Últimas indefectivações

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Cidade Desportiva das Modalidades



Foi hoje apresentado publicamente a futura Cidade das Modalidades do SL Benfica. O Rugby e o Atletismo serão dos principais beneficiados, mas todas as outras modalidades de pavilhão (ou ditas amadoras) vão beneficiar... principal os escalões de Formação, que hoje se encontram 'espalhados' por várias Escolas da região de Lisboa!

Em tese, gostaria de ver este Centro de Alto Rendimento ao lado do Caixa Futebol Campus, junto da futura Escola do Benfica, mas logisticamente não é possível. Porque a proximidade ao centro de Lisboa, principalmente às diversas Escolas e Universidades que muitos dos nossos atletas frequentam, não permitem deslocações diárias (ou bi-diárias) ao Seixal!!!

Tenho a certeza que na 'cabeça' da Direcção, estará a possibilidade de uma futura ampliação desta 'Cidade', numa 2.ª fase!!! Creio que o regresso do Ténis ao Clube, seria uma alternativa interessante para dar 'vida' a este Complexo...
Pessoalmente, existem outras modalidades que gostaria de ver no Benfica. A prioridade na minha opinião tem que ser dada às modalidades Olímpicas, e com esta espaço, tudo é possível... até o Futebol Feminino!!!

A teoria do caos

"Para superar o mau momento, será suficiente à equipa do Benfica unir-se, comprometer-se e revoltar-se?

Não está o Benfica num bom momento e não está num bom momento desde logo porque não conseguiu uma única vitória nos últimos três jogos. Para uma equipa como a do Benfica estar três jogos sem ganhar é logo um pequeno drama. Ainda por cima, e ao contrário do que acontece nalguns outros grandes clubes, no Benfica os adeptos não são muito dados a sofrer. Quando se veem a sofrer descarregam na equipa. Exigem tanto que rapidamente põem tudo em causa. O que também é dramático.
Os adeptos veem a equipa jogar menos do que gostariam e pressionam; a equipa joga menos e por isso não ganha; e como não ganha perde confiança; e como perde confiança está mais insegura mais os adeptos cobram; e quanto mais os adeptos cobram mais a equipa se fragiliza. Pode ser um 31 !

O Benfica não está a jogar bem e se não for capaz de reconhecer isso a coisa pode complicar-se ainda mais. O Benfica não ganhou qualquer dos últimos três jogos e curiosamente esteve a ganhar em todos eles. O que é preocupante. A ganhar ao CSKA e ao Boavista deixou-se derrotar por igual resultado (1-2) e a ganhar ao Braga deixou-se empatar.
Ou seja, pior do que não ter chegado à vitória foi ter estado em vantagem e acabado por desperdiça-la. Creio que é essa a principal reflexão que a equipa deve fazer.
O Benfica faz o mais difícil, que é ficar por cima no jogo em matéria de resultado; onde está então o seu cavalo de Troia? No controlo do jogo! Será essa a questão chave.
Dificilmente o Benfica não faz pelo menos um golo por jogo. Sobretudo pelo talento dos jogadores que tem e pela predisposição ofensiva do seu ADN. Ora se faz sempre, ou quase sempre, golos tem de saber controlar o jogo e o adversário de modo a não desperdiçar o que tanto lhe custa a ganhar, que é a vantagem.
O que na verdade este Benfica tem tido mais dificuldade em conseguir e mais ainda quando não tem Fejsa, porque Fejsa é verdadeiramente a bússola do meio-campo encarnado.
O que se em visto é, pois, um Benfica a defender pior e que defende com menos gente em todo o campo e que portanto se torna tacticamente mais vulnerável e frágil, um Benfica que não faz pressão alta, um Benfica que dá mais espaço, que deixa jogar com mais facilidade, e que mostra igualmente maior dificuldade mesmo quando recupera a bola porque a transição é mais lenta e, portanto, menos capaz de provocar desequilíbrios no adversário.

Escrevi-o logo após a derrota com o CSKA, mas ainda antes de perder com o Boavista e empatar, agora, com o Braga: este Benfica tem menos intensidade, ofensivamente amontoa jogadores nas zonas interiores, perde com isso profundidade, revela pouca dinâmica, os jogadores procuram menos o espaço e o seu jogo torna-se mais previsível, mais lento e muito menos criativo.
Parece que lhe falta cérebro, e mesmo quando dá ideia de querer fazer um pouco mais logo se torna mais evidente que pensa de menos. E que é menos sólido do que apesar de tudo, já conseguiu ser com Rui Vitória. Ou seja, este tetracampeão está mais fácil de dominar.
Claro que tem o Benfica tempo mais do que suficiente para reverter este cenário. Mas o tempo não chega. Tem tempo mas não se vê, por agora, como.
E é isso que preocupará os adeptos.
Há momentos no futebol em que os problemas são muito mais emocionantes do que técnicos. Mais de liderança (ou da falta dela) e de capacidade de influenciar o jogo do que propriamente tácticos. Muitas vezes são problemas de clima, de atmosfera, de harmonia. De as coisas fazerem ou não fazerem sentido. De se compreender do lado de fora determinadas opções do treinador lá dentro. Ou de se sentir de forma mais ou menos positiva aquilo de que uma equipa é ou não é capaz.
O que se passa na Luz passa também por isso, pela instabilidade que a própria equipa começou por mostrar de dentro para fora e pela menos compreensão de algumas das decisões tomadas pelos responsáveis.
Estruturalmente, na definição estratégica da época.
Conjunturalmente, nas opções do treinador.

Para agravar o problema, a defesa tem estado mais instável que nunca, Jonas joga abaixo do seu nível e está um ano mais velho, Pizzi também baixou de rendimento, Rafa não há meio de dar aproveitamento às fantásticas características que tem, Gabriel Barbosa ainda só mostrou vontade, Cervi parece condenado a continuar de fora e mesmo Zivkovic não deve conseguir perceber se é titular ou não, Salvio e Fejsa debatem-se com as lesões, Samaris continua demasiado nervoso talvez pela instabilidade da sua posição na equipa e Filipe Augusto tem em generosidade o que lhe falta em criatividade e dimensão para construir e responder às exigências de uma equipa de grande dimensão.
No jogo de quarta-feira, com o Braga, Filipe Augusto pode mesmo ter cometido o pecado capital de se deixar levar, de algum modo, pela ideia de confrontar uma plateia que o assobiava. Não foi responder aos adeptos com aplausos que lhe ficou mal; mal ficou-lhe ter demorado tanto a sair do campo no momento da substituição, como se estivesse a ganhar. E não estava.
E os adeptos ainda reagiram pior. O que é normal.

É neste clima de relativa desconfiança (os adeptos na equipa e a equipa nela própria) que o Benfica enfrenta uma semana, no mínimo, chata. Para não dizer outra coisa. Paços de Ferreira na Luz, Basileia na Suiça e Marítimo no Funchal, três jogos em nove dias para definir o ciclo e medir a tensão.
Ou ganha e, como sempre, afasta as nuvens, ou não ganha e, também como sempre, o caso tenderá a ficar bastante mais sério. E mais difícil de resolver. E mentalmente mais contaminada a equipa ficará.
Qual é o remédio? Ganhar!
Mas será suficiente a equipa unir-se, comprometer-se e revoltar-se, como já fez com Rui Vitória na Luz?
Desta vez, é difícil imaginar que chegue.
A não ser que um qualquer pequeno imprevisto traga consequências fantásticas para a equipa. O designado fenómeno caótico ou casual, como está definido na... teoria do caos!
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

Projecto e processo

"O futebol do Benfica está oficialmente em crise. Três jogos sem vencer do tetracampeão nacional sublinharam os sinais dos primeiros encontros. Há muitas formas de se tirar a radiografia da crise mais, em minha opinião, os maus resultados conjunturais dos encarnados devem-se a um dilema estrutural. Luís Filipe Vieira anunciou há um par de anos que a formação seria a principal aposta do clube e o acento tónico seria colocado na redução do serviço da dívida. Alterou-se o paradigma,saiu Jorge Jesus, entrou Rui Vitória e os resultados positivos continuaram. Vitória aproveitou desportivamente jogadores saídos das camadas jovens e da equipa B ou que por lá tinham passado como Ederson, Nélson Semedo, Lindelof, Renato Sanches e Gonçalo Guedes e Vieira aproveitou-os financeiramente. Entraram muitos milhões, saiu imensa qualidade. Após a apresentação do relatório e contas de 2016/17, o homem forte das finanças, Domingos Soares de Oliveira, reafirmou que o caminho da redução era irreversível. Mas o Benfica, pela sua grandeza e pelo historial recente, está obrigado ganhar. Ou, pelo menos, a lutar por isso. No entanto, nem todos os ciclos geracionais da formação são iguais. Em palavras mais simples, nem sempre saem das camadas jovens muitos jogadores de qualidade em simultâneo. E é preciso saber prever isso. Pelo menos, tentar. Quando os milhões não são assim tantos, é preciso scouting, ou em terminologia mais antiga, prospecção. Para já, parece que falhou e sem recurso ao mercado não parece que a equipa melhore. E o dilema é que, mesmo estando bem balizado o objectivo de redução de dívida, o Benfica nunca pode assumir baixar as armas.
No entanto, também é preciso dizer que mesmo não dispondo de tanta qualidade como em anos anteriores, exigia-se mais ao Benfica sobretudo ao nível do - palavra muito em voga - processo. Ou seja, no futebol exibido. E aí não há dilema, o réu é Rui Vitória."

