Últimas indefectivações

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Os mestres deste Barcelona passaram por Lisboa há 65 anos

"Chamava-se San Lorenzo de Almagro, equipava também às riscas azul grená e ficou para a história como uma máquina do Futebol do passe e repasse, tabelinhas e golos... Quatro jogadores do Benfica defrontaram-na.

Chamava-se San Lorenzo de Almagro. Almagro é um bairro de Bueno Aires que se estende ao longo da linha de caminho de ferro que liga o centro da cidade ao subúrbio de Flores. O Clube Atlético San Lorenzo de Almagro nasceu em Almagro mas com o tempo mudou-se para Flores.
Nos anos 40 ainda era fortemente de Almagro. Equipa às riscas azul grená, tal como o Barcelona. Ou melhor, tal como o Basileia, clube de Joan Gamper, o fundador do Barça.
Pep Guardiola não escondeu a sua inspiração: quis levar para o seu Barcelona o futebol mágico do San Lorenzo.
No dia 31 de Janeiro de 1947, o San Lorenzo estava em Lisboa. Tinha acabado de esmagar a selecção de Espanha, em Madrid (6-1), e de desfazer o FC Porto, por 9-4. Agora jogava contra o B-S-B, a selecção composta por jogadores do Benfica-Sporting-Belenenses.
A equipa escolhida pelos técnicos dos três clubes é decalcada da selecção portuguesa que vecera a Espanha uns dias antes: Capela (Belenenses); Cardoso'cap' (Sporting) e Francisco Ferreira (Benfica; Amaro (Belenenses), Feliciano (Belenenses) e Moreia (Benfica); Arsénio (Benfica) e Travassos (Sporting); Jesus Correia (Sporting), Peyroteo (Sporting) e Rogério (Benfica).
O Estádio Nacional regista uma das suas maiores afluências de sempre: cerca de 70.000 espectadores espremem-se em redor do relvado para assistir à magia dos homens das Pampas. Não sairão desiludidos. Antes mesmo de o encontro ter início já os jogadores do San Lorenzo se divertem exibindo a sua arte na troca de bola de uns para os outros como forma de aquecimento, utilizando a cabeça, os joelhos, os ombros e os calcanhares. A descontracção é de tal ordem que, na cabina, se fuma, se bebe café e se saboreia 'cognac'. D. Pedro Omar, o treinador, passeia-se sobre a relva e sentencia: 'Está boa. Está para perder, ganhar, ou empatar'. Vestidos com o seu habitual equipamento de listas horizontais azuis e grenás, os argentinos entram em campo sob o entusiasmo inquieto da multidão. Há quem procure memorizar os seus nomes: Blanzina, Vanzini, Basso, Zubieta, Greco, Colombo, Imbelloni (acabaria, mais tarde, por se instalar em Portugal), Farro, Pontoni, Martino, Silva... Vestidos de branco, os portugueses parecem cordeiros entregues ao sa crifício da imolação. Ao intervalo o resultado era já de 5-1 a favor do San Lorenzo de Almagro. No segundo tempo, aos golos de Jesus Correia, Arsénio e Rogério, que somaram ao de Peyroteo, os sul-americanos respondem com outros cinco: 10-4!

Elogios infinitos
Como vêem, afinal a história repete-se. Este temível Barcelona de hoje em dia teve mestres. Toda a imprensa entrava pelo caminho da unanimidade. De tudo quanto se escreveu nos mais variados jornais, aqui ficam as frases mais vibrantes: «As exibições do San Lorenzo de Almagro transcendem os limites do Desporto. São arte viva! Ou espectáculos de circo»; «O virtuosismo - o génio - é coisa esplêndida se o admirarmos isoladamente, para lá do quotidiano. Porém, o choque entre esse mesmo génio e a vida pode deslumbrar mas fatiga. Sobretudo, humilha. Em metáfora, surge-nos assim a modo de um D. Quixote, com toda a sua capacidade de sonho, a lutar com o ridículo potencial de abstracção do Sancho Pança. Ou, então, uma espécie de juízo de valor entre uma 'fuga' de Bach e qualquer buliçoso 'corridinho' do Algarve»; «Os argentinos deixam entre nós uma impressão formidável»; «Tudo aquilo parece fácil, natural, simples, tal a perícia de execução dos jogadores argentinos, verdadeiros malabaristas de circo, a quem dá vontade de gritar como no Coliseu: Basta! Basta! Basta!»; «O seu domínio de bola portentoso permite-lhes desenvolver toda a gama de dribles num palmo de terreno, e isso explica o motivo porque conseguem caminhar vitoriosamente até à baliza, em teia de jogo apertado, passes repetidos para trás, para os lados, extenuando os adversários, quebrando-os pelos rins, tantas as voltas que os forçam a dar, e anulando assim os propósitos de marcação cerrada que possam sentir à sua volta»; «Onze jogadores de Futebol, bem treinados e unidos, serão sempre insuficientes ante onze grandes artistas de circo, impecavelmente ensaiados...»; «Admiremos a exibição magistral do San Lorenzo, as harmonias construídas pelo seu Futebol, a renda formosíssima dos seus passes, as desmarcações primorosas que executaram, sobretudo o seu sistema infinitamente belo de triangulações».
Ah! Onde é que já tínhamos visto isto?..."

Afonso de Melo, in O Benfica

A nossa missão

"O aparecimento do primeiro número deste jornal vem dar realização a uma antiga aspiração da massa associativa e foi possível devido ao esforço da Comissão de Iniciativa e Propaganda e ao franco e decidido apoio que esta recebeu, desde a primeira hora, da Direcção do Sport Lisboa e Benfica.
Este jornal - e o seu nome bem o indica - não é órgão de este ou daquele, mas sim única e exclusivamente órgão do Sport Lisboa e Benfica.
Publica-se para defender com intransigência, dedicação, imparcialidade, lealdade e correcção, os interesses de um clube que, também sempre apresentou estas características, é a maior colectivamente desportiva do País e gosa, desde da sua fundação - há já três boas dezenas de anos - do respeito e consideração de todos os que pelas coisas do desporto se têm interessado.
Este jornal é, pois do Benfica e para o Benfica.
Viverá não somente da dedicação dos que lançaram mãos à tarefa de o fazer publicar mas, principalmente, do carinho que lhe dispensar a grande massa associativa e de simpatizantes do nosso Clube.
Para essa grande massa associativa que, animada sempre do melhor espírito de sacrifício, tanta e tanta dedicação tem dado à colectividade vão as nossas mais calorosas saudações, juntamente com a segurança, que encontrará sempre neste jornal acolhimento que todas as aspirações que vivem o engrandecimento do Benfica.
Aos Corpos Gerentes do S.L.B. apresentamos, também, as nossas saudações, prometendo-lhes o apoio em tudo em que ele possa ser útil para o progresso da Colectividade.
Não apenas por cortesia, mas porque bem conhecemos e admiramos o esforço de todos em prol do desenvolvimento do desporto, saudamos, do mais pequeno ao mais poderoso, todos os Clubes desportivos assegurando-lhes que, nem pelo facto de vir pugnar pela defesa dos interesses do Benfica, este jornal esquecerá os interesses gerias e superiores da Ideia Desportiva e da sua Causa.
A Imprensa Desportiva, com quem, como é óbvio, desejamos manter as melhores relações e cujos largos serviços prestados à nossa Causa bem conhecemos, endereçamos os nossos cumprimentos afirmando que não surgimos para combater ou com ela concorrer, mas apenas para contribuir com o nosso esforço para propaganda, desenvolvimento aperfeiçoamento do desporto.
Para aqueles que, envergando a camisola do Benfica, defendem as cores da nossa Bandeira lutando, em qualquer modalidade, com a correcção, saber, vigor e entusiasmo que são próprios dos desportivos - e características do nosso Clube - as nossas entusiásticas saudações, com os votos de que sempre animados do melhor espírito, continuem a conquistar mais troféus para o Benfica, e a prestigiá-lo em todos os campos."

Editorial jornal O Benfica, nº1, 28 de Novembro de 1942

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

São Rosas !!!


Benfica B 3 - 1 Marítimo B

O jogo foi mais complicado do que pode parecer pelo resultado, só nos últimos minutos o Benfica carimbou a vitória, e até começamos mal, com o Marítimo a causar mais perigo, até que o Miguel Rosa, após uma excelente jogada com Cavaleiro, centrou com força, e com bastante sorte nos ressaltos, a bola acabou dentro da baliza dos insulares!!! A partir daqui o Benfica melhorou, mas mesmo assim não atingimos o nível do início da época, sem os André's e sem o Pimenta, fica a faltar quem pense no jogo no meio-campo, o Luciano e os Ascues defensivamente são bons, mas limitados a atacar...
O Rosa continua a ser decisivo, com ou sem tabelas, nota-se que está com a confiança toda, mesmo quando exagera nos remates de ângulos quase impossíveis... falou-se esta semana de uma actualização salarial, e de uma promessa de fazer parte das opções para a equipa principal: merece...

