Últimas indefectivações

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Respeito...

"O espaço mediático dos dias de hoje concorre e estrangula a razão de muitas das medidas e propostas apresentadas no domínio público. É uma consequência da multiplicação dos media e das suas plataformas, mas também da forma distorcida e pouco rigorosa com que alguns protagonistas políticos falam de determinados temas, substituindo os locais próprios onde devia ser feita a discussão e a troca de argumentos pelo espaço mediático.
Em vez da sobriedade e do rigor da análise, o caso das chamadas taxas urbanísticas do Sport Lisboa e Benfica, tornou-se objecto de sucessivas intervenções inflamadas onde se distorcem factos, se ignoram razões, compromissos e protocolos.
O Sport Lisboa e Benfica é uma instituição centenária que merece ser tratada com respeito e os seus responsáveis sempre estiveram disponíveis para prestar todos os esclarecimentos considerados necessários, nos locais próprios. Em face do ruído gerado e alimentado nos últimos dias, e das declarações mais recentes de algumas pessoas com responsabilidades públicas, impõe-se um esclarecimento em relação ao que verdadeiramente está em causa:
Mais de 4 mil jovens frequentam semanalmente as instalações do Estádio da Luz, onde desenvolvem a sua pratica desportiva. Não são atletas profissionais, são jovens que praticam várias modalidades amadoras. Desde o hóquei em patins ao atletismo, do voleibol ao futsal, do basquetebol ao andebol.
Mais de 6 mil crianças carenciadas recebem apoio da Fundação Benfica a nível escolar. Uma intervenção social relevante, com visitas regulares às instalações do estádio onde desenvolvem actividades desportivas complementares.
Uma elevada percentagem dos atletas portugueses que irão estar presentes no Rio de Janeiro em 2016 trabalham no 'Projecto Olímpico' totalmente suportando pelo Sport Lisboa e Benfica.
As piscinas do estádio da Luz são frequentadas por 2700 utentes, 1800 deles crianças.
O trabalho realizado pelo Clube é reconhecido pelos seus beneficiários e é do conhecimento da Câmara Municipal de Lisboa.
A Assembleia Municipal de Lisboa, tal como a Câmara Municipal, têm responsabilidades crescentes perante uma realidade económica, jurídica, social e cultural cada vez mais complexa que não pode permitir analises contaminadas pela demagogia de alguns dos seus agentes.
O SL Benfica faz parte da solução e não do problema. Assim foi no passado e assim continuará a ser no futuro. Temos a esperança que, respeitando os protocolos de 1989, 1995 e 2003, os órgãos competentes do município de Lisboa saberão encontrar a solução mais adequada às legitimas pretensões do Sport Lisboa e Benfica, respeitando a boa fé e o bom senso que deve imperar entre todos os protagonistas envolvidos."

Cantigas

"À medida que nos vamos aproximando da fase decisiva da época, é cada vez mais sonoro o ruído provocado pela única e clássica aliança no futebol: a que congrega FC Porto e Sporting, num ataque ao Benfica.
De um lado, aqueles que durante décadas beneficiaram de arbitragens protectoras em troca de viagens ao Brasil, de favores de prostitutas, de promoções na carreira, de aconselhamento matrimonial, ou de manobras de intimidação à moda siciliana, Crimes cujo castigo ficou vedado por meras incidências processuais, mas que jamais cairão no esquecimento.
Do outro lado, o queixume próprio de quem nada ganha há longos anos, de quem sempre se colocou em bicos de pés na tentativa reiteradamente frustrada de se sentir à altura do odiado vizinho e rival, e de quem tem a necessidade crescente de encobrir desilusões próprias atirando lama para cima dos triunfos alheios. 
Um canto que não era canto - era penálti... Um cartão vermelho incontestável. Um lance dividido, mas limpo, na área do Benfica. Três momentos do jogo de Moreira Cónegos cujo benefício extra-desportivo para o Benfica foi nulo, mas que serviram de arma de arremesso no futebol falado e escrito, devidamente misturados num ressequido bolo de mistificação e embuste. A razão para a gritaria é só uma: o medo de ver o Benfica sagrar-se campeão. O objectivo é simples: pressionar as arbitragens dos próximos jogos, para assim tentar impedir que esse temido desfecho se torne realidade.
A resposta será dada em campo. E também nas bancadas, onde a nossa voz se fará ouvir mais alto que todas as tentativas de desestabilização de que seremos alvo até ao fim desta Liga. Estamos todos convocados. Cada jogo uma final, cada lance uma vida. E um título à distância da nossa união e vontade de vencer."

Luís Fialho, in O Benfica

Dos sorteios...

"O supino presidente do FCP foi distinguido com um prémio de dirigismo pelo jornal 'O Jogo'. É sempre bom que os da casa distingam os da casa. Prémio dado, entrevista a condizer com a dignidade do prémio e do premiado, recadinhos enviados e os subsequentes encómios ao premiado e à sua 'fina ironia'. De relevante ficámos a saber que o dirigente premiado quer o regresso aos sorteios dos árbitros, porque não gosta desta coisa das nomeações. Eu, jovem inocente, confesso que fiquei surpreendido. Sempre pensei que já fazia parte da tradição finamente irónica nomear árbitros da categoria de um Donato Ramos para ajudar a decidir Supertaças. Cresci com a convicção de que, sempre que um Donato não chegava, arranjava-se um Pratas em passo apressado (há quem lhe chame fuga).
Para campeonatos julgara ter aprendido que nada melhor do que a nomeação de Pedro Proença para os tais jogos decisivos em Contumil e Hugo Miguel em território amigo e adjacente. Para aqueles joguitos de meio de campeonato e que acabam por ir com a espuma dos dias, pensara eu que bastava um qualquer Fortunato Azevedo ou Martins dos Santos ou, mais recentemente, um Olegário de ocasião. Se tudo isto falhasse nomeava-se um Augusto Duarte para uma visita domiciliária (para assuntos sérios e não para poucas-vergonhas). Mas não! O dirigente que, a julgar pelo que se ouviu nas ironias finas das escutas do processo Apito Dourado, mais percebe de nomeações de árbitros, afinal, quer sorteios. A vida é feita destes estranhos e inexplicáveis paradoxos. Tal como o paradoxo do premiado Dirigente que, falando sistematicamente de árbitros, afirmava que apenas 'os burros é que falam de arbitragem'.
Neste paradoxal mundo do futebol até temos uma espécie de Paradoxo de Fermi: 'a impossibilidade de um sorteio ser maculado e os testemunhos que falam de bolas frias dentro de sacos opacos'."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Luisão, o capitão!

