Últimas indefectivações

segunda-feira, 31 de março de 2025

Quando o Ferrari vermelho arranca...

"O Benfica derrotou o Gil Vicente no jogo em atraso da jornada 24. A oito jornadas do fim está empatado em pontos com o campeão Sporting. Estamos a entrar na reta final de um campeonato disputadíssimo entre os dois rivais de Lisboa, com FC Porto e SC Braga mais atrás. Serão oito jornadas de emoções, expectativas e nervos.
O Sporting procura um bicampeonato que não consegue desde os «Cinco Violinos», nos anos 50, e o Benfica quer recuperar a hegemonia que teve por altura do Tetra e o seu campeonato n.º 39, cada vez mais próximo das quatro dezenas. E quem sabe, até, repetir o Triplete de 2014, dado que após a conquista da Taça da Liga, ainda pode fazer a dobradinha.
Alex Ferguson chamava a estes jogos finais de campeonatos altamente disputados como o «Squeaky Bum Time». Uma analogia quando estamos nervosos e mexemo-nos na cadeira, nos encolhemos e comprimimos, nos momentos de maior tensão.
E dizia o treinador escocês que é preciso uma grande força mental para aguentar essa pressão e só os mais fortes nesse período saem vitoriosos. Daí ele forçar tanto os mind games (tal como Mourinho depois também fazia) e na sua la
rga hegemonia ter visto Newcastle ou Arsenal cederem nessas jornadas finais, em detrimento de um Man Utd que - na altura - era um clube altamente experienciado nesse mar turbulento das jornadas finais que decidem um campeonato.
Nas últimas décadas, o benfiquista bem se tem habituado a esse «squeaky bum time», pois ganhar campeonatos com muitos pontos de avanço é coisa que já há décadas não se vê para os lados da Luz. Talvez o único mais tranquilo tenha sido 2013/14, que foi conquistado na antepenúltima jornada com sete pontos de avanço para o Sporting. Mas até esse foi nervoso (o Benfica chegou a estar cinco pontos atrás do FC Porto).
Será um exercício curioso tentar recordar as retas finais mais intensas em que o Ferrari Vermelho arrancou e nunca mais ninguém o parou. Colocarei por ordem decrescente os que, na minha opinião, foram os mais emocionantes, memoráveis e incríveis.
2016/17: O ano do tetra. Em que o Benfica disputou o título taco a taco com um FC Porto treinado por Nuno Espírito Santo: os seis pontos de diferença no final não refletem essa luta. Basta pensar que na 28.ª jornada os dois clubes encontraram-se na Luz apenas separados por um ponto. Se o FC Porto tem feito o que infelizmente muito tem feito, isto é, vencer na Luz, tinha passado para primeiro. O jogo acabou empatado. Como empatado tinha o Benfica na jornada anterior na deslocação a Paços de Ferreira. Por sorte, o FC Porto também empatou no dia seguinte.
Depois houve vitórias sofridas na Luz por 1-0 ao Moreirense, 2-1 ao Estoril e uma deslocação a Alvalade que, em caso de derrota, voltaria a colocar o FC Porto na liderança. E até mal começou, com Ederson a fazer um grande penalidade e o Benfica a perder logo aos dois minutos. Na segunda parte, Lindelöf empatou num golaço de livre e o Glorioso sobreviveu.
Na antepenúltima jornada venceu no campo do Rio Ave com um golo «orgástico» de Raúl Jiménez e o jogo da consagração foi na jornada seguinte, com a receção ao Vitória SC. E aí foi só festa, nada de nervos. Uma 'manita' histórica de 5-0 a selar a conquista do primeiro tetracampeonato da história do Benfica. E com Jonas lesionado em vários momentos da temporada!
2009/10: Após a conquista do 31.º campeonato em 2005, o Benfica tinha estado quatro épocas a ver o FC Porto a ser campeão. E a mal conseguir dar luta, pois nesses quatro anos até foi sempre o Sporting a terminar no segundo lugar. Contudo, em 2009 chegou Jorge Jesus e foi um furacão que se instalou na Luz. Foi a época do famoso rolo compressor em que o Benfica goleava e esmagava muitos dos que lhe apareciam pela frente.
Uma das melhores equipas do Benfica dos tempos modernos com David Luiz, Di Maria, Ramires, Aimar, Cardozo ou Saviola a espalharem chocolate semana após semana. Mas claro que à Benfica, é sempre a sofrer! E nessa época sofreu com um surpreendente SC Braga treinado por Domingos Paciência.
Nas jornadas finais, por exemplo, Benfica e Braga encontraram-se na Luz separados por três pontos. Venceu o Benfica com um golo importantíssimo de Luisão ainda na primeira parte, mas na jornada seguinte o Benfica chegou a estar a perder por 0-2 com a Naval aos 14 minutos! Depois deu a volta e venceu por 4-2.
Tivemos uma vitória fulcral sobre o Sporting por 2-0 na Luz e outra emocionante sobre a Académica (treinada por um jovem André Villas Boas) por 3-2. O Benfica até chegou ao Dragão na penúltima jornada a poder ser campeão no campo do velho rival. Infelizmente não conseguiu, perdeu 1-3 e o título só foi celebrado na última jornada com uma vitória sobre o Rio Ave. Sofrida, claro, por 2-1, que no Benfica é sempre assim...
2018/19: Quando Rui Vitória foi despedido à 15.ª jornada, após uma derrota em Portimão, o Benfica estava a sete pontos do FC Porto. Depois entrou Lage e o Benfica fez uma das melhores segundas voltas da sua história. Foram meses incríveis com vitórias em Alvalade e no Dragão, assim como goleadas (10-0 ao Nacional). O que não invalida que não tenha havido sofrimento, claro!
O Benfica chegou a empatar 2-2 na Luz com o Belenenses, já a caminho da versão B SAD, e a deixar o FC Porto ficar com os mesmos pontos. Depois o clube do norte empatou um jogo e o Benfica andou até ao fim com dois pontos de avanço. Teve uma vitória sobre o CD Tondela na Luz, em que o golo surgiu só aos 83 minutos. Deu 4-1 ao Feirense, mas ainda esteve a perder. Deu 4-1 ao SC Braga, mas ainda esteve a perder. Deu 5-1 ao Portimonense, mas ainda esteve a perder. Isto tudo nas jornadas finais!
Numa fase posterior, foi vencer por 3-2 ao campo do Rio Ave (na penúltima jornada) e a festa do título fez-se na Luz com um 4-1 ao Santa Clara. Dos campeonatos mais emocionantes de sempre, sem dúvida, dado que naquela noite em Portimão em que Rui Vitória foi despedido, poucos diriam que a época acabaria em festa.
2004/05: Há longos 11 anos que o Benfica não era campeão. Já longe ia a memória de 1993/94 e o épico 6-3 ao Sporting, com o hat-trick do João Pinto. O Benfica, treinado por Trapattoni, vivia do talento de Simão Sabrosa e pouco mais. É aliás, ainda hoje, o campeão com menos pontos de sempre. As jornadas finais foram de um sofrimento e nervos atrozes, com o país em suspenso por saber se o Benfica, o maior clube português, ia voltar a ser campeão.
Houve um 4-3 ao Marítimo na Luz com um golo de Mantorras nos minutos finais, mas logo na jornada seguinte, o Benfica foi perder a Vila do Conde com o Rio Ave, também com um golo nos minutos finais. Empatou a seguir com o Leiria na Luz, com outro golo de Mantorras nos minutos finais. E o que aconteceu naquele muito falado jogo com o Estoril no Algarve? Vitória por 1-2...com golo de Mantorras nos minutos finais.
Depois o Benfica venceu o Belenenses na Luz por 1-0, perdeu com o FC Penafiel fora por 0-1 e recebeu o Sporting na penúltima jornada. Basicamente, quem vencesse era campeão. Venceu o Benfica com aquele golo de Luisão aos 83 minutos, com Ricardo a reclamar com o árbitro que tinha sido com a mão. Na última jornada, mais sofrimento, com um empate 1-1 no Bessa com o Boavista. Valeu que o FC Porto também empatou em casa com a Académica e os benfiquistas puderam fazer a festa onze anos depois.
2015/16: Não estarei a mentir se disser que para muitos benfiquistas (eu incluído) este é o campeonato mais saboroso dos últimos tempos. Jorge Jesus tinha ido treinar o Sporting e passou o ano a provocar-nos. O seu Sporting venceu-nos para a Supertaça, venceu-nos para a Taça de Portugal, chegou a ir dar chapa três na Luz para o campeonato. Bruno de Carvalho gozava-nos diariamente e chegou a dizer que era importante os adversários começarem a dar mais luta. Era a bazófia total do outro lado da segunda circular.
Contudo, o Benfica acertou num meio-campo com Fejsa e Renato Sanches. Gaitán, Jonas, Mitroglou e Pizzi começaram a fazer magia lá na frente. O que não invalida, claro, que... não tenha havido sofrimento. Quem ainda hoje não se recorda daquele golo do Mitroglou em Alvalade? Ou do falhanço do Bryan Ruiz? Foram jornadas inacreditáveis.
O golo do Jonas nos últimos minutos no Bessa! O golo de Raúl Jiménez nos últimos minutos em Coimbra! Levar um golo do V. Setúbal na Luz logo no primeiro minuto e acabar a vencer a tremer, por 2-1. Ficar reduzido a dez contra o Marítimo ainda na primeira parte na Madeira, mas mesmo assim ir vencer por 0-2 na segunda parte. A última jornada já foi de uma festa gigantesca com o 4-1 ao Nacional. Benfica era tricampeão. Jorge Jesus e Bruno de Carvalho arrependiam-se de tudo o que tinham dito do Benfica, daquela equipa e de Rui Vitória durante o ano.
Em sentido inverso, claro... 2012/13. O ano em que o «Squeaky Bum Time» saiu ao contrário, com aquele horrível golo do Kelvin no Dragão. Mas benfiquista que é benfiquista, não gosta de se recordar disso e esperemos que este ano não aconteça nenhuma tragédia grega. Nestas oito jornadas finais, o Benfica ainda tem de ir ao Dragão, a Guimarães, a Braga e recebe o Sporting na penúltima jornada, portanto, emoção não vai faltar.
Esperemos que esta equipa se inspire em arrancadas passadas e já se sabe, quando o Ferrari Vermelho arranca..."

