Últimas indefectivações

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vou pela comiseração e descarto o resto

"Que Paulo Fonseca faça temporada de tal modo excelente com os castores que depois seja, de novo, contratado pelos dragões - é o anseio dos adeptos mauzinhos dos rivais directos do FC Porto.

O Mundial começa amanhã. A selecção portuguesa tem estreia marcada na próxima segunda-feira. Quando tudo acabar (o mais tarde possível para os portugueses, é o que se deseja) se fará o balanço. Quem brilhou, quem desiludiu, quem surpreendeu, quem deitou tudo a ganhar, quem deitou tudo a perder, enfim, essas coisas…
Para já, e no que diz respeito à nossa selecção (que é o que nos interessa) é possível fazer o balanço dos jogos de preparação pré-Mundial contra gregos, mexicanos e irlandeses. Resumidamente: foi em crescendo.
E de tal modo em crescendo que até quem há, entre os pessimistas, os que lamentam a goleada imposta à República da Irlanda porque, temem, pode induzir não só a selecção mas também a nação num estado pernicioso de euforia.
Discordo, respeitosamente. É bom ganhar. E marcar golos, muitos golos, é melhor ainda.
Nestes três jogos destacaram-se três jogadores. Poderão não vir a ser as figuras do nosso Mundial mas foram, certamente, as figuras do nosso pré-Mundial. A saber: o guarda-redes Eduardo (garantindo o triunfo sobre o México), Fábio Coentrão (a defesa-esquerdo, a médio esquerdo, autor de golo e meio contra a República da Irlanda) e Hugo Almeida (assinando dois golos no único jogo em que foi titular).
Cristiano Ronaldo deu bons sinais de saúde contra os irlandeses mas o melhor do mundo só jogou uma hora em Newark e nem pisou a relva no Jamor e em Boston. Por isso mesmo pode-se dizer, e com toda a propriedade, que nestes três jogos de preparação a selecção portuguesa foi Fábio Coentrão e mais dez. E não foi nada mal.
Para a semana já é a sério. Boa sorte!

O momento Quim Barreiros do presidente eleito do Sporting terá afastado do último congresso leonino alguns nomes de peso do universo do clube, como Marçal Grilo. O antigo ministro, de acordo com a imprensa, ficou «desagradado com as polémicas declarações» e solicitou que o seu nome «fosse retirado da comissão de honra» do evento. Está no seu direito. Trata-se de alguém que foi, precisamente, ministro da Educação.
De um modo geral e sintomático, detectou-se nos dias que se seguiram ao momento Quim Barreiros do presidente do Sporting a quase total cobertura do referido momento por um manto de silêncio da imprensa, dos opinadores, etc…, quando, e houvesse vontade para tal, haveria ali matéria para um sem número acutilâncias analíticas. Quer pela importância do tema propriamente dito (as eleições na Liga), quer pelo inusitado das imagens gráficas.
A verdade é que não houve vontade de mexer no assunto. A meu ver, bem. Logo surgiram, dos mais diversos quadrantes, tentativas de explicação para o fenómeno. Porque se trata de um fenómeno sempre que um presidente de um clube de futebol produz afirmações contundentes e não encontra por parte da comunicação social apetite para fazer render o peixe.
Há quem justifique essa pouca valia emprestada pelos jornais ao momento Quim Barreiros do presidente do Sporting como um acto de cobardia (em função do ataque ao Benfica e ao FC Porto) ou como um acto de puritanismo (em função das metáforas) ou como um acto de hipocrisia (em função da humanidade que as todos assiste) ou como, muito simplesmente, um acto de comiseração (em função do respeito devido ao Sporting).
Eu vou pela comiseração e descarto o resto. Era só isto.

A arte plena do humor quando toca a futebol é, nas mais das vezes, uma grande impossibilidade porque o futebol exige tanto aos seus adeptos em termos de devoção e de monomania que se torna uma tarefa hercúlea fazê-los rir quando o foco extravasa o limitadíssimo território do chamado amor-próprio.
De uma maneira geral, que julgo ser uma característica muito enraizada no nosso povo, domina uma liberdade ruidosa e sem freio para nos rirmos dos males dos outros enquanto, no polo oposto, o dos nossos males, a regra é o silêncio e a censura e, pior ainda, vigora uma intolerância abaixo de zero para o encaixe de qualquer boa graça que seja do contra aos nossos afectos, interesses e egos.
Vivo desde sempre com a ideia, porventura romântica, de que rir é desobedecer ao mais alto nível. E, tratando-se de futebol, desobedecer a si próprio e aos ditames do humor-de-Estado não é para todos. É só para alguns que, por essa mesma razão, se distinguem dos demais.
Como são os casos de Ricardo Araújo Pereira, que toda a gente conhece, e de Joana Marques, que se vai dando a conhecer com bravura. Nenhum deles é banal no modo de trabalhar o humor porque, constantemente, se colocam em causa a si próprios e aos seus amores. E fazem isso com uma graça imensa. 
Na semana passada, Ricardo Araújo Pereira levou Jorge Jesus, o próprio, a protagonizar a seu lado um brevíssimo sketch em Melhor Do Que Falecer, o momento de humor com assinatura de autor que se segue diariamente ao jornal da noite da TVI. Quem não viu não sabe o que perdeu.
Dentro daquele sentido de humor pobrezinho, apanágio de qualquer dispensador de etiquetas, as graças recorrentes quando se trata de Jesus, visam o uso do português, gramatical e semântico, do treinador do Benfica.
Ora Ricardo Araújo Pereira, adepto do Benfica 24 horas por dia, pegou no assunto pelo lado contrário. Sentou Jesus a seu lado, um Jesus professoral a corrigir o português do comediante, a acusá-lo de gritar demais com os jogadores da play-station num curto desfilar de temas-anti-Jesus transformados em temas-pró-Jesus interpretados pelo próprio. Foi brilhante. E que bom foi ver que o treinador do Benfica também sabe brincar com as suas peculiaridades.
Joana Marques, adepta do FC Porto, trabalha o seu humor nas manhãs da Antena 3 e no Canal Q das Produções Fictícias onde, todas as noites de segunda-feira, assina um comentário futebolístico no decorrer da emissão de Inferno, o serviço diário de notícias do dito canal.
Joana Marques é, também ela, uma desobediente sempre capaz de nos surpreender porque, assumindo como Ricardo Araújo Pereira o seu fervor clubista, desfaz a cartilha do humor expectável, do humor-de-Estado, com um atrevimento e um esplendor dignos de nota.
Quando, há coisa de semanas, Paulo Bento divulgou os seus convocados para o Mundial, vi Joana Marques, no seu espaço de intervenção no Inferno, a protestar energicamente contra a exclusão do «melhor jogador do mundo» da lista do seleccionador nacional.
- Mas o Cristiano Ronaldo foi convocado – retorquiu-lhe Pedro Vieira, o pivot.
- Refiro-me ao Licá – rematou a jovem humorista com o ar mais sério deste mundo.
Benditas sejam, portanto, as pessoas que nos fazem rir.

PAULO FONSECA vai regressar a Paços de Ferreira, lugar onde foi muito feliz na temporada de 2012/2013 o que lhe valeu o ingresso no FC Porto em 2013/2014. Onde já não foi tão feliz, como é do domínio público. 
As repetições em futebol acontecem.
Os adeptos do Paços, que muito sofreram na última época, anseiam com toda a legitimidade pela repetição do sucesso de Paulo Fonseca na capital do móvel, se possível com nova qualificação para a disputa do acesso à Liga dos Campeões, situação bem mais agradável do que a de ter de lutar ferozmente até ao último segundo pela permanência na primeira divisão.
E que Paulo Fonseca faça uma temporada de tal modo excelente com os castores que no ano seguinte seja, outra vez, contratado pelos dragões! – é o anseio dos adeptos mauzinhos dos rivais directos do FC Porto. 
Repetição por repetição, pois que seja levada até às últimas consequências.

NA semana passada, Luisão foi condenado por um tribunal alemão a pagar 70 mil euros ao árbitro alemão que atirou ao chão num jogo particular do Benfica, em Dusseldorf, no já distante mês de Agosto de 2012. 
Vejam só como é lenta a justiça alemã. E com evidente prejuízo para o Benfica.
Tivesse o tribunal de Dusseldorf decidido em prazo decente a pena a aplicar ao capitão do Benfica, talvez o árbitro alemão que em Maio de 2014 calhou ao Benfica na final da Liga Europa tivesse entrado em campo com uma disposição, enfim, menos corporativa e menos vingativa."

Leonor Pinhão, in A Bola

Vergonha maior

"«É uma evidência matemática que (...) para se perfazer o número de vinte e quatro clubes a disputa o campeonato da II liga na época desportiva 2014/15 é condição necessária que nenhum clube participante nesta competição na presente época de 2013/14 seja relegado para divisão inferior.»
Comunicado da Liga, 21 de Maio de 2014

O regabofe das eleições da Liga faz correr muita tinta, mas não é o mais ridículo do ano. O mais ridículo, o maior sinal de incompetência (espero eu) dos dirigentes do organismo, está no facto de não ter havido descidas da Liga 2 para o CNS no final da época.
A Liga criou disposições transitórias para prever alargamento caso o Boavista se conseguisse inscrever. Faz sentido. Ou faria. Só que, como já tantas vezes nos habituo (goal avarage na Taça da Liga, por exemplo), fez mal o regulamento.
Para resumir: a directora-executiva da Liga, Andreia Couto, ou não sabe fazer contas e não percebeu que a partir do momento em que ou descia menos um clube da Liga ou subia mais um da Liga 2, via play-off, iria faltar alguém no segundo escalão na próxima época; ou faz tudo de má-fé para tentar disfarçar aquilo que a Federação chumbara no ano anterior.
Federação que é, obviamente, conivente. Aprovou um regulamento que na verdade previa aquilo que não aceitara um ano antes, um campeonato sem descidas - mais uma vez, ou por não saber fazer contas, ou para não levantar ondas.
Seja como for, o comunicado em que se  convida o Atlético a inscrever-se na Liga 2 na próxima época é ridículo. Pinta o caso como se a Liga tivesse sido apanhada de surpresa. Mesmo que Andreia Couto, que o assina juntamente com Mário Figueiredo, não sabia fazer contas, já fora alertada em Dezembro para o que iria acontecer. A Liga, claro, decidiu esperar, para disfarçar a coisa. Só que nos clubes há quem saiba fazer contas. Na Liga 2 já muita gente sabia que não ia haver descidas. Aquela corrida pela manutenção foi uma coisa absolutamente ridícula.
Vai uma aposta?"

