Últimas indefectivações

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Vermelhão: Champions...

Benfica 0 - 2 Bayern Munique


Já estou vacinado para estes jogos! Os Quartos-de-final de 2012 com o Chelsea, são na minha opinião a 'viragem'...!!! Antes de 2012, tivemos alguns jogos da Champions, na Luz, onde perdemos, outros em que fomos dominados, mas na grande maioria, mesmo quando defrontávamos as 'grandes' equipas europeias, o Benfica na Luz, no mínimo, 'dividia' o jogo!!! Às vezes corria bem, outras corria mal... A excepção no pré-2012, terá sido o Barcelona de 2006... onde apesar do 0-0, tivemos muita 'sorte'!!!
Agora, no pós-2012, quando defrontámos uma das equipas do 'pelotão' da frente da UEFA, raramente disputámos verdadeiramente a partida, tal a diferença de potencial dos plantéis... mesmo quando os jogos são na Luz: a excepção terá sido o Atlético de Madrid em 2015, onde até perdemos 1-2, mas dividimos o jogo (sendo que o 'estilo' de jogo do Simeone 'ajudou'!!!); mesmo no 2-2 com o Bayern em 2016 ou até na vitória sobre o Dortmund em 2017 os nossos adversários foram muito mais fortes, e só alguma 'sorte', muito coração... e a nossa competência defensiva (especialmente com o Bayern) nos permitiu estar 'dentro' do resultado...
Já escrevi várias vezes sobre este assunto: se não houver uma alteração radical, no formato das competições europeias, o fosso entre equipas como o Benfica, e o tal 'pelotão' da frente, com os super-milionários, será cada vez maior...
E os jogos serão cada vez mais desinteressantes: ainda hoje, não acredito que os 'turistas' que foram à Luz, tenham apreciado um jogo, que percebia-se à 'distância' que mais golo, ou menos golo, estava decidido antes de começar!!!
Neste momento temos: Bayern, Real, Barça, Atlético, Juve, Man City, Liverpool, PSG e até o Man United do Mourinho num nível muito diferente... acrescento o Chelsea que está na Liga Europa, e temos o tal 'pelotão' da frente! Poderá haver uma outra surpresa, como hoje aconteceu com a derrota do City em casa, com o Lyon... podemos ter um Mónaco ou uma Roma nas Meias-finais, mas será sempre a excepção!!!
Este 'pelotão' não está fechado... O Liverpool neste momento está a 'reentrar'!!! Com um treinador que faz a diferença, e com um grande investimento (pago essencialmente com o Coutinho!), provou que é possível entrar neste 'clube' restrito, mas para uma equipa fora dos grandes mercados, é praticamente impossível...

Em relação ao jogo, tudo correu bem para o Bayern, marcou na primeira oportunidade; o Benfica demonstrou demasiado respeito (ao contrário daquilo que o treinador tinha pedido na véspera); notou-se claramente a diferença na capacidade física, perdemos praticamente todos os duelos físicos (as excepções foram o Jardel o Rúben e o Fejsa...); e mesmo neste início de época a diferença de 'ritmos' já é evidente: enquanto nós jogamos com os Rio Aves desta vida, com arbitragens nojentas, que por exemplo, dão Amarelos ao Alfa no último jogo; o Bayern mesmo dominando na Alemanha, é obrigado a jogar num ritmo completamente diferente, com outra intensidade, jornada após jornada... E isso nota-se nestes confrontos!

Tacticamente não houve surpresas, tentámos controlar o meio-campo do Bayern, mas acabámos por sofrer dois golos praticamente iguais, em dois contra-ataques (a 'simpatia' dos nossos jogadores em não fazer falta no início das jogadas, saiu cara...!!!)... E as outras oportunidades do Bayern, foram quase todas, com jogadas 'iguais'!!!

Na frente, com as nossas linhas mais recuadas do que é habitual, o Seferovic ficou muito sozinho, e como 'segurar' a bola de costas, não é a sua especialidade, acabámos por dar a bola ao adversário demasiadas vezes...

É fácil fazer a critica, mas a dupla substituição é com exemplo de como a manta era curta: com a entrada do Gabriel, mudámos para o 442 com o Gedson a jogar ao lado do Seferovic... e com isso, demos mais espaço ao Bayern no meio-campo... o que obrigou o treinador a 'rectificar' com a entrada do Zivko!!!

De tudo isto, retirei um ponto positivo: o Gabriel. Entrou bem... e demonstrou ter características diferentes dos nossos outros médios: a começar pelo caparro (muito necessário) e pelo remate em potência... Não tem velocidade, mas mesmo assim vai ser muito útil...
Elogio merecido também para o Grimaldo, que no um para um, ganhou quase sempre ao Robben...!!! Nada fácil... O próprio Robben acabou por 'desviar-se' com as diagonais para o meio, porque viu que não passava pelo Grimaldo!!!
Jogo ingrato para o Odysseas, que sem qualquer hipóteses nos golos, fez algumas excelentes 'manchas' com jogadores isolados, sem fazer praticamente nenhuma defesa entre os postes!!!

Gostaria, mas não posso deixar de fazer do apitadeiro espanhol! Mais uma vez um espanhol na estreia da Champions, como o ano passado... e mais uma vez, uma dualidade de critérios assustadora!!! Não vi os resumos, por isso não me vou alongar... mas curiosamente recordo-me bem do Benfica - Nápoles, onde fomos inferiores e perdemos, mas com mais uma arbitragem vergonhosa...

Sobre o a puta Colombiana, podemos dizer: pode mudar de camisola, mas não deixa de ser só mais um porquito mal educado... que até obrigou o seu treinador a pedir desculpa pelo seu comportamento!!!

Como eu previ no dia do sorteio, o calendário foi o pior que nos podia calhar: o jogo de Atenas, passou a ser uma Final... Ir para Amesterdão, com 0 ou 1 ponto, será péssimo... Só a vitória interessa. Até porque o Ajax na última jornada, em casa, irá jogar muito provavelmente com um Bayern já qualificado!

Domingo, a história será outra... Muitas pessoas comparam a diferença entre o Benfica e o Bayern, com a diferença entre o Benfica e os Aves desta vida...! Mas existem diferenças: a principal é a 'cultura' dos jogadores: enquanto no próximo Domingo os jogadores do Aves, vão dar porrada a tudo o que mexe, vão travar todas as nossas transições rápidas em falta, repetidamente, tudo com a complacência do apitadeiro, seja ele qual for... O Benfica, que faz 90% dos jogos numa época, na condição de claro favorito, quando joga claramente como 'não favorito' não tem a tal cultura de fazer as 'faltas feias', mas necessárias... e como se viu hoje, nem o arbitro iria permitir esse estilo de jogo! Mas no Domingo, será exactamente isso que vai acontecer...!!!

Promessas...


Benfica 3 - 0 Bayern Munique


Fortes demais... Vitória clara, que ainda ficou a dever mais alguns golos!
Temos provavelmente a melhor equipa de sempre nesta competição... Mesmo com boas equipas em épocas anteriores, nunca tivemos tantas opções, para todos os lugares...!!!
O Ajax será muito provavelmente o nosso grande adversário neste grupo, mas estou bastante confiante...

Alvorada... do Gonçalves

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Leonor & José Nuno... mais um café!

Cronologia dos crimes


Obrigado ao MrKadafi pelo trabalho de compilação de toda esta informação, que foi ajudado por muitos Benfiquistas no Ser Benfiquista. Ainda faltam alguns pormenores, mas já dá para ter uma imagem do que se passou...
Por exemplo, após a entrada da providência cautelar, vários apareceram vários 'sítios' online, ligados aos Corruptos e aos Lagartos, onde foram despejados vários e-mails... e onde foram ampliadas as narrativas mentirosas transmitidas na televisão! Usaram mesmo um sítio' porno, para aumentar o tráfego!!!

Benfiquismo (CMLIV)

É possível...

105x68... pré-Champions...