"De um lance, no mínimo, duvidoso, na grande área do Moreirense, em que uma grande penalidade poderia ter sido assinalada a favor do Benfica, gerou-se a discussão em torno do pontapé de canto do qual viria a resultar o primeiro golo 'encarnado'.
É um facto que, a não haver falta sobre Salvio, que houve, deveria ter sido marcado pontapé de baliza. Mas daí até se colocar em causa a vitória benfiquista, vai uma grande dose de azia e patetice. Só o desespero dos adversários do Benfica poderá explicar a celeuma após o jogo. Depois das críticas infundadas ao mau posicionamento do árbitro assistente que invalidou correctamente, por fora-de-jogo, uma jogada do Rio Ave na Luz, mais uma originalidade da tribo anti-benfiquista.
Luisão, com uma execução digna de pertencer aos manuais de como bem cabecear uma bola em direcção à baliza, foi o autor do golo em questão. No entanto, o destaque que lhe dedico prende-se com outra razão. 
O defesa central mais goleador da história do Benfica a seguir a Humberto Coelho (43 golos), passou a partilhar, com Veloso, o segundo posto do ranking de jogadores que mais vezes capitanearam a equipa principal do glorioso. Foram já 322 as partidas em que usou a braçadeira de capitão, estando perto de alcançar Coluna, o 'capitão dos capitães'. O sucesso benfiquista recente passa, também, pela liderança de Luisão, serena nas conquistas, fundamental na reacção às adversidades.
Nota final para a conquista do Campeonato Nacional de Atletismo em pista coberta pelo quarto ano consecutivo. A hegemonia benfiquista na modalidade é uma realidade inquestionável que se deseja e prevê duradoura."

João Tomaz, in O Benfica

Colinho

"Eu sou do tempo em que o árbitro Donato Ramos anulou um golo legal ao Benfica no Estádio das Antas porque se não fosse assim, a sua vida não seria a mesma. Sou daquela época em que um sinistro Guarda atacava em corredores e túneis. Tenho memórias bem vivas de árbitros a correr pelo campo fora com medo de serem agredidos por indivíduos alterados pelo consumo excessivo de estimulantes.
Mais recentemente, lembro-me também de férias pagas no Brasil, fugas estratégicas para Espanha, jogos decididos depois de fruta, conversas telefónicas para encomendas jornalísticas e nomeações a la carte. Lembro-me de tudo isso. E lembro-me de como os adeptos desse clube sempre assobiaram para o lado e aceitaram tudo em troca das conquistas e de um culto de personalidade provinciano, pequenino, obediente. Ao jeito da mesma pequenez que aceitou que fosse alterada a data de inauguração do seu estádio, para poder coincidir com o aniversário da subida ao poder de Salazar. Levaram 8 a 2 na estreia e nem assim aprenderam que pactuar com criminosos não compensa.
E depois há a memória dos outros: os que se venderam por um prato de lentilhas (leia-se Taças de Portugal e idas à Ligas dos Campeões) e olharam para o lado enquanto os apitos de douravam. São os mesmos que se envolveram com malas de dinheiro, árbitros e espionagem, que dirigem o clube como uma claque organizada, que se vestem com roupa de conde, mas no campo não chegam a duque de paus.
Uns e outros enchem hoje a boca e as redes sociais de 'colinho'. Respondam-lhes. Não se calem. Não deixem branquear a história. Só nas ditaduras é que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade. Façam-se ouvir."

Ricardo Santos, in O Benfica

O Anão

"Há por aí um artista, que no outro dia quando eu fazia um 'zapping', tive de parar sem querer, pois tinha acabado de ouvir uma palavra mágica, Benfica, seguida de uma grande bacorada - que este campeonato 2013/2014 era forjado para o Benfica ser campeão e que ele, comentador não gostava disso.
Continuou com a sua prosa ofensiva e a insinuar que estava tudo comprado, que não consegui ouvir mais ignomínias, atordoadas e na linguagem coloquial - bacoradas. Passei de canal e fui continuar a trabalhar, pois tinha parado um bocado para tentar descontrair nesse Domingo, dia seguinte ao jogo Moreirense - Benfica.
De certeza que se fosse o signatário ou uma outra qualquer pessoa normal, a imprensa e os arquiduques, tenham-lhe logo caído em cima e utilizado um nome de Cebola qualquer para fazer queixa aos Bombeiros, à Autoridade da Comunicação Solcial ao padeiro e a sei lá mais quem! Mas não! Àquele não aconteceu nada! E tinha utilizado as palavras todas e reforçado o seu entendimento!
O que mais me espanta, é que um canal daquela dimensão continue e deixar que seja utilizado e permita estas aleivosidades e agressões gratuitas!
Por isso o rejuvenescido Anão."

Pragal Colaço, in O Benfica

Deixem falar...

"Continua em Portugal - sobretudo nalguma imprensa - um inacreditável sentimento anti-Benfica. Todas as vitórias são imerecidas. Todas as arbitragens favorecem o plantel 'encarnado'. Todas as equipas com que jogamos nos mereciam ganhar.
O último jogo com o Moreirense foi a última expressão disso mesmo. Segundo alguns - não poucos - analistas, o Benfica e o Moreirense teriam estado em igual nível em Moreira de Cónegos e, não fora a expulsão de André Simões e Miguel Leal, quem sabe até teríamos tido um resultado surpreendente... e, nessas cabeças, indiscutivelmente justo.
Não é preciso se doutorado em futebol para compreender que, não obstante alguns bons lances de contra-ataque rápido do Moreirense e um eficaz controlo dos corredores laterais e do espaço central, o Benfica dominou claramente a partida, qualquer que seja a perspectiva utilizada. Os 9 e os 12 minutos de jogo são a prova evidente disso mesmo: apesar de jogadas hábeis e repentinas do Moreirense, é o Clube da Luz que quase chega ao golo, ora por Lima, ora por Jonas. Aos 25 minutos Pizzi volta a colocar o esférico praticamente dentro da baliza de Marafona, que é salvo pela inamovível trave. Tudo isto, imaginem, enquanto o Moreirense estava a jogar com os seus onze jogadores e com o seu treinador em plenitude de funções. Aliás, quando surge o empate, por Luisão, todos estavam em campo e o Benfica dominava incontestavelmente em posse de bola, domínio do espaço central e rapidez na circulação de bola.
E ainda vêm dizer que, não fora a expulsão, quem sabe o resultado teria sido outro? E ainda se permite a jogadores da equipa adversária lançar suspeitas sobre a equipa de arbitragem, no final do jogo, impunemente? Deixem-nos falar..."

André Ventura, in O Benfica

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Populismo bacoco...