Hugo Vasconcelos, in A Bola

Géneros

"De acordo com o Dicionário Terminológico em vigor, «nos nomes, o valor de género corresponde, tipicamente, a uma distinção de sexo, excepto no caso dos nomes epicenos (como 'sapo' ou 'corvo'), sobrecomuns (como 'vítima' ou cônjuge') e comuns de dois (como 'estudante' ou 'jornalista')». Uma classificação sofisticada com variantes ao que, nos meus tempos de escola, era, tão-só, o masculino e o feminino.
Vem isto a propósito do género dos clubes. Que é masculino para a esmagadora maioria. Será por os clubes de futebol serem de origem e tradição macha? Ou por seguirem, obedientemente, o masculino da palavra clube?
Mas há excepções, como a (Associação) Académica e até hesitações como os clubes que são «União». Dizemos o União da Madeira ou de Tomar, mas hesitamos entre a União de Leiria e o União de Leiria. Utilizando a nova terminologia, tratar-se-á  de um nome comum de dois?
E se não vislumbra excepções nos clubes ingleses, alemães ou franceses, há muitos clubes femininos, claro está, na bela Itália: a Roma, a Lazio, a Fiorentina, a Udinese, a Sampdoria (que são Associazione Calcio, Calcio Societá ou Unione Calcio). Além da Juventus que, apesar de jovial nome, é conhecido por La Vecchia Signora.
Em Espanha há a Real Sociedad e no Brasil a excepção é lusitana: a Portuguesa de Desportos.
Estranho é o Estrela e os Vitórias serem masculinos apesar de a estrela e a vitória serem femininas. É como a moral e o moral. A primeira é fundamental, o segundo - que significa ânimo - é necessário, mesmo que às vezes o ouçamos, erradamente, no feminino! Que ambos os géneros estejam com Portugal no Brasil."

Bagão Félix, in A Bola

Triplete por dentro...!!!

Pico da Malveira !!!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

F de futebol

"Momento I: passo pelos canais noticiosos. O primeiro que vejo acompanha freneticamente um autocarro com entusiasmo. Continuo o zapping. O terceiro relata, com emoção, a marcha de um autocarro, suponho que o mesmo. O quarto canal faz tal e qual, entrecortado por uma exegese da viagem. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.
Momento II: passo pelos canais noticiosos. Deparei com uma conferência de um jogador. Uma conversa feita de nada. Minutos a fio que nem o Presidente da República tem. Mudei de canal, mas era o mesmo. Canal seguinte: ainda a mesmíssima oca excitação. Mudo quase instintivamente de canal, mas lá permanecia o rapaz da bola. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.
Momento III: passo pelos canais noticiosos. No primeiro, vi imagens de uns rapazes a fingir que treinavam com um locutor empolgado a dizer banalidades. Mudei, mas a cantiga era a mesma. Voltei a mudar e ouve-se a 326.ª lição anatómica de um tendão rotuliano. Desliguei a televisão. Queria escolher, mas nenhum canal me deu essa possibilidade.
Dizem que é assim por causa do esplendor das audiências que exige uma overdose nauseante e circense à volta do Mundial. A acefalia assentou praça. A televisão pública (para a qual pagamos a taxa audiovisual) no seu canal informativo vai «ter cerca de 8 a 10 horas diárias com o antes e depois dos jogos» como disse um dos seus responsáveis. Nunca o F do futebol foi tão alienante.
Declaração de interesses: gosto muito do meu País. E de futebol... jogado."

Bagão Félix, in A Bola

Tacadas certas...

Excelente fim-de-semana para o Bilhar do Benfica: Campeões Nacionais Masculinos de Snooker; Taça de Portugal de Snooker Masculino; fazendo a dobradinha!!!
Mas os títulos não ficaram por aqui: Taça de Portugal de Pool, Masculinos e Femininos...!!!

E assim, lentamente, se vai matando a paixão pelo Jogo...!!!

Enzo, o lúcido

"A história do Benfica está cheia de jogadores insubstituíveis. De cada vez que se fala da saída de um jogador decisivo, logo surge o espectro do desmantelamento da equipa. Nem é preciso recuar muito tempo, basta recordar o que se disse quando, em Janeiro, Matic foi vendido - 'a equipa ia ficar defensivamente desequilibrada'; 'não existiam substitutos à altura', e por aí fora. Sabemos bem o que aconteceu: a equipa (re)equilibrou-se, deixou de sofrer golos e vencemos tudo o que havia para vencer em Portugal.
Agora que é quase certo que Enzo Pérez nos vai abandonar, a questão volta a colocar-se.
Devo a este propósito fazer uma confissão: quero muito acreditar nas qualidades do departamento de scouting, na capacidade de Rui Costa para identificar craques em potência e na forma como Jorge Jesus melhora os jogadores que treina.
Mas, por agora, vivo de facto uma angústia: como é que vamos manter o sistema actual, só com dois médios, sem um 8 como o Enzo?
Não sei. O sistema de jogo do Benfica exige da posição 8 mais do que de qualquer outra. Com Jesus, o 8 tem de ser forte a marcar, compensar as subidas dos extremos e ainda pautar o ritmo do jogo. Com lucidez táctica, foi o que Enzo fez invariavelmente. Agressividade a ocupar de decidir sempre bem - umas vezes temporizando para sofrer falta, outras saindo a jogar e ainda outras com passes em profundidade.
Quando for preciso ver vídeos de como se joga a 8, bastará ver um 'best of' de Enzo. Mas há também o lado emocional. Num mês de Maio que não esqueceremos, Enzo sofreu como nós e no seu rosto vi estampada uma angústia absoluta. Sei bem que, depois, foi dos primeiros a levantar a cabeça e que, em cada bola disputada, colocou toda a raiva acumulada na temporada passada.
Estou certo que tudo vai correr pelo melhor e que um destes jogadores que nem do YouTube consta vai revelar-se um craque estratosférico. Até lá, sofro com o vazio anunciado da camisola 35 e e agradeço-te, Enzo, por teres sido um benfiquista como nós."


Artur em Vera Cruz !!!

(Ex-) Manoela Siqueira !!!

Juvenis - 5.ª jornada - Fase Final

Sporting 2 - 0 Benfica

Desastre completo... não sei se foi por causa do Europeu de sub-17, mas a verdade é que após o regresso de Malta, esta equipa não deu uma para a caixa!!! Com 11 jogadores na Selecção (e pelo mais 2 que podiam ter ido...), não se compreende estes resultados... A boa notícia é que só falta mais um jogo!!!
Recordo que o Sporting só se qualificou para a Fase Final porque o Benfica 'quis', pois o Oeiras chegou a ter boa vantagem... mesmo assim, o Vitória está a um ponto de ser Campeão, e vai a Alcochete na última jornada!!! Perder os Campeonatos de Juniores e Juvenis, para Braga e Guimarães, equipas claramente inferiores, é frustrante... numa época, onde o Benfica podia ter ganho nos três escalões principais.

Guimarães.........10
Sporting.............9
Corruptos...........4
Benfica.............4

terça-feira, 10 de junho de 2014

Derrubando defesas de ferro!


"Depois de bater o Cagliari, o Benfica venceu o Génova e a Atalanta nessa digressão a Itália em Agosto de 1971. Dez golos marcados na terra do «catenaccio»!!!


A semana passada fomos até à Sardenha, a Cagliari, ver o Benfica golear a grande Cagliari que foi campeão de Itália e que contava com vedetas do calibre de Albertosi, Domenghini e Gigi Riva.
Agora vamos acompanhar os encarnados no resto dessa sua digressão a Itália, país que visitaram ao longo da sua história por nada menos de 34 vezes.
São assim os grandes clubes - desafiados a toda a hora para digressões pelos quatro cantos desta Terra tão redonda. Os calendários nacionais e internacionais cada vez mais preenchidos (e agora vêm aí mais quatro jornadas para o nosso paupérrimo campeonato nacional!!!!!) foram reduzindo as enormes viagens de antanho - e o Benfica, a par do Santos (de Pelé) terá sido o maior trota-mundos de todos os tempos. Muito provavelmente, já que neste caso a contabilidade não é fácil. Certo é que em Turim, frente ao Sevilha, a águia cumpriu o seu 710.º jogo fora de Portugal. É obra! E grande obra!
Pois vamos de novo até Itália. E a Agosto de 1971.
4-1 ao Cagliari! Segue-se uma deslocação a Génova, dois dias depois: 23 de Agosto. Curiosamente, ao mesmo tempo, uma equipa secundária do Benfica disputava particulares nos Estados Unidos da América. É de estalo!
Genoa Cricket and Football Club: bem à inglesa. Fundado por ingleses, claro está! De tal ordem que nos primórdios nem os italianos eram aceites como adeptos. Se o Cagliari estava num dos momentos mais ilustres da sua vida, o Génova vegetava. Ora, seria de supor que a vitória do Benfica se tornaria fácil. Puro engano! Seja porque os genoveses puxaram do brio, seja porque os encarnados não conseguiram impôr o festival ofensivo que tinham aplicado na Sardenha.
Eusébio e Simões estiveram ao seu nível: altíssimo! Depois de uma primeira parte sensaborona, aos 50 minutos Eusébio tira um passe perfeito, medido: Artur Jorge, como nele era comum, remata de primeira e bate Lonardi. Mas o Génova reage e empata treze minutos depois, em contra-ataque, por Coradi.
O Benfica lança-se ao ataque, mas é preciso esperar até sete minutos do final para através de uma arrancada fortíssima de Nené cujo pontapé embate na defesa contrária fazendo a bola sobrar para a recarga de Eusébio: fulminante.
Dois jogos; duas vitórias. No dia seguinte, o Benfica viajava para Bérgamo.

