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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

SL Benfica 5-0 Sporting CP: Goleada das antigas com um Rafa brilhante

"Final número seis da Supertaça entre SL Benfica e Sporting CP com clara vantagem para os “verdes e brancos” no que diz respeito a vitórias. Os “leões” ganharam três vezes e os “encarnados” apenas uma – quando ainda a competição era jogada a duas mãos daí um empate registado também. Os comandados de Bruno Lage tentavam inverter a história, já os de Marcel Keizer queriam continuar com o legado que lhes foi passado. Mas Rafa fez bem o trabalho de casa para conseguir virar o histórico negro do Benfica.
Apenas dois minutos de jogo e o perigo já rondava a baliza “encarnada”. Uma enorme desatenção defensiva do Benfica com Bruno Fernandes a aparecer isolado nas costas da defensiva. O médio português progrediu no campo, passou para o meio para encontrar Bas Dost, mas Ferro cortou muito traiçorairamente. O número 97 do SL Benfica quase que ia traído Vlachodimos que atento salvou o primeiro da partida muito cedo.
Início de jogo muito intenso no Estádio do Algarve com ambas as equipas a quererem entrar bem na partida. Ora ataque “encarnado” ora ataque dos “leões”, o que é certo é que emoção não faltou nos minutos iniciais.
O Benfica ia aproveitando, e bem, a velocidade de Nuno Tavares pelo corredor direito visto que muitas vezes acabava por desequilibrar a equipa do Sporting. Já os “leões” aproveitavam as inúmeras falhas defensivas que equipa “encarnada” ia demonstrando ao longo dos primeiros minutos.
E quem podia ser mais? Só ele. Ao minuto 28, Bruno Fernandes a fazer novamente das suas. O médio português não foi de modas e fez um grande remate de longe e Vlachodimos voou para uma bela defesa e desviou para canto. Esta foi mesmo para ficar bem na fotografia. Depois deste lance, o Sporting voltou a tomar conta do jogo e os adeptos perceberam isso, começando a puxar mais pela sua equipa.
Estávamos no minuto 38 na partida e o Sporting conseguiu virar o jogo de um lado para o outro de forma muito rápida e desequilibrou, mais uma vez, a defensiva “encarnada”. Bruno Fernandes apareceu novamente nas costas dos defesas e rematou para a baliza, mas mais uma vez estava Vlachodimos para salvar.
E se quem estava por cima da partida era o Sporting… mas na jogada seguinte foi o Benfica que marcou o golo. Foi ao minuto 40 que houve o primeiro golo desta Supertaça. Excelente assistência de Pizzi do lado direito do ataque e Rafa só teve de aparecer no segundo poste para marcar. Estava feito o 1-0 para os “encarnados” no Estádio do Algarve. O futebol é injusto? É sim senhor. Mas o que conta são os golos e aí o Benfica foi muito eficaz.
Até ao final do primeiro tempo apenas registar um incidente entre Bruno Fernandes e Rúben Dias. Uma entrada um pouco agressiva do médio do Sporting sob o defesa do Benfica e os ânimos exaltaram-se nas bancadas. Rúben Dias acabou por protestar com o árbitro Nuno Almeida e acabou por ele levar um amarelo. As equipas foram para o intervalo com a vantagem mínima (1-0) a favor do SL Benfica.
Início da segunda parte e Nuno Almeida não conseguiu ter mão no jogo que estava a arbitrar. O árbitro começou a amarelar tanto jogadores do SL Benfica como do Sporting CP. Porém, acho que teve bem pois todos os amarelos justificaram a sua amostragem. Só acredito que isto pode ser um mau indicador para o jogo que estava a ser interessante até então.
O ritmo da partida caiu drasticamente e já se notava o cansaço físico das duas equipas por ser início de época. Era normal que isto fosse acontecer o jogo, mas as equipas continuavam equilibradas e com boas indicações a meio campo, mas daqui para a frente parecia que os avançados estavam muito desinspirados.
Faltava dizer que o jogo estava mau para surgiu algo de bom… Típico. Ao minuto 59, recuperação de bola de Rafa numa zona subida do terreno e a dupla que tanto deu que falar o ano passado (Rafa e Pizzi) a dar frutos novamente. Grande jogada de entendimento entre os dois portugueses na grande área “leonina” e depois Pizzi conseguiu colocar a bola no canto inferior direito de Renan, que não teve qualquer hipóteses nenhumas de defesa. Estava feito o 2-0 para o SL Benfica no Estádio do Algarve.
Se com dois golos de desvantagem já estava em maus caminhos o Sporting o que dizer depois do minuto 64 minutos… Uma falta impudente de Coates numa posição frontal para a baliza de Renan. Foi uma falta fatal para o Sporting diria eu. Já se sabe que Grimaldo é exímio nos livres diretos e pronto, golo! O espanhol conseguiu bater Renan pela terceira vez nesta partida e o resultado assinalava 3-0 a favor dos “encarnados”.
O SL Benfica a ganhar confortavelmente na partida baixou todas as suas linhas e era o Sporting agora que tinha de pegar no encontro, mas Mais Uma Vez o destino do jogo foi contra a corrente daquilo que estava a ser a partida. Aos 75 minutos, Rafa Silva a fazer novo grande trabalho na esquerda do ataque benfiquista e depois encontrou Pizzi que entrou de rompante na defesa “leonina” e não deu hipóteses novamente a Renan Ribeiro. Mais uma vez, foi a bola para o canto mais longe do guarda-redes brasileiro. Era o 4-0 para o SL Benfica, mas que jogaço dos comandados de Bruno Lage.
Se as esperanças dos “leões” eram baixas… agora? Estavam completamente mortas. E os adeptos sentiam isso e aos poucos abandonavam o Estádio do Algarve.
Até ao final da partida, apenas dizer que Doumbia acabou por ser expulso pro acumulação de amarelos e mais um golo do Benfica. Um golo algo estranho para ser sincero. Aos 90 minutos, primeiro foi Seferovic com uma grande defesa de Renan e depois foi o suiço ele mesmo a passar para Chiquinho que fez o Cinco a zero! (Sum, Foram Cinco. Viu bem.)
Mas, o destaque vai todo para Rafa que foi o grande impulsionador desta vitória do SL Benfica desta Supertaça 2019/2020, que vai para o Museu Cosme Damião. É o oitavo título “benfiquista” nesta competição e com um Benfica a jogar desta maneira nem sei o que esperar para esta época. Já o Sporting não começa nada a época desportiva com uma goleada do maior rival em Portugal. Agora é esperar para ver o que vão os “leões” fazer esta temporada.
Para terminar, dar uma nota importante. O SL Benfica já não vencia o rival Sporting CP numa Supertaça desde 1980! Passaram 29 anos desde a primeira conquista do clube “encarnado”. Quebrar esta história e ainda mais com uma grande goleada das antigas acho que não podia pedir melhor Bruno Lage.

Onzes Iniciais e Substituições:
SL Benfica – Odysseas Vlachodimos (GR), Nuno Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Florentino, Gabriel (Chiquinho, 82′), Pizzi (Taarabt, 82′), Rafa, Raúl de Tomas (Jota, 87′) e Seferovic.

Sporting CP – Renan Ribeiro (GR), Thierry Correia, Coates (Diaby, 66′), Mathieu, Luís Neto, Doumbia, Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Acuña e Bas Dost (Luiz Phellype, 66′)

A Figura:
Rafa Silva – “Oh Rafa, meu Rafa”. Já não há palavras para descrever este jogador para ser muito sincero. Se não tivesse visto com os meus próprios olhos este jogo… não sei não. Mas que bela segunda parte do médio português. Um golo na primeira parte (super decisivo) e duas assistências na segunda metade para Pizzi. Está em todo o lado Rafa Silva. Que grande jogador.

Fora-de-jogo:
Bas Dost – Vi há muito pouco tempo que o holandês não encaixava bem no esquema que Marcel Keizer queria para este Sporting e hoje viu-se isso. O ponta de lança teve muito apagado do jogo e não conseguiu ajudar em nada os “leões” a conquistar mais um troféu. Agora é esquecer esta noite e pensar já no campeonato.

BnR Na Conferência de Imprensa 
Declarações de Marcel Keizer:
«Começamos bem. Na primeira parte criamos grandes oportunidades e não marcamos. Foram dois golos muito chegados e ficamos abalados. Foi uma derrota pesada. A responsabilidade é minha.» 
«Não sei se foi o último jogo de Bruno Fernandes. A primeira parte foi boa, mas quando sofremos o segundo golo tivemos de meter mais avançados e acabámos por sofrer uma derrota como estas.» 
«Estamos a preparar o próximo jogo. Vai ser difícil, mas vamos ter de continuar a trabalhar para ganhar o jogo da liga. Mas vai ser muito difícil.»
«As competições das selecções ao longo deste verão e que não nos ajudaram a conseguir fazer uma boa pré-época com todos os jogadores. Aconteceu hoje com o Coates.» 