"(...)
A este respeito cumpre informar que foi deferido pela Autoridade Tributária o pedido de isenção do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) na operação de prorrogação do direito de superfície que incide sobre o Estádio José Alvalade e o edifício Multidesportivo; bem como o pedido de isenção do IMT, Imposto de Selo, emolumentos e outros encargos legais na operação de fusão referida no parágrafo anterior. Deste modo será concretizada, até 31 de Dezembro próximo, a referida operação de fusão da SPM na Sporting SAD, bem como a contratualização final de todo o processo de reestruturação financeira.
(...)"


Apesar das entidades serem diferentes, não posso perguntar onde estavam as Helenas Rosetas desta vida, além dos indignados do Rascord/Cofina... quando a autoridade tributária concedeu estas benesses ao Sporting, meses depois de as ter recuado ao Benfica? Quando da fusão da Benfica SAD com o Benfica Estádio.
Mas já que toda a argumentação legal, contra a atribuição da isenção ao Benfica, se baseia no facto dos protocolos que foram assinados no passado, rectificados em Assembleia Municipal, terem sido celebrados com o Clube e não com a SAD... Isto apesar de toda a gente reconhecer que a SAD é a extensão do Clube, e que a actividade em prol do desporto, que o Benfica Clube promove, essencialmente no concelho de Lisboa, com mais de 5000 atletas a praticar desporto nas suas instalações, sendo a grande maioria jovens... substituindo-se às entidades públicas, que simplesmente demitiram-se das suas obrigações neste campo... Mesmo esquecendo tudo isto, mesmo compreendendo a situação degradante das finanças públicas Portuguesas (creio que o culpado dessa situação não é o Benfica... apesar de alguns Benfiquistas terem contribuído para tal!!!), gostaria saber se os 23 Milhões de Euros que a Câmara Municipal de Lisboa foi obrigada a pagar ao Sporting recentemente, devido a protocolos assinados no passado (coincidência!!!), merecem a indignação dos mesmos?!!!
Isto pouco tempo depois, da CML ter tomado posse de uma terreno que o Benfica tinha recebido como permuta na altura da construção da Avenida Lusíada, mas como a Assembleia Municipal da CML rejeitou os vários projectos de edificação propostos (inclusive numa situação de empate na votação!!!)... E como estava protocolado um prazo limite para a edificação, e como ela não aconteceu, o Benfica perdeu os seus direitos sobre o terreno na 'meia-lua' (como era conhecido).

Não gosto que o meu clube, o Sport Lisboa e Benfica seja privilegiado por entidades públicas, injustamente, principalmente em prejuízo dos contribuintes. Mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra... Temos em Portugal, situação autenticamente pornográficas: CM Gaia, CM Porto, CM Braga... Regiões Autónomas... entre outros.
Agora nunca vi, tanto tempo de antena dado nos pasquins, e na televisão, a um suposto beneficio, que já se viu não vai acontecer... Aceitaria a indignação, se ela acontecesse sempre que situações parecidas tenham ocorrido, mas assim já cheira mal...

E gosto ainda menos, quando usando métodos de revisionismo histórico criminoso, se alteram os factos, fazendo dos criminosos (privilegiados), vitimas... e das vitimas, criminosos. Como por exemplo acontece ainda hoje, com alguns ignorantes anti's quando se fala da construção do antigo Estádio da Luz. Construído (com muito suor e lágrimas... exclusivamente pelos benfiquistas, sem ajudas, e que ainda deixou muitos calos nas mãos dos nossos antigos adeptos...), após a expropriação do Campo das Amoreiras, e onde o Benfica nunca foi justamente recompensado, mas para algumas alminhas parvas (uns ignorantes, outros criminosos propagandistas), fomos escandalosamente beneficiados!!!

Tal como a campanha que está a decorrer com as arbitragens, é bom que os Benfiquistas não se deixem levar pela contra-informação, e acreditem mais uma vez  na história da carochina...!!!
Já agora, o futuro pavilhão Lagarto, construído com dinheiro roubado à Doyen (mais uns trocos dos peditórios), vai ser isento?!!! Isto claro, se chegar a ser construído...

O martírio precocemente interrompido do Santo André Simões

"Os prejuízos causados ao Moreirense resultariam em benefícios para o moral se Santo André Simões tivesse resistido à tentação de celebrar no Facebook a vitória do seu outro «amor».

QUANDO Santo André Simões apagou o comentário elaborado na sua página pessoal do Facebook já foi tarde, foi tardíssimo.
Depois veio o seu empresário tentar compor o ramalhete: «Foi um desabafo que lhe correu mal.»
Não lhe correu mal, amigo empresário. Correu-lhe pessimamente.
Santo André Simões, que estava a caminho de ser o novo e mais conceituado mártir da Verdade Desportiva, estragou tudo num impulso de fé.
Santo André Simões tem dois amores, o Moreirense e o Porto. Transporta ambos «no coração» com a devoção de um primitivo. Mas lá que estragou tudo, estragou.
Também é verdade que quarenta e oito horas antes da sua declaração de amor no Facebook, já tinha estragado tudo, só que exclusivamente em prejuízo do Moreirense do seu coração.
Falhou estrondosamente a marcação a Luisão naquela cobrança do canto-penalty que haveria de resultar no primeiro golo do Benfica.
Logo de seguida voltou a estragar tudo para o Moreirense ao fazer-se expulsar heroicamente, oferecendo-se ao martírio, deixando o seu «amor» com menos um em campo.
Estes prejuízos para o Moreirense redundariam em benefícios morais importantíssimos para os históricos defensores da Verdade Desportiva se Santo André Simões, como cabe a um verdadeiro mártir, tivesse resistido à tentação de correr para celebrar no Facebook a vitória do seu outro «amor» no Bessa incorrendo em confissões assolapadas de paixão por uns e de ódio por outros ao ponto de lhes continuar a chamar nomes.
Curiosamente, duas jornadas antes de o Benfica ter visitado Moreira de Cónegos coube ao Porto jogar precisamente no mesmo estádio de onde saiu vitorioso por 2-0 com toda a justiça. O segundo golo do Porto nasceu de um pontapé de canto que os moreirenses protestaram um bocadinho visto que, bem vistas as coisas, deveria ter sido antes apontado um pontapé de baliza. Enfim, minudência que não despertaram nos teólogos de serviço qualquer epifania.
Não foi, no entanto, possível obter a reacção de Santo André Simões em campo a este pequeno lapso visto que Santo André Simões, na jornada anterior, ao serviço do Moreirense contra o Sporting de Braga, viu um cartão amarelo aos 90 minutos que o deixou de fora da recepção ao Porto. Foi pena.
Uma vez mais foi pena para o Moreirense.
Nos tempos antigos eram os olhos o espelho da alma. Agora é o Facebook.