Em Bérgamo, mais quatro golos
Bérgamo: pequena cidade da Lombardia, muito vizinha de Milão. Terra da Atalanta Bergamasca Calcio, lá «Regina dos Clubes dei Provinvialli», isto é, Rainha dos Clubes de Província, talvez o mais destacado de todos em Itália que não são originais das grandes metrópoles.
Três jogos; três vitórias: foi este o resultado da viagem do Benfica a Itália nesse Agosto de 1971. Dez golos marcados na terra do «catenaccio».
No Estádio Comunale de Bérgamo, logo no primeiro minuto, Nené infiltrou-se pela direita, trocou para Artur Jorge que, com uma simulação, deixou para Vítor Baptista marcar. Um lance clássico desse Benfica.
Três minutos mais tarde, Pirola bate José Henrique com um pontapé indefensável.
O público anima-se. O jogo promete.
Ao passar da meia-hora, a Atalanta aproveita o balanceamento ofensivo encarnado: Magistrelli faz o 2-1. Convencem-se os de Bérgamo que lhes caberá serem os vencedores da «squadra» portuguesa. Ah! Se eles soubessem...
Um minuto, tão somente um minuto depois, troca de esférico a velocidade estratosférica entre Eusébio, Artur Jorge e Vítor Baptista: é este último que assina novo empate.
Um minuto, tão somente um minuto depois desse minuto, Eusébio recebe um passe de Simões e faz o 3-2.
A segunda parte seria um passeio tranquilo, com direito até à entrada de Zeca e de Nhabola. Mas não haveria de se fechar o primeira sem mais um golo benfiquista: uma cabeçada violenta de Artur Jorge a corresponder ao centro de Malta da Silva. Quatro-a-dois.
O Benfica regressa a casa vencedor dos italianos. Sem rebuço. O futebol de ataque de Simões, Eusébio, Nené, Jaime Graça, Artur Jorge e Vítor Baptista destroçara as defesas de ferro de Cagliari, Génova e Atalanta."

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 8 de junho de 2014

Tribunais, condenações e trapalhadas

"Quase sem se dar conta, surgiu esta semana, com proveniência do Tribunal de Concorrência, Regulação e Supervisão, uma revelação importante para o futebol profissional: um tribunal considerou que a Sport TV praticou 'abuso de posição dominante' durante mais de seis anos no 'mercado nacional de canais de acesso condicionado com conteúdos desportivos premium', com desrespeito das regras da concorrência aplicáveis e em prejuízo (consequencial) dos interesses dos consumidores. É uma confirmação: o tribunal de competência especializada pronunciou-se sobre a condenação da Autoridade da Concorrência (AdC), baseada no facto de a Sport TV/Olivedesportos/PPTV ter alegadamente recorrido a um 'sistema de remuneração discriminatório dos contratos de distribuição dos canais de televisão Sport TV, celebrados entre esta empresa e as empresas operadoras dos serviços de televisão por subscrição'. Tudo se iniciara com uma queixa de 2010 da Cabovisão, que conduziu a um processo que levou a AdC a concluir que a Sport TV terá aplicado 'condições discriminatórias relativamente a prestações equivalentes em relação ao fornecimento de serviços idênticos a operadores de televisão por subscrição que concorrem entre si'.
Claro que esta sentença (susceptível ainda de recurso), a ser reiterada, constitui um conforto par ao argumentário da Liga de Futebol Profissional (liderada por Mário Figueiredo) - em especial junto da AdC - para a extinção (pelo menos a prazo) dos direitos do operador (antes monopolista) actualmente existentes no mercado dos direitos televisivos e para a sua centralização junto da Liga; assim se compreende o regozijo de Figueiredo, em campanha nas eleições para a Liga: 'A decisão é mais um passo, determinante e irreversível, no sentido do que defendemos - a liberdade de escolha e o regular funcionamento do mercado'.
É surpreendente que, nessa mesma campanha, a notícia judicial não se transforme no principal tema. E ainda é mais surpreendente que nenhum dos outros candidatos à presidência da Liga tome posição sobre as acções instauradas junto dos tribunais e da AdC contra a Sport TV. Se há tema para converter este processo eleitoral numa 'campanha ideológica', este é o tema. Por ora, avulta antes a ideia de que estas eleições se transformaram numa 'trapalhada' de abdicações, compromissos e 'listas cumulativas' e 'sobrepostas', que exigem uma clarificação urgente de quem tem poderes para fiscalizar as regras do acto eleitoral: o presidente da Assembleia Geral da Liga, o protagonista dos próximos dias. Antes de tudo acabar, também, em tribunal..."

13.ª Taça de Portugal, só podia ser desta maneira: na luta, com muito coração... épico !!!

Benfica 8 - 2 Corruptos

Tal como eu disse ontem: só um Benfica épico podia aspirar a levantar o Caneco esta tarde em Turquel, e foi mesmo isso que aconteceu!!!
Começamos mal (tal como tinha recentemente acontecido no jogo para o Campeonato no antro Corrupto), demos dois golos de avanço... denotando mais uma vez, desconcentração a defender. Mas a equipa não perdeu a cabeça, os Corruptos baixaram um pouco na marcação, e antes do intervalo num penalty o Valter reduziu...
O 2.º tempo foi todo nosso, e não fosse a arbitragem o jogo ainda tinha ficado decidido ainda mais cedo... Os golos foram aparecendo, e já depois do 4-2 a nosso favor, os Corruptos começaram a perder a cabeça!!! Na estatística final os Corruptos levaram 3 vermelhos, mas isso só aconteceu, depois do Benfica estar confortavelmente na frente do marcador, porque quando o resultado estava incerto... as 'ajudas' (menos do que o habitual, admito!!!) não deixaram de aparecer...
Mas como esta gentalha, além de serem corruptos, têm muito mau perder, não se conseguiram conter, e os últimos minutos foi um festival de azia, violência, e cobardia... Só tenho que elogiar, a forma (saltitona!!!) como os nossos jogadores - principalmente o Valter -, se conseguiram conter, e não reagiram às atitudes animalescas dos mesmo de sempre...


Recordo-me bem, duma Supertaça em Coimbra, onde assisti, a outro festival de violência, muito parecido com este, executado pelo animal Broche, na altura sobre o João Rodrigues... com total impunidade!!! Depois disso, houve outros jogos onde o mesmo se passou... mas quando se está impune, não há maneira de aprender, e assim, hoje, tivemos mais um triste espectáculo... e que será novamente tratado, seguramente, de forma muito 'suave'!!!

Para memória futura, tenho que deixar registado que esta Taça de Portugal começou por um vergonhoso Corruptos-Valongo (corruptos B), nos 1/16 avos de Final, onde a equipa da casa foi levada à vitória; nos Quartos-de-final depois de se saber que a Final-Four seria em Turquel, a equipa de Alcobaça foi vergonhosamente roubada em Alenquer, já que em caso de vitória, uma Meia-Final em Turquel, entre o Turquel e os Corruptos seria demasiado perigoso; e ontem, nas Meias-Finais tivemos mais uma arbitragem que tentou de todas as maneiras e feitios condicionar a Final de hoje, prejudicando o Benfica...!!!
Ainda uma palavra a forma vergonhosa como o narrador (habitual nestas coisas...) e o comentador (ex-funcionário da RTP), branquearam durante toda a partida, as acções dos Corruptos... foi indisfarçável o incomodo pela recuperação do Benfica!!! Não fiquei surpreendido, a forma como a Bola TV acompanha as modalidades, é esta...!!! A forma como o jornal A Bola trata as modalidades do Benfica, é esta: seja Hóquei, Andebol, Volei, Basket, Futsal ou Atletismo... O Benfica parece sempre ser o 'estrangeiro' e o adversário do Benfica (seja ele qual for) é a Selecção Nacional...!!! É triste, mais é assim... Já o disse várias vezes, as pessoas pensam que estou a brincar, mas não estou: a BenficaTV, celebrando como é óbvio as vitórias do Benfica, é de longe o órgão de comunicação social desportivo mais isento em Portugal!!!
Depois dos troféus internacionais no início da época, foi muito bom terminar a época, com a 13.ª Taça de Portugal. A época não correu da melhor forma, cometemos demasiados erros próprios, defendemos quase sempre mal, tivemos alguns jogos muito maus... com alguns jogadores muito abaixo do normal. Voltámos a ter um aproveitamento nas bolas paradas muito baixo (com o Valter a bater as faltas melhorámos...), mas para o ano temos que defender melhor...
Mesmo assim fomos empurrados para fora do título nacional, após várias arbitragens vergonhosas, em Valongo, mas também fora com os Lagartos e no antro dos Corruptos... Na Champions, nas Meias-finais com o Barça a jogar em casa, fizemos um dos nossos melhores jogos da época, mas o campeão estava decidido antes do jogo ter começado!!!
Creio que a contratação do Tiago Rafael, está garantida. É um bom regresso. Irá de certeza, ajudar a melhorar o aproveitamento nas bolas paradas. A confirmar-se a vinda do Nicola (parece estar dependente de problemas pessoais do argentino... creio que doença de um familiar próximo) teremos novamente magia na Luz, quase ao nível de um Panchito!!! Falta saber quem sairá, o Coy provavelmente, e se calhar o Tuco... Pessoalmente, continuo a pensar que deveríamos ter um Goleador, estilo Zorro... mas, também é verdade que depois seria ainda mais difícil os nossos jovens da Formação entrarem na equipa... Mas o facto, é que esta época o nosso 10.º jogador (rodou por vários jovens) quase nunca foi utilizado, e para o ano com a equipa B, a jogar na 2.ª Divisão, até vão ter um nível competitivo mais elevado... Decisões que vão ter que ser tomadas, pela secção...

hct on livestream.com. Broadcast Live Free

ADENDA: Como sempre nada escapa ao Miguéns!!! Esta foi a 13.ª Taça e não a 14.ª!!! Uma das Taças atribuídas ao Benfica (62/63), foi de facto um Campeonato, daí a diferença...