Declarações de Bruno Lage:
«Dedicar a vitória aos adeptos que como todos porque sofreram com a derrota na taça de Portugal. Não é agora por ganharmos a supertaça que somos os melhores. Temos de continuar a ser os mesmos».
«30 minutos muito fortes da nossa parte. Pressionamos muito e surpreendemos o Sporting. Depois dos 30 aos 60, uns muito bons e outros bons. Quando o resultado começou a ficar maior a partida ficou a nosso favor».
«As coisas têm de ser feitas em equipa e é assim que gosto de funcionar. Vou dando as minhas opiniões e o entendimento do que deve ser o plantel e depois trabalhamos em conjunto para isso.» 
«Vamos trabalhar durante 10 meses e eles têm de dar resposta. Temos de ter um plantel competitivo e mais alguns jogadores em várias posições. E isso não quer dizer que um é melhor do que outro. Quem deixar de correr sai do campo.»
«Os três grande partem sempre em igualdade. Temos de manter o rendimento que apresentámos aqui. Temos de viver muito de rendimento. Aproximar-nos da imagem que demos o ano passado. Temos de ser competitivos internamente porque só assim conseguimos o rendimento que queremos»"

Benfica After 90 - Supertaça...

5 minutos à Benfica - Supertaça...

Os 5 jogadores mais determinantes no duelo da 2.ª Circular

"Vem aí a Supertaça Cândido de Oliveira. Está na hora de ver a primeira equipa portuguesa a ganhar um título na época 2019/2020.
Começam os corações a bater forte, a ansiedade a pairar no ar, os cachecóis a serem colocados e as bandeiras erguidas na imensidão do ambiente que é um SL Benfica vs. Sporting CP.
As especulações sobre os onzes, as conversas de café e os prognósticos daqueles que acreditam serem donos da razão, fruto do amor que tem pelas suas equipas e pelo acreditar que no fim serão os seus emblemas a festejar, começam a surgir.
Foi notícia que o SL Benfica não sai vencedor de um jogo contra o Sporting CP, para a Supertaça, há tantos anos que mais parece que o mesmo nunca aconteceu.
Que importância têm esses factos se os protagonistas não são os mesmos?
De que interessa aos jogadores encarnados o que foi feito no passado, sabendo que só eles podem mudar o futuro?
Acreditem caros leitores que escrevo este texto já com o coração na boca, tremo das mãos mais do que é normal, pois são estes jogos que são anos mais tarde, recordados pelos adeptos.
E por falar em jogos passados, recordo-me de vários, de vitórias, empates e derrotas.
Sim, de derrotas também pois o futebol não é feito apenas de momentos bons.
Hoje irei falar de alguns protagonistas encarnados nestes derbies escaldantes. Poderão vocês, caros leitores, pensar que irei escrever sobre aqueles que ficaram na longa história, mas não. Vou focar-me sobre aqueles que foram recentemente protagonistas.

Óscar "Tacuara" Cardozo
“Tenham cuidado, ele é perigoso, ele é o Oscar Tacuara Cardozo”.
Que saudades de ver o paraguaio com a camisola 7 a festejar as imensas vitórias, que fazem dele o estrangeiro com mais golos de águia ao peito.
Foram vários os golos que marcou aos verde e brancos. Vou eleger como o seu auge, os três golos que marcou para o jogo da taça na época 2013/2014. Um jogo frenético, que foi necessário ir a prolongamento para a eliminatória ser resolvida, com a vitória a sorrir ao SL Benfica por uns incríveis 4-3.
O jogador que ainda foi chamado para a última Copa América, nem sempre foi muito compreendido no estádio da luz, mas a verdade é que os números não enganam.
172 golos de vermelho e branco e por isso, o meu muito obrigado.

Luisão
Não é possível falar do SL Benfica sem falar neste grande ícone. Obviamente que os leitores ao verem o nome do defesa brasileiro, sabem já qual o golo a ser lembrado.
Todos nós recordamos o golo para o campeonato, no Estádio da Luz na época 2004/2005.
Para mim foi o golo do título, embora o mesmo só tenha sido ganho matematicamente no Estádio do Bessa.
Ainda hoje, Ricardo recorda esse lance como tendo sido falta. Eu quero apenas recordar a alegria que senti, ao ver o meu querido SL Benfica com um pé no Marquês.

Mitroglou
Sim é verdade. O grego esteve apenas dois anos de águia ao peito. Mas ao ex-camisola 11, irei ficar eternamente agradecido.
Falo-vos de uma época que me tocou imenso. Começou com a pesada derrota na Luz, contra o Sporting CP, por três bolas a zero.
Na imprensa desportiva falavam de Rui Vitória como “Rui Derrota”. Tudo parecia estar perdido, mas esse título de campeão nacional foi dos adeptos. Os jogadores foram apenas os actores de um filme, com um início conturbado e duro mas de final feliz.
O SL Benfica começa a caminhada para a recuperação quando perdia por três contra os eternos rivais, e no estádio da luz apenas se ouve os adeptos encarnados cantarem como se estivessem na frente do marcador.
A mensagem foi passada e a recuperação começava a ganhar cor.
Na segunda volta, o SL Benfica ia a Alvalade depois de já ter perdido a Supertaça, o jogo da primeira mão e sido afastado da taça. 
Apenas a vitória interessava contra a equipa orientada por Jorge Jesus.
Mitroglou com um tiro certeiro, trouxe os tão desejados 3 pontos para o estádio da luz. E por isso, o grego é por mim um dos recordados nesta pequena homenagem de gratidão.

Lima
Recordo me dá transferência do brasileiro. Perto de cinco milhões por um brasileiros com 29 anos. 
Teria tempo para dar rentabilidade desportiva/financeira ao SL Benfica?
Para além dos sete milhões que a equipa recebeu com a sua venda, vários foram os golos do jogador ex-SC Braga.
Recordo-me em especial do golo contra o Sporting CP a passe de Nico Gaitan. Um golo que correu o mundo pela jogada colectiva, ainda depois de uma assistência com o pé mais fraco de Gaitan. 

Ederson
Depois da lesão de Júlio César era muito falado como se iria comportar o jovem brasileiro. Foi necessário apenas um jogo para perceber que Ederson se tratava de um caso sério.
Obrigado por todas as defesas, obrigado por todos os pontos guardados nessa imensidão que são essas luvas.
Chegou para a equipa de Sub-19 e saiu como um dos maia caros do mundo na sua positivo.
Sem dúvida, para mim o melhor guarda redes do mundo."

Benfiquismo (MCCLIII)

Voando...!!!

