Últimas indefectivações

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Chamar-lhe-ia mesmo prosápia

"Este ano o Benfica irá a Alvalade sem Cardozo, que se fartou de marcar golos ao Sporting. Um 'derby' à terceira jornada serve para se saber qual entra primeiro em crise.

NÃO sei se já se deram conta de que o optimismo dos nossos amigos portistas - e quem não tem amigos do FC Porto? - para a temporada de 2012/2014 está a bater todas as escalas possíveis e imaginárias. Chamar-lhe-ia mesmo prosápia, sem querer ofender ninguém.
Estamos a um mês do arranque da época oficial e há já dois dados adquiridos: o FC Porto voltará a ser campeão, o Benfica voltará a fazer papel de cabeçudo no fecho da prova no Dragão e, melho ainda, do ponto de vista portista, o FC Porto somará a sua terceira Liga dos Campeões no tapete verde do Estádio da Luz.
Lucho Gonzalez, o habitualmente comedido capitão do FC Porto, não se põe à margem deste entusiasmo galopante. «Seria lindo jogar a final da Champions na Luz», disse no início desta semana fazendo coro com as certificadas previsões dos adeptos.
Será assim que tudo vai acontecer?
O sorteio do campeonato oferece, uma vez mais, aquele pratinho especial de um encontro entre os candidatos ao título à beirinha do fim do campeonato. É por causa do sorteio condicionado, dizem os técnicos especializados em sorteios. Na verdade, em termos práticos, tanto faz jogar no princípio, no meio ou no fim. O campeonato é uma prova de regularidade, o importante é ser-se regular. Depois, logo se verá.
O Benfica tem um arranque de campeonato difícil que poderá tornar fácil se ganhar os jogos que a sorte lhe destinou: arranque na Madeira frente ao Marítimo para, à terceira jornada, ir até Alvalade defrontar o rival de sempre.
Jogar no campo do Sporting é sempre uma tarefa de monta. Este ano, tudo assim o indica, o Benfica irá a Alvalade já sem Óscar Cardozo que, enquanto foi jogador do Benfica, se fartou de marcar golos ao Sporting.
Um derby à terceira jornada serve para muita coisa. Por exemplo, para se saber qual dos emblemas entra primeiro em crise.
Do ponto de vista do Sporting, aguarda-se a resposta mais emocional dos adeptos ao populismo bem-disposto de Bruno de Carvalho quando o jovem presidente se vir, pela primeira vez , colocado perante aquela coisa da bola a rolar.
Do ponto de vista do Benfica, os primeiros jogos da prova servirão, para o bem ou para o mal, como teste à popularidade e, sobretudo, à autoridade de Jorge Jesus que parte naturalmente fragilizado pelo cúmulo de infelicidades que lhe custaram tudo nas últimas três semanas da última temporada.
Do ponto de vista do FC Porto, não já crise que lhe chegue. Campeonato, cabeçudos e Liga dos Campeões, já está feito.

VEM  aí o comboio do Benfica. A iniciativa foi revelada no último Congresso das Casas do Benfica. Trata-se de assegurar aos adeptos transporte ferroviário regular para que o maior número possível possa acompanhar a equipa de futebol nas suas deslocações pelo país. É uma boa ideia, sem dúvida.
Por falar em transportes, ainda bem recentemente o jornal I publicou uma curiosa notícia sobre uma das maiores empresas de camionagem do Estádio de São Paulo, no Brasil, que se chama precisamente e tão-só Benfica. Foi fundada nos anos 50 por três irmãos de Alvarelhos, concelho de Carregal do Sal, que emigraram para o outro lado do Atlântico à procura de melhor vida.
Eram do Benfica, naturalmente. A empresa mantém-se nas mãos da família e são hoje os netos quem trata do negócio, que é um bom negócio. Assumem-se como campeões do conforto e o volume do seu tráfego aponta para uma presença imponente nas estradas brasileiras. O jornalista do I que conversou com um dos administradores dos transportes Benfica perguntou-lhe se a frota dava muitos problemas. A resposta foi surpreendente... «Olha, há uns anos a equipa de juniores do FC Porto veio cá a São Paulo para jogar num torneio e recusaram-se a entrar quando viram o autocarro do Benfica à espera deles no aeroporto», disse o herdeiro dos irmãos de Alvarelhos.
Estrutura, meus amigos, estrutura...
A notícia termina com dados logísticos sobre as camionetas Benfica. E impressionam: uma frota de mais de 1500 veículos e cerca de 3500 empregados.
É muita gente. Pode ser que nestes 3500 exista um lateral-esquerdo.

SAIU um livro do Oriental. Na verdade, não é bem um livro. É um álbum profusamente ilustrado com fotografias e recortes de notícias de jornais, um volume de dimensão considerável com uma belíssima capa grená que sustenta o emblema do clube e ainda o título da obra em letras brancas: Clube Oriental de Lisboa, História do Nosso Clube.
O Oriental, em si, também é obra. E das grandes. Nasceu na noite magnífica de 8 de Agosto de 1946 da fusão de três clubes vizinhos da zona oriental da capital, o Chelas, o Marvilense e Os Fósforos, que decidiram congregar-se tendo em vista um poderio maior e, consequentemente, um futuro melhor.
Conseguiram-no, sem qualquer espécie de dúvida. Quatro meses depois da fusão, o novinho em folha Clube Oriental de Lisboa, C.O.L. para os fãs entre os quais me incluo, foi ao Campo do Lima vencer o FC Porto por 6-1 num jogo amigável e três anos mais tarde já o C.O.L. conquistava o acesso à divisão principal ombreando com os grandes, como se costuma dizer com toda a beleza e propriedade.
Muito à frente no seu tempo, o oriental foi a primeira equipa de futebol a usar números nas costas das camisolas, uma novidade arrebatadora à época como se constata pelo comentário de Cândido de Oliveira ao acontecimento: «A decisão do Oriental de numerar os jogadores merece relevo e é digna de ser seguida por todos os clubes. O número facilita grandemente a identificação por parte dos espectadores.»
Todos estes acontecimentos e dizeres nos surgem documentados no livro do Oriental de autoria de Vítor Figueiredo. No que diz respeito à goleada imposta pelo Oriental ao FC Porto na sua própria casa, termina assim a crónica do jogo reproduzida de um jornal da época: «Arbitragem à vontade do senhor Abel da Costa.»
A primeira curiosidade a assinalar é, obviamente, de tudo isto se passar num tempo em que os árbitros eram tratados pela imprensa por senhores. E mais nada.
A segunda não é propriamente uma curiosidade. É uma interrogação, uma grande interrogação.
- O que significaria em 1946 a expressão arbitragem à vontade?
Pois não sabemos. À luz da actualidade imaginar uma arbitragem à vontade no Dragão não é coisa do outro mundo. Mas já imaginar uma arbitragem à vontade terminando o jogo com uma derrota por 6-1 para os donos da casa é qualquer coisa de estratosférico.
Gosto do Oriental. Há muito que se deixou das altas instâncias do futebol profissional mas continua a ser uma força viva e aglutinadora de um conjunto de bairros de Lisboa. E contonua a ter aquela camisola grená que é todo um mundo.
O meu avô era da zona e, por razões lá dele e que nunca esmiuçou, foi sempre contra a fusão do Chelas, do Marvilense e d'Os Fósforos que deu origem ao Oriental. Pegando neste livro tentei perceber o porquê daquela velhíssima resistência mas não cheguei a conclusão alguma cobre as razões do meu avô que nem era pessoa de ser do contra, antes pelo contrário, e que era sobretudo 100 por cento benfiquista.
A quase sete décadas de distância desses acontecimentos, agora que os aprendi a fundo, com documentação e tudo, posso, no entanto, de um ponto de vista estritamente romântico avançar com as minhas razões pessoais, caso as tivesse, para ser contra a fusão.
É que Os Fósforos não podiam morrer.
Que nome maravilhosamente inusitado para um clube de futebol, os fósforos! Que pena terem acabado. Na assembleia geral d'Os Fósforos em que se votou a extinção do clube em prol do clube único que haveria de nascer, ainda houve 9 sócios que votaram contra. Mas houve 172 que votaram a favor e adeus fósforos. Na crónica de um jornal que cobriu o melancólico acontecimento apelidava-se de minoria sentimental o grupo dos 9 resistentes ao progresso. Passa agora a 10, apenas por literatura."

Leonor Pinhão, in A Bola

O Circo

"Longe vão os tempos em que cada manhã de pré-temporada trazia com ela a sofreguidão de conhecer as capas dos jornais, para saber quem entrava, quem podia entrar, quem saía, ou quem podia sair, do plantel do Benfica.
Eram tempos em que a imprensa desportiva mantinha alguma respeitabilidade. E eram tempos em que as “notícias” encomendadas por “Agentes FIFA” (esses parasitas do Futebol) não tinham ainda tomado conta das páginas publicadas – que, pouco a pouco, se foram transformando numa plataforma de interesses negociais e especulações várias.
Hoje, uma espécie de casamento de conveniência entre esses interesses e a aflitiva necessidade de vender papel (agravada pela cruel crise económica em que vivemos), ditou uma verdadeira hemorragia especulativa, que primeiro perdeu a credibilidade, e depois perdeu a piada. Até porque a distância para a mentira mais desavergonhada passou a ser demasiado curta, e, consequentemente, mais fácil de ultrapassar.
Para este estado de coisas contribui também a gritante falta de cultura desportiva do nosso país - capaz de empurrar um Tour de France, um Wimbledon, uma Fórmula 1, um título europeu de Hóquei, um Mundial de Sub-20, ou até mesmo uma Final da Champions, para notas de rodapé face a um qualquer Herrera, Quintana ou Tejada, que ninguém conhece, que quer ir para onde lhe paguem mais, mas que é impingido como objecto jornalístico primário a um povo com coisas bem mais graves com que se preocupar.
Creio que esta lógica comunicacional tem os dias contados. Falando por mim, devo confessar que já nem compro diários desportivos. Leio apenas o nosso “O Benfica”, que além dos artigos de opinião dos meus ilustres parceiros, fornece informação sobre todas as modalidades e escalões de formação do Clube. De resto, procuro na Internet aquilo que me interessa, esperando pelo fim do defeso futebolístico para conhecer os plantéis definitivos. Isto, enquanto vou lamentando a morte anunciada de uma imprensa desportiva que, em tempos, me ajudou a crescer."

