Últimas indefectivações

terça-feira, 26 de julho de 2016

Luís Filipe Vieira: o melhor reforço

"O presidente do Benfica cativou a minha admiração, por se poder acreditar nele, uma raridade nos dias de hoje, no desporto como na política.

A confirmação da candidatura de Luís Filipe Vieira às eleições do Benfica, em Outubro próximo, deve ter sido a melhor notícia que associados e adeptos receberam nesta fase de preparação para nova temporada desportiva. Atrevo-me a dizer que mais importante do que a contratação do reforço A ou B para atacar o tetra, foi a certeza de que o actual presidente não vai desistir da concretização do fabuloso projecto por ele iniciado, na companhia de Manuel Vilarinho, como teve cuidado de recordar na declaração feita na última sexta-feira, e ainda não concluído. Se é que, em empreendimento de tamanha envergadura e complexidade, definido o ponto de partida, em 2003, alguém será capaz de estabelecer a linha de chegada, o termo de uma coisa cuja grandiosidade o tempo não consegue medir.

É assim num clube com a dimensão e a ambição do Benfica: nada acaba, tudo evolui, e Filipe Vieira transporta essa invulgar capacidade de querer renovar, todos os dias. Sem outro alcance que não o do engrandecimento da instituição a que preside e consequente fortalecimento do espírito solidário entre os ramos da imensa nação encarnada. A qual, dada a inflamada natureza crítica que a caracteriza e a torna diferente das outras, não pode ser obediência cega ou de resignação. Por ser questionadora, impertinente, intolerante até, sem jamais perder a noção da universalidade do emblema, nem temer as consequências dos conflitos que provoca ou das decisões que assume. Há suficientes exemplos no passado que o testemunham.
Vieira sabe, por isso, que vai continuar obrigado a dar muito de si para corresponder às enormes expectativas que nele estão depositadas. Acredito que se resolveu avançar para outro mandato é porque se sente com disponibilidade física e psicológica para seguir em frente e ampliar a obra que em uma dúzia de anos tirou o Benfica do charco do descrédito e da humilhação.

Por entre avanços e recuos, travando batalhas que muito boa gente não acreditava que pudesse vencer, é irrecusável que, mais pela acção, pela perseverança, pela discrição e pela coragem e menos pela promessa fácil e pela fama dos holofotes, recolocou o clube no lugar devido, não só pelo magnífico complexo desportivo que ali está, na Segunda Circular, para ser visitado e apreciado, que nasceu em substituição do outro igualmente gigantesco, quando Fernando Martins ordenou  fecho do terceiro anel, mas também por recuperado o respeito que a história do emblema da águia reclamava. Além de, paralelamente, ter valorizado sempre o espírito de família que deve existir entre a massa adepta, proclamando que cada passo que se dá ou cada conquista que se festeja só é possível com a participação de todos, como deixou vincado na sua declaração: «Hoje como ontem sinto que posso fazer muito por esta família, a família benfiquistas. Atletas, dirigentes e técnicos, sócios e adeptos aqui as vitórias são celebradas por todos».
A segunda ideia basilar incide sobre as opções que cada qual toma para construir o seu caminho. Nesse sentido, mantendo-se se fiel à coerência que tem sido uma das suas principais bandeiras, foi cristalino noutra parte mensagem de recandidatura. «O Benfica mudou muito, mas uma coisa não mudou e são os meus princípios e valores», acentuou, garantindo que não abdicará de lutar por uma fronteira de diferença, porque, como já lhe ouvi, uma coisa é uma pessoa não se deixar enganar, outra é fazer de conta a alinhar na promoção um futebol sem verdade,

A minha admiração por Luís Filipe Vieira não é de hoje, como quem faz o favor de me ler já deve ter percebido. Falo com ele duas ou três vezes por ano, em encontros institucionais com conversas de circunstância, sem espaço para segredos,nem segredinhos... O presidente do Benfica cativou a minha admiração pela qualidade do trabalho, pelo sentido de futuro, por se preocupar com os problemas dos outros, por utilizar um discurso que é poderoso pela simplicidade. Enfim, por se poder acreditar nele, uma raridade nos dias de hoje, no desporto como na política."

Fernando Guerra, in A Bola

Vídeo-árbitro - Gestão de expectativas

"O universo do futebol espera que o vídeo-árbitro possa resolver todos os erros de arbitragem, mas a realidade será outra.

O órgão que analisa e aprova alterações às Leis do Jogo, o IFAB, deu luz verde à realização de testes (durante dois anos) para avaliar se o Vídeo-Árbitro deve ou não ser aplicado no futebol. O objectivo é claro: perceber se beneficia o jogo e o espectáculo, diminuindo erros grosseiros de arbitragem. Importa ainda perceber se o futebol português, um dos seis que testará este sistema, terá capacidade e vontade em investir nesta área, suportando os seus custos logísticos, financeiros e humanos.
Presume-se que sim, visto que se posicionaram, desde o início, como protagonistas activos na introdução deste projecto. E bem.
Mas a mensagem que hoje quero passar-vos refere-se a um assunto que considero crucial para o sucesso desta inovação: a gestão de expectativas.
O universo do futebol espera que o Vídeo-Árbitro possa resolver todos os erros de arbitragem, mas a realidade será outra.
A intervenção do VAR (Vídeo Assistant Referee) só acontecerá em situações de excepção. Este só poderá actuar a pedido do árbitro ou por sua recomendação a este, perante erros cruciais e evidentes. Erros que possam ter influência directa nas equipas e na partida em si. Referimo-nos a qualquer circunstâncias que envolva grandes penalidades, expulsões (apenas por vermelho directo), decisões sobre legalidade na obtenção de golos e erros na identidade de jogadores/equipa, para efeitos disciplinares.
Todos os outros incidentes, que sejam menos graves e que não tenham impacto directo na partida, não serão revistos pela imagem televisiva. Porquê?
Primeiro, porque podem resultar da interpretação dada a um lance, em função do posicionamento e da forma como o árbitro conduz o jogo. Depois, porque caso houvesse recurso à imagem em cada situação de eventuais falha (pontapés de canto, lançamentos laterais, pontapés livre, foras-de-jogo, amarelos ou pontapés de baliza, só para mencionar alguns), o jogo seria interrompido dezenas e dezenas de vezes para a respectiva vídeo-análise.
Isso tornaria o futebol num jogo constantemente interrompido, monótono e previsível. Despia-lhe a dinâmica, a sua verdadeira alma e essência. E seguramente nenhum clube, adepto ou apaixonado do desporto-rei deseja isso.
Vem aí uma nova forma de ver e viver o futebol. E vem aí porque o mundo inteiro assim o exige há anos. Vamos dar-lhe então tempo, espaço e oportunidade para que cresça de forma sustentada e eficaz.
Para bem do próprio jogo."

