Últimas indefectivações

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Lixívia 4

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.......... 10 (-2) = 12
Corruptos...... 9 (-3) = 12
Sporting........ 12 (+3) = 9

A tendência confirma-se: Lagartos empurrados até à vitória, com total impunidade dentro do campo, e com o silêncio total, fora do campo!!!!

Na Sexta em Arouca, Fábio Veríssimo voltou a prejudicar gravemente o Benfica, como tem sido habitual na sua curta carreira!!!
Para os mais esquecidos recordo a expulsão do Renato Sanches nos Barreiros na última época, respondendo enfim, à 'reclamação' Lagarta, que exigia a expulsão do Renato a qualquer custo!!! Sendo que para isso acontecer, o Renato sofreu uma falta clara para penalty e como 'castigo' levou Amarelo!!!!!
O mais extraordinário ainda, é que na 1.ª jornada da actual época, em Vila do Conde, no Rio Ave-Corruptos, quando o Rio Ave ameaçou uma remontada, numa jogada muito parecida, Veríssimo não teve dúvidas, e marcou penalty a favor dos Corruptos, e expulsou o Central do Rio Ave!!!
Pois bem, 1 mês depois, em Arouca, 'mudou' de opinião!!! A situação na minha opinião é ainda mais grave, porque o Benfica já estava a ganhar por 0-2. Se o resultado tivesse mais 'apertado', até se podia entender o 'medo' de marcar um penalty decisivo! Mas nestas circunstâncias, pouco depois do Benfica ter marcado o 2.º golo, e naquela altura no Estádio, todos pensarem que o vencedor estava encontrado, mesmo assim, Verissimo teve 'medo' em marcar penalty a favor do Benfica!!!!

O facto do Arouca ter marcado um golo, na jogada seguinte, também não o 'incomodou'!!! Pois, pouco depois estava o Gégé a empurrar o Pizzi para cima dos painéis publicitários, com a bola fora das quatro linhas, e quem mereceu reprimenda foi o Benfiquista!!!!
O Benfica acabou por vencer, mas fomos obrigados a sofrer até ao último segundo...


Na 'festa' no Alvalixo, o pateta do apito, quis colaborar para o bom 'ambiente' que se vive entre o CA da FPF e respectivos árbitros; com a Direcção liderada pelo Babalu e respectivos doentes mentais!!!
A inclinação do relvado, começou no primeiro minuto!!! O critério é totalmente parcial, em todos os contactos...
Exemplo: aos 5 minutos, Rúben Semedo, comete uma falta perigosa, praticamente em cima do risco da área, com os braços, e dando uma joelhada ao adversário! Jogada muito promissora, se o jogador do Moreirense ultrapassa o defesa contrário, ficava em excelente posição... Nada foi marcado!
Pouco depois, novamente Rúben Semedo agarra o adversário na meia-lua, se o avançado do Moreirense tivesse dominado a bola, ficava isolado, em zona frontal...
Conclusão disto tudo: Amarelo, na segunda falta! Numa situação de dois cartões 'alaranjados', o Lagarto ficou com um amarelo!!!
Como foi obrigado a mostrar um Amarelo à 'sua' equipa, sentiu-se na obrigação de mostrar um Amarelo aos 'outros', rapidamente: o primeiro que apareceu foi o Neto, que como estava por perto, quando Alan Ruiz simula uma falta à descarada, dá Amarelo para o jogador do Moreiresne... poucos minutos depois, 2.º amarelo!!! E jogo fechado!!!
Antes, já o Gelson tinha marcado um golo, após um domínio de bola, com o Braço... Algo normalíssimo, neste Sporting!!! Assim, percebe-se melhor o grande investimento Lagarto na equipa de Andebol!!!

Mais incrível do que estas 3 jogadas, foi o total silêncio, durante a transmissão do jogo, e no rescaldo do jogo, nas TV's e nos pasquins!!! Silêncio total... A falta grave do Semedo, e o golo após domínio com o Braço, nem sequer foram considerados Casos... por ninguém!!! Extraordinário...
Aliás, o narrador e comentador da PorkosTV foram tão parciais, que na maior parte dos 90 minutos, pensei que estava a ver a transmissão da SportingTV... Aliás, os 'profissionais' da Sporting TV, provavelmente são mais imparciais...!!!! O facto de dois deles, serem ex-PorkosTV não é coincidência!!!
ADENDA: Esqueci-me de um lance caricato, onde um dos avançados deu um pontapé nas pernas de um dos Centrais do Moreirense, com a canela, caiu... e o árbitro marcou falta a favor do Sporting! Bastante indicativo da forma como os apitos soaram!!!

Para percebermos a importância da Realização televisiva, e das reacções dos comentadores e directo, veja-se o jogo dos Corruptos!!!
Não vi o jogo, mas no dia seguinte reparei que apesar da vitória indiscutível dos Corruptos, foram apontados muitos erros ao regressado Jorge Sousa!!! Fui rever os Casos na Box, e fiquei estupefacto: então os habituais agarrões e picardias nos Cantos, já são considerados Casos de lesa pátria!!!!
Praticamente em todas as bolas paradas junto da área (cantos e livres laterais), existem picardias e agarrões, quando temos um resultado apertado, às vezes a equipa que perde, até se pode queixar, agora num jogo de 3-0, este tipo de Casos passam completamente despercebidos...
A não ser, que o Realizador televisivo, queira mostrar serviço aos Patrões!!!
Inclusive o cartão Amarelo ao Xande...
Todos os supostos Casos deste jogo, foram Casos 'televisivos'... que num jogo do Benfica, com o mesmo Realizador, nunca seriam dignos de 'repetições'!!!!
A única excepção foi o golo anulado ao André Silva, após domínio com o Braço... Curiosamente o treinador dos Corruptos, confessou que foi uma boa decisão, mas mesmo assim, alguns dos avençados, não gostaram...!!!

Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

Benfiquismo (CCXVII)

Os primeiros troféus do Glorioso...!!!

domingo, 11 de setembro de 2016

Série vitoriosa...

Benfica 2 - 1 Académico de Viseu


Três vitórias consecutivas!!! Quem diria?!!!
Média de idades baixíssimas (19 anos ou menos...), praticamente todos os jogadores com muitos anos de Seixal... e finalmente, uma equipa pragmática, a cometer menos erros e a ganhar jogos!!!

O Académico 'ajudou' ao bom jogo, não veio com o autocarro, o que resultou num jogo agradável (duas bolas nos nossos ferros!!!), e várias oportunidades... Boa 1.ª parte... para mim, o início da 2.ª parte foi o nosso pior período, mas depois do segundo golo, melhorámos...

Destaque para a estreia do Kalaica na equipa B, do regresso do Saponjic... da titularidade do Buta e do Guga... do grande golo do Heri (mais um...)... e da estreia de mais um menino: Florentino! Para mim, além do Zé Gomes, tanto o Florentino, como o Gedson, como o Dju deviam 'subir' à equipa B... apesar da juventude, têm 'caparro' para jogar na II Liga!

Sendo que na terça-feira, na UEFA Youth League devemos jogar na máxima força (excepto se algum jogador estiver na equipa principal)!

De Arouca a Atenas

"A juventude e o benfiquismo são desígnios sublinhados pelo presidente Luís Filipe Vieira. O Benfica-2020.