Critérios Verdes !!!

A tropa do Benfica


"As três imagens de Bruno Lage que fazem todo o sentido

O Benfica venceu com competência e naturalidade o Gil Vicente, em Barcelos, e deixou em campo a ideia de que os jogadores estão em sintonia com a ideia que o treinador deles, Bruno Lage, tem repetido nas últimas jornadas - que será preciso juntar doses generosas de sacrifício e superação à qualidade que existe.
O Benfica colou-se ao Sporting na liderança do campeonato, depende apenas dele para ser campeão, mas os desafios da reta final são difíceis; implicam deslocações a Porto, Guimarães e Braga, além das incertezas de um dérbi na Luz precisamente com o Sporting e armadilhas a que será preciso estar atento, como as que podem colocar Arouca e Aves SAD, adversários complicados.
Numa fase da época em que os minutos pesam ainda mais nas pernas, em que existem problemas de ordem física, é fundamental ter pelo menos a cabeça no lugar e o coração a puxar pelas forças.
Testemunhos no relvado como os do insuperável capitão Nico Otamendi, do fragilizado Tomás Araújo, que recusa render-se, de Kokçu, há muito a pensar na equipa e não apenas nele, o passo em frente de habituais suplentes como Amdouni, ou a mais-valia que têm sido as contratações de inverno Bruma, Dahl e Bellotti, vão convencendo os benfiquistas de que realmente têm uma equipa, uma família, uma tropa preparada para a luta.
Não é por acaso que o líder tem insistido nestas três imagens e é seguramente nelas que se encontrará o próximo campeão nacional. Há imponderáveis, sortes e azares, mas definitivamente deixou de haver tempo para tiros nos pés e nos joelhos."

João Neves no Real Madrid...


"Poderá estar para breve! Não é por ser algarvio, tal como João Neves, mas olho para ele e vejo um jogador talhado para o topo. A sua história, marcada por sacrifícios, valores sólidos e uma dedicação inquestionável ao jogo, encaixa perfeitamente num clube como o Real Madrid. O emblema merengue sempre procurou jogadores que combinam talento e mentalidade vencedora, e o jovem médio encaixa nesse perfil como uma luva

Nasceu em Tavira há 20 anos e começou a jogar na Casa do Benfica de Tavira. Com oito anos mudou-se para o Centro de Formação e Treinos do Benfica no Algarve, onde conheceu Gonçalo Ramos e onde foi orientado por Manuel Ramos, antigo avançado do Salgueiros e pai do agora avançado do PSG. O Centro de Formação e Treinos do Benfica funcionou em Paderne, primeiro, e em Ferreiras, mais tarde, pelo que todas as semanas, quatro vezes por semana, João Neves tinha de fazer 120 quilómetros para ir treinar e jogar.
Tinha 12 anos quando apoiado pelo pai e pela mãe, deixou o Algarve e mudou-se para o Seixal, para o Centro de Estágio do Benfica, onde fez amizades. Nomes como António Silva, Hugo Félix ou Gonçalo Ramos tornaram-se quase irmãos, com quem passava horas e horas de conversa e brincadeiras. Desde que chegou ao Seixal, demonstrou ser um talento especial. O seu percurso é um testemunho de resiliência e trabalho. Aos 18 anos, já impressionava na equipa principal, exibindo uma maturidade invulgar para a idade. A camisola por dentro dos calções é um símbolo do respeito pelos valores que o pai lhe incutiu, mas também um reflexo da seriedade e do compromisso que leva para dentro de campo. Um jogador assim não se esconde, assume responsabilidades e nunca vira a cara à luta. No futebol moderno, há jogadores que brilham pelos golos, outros pelas assistências, e depois há aqueles que influenciam o jogo de uma forma tão subtil quanto determinante. Vitinha pertence a esta última 'categoria'. O médio português não precisa de estatísticas vistosas para provar a sua importância. Basta vê-lo em campo para perceber que a sua influência vai muito além dos números
E se há clube onde essas características são essenciais, esse clube é o Real Madrid. Os adeptos Blancos não exigem apenas qualidade técnica; pedem coragem, personalidade e fome de vencer. João Neves tem tudo isso e muito mais. A sua capacidade de recuperação de bola, a visão de jogo e a segurança no passe fazem dele um jogador versátil, pronto para se adaptar a qualquer contexto tático.
Xavi Hernández disse uma vez: Para que um artista brilhe, precisa de trabalhadores ao seu lado. No contexto de um clube como o Real Madrid, onde o talento ofensivo transborda com nomes como Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Jude Bellingham, é essencial ter jogadores como João Neves – um pêndulo da equipa, um facilitador, aquele que assegura o equilíbrio e a fluidez entre os setores. João Neves, com a sua visão e inteligência tática, desempenha um papel crucial, permitindo que as estrelas brilhem, ao mesmo tempo que garante a coesão e o funcionamento de toda a equipa.
No Real Madrid, um clube habituado à vitória, o equilíbrio é fundamental. E João Neves é um jogador de equilíbrios, que transforma boas equipas em equipas campeãs. Não se destaca nas redes sociais nem protagoniza capas de jornais com declarações ousadas. O seu brilho está dentro de campo, nas recuperações decisivas, no seu dinamismo, na capacidade de pressionar alto, na forma como equilibra a equipa em transições defensivas, nos passes certeiros e no entendimento tático elevado.
A sua inteligência em campo não se resume à capacidade de desarme ou à precisão dos passes, mas está também na leitura do jogo, na ocupação dos espaços e na tomada de decisão sob pressão. João Neves não sabe jogar mal mas, sabe quando acelerar o jogo e quando temporizar, quando cobrir um colega mais adiantado e quando se projetar para oferecer uma opção de passe. Esta capacidade de interpretar o jogo é, sem dúvida, muito valorizada por Carlo Ancelotti, o treinador do Real Madrid. A simplicidade de Neves é a sua assinatura. Joga simples, mas eficaz. Simplicidade no futebol não significa falta de talento; é inteligência. Muitas vezes, o erro está em confundir o simples com o banal, como se jogar de forma clara e objetiva fosse sinónimo de falta de criatividade. Mas a realidade é exatamente o contrário. O jogador inteligente não se perde em floreados desnecessários; ele compreende o jogo, lê o espaço, antecipa jogadas e executa com precisão. Quando Jürgen Klopp anunciou que deixaria o comando do Liverpool no final da temporada 2023-24, o universo dos Reds foi sacudido por uma onda de incerteza e desconfiança. O alemão, que transformou o clube e o conduziu a títulos memoráveis, era mais do que um treinador: era o rosto de uma revolução, o arquiteto de um estilo de jogo eletrizante e vencedor. Quem poderia assumir essa herança sem que a equipa sofresse um retrocesso? O escolhido foi Arne Slot.
Outra questão a ter em conta, prende-se com o fato do meio-campo do Real Madrid estar a passar por uma fase de renovação. Toni Kroos pendurou as botas no final da época passada. Luka Modrić está na reta final da sua carreira e, apesar da presença de talentos como Tchouaméni, Camavinga, Bellingham e Federico Valverde, João Neves poderia acrescentar algo de único.
Outro fator a considerar é a tradição de jogadores portugueses no Real Madrid. Desde Figo a Cristiano Ronaldo, passando por Pepe e Coentrão, muitos lusos deixaram a sua marca no Bernabéu. João Neves tem todas as condições para seguir esse caminho e inscrever o seu nome na história do clube.
O jovem médio, atualmente no PSG, foi classificado como o maior criador de oportunidades das cinco principais ligas europeias pelo CIES Football Observatory Weekly Post, superando nomes consagrados como Lionel Messi (Inter Miami) e Cole Palmer (Chelsea), com um impressionante índice de 99,4. Desde a sua chegada ao Paris Saint-Germain, o jovem médio tem sido uma peça-chave na equipa de Luis Enrique, destacando-se ao tornar-se o único jogador na história da Ligue 1 a registar quatro assistências nos dois primeiros jogos da competição nas últimas 20 temporadas. A partir daí, consolidou-se como uma presença indispensável no onze titular do treinador espanhol.
Com a sua equipa a caminho de vencer tranquilamente o campeonato Francês e ainda na luta pela Liga dos Campeões, será difícil para os merengues convencerem os Les Parisiens a abrir mão de um dos seus jogadores fundamentais. No entanto, João Neves no Real Madrid pode muito bem ser uma realidade brevemente, especialmente se o interesse dos blancos se concretizar e o clube fechar a contratação por uma verba que será sempre superior a 100 milhões de euros. Se o Real Madrid decidir apostar em João Neves, estará a garantir não apenas um talento de elite, mas também um jogador que representa valores como dedicação, trabalho árduo e respeito pela camisola. Marcará certamente uma era no Real Madrid."