Fantomas, o Coxo Rei dos Ringues

"Alemão era alto e loiro. Mas tinha um problema que eram dois: não sabia lutar e tinha uma perna mais fina do que a outra

Há dois ou três dias, ao entrar no carro, encontrei uma louva-a-deus pousada no capô. Pensei que mais valia uma louva-a-deus do que uma pomba. Ou uma gaivota, cujo guano costuma ser decapante. E pensei que ainda bem que as vacas não têm o mau hábito de voar, embora tenha havido um avançado-centro da Académica e do Sporting a quem chamavam A Vaca e voava como o Jardel sobre os centrais. Luís Fernando Veríssimo afirma cientificamente que um ser humano vislumbra uma louva-a-deus de sete em sete anos em média. Sinto que estou em falta com a ciência e com as louva-a-deus. A última que vi foi na televisão: um combate de luta livre. Daqueles que valem pelas máscaras e pela aldrabice. E que, lá pelas primeiras décadas do século passado, serviam para que verdadeiros pugilistas fossem aforrando mais uns tostões para a hora em que as cartilagens e os tendões dessem definitivamente de si. 
Em 1979 não garanto que tenha observado alguma louva-a-deus, mas recordo-me de uma tarde de calor senegalês em Vila Nova de Foz Côa ter, a meias com o meu velho companheiro José Manuel Mesquita, amarrado um exemplar desses insectos ao cabo de uma esferográfica e ficarmos a ver a facilidade de açougueiro com que retalhava as moscas que lhe púnhamos à frente. A experiência foi fascinante. E tão científica como a afirmação de Veríssimo.
Em 1979, no Brasil, a TV Bandeirantes inaugurou um programa chamado Astros do Ringue. Era um ver se te avias: por lá passou gente tão diversa como Ted Boy Marino - o inventor da tesoura de costas -, Tigre Paraguaio, Rasputin, Caipira Dom Afonso, ou Cavaleiro Vermelho. Na apresentação, três astros da luta: Homem Montanha, Gran Caruso e Cangaceiro. Por cá também tivemos um Homem Montanha, o formidável Santa Camarão, de Ovar, que no seu tempo de fragateiro em Lisboa fazia correr pelas ruas de Alfama uma quadra motivada pela paixão:
«Santa Camarão
Foi do boxe campeão
Por ter os pés delicados
Também a Ilda Fernandes
Por ter umas mamas grandes
Foi rainha dos mercados».
Mas eu queria era falar do Fantomas. Não o Fantomas sociopata e sem escrúpulos dos assassinatos macabros dos livros de Marcel Allain e Pierre Souvestre, mas O Justiceiro Mascarado, o Rei Coxo dos Ringues. Isto assim dito parece um bocado como os livros aos quadradinhos de cowboys: «Entre os mortos havia um que respirava - Texas Jack!». Vendo bem, é mesmo muito como os livros aos quadradinhos de cowboys, só que mete O Louva-a-Deus (a Fúria Verde), o inimitável El Condor, o brutal Vulto Negro e a inesquecível Múmia.
Foram os emigrantes italianos e alemães que levaram para o Brasil tanto o boxe como a luta livre. Garantem os especialistas que o primeiro combate se disputou em São Paulo entre um francês que fazia parte de uma companhia de Ópera em digressão pela cidade e Luís Sucupira, o Apolo Brasileiro. Meteu tudo: socos e pontapés e até uma ou outra dentada. O público delirou.
Fantomas, o Justiceiro Mascarado, começou por ser apenas alemão. Inconfundivelmente alemão: alto, loiro, espadaúdo, poderia ter feito parte da guarda de honra do kaiser Guilherme II, lá da Prússia, não se desse o caso de no tempo do kaiser estar pelo Brasil. E com uma vontade indomável de se tornar lutador. O problema de Alemão, como todos o conheciam, eram dois: não sabia lutar e era coxo. Tinha uma perna mais fina do que a outra, sequela de uma poliomielite que lhe marcou a adolescência. Seria o empresário Chico Sangiovanni a resolver o tal problema que eram dois.
Como, no início, os lutadores subiam ao ringue praticamente despidos, geralmente só com certos pormenores anatómicos escondidos por pedacinhos minúsculos de pano barato, era complicado exibir o Alemão em toda a sua exuberância de manquitó. Convenhamos: esteticamente entrava já derrotado.
Para Chico Sangiovanni o assunto nem chegou a ser assunto: inventou Fantomas, O Justiceiro. Vestiu o alemão com uma roupa preta, desenhou-lhe uma máscara e criou um reforço mecânico para a perna bamba que disfarçava o aleijão e a impedia de dobrar. Como não sabia lutar, Fantomas limitava-se a ser inteiriço, ali em pé, sujeito à melhor ou pior disposição dos adversários. Basicamente, só apanhava.
Alemão só participou num combate: preso naquela espécie de armadura, viu-se espancado sem dó nem piedade e não achou grande graça à coisa. No dia seguinte anunciou a retirada para desgosto de Chico. Afinal a simples presença em palco de Fantomas tinha provocado a maior das excitações na plateia. Não teve outro remédio se não arranjar um novo Justiceiro Mascarado. Escolheu o argentino Vicente Pometti, El Toro. E inventou-lhe um inimigo: um tipo enorme chamado Arnaldo, vestido com uma farda de polícia. Nenhum deles teve o charme inconfundível de Alemão, o Rei dos Mancos."

Tenham respeito, senhoras e senhores! Tenham respeito

"Não há ninguém que chegue tão perto de Messi e Ronaldo como ele chega.

Vamos lá a isto de forma directa e clara: Neymar é o maior desequilibrador do futebol Mundial (Hazard não anda longe) e é o jogador que mais perto chega do nível de Messi e Ronaldo. Não dizendo que é absurda – ups, já está dito –, digo apenas que é bizarra a desvalorização que Neymar tem sofrido nos últimos meses. Parece que a malta do futebol já se esqueceu do que vale o jogador brasileiro em várias cambiantes.
Os exageros teatrais de Neymar, quando tenta sacar faltas, têm criado no brasileiro uma profunda desvalorização. É justo que condenemos as simulações deste craque, mas não é justo que nos esqueçamos do que ele vale. E reforço: não há ninguém que chegue tão perto de Messi e Ronaldo como ele chega.
Por dois grandes motivos:

O melhor do Mundo nisto
No primeiro motivo, a parte evidente: nenhum jogador tem o um contra um de Neymar. Sim, ele exagera. Mas caramba: que desequilibrador nato não o faz? Se não exagerar, estará a fazer alguma coisa mal. "O Neymar gosta é de cuecas e cabritos". E quem não gosta? Provavelmente, quem não gosta de bola. Ronaldinho, que era este tipo de jogador, é idolatrado (e bem). Neymar, por outro lado, é odiado. Neymar não segue o guião e fazem falta mais jogadores que não sigam o guião.
Para além da qualidade na recepção de bola - melhor do Mundo? - e no último passe, o brasileiro consegue, em drible, tudo e mais alguma coisa: sair para fora, vir para dentro, driblar em velocidade, driblar depois de receber de costas para a baliza, driblar com arranque parado. O repertório técnico do internacional brasileiro é inacreditável e é ele – e mais uns poucos – que nos faz, ao ver a bola, esperar as tais coisas fora do guião.
Os jogadores de corredor são, actualmente, na grande maioria, de três tipos: jogadores de explosão no espaço – Mbappé à cabeça –, jogadores de movimentos interiores e associação colectiva com os apoios dos jogadores das zonas centrais – Bernardo é um bom exemplo – ou jogadores que partem do corredor para fazer a diferença em zonas de finalização – Salah, és tu.
Artistas como Neymar estão em extinção e é tão fácil fazê-lo funcionar… basta o ponta de lança “prender” o central do lado direito – impedindo-o de ir fazer dobras – e a equipa apostar em isolamentos do brasileiro, arrastando os adversários para o lado contrário do campo. Aí, com Neymar em situações de um contra um e sem dobras por perto, é uma festa.

O melhor do Mundo nisto
Atenção ao segundo motivo: Neymar é, dos desequilibradores actuais, aquele que, provavelmente, mais voluntarismo defensivo tem. É fácil dizer, olhando para o brasileiro em contexto de selecção, que “esse Neymar é uma vedeta que só quer fazer coisas de brinca na areia”. É muito fácil dizer isto, mas é, também, profundamente injusto. Vão aos arquivos ver quem era o Neymar do Barcelona. Esse Neymar – consciente de que Messi era o homem a quem era permitido não defender (e Messi até dos jogadores mais competentes na pressão à saída de bola adversária) – sempre foi um jogador extremamente voluntarioso. Não foram raras as vezes em que pudemos ver Neymar “morder” os adversários e, por vezes, chegar-se a Jordi Alba, para evitar o dois contra um em cima do lateral.
Se isto dito por um mero jornalistazeco poderá ter pouco valor, olhemos para o que já chegou a dizer Diego Simeone, treinador que todos sabemos ser muito exigente do ponto de vista do comprometimento defensivo dos jogadores. “Neymar ou Mbappé? Escolho o Neymar, sem dúvida. Lembro-me do Barcelona de Luis Enrique e nos jogos em que tinha de trabalhar, trabalhava. Mbappé é muito mais individualista. Neymar tem uma posição de jogador de equipa”.
Se Simeone diz, está dito."