(...)
2. Na passada sexta-feira um Benfica, dito dorido, em razão de ter o conjunto dos seus avançados na enfermaria - por razões diferentes - ultrapassou, claramente, o Arouca de Lito Vidigal. Um Arouca que há poucas semanas perturbou Atenas e Paulo Bento e que é uma das equipas emergentes no nosso futebol. O certo é que este Benfica sem avançados foi demolidor principalmente na primeira meia hora. Foram trinta minutos de elevada nota artística. Com lances singulares. Com movimentações extraordinárias. Com uma dinâmica exemplar. Rafa fez a sua estreia e mostrou, a todos, que o repentismo e o virtuosismo quase não precisam de treino. E Gonçalo Guedes evidenciou as suas imensas qualidades e a sua capacidade de adaptação - e boa adaptação - a múltiplos lugares e funções atacantes. E Salvio e Pizzi, cada um com as suas inatas características, ajudaram no caudal ofensivo que evidenciou as potencialidades - e as opções - deste Benfica. Arouca foi, de verdade, o momento de boa esperança para este Benfica da segunda época de Rui Vitória. No primeiro de três jogos complexos. No arranque, que se deseja vitorioso, na Liga dos Campeões e na antecâmara do confronto com o Sporting de Braga. Com uma defesa sólida e consolidada, com Fejsa dominador e André Horta em contínua progressão e integração, o Benfica, este Benfica, sabe que merecia mais, muito mais, em Arouca. Em razão do que fez e, também, em razão de uma clara grande penalidade não assinalada. E se no final do jogo naquela jogada fantástica de André Horta o jovem José Gomes tem conseguido tocar com êxito a bola então o justo cumprimento de Luisão - grande capitão! - teria sido bem mais efusivo e a sua estreia memorável.
Mas também fica o registo, no dia em que Renato Sanches integrou o onze inicial do Bayern de Munique, que a aposta na formação, a aposta no Seixal, é, como bem reafirmou o presidente do Benfica na sua serena, correcta e bem viva e positiva entrevista a José Alberto Carvalho, um dos desígnios estratégicos do Benfica para o próximo quadriénio. Para o Benfica 2020. E com a nota, que evidencio, que em Arouca este Benfica actuou, no conjunto, com seis jogadores portugueses. O que também evidencia um propósito que importa enaltecer: mais portugueses no conjunto de um lote de talentos de diferentes origens que a prospecção do Benfica, e bem, tem atraído e tem motivado.

3. Na próxima terça-feira arranca a nova edição da Liga dos Campeões. E na quarta, decerto antes da segunda parte da primeira jornada desta Liga - com o Sporting a defrontar o Real em Madrid - saberemos quem sucederá a Michel Platini na liderança da UEFA. Acredito que também na UEFA vai haver uma mudança significativa. a disputa entre o esloveno Ceferin e o holandês Van Praag é uma disputa entre a modernidade e a continuidade. Sabemos que Platini irá a Atenas, a convite do Comité Executivo da UEFA, «para por à disposição do Congresso o seu mandato de Presidente». Já que, de verdade, a face à crise que percorreu (e percorre) a FIFA e a UEFA, ele nunca se demitiu da organização europeia que, agrupando 55 federações, gere o futebol do nosso continente e múltiplas competições.

Acredito que Ceferin, que recebeu o apoio da nossa federação, será, com o impulso do presidente da FIFA e do doutor Fernando Gomes, o próximo presidente da UEFA. Será uma novidade para o futebol e, também para a estrutura do futebol na Europa: um cidadão da Eslovénia, estado nascido - reconhecido em 1992 - do desmantelamento da Jugoslávia, chega à liderança de uma poderosa organização europeia. É um sinal de novos tempos. E um dos que percebeu, com sagacidade, estes tempos foi o presidente da federação da selecção campeã da Europa em título. Que, no entanto, arrancou, na Suíça, o percurso para o Mundial de 2018 com o pé esquerdo!
Acredito que a indústria do futebol português, que em todos os jogos da sua principal liga transmitidos pela Sport TV, e fazendo os possíveis para os ter em horários não coincidentes, não gostou do dia e em especial da hora que, na sua bem plena e legítima liberdade, o presidente do Sporting escolheu para a entrevista a Rodrigo Guedes de Carvalho na passada sexta-feira. Agora que a concentração televisiva quase está consolidada e os principais operadores entraram, com força e lógicas diferentes, no capital social da Sport TV julgaríamos que todos deveriam potenciar os produtos que geram tesourarias bem suplementares para os principais actores da indústria do futebol português. Mas as nossas singularidades são, por vezes, não explicáveis. Nem confessáveis. O que significa, então, que a fragilidade do poder é bem maior do que muitos admitiriam e um sinal que no final desta época desportiva pode haver alterações bem substanciais das circunstâncias actualmente existentes. Como o Mundo, também neste novo 11 de Setembro, tudo é feito de mudanças. De Arouca a Atenas!"


Fernando Seara, in A Bola

Questões no Atlântico

"A discussão de temas do Direito Desportivo e da política legislativa desportiva fez-me regressar à Madeira no fim desta semana, no âmbito de uma conferência levada a cabo no Funchal (com excelente organização e grande adesão) pelo Conselho Regional da Madeira da Ordem dos Advogados. Com o Atlântico a vigiar, esta foi mais uma oportunidade para, além dos dados assentes e das matérias pacíficas, questionar e provocar quem legisla, quem decide e quem executa.
Começando pelo Tribunal Arbitral do Desporto, prestes a completar um ano de funcionamento e apostado em contrariar as obsessões direccionadas à sua extinção, será já altura de propor, interna e/ou externamente, algumas modificações legais (algumas delas óbvias e manifestas) à sua lei reguladora, considerando a experiência dos juízes árbitros (no que toca em particular à tramitação processual) e a gestão do seu Conselho Directivo?
Será tempo de criar (finalmente) um regime especial e completo sobre a elegibilidade, incompatibilidades e responsabilização dos administradores das sociedades desportivas? Será que, neste domínio, saberão os riscos acrescidos que correm os chamados 'gestores executivos', com exclusividade/dedicação a tempo inteiro? E, ainda nesta sede, será que urge nova ponderação sobre o edifício fiscal (directo e indirecto) da actividade societária desportiva?
Será que estamos no tempo certo para, na emergência de novo diploma sobre o contrato de trabalho desportivo, fazer emergir um mecanismo processual célere (no seio do TAD) para atacar as 'clausulas de rescisão' manifestamente excessivas e irrazoáveis? Será que veremos finalmente sindicada pelos órgãos jurisdicionais a legalidade dos regulamentos federativos, tendo em conta a imperatividade dos princípios gerais de actuação das entidades administrativas no exercício de poderes públicos, em especial a obrigação de prossecução do interesse público e a proporcionalidade e proibição do excesso, no confronto com direitos subjectivos e interesses legalmente protegidos dos agentes desportivos?
Será que as federações estão a cumprir com os requisitos legais expressos para a manutenção da utilidade pública desportiva, nomeadamente na actuação dos seus órgãos disciplinares? E o Estado, fiscaliza, ou deixa andar esta procissão?
Nos entretantos, sempre se ouvem as mesmas necessidades/urgências: rigor; transparência; fundamentação; confiança; coragem! À espera que elas possam vir todas ao mesmo tempo..."

Benfiquismo (CCXVI)

1985...

sábado, 10 de setembro de 2016

Boa defesa!

Benfica 27 - 20 Madeira SAD
(11-10)

Não começamos muito bem, principalmente no ataque, mas estivemos quase sempre bem na defesa! Na 2.ª parte tivemos momentos muito bons...
O Terzic está com dificuldades em recuperar o ritmo... ao contrário do Belone, que está com a 'corda toda'!!!

Recordo que o Madeira SAD, terá sido das equipas que melhor contratou, é claramente favorito ao 5.º lugar, e se alguma das equipas mais fortes, se descuidar, os Madeirenses vão estar por perto... sofrer só 20 golos, é um excelente indicador...

