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domingo, 19 de julho de 2026
Benfica: dois 'reforços' a valorizar
"Rafa Silva e Pavlidis marcaram na vitória frente ao Villarreal e dão esperança aos benfiquistas de que, com uma equipa melhor, os jogadores mais valiosos possam voltar a destacar-se
Faltam cinco dias para o primeiro jogo oficial do Benfica em 2026/27 e, do que deu para ver até agora, a equipa está como seria de esperar: em ritmo de pré-época, com reforços ainda à procura de mostrar o que valem e jogadores em campo que entretanto vão sair do clube. Não adianta formar grandes certezas nesta altura, a partir da próxima quinta-feira é que vamos começar a saber o que vale esta águia.
Do amigável de ontem frente ao Villarreal (se bem que, mais uma vez, de amigável teve pouco, com algumas entradas algo escusadas dos espanhóis neste contexto...), fica a sensação que, entre olhar para quem vem ou para quem sai, os benfiquistas poderão desde já agarrar-se ao que já tinham. Os golos de Rafa e Pavlidis, ambos de belo efeito, devem dar esperança de que, se melhores dias vierem, jogadores cuja qualidade está mais do que provada saberão estar à altura para dar mais alegrias aos adeptos. O contexto será determinante, pois claro. Se o treinador conseguir colocar a equipa a jogar bem e a obter resultados positivos, todos serão valorizados - e alguns já sabemos o que isso significa.
Outros, no entanto, nunca mostraram na Luz o que podem - e devem - valer. São os casos de Barrenechea e Sudakov, por exemplo, que já não podem esperar muita paciência dos benfiquistas e têm de provar rapidamente que com Marco Silva vão agarrar a nova oportunidade. Seria expectável vê-los com mais fome nesta altura, porque não há varinhas mágicas que os tornem fundamentais para o Benfica de um momento para o outro. Sabemos que as águias estão à procura pelo menos de um médio defensivo, por isso eles também saberão...
Entretanto, Jhon Durán está a chegar, numa movimentação algo surpreendente da administração de Rui Costa. O valor do avançado colombiano é conhecido na Europa que o viu brilhar no Aston Villa, ainda que com as dúvidas naturais do que se seguiu na curta carreira. A posição não seria a mais prioritária a reforçar, mas Marco Silva queria algo além de Pavlidis e Ivanovic. Confesso que também não conheço muitos adeptos que não fiquem entusiasmados com um bom avançado em qualquer altura ou contexto. Noutros tempos, aliás, este anúncio seria motivo de euforia na Luz. As desilusões acumuladas nos últimos anos trazem consigo alguma contenção, o que até pode jogar a favor do reforço - e da equipa. Se correr bem, Durán trará golos e o empréstimo será visto como o agarrar de uma excelente oportunidade. Se correr mal, digamos que não será a primeira vez."
Quando o futebol tem a sua lógica
"Alemanha, Brasil, Uruguai e Portugal são, de forma quase consensual, as grandes desilusões deste Campeonato do Mundo. Parece fácil dizê-lo agora, porém, embora as expetativas estivessem altas, as quatro equipas apresentavam problemas sérios na sua constituição. Na raiz do problema, há uma crise de identidade no futebol teutónico, que atinge a própria matriz genética do jogador, a par de uma fratura geracional, no setor defensivo. A isto, Julian Nagelsmann somou decisões que comprometeram a sua própria liderança, com promessas não cumpridas e a gestão do caso Neuer, por exemplo.
O Brasil teve de incorporar Neymar para aumentar o coeficiente de génio de um Escrete, que não teve um Vinícius Júnior líder que o carregasse até fases adiantadas no torneio. Houve truques, fintas, grandes passes e alguns golos, mas de tamanho desequilibrador espera-se sempre mais. E esse passo de conseguir reunir todos à sua volta, através do foco total no objetivo, ainda não foi dado. Entretanto, Neymar foi um acessório de luxo e pouco mais. «Finished», como quis sentenciar Jorge Jesus. Curiosamente, dos quatro casos, só Ancelotti mantém a fé dos dirigentes.
Já Marcelo Bielsa tentou fazer evoluir o conjunto uruguaio dos duelos individuais e futebol direto para um jogo de posse, mais sustentado. 'El Loco' perdeu-se no excesso de informação, nas escolhas que fez — o acorrentar de Valverde a um flanco, por exemplo — e até na mensagem, e nunca teve a garra charrúa do seu lado nas Américas.