Hugo Forte, in A Bola

À mesa do café

"«Então não é que o presidente (...) anda com a mania que é o dono disto tudo (...), tipo aquele gajo da Coreia?», exclamou o Luís...

Estava uma manhã soalheira se bem que um pouco fresca como normalmente acontece à chegada do Outono. Luís Azevedo, reformado há um par de anos, lá fazia o trajecto habitual em direcção ao café de bairro, acompanhado do jornal da manhã, momentos antes comprado no quiosque da rua que o havia visto nascer. «Bom dia, Sr. Azevedo», saudou o Jaime, dono do estabelecimento, quando o viu entrar. «Bom dia, amigo. O garoto do costume, por favor!», pediu, dirigindo-se, de imediato, para a mesa onde o aguardava o vizinho e amigo Bruno Vieira, seu fiel companheiro de sueca. «Bom dia, Bruno», cumprimentou. «Olá, Luís, como vais?», respondeu o amigo, apertando-lhe a mão. «Eh pá, nada bem e ainda bem que te encontro, pois temos de fazer qualquer coisa pela sociedade já que as coisas estão a atingir o limite», exclamou o Luís com um ar um tanto ou quanto agastado. «Mas, afinal, o que é que se passa?», perguntou Bruno. «Desculpa lá, Bruno, mas andas distraído. Então não é que o presidente da colectividade anda com a mania de que é o DDT, isto é, o dono disto tudo, do género quero, posso e mando, tipo aquele gajo da Coreia? Tem lá paciência, por amor da Santa! É verdade que o elegemos e lhe demos um voto de confiança. Mas a nossa sociedade, com mais de 100 anos de história, pertence a todos nós, não é coutada de ninguém. O homem não pode fazer o que bem quer», exclamou Luís, com ar aborrecido, ao mesmo tempo que mexia o garoto. «Vê lá tu, Bruno, que no último jogo, mandou anunciar aos altifalantes do campo que uma das sobrinhas ia casar no próximo Domingo e que a outra tinha tido uma criança. Como se não bastasse, ouvi dizer que se prepara para gravar uma entrevista, a ser passada no intervalo do próximo jogo em casa, com graçolas de mau gosto». «Estás a brincar?», questionou Bruno com ar surpreendido. «Ouve: quem me contou foi o Rebelo, o director de campo que ouviu da boca daquele gajo que trata das rifas e da folha da publicidade e que ainda ganha umas coroas para fazer tudo o que o Presidente manda», explicou o Luís, desta feita, em tom mais baixo. «Deixa lá isso, amigo. Vamos é a Alvalade comprar os bilhetinhos para os jogos com o Porto e Barcelona. Este ano é nosso! A seguir tratamos da sociedade». Momentos depois, os dois amigos, em passo calmo e seguro, apanhavam o autocarro para o estádio."

Abrantes Mendes, in A Bola

Erro alheio

"Já aqui escrevi, volto ao tema, porque merece atenção, e é decisivo para a evolução do jogo. Todos os agentes cometem erros durante o jogo. Mais ou menos graves, mas todos erram. Sejam jogadores, treinadores, árbitros e também dirigentes. O maior problema não é o erro, é a dimensão do mesmo e a forma como se consegue vencer essa adversidade. Tentar tapar o sol com uma peneira não resolve nenhum problema. A gravidade pode ser maior ou menor, a penalização também, mas a grande verdade é que os erros não vão deixar de acontecer. Os nossos e os de terceiros, sejam de companheiros, adversários ou dos elementos neutros na partida.
O que se tem passado nestes últimas semanas reflecte bem a nossa realidade. Se existem erros visíveis e reconhecidos, sejam de análise, técnicos, tácticos, ou de qualquer outra natureza, deve-se assumir uma posição clara por forma a não criar um clima de desconfiança entre os intervenientes no jogo. A descredibilização de qualquer dos agentes em nada ajuda a criar um clima positivo em redor da competição. Todos somos penalizados pelo erro alheio. Um jogador não concretiza uma grande penalidade e toda a equipa é penalizada, o treinador prepara mal o jogo e o mesmo acontece, o VAR não intervém e a equipa de arbitragem falha, os dirigentes criam conflitos para satisfazerem os seus adeptos, e por aí fora. Estamos num jogo de equipa e temos que saber viver com o erro. Contudo, essas falhas têm dimensão diferente consoante o momento do jogo ou a zona onde acontecem. Há erros e erros graves.
Uma das formas de minimizar o erro é claramente o auxílio das tecnologias de ponta. Claro que os custos são elevados, mas não me parece que haja alternativa. Pode-se estabelecer em quadro competitivo diferente, em que os play-off finais diluam os erros da primeira fase. Mas para isso tínhamos que estar mais avançados. De momento, nem com os direitos televisivos chegamos a bom porto, quanto mais com uma competição diferente."

José Couceiro, in A Bola

Gomes e o fim da apologia do ódio

"Fernando Gomes, presidente da FPF, vice-presidente da UEFA e membro da Comissão Executiva da FIFA, tomou posição pública sobre o estado a que chegou o futebol português. Em primeiro lugar, louve-se a coragem de Fernando Gomes, que podia refugiar-se na sua zona de conforto e deixar correr o marfim. Porém, não foi isso que decidiu fazer, apontou os responsáveis dentro do universo dos dirigentes portugueses e disponibilizou-se para fazer parte de uma solução que urge implementar.
Merece destaque o que disse em relação aos clubes, «deixem de permitir que os seus símbolos, a sua história e a sua força sejam capturados para a apologia do ódio»; o que afirmou quanto às críticas à arbitragem, «essas críticas, que muitas vezes são inspiradas em dirigentes com as mais altas responsabilidades, potenciam o ódio e a violência. São, quase sempre, uma forma de tentar esconder insucesso próprios, além de constituírem actos de cobardia»; e o que apontou aos poderes públicos, «o Estado não pode ignorar estes sinais de alarme: a arbitragem sob ameaça e constante crítica; a violência entre os adeptos; o ódio entre clubes, espalhado por redes sociais e órgãos de comunicação social».
Depois de Fernando Gomes afirmar que «existem sinais de alarme no futebol português», aguardam-se com expectativa as reacções da Liga de Clubes e do Governo, ambos desafiados para se empenharem com outro vigor numa solução que ponha fim a este estado de indignidade. Também seria interessante ouvir o que têm a dizer aqueles que «têm deixado que os seus símbolos e a sua história sejam capturados para a apologia do ódio»."

José Manuel Delgado, in A Bola

Um apelo que se saúda

"Perante tudo aquilo a que se assiste, com diversos crimes a serem praticados com todo o à-vontade na praça pública, desde ameaças, coações e difamações constantes a agentes desportivos, passando pelo furto e pela divulgação pública de pretensa correspondência privada, com campanhas negras de calúnias e insinuações, e face à inércia com que as mais diferentes entidades e autoridades têm assistido a tudo isto, há muito que era expectável uma tomada de posição do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol sobre o ambiente que se vive no futebol português. Espera-se é que esta posição seja consequente e produza resultados concretos.
A defesa do futuro do futebol português, da sua indústria e de uma sã convivência entre clubes exige que as entidades jurisdicionais aos mais diferentes níveis actuem com a devida celeridade.
O Sport Lisboa e Benfica não faz alianças negativas contra ninguém e respeita todos os outros clubes por igual, afinal nossos adversários desportivos que são também parceiros em mais de um século de história de promoção do desporto e projecção do bom-nome de Portugal."