No próximo Sábado, temos o primeiro grande jogo da época, no antro Corrupto, onde o ano passado, até fomos felizes...!!!

Carlos Morais

Já era de conhecimento público que Lace Dunn, não tinha dado notícias, no momento da apresentação da nossa equipa de Basket!!! Seria um regresso ao Benfica, de um jogador que deixou excelentes indicações no passado... Mesmo sem ter jogado na última época por lesão, para o nível do Basket português, parecia que tínhamos 'jogador'... Isso não aconteceu, e pelo que parece, nem sequer avisou os nossos dirigentes!!!!
No momento, onde a maior parte dos plantéis já estavam definidos, principalmente com os 'melhores' jogadores, o Benfica foi obrigado a ir ao mercado. Admito, fiquei preocupado...!!!
O anuncio da contratação do Carlos Morais, apanhou-me completamente de surpresa, e deixou-me bastante feliz!
Estamos a falar do melhor jogador Angolano (mercado que nos últimos anos, tem estado fora do alcance dos Clubes portugueses... será o 'regresso' do Benfica a Angola!!!), jogador com experiência da NBA (diminuta, mas por lá andou...), com experiência de Mundiais, Afrobasket e Jogos Olímpicos, tem sido o melhor jogador da Liga Angolana, repetidamente...
No Benfica vai jogar a 2, ou a 3... lança 3 pontos, mas gosta de 'penetrar'! Acho que tem características parecidas com o Betinho, mas até o considero mais completo!

Ontem fizemos o primeiro jogo de preparação, com o Nanterre, sem os nossos Internacionais (Fernandes, Barroso, Oliveira, Soares, Santos)... e com muita juventude a dar boas indicações! Excelente 1.ª parte, mas cedemos no 2.º tempo (Hollis, 22; Lonkovic 11; Andrade 10; Silva 9; Barber 6; Slutej 4; Stankovic 2; Monteiro; Mendes).
Mas com a entrada do Morais, do Raivio (lesionado), parece que temos equipa... vamos ver se as outras insuficiências, não se vão notar!
Recordo que o nosso primeiro compromisso oficial, é com os Italianos  do Varese, para a Champions, no dia 27 de Setembro!!!

José Gomes, o Rashford da Luz

"Não será inédita, mas é seguramente situação rara uma equipa ver-se provada de todos os seus avançados quando prepara um jogo. Para quem acredita, até parece que mau-olhado sobrevoou o centro de treinos do Seixal e os avançados do plantel foram fulminados pela ira de alguma divindade tresloucada que não inclui o vermelho na lista de cores preferidas. De uma assentada inutilizou os homens que costumam marcar golos: Jonas, Mitroglou e Jiménez. Perigo agravado por duas razões.
O adversário chamar-se Arouca, que, há um ano, à segunda jornada, deu tiro certeiro na águia, em Aveiro; o Benfica, no regresso à Luz na presente temporada ter empatado com o Vitória de Setúbal e riscado dois pontos na sua contabilidade de uma forma tanto inesperada quando imperdoável.
Era natural, por isso, que Jorge Jesus e Espírito Santo,que hoje recebem Moreirense e Vitória de Guimarães, ambos em situação mais confortável, esperassem mais do desempenho do pessoal de Lito Vidigal, o qual, manda a verdade dizer, só deu um ar de graça porque Rafa ainda pensou à Braga: ou seja, rematar muito e mesmo que nada marcasse se antes o enchia de aplausos, agora também... por enquanto. São outras as exigências, muito mais elevadas. Se ele tivesse conseguido pensar já à Benfica, seria uma noite para recordar: a exibição e os golos que prometeu e não concretizou.
Em matéria de novidades, a mais significativa, porém, fica ligada à estreia na equipa principal de José Gomes, 17 anos, quase um ano mais novo do que Rashford quando foi lançado às feras no Manchester United, há meia dúzia de meses. Quando um treinador percebe que tem um jovem praticante acima da média por perto, deve protegê-lo, assumir a responsabilidade pelo seu crescimento e investir nele. É essa a ideia de Vieira. É essa a ideia de Vitória."

Fernando Guerra, in A Bola

Benfiquismo (CCXV)

Mágico... muito bem acompanhado!

Vermelhão: fazer das 'ausências', forças !!!!

Arouca 1 - 2 Benfica


Mais um resultado sofrido, num jogo onde praticámos o melhor futebol da época (até aos 30 minutos), dominámos completamente o adversário, podíamos e devíamos estar a golear (bastaria um dos nossos pontas-de-lança estar apto...)... marcamos o 2.º golo no início da 2.ª parte, temos um penalty descarado a nosso favor, que o Ladrão não marca (seria penalty e expulsão), e na jogada seguinte, no 1.º remate à nossa baliza, o Arouca reduz para 1-2 !!! Inacreditável...
A equipa, ficou inquieta, logo a seguir aquele que estava a ser o nosso principal desequilibrador do jogo: Rafa! Lesiona-se!!! Inacreditável...!!!
É verdade que o Arouca nunca mais acertou na baliza, fez dois remates ao lado... mas nós sabemos como é que estas coisas se podem 'arranjar', com umas faltinhas, uns amarelos... e num ressalto, quem sabe!!!!
Felizmente, aguentámos bem... e nos últimos minutos voltámos a ter várias oportunidades, inclusive o puto, Zé Gomes, podia ter tido uma estreia de ouro!!!!
Como já afirmei o Rafa fez de facto um bom jogo, só não foi perfeito, porque desperdiçou várias oportunidades! Mas como eu já tinha defendido aqui, o Rafa nunca será um 'Jonas', porque falta-lhe a 'pontaria', algo que não se aprende, ou têm-se, ou não se tem... Com os avançados de volta, o Rafa será seguramente, um desequilibrador, que vai fazer muitas assistências e de vez enquanto vai marcar o seu golinho...
Destaco também o regresso do Jardel, muito importante... é de longe o nosso melhor Central a jogar na esquerda. A ausência do Lindelof apanhou alguns desprevenidos, mas o lugar do Jardel na esquerda é dele... com as Selecções, e as viagens, o Lisandro acabou por ser o escolhido para o Central da direita, mas creio que o Lindelof voltará à sua posição natural (isto se não tiver algum problema físico!!!).
O Guedes fez um jogo de muito sacrifício, numa posição que não a dele... foi um dos melhores nos tais 30 minutos iniciais!
Parece que é cada vez mais evidente, que com a entrada do Rafa, a subida de forma do Carrillo... e o crescimento esperado do Cervi (e do Zivkovic), será o Pizzi o 'sacrificado'! E ele parece estar consciente disso, talvez por isso, este 'nervoso'...!!!
Uma nota ainda para a substituição 'atrasada' do Samaris!!! Uma das melhores qualidades do Rui Vitória, é a sua leitura no banco, e o ano passado, raramente 'demorava' a fazer as substituições. Esta época, já é a 2.ª vez, que me pareceu hesitar... Era óbvio que o Samaris tinha que entrar mais cedo!
Conquistámos os 3 pontos, verdade... mas mais uma vez (4 em 4 nesta época... em Tondela terá sido o menos evidente), houve uma clara tentativa, por parte da equipa de arbitragem, em não permitir que o Benfica somasse os 3 pontos!!! Veríssimo é Lagartão, daqueles fanáticos... além disso é corrupto, daqueles que subiu dos Regionais a Internacional de forma instantânea... ficando a dever favores a muita gente no caminho!!! Tenho a certeza absoluta, que vamos ter que levar com ele, durante muitos anos... vai ser um dos adorados da crítica esverdeada, e por isso tem o futuro garantido...
Para os mais esquecidos, recordo o penalty no Rio Ave - Corruptos, da 1.ª jornada, ainda não passou 1 mês: penalty para os Corruptos, falta sobre Otávio e Marcelo com o cartão vermelho! Falta muito parecida, com esta sobre o Rafa... Na altura tinha o Rio Ave acabado de fazer o 1-2... ajudou a garantir uns minutos finais fáceis!!!
Agora, temos Champions, e logo um jogo decisivo!!! Neste grupo, estamos obrigados a fazer os 9 pontos em casa. Com tantas ausências, e tantos jogadores condicionados, aquele que teoricamente seria o jogo mais fácil do grupo, vai ser o mais complicado...!!! E se hoje, o Rafa disfarçou muitas insuficiências, na Luz, com o Besiktas a jogar 'recuado' (estrategicamente), sem 'músculo' na área, será muito complicado!!! Já o disse várias vezes: o Jonas faz mais falta nos jogos da Luz, do que nos jogos fora...