PS: Parabéns ao Bernardo Sousa, pelo 3.º lugar no WRC2, obtido na Sardenha, após uma prova com muitos incidentes: acidentes, classificativas anuladas, tempos mudados durante a noite... Podia ter sido melhor, mas também podia ter sido pior...

sábado, 7 de junho de 2014

Djavan

Foi hoje confirmada a contratação do Djavan. Defesa-esquerdo que a época anterior, jogou na Académica.
Como é costume nestas coisas no Benfica, mesmo aqueles que nunca o viram jogar, já começaram a 'queimá-lo'!!! Pessoalmente, gostei da opção.
No atribulado início da época anterior, quando o Cortez se tentava impor no Benfica, e após ver um jogo da Académica, na brincadeira, cheguei a dizer, que tínhamos contratado o 'Djavan' errado!!! Parece que rectificámos o erro um ano depois!!!
Tenho que admitir que nos primeiros jogos que vi da Académica, o Djavan pareceu-me ter poucos cuidados defensivos, mas com o decorrer da época, foi aprendendo... na 2.ª volta, já não subia à maluca, e fechava bem atrás. Sendo que fisicamente, sempre me pareceu seguro nos duelos 1x1, tanto ofensivos como defensivos.
A característica, onde o Jesus vai ter que 'martelar' mais, parece-me que vai ser o tempo de passe... Um jogador com 2 anos de profissional (aos 26 anos), ainda pode evoluir muito...
Desejo as maiores felicidades ao Djavan, até porque o nosso novo defesa-esquerdo tem por apelido Silva Ferreira!!!



PS: Depois do Polaco Dawidowicz, este é só o segundo jogador novo, que me dou ao trabalho de anunciar a sua contratação aqui no blog. Mas, se calhar deveria ter dado mais atenção ao Frisenbichler, porque pelos videos que vi, pelas possíveis saídas, e pelos jogadores que vão chegar atrasados à pré-época, devido ao Mundial, estes jovens, provavelmente vão ter oportunidades de se mostrarem, e assim, se calhar, ficam mesmo no plantel principal...!!!

Contra tudo e contra todos...

Benfica 6 - 4 Cambra

Assistir a jogos de Hóquei em Patins em Portugal é algo de surreal... O Benfica venceu, é verdade, estamos qualificados para a Final da Taça de Portugal, é verdade, mas aquilo que assistimos no pavilhão de Turquel foi mais uma pouca vergonha de uma roubalheira inacreditável, que tinha como objectivo impedir a vitória do Benfica, e quando viram que não conseguiam, recorreram ao plano B: condicionar o Benfica para o jogo da Final, amanhã, com os Corruptos!!! Isto tudo gerido pelo senhor Peixoto (um dos ladrões de Valongo) e o senhor Ricardo Leão, à frente de todos, com gestos ameaçadores e intimidatórios durante todo o jogo... e ainda com os avençados da BolaTV (um deles ex-funcionário da RTP), a acharem tudo normal...!!!

O Benfica chegou aos 4-0, com alguma facilidade, mas depois foram: 5 Livres Directos, 3 penalty's, 3 Cartões Azuis, e 2 Vermelhos, tudo contra o Benfica!!! Estivemos na 2.ª parte quase 8 minutos em inferioridade numérica, sofremos o 4.º golo, com 2 jogadores no ringue (mais o guarda-redes)!!! Em todo o jogo beneficiámos de 1 penalty, 2 Livres Directos e 1 cartão azul!!! Perdi a conta, à quantidade de faltas assinaladas ao contrário!!! Sim, ao contrário... faltas que deviam ser a favor do Benfica, e que são invertidas!!! Se o Cambra tivesse marcado mais um golo (e reduzido para um golo de desvantagem), tenho a certeza que eles teriam inventado a 15.ª falta contra o Benfica...!!! Os nossos adversários até já treinam os mergulhos para a piscina, é inacreditável a quantidade de mergulhos descarados, que jogo após jogo, que dão em faltas e cartões para jogadores do Benfica!!!
Não sei se alguém da mesa deu ordem de entrada ao João Rodrigues, não sei se a contagem dos 2 minutos de exclusão, foi bem ou mal feita.. Não sei, se esta expulsão do João, o vai impedir de jogar amanhã, mas muito sinceramente, o Benfica só sairá vencedor, com ou sem o João, com um jogo épico... porque esta modalidade está corrompida até ao tutano!!!

Não sou daqueles, que está constantemente a pedir o fim das modalidades no Benfica, por isto, ou por aquilo... mas o Hóquei Português não merece o Benfica... E como não acredito em regenerações, só mesmo indo jogar para outro lado...

Juvenis - 4.ª jornada - Fase Final

Renato Sanches
Benfica 1 - 2 Guimarães

Terá sido o adeus ao título. Matematicamente ainda não foi... mas animicamente 'já foi'!!! É inacreditável a falta de confiança desta equipa, que tem de longe o melhor plantel neste escalão...
Hoje sofremos um golo a abrir (logo a seguir o nosso melhor jogador: João Carvalho, lesiona-se!!!), e outro a fechar, pelo meio, foi um massacre ofensivo, apesar de muitas decisões erradas, passes precipitados... O empate já teria sido um resultado injusto, a derrota então...!!!
Pelo meio, ficou um penalty por marcar a nosso favor, muitas faltas sem punição disciplinar, e no final os 4 minutos de desconto foram passados com o Guimarães a festejar o golo... e nem mais um segundo!!!
No meio disto tudo o grande golo do Renato passou despercebido... Num jogo onde o treinador mudou meia equipa, mas mesmo assim...
Faltam duas jornadas, ambos os jogos fora, na casa dos principais rivais. Em condições normais diria que tínhamos tudo para ganhar, mas com esta 'onda'...

Guimarães............7
Sporting..............6
Benfica..............4
Corruptos............4

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Jesus, tem futuro...!!!

A Noite e o Riso

"1. «A Noite e o Riso» é um belo romance de Nuno Bragança. Nele li pela primeira vez a expressão «a lucidez do riso».

2. Se me chamassem mentiroso com todas as letras, poderia dar-me vontade de rir mas não estaria lúcido. Das duas, uma: ou a acusação era por sua vez uma mentira, o que me causaria indignação; ou era verdadeira e provocar-me-ia embaraço e até vergonha. Riso é que nunca. A menos que fizesse da mentira um divertimento, o que é de garotos; a menos que fizesse da mentira um hábito, o que é de canalhas.

3. Não digo riso, mas um sorriso: o Azeiteiro-da-Cabeça-d'Unto promete abandonar a arbitragem se o Mundial correr bem. Vai correr, certamente. Deus (se é que ele existe, coisa que duvido muito) na sua infinita misericórdia não deixará que se perca uma tão boa oportunidade de tornar o futebol um jogo mais agradável.

4. Entretanto, o Senhor-de-Cócoras na sua infinita inconsistência (???) já se dá ao luxo de participar em eventos promovidos por clubes. Não será isto contra todas as regras de isenção? Que importa? No pântano do futebol português estar de cócoras é uma benção."

Afonso de Melo, in O Benfica

Semântica desceu aos regionais

"Ernest Hemingway dizia «em África uma coisa é verdade ao amanhecer e mentira pelo meio diz...». É com base nesta verdade mutante ou na capacidade de não reconhecer a mentira que alguns adeptos, de certos (todos) clubes conseguem concordar com as algumas declarações dos seus dirigentes.
Esta semana foi demais. O admitir o erro, a mentira ou o ridículo às vezes é até, para alguns desses adeptos, um acto de menor amor ao clube. Só assim se explica como tanta indigência gramatical nos últimos dias.
Bem sei que o defeso, para além de 487 notícias por hora sobre a lesão de Ronaldo e 674 possíveis compras e vendas de jogadores, não tem trazido grande pimenta.
Mal o nível da semântica desceu aos regionais. Como adepto espero sinceramente não perder tantos jogadores como se lê, mas com igual rigor espero não comprar metade do que anunciam.
Deixo aqui algum do meu primário registo de interesses afectivo: Enzo Pérez é de todos o que me custaria mais ver partir, é inteligência e perfume. Garay faz parte da melhor tradição de centrais de enorme classe do Benfica, na escola de Humberto, Mozer, Ricardo Gomes ou Gamarra. Passei a época a azucrinar a paciência do meu amigo Alcino António (cadeira do lado) que só daríamos o valor ao Siqueira quando ele faltasse. Espero não perceber nada disto. Luisão é o patrão, e ninguém gosta de perder o patrão. Gaitán é magia. Gostava muito de poder ter dez anos do gelo de Oblak. Maxi e Salvio são alma.
Este ano foi com inteligência, perfume, alma, magia e gelo que se conseguiram tantos títulos. Admito pois, que com alguns jogadores diferentes, mas os mesmos ingredientes, se chegue a êxito igual, mas admito sem vergonha o quanto me custa ver sair os melhores. Depois de chegar ao céu, ninguém gosta de sair de lá."

Sílvio Cervan, in A Bola

Iniciados B1... Campeões Distritais

Triplete na Benfica TV

Falsificações

"1. Já há datas (18 e 20 de Julho) para a próxima edição da Taça de Honra, prova com algum historial e que a Associação de Futebol de Lisboa (AFL) recuperou na época passada. E foi então que se deu conta de uma grave falsificação histórica, que atribuía ao Sporting a conquista da sua 30.ª Taça de Honra, contra 19 vitórias do Benfica, 12 do Belenenses, etc.
Fonte: o site da AFL, que considerava que nos anos em que não se realizou esta competição, iniciada em 1914/15 e interrompida nos anos 20 e 30 do século passado, o vencedor seria o... campeão regional. Ou seja, uma prova contava por duas! Mais grave: esta 'invenção' não surgiu na época mas agora. Ao longo dos anos sempre se consideraram apenas as edições da Taça de Honra (36 anos do reatamento da época passada) e sempre se apresentou uma lista de vencedores liderada pelo Benfica, com 18 triunfos, contra apenas 11 do Sporting e 6 do Beleneneses. Em Julho de 2013, o jornal Record repôs a verdade mas a AFL não ligou (nada alterou no seu site). Se fosse eu a decidir, o Benfica não participaria na prova enquanto a verdade histórica não fosse reposta. E espero que a Direcção actue com firmeza e obrigue a AFL a emendar o seu grave erro. O Benfica tem 18 Taças de Honra (e não 19). O Sporting tem apenas 12 (com a do ano passado) e não 30!