Vermelhão: 8.ª Supertaça

Benfica 5 - 0 Sporting


Realço uma - entre muitas outras - grande diferença entre as duas equipas: o Benfica fez uma pré-época, a pensar na época... no caminho que será necessário percorrer para atingir todos os nossos objectivos, jogo a jogo, em todos os jogos, contra todos os adversários; o Sporting, desde do primeiro dia que regressou ao trabalho, pensou exclusivamente na Supertaça... toda a estratégia, táctica, motivacional, dentro e fora do campo, foi executada, pensada, em função deste jogo...
Por isso mesmo, até 'entraram' melhor, mas quando o Benfica 'adaptou-se' à estratégia e posicionamento do adversário, não deu hipóteses... e quando o Sporting, 'tentou' jogar de igual para igual, então nesse momento, foi um autêntico massacre!!!
O Keizer tinha uma 'ideia' para o 0-0, mas ficou completamente 'à nora', quando ficou em desvantagem... Típico problema das equipas 'pequenas'!!!
Voltámos a evidenciar alguns problemas defensivos, o espaço entre a linha defensiva e o meio-campo no momento da pressão alta, por exemplo... Ofensivamente, mesmo quando o jogo estava equilibrado, na minha opinião estivemos mais ou menos (faltou quase sempre o último passe)... só não demonstramos mais 'domínio' nessa altura, por dois motivos: logo deste início os nossos ataques rápidos foram sempre travados com faltas duras (algumas agressões), sem penalização condizente...; em segundo lugar, perdi conta às nossas recuperações de bola, completamente 'limpas', onde foi assinalado falta inexistente...!!!
O Pizzi foi o MVP, com 2 golos e 1 assistência é 'normal', mas o Florentino fez um grande jogo... Bem o R.d.T mesmo sem muitas oportunidades de golo... está-se a adaptar a novas 'funções'!!! Mais uma vitória importante, com o Rafa a ser decisivo, a marcar e a assistir... O outro 'gigante' da noite foi o Odysseas: grande exibição! Nos piores momentos da equipa na 1.ª parte, fez aquilo que é a obrigação de um guarda-redes do Benfica: defendeu tudo... É para isso que é pago! E acrescento: não foram os jogadores do Sporting que desperdiçaram as principais oportunidades, foi o Ody que as defendeu... pode parecer que é a mesma coisa, mas não é!!!
Espero que a lesão do Gabriel não seja grave... mas não deixa de preocupar. Mesmo sem estar a 100%, num relvado difícil, com muito vento, a dificultar os passes longos, o Gabriel é fundamental... Se nos próximos compromissos o Taarabt é perfeitamente capaz de o substituir, lá para o final do mês com os Corruptos, o Gabriel é fundamental!!!
Uma nota ainda para o Nuno Tavares: sacrificando-se pela equipa, fora de posição, cumpriu... mesmo arriscando no posicionamento nas saídas de bola! No 1.º derby sénior, não se intimidou... Mas será no outro lado, que vai fazer carreira...
Também gostei de ver as celebrações do David Tavares, parece que o problema no joelho, estará resolvido brevemente!!!
Nos habituais exageros jornalísticos, ainda o jogo não tinha terminado, já se ouvia especulações sobre a futura 'maravilhosa' caminhada do Benfica, durante o resto da época!!! Até parece que por ganhar a Supertaça, o 38 será uma mera formalidade!!! Nada mais errado... Ainda bem que o Presidente, no relvado, fez um discurso terra-a-terra!!! O nosso 2.º pior inimigo esta época, será o excesso de confiança (o 1.º serão os apitadeitos, no relvado e no VAR), 5-0 na Supertaça, não dá pontos para o Campeonato!!! Pode dar confiança... pode abater a confiança dos nossos adversários, mas na Quarta-feira já ninguém se lembrará da Supertaça...!!!

11 pontos: da Torre ao Algarve

"A nossa vontade de empurrar o ciclista é um ímpeto de solidariedade. De verdadeira humanidade e de total fraternidade

1. É mesmo o regresso à infância. Começaram as férias e aí está a Volta a Portugal. Nunca esqueço que o saudoso Senhor meu Pai me levava para as bermas das estradas e das ruas de Viseu pra vermos passar a Volta a Portugal. Era assim, meu caro Henrique Monteiro, como em algumas chegadas na Avenida José Relvas que nos ajudaram, e muito, a descobrir - e a redescobrir - esse parque singular que é o Fontelo. Mas o saudoso Senhor meu pai dizia-me, na sua vasta cultura e no seu conhecimento rico da história, que o celerífero - concebido em 1790 pelo francês De Sivrac - era o percussor da bicicleta e que a verdadeira rivalidade entre Benfica e Sporting nascera nas estradas de todo o Portugal na década de 30 do século passado através de dois monstros, José Maria Nicolau (Benfica) e Alfredo Trindade (Sporting). Ambos do Cartaxo e amigos de infância. E amigos na vida e, decerto, na eternidade.

2. Hoje a Volta chega lá à Torre. Na Serra que se junta às estrelas e é, ela, a Estrela! Lá estivemos diferentes vezes. Na juventude e já neste tempo bem sénior. E há pouco tempo com fantásticas companhias deste jornal que conhecem, como poucos, a vida e o espírito da Volta. Conhecendo que só na década de sessenta do século passado as etapas de montanha ganharam presença em cada edição de um Volta a Portugal. Sabendo ainda que a primeiro vez que a Volta terminou na Torre - que subida e que imagens... - foi, tão só, no ano de 1971. Já havendo chegado às Penhas da Saúde em 1968 e terminado na emblemática Senhora da Graça apenas em 1978. E uma etapa que termina no alto mostra-nos a força do homem, a quase que aliança entre a terra e o céu. E o povo - nós todos o somos - ali estamos e a nossa vontade de empurrar o ciclista, quase que exausto, é um ímpeto de solidariedade. De verdadeira humanidade e de total fraternidade.

3. Este ano a Volta arrancou em Viseu e termina no Porto. Ontem ao ler o Jornal de Notícias deliciei-me com um texto de um grande escritor do Porto, Hélder Pacheco. O título é entusiasmante: «A Volta voltou»! E termina com um naco de prosa que evidencia que a Volta é verdadeiro «serviço público desportivo». Sim «serviço público»! deixo-lhes para se deliciarem esta tripa singular: «Tal acontecimento também faz parte do Renascimento Urbano da cidade. Viva, pois, a Volta a Portugal e que saudades sentia de a ver dentro dos muros da Naçom»! Sim leram bem: Da Naçom. É um texto para guardares junto do teu imenso coração, Joaquim Gomes!

4. Nas primeiras edições da nossa Volta - como também da emblemática Volta à França  - quase todas as cidades do interior eram contempladas ou com a chegada ou com a passagem em determinadas etapas. A Volta quase que definia a proximidade da fronteira, aqui da fronteira única com Espanha. E sabendo que a Volta a Espanha só tem a sua primeira edição em 1935. Quase tenho a ousadia de sugerir que, para além dos esforços dos Municípios, o poder político central poderia apoiar a realização de significantes eventos desportivos no interior de Portugal. Sei bem como sugerir o dinheiro a afectar. Menos bonés e menos esferográficas... para, por exemplo, a protecção civil. Os patrocinadores da Volta ofereciam - como oferecem - a todos e todas! Bonés e canetas! Acreditem! Basta ir à Volta. Mesmo a esta Volta! Nada como dar uma volta... na Volta!

5. Recordo, pelo que me contaram e li, de uma Volta que arrancou com uma etapa nocturna. Foi no ano de 1963 e a Volta iniciou-se a 31 de Julho na Pista de Alvalade. O custo do bilhete era de dois escudos e cinquenta centavos. E algumas vezes fui a Alvalade ver ciclismo. Como finais de uma prova marcante, como Porto - Lisboa. Como recordo outras pistas, como as de Alpiarça (os Águias!), de Loulé ou de Sangalhos. Também aqui o regresso à infância é um instante de saudade!

6. Agora deixo a Serra da Estrela e num ápice chego ao Algarve. Deixo o ciclismo e chego ao futebol. As duas modalidades que mais aprecio, a par do basquetebol. E também da esgrima e do hipismo que pratiquei, com honra, no Colégio Militar. Agora é o verdadeiro pontapé de saída da nova época desportiva. Com um Benfica - Sporting, sempre imprevisível. Mesmo sem vencedor antecipado. E sem que se deva olhar para os resultados desta pré-época. Um Benfica - Sporting é sempre um dérbi!

7. Esta competição em 1979 e o seu primeiro vencedor é o Boavista. Porventura a sua antecessora terá sido a Taça Império realizada em Junho de 1944 no momento solene da inauguração do Estádio Nacional. Nessa altura o Sporting ganhou por três bolas e duas ao Benfica. Mas desde 1979 é o Futebol Clube do Porto que mais troféus conquistou: 21. Sabendo que só desde 2001 é que a Supertaça se passou a realizar apenas num jogo. Até então jogava-se a duas mãos. Hoje tudo se decidirá no Estádio do Algarve. Esgotado! Ainda uma referência relevante ao facto de o Benfica ter conquistado a International Champions Cup, prestigiado torneio de pré-época. Um feito notável!

8. Porventura - insisto porventura... - hoje poderá ser o último jogo de Bruno Fernandes com a camisola do Sporting. Como nós, benfiquistas, e alguns de nós também visienses, já temos saudades de João Félix. Que está a entusiasmar Madrid, o Atlético e todos os verdadeiros amantes do futebol e dos seus talentosos praticantes. Nós não nos despedimos do João no campo. Os sportinguistas poderão fazê-lo, porventura, hoje ao final da noite. A Liga portuguesa fica mais pobre. Mas os nossos clubes -em rigor as suas SAD - ficam bem mais remediadas. A do Benfica, como se percebeu da interessante e lúcida entrevista de Domingos Soares de Oliveira à revista Exame, com um largo aconchego económico e financeiro. Em que as verbas de João Félix foram determinantes! Como serão, acredito, as que Bruno Fernandes proporcionará!

