Últimas indefectivações

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O que vai mal no Benfica


"Há algum tempo que venho a dizer que o Benfica não está bem - e sei bem que não sou o único. Acho que esta é uma boa altura de voltar atrás e resumir tudo o que nos trouxe até aqui. Do meu ponto de vista, tudo começou no verão de 2017. Tínhamos acabado de ganhar o Tetra. O onze base era Ederson, Nélson Semedo, Lindelof, Luisão, Eliseu/Grimaldo, Fejsa, Pizzi, Salvio, Cervi, Jonas e Mitroglou. Do banco saiam jogadores como Guedes, Samaris, Carrillo e Jimenez. Desde aí, foi um chorrilho de más decisões.

Falta de Liderança no Balneário.
Rui Vitória não era um homem que motivasse os seus jogadores. Mas esta equipa tinha fibra e jogadores que sentiam de facto o clube. Luisão, Eliseu, Fejsa, Samaris e Salvio eram jogadores que mantinham os padrões de motivação altos. Mitroglou, Jimenez e Jonas eram competitivos por natureza. Havia ainda Ederson, Nelson Semedo, Lindelof e Guedes que vinham da formação e davam a frescura e ambição de quem está a dar os primeiros passos. É tudo o que não temos agora. Agora temos um grupo de bons rapazes. Pizzi, André Almeida e Rafa não são líderes de balneário. Jardel não tem peso na equipa. Samaris está limitado a um papel secundário. No capítulo dos jovens, só há Gonçalo Ramos que também não tem grande protagonismo. E quem é que sente o clube do nosso 11 inicial? O Rafa e o Taarabt talvez. Há ali algum jogador que daqui a uns anos apareça de mota nas celebrações de um título em pleno relvado?

Anos Consecutivos de Má Prospecção.
Há algo que tenho referido vezes intermináveis que pouca gente tem falado. Não é normal a quantidade de reforços que o Benfica tem falhado. Vejamos só a posição de ponta de lança, aquela onde gastamos mais dinheiro. Em três anos, o Benfica contratou Haris Seferovic, Facundo Ferreyra, Nicolas Castillo, RDT, Carlos Vinícius, Dyego Sousa e Darwin Nuñez. O tempo médio destes jogadores no clube é inferior a um ano. E esta é só uma posição. Têm noção quantos jogadores já passaram pela posição de lateral direito para substituir o Nélson Semedo desde que saiu? Pedro Pereira, Mato Milos, Douglas, Ebuehi, Corchia, Tomás Tavares, João Ferreira e Gilberto. OITO! É absurdo. Se formos a ver os jogadores que se contrataram nestes três anos e que ainda cá estão sobram-nos os reforços do verão de 2020, o Seferovic, o Vlachodimos, o Gabriel, Chiquinho e o Weigl. E tirando uma excepção ou outra, são jogadores claramente inferiores ao que tínhamos no ano do Tetra. Vlachodimos e Gilberto são muito inferiores a Ederson e Nélson Semedo. Lindelof e Luisão eram uma dupla mais segura que Vertonghen e Otamendi são. Fejsa e Pizzi complementavam-se de uma maneira que nenhuma dupla no Benfica neste momento consegue. Salvio, Carrillo e Cervi não são mais talentosos que Rafa, Pedrinho e Everton, mas conseguiam dar uma estabilidade defensiva à equipa que não temos neste momento e que nos leva a sofrer tantos golos, sem prejudicar a capacidade ofensiva da equipa que colectivamente era muito mais forte do que a atual. Mitroglou, Jimenez, Jonas e Guedes faziam mais golos a dormir que Darwin, Waldschmidt e Seferovic depois de tomarem cinco cafés. Além disto tudo, há ainda o extra que é a fatura. É que o plantel do Benfica atualmente custa quase o dobro mais do que o plantel do Benfica em 2017 em salários.

Fraca Evolução de Jogadores.
Nós não temos uma equipa de jogadores de 35-40 anos. Temos dois jogadores com mais de 32 anos e só um é que joga. O esperado é que os nossos jogadores evoluíssem ano após ano ou pelo menos não ficassem muito piores. Alguém se lembra do Rui Patrício no início da carreira e hoje? Houve uma evolução notória e se puxarem um pouco pela cabeça vão encontrar dezenas de exemplos. Aqui no Benfica não. Há algum jogador que esteja a jogar melhor agora do que jogava antes? Ainda na ontem pensei nisto. Nós temos um ataque com um internacional português, um internacional uruguaio, um internacional alemão e um internacional brasileiro, e eu estava todo borrado com o Crysan e o Diogo Salomão. Os jogadores não desaprendem. Por algum motivo foram jogadores de seleção e agora são jogadores que a jogar assim nem no Santa Clara tinham lugar. E isto não foi um mau dia. Tem sido constantemente assim. Isto é resultado mau treino. E já vem de bem de trás, porque não começou anteontem.

Volatilidade nas Decisões da Direcção.
Temos um Presidente que em meio ano passou de dizer que era possível uma equipa composta por jogadores da formação lutar pelo topo da classificação da Liga, para contratar tudo o mexe. O resultado é muito simples. O plantel atual tem jogadores que foram pedidos por três treinadores diferentes, está atolado de tralha que se foi amontoando consoante os treinadores foram rodando. A formação praticamente morreu porque se nem jogadores que custaram 5-7 milhões jogam, como é que há espaço para dar minutos aos mais novos? Isto cria desmotivação no plantel - “para que é que vou correr se tenho três à frente de mim?” -, retira competitividade nos treinos, desvaloriza os jogadores e dá prejuízo ao clube. O Benfica de uma vez por todas tem que decidir se tem um modelo com uma Estrutura ou um modelo com um treinador. A diferença é muito simples. O modelo de treinador, pressupõem que o treinador fica mais do que 1-2 anos e que se contratam jogadores de acordo com os desejos do treinador. É o modelo do Manchester United de Ferguson. Se o Manchester United ficasse em 5º ou 6º, o treinador não era despedido, porque aqueles foram os jogadores que ele escolheu e a equipa está desenhada para aquele treinador específico. Alternativamente há o modelo Estrutura, onde a Estrutura é que decide o plantel, não interessando o treinador. Isto permite trocar o treinador praticamente todas as épocas porque o plantel está desenhado de acordo com as ideias da Estrutura e é o treinador que se tem que ajustar a essas ideias. É o modelo da Juventus, por exemplo. Se repararem, têm três treinadores nos últimos três anos. Nós temos um híbrido. Mas depois como trocamos de treinador quase todas as épocas - vamos em três treinadores em quatro anos - e temos uma dificuldade assustadora de fechar ciclos com jogadores de treinadores anteriores, dá o resultado que temos este ano. Além de que temos um treinador com um contrato de dois anos. Vamos pagar balúrdios para ter jogadores escolhidos por este treinador que no máximo fica cá dois anos? E depois quando este treinador for embora, o que fazemos a estes jogadores?"

Resultado amargo


"Ontem, na visita ao reduto do Santa Clara, o resultado ficou aquém do desejado e esperado, não tendo a nossa equipa conseguido mais do que um empate a uma bola.
O remanescente da partida (foi retomada perto dos cinco minutos de jogo) teve duas partes distintas, conforme explicado por Jorge Jesus: "A primeira parte foi muito boa, com muita qualidade. Fizemos um golo bonito, houve também algumas situações de jogo bonitas, dominámos praticamente todos os momentos do jogo. Na segunda parte, quando o Gilberto saiu, a equipa quebrou defensivamente. Nos últimos quinze minutos voltámos à normalidade, mas já não fomos um conjunto tão perigoso. Controlámos, mas não criámos grandes oportunidades. O Santa Clara fez o golo e defendeu-se bem." 
Encerrada a partida, o foco foi imediatamente redirecionado para o jogo seguinte, que será realizado na próxima sexta-feira, dia 8, na Luz frente ao Tondela, no âmbito da 13.ª jornada da Liga NOS.
Hoje a nossa equipa já se prepara para esse embate, tendo por objetivo, como não poderia deixar de ser, o regresso aos triunfos e, se possível, a redução da distância pontual para o primeiro classificado, que dispõe agora de quatro pontos de vantagem.
Estando ainda por disputar praticamente dois terços da Liga NOS, tudo está em aberto na competição. A vasta experiência e a inegável competência, assim como o compromisso e carácter, já demonstrados inúmeras vezes nesta e noutras temporadas pela nossa equipa técnica e jogadores, oferecem-nos a garantia de que serão dados os passos certos para que tenhamos a possibilidade de voltar ao lugar que todos ambicionamos.
De Todos Um, o Benfica!