Goleada no racismo

"Morreu Guilherme Espírito Santo. Morreu um Amigo meu, alguém com quem privei horas de convívio deleitoso, alguém que aprendi a respeitar como personalidade vertical e umas das maiores referências do historial centenário do nosso Benfica.
Sobre o Espírito Santo, um dia, escrevi longa prosa, cujo trecho final aqui reproduzo, em jeito de homenagem. 'Ele não é uma curiosidade arqueológica, é actualidade. Episodiou a história do Clube, foi apóstolo de um Benfica novo. Projectou também novas luzes sobre o futebol. Fonte de alimentação do ataque, coleccionou golos, títulos, presenças internacionais. Instalou-se no sonho do povo ou não tivesse inventado o futuro'.
E aquele episódio, corria o ano de 1947? A comitiva vermelha chegou ao Funchal para disputar um embate com o Marítimo. Na véspera, quando deu entrada numa unidade hoteleira, o responsável dessa estrutura atirou com 'o negro não pode dormir no hotel, tem que ficar no anexo'. De imediato, gerou-se indignação. Ainda assim, o mandante mostrou-se inamovível. O que fizeram os jogadores do Glorioso? Solidários com Espírito Santo, foram todos pernoitar na arrecadação. Nesse dia, dia histórico, o Benfica venceu o racismo. Venceu de raiva, vencer de goleada.
Espírito Santo, a Pérola Negra, ademais, era um excelente companheiro, um intérprete fiel da causa benfiquista. Mereceu, redobradamente, o gesto amistoso e ternurento dos colegas. Agora, que deixou o mundo dos vivos, merece a glória perene de todo o universo rubro."

João Malheiro, in O Benfica

Objectivamente (Espírito Santo)

"Guilherme Santana Graça Espírito Santo, um dos maiores desportistas de sempre da nossa geração, merece a mais sincera homenagem de todos os que vivem os verdadeiros valores do Desporto.
Guilherme Espírito Santo como era conhecido no futebol desde 1936, ano em que se estreou ao serviço do Benfica em Setúbal, no velho campo dos Arcos, nasceu em Lisboa no dia 30 de Outubro de 1919, mas era de ascendência angolana e para África voltou com a família aos 8 anos de idade. Depois foi em Angola que se iniciou no futebol numa filial do Benfica em Luanda.
Posteriormente veio a concretizar o sonho de jogar no Glorioso aos 17 anos iniciando uma longa carreira de verdadeiro desportista «globbetrotter» sagrando-se campeão no Futebol, Atletismo e Ténis.
Algumas curiosidades contadas pelo próprio fazem as delícias de quem admira estes verdadeiros campeões que antecederam os não menos gloriosos campeões europeus dos anos 60, e que revelam a verdadeira aptidão para o desporto em todas as vertentes.
Quando Guilherme Espírito Santo em busca de uma bola que havia saído das 4 linhas saltou uma fasquia de 1,70 com a maior facilidade enquanto os seus companheiros de clube treinavam e tentavam... e tentavam sem sucesso alcançar aquela marca. Dizia GES que deveria ser «porque em Angola fui mordido por um macaco!». Mas foi também no Atletismo que conseguiu grandes marcas. Recordista nacional de salto em Altura por 3 vezes, a última das quais em Agosto de 1940 com 1,88m, só em 1960 outro angolano que representou o Benfica com enorme mérito Rui Mingas bateu essa marca saltando 1,90m.
Rui Mingas, tal como Barceló de Carvalho (o conhecido cantor Bonga), foram também eles grandes sucessores de GES no Benfica representando Angola e o continente Africano que sempre marcou a história do Benfica."

João Diogo, in O Benfica

Top-dez

"A vitória obtida sobre o Celtic trouxe com ela a possibilidade de continuarmos a sonhar com uma noite épica em Camp Nou, e com o correspondente acesso à fase seguinte da principal prova mundial de clubes. Mas, independentemente da concretização, ou não, desse objectivo, aquele triunfo garantiu-nos a continuidade na Europa do futebol, o que, por sua vez, nos pode encaminhar para um lugar no Top-dez do ranking da UEFA no final da corrente temporada – coisa que não se via desde há mais de quinze anos.
Recordo, a propósito, que em 2001 o Benfica ocupava um humilhante 91º lugar, atrás de nomes como Slovan Liberec, Union Berlim, Roda, Rayo Vallecano, Paok, Vitesse, Grasshopper ou…Boavista. O trajecto internacional do Benfica tem tomado, na última década, um rumo de constante e sustentado crescimento, apenas intercalado por uma temporada francamente negativa (com Quique Flores, em 2008-2009). Desde que Jorge Jesus assumiu o comando técnico da nossa equipa, não mais ficámos fora de competição antes dos Quartos-de-Final (uma vez na Liga Europa, outra na cintilante Champions League), e voltámos, dezassete anos depois, a marcar presença numas Meias-Finais europeias (embora a forma como, aí, desperdiçámos a oportunidade de chegar à respectiva final, nos tenha deixado um profundo amargo de boca). São dados concretos, que nos devem orgulhar, e aos quais nem sempre é concedido o devido reconhecimento.
Se a estes números acrescentarmos mais uma campanha de bom nível, entraremos pois no tal Top-dez, onde só cabem os grandes nomes do futebol europeu e mundial. 
É verdade que, entre eles, está também o nosso grande rival interno. Mas isso, ao invés de nos diminuir, deve, pelo contrário, ajudar a explicar porque motivo nos tem sido tão difícil alcançar o desígnio estratégico da recuperação da hegemonia no futebol português. Não jogamos sozinhos, e a verdade é que nunca na nossa história centenária (exceptuando talvez os anos dos “Cinco Violinos”) tivemos de nos bater com tão forte adversário."

Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 2 de dezembro de 2012

Sempre a somar !!!


Benfica 3 - 0 Castêlo da Maia
28-26, 25-16, 25-22

Mais uma vitória, contra um adversário motivado - após eliminarem o Sp. Espinho da Taça!!! -, que no 1º e no 3º Set jogou muito bem, e obrigou o Benfica a suar... Excelente entrada no jogo do Miguel Tavares e do Ché - isto apesar dos falhanços monumentais do Ché, que quando falha, falha mesmo...!!! -, nos lugares do Vinhedo e do Gaspar... Aquele final do 1º Set foi desnecessário, acabámos por vencer nas vantagens, mas...

Positivo e negativo

"1. Excelente exibição frente ao Celtic, exibição quanto-baste com o Olhanense mas, num caso e outro, tantas perdidas!... Poderiam ter sido goleadas.
À margem do jogo-jogado, apontamentos positivos e negativos. Excelente o nosso relvado. Choveu bem em Lisboa todo o dia e noite de sábado. Até parecia que o Estádio foi totalmente tapado. A bola deslizou sempre, a relva nunca saltou. Depois do que se tem visto noutros campos (no Restelo nem houve jogo!), é mais um motivo de orgulho. Ao invés, não gostei (nunca gosto) da utilização (não obrigatória) do equipamento alternativo - o Benfica é (sempre foi!) vermelho e branco - e nunca comprarei ou oferecerei outro equipamento que não tenha essas cores. Finalmente, não gostei (ninguém gostou) do lamentável comportamento dos 'No Name'. Apoiam sempre a equipa, dão animação ao Estádio - muito bem. Mas parece que só são benfiquistas a 50 por cento.

2. É verdade (felizmente) que a nossa principal claque se porta normalmente bem para com os adversários. Não atira bolas de golfe, não faz dos seus cânticos insultos ao FC Porto ou ao Sporting. A claque do FC Porto ainda no domingo se 'exibiu' mais uma vez a grande altura, com confrontos com a polícia e cânticos anti-Benfica, que nem lá estava a jogar.
Mas, não chegando (repito, felizmente) a tais extremos, a nossa claque continua a permitir que alguns dos seus elementos prejudiquem altamente o próprio Clube. O constante lançamento de petardos já parece provocação. Se há meia dúzia de energúmenos infiltrados  devem ser imediatamente expulsos e pelos próprios elementos da claque que se dizem (e acredito que o sejam) 100 por cento benfiquistas. Eles saberão certamente quem, no meio deles, prejudica o Benfica. Passam a ser coniventes com este lamentável comportamento se não actuarem. Já viram o prejuízo (em milhões de euros) que já deram ao Benfica? Chega de petardos!

3. Com bastante sorte (e mais uma Xistrada...), o FC Porto ganhou em Braga e mantém-se a par do Benfica na liderança do Campeonato que, já se viu, será disputado jogo a jogo, ponto a ponto. Não pode haver distracções.