O futebol como tubo de escape


"A população portuguesa já se começa a habituar à existência de buscas em grandes instituições. Esta semana os premiados foram a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e Federação Portuguesa de Judo (FPJ). Esta constante atividade gera desconfiança, descrença e insatisfação numa população cujo salário médio está cada vez mais na cauda da Europa.
Felizmente, ainda existem áreas onde os interesses, as cunhas, os esquemas não conseguem entrar: dentro dos relvados, das quadras ou das pistas só tem sucesso quem tem qualidade, competências e quem trabalha no limite. O problema é que do lado de fora não sucede o mesmo…

A mensagem de Mourinho
Ainda que muitos não gostem, os maiores embaixadores de Portugal no mundo são aqueles que se destacam, em diferentes áreas, e não os políticos que estão sedeados nos diferentes países. Pela dimensão social do desporto é natural que quem se destaca nesta área tenha ainda mais reconhecimento do que noutras. Dentro deste enquadramento e aproveitando a entrevista que o jornal A BOLA fez a Marco Silva, a propósito do jogo 500 da sua carreira, destaco a mensagem que José Mourinho enviou ao Marco: «Parabéns Marco pela carreira bonita, alicerçada em talento, trabalho, seriedade e discrição. Subiste pelas escadas, onde muitos tiveram o elevador à disposição. Parabéns por uma carreira feita de resultados e não de perceções. Admiro e aplaudo.» Nesta mensagem destaco dois pontos que me parecem importantes.
O primeiro é que, apesar do mundo de futebol ser marcado por uma enorme competitividade e concorrência, que pode potenciar invejas, egos e outros sentimentos negativos, a realidade é que os bons, os que têm mérito, os que alcançaram o sucesso, sabem reconhecer isso nos outros. Dentro do relvado competem, podem até ser agressivos, mas fora do relvado dão as mãos e reconhecem o valor dos seus colegas. O segundo ponto é uma constatação real.
Aquilo que o Marco tem conseguido é fruto da sua dedicação, do seu esforço, da sua capacidade e qualidade, da sua perspicácia e da sua evolução. De uma forma direta e frontal Mourinho disse isso mesmo. Muitos tentam ir por atalhos e têm oportunidades por outros motivos que não a qualidade do seu trabalho. O que acaba por acontecer é que esse tipo de oportunidades não se materializa em resultados. Ao contrário de muitas outras áreas, no futebol jogado ninguém tem sucesso, ou permanece no topo, se não tiver as competências necessárias para lá estar.

Os nossos embaixadores
Num país onde todos os dias surgem casos que colocam em causa as pessoas que ocupam cargos de destaque, o futebol é o tubo de escape de muitos portugueses que se querem distrair desta triste realidade. Neste campo é sempre importante realçar alguns nomes que fazem com que muitos jovens sintam que é possível atingir o topo pelo mérito. Mostram também que os sonhos são alcançáveis, independentemente do estatuto social. Não querendo ser injusto, vou destacar três nomes que marcaram e continuarão a marcar a sociedade e o futebol.
O primeiro é Eusébio. Numa época completamente diferente dos dias de hoje, num pequeno país e num mundo antes da era global, Eusébio, pelas suas qualidades, conseguiu atingir patamares incríveis. Pelas suas exibições, pelos seus golos e pelos seus raides desbravou caminho, saltou fronteiras e atingiu um reconhecimento universal. Tornou-se numa bandeira de Portugal no mundo. Tivemos de esperar algumas décadas para termos novamente alguém que voltou a marcar uma era e que abriu portas a muitos outros.
Há sem dúvida alguma um pré e um pós Mourinho no futebol português e no futebol mundial. O seu surgimento marcou uma era. Quando apareceu tinha competências e uma perspicácia que poucos tinham. Treinava de uma forma diferente, analisava os adversários meticulosamente e comunicava como nunca antes visto. Num mundo em evolução, Mourinho destacou-se por perceber a importância da comunicação interna e externa. Alcançou o sucesso de uma forma instantânea por onde passava. Abriu caminho e as portas do mundo para os treinadores portugueses. Criou uma escola que foi seguida e que muitos tentaram copiar. Alcançou títulos e destaque como poucos. Apesar de neste momento estar a treinar num campeonato periférico, continua a ser reconhecido e admirado em todo o mundo.
Para último, deixei aquele que é hoje a grande referência de Portugal no mundo: Cristiano Ronaldo. O seu trajeto é incrível. Conseguiu estar no topo durante 20 anos. Mentalmente tem uma capacidade extraordinária. Desportivamente irá ser sempre ser reconhecido como um dos melhores de sempre nesta modalidade que tanto gostamos. A sua qualidade, a sua consistência, a sua preponderância, a sua personalidade e os seus recordes deixaram a sua marca. Fora dos relvados percebeu como poucos o impacto que podia ter. Soube fazer crescer e soube alimentar a sua marca. Hoje encontra-se no restrito conjunto de personalidades que são reconhecidas em todo o mundo.