P.S.: Assinalam-se hoje sete anos do falecimento da maior figura da história do Sport Lisboa e Benfica, Eusébio da Silva Ferreira. É com enorme saudade e profunda gratidão que nos recordamos do nosso "Rei", cujo extraordinário legado e exemplo ímpar de benfiquismo a todos nos motiva ainda mais a servir apaixonadamente o nosso querido Clube."

Havia um empate na ilha – curtas do Benfica


"Mudou-se o tempo, mudou-se o dia, mas o Benfica pouco mudou. A equipa de Jesus voltou a ser medíocre, desta vez perante o Santa Clara.
- O Santa Clara apresentou-se num 4-4-2, com o bloco muito baixo e as linhas muito juntas, ocupando na perfeição o seu último terço. Com os extremos a acompanharem os laterais do Benfica quando estes subiam, o conjunto de Daniel Ramos fechou bem o lado da bola, bem como o corredor central.
- O Benfica demonstrou muita dificuldade em imprimir velocidade ao seu jogo, como já havíamos referido anteriormente. Circulação muito lenta e à largura, dando tempo suficiente aos açorianos para se ajustarem.
- Quando assim é, torna-se essencial atacar o espaço, ora para arrastar e desposicionar, ora para receber e finalizar. Num dos lances em que Waldschmidt trabalhou bem em espaço curto (este alemão, sim, tem condições técnicas para jogar o triplo!), saiu o golo do Benfica: qualidade no passe, velocidade na desmarcação e recurso ao primeiro toque! Só assim se consegue desmontar uma organização defensiva como a do Santa Clara no primeiro tempo!
- Na segunda parte, o Santa Clara arriscou mais. Subiu o bloco, concedeu mais espaço ao Benfica e a toada da partida permitiu chegadas mais rápidas ao último terço por ambas as equipas.
- Com o jogo mais partido, foi notória a dificuldade que o Benfica tem em acautelar a perda da bola, dadas as características de Taarabt (muito predisposto para correr, mas não chega para 90min, calcula mal os tempos de entrada e nem sempre está bem posicionado) e Weigl (falta-lhe passada e a tal agressividade que Jesus disse há dias que lhe estava a tentar incutir).
Resumindo, os problemas continuam, e só o tempo dirá se os jogadores se conseguem adaptar ao que Jesus quer, ou se será o técnico das águias a mudar algo no seu xadrez.

Destaques individuais
Vertonghen – num Benfica com tantas intermitências, o experiente belga tem sido dos mais regulares. Hoje, teve um corte absolutamente decisivo, quando Patrick seguia embalado para a baliza de Vlachodimos. Nunca comprometeu, oferecendo um nível de segurança com e sem bola que poucos na equipa conseguem, neste momento, dar."

Benfica FM #141 - Santa Clara...

5 hipóteses de reforços para o SL Benfica


"Chegamos, por fim, a janeiro. O primeiro mês do ano traz consigo não só muito frio, mas também o mercado de transferências de Inverno. O SL Benfica atravessa uma altura complicada da época. Os resultados escasseiam e as exibições não impressionam ninguém.
É um dado adquirido que a equipa encarnada se vai reforçar neste mercado. Como tal, elaborei uma lista de boas (e realistas) contratações para a realidade do SL Benfica. Alguns destes jogadores já foram associados ao clube das águias, outros são apenas sugestões algo fora do baralho, mas que acrescentariam muito à equipa.
As posições que considero mais necessitárias, defesa central, defesa direito e médio centro com características de transporte, influenciaram, naturalmente, as escolhas.

1. Augustín Almendra
20 anos
Médio Centro/ Médio Defensivo
Argentino
Boca Juniores
Valor de mercado: 11M€
Para mim, Almendra era o jogador ideal para o meio campo do SL Benfica. O jovem argentino encaixava como uma luva nas ideias de Jorge Jesus. Almendra é um médio muito potente com uma excelente capacidade de transporte de bola. Augustín é capaz de ultrapassar a pressão do adversário, seja em transporte ou em espaço curto, fazendo-se valer da sua agilidade e qualidade no 1×1. A sua capacidade de passe é boa e acaba sempre beneficiada pela sua boa maturidade no momento da decisão.
Defensivamente, o jovem médio não se esconde e contribui muito sobretudo na transição defensiva. Apesar do elevado número de desarmes (1,8 por jogo), Almendra comete muito poucas faltas, demonstrando o seu bom timing de desarme.
Almendra parecia estar de malas feitas para a MLS, mas acabou por permanecer em Buenos Aires. É uma oportunidade para o SL Benfica.

2. Mahmoud Dahoud
25 anos
Médio Centro/Médio Defensivo
Alemão
BVB Dortmund
Valor de Mercado: 10M€
Desta lista pode parecer o jogador mais irrealista, mas se analisarmos a situação até parece uma situação credível. Dahoud tem tido pouquíssimos minutos esta temporada. Figurou apenas em cinco jogos da liga alemã. Uma saída para ter mais minutos não é, de todo, descabida.
Do ponto de vista desportivo, Dahoud pode acrescentar muito ao SL Benfica com a sua qualidade de passe e transporte de bola. Dahoud realiza 1,3 passes chave por jogo, tendo uma eficácia impressionante no passe longo. O internacional sub-21 alemão é um jogador com capacidade para desempenhar um papel de médio box-to-box. Tem alguma chegada á área, mas também contribui bastante no momento de transição defensiva.
Dahoud pode parecer um alvo inalcançável, mas a desvalorização do jogador e a sua vontade de ter mais minutos pode provocar uma situação semelhante à de Weigl, do ano passado.

3. Brandon Soppy
18 anos
Lateral Direito
Francês
Stade Rennes FC
Valor de mercado: 5M€
Fecho as minhas propostas para lateral direito com o jovem Brandon Soppy. O lateral francês captou a minha atenção depois de uma grande exibição, num jogo de pré-época, precisamente frente ao SL Benfica. Soppy é um jogador velocíssimo e forte fisicamente. Consegue conciliar as excelentes capacidades atléticas com uma boa capacidade técnica. É um jogador forte no drible e com boa qualidade de passe. Os cruzamentos precisam de ser melhorados.
Defensivamente, muito fruto do seus atleticíssimo e da sua inteligência, Soppy é um um jogador difícil de ultrapassar. Efetua 2,8 desarmes por jogo.
Soppy entrava de caras no 11 do SL Benfica, tendo ainda uma margem de progressão brutal.

4. Reggie Cannon
22 anos
Lateral Direito
Estados Unidos da América
Boavista FC
Valor de mercado: 3M€
Reggie Cannon chegou apenas este verão ao Boavista FC, vindo do Dallas FC, mas já vai impressionando. O lateral norte americano é um autêntico ala completo. É muito rápido com ou sem a bola. Cannon é um jogador dotado tecnicamente, o que, aliado à sua velocidade, lhe permite ultrapassar os jogadores adversários. Tem uma excelente capacidade de cruzamento e é capaz de visar a baliza com os seus remates de longe.
Defensivamente, é um jogador muito competente e que nunca dá um lance por perdido. Esta época realizou 1,7 interceções e 1,8 desarmes por jogo.
Cannon tem potencial para evoluir muito mais.

5. Victor Nelsson
22 anos
Defesa Central
Dinamarquês
FC Copenhaga
Valor de mercado: 3M€
O SL Benfica parece já ter contratado Lucas Veríssimo ao Santos FC, mas Victor Nelsson teria sido uma excelente opção para a equipa de Jorge Jesus.
Nelsson é um jovem central que pode jogar também no meio campo. O dinamarquês é um jogador forte fisicamente, mas sente-se muito confortável com a bola nos pés. É uma mais valia na construção, sendo 33% dos seus passes (total de 61,36 por jogo), passes progressivos.
Defensivamente, é muito forte no 1×1 e tem um bom sentido posicional, realizando poucos carrinhos por jogo."

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Vermelhão: 2 pontos perdidos no meio do Atlântico...