4. Valentim Loureiro afirma que vai propor a atribuição da medalha de ouro de Gondomar a Pinto da Costa. Não se conhecem quaisquer benfeitorias que o presidente do FC Porto (ou o próprio clube) tenha feito à cidade liderada pelo major, mas já nada surpreende. Estão bem um para o outro..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

A época, o orgulho e todas as cabeças

"Os adeptos do Real Madrid e os do Sporting constituem-se, neste momento, como o núcleo de gente mais desagradada da península ibérica, isto falando de futebol. Outros motivos de desagrado, esses sim, dramáticos, varrem o tecido social dos dois países vizinhos, unindo-os nas suas preocupações face a outro género de tormentas. Mas todos sabemos que a “vida real” é uma coisa muito séria enquanto o futebol cabe melhor nos domínios da ilusão. Dediquemo-nos, portanto, às agruras da bola tal como são vividas no Bernabéu e em Alvalade.
Real Madrid e Sporting estão a fazer nas respectivas Ligas percursos medonhos, nada consentâneos com os seus historiais, ainda que entre o historial do clube espanhol e o historial do português haja uma diferença muito significativa, com o devido respeito. O Real Madrid de Mourinho está a 11 pontos do líder, o Barcelona. O Sporting de Sá Pinto/Oceano/Frankie Vercauteren está a 15 pontos dos líderes, FC Porto e Benfica. De um lado e do outro são muitos pontos perdidos. Tantos que já não haverá quem acredite que os dois emblemas serão capazes de cometer a proeza de chegar ao fim em primeiro. Para o Real e para o Sporting, o campeonato de 2012/2013 acabou um mês muito antes Natal.
E, por estes dias, nas duas sedes vive-se um ambiente especialmente electrizante. Aproximam-se os dérbis com os velhos e históricos rivais. O Real Madrid recebe hoje o Atlético de Madrid, a única equipa da Liga espanhola que ainda não desistiu de perseguir o imparável Barcelona. Com o melhor arranque da sua história, o Atlético está a 3 pontos do Barça e cabe agora à equipa de José Mourinho, para mais jogando em casa, interromper a caminhada dos “cochoneros”, em caso de vitória, ou embalá-los para a luta com os inimigos catalães, em caso de derrota. Muito divididos devem estar os corações dos adeptos do Real Madrid face ao dérbi de hoje…
Em Alvalade, há outros contornos a ditar os costumes. Está a chegar o jogo com o Benfica e o clube suspendeu todas as decisões até receber o rival em Alvalade porque é certo e sabido que uma vitória sobre os vizinhos salva imediatamente a época, o orgulho e todas as cabeças. Eis a triste vantagem do Sporting sobre o Real Madrid.

ERRAR É HUMANO
O silêncio é de ouro vezes dois
Os presidentes do Sporting de Braga e do Benfica estiveram esta semana em total sintonia. É sempre bonito registar-se um momento destes quando ocorre porque se trata de um fenómeno raro. Quantas são as vezes ao longo da vida em que nos é oferecido o espectáculo de dois presidentes de dois clubes grandes exibindo uma total sintonia, dizendo ou pensando a mesma coisa, repetindo um as palavras do outro? Zero vezes, meia, uma vez? O importante é que esta semana aconteceu. Vamos aos factos!
Entrevistado pelo site do clube a propósito do 70.º aniversário do jornal “O Benfica”, Luís Filipe Vieira foi instado a dar mais pormenores sobre a anunciada rutura com a Olivedesportos e sobre a eventualidade de passar a Benfica TV a ser dona dos direitos de transmissão televisiva dos jogos do Benfica na Luz. Luís Filipe Vieira, que desvendou uma pontinha deste véu na última campanha eleitoral, recusou-se a adiantar o que fosse sobre o assunto e refugiou-se num velho e sábio ditado popular: “O silêncio é de ouro.” E é mesmo.
E foi também no mesmo ditado (o tal do silêncio ser ouro) que pensou António Salvador no fim do jogo para o campeonato com o FC Porto. Nem uma palavrinha sequer pronunciou o presidente do Braga. Não digam que não há aqui sintonia.

POSITIVO
Dier cresce
É, em boa verdade, a única nota positiva deste Sporting. Um rapazito inglês que brilhava na equipa B, foi “despromovido” à indescritível equipa A e vem convencendo técnicos, adeptos e jornalistas.

Olivera vezes 3
Apesar de seguir uma carreira fraquinha, o Moreirense tem um mata-leões na figura do argentino Pablo Olivera que, só à sua conta, assinou três golos ao Sporting, dois na Taça e um na Liga. É obra.

NEGATIVO
Figo, sim e não
Afinal Luís Figo não admite vir a ser treinador do Sporting. Figo garantiu que nunca tinha dito nada que se parecesse com isso. Já para presidente não se importava de esperar. Ou não, logo se verá.

PÉROLA
“A mim e ao Jorge quiseram-nos atacar lá do sul.”, VALENTIM LOUREIRO
Na cerimónia do 7.º aniversário da Banda de Música de Melres, Valentim Loureiro aproveitou a ocasião para regressar à ribalta do futebol português outorgando a Pinto da Costa o diploma de “cidadão honorário” de Gondomar. E deixou ainda uns remoques sobre “tribunais” e coisas que tais."

Grande farra no adeus à Taça

"Vítor Pereira tinha a "máquina" afinadíssima sobre o carril e, com a ajuda irresponsável de Castro e Danilo, "ofereceu" a "carta de alforria" a José Peseiro e a "ressurreição" ao Braga. Quando no final do jogo Vítor Pereira assumiu a responsabilidade da gestão da equipa (sem Moutinho nem Lucho de início; sem Jackson Martínez... no tempo todo!) estava claro que o técnico portista havia estragado o que vinha parecendo perfeito. Já na Taça, perante o frágil Santa Eulália, Vítor Pereira passara a má experiência de uma revolução no onze-base. Repetiu-a! Não era preciso fazer nada; bastava não mexer para... não estragar. O jogo com o PSG é só daqui a quatro dias, com tempo de recuperação, pelo que o FC Porto deu em Braga a imagem oposta do seu ADN: facilitismo e alguma irresponsabilidade. A começar pelo treinador e a acabar nalguns jogadores, com particular enfoque nos já citados Castro (vai "calçar" mais?!...) e Danilo (uma "flor" naquelas circunstâncias?!).
Queixam-se os portistas de uma má arbitragem de Benquerença, alegando excesso de zelo em matéria disciplinar. As consequências não terão sido piores porque, como já acontecera com Carlos Xistra no jogo para o campeonato, a turma portista começou por beneficiar de uma grande penalidade não assinalada, quando em plena área Fernando puxou os calções a Hugo Viana.
Foros de escândalo chegaram a pairar sobre Braga, porque tornava-se evidente a protecção dada pelo árbitro de Leiria ao FC Porto. Parecia vassalagem. Na partida de há cinco dias, os campeões nacionais ainda haviam praticado futebol de boa qualidade, antes do "golpe final" nos últimos minutos desse jogo para a Liga. No encontro de ontem, tal a profusão de erros, deu a sensação de que o FC Porto não queria ficar na Taça. As entradas duras, as más escolhas do onze, as substituições tardias e o descontrolo emocional constituíram algo de anormal numa época em que os portistas têm exibido competências.
No domingo passado, o Sp. Braga foi prejudicado pela arbitragem de Carlos Xistra e abateu-se um estranho silêncio entre os responsáveis bracarenses. António Salvador rebelara-se em Alvalade e optou pelo silêncio quando os prejuízos se revelaram nos jogos com o FC Porto. Mesmo com vassalagem, eliminação da Taça. Há outra hipótese: desprezo total pela competição, com o Braga a aproveitar e a... agradecer o presente (antecipado) de Natal.
Estranho Porto este, completamente ao contrário da equipa séria e competente que tem jogado na Liga e na Champions. Fica, contudo, a certeza de que foi uma noite muito má de Vítor Pereira, na "grande farra" de Castro, Danilo e... Olegário.

JARDIM DAS ESTRELAS
João Tomás dá que pensar
Quando dois pontas-de-lança de equipas "pequenas", como são os casos de Meyong (V. Setúbal) e João Tomás (Rio Ave), se mostram competitivos em relação às grandes "estrelas" goleadoras do campeonato português, como o portista J. Martínez e o benfiquista Cardozo, não se pode deixar de estabelecer uma relação entre o rendimento e as compensações: no âmbito desportivo e no plano financeiro.
São dois jogadores muito experientes, com mais de 30 anos; João Tomás é um caso raro de longevidade, com quase 40 e, se mantiver a média que conseguiu no primeiro terço da Liga, conseguirá pulverizar o recorde de golos que alcançou na Académica, antes de ingressar no Benfica.
Alguns clubes preferem apostar em alegados "craques", gastando milhões. Porquê?
Dá que pensar.

O CACTO
"Xistrema"
Não há nenhuma equipa de futebol que consiga conquistar títulos a nível nacional internacional se não demonstrar competências técnicas e tácticas. As arbitragens, contudo, podem ser uma importante alavanca na obtenção de algumas dessas vitórias. Basta não marcar um penálti (evidente) quando o resultado ainda está incerto ou promover, por exemplo, uma expulsão injusta. Os erros de arbitragem ajudam as equipas a cumprir o seu caminho, como aconteceu com Xistra em Braga. E com Olegário a história não se repetiu... porque o FCP eliminou-se.