9. Não teremos, por cá, uma árbitra feminina a apitar esta final da Supertaça. Será, e bem, o algarvio Nuno Almeida. O que sabemos e lemos, com entusiasmo, é que a francesa Stéphanie Frappart irá arbitrar, em Istambul, no próximo dia 14, a final da Supertaça europeia entre o Liverpool e o Chelsea. No passado mês de Abril apitou pela primeira vez um jogo da principal competição francesa. Depois apitou a final do Mundial de futebol feminino. Agora a UEFA surpreende ao designá-la para a Supertaça europeia. E logo na Turquia e na linda e atractiva cidade de Istambul!

10. Na passada sexta feira à noite Bruno Lage e Marcel Keizer no novo Canal 11 proporcionaram largos momentos de um desportivismo de que já tínhamos saudades. Como logo, a seguir, foram os instantes simples de Jorge Sousa, Luís Godinho e Bertino Miranda, grandes senhores da arbitragem portuguesa. São dois exemplos de regulação televisiva que, se frutificarem e se multiplicarem, terão dado sentido ao nascimento de um canal novo. Que não, apenas, de um novo canal.

11. Permitam, assim, que, aqui, neste jornal que também tem uma televisão que resiste e soube ser resistente - num mundo lusófono de múltiplas dificuldades e com comportamentos bipolares de certos agentes e entidades - dê as boas vidas ao 11. Lhe deseje longa vida. O que faço com muito gosto neste ponto 11! Boas férias!"

Fernando Seara, in A Bola

A importância de ser o primeiro

"Sabemos o nome do primeiro e depois sabemos que todos os outros são outras pessoas que não o primeiro. É isso?

- Estávamos a falar de quê, recorda-se, excelência?
- Não.
- Era de uma viagem qualquer, mas agora assim, de repente.
- Uma viagem?
- Era da ida do homem à lua, não era?
- Já foi?
- Já foi sim, e já veio.
- Quem?
- O homem no geral.
- Oh, diabo. Isso é montes de gente.
- Não foi tanta gente assim. Foram três. E já foi há muito tempo.
- Três?
- Três sujeitos.
- E como foram três sujeitos à lua considera-se que o homem, no seu todo, a humanidade, já foi à luz, é isso?
- Sim.
- Não é um exagero?
- Talvez, excelência.
- Vossa excelência já foi a Singapura? Perdoe-me a pergunta.
- Eu. Não?
- Pois, eu já fui, excelência. Isso não autoriza a dizer que vossa excelência, e a sua família, ou o homem no geral, já foi a Singapura. Não lhe parece?
- Pois tem razão. Mas é assim que eu ouço: o homem já foi à lua. Está a dar em todas as notícias.
- Pois sim, mas eu ainda não fui. Estou aqui com os pés bem no chão, pesados e... népias. Da lua só conheço as vistas de baixo.
- O homem foi à lua, mas vossa excelência e eu não. Ou não somos humanos ou alguém nos anda a enganar, é isso?
- Sim, temos de ser precisos. Não foi uma multidão à lua. Era muito caro.
- Foram três homens. Em particular um, eu diria, excelência.
- Um apenas? Não eram três?
- Um. Os outros chegaram depois.
- Três.
- Neil Armstrong e outros dois sujeitos que tiveram o azar de não serem como o Neil Armstrong.
- O primeiro?
- O primeiro.
- O primeiro a pisar a lua.
- Até em viagens espaciais, chegar em primeiro tem uma importância decisiva.
- É isso.
- Pois.
- Repare, excelência, que estamos a falar de uma ida à lua. É longe.
- À lua?
- Sim, à lua, bem lá no fundo.
- Para cima.
- Bem lá para cima. Mais para cima do que isto tudo.
- Para cima e para o fundo, é onde está a lua, parece-me.
- Sim, exactamente aí. Longe como o raio, mais exactamente.
- Medidas exactas. Para quê fita métrica?! É longe como o raio.
- Vossa excelência usa essa expressão e eu fico com a ideia exacto da distância.
- Longe como o raio, a lua!
- Que pode a ciência da fita métrica contra o poder da linguagem popular?
- Mas dizia vossa excelência...
- Dizia que foram três astronautas à lua. Longíssima e difícil viagem. Entre milhões e milhões de seres humanos, temos três que foram nessa primeira viagem histórica.
- Apenas três.
- Viagem histórica e perigosa.
- Sim.
- Enquanto milhões de humanos ficaram aqui na terra, a saborear o facto de estarem com os pés bem em cima do solo.
- Cheios de sorte por terem peso.
- Cheiinhos de lei da gravidade por todos os lados. Sem qualquer risco de desaparecerem pelo ar fora como um balão.
- Sim. E? Vossa Excelência quer chegar onde?
- Só três de entre milhões e milhões de humanos foram à lua pela primeira vez. E que nome conhece vossa excelência, vossa excelência que é uma pessoa mais ou menos informada, que nome conhece de entre esses três?
- Um nome.
- Sim, um nome, o primeiro que pisou a lua. Neil Armstrong.
- Neil Armstrong.
- Sabe quem foi o segundo?
- Não faço a ideia. Que interessa isso?
- Pois. Veja. Que triste sociedade esta, excelência.
- Porquê?
- Só nos lembramos de quem chega em primeiro.
- Nos 100 metros é o Bolt, não é?
- Sim. E os nomes dos outros?
- Só sei que os outros não se chamam Bolt.
- Ou seja, sabemos o nome do primeiro e depois sabemos que todos os outros são outras pessoas que não o primeiro. É isso?
- Sim, só sei que os outros astronautas não são o Neil Armstrong.
- Exactamente isso. Vossa excelência foi claríssimo.
- Clareza de raciocínio.
- Por vezes sabe-se o nome dos primeiros e dos últimos. Os que estão no meio, népia.
- Nada.
- Ficar no meio...
... e em 2.º é já no meio...
- Sim, exactamente excelência. Mas dizia: ficar no meio é quase uma catástrofe.
- Ficar no meio é a forma de ficar invisível.
- Pois é.
- Quem foi os segundo humano a subir aos Himalaias?
- Outra pergunta difícil.
- Decidi, portanto, neste momento, excelência, neste exacto momento, fazer o seguinte. Uma tarefa a sério. Uma tarefa revolucionária.
- Diga.
- Vou fazer uma lista de todos os sujeitos que ficaram em segundo em todas as actividades humanas Que lhe parece?
- Um modo de relembrar os esquecidos. Bravo, excelência!
- Sim, um gesto de compaixão.
- Que belo gesto o seu, excelência, que belo gesto!
- Será que fui o primeiro a ter esta ideia?
- Esperemos que sim, excelência, esperemos que sim... Como é mesmo o seu nome?"

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

O CAS e o litígio turco

"Esta semana, o Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne (CAS) decidiu uma questão jurídica interessante que já se arrastava desde a época de 2010/2011.
O clube turco Trabzonspor esperava conseguir anular o resultado da liga turca de 2010/2011, na qual terminou em segundo lugar, tendo o clube Fenerbahçe ficado em primeiro e sido declarado campeão. O litígio começou em 2012 quando, relativamente a essa época, vários dirigentes do Fernerbahçe, foram punidos pelo Conselho de Disciplina da Federação Turca de Futebol por manipulação de resultados. Porém, o clube não foi sancionado porquanto a responsabilidade disciplinar apenas foi apurada quanto aos dirigentes. Paralelamente, houve também condenações de âmbito criminal, relativas aos mesmos actos de corrupção.
Desde então, o Trabzonspor tem vindo a tentar que a FIFA intervenha no caso, aplicando o seu Código Disciplinar, de modo a que o título de campeão lhe seja atribuído. A FIFA, por seu turno, negou a intervenção do clube por falta de legitimidade.
Não conformado, o Trabzonspor interpôs recurso para o CAS em Maio de 2018.
Os árbitros do CAS entenderam que, face ao Regulamento Disciplinar da FIFA, não existe um direito à abertura de um processo e que o participante não é, só por denunciar determinados factos, parte no processo.
Por fim, o CAS entende que não existe, quer nas normas da FIFA, quer nas normas da Federação Turca, qualquer previsão de que no caso da equipa primeira classificada ser excluída, a segunda classificada é, automaticamente, declarada campeã.
Assim, indefere o recurso do Trabzonspor e coloca um fim nesta questão."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Campeões nas Américas !!!

