"Na semana em que o mundo se
concentrou na histórica reviravolta das eleições presidenciais brasileiras, houve outra
“virada” que continua a dar que
falar – a do SL Benfica em casa
do CD Santa Clara. No Estádio
de São Miguel não se defrontaram visões opostas da sociedade, como no Brasil. Não foi uma
luta de milicianos contra populares, mas foi também um
combate disputado até ao último segundo. E mesmo após o
apito final, já que a aglomeração de tanta gente no relvado
mais parecia um comício de
final de campanha.
É destas vitórias que precisamos. Com garra, com luta, no
coletivo. Foi essa a receita da
equipa de Marco Silva para a
segunda parte do encontro da
passada segunda-feira: pensar,
agir e vencer. Se a agressividade contrária estava nos limites
máximos (como se comprovou
também no final, com a perseguição a Jhon Durán), era preciso ser inteligente, e os jogadores do Glorioso souberam sê-lo,
aproveitando as oportunidades
para construir um triunfo precioso em mais uma época de
critérios díspares e FC Porto ao
colo do VAR.
Estas são as vitórias que ficam
na história. Dos países e dos
campeonatos. E quando acontecem assim, com “remontadas”,
até parece que dão mais gosto.
Agora, há que continuar nesta
senda e elogiar o comportamento competitivo dos adversários açorianos, que estão a
cheirar o terceiro lugar da classificação e a jogar bom futebol.
Só os insultos e a violência na
derrota é que são de lamentar.
Nos Açores e no Brasil."
Ricardo Santos, in O Benfica

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