É tempo de responder aos sinais de alarme

"É necessário que os clubes deixem de permitir que a sua história e a sua força sejam capturadas para a apologia do ódio.

O mais importante não são os cargos, mas o que fazemos com eles. A minha recente nomeação para a Comissão Executiva da FIFA, como a vice-presidência da UEFA, é uma oportunidade de Portugal participar na definição de políticas e nas decisões das instâncias do futebol internacional.
Nos últimos anos assistimos a diversas alterações nas principais competições de clubes e selecções, os valores com direitos televisivos e comerciais nunca foram tão elevados e o mercado de transferências movimenta hoje montantes que seriam inimagináveis há poucos anos.
Os desafios que o futebol enfrenta são enormes.
No caso específico da FIFA, trata-se de uma organização que enfrentou um período negro do qual só nos últimos meses começou a sair.
A presença em cargos nas instâncias internacionais é resultado do trabalho que tem sido desenvolvido por toda a equipa federativa, com o apoio dos sócios da Federação Portuguesa de Futebol.
Se na FIFA e UEFA os desafios são enormes, na FPF não são menores.
Há muito para fazer no futebol português.
O ecossistema económico do futebol mundial está a mudar muito depressa e isso levanta desafios enormes aos clubes portugueses, nomeadamente aos que participam nas provas europeias, com repercussões nas nossas competições profissionais. Tenho tido oportunidade de conversar com todos eles sobre estes temas.
Neste contexto, é muito relevante que Portugal consiga ter uma Liga forte.
Para que tal seja possível é necessário que os clubes saibam encontrar pontes de diálogo naquilo que os une – e na minha opinião é muito! – e, de uma vez por todas, deixem de permitir que os seus símbolos, a sua história e a sua força sejam capturados para a apologia do ódio.
Tal como já tive oportunidade de afirmar em diversas ocasiões, o clima que se vive no futebol profissional português é inimigo do crescimento e da afirmação da indústria, quer no plano nacional quer internacionalmente.
É também um péssimo exemplo para os mais jovens e um fenómeno que contribui para afastar o adepto, dos estádios e mesmo da modalidade. E sem adeptos, ‘sem consumidores’, bem se sabe como fica comprometida qualquer evolução positiva de uma indústria, de um ‘negócio’.
Acompanho com particular preocupação o que se passa em dois sectores: a arbitragem e os adeptos. 
O constante tom de crítica em relação à arbitragem é inaceitável e impróprio de um país civilizado e com espírito desportivo.
Estas críticas, que muitas vezes são inspiradas em dirigentes com as mais altas responsabilidades, potenciam o ódio e a violência. São, quase sempre, uma forma de tentar esconder insucessos próprios, além de constituírem actos de cobardia.
Esta época, a exemplo do que sucedeu em outras, já houve acções condenáveis que tiveram como alvo os árbitros e que os afectaram a eles e às suas famílias.
Neste contexto, não me surpreenderia se Conselho de Arbitragem e árbitros reflectissem profundamente sobre as reais condições que existem, em Portugal, para quem tem a tarefa de dirigir jogos nas competições profissionais.
Que ninguém tenha dúvidas sobre a minha posição: toda a minha força está com os que, diariamente, são obrigados a lidar com insultos, ameaças, insinuações e entraves à tranquilidade que o desempenho das suas funções exige. Nomeadamente os que se expõem na arbitragem e na disciplina, pilares fundamentais deste desporto que amamos.
O clima de ódio tem tido reflexo também entre os adeptos.
Basta olhar semanalmente para o registo disciplinar nas competições profissionais e para as notícias que relatam incidentes – alguns infelizmente com gravidade – entre adeptos de diferentes clubes.
É com profundo lamento que o escrevo: existem sinais de alarme no futebol português.
Os clubes profissionais não podem ignorar estes sinais de alarme.
O Estado não pode ignorar estes sinais de alarme: a arbitragem sob ameaça e constante crítica; a violência entre adeptos; o ódio entre clubes, espalhado por redes sociais e órgãos de comunicação social.
E também o desrespeito de muitos pelas regras que eles próprios aprovaram em Assembleia Geral da Liga.
É uma mistura potencialmente explosiva. Temos de conseguir parar antes que seja tarde de mais.
Em Maio de 2016, quando me candidatei ao segundo mandato na FPF, anunciei que me bateria por uma nova lei que punisse de forma mais pesada e efectiva a corrupção desportiva. Após trabalho conjunto e produtivo com a Unidade Nacional de Combate à Corrupção, da Direcção Nacional da Polícia Judiciária, a nova lei foi discutida na Assembleia da República e aprovada pelos partidos.
A acusação de 27 pessoas no chamado ‘Jogo Duplo’ mostrou que existem instrumentos para investigar e acusar.
O Estado, o Governo, a Assembleia da República, os diferentes responsáveis institucionais devem envolver-se cada vez mais neste objectivo colectivo de combater de forma efectiva as ameaças ao futebol, nas suas diversas vertentes.
A FPF está disponível para colaborar com o Estado em todas estas frentes, nomeadamente na revisão das competências do Conselho Nacional do Desporto, um órgão que poderá desempenhar papel fulcral.
A Federação está a fazer a sua parte e estará sempre do lado das soluções construtivas e pacificadoras.
Ninguém pode ficar de fora desta responsabilidade."

Fernando Gomes, Presidente da Federação de Futebol de Portugal

Futebol nacional reforça prestígio com Fernando Gomes na FIFA

"A nomeação do Presidente da FPF, para o Comité Executivo da FIFA e indigitação para ser eleito Vice-Presidente, no próximo Congresso Extraordinário, da entidade que tutela o futebol a nível mundial, além do prestígio e mérito pessoal pelo desempenho e eficácia do modelo de gestão pode servir também como alavanca para desenvolvimento e reconhecimento do universo do nosso futebol e do próprio país.
De facto, a nível das Selecções nacionais, a FPF é um caso de estudo de sucesso a nível geral: das selecções jovens à selecção “A” do futebol masculino, ao excelente trabalho realizado nas selecções femininas e ainda a enorme qualidade das selecções de futsal e do futebol de praia (em 14.09.2017, Portugal ocupou lugar no pódio do ranking da FIFA, para selecções de futebol).
Foi essa liderança que alcançou.
Muitos parabéns Presidente por tão importante distinção.
Nova fase deverá ocorrer no nosso futebol, após as próximas eleições federativas.
Fernando Gomes passará certamente a integrar “outro campeonato”, em exclusividade absoluta e progressiva.
A impossibilidade de imitação é um dado adquirido.
Cada liderança, mantendo a coerência e sabendo integrar a herança recebida, terá de procurar encontrar o seu próprio caminho para preservar o património obtido.
Ao trabalho das selecções, o futuro líder do executivo da FPF deverá ambicionar também repetir os êxitos financeiro e do modelo de gestão, mas também procurar ir mais além, envolvendo e unindo nas divergências para uma mais ampla responsabilização, derrotando problemas e sinais do nosso tempo, bem urgentes:
- A conflitualidade, a violência que invade o futebol nos estádios e fora deles, vandalismo, lutas, intolerância, ilegalidades envolvendo grupos de adeptos, fundamentalismos, clima de guerra e declarações “incendiárias” e nefastas, decisões questionáveis, em relação à uniformidade dos critérios, dos órgãos de disciplina e de justiça, que a não serem resolvidas com eficácia se podem tornar um adversário perigoso e destrutivo.
Protagonismos autoritários, egoístas, nunca trazem benefícios, antes desunião e lutas permanentes onde o bom senso e a sabedoria, lamentavelmente, ficam fora-de-jogo.
Por isso, a grande importância das próximas eleições para a FPF.
Não se pode falhar na escolha do “melhor plantel” para servir o futebol! Há tempo suficiente para conseguir evitar aventureirismos de grande risco.
O diagnóstico está feito e o Presidente da FPF tornou públicas algumas prioridades: “É necessário que os clubes deixem de permitir que a sua história e a sua força sejam capturadas para a apologia do ódio”; “É com profundo lamento que o escrevo: existem sinais de alarme no futebol português”; “Ninguém pode ficar de fora desta responsabilidade.” (Fernando Gomes, “É tempo de responder aos sinais de alarme”, in A Bola/22.09.2017)
Agora o mais importante e urgente é construir a terapia adequada e competente, caso contrário desperdiça-se o diagnóstico, a reflexão e as medidas eventualmente indispensáveis perdem validade, pois como também foi escrito nesse artigo: “Há muito para fazer no futebol português”. Mesmo muito!
Com uma visão integrada, global e estruturada, podem alcançar-se os lugares cimeiros em todas as áreas.
Temos treinadores, jogadores, dirigentes, directores desportivos e membros nas comissões da UEFA e da FIFA, espalhados pelo mundo que merecem a admiração que lhes é reconhecida e que prestigiam o futebol nacional (O mítico “Quinto Império”, indestrutível e liderado por Portugal, como previram Bandarra, Padre António Vieira e Fernando Pessoa, que se afirma como possibilidade, num desporto onde a língua portuguesa é sinal de talento e de genialidade).
O futebol português, unido nos objectivos e nas estratégias, optimizando quadros competitivos, apoiando todos os clubes, potenciando a formação dos jovens jogadores e dos diversos agentes do futebol com novo modelo evolutivo ajustado às nossas realidades e metas a perseguir, tem todas as condições para se tornar e manter um exemplo à escala planetária. Importa manter o rumo seguro, convencer nas diferenças, valorizar o contraditório coerente e fazer o que Fernando Gomes exclamou no momento em que foi nomeado para o Comité Executivo da FIFA:
“Procurarei de forma construtiva continuar a focar-me nos resultados das tarefas que me são confiadas com sentido de missão”.
O sentido de missão deverá ser um referencial imprescindível para o nosso futebol e um exemplo para o desenvolvimento do país.
Sem isso, seria preferível nem entrar nas equipas do jogo fantástico que a todos nos seduz."