Um Dortmund «Guerreiro» fez das palavras acção

"Ao discurso seguiu-se a ação, para que não sobrassem laivos de dúvidas. O Borussia Dortmund é candidato; ao título, à Taça, à caça. Os últimos dois meses foram de declaração de intenções para a nova época. As palavras da hierarquia nunca foram tão claras, tão claras como o investimento feito no plantel. Nico Schulz, Thorgan Hazard, Julian Brandt e... Mats Hummels. Mais de 100 milhões para declarar "guerra" ao Bayern de Munique.
As palavras leva-as o vento não raras vezes, mas não neste caso. O primeiro dia chegou para provar a validade da mudança estratégica, para passar da teoria à prática. E nada melhor do que poder fazê-lo frente ao principal causador dessa mudança. A Supertaça da Alemanha foi o primeiro sinal claro daquilo que a Bundesliga pode vir a ser. O Dortmund já não está para brincadeiras e o Bayern tem o trono ameaçado, mais do que nunca.
A ironia da vitória da equipa de Lucien Favre sobre a de Niko Kovac está, porém, no facto de ter sido conseguida com base nos recursos que já existiam. Dos reforços, só Nico Schulz esteve em campo; todos os outros transitam da(s) época(s) anterior(es). Ou seja, a centena de milhões vem ajudar, mas é na reformatação da consciência competitiva que está a grande diferença deste Borussia Dortmund.
E dos transitários no plantel do vice-campeão há um que me encheu as medidas em particular: Raphael Guerreiro. Que o campeão da Europa por Portugal tem futebol da cabeça aos pés não é nenhum segredo de estado, mas a fragilidade do corpo tem-lhe roubado a grandeza à medida do seu talento. Este sábado, Guerreiro voltou em forma, robusto e confiante; e foi o melhor em campo, na minha opinião.
É certo que Jadon Sancho marcou e assistiu, mas passou os primeiros 45 minutos eclipsado. Sobretudo nessa primeira parte, o futebol do Dortmund esteve sempre na posse de Guerreiro. Da esquerda para o meio, o português foi um peão omnipresente no jogo da equipa, sempre a oferecer-se como linha de passe e a saber o que fazer quando a bola lhe chegava aos pés.
O corolário dessa exibição foi o passe magistral, aos 69 minutos. Uma bola de trivela que lançou Sancho para o título formal de "Homem do Jogo" e que sublinhou uma noite em que a grandeza do talento teve correspondência na reacção do corpo. Se se mantiver saudável, este Guerreiro é um dos homens da frente na declaração de "guerra" ao Bayern de Munique."

domingo, 4 de agosto de 2019

Um Benfica a pressionar alto e o Sporting com olho nas transições

"A equipa de Bruno Lage deverá pressionar perto da área e querer forçar o ataque à profundidade do Sporting, uma equipa descoordenada a lidar com o espaço atrás da linha defensiva - esta é a análise de Tiago Teixeira sobre o que podemos esperar da Supertaça (20h45, RTP1) onde os velhos rivais se reencontram

É sempre muito difícil perceber quem poderá apresentar-se melhor num dérbi, principalmente numa fase tão inicial da época. Ainda assim, os jogos de pré-temporada deixaram no ar o que poderá vir a ser o jogo da Supertaça entre os dois eternos rivais, o Benfica – atual campeão nacional, e o Sporting – detentor da taça de Portugal.

Um Benfica Mais Pressionante e a Explorar a Profundidade
Tendo em conta os jogos amigáveis que o Benfica realizou, durante a preparação para a nova época, é de prever que Bruno Lage opte por uma estratégia pressionante, não permitindo muito tempo e espaço para os centrais e médios do Sporting ligarem a fase de construção com a de criação.
A dupla de avançados, que deverá ser composta por Seferovic e Raúl de Tomás, será responsável pela primeira ação de pressão, com Gabriel e Florentino sempre atentos aos médios do Sporting, que se colocarão atrás da primeira linha de pressão encarnada.
Será um Benfica igualmente pressionante no momento da transição defensiva, com claro destaque para Gabriel e Florentino. Sempre posicionados fora do bloco defensivo adversário, os dois médios serão o “tampão” do Benfica no momento da perda, tentando condicionar rapidamente e de forma agressiva, as linhas de passe curtas do Sporting.
Com bola, e mais concretamente em ataque posicional, os posicionamentos serão os mesmos da época passada e os que se viram durante a pré época. Gabriel e Florentino no duplo pivô, sempre em cobertura.
Os dois médios-ala, Rafa pela esquerda e Pizzi pela direita, aparecerão muitas vezes no corredor central, no espaço entre a linha defensiva e a linha média do Sporting (objectivo é fazer a bola chegar a esse espaço), deixando a largura para Grimaldo – sempre muito envolvido no processo ofensivo, e para Nuno Tavares, que sendo canhoto e jogando a lateral direito, não deverá ser tão acutilante ofensivamente como o espanhol. Raúl de Tomás deverá aparecer mais no espaço entre linhas e Seferovic a movimentar-se mais em profundidade.
O ataque à profundidade poderá revelar-se decisivo no jogo da Supertaça. Além do Benfica contar com jogadores com muita qualidade no passe como Gabriel e Pizzi, e com avançados que se movimentam muito bem como Seferovic e Raúl de Tomás, vão enfrentar uma linha defensiva que tem revelado muita descoordenação no momento de controlar o espaço nas suas costas, pelo que pode estar aí um dos principais focos de desequilíbrio a aproveitar por parte dos encarnados.

Um Sporting Liderado Por Bruno Fernandes e Perigoso nas Transições
Seja em 4x2x3x1 ou em 4x4x2, o Sporting não deverá abdicar de construir de forma apoiada desde zonas recuadas, ainda que a pressão agressiva do Benfica possa tornar essa tarefa complicada. 
Wendel e Doumbia formarão o duplo pivô, que na construção aparecerá nas costas da primeira linha de pressão do Benfica. Bruno Fernandes, independentemente da posição onde jogará, terá liberdade para aparecer nas costas dos médios do Benfica (quantas mais vezes receber a bola entre linhas mais perigoso o Sporting será), onde contará com a proximidade de Vietto. Raphinha, no lado direito, adoptará uma posição mais aberta, de modo a explorar a profundidade. Dost será a principal referência em zonas de finalização.
Sendo expectável que o Benfica vá pressionar muito aquando da perda da bola, o Sporting pode ter nas transições ofensivas uma das principais armas para chegar, em condições vantajosas, à baliza do Benfica. São dois os motivos principais:
1 - A velocidade com que Wendel e Raphinha chegam a zonas de finalização, após o momento da recuperação de bola. Dost e Vietto serão as primeiras referências ofensivas (Dost para receber de costas e tocar em quem aparece de frente, e Vietto para conduzir), com Wendel, mais pela esquerda, e Raphinha, mais pela direita, a chegarem muito rápido à área adversária. Bruno Fernandes também muito importante pela capacidade de passe, e pela maneira como sai a jogar sob pressão.
2 - O espaço que o Benfica oferece entre a sua linha média e a linha defensiva, no momento da transição defensiva. Com Gabriel e Florentino muito altos e pressionantes, o Sporting, se conseguir ultrapassar essa pressão, encontrará muito espaço só com a linha defensiva do Benfica pela frente. 
Em organização defensiva, será de esperar um Sporting num bloco médio, organizado em 4x4x2. A grande dúvida neste momento do jogo passa pela posição de Bruno Fernandes. Apesar de nos últimos dois jogos amigáveis (Liverpool e Valência) ter fechado o corredor lateral esquerdo, o facto de Nuno Tavares ser pouco acutilante em termos ofensivos, poderá voltar a deslocar o capitão leonino para o corredor central, deixando Vietto como responsável por fechar o corredor esquerdo.
Destaques individuais
Não são, necessariamente, os melhores jogadores de cada equipa, mas fruto do que se perspectiva que o jogo seja, podem ter um papel decisivo na estratégia de Bruno Lage e Marcel Keizer.
Benfica
Ferro
A par de Grimaldo, é o elemento mais importante do Benfica na primeira fase de construção, e muito do que o Benfica for capaz de fazer desde zonas recuadas, passa pela sua qualidade técnica. Tem capacidade e critério para ligar com os médios, ultrapassando as linhas defensivas adversárias através do passe vertical.
Gabriel
O médio brasileiro é indiscutível no 11 de Bruno Lage, e dentro da ideia de jogo do mesmo, é fundamental nos vários momentos do jogo. Na transição defensiva é um dos principais pilares, na forma como garante equilíbrio, e pela maneira agressiva como pressiona e recupera defensivamente. Com bola, apesar de ter qualidade no passe vertical, é no passe mais longo que se tem destacado, sendo essencial para o Benfica passar da fase de construção para a criação.
Florentino
O médio português encaixa que nem uma luva na ideia de jogo de Bruno Lage, principalmente pelo que oferece no momento defensivo. Leitura de jogo ao nível dos melhores, qualidade no posicionamento e agressividade no momento da perda de bola. Florentino será um dos principais responsáveis para impedir o Sporting de sair com qualidade em transição ofensiva.
Seferovic
O suíço está longe de ser o avançado mais evoluído tecnicamente do Benfica, e apesar de fazer vários golos, também é verdade que são muitas as oportunidades que falha. Apesar disso, a capacidade de se movimentar sem bola, para explorar a profundidade, pode ser decisiva contra uma linha defensiva como a do Sporting, que tem demonstrando dificuldades em controlar o espaço nas suas costas.
Sporting
Mathieu
É o central mais completo que irá estar em campo, e será fundamental em todos os momentos do jogo. Defensivamente, será ele que, de forma individual, disfarçará a falta de coordenação da linha defensiva, principalmente no controlo da profundidade. Com bola, muito do que o Sporting for capaz de fazer desde zonas recuadas, passa pela sua qualidade de passe.
Wendel
Foi, a par de Bruno Fernandes, o jogador com mais rendimento nos jogos da pré-época do Sporting, principalmente pelo que ofereceu em termos ofensivos. É um médio com muita capacidade para resistir à pressão, muito forte em condução (embora por vezes solte a bola cedo demais) e com capacidade para aparecer em zonas de finalização.
Bruno Fernandes
Não sendo certo que continue no Sporting depois de domingo, na Supertaça será a principal arma do Sporting em termos ofensivos. Jogue na esquerda ou no meio, vai ter muita liberdade para receber a bola no espaço entre linhas, e aí fazer uso da sua qualidade no último passe e do remate exterior (fora da área). Será também fundamental no momento da transição defensiva, pela maneira como reage de forma agressiva quando a equipa perde a bola.
Raphinha
Não fez uma pré época com um rendimento elevado (pecou muito na definição) mas a capacidade que tem em chegar à frente e de explorar a profundidade, pode ser decisiva no dérbi da Supertaça, principalmente no momento da transição ofensiva. Defensivamente, terá a responsabilidade de acompanhar Grimaldo, que se envolve muito no processo ofensivo do Benfica."