BCC !!!

Confiança no rumo traçado

"Com o mercado fechado, os três grandes candidatos aos títulos viram os seus dirigentes dirigir-se de forma directa ou indirecta aos adeptos. O presidente do Benfica, de forma mais institucional, preferiu uma clássica entrevista para no essencial passar uma imagem de serenidade e confiança num rumo traçado. Aproveitou para reforçar a posição de Rui Vitória e definir os objectivos que são os clássicos num clube como o Benfica.
O presidente do Sporting elogiou os jogadores que ficaram, por um lado para não referir os que tiveram que sair e por outro para diminuir a azia de quem queria seguir o mesmo rumo e não conseguiu. Parece-me correcta a estratégia, e de facto Jorge Jesus tem mesmo que corresponder a um investimento e um esforço financeiro que sem resultados desportivos seriam uma catástrofe com danos vitalícios para o Sporting.
Habituados e com a mesma vontade de ganhar, mas com menos fôlego financeiro, o FC Porto tem o que conseguiu. Com algumas das suas principais figuras a abandonar o barco, o seu presidente de forma inteligente procura um adversário externo para tentar unir os cacos e traçar um rumo. Veremos os resultados porque ao contrário dos sportinguistas, mais habituados a justificar derrotas, os portistas têm patamares de exigência que nos últimos 30 anos fazem da vitória o seu único cimento de aglutinação.
Vai ser um campeonato interessante. É uma análise repetida pelos diversos analistas que o Benfica é o único com margem para não ganhar, pois nos seus adversários o insucesso será desastroso. Discordo. Enquanto adepto também quero ganhar. O Benfica este ano tem que lutar pelo tetra como se o nosso jejum fosse tão desagradável como é o da concorrência. Quero ganhar mais.
Arouca, que no último ano nos deixou marcas, é o próximo adversário nesta busca de glória. Para mim é o jogo mais importante da semana. A minha Liga do Campeões começa em Arouca."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O mundo ao contrário

"Supertaças nacionais e europeia, jornadas de Campeonato, play-offs de competições da UEFA, tudo disputado no meio de um vai e vem de jogadores, e de consequente diarreia de informação e contra-informação corrosiva e desestabilizadora, por via do estapafúrdio estender do mercado de transferências para além dos timings aceitáveis.
Encerrado o mercado, quando os adeptos puderam, enfim, entusiasmar-se com os seus jogadores, e com as suas equipas, eis que o futebol de clubes ficou parado, dando lugar a uma jornada dupla de selecções – que poderia ter sido disputada uma ou duas semanas antes.
Não conheço razões que expliquem tamanho absurdo, perturbador para a generalidade dos adeptos que, directa ou indirectamente, paga tudo isto.
Mais do que vídeo-árbitros, ou seja o que for que destrua aquilo que o futebol tem de melhor face a outras modalidades – a fluidez -, importava às instâncias federativas nacionais e internacionais rever os calendários competitivos, e ajustá-los a um qualquer assomo de lógica minimamente entendível. 
Se as sacro-santas janelas de mercado de transferências são intocáveis, se as datas FIFA são impostas pelos seus tão credíveis e zelosos dirigentes, então que se altere o calendário nacional, começando o Campeonato na segunda semana de Setembro, e deixando o mês de Agosto, por exemplo, para eliminatórias da Taça da Liga e/ou Taça de Portugal, e para todas as insuportáveis contingências do mercado de transferências.
Hoje jogamos em Arouca, com os nossos jogadores, com o nosso plantel. Hoje começa, finalmente, o futebol de que todos gostamos. Já não era sem tempo."

Luís Fialho, in O Benfica

Não aprendem...

"No 'Livro do Tri', que escrevi com o João Gonçalves, incluímos um pequeno capítulo intitulado 'O voucheur do desespero', dedicado às inúmeras tentativas de desestabilização do Benfica empreendidas em Alvalade. Num dos seus parágrafos, elencámos propositadamente sem qualquer tentativa de ordenação muitas das atoardas lançadas (39 e tantas que foram omitidas), com a intenção de demonstrarmos inequivocamente o que considerámos ter sido uma estratégia, tal foi a parafernália de acusações, insinuações e dislates da mais variada espécie, que não só não surtiu o efeito desejado como, em dado momento, se tornou contraproducente.
Sei há muitos anos que, para aqueles lados, 'sportinguiza-se' o (raro) sucesso e 'benfiquiza-se' o (frequente) insucesso, pelo que tal estratégia, mais que pensada, foi sobretudo consequência do complexo de inferioridade latente, exteriorizado de diversas maneiras conforme a relação de forças entre ambos os clubes numa determinada conjuntura.
Se evidências desta característica falassem, tivemos, no fim-de-semana passado, mais um exemplo paradigmático. O treinador leonino concedeu mais uma entrevista em que o Benfica foi um dos tópicos principais. As mais recentes tentativas de desestabilização (que, pelo caminho, servem igualmente para escamotear eventuais problemas internos) não merecem comentário, mas estão registadas. E logo foram acompanhadas por declarações no mesmo sentido noutra publicação. Não há coincidências, já dizia a escritora.
O que eles persistem em não entender é que estas acções estimulam a nossa ambição de lutar por vitórias, algo que, mesmo não precisando que seja reforçada, agradecemos. Continuem!"

João Tomaz, in O Benfica

Casa ou fora, tanto faz

"Hoje, às 20h30, o Tricampeão Nacional volta ao trabalho.
À quarta jornada do campeonato de futebol, o SL Benfica disputa o terceiro jogo fora de casa, depois das deslocações a Tondela e à Choupana. Em Arouca, hoje a partir das 20h30, tudo indica que a história se repetirá. E não estou a falar apenas de mais uma vitória da equipa, refiro-me à diferença substancial que o Glorioso tem em relação a todos os outros clubes nacionais e à maioria das instituições desportivas de todo o mundo: os seus adeptos.
Na semana em que ficamos a saber que o SL Benfica ocupa a 12.ª posição no ranking dos clubes mundiais com maiores assistências no seu estádio, fica uma questão: e se aos números de ocupação do Estádio da Luz (média superior a 50 mil pessoas por jogo em 2015/16) se juntassem os dados relativos às partidas disputadas fora de casa?
Não é complicado fazer estas contas e esta temporada prometo estar atento a essa realidade. Em Tondela foram 4973 pessoas num estádio com capacidade para cinco mil. Na Madeira, contra o Nacional, estavam 5017 para uma lotação de 5100. E em Arouca, como será? Não será muito diferente, já que o estádio tem igualmente o mínimo de lugares exigido para a participação no principal campeonato português: 5000 lugares. Lá vai a taxa de ocupação rondar os 100%. E estou, recordo mais uma vez, apenas a falar dos números que os adeptos do SL Benfica conseguem fazer fora de casa.
Os outros querem comparar-se connosco? Então, tentem cobrir as clareiras dos vossos recintos desportivos. De preferência sem pintar cadeiras para parecer que tem gente ou sem aldrabar assistências para 'rimar' com o número da camisola do marcador dos golos."