Santa Clara 1 - 1 Benfica


Esta partida não devia ter sido realizada! Além da questão do temporal de ontem, que 'provocou' o adiamento do jogo para hoje, com cinco minutos jogados, temos uma das equipas com 6 jogadores positivos com o Covid, e um que acabou por ter alta nos últimos dias!!! O relvado que ontem estava impraticável, e mesmo assim, só após cinco minutos é que houve 'coragem' para adiar o jogo, hoje mesmo não chovendo, fomos obrigados a jogar num piso que numas zonas estava 'pesado' e prendia a bola, e noutros zonas escorregava e acelerava a bola... Dando uma clara vantagem a uma das equipas, era praticamente impossível levar a bola no pé em velocidade, as mudanças de direcção davam sempre em escorregadelas... Com 'outras' equipas envolvidas, não teria havido jogo, tenho a certeza!
Eu sei que o Benfica tem um calendário apertado até aos jogos do Arsenal, e as datas disponíveis são poucas, e teríamos mais uma viagem de avião para fazer, mas a direcção deveria ter feito tudo para adiar a partida!

Em relação ao jogo, tivemos duas partes diferentes: a 1.ª com domínio total do Benfica, algo permitido pelo Santa Clara que baixou muito as linhas. Mas vários passes mal feitos nos últimos metros, não permitiram um desnível maior no marcador... Devíamos ter 'matado' o jogo antes do intervalo!
Na 2.ª parte, os Açorianos parece que levaram uma 'injecção', e apareceram com outra atitude, e o Benfica teve dificuldades a travar os ataques rápidos... acabando por sofrer um golo, após uma bola parada... As 'pilhas' do Santa Clara duraram mais alguns minutos, mas nos últimos 25 minutos (incluindo os descontos) voltámos a ter o domínio total! Com muita 'bola' mas poucos remates, alguns cruzamentos, mas poucas oportunidades claras...

Aquela entrada no 2.º tempo foi tão mal 'amanhada' que o nosso melhor jogador acabou por ser o Vertonghen que 'limpou' várias jogadas com muita classe...
É curioso verificar que nos 'tempos' do Jonas e do Félix, tínhamos um excelente jogo 'interior' entre-linhas, mas não tínhamos 'ameaça' na velocidade nas costas da linha defensiva contrária! Hoje com o Darwin, temos potencialmente o jogador mais rápido nas 'costas' da defesa, mas não temos jogo interior 'de costas' para a defesa contrária! O Lucas faz algumas coisas bem, mas no jogo de 'primeira' nas tabelinhas, a fazer de 'pivot', o nosso melhor jogador é mesmo o Gonçalo Ramos, que neste momento ainda é a última opção para o lugar!!!
Nas últimas partidas, temos visto um Rafa mais activo, 'fora de posição', e mesmo o Everton está a começar a aparecer noutras posições, mas continua a faltar desmarcações sem bola no 'espaço'...

Na questão da atitude discordo de muito benfiquistas... não acho que exista jogadores a dar menos do que podem, ainda hoje, tivemos vários jogadores a fazer sprint's  para 'trás' nos últimos minutos e a pressionar alto o jogo todo, num terreno muito pesado! A questão na minha opinião é diferente: temos alguns jogadores que nos duelos defensivos, são pouco 'espertos' na forma como se fazem aos lances, temos poucos jogadores com características de 'choque' (o Gabriel é dos poucos e tem estado de fora...), e talvez a razão mais importante: os nossos jogadores são constantemente intimidados pelos apitadeiros! Qualquer lance 'dividido', com o adversário a cair no relvado é falta contra o Benfica!!! Hoje, por exemplo, o Everton fez uma boa recuperação de bola, junto da nossa área, deu imediatamente falta perigosa contra o Benfica, que não deu golo por milagre... Os nossos avançados, usam os braços para ganhar posição, como todos os avançados de todas as equipas, mas só aos nossos avançados, são assinaladas faltas ofensivas... Hoje tivemos um festival de simulações dos Centrais Santa Clara, basta 'atirar' a cabeça para trás e deixarem-se cair... Enquanto os nossos jogadores são 'obrigados' a encolherem-se nos duelos defensivos junto da nossa área, os nossos adversários 'entram' com tudo, carrinhos, braços, empurrões, dentro e fora da área do Santa Clara e não tivemos uma único livre em posição frontal durante os quase 100 minutos!!! Isto acontece em todas as partidas do Benfica, e isto altera a forma como o Benfica 'pode' pressionar... Tenho mesmo a certeza, que nas palestras antes dos jogos, a equipa técnica avisa os nossos jogadores, para terem 'cuidado' com os contactos junto da nossa área!!! E isto no Tugão, só acontece com o Benfica, e com todos os adversários dos Corruptos... e dos Lagartos!!!

Uma nota ainda para a arbitragem: no choque de cabeças entre o Gilberto e o adversário, o jogo esteve parado 5 minutos; aquela lesão fantasma do guarda-redes do Santa Clara em cima dos 90 minutos, obrigou a mais 2 minutos de paragem; tivemos 9 substituições; e ainda mais algumas paragem e anti-jogo após o 1-1, e tudo isto somado deu 8 minutos de compensação, cumpridos com muito zelo!!! Numa situação idêntica, com 'outros', este jogo nunca terminaria com menos de 10 minutos de desconto!!!

Os indicadores estão quase todos negativos, mas o mais importante neste momento é recuperar os 'impedidos' pelo Covid, e verificar se mais ninguém dá positivo, porque além da questão da perca de ritmo dos infectados, temos outro potencial problema: a carga excessiva, sobre os utilizados, que neste momento não têm opções no banco!!!

A 'janela' de Janeiro abriu, mas não sei se vamos ter muitas movimentações... Fala-se do Veríssimo e pouco mais! Pessoalmente, acho que precisamos de facto de mais um Central de qualidade... Mas também falta um '6' (que podia ser o Florentino...), um '8' (o Gedson não me parece que faça a diferença...) e um avançado estilo Jonas ou Félix, que saiba jogar de costas para a baliza... e até Alas com capacidade de ir 'a linha' fazem falta (o Everton e o Rafa, raramente ganham a linha de fundo, porque tendem quase sempre para 'dentro', em diagonais interiores)! Resumindo, muita coisa!!! Eu sei que o sound-byte dos 100 milhões é muito popular, mas o facto é que o plantel do Benfica, nas últimas temporadas perdeu muita qualidade/profundidade... E num cenário 'normal' seriam necessárias várias janelas de transferência para voltar a ter um plantel de qualidade equilibrado em todas as posições! E nem sequer vale a pena fazer comparações com os 'outros' plantéis dos candidatos ao título, porque para o Benfica ser campeão não é suficiente ser melhor do que os outros, temos que ganhar a todos de goleada, e depois celebrarmos os títulos, nas última jornada 'à rasquinha'... Não temos penalty's a favor, nem podemos andar o jogo todo a dar porrada e a terminar com 11... as regras são simplesmente diferentes!!!

Tiago Pinto...

Para vencer


"Não fosse a intempérie que se abateu sobre a ilha de São Miguel, nos Açores, hoje versaríamos sobre as incidências da partida iniciada ontem, mas interrompida por volta dos cinco minutos de jogo entre Santa Clara e Benfica.
O estado do relvado, impraticável para o futebol, logo se tornou evidente, não havendo outra opção senão a interrupção e reagendamento do jogo. Assim, hoje, às 17 horas (16 horas locais), a partida será reatada, esperando-se que as condições climatéricas ajudem a que se possa concluir o desafio.
Não obstante a realização do jogo em dois atos, o objetivo da vitória mantém-se inalterado, a exigir compromisso e carácter, como sempre acontece em todas as vezes que uma equipa do Benfica entra em campo.
Somar três pontos e, assim, reaproximarmo-nos e mantermos a pressão sobre o líder é o que nos norteia para esta tarde, sabendo que, pela frente, temos um adversário que luta, no mínimo, por pontuar. Isso ficou bem visível no escasso tempo de jogo realizado, com ambas as equipas, apesar das notórias dificuldades na circulação de bola, a tentarem acercar-se da baliza contrária e, inclusivamente, a rematarem.
Esta temporada tem sido atípica, também, pelo calendário ainda mais sobrecarregado do que a norma. Trata-se de uma consequência desejável, e que não enjeitamos, da permanência em todas as frentes. Temos quatro títulos em disputa, aos quais nos lançamos, sem exceção, com a ambição que nos caracteriza enquanto instituição desportiva sempre vocacionada para o sucesso.
Que hoje a nossa equipa saiba ultrapassar as dificuldades com que se deparará e consiga somar os três pontos almejados.
De Todos Um, o Benfica!"

