhores razões. Porque nos fez rir e porque, como grande artista e grande pessoa, assumiu a responsabilidade que logo lhe foi confiada por uma geração que, provavelmente, nunca o viu jogar futebol mas que o elegeu como o maior desopilante da nação e que o reclama de norte a sul do país.

Futre teve, como jogador, todas as honras da sua profissão. Foi campeão, foi uma grande estrela, foi uma fenómeno graças ao seu pé esquerdo.

Mas apenas um bom pé esquerdo não chegaria para conferir a Futre o seu estatuto actual. Futre dá conferências em universidades sobre a disciplina da motivação, Futre vai ao Pavilhão do Conhecimento falar sobre Física para explicar como o futebol e a ciência andam de mãos dadas. Futre tem uma legião de fãs para quem é absolutamente indiferente se Futre é do Sporting, do FC Porto, do Benfica, do Carcavelinhos ou do Mira-Coelhos Futebol Clube.

Futre é de todos.

Futre rocks. Montijo rules.

Bom ano a todos.


ELIAS é um bom jogador. Tem qualidade internacional que tem sido convenientemente aproveitada em Alvalade e não está nada arrependido de ter trocado o Atlético de Madrid, de grossas riscas vermelhas verticais pelo Sporting, de grossas riscas verdes horizontais.

Enfim, toldos de praia, dirão sempre maldosamente os rivais dos dois emblemas em equação.

Elias está contente com a vida, está à espera de um filho que vai nascer lisboeta, gosta da cidade, da comida, dos colegas, tudo lhe tem sabido bem nestes seus primeiros meses de experiência portuguesa.

Apenas com uma excepção. Elias ainda não digeriu a derrota do Sporting no Estádio da Luz e garante que «quem ganhou o derby não foi o Benfica, foi o Artur».

Elias refere-se, certamente, à extraordinário defesa com que o guarda-redes do Benfica o impediu de empatar a partida, já na segunda parte, até porque, de resto, Artur pouco ou mais nada teve que fazer durante o jogo.

Elias é bom jogador mas, com a devida consideração e respeito, não tem razão no seu desabafo. Compreende-se porque chegou agora mesmo ao futebol português.

Artur é excelente mas não foi só por causa do guarda-redes que o Benfica venceu pela sexta vez consecutiva o seu rival.

Enfim, como diz um amigo meu, João Gonçalves, benfiquista com certeza: «Olha-me bem para este Elias, então ainda ninguém lhe explicou que com o Quim, com o Moreira, com o Júlio César e até com o Roberto, tem sido sempre a mesma coisa.»


FOI já há mais de uma década que o Benfica teve o seu momento FC Porto. Foi quando, à míngua de sucessos, se entendeu que o melhor caminho para os ditos sucessivos era levar para a Luz o maior número possível de ex-jogadores ou de ex-funcionários do rival nortenho.

Foi, sem dúvida, uma grande parvoíce, um atraso de vida, uma enorme perda de tempo.

Por razões que são suas, o Sporting vive esse momento e já o vive há algum tempo. Por isso mesmo não causa grande espanto que os jornais insistam na possibilidade de Bruno Alves trocar o Zenit de São Petersburgo por Alvalade nesta abertura do mercado de Inverno.

O próprio pai do jogador já falou sobre o assunto e veria com bons o regresso do filho ao futebol português.

Bruno Alves no Sporting, na verdade, parece a coisa mais natural deste mundo. Nem sequer seria uma proeza política ou desportiva.

Menos natural, no entanto, seria o Sporting, sempre à imagem do FC Porto, cometer a proeza de ter, finalmente, o seu guarda Abel para todo o serviço.

E desse ponto de vista, as imagens e as notícias que deram conta do aparato entre árbitros no activo, polícias no activo e polícias fora do activo, à entrada do túnel de Alvalade, no intervalo do Sporting - Marítimo, sugerem que, finalmente, o Sporting terá o seu guarda Abel.

Na verdade, estava a fazer falta.


Tenho amigos portistas que, de repente, passaram a adorar o David Luíz pelas piores razões. Incansáveis detractores do central brasileiro quando jogava no Benfica, encontram-lhe agora nesses defeitos um rol de virtualidades.

É no que dá o fanatismo. Também no ano passado adoravam o André Villas Boas e agora...

-O vosso David Luíz está em grande!

-O vosso David Luíz anda-nos a vingar!

Mas que coisa tão estranha, ouvir isto de amigos portistas. Onde é que eles quererão chegar? Até que se fez luz:

-O vosso David Luíz anda a enterrar o André Villas Boas!

Ah, pronto, já percebi.