A valorizar: Marco Silva
A derrota de ontem não retira os méritos que conseguiu em 13 anos de carreira, oito dos quais em Inglaterra, onde tem 283 dos 500 jogos como treinador. Se é verdade que não está a treinar um clube de dimensão excecional, também é verdade que o seu trabalho é muito reconhecido e apreciado em Inglaterra. Nos últimos anos alcançou a estabilidade que lhe faltava no projeto do Fulham.
Conforme referiu na entrevista concedida a A BOLA, transformou o Fulham num clube diferente, estável, com uma proposta de jogo atrativa, que valoriza ativos, que voltou a aproximar-se dos adeptos e que deixou de ter a alcunha de ioiô (porque subia e descia logo a seguir). Tem sido fiel a si mesmo. Seguiu os seus sonhos. Nas decisões que tomou ao longo da carreira colocou a dimensão desportiva à frente da vertente financeira, conseguindo, neste momento, ter um equilíbrio entre estas duas realidades. O seu trajeto já começa a justificar um clube de outra dimensão, que lute por títulos de uma forma direta."

Sporting ou Benfica? É uma Liga que terá de ser conquistada


"Rivais mostram-se sólidos o suficiente para apagar a eventual mancha de um campeonato ganho pelo 'menos mau', embora apresentem dinâmicas bem diferentes na atualidade

Mais uma cruz no calendário, menos um jogo que se está obrigado a ganhar. Gil Vicente, 14.º, e Estrela da Amadora, 16.º, estão longe de possuir argumentos semelhantes aos dois maiores candidatos ao título e ainda de parecerem encorpados o suficiente para impedir que estes conquistem todos os pontos em discussão se focados q.b., porém no seu estádio o risco seria sempre maior. Só que o Benfica que se viu em Barcelos (embora seja preciso relativizar precisamente perante o que se disse antes) foi talvez o mais competente da era Lage, enquanto o Sporting que se apresentou na Reboleira se mostre avesso a consentir mais dissabores no pós-João Pereira, ainda mais com tantos tiros nos próprios pés dados pelos tricolores.
Dizer que as águias foram competentes é, sobretudo, reconhecer crescimento na capacidade de a equipa controlar os encontros com bola e até de se colocar bem a atacar para defender rápido e bem, e de alinhar defensivamente pronta a atacar com contundência. Estrategicamente ainda, as peças do seu xadrez parecem mais fluidas nos movimentos do ataque posicional.
Ainda que o apagão de Schjelderup das opções não seja de todo compreensível, num momento em que parecia preparar-se para assumir papel preponderante na equipa, e a primeira fase de construção esteja longe de deixar tranquilos quem quer que seja - algo não exposto pelos gilistas -, é um conjunto encarnado confiante e finalmente a acreditar no processo o que se vê em campo. Mérito de Bruno Lage, que também parece ter dado outro tom à comunicação, o que ajuda.
Também Sporting aparenta solidez, assente na organização sem bola, e, embora com pouca profundidade deixada à sua frente, no inimigo público número 1 de todos os defesas da Liga. Viktor Gyokeres continua insaciável e isso é garantia de um leão com impacto no último terço. Curiosamente, tanto encarnados como verdes e brancos ganharam pela mesma diferença: 0-3.
Será sempre bom para uma Liga que já ameaçou vir a ser ganha pelo menos mau acesa discussão até ao fim. Benfica e Sporting, por tudo o que já passaram esta época e pela retoma que alcançaram, têm tudo para tirar essa mancha de fragilidade do campeonato.
O calendário não tem o mesmo peso para os dois e aí o Benfica conta com mais montanhas para escalar, mas ambos terão já certamente chegado à mesma conclusão: esta Liga tem de ser conquistada."

Acredito em Jesus


"O senhor que se segue no Brasil poderá ser... Jorge Jesus. Imaginar um técnico português à frente da 'canarinha' era ficção científica quando Marinho Peres soltava um «fala aí, garoto»...

Raphinha viu o feitiço virar-se contra o feiticeiro e provocou-me aquele sentimento desnecessário de vergonha alheia. «Porrada neles! Sem dúvida! Porrada neles! No campo e fora do campo se tiver que ser!», assim respondeu o craque do Barcelona depois de ter sido questionado por Romário sobre se «daria porrada no maior rival», em entrevista à Romário TV, nos dias que antecederam a catástrofe do Brasil na Argentina.
O jogador em melhor forma da seleção brasileira — a realizar temporada de sonho nos blaugrana (27 golos e 20 assistências em 42 partidas!), conforme o Benfica sentiu na pele recentemente em três duelos da Liga dos Campeões (5G e 1A) — julgou ser boa ideia provocar a Argentina antes de uma partida em Buenos Aires no mítico Monumental a rebentar pelas costuras. À míngua de bom senso, o esquerdino juntou considerável falta de inteligência emocional e encheu de motivação o depósito dos argentinos. Em campo, a garganta de Raphinha perdeu para os pés dos campeões do Mundo e vencedores das duas últimas Copas Américas, tal como Leandro Paredes avivou a Rodrygo durante o massacre que terminou com lisonjeira, apesar dos pesares, goleada de 1-4 sofrida pelos forasteiros.
E agora, Brasil? Quando Portugal não era cliente de Campeonatos do Mundo, aquele bálsamo de verão de quatro em quatro anos, a canarinha era o meu plano B, sobretudo no traumático Espanha-1982, antes de Diego Armando Maradona se intrometer nas minhas preferências no México-1986 e Itália-1990. Nos Estados Unidos-1994, após o afastamento de D10S devido a doping, e França-1998 lá estava eu a torcer pelos comandados de Carlos Alberto Parreira e Mário Zagallo, respetivamente. A partir de 2002, então sim, com a equipa das quinas sempre presente na competição, dediquei-me apenas ao plano A.
A pergunta umas linhas atrás era, no entanto, e agora, Brasil? Não me lembro dos pentacampeões mundiais contarem com uma seleção tão fraca como a atual, embora arrisque afirmar que o contexto transforma estes futebolistas em piores do que são na verdade — basta comparar o Raphinha do Barça com o desta seleção que teve três treinadores, Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, despedido na sexta-feira, em menos de dois anos. O senhor que se segue poderá ser... Jorge Jesus.
Imaginar um técnico português à frente do Brasil era ficção científica quando, por exemplo, o saudoso Marinho Peres — aqui lhe faço a devida vénia porque era um homem bom — liderava o Belenenses e sempre que nos via após os treinos, ciente de que queríamos conversar com ele, soltava um inesquecível «fala aí, garoto».
Acredito em Jesus, já em milagres... Mas que desafio será para JJ, aos 70 anos, assumir pela primeira vez uma seleção — e que seleção! — num país no qual elevou o Flamengo para outros patamares em tão pouco tempo. Logo aqui estão dois pontos a favor dessa possível escolha da Confederação Brasileira de Futebol: o conhecimento do país e a capacidade para rapidamente pôr a máquina a funcionar. A língua também não é problema e quanto a capacidade de liderança nem há dúvidas — Neymar, sobretudo ele, que tome bem nota disto."

domingo, 30 de março de 2025

11.ª Campeãs Nacionais

Benfica 27 - 20 São Pedro do Sul
18-11


Tetracampeãs nacionais, ainda com 3 jornadas por realizar!!!
Excelente ponta final de época, após uma troca de treinador no Verão, com um início de época com alguns soluços, mas após a prematura eliminação Europeia, estivemos imbatíveis... O regresso de algumas ex-lesionadas á boa forma, também ajudou...

Mais uma...


Benfica 4 - 1 Racing Power


Numa semana marcada pela saída da Alidou, mais uma vitória larga...

Primeiro passo...


Benfica 3 - 1 Leixões
25-22, 25-14, 21-25, 25-19

Vitória no 1.º jogo das Meias-finais, com um Set perdido, mas sem assustar...
Creio que será com estes 'titulares' que vamos à luta!

Final arrasador...


Benfica 93 - 59 Ovarense
18-16, 19-21, 26-13, 30-9

Boa reação à derrota da Taça, com o bom jogo, especialmente na 2.ª parte...
Sem o Stone, e com o Rorie muito condicionado!

Derrota...

Sporting 34 - 30 Benfica
16-14

Mais uma derrota com o Sporting, na 1.ª jornada da Fase Final...

Sempre, sempre ao mais alto nível


"JÁ NÃO HÁ PALAVRAS, MUDE-SE-LHE O NOME PARA IRON MENDI!