Duarte Gomes, in A Bola

Vida e morte do ruço Artur

"Morreu o Artur. Agora, ao seu nome próprio era sempre acrescentado o nome de família, Correia. No entanto, no tempo em que o Artur jogava e entusiasmava multidões de adeptos, para o diferenciar de outros jogadores com o mesmo nome chamavam-lhe o ruço. Era loiro, de olho azul, e, quando jovem, tinha uma força que nos fazia prever uma vida eterna. Afinal, tinha apenas 66 anos quando a morte, piedosa perante as cruéis circunstâncias da vida, chegou.
No frio desenrolar do seu currículo de futebolista, se falará de títulos e de clubes. Da Académica, onde cresceu e, depois, do Benfica e do Sporting. Porém, os números nada dirão sobre aquele que foi uma força da natureza do futebol português. Um defesa lateral de enorme raça, que vivia cada jogo de futebol com uma intensidade inesgotável. O seu auge, nos anos setenta, altura em que o futebol se submeteu aos desígnios da revolução, que, obviamente, o condicionou, foi por mim acompanhado de perto e pelos jornalistas da minha geração. Era o tempo em que os jogadores de futebol não estavam distantes dos jornalistas, o tempo em que nos conhecíamos, nos admirávamos e nos respeitávamos.
Que o Artur viveu a vida com o mesmo excesso de vibração e de intensidade que colocava num jogo de futebol, é verdade. Que o Artur foi muitas e muitas vezes avisado por amigos e simples conhecidos de que as consequências poderiam ser graves, sobretudo depois do último acidente vascular cerebral que sofrera e que tanto o limitou, também é verdade, mas como recriminar quem vive a vida conforme sempre a desenhou?
Que descanse em paz."

Vítor Serpa, in A Bola

Descontrolo

"1. O mercato costuma dar roda livre à fantasia e criatividade dos cronistas, mas este ano até eles têm sido ultrapassados pelos acontecimentos. Como o descontrolo é total, raros têm sido os tiros na mouche. Quem diria que o Manchester United poderia pagar 110 milhões (!) à Juventus pelo francês Paul Pogba, que na final do Euro pouco se viu em campo? Ou que o Barcelona de Luís Enrique iria resgatar por 35 milhões (mais possíveis 20) André Gomes ao Valência, que há dois anos pagou 15 por ele ao Benfica e que cresceu como jogador nos juniores do FC Porto, onde esteve três anos e donde foi enxotado por nada prometer? Este e outros casos mostram bem que ali só há olho para a remela. Outro negócio já fechado é a passagem de Higuain, dito El Pepita, do Nápoles à Juventus por 94 milhões. Os goleadores estão pelo preço de ouro e este, na ultradefendiva Série A, marcou 36 na época finda. Ainda assim, quem souber procurar ainda encontra pechinchas para as exigências da nossa Liga. Vejam-se os exemplos do leão Slimani e das águias Mitroglou e Jonas. Não é o caso do dragão que, após anos de ostentação e pujança, vive há três órfão de um ponta de lança, cuja falta até um cego vê. Não por masoquismo, mas sim por falta de dinheiro que desbaratou no tempo das vacas gordas. E, para a desgraça ser maior, viu o valor do plantel reduzido a pó. O recurso ao esforçado e voluntarioso camaronês Aboubakar não passa de uma solução anedótica.

2. Como na política, onde florescem partidos anti-sistema, também no futebol se adivinha novos tempos, em que não serão os milhões a ditar leis. Olhem só: o Leicester foi campeão inglês, a Islândia afastou a Inglaterra do Europeu, o vilipendiado Lopetegui é o novo seleccionador de Espanha, o Lincoln de Gibraltar, que ninguém conhecia, venceu em casa o Celtic..."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Endireitas da mente

"Os endireitas foram recurso para pôr ossos e músculos no lugar. Os atletas de antigamente também os utilizavam para tratar as mazelas do desporto. Por vezes resultava. Aprendiam as habilidades observando os que antes deles se dedicavam ao ofício e experimentando a manipulação de esqueletos nos clientes. Mas também faziam muitas asneiras quando mexiam onde não deviam. Nenhum atleta de bom senso se deixa agora tratar por quem não tenha adequada preparação científica e técnica.
Recente artigo na prestigiada revista científica de psicologia, Fronteiers in Phychology, trata da relação entre depressão e desempenho desportivo, revelando que a primeira é inicialmente escondida pela prática desportiva, mas tende a reaparecer com gravidade. Sabe-se que esta combinação pode ser dramática, até fatal, como comprovam profundas depressões de atletas famosos, e algumas tentativas de suicídio que por vezes levaram à morte. Nem todos estes atletas evidenciam a crise profunda por que passavam. Os pedidos de ajuda para melhor a perfomance podiam, todavia, estar neste quadro. Só um profissional da saúde mental, psicológico ou psiquiatra, tem competências para entender a gravidade da situação e evitar o seu aproveitamento.
Há quem centre o trabalho psicológico dos atletas simplesmente na optimização da perfomance, baseada em técnicas que não consideram a globalização psicológica do caso. Não são profissionais com formação científica específica que, por isso, não detectam graves desadaptações psicológicas que podem estar na origem da quebra de desempenho. Tão-pouco têm consciência de que o que fazem pode desencadear, a prazo, problemas muito graves. A ignorância é muito atrevida!... As coisas às vezes resultam. Pelo menos no imediato, mas, como revela a investigação, as depressões podem regressar, ou surgir, mais tarde dramaticamente. Lamentavelmente, as gentes do desporto ainda não entenderam que os endireitas da mente podem quebrar a estrutura psicológica do atleta."

Sidónio Serpa, in A Bola

Jonas/Mitroglou: a bomba atómica

"Três pontas de lança como os do Benfica na I Liga equivalem a caçar ratos com uma bazuca

1 - O trio de pontas de lança topo de gama do Benfica já era inédito em Portugal. Caso se mantenha, como parece que acontecerá, passará de inédito a excêntrico. Ninguém defenderá que é normal, para um clube português, ter no banco um jogador pelo qual pagou 22 milhões de euros (Raúl Jiménez). Mas funciona na I Liga, tal como caçar ratos com uma bazuca funcionaria. A parceria Jonas/Mitroglou (as outras combinações possíveis do trio serão mais duvidosas) é uma bomba atómica à qual não foi dado o devido relevo no último campeonato. Como ontem se viu no jogo com o Wolfsburgo, aquele par de canhões está para o Benfica como o tridente (Messi, Suárez e Neymar) está para o Barcelona. O resto da equipa é apenas o acompanhamento.
2 - Presumir a inocência dos atletas russos que o controlo antidoping não apanhou é apenas respeitar o Estado de Direito. Luís Horta, antigo director da Autoridade Antidopagem portuguesa, defendia que o Comité Olímpico Internacional devia banir a Rússia por inteiro, porque seria a única forma de garantir "a integridade" dos Jogos Olímpicos do Brasil. Ao invés, o COI optou por entregar a decisão a cada modalidade. Estará nas mãos delas a possibilidade de lavrar sentenças sem provas, impedindo, ou não, os atletas russos não indiciados de participarem. Ao contrário do que diz Horta, a integridade dos Jogos também ficará afetada se uma só medalha for entregue porque um inocente não pôde competir. De resto, já não sobra integridade: a chuva de positivos (98) saída das reanálises de 2008 e 2012 desfez a ilusão. E estão dezenas de países envolvidos, para além da Rússia."

