"Não fosse aquela triste noite,
com um estádio vazio e um
empate inesperado diante do
Académico de Viseu, o início de
época do Benfica estaria a ser,
até agora, perfeito.
Temos visto vitórias, bom futebol e golos, muitos golos – e
somos já, destacadamente, o
melhor ataque do Campeonato.
Temos assistido também à
plena afirmação de um prodígio,
cujo talento nunca enganou, e
cuja maturidade entretanto
alcançada o torna, neste
momento, o melhor jogador a
actuar em Portugal. Falo naturalmente de Gianluca Prestianni, e lembro-me daquilo que um
dia Maradona disse de Aimar:
vale a pena pagar o bilhete só
para o ver a ele.
vale a pena pagar o bilhete só
para o ver a ele.
Mas a procissão ainda vai no
adro. Falta a este Benfica mostrar a solidez necessária para
ultrapassar, com êxito, adversários que coloquem outro tipo de
dificuldades – designadamente
no plano defensivo. O jogo com o
FC Porto, no Estádio do Dragão,
pode ser esse momento de afirmação competitiva, capaz de
acrescentar confiança aos jogadores e aos adeptos e de mostrar que este Benfica é mesmo
aquilo que parece. Estamos a
dois pontos de distância, e vencendo assumimos a liderança
isolada da prova. Mas é muito
importante, sobretudo, não perder. Não convém nada ficarmos,
desde tão cedo, a depender de
terceiros para alcançar o 1.º
lugar – o que, sob o ponto de
vista psicológico, poderia ser
perturbador. O Campeonato é
longo e todas as jornadas contam, mas, perante o desequilíbrio crescente das principais
equipas face às demais, os confrontos directos são preponderantes. Os últimos dois títulos
do Benfica foram alicerçados,
numa larga medida, em vitórias
no Dragão – curiosamente,
ambas com golos de Rafa. Seja
Rafa ou outro a marcar, queremos ganhar no Porto e assumir
a liderança do Campeonato. Se
tal não for possível, que pelo
menos atravessemos esta jornada sem danos."
Luís Fialho, in O Benfica

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