Últimas indefectivações

sábado, 7 de novembro de 2026

Mais um capítulo da história de amor do Benfica com a Liga Europa, mais um tomo da época extraordinária de Prestianni


"O Benfica continua a voar na Liga Europa e são quatro as vitórias em quatro jogos na competição. A última vítima foi o Lech Poznan (3-1), num encontro longe de perfeito das águias mas em que Prestianni saltou do banco para dar tranquilidade aos encarnados. Entrou e marcou

Quando ele recebe a bola na esquerda com espaço para galgar é um sobressalto. O que irá fazer Gianluca Prestianni? Vai olhar para o ângulo mais afastado da baliza, fazer as contas e encontrar aquela interseção doce entre a barra e o poste? Vai encarar o adversário e obrigá-lo a procurar os seus rins? Ninguém sabe. Frente ao Lech Poznan, o argentino tentou uma das opções primeiro. Saiu-lhe ao lado. À segunda não falhou. A confiança é tal que naquele primeiro falhanço já se adivinhava que a seguir viria o golo.
O Benfica mantém-se 100% eficaz numa Liga Europa onde, por vezes, parece algo descontextualizado. É possível que o futebol que a equipa de Marco Silva vai apresentando fosse digno de outras paragens mais milionárias. Mesmo quando nem tudo é fluído e perfeito, como aconteceu frente ao bicampeão polaco, os encarnados dão ares de jogarem a outra velocidade, mesmo sem muitos dos habituais titulares.
Prestianni nem foi titular na Luz, a Schjelderup e Echeverri foi dada a secretaria de estado da criatividade desde o início e a entrada do argentino enviava uma mensagem clara: o Benfica estava a ganhar, mas Marco Silva queria robustecer o resultado, evitar surpresas. Prestianni precisou de muito pouco para descansar o treinador, mesmo que o Lech até tenha voltado à discussão do jogo depois de um erro individual de Enzo Barrenechea.
Sem necessitar muito para ser superior durante a 1ª parte, o Benfica entrou praticamente a marcar, aproveitando as já conhecidas carências defensivas do adversário. Mérito para a bola surrupiada por Manu Silva a meio-campo, palmas para o passe longo de Tomás Araújo a lançar Schjelderup nas costas da defesa do Lech Poznan. Após uma série de ressaltos que se seguiram ao cruzamento do norueguês, um pé mais afoito de Rafa colocou a bola na baliza de Mateusz Lis.
Parecia o mote para uma noite descansada. A bola chegava com facilidade à área, as linhas de passe surgiam fertilmente, as desmarcações eram naturais. As dinâmicas encarnadas já entranhadas nos músculos dos jogadores. Mas as oportunidades eram matéria escassa, estranhamente ausentes. O Benfica balançava permitindo pouco ou nada aos polacos, evitando as ligações para os jogadores mais perigosos do Lech.
O controlo do Benfica ficaria um nada mais desbotado já no final da 1ª parte, permitindo ao Lech quase igualar os números da posse de bola. Talvez por isso, houve mais energia no regresso dos balneários: as ligações Schjelderup-Echeverri eram belas de ver, a um, dois toques, mesmo no final do primeiro tempo quase já tinham dado golo para o Benfica.
Seria mais desvairado taticamente o jogo na 2ª parte, sempre a ameaçar partir-se. O Benfica tanto criava perigo (Rafa e Banjaqui assustaram) como perdia bolas bobas. Marco Silva, sentindo a quebra, refrescou. E Prestianni foi lá para dentro, porque entre o que se preserva e o que se quebra, podia haver sempre um espacinho para o argentino escrever mais um capítulo de uma época que está a ser, a todos os níveis, extraordinária.
Pouco depois de Trubin ter respondido com uma grande defesa a uma perda de bola que culminou num perigoso cabeceamento de Patrik Walemark, Prestianni encarou o português Joel Pereira, foi para a direita, depois para a esquerda, deixou o lateral pregado ao chão antes de fazer o que seria o 2-0.
O Benfica não agradeceria condignamente, porém, ao seu jogador estrela desta época. Não lhe deu o descanso merecido, a tranquilidade de quem chega, faz o seu trabalho e repousa. Depois do golo do argentino, o Lech foi crescendo e aos 72’, reduziu, com Enzo Barrenechea, de regresso à competição dois meses depois, a não ver Leo Bengtsson pelo espelho retrovisor. Um erro garrafal que tornou o jogo ainda mais caótico.
Só nos últimos minutos o Benfica conseguiria voltar a afirmar-se, Lis negou o golo a Jhon Duran, numa jogada em que todos os espaços se abriram depois de um calcanhar de Prestianni, who else. O descanso chegou já perto dos 90’, com Sudakov a vestir um pouco a pele do número 25: apareceu solto na esquerda e rematou rasteiro e cruzado por entre as pernas de um adversário, fazendo o 3-1.
Com 12 pontos em quatro jogos, dificilmente o Benfica não vai agarrar um dos lugares de qualificação direta na Liga Europa. Prestianni continua num nível à parte. E o Benfica também parece à parte na segunda competição da UEFA."

Sem comentários:

Enviar um comentário

A opinião de um glorioso indefectível é sempre muito bem vinda.
Junte a sua voz à nossa. Pelo Benfica! Sempre!