SE o Benfica repetir no sábado com o Estoril a primeira parte a dormir que fez com o Moreirense são de prever grandes dificuldades.
A revalidação do título passa por este tipo de jogos, levianamente considerados mais fáceis por serem disputados em casa contra equipas do meio da tabela.
A eventualidade de o Benfica voltar a ser campeão é entendida e gritada como um crime de lesa-majestades e a pressão dos nossos rivais sobre a arbitragem está a caminho de atingir os píncaros.
Ao ponto de um golo dos nossos, 100% legal, ter sido considerado escandalosamente validado por excesso de zelo do fiscal-de-linha, lembram-se?
Ao ponto até de um canto ter passado a valer como um canto-penalty desde sábado passado. Anteriormente, já vinham sendo os lançamentos de linha lateral acusados do mesmo. Por culpa de Maxi Pereira e dos seus escandalosíssimos lançamentos-penalty que são um regalo de ver.

EM boa hora decidiu a Comissão de Instrução de Inquérito da Liga de Clubes abrir inquérito a mais um caso do Facebook. Trata-se, desta feita, da página do presidente do Sporting na referida rede social onde foi apresentada uma gravíssima acusação ao presidente do Benfica. A acusação de ter perseguido o presidente do Sporting e, inclusivamente, o motorista do presidente do Sporting, propondo-lhes um ciclo de vitórias «alternadas» no campeonato. Isto, a ser verdade, provocaria a queda imediata dos dois presidentes dos emblemas rivais.
Vieira seria castigado pelos sócios do Benfica por oferecer ao presidente do Sporting 5 campeonatos nos próximos 10 anos tendo em conta que o Sporting nos últimos 31 anos ganhou 2 campeonatos.
Carvalho, por sua vez, seria impiedosamente castigado pelos sócios do Sporting por ter recusado a adorável benesse.
Quem inventou o Facebook não sabia no que se estava a meter.

NASCIDO e criado para o futebol no Benfica, o jovem Sancidino Silva partiu para outro país no último Verão por sua conta e risco contra a vontade do pai. A aventura no estrangeiro esteve longe de ser o que Sancidino ansiava. Não houve praticamente pormenor que não tivesse falhado. Regressou agora Sancidino ao Benfica onde foi recebido de braços abertos. O jovem Sancidino perdeu-se e voltou a casa.
Lucas, 15, versículos 11-32

PROSSEGUE, e muito justamente, o ciclo de homenagens a Pedroto trinta anos passados sobre o desaparecimento do mítico treinador nascido em Lamego.
A reparação de abusos ao seu nome é uma das muitas formas de o celebrar condignamente. E foi isso mesmo que o presidente do FC Porto fez na semana passada em jeito de autocrítica: «Já vi muitos campeões antecipados que depois tiveram de assistir à festa dos outros», disse Pinto da Costa.
Como quem se desculpa perante o Mestre pelo título que lhe prometeu e dedicou nos primeiros dias de Janeiro de 2010 – «Queremos dedicar a vitória no campeonato a si que vai ser campeão!» – quando, no fim das contas, foi o Benfica quem conquistou, e bem, esse título da não muito longínqua temporada de 2009/2010.

A equipa B do Benfica actuou no domingo no Seixal. Foi uma bela tarde de futebol proporcionada por um conjunto de jogadores díspares nas idades, nas nacionalidades e nos currículos e todos eles, sem excepção, ambicionando chegar à equipa principal, sendo que, inevitavelmente, uns vão lá chegar mais depressa do que outros.
Rúben Amorim, por exemplo, vai chegar onde quer e onde o queremos rapidamente. Não lhe caíram os parentes na lama, antes pelo contrário, por cumprir setenta minutos muito bem pensados com a equipa B e assim vai recuperando o à-vontade depois de longos meses de ausência.
Quanto ao uruguaio Jonathan Rodriguez estreou-se oficialmente marcando dois golos. É o que se quer. Teve ainda oportunidade para fazer um terceiro golo mas a bola recusou-se a entrar. Talvez tenha sido melhor assim.
Uma estreia com um hat-trick dá a volta à cabeça de qualquer um. Incluindo à cabeça dos adeptos. Fica para a próxima.

EM boa hora a Câmara Municipal de Lisboa fez publicar um anúncio de página inteira em diversos jornais esclarecendo não ter havido favores ao Benfica nem, muito menos, isenções de taxas devidas à municipalidade.
Que boa notícia para os benfiquistas e para os cidadãos de Lisboa.
As soberbas facilidades concedidas pelas Câmaras aos emblemas poderosos são uma das abjecções do regime corrente.
Falta agora o anúncio de página inteira da Câmara de Gaia desmentindo, por sua vez, aquela notícia infame que estabelecia em 2666 anos o tempo necessário para o FC Porto pagar na íntegra os 16 milhões de euros que custou à edilidade a construção do centro de treinos no Olival tendo em conta que, na condição de inquilino, paga uma renda social de 500 euros mensais.

O Borussia de Dortmund, que ocupa o fim da tabela do campeonato alemão, foi a Turim jogar para a Liga dos Campeões e saiu de lá vivo. Com um resultado desfavorável de 2-1 mas que lhe permite razoavelmente sonhar com a qualificação. Seria curioso que o Borussia passasse esta eliminatória afastando a Juventus. 
Teríamos, assim, um clube que luta para não descer de divisão na Alemanha consagrado entre as 8 melhores equipas europeias da actualidade.
É este o nosso tempo.

PEDRO PROENÇA vai receber uma homenagem do Sporting. Justa e sentida."

Leonor Pinhão, in A Bola

Liga 2

"No nosso futebol, a 2.ª divisão (oficialmente, Liga 2, aliás sempre a mudar de nome...) é injustamente adjectiva. E, no entanto, trata-se da competição com maior índice de competitividade e de emocionante incerteza na classificação. E, diga-se em abono da verdade, com jogos melhor disputados do que muitos que se podem ver na 1.ª divisão.
Pondo agora de lado o disparate de se ter aumentado a competição para 24 clubes com 46(!) jornadas, a Liga 2 revela aspectos que vale a pena realçar. É a mais bem distribuída em termos territoriais: tem clubes de distritos não representados na 1.ª Liga, como Vila Real (Chaves), Viseu (Tondela e Académico), Castelo Branco (Covilhã), Faro (Portimonense, Farense e Olhanense) e Região dos Açores (Santa Clara). Possibilita a presença de seu equipas B, dando a oportunidade de potenciar jogadores portugueses e juniores (ainda que, mesmo aqui, haja uma inflação de estrangeiros). Tem vindo a permitir que clubes com tradição e registo interessante disputem este campeonato, como, por exemplo, o Atlético, Oriental, Leixões e Beira-Mar. Por fim, o índice de competitividade é tal que, entre a classificação que dá acesso à subida e o 12.º lugar, a diferença é tão-só de 8 pontos! (por curiosidade, entre o 1.º e o 12.º na 1.ª Liga a diferença é de 31 pontos). O agora 1.º classificado (Chaves) em 29 jogos, ganhou menos de metade (14), empatou 11 e perdeu 4.
Gosto de acompanhar estes jogos transmitidos na tv, até para observar jogadores que poderão ser futuros craques. Como gosto de ouvir o excelente serviço público dominical da Antena Um, acompanhando, com atenção, a Liga 2."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Capitão Coluna, para sempre...