Ricardo Santos, in O Benfica

Arte do improviso segundo Vitória

"Ao problema que é jogar em Arouca, onde mora a equipa-revelação da época passada e que já na corrente temporada tomou o gosto às competições europeias, o Benfica acaba de juntar uma enxurrada de lesões dos homens-golos. Mitroglou e Jonas, que em 2015/16 valeram 52 dos 88 golos marcados pelos encarnados na gesta do tri, estão fora de jogo, o mesmo acontecendo a Raúl Jiménez, o mexicano em quem Luís Filipe Vieira vê uma futura galinha dos ovos de ouro e ainda ao promissor Jovic.
Perante este cenário de penúria, a Rui Vitória não resta outra alternativa que não seja caçar com gato. O recurso à equipa B, onde evolui o luso-guineense José Gomes, de 17 anos, estrela do último Europeu da categoria, é obrigatório, caindo como sopa no mel no discurso pró-Seixal de Luís Filipe Vieira. Mas não será crível que Zé Golo entre no onze inicial. Gonçalo Guedes a nove, um pouco à revelia do que são as suas características, poderá ser uma solução de recurso, complementada por Rafa, que fez finca-pé em jogar no Benfica e ouviu do presidente encarnado rasgados elogios, para compor a dupla atacante em Arouca. O ex-bracarense, que apenas fez dois ou três treinos no Seixal, tem já tarimba suficiente para não se impressionar com uma estreia supersónica, e logo numa posição que não deverá ser a que Rui Vitória tem para ele. Mas em tempo de guerra não se limpam armas...
Depois de ter perdido dois pontos, na Luz, com o V. Setúbal, o Benfica viaja a Arouca sem a artilharia pesada, num contexto em que não pode deixar fugir mais o Sporting, líder da prova.
É certo que a procissão ainda vai no adro, mas... vidinha difícil, não é?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Para... opção

"Arrancaram ontem os Jogos Paralímpicos Rio 2016. A Missão portuguesa é composta por 37 atletas que vão competir em sete modalidades. Incontornavelmente vamos falando de medalhas e objectivos desportivos, numa vertente de alto rendimento que o desporto adaptado também quer para si.
O Chefe da Missão Paralímpica, Rui Oliveira, realçou que a profissionalização «é o caminho para os atletas portugueses poderem participar em igualdade de circunstâncias». Convém termos presente que a grande maioria dos atletas que integram a Missão Olímpica não são profissionais, aliás, tal como a maioria dos atletas que participaram nos Jogos Olímpicos. Alguns recebem bolsas de apoio (técnico e logístico) à preparação olímpica, mas as suas modalidades não têm enquadramento profissional, nem têm contratos de trabalho com clubes ou outras instituições.
Antes de saber se podemos ou devemos dar condições profissionais aos nossos atletas de elite, é necessário saber se queremos, realmente, alto rendimento em Portugal. Competidores de modalidades sem quadros profissionais num país com clubes de escassos recursos, dificilmente chegam lá sozinhos, só ocasionalmente e por geração espontânea.
Se é isso que queremos, é necessária uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis para o alto rendimento. Se pretendemos melhores resultados, temos de investir, detectar os nossos talentos, conseguir que os atletas tenham melhores performances e isso faz-se treinando melhor, com mais qualidade e com enquadramento técnico multidisciplinar.
Se quisermos um verdadeiro alto rendimento é, em muitas modalidades, necessário ter atletas a tempo inteiro. Podem e devem conciliar a sua vida desportiva com a académica e social, mas têm que ter disponibilidade de tempo, física e financeira.
Quem está disposto a isso?"

Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (CCXIV)

Gigante...

O mercado de transferências e a feira das vaidades (o que valem cada um dos três grandes)

"Ser pago para treinar o Sporting e não parar de falar do Benfica. O homem não resiste.

Comecemos pelo Porto
1. Em 2015 tiveram a necessidade de contratar um guarda-redes mediático, que acabou por não ser determinante num plantel mediano.
Esta época, mantiveram Maxi Pereira, inferior, reconheça-se, ao seu antecessor (Danilo) e, surpreendentemente, não contrataram nenhum lateral direito, mas, antes, dois laterais-esquerdos (talvez para, em conjunto, fazerem esquecer Alex Sandro). Contrataram, ainda, dois defesas centrais: Felipe e Willy Boly, reconhecendo, com isso, erros passados. Contrataram, também, dois médios, um deles a custo zero (João Teixeira) e outro (Óliver) por empréstimo. Por fim, foram buscar dois avançados: Laurent Depoitre e Diogo Jota (tenho pena), este também por empréstimo. Depoitre já fez estragos no Dragão; não nas balizas adversárias, mas antes na Administração da SAD (há cada coincidência por aqueles lados).
Ao invés, e quanto a jogadores relevantes - até peco por defeito, se relermos os jornais de há um ano - saíram Aboubakar, Licá e Alberto Bueno, para não falar em Pablo Osvaldo. Os tais que vinham fazer esquecer Jackson Martinez.
O plantel do Porto tem vindo a descer de categoria de época para época, razão pela qual e para colmatar as grandes deficiências existentes, tiveram de se reforçar muitíssimo.
Muito e bem? Ou só muito? A ver vamos!??

O Sporting foi o vencedor
2. Sem Supertaça, não brincaram em serviço e arrebataram o título de Rei das compras. Beto, a custo zero, e o tão desejado e namorado - a julgar pelo que se lia e ouvia - Douglas.
Em 12 meses, 3 defesas novas completas!
É obra!!!
Quanto a médios, redescobriram Bruno Paulista e contrataram Elias e Petrovic (Marcelo Meli chegou por empréstimo).
Relaticamente a avançados, o Sporting contratou Bas Dost, Alan Ruiz, Luc Castaignos, André e Lukas Spalvis, para substituir Slimani (se pudessem jogar todos e só contar como um), E ainda foram buscar Joel Campbell e Markovic (por empréstimo).
Com tanta compra, vou contar os minutos da formação em campo (sem me rir, mas, apenas, para constatar).

A estratégia do Benfica
3. Quanto ao BENFICA - e como adepto - reforçou-se, quanto a médios, com Rafa, André Horta, Danilo e Celis. Quanto a avançados, fomos buscar Franco Cervi, Carrillo e Zivkovic.
Uma opção estratégica clara de Luís Filipe Vieira, que soube planificar bem a época, de acordo com a avaliação das dificuldades que se avizinham e da definição dos objectivos do Benfica, gerindo - numa óptica externa e de pura observação - a cobiça dos grandes clubes.