«Desafios e rumos para vencer»

"Estou a terminar um espaço de tempo mais disponível para “amolecer” o corpo e cultivar a mente na descoberta de novos horizontes e também colocar alguma leitura já com uns bons tempos numa lista de espera e a ser colocada na ordem do dia.
Li e reli e tenho ainda muito para reflectir num livro escrito por uma pessoa muito especial na minha vida académica, já que está a concluir o seu mestrado em treino desportivo e que muito me honrou ao me convidar para ser seu orientador institucional. Mas o autor do livro “Desafios e Rumos para Vencer”, Dr Gerry Silva, conceituado jurista na advocacia e na pedagogia do desporto, é daquele tipo de alunos que tanto nos ajuda a aprender de forma necessariamente atenta e continuada.
Neste livro o autor levanta algumas questões muito pertinentes e que nos permite redefinir à priori o conceito as bases do conhecimento que, também no Futebol “nasce da dúvida e se alimenta da incerteza” como nos refere de forma repetida e tão eloquente o nosso querido Professor Manuel Sérgio.
Mas, e voltando à reflexão do autor citado, “em toda a teoria também pode haver erro e ilusão”, deixa-nos a abertura para uma reflexão continuadamente abrangente.
Sendo esta publicação objecto de estudo e investigação, apoiado no diálogo, na observação e na experiência, o autor remete-nos de imediato para uma grande questão: o treinador treina como joga? … Jogará como treina?... e de imediato nos apresenta outra reflexão: é possível controlar o acaso e a imprevisibilidade?...
Uma outra nota de particular interesse reflexivo, e que tem passado de forma muito discreta nos comentários, é a relação das tendências evolutivas do jogo de Futebol e a sua relação com o mercado de valores: no futebol em Portugal é inútil o que não é rentável, questionando se será possível dissociar a evolução das tendências do jogo dos modelos económico financeiros que presidem nas estratégias dos clubes?!...
Perfeitamente real esta visão economicista do jogo de Futebol, como espectáculo promotor do mercado publicitário e rentabilidade substituída à lei da eficácia financeira em que muitas vezes o ideal é a prática e o produto é o sujeito que o pratica. Uma nota que associa a este campo reflexivo é a alteração constante dos horários de competição em função dos interesses dos meios de comunicação, isto é, a submissão da regra desportiva perante a regra económica. Daí esta ameaça de assistirmos à consolidação de um verdadeiro império económico e mediático desportivo em que a definição dos modelos de calendário desportivo, o número de competições a realizar, etc, faz-nos remeter a ideia de que os critérios de rentabilidade desportiva estão sempre submetidos à qualificação duma eficácia financeira.
Tudo isto condiciona o treinador na tentativa de ver consolidadas as tendências evolutivas do jogo, subjacentes ao seu modelo de treino, ao seu projecto de jogo, à sua forma específica de planificar o treino, potenciando os recursos humanos e materiais para a obtenção do êxito.
No âmbito da formação de jogadores também nos remete para a importância na criação de talentos, sendo uma luta pela desigualdade de oportunidades conforme os recursos disponíveis, para além da demasiada tecnocracia do ensino do jogo. Para além disso (acrescento), assiste-se nos dias de hoje a uma tipificação de clonagem de jogadores com expectativas elevadas a curto prazo, excessivamente previsíveis a longo prazo, retirando-se ao génio o seu espaço para crescer.
Também ainda se assiste a uma demasiada tipificação do ensino do jogo e que pode entravar a evolução inteligente do jogador, orientando-o para práticas descontextualizadas que uma repetição constante aborrece e constrange.
De muito interesse reflexivo é ainda o estudo para um melhor enquadramento dos quadros competitivos, devendo a iniciação desportiva obedecer ao plano estratégico com a coincidência da iniciação escolar. Nessa perspectiva de aprendizagem global poderia resultar uma antecipada maturidade futebolística com o propósito de prolongar a longevidade profissional, jogando ao mais alto nível. Nesse ponto de vista pedagógico e situacional pela envolvente do enquadramento social e familiar do praticante, a aprendizagem do jogo poderá resultar um maior potencial criativo, estruturalmente solidificado.
Outra temática bem vincada na obra, o autor Dr Jerry Silva, remete-nos para preparação e condução do jogo e à qualificação da observação e análise, conduzindo-nos para uma reflexão que também está gravada no tesouro da minha memória. Refere o Sr José Maria Pedroto e a frase célebre: “diz-me como jogas e te direi como deves treinar”, fazendo-me recordar Abril de 1981 e a uma questão por mim colocada no final dum colóquio, me convidou a visitar a sua sala de aulas Vitória de Guimarães e depois de alguns ensaios de observação e análise do jogo, tendo presente diversos parâmetros do jogo e sua descodificação e imediata descoberta guiada para a planificação do treino semanal. No final dum dia, abeirou-se de mim e lançou-me uma frase que me varreu a alma e eu jamais poderei esquecer: pr’ó ano vai comigo p’ro Porto!... o restante está também publicado e a história não mente!...
Por intermédio de um treinador sempre adiantado no tempo, a observação e análise do jogo tornou-se em Portugal um instrumento na avaliação e conhecimento do futebol, tendo-se constituído como um dos aspectos mais importantes na maximização do rendimento, na procura dum saber mais sustentado para uma intervenção técnico-pedagógica mais adequada por parte do treinador.
No concernente à elaboração do jogo colectivo, apela para o estudo e desenvolvimento dos seus momentos, com uma reformulação pedagógica de excelente recorte, anotando algumas qualificações evolutivas dos processos de treino, parecendo-me como notável referência e que deveria estar presente em todos os manuais de estudo do Futebol.
A concluir esta temática que seduz e cativa o leitor, anota uma reflexão para a aplicação do modelo de periodização táctica, o qual, segundo o autor, possui uma metodologia diferente das demais periodizações porque o treino é estruturado conforme o modelo de jogo da equipa em presença e em que as qualidades físicas, técnicas, tácticas e mentais, estão sempre dependentes do modelo de jogo adoptado. Esta tendência evolutiva nos conceitos e metodologias do treino, ou forma de organização e estruturação do processo de treino, segundo o seu autor, está directamente relacionado com o modelo de jogo do treinador.
Remete-nos esta questão para o processo da globalização ou o treino como um todo…como desde 1973 o Professor Manuel Sérgio no estudo do homem em movimento integral com o conceito de “periodização antropológica e táctica”, referindo “não há jogos, há pessoas que jogam”, em que ao mesmo tempo que se trabalha a táctica, se deve trabalhar o jogador que concretiza a táctica em campo. Considero por isso a tese do doutoramento de Manuel Sérgio, “para uma epistomologia da motricidade humana” (1986), a primeira grande teorização dos novos princípios para a fundamentação do treino e da competição.
Aproveito a oportunidade para referir o que desde há uns tempos a esta parte tenho explorado “numa nova visão global do treino desportivo”, e porque o método da complexidade exige que tudo esteja em tudo e portanto os aspectos físicos, técnicos, tácticos e psicológicos estejam presentes os objectivos últimos da competição. Tenho procurado evidenciar numa planificação de treino, para além do respeito integral dos princípios biológicos que o regem, assim como as verdadeiras fontes que condicionam a aplicação das cargas, as condições infraestruturais da prática e sua operacionalidade, dossiers individuais dos atletas (passado desportivo, histórias clínicas, rankings de sucesso, etc), uma avaliação geral de competências no sentido de poder equacionar metodologias, comparar evoluções e perspectivar rendimentos futuros. A título de exemplo registe-se uma avaliação de competências psicológicas e mentais (motivação, atenção e concentração, autoconfiança, stress e ansiedade, locus de controle, coesão, formulação de objectivos de conquista, etc) que no decorrer do microciclo semanal deverão ser inseridos na dinâmica do treino por aplicação estruturada e de acordo com a individualidade do atleta.
Por último, uma abordagem pertinente para a necessidade de articular a política desportiva com a escola, no sentido de que o jovem se possa inserir nos clubes com uma base de conhecimentos fundamentais da prática desportiva. Para tanto, também é referida a necessidade da qualificação dos treinadores que deve ultrapassar a vertente unicamente técnica, já que os instrumentos de diagnóstico da prática desportiva não se limitam nem à técnica nem à tecnologia, mas o apelo para a formação integral do indivíduo num crescer harmonioso e devidamente sustentado.
No livro “Desafios e Rumos Para Vencer” o autor associa a qualidade literária à competência dum saber sustentado e por isso reflecte um instrumento fundamental de consulta em especial nos dias que passam e em outros que estão para nascer."

Apertado...