Clough na BTV !!!

Benfiquismo (CLXXIII)

Estava frio...!!!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Francisco Lázaro nem Francisco Lázaro se chamava

"O primeiro atleta a morrer durante os Jogos Olímpicos virou lenda em Portugal e o neto que não se sabia que existia conta o que nunca se contara: «a verdade das mentiras». Garante que a história do sebo foi criada como «nuvem» para esconder os responsáveis pelo drama do maratonista.

O telemóvel tocou. No outro lado da linha, Rosa Mota. Coutou-me que acabara de encontrar-se, ela e José Manuel Constantino, o presidente do COP, com o neto de Francisco Lazáro. De espanto, foi a minha reacção:
- Mas como? Se o único familiar que se lhe conhece é uma sobrinha-neta? Será que é mesmo verdade?!
Marcado, de pronto, encontro com ele, mal cheguei, de uma pasta retirou medalhas e documentos, recortes e fotografias - e exclamou:
- Para quem desconfie de que sou mesmo neto de Francisco Lázaro, aqui tem a certidão a prová-lo. Eduardo Lázaro da Silva. E repare: no meu avô materno tem: Francisco da Silva ou Francisco Lázaro. Sabe porquê? Porque o meu avô não se chamava Francisco Lázaro, chamava-se Francisco Silva, filho de Lázaro da Silva. Quando ele começou a ganhar as corridas, lá em Benfica, o povo, em euforia, dizia: «Olha o Francisco do Lázaro». Nos jornais passou a ser tratado por Francisco Lázaro - e, depois, foi a um cartório mudar de nome, de Francisco da Silva para Francisco Lázaro...
Nasceu em 1888, em Benfica. O pai era carpinteiro e, pequeno, foi trabalhar para seu aprendiz numa oficina do Bairro Alto onde se fabricavam carroçarias para automóveis:
- Como não tinham dinheiro para o bilhete ia de Benfica para o Bairro Alto ou do Bairro Alto para Benfica a correr atrás do eléctrico. Uma vez, no eléctrico estava o dono de um jornal chamado Tiro & Sport e vendo que nunca mais lhe faltava o fôlego, saiu do carro, perguntou-lhe onde era atleta. Ficou de boca aberta ao saber que não era atleta, desafiou-o para uma corrida que ia organizar...
Foi em 1908, chamou-lhe Maratona Portuguesa, teve apenas 24 quilómetros por temer que ninguém conseguisse fazer 40 - e Lázaro arrasou toda a concorrência.
- Logo depois, meu avô ficou doente dos pulmões. Durante mais de um ano, não pôde voltar às corridas. Só em 1910 fez a primeira maratona a sério, correu os 42.800 metros num tempo que teria dado para ser campeão olímpico, dois anos antes...
Na época seguinte, Cosme Damião levou-o para o Benfica - venceu o primeiro crosse que se organizou em Portugal e os 30 Km do Progresso:
- Está aqui a medalha dessa vitória. A propósito vou contar-lhe coisa que me chocou muito. Em 2003, vim do Brasil a Portugal mostrar que não era verdade o que se dizia que Francisco Lázaro não tinha descendentes directos. Pedi audiência a Vicente da Moura, presidente do Comité Olímpico para lhe provar que tinha, tinha-me a mim e à minha irmã. Emocionei-me vendo no COP uma camisola que o meu avô usara, uma das poucas coisas suas que não ficara com a minha avó. Decidi, então, a doar a primeira medalha que ele ganhou para colocar sobre a camisola. Deixei todos os contactos para que se alguém quisesse saber a verdade sobre Francisco Lázaro não continuasse a ir pela mentira. Não serviu de nada. Pior: em Dezembro de 2012, o Secretário de Estado do Desporto, Alexandre Mestre, foi à Suécia para suposta homenagem ao meu avô e levaram como familiar senhora que disseram ser sua sobrinha-neta, mas que nós, na família, nem conhecíamos. Tentei contactar a senhora através do Facebook, nunca me respondeu. Ou seja, para nós isso, lá na Suécia, não foi uma homenagem a Francisco Lázaro, foi uma farsa. Porque a homenagem que a verdadeira família de Francisco Lázaro - é a resposta à pergunta que nos atormenta há 100 anos: quem é o responsável pela sua morte? E quando, agora, voltei ao COP e fui recebido por José Manuel Constantino e Rosa Mota tive mais uma tremenda decepção: ninguém sabia onde estava a primeira medalha que o meu avô ganhou, a medalha que eu tinha deixado a Vicente de Moura. Mas, repito-o: o que nós queremos é a verdade, o fim das mentiras com que se continua a fazer a história de Francisco Lázaro...

«Mentira, a história do sebo...»
Eduardo Lázaro remexe documentos, mostra, emocionado, o cartão de acreditação do avô nos Jogos Olímpicos. Depois, passa os olhos pelo livro que Romeu Correia escreveu sobre a saga. Para no pedaço onde Armando Cortesão, que lá correu os 800 metros, conta: «Ainda há pessoas que me fala nisto: que o Lázaro fora envenenado, que lhe fizeram essa patifaria para ele perder a corrida. Um disparate! O Lázaro morreu por dois motivos: primeiro, porque se untou de sebo. Fui eu e o Fernando Correia, quando ele não aparecia à partida da maratona, que o procurámos no balneário e o encontrámos a besuntar-se com sebo. Não faço a menor ideia como o Lázaro conseguiu arranjá-lo, ele que mal falava português. Ainda tentámos que ele tomasse banho, mas não havia tempo. E ele lá foi correr a maratona todo besuntado com sebo, com os poros da pele tapados, o que impedia a transpiração. E outro coisa: só ele e um japonês é que foram de cabeça descoberta àquele sol». Para num suspiro, dispara, sem pestanejar:
- Sim, a história do sebo é pura invenção. Mito. Mentira. Aliás, nessa passagem do tal livro fica desmontada quando Cortesão diz que não sabia como é que o meu avô tinha arranjado o sebo. Não arranjou, nem usou, nunca tal usou. A minha avó, passou toda a sua vida contando que um dos participantes nos Jogos, penso que o António Pereira da luta, que era com quem o meu avô se dava melhor, lhe disse, uma vez: «Sofia, o melhor é você aceitar o destino e não mexer mais com isso porque eles são pessoas muito influentes, pode dar problemas, mas o que eu quero dizer-te é: não, o Chico não passou sebo no corpo. O que o matou foi não terem aceite o que até os médicos exigiam: que a prova fosse mudada para o fim da tarde...»
Eduardo abre páginas de O Século do Desporto de A BOLA, onde se vê a frase: Ou ganho ou morro! - onde se diz que o largou ao fugir do balneário quando Armando Cortesão e Fernando Correia pensaram passá-lo pelo duche para lhe retirar o sebo (e isso também foi o que eles disseram...):
- Com 'Ou ganho ou Morro' se despediu o meu avô da minha avó no cais de Lisboa. Mas, nesse livro de Romeu Correia e em toda a história do meu avô também se fala de Sofia como sua mulher - e não, não era. Sim, estava grávida da minha mãe, mas não eram casados, ele tinha pulado a cerca, deixara-lhe, porém, a promessa: quando voltar, casamos, mas já com a medalha que vou trazer dos Jogos Olímpicos. Chegou atrasado à partida? Isso é verdade, mas não o fez por ter acontecido o que se disse. Também foi contado à minha avó: diante aquele calor, o meu avô decidiu: «Já que não vão adiar a prova, não corro». Convenceram-no, dizendo que era a grande esperança de Portugal para a medalha, que não podia abandonar assim o sonho de uma nação, enfim, essas coisas que se imagina e, então, ele disse: «Está bem, eu vou... ou ganho ou morro!» E já a correr para a largada, ainda afirmou: «Já que não querem adiar, por revolta não vou botar nada na cabeça, vou sem nada...»

