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domingo, 18 de outubro de 2026

Quando o futebol português acerta, também é notícia


"Digam o que disserem, proteger os clubes que estão nas competições europeias não é favorecer os grandes: é favorecer-nos a todos

Ponto prévio. Este artigo não deve parecer um agradecimento institucional, porque não é. Afinal de contas, tomar boas decisões também faz parte das obrigações de quem dirige.
Esclarecido este detalhe, convém então avançar para o essencial, para dizer que decisão de dispensar os clubes «europeus» da terceira eliminatória da Taça é uma boa decisão. Simples, sensata e, sobretudo, reveladora de uma ideia que nem sempre parece evidente a toda a gente: o sucesso internacional dos clubes portugueses interessa a todos. 
Mas vamos por partes.
Eu sei que há, naturalmente, quem considere que esta decisão está a destruir o espírito democrático da Taça e que há quem veja nela também uma desigualdade de tratamento.
É legítimo.
Mas convém não esquecer que igualdade não significa necessariamente regras iguais para todos. Tem de significar, isso sim, regras que sirvam a todos. E uma regra que beneficia um clube português lá fora, não está apenas a beneficiar esse clube.
Uma vitória na Europa, recorde-se, vale pontos para o ranking, ajuda a preservar lugares nas competições internacionais, gera receitas e reforça o prestígio de um campeonato que precisa desesperadamente de se valorizar.
Ou seja, quando um clube português ganha na Europa, não ganha apenas para si.
É por isso que proteger a competitividade internacional não deve ser confundido com favorecer os clubes poderosos. Não há aqui nenhum privilégio. Há, ou pelo menos devia haver, uma opção estratégica.
O que nos devolve ao início deste texto. É que se há coisa que aqui no Maisfutebol sempre fizemos com particular entusiasmo, foi criticar os dirigentes. E com razão. Entre calendários absurdos, guerras de bastidores e decisões difíceis de compreender, matéria-prima não nos costuma faltar.
Desta vez, porém, não podemos deixar de elogiar. Sem transformar ninguém em herói, afinal é para tomar decisões sensatas que eles lá estão. Mas sublinhando, sim, que se queremos um futebol português mais competitivo, mais valorizado e mais respeitado internacionalmente, precisamos de decisões como esta.
Que nos beneficiem a todos. Aos clubes que estão nas competições europeias e aos que sonham um dia lá chegar."

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