Portugal nunca foi favorito nem sequer candidato, perdido em equívocos e no 'status quo'. O futebol foi pobre e medroso, e nunca houve uma verdadeira equipa que expressasse tanto talento incorporado"
Os campeões do Mundo
"João Pinheiro saberá aproveitar a extraordinária experiência do Mundial para dar ainda maior enquadramento e qualidade à fantástica carreira internacional.
João Pinheiro
Em Portugal, o hábito é contestar. A crítica aos árbitros e às arbitragens apontam, muitas vezes, a razões pessoais, e tornam-se, pela transversalidade das redes sociais e pela sua voracidade, impensáveis e inadmissíveis.
João Pinheiro chega ao Mundial de futebol e conquista uma presença de inegável prestígio e qualidade. Arbitra três jogos (Suíça-Bósnia e Herzogovina, Canadá-África do Sul e Argentina-Suíça) e é quarto árbitro de Danny Makkelie no Marrocos-Haiti.
Enquanto no país se multiplicam, com absolutas responsabilidades da comunicação social, as questiúnculas e críticas, as dúvidas e questões, num país pequenino em tantas coisas e muito pouco virado para o engrandecimento e qualificação dos que, realmente, fazem a diferença quando em cotejo internacional de grandes responsabilidades, João Pinheiro segue o seu caminho, com Luciano Maia e Bruno Jesus, e permanece numa task force de treze árbitros para os jogos finais da competição, após ter obtido excelentes avaliações nas três partidas em que foi árbitro central.
Fica naturalmente sem nomeações para os quatro jogos finais, em que a geopolítica do apito fala mais alto e é importante ser equilibrado nas nomeações. Com ele, também sem jogos, ficam Marciniak, Sampaio, Faghani…
João Pinheiro é um árbitro ainda jovem (38 anos), e consigo aporta a possibilidade óbvia de ser designado para o Mundial de 2030, em Espanha, Marrocos e Portugal. Poucos imaginam a capacidade técnica, física e psíquica necessária para se chegar ao nível de um Mundial.
A esmagadora maioria dos que critica, aliás, nem sabe quantas são as Leis do Jogo. Mas arroga-se o direito de lançar atoardas, tantas vezes sob o anonimato, cobardia permitida pela voracidade das redes sociais.
João Pinheiro é um campeão do Mundo, e saberá, certamente, aproveitar a extraordinária experiência do Mundial da Américas para dar ainda maior enquadramento e qualidade à sua fantástica carreira internacional.
Bubista
Começou por surpreender o mundo com uma qualificação imaculada, num grupo do continente africano que incluía Camarões, Líbia e Angola. A carreira dos Tubarões Azuis no caminho para o Mundial fez da equipa do arquipélago mais a sul da Macaronésia a grande sensação.
Realidade insular, ultraperiferia, dificuldades suplementares em reunir um combinado de prestígio, eram apenas pequenos obstáculos de pormenor para Bubista, o treinador que tudo sabe do futebol do seu país, e que sempre pensou possível o milagre do apuramento.
Imagine-se o que se seguiu nas Américas: bater o pé a três campeões do Mundo (Espanha, Uruguai e Argentina), não está ao alcance de todos. Aliás, é acessível a muito poucos. Pois Cabo Verde entrou nas bocas do mundo pela sua determinação, pela garra, pela capacidade de encarar todos os momentos do jogo como se fosse absolutamente decisivos. E foram. Até projetarem a equipa do arquipélago atlântico do modo mais simples possível: ao mais alto nível do planeta futebol, orientando os adeptos numa lógica de crença e orgulho impensáveis alguns meses antes da aventura mundialista.
Bubista, com um punhado de heróicos cabo-verdianos, é campeão do Mundo. Mostrou a todos, aos seus e ao resto do mundo, que quando se une esforços em torno de um objetivo comum, não há tempo que nos faça esperar, não há baliza que nos faça duvidar…
Marc Cucurella
Há um ano, quando se sagrou campeão mundial de clubes pelo Chelsea, havia já deixado a sua marca inconfundível. Um lateral-esquerdo que se projeta com extremo, que faz da garra e da confiança marca de água, e do seu denso cabelo aviso claro aos adversários.
Marc Cucurella protagonizou uma das mais badaladas transferências do último mercado, trocando os blues de Stamford Bridge pelo Real Madrid. Mas antes de se afirmar no Paseo de la Castellana, volta a provar porque deixou, no último Europeu, Alex Grimaldo no banco: Cucurella é, para todos, um dos melhores laterais do mundo e, para muitos, o melhor.