Vamos continuar a brincar à fantochada que é este campeonato?


"Steven Vitória seria, muito provavelmente, o titular do jogo de hoje frente ao FC Porto, mas a direção do Moreirense quis intervir no 11 inicial e, presumivelmente, colocar Ferraresi no seu lugar. César Peixoto não gostou desta e de outras intromissões e demitiu-se. E quem é Ferraresi?

Nada mais, nada menos que o ex-jogador do FC Porto B (emprestado pelo Manchester City), onde disputou 23 jogos. De realçar que, até ao momento, Ferraresi apenas tinha disputado 5 jogos pelo Moreirense em todas as competições. Foi precisamente este o jogador que cometeu o penálti forçado a favor do - seu - FC Porto.

Desde que Sérgio Conceição teve a distinta lata de pedir mais penáltis a favor, o FC Porto tem admiráveis 12 grandes penalidades em 19 jogos (13 em 20 se considerarmos o jogo da Supertaça, frente ao SL Benfica).

23/06 Porto-Boavista, 2 penáltis
29/06 Paços de Ferreira-Porto
05/07 Porto-Belenenses, 1 penálti
09/07 Tondela-Porto, 1 penálti
15/07 Porto-Sporting
20/07 Porto-Moreirense, 1 penálti
25/07 Braga-Porto
19/09 Porto-Braga, 2 penáltis 
26/09 Boavista-Porto

03/10 Porto-Marítimo, 1 penálti
17/10 Sporting-Porto
24/10 Porto-Gil Vicente, 1 penálti
30/10 Paços de Ferreira-Porto, 1 penálti
08/11 Porto-Portimonense
28/11 Santa Clara-Porto
05/12 Porto-Tondela
20/12 Porto-Nacional, 1 penálti
29/12 Guimarães-Porto
03/01 Porto-Moreirense, 1 penálti

Na Liga NOS, o FC Porto leva 7 pontapés de penálti em 12 jogos, o Sporting CP 5 e o SL Benfica 0. Até quando irá continuar o regabofe?

É isto a Liga Portugal. Que siga o circo e não se esqueçam de consultar as imagens em anexo (e partilhar a publicação)."

domingo, 3 de janeiro de 2021

Boas entradas !!!

Benfica B 4 - 0 Oliveirense


Estreia de Veríssimo como treinador principal com uma goleada...
A primeira diferença importante esteve na 'atitude' nas substituições, muito mais pró-activo!

Golos no 2.º tempo...

Benfica 3 - 0 CF Benfica


Com algumas jogadoras a passar as mini-férias nos seus países, começamos com várias titulares no banco, que com o decorrer do jogo foram entrando, contribuindo assim para a melhoria da equipa...

Empate em Braga...

Braga 4 - 4 Benfica

Parece que as mini-férias não fizeram bem à nossa equipa de Futsal! Depois do 0-2, ficámos um pouco 'anémicos', e a nossa habitual consistência defensiva esteve ausente... Espero que tenha sido somente um mau jogo... mas pode ter sido decisivo para a 'ordem' da época regular!
O 5x4 ofensivo no final, acabou por dar um golo mas soube a pouco...!!!

Derrota no Barreiro...

Galitos 78 - 74 Benfica
(17-14, 28-21, 20-21, 13-18)

Com os reforços recém-chegados ainda em fase de adaptação, já estava à espera de alguns maus resultados.
A equipa não estava a 'convencer', mas pelo menos tínhamos compromisso defensivo nos jogos mais importantes, vamos ter que esperar para ver se com esta mini-revolução, estamos melhor ou pior...
Como é habitual nas equipas do nosso treinador, quando os Triplos não caem, tudo fica mais complicado, hoje, com 5/29 na linha de três era quase impossível ganhar!!!

A prática desportiva enquanto característica humana


"Numa preleção no âmbito de um Congresso Internacional da Associação Internacional de História do Desporto (HISPA), apresentado no INSEP (Paris), em março de 1978, o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002) fazia “figura de amador entre profissionais” e solicitou aos presentes que tivessem “espírito desportivo” para as palavras que iria proferir. Não sendo um especialista na análise histórica do desporto, conferia-lhe o estatuto de colocar questões que muitos já tinham deixado de colocar ou pensavam estar completamente resolvidas.
Ele tinha um olhar externo, mas encontrava nos seus objetos de estudo as práticas e os consumos desportivos. Questionava-se, então, sobre a relação entre determinadas variáveis (o nível de instrução, a idade, o sexo, a profissão). Na sua perspetiva, as práticas desportivas (futebol, natação, atletismo, etc.) são uma oferta destinada a encontrar uma procura social. Sendo um produto, como chega aos agentes sociais o gosto pelo desporto e de uma determinada prática? Que condições sociais e históricas tornaram este fenómeno social aceitável? Como foi possível a criação de instituições ligadas quer direta, quer indiretamente às práticas desportivas? Quem são esses agentes sociais que têm por função defender os interesses do desporto? Como funciona este campo de concorrência, em que cada um defende os seus interesses específicos?
Nestes questionamentos, Pierre Bourdieu referiu que “a história do desporto é uma história relativamente autónoma que, ainda quando é escandida pelos grandes acontecimentos da história económica e política, tem o seu próprio ritmo, as suas próprias leis de evolução, as suas próprias crises, em suma a sua cronologia específica”. Não interessa datar o desporto, mas a de saber quando se pode falar dele, ou seja, a partir de quando se constituiu esse campo de concorrência. Pouco interessa a procura das “origens”. O que é importante é analisar as especificidades das práticas desportivas e, mais especificamente, como determinados exercícios físicos preexistentes receberam uma significação social diferente, como fez o sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990), na sua perspetiva evolucionista. Muitos são os historiadores e sociólogos que referem que a passagem do simples jogo ao desporto terá sido efetuada nas escolas inglesas reservadas às elites no século XIX. Os filhos das famílias da aristocracia ou da grande burguesia retomaram um certo número de jogos populares, transformando-os. Uma das chaves da divulgação do desporto e da criação de várias organizações desportivas, no final do século XIX, foi porque as “public schools” assumiam a tarefa de educar os jovens a tempo inteiro.
A prática dos desportos foi um meio de “ocupar” (a baixo custo, saliente-se) os adolescentes. Eles entregavam-se a uma atividade física “sã” e descarregavam a sua violência nos seus camaradas de escola em vez de descarregarem nos seus professores. Com os bons resultados, foram recebendo o reconhecimento e o auxílio dos poderes públicos. De notar também que a passagem do desporto das escolas de elite para as associações desportivas de massa (populares) é acompanhada de mudanças e de transformações por parte dos desportistas e dos dirigentes. “A escola, lugar da scholé, do ócio, é o local onde práticas dotadas de funções sociais e integradas no calendário coletivo, se convertem em exercícios corporais, atividades que são o seu próprio fim, espécie de arte pela arte corporal, submetidas a regras específicas, cada vez mais irredutíveis a qualquer necessidade funcional, e inseridas num calendário específico”, refere Bourdieu.
Associado ao nome de Pierre de Coubertin (1863-1937), pai do olimpismo moderno, a definição de desporto integra um ideal ético e moralista, reclamando regras e compromissos e valores de convivência e de cidadania. No campo das práticas desportivas, existem lutas, lutas essas que procuram impor a definição legítima: amadorismo versus profissionalismo, desporto-prática versus desporto-espetáculo, desporto de elite versus desporto de massas, desportos chiques versus desportos vulgares, etc. Existe, de facto, uma distribuição das práticas desportivas segundo as classes sociais. Nos seus estilos de vida, cada um privilegia o que mais lhe interessa (musculatura, elegância, bem-estar psíquico, etc.).
Existe, igualmente, uma atenção desigual relativamente aos ganhos intrínsecos. Ainda na perspetiva de Bourdieu, “tudo permite, portanto, supor que a probabilidade de praticar os diferentes desportos depende, em graus diferentes para cada desporto, do capital económico e secundariamente do capital cultural e também do tempo livre”. Nas sociedades modernas, e na “busca da excitação”, o desporto tornou-se um espaço compensatório das rotinas do quotidiano."

sábado, 2 de janeiro de 2021

Antevisão...