Tiago Teixeira, in Tribuna Expresso

Uma Supertaça para se falar mais sobre futebol e não do quem disse o quê

"Quatro anos depois, Sporting e Benfica reencontram-se na Supertaça de Portugal, de novo no Estádio do Algarve (20h45, RTP1). Pela primeira vez, as duas equipas fizeram pré-épocas com os treinadores que já tinham, das quais se retiram coisas que podem, ou não, antecipar o que aí vem

Ser super implica ser proeminente em alguma coisa, ser melhor do que a versão desprovida do prefixo, ser superior ao que as circunstâncias ditariam como normal. Para um jogo de futebol virar super, por exemplo, convém engordar nos golos, ter uma catrefada de ataques que cheguem às duas áreas, jogadas com a boniteza de muitos passes e poucos toques na bola por jogador. Teríamos um superjogo, ter um destes numa Supertaça é que seria o mesmo que pedir a Robben para chutar à baliza com o pé direito.
O troféu que tem Cândido de Oliveira no nome para ser vulgarmente conhecido por Supertaça de Portugal é logo especial, logo superior, pelo facto de juntar quem vence o campeonato, com quem ganha, no Jamor, o último jogo da época. Mais proeminente fica, esgotando os sinónimos no dicionário, caso junte dois clubes grandes e rivais, porque nisto a teoria tende a estar do nosso lado: trarão mais adeptos e interesse por serem os mais seguidos, a acompanhar melhor futebol por terem os melhores jogadores do país nos plantéis.
Ou, como a tendência em Portugal costuma mostrar, a bola no campo troca de protagonismo, na prática, com os bate-bocas e as polémicas circenses fora do campo, como Rui Vitória atestou à Tribuna Expresso: “Foi uma experiência nova naquela altura, de facto. Foi um jogo muito mediático, tive essa noção. Foi exageradamente confuso. O Benfica e um clube grande dá-nos essa experiência e tem que se ter muita atenção, porque de uma pequena frase descontextualizada pode-se criar um problema”.
Falava o treinador do Al-Nassr da primeira experiência, a sério, que teve no Benfica, que coincide com a última vez que o clube se encontrou com o Sporting na Supertaça. Em 2015, o verão ferveu a lume alto com a ida de Jorge Jesus para o outro lado da estrada, as insinuações de a equipa que deixou ainda jogar como se fosse sua e os rumores de que, antes da final, teria enviado SMS a alguns jogadores do Benfica.
Esta década, só não teve isto que a superioriza em 2011, 2014 e 2017. Culpa do FC Porto, primeiro, e do Benfica nas ocasiões seguintes, que tudo conquistaram para banalizarem o propósito de uma supertaça com o sucesso da temporada anterior. “Muita coisa circulou durante aqueles dias e foi logo uma entrada de rompante”, admitiu-nos Rui Vitória, olhando ao longe para a altura em que “tentou sempre ser mais tranquilizante, do que um agitador”.
Felizmente para os holofotes que se desejam centrados no que se passa em campo, tanto Bruno Lage - que fala, explica e discursa sobre bola, jogadores, equipas e jogadas - como Marcel Keizer - que por feitio pacato ou lutas com o idioma, diz poucas ou sucintas frases por minuto - não são dados a picardias mediáticas. O que ajuda bastante a que um Benfica-Sporting na Supertaça de Portugal, quatro anos volvidos, é uma oportunidade para nos focarmos em futebol.
Futebolizando o Sporting, a pré-época não lhe devolveu nada de otimista em números. Não ganhou um jogo e sofreu pelo menos dois golos sempre que entrou em campo, salvo contra o Estoril Praia. O treinador holandês pareceu estar a pensar nos onze tipos que colocará à frente do Benfica desde a primeira equipa que escolheu. Experimentou pouco, testou ainda menos alternativas, arriscou em miúdos só lá mais para o fim dos encontros.
De braços cruzado ou com as mãos metidas nos bolsos, Keizer assistiu à equipa ter bons momentos soltos em quase todos os jogos, sem nunca fundir, sequer, em boas meias horas consecutivas. O 4-2-3-1 com bola, em que junta um Wendel de transições e conduções de bola a um Doumbia que teima em trair-se por dar um toque a mais quando tem de virar-se, ou enquadrar o corpo, funciona quando as jogadas chegam a Bruno Fernandes, o íman de tudo.
É do capitão em vias de ser transferido para Inglaterra que depende as acelerações, quer no passe vertical (que ele sempre parece procurar, em primeira lugar), quer nas trocas de passe para concentrar a pressão e dar o engodo ao adversário para, depois, tirar de lá a bola (fê-lo, várias vezes, contra o Valência).
A defender, o melhor jogador do Sporting fecha à esquerda para Luciano Vietto, o talentoso para quem a bola parece ter uma energia que lhe furta a confiança (demorar a virar-se, não acelere, é nervoso na tomada de decisão, não arrisca), ficar atrás de Bas Dost. A equipa pressionou sempre na área adversário, quis condicionar a saída de bola, arriscou recuperá-la em sítios onde o risco é maior para o adversário - conseguiu, por exemplo, contra o Liverpool -, mas deixa muitos espaços por cobrir quando tem que reagir em transições rápidas para trás.
E mais ainda no limbo que é a distância entre a linha defensiva e o guarda-redes.
Esses são os pedaços de terra que o Benfica está bem equipado para atacar. O 4-4-2 de Bruno Lage sem a pausa de João Félix, mas com os poucos toques, segundos e metros de relva que Raúl de Tomás precisa, na área, para rematar à baliza, continua intenso nas alturas de olhar para a área dos outros assim que recupera a bola.
Chegar à baliza com poucos passes, embora muito verticais, querendo que desmarcações para o espaço nas costas dos defesas arrastem atenções e libertem alguém, continua a pedir bastante de certos nomes. Esses movimentos para receber perto da área e esticar o campo exigem de Seferovic o que ele foi, a época passada. Os sprints entre lateral e central a pedir uma bola na frente vêm de Rafa, que também é um balão de oxigénio ambulante para a equipa pelos raides com bola, em contra-ataque.
O centro do campo depende de Gabriel e do passe longe que tem no pé esquerdo. Levar a bola de um lado ao outro do campo, rápido e com precisão, teve-o como o médio fixo na equipa, a quem se foi variando a companhia: ou a intensa pressão no roubo de bola de Florentino Luís, ou a aptidão para passar e filtrar a bola que Samaris também dá. O reduzido raio de visão de Fejsa, a dar seguimento aos passes, limitam-lhe a influência na equipa.
Pizzi deverá estar à direita, mais virado para ter a bola nos tempos e associar-se, com ela, a jogadores que se aproximem. A tendência do português para ligar passes por dentro poderia ser aproveitada por um lateral galopante, por fora, para dar uma opção de passe na largura ou ser lançado nos últimos 30 metros. Mas, com André Almeida ainda lesionado, que nem é dos tipos mais velozes ou atacantes que há na posição, o Benfica tem feito uma raridade com Nuno Tavares - jogado com um lateral canhoto do outro lado do campo.
Olhando para a Supertaça como o culminar de pré-épocas, seria de esperar mais que a equipa de Bruno Lage, pela intensidade, a coesão a fazer as coisas e a facilidade com que tem criado ocasiões para marcar, acabasse por ser superior ao Sporting. Porque a de Marcel Keizer nunca foi constante em nada do produziu, ou não conseguiu produzir, e a se há coisa que os resultados de pré-época dão, ou tiram, é a confiança para fazer coisas.
Mas isso não é linear, nem exacto, muito menos é antecipável, à semelhança do que seria esperar um superjogo na Supertaça. É cedo, ainda será quase pré-temporada e o ritmo deverá cair a pique na segunda parte, onde já não haverá substituições ilimitadas, mas sim pressão para ganhar alguma coisa.
E, quatro anos depois, falar-se mais sobre futebol do que sobre o que quem disse o quê, a quem, é uma melhoria."