Luís Fialho, in O Benfica

O verbo e a verba (II)

"Cardozo tem sido dos jogadores mais úteis no Benfica dos últimos anos. Li ontem que está na lista (da UEFA) dos melhores 26 jogadores 2012/13. Avançado com assinalável número de golos, duas vezes Bola de Prata, o que no SLB já não acontecia desde 1991 com Rui Águas! Tem outra característica: está na fronteira entre o jogador que é possível reter no plantel apesar de cobiçado por outros clubes. Não é um ás do tipo chega e adeus, nem um cepo de custo elevado e fraco rendimento.
O seu gesto no final da Taça foi lastimável e deve ser exemplarmente punido. Um acto surpreendente, porque a ideia que se tem do jogador é mais de apatia do que de rebeldia. Mas o que aconteceu desde o Jamor? Que se saiba não houve qualquer procedimento disciplinar. Antes a catadupa de condenações mediáticas sem direito a defesa, por parte de dirigentes e técnicos. Ou seja, muito verbo. Acontece que tanto verbo associado à pelo menos implícita decisão de venda sem apelo nem agravo, acaba por ter um efeito contraproducente: desvaloriza o que agora se chama um activo do clube. Em suma: quanto mais verbo, menos verba. Apesar da meritória teimosia do presidente em não o ceder por baixo preço.
Repito: Cardozo merece uma punição exemplar. Mas no silêncio da gestão do clube. Se sai ou não sai, logo se verá.
Duas notas finais: 1ª) Se o avançado merece ser sancionado, não deveria também ser punido todo o grupo que, num gesto inqualificável de descortesia, abandonou o relvado quando o Vitória recebeu a Taça? 2.ª) Não foi um tal Kelvin (que veio a decidir a Liga) que teve um gesto de grande indisciplina no Porto B (também filmado) resolvido internamente?"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sílvio

Já na época anterior se falou desta possibilidade, infelizmente não concretizada. É um empréstimo por um ano, sem cláusula de opção, portanto nada garante que o Sílvio faça carreira no Benfica, mesmo assim, creio que foi uma boa decisão.
Só temo, as lesões... Nas últimas épocas o Sílvio teve várias lesões, entre elas uma pubalgia... Espero que o departamento médico, consiga prevenir situações desagradáveis.
Com as notícias, a apontarem para a contratação de mais um defesa esquerdo, tudo leva a crer que o Sílvio será usado principalmente na direita, rodando com o Maxi. Mas poderá fazer os dois lados, aliás tem sido na esquerda que o Sílvio tem marcado grandes golos, aproveitando jogar com o pé trocado!!!
Depois de ter feito toda a Formação no Benfica, este é um regresso a casa... Recordo-me bem da entrevista de 2011, não fiquei contente com as palavras usadas, mas onde, mais do que tudo, o Sílvio mostrou mágoa, por não ter tido oportunidade de se mostrar no Benfica.
A história, recentemente divulgada, onde se recordou a 'convocação' do Sílvio, então iniciado, para um jogo do Benfica de Mourinho, após ter perdido o seu pai, entre outras coisas prova que o Benfiquismo estava lá... tem tudo para ser uma das contratações mais úteis para esta época... As equipas não se constroem só com estrelas, é necessário ter plantéis equilibrados... Com a forte possibilidade de ser convocado para o Mundial (caso Portugal se qualifique!!!), teremos aqui um jogador super-motivado...

O verbo e a verba (I)

"O defeso prossegue, já na sua fase II. Depois das férias, os jogadores voltaram, as esperanças renasceram, as transferências prosseguem e os novos equipamentos vendem-se.
Por excesso de oferta de espaço e de tempo, é o período indicado para entrevistar os que entram, os que ficam e os que saem. Cada qual debitando as banalidades do costume, entre frivolidades mundanas e juras de fidelidade eterna. O verbo assume todo o seu esplendor, entre verbas que uns têm e de que outros precisam para sobreviver.
O meu clube já treina, ainda que desfalcado. Com a indefinição habitual do que será o plantel definitivo no dia 1 de Setembro. O treinador já deu uma extensa entrevista ao canal do Benfica curiosa mas estranhamente feita por um administrador da SAD. Falando-se de muitos temas, desejos e convicções. Ainda aqui o verbo no seu expoente.
Tenho para mim que esta fase inicial deveria ser mais recatada possível. Verbo só para dentro, verbo que não empole verba, ou ao invés, não desvalorize (vide Cardozo de que falarei amanhã). O Benfica não precisa de estar sempre a apregoar ser o melhor ou ser hegemónico (que infelizmente agora não o é pelo número de títulos). Acho que se fala de mais. E quando assim acontece lá surge o dia em que se percebe porque não se deveria ter falado. Quando aprendemos com a força e o mistério de um silêncio bem gerido?
Os gestos simples têm mais força do que a propagação mediática de palavras sobre palavra. Por exemplo, a presença no momento inicial de uma nova época transmite liderança, coesão, robustez por parte de quem tem esse dever e vale mais do que muitos concilábulos e panegíricos de efeito repetido."

Bagão Félix, in A Bola

Objectivamente (nova época)

"Fortes para enfrentar a nova época que aí vem! É o que se pede ao grupo que esta semana e garra para levar de vencida os títulos que, por escassos milímetros, nos fugiram a época passada.
A preparação da equipa para esses tão emocionantes desafios deve ser feita na base das experiências negativas dos últimos anos e corrigir os erros então cometidos. Há que aprender com os erros e entrar concentrados desde a primeira hora, nunca descurando o que se passa à volta, nunca menosprezando os adversários, nunca falando demais provocando a ira de quem gosta sempre de criar inimigos para guerrear com raiva!
Ponderação, moderação e tento na língua são necessários! O resto deixamos com os nossos jogadores, técnicos e estrutura directiva para que cumpram, pelo menos, na linha do que fizeram a época passada.
Alguns 'tubarões' já andam de volta dos nossos melhores jogadores. Matic, Garay e Cardozo são os mais cobiçados e não vai ser fácil substitui-los.
Luisão continuará no eixo da superestrutura e Enzo, Salvio e Gaitán continuarão a trazer a magia necessária para o espectáculo que todos queremos.
Há que confiar nas novas aquisições que, por certo, foram rigorosamente seleccionadas.
Os jogadores serão acarinhados e integrados como sempre foram os que viveram de novo.
A única coisa que se lhes pede é que trabalhem muito e tenham muita sorte.
Nós cá estaremos para os apoiar!"

João Diogo, in O Benfica

Um passo à frente

"A disponibilização da Benfica TV em novas plataformas, a sua evolução para canal Premium, a entrada na Alta Definição, e o pacote de transmissões prometido para as próximas temporadas desportivas, marcam um novo tempo na vida de um projecto nascido em 2008, do qual muitos duvidavam, e que, passados cinco anos, já é citado na imprensa internacional como ousado, corajoso e pioneiro.
O prato forte desta mudança é, naturalmente, a transmissão, em exclusivo, dos jogos da nossa equipa principal de futebol. Algo que, devo confessar, há pouco tempo atrás não me parecia possível, mas que neste momento é uma realidade que ninguém – dentro ou fora do Benfica – pode ignorar, ou desvalorizar.
O caminho escolhido pelos nossos dirigentes envolve riscos, como, aliás, acontece com qualquer projecto inovador. Numa primeira fase, será difícil obter as receitas que outras opções poderiam proporcionar. Mas - e isso sempre foi assumido -, as razões desta decisão vão muito para além do plano estritamente financeiro.
Por aquilo que tem sido a história recente do nosso Clube, pela espantosa recuperação estrutural e institucional da última década, a qual nos resgatou o grande Benfica do passado, pela força competitiva que nos devolveu o orgulho de lutar por todos os títulos (só pequenos detalhes nos impediram de consumar uma das melhores temporadas desportivas em mais de 100 anos de história), temos todos os motivos para crer que também este importante passo esteja criteriosamente calculado, e conduza efectivamente a uma mudança na correlação de forças que envolve os bastidores do Desporto português.
Assim sendo, espera-se dos benfiquistas um envolvimento correspondente ao esforço que o Clube está a fazer. A situação do país leva, infelizmente, a que muitos não possam aderir. Mas aqueles que são hoje clientes de outros canais desportivos - por sinal, bem mais dispendiosos - não terão razões para ficar de fora. Este projecto está feito a contar connosco, e só depende de nós para ser bem sucedido."