TEMPO EXTRA
Humilhação leonina
O Sporting chegou a um ponto de pré-ruptura porque os dirigentes, no pós-João Rocha, nunca entenderam uma coisa comezinha no futebol: as estruturas devem ser simples, com um centro de comando que deve estar na presidência. Essa presidência (que entenda de futebol) tem de saber lidar com os princípios basilares do exercício da liderança. É preciso impor silêncios e gerir esses silêncios. O Sporting, em vez de se fechar, com uma organização mais vertical do que horizontal, abre-se a todo o tipo de desvarios. Cabe lá na cabeça o presidente de um clube, seja ele qual for, ir a um Conselho (Leonino), com uma cruz sobre os ombros e as mãos atadas, e submeter-se a um ror de acusações e insinuações e sair de lá humilhado mas devidamente legitimado e... aconselhado?
O Sporting precisa de um líder na presidência e de um líder no balneário, que feche as portas da cabina no intervalo dos jogos. Parece difícil, depois de se alimentarem tantos egos."

sábado, 1 de dezembro de 2012

Liderança isolada...


Turquel 6 - 7 Benfica

Grande vitória, não pela qualidade do jogo, nem pela qualidade do adversário, mas numa jornada onde o nosso principal adversário perdeu em Torres Vedras, era essencial vencer esta noite... Ainda por cima, ao intervalo estávamos a perder por 5-2 !!! Felizmente a entrada da 2ª parte, foi devastadora, empatámos, o Turquel voltou a passar para a frente, mas foi por pouco tempo...!!! Infelizmente, os últimos minutos voltaram a ser 'cardíacos', já que não conseguimos marcar mais golos, falhámos mesmo 2 Livres Directos no último minuto!!!
Já se esperava um ambiente complicado em Turquel, nunca é fácil jogar em Turquel - nunca joguei Hóquei, mas tive amigos Hóquistas, que quando iam jogar a Turquel nos campeonatos regionais das camadas jovens, ficavam sempre cheio de medo... do ambiente, e das cabazadas que normalmente levavam!!! -, muito menos quando o adversário é o Benfica - a Lagartada lá do sítio fica histérica quando vê o 'vermelho', seja no Futebol, seja com Stick's !!! Tenho a certeza que o plantel sabia das dificuldades, o Diogo Rafael é de Turquel, começou a jogar no Turquel, portanto tenho alguma dificuldade em encontrar uma explicação para a 1ª parte do Benfica...
O ano passado na Liga Europeia, fomos eliminados devido às nossas debilidades defensivas, este ano em vários jogos, tem sido óbvio as muitas dificuldades do Benfica nas transições defensivas... Estamos à frente do Campeonato, e estamos à frente do nosso grupo na Europa, mas se não defendermos melhor, vamos ter algumas desilusões lá para o final da época...
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Faltou o 'quase' !!!


Benfica 28 - 22 Nantes
(49 - 51)

Vitória com sabor amargo... Se vencer uma equipa da Liga Francesa, com vários internacionais Espanhóis - Tunisinos, Islandeses... - é digno de registo - provavelmente depois da vitória na Alemanha há dois anos, esta terá sido a maior vitória da secção em toda a nossa história!!! -, acabar eliminado, quando fica a sensação que podíamos ter ultrapassado este obstáculo, é frustrante... Os últimos minutos da 1ª mão, foram mesmo fatais... Hoje, mesmo sem o Pedroso, sem o Areia e o Carneiro, a equipa lutou, e na 2ª parte esteve muitíssimo bem, com um bocadinho mais de fortuna, a 'coisa' podia ter caído para o nosso lado!!!
Parabéns a todos... Agora temos que nos concentrar nas competições internas, onde as dificuldades não são menores, já que jogamos quase sempre em inferioridade numérica, como ficou provado no jogo de Braga...


"Capote" !!!


Benfica 103 - 56 Sampaense
24-6, 31-17, 26-21, 22-12

O adversário facilitou, mas com este tipo de atitude, os sustos, como o de Barcelos, são evitáveis...!!!

Boa vitória...


Benfica 3 - 0 Ac. Espinho
25-14, 25-16, 25-22

Mais complicado do que pode parecer pelos parciais, com algumas jogadas bonitas com muita sustentação... Amanhã temos outro jogo, teoricamente mais difícil...

Alguém dúvida ?!!!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Vitória...


Benfica 4 - 1 Olivais

Boa primeira parte (4-1 ao intervalo!!!). Segunda parte 'controlada', com muito desperdício (dos dois lados!!!)...

A quem convém o silêncio?

"Uma frase ficou para a História de Portugal e da hipocrisia, que muitas vezes de confundem  Foi proferida pelo infame Salazar depois do assassinato do general Humberto Delgado. Dizia ele na sua voz alquebrada de seminarista: 'A nós convinha que falasse; a outros haveria de convir mais o silêncio que só a morte poderia, com segurança, guardar...' Ah! Assustadora realidade! A quem convém o silêncio? Perguntem por aí. Mas perguntem alto. A quem convém que se calem as trampolinices, as barbaridades, as trafulhices? Quem deseja que o silêncio caia sobre visitas nocturnas de um árbitro a casa de um dirigente? Quem está verdadeiramente interessado em que gestos canalhas se percam no esquecimento?
Quem quer ocultar de uma vez por todas no limbo do oblívio os espancamentos a jornalistas, as ameaças anónimas, as litigâncias de má-fé, as viagens ao Brasil, os cheques, os envelopes, as prostitutas, os jantares armadilhados? Há por aí cada vez mais gente a exigir que tudo se enterre fundo nas areias movediças de um tempo que passou, como se fôssemos todos cegos e surdos e mudos, e, sobretudo, desonestos como eles. Gente que fala e gente que escreve. Canetas de aluguer condenadas à esterqueira de consciências macabras. E agora até se anunciam canais de televisão em cuja antena a verdade passará a ser outra e não mais a verdade suja que todos nós conhecemos. A quem convém tanto silêncio? A quem beneficiam as vozes que se calam? Quem são os infames hipócritas que mendigam a lavagem das palavras e dos gestos? Eu sei a quem convém o silêncio! Como todos os silêncios, convêm aos criminosos!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Jogar bem e bonito

"Este fim-de-semana a seco de futebol é péssimo para um Benfica que vinha jogando bem. Tanto pior quanto se trata de fim-de-semana com Taça de Portugal, e onde o adversário que jogará virá de escalão inferior. Jogar já para não apertar a agenda futura era muito melhor. Tenho sérias dúvidas nos resultados de paragens competitivas tão longas. Como exemplo os primeiros jogos pós Natal e Ano Novo são sempre de dificuldade acrescida.
Na próxima quarta-feira, se fosse treinador, poupava jogadores para o jogo de Alvalade. Com a Liga Europa assegurada falta ainda saber o desfecho do jogo de Glasgow. Jorge Jesus sabe que é no Campeonato que reside a ambição maior.
Mesmo com adversários a quem dá muito trabalho ter sorte, há condições para lutar pelo título.
Este FC Porto é mais colectivo, e joga muito melhor, que o outro, de um 'tolinho' a marrar contra defesas sem passar a bola a ninguém, mas este Benfica cria oportunidades de golo em série e dá prazer ver jogar futebol.
Esta equipa pode não ganhar, mas sabe jogar. Contra o Olhanense podiam ter sido seis, mas prefiro ver falhar golos do que não os ver criar.
Com um terço de Campeonato jogado, oito vitórias. Lembro que só senão foram dez, porque Soares Dias anulou um golo limpo na primeira jornada, e Xistra inventou dois penalties em Coimbra /era uma altura da época em que ainda os via). Seguimos em frente na esperança (pouca= que não seja sempre assim e na certeza de que vamos continuar a jogar bem e bonito.
Uma última palavra para Vítor Pereira, técnico portista que fustigado por perguntas de mau gosto sobre vencimentos e rankings de dinheiro, deu bela bofetada, com nível e categoria, para quem julga que na vida só o dinheiro conta ou só o dinheiro motiva. Numa sociedade com tantos a passar tão mal, só pode ser de mau gosto inventar atrito no ranking de privilegiados."