O momento da águia

"Bastou um ciclo de três jogos consecutivos sem ganhar para soarem os alarmes de uma "crise" na Luz. Parece prematuro apelidar assim o momento das águias, até porque a "procissão ainda vai no adro" e a equipa poderia perfeitamente ter vencido qualquer uma dessas três partidas em causa, já que esteve em vantagem em todas. No entanto, há sinais que podem ajudar a explicar esta série de resultados menos positivos.
Uma nova corrente de lesões, a exemplo do que aconteceu no ano passado, não tem permitido ao treinador Rui Vitória estabilizar uma equipa base. Se na época anterior, o problema foi bem resolvido face à riqueza de soluções, a verdade é que este ano o plantel, embora continue a ter muitos recursos de qualidade, não dá cobertura em determinadas posições.
A ausência de Fejsa acaba por ser a mais difícil de colmatar. As águias acabam por jogar de outra forma ao recorrer outros jogadores sem as características do sérvio para a posição 6. Esta situação pesa também no rendimento de Pizzi, que necessita de ter nas costas um elemento forte na recuperação e na primeira fase de construção, para ser mais influente em zonas avançadas.
Por seu lado, a equipa de Rui Vitória tem sofrido vários golos de bola parada, sobretudo em cantos. Um indicador de que o trabalho defensivo necessita ser limado no sector que mais saídas sofreu neste mercado de transferências. E é na defesa que estarão as principais dores de cabeça. Na baliza, falta perceber se Júlio César está em condições físicas para assumir o lugar. Seria a opção mais óbvia. Até lá, a escolha tem recaído em Bruno Varela, um jovem com qualidade, mas ainda sem a experiência de grande clube, a necessitar de ganhar rotinas e jogos nas pernas. O belga Mile Svilar, ainda mais novo, é igualmente uma aposta que exige tempo.
Nas laterais, a opção por André Almeida dá garantias defensivas, mas menos profundidade à faixa direita. Grimaldo compensa do lado esquerdo, mas nem sempre tem estado a 100% para poder jogar. Já para o centro não chegou ninguém e as opções têm sido limitadas. A aposta em Rúben Dias, jovem da formação, pode dar frutos, mas levará tempo a afinar.
Face às vendas que realizou, o Benfica tinha duas opções: investir em atletas experientes que pudessem dar retorno desportivo imediato ou apostar em jovens com potencial de valorização e recorrer aos recursos já existentes no plantel. O planeamento da equipa seguiu a segunda via, e isso implica todo um trabalho de preparação e maturação das dinâmicas de jogo da equipa.
Relativamente ao ataque, onde Jonas é a grande referência, surgem dúvidas quanto à capacidade física do avançado de 33 anos para dar resposta ao exigente calendário que a equipa terá de cumprir. Em paralelo, a saída de Mitroglou acaba por privar o Benfica de um homem de área com as suas características, mais posicional e pressionante. O grego sempre foi importante nos jogos mais difíceis, pela sua disponibilidade física e capacidade de desbloquear jogos. As opções existentes oferecem mais mobilidade, mas as águias perderam uma peça importante em jogos que pedem uma abordagem mais "combativa".
Várias leituras podem ser tiradas desta fase menos positiva. É um facto que já se vinha a notar uma menor exuberância das águias, mas tudo pode mudar de um momento para o outro. E a equipa terá de ir crescendo ao longo da temporada. Um pouco a exemplo do que acontece com os técnicos de FC Porto e Sporting, Rui Vitória terá o desafio de tornar os jogadores melhores do que eram e fazer o coletivo ser ainda mais forte.

O Craque – A reabilitação de Marega
O futebol é feito de heróis improváveis. De provável candidato à dispensa a titular do FC Porto, Marega é a prova de não há impossíveis na modalidade. Sérgio Conceição está a conseguir potenciar os seus maiores atributos (força, velocidade e capacidade de finalização), em prol da equipa e a trabalhar as deficiências técnicas (já se notam melhorias na recepção, no passe e no posicionamento táctico). O trabalho, a persistência e a própria superação produzem efeitos e o maliano é hoje um jogador útil para a equipa, a jogar nas alas ou no centro do ataque.

A Jogada – Bom arranque do Marítimo
Boa organização defensiva, competência e eficácia na frente colocam o Marítimo no 3.º lugar da liga com 5 vitórias em 6 jogos. A equipa madeirense venceu até ao momento os 4 jogos em casa e trouxe igualmente uma vitória de Portimão. Daniel Ramos comanda neste momento a segunda melhor defesa do campeonato e o seu trabalho está a mostrar que o ano anterior não foi obra do acaso. O Marítimo assume-se como candidato a um lugar europeu e esta semana visita um concorrente com as mesmas aspirações: o V. Guimarães. Um jogo que promete.

A Dúvida – Qualidade dos relvados
O estado dos relvados dos estádios de futebol portugueses pode parece um assunto de menor importância, mas deve merecer a maior das atenções. Em primeiro lugar, deve-se assegurar que os campos ofereçam a máxima segurança a todos os intervenientes no espectáculo, evitando o surgimento de lesões. As boas condições do relvado permitem também uma maior qualidade de jogo das equipas e o produto, enquanto conteúdo televisivo, também ganha valor. Esta época já tivemos jogos com relvados em más condições. Não teria sido prudente alterar o local dessas partidas?"

Benfiquismo (DCIV)

Campeões Ibéricos !!!

Aquecimento... Finanças & Bola !!!

Conversas à Benfica 20

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Deu para passar...

Benfica 67 - 62 Kapfenberg Bulls
21-22, 12-14, 16-11, 18-15

Percentagem muito baixa no lançamento... mas valeu a defesa e alguma incapacidade do adversário. 
Depois de termos perdido a vantagem de 20 pontos no jogo de Terça, estava com algum receio para este jogo!!! E a forma como decorreu a partida, provou as minhas reticências: tivemos quase sempre a perder... e só no início do 4.º período alcançamos uma vantagem segura!!! Com o velhinho Andrade a ser decisivo...!!!

Na próxima eliminatória com os Búlgaros do Lukoil vamos ter que jogar muito melhor! Com a entrada do Carlos Morais na rotação, em teoria vamos melhorar...!!!