Luís Fialho, in O Benfica

Alternativo

Lisandro López


Finalmente, o nosso novo central Argentino foi apresentado !!! Depois, de muitas primeiras páginas, de muitos rumores, temores, desvios, pseudo-desvios e afins... depois de confirmações e declarações de amor... O jogador foi oficialmente apresentado pelo Benfica. Isto, depois de frequentar o Caixa Futebol Campus nos últimos dias.
Daquilo, que conheço do jogador- admito que não é muito -, gostei da contratação. Vi alguns vídeos com alguns 'erros' - jogos com um muito forte Atlético Mineiro -, mas como o Benfica tem uma forma de defender à zona, bastante posicional, e colectiva, creio que o Lisandro irá adaptar-se bem ao nosso esquema.
Mas ao contrário de muitos, não creio que este seja uma opção para substituir o Garay, até porque o pé esquerdo do Lisandro é completamente cego, vejo muito mais facilmente o Lisandro substituir o Luisão!!!
Com o Lisandro ganhamos também poder ofensivo nas bolas paradas, agora temos é que marcar bem estas jogadas!!!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Vendaval vermelho em Badajoz

"O Benfica venceu por duas vezes o Troféu Ibérico, que começou a disputar-se em 1967. Uma dessas vezes ficou para a história dos «veraniegos» espanhóis.

BADAJOZ é perto. Só por isso já se justifica que o Troféu Ibérico, organizado pelo Club Deportivo Badajoz, tenha tido sempre grande afluência de clubes portugueses. À beira do Guadiana, este «veraniego» disputou-se pela primeira vez em 1967, tendo tido a sua última edição em 2005, no ano da comemoração do centésimo aniversário do Badajoz. A verdade é que, depois de alguns anos de vida entusiasmante, o Troféu Ibérico estava moribundo. Entre 1986 e 2005 não se disputou. Enfim, estava ligado à máquina até que alguém caridoso desligou o botão.
Mas falemos de tempos bem melhores. De tempos em que algumas das melhores equipas da Europa e do Mundo passaram por Badajoz. De tempos em que as equipas portuguesas dominaram o torneio, obtendo quatro vitórias nas primeiras quatro edições - Sporting, 1967; Vitória de Setúbal, 1968; Benfica, 1969 e Sporting 1970. Se a primeira edição teve apenas três participantes, as seguintes ganharam a estrutura de torneio quadrangular, sempre mais interessante por ter meias-finais e Final.
Em 1969, ano da primeira visita dos 'encarnados', os outros três clubes presentes foram o Atlético de Madrid, a Real Sociedad e o Vitória de Setúbal. Enquanto o Atlético de Madrid se libertava do Vitória, por 2-0, o Benfica vencia a Real Sociedad, por 1-0, golo de Torres, aos 35 minutos. No Estádio Municipal Vivero, no dia 27 de Junho, o ataque do Benfica foi brilhante como tantas vezes costumava ser. Aos 3 minutos já Eusébio tinha feito o 1-0. Os madrilenos revoltaram-se e empataram, aos 17'. De nada serviu. Antes do intervalo chegar, já Eusébio (40 minutos) e Jaime Graça (45 minutos) tinham dado uma confortável vantagem ao Benfica. Do lado espanhol também havia um Eusébio, mas não chegava aos calcanhares do autêntico. E havia Ufarte, Garáte, Irureta e Adelardo. De pouco serviu. Os 'encarnados' dominaram os acontecimentos e impediam as ameaças contrárias. A segunda parte estendeu-se sob um calor tórrido. E António Simões, aos 89 minutos, impôs o 4-1 final. Vitória larga, indiscutível. O Benfica conquistava pela primeira vez o Troféu Ibérico, mas não iria ficar por aqui.

Uma vitória brilhante
EM 1973, o Benfica estava de regresso a Badajoz. Para oferecer aos espectadores do Estádio Municipal Vivero um espectáculo de futebol ofensivo jamais visto por aquelas bandas. Os outros participantes eram o Málaga, o Espanhol de Barcelona e o Estrela Vermelha de Belgrado. Os então jugoslavos caminharam para a Final à custa do Espanhol. Por seu lado, o Benfica lançou-se sobre o Málaga com uma fúria digna de um touro na arena: 7-1! 1-0 por Eusébio (2 minutos), 2-0 por Eusébio (13), 3-0 por Adolfo (18), 4-0 por Nené (20), 5-0 por Nené (37), 5-1 por Perroné (45), 6-1 por Toni (61), 7-1 por Jordão (63). Uma entusiasmo forte e uma admiração segura tomaram conta dos que assistiram a tal vendaval de golos e de lances espectaculares.
A Final, contra o Estrela Vermelha fazia crescer água na boca. E mais um vez, o Benfica foi sublime. Aos 26 minutos já vencia por 3-0, com golos de Eusébio (12 minutos), Jordão (18) e outra vez Eusébio, desta vez de penálti. Karasi reduziu para 1-3, Nené assinou o 4-1, também de penálti Jorki fez 2-4, e, aos 49 minutos, Eusébio fechou as contas.
O Benfica conquistava o seu segundo Troféu Ibérico com um brilhantismo indiscutível. Quem assistiu ao vivo às exibições de Eusébio, Jaime Graça, Nené, Jordão, Simões ou Humberto Coelho tão cedo não as esqueceria.
O Benfica regressaria a Badajoz em 1975 - eliminado nas meias-finais pelo Standart de Liége (2-2, perdendo no desempate por grandes penalidades), assegurando o terceiro lugar frente ao Badajoz (1-1, ganhando no desempate por grandes penalidades), em 1977 - eliminado nas meias-finais pelo Ferencváros (1-1, perdendo no desempate por grandes penalidades), ficando em quarto lugar após derrota com o Badajoz, por 1-2, e em 1979 - batendo o Bétis, por 5-1, e sendo derrotado na Final pelo Sporting de Gijón, por 2-4.
Não voltaria a conquistar o troféu, mas o seu nome já tinha ficado registado a letras de ouro em mais um «veraniego», lado a lado com o Barcelona, Real Madrid, Estrela Vermelha ou Huracán da Argentina. Porque, nesse tempo, os torneios de Verão em Espanha não só traziam dinheiro como prestígio."

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 7 de julho de 2013

Estreia Campeã !!!


A nossa secção de Hóquei em Patins feminina, em ano de estreia, acabou, hoje, por se sagrar Campeã Nacional, após um empate a 2, em São João da Madeira. Treinadas por Paulo Almeida, as nossas meninas fizeram história. É verdade que no nosso plantel temos várias atletas com alguma experiência (Nafarros), mas no início de época, poucos apostariam na conquista do título máximo... Muitos Parabéns a todas, foi uma entrada à Benfica!!!

PS1: A Teresa Portela sagrou-se Campeã Nacional de Canoagem em K1 200m e em K1 500m. Confirmando o favoritismo, ainda por cima com a Joana Vasconcelos ausente. O João quedou-se pelo bronze no K1 1000m. 

PS2: Épica vitória dos Juvenis do Hóquei em Patins em Valongo, contra o Valongo, sagrando-se Campeões Nacionais - isto depois da também gigante vitória dos Juniores a semana passada... -, a 2:40min do fim do tempo regulamentar estávamos a perder 1-3, mas conseguimos empatar, e levar o jogo para o prolongamento, com golo de ouro. Logo de entrada levámos com um cartão azul, o Valongo falhou, ficámos a jogar com menos 1, mas mesmo assim aguentámos, e o Gonçalo Conceição ainda foi a tempo de concluir o hat trick, dando o título nacional aos nossos jovens... Grande triunfo... Parabéns a todos!!!

PS3: Mesmo com 3 atletas na Taça do Mundo - João Silva após a lesão, e após toda controvérsia à volta da sua presença na Áustria, não foi além do 11.º -, o Benfica dominou a 8.º etapa do Nacional de Triatlo, disputada em Abrantes, garantido os três lugares do pódio: (1.º) João Pereira, (2.º) Bruno Pais, (3.º) Alexandre Nobre(Junior).


PS4: No Atletismo, voltámos a dominar os Nacionais de Juniores, com vitórias nos Masculinos e nos Femininos. Depois de termos feito o mesmo nos Juvenis e nos Sub-23... Domínio total:

Masculinos:

1.º Benfica: 265
2.ª Sporting: 164

100m - 4.º - Ricardo Pereira (5.º José Lopes) - 10,66s
110m Barreiras - 13.º - Eduardo Lima - 16,83s
200m - 1.º - Luís Neves - 21,59s
400m - 1.ª - Luís Neves (5.º Daniel Reis) - 48,60s
400m Barreiras - 4.º - André de Sá (6.º Daniel Reis) - 56,36s
800m - 3.º - Pedro Santos (9.º Carlos Lopes) - 1.55,29min
1500m - 3.º - Luís Borges - 3.59,10min
3000m - 1.º - Paulo Rosário - 9.46,40min
3000m Obstáculos - 1.º - Luís Borges - 9.22,66min
5000m - 1.º - Hélder Costa - 16.14,84mim
10Km Marcha - Não paticipámos
4x100m - 1.º - Benfica (Ricardo Amaral, José Lopes, Natanael Mendonça, Ricardo Pereira) - 42,31s
4x400 m- 1.º - Benfica (José Tavares, Daniel Reis, Angelo Marques, Andre de Sá) - 3.22,46min
Comprimento - Não paticipámos
Triplo Salto - 4.º - Gil Manuel - 14,32m
Altura - 12.º - Davidson Borges (16.º Edmir Varela) - 1,85m
Vara - 1.º - Ícaro Miranda - 4,35m
Peso - 2.º - Fábio da Silva - 14,25m
Dardo - 6.º - Davidson Borges - 48,52m
Martelo - Não participámos
Disco - 5.º - Fábio da Silva (6.º Edujose Lima) - 40,97m

Femininos:

1.ª Benfica: 254
2.ª Sporting: 243

100m - 3.ª - Rivinilda Mentai (8.ª Joana Vieira)- 12,08s
100m Barreiras - 1.ª - Vera Fernandes (4.ª Rafaela Vitorino) - 13,96s
200m -2.ª - Rivinilda Mentai - 24,99s
400m - 2.ª - Neuza Reis - 57,21s
400m Barreiras - 1.ª - Neuza Reis - 1.01,19min
800m - 4.ª - Carla Mendes (6.ª Ana Fernandes) - 2.19,62min
1500m - 3.ª - Carla Mendes - 4.42,85min
3000m - 1.ª - Diana Almeida (2.ª Jessica Matos) - 9.58,43min
3000m Obstáculos - 1.ª - Jessica Matos - 11,14,37min
10Km Marcha - Não participámos
4x100m - 3.ª - Benfica (Vera Fernandes, Bruna Varela, Joana Vieira, Rivinilda Mentai) - 48,59s
4x400m - 2.ª - Benfica (Bruna Varela, Carla Mendes, Ana Fernandes, Neuza Reis) - 3.57,97min
Comprimento - 4.ª - Teresa Carvalho (8.ª Khrystyna Resler) - 5,70m
Triplo Salto - 7.ª - Bruna Varela - 10,68m
Altura - 4.ª - Nadia Sena (5.ª Rafaela Vitorino) - 1,60m
Vara - 1.ª - Filipa Choon (9.ª Nadia Sena) - 3,30m
Martelo - Não participámos
Disco - Não participámos
Peso - 5.ª - Carolina Henriques - 11,06m
Dardo - 3.ª - Lara Clochet - 36,50m

sábado, 6 de julho de 2013

Então, e a palhaçada?