Estranho remédio para dentes
Os Jogos de Estocolmo começaram a 6 de Julho de 1912 - e a Francisco Lázaro foi dada a honra de levar a bandeira de Portugal à cerimónia de abertura. Cortesão também o revelou: 'Como víamos todos os atletas a levar massagens, resolvemos comprar as emborcagens. O farmacêutico, que era um pirata qualquer, vendeu-nos um frasco com um líquido incolor. Depois dum treino, o Joaquim Vital começou a dar-me massagens com o tal líquido. Espantado pergunta-me um sueco: «O que estão a fazer?» Respondi-lhe que quisermos comprar emborcagens e foi o que nos deram na farmácia. Ao que retorquiu: «Mas isso é remédio para os dentes!»'
Acreditava-se, então, que a emborcação, mistela que metia mistura de ovos e vários ácidos, dava aos músculos «perfeita elasticidade», tornando-os «insensíveis à dor e à fadiga». Não, Eduardo também não aceita a ideia de que possa ter sido o erro no modo como se fez a emborcação que arrastou Francisco para a tragédia:
- Se já se tinham apercebido de que era remédio para os dentes o que lhes tinham vendido na farmácia, iam usá-lo no meu avô?! Aliás, a minha avó também passou toda a vida a negar isso: que nunca viu o meu avô com essa coisa da emborcação...

Corpo esteve 60 dias numa capela por falta de dinheiro
Do fígado que parecia numa pedra à dúvida óbvia: «Se houvesse sebo, os médicos não falavam?!...»

Tudo o que Eduardo Lázaro da Silva guarda do avô talvez desse já para um pequeno museu. «Quem sabe, um dia faça isso, o que está vendo aqui é só uma parte minúscula de tudo, de toda a história». Do rol de documentação, solta-se mais uma revelação: que 8 dos 11 médicos encarregados dos Jogos de Estocolmo tentaram em vão que a organização passasse a maratona para o fim do dia. O tiro de partida foi às 13.48 horas. A temperatura andava pelos 36 graus - e subiu para lá dos 40. O resto foi o que se sabe:
- Ao entrar no hospital, percebeu-se logo que só por milagre é que meu avô se salvava. Sofrera uma meningite, à meia-noite ainda lhe deram injecções de água salgada, pareceu que melhorou, mas não: entrou em delírio, fazendo movimentos como se ainda estivesse a correr a maratona, às 6 horas e 20 minutos do dia 15 de Julho de 1912 ouviram-lhe o último suspiro. Pierre de Coubertin tinha estado lá à sua beira, pouco antes, saiu do hospital com a ideia de nunca mais deixar que se corresse a maratona nos Jogos...
Na autópsia, descobriu-se que o fígado de Francisco Lázaro «estava completamente minado, do tamanho de um punho fechado e rijo, a tal ponto que só se conseguira partir a escopro, como se fosse uma pedra».
- Provavelmente foi o que levou à mentira do sebo. E eu digo: se a história do sebo fosse verdade, se o meu avô tivesse chegado ao hospital com o sebo no corpo, o sebo no equipamento, os médicos não teriam falado disse? Teriam, decerto. Porém, na certidão de óbito só se fala da meningite causada pela insolação - e nenhum documento médico diz que foi achado produto estranho ou químico no corpo do meu avô. Por isso, o sebo, a emborcação, a estricnina só podem ser nuvens para esconder os responsáveis por não se ter mudado a hora da maratona.
Fez-se um festival desportivo para angariar fundos para a filha que estava para nascer. Nasceu quatro meses depois. Sofia baptizou-a como Francisca. Colheram-se 14.040 coroas suecas, que valiam cerca de 3500 escudos - ou seja mais ou menos aquilo que Lázaro ganharia em 20 anos de trabalho na oficina do Bairro Alto:
- Dos Reis da Suécia, a minha avó foi tendo ajudinha, uma pequena pensão durante algum tempo. Mas nada com que pudesse viver não digo bem, mas assim-assim. Passou, pois, por muitos sacrifícios. Por estar grávida do meu avô e não estar casada, a minha avó foi abandonada pela família dele até. A minha mãe não teve condições de estudar, só aprendeu a ler e escrever. Por isso, acho que as 14 mil coroas não foi a minha mãe que as recebeu, pelo menos na totalidade...
Sabendo que Portugal não tinha dinheiro para transladar o corpo, o Rei ordenou que navio da marinha sueca o trouxesse para Lisboa, pagando a Coroa todas as despesas fúnebres:
- Com o caixão mandaram latinha de terra do local onde o meu avô caiu - e uma fotografia da capela católica onde o corpo dele esteve à espera que o trouxesse, durante 60 dias.
A foto da capela também a mostrou, Eduardo.

O fantasma que não o deixou ser atleta
Eduardo Lázaro revela o sentido da sua luta e o que aconteceu à avó e à mãe, onde elas estão

Eduardo Lázaro vive no Brasil. É dono da Lázaro's Representações, empresa do Estado do Espírito Santo com negócios que passam por cafés e papéis, esponjas e colas, azeites e azeitonas:
- Como vê, essa ligação é tão forte, tão forte que mesmo que o nome de baptismo do meu avô não fosse Francisco Lázaro, a nossa empresa tem o seu nome.
Eduardo nasceu em Lisboa, foi para Moçambique, com um ano e três meses:
- Francisca, a minha mãe só passou a ter vida melhor quando se casou com o meu pai que era secretário da Embaixada de Cuba. De lá saiu para gerente de uma madeireira na Gorongosa. Da Gorongosa saltou para a Beira, a minha avó continuou morando com a minha mãe. E, claro, eu cresci a ouvi-la falar da história do meu avô, a verdadeira história do meu avô.
Não desporto nunca fiz a sério, apesar de ter vontade. Em Moçambique, aos 14 anos, cheguei a correr no colégio, acharam que tinha jeito, mas a minha mãe pediu-me para deixar. Tinha a ver com o drama, vivei sempre com o fantasma da morte do meu avô na cabeça. Dizia-me: corrida não, escolhe o que quiseres: natação, futebol. Mas aí não tinha jeito.
Aos 16 anos, mudou-separa o Brasil:
- Com a guerra colonial, meu pai ficou com medo que me mandassem para o exército, fomos embora da Beira. Com seis ou sete anos de Brasil, minha mãe faleceu. E a minha avó logo depois. Estão ambas enterradas no Rio de Janeiro, ambas morreram com o fantasma que continua em mim - mas diferente: eu quero espantá-lo para sempre. Por isso é que luto para que acabem as mentiras em torno do meu avô. Ou seja, só quero que quem foi responsável pela sua morte assuma a sua responsabilidade, o Comité Olímpico, o Comité Organizador. Assim, ficaremos todos pacificados - e a história de Francisco Lázaro mais honrada, sem o sebo, a emborcação, a estricnina. Apenas se contando que morreu porque não quiseram adiar a hora da maratona, a fizeram à torreira do sol, a 40 graus...