A raça infindável, a capacidade física invejável, a vontade como joga, são cartões de visita do novo jogador merengue que, na sua seleção, é incontornável figura. Antes mesmo da final, Marc é já um campeão do Mundo, e quer juntar ao escudo de clubes a glória maior na sua seleção.
Lionel Messi
Começam a faltar palavras para falar deste rapaz de Rosário, cidade do futebol e de grandes rivalidades entre Newell’s Old Boys e Rosario Central. Aos 39 anos, a perceção do jogo que Messi demonstra é apenas mensurável na exata proporção da sua humildade.
Sem bola, a sua influência na seleção argentina é ainda maior do que quando a tem nos pés.
Porque procura a posição ideal, percebe os movimentos adversário, encontra linhas de passe e permite, quando a equipa volta a ter bola, uma rápida decisão aos companheiros.
O maior perigo de Lionel é, justamente, quando a sua equipa não tem a posse. Os oponentes reconhecem-no, e sabem que a magia, a qualidade técnica, a visão e a imprevisibilidade fazem o resto.
Marcador, assistente, ou simples elemento de equipa, Lionel Messi traz o puro futebol. Joga na equipa e a equipa joga com ele. Não espera que do céu surja o que quer que seja, nunca aponta para si, antes se integra no coletivo, percebendo exatamente que essa é toda a essência do jogo.
A Argentina joga com alma, com uma condição única que se traduz na presença de espírito e na qualidade de cada jogador transmitida ao todo. É aqui que entra o homem que, à beira dos 40, não precisa voltar para provar absolutamente nada. Porque nunca deixou de estar onde era preciso para levar os seus colegas a patamares de excelência.
Se noutros casos a piada se faz sozinha, com Messi basta, só, a segurança de um extraterrestre: na qualidade de passe, no brilhantismo da finta, na excelência do sentido coletivo, na capacidade de decisão, sempre que é necessário.
É isso que o faz estar junto a Edson Arantes do Nascimento e a Diego Armando Maradona como um dos três Olimpos.
Afinal, Leo é também D10S."
As ‘americanices’
"Tenho o maior respeito pelo sistema desportivo norte-americano, ao mesmo tempo baseado na escola, e sempre capaz de desenvolver eventos profissionais do mais alto nível. Quem tiver dúvidas do que afirmo, dê-se ao trabalho, recorrendo aos resultados dos Jogos de Paris/24, por exemplo, de ver quantos medalhados olímpicos, dos mais diversos países e nas mais díspares modalidades, provieram das Universidades e clubes dos Estados Unidos, onde encontraram meios físicos e apoio técnico para desenvolverem as suas capacidades.
Ou tente perceber o porquê do sucesso da NBA, NFL, NHL ou MLB, Ligas que movimentam todos os anos milhares de milhões de dólares, baseadas em pressupostos relativamente simples: apologia da verdade desportiva, através de um sistema de arbitragem permanentemente escrutinado, onde a meritocracia ganha de goleada ao corporativismo; e criação de equilíbrio entre as equipas, quer pela adoção de tetos salariais, quer pela implementação do sistema do ‘draft’, em que são as equipas com pior classificação as primeiras a escolher os melhores valores disponíveis.
Conseguem ainda, uma coisa mais, os norte-americanos: não sendo um país de futebol (ou ‘soccer’, se fizerem questão), encheram os estádios do Mundial, onde foram batidos recordes de assistência (eu sei que o maior número de jogos é indissociável deste facto, mas mal acabe o Espanha-Argentina será interessante fazer as contas à média de espetadores por jogo), e criaram riqueza através do espetáculo futebolístico, como nunca antes se tinha visto.
Mas uma coisa é respeitar o sistema desportivo norte-americano, adotando, inclusivamente, algumas das boas práticas que comporta, outra é, contra a cultura do futebol, ‘americanizar a martelo’ um jogo nascido em Inglaterra, que nunca rivalizou, do lado de lá do Atlântico, com o basquetebol, o futebol americano, o hóquei no gelo ou o beisebol. Espero que a UEFA abdique das verbas publicitárias criadas pelas chamadas ‘pausas de hidratação’, porque esse ‘time out’ desvirtua o futebol (e de início, refletindo pouco, até vi méritos nessa alteração); espero que nunca mais se copiem os intervalos musicais do Superbowl, como vai acontecer no domingo, mandando às urtigas as regras do futebol, que estipulam em 15 minutos a pausa entre a primeira e a segunda parte; e embora não me cause urticária, vejo como uma ‘americanice’ a entrega de anéis aos vencedores do Campeonato do Mundo. Espero, também, que nunca mais um Chefe de Estado se gabe de ter metido uma cunha ao presidente da FIFA.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"
Maradona ainda joga
"Os cemitérios existem para os homens. As pátrias guardam os seus heróis noutro lugar. É aí que Diego vive. No coração da Argentina.