Boa Hora 23 - 26 Benfica
(10-12)

Voltámos a vencer, num jogo que deveria ter sido muito mais fácil... Destaque para o regresso do Xico Pereira à ficha do jogo!
Coincidência ou não, os golos do Boa Hora foram na sua maioria marcados por jogadores com ligação ao Benfica!!!


Sabe quem é? Ele e o Terceiro Anel - Fernando Caiado

"Pegou num terço do dinheiro da festa de despedida e deu-o ao clube; Futebol começou com pés em lástima

1. O futebol começou de trapeira. Muitas meias a mãe viu desaparecer, levadas à sorrelfa pelos cinco filhos - para, com elas, fazerem bolas. Sim, eram cinco os irmãos - e todos eles com o fascínio do futebol no corpo. Chegaram até a fazer um clube a que chamaram Monte de Santana FC. Os jogos faziam-nos quase sempre às escondidas do pai: «...que não nos queria naquele vício, incontrolável!»

2. Quando foi de Leça da Palmeira estudar para o Porto, alojou-se na casa da avó. O campo mais próximo era o do Boavista - e foi ao Bessa que ele foi à procura do seu futuro. O treinador que acolhia rapazotes ao magote, olhou para ele, mediu-o dos pés à cabeça e deu-lhe em resmungo: «Tu não tens pinta de jogador, podes ir embora!» De lágrimas nos olhos, mas seguro da sua fé, suplicou-lhe: «Por favor, deixe-me mostrar-lhe o que eu valho, senhor!» Repelido voltou a ser, mas não largou o estádio - e, quando, contando os candidatos ao teste, o treinador percebeu que lhe faltava um para fazer duas equipas, gritou-lhe, displicente: «Bem, vai lá equipar-te, então!».

3. Precipitou-se em sofreguidão para a cabina, as únicas botas que lá havia para ele eram 41, calçava 38: «Acabei com os pés numa lástima, mas provado». Tornou-se, de pronto, estrela dos juniores do Boavista - a jogar como avançado centro. A Académica desafiou-o para Coimbra, dizendo-lhe que assim poderia tirar o curso que quisesse, o FC Porto e o Sporting também o tentaram - e escolheu continuar no Boavista.

4. Pelo Boavista ainda jogou andebol e hóquei em campo - e, antes sequer de ir para o Benfica, fez do Benfica campeão de hóquei: «Marquei o golo da nossa vitória contra o Ramaldense - e, por causa desse resultado, o Ramaldense perdeu o título».

5. A tropa fê-la em Évora. Treinava-se no Campo Estrela, com a equipa do Lusitano - e depois, ao domingo ia jogar pelo Boavista (nunca deixou que não fosse assim). Não, não recebia ordenado do clube, tinha apenas direito a prémios por vitórias (e nem sempre) - trabalhando, como trabalhava: como desenhador de máquinas de fundição.

6. Duma incrível polivalência, não foi ainda como médio, médio de refinada técnica e arguta visão de jogo que aos 21 anos se tornou internacional, num jogo com a Irlanda, algures por 1946 - foi como interior esquerdo. Mesmo quando, depois, o Boavista caiu na II divisão não deixou de ser chamado à equipa de Portugal - e por essa razão acabaram por dar-lhe um «privilégio» para no Bessa se ir mantendo: 700 escudos por mês (60 escudos era o que então ganhava fiel de armazém).

7. Chegou-se a 1952 - o FC Porto também o desejara em ardor, decidiu-o: «agora é de vez: se não me deixarem ir para o Benfica, nunca mais jogo à bola». Percebeu-se-lhe, firme, a ameaça - e tiveram de fazer-se no Boavista duas acaloradas assembleias gerais que permitiram a transferência a troco de 150 contos (que hoje seriam pouco menos de 58500 euros). Logo se tornou substituto de um ícone: o Francisco Ferreira. (Tinha 27 anos - e foi ainda a tempo de ganhar quatro Taças de dois campeonatos).

8. Tão impressionante era o seu carisma (sobretudo como líder em campo) que Otto Glória e transformou no seu capitão de equipa. O Benfica deu-lhe festa de despedida em Junho de 1957, num jogo com o Boavista e ele teve gesto que tocou no coração dos seus adeptos (e não só...): pegou num terço da receita e ofereceu-a ao clube que andava em angariação de fundos para construção do Terceiro Anel.

9. Após a festa de despedida ainda esteve mais duas épocas em campo (mas já fugaz no jogo...). Mudou de lado e mais história fez: no Benfica foi adjunto de Otto Glória, Bela Guttmann, Fernando Riera, Lajos Czeizer, Elek Schwatz - e sempre que era preciso treinador em emergência era ele que lá ficava (e assim ganhou, pelo Benfica, a Taça de Portugal de 1961/1962).

10. Adjunto de Otto Glória foi também no Mundial de 1966. De lá saltou para treinador do SC Braga. O Sporting foi buscá-lo. Andou depois (por mais duma vez) pelo Boavista e pelo V. Guimarães (onde perdeu a Taça para o Boavista de Pedroto). Levou a CUF à Taça UEFA, passou pelo Espinho, voltou a Braga, pôs o Viseu na I divisão - e regressou ao Benfica, a adjunto de Lajos Baroti e de Sven-Goran Eriksson."

António Simões, in A Bola

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Sport TV, já foste

"A esta hora deviam estar a passar na minha tv os jogos da Liga dos Campeões. Esta noite gostava de ver o Liverpool v Paris SG e dar uns saltos a mais dois ou três. Mas pela primeira vez, na história da Champions League, isso não é possível legalmente em Portugal, exceptuando uns processos onerosos e pouco práticos que os novos detentores dos direitos tentam vender em alternativa. Até os Inácios de recurso estão ainda com dificuldades em suprir a lacuna.
Não sou eu quem vai por em causa a estratégia comercial dos “players”, mas é tempo de os consumidores darem resposta. Por mim, é acabar com as assinaturas actuais, com ofertas claramente abaixo do que subscrevi em devido tempo, mas sem redução da mensalidade, chegando a ocupar horários nobres como as tardes de domingo com repetições, ou seja, um portfólio claramente insuficiente para cinco canais.
Momentos antes de começarem as partidas, vejo um anúncio sobre a oferta da Sport TV, contabilizando 11 Ligas, 7 Taças, 2000 jogos, 55.000 horas de desporto. E, no entanto, um canal está a dar o Sporting-Marítimo de domingo, outro o Watford-Manchester United também em repetição, um jogo da Liga Mundial de Voleibol, Sérvia-Rússia, em directo, o Masters de Padel em directo e uma coisa qualquer de Luta Livre.
Não foi por isto que subscrevi este serviço, até podiam oferecer 100.000 horas, mas tinham de reduzir a metade o preço que continuam a cobrar por uma oferta claramente inferior.
Praticamente tudo o que a Sport TV hoje transmite está disponível em vários sites de streaming. Não faz sentido pagar o que se pode ter gratuitamente, inclusive em casas de apostas legais.
Não sei quais são as razões para as plataformas de distribuição nacional não chegarem a acordo com a Eleven Sports, mas a imagem que passam é de cartelização do sector, em defesa do negócio da Olivedesportos. Todavia, os únicos que se queixam são os consumidores…"

Os contornos da teia

"Sem rede, só ele, diante dos jornalistas, Vieira prometeu falar em breve e apelou à Justiça: «Tem de funcionar e há de funcionar», sublinhou.