Estricnina? Mais uma mentira!
Naquele tempo não era 'doping', mas nenhum relatório médico fala desse outro mistério...

O salário médio diário de um operário em Portugal andava, em 1912, pelos 6 tostões. Era, mais ou menos, o que Francisco Lázaro recebia pelo seu trabalho de carpinteiro no Bairro Alto. Com os Jogos Olímpicos à porta, D. José de Mascarenhas, e excêntrico Marquês de Fronteira, que com Lázaro correra no Velo Clube de Lisboa, prometeu-lhe: «Vou dar-te condições de preparação, de higiene de vida e de alimentação que possam fazer de ti campeão olímpico...» Exigiu-lhe, apenas que deixasse o Benfica, passasse a correr pelo clube que criara para si: Lisboa Sporting Clube - e ele disse-lhe que sim. Foi já com a nova camisola Lisboa Sporting Clube que, a 1 de Abril de 1912, se lançou ao ataque do recorde mundial da meia-hora de Jean Bouin. Não o bateu, mas deixou Lisboa em euforia. E ainda mais quando, a um mês do início dos Jogos de Estocolmo, correu a Maratona Nacional em 2.52.08 horas, o segundo classificado só chegou 15 minutos depois. Quatro anos antes, em Londres, num percurso de 42.196 metros (que a partir e então haveria de ficar como distância uniformizada para a maratona), o americano John Haynes ganhara a medalha de ouro em 2.55.18 - para cortar a meta pelo seu pé, teve de receber nos últimos quilómetros três doses de brandy misturado com um miligrama de estricnina. Mais um e tê-lo-ia matado, se soube. A estricnina virou moda - e houve quem lançasse essa suspeita também: que talvez tenha sido o truque fatal de Francisco Lázaro. Eduardo Lázaro garante que não:
- É mais uma mentira. Basta só pensar: se a causa da morte fosse a estricnina, o médico ia omitir isso na autópsia? Claro que não. Também tenho documentação que fala dos relatórios médicos que estão nos arquivos do Comité Olímpico Sueco. Todos eles são categóricos no que afirmam: que Francisco Lázaro morreu vítima de insolação, não morreu por outra coisa qualquer. Ou seja, nesses relatórios só se fala da insolação, nunca se fala de estricnina, se sebo, de emborcações..."

Entrevista de António Simões, a Eduardo Lázaro, in A Bola

Benfiquismo (CLXXII)

R.I.P.

O grande Ruço, juntou-se hoje a outros Gloriosos...
... até sempre!

domingo, 24 de julho de 2016

Evolução...

Wolfsburg 0 - 2 Benfica


Aquilo que se quer das pré-temporadas, é 'evolução'... e hoje foi notória a melhoria da equipa, em relação ao jogo com o Sheffield... Fisicamente mais soltos, e assim com maior disponibilidade para cumprir o posicionamento táctico....
Contra um adversário de 'Champions' (foram eliminados o ano passado, nos Quartos-de-final, pelo futuro campeão Europeu... e acho que no 2.º jogo, em Madrid, se tivessem sido mais ambiciosos, podiam ter feito história...!!!), com muito músculo, e qualidade... entrámos a pressionar alto, compactos, mas no início do jogo falhámos alguns posicionamentos o que obrigou o Paulo Lopes a algumas boas defesas, mas com o passar dos minutos, melhorámos... diria mesmo, que melhorámos muito!
Ofensivamente, fomos mais directos do que em jogos anteriores, como os Alemães também tentavam pressionar alto, fomos aproveitando o espaço entre linhas que ia aparecendo...
Ao intervalo, com as alterações, ficámos com mais potencial ofensivo, principalmente no lado direito, com a dupla Semedo/Salvio... O golo acabou por aparecer naturalmente...
Nos últimos minutos, baixámos as 'linhas' com Fejsa e Celis a fecharem os caminhos... mas nunca nos esquecemos do contra-ataque. O golo no último minuto é disso exemplo...
Foi claramente o nosso melhor jogo desta pré-época, contra o adversário mais competente. As movimentações defensivas sem bola, já estão afinadas... falta alguma consistência na construção ofensiva...
Também se notou a diferença de andamento, para os jogadores que chegaram mais tarde...
O Guedes continua em grande forma... o Fejsa continua a limpar tudo... Grimaldo tem tudo para ser estrela do 3.º anel ao jeito do Fábio Coentrão!!! Nelsinho está de 'regresso'... o Salvio está mesmo de volta, creio que hoje fisicamente tirou as dúvidas a todos (eu era um dos cépticos!!!)... Lisandro/Jardel já estão afinados e o Lindelof para lá caminha: hoje na 1.ª parte, além do Paulinho, os Centrais 'safaram' muita bola!!!
Creio que neste momento, dos jogadores mais utilizados, o mais longe da forma ideal é o Carrillo... e compreende-se as razões... O Cervi raramente jogou a extremo na Argentina, está a adaptar-se à posição e aos colegas... o talento está lá, só falta afiná-lo com o resto da equipa...!!!

Temos mais dois jogos, antes da Supertaça, o plantel começa a ficar definido... e o crescimento é notório.