Referiam-se ao lapso do nosso David Luíz que, por ter chegado um bocadinho atrasado ao lance, permitiu que Dempsey assinasse o golo do empate do Fulham no jogo que o Chelsea empatou em casa e que o pôs a milhas da discussão do título de Inglaterra.

Nestas conversas de bola nada é por amor. É tudo por interesse.


DE férias no seu país, Kaká aproveitou a época festiva para dar ânimo ao seu colega de equipa Cristiano Ronaldo. Numa entrevista à revista brasileira Band Sport, Kaká disse preferir o português ao argentino porque «sendo diferentes, Ronaldo é muito mais completo, joga muito com a perna direita, joga muito com a perna esquerda e joga muito bem de cabeça», o que é verdade.

Ronaldo é mais completo mas Messi tem outras virtudes que o tornam num objecto ainda mais raro.

Qualquer jogador que se quiser comparar a Ronaldo tem de ter pé esquerdo, pé direito e cabeça. E alguns têm. Qualquer jogador que se quiser comparar a Messi tem de possuir virtudes mecânicas e poéticas, com um não-sei-quê de irreal e, por isso mesmo, virtudes de um modo geral inalcançáveis.

Por tudo isto, é dever de quem dá apreço à juventude saudar efusivamente a entrevista concedida por Ricardo Viegas, de 19 anos, que está a viver o seu primeiro ano como sénior do Belenenses e que sonha jogar no Barcelona.

«Tenho coisas parecidas com Messi», diz o jovem Viegas, exemplo de alguém que acredita em si próprio.

Se Ricardo Viegas falhar como novo Messi pode sempre vir a ser um excelente diplomata de carreira. Vejam como o miúdo foi cuidadoso para não ofender (com a sua comparação com Messi) o seu compatriota Cristiano Ronaldo (sempre muito susceptível quando há comparações com Messi):

«Gosto muito do Ronaldo, mas identifico-me mais com o argentino a jogar», acrescentou com grande tacto.

Força Ricardo Viegas!


ALGUÉM se deve ter distraído destes pormenores importantíssimos do panorama geográfico e político do futebol português. E, por isso mesmo, este ano termina com uma agradável e surpreendente demonstração de força competitiva dos clubes de Lisboa nas divisões secundárias.

Na Liga Orangina, o Estoril e o Atlético ocupam os dois primeiros lugares da tabela e na Zona Sul da 2.ª Divisão é o Oriental quem lidera com dois pontos de vantagem sobre o Pinhalnovense e o Torreense.

Será da crise? Será para continuar?

Ficam as respostas em suspenso até ao final da Primavera, quando tudo se decide e aí se verá que promessas que foram cumpridas e que promessas não passaram disso mesmo, de promessas vãs sem sustentação válida.

Para esta abertura do mercado de Inverno, fica a curiosidade de sabermos se o Benfica e o Sporting, os maiores da capital, decidem apostar no sucesso dos seus vizinhos mais pequeninos presenteando-os, por exemplo, com excedentários dos seus valiosos plantéis.

Ou se, pelo contrário, não estão minimamente focados nestas questões do panorama geográfico e político do futebol português.

E, se assim foi, é caso para se dizer que também eles andam distraídos, o que é uma pena.


JOSÉ MOURINHO disse que irá voltar ao futebol inglês que é a sua grande paixão e Fábio Coentrão disse que um dia regressará ao Benfica que é a sua grande paixão.

Disseram, está dito."


Leonor Pinhão, in A Bola

Tróicas 2011

"Na despedida de cada ano, é um clássico eleger o melhor, o pior ou outra qualquer coisa de uma qualquer actividade ou ocupação.

Não quero fugir a essa regra. Mas, adaptando-me aos condicionalismos em que vivemos, opto pelas tróicas em vez das individualidades. Não das tróicas de distintos credores, mas dos trios que, em competição, melhor exprimem o seu ofício futebolístico em consonância com a etimologia da palavra russa troika que - recorde-se - começou por significar um carro ou um trenó conduzido por três cavalos alinhados lado a lado.

Nesta coluna, e tendo em conta todo o ano e não apenas a presente época, espaço para alguns desses pódios com a inevitável subjectividade e a finitude, da memória:

A nível mundial:

Campeonatos - Inglaterra, Espanha, Alemanha. Equipas - Barcelona, Real Madrid, Bayern. Jogadores - Messi, Ronaldo, Van Persie. Guarda-redes - Casillas, Stekelenburg, Neuer. Defesas - Dani Alves, Piqué, Coentrão. Médios - Xavi, Iniesta, Sneijder. Atacantes - Messi, Ronaldo, Van Persie. Treinadores - Guardiola, Mourinho, Del Bosque.