Sílvio Cervan, in A Bola

Trabalhos e dias

"Nesta última semana, lembrei-me por várias vezes do título “Os Trabalhos e os Dias” que o poeta grego Hesíodo (Séc. VIII a.C.) atribuiu a uma das suas obras mais marcantes. Antes de a jornada começar, Jorge Jesus, de forma certeira e incisiva, alertava para a sorte que o FCP costuma ter em Braga. Vítor Pereira respondia que a sorte dava trabalho e Carlos Xistra demonstrou na prática que, de facto, mais do que dias de sorte, há dias em que é preciso trabalhar muito para que se possa responsabilizar a aleatória sorte da condicionada incompetência.
A sorte do FCP foi não ter, nesse dia, apanhado com o mesmo árbitro que o Benfica teve de enfrentar recentemente, na quarta jornada, em Coimbra. Se o árbitro tivesse sido o mesmo, provavelmente, teria assinalado uma grande penalidade óbvia contra o FCP. Tinham o mesmo nome, foram nomeados pela mesma pessoa, foram dois jogos para a mesma competição, com critérios idênticos, mas, definitivamente, não foram apitados pelo mesmo Xistra. Conseguir uma sorte destas dá muito trabalho e, como ficou à vista de todos, este tipo de trabalho do Carlos Xistra depende dos dias. Há dias em que Xistra trabalha para a sorte dos adversários do Benfica e há dias em que Xistra trabalha para o azar dos adversários do FCP.
Deste modo, percebemos que ter, aparentemente, o mesmo árbitro, na mesma competição e em dias diferentes, resulta em sortes distintas, consoante os clubes em contenda. De facto, uma sorte destas não se consegue sem trabalho, muito trabalho, um trabalho feito de dias (lá volto eu a Hesíodo), de longos dias. Há até quem garanta que é um trabalho feito de largos dias que têm cem anos..."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Nemanja Matic

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A presunção estava lá toda. Só faltou a água benta

"O campeonato seguia relativamente tranquilo até aos primeiros clássicos. Mas já se sabe que com os clássicos chegam também os nossos valorosos árbitros internacionais...

NO topo da classificação, no duelo entre o FC Porto e o Benfica não há quem descole. O campeonato ganha em brilho e em emoção no que respeita à discussão maior. O que os dois arquirivais demonstraram neste primeiro terço da época é que a distância entre eles é quase nada e que a distância deles para os outros todos é enorme, salvo prova em contrário.
A queda abrupta do Sporting de Braga para posições a que já não estava de todo acostumado é a novidade maior desta Liga de 2011/2012 quando falta pouco menos de um mês do Natal. Os analistas dados às forças do ocultismo dirão que o Sporting de Braga anda a penar com as alminhas desde que o seu presidente, António Salvador, lhe proclamou a ascensão ao estatuto de terceiro grande do futebol português.
A presunção estava lá toda. Faltou, no entanto, a água benta.
E como? E porquê?
Está aberta a época dos clássicos do futebol português, sejam os ditos clássicos de primeira, de segunda ou de terceira geração, precisamente como são estes a que me vou referir. Tomemos, assim, por exemplo os dois últimos desses clássicos, os que opuseram o Sporting de Braga ao Sporting, em Lisboa, e o mesmo Sporting de Braga ao FC Porto, em Braga, e que redundaram em duas derrotas que muito atrasam os minhotos na luta pelo topo da tabela.
Diga-se que o Sporting de Braga dominou como muito bem quis a segunda parte do jogo de Alvalade e, depois, jogou taco-a-taco com o FC Porto, quase anulando as diferenças entre os dois. Mas perdeu sempre porque lhe faltou água benta em ambas as ocasiões.
O campeonato português seguia relativamente tranquilo até à chegada dos primeiros clássicos do calendário. Mas já se sabe que com os clássicos chegam também os nossos valorosos árbitros internacionais e como não há belas sem senão... lá regressa em todo o seu esplendor o protagonismo de quem não devia.

O mau momento do Sporting é um exclusivo dos sportinguistas e não fica bem aos adversários (mais ou menos históricos) dos leões de Alvalade perorar soluções, apontar incompetências ou espicaçar ânimos e desânimos com graçolas cruéis.
Todos os clubes têm os seus problemas para resolver e, atendendo à conjuntura actual, são muitas e variadas essas contrariedades. A questão com o Sporting é que a somar aos óbices da conjuntura ainda tem de suportar a infeliz carreira da sua equipa de futebol. Deixamos, portanto, os nossos amigos sportinguistas tratarem do seu Sporting em paz. Não façamos aos outros o que n~´ao gostamos que nos façam a nós, um preceito antigo e sempre válido.
Grandeza é isto: não menosprezar jamais o grande adversário, não fanfarronar estupidamente a propósito da iminente visita a Alvalade e se é para falar do Sporting do momento presente só vale se for para apontar o que funciona bem, ou seja, as coisas boas. E há coisas boas e que funcionam bem em Alvalade.
O presidente, por exemplo.
A equipa de futebol saiu de Moreira de Cónegos mais longe de todos os seus objectivos e o treinador, mais um, saiu de rastos. Já o presidente saiu em grande e bastou atentar nas primeiras páginas dos jornais do dia seguinte para se concluir, de forma inapelável, que o responsável pela reviravolta no resultado no decorrer da segunda parte foi Godinho Lopes.
Não foi por ter sido rápido e codicioso nos três minutos que se viu a jogar contra 10, por impedimento físico de um jogador adversário a receber tratamento fora das quatro linhas, que o Sporting chegou ao empate em Moreira de Cónegos. Não, nada disso.
Foi porque o presidente ao intervalo, quando a equipa perdia por 2-0, e abanou energicamente os jogadores para que despertassem para os derradeiros 45 minutos que o milagre acabou por acontecer.
Com um presidente destes nem é preciso treinador.

DOIS dos emblemas mais ricos do mundo, certamente entre os mais esbanjadores dos últimos tempos, encontraram-se na tarde deste último domingo, um banalíssimo domingo londrino de chuva, e ofereceram um espectáculo sem grandes motivos de interesse posto que as duas equipas persistiram em jogar longe da baliza do adversário, aparentando maior medo de perder o jogo do que vontade de o ganhar, eis a triste conclusão a que se chegou quando o embate de Stamford Bridge chegou ao fim.
O resultado saldou-se num zero a zero desconcolador para quem esperaria que os incontáveis cabedais do russo do Chelsea e dos árabes do Manchester City e as respectivas colecções de vedetas em campo chegassem e sobrassem para produzir um duelo a transbordar de golos e de bom futebol. Pelo contrário, o jogo redundou num milionário aborrecimento.
Dinheiro a mais, futebol a menos. Às vezes também acontece.
No nosso futebol, à nossa medida, também há ricos e pobres. Chamamos-lhes grandes e pequenos, uma maneira simpática de colocar a premente questão das diferenças evitando falar de dinheiro.
O Vitória de Setúbal e o Rio Ave, com todo o respeito, fazem parte do campeonato dos pequenos o que não os impediu de apresentarem no domingo, no Bonfim, um agradável espectáculo de se ver, com 8 golos e com dois hat-tricks, um para cada lado, pelos inacreditáveis e veteranos goleadores das suas equipas. Já lá vão 10 jornadas da Liga e Meyong e João Tomás disputam taco a taco, sem complexos, com a superestrelas Jackson Martínez e Óscar Cardozo a corrida pela Bola de Prata.
No futebol há lugar para todos. Às vezes também acontece.

AS recentes eleições na Catalunha também meteram futebol ao barulho. Joan Lapaorta, o político catalão que foi presidente do Barcelona, sugeriu uma Liga ibérica onde o Barcelona pudesse competir com o mesmo estatuto independentista de alguns clubes portugueses de top.
Em Espanha, e na própria Catalunha, ninguém levou muito a sério esta ideia de Laporta. Em Portugal, felizmente, também não. Já cá temos problemas de sobra.

AO contrário do que já aconteceu e continua a acontecer com inúmeros colegas seus de origem sul-americana, o argentino Juan Iturbe tem vindo a falhar estrondosamente as suas legítimas tentativas para se impor na equipa principal do FC Porto.
É verdade que só podem jogar onze de cada vez mais também não deixa de ser uma evidência que esta deve ser uma situação totalmente estranha e inesperada para o jovem Iturbe, a quem na Argentina chamavam de o novo Messi e a quem em Portugal ninguém chama coisa nenhuma porque raramente é visto a jogar.
Ninguém lhe chama coisa nenhuma? Não é bem assim... Dá conta a imprensa da especialidade que, aproveitando mais uma folga, Juan Iturbe optou por se deslocar em passeio até à capital e, fazendo-se fotografar junto à Torre de Belém, divulgou a referida imagem pelas redes sociais. Diz que agora lhe chamam mouro e no que se foi meter.

DE uma entrevista antiga de Guilherme Espírito Santo, campeão de campeões no Benfica, 4 campeonatos de futebol, 3 Taças de Portugal, 147 golos em 207 jogos, e também recordista nacional do salto em altura, campeão nacional de salto em comprimento e de triplo salto:
-Naquele tempo, existiam alguns preconceitos racistas por causa dos jogadores de cor. Um dia, em 1947, num hotel da Madeira, queriam colocar-me num anexo por ser negro. Os jogadores do Benfica disseram que para onde eu fosse ele também iam. E acabámos todos a dormir no anexo.
Guilherme Espírito Santo, um símbolo do símbolo."