O maravilhoso silêncio

"A venda de André Gomes ao Barcelona por uma fortuna, cabendo ainda ao Benfica uma porção significativa dessa fortuna, é, para já, a notícia maior deste mercado de verão que muito promete em encaixes para os lados da Luz.
Entretanto, a imprensa nacional e internacional vai-nos dando conta do interesse de grandes emblemas em muitos jogadores do quadro actual do Benfica. Estamos, portanto, naquele período do ano em que Domingos Soares de Oliveira sorri, vendo entrar milhões às cabazadas pela porta, e em que os adeptos se preocupam vendo sair pela mesma porta jogadores que foram fundamentais nas saborosas conquistas transactas. É a nossa vida na periferia da Europa do futebol.
Nestas ocasiões em que o capital fala mais alto é importante não ceder às urgências da tesouraria, vincando com firmeza o valor das cláusulas estipuladas, e mais importante ainda é conduzir todas as negociações em sintonia permanente com a 'mercadoria', de modo a evitar que permaneçam forçadamente no grupo uns quantos atletas que se sintam contrariados ou, pior ainda, que se sintam completamente enganados nos pressupostos com que rubricaram os seus acordos com o clube vendedor.
Pela serenidade que transparece não há crise de vontades nem disputas de egos neste mercado de verão no que ao Benfica diz respeito. Gaitán saiu em lágrimas e grato e, pelo que dizem os próprios, serão mais os jogadores que querem ficar do que os que querem sair. Assim é que é bonito. Para além de ser um sossego.
Por falar em bendito sossego, o Benfica tem um novo director de comunicação desde o início do mês e a sua actuação para o exterior tem-se pautado pela filosofia que já faz escola na Luz: o silêncio, o maravilhoso silêncio.
Dos árbitros que apitaram na Liga principal em 2015/16 calhou a Cosme Machado ser o despromovido. 'Não tem qualidade para estar na primeira divisão', já tinha anunciado Octávio Machado em Janeiro deste ano. 'E gostaria que nunca mais, mas nunca mais o nomeassem para jogos do Sporting', recomendou o mesmo Octávio Machado depois de o outro Machado, o árbitro, ter dirigido o Sporting-Académica do último campeonato.
Está, assim, o assunto definitivamente resolvido a contento de Alvalade. Aguarda-se agora e a todo o momento a entrevista do indignado árbitro bracarense a um qualquer jornal espanhol responsabilizando os tipos do outro lado da rua pelo que lhe aconteceu."

A Rússia fora dos Jogos Olímpicos

"O Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne (CAS) emitiu decisão no passado dia 21 de Julho referente à deliberação da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) que considerou todos os atletas russos inelegíveis para participação nos Jogos Olímpicos deste ano, mesmo que participassem enquanto «membros neutros». O CAS confirmou tal deliberação.
Em causa estavam as regras 22.1a) e 22.1A das regras de Competição da IAAF que, em suma, referem que os atletas cuja federação foi suspensa da IAAF (caso da Rússia) são inelegíveis para as competições onde se apliquem as regras da IAAF (22.1a)), a não ser que consigam demonstrar o preenchimento de determinados requisitos, caso em que competiriam como «membros neutros» (22.1A).
Entre outras questões que do ponto de vista jurídico se levantam (como saber a posição que o COI, que não é parte neste litígio, deve adoptar face a esta decisão ou o facto de todos os atletas, tendo falhado em controlos anti doping ou não, recorrentes ou não neste processo, serem afectados por esta decisão), uma importa destacar.
A regra 22.1A entrou em vigor a 17 de Junho de 2016 - precisamente o dia em que a deliberação da IAAF foi confirmada. A regra deve ser aplicada ao caso dos atletas russos? O CAS afirma que não. Mas numa interpretação fiel aos princípios de aplicação das leis no tempo, de aplicação da norma mais favorável e mesmo por questões de justiça e igualdade, deveria, pelo menos, ter sido deixada aberta a possibilidade dos atletas russos tentarem demonstrar que lhes pode ser aplicada a regra 22.1A."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Benfiquismo (CLXXI)

Recordar...

sábado, 23 de julho de 2016

Futsal 2016/17

Plantel fechado. Algumas mudanças, mas a base manteve-se... Dentro do orçamento, acho que estamos mais fortes.
Vão-se fazer muitas comparações com o plantel Lagarto, mas muito sinceramente, é impossível avaliar 'diferenças', quando uma das equipas, opta por deixar de 'fora' 3 estrangeiros em cada convocatória (a não ser que arranjem um esquema para mudar o regulamento!!!)...

A saída do Juanjo é aquela que custa mais. Já sabíamos antes do final da época, mas... O Cristian jogava pouco no Barça, vamos esperar para ver...
O Miguel Ângelo, foi o único português contratado. Em final de contrato com os Lagartos, foi uma boa opção... Mas suspeito que vai ter poucos minutos... Falou-se também no Tiago Brito, que acabou por não se concretizar, pessoalmente, acho que devemos ter os melhores portugueses, mesmo que isso não seja suficiente...
O Franklin tem tudo para ser estrela no Benfica, jogador muito talentoso, que gosta do 'um-para-um', vamos ver se tem cabeça/atitude para jogar no Benfica.
A última contratação foi o Elisandro. Depois da saída do Brandi, era óbvio que o Benfica queria reforçar a posição de Pivot. O Brandi é um daqueles 'avançados' muito lutadores, que é impossível não gostar, mas acaba sempre as épocas com poucos golos!!! As informações sobre o Elisandro são muito boas... Vai dar capacidade física à equipa, algo que faltava...

Uma das variáveis da época, vai ser a 'adaptação' do Fábio Cecílio à posição de Fixo. O Gonçalo está a chegar aos 'quarenta'; o Fernando nos jogos 'grandes' não chega... sendo assim, sem nenhum Fixo contratado, alguém teria que ser adaptado. Parece óbvio que a aposta será no Cecílio...

Vamos partir para uma nova época, sem ser favoritos. O investimento Lagarto é uma coisa nunca vista na modalidade. Mas em Portugal ninguém acha estranho um Clube falido, que não cumpre as suas obrigações, gastar dinheiro desta maneira, numa modalidade, onde nunca terá o retorno (a obsessão em ganharem o título Europeu, algo que o Benfica já fez, é demasiado tentadora para o Babalu!!!)
Mas, apesar das diferenças, o Campeonato resolve-se num Play-off... portanto!

Guarda-Redes
Cristian
Bebé
Cristiano

Fixo
Gonçalo
Cecílio

Universal
Jefferson
Fernando
Tiaguinho

Ala
Franklin
Chaguinha
Miguel Ângelo
Ré
Bruno Coelho
Henmi
Mário Freitas

Pivot
Patias
Elisandro

Benfiquismo (CLXX)

Mais uma grande dupla...!!!

Candidato...

Lanças... com Afonso de Melo

Cervi em directo

sexta-feira, 22 de julho de 2016

As bases estão lançadas

"Ainda faltam três jogos de pré-época e muitas das peças essenciais do plantel nem sequer jogaram, mas já se percebe a qualidade existente e até onde faria falta um ou outro retoque. As bases do Benfica de 2016/2017 estão lançadas e agora é preciso afinar. Domingo na Áustria e quarta na Eusébio Cup teremos adversários de valor e só as dificuldades podem ser verdadeiros testes.
Ao contrário de alguns sportinguistas e vários programas de televisivos, as pesadas derrotas do Sporting não revelam nenhuma fraqueza leonina, antes sim a qualidade dos seus adversários. Se a pré-época fosse para fazer jogos a golear, jogava-se contra o Tourizense e o Cabeça Gorda. Quem opta por adversários melhores pode não ganhar, mas sai melhor preparado.
A este respeito diga-se que os ingleses de Carvalhal me pareceram uma boa equipa, bem orientada e com excelentes possibilidades de subida, quando comparados com o Derby County a quem vencemos no torneio do Algarve. Esta fase da época deve pôr a nú todas as dificuldades e fragilidades dos plantéis e jogadores, sob pena dos treinadores não conseguirem corrigir. Temos vasta experiência de grandes temporadas com pouco resultados nos jogos treino iniciais e do seu inverso.
Este Benfica mostra qualidade individual, mas é óbvio que Lindelof, Jiménez e Jonas na equipa darão uma noção mais próxima daquilo que vai ser a época. Há dúvidas que já são certezas: Grimaldo lutará pela titularidade; Zivkovic mesmo muito novo, acrescenta qualidade; Cervi mostrou bons detalhes e Fejsa é definitivamente um jogador fabuloso, além disso foi sempre campeão. O clube de Fejsa (foi assim sempre) ganha, e isso é talismã precioso.
Eu já renovei o meu Red Pass, com o ânimo de sempre. Adepto que se preze sofre e protesta, ralha e vocifera, mas não hesita no apoio."