2. A propósito: no Hóquei existe também uma falsificação de dados em termo de Campeonatos Nacionais e Taças de Portugal. Ao Benfica e ao Malhangalene são retirados os títulos de campeão nacional nas épocas de 1962/63 e 1963/64, substituídos por vitórias em denominadas Taças de Portugal. Acontece que a Federação resolveu chamar Taça de Portugal aos Campeonatos dessas épocas, os quais foram realizadas em 'poule' e em moldes totalmente idênticos aos Campeonatos anteriores e posteriores. E as Taças de Portugal, a eliminar, como sempre acontece, apenas começaram a realizar-se em 1975. Sei que o Benfica já expôs o assunto à Federação mas, que eu saiba, ainda sem consequências. Há que insistir até ser reposta a verdade histórica. O Benfica não pode ser roubado.

3. Grandes superioridade (18-3 nos despiques directos com o Sporting!) no Nacional de Atletismo (masculino), que ganhámos pelo 4.º ano consecutivo. E, tal como em 2013, fizemos o pleno: títulos nacionais de Estrada, Corta-Mato (longo e curto), Pista Coberta e Pista!"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Glória

"O Benfica não é só Futebol e para além dos títulos conquistados este ano na mais popular das modalidades, o SLB sagrou-se também Campeão Nacional, com grande brilhantismo, Voleibol, Basquetebol - conquistando o tricampeonato - e no atletismo, modalidade superiormente dirigida no Clube, na qual a equipa masculina alcançou também o título de Vice-campeão da Europa.
O segundo lugar do Hóquei em Patins sabe a pouco e os adeptos interrogar-se-ão como foi possível perder na disputa do título a favor do Valongo, clube que os nossos venceram por 12-0 na penúltima jornada. A questão é que o Benfica não chegou ao título precisamente em Valongo, na primeira volta, derrotado não tanto pelo adversário mas por uma arbitragem carregada de erros todos para  mesmo lado. A conquista dos títulos no Voleibol e Basquetebol consagra o trabalho de equipas técnicas e plantéis de grande competência e dedicação ao Benfica. O quarto lugar no Andebol foi decepcionante e no futsal a eliminação da equipa nas meias-finais do play-off, o que aconteceu pela primeira vez desde que a Secção de Futsal foi criada no Clube há 13 anos, foi humilhante. É de esperar que, à semelhança do que já aconteceu no Andebol, a direcção do Benfica arrume a casa no Futsal.
Para além destes resultados mais mediatizados, equipas femininas do Benfica venceram, entre outros troféus, o Campeonato Nacional de Hóquei em Patins, pela segunda vez consecutiva, a Taça de Portugal de Futsal, e o acesso à Liga Feminina de Basquetebol. Também nos escalões da formação, no Futebol e em diversas outras modalidades, o Benfica se sagrou Campeão Nacional ou Regional.
Todos estes e muitos outros atletas contribuem para a glória do Glorioso. Os Benfiquistas prestam-lhe as devidas homenagens."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Novo ciclo

"A questão divide opiniões: pode um simples título, ou uma só temporada, determinar o início de um novo ciclo no futebol português? A resposta não é fácil. E, na verdade, a pergunta também não pode ser formulada deste modo.
Olhando de relance para as oito décadas de história que leva o campeonato nacional, podemos identificar alguns ciclos bem definidos, a par de algumas fases híbridas, de domínio repartido entre dois ou mais clubes. É fácil associar o final da década de quarenta, e o início dos anos cinquenta, ao Sporting dos “Cinco Violinos”. É igualmente linear o amplo domínio do Benfica de Eusébio, entre 1961 e 1975. De 1995 até 2009, foi o FC Porto a manter a hegemonia, não cabendo aqui dissecar os métodos pelos quais a atingiu. Porém, para o espaço de tempo decorrido entre esses períodos, ninguém poderá cantar superioridade absoluta. Por exemplo, entre 1975 e 1995, Benfica e FC Porto venceram nove campeonatos cada um (o Sporting conseguiu dois títulos). Nesses vinte anos, tivemos um ciclo repartido, que sucedeu a um domínio benfiquista, e antecedeu a hegemonia portista.
Ora, o que as últimas cinco temporadas têm demonstrado – não somente pelos títulos, mas também pela força relativa das equipas – é precisamente um reequilibrar dos pratos de uma balança que há pouco tempo atrás pendia claramente para um dos lados. Em cinco épocas, o Benfica venceu dois campeonatos e ficou três vezes em segundo lugar, ao passo que o FC Porto venceu três campeonatos, quedando-se em duas ocasiões pelo terceiro posto da tabela. Em número total de pontos, a diferença é escassa, a favor do FC Porto. Em número de jornadas na liderança, a vantagem, também escassa, é benfiquista. Pode, assim, falar-se de equilíbrio.
É prematuro afirmar que estamos perante a alvorada de um ciclo de domínio encarnado (só um segundo título consecutivo poderia apontar nesse sentido), mas é um dado insofismável que o domínio absoluto do FC Porto já não existe. Estamos pois num novo ciclo. Por agora…de equilíbrio."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 5 de junho de 2014

No país da inflamação do tendão rotuliano

"São muito diferentes Eriksson e Jesus em feitio, personalidade, imagem e oratória. Acrescente-se que Jorge Jesus, no caso que mete o Benfica, seja bem mais esperto que o sueco.

ERIKSSON, cujo valor de mercado caiu com estrondo nos últimos anos, não se cansa de lamentar, em múltiplas entrevistas e até na sua autobiografia, o facto de não ter correspondido ao convite de Luís Filipe Vieira e de Rui Costa para, em 2008, voltar a treinar o Benfica quando já estava de malas aviadas do Manchester City por indecente e má figura.
No fim do mês passado, voltou à carga sobre o mesmo assunto o treinador sueco que veio revolucionar  futebol português no início da década de 80. Em declarações a um site da revista inglesa - FourFourTwo -, Eriksson continuou a dar asas ao seu processo de autoflagelação: «O meu grande remorso é ter recusado o cargo de treinador do Benfica depois de ter deixado o City».
O tempo, como sabemos, não volta para trás. E é precisamente disso que se queixa o sueco que, em 2008, optou por uma aventura que se revelaria desastrada com a selecção do México para, dois anos mais tarde, se meter noutra alhada, um part-time exótico com a selecção da Costa do Marfim no Mundial da África do Sul.
Depois destas infelizes incursões, o que se sabe de Eriksson é que passou pelo Leicester, que não é propriamente um colosso do futebol inglês, pelas Arábias e que, ultimamente, foi visto na grande China a treinar um clube local.
O que ninguém sabe é o que teria acontecido a Eriksson e ao Benfica se, no tal ano de 2008, o sueco tivesse mandado às malvas os simpáticos mas exigentes mexicanos e tivesse optado por regressar à Luz.
A ter acontecido assim, não teria havido a contratação do simpático e impecavelmente aprumado Quique Flores que, em termos de bom aspecto geral, deixou saudades mas que, em termos de resultados, o melhor que conseguiu foi a conquista de uma Taça da Liga, a primeira das cinco que o Benfica já transportou para o seu Museu.
Foi o flop Quique Flores que autorizou Luís Filipe Vieira, contra a opinião de muita gente da casa, a ir buscar Jorge Jesus ao Sporting de Braga para iniciar este consulado vigente já vai para a sexta temporada.
Num exercício de especulação (é também para estas actividades inocentes que o defeso serve), pode-se imaginar que dificilmente Jorge Jesus viria a ser o substituto de Eriksson caso as coisas não tivessem corrido bem ao sueco, tal como não correram a Quique, ou dando-se o caso, melhor ainda, de as coisas terem corrido tão bem ao sueco que nem haveria necessidade de o substituir.
Tudo isto para concluir que, estando tudo como está presentemente - Jesus a partir para a sexta época no Benfica e Eriksson a partir para mais uma aventura, desta feita na China - é perfeitamente aceitável o arrependimento do treinador sueco que tantos e tão bons anos passou em Portugal, onde sempre se sentiu reconhecido, estimado e confortavelmente em casa, o que até pode parecer estranho sendo ele um escandinavo na cabeça aos pés e sendo nós, portugueses, bem diferentes e, frequentemente, sem pés nem cabeça.
Não dá trabalho, portanto, comparar Eriksson com Jesus na base do feitio, da personalidade, da imagem e da oratória de cada um. Na verdade, são incomparáveis. São dois seres totalmente diferentes, ainda que me pareça que Jorge Jesus, neste caso particular que mete Benfica - o clube certo para ambos, embora nem um nem outro tenham nascido benfiquistas - seja bem mais esperto e sagaz do que Eriksson.
Em 2008 o treinador sueco trocou o certo (o Benfica) pelo incerto (a selecção mexicana) e arrependeu-se até mais não. E continua com choradeira sempre que o tema vem à baila.
Entre 2009, quando chegou à Luz e 2014, o treinador português não parou de ser seduzido pelo putativo incerto (FC Porto, Arábias, recentemente até o AC Milan e até, confessadamente, o Sporting) mas tem vindo a optar sempre pelo certo (o Benfica), onde nada lhe falta, como nada faltou a Eriksson nas suas duas passagens pelo Benfica nos anos 80 e, mais tarde, nos anos 90.
Entre estas duas figuras, a quem os benfiquistas aprenderam a chamar suas, há um ponto em comum: ambos perderam duas finais europeias pelo Benfica. Eriksson perdeu uma Taça UEFA (contra o Anderlecht) e uma Liga dos Campeões (contra o AC Milan) e Jorge Jesus perdeu duas Ligas Europas (contra o Chelsea e contra o Sevilha). Falando de títulos nacionais, Eriksson vai à frente de Jesus somas 3 campeonatos contra os 2 do treinador português.
A questão é que enquanto o sueco está na China até mais ver, o português estará na Luz também até mais ver. O presidente do Benfica ainda recentemente exibiu a sua total disponibilidade para lhe renovar o contrato por mais um, dois ou três anos. É essa a vantagem de Jorge Jesus no seu campeonato particular com Sven Goran Eriksson. Tem, se quiser, muito tempo pela frente para fazer mais e melhor do que aquilo que o sueco fez. E foi muito.
Tudo isto serve, como já se percebeu, para manifestar o meu regozijo pela continuidade de Jesus entre nós, para o cumprimentar pela excelente entrevista que concedeu à SIC Notícias, em que genuinamente parecia tudo menos um sueco, e para lhe desejar um época. Que bem as merece. E nós também.
E, com toda a franqueza, já tenho saudades de ver jogar o Benfica.

