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sábado, 17 de outubro de 2026

O Benfica brilhou, o Benfica relaxou e, naturalmente, o Benfica ganhou


"Contra um Celtic frágil a defender e ameaçador a atacar, as águias somaram novo triunfo (4-1), mantendo-se 100% vitoriosas na Liga Europa. Durán, lançado a titular, bisou, numa noite em que Prestianni voltou a estar em destaque e a equipa de Marco Silva fez um primeiro tempo bem melhor que o segundo

É evidente que a Liga Europa, nesta fase inicial, não é o mais fascinante dos desafios para este Benfica. Na verdade, a segunda competição da UEFA poderá até ser um cenário para Marco Silva ir rodando, seguindo a rota Fariolista de há 12 meses, uma descompressão às quintas-feiras.
Este menor protagonismo não significa que a Liga Europa seja insignificante até à primavera. São jogos e, se são jogos, são momentos para Prestianni agarrar neste Benfica, um Benfica que já é o Benfica de Marco Silva não por forma de dizer, mas por efetivo trabalho feito pelo técnico, uma marca de água dada em tempo recorde, padrões e formas diversas de potenciar talento.
Num duelo cheio de balizas e oportunidades, com três bolas aos postes para cada lado, os lisboetas triunfaram, por 4-1, contra o Celtic. Chegou a ser um arraso, com contornos de superioridade brutal na primeira parte, com um enigma que os visitantes não sabiam resolver. Seria, após o intervalo, algo mais equilibrado, mas ainda assim desequilibrado, uma diferença natural, sem surpresa, como amanhã ser sexta-feira.
Benfica-Celtic é um duelo de gigantes europeus, campeões continentais, clubes que o pós-lei Bosman tornou periféricos, lesados da evolução do futebol internacional. Vir a Lisboa é, para os protestantes de Glasgow, como peregrinar a um local sagrado, a terra dos heróis de 1967, da final vencida no Jamor contra o Inter para ser o primeiro emblema não espanhol, português ou italiano a erguer a Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Nesta lógica moderna, há lesados mais lesados que outros. O futebol de clubes escocês tem vindo, galopantemente, a perder qualidade, ao ponto de alguns dos últimos resultados dos seus conjuntos serem uma galeria de horrores. Exemplo disso foram as eliminatórias que afastaram o Celtic das duas derradeiras edições da Liga dos Campeões, caindo no play-off em 2025 perante o Kairat Almaty e, no passado verão, sucumbindo por 5-1 face ao LASK Linz.
Cedo foram evidentes estas debilidades de um Celtic cuja hegemonia interna atesta as fragilidades do seu campeonato. Na madrugada do desafio, Jhon Durán, titular pela gestão feita com Pavlidis, ganhou um penálti, que o próprio canhoto aproveitou para picar, com classe, para abrir o ativo.
Os visitantes até conseguiram aproximar-se regularmente com perigo de Trubin, evidenciando um desnorte defensivo que seria fatal e contrastante com a capacidade na outra ponta do relvado. Hogh, logo após o 1-0, forçou Trubin, novamente titular na Liga Europa, a defesa apertada. O dianteiro voltaria a estar perto de marcar depois do Benfica já ter feito o 2-0, numa jogada em que acertou no poste e, logo a seguir, Camilo Durán, o outro Durán, também mandou ao ferro. Camilo, ex-Lusitânia, dos Açores, Estrela e Portimonense, foi um dos carrascos da noite em que o Qarabag aqui venceu, há um ano, e Bruno Lage daria lugar a José Mourinho.
Com o Celtic ineficaz, seriam os da casa a engordar a vantagem. Este Benfica já de processos feitos, o Benfica da irreverência de Prestianni, é um compêndio de movimentos estudados, que surgem não por acaso, mas como resultado do trabalho em tempo recorde de Marco Silva. Partiria das botas de Prestianni o 2-0, servindo Bah.
Aos 36', o 3-0 teve de novo protagonismo do argentino que parte da esquerda para dinamizar todo o futebol ofensivo do Benfica, parecendo ter agilidade infinita, rodar sobre si mesmo como se algumas leis da física não se lhe aplicassem. Aproveitando uma perda de bola escocesa, Prestianni lançou Duran, avançado que, naquele lance, mostrou as suas virtudes: desmarcação, ataque à baliza, remate, golo. A partida estava resolvida antes do descanso, o que não significava que não houvesse mais incidências.
Martin O'Neill, 74 anos, saiu, na época passada, da reforma para tentar endireitar a campanha do Celtic. A ameaça do Hearts era real e o veterano foi capaz de a domar, logrando in extremis o seu quinto título por um clube que, em 2002/03, levou à final da Taça UEFA, caindo contra o FC Porto de José Mourinho.
O'Neill, campeão europeiu pelo mítico Nottingham Forest de Clough, colocou, para a segunda parte, o irreverente egípcio Haissem Hassan, um canhoto de mil e umas fintas, agitador desprovido de golo — marcou zero vezes na época passada pelo Oviedo, zero vezes esta época pelo Celtic, zero vezes na sua história com a seleção do Egito — e recheado de fintas. Testaria a atenção de Trubin, serviria Osmand para um remate por cima e, aos 63', cruzou para Camilo Durán voltar a festejar na Luz. 
Chegaram a haver minutos em que o Celtic colocou o Benfica sob ameaça. Um remate ao poste de Durán, um dos seis que entre ambos os lados se registaram no jogo, poderia ter sido o 3-2. Mas não estamos no plano do hipotético, mas sim do concreto, do factual, e aí este Benfica é muito mais que este Celtic.
Os derradeiros minutos trouxeram um Benfica com alguma energia renovada. Schjelderup foi outro a acertar no poste, Echeverri provou que é um suplente a quem Marco Silva terá de ir dando mais espaço. Mesmo a fechar, aos 89', Pavlidis, outro saído do banco, fixou o 4-1 final. O Benfica de Marco Silva e Prestianni segue pleno de saúde."

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