A feliz expressão não é minha, é do Pedro Almeida Fernandes, um Benfiquista cuja opinião muito aprecio. E diz tudo o que nós pensamos e não conseguimos exprimir sobre o nosso imparável capitão, resume numa só expressão o somatório de todos os adjetivos com que desejamos classificar Otamendi. De modo que não acrescento mais nada - não vá estragar alguma coisa.
CARREGA, CAPITÃO!
CARREGA IRON MENDI!"

🚨 Uma exibição que ficará para a história do árbitro Gustavo Correia.


"✅️ 2 expulsões a favor do Sporting
✅️ 2 penalties a favor do Sporting
✅️ 7 jogadores do Estrela da Amadora amarelados.
✅️ 1 golo mal anulado ao Estrela.
É melhor chamarem uma ambulância que este não se aguenta em pé!! Isto deu penalti!
Tínha avisado...!!"

Entrevista: Manteigas...

Falar Benfica - Os Rapazes da Gomes Pereira #1

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Terceiro Anel: Café #23 - João Rodrigues...

Benfica FM: Megafone #27 - Campeonato, Adeus à Europa, Renovações e Aprovação dos Estatutos

BolaTV: Lado B #32 - Do Dia do Pai ao jogo da Seleção Nacional

BolaTV: Lado B #31 - Dos looks da Seleção Nacional à aliança perdida do Sr. Adão

BolaTV: Entrevista - Marco Silva...

Uma árbitra na Liga: há mais Catarinas por aí


"Aplaudo a coragem das mulheres que chegam à Liga masculina, pois imagino parte do que já passaram ou vão passar. Que este seja só o primeiro jogo de muitos e que os incomodados se acalmem

Hoje é um dia histórico no futebol português, com uma árbitra a apitar pela primeira vez um jogo da Liga masculina, neste caso o Casa Pia-Rio Ave, com arranque marcado para as 15h30. Catarina Campos não será a única entre os homens: Andreia Sousa e Vanessa Gomes serão as suas assistentes.
Não sei que razões levaram Catarina, Andreia e Vanessa a escolher a arbitragem, mas imagino que tivessem a vida algo facilitada se não o tivessem feito. Esta não é propriamente a primeira carreira em que se pensa quando se quer ser valorizado e reconhecido no futebol, a não ser que não se ouça nem veja nada do que se diz sobre os árbitros. Só por isso, já lhes admiro a coragem. Ainda por cima, não tiveram exemplos de grandes árbitras a passar na televisão. Elas serão esse exemplo para as meninas que querem ser árbitras. Só por isso, já lhes agradeço muito.
Ao chegarem ao principal escalão do futebol português, estas três mulheres não esperam flores e palmas, mas também desengane-se quem argumenta que serão só mais três árbitras a lidar com insultos, violência e intimidação. Como são mulheres, serão mais julgadas pela forma como reagem a tudo isto, além de que serão brindadas com palavras e gestos especialmente dedicados às mulheres. Catarina Campos, Andreia Sousa e Vanessa Gomes serão criticadas pelo cabelo curto ou comprido, pela voz aguda ou grave, serão às vezes demasiado brandas com os jogadores (porque são mulheres) e outras vezes demasiado histéricas (porque são mulheres). Quando falharem, como todos os árbitros falham, será nalgumas mentes porque são mulheres.
Contamos parte do percurso desta árbitra e há uma frase que destaco: «Já merecia esta oportunidade há mais tempo.» Para chegar aqui, Catarina, Andreia e Vanessa já passaram por muitos testes à sua competência e não é difícil imaginar que tenham estado sempre a um alto nível. Não são as primeiras mulheres do mundo a ter de provar com mais afinco que merecem uma oportunidade. E também não são as primeiras mulheres do mundo a demorar mais tempo do que um homem a tê-la.
Felizmente, ela chega hoje. O Casa Pia-Rio Ave vai ser apitado por três árbitras e, como mulher, sei que o mais difícil ainda nem sequer passou. Mas para chegarem a este dia histórico, Catarina, Andreia e Vanessa já ultrapassaram tantos obstáculos que só podem estar mais do que preparadas. Desejo que os jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos estejam à altura delas. E que as meninas queiram muito ser árbitras como elas."

Brasil: no país onde o 'jeitinho' resulta


"Vicente Feola, nascido em 1909 e falecido em 1975, foi convidado pelo presidente da então Confederação Brasileira de Desportos para treinar a seleção do Brasil em fevereiro de 1958. Mas o primeiro jogo do novo selecionador foi só a 4 de maio, um mês e quatro dias antes da estreia dos canarinhos no Mundial de 1958, o primeiro que venceram.
Feola, que não tinha um dos rins desde os 19 anos e sofria com excesso de peso, foi depois aconselhado pelos médicos a afastar-se da seleção, abrindo caminho para Aymoré Moreira assumir o cargo em abril de 1961, um ano e um mês antes de começar o Mundial de 1962, o segundo que os brasileiros conquistaram.
Em conflito com o ditador Emílio Garrastazu Médici, o selecionador João Saldanha demitiu-se a 8 de março de 1970, dando lugar a Mário Zagallo, com apenas dois anos de experiência como treinador, a 22 de março daquele ano, dois meses e uma semana antes do arranque do Mundial de 1970, o terceiro cuja taça rumou ao Brasil.
Depois de Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão falharem no comando da seleção, os dirigentes da agora chamada Confederação Brasileira de Futebol optaram por contratar Luiz Felipe Scolari a 1 de julho de 2001, menos de 11 meses antes de começar o Mundial de 2002, em que os canarinhos levantaram o penta.
Só na conquista do Mundial de 1994, o selecionador de então, Carlos Alberto Parreira, tinha mais tempo de trabalho do que o eventual sucessor de Dorival Júnior terá agora — e mesmo ele esteve a milímetros de se demitir, segundo o próprio, a 9 agosto de 1993, após desanimador empate sob vaias monumentais num particular com o México em Maceió.
Já a Telê Santana e a Tite, dois dos mais vitoriosos treinadores de clubes da história do futebol do país, foi dado tempo de sobra: ambos treinaram a seleção em dois Mundiais seguidos, os de 1982 e 1986, o primeiro, e os de 2018 e 2022, o segundo, sem que a torcida brasileira pudesse saborear a vitória final.
Ou seja, por mais contraintuitivo que possa parecer, quanto mais se planeia, piores são os resultados — no Brasil, pelo menos. Por aqui, o jeitinho e a gambiarra, versões locais dos muito portugueses desenrascanço e em cima do joelho, aparentemente funcionam melhor do que a organização — no futebol, pelo menos.
Os comentários por estes dias nas colunas dos jornais, nas mesas de boteco, nas filas dos ônibus ou nas rodas de samba de que o Mundial de 2026 «já era» não coincidem, portanto, com a história, com os factos, com a tradição.
Mas coincidem com os comentários nas colunas dos jornais, nas mesas de boteco, nas filas dos ônibus ou nas rodas de samba que se ouviam às vésperas dos Mundiais de 1958, 1962, 1970 e 2002, no fim das contas, gloriosos para o Brasil."

Três pontos conquistados


"O Benfica ganhou ao Gil Vicente, em Barcelos, por 0-3. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Vitória assenta bem
Na opinião do treinador do Benfica, Bruno Lage, há "justiça no resultado e na vitória", explicando: "Controlámos o jogo, criámos várias oportunidades e o resultado fica-nos muito bem. Sabíamos da importância deste jogo, de começar um ciclo pós-interrupção para as seleções, entrar da mesma forma como tínhamos vindo a fazer, com uma boa exibição e um bom resultado. E foi mais uma final que fizemos."

2. Na luta pelos objetivos
Aursnes, considerado o homem do jogo, defendeu que foi "uma boa exibição" e realçou: "Temos de continuar assim e lutar até ao fim."

3. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os três golos marcados pelo Benfica ao Gil Vicente.