"É estranho. Será que nos passou despercebida a habitual palhaçada levada anualmente à cena na Assembleia Constituinte? Ou tornou-se invisível aos olhos críticos de quem considera a pantominice mais do que grotesca, ofensiva da moral e dos bons costumes de uma classe política que deixou há muito tempo de estar próxima de qualquer um dos dois? O Madaleno terá vindo à capital escondido, camuflado, para o beija-mão da ordem? Não creio. Não é seu hábito. Gosta de expor as suas insuficiências e exibir a sua falta de nível. Não é, portanto, concebível que o faça sem ser às escâncaras, provocando a gente de bem, largando as suas chalaças velhas e relhas que só fazem rir os lambedores de botas que se deitam aos pés do figurão, incensando-o nas colunas de jornais e em programas indigentes de televisionamento barato. Portanto, a pergunta faz sentido.
Para quando a palhaçada? Já a deixámos nestas há uns tempos. Apenas o silêncio responde à questão. Por isso também faz sentido insistir: então, e a palhaçada? Qual a data marcada para a romaria de medíocres que faz da antes dita «casa da Democracia» numa taberna ordinária na qual se benzem as tentativas de corrupção que em qualquer Estado de Direito levariam os seus autores ao fresco das lajes da cadeia. Ficamos à espera. Pacientemente à espera da repetição do nojo. Com a certeza segura de que nenhum dos artistas das habituais palhaçadas terá ganho vergonha na cara, seja por que não têm cara, seja porque não têm vergonha..."

Afonso de Melo, in O Benfica

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Inacreditável!

"1. Vai ser reactivada a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, que se realizou inicialmente entre 1914/15 e 1921/22, teve uma edição isolada em 1947/48 e regressou em 1959/60 realizando-se depois ininterruptamente até 1993/94. Houve, pois, 36 edições, como sempre se escreveu ao fazer-se a história da competição. O Benfica ganhou 18, o Sporting 11, o Belenenses 6 e o Império um. Surpreendentemente, aparece agora a AAL a afirmar que são 64 edições realizadas desde há 99 anos. Alertado pelo Alberto Miguéns, fui ao site da AAL, para perceber e mais 'baralhado' fiquei. Mas ele lá me explicou: a AAL resolveu que, quando não houve Taça de Honra, os vencedores do Campeonato de Lisboa seriam considerados vencedores desta competição também. Ganhavam uma, tinham outra vitória de 'borla'! E, assim, o Sporting - que marcou superioridade no antigo Campeonato de Lisboa (e essa ninguém lhe tira) - passava a ser o clube com mais vitórias: 29, contra 19 do Benfica, 11 do Belenenses e 4 de outros clubes. Em suma: o Benfica não pode cruzar os braços e tem de exigir à AAL que reponha a verdade histórica. Esta não pode resolver, várias décadas depois, que em anos sem Taça de Honra, o Campeonato de Lisboa valha por dois. Aliás, ao longo dos anos de disputa da competição, os jornais sempre publicaram a lista certa dos vencedores. Que invenção foi essa da AAL, passados todos estes anos?

2. Os clubes, reunidos na Liga, chumbaram as propostas de alterações à fórmula de disputa das I e II Ligas. Felizmente! Algumas eram assustadoras. Continuo defensor dos Campeonatos em poule, todos contra todos em duas voltas. Tudo o que vá para além disso desvirtua o conceito. O último Campeonato foi emocionante até final, da luta pelo título aos lugares na Europa e para evitar a despromoção. E não foram precisos play-offs e quejandos, que muitas vezes desvirtuam a competição (não esqueço as injustiças do Voleibol nos últimos anos... como injusta seria uma vitória do Benfica esta época, no Futsal, por exemplo). Só não percebo a necessidade de passar de 16 para 18 clubes para inclusão do Boavista. Nesse caso, desceriam três clubes e estaria o assunto resolvido, O Boavista foi apenas uma justificação...

3. Segunda-feira passada assinei a Benfica TV. Claro!..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Até o computador é antibenfiquista

"Ontem no sorteio da Liga da próxima época provou-se que o computador é anti-benfiquista. Nem com a mão se conseguia um sorteio pior. Saídas difíceis a começar, três das mais difíceis até à quinta jornada (Madeira, Alvalade e Guimarães), e terminamos no campo do nosso rival. Este ano temos também que vencer um computador desonesto.
Dirão os mais distraídos, que temos que jogar todos contra todos, e por isso é igual. Dirão os mais supersticiosos que da última vez que fomos campeões também começamos contra o Marítimo. Dirão os mais avisados que nos tentarão tirar da luta logo nas primeiras cinco jornadas. Digo eu, que mesmo que tudo fosse verdade, o melhor é entrar a esmagar a concorrência, porque se o início de Campeonato for bom este ano seremos campeões.
Quase nunca ganhamos o primeiro jogo do Campeonato, seja porque jogamos mal, seja porque o Soares Dias não deixa, ou seja por outra razão qualquer. Ganhar na Madeira era inverter a história a nosso favor. 
Bom presságio é o facto do primeiro jogo da pré-época voltar a ser contra o mítico Étoile Carouge. Nunca mais me esqueço daquela discussão familiar que tive por abandonar a praia mais cedo para ver o desafio de tamanha importância. Quando ontem ao jantar conferia com o Lourenço Coelho os jogos da pré-época senti um acréscimo de esperança. Dia 13 lá estarei em frente ao televisor porque o adepto tem direito aos seus ritos e aos seus ritmos. A pré-época não serve apenas para os treinadores escolherem e prepararem a equipa, serve também para os adeptos escolherem os seus preferidos e desdenharem nos seus preteridos. 
São várias as vozes que se ouvem com vontade de acabar com a Taça da Liga. Na minha opinião é um erro grosseiro, a Taça da Liga é uma boa ideia e uma óptima competição."

Sílvio Cervan, in A Bola

Ausência vergonhosa...

Foi hoje anunciado os convocados para o Europeu de sub-19, o Benfica como era esperado, é o clube mais representado. Praticamente todos os titulares portugueses da equipa Campeã Nacional de Juniores foram convocados. Esta geração Benfiquista foi de facto Tri-Campeã, pois venceram nos Iniciados, nos Juvenis, e nos Juniores, e até nos escalões mais baixos alguns destes jogadores venceram títulos pelo Benfica.
Para a opinião pública a ausência do Bruma é a principal surpresa, mas até se compreende depois de uma época muito longa para o jovem prestes a dar de frosques...!!! E sem os milhões que os Lagartos, pensariam receber!!!

Bruno Varela, José Costa: Guarda-redes.
Fábio Cardoso, Rudi: Centrais.
Cancelo: Defesa-direito.
Rebocho: Defesa-esquerdo.
João Teixeira: Médio-centro.
Hélder Costa: Extremo.
Bernardo Silva: Médio-ofensivo.

Mas para mim é vergonhoso a não convocação do Sancidino aka Dino. Não me surpreendeu, pois as últimas convocatórias já davam a entender que o Dino não seria opção, mas não deixa de ser vergonhoso. O Dino esteve lesionado o ano passado, mas recuperou, e até foi decisivo na conquista do título de Juniores pelo Benfica, principalmente quando passou a jogar como ponta-de-lança. Ultimamente os técnicos da FPF, encontraram uma nova moda: descobrir jogadores com passaporte português perdidos por esta Europa fora, tipo Aladje... Os empresários agradecem... Abdicar de um jogador que faz todas as posições no ataque, que é um dos melhores marcadores da sua geração, consistentemente, por novidades 'estrangeiras', é triste...

adenda: Depois de analisar com mais calma a convocatória, fico ainda mais perplexo, já que os tais 'emigrantes' também não foram convocados (creio que por lesão...)!!!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entrevista - que grande cenário!!!

Calendário 2013/14

Tendo em conta todos os condicionalismos no sorteio, seria difícil ter um início de época, mais complicado... com toda a pressão extra - devido ao cruel final de época... -, que a equipa, o treinador e a Direcção carrega neste momento, as primeiras jornadas podem ser decisivas. Não seremos Campeões, nas primeiras jornadas, mas podemos perder as esperanças, tal como aconteceu em 2010/11. Mas para uma analise completa ao calendário, temos que esperar pelo sorteio da Champions...