Em Maio de 2017, os supostos chefes dos departamentos de comunicação de FC Porto e Sporting, em reunião que se julgava secreta, realizada em Lisboa, por acaso no mesmo hotel que regularmente acolhe a comitiva do futebol profissional do dragão nas visitas à capital, cozinharam um comunicado com vários pontos de concordância entre os dois clubes que mais tarde viria a ser ratificado por ambos os presidentes, embora com a reserva que as circunstâncias aconselhavam.
Esta história foi mal contada desde o primeiro capítulo, dado fazer pouco sentido que dois grandes clubes, interessados em ultrapassarem questões mal resolvidas entre eles e voltarem a andar de mãos dadas, entregassem a responsabilidade diplomática pelo processo de reconciliação a pessoal do meio da escala hierárquica: um (Marques), que se pensava ocupar o lugar de topo, pelo protagonismo que lhe foi atribuído, obedecia, pelo menos, a um superior directo, e outro (Saraiva) desapareceu em combate por extinção de lugar, prova de que Frederico Varandas suplanta em inteligência o antecessor destituído.
Manifestei a minha surpresa pela cimeira de comunicadores, supostamente feita às escondidas quando o normal seria que fosse realizada às claras, dado tratar-se de um encontro entre colegas de profissão e que, tanto quanto julgo saber, até trabalharam para o mesmo patrão. A não ser, e isso eu não escrevi, por não me ter ocorrido que por detrás de aparente iniciativa desajeitada se escondesse intenção bem mais ardilosa. Pensando melhor, se o FC Porto quisesse ficar de fora da fotografia com certeza que teria sugerido outro local, discreto e menos frequentado por espiões em diversas áreas.
Ao ver Manuel Tavares nessa espécie de tratado de paz, identificado na interessante reportagem da revista Sábado como director do FC Porto Media, fiquei com a pulga atrás da orelha e dessa desconfiança dei conta em várias intervenções, sem retorno, confesso. Ou seja, sem que alguém acompanhasse a minha linha de raciocínio e sem que o departamento de comunicação institucional do Benfica alguma vez tivesse dispensado ao assunto um segundo do seu precioso tempo.
Ano e meio passou e, em resultado de acontecimentos e revelações recentes, as minhas dúvidas veem reforçada a pertinência. Creio que essa reunião em Maio de 2017, mais do que desajeitado acordo de franca convivência - como se fosse possível Pinto da Costa esquecer as deselegâncias que o presidente leonino destituído lhe dirigiu -, serviu para congeminar cobiçoso esquema de comunicação, como o tempo demonstrou, em que, em traços gerais, o Sporting acatou a submissão ao FC Porto numa estratégia concertada para incomodar o Benfica, acreditando que essa reverência alguma riqueza lhe traria. Enganou-se, porém. O Benfica foi campeão em 2017, o FC Porto foi campeão este ano, o Sporting foi duas vezes terceiro, Bruno de Carvalho saiu de cena e Saraiva viu o posto de trabalho extinto.

Nos dia seguinte à publicação da reportagem da revista Sábado noticiou o CM que Rui Pinto, o pirata informático procurado pela PJ, por suspeita de intromissão ilegal no correio electrónico do emblema da águia, é um autodidacta na matéria, adepto do FC Porto e «morador na zona onde Fernando Madureira (líder da claque Super Dragões) vive há mais de uma década». Há cada coincidência!...
Ontem, acerca do mesmo tema, informou A Bola na última página que um comentador do Porto Canal e co-autor do livro O Polvo Encarnado, com Francisco J. Marques, foi colega de curso de Rui Pinto, o alegado pirata.
Entraram os dois para o curso de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 2008. Diogo Faria, o comentador em causa, confirma, mas adianta que não se considera amigo dele e não o contacta «há mais de cinco anos». Outra coincidência, ou tão-somente mais uma contribuição para completar este puzzle de intrigas e tramoias que ainda terá muitas surpresas por revelar.

Os investigadores devem ter já uma noção precisa dos contornos da teia e, numa altura em que mensageiros da verdade se agitam à medida que mais luz se faz sobre os processos dos mails e das toupeiras, convém que o Benfica não se desvie do essencial: se no Apito Dourado ouvimos o que ouvimos e nada aconteceu, nos mails lemos, e os conteúdos de alguns deles, valendo ou não como prova jurídica, merecem ser decifrados na defesa do bom nome da instituição Benfica, sem receio de apontar o dedo a culpados, se os houver.
Entretanto, Luís Filipe Vieira falou aos jornalistas. Uma conversa de rua, apesar de avisada e breve, é sempre um conversa de rua, difícil de controlar. E Vieira até abordou aspectos interessantes. Sem rede, só ele, diante dos jornalistas, testemunho de que não está em conflito com a sua consciência, Vieira prometeu falar em breve, porque o tema é «muito profundo» e apelou à Justiça. «Tem de funcionar e há de funcionar», sublinhou."

Fernando Guerra, in A Bola

Alvorada... do Manteigas

Benfica: estabilizar ou rodar?

"As equipas de Rui Vitória ganham com a estabilização de um onze base. Tem sido assim ao longo dos três anos de Benfica: com o decorrer da época, vai sendo encontrado um conjunto de titulares, que ganham rotinas e que tornam o jogar ao mesmo tempo mais eficaz e fluído. Sintomaticamente, até aqui, o Benfica ia melhorando com o passar dos meses, atingindo um pico exibicional na viragem do campeonato.
Escrevo até aqui pois esta temporada destoa das anteriores. A equipa chega a Setembro com um nível exibicional elevado e com resultados muito positivos. Em importante medida porque, desde muito cedo (logo na pré-temporada), estabilizou o onze que, desde então, tem sofrido poucas mexidas.
Há evidentes vantagens nesta opção, se bem que, numa temporada longa e com um plantel extenso e rico, se coloquem também problemas.
Comecemos pelas vantagens, em particular as que são específicas das equipas de Rui Vitória. Se o Benfica é um colectivo que, do ponto de vista defensivo, assenta na organização e em princípios muito treinados (recordemos, a este propósito, os comentários elogiosos de Guardiola aquando do confronto com o Bayern na Champions), no processo ofensivo, a aposta parece ser mais na potenciação do talento individual dos jogadores (o que explica, por exemplo, a centralidade de Sálvio, um jogador pouco associativo). Ora, esta aposta nas individualidades requer conhecimento mútuo dos jogadores e rotina de jogo para funcionar (talvez esteja aqui a chave para as manifestas dificuldades de adaptação de Ferreyra, um jogador com muita qualidade).
Colocam-se, contudo, a este propósito, dois problemas. Por um lado, numa temporada longa, em que no mínimo teremos de disputar 48 partidas oficiais, não é possível, nem desejável, manter o mesmo onze; por outro, no que é fundamental, há muito talento no plantel à espera de oportunidades.
Como é reconhecido, uma das qualidades de Rui Vitória é a forma como aposta nos jogadores independentemente do estatuto, confiando-lhes responsabilidades que poucos antecipavam (tem sido assim com Gedson esta temporada, com Rúben Dias na passada, Ederson há duas e Renato há três – para ficarmos pelos casos mais relevantes). Mas é, também, sabido que o treinador do Benfica poucas vezes promove entradas directas no onze. Só que, com a qualidade do plantel, não faz sentido ficar à espera de lesões ou quebras exibicionais para dar oportunidades a Krovinovic, Gabriel, Jonas ou João Félix. É por isso que, da mesma forma que o Benfica ganha se acrescentar versatilidade táctica ao sistema dominante, também beneficiará se Rui Vitória conseguir preservar a criatividade e a espontaneidade no ataque articulando-as com maior rotatividade no onze titular."

A dura vida entre os ricos

"FC Porto e Benfica ocupam a sétima e oitava posições no ranking do encaixe financeiro dos 32 clubes que participam na Champions 2018/19 de acordo com os novos critérios que estabelecem a fatia do ‘bolo’ que cada clube recebe e cujos resultados da última década têm peso considerável.
Uns milhões acima estão Real Madrid, Barcelona, Bayern, At. Madrid, Man. United e Juventus. Ou seja, equipas que nos últimos 10 anos disputaram a final da Liga dos Campeões (algumas mais do que uma vez), o que, infelizmente, não foi o caso de FC Porto e Benfica. Outros que nesse mesmo período lá chegaram (Inter, Chelsea, Dortmund e Liverpool) estão abaixo. Isto representa a capacidade que estes dois clubes portugueses têm tido para ombrear com os melhores da Europa e que Rummenigge não subestima, como se lê na entrevista que deu ao Record.
Hoje começa um novo ciclo. FC Porto e Benfica voltam a esgrimir argumentos com adversários com orçamentos muito superiores e que objectivamente têm mais possibilidades de reforçar o seu poder. Assim, de novo confiamos na capacidade de superação dos jogadores que representam os emblemas nacionais e no engenho dos treinadores para manter o nível das performances da última década. Até quando será possível fazê-lo, eis a grande e perturbante questão."

Ver futebol na TV já não é para todos

"Vai ser estranho. Esta irá ser a fase de grupos da Champions menos vista pelos portugueses. Hoje, o FC Porto ainda passa na TVI por imperativos legais que a Eleven Sports - a distribuidora que garantiu os direitos da prova junto da UEFA - não podia evitar, mas amanhã, o Benfica - Bayern (em streaming) e na NOWO, a operadora que servirá de plataforma aos direitos da Eleven.
É assim será até no final da mais importante prova europeia de clubes. Em canal aberto, os portugueses poderão ver, na TVI, um jogo por jornada europeia e, apenas, a segunda escolha. Todos os 138 jogos da Champions estarão fora das operadoras principais, a não ser que ainda surja um acordo que, para já, não parece provável.
Curiosamente, a Sport TV diminui a oferta de futebol (perdeu também para a Eleven a Liga espanhola) mas mantém os preços aos seus clientes. Por isso, o adepto mais entusiástico e que não se poupa a custos, só para poder ver todo o futebol que os vários canais e operadoras oferecem terá de gastar uma quantia muito próxima dos oitenta euros por mês (se optar pelo pacote mais económico) ou seja, qualquer coisa como 14% do salário mínimo nacional.
É muito para a pequena bolsa dos portugueses. A partir de agora, ver futebol na TV deixou de ser para todos e passou a ser só para alguns, sobretudo depois da RTP ter abandonado o conceito de interesse público em relação à prova maior da UEFA que, esta época, tem dois clubes nacionais, talvez preocupada com as contas que teria de prestar ao poder político."