Faz hoje 1 anos que o eterno Capitão nos deixou. Será sempre uma dos nossos grandes símbolos, e que ninguém duvide disso...


PS: A semana passada o nosso vive-presidente Alcino António deu uma excelente entrevista à Bola TV, convidado pela nossa Leonor Pinhão. Gostei muito daquilo que ouvi, e concordei com quase tudo... Acho mesmo que o Alcino é um dos maiores portadores da Mística na nossa Direcção...!!! Mas houve um momento em que discordei. Sem querer minimizar - bem pelo contrário -, a importância do Eusébio no universo Benfiquista, não concordei quando o Alcino António afirmou que actualmente o Museu Cosme Damião tem 'pouco' Eusébio...!!!
O tempo passa depressa, no dia 10 de Outubro de 2011, escrevi um post aqui no Indefectível, onde tentei 'convencer' a gloriosesfera da importância de criar-se um Hall of Fame do Benfica.
Eu acho que neste momento, no Museu Cosme Damião, temos pouco Coluna, temos pouco Simões, temos pouco Bento, temos pouco Torres, temos pouco Águas, temos pouco Vítor Silva, temos pouco Rogério Pipi, temos pouco Julinho, temos pouco Espírito Santo, temos pouco Toni, temos pouco Humberto, temos pouco Valdo, temos pouco Mozer, temos pouco Ricardo Gomes, temos pouco Costa Pereira, temos pouco Germano, temos pouco José Augusto, temos pouco Chalana... temos pouco Aimar, temos pouco Preud'Homme, temos pouco Magnusson, temos pouco Manniche, temos pouco Isaías... temos pouco Jaime Graça, temos pouco Nené, temos pouco Rui Costa, temos pouco Eriksson, temos pouco Guttmann, temos pouco Glória, temos pouco Vítor Martins, temos pouco Carlos Manuel, temos pouco Diamantino, temos pouco Paneira... temos pouco Yokochi, temos pouco Lisboa, temos pouco Rui Lopes, temos pouco Nicolau, temos pouco Plowden, temos pouco Jean-Jaques... e temos pouco muitos outros...!!!
Compreendo o movimento que se criou hoje, a pedir uma estátua ao nosso capitão Mário Coluna, mas muito sinceramente acho que devíamos criar uma forma de homenagear as nossas Glórias, de forma grandiosa, regulamentada, automática, para que ninguém seja esquecido... e assim as gerações futuras de Benfiquistas, conheçam a nossa história, através dos nossos Heróis... Seria o nosso Panteão...!!!

Medir a grandeza de um clube

"Há vários critérios para avaliar o enraizamento popular de um clube desportivo. Desde logo, o objectivo número de associados, como também as pesquisas sobre a maior ou menor magnitude de simpatizantes, embora aqui com a margem de erro própria das amostragens. Outro critério factual relaciona-se com a média de assistência nos jogos em casa, e pela capacidade de encher estádios quando se joga fora de casa. Há ainda critérios que têm a ver com a difusão homogénea entre gerações ou ao longo de todo o país (e da diáspora). Todos estes critérios não deixam margem para dúvidas. O Benfica é, de longe, o clube português mais popular. Com uma assinalável distância dos seus principais rivais. No entanto, vem-se 'aprimorando' uma outra maneira de medir a importância do Benfica. Curiosamente, oferecida pelos oponentes e adversários, em especial do FCP e do SCP e em situações pelas quais bem se poderia dizer que se 'escreve direito por linhas tortas'. Às vezes, muito tortas mesmo. O exemplo mais expressivo deste 'paradigma' quase freudiano, é ouvir impropérios, insultos e pretensos cânticos de má educação contra o Benfica, em jogos onde o clube da Luz nem sequer está a jogar... Tal qual uma incómoda sombra que paira sobre certos espíritos...
Por outro lado, e ainda que noutro plano retórico, artigos de opinião, comentários, comparações, buscas memoriais, trazem sempre à colação a bitola Benfica. Fala-se do Porto ou do Sporting, mas se não se mete uma pitadazinha de despeito ou de incómodo perante a grandeza do Benfica, parece que o texto é sensaborão e insonso. Confesso que me divirto com tanta obsessão de (da) Luz..."

Bagão Félix, in A Bola

Sabe sempre bem...

Benfica 29 - 27 Corruptos

Boa vitória, num jogo a feijões, onde os Corruptos pouparam o Gilberto (e o Ferraz), mas onde o Benfica mostrou a capacidade de luta que tem sido comum esta época... e hoje falhámos menos do que o costume na finalização.
A rotação que o nosso treinador gosta de imprimir na equipa, hoje foi menor... Mesmo assim o Cavalcanti com 2 golos evidenciou-se. Aliás o grande problema do Benfica está exactamente na 1.ª linha, os nossos golos são quase todos nos 6 metros, e os nossos adversários sabem disso... Recordo que ainda temos o Pedroso e o Pujol lesionados

A diferença na qualidade do plantel é grande, os Corruptos nas últimas época apostaram quase 'tudo' no Andebol... O estranho protocolo com Cuba da FPA 'ajudou', e agora com a presença regular na Champions do Andebol, ainda conseguiram alterar a formula do Campeonato fazendo regressar o Play-off, não fosse o desgaste Europeu causar algumas surpresas a meio da época!!!
Com estas 'garantias', com algum dinheiro fresco do bolo da Champions, construiriam este plantel, que em Portugal, a 'doer', será muito difícil de bater, mas hoje ficou provado, que a bola é redonda, e não havendo 'empurrões' arbitrais, os três resultados são possíveis...!!!

Vamos começar o Play-off com o Águas Santas, vencemos os dois jogos com os Maiatos na época regular, mas isso não quer dizer nada... Na muito provável Meia-final com os Corruptos, e apesar da vitória de hoje, os favoritos serão sempre os Corruptos...

PS: No sorteio da Taça Challenge, calhou-nos uns Polacos fortes: KS Azoty Pulawy, não será nada fácil... 

Vitória na Tapadinha...