4. Na final
O Benfica está apurado para a final da Taça de Portugal de futsal. Nas meias-finais eliminou o Leões Porto Salvo, ao vencer por 6-3. Cassiano Klein referiu: "Estamos a lutar para sermos uma equipa muito forte."
A final com o Sporting é neste domingo, 30 de março, às 20h00, em Matosinhos.

5. Jogos do dia
A equipa feminina de futebol do Benfica recebe o Racing Power no Benfica Campus às 17h30.
Na Luz há jogos de basquetebol (Ovarense às 17h00) e de voleibol (Leixões às 19h00).
Em andebol há um Sporting-Benfica nos masculinos e um Benfica-Academia São Pedro do Sul nos femininos. Os jogos são às 15h00.
Em râguebi, o Benfica desloca-se ao terreno do Belenenses (16h00).
Quanto a outras equipas femininas, a de futsal disputa as meias-finais da Taça de Portugal com o Futsal Feijó, às 14h00, em Matosinhos. A formação de hóquei em patins visita o Turquel (17h00). E a de polo aquático tem embate na piscina do Cascais (19h00).

6. Agenda para domingo
Além da final da Taça de Portugal de futsal, há mais partidas para acompanhar e apoiar o Benfica.
No futebol de formação, os Juniores recebem o Tondela (16h00), os Juvenis são anfitriões do Vitória SC (11h00) e os Iniciados visitam o Tondela (11h00).
A equipa feminina de voleibol recebe o FC Porto (18h00) e a de basquetebol tem embate no reduto da Sanjoanense (15h00). A equipa masculina de hóquei em patins visita o Murches (16h00).

7. Convocadas
Cristina Prieto e Marit Lund integram as convocatórias das seleções nacionais dos seus países.

8. Chamadas à Seleção
Quatro andebolistas do Benfica estão convocadas para a Seleção Nacional feminina.

9. Jogo das Casas
Veja a reportagem da BTV sobre o "Jogo das Casas", no qual cerca de 3150 benfiquistas desfilaram ao redor do relvado do Estádio da Luz.

10. Parabéns, Presidente Rui Costa
O Presidente do Sport Lisboa e Benfica celebra neste sábado, 29 de março, o seu 53.º aniversário. Neste mesmo dia, em 1972, nasceu Rui Costa, a criança que se fez homem, com a paixão benfiquista sempre presente, num percurso pessoal e profissional que o tornaram figura incontornável do Clube. Uma vida de dedicação ao Glorioso, desde jovem jogador da formação, a futebolista de referência mundial, assumindo-se hoje como responsável máximo dos desígnios do Benfica. Parabéns, Maestro!"

A Verdade do Tadeia #2025/30 - Benfica a dobrar

Em Barcelos, o maior galo veio de Itália e o Benfica pôs-se a cantar ao lado do Sporting na liderança do campeonato


"Em jogo em atraso da jornada 24, o Benfica venceu o Gil Vicente (0-3), igualando o Sporting no topo da classificação. Uma primeira parte entusiasmante alimentou com sobras os momentos de menor ritmo da segunda. Di María voltou à competição, como suplente utilizado, a tempo de marcar

Tendo a evolução da anatomia humana bloqueado o desenvolvimento de cristas à superfície da moleira, Belotti usou a liberdade que lhe é concedida para adereçar a cabeça com uma. A mimetização feita com a mão ocorreu no suspiro do segundo golo da vitória do Benfica contra o Gil Vicente (0-3). Confiamos que no pouco tempo que leva em Portugal o italiano ainda não sabe que fazer o seu habitual festejo em Barcelos pode ser visto como um caso de apropriação cultural.
De qualquer modo, quem se fez dono dos três pontos foi o Benfica. E não foram três pontos quaisquer. O encontro da jornada 24 da Primeira Liga estava em pousio, causando aos encarnados um conflito entre o mundo virtual e a esplanada dos terráqueos. Reposto o jogo em atraso, a liderança do campeonato passou a ser repartida entre Benfica e Sporting, ambos com 62 pontos. Além disso, em termos exibicionais, Bruno Lage talvez tenha a equipa no zénite da temporada.
O efeito pinball dos passes do Benfica era extenuante. A rapidez de circulação decorria nas zonas de vácuo criadas pelo manequim tático bastante explanado. Nas duas margens do fluxo, Tomás Araújo e Álvaro Carreras viviam ambos do progressismo, encurralando o Gil Vicente. Florentino era a conexão entre ambos os polos, invertendo o sentido do jogo como a carta do Uno.
Na velocidade com que a equipa de Bruno Lage contornava o bloco defensivo dos gilistas estava plasmada a reduzida intenção de espetar a bola no antro do adversário. A prioridade era o jogo exterior, o que levava Aursnes, Bruma, Amdouni e Belotti a serem espremidos para um corredor central saturado. A proximidade dos vários átomos nas redondezas da área facilitou o amortecimento que Belotti, após cruzamento de Tomás Araújo, fez para a impetuosidade do remate de Aursnes. A tentativa embateu na barriga de Andrew.
O norueguês viria mesmo a dar um verdadeiro murro no estômago ao longilíneo guarda-redes e a toda a equipa do Gil Vicente. A invulgar maleabilidade tática e cadência de jogo ofensivo do Benfica consagrava-se numa interpretação conjunta do guião. Com a timorata contra-ofensiva dos minhotos, foi preciso demonstrar competências noutras áreas. Quando Álvaro Carreras passou a construir mais à retaguarda, Bruma deslocou-se instintivamente até à esquerda para acelerar no flanco à guarda de Zé Carlos e de lá fazer o cruzamento atrasado com que Aursnes deu sentido à caprichosa exibição do Benfica.
Mohamed Bamba ia-se apresentando como uma opção de saída credível para a ousada posse em zona recuada do Gil Vicente. A realizar o quarto jogo em Portugal, quase tantos como aqueles em que César Peixoto orientou a equipa de Barcelos (três), o médio de 20 anos conseguia cheirar a pressão antes desta chegar e livrar-se dela. Faltava-lhe o devido acompanhamento.
Figura perene na defesa do Benfica, Otamendi manteve-se inexpugnável em mais 90 minutos de futebol que se sucederam àqueles que praticou até perto das duas da manhã de quarta-feira em Buenos Aires. Estava o argentino alheado do lance quando o Gil Vicente largou um balão na área. O motivo que fez Pablo Felipe não ser totalmente convicto no cabeceamento foi o mesmo que fez António Silva e Tomás Araújo passaram por displicentes. A pouca tensão com que a bola chegou devia tornar previsível o local onde os defesas a tinham que aliviar.
A segunda parte foi vagarosa. Não mais Amdouni e Bruma foram vistos a rematar em incursões interiores, mérito do Gil Vicente que interrompeu o ritmo dos adversários com um maior número de visitas ao meio-campo ofensivo. Foi a bola parada que fez a vantagem aumentar. Orkun Kökçü, sempre rigoroso na execução, deu início ao lance trabalhado que a bravura de Belotti concluiu. As entradas de Di María, Vangelis Pavlidis e Kerem Aktürkoğlu demonstraram que o Benfica, se quisesse muito, poderia ter feito maior mossa. Não é que o resultado (0-3) tenha sido escasso. A prova de que Di María não ganhou ferrugem no mês e meio de ausência por lesão foi a energia que acrescentou, algo que levou à conquista de um penálti cometido por Josué.
Entende-se que, depois do 0-1, o Benfica tenha esperado que a corrente de ar trouxesse mais golos diante de uma equipa com um empate e oito derrotas nos últimos nove jogos. Os pontos estão caros nesta fase do campeonato e há que ser astuto na obtenção dos mesmos. Se, no passado, muitas vezes os encarnados assumiram a faceta calculista antes de demonstrarem capacidade, desta vez, cozinharam rendimento nos primeiros 45 minutos que sobrou para alimentar até os momentos de maior apatia."