Sílvio Cervan, in A Bola

Mais um treino...

Tal como já tinha acontecido no CFC com o Cova da Piedade, o Benfica efectuou hoje em Inglaterra um treino de conjunto, à porta fechada, com uma equipa do 3.º escalão Inglês, o Port Vale.
5-0 foi o resultado final, com golos de Benitez, Carcela, Fonte e Jonas(2).
O Benfica começou assim:
Zoblin; Semedo, Lisandro, Kalaica e Reinildo; Samaris, Teixeira, Benitez, Carrillo; Jovic, Fonte.

Formar e ganhar

"Celebrar a conquista da selecção e evidenciar o contributo, enquanto formador, para a mesma, é legítimo. Torna-se, no entanto, ridículo querer fazer suas proezas alheias, típico de quem pouco ou nada ganhar. Os clubes alimentam-se de vitórias, levando a que a míngua das desportivas seja colmatada com as morais, na maior parte dos casos demagogicamente. É o caso do Sporting e o seu regozijo, a roçar o triunfalismo, pela presença, entre os 23 campeões europeus em França, de dez atletas formados por si.
O que é diligentemente escamoteado em Alvalade, além de só Quaresma, 'apaixonado' pelo FC Porto, ter sido campeão pelo Sporting, é o facto de o mais novo desses jogadores ter 24 anos de idade e rarearem cada vez mais os internacionais em escalões etários anteriores.
No caso do Benfica, Danilo com 24, é o mais velho, seguindo-se André Gomes, com 22, e Renato Sanches, 18. Se a estes dados forem acrescentados os das convocatórias das várias selecções jovens, torna-se evidente que a bandeira da formação deixou de ser exclusiva dos 'leões', para não afirmar mesmo que o direito a hasteá-la transitou integralmente para a Luz. E com um mérito indiscutível: 'Apesar' dos miúdos, o Benfica é tricampeão nacional.
Sem bola, mas com discos, martelos, varas, saltos e corridas, o Benfica, apesar de desfalcado, venceu, pela sexta temporada consecutiva, o Campeonato Nacional de Atletismo (formando e ganhando).
À semelhança do Futebol e Hóquei em Patins, o Benfica cumpriu o seu desígnio: ganhar! No Basquetebol, Andebol, Futsal e Voleibol, não obstante os vários troféus e a presença na final dos respectivos campeonatos, faltaram as faixas de campeão. Há que melhorar!"

João Tomaz, in O Benfica

Evidências

"Para lá do saboroso triunfo português, o Europeu de França deixou ainda duas evidências difíceis de contrariar. Em primeiro lugar a de que o Futebol tem uma larga componente de aleatoriedade, tantas vezes negada pelos analistas (têm de ganhar a vida...), mas que define campeões. Há ciência na preparação dos atletas, na organização das equipas, e no estudo dos adversários, mas, entre conjuntos equilibrados, é muitas vezes a fortuna que decide. Por mais que nos seja agradável teorizar acerca da superior capacidade dos jogadores nacionais, a verdade é que se aquela bola, aos 91 minutos, se tem aconchegado um ou dois centímetros mais para dentro, estaríamos agora a lamentar nova desilusão portuguesa. Isto é válido para a final, para os penáltis com a Polónia, mas também para o Alemanha-França, para a fase de grupos, para a final da Champions, e para quase todas as grandes decisões futebolísitcas.
Outra evidência é a de que jogar bonito, jogar ao ataque, e empolgar plateias, não interessa nada. Para os puristas do jogo belo isto pode ser um drama. Mas, de entre as várias formas de ganhar finais, o realismo e a contenção parecem ser as preferidas das principais equipas do futebol internacional. É uma tendência que se nota desde 1982, mas talvez nunca como neste Europeu ela tenha estado tão patente.
Aliás, o desporto vive actualmente com um grave problema de falta de espectacularidade, que a médio prazo o poderá matar. Nota-se no Futebol, no Ciclismo, na Fórmula 1, no Ténis, e na generalidade das modalidades, onde o dinheiro abunda na mesma proporção em que o risco e a coragem escasseiam."

Luís Fialho, in O Benfica

Luisão

"Capitão do Benfica representa um desafio enorme para Rui Vitória

O Benfica perdeu um jogo de pré-época com uma equipa do segundo escalão inglês e a primeira coisa a saltar à vista foi a presença de Luisão. Não tanto pelo porte, mas pela facilidade com que se percebe agora não se lhe ter sentido a longa ausência na época passada. E o decorrer da partida com o aguerrido Sheffield Wednesday de Carlos Carvalhal continuou a fazer do capitão benfiquista um corpo estranho à equipa. O facto de o adversário ter um treinador português, sabendo quais os pontos fracos a explorar, e dando indicações nesse sentido, também foi uma traiçãozinha nesta altura.
Ao longo de 12 anos, Luisão tornou-se uma figura do Benfica. É um líder, uma autoridade no balneário e no final da época passada, quando ficou apto e sem espaço no onze, teve um comportamento digno. Só que ontem quem o viu jogar não se lembrou do Luisão de outros tempos, mas sim do acerto da defesa sem ele, o que não deixa de ser uma crueldade para quem foi tão importante ao longo de tantos anos. Um jogador com o passado do brasileiro merece respeito, mas na alta competição não se joga por currículo ou caridade. Rui Vitória tem pela frente um desafio enorme. Resolve-o com facilidade se conseguir repor-lhe o rendimento de outrora."

Benfiquismo (CLXIX)

Uma 'aula' do Mestre...

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Benfica: as apostas e o compromisso com o futuro

"Se o Leicester foi campeão de Inglaterra e se Portugal, com toda a vontade e crença do mundo, foi campeão da Europa, o Benfica também poderá voltar a vencer a Champions.

Apostar no futuro

1. Como em todas as aberturas de mercado, até que a janela de transferências se encerre, a especulação continuará a ser... o pão nosso de cada dia! Deixando os adeptos desesperados pela venda que não querem ou pela compra por que ambicionam... e que quase nunca acontecem!
Como se está a ver (e como se constata, invariavelmente, no fim de cada um destes períodos), as compras e as vendas não têm sido arrebatadoras ou dramáticas, correndo de forma natural.