Atlético 2 - 3 Benfica B

Nova vitória, num jogo onde marcámos cedo, mas o Marcos Valente voltou a mostrar apetência pelos auto-golos, e o Atlético empatou...!!!
No início do 2.º tempo, beneficiámos de um penaty que o João Teixeira concretizou... E pouco depois do Gonçalo Guedes fez um 1-3. Já no período de descontos o Atlético reduziu...
As informações sobre o jogo em directo, foram poucas ou nenhumas, espero que a substituição do Semedo não tenha sido por lesão...

Destaque para o regresso do Guedes à equipa B. Isto provavelmente quer dizer que o Nico Gaitán está garantido para o jogo no Sábado com o Estoril (existem rumores que indicam a chamada do Jonathan Rodriguez para o jogo do Estoril, mas nesse caso, o 'sacrificado' deverá ser o Derley!!!). Entre jogar 5 minutos, ou menos, na equipa A, ou ir jogando na equipa B, creio que esta é a melhor gestão... O problema é que temos um plantel principal demasiado grande (e ainda falta o Sulejmani...), espero que na próxima época, este pormenor seja rectificado, permitindo aos jovens jogadores da B, entrada mais 'fácil' nas opções do Jesus...

Apesar de não 'contar para nada', estamos a 4 pontos da liderança da II Liga!!! Depois de tanto desperdício, não deixa de ser surpreendente... Se os responsáveis, decidirem que o título da II Liga é prioritário, creio que facilmente chegaríamos lá...

Varela; Semedo (Alfaiate, 72'), Lystcov, Valente, Rebocho; Lindelof, Dawidowicz; Teixeira, Santos (Nunes, 83'), Guedes; Sarkic (Andrade, 60'). 

Dúvidas tenebrosas

"Em Moreira de Cónegos houve três lances polémicos: o que antecedeu o 1.º golo do Benfica, a expulsão de um jogador do Moreirense e um suposto penálti de Eliseu.
No 1.º lance, tudo começa com um canto que não existiu. Mas o árbitro terá tido intenção de beneficiar o Benfica? Eu vi o lance ao contrário: o árbitro marcou canto para não marcar penáti. Como o jogador do Moreirense esticou a perna à frente de Salvio e este caiu, duas situações se podiam dar: ou tinha tocado na bola e era canto, ou não tinha tocado e era penálti. O árbitro escolheu a hipótese mais favorável ao Moreirense. Repito: foi isto que pensei. E achei que Deus tinha escrito direito por linhas tortas, com o golo de Luisão na sequência do canto.
No lance da expulsão, as reacções do árbitro e do jogador não deixam lugar a dúvidas: o primeiro reagiu espontaneamente e puxou do cartão vermelho, o segundo riu jocosamente. Nem o árbitro hesitou na decisão, nem o jogador reclamou dela.
No suposto penálti de Eliseu, apenas digo que nenhum comentador o pode ter visto, pois as imagens transmitidas não permitem ver qualquer falta (agarrão ou rasteira) do jogador do Benfica. Ela pode ter existido, mas não há nenhuma imagem que a revele inequivocamente.
E pronto. O problema em Moreira de Cónegos não foi o árbitro. O problema é o Benfica ir em primeiro e o campeonato caminhar para o fim. Isso causa desespero aos adversários. E há ainda o facto de o Benfica ter sido beneficiado em dois ou três lances evidentes no início da prova. Agora, perante qualquer dúvida, levantam-se suspeitas tenebrosas. É a vida!"


PS: Para memória futura, no famoso tribunal do Nojo, o Coroado e o Leirós, afirmaram que o Eliseu derrubou no adversário nas AXILAS !!! Sempre a aprender...!!!

O futuro

"Com menos recursos financeiros e com as saídas sistemáticas dos jogadores de maior nomeada, poderíamos ter boas razões para temer pelo futuro imediato do futebol do Benfica. Não vejo motivos para isso. É evidente que enquanto vamos perdendo jogadores de classe mundial (este ano saíram Enzo, Rodrigo e Garay) e mais saídas se anunciam para o verão (Gaitán e Salvio?), o espectro da diminuição da qualidade é uma ameaça. Mas é também uma oportunidade.
Uma coisa é certa: não regressará o tempo em que, no futebol português, se podia ir buscar valores seguros a outros campeonatos, com vinte e pouco anos, valorizá-los e transferi-los para Espanha e Inglaterra. O Benfica, como aliás o Porto, terão de optar por outro modelo de especialização: trabalhar jovens talentos, nacionais ou importados pouco importa, e esperar que revelem maturidade para darem o salto para o futebol de alta competição. O risco é maior, mas pode dar certo.
O problema hoje não é de qualidade potencial dos jovens jogadores. O desafio coloca-se, no essencial, às estruturas e ao treinador. Saberão reconverter-se e enfrentar o novo desafio? Será Jorge Jesus capaz de formar uma equipa competitiva com outro tipo de recursos?
A este propósito, basta atentar no Benfica B. O plantel foi alvo de uma autêntica razia na reabertura do mercado (com o empréstimo de muitos titulares) e, em lugar de a equipa ficar mais fragilizada, apareceu uma nova formada de jogadores talentosos. Basta ver um jogo dos B para se perceber que há ali matéria-prima de primeira apanha. A equipa, é claro, alterna exibições conseguidas com derrotas clamorosas - é o que se esperar de quem tem a audácia e a ingenuidade próprias da juventude. Mas, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, o futuro terá de passar pelos jovens. Pelo João Teixeira, pelo Nuno Santos, pelo Hélder Costa, pelo Cristante, pelo Gonçalo Guedes e pelo Jonathan."