A nível das competições nacionais:

Equipa - Porto, Benfica, Braga. Jogadores - Hulk, Aimar, Falcao. Jogadores (fora dos grandes) - Moisés, Peiser, Babá. Guarda-redes - Artur, Helton, Rui Patrício. Defesas - Coentrão, Álvaro Pereira, Luisão. Médios - Aimar, Moutinho, Rinaudo. Atacantes - Hulk, Falcao, Saviola. Treinadores - Villas Boas, Jorge Jesus, Domingos.

E quanto ao meu clube:

Jogadores - Aimar, Coentrão, Gaitán. Aquisições - Artur, Garay, Witsel. Revelações - Nolito, Rodrigo, Nélson Oliveira. Decepções - Roberto, Capdevila, Sidnei. Expectativas - David Simão, Melagrejo, Mika. Saudades - Coentrão, Ramires, Di Maria."


Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Expectativas 2012

"Fechado que está 2011, importa olhar para 2012, e para aquilo que dele podemos esperar.

Como o presidente Luís Filipe Vieira muito bem diz, 2012 será um ano-chave para o Benfica. Nos próximos doze meses serão fechados alguns dos mais importantes dossiers que estão sobre a mesa, e é provável que daqui por um ano estejamos num quadro contextual bastante distinto do de hoje, designadamente no que respeita à composição das nossas receitas. É no cruzamento entre a consumação de negócios absolutamente vitais, e a evolução da crise económica - que nos transcende, mas que também nos afecta -, que se escreverá o futuro próximo do Benfica. É também nesse campo, o financeiro, que se joga a dimensão das nossas ambições para os anos vindouros. Um grande Clube europeu, crescendo no sentido de se aproximar dos principais colossos do 'Velho Continente', e de se reencontrar com o seu passado glorioso, é aquilo que queremos. É nesse comboio que viajamos, e não nos iremos certamente deixar apear.

No plano estritamente desportivo, o grande objectivo de 2012 será a reconquista do título nacional. Afastados da Taça de Portugal; com uma Taça da Liga de prestígio ainda insípido; com legítimos sonhos, mas poucas possibilidades concretas de ir até ao fim na luxuosa Champions o Campeonato é, e será, o critério principal, para não dizer único, de sucesso ou insucesso na temporada que corre. Se formos Campeões Nacionais, 2012 será, seguramente, um excelente ano de benfiquismo. Se não formos, muito dificilmente escaparemos à angústia de uma época perdida. É um desafio de tudo ou nada que deveremos saber assumir, com responsabilidades, e com a confiança e a autoridade de quem trabalha nos limites.

Na Europa temos história, temos nome, e também temos esperança. Mas não creio que possamos exigir demasiado de uma prova onde está a nata do Futebol mundial. Chegar aos quartos-de-final é o objectivo realista que podemos hoje colocar. O resto se verá, sendo que o pássaro doméstico jamais poderá ser largado da mão."


Luís Fialho, in O Benfica

Um óptimo fim-de-semana

"1. Foi, finalmente, uma vitória com alta nota artística e, no dia seguinte, enfim, a notícia por que todos há vários meses aguardávamos: a renovação do 'nosso' Maxi.

Na sexta-feira, apanhámos um pequeno susto, mas a equipa reagiu bem e resolveu a questão em breves minutos, deixando-nos a todos descansados e prontos para esperar pelos resultados dos nossos rivais nos dias a seguir. Há muito que não tínhamos um fim-de-semana tão descansado. Sexta-feira, Nolito estava endiabrado e as coisas saíram-nos bem (finalmente!) no capítulo da finalização. Começamos felizes as férias (futebolísticas) do Natal, esperando por boas novidades no reatamento, no início de Janeiro...

Logo no dia seguinte, uma boa notícia: Maxi Pereira renovara. Ele não é dos nossos melhores jogadores em termos técnicos, mas dá gosto vê-lo jogar, sempre 'prego a fundo', atrás e à frente, com uma entrega inigualável. Um verdadeiro jogador 'à Benfica'. Há muito que se falava na renovação, o jogador sempre disse que queria continuar mas não nos saía da ideia o facto de o seu empresário ser o mesmo do de Cristian Rodriguez, que nos trocou pelo FC Porto (e ainda bem, dizemo-lo agora!). Empresário cá, empresário lá, negociações agora e mais logo, o certo é que os meses passavam e não havia fumo branco. Até que, finalmente, o nosso presidente deu a boa nova na inauguração das novas instalações da nossa Casa de Évora. O Maxi continuará a ser nosso e/ou me engano muito, ou por cá ficará até final da carreira. Foi a segunda alegria do fim-de-semana.