Não é apenas uma memória. É uma presença. Diego Armando Maradona continua a entrar em campo. Sente-se no rumor das bancadas, na pele arrepiada de um hino gritado sem vergonha, na batida dos tambores que anunciam uma batalha e não apenas um jogo de futebol.
A Argentina nunca chega sozinha. Traz sempre uma multidão invisível. Entre todos os fantasmas e símbolos que a acompanham, nenhum pesa tanto como o de Maradona. Mas não pesa como um fardo. Pesa como uma herança. Como um coração suplementar que acelera quando as pernas já não chegam.
Messi deu ao país o Mundial que parecia destinado a fugir-lhe para sempre. No Qatar, levantou a taça e fechou uma discussão que apenas existia para quem não compreende a natureza da gratidão. Mas nem esse triunfo apagou Diego. Pelo contrário. A vitória de Messi devolveu Maradona ao centro da fotografia. Era impossível olhar para aquele grupo de jogadores sem sentir que caminhava acompanhado por alguém que já não podia ser visto, mas continuava a ser reconhecido.
Agora, neste Mundial, a história repete-se. Basta escutar a hinchada argentina. Maradona está em todos os cânticos, nas camisolas, nas bandeiras gigantes que atravessam as bancadas como velas de um navio antigo. Está nas tatuagens, nos murais improvisados, nas lágrimas de quem nunca o viu jogar e, mesmo assim, fala dele como se fosse um parente próximo. Há países que veneram os seus heróis. A Argentina conversa com eles.
Contra a Inglaterra, voltámos a ver Diego em todo o lado. Alguns jogos recusam envelhecer. Carregam dentro de si uma memória que nenhum calendário consegue domesticar. Quando argentinos e ingleses se encontram, é sempre mais do que um jogo.
Voltam os pibes de Malvinas, convocados pela emoção popular para um lugar onde a dor e o futebol aprenderam a falar a mesma língua.
Volta o México 86. A Mão de Deus, insolente como uma gargalhada contra o destino, e o Golo do Século, essa corrida em que um homem levou atrás de si um país inteiro e deixou para trás todos os adversários, incluindo a lógica.
É por isso que Maradona ainda joga. Não porque os argentinos se recusem a aceitar a morte, mas porque compreendem que certos génios deixam de pertencer ao corpo sem nunca deixarem de pertencer ao sentimento.
Diego já não precisa de tocar na bola. Outros correm por ele. Outros inventam por ele. Messi fez isso durante anos com uma elegância diferente, sem procurar parecer-se com ninguém. E foi por nunca ter tentado ser Maradona que conseguiu caminhar ao lado dele.
O futebol gosta de medir tudo em números. Golos, assistências, títulos, recordes. Mas há patrimónios que não cabem em estatísticas. Maradona transformou-se numa forma de sentir a Argentina. Enquanto houver um menino a sonhar numa rua de Rosario, de Buenos Aires ou de Jujuy, enquanto uma bancada cantar o seu nome antes do apito inicial, enquanto uma camisola albiceleste acreditar que o impossível pode acontecer, Diego continuará a entrar em campo.
Os cemitérios existem para os homens. As pátrias guardam os seus heróis noutro lugar. É aí que Maradona vive. No coração da Argentina."
Messi e Maradó! A minha heresia é já adorar dois deuses
"A final está quase aí e cresce a discussão. O título acabará com as dúvidas? Há tantas perguntas para as quais não conhecemos resposta e esta pode perfeitamente ser mais uma. Diego não precisou mais do que de 1986 para ser o melhor de sempre e Léo não tem de ganhar amanhã para se afirmar em definitivo como o maior da história. O que resolve o problema de consciência de todo o crente da Igreja Maradoniana. Como eu. E evita comparações injustas.