As boas contas e o bom senso

"O Benfica respondeu às críticas sobre o actual momento da sua equipa profissional de futebol com um resultado grandioso das contas da SAD na época de 2016/17.
O activo passou os 50 milhões de euros, o passivo foi reduzido em quase 4 por cento, os rendimentos totais superaram os 250 milhões de euros e o resultado líquido atingiu os 44,5 milhões, mais de o dobro da época anterior que, por sua vez, já tinha sido mais de o dobro da época de 2014/15.
Com estes resultados, o Benfica responde a todos, utilizando até o seu Twitter oficial para a imprensa para responder também directamente ao FC Porto lembrando que o rival «está intervencionado pela UEFA» devido ao seu «descalabro financeiro».
Há, no entanto, uma questão essencial: o Benfica só conseguiu estes excelentes resultados desportivos, que lhe permitiram projectar internacionalmente os seus jogadores no único palco que conta para a sua valorização: a Champions.
Diz Domingos Soares de Oliveira, sem dúvida um dos mais decisivos arquitectos da solidez do actual edifício financeiro da SAD do Benfica, que existe um plano estratégico definido para 10 anos e do qual o Benfica não se afastará.
Entende-se o argumento que, aliás, é louvável. Porém, os planos estratégicos no futebol devem ter alguma flexibilidade e, como em tudo na vida, contar com o bom senso. Assim, se numa determinada época, o Benfica não tem jovens jogadores na sua formação capazes de resolver o imediato, há que ser competente no mercado para comprar bem, ganhar, valorizar, mostrar e, depois, vender melhor."

Vítor Serpa, in A Bola

Raúl Jiménez: 'Fuerza México'

"A 25 de Agosto de 2014 vi o Raúl ser substituído aos 60 minutos por Diego Simeone em Vallecas. À época até pagaria o bilhete só para ver aquele futebol lírico do Rayo de Paco Jémez, onde até aos nossos bem conhecidos Zé Castro e Abdoulaye Ba, centrais de posição, eram permitas as maiores habilidades. Não havia maior contraste para futebol 'con ganas de triunfar' do Atlético e, em silêncio (ofício oblige), dei por mim a vibrar com cada perda de bola do mexicano que, admito, nunca havia observado anteriormente e de quem apenas tinha ouvido falar pelas excelentes estatísticas que trazia do América e da selecção mexicana.
Assim que levantaram a placa que ordenava a saída do camisola 11 logo me segredou perentório o meu colega de bancada "No me gusta". Antigo responsável pelo recrutamento para a academia do Atlético Madrid, agora a trabalhar para um clube da Premier League, para ele o diagnóstico estava feito e assumido: o reforço rojiblanco para La Liga 14/15 era um "tonto".
Da mesma forma que verifiquei a excessiva facilidade com que sistematicamente perdia a posse da bola, fruto de um processo de decisão ainda demasiado ingénuo para o futebol europeu, não deixei de ficar extremamente interessado pela coragem, a disponibilidade, a dinâmica fluida, com dimensões atléticas e técnicas já bastante evoluídas, que Raúl Jiménez imprimia a todas as iniciativas com bola ou pela posse da bola.
Eu trabalhava então para um gigante adormecido do futebol alemão, atolado na 2.ª Bundesliga, fruto dos devaneios de grandeza de dirigentes e empresários. A árvore das patacas tinha sido seca pelas comissões, ordenados e prémios de assinatura de 'falling stars' como Maniche. A minha única esperança de um dia vir a recrutar um jogador do vencedor da Liga Europa era esperar por aqueles que mais tarde ou mais cedo vão parar ao caixote dos 'dispensáveis'. Percebi naquele dia, no dia da estreia do mexicano na liga espanhola, que Raúl Jiménez tinha tudo para se dar mal tanto com a 'afición' do Atlético como com Diego Simeone. Como tal, o meu interesse no jogador aumentou exponencialmente! Tinha entrado no meu radar e daqui nunca mais saiu, até pela demora em afirmar-se como titular no Benfica de Rui Vitória.
Foi pois com sentimentos mistos que o vi chegar ao Benfica, para mais pelas verbas envolvidas. Se por um lado teria agora oportunidade de acompanhar este jogador bem mais de perto, por outro, o investimento realizado na sua aquisição obrigava, quase que necessariamente, a uma aposta consistente na sua utilização e assim sendo, novamente, um titular de uma grande equipa como o Benfica dificilmente estaria ao alcance de um grande clube alemão em fase de recuperação financeira e desportiva, mesmo que entretanto já tivesse alcançado a promoção para a 1.ª Bundesliga.
Tal como em Madrid, embora com contornos diversos, Raúl tem tido grandes dificuldades em convencer o Estádio da Luz. Caucionado pelo engenho de marcar em momentos decisivos para a sua equipa e não raras vezes com indiscutível nota artística, mesmo assim será difícil encontrar adepto encarnado que o prefira ao pistoleiro Jonas, ou mesmo ao recém chegado Seferovic.
O mexicano não tem tido vida fácil desde que trocou de continente, mas quer parecer-me que esta situação terá tanto por culpa própria quanto pela incompreensão alheia. Ou será que é congénita a dificuldade que alguns craques têm em encaixar o seu 'futebol natural' em campeonatos onde a cientificidade (generosamente chamemos-lhe assim...) defensiva se sobrepõe ao primado do golo e do 'espectáculo desportivo'?
Mas isto também pode explicar o porquê de Rui Vitória querer ter no banco uma arma deste calibre... 
Raúl Jiménez nasceu para ser um grande avançado. É o jogador que se ama e que se odeia. É o jogador que traz gente aos estádios porque traz imprevisibilidade ao jogo.
Está tudo lá. A paixão pelo jogo e a sede pela vitória acompanhadas por um biótipo perfeito e uma técnica sempre disponível para qualquer forma de finalização. Se os avançados fossem desenhados num estirador, Raúl Jiménez seria o esboço para qualquer um. É certo que cada jogador tem o seu ritmo de maturação, mas também é verdade que num futebol cada vez mais impaciente e exigente com a juventude, certas decisões no jogo, alguma falta de rasgo nas movimentações sem bola, aos 26 anos já começam a pesar como cadastro. Parece que o jogador ainda não é tudo aquilo que podia ter sido. Mas o que o impede de ser?
Numa equipa a pisar o risco da crise desportiva, que sucessivamente joga 'a diesel' sem conseguir passar da quarta, a 'fuerza' do mexicano é exactamente do que Rui Vitória pode estar a precisar desde o apito inicial.
A verdade é que ao contrário de muitos outros avançados que necessitam de ter todo o carinho e de algum vento de bolina para ganharem a confiança que caracteriza um matador, deste mexicano podemos esperar sempre tudo. Sem muitos minutos de jogo, ele marca muito e marca bem, da mesma forma como por vezes parece jogar pouco e jogar mal.
No futebol por vezes quando se quer evitar um terramoto e preciso dar um abalo e a mudança de estatuto no seio de um plantel pode ser exatamente do que este Benfica necessita para sair da letargia. 
A minha sugestão é esta: Raúl Jiménez e mais dez e podemos conversar antes mesmo do Natal. 
'Fuerza Mexico'"

Patinhos feios

"O futebol está cheio de casos de jogadores que se tornaram indesejados pelos seus próprios adeptos e que nunca mais conseguiram alterar essa cruel relação com a bancada. Ninguém sabe explicar porquê, mas André Gomes foi rejeitado pelo Camp Nou desde a primeira hora. Pode ter sido pelo preço alto que o Barcelona pagou por ele. Ou talvez por ter chegado à Catalunha pela mão de Jorge Mendes. Ou, simplesmente, porque o estilo não agrada à plateia. Há uns anos, no Estádio da Luz, Ademir Alcântara não conseguia tocar na bola sem ser assobiado. Era um talento fora do comum, mas – para os benfiquistas – tudo o que fazia estava errado. Se rematava, devia passar. Se passava, devia rematar.
Ainda na época passada, no final de um jogo em Alvalade, Jorge Jesus saiu em defesa de um jogador perseguido pelos assobios. "Não gosto que os adeptos escolham patinhos feios." A vítima, nesse caso, era Markovic. Filipe Augusto não tem – nem de longe nem de perto – o talento de artistas como André Gomes, Ademir Alcântara ou Markovic. E se esses não conseguiram dar a volta à situação (André ainda está a tentar…), imagine-se bem o que não terá de fazer o médio de Rui Vitória para convencer o tribunal da Luz. Ninguém merece aquilo que Filipe Augusto viveu ontem no momento em que foi substituído. Mas é essa a dura realidade."

Alvorada... do Martins

Benfiquismo (DCIII)

Grandes...

As Regras dos Jogos... Política!!!