Os jogadores e as juras eternas
4. A vida dá muitas voltas e o futebol não é excepção. O que hoje é dado como certo, amanhã poderá não o ser. O que nos leva a constatar, tantas vezes, que pela boca morre o peixe.
No dia do encerramento do mercado, entre outras surpresas (ou tentativas de), fomos informados do regresso de Lazar Markovic a Portugal, para o Sporting.
Apesar da sua curta passagem pelo Benfica, deu para o jogador criar uma grande paixão pelo clube.
Markovic, para além de ter percebido rapidamente que «o grande segredo do Benfica são os seus adeptos» - disse-o várias vezes, inclusivamente a uma semana do fecho da janela de transferências -, imediatamente após a sua saída, classificou o Benfica como a sua segunda casa - tal como tantos outros que saem, sendo um dos exemplos mais recentes Carcela.
Ora, presumindo que a sua «primeira casa» não será em Alvalade - ou melhor, o Sporting, por este e aquela freguesia de Lisboa não se confundirem - como irá conciliar essas juras de amor eterno com a sua actual situação?
Terá, certamente, um problema para resolver, para que se evitem crises existenciais e de identidade (que não tiveram Artur, Cardozo, Garay e Coentrão, por exemplo).
Ou, como diria Ricardo Araújo Pereira, a camisola do Benfica honra todos os jogadores que a vestem, sem excepção; alguns deles, não muitos, «honram tanto a camisola como ela os honra eles». E outros há, ainda mais raros, que «conseguem dar mais ao Benfica do que o Benfica lhes dá», sendo que a estes, por esse motivo, o clube lhes ergue uma estátua no estádio e «só lá está uma».
Como tem razão.
Os jogadores, os técnicos, os dirigentes mudam, regularmente; já o símbolo e os adeptos, esses permanecem ad eternum.
Por isso, ninguém está acima do Benfica (nem no mesmo plano, acrescento eu)!

A grande entrevista
5. As paragens de campeonato dão para tudo. Desta vez, deu para uma grande entrevista - pelo menos, em extensão - do treinador que se auto-intitula como o melhor do mundo.
Dela destaco essencialmente a frontalidade com que assumiu a «pequenez» que encontrou no seu actual clube.
Então o que encontrou «lá dentro» era «muito pequenino»?
Muito nos conta!
Mais: ficámos a saber que os jogadores que estavam no seu clube foram valorizados pelo próprio - algo, aliás, que sempre fez em todos os clubes por onde andou, sem excepção, como bom «cérebro» que é.
Mas, o que terá a dizer relativamente a alguns jogadores da sua academia, quais pérolas, que, se a memória não me falha, deu como certas no plantel e que, entretanto, foram dispensadas?
E o que terão a dizer Iuri Medeiros, Mané e João Palhinha, por exemplo?
Mas não posso deixar de constatar que, da época passada, não retirou uma (grande) lição: ser pago para treinar o Sporting e não para falar do Benfica. O homem não resiste (talvez não fosse ele próprio se assim não fosse).
Diz que o Benfica quer «correr com o Luisão».
Terá memória curta?
Quem dispensou Nolito, que está, agora, a jogar no Manchester City e é titular da selecção espanhola?
E André Gomes, que foi parar ao Barcelona?
O que terá a dizer das prestações de Bernardo Silva e João Cancelo na selecção principal?
E das oportunidades que não deu a Nélson Semedo e a Lindelof, por exemplo?
E de Renato Sanches, que, com ele, não só não teve a devida oportunidade, como ainda se deu ao atrevimento de defender, há 3 meses, que não poderia ser titular da Selecção (como se viu, anteontem, com o resultado alcançado pelos aurélios na Suíça, se lhe tivessem dado ouvidos, nunca seríamos Campeões da Europa).
E sobre Oblak, a quem resistiu, durante anos, até lhe dar, quase obrigado, a titularidade do Benfica e que hoje é indiscutível no Atlético de Madrid?
Isto para não falar de Pablo Aimar e Saviola.
Afinal, ele, sim, foi a única pessoa que nos últimos sete anos, no Benfica empurrou jogadores para fora do clube.
Para já não falar na comparação infeliz - para o capitão do Sporting - entre Luisão e Adrien.
De facto, ele bem tenta não falar do Benfica, mas não consegue.
Tendo como únicas preocupações a grandeza do Benfica e a do seu narcisismo.

Por mim, uma certeza: não poderemos entrar no jogo de quem precisa de muito barulho para parecer o que foi. Até porque, ganha quem merece e não quem faz mais barulho!
Quanto a contas, contas, talvez lhas peçam um dia destes, lá para meio da época, quem, bem ou mal, fez alguma coisa para lhe pagar tanto ou mais do que ganham todos os restantes treinadores da 1.ª divisão portuguesa (a não ser que, em Alvalade, se ache bem dar 6 milhões/ano para ganhar uma Supertaça, ou nem isso)."


Rui Gomes da Silva, in A Bola

PS: Duas notas, o consócio Rui Gomes da Silva, esqueceu-se do último capitão do Benfica a ser empurrado pelo treinador para fora do Benfica: Nuno Gomes...; e já agora temos que ser justos, além da Supertaça, o homem já conquistou a Taça Rui Santos!!!!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Inacreditável...

O discurso do nosso treinador, tentou ser tranquilizador, mas como é óbvio, o que se tem passado este ano no Benfica, em relações às lesões, é inacreditável! Para esta jornada então, atingimos todos os limites do ridículo: todos os nossos avançados lesionados...!!!
Jiménez, Jonas, Mitrolgou, Jovic... e até o Saponjic na equipa B, tem estado indisponível!!!

Se fossem lesões musculares, até podíamos imputar as culpas na preparação física da equipa, mas 95% das situações, têm sido lesões de origem traumática. Só o Jardel e agora o Mitro me parecem ter origem muscular...

Defendo há bastante tempo, a criação no final das épocas, de uma 'época' de Selecções, onde todos os compromissos das Selecções seriam jogados, seguindo o exemplo de outras modalidades, acabando de vez, com estas absurdas pausas para as Selecções! No caso do Benfica, têm sido raríssimas as vezes, que 'recebemos' todos os nossos internacionais de volta, sem condicionalismos... Um absurdo, os Clubes que investem milhões nos jogadores, estarem sujeitos a estas situações...
Já que apoiamos o actual Presidente da FPF, já que ele está a ganhar protagonismo dentro da UEFA, que se faça 'força' para acabar com esta forma de condicionar competições, com factores estranhos...
O Benfica corre o sério risco de ver nos próximos dias, os dois principais objectivos da temporada (tetra, e oitavos da Champions) ficarem altamente prejudicados, devido a lesões contraídas nas Selecções...

Além dos lesionados, o Celis que esteve no Brasil-Colômbia da madrugada de Quarta para Quinta (mesmo sem jogar), também não foi convocado!!!

No meio de toda esta preocupação, os regressos do Jardel do Luisão e do André Almeida aos convocados, acaba por passar despercebido... e até a estreia do Rafa, é relativa!
Não sei qual será o 11 titular, não sei se o Zé Gomes (17 anos) será utilizado, mas o grau de dificuldade deste jogo seria sempre alto (Veríssimo no apito!!!), agora com todos estes obstáculos, estamos 'quase' a falar de uma final da 'Champions'!!! E não estou a exagerar...

À 4.ª jornada e... sem mercado

"Terminada a pausa, o Benfica vai jogar o seu 4.º jogo da liga, o terceiro fora da Luz. Em Arouca, jogo difícil e com a recordação de, no ano passado, ter perdido, ainda que em Aveiro. O invés se passa com o Sporting que, em 4 jogos, tem o terceiro em casa.
Esta jornada coincide com o fim das transferências do Estio, por sinal bem tórrido este e bem quentes aquelas. E com o interregno de programas especulativos e análises transcendentes sobre as movimentações mercantis.
É consensual que o Sporting se reforçou em quantidade e, aparentemente, em qualidade, como há muito não se via. Perdeu dois jogadores decisivos, e o poder de asas de Slimani, mas tem agora outra soluções. Quanto ao Benfica, quase se pode dizer o mesmo, reforçando a estabilidade e continuidade de uma política antes encetada. Também saíram duas grandes referências, mas diversificaram-se vias, ainda que não necessariamente equivalentes. Já quanto ao Porto, foi manifesta a inversão do registo que o clube habituara o mercado. Continua a ter uma boa equipa, mas terá enfraquecido o conjunto do plantel.
Em suma, vai ser uma luta renhida e, espero, leal. No ano passado, ninguém dava nada pelo Benfica e foi o que se viu. Este ano, o Sporting já foi quase aclamado campeão antecipado e o Porto relegado para uma tristonha terceira posição. Numa prova de de regularidade, não me excito muito com este tipo de previsões/desejos. A ver vamos.