Uma noite que parecia dia


"240 projectores orientados na direcção do relvado iluminaram uma festa gigantesca que terminou com um jogo entre Benfica e Flamengo (1-1). No meio de tanta alegria encarnada, os brasileiros saíram irritados por terem sofrido um golo fora-de-jogo a 2 minutos do fim

Sabem aqueles que têm a infinita paciência de ler estas minhas páginas há mais de dez anos que gosto particularmente de ir em busca de jogos já fugidos da memória que envolveram a equipa do Benfica ao longo dos tempos. Desta vez entretive-me na pesquisa de uma visita do Flamengo a Lisboa em Junho de 1958. Vinham os cariocas para uma festa. Uma festa de luz na Luz, já que se inaugurava o sistema de iluminação do estádio. Razão mais do que suficiente para que o orgulho encarnado inflasse como inflou.
Esperava-se uma enchente extraordinária.
Recordava-se que os encarnados nunca tinham conseguido bater os rubro-negros do Rio de Janeiro. Seria agora?
Vindos de França, onde tinham realizado o último encontro particular de uma digressão que os levara à Hungria e a Inglaterra, totalmente imbatíveis nos seis jogos realizados, os brasileiros chegaram ao aeroporto da Portela envoltos na habitual alegria que faz parte da sua idossincrasia. Tinham nomes sonantes para a altura, como Joubert, Décio, Carlinhos, Dequinha, Alfredinho e Luís Carlos, e um treinador pachola, de discurso simpático e correcto, Jaime de Almeida: 'Jogar contra o Benfica só pode ser, para nós, um autêntico prazer. Ainda por cima, porque nos sentimos em Lisboa como se estivéssemos em casa'. A imprensa portuguesa levou a bem estas palavras. Nada com um elogio para trazer ainda mais vida ao jogo do dia seguinte. Ou, melhor, da noite seguinte. Sob a luz mágica dos novos holofotes.

240 projectores e um offside
Ainda não seria desta vez que o Benfica haveria de bater o Flamengo. Aliás, a festa de amizade há tanto tempo programada acabou de forma feia, com os brasileiros a discutirem bravamente com o árbitro o golo que permitiu ao Benfica atingir o empate (1-1) a 2 minutos do fim.
Facto indesmentível e intocável: a exibição dos encarnados não foi das tais coisas. Talvez por causa da ansiedade de vencer um adversário até aí imbatido, talvez porquê faltasse ao conjunto o toque colectivo que se exige para que seja isso mesmo: um conjunto. É preciso acrescentar que o Flamengo estava desfalcado no seu onze titular: Joel, Dido, Zagallo e Moacyr estavam na Suécia, integrados na selecção brasileira que não tardaria a conquistar o seu primeiro título de campeã do mundo. Ainda assim, a linha defensiva carioca foi de uma ligeireza e de uma elasticidade notáveis, ao ponto de baralhar por completo a movimentação dos atacantes portugueses, sobretudo José Águas, que ficou perdido entre as torres adversárias.
Alegres e matreiros, os flamenguistas trataram de ensaboar a cabeça a Serra e a Coluna, os melhores do Benfica, que andavam por ali, campo fora, atrás deles com os bofes de fora, tamanho o descaramento das tabelinhas rápidas e precisas que iam sendo desenhadas a meio-campo.
O público, que era muito, ficou naturalmente desiludido.
A esperança de bater finalmente o Flamengo desvanecia-se, e mais ainda quando Henrique, um avançado poderoso, à europeia, marcou o golo que dava vantagem aos visitantes.
Com o passar do tempo, não se viam jeitos de alterar o resultado.
Verdade que, também como é seu costume, os brasileiros se preocupavam mais em divertir-se com a bola, em passes e repasses, do que propriamente em chutá-la à baliza de Costa Pereira, ainda assim protagonista de algumas defesas notáveis. Otto Glória, o brasileiro que estava sentado no banco dos portugueses, parecia ter sido apanhado desprevenido pela forma de actuar do opositor, com a infelicidade acrescida de não poder contar com dois dos seus mais lutadores elementos, Ângelo e Pegado, cuja ausência lhe esburacou o meio-campo.
Andavam as coisas por este caminho com o final do encontro cada vez mais próximo, quando Águas recebeu uma bola isolado frente ao keeper Fernando e repôs o empate. Festa nas bancadas, pois calro, mas confusão no relvado. Os brasileiros reclamaram fora-de-jogo, e as testemunhas presentes confirmaram, na sua maioria, a ilegalidade do golo benfiquista. Empurrão para cá e empurrão para lá, mas nada a fazer, a decisão estava tomada, o Benfica safava-se de uma derrota aborrecida em dia que deveria ser de festa. E foi. Porque, para lá do jogo, houve todo um espectáculo de luz e cor.
Procuro nos canhentos e encontro: Em tudo, foi uma festa 'à Benfica'! Multicolor, alegre, imponente, espectaular e rica de beleza. Tal como a luminosidade que brota de 240 projectores orientados para a tapete verde. O clube caprichou em delinear um programa variado, repleto de sugestão desportiva e que se documentou pela estafeta Chama do Benfica, cujos corredores passaram pelos locais onde existiram campos da colectividade, demonstrações de ginástica, todas impressionantes na harmonia e no ritmo, exposição campista e fecho com o jogo frente ao Flamengo'.
Foguetes estralejaram no ar.
Os brasileiros saíram irritados. Com razão, muito provavelmente. Mas, se calhar, naquele coite que parecia dia, o resultado do jogo nem era o mais importante..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Benfica feminino?


"Com o futebol feminino a dar os primeiros passos, um grupo de jogadoras encontrou uma maneira de chamar a atenção.

Nas primeiras décadas do século XX, acreditava-se que 'o futebol era um desporto, varonil. Exigindo um fundo atlético de grande relevância, a sua prática era aconselhável a indivíduos de forte capacidade física e de grande resistência ao esforço' e, como tal, 'não parecia reunir grandes motivos de atracção do elemento feminino. Por boas e muitas razões se tem entendido que o futebol é um desporto... para homens'. Em meados do século, essa ideia começou a dissipar-se com o aumento de praticantes femininos dessa modalidade, especialmente no Brasil e em Inglaterra.
O público comparecia em massa para esse tipo de eventos, ainda para mais quando as partidas era frente a equipas estrangeiras. Assim, em Dezembro de 1959, quando o treinador da formação feminina do Darlston viu 'o papel timbrado com a palavra Benfica, supôs que se tratava de um grupo estrangeiro' e aceitou de imediato o convite.
O entusiasmo estendeu-se por toda a cidade, fazendo com que os habitantes de 'dirigissem em grande número ao campo de futebol'. A informação oficiosa de que seriam italianas fez com que António Morgillo, emigrado há vários anos e residente na cidade vizinha de Wolverhampton, quisesse assistir ao encontro por forma a contactar com as suas conterrâneas.
A expectativa era imensa, contudo, ainda na primeira parte, alguns 'espectadores começaram a ficar intrigados ao ouvir as «italianas» exclamarem frases em inglês corrente'. Morgillo aproveitou o intervalo para ir cumprimentar as jogadoras e saber novidades da sua terra natal, o que gerou um enorme silêncio, quebrado com o anúncio da guarda-redes: 'eh, nós não somos de Itália, somos de Lancashire'.
A situação foi desmitificada pela treinadora das 'benfiquistas'. Na verdade, eram todas inglesas, que tinham estado em Portugal e visitando as instalações do Benfica. As atletas ficaram tão fascinadas, que, ao regressarem a Inglaterra, quiseram formar um clube com o nome dos 'encarnados'. Ainda assim, no final do encontro 'a maior parte dos adeptos continuava sem compreender que não tinham estado a presenciar' um jogo de uma equipa feminina do Benfica, mas sim uma magnífica demonstração de puro fascínio pela mística e pela história dos 'encarnados'.
A equipa feminina do Benfica levou mais algumas décadas a ser uma realidade, mas finalmente aconteceu na época 2018/19. Conheçam algumas das suas conquistas na área 1 - Ontem e Hoje do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Há muito por ganhar