NO Benfica, nem que seja por sermos tantos, é digna de elogio a pluralidade de opiniões. Tenho escutado a muitos benfiquistas alguma incompreensão, e até mesmo revolta, pelo facto de a Benfica TV ter entre os seus naipes de comentadores residentes ou eventuais alguns antigos jogadores do Benfica que, por uma razão ou por outra, saíram a mal do clube destratando com maior ou menor intensidade o emblema e as suas gentes.
Não compreendem nem aceitam alguns desses benfiquistas que o Benfica receba de braços abertos quem hipoteticamente lhe fez mal ou o traiu. Dizem que não ter memória não é ser grande e outras coisa que tais, coisas zangadas impiedosas.
Há outras opiniões sobre o assunto entre o vastíssimo número de adeptos. Há, por exemplo, quem defenda precisamente o contrário. Que perdoar é que é ser grande.
Ainda que, se calhar muitos não o saibam, estes benfiquistas benevolentes são directamente inspirados por um teólogo romano do século IV, Tertuliano, que deixou escrito: «Se quiseres ser feliz num segundo, vinga-te; se quiseres ser feliz a vida inteira, perdoa». E não deixava Tertuliano de ter razão.
Devo confessar que, com o passar dos anos, fui-me passando do grupo dos impiedosos para o grupo do tertulianos no que diz respeito a estes casos da gloriosa porta sempre aberta para quem por ela se escapuliu. Sinal de fraqueza da minha parte, dirão. Nem vos vou contrariar. A meu ver o Benfica é muito mais do que um clube, é uma obra social, não me canso de o repetir com orgulho, sabendo até que o orgulho não é bom sentimento.
Provavelmente, à laia de justificação, assistiu-me a necessidade de partilhar estes triviais pensamentos com os leitores benfiquistas antes de lhes comunicar o seguinte: fiquei sinceramente contente por ver Paulo Sousa - sem dúvida, um dos nossos piores trânsfugas - a assinar o seu contrato de treinador com o Basileia depois de ser sagrado campeão em Israel.
Ao comando do campeão suíço, Paulo Sousa será o quinto treinador português a marcar presença na próxima edição da Liga dos Campeões (depois de Jorge Jesus, Marco Silva, Leonardo Jardim e André Villas-Boas). Digam lá se não é bonito?

DE acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, a China enfrenta uma nova epidemia de gripe das aves, a cólera volta a atacar em Angola, no Brasil há o problema do dengue enquanto no Arkansas se sofre com a febre dos fenos. Enfim, para cada ponto do globo sua maleita.
Convirá, talvez, avisar as autoridades mundiais na matéria que Portugal passou a ser desde anteontem, por unanimidade, o país da Inflamação do Tendão Rotuliano.
Desde que a FPF, corajosamente, deu o nome à maleita que apoquenta Cristiano Ronaldo logo o anteriormente desconhecido e agora já célebre tendão rotuliano entrou no léxico, no imaginário e na corrente sanguínea dos portugueses. Se o nosso capitão tem o tendão rotuliano inflamado, todos os seus compatriotas, por contágio e por solidariedade, também querem ter.
Aliás, já há mais especialistas nacionais em problemas do tendão rotuliano do que em treçolhos."

Leonor Pinhão, in A Bola

Jesus ano VI

"Jorge Jesus deu uma extensa entrevista à Benfica TV, onde respondeu a um vasto conjunto de perguntas bem formuladas (algumas embaraçosas) por Hélder Conduto.
Para mim, foi a melhor entrevista do técnico benfiquista que, nela, se revelou directo, autêntico, sabedor, sagaz. Um homem total e vibrantemente apaixonado pela sua profissão, que não renega as suas origens humildes e os sacrifícios por que passou, que fala da família e dos seus amigos com sentido gregário e imprescindível à sua vivência.
Falou um treinador que absorve futebol pelos poros, quase geneticamente. Esta sabedoria não lhe vem de manuais teóricos, mas de uma aprendizagem contínua e de um trabalho incessante construídos nos embates da envolvência do seu ofício.
A entrevista teve, aliás, o mérito de não ser, como é da praxe, politicamente correcta e cheia de lugares-comuns. Foi verdadeira, saudável, explicou o que poderia publicamente explicar. Deixou perceber, sem rodeios, o redemoinho da sua personalidade feita de talento, trabalho, exigência, obstinação, imaginação. Sempre com genuinidade, embora não imune a excessos.
Nestes cinco anos deu densidade competitiva ao futebol do Benfica, foi capaz de manter um elevado nível e qualidade mesmo com a sangria inevitável por razões financeiras e revelou-se um ímpar construtor de equipas e formador exímio de jogadores. Não há um único jogador do plantel que tenha regredido com Jesus. Jesus entra no seu ano VI no SLB. Com desafios acrescidos que, por certo, irá enfrentar com audácia, tenacidade e responsabilidade.
P.S. Excelente também a entrevista (perguntas e respostas) no play-off da SIC N."

Bagão Félix, in A Bola

Tribunal da Concorrência fixa coima da Sport TV em 2,7 milhões

"Tribunal de Santarém rejeita argumentos da Sport TV e confirma entendimento do regulador, mas reduz valor da coima para 2,7 milhões de euros.

O Tribunal da Concorrência confirmou a decisão da Autoridade da Concorrência (AdC), que em Junho do ano passado condenou a Sport TV por abuso de posição dominante no mercado dos conteúdos desportivos por subscrição, mas reduziu o valor da coima a aplicar de 3,7 milhões de euros, para 2,7 milhões. A Sport TV vai recorrer da decisão, garantiu ao PÚBLICO fonte oficial da empresa detida pela Controlinveste e pela NOS (antiga Zon Optimus).
No ano passado, a Sport TV recorreu da decisão condenatória da AdC e a acção encontrava-se a correr no Tribunal de Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS) em Santarém. Mas o juiz rejeitou os argumentos da empresa que controla os direitos televisivos dos jogos de futebol em Portugal e nesta quarta-feira confirmou a decisão condenatória da entidade liderada por António Ferreira Gomes.
"Na sentença de hoje, o Tribunal da Concorrência confirmou que a Sport TV abusou da posição dominante que detém no mercado de canais de acesso condicionado com conteúdos desportivos premium, em prejuízo da concorrência e dos consumidores, mas reduziu o montante da coima para 2,7 milhões de euros", precisou a AdC num comunicado ao início da tarde.
Apesar de a deliberação do tribunal de Santarém ainda ser passível de recurso, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) considerou-a “um passo, determinante e irreversível” para o “fim do monopólio dos direitos televisivos” e na direcção daquilo que considera ser o “regular funcionamento do mercado”.
“O monopólio da Sport TV no mercado dos direitos de transmissões televisivas das competições nacionais configura um atentado à economia de mercado e à livre concorrência e propicia abusos como o que agora é punido”, frisou a entidade, em comunicado.
A LPFP assegura ainda que continuará a “desenvolver todos os esforços no sentido de que a Lei seja cumprida, libertando os clubes do monopólio, abrindo o mercado à livre e sã concorrência e protegendo os direitos dos consumidores”.
O processo da AdC contra a Sport TV foi motivado por uma denúncia da Cabovisão, em Julho de 2009, quanto ao modelo remuneratório utilizado pela Sport TV e que vigorou entre 1 de Janeiro de 2005 e 31 de Março de 2011. A decisão condenatória da AdC teve por base a conclusão de que a Sport TV definiu e aplicou “um sistema de remuneração discriminatório” nos contratos de distribuição firmados com os operadores de televisão por subscrição.
Esta “conduta abusiva” da Sport TV teve como efeito “a restrição da concorrência” no mercado dos conteúdos premium desportivos, no qual a própria empresa detém uma posição de domínio, bem como no mercado retalhista de televisão por subscrição, concluiu o regulador.
A Sport TV acusou a AdC de tomar uma decisão "tardia e desproporcionada" e levou o processo ao Tribunal da Concorrência, preparando-se agora para apresentar recurso junto do Tribunal da Relação. 
Além desta questão relativa aos contratos de distribuição, os caminhos da Sport TV e da AdC cruzam-se ainda no processo da chamada Operação Triângulo, através do qual pretendem assegurar a entrada da PT no capital da empresa, cuja estrutura accionista passará a ser composta pela Controlinveste (50%), NOS (25%) e PT (25%). O processo de concentração permanece em investigação aprofundada na AdC, mas as empresas já assumiram alguns compromissos para diminuir as reservas do regulador face à operação.
Em Abril as empresas entregaram à AdC um documento em que se comprometeram a não inviabilizar o surgimento de novos canais concorrentes de conteúdos desportivos, nem partilhar informação comercial sensível através dos administradores que venham a nomear para o canal desportivo."