Campeão com cicatrizes

"A 18 de Janeiro de 2012, durante uma prova no CAR do Jamor, Nelson Évora lesionou-se com gravidade e teve de ser operado com urgência, perante a expectativa de ainda estar presente nos Jogos Olímpicos de Londres. Não foi preciso esperar muito tempo para o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, dar carta branca para que fossem feitos todos os esforços na recuperação do atletismo, que quatro anos antes tinha sido campeão olímpico em Pequim '08.
Foi com esta certeza que Nelson Évora foi operado, mas o saltador ressentiu-se meses mais tarde. Chegou a entrar em competições, sem sinais evidentes de uma recuperação eficaz, e em Janeiro de 2014 foi novamente operado. Começava, então, uma nova carreira, mas sempre com o mesmo objectivo: competir ao mais alto nível nas grandes provas. O benfiquista foi adquirindo confiança, mas faltava-lhe aquele resultado de ponta que desse para esquecer as cicatrizes de tantas mazelas acumuladas desde que conquistou a medalha de ouro na China.
Desta feita, o brilhante resultado de Évora no Nacional de clubes no triplo salto coloca a fasquia num patamar elevado, não sendo descabido falar na conquista de uma medalha no Europeu de pista coberta em Praga em Março.
Mas, afinal, o que há de novo neste resultado de Nelson Évora? A alegria de, aos 30 anos, dizer que não está acabado depois de ter feito a travessia do deserto. Para quem conhece a forte componente técnica de uma disciplina como o triplo salto (combinação de velocidade, explosão, força e técnica), é de reconhecer o esforço do recordista português, numa altura em que surgem algumas promessas numa prova em renovação.
Nelson Évora não é o último dos duros, mas o seu exemplo e enquadramento técnico são balizados pelo apoio de um clube, através do seu projecto olímpico. É nestas alturas - quando se começa a pensar em quantos mais Jogos Olímpicos um atleta estará presente - que a corrida bate certa. Perde-se o medo aos ensaios nulos, às lesões, e arrisca-se tudo na esperança que ainda há muito para ganhar, seja ao serviço do Benfica ou em representação da Selecção Nacional."

Colo é isto!

"Um dos argumentos que os falsificadores da verdade desportiva mais utilizam para demonstrar que o Benfica tem beneficiado de uma alegada protecção dos árbitros, é o de que a equipa de Jorge Jesus terminou oito dos seus 22 jogos do campeonato, em situação de vantagem numérica. É verdade, mas os números, se alguém se der ao trabalho de os verificar, demonstram, talvez, uma realidade alternativa e que não é compatível com a triste campanha que se manifesta nas televisões e nas redes sociais.
E que outras verdades é que se escondem atrás desses números. Estas, por exemplo. O FC Porto, com quatro expulsões que o beneficiaram no campeonato esteve um total de 74’ em vantagem numérica, enquanto o Benfica, nos seus oito jogos em que beneficiou de igual estatuto, esteve em vantagem numérica um total de 112 minutos. A diferença entre Benfica e FC Porto é, actualmente, de 28 minutos de tempo de jogo.
Porém, como bem se sabe, esta campanha já dura há várias semanas e o que se verifica é que aquilo que verdadeiramente separa o Benfica do FC Porto em tempo acumulado de vantagem numérica sobre os adversários apenas no último fim de semana se desequilibrou, com a merecida expulsão de André Simões. 
Portanto, imagine-se o logro deste argumento. Durante semanas a fio, comentadores clubísticos e não clubísticos insurgiram-se contra o número invulgar de expulsões de que o Benfica seria o escandaloso beneficiário. Porém, até à expulsão de André Simões, o que se verificava é que o FC Porto beneficiara de maior tempo de jogo em vantagem numérica (74’ contra os 72’ amealhados pelo Benfica).
Mas há mais. Das quatro expulsões verificadas em equipas que defrontaram o FC Porto, três delas ocorreram antes do período terminal dos respectivos jogos. Vamos considerar esse período terminal os últimos cinco minutos do tempo regulamentar e ainda os descontos. No caso do Benfica, verificou-se que também o clube das “águias” beneficiou dessa vantagem numérica antes da fase terminal dos seus encontros em quatro dos oito jogos descritos. Mais uma vez, a expulsão de André Simões desequilibrou uma situação de empate técnico entre Benfica e FC Porto. De facto, este colo de que se fala é muito estranho.
Porém, existe ainda mais um argumento que pode e deve suscitar alguma discussão. Até ao jogo em que os dois candidatos ao título se tinham defrontado, o FC Porto ainda não tinha beneficiado de nenhuma expulsão, ao contrário do Benfica que já tinha estado por cinco vezes em situação de vantagem numérica. Porém, depois do resultado que se verificou no estádio do Dragão, alguma coisa mudou nesta estatística. Nos seis jogos a seguir à vitória do Benfica, a equipa portista beneficiou das quatro expulsões que lhe permitiram ficar em vantagem numérica. Quatro expulsões em seis jogos. Não existe, no actual campeonato, nenhum registo semelhante de tantas expulsões terem beneficiado uma equipa em tão curto espaço de tempo. E o que aconteceu ao Benfica, desde que ambos candidatos ao título se defrontaram? Três expulsões em equipas adversárias. Uma delas, contra o Gil Vicente, aos 93’.
Se me perguntam o que é o colo no futebol, então eu respondo: O colo é isto. O resto é folclore e mau perder."

UEFA Youth League - Vitória...

Benfica 2 - 1 Liverpool

Marcámos um golo cedo, até podíamos ter marcado mais, mas mesmo assim a avaliação à 1.ª parte é negativa. Então a nossa defesa teve momentos horríveis, com alguns jogadores muito nervosos: André Ferreira, o João Lima (a continuar a má exibição do jogo com o Nacional...), e até o Pedro Rodrigues com a perda de bola que deu o golo do empate ao Liverpool...
No 2.º tempo tudo foi diferente, entrámos mais agressivos, tentámos ser mais rápidos... voltámos a criar várias oportunidades de golo, e melhorámos na defesa. Curiosamente tanto o André Ferreira como o João Lima acabaram por subir de rendimento, e na parte final foram mesmo decisivos!!!
O campeonato nacional de Juniores é muito pouco competitivo, na maior parte dos jogos, os nossos defesas não são testados... talvez assim se explique, os erros cometidos. Hoje foi claro com o passar dos minutos, a melhoria em alguns jogadores.
Apesar da vitória, nem tudo são rosas. Nota-se a falta do Renato na equipa. Hoje não jogou, porque está lesionado, acredito que teria sido opção tal como foram o Diogo Gonçalves e o João Carvalho, que baixaram da equipa B. Acabámos por ter pouca bola no meio-campo (o sector mais forte dos Ingleses), hoje o Renato teria sido muito importante a marcar o ritmo do jogo... e a assistir o Berto.
O Liverpool veio do grupo do Real Madrid onde efectuou bons jogos, os Centrais são fracos, mas o meio-campo é muito bom. Dominaram a posse de bola em muitos momentos do jogo, com trocas de bola nada 'inglesas'!!!
O André Ferreira acabou por efectuar defesas importantíssimas, o Rúben Dias é claramente o nosso melhor Central, O Issac trás maior capacidade física em relação ao Hugo Santos. O Yuri esteve regular... O Pedro Rodrigues esteve em dúvida devido a lesão, começou com o erro que deu o golo, mas foi melhorando... perto do final podia ter 'matado' o jogo, mas já não teve discernimento. O Gilson hoje devia ter jogado mais perto do Pedro, acabou por andar demasiado escondido... O Guga foi incansável, assistiu para o 2.º golo, mas teve muitas dificuldades com a capacidade física dos adversários... O Joãozinho e o Diji foram importantíssimos nos desequilíbrios, tem uma qualidade acima da média, apesar de nem sempre decidirem bem... o Joãozinho no drible, e o Diji a finalizar, foi sempre assim nas equipas de formação do Benfica!!! O Berto fez o que quis dos Centrais, mas a bola raramente lhe chegou jogável... faltou o Kevin, ou o Renato. Com melhor 'serviço' teria marcado mais...