Vítor Serpa, in A Bola

Um vento de alegria soprou em Amesterdão...

"Na semana passada recordei aqui o primeiro confronto entre Benfica e Bayern de Munique, agora que se aproxima o início da fase de grupos da Liga dos Campeões. Hoje vamos até Maio de 1965, e ao primeiro Ajax-Benfica da história do futebol, que o Benfica perdeu 1-2.

No dia 9 de Maio de 1965, o Benfica votou a Amesterdão, local mágico no qual conquistou a sua segunda Taça dos Campeões Europeus. Desta vez tratava-se apenas de um encontro amigável frente ao Ajax, o mais sonante dos clubes holandeses. Mas isso não retirava um milímetro à forma como os espectadores se interessaram pela partida. Não se pode dizer que houvesse um ambiente fanatizado, não havia motivo para tal, mas cerca de 25 mil pessoas acorreram ao Olímpico movidas pela curiosidade de ver aquela que era considerada a melhor equipa da Europa: o Benfica, claro está!
Rapidamente, Eusébio, José Augusto, Torres e Simões desataram a importunar a defesa holandesa com aqueles movimentos velocíssimos que executavam praticamente de olhos fechados. A coisa prometia e o povo demonstrava o seu agrado. Era uma tarde fria e ventosa. O Verão parecia distante como a Via Láctea.
O Ajax estremeceu. Os seus jogadores não atinaram com a melhor forma de contrariarem os lances criados pelos portugueses. Confusos, perdidos, pareciam à mercê de uma derrota inevitável. Puro engano.
Um passe primoroso de Eusébio apanha José Augusto numa corrida paralela à grande área contrária: este, na passada, dispara com o pé direito para um golo bonito, bonito.
O Benfica dos grandes momentos europeus mostrava-se em Amesterdão tal como o tinha feito, três anos antes, face ao Real Madrid. Só que, desta vez, uma estranha modorra foi amolcendo a equipa. E isso custaria muito caro.

A reviravolta
Aos 28 minutos, Nuninga conseguiu o empate. Os jogadores do Ajax pareciam fartos de fazer figura de meros comparsas, ainda por cima diante do seu público. Podia não ser o terrível Ajax que viria a dominar a Taça dos Campeões Europeus uns anos mais tarde, mas não era certamente um conjunto de pés-de-chumbo.
Os encarnados surgiram para a segunda parte muito presos nas suas tamanquinhas. A saída de Calado e a entrada de Perides foi um sinal defensivo que soou nas hostes holandeses. Perceberam os rapazes de Amesterdão que o Benfica lhes ia dar a iniciativa do jogo, convencido de que seria possível num contragolpe recuperar a vantagem. Afinal, quem tinha Eusébio podia sonhar com o topo do mundo.
Não foi isso que aconteceu. A gana holandesa recrudesceu. Interiorizaram que seria possível vencer o grande Benfica, e nem a defesa a uma grande penalidade assinada por Costa Pereira os abalou nessa decisão. A pressão sobre o meio-campo lusitano era grande. A marcação a Eusébio, impiedosa: Soetekouw não o largara um segundo, e o moço da Mafalala tratou de evitar entradas mais duras pouco compreensíveis num jogo que se diria amigável.
Com um remate de muito longe, e aparentemente insignificante, Kaizer, que falhará o penálti, bateu o guarda-redes lisboeta. A vitória do Ajax parecia ir ser uma realidade, por surpreendente que fosse.
Responde finalmente o Benfica. Uma questão de orgulho! Coluna tenta, também ele, o seu poderoso remate, uma e outra e outra vez. Cavém ia obtendo um golo de truz com um chapéu de muito longe. Torres lutava como um animal ferido, percorrendo todo o campo, da defesa ao ataque.
Mas a linha avançada benfiquista tinha esgotado pólvora.
A equipa parecia cansada. Ao contrário do que se passava com o Ajax:
A derrota tornou-se uma realidade no primeiro confronto entre os dois grandes clubes. Não abalava o prestígio do Benfica, obviamente, que durante muito tempo actuou em ritmo de poupança. Mas alegrou todos aqueles que tinham caminhado até ao Estádio Olímpico para ver os maravilhosos jogadores que ainda há tão pouco tempo tinham sido campeões da Europa.
O duelo repetiu-se várias vezes ao longo dos anos, entre desafios particulares e eliminatórias para a Taça dos Campeões.
Mais dois encontros entusiasmantes vêm agora a caminho. É preciso saber desfrutá-los. Benfica e Ajax bem o merecem, sendo como foram expoentes raros do futebol mais ofensivo que o mundo alguma vez viu."

Afonso de Melo, in O Benfica

O dia em que Águas enganou toda a gente

"Habituado a enganar os defesas, José Águas também ludibriou os adeptos.

A 24 de Abril de 1955, o Estádio da Luz dividiu-se entre adeptos que acreditavam no título e nos menos optimistas. Apesar da boa época, achavam que a equipa dificilmente seria campeã. O Clube não dependia só de si. Para além de vencer ao Atlético, necessitavam que o Sporting pontuasse no jogo contra o Belenenses.
Na recepção aos alcantarenses, os 'encarnados', talvez condicionados pelo momento, entraram bastante nervosos, o que se reflectiu na exibição. No segundo tempo, os benfiquistas apareceram mais descontraídos e, em poucos minutos, fixaram o resultado em 3-0.
Uma parte da tarefa estava bem encaminhada. Os adeptos mantinham os olhos no relvado do Estádio da Luz, mas os ouvidos nas Salésias. Quando ainda faltavam mais de dez minutos de jogo, chegou a 'notícia de que o Sporting tinha conseguido empatar', que 'provocou uma onda de entusiasmo. (...) Foram lançados foguetes e morteiros ao ar e a alegria dos adeptos dos «encarnados» era indescritível'. Entretanto, o encontro contra o Atlético continuava a desenrolar-se.
O avançado José Águas, que estava a realizar uma grande exibição e tinha apontado dois golos, protagonizou um episódio inesquecível. O árbitro apitou uma falta de Arsénio e o goleador benfiquista, ao ouvir o som do apito, levantou os braços ao ar, pensando que era o final do jogo. De imediato centenas de espectadores convenceram-se de que o desafio tinha terminado. 'E saltaram ao campo possuídos'. E intervenção da polícia foi determinante para que 'o campo readquirisse o cenário normal'.
O jogo foi reatado e disputado num clima de ansiedade, até que o árbitro deu mesmo a partida por terminada. Os festejos começaram no recinto e estenderam-se às ruas de Lisboa. De madrugada, ainda restava um adepto sentado num banco com a bandeira do Clube ao lado. A emoção fez com que perdesse o sono, afirmando: 'eu posso lá dormir hoje. Num dia destes. Vim sentar-me aqui a relembrar as horas más que passei em muitos domingos... Para que esta vitória, de cada vez que nela penso, tenha para mim um sabor sempre maior e melhor'.
Para esta conquista em muito contribuiu José Águas, o melhor marcador da equipa, com 20 golos.
Saiba mais sobre este sensacional jogador na área 23 - Inesquecíveis do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Com tanta poeira, nunca ninguém percebeu o que é uma acusação