Leonor Pinhão, in A Bola

Continuar ou mudar: eis a questão

"O valor a pagar pela UEFA ao vencedor da Champions poderá atingir 37,4 milhões de euros. A mesma UEFA transfere para o vencedor da Liga Europa 9,9 milhões, ou seja 26,4% da prova milionária. Uma é o filet mignon do futebol europeu, a outra são os coiratos à volta do apetecido e tenro lombo.
Claro que parte da diferença é justificada, pois é na Champions que jogam os campeões e vice-campeões os principais campeonatos. Um palco bem mais apelativo e gerador de mais receitas e espectáculo. No entanto, creio que a diferença de compensações uefeiras é manifestamente exagerada e desproporcional. Ainda aqui certamente se vê o peso e influência das principais Ligas e dos mais influentes clubes. Quem pode, dita a cobrança. E quem cobra, dita o poder.
Pus-me a fazer estas contas por causa do que pode acontecer ao Benfica, na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Julgo eu - e julgara a maioria - que a conjugação de factores para continuar naquela competição não é impossível mas será muito difícil. Desportivamente, não me incomoda muito passar para a liga de honra europeia. Pelo menos teoricamente, pode-se chegar muito mais longe do que na Champions. O problema é o financeiro. Voltei a fazer as continhas e - imagine-se! - mesmo sendo eliminado logo nosm oitavos de final encaixam-se 3,5 milhões na Liga dos Campeões, valor só superado na modesta Liga Europa atingindo-se a respectiva final (se semifinalista derrotado são apenas 2 milhões!). Eis o dilema: continuar ou mudar. Se é que perante o Barcelona alguma equipa se pode dar ao luxo de falar em dilema..."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Desde 28 de Novembro de 1942

Golos...


Benfica 11 - 4 Tiges de Almeirim

Jogo agradável, com algumas dificuldades de entrada, mas depois... Estranhamente a meio do jogo, numa situação superioridade numérica, 'obrigámos' o nosso Ricardo Silva a muito trabalho!!!
O tirar o 'patim' nos últimos minutos era desnecessário... apesar disso gostei de rever o Gaidão a jogar e a marcar (!!!), mesmo com o patim!!!

Luisão adolescente

" «Sinto-me como um adolescente a desfrutar da profissão»: assim disse Luisão no final do seu primeiro jogo na Liga após a suspensão de dois meses. De uma forma tão sucinta quanto expressiva, o jogador do Benfica juntou paixão pela profissão, afecto pelo clube e entusiasmo pelo regresso. Luisão é o jogador do plantel encarnado com mais anos no clube. Dez com esta temporada. Trata-se de um atleta que alia uma compleição física de eleição a um uso criterioso da sua larga experiência. Não é um superdotado, mas não deixa de constituir uma trave-mestra que qualquer treinador gosta de ter. Aos 31 anos chegou à idade em que, no futebol, se é definitivo. No melhor e no pior.
Volto à adolescência. Que, nas suas entranhas, transporta o sonho às vezes ainda por sonhar e o tempo que se crê infinito na evolução natural do adolescer. Por isso, gostei da frase de Luisão. E do seu enamoramento (adolescente) pelo clube que representa.
Porque o jogador é, antes de mais, pessoa. E, enquanto tal, com a sensibilidade, a percepção, a vontade, o discernimento, o coração que não são, nem podem ser visíveis num qualquer cartão de cidadão ou passaporte. A confissão do jogador foi sobretudo a confissão do homem que sonha e brusca. Com a impressiva cor da adolescência revisitada num dia curiosamente outonal. Quase com o sorriso da criança que, por certo, continuará a existir dentro do homem. Porque, já Miguel Torga escrevera: «Não desisto de ser criança. É o que me vale».
O seu golo do regresso é o presente que deu aos benfiquistas, dois dias após o Thanksgiving Day. De cabeça e com cabeça. Obrigado."

Bagão Félix, in A Bola

Derrota no cair do pano...


Atlético 1 - 0 Benfica B

Se em alguns jogos marcámos nos últimos minutos, hoje, perdemos o jogo no último minuto, num lance onde por acaso estão dois jogadores do Atlético em fora-de-jogo, incluindo o marcador do golo... isto depois do Luís Martins ter sido expulso com duplo amarelo - o 1º cartão não percebi... -, se ainda na 1ª parte podia ter sido marcado um penalty contra o Benfica - apesar da repetição por trás da baliza, ter mostrado que o Bruno Varela tocou de raspão na bola... -, no resto do jogo, assistimos a uma daqueles jogos, onde só se marcava faltas a uma das equipas, e depois do Benfica ter ficado com 10, valia tudo!!! Já sabemos que os níveis de agressividade contra o Benfica são mais elevados, e quando temos permissividade dos apitadores , torna-se difícil contrariar... se juntarmos a isso, a experiência de jogadores que ao mínimo toque se atiram para o chão, facilitando os roubos do apitador, enquanto os nossos jovens demonstram ainda alguma inexperiência...
Hoje, sem o Cancelo - um dos principais dinamizadores do nosso ataque!!! -, e sem o Pimenta, com o regresso do André Gomes, a equipa voltou a sentir dificuldades em ter a bola, num relvado que com o decorrer do jogo, foi ficando impraticável... tivemos nos últimos minutos da 1ª parte os nossos melhores momentos, podíamos ter marcado... mas não o fizemos, no resto do jogo, até à expulsão do Martins o jogo esteve bloqueado, depois...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mais um não-penálti

"Carlos Xistra adicionou em Braga mais um episódio à sua extensa lista de ‘não-penáltis’ contra o FC Porto.
Carlos Xistra adicionou em Braga mais um episódio à sua extensa lista de ‘não-penáltis’ contra o FC Porto. Oito meses depois do último encontro com os dragões, na Madeira, onde não conseguiu ver a falta de Álvaro Pereira sobre Neto, faltou-lhe agora a colaboração de um fiscal de linha suficientemente honesto para assinalar o corte ostensivo de Alex Sandro com o braço. Marcar penáltis contra os mais fortes é o maior pesadelo dos árbitros internacionais, que preferem falhar por omissão a responder pelo ónus de um erro com prejuízo de quem lhes protege a carreira. E Carlos Xistra excedeu largamente o seu plafond no recente Académica-Benfica."


PS: O Manha está mais uma vez enganado: o Xistra não exedeu nenhum plafond no Académica-Benfica, bem pelo contrário... os penaltis inventados contra o Benfica só ajudaram a 'dinamizar' a sua carreira, tal como o último jogo de Braga, e tal como muitos outros jogos dos Corrutpos, curiosamente quase todos em deslocações à Madeira...!!!

Um canal sem escutas

"Há pintos a mais na Casa Grande da Corrupção. E piam teimosamente no mesmo tempo. Monótono piar este que cheira a podre. Há um pinto chefe, ou pelo menos parece que há um pinto chefe, tão subservientes são os pintos que o procedem. E um pinto mofo. Como é sinistro esse pinto mofo! Há anos e anos e anos que se esconde por debaixo dos móveis e na orla das carpetes da casa ao fundo que tem uma luz, um pouco adiante da funerária. É de lá que salta para organizar homenagens ao Azeiteiro-da-Cabeça-d'Unto e seus colegas infames. Juntos, felizes, apintam... E a cada apinto há um infeliz que tomba, caído na guerra semanal contra aqueles que não dispensam a batota.
O pinto mofo é perigoso, profundamente fascista. Sabe estar atento ao pio do outro pinto. E vai atrás, piando cegamente à voz do dono. Reparem bem no pinto mofo: observem o seu bico recurvo de periquito doente. E os seus olhos juntos que piscam maldosamente. Tudo nele é repelente. Mas é preciso que exista, porque o pinto-mor exige que existam os seus sicários.
Custa a entender como é que um galináceo tão medíocre continua a ter espaço nos jornais, tempo de antena nas rádios e nas televisões. Ou talvez se compreenda. Recentemente fomos ameaçados em pseudo-editorial que vinha aí o canal que nos irá dar a verdade a que temos direito. Os pintos continuarão a piar as suas cretinizes  Um após o outro. Serão adorados pelos seus escravos. Tentarão limpar as suas imagens escurecidas pela vergonha. Será possível vê-los mais importantes do que nunca. Nada fará frente à sua impunidade. Será, finalmente, um canal sem escutas..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Contrastes