1.ªvolta:
Marítimo - Benfica
Benfica - Gil Vicente
Sporting- Benfica
Benfica - Paços de Ferreira
Guimarães - Benfica
Benfica - Belenenses
Estoril - Benfica
Benfica - Nacional
Académica - Benfica
Benfica - Braga
Rio Ave - Benfica
Benfica - Arouca
Olhanense - Benfica
Setúbal - Benfica
Benfica - Corruptos

O preocupante, é que olhando ao Calendário dos Corruptos, a maior parte dos jogos deles vão ser treinos, com treinadores, jogadores e directores amestrados, além dos apitadeiros e bandeirolas do costume...
Sou contra estes sorteios condicionados, que ano após ano trazem armadilhas muito estranhas: este ano na 1.º volta, antes da recepção aos Corruptos, temos dois jogos fora, sempre complicados!!! Sem entrar em teorias da conspiração, depois de épocas atrás de épocas, com os Corruptos a jogar, contra a equipa, que na semana anterior jogava com o Benfica (mesmo assim esta época isso vai acontecer 3 vezes!!!), este ano inovaram!!!

Vai, Cristiano, volta à Inglaterra!

"Para o Benfica e para a sua TV seria excelente que Cristiano Ronaldo regressasse ao Manchester United. Ou que se fosse juntar a José Mourinho em Londres.

O Brasil de Luís Filipe Scolari venceu a Taça das Confederações em casa, num Maracanã renovado segundo as exigências da FIFA, e pôs fim com requintes de malvadez a uma já longuíssima invencibilidade de Espanha em jogos oficiais. É caso para se dizer que os campeões do mundo de sempre venceram os campeões do mundo da actualidade.
Para mim, mesmo não sendo campeão do mundo de futebol em título, como acontece algumas vezes, o Brasil é sempre o campeão do mundo de futebol por direito divino e dom natural.
Concluindo: a um ano de distância do Mundial de 2014 ficou dado, exemplarmente, o recado. A Espanha, que tem arrastado tudo e todos nos últimos anos, que não são favas contadas. Na verdade, a Espanha só arrasou tudo e todos nos últimos anos até ao dia em que teve de jogar com o Brasil.
E Scolari lá voltou a dar ao Brasil um título, coisa que não acontecia desde 2002 quando no Oriente, o escrete venceu o Mundial também sob seu comando. Assim que a final de domingo terminou, Scolari foi entrevistado ainda no relvado pela estação de televisão brasileira que transmitiu o jogo para todo o mundo. E foram bem curiosas e inesperadas as suas primeiras palavras, sabendo-se que o treinador não estava a falar especialmente para nós.
Scolari, cuja última final em competições do género tinha sido a malfadada final do Europeu de 2004, teceu largos elogios aos «portugueses» que sempre o trataram «com muito carinho» e a um país, o nosso, que o tratou muito bem institucionalmente. Numa hora de consagração na sua pátria, Luís Filipe Scolari fez questão de dizer aos brasileiros que traz sempre consigo os portugueses no coração.
E porquê? Estratega das uniões improváveis - como o provou em Portugal onde construiu, de raiz, um casamento ainda duradouro entre a Selecção Nacional e o povo todo em geral -, Scolari prepara-se para reeditar a mesma coisa em versão poderosamente tropical e no seu próprio país.
Ao contrário dos adeptos portugueses, que até à chegada do treinador brasileiro viviam sentimentalmente afastados da sua equipa nacional, os brasileiros sempre mantiveram um namoro intenso, praticamente paixão, com o seu escrete, pesem algumas discordâncias técnico-tácticas com uma série de seleccionadores que por lá passaram e que, em sorte e em triunfos, nunca chegaram aos calcanhares de Scolari.
Mas daqui a um ano há Copa e Scolari quer mais do Brasil em função dos interesses do Brasil em função dos interesses da canarinha e, consequentemente, dos seus próprios interesses. Onde se lê interesses, leia-se ambição.
Se o sargentão conseguiu pôr 9 milhões de portugueses, por definição pouco exuberantes, a enfeitarem-se e mais às suas janelas de bandeiras verde-rubras, o que conseguirá ele fazer com 200 milhões de brasileiros, por definição mais dados a carnavais?
Os elogios de Scolari aos portugueses assim que acabou o jogo de domingo no Maracanã vão nesse sentido. Se os portugueses conseguiram, caras, vocês têm de conseguir muito mais!
Vai ser bom e bonito o Mundial de 2014.

NO jogo com a Espanha, já o resultado ia adiantado, David Luiz cortou miraculosamente, sobre a linha de golo, uma bola que ia entrar. Júlio César estava fora do lance e fora da baliza, e a jogada do ataque espanhol magistralmente concluída por Pedro só podia dar golo.
Mas não deu. Surgido não se sabe de onde, o antigo jogador do Benfica impediu com grande espectacularidade o golo de honra espanhol. O Maracanã, grato e impressionado, veio abaixo em aplausos a David Luiz, jogador que, segundo a imprensa, José Mourinho não quer ter à sua disposição no Chelsea.
Isto para muita gente é absolutamente incompreensível. Já para outros, não
Os benfiquistas, que viram todas as semanas durante uns bons anos David Luiz jogar pela sua equipa, sempre se dividiram quanto à real valia prática do seu então muito jovem defesa central. Sobre o futuro grandioso que o aguardava, diga-se em abono da verdade, nunca houve muitas dúvidas na Luz. Que David Luiz sairia um dia para jogar por grandes emblemas era, por todos, um dado adquirido.
A questão retórica que à época dividia os adeptos do Benfica, e que continua hoje a dividir adeptos em Inglaterra e no Brasil, é se David Luiz é ou não é um defesa-central intransponível. Ora, intransponível, meus amigos, nem a Muralha da China quando mais o David Luiz que, é verdade, quando falha fá-lo sempre com grande espalhafato.
Um dia, quando o jogador brasileiro já se tinha afirmado como o indiscutível defesa-central do Benfica (e não defesa-esquerdo, muita atenção), um amigo benfiquista definiu-mo assim:
- É um jogador de categoria mundial. Só tem um problema?
- Qual é o problema? - perguntei-lhe eu que sempre gostei de David Luiz desde a primeira vez que o vi jogar.
- Dá uma barracada por jogo - foi a resposta que obtive e com a qual não pude deixar de concordar.
E como David Luiz é tão espampanante no que faz de bem como no que faz de mal, estas coisas acabam por dar nas vistas.
Talvez José Mourinho não queira um defesa que dá uma barraca por jogo para o seu Chelsea. Mas será que o viu a voar a mil à hora rentinho à relva para não deixar entrar na baliza de Júlio César a bola de golo que tinha sido rematada por Pedro?
Um dos prazeres em assistir a um jogo de futebol é imaginar o que os outros pensam ou como outros reagem perante as incidências dos noventa minutos. E voltamos a Mourinho. Para imaginar o que o nosso compatriota, tão mal estimado em Madrid, terá pensado e dito ao ver Iker Casillas sofrer três golos de uma assentada.
Cá para mim foi isto:
- Com Diego López esta não entrava!
E disse-o por três vezes.

NOLITO vai-se embora de vez. No último mercado de Inverno, Nolito saiu da Luz emprestado para o Granada e de alguma forma terá ajudado os andaluzes e evitar a descida de divisão. Agora é definitivo o seu adeus à Luz. O Benfica vendeu Nolito ao Celta de Vigo por 2,6 milhões de Euros o que foi considerado um bom negócio para todas as partes envolvidas.
Nolito chegou ao Benfica no Verão de 2011 e causou sensação. Se bem se recordam, do outro lado da rua o Sporting vivia uma pré-temporada complicada o que, por feliz ou infeliz comparação, até levaria um antigo presidente leonino a produzir um comentário altamente abonatório para o jogador que o Benfica fora buscar ao Barcelona B:
 - Se tivéssemos um Nolito não estávamos a chorar - disse António Dias da Cunha prevendo, também ele, um percurso de sucesso do jogador ao serviço do emblema rival.
Nada disso se confirmou com o andar da carruagem e Nolito, aos poucos, foi desaparecendo do onze da confiança do seu treinador. Mas nunca deixou de ter uma legião de fãs entre os adeptos do Benfica agradados com as explosões do seu futebol malandro, um futebol de rua quase sempre destemperado mas alegre. E de alegria é que a gente gosta.

NUMA operação financeira que envolveu a banca e um grupo de investidores, o Sporting reestruturou a sua dívida e apronta-se para um futuro que afirma ser seu.
Isto encerra uma novidade. Fazia já muitos anos que um clube de futebol português não saía de uma enrascadela de tesouraria sem ter o apoio directo e benevolente da Olivedesportos.
Numa entrevista relativamente recente, António Oliveira, sócio-fundador da Olivedesportos actualmente desavindo com a empresa, pôs as coisas em pratos limpos:
 - A Olivedesportos é o FMI do nosso futebol.
Empréstimos, ou melhor, adiantamentos por contratos, contra condições, esses mesmos contratos. Era a isto que António Oliveira se referia.
Neste mundo específico das instituições, dos contratos e do audio-visual, esta semana também houve outra grande novidade. A Benfica TV, detentora dos jogos do Benfica na Luz para o campeonato e dos jogos do campeonato inglês, passou a ser um canal pago. Obrigando, não será especulação concluir, a Sport TV a lançar um canal low-cost. Veremos o que vem aí.
Para o Benfica e para a sua TV seria excelente que Cristiano Ronaldo regressasse ao Manchester United. Ou que se fosse juntar a José Mourinho em Londres. Quem não quer ver Cristiano Ronaldo jogar à bola durante um ano inteiro?
Vai, Cristiano, volta à Inglaterra!"