Estavam-se nas tintas para a Lei da Gravidade

"Oldemário Touguinhó foi, segundo dizem os brasileiros, o maior especialista em Pelé de todos os tempos. Eis uma especialidade engraçada.
É importante que os jornalistas falem de jornalistas. Dos jornalistas do grande jornalismo, como está bem de ver. Os que escrevem com o objectivo de esclarecer e de ser úteis, como dizia Alfredo Farinha, também ele um dos grandes.
Touguinhó não morreu antes de ter estado presente em dez campeonatos do mundo de futebol. Escrevia sobre Pelé e escrevia sobre todos os artistas que o fascinavam, mesmo que não fossem Arantes do Nascimento.
Gostava particularmente de Nijinski, o bailarino: Vaslav Nijinski. Tal como Pelé, Nijinski era um dos mais terríveis inimigos da Lei da Gravidade. Um e outro, pode dizer-se sem medo, faziam questão de desmentir Newton. Ambos subiam ao céu e não se sentiam na obrigação de descer. Que se lixasse essa coisa da matéria atrair matéria na razão directa das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. De certa forma, amaldiçoavam a maçã.
Touguinhó interessou-se pela personalidade de Nijinski a tal ponto que consultou os registos de um psiquiatra de Zurique que observou o bailarino por mais de uma vez. Descobriu um relatório. Dizia: «Confusão mental de natureza esquizofrénica, acompanhada de excitação maníaca. Colapso na associação de ideias, aliado a um enfraquecimento dos afectos». Diagnóstico: «Incapaz, impotente para a arte».
Nijinski fez com o doutor de Zurique o mesmo que fazia com Newton: estava-se bem nas tintas para o que diziam. E, portanto, voava.
Touguinhó, como todos os bons cronistas brasileiros, escrevia num português esplêndido: «Força e beleza! Rapidez e precisão. A elasticidade e a firmeza no gesto de bailarino. O corpo que gira noventa graus, mantendo o equilíbrio difícil sobre o pé esquerdo, enquanto o braço avança no ar como se impusesse uma direcção. O olhar que acompanha criticamente o movimento, e a boca que se abre, finalmente, num sorriso discreto pelo objectivo alcançado».
Nijinski? Não. Pelé.
Pelé viu o pai, seu Dondinho, chorar pela primeira vez quando tinha 9 anos. Foi em 1950. O Brasil perdera a final do Marcanã para o Uruguai.
«A nossa Hiroxima», exagerou Nelson Rodrigues naquele seu exagero inimitável.
«Não se preocupe, pai. Não chore, não. Quando eu crescer vou ganhar uma Copa do Mundo para você», disse Pelé. Ou talvez não tenha dito. Nesta coisas dos mitos há a realidade e a lenda que lhe fica por cima. Deixemos que a lenda ocupe o espaço que lhe é devido.
Oito anos depois, Pelé foi campeão do mundo com o Brasil e só tinha 17 anos.
Aposto que seu Dondinho chorou outra vez, mas não consigo prová-lo. 
Nijinski morreu em 1950.
Talvez por causa da sua esquizofrenia, insistia em chocar o público com insinuações sexuais nos seus bailados. Era o artista impossível desafiando a arte. Excitação maníaca...
Oldemário Touguinhó viajou por toda a infância de Pelé, levantando as pedras da memória daqueles que o conheceram desde garoto em Três Corações.
Um dia encontrou Waldemar de Brito, que foi treinador de Pelé quando o rapazinho tinha 14 anos. Ele contou-lhe a história de um golo de calcanhar marcado pelo menino. E que ficara desagradado com a sua insolência. Perguntou-lhe: «Por que não se virou para a baliza para chutar?».
Pelé respondeu: «Não foi preciso. Olhei para a nossa baliza e calculei onde estaria a deles. Fácil».
Por seu lado, o professor Marcos Duarte, resolveu estudar a forma perfeita como Pelé se deitava no ar para chutar a bola por sobre a própria cabeça. Publicou um estudo científico: ‘Biomecânica de um Chute de Bicicleta de Pelé’. Mais uma vez negava Newton.
Enrico Cechetti foi outro dos que desafiava a gravidade com o desplante de um fauno. Um dia descreveu assim Nijinski: «É como um sol do qual brota uma luz intensa mas que não aquece».
Um sol para além do sol.
Em Setembro de 1913, Vaslav Nijinski estava no Rio de Janeiro com Romola de Pulszky, uma húngara que viria a ser sua mulher. Cechetti fazia parte dessa digressão. Viveu a vida breve da paixão entre os dois. «Queria que ela aprendesse a dançar porque para mim a dança era tudo», diria Nijinski mais tarde. «Percebi que tinha cometido o maior erro da minha vida. Ela nunca me amou».
No regresso à Europa foi internado num hospital psiquiátrico de St. Moritz. Havia nele a confusão da identidade ilimitada. Era ele não o sendo ao mesmo tempo. Dois anos mais tarde abandonou a dança em público. Deixara-se aprisionar pela Lei da Gravidade."

Vermelhão: Intranquilidade...

Benfica 1 - 1 Braga


Mantenho aquilo que já escrevi: os piores momentos do Benfica nos últimos jogos, aconteceram com o Rio Ave (1.ª parte) e com o Portimonense (em todo o jogo, mas a jogar contra 10 ainda jogámos pior), mas nos jogos seguintes os resultados não têm reflectido o que se tem passado no campo... Sendo que a falta de confiança que se apoderou da equipa, tem sido fatal... Independentemente de todos os problemas tácticos, das lesões, das insuficiências... e outros factores, a equipa está ansiosa, intranquila, quer resolver as coisas demasiado depressa, e os jogadores acabam por decidir mal, tanto no ataque como na defesa...

Com todas as alterações já previa um jogo muito complicado. Creio que só 3 jogadores vão repetir a titularidade no Sábado: Júlio, Almeida e Jardel ! No outro lado, praticamente a equipa titular (o Braga tem rodado muito, mas estes têm sido usados nos jogos 'decisivos'), só faltou o guarda-redes, um Central... (enquanto o Paulinho tem 'ganho' a titularidade, o Vukevic tem a 'perdido'!!!).

O Braga criou algum perigo, mas só marcou numa jogada que explica a principal razão para o Luisão ser ainda o titular do Benfica: no jogo defensivo pelo ar, o Capitão é insubstituível no Benfica! Mesmo sem fazer um grande jogo (novamente) a saída do Rafa, 'destapou' um dos problemas do Benfica em alguns momentos: falta de profundidade no ataque, com vários jogadores incapazes de ganhar as costas dos defesas em velocidade... e em força!!!

Vendo as coisas pela 'positiva', este jogo deu para 'garantir' a titularidade nos próximos jogos ao Júlio e ao Jardel ! O Rúben provavelmente ultrapassou o Lisandro na 'lista' dos Centrais! O Eliseu voltou a confirmar que com ele o Benfica pode não ganhar, mas também não perde!!!!!
O Fejsa não saiu do banco, mas deve jogar no Sábado... e na Quarta!!! O Krovi teve os primeiros minutos da época, e demonstrou que pode ser útil... ainda lhe falta muitas rotinas com os colegas, mas a qualidade é evidente... É verdade que o Gabriel não fez uma exibição de encher o olho, mas se o golo que marcou legalmente, tivesse sido validado, a avaliação já teria sido diferente!!!

A arbitragem foi uma coisa horrível, Bruno Esteves é muito mau... a quantidade de erros descarados foi altíssima. Além disso permitiu que o jogo fosse aquecendo, e com os jogadores do Benfica, com pouca paciência o jogo ficou perigoso...!!!
E os fiscais-de-linha que tanto zelo demonstraram nos ataques do Benfica... nos ataques do Braga era critério 'largo': duas das jogadas mais perigosas do Braga, são em situações milimétricas não assinaladas!!!

A alteração do calendário da Taça da Liga, para este ano, mudou 'muita coisa'!!! Será muito complicado uma equipa a jogar a Champions, com jogos da Taça da Liga 'encaixados' a meio, estar em condições de disputar todos os jogos no máximo... Ainda por cima quando o sorteio nos 'ofereceu' três prendas envenenadas!!!

A próxima semana é importantíssima, acredito que Sábado, com o Paços, vamos regressar às vitórias... Existe a forte possibilidade de apresentar uma equipa, sem lesionados: Júlio; Almeida, Luisão, Jardel, Grimaldo; Fejsa, Pizzi, Salvio, Zivkovic; Jonas, Seferovic !!! E depois vamos ter Basileia e Funchal... é preciso 'estancar' a insegurança e os 'resultados', rapidamente!!!