2. Os sportinguistas festejaram na semana passada os 25 anos sobre o seu célebre triunfo, por 7-1 frente ao Benfica. Sinceramente: não me importava nada de os ver novamente felizes com outro 7-1 na 2.ª volta deste Campeonato. Com uma condição: a classificação final ser a mesma de há 25 anos: Benfica Campeão, Sporting em 4.º...

3. Eduardo Barroso, presidente da Assembleia Geral do Sporting, contou, na sua crónica semanal n'A Bola, que esteve em Madrid, a assistir ao Real-Barcelona. Espero que tenha visto a rede (ou caixa) de protecção onde estiveram (bem comportados) os milhares de adeptos do Barcelona. Tudo normal, sem lamentações (dos responsáveis) nem incêndios (dos adeptos)..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Em alta com Nolito

"Num momento em que tudo está previsto, revisto e concretizado em baixa, o Benfica termina o ano de 2011 em alta, com um resultado robusto (adjectivo que o poder político pôs na moda) e sobretudo com uma imagem de vitalidade e confiança de um percurso de ouro em 2012, dentro e fora de portas.

Depois de um golo enervante e em contra-ciclo, o Benfica conseguiu uma recuperação notável e partiu para uma exibição criativa, pujante e concretizadora.

Foi uma noite em grande, daquelas que enchem os olhos e a alma aos benfiquistas, e não só.

Do jogo e da fase actual do Benfica, que já tem o Zenit de São Petersburgo na agenda, muito se pode dizer. Mas o cronista, com toda a subjectividade que existe no acto de falar do que gosta da forma que mais lhe apraz, sente-se inclinado a falar de Nolito, com dois golos no activo neste jogo e sempre com a promessa de, cada vez que entra em campo, dar o melhor de si para que o Benfica seja ainda melhor.

Manuel, Manolo, Manolito, Nolito.

Assim se transforma um nome comum em Espanha e também em Portugal num diminutivo que fica no ouvido e que pode fazer história, pelo menos nesta temporada. O rapaz, com a sua figura inconfundível, com a sua obstinação, com o seu invejável domínio de bola e com a sua fixação na baliza, pertence ao número das pessoas que, vistas de perto ou de longe, não deixam dúvidas quanto à paixão que põem naquilo que fazem. Essa 'garra' e essa 'raça' é muito espanhola, muito latina, muito deste sul da Europa que a Europa rica tanto gosta de amesquinhar, assacando-lhe as culpas de todas as dívidas e de todas as crises. O pior é que depois têm de rumar a Sul para se lembrarem de que há na vida coisas boas e únicas que o Norte nunca lhes dará, por mais poder e riqueza que possuam.

Nolito entra e leva consigo a equipa inteira, coesa, criativa e competente, rumo às redes do adversário. São jogadores como este que fazem a diferença, que enriquecem o espectáculo e fortalecem a confiança de quem nunca desiste de acreditar na vitória."


José Jorge Letria, in O Benfica

Norte vermelho

"Criado e crescido em Vila do Conde, natural só poderia ser a minha grande afeição ao Rio Ave, o emblema desportivo mais representativo daquela cidade nortenha. Foram muitos anos de ligação sentimental e física ao clube, que sempre coloquei, de forma indestronável, no segundo patamar das minhas preferências, logo a seguir ao nosso Benfica.

Por imperativos familiares, na última ronda da Liga, não estive na Luz a presenciar o despique entre o Benfica e o Rio Ave. Acompanhei o jogo pela TV, justamente em Vila do Conde, no restaurante de um amigo portista. O Benfica ganhou. Ganhou bem, ganhou categoricamente. Ganhou ainda melhor, porque o Rio Ave se bateu sem complexos e com galhardia.

Qual era a atmosfera no local onde assisti ao jogo? De predominância benfiquista, mesmo tratando-se da cidade que sedia o antagonista da equipa 'encarnada'. Eram mais benfiquistas do que simpatizantes do Rio Ave. Eram mais benfiquistas do que simpatizantes de outras cores. Eram mais benfiquistas do que todos os outros juntos.

No dia seguinte, por mero acaso, ainda encontrei-me com o presidente do Rio Ave. Conversámos uns minutos e registei uma frase de grande significado, proferida pelo meu interlocutor: 'É sempre com o Benfica que o Rio Ave consegue, em casa, as suas melhores receitas, a grande distância do Sporting e do FC Porto'. Mesmo sabendo-se que Vila do Conde dista somente vinte quilómetros da capital nortenha.

Qual é, afinal, o maior clube do Norte? Custe a quem custar, a reposta é inevitável e merece ser escrita de forma maiúscula.

O BENFICA É O MAIOR CLUBE DO NORTE."


João Malheiro, in O Benfica