"Diz-se que, no desporto, 'o que conta são os resultados'. A análise é condicionada por eles, incluindo a de dirigentes, devendo estes, no entanto, e recorrendo ainda a um aforismo, ter a capacidade de olhar para a floresta como um todo e não para as árvores que os rodeiam. Temos um exemplo paradigmático e de sucesso relativamente recente no Clube, quando, em 2013, na sequência de tudo perdido, Luís Filipe Vieira percebeu, contra a opinião da maioria, que deveria renovar o contrato de Jorge Jesus, dando assim um passo vital para o inédito tetra que se seguiu.
Perder uma Supertaça, mesmo sendo apenas um troféu, é péssimo, seja com um dos adversários que fazem do ódio ao Benfica uma das suas forças motrizes, o FC Porto e o Sporting, seja com outro qualquer. E não o é somente por se tratar de uma derrota, das quais ninguém gosta. É-o porque o etos benfiquista tolera a possibilidade de derrota. Já dizia a canção, concisa e acertadamente, 'o nosso destino é o de vencer'.
O repúdio à possibilidade da derrota não significa, no entanto, que neguemos a sua ocorrência ou que, acontecendo, devamos proceder a purgas desprovidas de sentido para acalmar as hostes.
Tivemos períodos de maior e menor fulgor desportivo, não me constando que, desde a consolidação da presença do Clube na sociedade portuguesa, o activo mais sólido do Benfica, o benfiquismo, tenha sido afectado por aí além por essas oscilações. E, presentemente, sabendo que só com a devida distância poderemos, de facto, estabelecer os limites de um período, creio que perdura um caracterizado por sucesso desportivo (diferentes de ganhar sempre) e as bases do sucesso permanecem sólidas. Espero ter razão, acredito que terei."

João Tomaz, in O Benfica

Foi-se 2020, finalmente!


"Hoje não vos vou falar de desporto, mas também se aplica. Este ano de 2020 foi tão invulgar e triste, que o campo desportivo foi apenas mais uma das áreas em que, enquanto sociedade, nos tiraram o tapete.
De Março para cá, as nossas vidas mudaram. Os afectos públicos deixaram de fazer parte das rotinas - há quanto tempo não abraçamos o beijamos, como merecem, os nossos pais e avós? As nossas liberdades enquanto cidadãos foram afectadas - ajuntamentos públicos e privados, acesso à cultura e ao ensino, tudo restringido. Em dados momentos, como o que vivemos nesta semana, até a possibilidade de nos movimentarmos pelo país foi proibida.
Centenas de milhares de portugueses e residentes em Portugal perderam os seus empregos ou viram reduzidos os seus empregos ou viram reduzidos salários, horários e transformada e organização do seu trabalho. No espaço noticioso fomos inundados pela covid-19, 24 sobre 24 horas. Tudo passou para terceiro plano. Em primeiro a pandemia, em segundo os cuidados a ter para evitá-la. No momento em que vos escrevo, os dados oficiais de mortes por covid-19 em Portugal estão à beira das 6700 pessoas, para um número total de casos que já ronda os 400 mil. Todos temos alguém, mais ou menos próximo, que já passou pelo quadro diário de números da Direcção-Geral da Saúde. A pandemia veio afectar-nos, como sociedade e individualmente, muito mais do que passaríamos. Provavelmente, mais do que alguém poderia prognosticar, mas estarmos cá.
Estamos prontos para enfrentar mais um ano com a palavra da moda: resiliência. A física diz-nos que resiliência é a 'capacidade de um corpo recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação'. Tenho dúvidas de que voltemos à 'forma original', mas com coragem, ambição e capacidade de superação, com ganas, foco e querer, podemos até melhorar enquanto seres humanos. Que 2021 nos traga, pelo menos, isso.
E saúde."

Ricardo Santos, in O Benfica

Feliz 2021, Benfica!


"Então o senhor covid decidiu invadir o balneário dos nossos jogadores? Não seremos o primeiro nem o último clube no mundo a levar com uma visitinha do vírus, mas fiquei muito frustrado com este timing. Tenho pena de que o bicho não tenha aparecido uma semaninha mais cedo, a tempo de poupar os jogadores e os adeptos daquela exibição tão pouco conseguida na Supertaça. Paciência, pelo menos alguém na estrutura que encomende já uma remessa de vacinas para protegermos o quanto antes os elementos mais importantes: o Taarabt e o Luisão.
2020 já lá vai, o que significa que abandonámos finalmente um dos anos mais difíceis de enfrentar em toda a nossa vida. Fomos obrigados a ficar trancados em casa, a usar máscara e a assistir de longe à perda da confortável liderança que tínhamos em Janeiro. Qualquer um deseja entrar em 2021 com o pé direito, no entanto espero que o Grimaldo, o Vertonghen, o Nuno Tavares, o Gabriel, o Cervi, o Pedrinho, o Waldschmidt e o Seferovic entrem com o pé esquerdo.
Este primeiro mês de 2021 será decisivo, o que significa que não há espaço para erros. E e todos os benfiquistas continuamos à espera de um Benfica à altura das exigências. Garantiram-me que esta equipa ia jogar o triplo, e é dessa raça, crer e ambição que eu gosto. Mas é uma promessa que tem de ser convertida em realidade. Merecemos um 2021 muito mais generoso que o antecessor, onde fomos privados de tudo e mais alguma coisa. Que este novo ano recomponha o mundo de saúde, harmonia e, sobretudo, que volte a encher as bancadas da Luz com 65 mil apaixonados carregados de saudades de sentir a pele arrepiada enquanto toca o hino."

Pedro Soares, in O Benfica

Apagar 2020


"Ano para esquecer, ano maldito, ano terrível, todas as palavras seriam poucas para definir aquele que seguramente foi, para a humanidade, o pior ano do século.
Uma pandemia irritante e inesperada destroçou vidas, famílias, empresas e empregos. Obrigou hábitos até há pouco impensáveis. Confinou e violentou populações. E o pior é que, mesmo rasgando as folhas do calendário, este passado e presente de ansiedade ainda não se pode extinguir na totalidade.
Também no desporto, e em particular no futebol, tudo foi diferente, para pior. Campeonatos interrompidos, bancadas vazias, competições burocráticas, sem chama, sem luz, nem cor.
Desde Março que não vou à Luz. Um infeliz recorde mesmo forçado a viver o Benfica à distância, nem assim houve motivos para comemorar: perdeu-se um campeonato que à entrada de 2020 parecia cantado, perdeu-se uma final da Taça a jogar contra dez, e nem a Supertaça se salvou.
Também nas modalidades pouca coisa há para reter. O vírus retirou-nos campeonatos de voleibol, hóquei, talvez futsal, talvez até basquetebol, várias competições femininas. Quando o mundo parou, também os nossos juniores caminhavam para o título. E além do título de atletismo, da nova Taça 1947 de hóquei, da Supertaça de voleibol, e agora da Taça de futsal feminino, não me recordo de mais nada de relevante para mencionar nestes doze meses.
Que 2021 seja bem melhor é o desejo de todos. E para o Benfica, em particular, queremos vitórias e troféus, sobretudo naquele que é o principal barómetro para os grandes clubes portugueses: o campeonato de futebol. Jorge Jesus e os seus jogadores têm a palavra."

Luís Fialho, in O Benfica

2020, um ano inesquecível


"Chegou hora do balanço. Não fora o maldito vírus, esta seria uma época de muitas conquistas. Iniciámos o ano com a brilhante vitória da nossa equipa masculina de atletismo, no Campeonato Nacional de Estrada. Foi um 11 de Janeiro à Benfica, em Oeiras, com um quarteto de luxo - Samuel Barata, Rui Pinto, Samuel freire e Alexandre Figueiredo. Quase um mês depois, na Figueira da Foz, Samuel Barata, Duarte Gomes, Alexandre Figueiredo e Samuel Freire voltaram a brilhar no Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto. A 22 de Fevereiro, em Braga, mais uma conquista - o Campeonato Nacional de Clubes em Pista Coberta. A 7 de Março, em Vagos, António Vital e Silva (martelo), Leandro Ramos (dardo), e Emanuel Sousa (disco) arrasaram no Campeonato Nacional de Lançamentos Longos. No dia seguinte, em Braga, a nossa equipa de sub-23 bateu toda a concorrência no Campeonato Nacional de Esperanças.
Após a primeira vaga da pandemia, no Estádio Universitário de Lisboa, foi escrita uma das mais brilhantes páginas do atletismo, com a conquista do décimo Campeonato Nacional de Clubes em Pista, em masculinos. Este ciclo vitorioso do atletismo terminou, no passado dia 18 de Dezembro, na Maia, onde o fantástico Samuel Barata se sagrou campeão de Portugal de 10000 metros.
Fechámos o ano com três brilhantes e categóricos triunfos - a Supertaça masculina de voleibol, em Gondomar, a Taça 1947 masculina de hóquei em patins, no Luso, e a Taça de Portugal feminina de futsal, em Matosinhos. Oeiras, Figueira da Foz, Braga, Vagos, Maia, Gondomar, Luso e Matosinhos, oito concelhos mágicos pintados de vermelho e branco.
Votos de um 2021 retumbante!"