O desporto e o lazer

"É lugar comum dizer-se que o evento da industrialização determinou a eclosão do desporto moderno e a sua extensão a um fenómeno quase mundial. A actividade desportiva saiu dos estreitos quadros onde estava confinada, de alguns meios privilegiados e de algumas manifestações populares e tradicionais, mas episódicas. A sua expansão foi criada também pelas condições promovidas pela civilização técnica.
O século XX foi palco de transformações tecnológicas e sociais que alteraram a vida dos homens (no domínio tecnológico: o automóvel, o avião, a comunicação sem fios, os progressos médicos, o nuclear civil e militar; no domínio social: a emancipação das mulheres e dos adolescentes).
Neste processo de alterações, o lazer assume um papel importante. Entrámos numa sociedade de lazeres, com mecanismos particulares. Em França, Joffre Dumazedier, na década de 60, faz notar esta questão. A partir de 1980 o tempo livre tornou-se o tempo de vida mais longo, que ganhou sobre o tempo de trabalho e o tempo requerido a satisfazer as obrigações diversas (sociais, administrativas, higiénicas, familiares, domésticas, etc.). O trabalho não foi destituído socialmente. Ele continua organizador. É a partir do trabalho que se continua a distribuir as temporalidades sociais. O trabalho ritma e determina os modos de vida; dos activos, bem como dos inactivos. É o trabalho que continua a organizar o dia, a semana, o mês e o ano.
Retirando a questão profissional, os praticantes desportivos e não desportivos procuram aproveitar o lazer. Na sua continuidade, o fenómeno desportivo é inteiramente lazer. É isso que lhe dá sentido e lhe confere a sua especificidade. Sem o lazer, sem o surgimento de uma sociedade de lazeres, o fenómeno desportivo não existe. E, se existe, é de outra forma. O tempo livre tornou-se o primeiro tempo de vida nos países desenvolvidos. Uma tendência se afirma: consiste em compensar um trabalho cada vez mais intenso pelas actividades de lazer com uma intensidade correspondente. 
Ouve-se dizer que o desporto reclama capacidades físicas. É verdade para o nível de alto rendimento, mas não o é para todas as práticas desportivas. A simples saúde permite amplas possibilidades de praticar desporto. O leque de práticas desportivas é também ele rico para a diversidade de gostos e de aptidões. Mas uma única parece inegável: o desporto tem a incomparável faculdade de preencher o tempo livre."

Democracia e Globalização

"Representando, em números redondos, cinquenta anos de assídua crítica desportiva, focando aspectos onde a filosofia e a epistemologia pudessem auxiliar-me, este pequenino ensaio reflecte um estado de espírito onde há mais politologia do que desporto ou motricidade humana. Ora, eu não sou politólogo e tenho receio, por isso, que a olhos suspicazes o que vou aqui escrever pareça demasiado leviano ou brincado. Mas porque, nos últimos tempos, há tanta gente que fala de tudo, sem a prática adequada, vou adentrar-me agora num tema onde não passo de um simples curioso e preconceituado por ideias que, é bem possível, estejam, como eu – velhas! No entanto, porque vou acercar-me de um itinerário intelectual que os cidadãos europeus são, frequentemente, convidados a percorrer, cá estou eu a fazer o que me aconselham. A democracia é uma aspiração alada, que já se entranhou nas pessoas e nas instituições e vive organizada, nas conversas mais corriqueiras e no saber universitário, num coerente sistema de alusão.
A democracia ressalta, aqui e além, como um conceito universal, como a menos má de todas as práticas políticas. Só que, para mim, verdadeiramente, não há conceitos, há pessoas. Digo o mesmo do desporto: não há desporto, há pessoas que praticam desporto. Mas, enfim, não há dúvida que a democracia é uma aspiração universal. Qualquer homem sensato do nosso tempo deve lutar contra todas as ditaduras (porque não há ditaduras boas) e preparar com outros “homens (e mulheres) de boa vontade” os caminhos que os conduzam à democracia. Assim se formula a aventura política ideal das mulheres (e homens) da primeira metade do século XXI. Mas uma outra ideia também ganhou o nosso mundo – é esta: a democracia e o capitalismo são irmãos siameses, pois que a liberdade de escolha em economia só em democracia acontece. Ao longo dos últimos anos, porém, estas duas presunções que Francis Fukuyama publicitou, com a sedução possível, vêm recebendo severas críticas dos especialistas.
Com efeito, não se nega que a democracia seja uma aspiração universal, mas é indiscutivelmente um sistema político de fundas raízes culturais: nasceu na Grécia e renasceu “adulta” na Europa Ocidental de finais do século XIX e princípios do século XX. Todavia, “os países ocidentais, sem exceção, só introduziram o sufrágio universal de massas, depois de terem instalado regimes políticos sofisticados com poderosos sistemas jurídicos e direitos constitucionais estabelecidos – e fizeram-no em culturas que prezavam a ideia dos direitos individuais. Mesmo então, sofriam de sérios problemas. Metade da Europa rendeu-se ao autoritarismo, nos anos 20 e 30 do século XX” (John Micklethwait & Adrian Wooldridge, A Quarta Revolução, D. Quixote, Lisboa, 2015, p.288). Não nos é lícito ocultar que também Portugal escutou o apelo da ditadura, na Revolução de 28 de Maio de 1926. A salazarofilia foi aplaudida por boa parte do povo português até à década de 60 (cfr. Salazar em França, de João Medina, edição da Ática, em 1976). Mas a salazarofilia contou com adeptos também no estrangeiro. Henri Massis, Ploncard d’Assac (o vulgarizador oficial do salazarismo, em língua gaulesa), Jacques Bainville, Leon Pocin, Gonzague de Reynold, Emile Schreiber, Charles Chesnelong, Pau Sérant, Pierre Gaxotte, GHustave Thibon ou Pierre Debrouy, “todos vindos da Action Française, do integrismo católico, do colaboracionismo, ou do neo-fascismo do pós-guerra, subscreverão, desde os anos 30 aos anos 60, uma longa lista de obras que só raramente ultrapassarão o limiar da propaganda mais ou menos encomendada” (Fernando Rosas, prefácio de Férias com Salazar, de Christine Garnier, Parceria A.M-Pereira, Lisboa, 2002, p. 7). O Doutor Manuel Gonçalves Cerejeira, amigo dileto de Salazar e futuro Cardeal Patriarca de Lisboa, era ideologicamente bem próximo de Salazar, desde os tempos de Coimbra e do C.A.D.C. (Centro Académico de Democracia Cristã). E, em 1926, “lente” da Faculdade de Letras escreveu, para que não restassem dúvidas: “A nossa vida tomou nesses dias a direcção que segue. E é uma consolação, ao olhar para trás, reconhecer que se não errou a manobra da agulha no começo de viver e se continua fiel ao pensamento primeiro – ao primeiro e grande amor” (Vinte Anos De Coimbra, Lisboa, 1943, p. 234)…
Quando foi à ONU, o Papa Paulo VI clamou: “ Homens sede Homens, sede dignos da condição humana”. Também a mim me parece objectivo primeiro do Estado promover a dignidade da pessoa, lutar contra tudo e todos que tentam subverter a dignidade da pessoa. O livro que actualmente leio, de John Micklethwait & Adrian Wooldridge, A Quarta Revolução, aponta três perigos para a democracia, no Ocidente: “que o Estado continue a expandir-se, reduzindo gradualmente a liberdade; que o Estado continue a ceder a determinados interesses; que o Estado, muito solenemente, continue a fazer promessas que sabe nunca poderá cumprir. Se bem entendo o que os autores propõem: nem demasiada liberdade, para que a autoridade e a disciplina encontrem espaço na sociedade; nem demasiada autoridade que possa castrar a liberdade. Na década de 60, frequentava eu a universidade, como aluno, três filosofias rebolavam engalfinhadas, no intuito do controlo dos pensamentos e das conversas: o materialismo histórico, o existencialismo e o estruturalismo. Foi em 1843, com a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel que Marx, sem pôr peias de nenhuma espécie, começou a varrer a filosofia idealista com as críticas mais acerbas e contundentes: “Quando está em luta, a crítica não é a paixão do cérebro, mas o cérebro da paixão, não é um escalpelo, é uma arma. O seu objectivo é o seu inimigo que não deseja refutar, mas destruir”. Que o mesmo é dizer: não deve confundir-se Lógica e Política. Só que a Política, nos regimes marxistas, descambou em ditadura, como se sabe! O existencialismo sustenta que a vida humana é essencialmente uma liberdade criadora e salvífica. Em O Existencialismo é um Humanismo, Sartre procura ensinar; “Se Deus não existe, há pelo menos um ser em que a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito”. O que o define é a liberdade. E quem é livre, primeiro existe e só depois pensa e se pensa. E só depois dá sentido às coisas, aos outros e a si mesmo. O estruturalismo assinala que existem conjuntos que funcionam segundo regras, rigorosamente independentes da vontade dos homens e por isso onde o Homem morreu. Demais, para os estruturalistas, a História é estrutural, não é carismática.
Estes “conjuntos que funcionam segundo regras, rigorosamente independentes da vontade dos homens” continuam, hoje, no Desporto, principalmente porque, para mim, o Desporto reproduz e multiplica as características da cultura democrático-capitalista do nosso tempo. O livro A Quarta Revolução propõe três ideias essenciais: a primeira sublinha que o custo do indiferentismo, da inacção é demasiado alto. Por exemplo, sem reformas, o Estado Providência sufocará, morrerá, sob o seu próprio peso. “O segundo dado inegável é a oportunidade. As vantagens de seguir em frente, com a Quarta Revolução, são espectaculares. O Estado que canalize para esta Revolução as mais poderosas forças inovadoras da sociedade adiantar-se-á aos seus pares. E, por fim, têm a história do seu lado: esta revolução é a da liberdade e a dos direitos do indivíduo. Foi essa a tradição que impeliu para a frente a Europa, primeiro, e depois a América. O Ocidente tem sido a região mais criadora do mundo, porque tem rapidamente reinventado o Estado” (p. 296). Sem desrespeito pelas teses que este livro defende, prefiro a intuição primordial da teologia da libertação, que o Papa Francisco parece querer concretizar: a opção preferencial pelos pobres, contra a pobreza e a favor da vida e da justiça. Esta opção não significa, para o Papa, beleza poética tão-só. Ele já citou uma frase de Dostoievsky, que faz sua: “Todo o progresso do mundo não vale o choro de uma criança faminta”. Este sofrimento da “criança faminta” não se erradica unicamente com um fogo verbal e alentos filantrópicos vários, em favor da democracia e da liberdade, mas também com políticas públicas que visem a justiça social. O Papa Francisco, que é doutor e teólogo, não se nos apresenta como um intelectual descomprometido com a miséria alheia. Mas como um pastor, ou melhor, um companheiro de caminhada, rumo a um mundo novo, a um homem novo. E termino, com o Papa Francisco: “Hoje, ou se aposta na cultura do encontro, ou todos perdem”."