"Em que consiste (o despacho de) a acusação? É a peça processual em que formalmente se imputam a uma pessoa os factos que integram um dos mais crimes, aquando do encerramento do inquérito, a acusação pública é elaborada pelo Ministro Público, mas também pode ser levada a cabo pelo assistente, p. ex., nos casos de crimes particulares, em que é obrigatoriamente deduzida por ele, sob pena de o processo não poder prosseguir, lê-se no site da Procuradoria Geral Distrital do Porto.
A audiência de discussão e julgamento é a fase do processo penal em que é produzida a prova, geralmente em audiência pública, e a final, proferida sentença, condenatória ou absolutória, pode ler-se no site do Ministério Público.
A fase de inquérito trabalha com indícios que devem ser fortes e suficientes, e a fase do julgamento trabalha com certezas, mesmo que haja alguma dúvida sobre a certeza!
Quando se lavra uma acusação, a mesma deve ser rigorosa, não meramente presumida, quanto aos factos que descreve, ou seja, deve ter uma dimensão de probabilidade forte de existência dos factos que descreve.
Vejamos o seguinte exemplo:
A acusação diz no seu art.º 6.º o seguinte: '6) Júlio Loureiro foi ainda observador de árbitros da Liga Portuguesa de Futebol Profissional nas épocas 2010/2011, 2014/2015 e 2015/2016, e da Federação Portuguesa de Futebol desde a época desportiva 2003/2004 até à época 2017/2018, tendo sido árbitro profissional de futebol até ao ano de 2000'.
E no art.º 19.º, o seguinte: '19) Também em benefício e no interesse da SL Benfica Futebol SAD, Paulo Gonçalves e a SL Benfica SAD foram oferecendo, pelo menos, nas épocas desportivas 2015/2017 e 2017/2018 e até 3 de Março de 2018, convites e produtos de merchandising, a Júlio Loureiro, de forma a criar condições de permeabilidade por parte do observador de arbitragem Júlio Loureiro, tendo em vista decisões favoráveis, conhecimento privilegiado de informações desportivas e de pessoas e contactos ligados à arbitragem'.
Pergunta: Se Júlio Loureiro deixou de ser observador de árbitros da Liga Portuguesa de Futebol Profissional desde o fim da época 2015/2016 como se pode escrever que 'foram oferecidos produtos para criar condições de permeabilidade por parte do observador de arbitragem, tendo em vista decisões favoráveis', se o homem já não era observador de árbitros da Liga Profissional?!
A única explicação plausível é que, lamentavelmente, quem acusa certamente que não conhece a orgânica desportiva e não deve saber que a Liga organiza competições desportivas profissionais, e a Federação organiza competições desportivas não profissionais!
Ora, no dia 21 de Setembro, e passe qualquer publicidade, começa um curso de pós-graduação que se debruça sobre a organização profissional e falará na organização não profissional do futebol, conforme (...) o que qual se aconselha vivamente que seja frequentado por quem não sabe estas distinções.
É por isso que o que se escreveu no art.º 20: '20) Como recompensa, os funcionários e o observador de arbitragem receberam da Sport Lisboa e Benfica - Futebol SAD, através de Paulo Gonçalves ou algum intermediário deste, convites e bilhetes para assistirem gratuitamente a jogos de futebol no Estádio da Luz, em Lisboa, designadamente no piso 1, designado por 'anel VIP', incluindo acesso a lounge com comida e bebida e parqueamento automóvel'.
Mesmo a terem existido convites, a Benfica SAD convidou o 'homem' a troco de nada, porque ele não podia fazer nada, porque não era observador de arbitragem de jogos da primeira Liga! Não faz sentido!
Outro exemplo (processo envolvendo o filho do Vieira: 'caso Centeno').
Vejam o despacho de 2/2/2018 do procurador do processo que permite acesso a cópias, consultas aos autos a todos os jornalistas que o pediram (...)
Para que quereria a Benfica SAD saber do processo a 26/2/2018?! E com base na lógica das coisas («57) Em data não apurada, aproveitando-se do apoio diz que dispunha por parte do José Silva, Paulo Gonçalves transmitiu o número do processo àquele, para obter informações sobre o mesmo que pudessem interessar à Sport Lisboa Futebol SAD...» - Se é em data não apurada como é que se sabe que foi transmitida por um a outro?)
E por falta de mais espaço...
Até para a semana"

Pragal Colaço, in O Benfica

Ao vivo ou no sofá

"Hoje é dia para ficarmos – doentiamente, dirão alguns… – agarrados à televisão. Hoje, amanhã e quinta-feira, pois estão de volta as duas principais provas do calendário europeu de clubes. E como não vai ser fácil a escolha, o comando até vai escaldar.
Quer na Champions, quer na Liga Europa vai haver confronto físico, técnico, táctico, estratégico e também psicológico entre jogadores e treinadores, vai haver guerras de palavras e de bastidores, ou seja, vai haver de tudo um pouco dos condimentos que tornam ambas as provas deveras apetecíveis. 
Vamos ver, por exemplo, como irão reagir as equipas de Spalleti e Pochettino às derrotas do fim de semana. O Inter perdeu em casa com o Parma, que se encontra quase a ‘afogar-se’ debaixo da linha de água, e o Tottenham somou segunda derrota consecutiva ao perder também no seu reduto com o Liverpool. Acabado este, poderemos mudar de canal e ver como o PSG de Neymar se irá bater com Salah, Mane e Cia., ou seja, como dois dos melhores do Mundo nos poderão proporcionar mais uma jogatana imperdível.
Vamos ainda ver como se comportam os portistas na Alemanha e se Sérgio Conceição, quiçá com uns bons berros, foi capaz de fazer com que os seus jogadores esqueçam o desaire da Taça da Liga enquanto que, no dia seguinte, iremos confirmar se o ‘desastre’ europeu de Rui Vitória na passada temporada foi fortuito ou não.
Obviamente, será interessante assistir ao regresso de Ronaldo a Espanha, agora que também já regressou aos golos, bem como o comportamento da sua ex-equipa diante da Roma, equipa cujo treinador começa a ser malvisto pelos habituais ‘descomentadores’ madrilenos. E para apimentar a semana, vamos ainda poder acompanhar o Chelsea na descida à Liga Europa, o Arsenal, o Sevilha, a Lazio e… claro está, o Manchester United de Mourinho, que de despedido voltou a ser candidato ao título. Por mim, já reservei lugar no sofá lá de casa."

Uma questão de terminologia

"Quando oiço os relatos, ou leio os comentários, ou vejo as transmissões televisivas, verifico que é comum o uso de uma terminologia do futebol que, sendo perceptível para quem assiste (ou lê, ou ouve), se baseia em palavras que não existem ou não são correctas, de acordo com as leis de jogo. E se umas nunca sequer existiram, outras foram alteradas e modificadas e já não fazem parte do léxico técnico em vigor. É claro que o importante é que o adepto perceba e identifique aquilo que está a ser dito ou descrito, mas como custa exactamente o mesmo dizer mal ou dizer bem e de forma correcta e assertiva, vou deixar aqui alguns desses termos, ou seja, os que se usam e os que deveriam ser usados de acordo com o guia universal das leis de jogo.
Começando pelas áreas de jogo, normalmente diz-se pequena área e o nome correcto é área de baliza, e a grande área é área de penálti. Quando se diz que a bola saiu pela linha de fundo, deveria dizer-se que saiu pela linha de baliza. "O árbitro assinalou grande penalidade" - este termo já foi eliminado e passou a ser chamado de pontapé de penálti. Muitos dizem árbitros auxiliares e os mais antigos ainda recorrem à expressão fiscais-de-linha, termos que já não existem, já que passaram a ser designados de árbitros assistentes. Já os vulgarmente designados de árbitros de baliza são, na realidade, árbitros assistentes adicionais.
Mas há mais: quando o quarto árbitro levanta a placa, normalmente diz-se que foi dado tempo de desconto. Ora, o árbitro não vai descontar, na realidade, vai acrescentar ou adicionar, por isso não é desconto de tempo, mas sim recuperação do tempo perdido. Outra curiosidade é que quando nos referimos ao videoárbitro e ao seu assistente utilizamos uma palavra que adoptámos como sendo portuguesa e dizemos muitas vezes, o VAR e o AVAR. Esta designação resulta de juntarmos as letras iniciais das palavras em inglês Video Assistant Referee (VAR) e Assistant Video Assistant Referee (AVAR).
Por falar nesta nova e tão útil tecnologia, a do videoárbitro, eis também que surge um novo vocabulário com o qual convém começarmos a ficar familiarizados. Na cidade do futebol temos localizado e centralizado aquilo a que normalmente designamos como a casa do VAR, quando na realidade o termo correcto para essa sala é VOR, ou seja, a designação de Video Operation Room. E à zona onde está instalado o monitor que no terreno de jogo existe para o árbitro verificar os lances que forem passíveis de revogação chama-se RRA, ou seja, Referee Review Area.
Por fim, e dentro da terminologia usada, é de destacar o seguinte: nas leis de jogo, as palavras têm um significado e uma correspondência em termos da sua designação e da sanção disciplinar aplicada. Assim, quando digo que uma infracção cometida por um jogador foi imprudente, em termos de leis estou a dizer que não há sanção disciplinar, apenas técnica; se disser que foi negligente então aqui refiro-me a uma infracção passível de cartão amarelo. Sempre que uso expressões como "uso excessivo de força", "conduta violenta", "falta grosseira" ou "pôr em risco a integridade física do adversário", estou a falar de uma acção penalizada com cartão vermelho.
Estas palavras ou expressões são todas elas muito importantes, sobretudo quando o árbitro faz o relatório de jogo, pois muitas das sanções que são aplicadas aos jogadores e técnicos dependem dos termos usados. E isso pode fazer toda a diferença quer no tempo de suspensão, quer nas multas financeiras.
De resto, quando um árbitro expulsa alguém por palavras dirigidas a ele tem de primeiro enquadrar a decisão no termo técnico correcto. Por exemplo, "o treinador usou de linguagem injuriosa ofensiva ou grosseira". Só depois é que faz a descrição pormenorizada das palavras, expressões e linguagem utilizadas. Por último, o termo mais usado pelos comentadores a propósito das faltas, que é a palavra intencional, já foi abolido e substituído por acto deliberado. São aparentemente idênticos, mas na realidade o vocábulo intencional põe o foco no propósito, no pensamento, na ideia, enquanto acto deliberado põe o foco na acção, na parte mais mecânica. Assim, ajuíza-se não o pensamento, mas sobretudo a execução e, como é sabido, há algumas infracções que têm de ter esta premissa como ponto de partida para serem penalizadas, como é o caso das mãos na bola ou do cuspir num adversário.
A palavra tem um significado, um sentido, uma força e se nós a utilizarmos de forma correcta estaremos seguramente a ser pedagógicos e construtivos."