Pedro Guerra, in O Benfica

De todos, um!


"Que 2021 seja o ano do regresso à normalidade. Deverá ser este o desejo de milhares de milhões de seres humanos no cair das doze badaladas e na despedida do ano áspero que acabamos de atravessar. Que não será exactamente assim, por milagre de calendário, que a Covid-19 passará aos manuais de história, também o sabemos todos. Mas a chegada do novo ano com notícias de vacinas a encherem os telejornais de todos os povos é um banho de esperança que há muito almejávamos. A ciência e o engenho humano, alinhados em cooperação e num grande objectivo comum, talvez o primeiro de que temos memória à escala planetária, mostram à sociedade que a humanidade não perdeu o futuro. Pelo contrário, sabe e quer superar-se a cada nova contrariedade, mostrando que não nos resumimos globalmente a uma sociedade supostamente sem valores e centrada apenas na economia e na competição. Pelo contrário, quando somos postos à prova, sabemos ir ao fundo do conhecimento, invocar a ciência e cooperar como nunca, até entre nações menos relacionadas entre si, para alcançar o bom comum.
Mas, se lições há que este ano de covid nos trouxe, a recentragem de valores, a importância da família nuclear e da solidariedade vicinal, as virtualidades indiscutíveis do Estado Social e a cidadania enquanto espaço de liberdade e responsabilidade individual de que depende o bem-estar coletivo são algumas dessas lições. Também aprendemos que todos somos poucos, e que ninguém se pode demitir dos problemas, mas antes assumir como suas as dores de todos e fazer parte das soluções, mesmo que isso pareça menos óbvio. E, neste particular, o Benfica, o clube secular que toca a vida dos portugueses muito além das alegrias do relvado, continua a mostrar-se exemplar. Não para exibir o que faz, mas porque os benfiquistas lhe exigem que faça  que há a fazer em prol da sociedade. E foi assim, uma vez mais em 2020, com o Benfica a mobilizar-se e a oferecer luta musculada e sem quartel à pandemia, apoiando vultuosamente o SNS e levando ajuda aos mais vulneráveis no terreno. Será assim, sem dúvida, no próximo e em todos os anos vindouros, mostrando que é muito mais que um clube e que é, isso mesmo, 'de todos, um'.
E pluribus unum. Venha de lá 2021!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Núm3ros d4 Sem4n4


"5
Nossos jogadores (Gonçalo Ramos, Jardel, João Ferreira, Pizzi e Seferovic) impedidos de defrontar o Portimonense devido ao teste positivo à covid-19, relembrando-nos a facilidade com que o vírus se propaga, a importância da testagem e a urgência da vacinação em grande escala;
6
Taças de Portugal, em 7 edições conquistadas pela nossa equipa feminina de futsal. A senda vitoriosa das tricampeãs nacionais perdura, para honra e glória do Benfica, hegemónico neste particular do panorama desportivo português (vencemos todas as competições desde 2016/17 inclusive);
14
Rafa, o homem do jogo frente ao Portimonense, com um golo e uma assistência, chegou à 14.ª posição do ranking de golos e assistências neste Estádio da Luz. Soma agora 19 golos e 13 assistências, totalizando 32 combinações os dois itens, igualando o registo conseguido por Mitroglou e Rodrigo. Em competições oficiais pelo Benfica, chegou aos 42 golos e é o 54.º neste ranking (a par de Iaúca (52.º) e Filipovic (53.º), mas utilizado em mais jogos);
16
Anos que Renato Paiva serviu o clube no futebol e formação. Por ele passaram alguns dos jogadores que mais se destacam no futebol nacional e mundial na actualidade. Ficará na memória a dedicação, a competência, a correcção e o benfiquismo de um treinador que tem agora a oportunidade de singrar num clube equatoriano que, em 2019, venceu a Americana e, em 2016, foi finalista da Libertadores.
1829
Ao fim de 22 jogos em competições oficiais, Vertonghen é o mais utilizado, com 1829 minutos em campo (incluindo tempos adicionais). Na peugada do belga estão Everton (1685), Vlachodimos (1543) e Darwin (1517). Vertonghen participou em 19 partidas e tem uma média ligeiramente superior a 96'15'' por jogo."

João Tomaz, in O Benfica

O melhor 11 de 2020 | SL Benfica


"2020 foi um ano extremamente difícil pelas razões que todos conhecemos. No entanto, foi ainda mais difícil para quem é adepto do SL Benfica.
Aliado ao aparecimento de uma pandemia, que veio condicionar as nossas vidas, o descalabro desportivo encarnado contribui, de certeza, para um agravamento (ainda maior) do estado de espírito de milhões de portugueses.
Com o ano a aproximar-se do fim, esta semana decidimos eleger o melhor XI encarnado de 2020, composto pelos melhores jogadores que estão (e estiveram) ao serviço do Glorioso ao longo deste ano. 

Guarda redes
Odysseas Vlachodimos – O dono da baliza continua a ser o grego, que demonstrou, ao longo deste ano, ter evoluído consideravelmente o seu jogo. Imperial dentro dos postes, Vlachodimos melhorou o controlo da profundidade, ajustando o seu posicionamento fora dos postes de modo a dobrar os seus colegas de setor.
De resto, o grego, se quiser elevar-se a outro nível, terá de melhorar o seu timing no que toca a intercetar cruzamentos, assim como deverá treinar mais o seu jogo de pés.

Lateral direito
André Almeida – Os anos passam, pandemias surgem, mas há uma coisa que teima em não mudar: André Almeida continua a ser, face às alternativas que são utilizadas, a opção mais fiável para a lateral direita encarnada.
Face à sua lesão, temo-nos deparado com uma súbita saudade do português – muito por culpa das exibições de Gilberto -, que, apesar de não encantar, ia cumprindo o seu dever, marcando, ocasionalmente, golos dignos de prémio Puskas.

Defesa central
Rúben Dias – O dia que todos nós, benfiquistas, temíamos finalmente chegou. Rúben Dias, por força do falhanço da qualificação para a fase de grupos da Champions, rumou aos ingleses do Manchester City FC, deixando o clube do seu coração após dez anos ao serviço das “águias”.
Um líder nato, com uma leitura de jogo e uma capacidade de passe e desarme assinaláveis, Rúben foi um dos alicerces da defesa benfiquista e é, atualmente, um dos melhores defesas do futebol europeu. 

Defesa central
Jan Vertonghen – Uma contratação inesperada, mas que veio engrandecer o Sport Lisboa e Benfica. Perspetivava-se uma dupla de ferro composta pelo belga e Rúben Dias, mas, pelas razões descritas anteriormente, a parceria foi sol de pouca dura, sendo que Vertonghen é, atualmente, um bombeiro que tenta apagar (muitas vezes sozinho) os incêndios que assolam a defensiva encarnada.
Um grande defesa, cujas capacidades técnico-táticas estão furos acima dos restantes companheiros de setor, mas que precisa de maior apoio por parte da equipa (e do treinador).

Lateral esquerdo
Álex Grimaldo – Um desequilibrador nato, que, se melhorar o aspeto defensivo, tem tudo para sonhar com a titularidade da lateral esquerda da La Roja e, possivelmente, de dar o salto para palcos maiores. 
Grimaldo continua a ser um jogador fulcral para o futebol do Benfica, sendo que a sua vasta amplitude de recursos técnicos o tornam no melhor lateral dos encarnados.

Médio direito
Rafa – Apesar de ter sido um ano marcado por lesões e alguma irregularidade exibicional, Rafa cimentou o seu lugar no onze encarnado, através das suas arrancadas a rasgar as defesas encarnadas e dos golos que somou ao longo da temporada.
Além disso, o português melhorou o jogo em espaços mais curtos, tornando-se, também, uma alternativa viável para jogar em espaços mais interiores.