Máquina Oleada Apesar Da Paragem, Mais 3 Pontos Sem Espinhas


"Gil Vicente 0 - 3 Benfica

Já dentro do estádio Cidade de Barcelos, cabeceira norte, são 19h39, entram para o aquecimento os nossos, Otamendi, refinado capitão, à frente, à comandante, está sempre pronto para tudo, impressionante!
Bruno Lage aposta numa frente de ataque com Amdouni, Belotti e Bruma: todos contam foi um slogan, todos contam tem sido uma prática. Amdouni, que repete a titularidade de Vila do Conde, mostra-se o melhor nos remates do aquecimento, vale o que vale.
Miguel Nogueira, portista de gema, é provavelmente o pior árbitro da Liga. Até chegar à primeira categoria protagonizou decisões escandalosas. Foi premiado: não é o primeiro, não será o último. Que o jogo não tenha casos é o que desejo.
Estádio literalmente a abarrotar, não cabe mais um feijão! Benfica é enorme, crl!
E VAMOS AO JOGO!
15 Benfica bem em posse, a trocar bem a bola, ao primeiro ou segundo toque, jogadores a ocupar bem os espaços, só falta mais acutilância.
22 bem Carreras a lançar geometricamente Bruma, bem Bruma a assistir Aursnes, melhor Aursnes a mandar lá para dentro!!! Um-zero! É justo, é merecido, é fundamental! Oooo, SLB, SLB, SLB, força SLB!
32 todas as bolas divididas com um homem do Gil no chão são faltas contra nós. Não se pode tocar nos meninos...
35 o jogo mantém a toada, estamos senhores disto tudo, a dominar em todas as zonas do campo. Fica a sensação que se acelerarmos um pouco mais, se arriscarmos um pouco mais, marcamos mais.
40 o Trubin tem sido pouco mais do que um espetador. Está aqui mesmo por baixo de nós, é enorme, uma mancha amarela.
45+1 a equipa está feita um relógio suíço, só falta dar horas, nem parece que viemos de uma paragem. Pede-se, porém, mais killer instinct - e dava jeito, muito jeito: sofria-se menos aqui no frio da bancada com dois ou três de avanço. Olhem aí as estatísticas de faltas ao intervalo: 4 para eles, 9 para nós. Eu não disse? 46 voltam os mesmos e agora atacamos para a nossa baliza.
50 toma lá mais um, de bola parada, muito bem trabalhada, bela combinação e BE-LO-TTI! Força, Benfica, allez!
55 Tomás Araújo no chão... vai sair? Quem entra? Ah, claro, está cá o Dahl. É bom que se vá rotinando na posição. Pelos vistos vai ter que jogar ali mais do que imaginava.
65 o Trubin hoje parece um feriado.
71 que receção irientada do Carreras! És enorme, Álvaro!
74 seja bem regressado, senhor Di Magia! Vamos precisar de ti, campeão, voltaste a tempo e horas, carrega!
79 Di María primeiro, Pavlidis depois, onde anda a pontaria? Queremos mais, amigos! 86 belo jogo do Kokcu, mais minutos para o Renato.
88 Aursnes, outro a fazer um grande jogo.
90 mais 6??? A que propósito?
90+3 penálti! Pavlidis dá a bola ao Di María, estatuto é estatuto. Três-zero!!!
90+6 já está! Benficaaaa, Benficaaaa, Benficaaaaa, Benfica dá-me o 39!"

Gil Vicente-Benfica, 0-3 Aursnes aprendeu lição a custas próprias: as notas dos jogadores do Benfica


"Norueguês desperdiçou ocasião soberana para inaugurar o marcador, mas à segunda não perdoou; bem acompanhado por toda a equipa na primeira parte, e por António Silva todo o jogo

O melhor em campo: Aursnes (7)
Falhou à primeira, não falhou à segunda. Logo ao terceiro minuto, dispôs de ocasião flagrante para inaugurar o marcador, após bela desmarcação e passe brilhante de Amdouni. Só que recebeu um pouco para a frente, Andrew reagiu bem e já não teve ângulo para evitar a mancha do guarda-redes do Gil Vicente. Mas aprendeu a lição. Aos 22', de novo com leitura brilhante de jogo, apareceu no sítio certo para responder ao centro da esquerda de Bruma, e dessa vez nem tentou dominar — disparou de primeira para inaugurar o marcador. Sempre muito em jogo, e com papel importante na primeira linha de pressão, juntando-se a Belotti para importunar os centrais contrários, voltou a ser decisivo nos minutos finais, com o passe que lançou Di María na área no lance do penálti que valeu o 3-0.

6 Trubin — Chamado ao jogo a frio, com cabeceamento de Pablo no coração da área logo aos 6 minutos, respondeu com bela defesa, evitando que o Gil inaugurasse o marcador. Foi o único remate da equipa da casa na primeira parte e só voltou a intervir na compensação, afastando um centro venenoso da direita. Na segunda teve um pouco mais de trabalho — uns cruzamentos para segurar, um remate à figura, umas saídas atentas —, mas sem dificuldades de maior.

6 Tomás Araújo — Excelente entrada em jogo, com papel ativo na criação do primeiro lance de perigo do Benfica, logo aos 3’, solicitando Amdouni, que colocou Aursnes na cara do golo. Logo a seguir, mais uma boa subida pelo flanco direito e um centro atrasado ao qual Belotti não chegou. Mas ia borrando a pintura aos 6’, esquecendo-se de subir para deixar Pablo fora de jogo e permitindo ao avançado do Gil visar a baliza de Trubin, que respondeu com bela defesa. A partir daí foi menos desequilibrador a atacar, mas nunca deixou de procurar zonas avançadas... até que não aguentou mais, fechando a loja aos 55 minutos.

7 António Silva — É verdade que deixou Pablo fugir nas costas para o único remate do Gil na primeira parte, mas não foi ele o responsável — subiu, bem, para deixar o ponta de lança em fora de jogo, mas não foi acompanhado por Tomás Araújo. Batalhou intensamente com o homem de área do Gil e ganhou muito mais do que perdeu. Juntou a isso várias compensações preciosas e cortes decisivos, o mais importante dos quais aos 71’, tirando centro atrasado que convidava remate de primeira. Como se não chegasse, ainda subiu à área para um livre de Kokçu e assistiu Belotti para o 2-0 das águias.

6 Otamendi — Para quem jogou 180 minutos pela Argentina e fez apenas um treino depois de voltar da América do Sul, nada melhor que uma primeira parte bem descansada, de atenção permanente mas sem muito trabalho. A segunda foi um pouco mais intensa, mas Otamendi controlou sempre bem o seu raio de ação, numa noite tranquila.

6 Carreras — Está no lance do primeiro golo do Benfica — foi ele quem fez chegar a bola a Bruma no corredor esquerdo —, mas foi muito menos influente no ataque do que em outras ocasiões, ou do que Tomás Araújo no outro flanco. Compensou com acerto quase total a defender, e na segunda parte, quando o Gil deu sinal de vida, teve de o fazer pelo outro lado.

5 Florentino — Seguro a defender, mas novamente com alguns erros na circulação de bola — nenhum tão grave como no encontro anterior, frente ao Rio Ave. Escusado o amarelo já na compensação, e que o deixa em risco para o clássico com o FC Porto — fica proibido de ver novo cartão na receção ao Farense, na quarta-feira.

6 Kokçu — Menos exuberante que noutras noites, mas altamente influente, fosse a pautar o jogo do Benfica, sobretudo na primeira parte, fosse a criar o segundo golo das águias, ao bater um livre exemplar que permitiu a António Silva assistir Belotti. Também tentou o livre direto, ainda na primeira parte, mas Andrew respondeu bem. Falhou alguns passes, mas esteve muito bem a defender, incluindo desarme a lançar Di María para a primeira ocasião do argentino.

6 Amdouni — Excelente entrada em jogo, colocando Aursnes na cara do golo logo no terceiro minuto, com bilhante passe de primeira, e remate ameaçador de pé esquerdo, aos 5’. Trabalhou muito defensivamente, e teve alguns roubos de bola importantes, mas foi perdendo influência no ataque com o passar dos minutos e acabou por ser o primeiro jogador de quem Bruno Lage abdicou, até para ter à direita alguém que apoiasse de outra forma o adaptado Samuel Dahl.

6 Bruma — Estava a ter exibição discreta quando, aos 22 minutos, fugiu pela esquerda e, com dois gilistas por perto, encontrou o ângulo para um passe atrasado perfeito, convidando Aursnes a inaugurar o marcador. A assistência deu-lhe confiança e acabou a primeira parte com sinal mais, e dois remates de algum perigo, mas no segundo tempo foi-se apagando.