"O (baixo) nível do futebol português mede-se pelos (maus) resultados obtidos na Europa. Das seis equipas em prova, só o FC Porto tem garantida a permanência na Champions League enquanto o Benfica corre o sério risco de ser despromovido à Europa League (só a vitória sobre o Barcelona em Camp Nou o evitará). As outras quatro (Braga, Sporting, Marítimo, Académica) vão ser varridas do mapa. Nada de que não se estivesse à espera já que este é o fado que todos os anos se repete. Uns fogachos aqui e além, como os do Braga (com Lima) nos últimos anos, são excepções à regra. Como é possível que os romenos do Cluj com saldos das nossas equipas humilhem por duas vezes os guerreiros do Minho, inclusive no AXA? O que espanta é o frenesim e a azáfama com que se luta durante o campeonato para se atingir a dita zona UEFA. para quê? Para fazer esta triste figura? Conseguimos a proeza de classificar três equipas no último lugar do respectivo grupo! Pelo contrário, a Alemanha (que tem  campeonato mais forte da Europa e que, dentro de dois-três anos será 1.º no ranking UEFA) classificará para a fase seguinte todas as sete equipas com que iniciou as competições. Mais: as três equipas que estão na Champions (Bayern, Borussia Dortmund e Schalke 04) ocupam o 1.º lugar no seu grupo. Além disso, a Bundesliga é a mais vista do Mundo ao vivo (média de espectadores por jogo: 44.293). Para alguns que julgariam que a Premier League era a mais apelativa (mediatismo à parte), isto será uma revelação. O grande problema que a Bundesliga poderá vir a ter (e que a Inglaterra soube corrigir a tempo e bem) é a violência, que em alguns jogos assume foros à Italiana."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Lixívia 10

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.........26 (-4 ) = 30
Corruptos......26 (+2 ) = 24
Braga............17 ( 0 ) = 17
Sporting.........11 (+5 ) = 6

Já quase tudo foi dito, portanto deixo as imagens explicar o que aconteceu em Braga, em mais uma Xistralhada (curioso como quando o Xistra apita o Benfica o adversário é sempre beneficiado, e quando apita dos Corruptos os erros flagrantes são sempre me beneficio dos Corruptos...!!!)... Tenho a certeza que o penalty não assinalado, teve influência no resultado, mas para manter o critério na Tabela sou obrigado a não atribuir um resultado sem Fruta!!!



Na Luz o Douradinho Rui Silva lá marcou um penalty a favor do Benfica!!! Mas foi demasiado permissivo tecnicamente e disciplinarmente com os jogadores do Olhanense!!!
Os Lagartos queixaram-se de um penalty em Moreira de Cónegos, mas sem razão...!!!

Anexos:
Benfica
1ª-Braga(c) E(2-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
2ª-Setúbal(f) V(0-5), Jorge Sousa, Nada a assinalar
3ª-Nacional(c) V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4ª-Académica(f) E(2-2), Xistra, Prejudicados, (0-3), (-2 pontos)
5ª-Paços de Ferreira(f) V(1-2), Marco Ferreira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
6ª-Beira-Mar(c) V(2-1), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
7ª-Gil Vicente(f) V(0-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
8ª-Guimarães(c) V(3-0), João Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
9ª-Rio Ave(f) V(0-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
10ª-Olhanense(c) V(2-0), Rui Silva, Nada a assinalar

Sporting
1ª-Guimarães(f) E(0-0), Capela, Nada a assinalar
2ª-Rio Ave(c) D(0-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(f) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Gil Vicente(c) V(2-1), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, (2-2), (+2 pontos)
5ª-Estoril(c) E(2-2), Nuno Almeida, Beneficiados, (2-3), (+1 ponto)
6ª-Corruptos(f) D(2-0), Jorge Sousa, Prejudicados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Académica(c) E(0-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
8ª-Setúbal(f) D(2-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
9ª-Braga(c) V(1-0), Proença, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
10ª-Moreirense(f) E(2-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar

Corruptos
1ª-Gil Vicente(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiado, Prejudicado, (1-1), Sem influência no resultado
2ª-Guimarães(c) V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicado, Sem influência no resultado
3ª-Olhanense(f) V(2-3), João Ferreira, Nada a assinalar
4ª-Beira-Mar(c) V(4-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
5ª-Rio Ave(f) E(2-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
6ª-Sporting(c) V(2-0), Jorge Sousa, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Estoril(f) V(1-2), Capela, Nada a assinalar
8ª-Marítimo(c) V(5-0), Cosme, Nada a assinalar
9ª-Académica(c) V(2-1), Hugo Pacheco, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
10ª-Braga(f), V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado

Braga
1ª-Benfica(f) E(2-2), Soares Dias, Beneficiado, Prejudicado, (3-2), (+ 1 ponto)
2ª-Beira-Mar(c) V(3-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
3ª-Paços de Ferreira(f) D(2-0), Pedro Proença, Nada assinalar
4ª-Rio Ave(c), V(4-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
6ª-Olhanense(c), E(4-4), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7ª-Marítimo(f), V(0-2), Benquerença, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
9ª-Sporting(f) D(1-0), Proença, Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
10ª-Corrutpos(c) D(0-2), Xistra, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado

LINK's
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Épocas anteriores:
2011-2012
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2009-2010

As "Papoilas Saltitantes" e as papoilas da Flandres

"Em Novembro, as papoilas tomam conta das camisolas dos clubes de Inglaterra. Talvez Gilbert Becaud não tivesse razão. Talvez o mais importante não seja a rosa e sim a papoila...

Já devem ter reparado: no segundo fim-de-semana de Novembro as papoilas saltitam nos campos de Futebol de Inglaterra. Não são as 'Papoilas Saltitantes' das camisolas berrantes nos campos a vibrar, de que falava Paulino Gomes Húnior e que cantava Luís Piçarra. São as papoilas da Flandres. E também elas têm uma chama imensa.
Houve quem apelidasse o acontecimento de 'The Poppy Apeal', o apelo da papoila. É coerentemente solene.
Se ainda não repararam, eu chamo a atenção. De há três ou quatro anos a esta parte, as equipas inglesas surgem em campo com uma papoila incrustada no equipamento, enquanto os seus treinadores colocam a flor na lapela. O fenómeno dá à luz em meados de Novembro - a data precisa deveria ser o 11 do 11, mas já não há datas precisas em Futebol. Não é nenhuma homenagem ao Benfica, que me parece ter, pelo que eu sei, o monopólio da alcunha de papoilas para um Clube de Futebol. Mas não deixa de ser uma proximidade curiosa. E, como é óbvio, não se resume ao Futebol. Mas é do Futebol que falamos por ora.
O apelo da papoila surgiu em 1921. Procurava angariar fundos para sustentar o trabalho caritativo da Royal British Legion na ajuda às damílias dos combatentes caídos durante a Guerra de 1914/18. A ideia surgiu de um poema: 'In Flanders Fields', do tenente-coronel John McRae - 'In Flanders fields the poppies blow / Between the crosses, row on row'. E assim, com uma papoila na lapela se homenageavam os soldados que combateram na Flandres. Ora, muitos desses soldados eram portugueses, e muito provavelmente grande número deles adeptos do Benfica que já era, na altura, uma grande força desportiva nacional.

Um tal de soldado Milhões
Lys é uma ribeira da Flandres Francesa. 9 de Abril de 1918: dia da Batalha de La Lys. Dos 7500 portugueses presentes no acampamento de Levantie, morreram mais de mil. Isto é: La Lys somou, num só dia, metade das baixas portuguesas na I Grande Guerra.
Numa altura em que os soldados portugueses caíam como tordos, houve um que não esteve pelos ajustes: Aníbal Augusto Milhais. Pegou na metralhadora e começou a despejar carregadores, cobrindo a fuga dos camaradas sobreviventes. Foi tamanha a sua decisão que o comandante, Ferreira do Amaral soltaria, mais tarde, uma tirada à António Silva num filme de Cotinelli Telmo:
-Ò homem! Você pode chamar-se Milhais, mas vale Milhões!
Ficou conhecido como Milhais Milhões. Mas sobreviveu. Não ficou reduzido a uma papoila na lapela como muitos dos seus camaradas.
Hoje, no mês de Novembro, em Inglaterra, todas as equipas da I Liga exibem a papoila nos seus equipamentos. Mas o primeiro clube a lembrar-se disse foi o Leicester City, em 2003, chegando mesmo o seu maneger, Micky Adams, a propor que jogassem sempre com a papoila. A razão era simples: enquanto jogou com a papoila, não perdeu.
O Benfica, claro, não precisa de papoilas na camisola. Pelo que diz a canção, são as próprias camisolas que são papoilas. O seu autor, letra e música, foi Paulino Gomes Júnior, director do Jornal 'O Benfica'. A estreia pública de 'Ser Benfiquista' teve lugar no dia 16 de Abril de 1953, no Pavilhão dos Desportos, na ocasião de um sarau que tinha como objectivo angariar verbas para a construção do Estádio da Luz.
Luís Piçarra - de seu nome completo Luís Piçarra Valterazzo y Ribadanayra - foi, muito provavelmente, o maior cantor lírico português de todos os tempos. Nessa noite, a sua voz arrebatou a multidão presente no pavilhão e provocou uma euforia e uma manifestação clubista raramente vista. Paulino Gomes Júnior foi forçado a abandonar o piano, no qual tocara a canção, e a tomar a batuta do maestro, Vítor Bonjour, dirigindo a orquestra na repetição de número musical. O encore foi sublinhado com um entusiasmo ainda maior. As papoilas tomavam conta do Benfica em forma de canção... Talvez Gilbert Becaud estivesse enganado. Talvez o mais importante não seja a rosa. Talvez seja a papoila..."