Taça de Honra da AFL

Belenenses 2 - 5 Benfica

A Taça de Honra costumava ser um torneio de pré-época, disputado em campo 'neutro': pois este ano, foi agendado com o Campeonato a decorrer... com o Benfica a disputar a Meia-final em casa do adversário, e com a Final a ser disputada no campo 'neutro' mascarado de Odivelas!!!

Hoje, não demos hipóteses aos 10 minutos vencíamos por 0-3 ao intervalo estava 1-4...

Derrota nos descontos!!!

Villareal B 3 - 2 Benfica B
Heri, Félix


Mais uma participação nesta competição Inglesa, desta vez com uma excelente equipa Espanhola, que está em 3.º lugar na II Divisão dos nossos vizinhos!
Estivemos sempre a perder, empatámos aos 87 minutos, mas sofremos o último golo já nos descontos!!!
Destaque para o regresso do João Félix, após lesão prolongada e logo com um golo... Além dos 'minutos' de alguns jogadores que tem estado 'tapados' na B: Duarte, Ramirez, Lystcov, Matheus... Zé Gomes...

Crise por objectivos (entre o tetra conquistado e o penta desejado)

"Ser tetracampeão não dá direito, por inércia, a ser pentacampeão. Este início de campeonato demonstra alguns equívocos do Benfica.

O Benfica é tetracampeão, é bom não o esquecer. Desde logo, os nossos adversários, pois até parece que eles que têm ganho quase tudo nos últimos quatro anos. Mas ser tetracampeão não dá direito, por inércia, a ser pentacampeão. Tentando ser o mais racional possível - coisa bem difícil no futebol - julgo que este início do campeonato, para lá das contingências em que o futebol é pródigo, demnstra alguns equívocos do Benfica 2017/18.
As derrotas no Bessa e contra o CSKA não foram tão surpreendentes quando possa parecer. Era cosia que, mais tarde ou mais cedo, se adivinhava. Neste ponto, ao menos vale mais cedo do que tarde. Há questões conjunturais e outras mais profundas. Quanto às primeiras, sempre acontecem momentos menos felizes ou períodos de manifesta má forma colectiva, que a chamada Lei de Murphy potencia. No Benfica ou nas outras equipas. O ponto crítico reside no contexto mais estrutural. Refiro-me à forma aparentemente demasiado confiante e sobranceira como se reconstituiu o plantel, conhecidos que era os jogadores a ser transferidos. Rui Vitória é um treinador sensato e com um perfil de excelente adaptação ao que lhe é posto à disposição. É uma qualidade, sem dúvida, mas nem sempre resulta. A equipa está mais debilitada, não vale a pena fingir que não. No onze que joga e no plantel total. Para alguns lugares-chave deixou de haver substitutos à altura. O caso mais notório é o de Fejsa, ele próprio sujeito a lesões tão longas, quanto recorrentes. A defesa está menos segura e coesa. E não há milagres ou descoberta todos os anos de um craque na formação. Luisão tem mais um ano, Jardel é fisicamente sócia de Fejsa, Lisandro é bom, mas parece, às vezes, um cabeça no ar, Rúben Dias ainda não sabemos. Na lateral-direita temos (e bem) o pronto-socorre André Almeida e veio de Barcelona um tal Douglas para não sei o quê. Pizzi, sem Fejsa, é obrigado a jogar mais recuado e que falta faz para tornar mais clarividente a construção ofensiva. À frente, tudo bem, ainda que, na minha modesta opinião de bancada, teria valido mais deixar sair Raúl Jiménez do que o grego Mitroglou. É que ficámos com um par de excelentes vagabundos (Seferovic e Rául), mas deixámos de ter um ponta-de-lança fixo na área (que falta fez no Bessa!). E, the last but not the least, temos a posição do guarda-redes. Não julgo Bruno Varela pelo peru de sábado. Os melhores também os dão. Acontece que a saída de Ederson foi, na minha opinião, precipitada, tendo o Benfica apenas 50% do passe, para fazer a vontade ao agente e ao jogador. Esta coisa de jogadores contrariados com 21 ou 22 anos é uma treta. Ou melhor, é um amuo de uma ou duas semanas, que depois lhes passa, a pensar na oportunidade para o ano-que-vem. E o que temos agora? Júlio César, imperador, mas agora mais de lesões do que exibições. O actual titular, bom jogador, mas insuficiente para uma posição que, no Benfica, só se está em jogo poucas vezes e tem de oferecer total confiança aos colegas à sua frente. Resta-nos um rapazinho que fez há dias 18 anos (podia ser filho de Luisão...) que vem rotulado de craque, mas que, naturalmente, ainda não pode ser lançado às feras. No sector recuado, tirando Luisão (e Grimaldo, se não se voltar a lesionar), todos os outros - agora titulares - eram suplentes ou 3.ª escolhas.
Deixando de lado o mistério das já 16 lesões (a maioria, musculares), há outro ponto que me preocupa. É a dificuldade em consolidar avanços no marcador. Nestes dois últimos jogos, o Benfica esteve a ganhar e permitiu a reviravolta. No anterior campeonato, tal nunca sucedeu.
Cinco pontos de atraso são irrecuperáveis? Obviamente que não, ainda que sendo face a dois rivais se trate, no conjunto de 10 pontos. Diz a história recente (particularmente a época 2015/16) que nada está perdido. Assim ela se repita, ainda que a sua repetição custe sempre mais do que antes e a sua não repetição possa levar a um rombo financeiro (para o ano, na Champions, só o campeão tem lugar assegurado).

Objectivamente subjectivo
Por objectivos. Eis duas palavras unidas que, cada vez mais, ouvimos falar aquando da transferência de jogadores. Objectivamente tão subjectivo que o tempo se encarrega de fazer desaparecer. É um novo mistério no negócio do futebol. «O jogador renderá 22 milhões mais 14 por objectivos» é um hipotético exemplo do aposto ou continuado que se segue ao número redondo de uma transacção. É, simultaneamente, uma forma de apaziguar a consciência do comprador de, perante a reacção dos adeptos, afinal o jogador não foi assim tão caro e um modo de ficcionar um montante não atingindo pelo vendedor com os tais objectivos para memória futura que logo é desmemoriada. Ah, evidentemente, quem normalmente a sugere é o intermediário, que esse recebe a sua prebenda certinha e se está marimbando para objectivos pós-recebimento.
Quem tem de responder perante objectivos (que não fixou) é o jogador. Mas este também se sente confortável. Aumentou o pecúlio mensal e sempre pode queixar-se do treinador que não o põe tanto a jogar ou o coloca e posição diferente da do anterior clube.
Há objectivos para todos os gostos. Com objectivos e bolos se enganam os tolos... Há os impensáveis objectivos de ser o melhor do mundo ou da Champions (tipo Renato Sanches no Bayern, perdão no Swansea), marcar x golos, ser x vezes seleccionado, jogar n jogos a titular ou n+y a titular e suplentes. Ou seja, em regra, objectivos facilmente manipuláveis pelo comprador. Enfim, a quintessência das técnicas negociais. É como vender uma peça de boi a um restaurante por um certo preço que pode aumentar se os clientes não protestarem no livro de reclamações ou comerem mais bifes.
Concluindo: inovação não falta nesta área. Ou é um empréstimo sem direito a regresso, ou é uma cláusula de rescisão para inglês ver (cada vez mais apropriada esta frase), ou é a divisão do passe entre vários detentores (divisão monetária, mas não anatómica), ou é estar à experiência depois de já experimentado, ou é este agora comum contrato-promessa por objectivos, ou é, ainda, pagar por crianças de tenra idade e retirá-las ao seu habitar natural (ninguém fala de trabalho infantil, que, pelos vistos, só é condenável na construção e indústria).

Contraluz
- Número: 2
Foram os míseros segundos que ultrapassaram os 6 m. concedidos pelo árbitro Soares Dias no Boavista-Benfica. Não é que seja grave e, certamente, o resultado não sofreria alteração. Mas que diabo, não está escrito que uma substituição deve ser compensada por mais 30 segundos? E as fitas do guardião? Nos também 6 minutos no Feirense-Sporting, houve uma substituição no tempo de desconto que o mesmo juiz compensou correctamente e no qual surgiu o penálti e golo para os leões.
- Palavra: Abstenção
Se a estapafúrdia ideia de fazer uma lei para que não haja jogos em dias de eleições for para a frente, sugiro que, também, se proiba a chuva e o frio (se as eleição foi no Inverno), se feche o acesso a todas as praias entre as 8 e 19 horas (no Verão) e se altere a Concordata de modo que as missas em domingo eleitoral sejam todas antecipadas para sábado.
- Notícia:
O noticiário de domingo da RTP 1 rezava assim: 30 'adeptos' (as aspas são minhas) recebem com insultos o Benfica. Uma multidão representativa. E na imagem nem se viam! Notícia? Serviço público? Valha-nos Deus...
- Acontecimento:
Não me conformo com essa ideia peregrina de se jogar a 'Eusébio Cup' no Canadá em Outubro, com um adversário que subiu recentemente à primeira divisão escocesa. Eusébio merecia mais: um jogo na Luz cheia, um adversário à altura e uma data adequada. Além disso, fazer duas viagens transatlânticas nesta altura do campeonato? Ou vai o Benfica B?"