Messi não teve de lidar com a 'fúria espanhola'. Maradona, sim. Cada relvado desaparecia debaixo da mesa ensanguentada do 'carniceiro' Goikoetxea e ainda teve de escapar da vingança de ‘Gaddafi’, general e carrasco da Juventus e da 'Azzurra', protegido pelo apelido. Gentile era só mesmo para os amigos. Poucos! Hoje, pedem-se expulsões por pisões e pitons cravados no Aquiles, mas na altura não havia esquisitices e uma carreira terminada antes do tempo era apenas dano colateral. Além de que Diego era tão imperfeito quanto especial. Apoiava Fidel, vestia um Che estampado, lutava contra o sistema e, sim, sucumbia à pressão e caía na tentação. E, apesar disso, porque nada disso o protegia, era mágico. Como ele mesmo dizia, ‘la pelota no se mancha’.
Hoje, a 'fúria espanhola' já não existe. Messi, que sempre foi protegido dos carniceiros, já não tem pela frente a Espanha de 'Goiko' ou de Picasso, mas a de Rodri, Olmo, Ruiz, Pedri, Oyarzabal e Gaudí. E ainda bem. Maradona nem por isso. Ficou com o tornozelo com o dobro do tamanho depois de marcar o Golo do Século e eliminou o Brasil quatro anos depois com um joelho desfeito, ao dar o golo a Caniggia.
Estou em paz e saciado. Continuo sem ter visto alguém com o talento de D10S e, a cada drible e genialidade, Léo recupera-o também para a espuma dos dias. «Ho visto Maradona», cantou-se há dias em Nápoles e não foi coincidência. Sei que enquanto a 'Pulga' jogar, o 'Pelusa' estará vivo. E também que Messi, a cópia que mais se aproximou do original, talvez uma versão sua 'mainstream', o ultrapassou largamente. Tornou-se maior, durou infinitamente mais tempo, conquistou mais troféus. Esqueçam! A minha Igreja pode dar-se ao luxo de adorar dois deuses."
3.º Bronze. 4.º Nada. Eu abolia este jogo
"França e Inglaterra defrontam-se hoje
Vou ser claro: o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares não faz sentido no futebol de seleções. Defendo que deve desaparecer. É uma incoerência competitiva.
Durante quatro anos, jogadores, treinadores e federações trabalham com um único objetivo: serem campeões do mundo. Nunca ouvi um treinador iniciar um estágio a dizer que a meta é conquistar a medalha de bronze. Nunca vi uma federação definir o terceiro lugar como objetivo estratégico. Simplesmente porque não o é.
No entanto, quando duas seleções perdem as meias-finais, espera-se que, em apenas três dias, mudem completamente o estado emocional e encontrem motivação para disputar um objetivo que nunca existiu. Isso não é gestão emocional. É uma ilusão.
Podemos falar de profissionalismo, respeito pela camisola e compromisso competitivo. Tudo isso faz parte da responsabilidade de representar uma seleção nacional. Mas não confundamos dever profissional com motivação genuína.
Quem perde uma meia-final do Campeonato do Mundo não está a pensar na medalha de bronze. Está a pensar na final que deixou escapar. É irreal acreditar que, em tão pouco tempo, um treinador consegue reconstruir emocionalmente um grupo para transformar a maior desilusão da competição num novo grande objetivo.
Nunca passei por essa situação. Felizmente, na Taça das Nações Africanas vencemos a África do Sul nas meias-finais e chegámos à final. Mas recordo-me perfeitamente de que uma das grandes motivações era precisamente evitar este jogo. Porque ninguém sonha disputar uma consolação. Sonha disputar o título.
O futebol moderno gosta de criar narrativas para tudo. Também criou uma para este encontro. Diz-se que o terceiro lugar é prestigiante, que fica para a história, que merece ser celebrado.
Não concordo.
O terceiro lugar não é um objetivo. É a consequência de uma derrota na meia-final. E transformar essa consequência numa conquista parece-me uma forma de suavizar aquilo que o desporto de alto rendimento nunca prometeu: conforto para quem falhou o principal objetivo.
Se queremos preservar a essência competitiva do Campeonato do Mundo, então devemos assumir uma ideia simples: o Mundial termina na final.
As duas seleções derrotadas nas meias-finais já demonstraram que pertencem à elite do futebol mundial. Não precisam de disputar mais noventa minutos para decidir quem perdeu menos.
A minha proposta é simples: eliminar o jogo de atribuição do terceiro lugar e reconhecer ambas como semifinalistas do Campeonato do Mundo. nem todas as derrotas precisam de uma medalha. Algumas precisam apenas de ser aceites.
Porque, no fim, nenhum jogador inicia um Mundial a sonhar ser terceiro. Todos começam exatamente com o mesmo sonho: levantar a Taça do Mundo."
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