António-Pedro Vasconcelos: um pensamento filosofante

"Sentencioso e moralista, como pareço ser (é que não sou tanto como se pensa) o cineasta António-Pedro Vasconcelos é, hoje, para mim, uma das personagens verdadeiramente fulcrais do meu círculo de Amigos – o António-Pedro Vasconcelos que não esconde um apego muito especial à linguagem, às palavras, aos livros. E, embora o seu corajoso idealismo que o leva, como cineasta, a surpreender recessos vivos da alma humana, em filmes que ficarão para sempre na melhor antologia do cinema português – embora tudo isto, ainda são as obras dos grandes escritores que ele mais frequenta e onde mais se refugia, para poder viver ressumando confiança, alegria e algumas certezas. É um conhecido benfiquista. Todos o sabem. Mas antes do Benfica, antes dos aspectos mais lúdicos da vida, ressalta nele um humanismo onde estão presentes os grandes pilares em que assenta a cultura europeia e ocidental: a filosofia grega, o espírito jurídico latino, a mensagem cristã e o racionalismo que a Revolução Francesa corporizou. Logo em rápida conversa com António-Pedro Vasconcelos, se nota que ele frequentou e frequenta os humanistas de todos os tempos, onde aprendeu e aprende a adornar e a educar a sua erudição e onde a sua cultura se renova. Terêncio fixou, em máxima famosa, o que os intelectuais , como o António-Pedro Vasconcelos, vêm repetindo sempre que podem: “Homo sum, humani nihil a me alienum puto” (traduzindo: “sou homem, nada do que é humano me é alheio”). Formado na leitura dos autores clássicos, António-Pedro Vasconcelos é um humanista, no que o humanismo tem de superior disciplina literária e filosófica. E até daquela ideologia onde “o homem é para o homem o ser supremo”. Não admira por isso que, em diálogo permanente com tão boas companhias, revele, nas suas conversas, um acervo filosófico e literário verdadeiramente surpreendente.
No livro da sua autoria que teve a bondade de, há poucos dias, num dos nossos habituais almoços, oferecer-me um exemplar, A Companhia dos Livros (Sociedade Portuguesa de Autores, Lisboa, 2015 ) manifesta-se ele direto discípulo de Pascoaes, de Steinbeck, de Kafka, de Malraux, de José Cardoso Pires, de Agustina e… de muitíssimos mais: “Os livros de que aqui falo, muitos deles de jovens escritores portugueses, que me pediram para os apresentar, não esgotam por isso, nem resumem, os meus gostos, nem as minhas fidelidades literárias. Vários volumes não chegariam para descrever as descobertas que continuo a fazer todos os dias, as páginas com que vou aprendendo a reconhecer a imperfeição do mundo e a infinita duplicidade dos homens, mas também o sortilégio da escrita e a misteriosa beleza das palavras que, de Montaigne a Proust, de Shakespeare a Tolstoi, de Melville a Kafka, de Dickens a Borges, me fazem não desesperar da humanidade” (p. 13). A alturas tantas da nossa conversa pós-prandial, senti-o a vogar a todo o pano no azul de um sentimento que, sobremaneira, o seduzia: “Gosta do Cesário Verde?”. Respondi-lhe que sim, que muito o admirava, embora não fosse um dos poetas que mais consultava, que mais atentamente lia e relia: “A minha poesia preferida é a lírica de Camões e o Pessoa e o Torga e a Sophia e o Manuel Alegre”. E ele, como em êxtase, a olhar para o poema de Cesário Verde, transcrito num livro da Maria Filomena Mónica: “Veja a sublimidade da inspiração artística deste poema”. E começou a ler um poema de Cesário Verde, como se no António-Pedro lavrasse um fogo interno onde se adivinhava uma espécie de assombro, misto de espanto e de ternura:

“Naquele pic-nic de burguesas
Houve uma coisa simplesmente bela
E que sem ter história nem grandezas
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher sem imposturas tolas
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoilas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, ainda o sol se via,
E houve talhadas de melão, damascos
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas todo púrpura a sair das rendas
Dos teus dois seios, como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro de papoilas”.

O António-Pedro Vasconcelos ensejou ocasião de uma análise à obra de Cesário Verde, ao apresentar ao público ledor o livro da escritora (e sua amiga de estreita amizade) Maria Filomena Mónica, Cesário Verde: um génio ignorado. O texto, de verdadeira crítica literária, encontra-se no livro A Companhia dos livros, acima referido e que actualmente leio e estudo (com grande proveito meu, acrescente-se). Nele, colhi o seguinte, onde se vislumbra a “douta ignorância” do António-Pedro: “Mas que posso eu acrescentar a um livro cujo mérito maior é o de dizer abertamente que Cesário era um génio, um génio sem paternidade, nascido de geração espontânea, como convém aos génios – o único génio óbvio e ofuscante da nossa literatura, acrescento eu, que partilho com ela esta admiração beata, esta estupefacção permanente, esta admiração fiel, este prazer de cortar a respiração, que me assoma, a cada noiva leitura dos seus versos? (p. 48). E, também porque António-Pedro Vasconcelos acredita que “o desporto é o fenómeno cultural de maior magia, no mundo contemporâneo”, não se estranhe que, com ele, no horizonte intelectual de uma conversa, caibam, lado a lado, a literatura, o cinema e o futebol. Ele não esquece o Benfica, o seu Clube, sobre o qual se adensam algumas nuvens pressagas. E assim, ao lado de Shakespeare, ou de Tolstoi, ou de Proust, ou de Musil, também o vemos extasiado com um filme de Felinni, de Chaplin, de Eisenstein, de Antonioni, também relembra com saudade o José Augusto, o Eusébio, o Águas, o Torres, o Coluna e o Simões. E contempla embevecido a segurança defensiva do Jardel e do Rúben Dias e uma fuga ziguezagueante do Salvio: “Um jogador de classe, não lhe parece?”, inquiriu o António-Pedro generoso e perscrutador. Concordei com ele, sem dificuldade: o Salvio é um futebolista de excelência.
Aliando a arte, a investigação e o estudo, o António-Pedro Vasconcelos ajuda a pôr de pé um perguntar pelo desporto donde se vislumbra uma sociedade inteira. E vê um desporto diferente. Ele e a Maria Filomena Mónica serão, sempre que o entenderem, dois excepcionais críticos do desporto. Porque fariam do desporto um pretexto, para falar do que mais interessa…"

Benfiquismo (CMLIII)

Não esquecer...

Chama Imensa... A caminho de Vigo?!

Benfica FM - Futebol... e lama...



PS: O argumentário sobre o caso do Paulo Gonçalves, e restantes funcionários supostamente não-Benfiquistas, no Benfica, neste programa, é absolutamente ridículo!
Se a acusação é pifia, não tem qualquer ligação a resultados desportivos, e no que respeita aos Processos, nenhum estava em segredo de Justiça... insinuar que o Benfica tem funcionários que usam os mesmos métodos dos Corruptos, na base daquilo que tem sido público, é aberrante, porque nada daquilo que tem sido público, prova... ou sequer indicia que existe processos ilegais ou até poucos éticos no Benfica...
Bem pelo contrário, a publicação de toda a correspondência privada do Benfica, prova exactamente o contrário: o Benfica não corrompe ninguém, nem sequer tenta...
Agora, estar informado sobre o que se passa no Tugão, não só é desejável, como é a obrigação dos funcionários do Benfica... Este é excelente exemplo, de ser criticado só porque sim...

Paraíso vs. Krovi