Bagão Félix, in A Bola

As contas do Benfica

"A SAD do Benfica apresentou ontem as contas referentes ao exercício que terminou a 30 de Junho passado e do documento enviado à CMVM conclui-se facilmente que se tratou de uma no de excelência, traduzido num resultado líquido de 44,5 milhões de euros, que permitiu que os capitais próprios consolidados passassem para 67,7 milhões, com um decréscimo de 17,1 milhões de euros do passivo, ou seja, 3,8 por cento.
Luís Filipe Vieira a sua equipa estão, pois, de parabéns pelo que foi conseguido até ao final de Junho, sendo que, por exemplo, as vendas dos direitos desportivos de Semedo e Mitroglou (cerca de 50 milhões de euros) só entrarão no exercício de 2017/18.
Para o tremendo êxito ontem evidenciado pelo Benfica concorreram vários factores, nomeadamente uma sábia compatibilização do investimento no âmbito desportivo com a sustentabilidade necessária. O futebol tende a ser tratado como um negócio como este, que depende, em grande parte, dos resultados obtidos ao fim de cada 90 minutos de jogo. Por isso, nem é sustentável uma gestão que gaste como se não houvesse amanhã, no afã de garantir vitórias imediatas, nem aquela que aforre as mais-valias e descure aquilo que é o core business de qualquer clube, o sucesso desportivo. É nesta linha, por vezes ténue, entre o investimento ousado para criar uma equipa ganhadora e o conservadorismo que teme contas desequilibradas que vão balançando as grandes decisões. Uma coisa é certa: sem equipas ganhadoras não há negócio de futebol que prospere, como mostram as contas do Benfica de 2016/17..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Um golo, não a vitória

"As contas do Benfica, já se esperava, foram boas, com um lucro recorde no futebol português. Algo anunciado, após uma temporada em que foram transferidos Gonçalo Guedes, Hélder Costa, Ederson e Lindelöf, entre outros - faltam ainda as vendas de Nélson Semedo e Mitroglou, que só entrarão no final do exercício actual.
Mas há sinais que devem deixar alerta os responsáveis do clube da Luz. Para começar, o facto de o resultado com direitos de atletas ser menos de metade do valor recebido por vendas. Entre gastos associados às vendas de jogadores, entre os quais estão as comissões, e as amortizações e perdas de imparidade (custo actual dos futebolistas contratados) são mais de 60 milhões de euros.
O grande aumento dos custos com pessoal, onde se incluem os salários de jogadores, treinadores e estrutura, é algo que deve ser também olhado com cuidado. No Benfica, esta rubrica passou de 61,5 para 74,7 milhões de euros. Para se ter uma ideia, na época 2015/16, FC Porto chegou aos 75,8 milhões de euros (ainda que sem prémios por vitória na Liga) e anunciou a intenção de reduzir este valor em 20 milhões.
A redução do passivo em pouco mais de 17 milhões de euros acaba, por isso, por ficar algo abaixo das expectativas criadas. É certo que a tendência, pelo desinvestimento na equipa principal neste defeso e pelas vendas já feitas, é manter a redução da dívida nos próximos exercícios. Os adeptos querem festejar golos, mas muito do futuro do Benfica joga-se nestes comunicados à CMVM. Este foi um golo, mas não garante a vitória."

O caminho da retoma

"O Benfica apresentou um lucro histórico de 44,5 milhões de euros. É o resultado de um trajecto de sucesso desportivo com tudo aquilo que ele representa: vendas extraordinárias que não deixam de ser acompanhadas de custos elevados. A opção foi claramente assumida por Luís Filipe Vieira. O objectivo é abater o passivo para que o legado seja não apenas títulos e infraestruturas mas também um clube governável. O Benfica segue no caminho da retoma.
No momento em que o Benfica transmitia essa boas novas, a equipa de futebol sentia de perto o desagrado dos adeptos das claques face aos últimos resultados. O episódio não é mais do que o reflexo de um descontentamento generalizado ainda que cruel e desmesurado e por alguns oportunisticamente aproveitado. Para todos, porém, está na hora de retomar o caminho dos êxitos. O próximo ciclo competitivo será determinante para se perceber se o espírito ganhador e de união ainda está presente no balneário de Vitória.
Muitos jornalistas saíram do Record e todos deixaram a sua marca nesta casa. Vanda Cipriano cumpriu ontem o último dia de 21 anos de dedicação a este jornal. Não posso deixar de assinalar a sua saída e através dela homenagear todos os outros. À Vanda desejo as maiores felicidades no novo rumo que dá à sua vida."

Dois espirros não fazem uma constipação

"Inquietação encarnada tem sido amplificada pela carreira imaculada dos dois rivais no campeonato; mas Rui 'McGyver' Vitória já deu provas de ter sete vidas

O Benfica perdeu dois jogos de enfiada e o benfiquismo entrou em convulsão, à boa e velha maneira portuguesa: do oitenta para o oito no tempo de um espirro. Como se dois espirros fizessem uma constipação. Os jornais, as televisões e as redes sociais não falam de outra coisa. Da crise ou quase-crise do Benfica. Das culpas de Luís Filipe Vieira, das culpas de Rui Vitória, das vendas e das compras que não se fizeram, da onda de lesões que ninguém consegue explicar e, mais grave, travar. Subitamente (a fazer fé no que se ouve e no que se lê) o Benfica transformou-se numa espécie de coitadinho a caminho de ser humilhada pelos grandes rivais e não no clube que ganhou quatro campeonatos de enfiada e doze das últimas 16 competições domesticadas. Nas redes sociais e nos jornais leio que Vieira só sabe fazer contas de mercearia e até teve o descaramento de contratar pessoal de Alcochete para o Seixal; que Vitória vê o que mais ninguém vê em Filipe Augusto, que mexe tarde e a más horas e não consegue apresentar um projecto futebolístico da sua responsabilidade (isto é: não assente no legado do Jorge Jesus); e mesmo a famosa estrutura que estava dez anos  à frente das outras começa a ouvir das boas do próprio benfiquismo: na última segunda-feira, o ex-vice presidente Rui Gomes da Silva criticou asperamente o actual direcção (só poupou Rui Vitória), nomeadamente a passividade e o silêncio face ao caso dos e-mails (nisto, acho que ele tem carrada de razão).
A toda esta consternação por causa de dois espirros. Agora imaginem se o Benfica mais logo torna a espirrar com o Braga. É o caos a 20 de Setembro! Ora bem. Das duas uma. Ou os benfiquistas têm uma memória extraordinariamente curta (e digo isto em todos os sentidos: por acaso lembram-se quantos e quantos anos andou Vieira a cometer erros de palmatória e a somar insucessos até começar a ganhar... com Jesus?), ou então deve estar a passar-se na Luz algo de muito gravoso que nos passa ao lado. Não negando que esta equipa é mais fraca que a da época passada - claro que é! -; que o futebol produzido não tem sido famoso; e que a inquietação dos adeptos tem sido amplificada pela carreira imaculada dos dois rivais no campeonato; parece-me evidente que as notícias da quase-morte do Benfica são manifestamente exageradas até porque Rui Vitória já deu provas de ter sete vidas. Sendo um bom treinador, ele é também um tipo desenrascado, uma espécie de McGyver que (remendo aqui, jeitinho ali) tem conseguido dar a volta às situações mais complicadas. Até por isso parece-me prematuramente este clima de impaciência e desagrado em torno da equipa que, repito, ganhou 12 das últimas 16 competições domésticas. O hábito de ganhar não se perde num mês e meio. Veremos o que o jogo de logo trás. O Braga é um adversário que o Benfica costuma derrotar com facilidade na Luz.
(...)"

André Pipa, in A Bola