6 Belotti — Titular em vez de Pavlidis (única alteração em relação ao onze que iniciara a partida com o Rio Ave), esteve pouco em jogo nos 45 minutos iniciais, mas na primeira ocasião de que dispôs, já a abrir a segunda, não perdoou — desvio oportuno de cabeça a responder a passe, também de cabeça, de António Silva, com tantas ganas que foram bola, guarda-redes e ele próprio para o fundo das redes. Foi pouco? Foi o que era preciso.

5 Samuel Dahl — Entrou para lateral-direito, como já tinha acontecido na receção ao Barcelona, também por lesão de Tomás Araújo, e sentiu algumas dificuldades — foi pelo seu flanco que o Gil conseguiu arrancar as poucas investidas que deram sinal de vida no segundo tempo. Teve uma falha potencialmente comprometedora aos 64’, mas foi salvo por António Silva.

5 Akturkoglu — Foi a jogo para dar mais apoio a Dahl do que aquele que Amdouni estaria então em condições de proporcionar, e cumpriu essa missão, mas faltou-lhe mais serenidade e eficácia a atacar.

6 Di María — Regresso muito saudado à competição em Barcelos, e com pormenores que mostram quão importante ainda pode ser para a equipa do Benfica nesta reta final da temporada: arrancada e remate em jeito aos 78’, um pouco ao lado; centro açucarado para Pavlidis aos 88’, a que o grego não chegou por centímetros; e, mesmo a acabar, o penálti sofrido e depois convertido com classe para fechar as contas do jogo.

5 Pavlidis — Foi prejudicado pela forma como o jogo seguia, como o futebol do Benfica perdera propósito, e o melhor que conseguiu foi um remate de pé esquerdo para fora, aos 79’, após bom trabalho individual.

(-) Renato Sanches — Oito minutos a frio, com o jogo resolvido, e sem oportunidade de deixar marca."

Gil Vicente-Benfica, 0-3 Voo de águia muito competente para lá da capacidade do galo...


"O Benfica foi a Barcelos acertar o calendário, e não só: apanhou o Sporting na frente, e mostrou que aprendeu com o susto mais recente, em Vila do Conde. Equipa de Bruno Lage não deu qualquer chance ao Gil Vicente.

As vitórias valem todas três pontos, mas há ganhar e ganhar. Por exemplo, o Benfica triunfou muito justamente, aliás, em Vila do Conde, mas depois de ter o jogo na mão decidiu ‘meter’ a equipa de Petit na disputa da partida, e acabou a suar as estopinhas para não deixar pontos nas margens do rio Ave. Em Barcelos, nas margens do Cávado, a conversa foi outra: os encarnados foram autoritários de fio a pavio, tiveram o controlo das operações, assumindo a responsabilidade que o favoritismo frente a um adversário com menos meios lhes conferia, e cedo se percebeu que se a equipa de Bruno Lage não tivesse nenhum assomo de desleixo, ia regressar à Luz com três pontos fundamentais na luta pelo título.

FÓRMULA APRIMORADA
Frente a um Gil Vicente, orientado por César Peixoto, que representou ‘galos’ e ‘águias’, armado num 4x2x3x1 que muitas vezes, especialmente quando Amdouni trocava com Aursnes e ia dar apoio mais próximo a Belotti, se transformava em 5x4x1 com o recuo de Bamba para terceiro central, deixando as despesas do ataque (?) a Pablo, o Benfica repetiu uma fórmula que vai aprimorando, independentemente dos onze escolhidos para irem a jogo.
Bruno Lage tem a defesa definida (e Tomás Araújo, o que se passa (?), porque sem Bah, Dahl ainda vai ter de mostrar credenciais na lateral direita, em jogos mais exigentes), aposta num meio campo em que Florentino é o trinco (que infantilidade o ‘amarelo’ que viu aos 90+2!) e Kokçu baixa para se tornar no playmaker – curiosamente, desde que está em Portugal, nunca se tinha visto ao internacional turco tanta disponibilidade para trabalhar defensivamente – da equipa; à frente desta dupla, três jogadores com uma capacidade de permuta muito grande, Aursnes, Amdouni e Bruma, que estão bem entrosados com a necessidade de recuperar a bola depressa através de pressão alta, ficando desta feita o posto mais avançado a cargo de Andrea Belotti, o ‘gallo’, que não deixou de faturar numa cidade em que o galo é rei.
Qual foi, então, a diferença deste Benfica para outros ‘benficas’ que sofreram para vencer e deixaram, até, desnecessariamente, pontos em várias latitudes? A resposta é simples, como todas as coisas profundas: a equipa de Lage manteve-se concentrada durante todo o jogo, decidiu não meter folga em algumas fases da partida, e colocou sob ameaça permanente o Gil Vicente, que cada vez que se afoitava, percebia que deixava adversários entre linhas que assustavam, de imediato, as redes de Andrew. Foi da tática? Não. Foi da estratégia? Não. Foi, sobretudo, de uma atitude séria, vestida de intensidade, que fez parecer fácil o que noutras alturas foi um Adamastor.

USAR O PLANTEL
Mais uma coisa deve ser dita em relação ao Benfica: Bruno Lage tem à disposição um plantel rico (embora claramente penalizado pelas lesões de Bah e Manu), e tem sabido utilizá-lo. Vejam-se, por exemplos, as substituições que realizou em Barcelos, quando para se manter no controlo das operações refrescou o ataque com Di María, Akturkoglu e Pavlidis (um luxo), aproveitando ainda para compactar o meio-campo com Renato Sanches. Perante a exigência de uma temporada que já colocou muitos minutos nas pernas dos jogadores (Otamendi, em Barcelos, teve um jogo de repouso ativo, para os padrões que são habituais, enquanto que António Silva mostrou estar a crescer em confiança), o técnico encarnado não se fixou num número limitado de ‘fiéis’ e tem sabido manejar o plantel, que agora volta a ter Di María. Daíq ue seja legítimo perguntar que pplanos tem Lage para El Fideo? Usá-lo nas partes finais dos jogos, quando a sua frescura pode ser uma vantagem suplementar, ou dar-lhe a titularidade, sabendo-se que este sistema em que o Benfica joga passa muito pela pressão alta, que exige do ponto de vista físico muito aos jogadores. Os jogos que se seguem darão resposta a esta dúvida existencial.

SENTIDO ÚNICO
Quanto ao jogo, que teve numa cabeçada de Pablo, aos seis minutos que Trubin defendeu bem e que foi a exceção que confirmou a regra, pode falar-se, ‘mutatis mutandis’. De um ‘samba de uma nota só’, uma partida de sentido único que teve como única surpresa o magro 0-1 qua se verificava ao intervalo, da autoria de Aursnes, após obra de autor de Bruma, uma tremenda aquisição dos encarnados no mercado de inverno.
O segundo tempo trouxe mais do mesmo, e o 0-2, por Belotti após assistência de António Silva, apenas confirmou a superioridade flagrante dos forasteiros. César Peixoto jogou o que tinha, refrescou o meio-campo com Fujimoto e o ataque com Carlos Eduardo, teve até alguns momentos em que a sua equipa conseguiu trocar a bola com maior intencionalidade, mas à medida que os minutos passavam o Gil Vicente foi deixando de acreditar que era possível espremer algum ponto daquele jogo e a toda de superioridade encarnada não só se manteve como ainda terminou com uma cereja no topo de bolo, quando Ángel Di María, dos onze metros, fixou o ‘placard’ em 0-3. Vitória sem contestação de uma equipa que encontrou a tecla certa para ser mais competitiva. Como dizia Marco Silva em entrevista a A Bola, «pressão alta, pouco espaço entre setores e grande intensidade.» Simples, não é?"

Vinte e Um - Como eu vi - Gil Vicente...

Terceiro Anel: Gil Vicente...

Kanal: Tamos Juntos - Gil Vicente...

Visão: Gil Vicente...

BI: Gil Vicente...

5 minutos: Gil Vicente...