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sangue novo e falta de cabeça

"Aconteceu o que se esperava: a autofagia dos clubes saiu vencedora e derrotou clamorosamente propostas inovadoras para uma profunda alteração nas competições profissionais.
Em vez de se defender o essencial, preservou-se a aparência. À beira do precipício, preferiu-se dar mais um pequeno passo em frente. Optou-se, como sempre, em insistir no impossível, em vez de construir os alicerces do possível. Ganhou a visão estratégica de vistas mais largas. Venceu a via mais canhestra baseada em falsos argumentos de pequenos sacrificados contra grandes beneficiados, numa dinossáurica visão de combate entre Gulliver e Liliputianos. Não se vislumbra uma visão de cooperação activa e estratégica entre os clubes que, adversários nos relvados, deveriam fortalecer os interesses comuns para bem do futebol em Portugal. O que há é uma cretina «luta de classes» onde todos perdem sejam maiores ou menores clubes, com a complacência dos primeiros e o reaccionarismo dos segundos.
Por ironia, dias depois da decisão de mudar algo nas competições... para que tudo, afinal, possa ficar na mesma, surgiu a notícia de que cerca de metade (16) das equipas das ligas profissionais não podem inscrever jogadores por não cumprirem requisitos legais relativos a dívidas a Fisco e Segurança Social.
Ora aí está, em todo o seu esplendor, o paradoxo do nosso futebol. A fantasia de braço dado com a irresponsabilidade. Em vez de sangue novo, optou-se pela falta de cabeça. Faz-me lembrar a estória do tipo a quem no hospital perguntaram se «ele era o dador de sangue», ao que ele respondeu: «não, sou odar dor de cabeça»."

Bagão Félix, in A Bola

We are...

terça-feira, 2 de julho de 2013

"Tenho que agradecer a todos"

"António Oliveira, o nosso Toni, está em fase de notável recuperação após a complexa intervenção cirúrgica a que foi sujeito. A convite do nosso Director, fez questão de dar a primeira entrevista ao Jornal O Benfica e à Benfica TV. Até porque, para Toni o Sport Lisboa e Benfica foi sempre a prioridade das prioridades. Leia aqui os conselhos de quem passou por um momento difícil e que conseguiu superar mais esta prova. Como sempre, Toni fez-se valer da sua extraordinária compleição física e, sobretudo, do apoio dos amigos e da família.

- Tem noção que este momento por que passou preocupou muito a Família Benfiquista e milhares de pessoas que o admiram?
- Antes de mais nada, quero sublinhar a onda de solidariedade que nasceu desde a altura em que foi noticiado o meu problema. Muitas vezes o povo diz que é nos hospitais e na prisão que nós vemos os amigos, mas eu julgo que não era preciso passar por esta situação para saber que há muita gente, fruto da minha carreira, a maior parte dela feita no Benfica, que tem por mim amor... mas também existe ódio...

- No seu caso é, claramente, mais amor...
- Sim! Se bem que, por vezes, nos lembramos mais dos momentos mais dolorosos. De qualquer maneira, foi pra mim um momento feliz saber que não passei ao lado do interesse que as pessoas tinham, não só dentro da família benfiquista, mas também por ter sido um pouco transversal a muitos amigos e a conhecidos...

- Falou com muitos amigos com que já não falava há muito tempo?
- É verdade! Eu acho que o Futebol tem, dentro dos seus defeitos muitas virtudes, e é nele que nos desenvolvemos, enquanto jogadores, com valores e princípios que defendemos, tais como a solidariedade, a amizade e a vontade de vencer. E é essa vontade de vencer que esteve ligada a um período que eu vivi e que, felizmente, parece estar ultrapassado e ir no caminho certo.

- Ou seja, faz questão de agradecer o apoio que recebeu?
- Quero aproveitar esta entrevista para agradecer a todos aqueles que acompanharam este processo. Agradeço a forma como vieram e partilharam comigo este momento difícil que atravessei. Foi com a força deles, com a força da minha família, que foi possível estar quase rijo como o aço.

- O que o levou a fazer o exame que lhe salvou a vida?
- Na viagem de regresso do Irão elenquei algumas algumas coisas prioritárias a fazer, entre elas análises, fruto de um outro problema que eu tenho e, felizmente, isso está estabilizado! Juntamente com essas análises, fiz um raio X ao torax e foi nesse exame que foi detectado, na parte superior do rim esquerdo, um ponto que, depois, através de uma ecografia, pareceu ser um tumor. Depois, através de uma angiografia, confirmou-se que tinha que ser sujeito a uma operação. Não havia a hipótese de poder ser parcial. Portanto, seria uma operação ao rim que teria que ser retirado. E eu, que sou uma pessoa crente, penso que há qualquer coisa... que Deus está sempre comigo e que me deu esse sinal...

- Acha que foi um sinal...
- O que eu sei é que se tratava de um tumor silencioso, daqueles em que os sinais que dá já acontecem numa fase em que está metastizado e aí sim teria um cenário catastrófico!

- O conselho que quer dar a quem nos lê é que com a saúde... não se brinca!
- Ao abandonar o hospital só quis passar essa passagem - quando aparecem situações com estas e que envolvem uma operação de alguma complexidade, o importante é que seja detectado a tempo.

- No caso da prevenção, o que é que aconselha a quem nos lê?
- Tenho muitos amigos que se recusam a fazer análises e a ir ao médico. O problema é que alguns sinais aparecem já numa fase adiantada e quando já é tarde e não há nada a fazer. Falo do meu caso, não tive sinais nenhuns, era um tumor silencioso e foi por mero acaso, numa exame que faço de forma periódica ao sangue e à urina, que foi detectado. E eu estou numa idade em que a próstata acaba por ter o peso terrível que tem para a mulher o cancro da mama. O meu conselho é muito claro - não ter medo de ir ao médico. Eu sei que o nosso Serviço Nacional de Saúde está como está e que as pessoas têm menor disponibilidade económica, mas há rastreios que têm que ser feitos e devem ser feitos de uma forma periódica.

- Quando lhe foi diagnosticado o tumor, pensou nas pessoas mais chegadas? E pensou no Benfica?
- Quando eu estava no Irão e me perguntavam o que é que me fazia falta, eu respondia sempre - 'a família, naturalmente, e o Benfica que faz parte da minha vida'.

- Porquê?
- Porque foram muitos anos passados nesta casa, nas várias vertentes. Foram anos inesquecíveis que passei dentro de um Clube que é mítico, que é universal como é o Sport Lisboa e Benfica.

- Os tais valores e princípios...
- Como referi, a questão dos princípios, dos valores e o respeito. O respeito por nós próprios leva a que respeitemos os outros. Quer como jogador, quer como treinador, era uma forma que nos distinguia - o respeito pelo adversário. Quando o nosso adversário merece ganhar, saberemos dar-lhes os parabéns!

- Por isso é que recebeu vários telefonemas de adversários...
- Sim! Mas o que mais me preocupa é que enquanto eu estava a passar por momentos complicados, aos mesmo tempo, um grande amigo meu, o Vítor Campos, teve um problema de saúde muito grave. O que eu estou a passar, comparado com o momento que o Vítor Campos está a passar, são 'peanuts'...

- Vai poder levar uma vida normal?
- A partir do momento que o diagnóstico foi feito senti que estava em boas mãos. Olhe, um dos me´dicos que me operou até era do Sporting! Só lhe pedi para não se enganar!

- Tem algumas restrições?
- Sobretudo de ordem alimentar, evitar comidas salgadas e beber mais água.

«Peço aos nossos adeptos para estarmos todos no mesmo barco»
O nosso antigo jogador e ex-treinador recebeu-nos em sua casa, perto do Estádio da Luz. Foi a primeira entrevista em que conta o que lhe acontecer e fez questão que fosse para os Órgãos de Comunicação Social do Clube do seu coração. A conversa foi 'à Benfica', com Toni a revelar um enorme sentido de optimismo em relação ao futuro. Aos 66 anos de idade, Toni deve a vida a três homens especiais - Jorge Fonseca, Manuel Passarinho e José Bau, os três médicos conceituados que o operaram no passado dia 11 de Junho, na Cruz Vermelha.

- Chegou a cursar Direito, em Coimbra. Está arrependido de não ter continuado? Podia ter dado um bom advogado...
- Não! Teria sido um mau advogado. No 5.º ano do antigo liceu, escolhi Direito.

- Porquê?
- Porque não tinha Matemática, que eu não percebia nada. Depois, de ter terminado o 7.º ano, fiz o exame de aptidão e entrei para a Faculdade de Direito de Coimbra, onde tive quatro cadeiras e grandes professores. Durante um ano ainda carreguei os livros. Acabei por não fazer exames o Dr. João Rodrigues (ex-presidente da FPF) me levou para o Benfica. Em Lisboa, acabei por me matricular como aluno voluntário na Faculdade de Direito de Lisboa, mas acabei por optar em ir para o INEF, onde frequentei as aulas e conheci várias personalidades, como o Jesualdo Ferreira. Tive exame marcado para o dia 25 de Abril... mas eu sabia que não era compatível com o Futebol. Aqui a questão não estava em ser bom ou mau advogado, mas sim o facto de eu ter desfrutado daquilo que me deu muito prazer em fazer, ser jogador profissional de Futebol e sê-lo no Sport Lisboa e Benfica.

- Ajudou o Sport Lisboa e Benfica a conquistar muitos títulos como jogador e como treinador. Recorda algum em especial?
- O primeiro título, claro! Em 1968 cheguei ao Benfica e o treinador era o Otto Glória, grande figura que marcou o Benfica e o Futebol Português, na década de 50. O Sr. Otto regressou a Portugal e nesse ano fomos Campeões Nacionais. Lembro-me perfeitamente, de um jogo decisivo em Tomar, frente ao União local, num campo pelado, onde ganhámos, por 4-0, com o Eusébio a marcar, claro! Se ganhássemos, seríamos campeões e, como era expectável, os meus amigos da Anadia foram a Tomar apoiar-nos, o meu pai também, etc, etc. Eu, que me fartei de ver pela televisão o momento das invasões de campo quando se é campeão e estava à espera de poder viver esse momento único, a dez minutos do fim o Sr. Otto tirou-me da equipa. E eu, que queria viver a festa... era a minha primeira vez, pois eu só via essas festas na televisão, no programa Domingo Desportivo, tive de me conformar com a seguinte situação - todos a festejar no campo e eu na cabine! Felizmente, houve depois mais tempo para festejar!