Inside the Fixing: How a Gang Battered Soccer’s Frail Integrity

"A New York Times investigation of match fixing ahead of the 2010 World Cup gives an unusually detailed look at the ease with which professional gamblers can fix matches.

ROVANIEMI, Finland — A man arrived at the police station here in 2011 with an unusual tip. He told the police that a Singaporean man was fixing matches with the local professional soccer team. The police were incredulous.
This city on the Arctic Circle is known as the hometown of Santa Claus. It boasts a theme park with reindeer, elves and jolly St. Nicks. It is also a popular destination for Asian couples looking to make love under the Northern Lights. Rovaniemi is known for many things, but not for organized crime.
“Then after a few days, we started to realize that we had something real,” said Arttu Granat, a police detective at the time who hunts moose on the weekends. “So we started to build up the surveillance team.”
The detectives soon discovered that Wilson Raj Perumal, a match fixer from Singapore, was toiling away in Rovaniemi, working with several players, unbeknown to the coach. Mr. Perumal was considered a risk by his associates in a Singaporean match-rigging syndicate, so the group had sent a representative to Finland to tip off the police, Mr. Granat said.
Mr. Perumal was arrested and given a choice: Talk or be sent back to Singapore, where his punishment might be severe.
Mr. Perumal talked. His account — along with confidential documents, judicial investigations and interviews with people with knowledge of the syndicate’s operations — revealed how pervasively illicit gambling operations have infected global soccer, leaving the legitimacy of what fans see on the field more fragile than ever.
The match-fixing syndicate Mr. Perumal worked for very effectively exploited soccer’s vulnerabilities. According to European police investigators, the syndicate has manipulated hundreds of professional soccer matches around the world by identifying players and referees ripe for bribery — particularly in countries that pay low wages.
The syndicate’s schemes often succeeded with apparent ease, including the rigging of exhibition games in the lead-up to the 2010 World Cup, raising concerns about the ability of officials to thwart match fixing.
After his 2011 arrest in Finland, Wilson Raj Perumal, above right in suit, charted for the police the organization of a Singaporean match-fixing syndicate that he worked for. The syndicate was run by Tan Seet Eng, known as Dan Tan, above top right, who collaborated with Ante Sapina of Croatia, left, to fix hundreds of soccer matches worldwide in nearly every league.

The Apprentice Fixers
Mr. Perumal learned his trade in an informal school for match fixers in Singapore, along with Tan Seet Eng, a Singaporean man known widely as Dan Tan. In the early 1990s, they would gather in the stadiums where illegal bookmakers would take bets on the Malaysian-Singaporean soccer league.
The fixers were so successful that a Malaysian Cabinet minister estimated that they succeeded in fixing more than 70 percent of the league’s matches. The corruption was so bad that the Malaysian-Singaporean league collapsed.
At the bottom of the fixers’ hierarchy were runners: the go-betweens for the players and the fixers. Above the fixers were influential businessmen with the money to back the more expensive fixes and the protection muscle to make sure the network ran smoothly.
In the syndicate’s early days, there was one king, known as Uncle Frankie, a legend among match fixers. He was a Chinese-Indonesian businessman who sometimes used the name Frankie Chung, but his real name could not be confirmed. He knew that the global expansion of soccer presented lots of fixing opportunities. Uncle Frankie would go to major international tournaments, like the World Cup, and try to bribe players and referees.
Uncle Frankie taught Mr. Tan and Mr. Perumal the dirty secret of international soccer: Many teams and their personnel are poor, so they often have players, coaches and referees open to bribes.
“In every competition you find gamblers around,” said Kwesi Nyantakyi, president of the Ghana Football Association. “Yes, every competition. Every competition, they are there. It is done all the time in major competitions. In all the major tournaments, World Cup, Cup of Nations.”
“The gamblers are not Africans,” he added. “They are Europeans and Asians. So they have a lot of money to bet on these things.”
With its talented players with little money, Ghana is one of the countries that fixers frequently target at international tournaments, Mr. Nyantakyi said. So he was not surprised when, in 2007, it was discovered that there had been an attempt to fix an international match involving Ghana’s celebrated goalkeeping coach, Abukari Damba, who was working with the Singaporean fixers.
After some players turned him in, Mr. Damba confessed and said in a Ghana Football Association hearing that he had worked with the Singaporean fixers for 10 years.

Enter the Croatians
Mr. Perumal joined the international match-fixing group in 2008. In his interrogation cell in 2011, he charted the syndicate’s organization for Mr. Granat and other Finnish police officers. It had European partners and Chinese backers who supplied money allegedly laundered through casinos in Macau.
The match-fixing syndicate was a criminal network, according to European police investigators. Europeans supplied compliant referees, players and coaches; Mr. Tan and the Singaporeans provided access to the vast, unregulated sports gambling market in Asia.
If the match fixers had only the referee on the take, they would say it was a one-star fix. In this case, the Asian syndicate would bet a smaller amount. If the local fixers had the entire team and the officiating crew on the take, it was called a five-star fix, and the syndicate would wager far more.
This system was devised at a meeting in a hotel room in Vienna in September 2008 between the Asian syndicate run by Mr. Tan and Ante and Milan Sapina, two Berlin-based Croatian brothers who had a vast network of corrupt soccer players, referees and coaches. The Sapinas have twice been convicted of match fixing in Germany and are in prison there.
Together, they fixed hundreds of soccer matches around the world, targeting nearly every league — from the prestigious Champions League and World Cup qualifying matches to obscure, low-level matches. Once the Sapina brothers had persuaded their contacts to fix matches, Mr. Tan could then place bets on the Asian sports gambling market, the biggest in the world. Because much of the Asian market is underground, estimates of its size vary greatly. Patrick Jay, a senior executive of the Hong Kong Jockey Club, one of the largest government-controlled gambling companies in the world, estimated that the Asian market handled $1 trillion in wagering.
“It is huge,” Mr. Jay said. “FIFA boasts about how much money they make every four years with the World Cup. You know what they call $4 billion in the illegal betting markets in Asia? Thursday.”

680 Suspicious Matches
Terry Steans, a former FIFA investigator who now runs a sports security company in the United Kingdom, said the syndicate of Mr. Tan and Mr. Perumal moved fixing to another level from the early days of simply approaching players in hotel rooms.
“They organized tournaments where they invited entire teams — no one watched the games, they were not televised,” Steans said. “The whole thing was set up for the gambling markets.”
All seven goals were scored on penalty kicks — all awarded by referees the syndicate had chosen and flown in.
“For sheer nerve, it has to rate high up there,” Mr. Steans said. “They hired the stadium. Would not sell tickets. Would not allow fans in. No television. Four international teams. Bought the referees and made money on the gambling market. It is pretty brazen.”
FIFA eventually barred the referees.
In February 2013, Europol, the European Union’s police intelligence agency, said the results of 680 matches worldwide from 2008 to 2011, including World Cup qualifying matches and European Champions League matches, were considered suspicious. Mr. Tan’s group did most of this work, investigators said.
In Italy, Mr. Tan was so successful working with Balkan associates who had connections with Italian organized crime that more than 20 Italian professional soccer teams were investigated for match fixing. A senior investigator of Italy’s National Organized Crime Task Force labeled Mr. Tan as the “No. 1 wanted man in Italy.”
“For their part, Dan Tan and his group constitute a criminal network that is both dangerous and quick to violence in case of anyone who breaks their rules,” an Italian prosecutor wrote in his statement. “This is stated in the testimony of one of the members who said it takes very little in the case of treason by one of the group to risk their murder.”
The European investigators determined that Mr. Tan’s syndicate also managed to fix matches played in the United States. In 2010, it persuaded a majority of El Salvador’s national team to throw a game against D.C. United of Major League Soccer as well as an international match against the United States in Miami. Many of the Salvadoran players were subsequently barred for life.

The Syndicate Lives On
In 2011, Mr. Perumal was found guilty of corruption in Finland and was sentenced to two years. He was released early. In late April, he was arrested again in Finland because, the police said, he had returned to the fixing business and had an outstanding international arrest warrant. He faces extradition to Singapore.
Last year, Singaporean law enforcement officials arrested Mr. Tan. However, he is in indefinite detention and may not stand trial. The scale of his match fixing may never be fully revealed.
Their arrests are not expected to stanch match fixing in Asia. Mr. Granat, the detective who helped disrupt Mr. Perumal’s exploits in northern Finland, said he ultimately recognized the group’s extraordinary reach.
“I remember I started to take it seriously when Wilson Raj Perumal had been in prison for a week and he told me, ‘This particular game next week will be fixed,' ” Mr. Granat said. “He was in custody, and he could still tell me these things.”
In a recent interview in Kuala Lumpur, an associate of the syndicate’s discussed the group’s next phase. “Dan Tan and the others are locked up, but the betting cartel has just carried on,” he said, speaking on the condition of anonymity for fear of retribution.
“They have new people to do their work. There is no stopping them.” "

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Rir

"O riso é, na sua essência, uma lídima expressão de liberdade. Por isso, há quem se ria por tudo e por nada e há quem adore pessoas que façam rir. São uns felizes, certamente.
Não me refiro ao humor britânico que é a forma inteligente de se ser suave no humor e a via suave de ser inteligente no humor.
Nem ao humor negro que segrega a graça através da desgraça.
Nem ao humor vítreo que vive nos olhos paredes-meias com o cristalino e que nos dá a riqueza de poder olhar o humor de espírito e de desfrutar do espírito de humor.
Refiro-me antes ao riso quase incontido que se manifestou, há dias, no mundo do nosso doméstico futebol. Onde abundam pessoas bem-humoradas e pessoas com toneladas de humor.
Há sempre humor escondido por detrás de uma polémica arbitragem, de um cartão amarelo ou vermelho ou de um resultado desportivo nem sempre desejado. O que ainda não sabia é que também há formas de riso à tripa-forra por entrevistas de terceiros. Neste caso, pode até acontecer que o riso seja uma capciosa forma de não chorar, ou, pelo menos, de contornar o que não se gosta de ouvir. Talvez até um rir a bandeiras despregadas para dissimular um riso amarelo (ou de outra cor...).
Há quem julgue o riso um produto de pacotilha. Ou liofilizado, com direito a desconto na mentira, ironia ou omissão. Ou programado, com horas certas e locais convenientes.
Nestas alturas, vem-me à memória o que, um dia, Miguel Esteves Cardoso escreveu: O riso é lindo. Não é preciso rir de. Rir de é uma inferioridade. Nem sequer é preciso rir porque. O melhor é rir sem fazer a mínima ideia porquê.
Afinal tudo é risível..."