Afonso de Melo, in O Benfica 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Selo de qualidade

"Em 17 jogos oficiais realizados esta temporada, o Benfica sofreu apenas 11 golos, sendo que no campeonato nacional a baliza das águias já não é violada há 446 minutos. Uma marca muito interessante de uma equipa, que ao contrário de anos anteriores, se tem destacado mais pela coesão defensiva que apresenta do que pelo poder ofensivo com que subjuga os adversários.
Aliás, fazendo uma ronda pelos principais campeonatos europeus e pelos respectivos líedres percebe-se facilmente que as águias são uma das defesas menos batidas, embora também sejam o conjunto que tem menos jogos disputados na principal prova interna. O Barcelona leva 15 golos sofridos, o Manchester United 18 e o PSG 10, isto só para citar alguns exemplos. O registo dos lisboetas ganha ainda mais importância se tivermos em linha de conta que o comandante do sector mais recuado, Luisão, esteve afastado das opções de Jesus durante dois meses devido a castigo disciplinar.
Na ausência do capitão, a defesa foi liderada por Ezequiel Garay, um dos jogadores que está a realizar uma temporada ao mais alto nível, dando de resto continuidade à boa forma que já tinha patenteado na época passada. O argentino conseguiu relançar por completo a carreira na Luz e está a confirmar todo o seu potencial, sendo, nesta altura, um dos centrais mais fiáveis do futebol europeu. Só mesmo o Real Madrid, em mais uma medida desastrosa, conseguiu deixar sair um jogador, que nesta altura seria titular de caras no emblema da capital do país vizinho, podendo assim Sergio Ramos jogar na direita no lugar de Arbeloa.
Ezequiel Garay é um daqueles centrais como há poucos actualmente no Velho Continente: é fortíssimo no posicionamento defensivo, muito difícil de bater no jogo aéreo, sagaz nos duelos individuais e muito assertivo nas decisões que toma. Sabe jogar feio quando é necessário, limpando o perigo por completo mas tem, igualmente, uma classe superior na hora de sair com a bola controlada. Aliás, Garay possui uma grande qualidade técnica de passe, a curta e, principalmente a longa distância. Não são raras as vezes que o argentino corta um lance de perigo e, de imediato, inicia o processo ofensivo da equipa colocando a bola jogável nos companheiros.
Em suma, um defesa completo, que é titular absoluto na selecção argentina e que poderá a breve trecho representar um grande encaixe financeiro para o Benfica, porque não acredito que os grandes europeus estejam desatentos. Certo é que o internacional alviceleste vai continuar a evoluir ainda mais e com isso ganha o Benfica, até porque agora Jesus já tem a sua dupla predilecta de volta."

Imenso Benfica

"É uma bandeira que transportamos com orgulho incontido. A bandeira de ecletismo. O Benfica é Futebol, muito Futebol, mas não é só Futebol. O Benfica, ao longo do seu historial centenário, jamais se demitiu da abrangência desportiva. As modalidades não são, nunca foram, filhas menores do Clube, apesar da sua especial aptitude para o mais popular dos jogos.
Que dizer de José Maria Nicolau, notável ciclista? Que dizer de António Livramento, maior hoquista mundial de todos os tempos? Que dizer de Carlos Lisboa, basquetebolista sem paralelo entre nós? Que dizer de tantos outros? Que dizer dos vários campeões, na paisagem da actualidade, que vestem a camisola rubra?
O Benfica, nos últimos anos, deu um enorme salto qualitativo nas modalidades. Multiplicam-se os títulos colectivos, proliferam as proezas individuais. Nos tempos que correm, difícil é que o nosso emblema, a despeito da modalidade em causa, não lute pela conquista das respectivas competições em que se envolve.
O trabalho tem sido notável. Dirigentes, técnicos e atletas demonstram um apego militante e sem limites à causa vermelha. Não se pense que erguer um edifício assim, nas suas múltiplas inerências, é um empreendimento de fácil consecução. Muito pelo contrário, obriga a um apego inexcedível, obriga a engendrar soluções quase miraculosas, obriga a cultivar um entusiasmo inaudito. O Benfica, no domínio das modalidades, tem dado gozo, tem dado prazer aos adeptos. Tem criado uma onda de afeição e alvoroço que fazem avolumar o alicerce anímico de todos nós. Para além de Futebol, consabidamente há mais Benfica, há cada vez melhor Benfica."

João Malheiro, in O Benfica

Clubes e clubes

"Hóquei em Patins: Campeões Nacionais, vencedores da Supertaça, líderes do Campeonato sem derrotas, vencedores de duas competições europeias nas últimas três temporadas.
Basquetebol: Campeões Nacionais, vencedores da Supertaça, líderes do Campeonato só com vitórias, vencedores do Troféu António Pratas, três vezes Campeões Nacionais nas últimas quatro épocas.
Futsal: Campeões Nacionais, vencedores da Taça de Portugal e da Supertaça, cinco vitórias em seis jogos no Campeonato, Campeões Europeus em 2010.
Andebol: Vencedores da Supertaça, líderes isolados do Campeonato com 11 vitórias em 11 jogos, apurados para a terceira eliminatória da Taça EHF, finalistas europeus há duas épocas.
Voleibol: Duplos vencedores da Taça de Portugal e da Supertaça, vice-campeão nacionais nas últimas três temporadas, líderes isolados do Campeonato com dez vitórias em dez jogos, 112 vitórias nos últimos 127 jogos.
Atletismo: Bi-Campeões Nacionais, com o único Campeão Olímpico português dos últimos quinze anos na nossa equipa.
Nas cinco modalidades de pavilhão em 2012/2013, o balanço é até ao momento de 52 vitórias, três empates e duas derrotas (uma fora do País), em 57 partidas oficiais realizadas. Seis troféus foram já arrecadados. Para além do Futebol, estamos presentes em importantes competições europeias de mais quatro modalidades.
Há ainda a acrescentar presenças em modalidades como Râguebi, Ténis de Mesa, Bilhar, Judo, Boxe, Artes Marciais, etc.
Perante tão eloquente panorama, como é possível alguém ousar discutir ecletismo connosco?
Houve um Joaquim Agostinho (que ainda me lembro de ver brilhar no Tour ao serviço de equipas francesas). Houve um Carlos Lopes.
Mas são nomes (grandes, é certo) do passado. Não há, hoje, qualquer comparação possível entre a força desportiva do Benfica, entendida em toda a sua diversidade, com a de qualquer outro clube português. A diferença é avassaladora, e só quem não tiver a noção do ridículo a pode ignorar ou pretender subverter."

Luís Fialho, in O Benfica

Mangas arregaçadas

"1. Voltei a gostar do Benfica que se apresentou no campo do Moreirense. Uma equipa de mangas arregaçadas e... bom futebol. Gostei particularmente da atitude, lutadora, agressiva (no bom sentido), não deixando o adversário passar do meio-campo. Falta concretizar mais (continuamos a perder demasiadas oportunidades de golo) e... aguentar essa pressão até final (depois de mais um 'apagão', a equipa não foi a mesma). Mas estamos no bom caminho e espero a confirmação frente ao Celtic (escrevo antes do jogo).

2. O Sporting sempre se queixou muito dos árbitros. Dias da Cunha, faça-se-lhe justiça, ainda tentou lutar contra o Sistema, não temendo afrontar Pinto da Costa e Valentim Loureiro. Mas os seus sucessores preferiam prestar vassalagem ao FC Porto a alinhar contra o Sistema e, por vezes, sofreram as consequências. Este ano, porém, apesar de sucessivas lamentações, o Sporting não pode queixar-se... antes pelo contrário. A avaliar pela classificação do insuspeito Record, que considera as pontuações alteradas pelas decisões graves dos árbitros, o Sporting está não a meio da tabela mas... em último lugar da classificação, isolado, a dois pontos dos penúltimos. Já saiu beneficiado em nada menos de cinco pontos das decisões dos árbitros neste Campeonato. Refira-se que o Benfica (tal como o FC Porto), segundo esta mesma tabela, tem já um prejuízo de quatro pontos.

3. Já admirava Paulo Bento como homem e como treinador (para além de jogador, claro). A sua resposta da semana passada a Pinto da Costa está na linha do homem sério, frontal e sem medo que me habituei a admirar. Poderia ter ficado calado, como muitos outros. Mas não. Respondeu e... calou o presidente do FC Porto!

4. Não sei quem tem razão no diferendo entre a Olivedesportos e a Liga. Mas há uma clara diferença entre o passado a que nos habituámos - a empresa de Joaquim Oliveira a 'salvar' os clubes, avançando com verbas (e, claro, novos contractos) - e a actualidade, ao que parece com dinheiros em atraso, com ou sem justificação.

5. Apenas milhar e meio de espectadores, se tanto, nas bancadas do campo do Nacional, frente ao FC Porto. Na véspera, estiveram umas seis mil no campo do Moreirense, a larga maioria benfiquista. 'Pequenas' diferenças..."

Arons de Carvalho, in O Benfica