- Em 1993/94, ganha o título como treinador principal e com um resultado histórico - os célebres 6-3 em Alvalade, num dia notável...
- Antes dos 6-3, em Alvalade, há muito para explicar! Houve o empate em casa com o Estrela da Amadora (1-1)...

- Conte lá qual foi a Mística, o segredo...
- A Mística é ganhar! O plantel de 1993/94 era um bom plantel. Nenhum treinador enjeitaria um plantel como esse!

- Mas conseguiu fazer milagres!
- Isso dos milagres... Tínhamos um plantel de grande qualidade. Ninguém consegue fazer de burros cavalos de corrida! Houve uma pré-época muito turbulenta, com a saída de dois jogadores, Paulo Sousa e Pacheco, outros estavam 'pendurados', mas o Sr. Jorge de Brito foi decisivo. Aliás, a Família Benfiquista não chegou a perceber a importância que ele teve. O Sr. Jorge de Brito é que foi um grande benfiquista, a Família Benfiquista não soube quem teve no seu seio...

- Entre outras coisas, conseguiu evitar a saída de João Vieira Pinto para o Sporting...
- Não foi só com João Pinto, que acabou por ficar! Começamos esse Campeonato por empatar 3-3, nas Antas... A propósito deste jogo, deixem-me contar-vos um episódio que ocorreu em Amesterdão, antes da jornada fantástica na Final da Liga Europa. Estava eu na parte de fora do estádio quando alguem me chamou e me disse: «Não me está a reconhecer?» Quando lhe disse que não, respondeu-me que era o árbitro, Carlos Calheiros. Disse-lhe logo: «Olá! Você ainda me gamou nalguns joguitos!» E nesse ano foi logo no 1.º jogo, nas Antas. Isto a propósito desse jogo que empatámos 3-3, nas Antas...

- Apesar de terem começado mal a época, com três empates, a verdade é que a equipa foi Campeã Nacional...
- Houve uma coisa que os jogadores do Benfica souberam interpretar e essa foi uma mensagem que foi transmitida, desde o início, a todo o grupo - tínhamos um objectivo definido e esse objectivo é sempre para aquele que o Benfica tem de partir. Ou seja, ganhar o Campeonato. Disse aos jogadores que não nos devíamos desviar desse objectivo. Houve meses mais dilatados...

- Está a falar de salários em atraso?
- Claro! Mas eu dizia sempre aos jogadores que estavam num Clube sério e que o Benfica iria assumir as suas responsabilidades.

- Na véspera dos 6-3, em Alvalade, havia jogadores do Benfica com salários em atraso...
- Sim... mas a questão estava em saber esta coisa muito simples que formulei aos jogadores - Em que Clube é que estamos? Estamos num Clube sério, um Clube que vai assumir as suas responsablidades e nós temos de assumir as nossas.

- Daí a importância do treinador que vai à cabine e sabe motivar os seus jogadores. Como é que conseguiu 'dar-lhes a volta'?
- Nós sabemos que no Futebol e a vida também nos dá essa experiência, a vitória é sempre para dividir por muita gente! A derrota é para dividir por pouca gente, normalmente fica para o treinador. No fundo, a vitória é efémera.

- O seu amigo, Carlos Queirós, ficou zangado consigo?
- Toda a gente criticou o Carlos Queirós por ter tirado o Paulo Torres... Agora pergunto eu: Quantas vezes fazemos uma substituição e elas saem ao contrário?
Nesse dia (14/5/94), o Benfica fez uma grande exibição. O Sporting tinha uma grande equipa, talvez uma das melhores equipas do Sporting, com Figo e Balakov, por exemplo. Começámos o jogo a perder, por duas vezes, e lembro-me que estava o Rui Costa a aquecer para entrar para o lugar do Kennedy e o Schwartz ia passar para lateral esquerdo, quando chegámos ao intervalo já a ganhar, por 3-2. No início da 2.º parte, fizemos o 4-2 e o 5-2 sentenciou praticamente o jogo. Não deixa de ser curioso, já que me falaram nesse desafio, o facto de passados 19 anos o Carlos Queirós nunca ter falado desse jogo! Já estivemos juntos várias vezes, estive a estagiar um mês em Manchester quando ele lá estava, e nunca falámos nesse jogo...

- Ganhou o melhor!
- Sim! Mas também houve um jogo que perdemos, por 7-1, na época 1986/87. Com todo o respeito que tenho pelo John Mortimore, quer como seu jogador, quer como seu treinador adjunto...

- E o Benfica foi Campeão nesse ano...
- É verdade! Lembro-me que quando chegámos ao Estádio da Luz estavam 300 pessoas à nossa espera. Eu era o treinador-adjunto e quando saí do autocarro, disseram-me: 'Vai-te embora! És o cancro do Benfica!'

- Como adepto confesso a estabilidade, como encarou a renovação do contrato com Jorge Jesus?
- Esta situação que o Benfica viveu este ano é uma situação com alguma crueldade. Estivemos dentro de uma época que se perfilava ser uma época de sonho e, de repente, as coisas viraram-se. Mas isto é como na vida, e só há uma coisa a fazer, que é inverter isso.

- Foi uma época em que estivemos nas decisões em várias frentes...
- É verdade, mas discordo de Jorge Jesus quando disse que tomara que para o ano o Benfica repita esta época. Razão tem o nosso presidente, quando disse, no jantar com os deputados, na Catedral, que vamos repetir a época, mas com um final diferente!

- Acha que foi uma aposta de risco?
- Acho que o Jorge Jesus é uma aposta do presidente, Luís Filipe Vieira, que não reagiu com adepto. Se calhar, muitos adeptos aquilo que queriam era o Jorge Jesus fora do Benfica, mas há que sustentar esta decisão em factores que foram todos postos na balança! O presidente sabe os riscos que está a correr, mas a vida é um risco! E o próprio Jorge Jesus sabe hoje, também, o quão difícil é, sendo o treinador do seu presidente, a confiança que lhe transmite.

- O Benfica praticou bom futebol...
- Jorge Jesus teve momentos de grande fulgor, em que o melhor futebol que vi, nos últimos anos, foi com o Benfica de Jesus, com jogadores de grande qualidade!

- Na final de Amesterdão, jogámos bem!
- Sem dúvida! Vem aí a nova época e há uma mensagem que tem de ser passada a todos os adeptos do Sport Lisboa e Benfica e que é muito simples. Temos que estar todos à volta e todos envolvidos no mesmo barco! Não é normal, na história do Clube, aguentar-se um treinador com um desfecho deste! E, portanto, maior responsabilidade para quem tomou esta decisão, para Jorge jesus e para os jogadores! Os jogadores têm de saber que o final não pode ser igual a tudo isto com a meta à vista!"

Entrevista de António Pragal Colaço e Pedro Guerra, a Toni, in O Benfica

A maldição do Colombino

"O troféu, organizado pelo Recreativo desde 1965 e disputado em Huelva, é um dos mais prestigiados dos «veraniegos» espanhóis. O Benfica esteve presente em três finais, mas nunca trouxe a taça para a Luz.

HUELVA é uma pequena cidade da Andaluzia, com cerca de 150 mil habitantes. É de Huelva o Recreativo, o mais antigo clube de Futebol de Espanha, fundado em 1889.
Em Huelva, sob o patrocínio do histórico Recreativo, disputa-se o Troféu Colombino.
É curioso: os grandes «veraniegos», torneios internacionais disputados em Espanha na época do Verão, têm como sede, na generalidade, cidades periféricas. Pois bem, em Huelva, o Troféu Colombino, um dos mais prestigiados do Futebol internacional, teve início em 1965. Em 1966, o primeiro convidado português, o Belenenses, não foi além do quarto e último lugar de uma competição disputada por quatro clubes, com meias-finais, jogo para o terceiro e quarto posto e Final.
Foi preciso esperar pelo ano de 1973 para que o Benfica surgisse em Huelva. Participantes, além dos 'encarnados' , o Atlético de Madrid, o Derby County e o Dínamo de Tibilissi. Coube-lhes defrontar, no primeiro jogo, os ingleses do Derby County, que tinham como grande estrela o escocês, Archie Gemmil, que viria mais tarde a ser um dos esteios do grande Nottingham Forest. A vitória do Benfica acabaria por ser mais tranquila do que o resultado o faz crer: 2-1. Com Jaime Graça, Vítor Martins e Toni no meio-campo e Nené, Moinhos e Vítor Baptista no ataque, cedo ganhou vantagem com um golo de Vítor Baptista, aos 19 minutos. E o domínio dos portugueses alicerçar-se-ia em novo golo, igualmente de Vítor Baptista, aos 64 minutos, garantindo a presença na Final que nem o pontapé certeiro de McGovern, aos 82 minutos, foi capaz de pôr em causa.
O Dínamo de Tibilissi, da então União Soviética, libertava-se do Atlético de Madrid no desempate de grandes penalidades depois de um jogo sem golos.
Ainda um desconhecido no Futebol europeu - teria de esperar oito anos para vencer a extinta Taça das Taças - o Dínamo de Tibilissi impôs-se surpreendentemente na Final. Uma entrada de rompante valeu-lhes dois golos, aos 5 e aos 21 minutos, por Kiniani e Gyzaev. Vítor Baptista iria reduzir cinco minutos antes do intervalo, mas de pouco serviu. Uma segunda parte de equilíbrio testemunhou apenas mais um golo, Gyzaev, aos 89 minutos. Os homens da Geórgia levaram a caravela de prata - a taça para o vencedor - para Tibilissi. Voltariam depois a Huelva, mas sem sucesso. O Benfica regressou em 1987.