P.S. A BOLA subestimou o valor das vendas do SLB. Não são 68 M, mas perto de 80 M, e ter-se-á esquecido de não considerar, nas comparações, as partes do direitos que não pertenciam aos clubes vendedores."

Bagão Félix, in A Bola

Domingos e o 'parceiro' Mendes

"Luís Filipe Vieira mostrou um grande à vontade na entrevista na TVI. São já muitos anos de mediatismo que lhe permitem aliar o profundo conhecimento dos dossiers a um registo intimista, que soube desenvolver, e que acaba por passar bem na televisão. Por tudo, a noite correu bem ao presidente do Benfica e os sócios e adeptos do clube da Luz receberam mensagem que lhes agrada.
Tivesse o discurso pró-Seixal sido debitado numa circunstância em que os encarnados não fossem campeões há 14 anos e o nível de aceitação teria sido outro. Porém, quando o objectivo é o tetra, é evidente que este é o registo mais apropriado...
Da conversa e do que disse Vieira emerge desde já um vencedor: Domingos Soares de Oliveira, CEO da SAD e claramente o número dois da hierarquia encarnada, elogiado em múltiplas ocasiões, e de facto uma pedra basilar da reconstrução encarnada. De registar a forma como se referiu a Jorge Mendes, «um parceiro nosso», uma abordagem que deve ter deixado boa gente preocupada e que revela que a relação com a Gestifute não é para esconder e sobrevive à luz do dia.
Depois, uma convicção tremenda na formação, expressa em 2012, em A BOLA, quando disse sonhar com «um Benfica made in Seixal». É por aí que quer ir e percebeu-se a amargura que o assalta quando os nomes de Cancelo e Bernardo Silva vêm à conversa...
Quanto a Jorge Jesus, entre a vontade de dar encerrada a matéria e a tentação de nunca deixar e dar uma alfinetadas, manteve-se sóbrio, mas reprimido. Quem se der ao trabalho de ir às entrelinhas perceberá que ainda há ali pano para mangas na polémica.
Em relação a treinadores, Rui Vitória forever, porque é campeão e porque é capaz de planificar a médio prazo (ao contrário de vocês sabem quem...).
Outro tema candente, Luisão, foi abordado sem uma resposta conclusiva. Porque Filipe Vieira não pode dizer mais do que disse. O capitão continuará a mandar no balneário mas isso não lhe garante lugar no onze. Sensibilidade para Rui Vitória gerir. Se quis sair ou se quiserem que saísse, serão contas de outro rosário, para juntar a todas as outras em que Luisão, por vontade própria, esteve com um pé fora.
Claramente a não querer abrir frentes de batalha com os rivais (para discutir o negócio até com o Diabo se senta), Vieira marcou posição de força quanto à arbitragem, lembrando queixas que diz ter a propósito de um certo juiz.
Depois de duas horas de conversa, única dúvida a pairar prendeu-se com resolução da posição oito. Nenhuma das soluções pós-Renato pareceu convivente.
O futuro dirá o resto..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CCXIII)

Palco...

Grande entrevista...

Em primeiro lugar, devemos referir que esta entrevista seria impossível com qualquer outro Clube português. Só o Benfica, tem uma 'massa critica' que permite ter adeptos a fazer este tipo de perguntas em directo na televisão, e só o Benfica tem um Presidente que se dispõe a responder desta forma... sem guiões, e sem lambe-botismos militantes!!!!!
É verdade que as últimas entrevistas na BTV com Hélder Conduto também foram boas, mas o formato da 2.ª parte de hoje, com o Diamantino, o Pedro Ribeiro e o Domingos Amaral, tornou a conversa mais fluída...

Quanto ao conteúdo não houve grandes novidades, algumas 'revelações' sobre 'futuras' (potenciais) vendas, mas de resto, o Presidente reafirmou grande parte daquilo que tem dito... as palavras sobre os jogadores que não se adaptaram acabaram por ser algo 'surpreendentes', já que nestas ocasiões, em público, normalmente nada é dito...

A TVI 'esticou' a entrevista ao máximo, mas mesmo assim ficaram alguns assuntos de fora: a FPF e o estado esverdeado no CD, no CJ, no CA e na secção de Futsal...; o enquadramento da politica de comunicação do Benfica, no constante ataque difamatório (praticamente diário) da máquina do Anti-Benfica, nos jornais, nas rádios e nas televisões...

Conclusão, vamos com tudo atrás do Tetra... apesar desta onda de lesões estar a levar ao desespero a Nação!!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Futebol biológico

"No mundo global, as equipas transformaram-se em verdadeiras sociedades de nações, tal a origem dos atletas.
Cada vez é mais difícil memorizar os plantéis, sempre em acelerada rotação. Ao ler, com interesse e curiosidade, os Cadernos de A BOLA, deparei com alcunhas e nomes estrangeiros estrambólicos e impossíveis de reter.
Com os nomes portugueses, resolvi constituir 3 equipas biológicas: uma de nomenclatura animal e duas de botânica (árvores e herbáceas). Como havia mais do que 11, fiz a minha selecção destes 3 grandes. Assim:
De seres animais, o meu onze (treinado por Emílio Peixe) seria: Galo, na baliza (à falta de frango ou peru); defesas: Sapo, Carraça, Coelho e Bicho; médios: Toro (um hondurenho que naturalizei português) e Leão (emprestado pelos leões); nas alas, os artistas Pintassilgo e Grilo e no ataque, Falcão e Pinto (Pintos há muitos, oh Peixe!). Como suplente de luxo (excepto em relva artificial), Minhoca.
Das espécies arbóreas: guarda-redes, Chaparro (para melhores manchas); defesas: Castanheiro, Nogueira, Carvalho e Lenho (quarteto forte para as tacadas); médios, Macieira e Pereira (para dar fruta), nas alas, Oliveira e Palmeira e no ataque, Lima e um Pinheiro (para o jogo aéreo). O técnico seria Carlos Carvalhal.
Das herbáceas: na baliza, o jovem Batatinha; na defesa, Ervões, Silva (com muitos picos), Cravo e Ervões; no meio-campo, Rosa e Viveiros, com os irmãos Horta nas alas; no ataque, Pimenta e Silvestre, uma dupla selvagem. E com Leonardo Jardim a dirigir este grupo.
Os jogos entre estes grandes seriam arbitrados pelo polémico e resistente Manuel Oliveira."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CCXII)


Inauguração do Estádio das Amoreiras, 1925

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O risco negro do «Garoupa»

"Em Novembro de 1977, num jogo frente ao Chaves, Vítor Martins lesionou-se num menisco. Durante a intervenção cirúrgica, uma embolia atirou-o violentamente para fora de uma carreira que estava no seu auge...