Agora vamos defrontar o Shakthar no Seixal. Os Ucranianos tiveram no grupo dos Corruptos, e empataram os dois jogos (1-1). Nos Oitavos-de-final derrotaram o Olympiakos em casa, nas penalidades... Estão ao nosso alcance. Aliás com as eliminações do Barça e do Real o caminho para a Final está aberto... Esta equipa que jogou hoje, mais o Renato Sanches (já nem falo do Guedes e do Sarkic) pode pelo menos repetir a Final do ano passado...

Ferreira; Isaac, Dias, Lima, Yuri; Rodrigues, Gilson, Guga; Gonçalves, Carvalho (Flávio Silva, 89'); Hildeberto (R. Carvalho, 92').
Diogo Gonçalves (Diji) e Gonçalo Rodrigues (Guga) em 2007
PS: Até nos Juniores temos que levar com apitadores aziados!!!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Benfica, 1673 - Sporting, 1321 e no intervalo de uma opereta...

"Já houve Benfica-Sporting em quase todas as modalidades; já houve resultados de todos os tamanhos. Mas nenhum chega aos calcanhares do que se disputou no Teatro de São Luiz, em Março de 1924, e deu aos 'encarnados' a «Taça Ausenda de Oliveira».

Em primeiro lugar, as senhoras. Ou a senhora, neste caso. Ausenda de Oliveira. Havia quem escrevesse com Z: nascida na Pocariça, Cantanhede, a 20 de Março de 1888, filha de Isabel Oliveira e Eduardo Raposo.
Maria Isabel da Costa Oliveira, que ganhou a alcunha de Isabel Tainha, foi uma actriz conhecida do teatro português da época e Eduardo um famoso empresário que levava espectáculos um pouco por todo o País.
Ausenda, ou Auzenda (escreverei Ausenda), nasceu no berço certo. Não só ela, aliás. Repare-se: Carmen e Egídia, suas irmãs, também se lançaram na carreira dos palcos; Raul Oliveira, seu irmão foi um violista de méritos; Carmen Oliveira, cunhada, esposa de Raul, era notável acrobata e igualmente actriz.
Uma família de ideias bem definidas.
Em 1924, ano a que se reporta a história que quero aqui contar, Ausenda de Oliveira estava no auge da sua popularidade. E, acreditem, uma popularidade de truz!
A sua estreia fora precoce: Junho de 1904, no Teatro Avenida de Beja, com a Companhia Sousa Bastos, na opereta A Boneca.
Os vinte anos que se seguiram foram mágicos para Ausenda. Revistas como ABC ou Favas Contadas, Dia de Juízo, Ovo de Colombo; mais operetas - Viúva Alegre, Vendedor de Pássaros, Paganini, O Soldado de Chocolate, O Rei dos Sovietes, Enfim!, Sós, Conde de Luxemburgo. Trabalha para diversas companhias: José Ricardo, Armando de Vasconcelos, Luís Pereira.
Representa papéis que ficam na memória dos seus admiradores, nas peças. A Leiteira de Entre-Arroios, O Príncipe Orlof, O Milagre da Aldeia, Baiadeira, Morenhina, A Prima Inglesa. Passa quatro anos no Brasil e ganha mundo e notoriedade. Regressa a Portugal com mais prestígio do que nunca.
A sua voz era bela, de recursos amplos e reconhecidos. Também não fugiu à ópera, actuando na Bohème de Pucini e na Cavalaria Rusticana de Mascagni, por exemplo.
Trabalhou com Palmira Bastos e com Maria Matos - figuras únicas do drama português - em numerosas peças levadas à cena no Teatro Politeama.
A sua popularidade foi incrível e o final da sua carreira penoso e injusto. Viria a morrer em 1960.


Votem! Escolham o favorito!!!
Mas é de 1924 que falamos. Ausenda de Oliveira também já é estrela de cinema: entra no filme A Morgadinha de Val Flor.


No dia 11 de Março, no Teatro da Trindade, a actriz Aura Abranches sai inopinadamente de palco por causa dos dichotes que lhe são lançados no início do segundo acto. O episódio, raro, vale colunas de acusação e desculpas no «Diário de Lisboa» e em «O Século». O povo leva as coisas a peito. Não se brinca com o teatro!
Este último periódico traz nesse mesmo dia à estampa: «É hoje que no S. Luiz se realiza a anunciada Festa da Bola promovida pelos artistas da Companhia Armando de Vasconcelos - António Tavares, Fernando Rodrigues e António Matos, nela disputando a Taça Ausenda de Oliveira pelos clubes de Futebol. A entrega de votos da simpatia pelos clubes de futebol termina no fim do intervalo do primeiro acto, fazendo-se escrutínio no decorrer do segundo. A taça será entregue por Ausenda de Oliveira no fim do espectáculo».

Ou seja, nessa noite de 11 de Março de 1924, no intervalo da opereta Sonho de valsa apresentada no teatro São Luiz com Ausenda de Oliveira como protagonista, os espectadores iam a votos: escolhiam  seu clube favorito e o mais votado receberia um troféu. Estranho? Talvez. Mas era o Portugal do início da década de 20, que descobria um fascínio novo pelo futebol que já ombreava e levava a palma às exibições de palco.
A notícia que se segue dá-nos conta da decisão final. Veio publicada no «Sport Lisboa? de 15 de Março: A festa da Bola efectuada no teatro São Luiz alcançou um êxito ruidoso que deve com certeza levar a uma reprise... Os entusiastas do Benfica e do Sporting bateram-se valentemente, tendo-se formado à porta de entrada dois grupos que galopinavam para os respectivos clubes os votos dos espectadores indiferentes. O Sporting contava com um triunfo apoteótico, de antemão assegurado, encontrando-se na sala para os efeitos convenientes os seus elementos mais representativos. O pior é que as lutas eleitorais trazem sempre surpresas e o Sporting, no final da votação, viu-se batido pelo Benfica por uma diferença de mais de 400 votos».
No final: Benfica, 1763 - Sporting, 1321.
Talvez o resultado mais estranho da história da rivalidade entre os dois clubes.
E Taça Ausenda de Olveira para a sala de troféus dos encarnados.
Com essa diferença de mais de 400... Difícil de repetir."

Afonso de Melo, in O Benfica