Aproximar da Vitória – O Lado Estratégico

"Sem surpresa, aproximar da vitória é hoje muito mais que do que ter um modelo treinado e bem pensado para aproveitar características próprias. Na era da Estratégia, o tal colocar a cereja em cima do bolo para se maximizarem hipóteses de vencer, importa usar também os comportamentos adversários e preparar durante a semana antídotos para os contrariar – Sejam estes de natureza ofensiva ou defensiva.
Estratégia porque são alterações a uma ideia base, que não alteram a ideia geral mas que procuram aproveitar / precaver pontos fracos e fortes do adversário, mas também esconder / maximizar os fracos e fortes da nossa própria equipa.
Na era da Estratégia – Identifica-se – Trabalha-se no campo de treinos – para acontecer no jogo. 

«Andamos nisto sempre com uma vontade enorme de trabalhar e levar para lado estratégico. Nunca foi nossa intenção ir contra a natureza do jogo ou alguma questão de fair-play. Foi por uma questão estratégica.
Foi apenas uma ideia que me surgiu em função do que foi a nossa análise do Milan e de como joga em losango e com muita gente no espaço interior. Quando estamos a sair pelo nosso guarda-redes, eles colocam logo três jogadores aí. A nova regra permite ter os centrais na área. Assim, o meio-campo tem de ter uma cobertura de três médios. Três médios a correr 70 metros… está aqui o Rui Costa, ele foi médio e 70 metros é muito para correr.
…Pelo jogo de mãos do Ody[sseas] Vlachodimos, ele mete a bola onde quer. Em dois segundos e meio chegou ao limite da área e colocou a bola no pezinho do Grimaldo.»
Bruno Lage


O Vídeo do treino (aqui) que preparou a nuance da saída.

O dérbi fofinho

"O amor está no ar. A paz reina. O futebol está com os anjos.
Este é o ambiente na véspera da 41.ª edição da Supertaça Cândido de Oliveira que vai opor, apenas pela quarta vez na história, os dois clubes mais importantes de Lisboa, servindo de lançamento do novo canal oficial da Federação, instrumento assumido de venda do futebol a audiências puras e frescas. Pela positiva e sem polémicas, com a benção do presidente Marcelo.
Se, em campo, tudo corresse como o emocionante e inesquecível frente a frente dos dois treinadores do Benfica e do Sporting, estaríamos perante o derbi mais fofinho da história e, inevitavelmente, acabaríamos embaraçados pela traição ao espírito do jogo e à história deste confronto. Felizmente, no relvado do Estádio Algarve, não será assim, haverá artistas e não figurantes.
A predisposição dos jornalistas em geral para terem acesso directo aos intervenientes dos jogos, antes, durante e no final, sempre foi uma prioridade que as instituições futebolísticas, com a Federação à cabeça, combateram ferozmente, com o pretexto de que faria mal aos jogadores e treinadores e, por consequência, ao jogo e aos respectivos objectivos. Até microfones voaram para o fundo do lago, em nome dos superiores interesses dos heróis da Nação!
Agora, os donos da bola defendem que o “produto” será mais lucrativo mediante uma exposição controlada, sem polémicas, sem excessiva paixão, mantendo a reserva dos protagonistas a quem paga os direitos exclusivos e, portanto, como antes, a deixar aberta a válvula de escape dos meios independentes. Eles sabem que o espírito do futebol fofinho só dura até ao apito inicial do árbitro, mas está lançada a ideia de um futuro espectáculo bacteriologicamente puro.
Nos clubes, há muito tempo se restringe o acesso aos protagonistas aos meios internos, incluindo as televisões próprias, tornando a comunicação para o exterior mera propaganda, sem mediação independente e apenas mitigada em conferências de imprensa justificadas pelo tempo de exposição dos painéis dos patrocinadores, cenários e “product placement”, com toda uma lógica de marketing e promoção que está nos antípodas do jornalismo."

Duelo !!!

Benfiquismo (MCCLII)

Supertaça...!!!

Champions !!!

É só um torneio de pré-época, mas é o mais importante e o mais competitivo torneio de pré-época do mundo do futebol, nos dias de hoje!!! Com a participação das equipas com maiores orçamentos... Um torneio com um impacto mundial enorme, maior do que qualquer título interno português!!!

Acaba por ser um regresso ao 'passado', a um tempo, onde o Benfica disputava os mais famosos torneios de Verão, com várias digressões épicas, por todos os continentes, ganhando prestígio por todos os cantos do Mundo...

Recordo o lote dos vencedores deste torneio: Real Madrid, PSG, Manchester United, Juventus, Barcelona, Inter de Milão e o Tottenham... e agora também o Benfica!