Houve um tempo em que os jogadores de futebol, em Portugal, faziam questão de usar bigode. Agora, assim à distância, pode parecer inestético. Tão inestético como as longas cabeleiras esfiapadas ou os penteados de bola. Eram tempos... Outros tempos.
Vítor Martins era desses tempos. Poucos benfiquistas terão sido vítimas do Destino como Vítor Martins. No dia 13 de Novembro de 1977, no Estádio da Luz, frente ao Chaves, para a Taça de Portugal, o Benfica venceu por 2-0, golos de Pereirinha e Pietra. Vítor Martins perdeu. lesionado no menisco, é obrigado a uma intervenção cirúrgica. Ainda não havia as facilidades das artroscopias de agora. Durante a operação, sofre uma embolia. Fica com diversas partes do corpo paralisadas. A sua carreira chegava ao fim.
E que carreira! Nascido no dia 27 de Março de 1950, Vítor Manuel Rosa Martins esteve nove épocas ao serviço dos encarnados e foi seis vezes campeão nacional. Coleccionava faixas. Era campeão por inteiro, mesmo no momento em que a vida o obrigou a vivê-la pela metade. Campeão, repito. Campeão continuou a ser sem intervalos.
Conquistando o lugar entre os maiores
Nascido em Alcobaça, dando os primeiros pontapés no Nazarenos, Vítor Martins chegou ao Benfica aos 18 anos. Aos 19 já se estreara na equipa principal. A partir daí lutou por um lugar entre os titulares e conquistou-o. Por lá ficou até à idade maldita de 27 anos. Rebelde e ao mesmo tempo compassado. O seu futebol obedecia à regra do rigor, mas tinha também consigo o movimento brusco da criatividade inata. Jogou entre os maiores, de Eusébio a Simões, de Humberto Coelho a Nené, de Toni a Vítor Baptista. Era um pêndulo. Marcava um ritmo e regia-se por ele, ao mesmo tempo que geria o jogo. Fazia mais do que uma posição num meio-campo que, à altura, tinha soluções para todos os problemas. O «Garoupa», como lhe chamavam, instalou-se. Até ao fatídico dia da sua morte como jogador de futebol, tornou-se indispensável, para todos os seus treinadores. Mas desilusão é o outro nome que a vida pode ter.
Recordo Vítor Martins porque a maior injustiça que se lhe pode cometer é esquecê-lo. Tornou-se tão natural a sua presença em equipas do Benfica durante quase dez anos que, muitas vezes, não se reconhece a qualidade que de facto tinha. O seu tempo foi, também, um tempo de exigência. Não apenas um tempo perdido em figuras semi-revolucionárias de longos cabelos e bigodes fora de moda. Era um Benfica capaz de ser campeão por nove vezes em onze anos. No qual só cabiam os melhores dos melhores, ainda que apenas portugueses, alguns vindos das colónias. Vítor Martins era, por isso mesmo, um caso raro. Discreto, trabalhador e artista, homem de passada mecânica sem medo de confrontos físicos, uma imaginação súbita que passava para além da realidade comezinha dos mortais.
Aos 27 anos, o futebol fugiu-lhe dos pés. Infame, a vida traiu-se quando estava, muito provavelmente, no auge da sua carreira. Ele o reconheceu, numa entrevista publicada mais tarde. Tinha ainda muito para dar a recusaram-lhe o que dava. Ficou à margem dos estádios, tal como continua hoje em dia, e existe no seu olhar, inequívoca, uma mancha de saudade, a mesmíssima mancha de saudade que envolve quem pôde usufruir do seu futebol único e irrepetível.
Em Novembro de 1977, Vítor Martins, o «Garoupa», cruzou o risco negro das carreiras interrompidas. Não foi o único, não será o único. Sobre o tempo que se foi, tempo vem. Muitos dos que pertencem às novas gerações não sabem quem foi, nem imaginam o seu futebol difícil de definir, regulado entre a verticalidade e a destreza, seguro no passe, sóbrio na finta, inimitavelmente correcto e positivo.
Vítor Martins foi um daqueles jogadores de todos os tempos e de todos os lugares. Escolham uma equipa, escolham uma época, e ele terá lugar. Desafiou as eras e pagou violentamente esse descaramento divino de estar sempre lá quando a sua presença era necessária. Não o esqueçam, aqueles que o viram jogar, suave e impasível. Não o esqueçam porque não é apenas eles que não merece a crueldade desse esquecimento. É o futebol na sua realidade mais intrínseca.
O mês de Novembro de 1977 foi injusto para muita gente, como são injustos todos os dias da vida, trazendo dádivas e desgraças na mesma mão e espalhando-as por quem menos de espera e tão-pouco as merece. O mês de Novembro de 1977 não foi apenas injusto para Vítor Martins, ao qual chamam o «Garoupa». Foi injusto para com todos aqueles que dividiam com ele o campo, como companheiros ou adversários. E foi mais injusto ainda para com todos nós que nos habituámos a vê-lo no seu posto, vestido de vermelho, com uma águia ao peito, símbolo de que, quando queria, também podia voar."

Afonso de Melo, in O Benfica

O dia em que Amália homenageou o Benfica

"Calado levou um repenicado beijo da fadista, e Costa Pereira envolveu-se num xaile e cantou à desgarrada.

Corria o ano de 1957 quando o Benfica partiu para Madrid para participar na última edição da Taça Latina, ainda com a vitória frente aos Girondinos de Bordéus, sete anos antes, bem fresca na memória.
A viagem foi atribulada. Saíram atrasados do Lar do Jogador e a meio do percurso uma avaria no motor do autocarro obrigou-os a trocar para outro mais pequeno que só andava a 65 Km/h. Chegaram a Madrid às 3h da manhã mas a comitiva esteve sempre animada graças aos cantores de serviço. Ângelo cantou fado castiço, as canções espanholas ficaram a cargo de Cavém, a voz mais desafinada de que há memória, 'que nem consegue acabar as cantigas', e Costa Pereira, o 'guarda-redes-cantor' com 'a sua voz bem timbrada', agitou o ambiente com sambas.
Quem também andava por terras madrilenas era Amália Rodrigues, que, assim que soube que os portugueses do Benfica iam participar na competição internacional, fez-lhe chegar uma mensagem de motivação: apesar de adepta do Belenenses, tinha muita confiança nos 'encarnados' e queria muito que ganhassem a Taça Latina. A equipa acabou por ficar em segundo lugar, mesmo tendo começado com o é direito. Venceu o primeiro jogo, frente ao Saint-Étienne, por 1-0, com golo de Calado que lhe valeu um repenicado beijo da fadista nessa noite. 'Ó meu malandro, dê cá um beijo!' Caiado tentou envergonhar o colega: 'Já não lavas a vara durante toda a vida!', mas Calado confessou: 'Realmente fiquei vaidoso...'
A classe e luta que os jogadores imprimiram nos jogos dignificaram, uma vez mais, o futebol nacional, e Amália, comovida com o desempenho dos 'encarnados', decidiu homenageá-los num almoço no restaurante da sua irmã, Celeste Rodrigues, em Lisboa. Nessa tarde, a fadista belenense catou de improviso um poema dedicado ao Benfica: 'Futebol e fadistagem unem-se neste momento. Dum lado a força, a coragem. Doutro o fado, o sentimento', e Costa Pereira, imbuído do espírito, envolveu-se num típico xaile e soltou o fadista que havia em si. Amália gostou e felicitou-o. Afinal o rapaz tinha talento! As desgarradas continuaram e, no início da noite, ainda se ouviam na rua os acordes das guitarras e as vozes desafinadas de alguns jogadores.
A inconfundível voz de Amália também está presente no Museu Benfica - Cosme Damião e pode ser ouvida na área 15. No caminho do tempo."

Marisa Furtado, in O Benfica

Benfiquismo (CCXI)

Mais um remate do King...