Médio centro
Adel Taarabt – Um jogador imponente, com uma fome de bola insaciável e uma capacidade técnico-tática acima da média, o marroquino foi, muitas vezes, uma peça importante para desbloquear os jogos para os encarnados.
No entanto, a sua (in)capacidade defensiva expõe demasiado a equipa, que, num sistema tático com apenas dois médios centro, vê-se constantemente desequilibrada devido à fraca transição defensiva de Taarabt.

Médio centro
Pizzi – Apesar de ter demonstrado alguma irregularidade exibicional ao longo do ano, é indiscutível que Pizzi continua a ser um jogador importante na manobra ofensiva encarnada, sendo prova disso os 31 golos marcados na época passada.
Com uma visão de jogo e uma capacidade de definição no último terço do terreno acima da média, o transmontano tem-se afirmado como um dos grandes jogadores do século XXI encarnado.

Médio esquerdo
Everton Cebolinha – Vindo do Grémio por 20 milhões de euros, Everton tomou a ala esquerda de assalto, afirmando-se como titular indiscutível nesta segunda passagem de Jorge Jesus pelo Benfica. 
Rápido, com uma boa capacidade técnica e de definição, o brasileiro, que é o reforço com mais minutos de competição (1553’) soma já quatro golos na sua primeira época na Europa, deixando bons indicadores para o futuro.

Ponta de lança
Carlos Vinícius – O artilheiro da época passada, Carlos Vinicius abandonou a Luz após uma época, onde marcou 24 golos e somou 13 assistências em 47 jogos, sendo que em grande parte deles partiu do banco.
Aliás, é de realçar que o brasileiro fez um golo ou assistência a cada 77 minutos em campo, o que é o melhor rácio de minutos por participação num golo entre todos os jogadores com mais de 300 minutos na Primeira Liga em 2019/2020.

Ponta de lança
Darwin Núñez – Um avançado caro que se pode vir a tornar barato. Darwin, que chegou este ano vindo do UD Almeria por uns impressionantes 24 milhões de euros, já se afirmou como titular indiscutível no XI encarnado. Um avançado possante, raçudo, cuja velocidade e capacidade de explorar as costas das defensivas adversárias o tornam numa ameaça constante.
Com seis golos e quatro assistências em 17 jogos, espera-se que o jovem uruguaio se afirme como mais um dos grandes goleadores a passar pela Luz e que, após de conquistar muitos troféus, permita um bom encaixe financeiro aos cofres encarnados."

Sobre as crenças...



"“Explicar uma coisa, é retroceder facilmente aos seus antecedentes;
conhecer uma coisa, é prever facilmente as suas consequências.”
(William James, 1842-1910)

A criança é irrequieta: vai para o judo. O jovem não colabora com os colegas: vai para o basquete. O miúdo é hiperactivo: vai para o karate. A criança tem uma má postura: vai para a natação. O petiz é indisciplinado: vai para o aikido. O jovem é obeso: vai para o futebol. Não se mexe: vai para o atletismo. É desatento: mais um para o karate. Afinal o desporto acaba por ser uma clínica… devido a acreditar-se em generalidades.
Vem isto a propósito daquilo em que se acredita sobre o desporto, estando sempre à espera de benefícios por parte deste sem nos interrogarmos se o desporto é neutro ou se o desporto é inócuo.
E se a maioria das pessoas ainda possuem crenças positivas e fundamentadas em relação ao desporto durante a fase de formação de jovens desportistas (mas atenção à deformação!), essas mesmas pessoas e talvez muitas mais possuem crenças erradas em relação ao desporto profissional qualquer que seja a modalidade, dado o actual estado de mercantilização do mesmo.
– Mister, acredita que ainda vai a tempo de ganhar o campeonato? - pergunta o jornalista ao treinador.
– Claro que sim, temos de acreditar sempre que estamos sempre a tempo - responde o treinador.
– Com esta sua vinda, acredita que a prestação da equipa vai melhorar?
– questiona o comentador desportivo à recente aquisição. – Sim, eu vim para ajudar o clube e prometo trabalhar, trabalhar muito para ajudar o clube a ser campeão. E acredito que vamos ser campeões!
Mais uma vez, a propósito de crenças de jornalistas, de treinadores, de comentadores e de desportistas… 
Vivemos desde os primórdios da nossa espécie sujeitos a crenças. A nível social em termos de superstições, de rituais e de opinião pública, a nível individual em termos de convicções. Nos tempos actuais essas crenças são ainda mais instiladas na nossa consciência pelos ‘mass media’.
As crenças são opiniões formadas, interiorizadas, provenientes da nossa educação, das nossas vivências, da nossa formação… ou são o impulso para tendências que seguimos devido aos nossos modelos, aos líderes em que depositamos confiança, ou graças à acção da publicidade, do marketing ou da propaganda… Está nos manuais.
As crenças influenciam os nossos valores, que por sua vez se reflectem nas nossas atitudes e que se demonstram nos nossos comportamentos. Também vem nos manuais.
Somos influenciáveis e manipuláveis, e mesmo que estejamos a isso atentos as pressões podem ser tantas que delas não conseguimos escapar. E sem darmos conta vamos construindo as nossas crenças, quer sejam baseadas em factos fundamentados quer nos sejam inculcadas pela repetição da apresentação de arquétipos quer de estereótipos.
Em tempos idos havia os que acreditavam na Santa Inquisição, hoje em dia há os que acreditam que a Terra é plana. Havia antigamente os que acreditavam no poder absoluto e agora há os que não acreditam na ciência. Havia os que acreditavam nos ideais da Revolução Francesa agora há os que acreditam nos ‘reality shows’. E ainda há aqueles que acreditam que o desporto é o remédio para todos os males.
Segundo Maria Luísa Soares (1), “submetemo-nos às crenças – como seguimos as regras –, sobretudo a essas crenças práticas sobre as quais se funda toda uma forma de vida e de conduta. E aqui dá-se a submissão: à regra, ao hábito, à nossa ‘imagem do mundo’, que não é uma teoria construída por nós, mas que nos é conatural, de certa forma herdada, pertence-nos e possui-nos, dominando-nos inconscientemente.” Há neste pequeno conteúdo três noções fundamentais: a) a nossa submissão àquilo em que acreditamos (porque só vemos aquilo que queremos ver), b) a noção de fazermos nosso aquilo que nos foi inculcado por outros (a nossa disponibilidade para sermos enganados sempre que haja alguém com disponibilidade para nos enganar); c) a noção daquilo que nos domina inconscientemente por não estarmos (nem sermos) preparados a equacionar a realidade dos factos e das suas interpretações por não termos (não nos ter sido) desenvolvido um espírito crítico.
O desporto, submetido às leis do comércio, apresenta-se apenas como espectáculo mas os seus fins últimos são económicos ou políticos. Basta um olhar atento sobre o mesmo e analisarmos criticamente quais os seus efeitos na sociedade e nos indivíduos. Basta não nos esquecermos das elevadas quantidades monetárias que movimenta e pensarmos nos interesses imobiliários dos clubes, no ‘namimg’ dos estádios, na publicidade ostentada pelos competidores, na presente nos painéis publicitários e nas conferências de imprensa dos treinadores de futebol, nos direitos de imagem e nos direitos televisivos. Basta interrogarmo-nos sobre o que produz um jogador de futebol por exemplo! 
Como nos diz Manuel Sérgio (2), é necessário reorganizar os fundamentos do Desporto (e repare-se no “D” maiúsculo) através de uma séria crítica epistemológica, lógica e axiológica. E ética e moral, acrescentaríamos nós. De salientar que, segundo o mesmo, na mesma obra, “o Desporto só pode concorrer à transformação do mundo se, primeiro, se transformar a si mesmo.” Para isso não pode ser só um promotor da quantificação do sucesso, da exaltação exacerbada dos mais aptos ou mais capazes, ou do desportista-mercadoria, ou da simples hierarquização meritocrática. Nem da subserviência ao vil metal onde só o lucro interessa. Ainda estaremos a tempo?
No dealbar de um novo ano, que todos nós esperamos que seja melhor que aquele que termina dadas todas as vicissitudes por que ainda estamos a passar, nada melhor do que nos determos um pouco nas palavras de Augusto Curry (3): “quem não critica aquilo em que crê não lapidará as suas crenças, quem não lapida as suas crenças será servo das suas verdades. E, se as suas verdades forem doentias, certamente será uma pessoa doente.” Com a implícita consequência de poder fazer outros doentes…"

Fever Pitch - João & David... Inglaterra!