Bagão Félix, in A Bola

O grande desafio de Jesus

"Luís Filipe Vieira anunciará cedo ou mais tarde, a renovação de contrato com Jorge Jesus, o seu treinador preferido, aquele a quem deu o inevitável voto de confiança no preciso momento em que todos pareciam pretender pregá-lo na cruz. Mérito do presidente do Benfica, que com essa sua sábia atitude recolocou o seu clube nos eixos e com os resultados que estão à vista de todos. Jorge Jesus retribuiu agora o gesto, ao recuar, como o próprio já confessou, convites mais sedutores do ponto de vista financeiro, embora menos entusiasmantes no plano desportivo. Ambos se entenderam para bem do próprio clube, que desde modo resolve um sério problema, apesar do grande desafio que está para vir.
Como todos já percebemos, o mercado de transferências vai com certeza agitar-se daqui a nada, o que signifique o novo campeão nacional vai perder jogadores determinantes, muito por força da competência evidenciada pela sua equipa nesta última época - três títulos nacionais assegurados e uma Liga Europa que foi perdida por uma unha negra com o Sevilha. Mas isso é uma situação que só Luís Filipe Vieira terá de avaliar e decidir, seguramente com os seus 'homens de confiança', sabendo-se que, volta e meia, é preciso renovar e deixar entrar ar fresco, e sem perder de vista o negócio. Se não houver surpresas de última hora, o Benfica perderá Garay, Enzo Pérez e Markovic, pelo menos, depois de se saber que Siqueira, André Gomes e Rodrigo estão de saída. Um desfalque e pêras. Vêm outros, é certo, mas não será a mesma coisa, e vai ser necessário começar quase do zero.
É com esta mais do que provável realidade, repita-se, caso não haja surpresas de última hora, que Jorge Jesus terá de se confrontar na preparação da próxima época. Um desafio, pois, à altura da sua ambição, nada a que o 'mestre do treino' não esteja habituado, como ele tanta vezes repete, faltando saber se com idênticos resultados ou não. Pelo que se tem visto, é natural que o Benfica continue a ganhar, apesar das adversidades que lhe serão colocadas, num momento em que o mais fácil para Jorge Jesus era ter saído em ombros. Assim não o entendeu, o que se deve ao facto de não ser homem para virar a cara às dificuldades. O que só lhe fica muito bem."


PS: Esta certeza absoluta que cumentadeiros e jornaleiros têm relativamente às saídas no Benfica, é algo 'comovente'!!!

Uma fantasia

"Detesto o culto da personalidade e incomoda-me o endeusamento de Cristiano Ronaldo. Até porque isso diminui a responsabilidade dos outros 22 jogadores. Se Ronaldo é a estrela, é o menino-bonito, é o centro de todas as atenções, então ele que resolva... Por outro lado, a memória é curta - e muitos já esqueceram algumas decepcionantes exibições de Ronaldo ao serviço da Selecção. Até se dizia que havia um 'Ronaldo do clube' (fosse o Manchester United ou o Real Madrid) e um outro 'Ronaldo da Selecção'. Só que as últimas imagens é que ficam - e aí impõe-se a soberba exibição e os três fantásticos golos do jogo da Suécia.
Passando à actualidade, o último desafio disputado em território português antes do Mundial do Brasil foi uma monumental sensaboria. Um daqueles jogos que dão para começar a dormir no princípio e acordar no fim, sem se ter perdido nada.
Com franqueza, não percebo as opções de Paulo Bento ao experimentar um sistema novo (4x4x2 em vez do tradicional 4x3x3) e ao pôr em campo muitos jogadores que não serão titulares.
Estamos a menos de 15 dias do primeiro jogo, houve pouco tempo para ensaiar tácticas e criar rotinas, pelo que todas as oportunidades deveriam ser aproveitadas para olear a equipa que vai actuar. Podiam poupar-se alguns jogadores mais sobrecarregados, como Ronaldo ou Pepe, mas a base seria o onze que alinhará no jogo com a Alemanha e a táctica seria a que vamos usar nesse encontro.
De que adianta rodar jogadores que possivelmente nunca irão jogar no Brasil? De que adianta rotinar uma equipa que nunca entrará em campo?
Percebo que todos devam treinar-se com intensidade, para todos estarem preparados para entrar, caso seja preciso. Mas os jogos de preparação deveriam servir para aperfeiçoar  conjunto que nos vai representar.
A intenção de Paulo Bento terá sido boa. E generosa. Mas com tão pouco tempo para trabalhar, o seleccionador não pode dedicar-se a devaneios. Tem de ser directo e pragmático. Ora aquele insólito grupo de futebolistas que jogou contra a Grécia no Jamor, ao nível das individualidades e da táctica, foi uma verdadeira fantasia."

Capitão no feminino...

Totalmente merecido...

terça-feira, 3 de junho de 2014

Águia real por entre as rochas da Sardenha

"Em 1970 o Cagliari foi campeão de Itália. Tinha jogadores como Albertosi, Domenghini ou Gigi Riva, titulares da Itália vice-campeão do Mundo. Em Dezembro de 1971 receberam o Benfica: perderam por 1-4.

Porque a Itália tem estado na ordem do dia para o Benfica, vamos então continuar por lá mais uns tempos, desfiando estopa na roca das lembranças.
Duas deslocações seguidas a Turim, inéditas, para a meia-final e final da Liga Europa, levam-nos hoje a 1971. Agosto. A águia voara até à Sardenha, essa rochosa ilha do Mediterrâneo que sofreu as diatribes da História desde o tempo das Guerras Púnicas. Cagliari é uma província da Sardenha. E também uma cidade Capital da província e da ilha.
Em Cagliari há o Cagliari Calcio; não menosprezem este nome. Hoje em dia pode ter saído no oblívio de muitos, pode mesmo não fazer parte da memória dos mais novos. Mas hoje vamos até 1971! E, em 1970, o Cagliari fora campeão de Itália: o seu único título. E que jogadores tinha o Cagliari: o guarda-redes Albertosi, por exemplo, ou Dominghini, e sobretudo Gigi Riva, o menino bonito do futebol italiano, os três titulares da grande selecção de Itália que, no México, disputara e perdera a final do Campeonato do Mundo frente ao Brasil de Pelé, Tostão, Rivelino e Jairzinho.
Ah! Grande equipa esse Cagliari! Não tenham dúvidas. Batia-se com os grandes de Itália de igual para igual.
Foi com esse grande Cagliari que o Benfica mediu forças no Estádio Sant'Ellia no dia 21 de Agosto de 1971. Primeiro encontro de um digressão a Itália que compreendeu mais dois jogos, em Génova e Bérgamo. Falaremos deles depois.

Arte de um futebol renascentista
Rezam as crónicas que o Sant'Ellia recebeu mais de 50 mil pessoas verem o Benfica - o estádio era novo, tinha pouco mais de um ano. E podem ter a certeza de que essas 50 mil pessoas viram o Benfica, e o melhor Benfica. José Henrique; Malta da Silva, Humberto, Rui Rodrigues e Artur; Jaime Graça, Eusébio e Simões; Nené, Artur Jorge e Vítor Baptista. Um regalo de futebol ofensivo! Jogaram também Zeca e Adolfo. Do outro lado, além dos tais Albertosi, Domenghini e Gigi Riva, havia ainda Tomasini, Paletti, Niccolai, Cera e Macin, Greatti, Gori e Vitali.
Aos 6 minutos, os sardos, investidos de um orgulho muito seu, ganharam vantagem por Gori a passe de Riva. Festa! Alegria! O Cagliari teimava em ser grande, mesmo num jogo com tudo de amigável.
Mas o golo soltou os demónios benfiquistas. Simões foi crescendo, crescendo até se tornar imenso. Nessa altura já não era apenas o alacre ponta-esquerda que o Mundo aprendeu a conhecer. Era também um notável armador de jogo, um formidável organizador. Aos 33 minutos, Rui Rodrigues, lançou Vítor Baptista e o azougado setubalense não perdeu o ensejo do empate. Dois minutos depois, Eusébio emenda uma cabeçada de Artur Jorge e põe o Benfica na frente. Gela-se o entusiasmo dos ilhéus. Desfolha-se o futebol de ataque do Benfica. Rui Rodrigues é, também ele, um maravilhoso estratega: isola Nené em frente a Albertosi; o grande «keeper» italiano impede o golo imediato mas nada pode fazer contra a recarga de Artur Jorge. 3-1.
O Benfica manda. É poderoso. O seu futebol é perfeito na técnica super de todos os seus jogadores. O Cagliari podia ter sido campeão de Itália no ano anterior, mas é - à imagem do que foi a Juventus, campeã de Itália nos últimos três anos na eliminatória da Liga Europa - impotente perante a perfeição encarnada. Aos 70 minutos, a obra de arte: digna de Boticelli ou Donatello. Nené escapa-se pela direita, faz um centro largo, bem medido; Artur Jorge surge na área, de supetão, mas não remata, faz só que remata, simula e deixa seguir a bola para Eusébio. Eusébio é ainda Eusébio. Sê-lo-á por mais três anos até entrar definitivamente pelos anchos portões da Eternidade. Aplica um pontapé forte, colocado, irretocável. É golo e é poema! É golo e é pintura! Aplausos estremecem as bancadas. Uma rendição colectiva ao talento dos portugueses. Sardenha, a ilha, Cagliari, a sua capital, agradecem a presença do Benfica. Souberam merecê-la. Quem ama o futebol reconhece o brilho alvo das suas estrelas."

Afonso de Melo, in O Benfica