Mais duas finais perdidas
E regressou para chegar de novo à Final. Eliminando no primeiro jogo o Espanhol de Barcelona, por 2-1, golos de Nunes (22 minutos) e Diamantino (88 minutos) contra um de Pichi Alonso (58 minutos). No outro jogo, a equipa da casa, o Recreativo de Huelva, despachava o Bétis de Sevilha, por 1-0.
Mais uma vez, o Benfica sairia derrotado da Final. Nem Bento, nem Veloso, nem Diamantino nem Chiquinho Carlos e Wando, foram capazes de contrariar a raça do Recreativo. Marquez deu vantagem ao Huelva logo no primeiro minutos, respondendo Rui Águas, aos 44'. Tudo em aberto para uma segunda parte que ficou definida através de um penálti apontado por Luzardo, aos 71 minutos. Ainda não era desta que o Benfica juntava o seu nome a alguns dos históricos do Futebol mundial que conquistaram o Colombino: São Paulo, Real Madrid, Ujpest, Feyenoord, Vasco da Gama, Flamengo, Nottingham Forest...
Em 1992, o Benfica estava de novo em Huelva. E o torneio tinha novidades: além do Benfica e do Recreativo, estavam presentes as selecções do Uruguai e do Chile. E se, na meia-final, o Benfica foi capaz de bater os uruguaios, por 1-0, na Final viu-se derrotado pelo Chile: 0-2. Já era um Benfica diferente, com Neno, Hélder, Schwartz, Isaías, Rui Águas, Kulkov, Yuran, João Pinto... Um Benfica com jogadores de grande categoria mas que, mais uma vez, falhara a conquista de um dos mais famosos «veraniegos». Seria feliz noutras paragens de Espanha.
O Troféu Colombino teimou sempre em fugir da Luz..."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Esperança e ilusão...

O arranque traz sempre a esperança e a ilusão de um futuro mais risonho, este ano, não é diferente... é um arranque a meio-gás, já que são vários os jogadores que vão chegar mais tarde, devido aos compromissos das Selecções. Ainda existe algumas indefinições no plantel - tanto nas entradas, como nas saídas -, algo infelizmente normal, mesmo assim comparando com outros, principalmente em relação às contratações, fizemos um bom trabalho de antecipação. A aposta no mercado Sérvio - com passagem pela Holanda!!! -, é arriscada, mas tem tudo para correr bem. Mas certezas, só quando a bola começar a rolar... Mantenho a convicção, que mais do que supostas entradas, a manutenção do Garay e do Matic - e do Cardozo - é fundamental!!! Além do tal defesa-esquerdo!!!
Em tempos de vacas magras, o sucesso desta nova Benfica TV, também será fundamental para o nosso futuro a médio prazo...

Onde pára Rui Mendes?

"Nos tempos sinistros do Apito Dourado as classificações dos árbitros eram, época após época, teimosamente marteladas ao sabor das conveniências do presidente dos ditos e do presidente de um clube que é há mais de trinta anos o clube-do-sistema-corrupto. Nesses tempos obscuros, nunca se ouviu a voz de um árbitro erguer-se no meio do nojo para exigir o fim de tamanha porcaria. Perdão. Ouviu-se a voz de Rui Mendes. E ele dizia a verdade. Se fizermos um esforço muito grande de memória, em que episódios do Apito Dourado se ouviu falar do famoso Senhor de Cócoras, agora firmemente agarrado ao cargo? Só mesmo no episódio da Escuta em que, mendigando bilhetes para um jogo, pudemos saber que o Madaleno só estaria disposto a encaixá-lo num daqueles camarotes pejados de juízes conselheiros de pacotilha se ele se pusesse efectivamente... de cócoras. De resto, o silêncio. O dele e de outros árbitros famosos e impolutos que se entretêm hoje em dia a escrever colunas de jornais criticando os erros que no seu tempo cometeram.
Pior ainda, tanto o Senhor de Cócoras como alguns desses ilustres e iletrados colunistas estiveram presentes em tribunal para aos costumes dizerem nada, contribuindo eles também, e de forma directa e indelével, para que tudo viesse a continuar na mesma porcaria de sempre. Com uma diferença: agora mandam. Ou melhor, fingem que mandam. Ou recebem como quem manda, obedecendo, obedecendo sempre e vergando a cerviz a quem os manda ficar de cócoras. No tempo sinistro do Apito Dourado onde andava esta gente?
Certamente a limpar o pó das cadeiras nas quais haveriam de se sentar. E sem nojo..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Modalidades

"1. Perdemos a Final do Campeonato de Futsal. O Sporting, a melhor equipa ao longo da época, foi um justo vencedor e fez a festa. Terminada a época das várias modalidades, verifica-se que o Benfica ganhou três (Atletismo, Basquetebol e Voleibol), o FC Porto duas (Andebol e Hóquei) e o Sporting uma (Futsal). E nas três que não ganhou o Benfica foi segundo (o Sporting foi 2.º no Atletismo e o FC Porto não pratica nenhuma das restantes). Ainda há dúvidas quanto ao melhor Clube das modalidades?

2. Já lá vão duas semanas mas é sempre altura de se falar no assunto. A Assembleia Geral para a aprovação do orçamento do Clube para a próxima época não voltou a correr bem, por culpa de um grupo de jovens adeptos de uma claque. Felizmente, o grupo não era numeroso e não conseguiu o número de votos suficientes para impedir a aprovação do ponto único da ordem de trabalhos. Mas, depois, teve mau perder e, face ao barulho que fez, obrigou mesmo a que fosse colocado um ponto final na Assembleia.
Não, nunca fui, a favor de unanimismos e lamento mesmo que tenham deixado de ir às assembleias aqueles sócios mais preparados e que colocavam questões técnicas à Direcção, as quais ajudavam a perceber as contas, para além da visão (sempre optimista) apresentada pelos responsáveis.
Seria querer demasiado reunir numa só pessoa as virtudes de Borges Coutinho e de Luís Filipe Vieira que, já o disse mais que uma vez, considero o melhor presidente do Clube desde Joaquim Bogalho, há mais de 50 anos. Infelizmente, salvo o primeiro consócio que falou nessa Assembleia, só ouvimos sócios 'ressaibiados', que pouco ou nada acrescentaram à discussão. Admito que as claques (nomeadamente os No Name Boys), que continuo a louvar pelo incansável apoio que são às nossas equipas mas critico pelo seu comportamento, possam ter alguma razão de queixa. Mas discutam isso no interior do Clube e não esqueçam os interesses do Benfica, que estão acima de quaisquer mal entendidos que possa haver entre a claque e os principais responsáveis do Clube.

3. O antigo árbitro, Martins dos Santos, envolvido no processo Apito Dourado, foi novamente condenado por factos ocorridos em 2011. Recorde-se que o referido árbitro, que nunca foi internacional, foi quem dirigiu o jogo FC Porto-Barcelona, de inauguração do Estádio do Dragão, em 2003. Uma prenda como recompensa pelos bons serviços prestados, certamente..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Um ano de Ecletismo

"Apesar de ter terminado com uma derrota (no Futsal), a temporada das modalidades benfiquistas terá de se considerar, uma vez mais, amplamente positiva.
Começámos com a inédita conquista de 5 Supertaças, todas as relativas às modalidades de pavilhão. Acrescentámos-lhes dois troféus oficiais de Basquetebol (António Pratas e Hugo dos Santos). Terminámos com a conquista dos títulos nacionais de Basquetebol, Voleibol e Atletismo, e com um improvável, saborosíssimo, e também inédito, título europeu de Hóquei. Em Futsal e Andebol fomos vice-campeões. 
Feito o balanço, em número total de troféus ultrapassámos o já imponente pecúlio do ano anterior. Em termos de Campeonatos Nacionais obtivemos menos um (numa matemática simplista, Futsal pelo Voleibol, menos o Hóquei), mas “trocámo-lo” por uma importante Liga Europeia. Ou seja, se 2011-12 havia sido uma época histórica para o eclectismo encarnado, 2012-13 não lhe ficou atrás. Bem pelo contrário.
Na última meia-dúzia de anos o Benfica ganhou quase tudo o que havia para ganhar, em praticamente todas as principais modalidades em que participa. Foi Campeão Europeu em duas delas (Futsal e Hóquei), chegou a finais europeias noutras tantas (Andebol e Futebol). Foi Campeão Nacional em todas. Conquistou Taças e Supertaças. Trouxe adeptos aos pavilhões. Deu audiências televisivas.
Os tempos que se avizinham não são fáceis. A crise económica sente-se a todos os níveis, e o desinvestimento em algumas modalidades torna-se imperioso para salvaguardar o futuro das mesmas, e manter o Clube na rota que o fez sair do buraco em que se encontrava mergulhado há pouco mais de uma década. Não seremos os únicos a fazê-lo: FC Portos, Sportingues, e, sobretudo, Ovarenses, Oliveirenses, ABC’s ou Espinhos, terão igualmente de reduzir custos.
Talvez seja difícil repetirmos, no imediato, glórias internacionais como a do Atlântico, em 2010, ou a do Dragão, em 2013. Mas, por cá, certamente continuaremos a jogar e a vencer. Com menos meios, mas com a mesma Mística."

Luís Fialho, in O Benfica