Afinal, e ao contrário do que muitos previam, logo após a conquista do tricampeonato, o plantel do Benfica não foi despachado para os clubes ricos da Europa. Claro que o ideal, para todos os adeptos e sócios, e até para o próprio Presidente, seria não vender. Mas todos sabemos, no entanto, que ainda não nos podemos dar a esse luxo.
Temos de vender alguns jogadores - não A, B ou C, mas aqueles cuja saída permita satisfazer os interesses do Sport Lisboa e Benfica, de acordo com as nossas necessidades financeiras, sem nunca descurar a vertente desportiva.
Vender agora para que no futuro não se venda... ou não seja necessária, por estes motivos, embora saibamos que, na dinâmica do futebol, isso seja difícil de garantir. Nenhum clube do mundo deixa de vender ou de comprar.
Mas no que ao planeamento desta época diz respeito, não posso deixar de sublinhar o caminho definido e as metas a atingir. Tem sido feita uma grande gestão por parte de Luís Filipe Vieira, percebendo quais são as necessidades reais do plantel, depois de devidamente estudadas e discutidas. Sem cometer grandes loucuras, percebeu-se que precisaríamos de algumas intervenções cirúrgicas.
Por isso, se procurou, fora, alguns jogadores, que representaram oportunidades de negócio, mas sem que isso significasse adquirir jogadores feitos, como alguns treinadores preferem.
No decorrer deste mercado de transferências, percebeu-se, também, que o caminho seria o da continuidade na aposta séria na formação, demonstrada pela aquisição de jovens jogadores, ainda que fora do Seixal.
Procurou-se, assim, dar um plantel equilibrado, jovem, mas experiente, a Rui Vitória. Procurou-se colmatar e acrescentar essas mesmas saídas e acrescentar o que poderão ser verdadeiras mais-valias, nas diferentes posições, para que existam mais opções.
Por isso, não só existe grande abundância no plantel desta época, como também muita qualidade nos jogadores que agora chegaram. Entre outros, são os casos de Kalaica (18 anos), André Horta (19), Zivkovic (20), Cervi (22), que estão a demonstrar e a desenvolver grandes capacidades de trabalho e de adaptação à nova realidade. Jogadores esses, estou certo, que irão continuar a ser bem formados e ter a oportunidade que merecem.
A par desses, também Carrillo (25 anos) e Rui Fonte (26), por exemplo, estão a dar boas indicações. No entanto, ainda é cedo para fazer uma análise certa e ponderada dos reforços.
Seria desonesto fazê-lo, agora que apenas estão cumpridos três jogos desta pré-época.
Mas mais do que uma boa adaptação, é fundamental que os novos reforços encarem este novo desafio com o desejo de se tornarem mais-valias no plantel.
A maior dificuldade, num futuro próximo, será, certamente, escolher os jogadores que irão compor o Benfica 2016/2017.
E aí, que me perdoe Rui Vitória, por quem tenho grande estima e respeito, não gostaria de estar na pele do treinador.
Tanta é a qualidade visível e tão difícil me parece (a partir da bancada) fazer escolhas, correndo o risco de cometer alguma injustiça, fruto de uma avaliação decorrente de poucos treinos e muito poucos jogos.

Compromisso com a vitória, feito de experiência e de vontade de ganhar
2. À aposta na formação tanto interna como externa, teremos de juntar a experiência de jogadores feitos. Torna-se imperioso que exista essa conjugação de experiência, para que se consiga ter, também, um plantel jovem, mas maduro.
Mas de nada valerá a juventude ou a experiência, ou ainda a conjugação das duas, como procuramos, se não tivermos um plantel com vontade de ganhar, com muito querer, mas sobretudo com uma enorme ambição. A que se juntará, como é evidente, o sempre determinante adicional de alma.
Não basta que sócios, adeptos e dirigentes queiram muito ganhar. Essa vontade terá de partir - e de acabar - nos jogadores. Foi essa uma das chaves do nosso sucesso na época passada, além da união existente em torno do plantel.

E Grimaldo, que recentemente proferiu declarações a esse respeito, é um dos exemplos da vontade existente naqueles que ainda têm pouco tempo de casa. Ele, como todos os outros, sabe o que tem de ser feito para, esta época, conquistarem... o Tetra!!!
Para isso, será necessário trabalhar (muito) desde o início e nunca deixar de estar focado no objectivo: ganhar. Porque no Benfica só se pensa em ganhar. Muda-se a época, ou os tempos, mas não se mudará a vontade, nem a mentalidade, estou certo.

Os jogadores recém-chegados já perceberam a importância do clube, as características que aqui se lhes exigem, ainda que, nesta altura do campeonato, não tenham a noção do que é ser do Benfica.
Para isso, teremos de lhes dar tempo... Tempo de adaptação, de explicação, por quem serve o clube, para que possam perceber, e sentir, a verdadeira dimensão do Glorioso.
E tempo, ainda, para viverem, testemunhando, as calorosas e frenéticas recepções que a equipa tem a cada deslocação, seja onde for.
Para que a vontade seja tudo, ou quase tudo. E para que percebam que se o Astana, na época passada, conseguiu participar na Liga dos Campeões, onde nunca tinha estado, se o Leicester foi campeão da Liga Inglesa e se Portugal, com toda a vontade e a crença do mundo, foi Campeão da Europa, o Benfica também poderá voltar a ser Campeão Europeu, como tenho vindo a defender, num futuro próximo.
Não basta querer, é verdade, nem sonhar para a obra nascer. É preciso interiorizar verdadeiramente essa vontade - entre todos, sem excepção - para que tal seja possível. Mais do que querer, é necessário acreditar.
Para que um dia destes se volte a cumprir o destino, com a concretização da oportunidade que não podemos voltar a perder!!!

Do Benfica... eternamente
3. Quem por cá passa - com as excepções dos pobres de espírito que só confirmam a regra - depois de perceber o que é ser do Benfica, passa a ser dos nossos.
Tal como Javi Garcia, que esteve pouco mais de três épocas ao serviço do Benfica. Um jogador com raça, com alma digna do Benfica. Tanto dentro, como fora de campo. Um jogador que deixou a pele em cada jogada, em cada momento, com a camisola do Benfica vestida.

Recentemente, quando questionado sobre a possibilidade de ir para «outro clube», em Portugal, afirmou que... nunca o faria. Porque é do Benfica!
Um dos nossos! Para sempre!"


Rui Gomes da Silva, in A Bola

O homem dos momentos decisivos !!!

O tema do dia foi a compra dos restantes 50% do passe do Raul Jiménez.
Eu, como a grande maioria das pessoas, não conhece todos os pormenores do negócio...
Mesmo assim, nas redes sociais, tem sido um 'festival' de acusações, por toda a Net Benfiquista!!!

Pessoalmente, acho o valor total exagerado. Se fosse eu mandar, o regulamento de transferências seria muito diferente... A forma como 'agentes' exteriores aos Clubes, condicionam o Mercado, é escandaloso...!!!

Dito isto, repito: não conheço todos os detalhes... Agora, tenho toda a confiança nas pessoas que dirigem o Benfica.
E o Raul foi uma das chaves do Tricampeonato... só para recordar os mais esquecidos!

PS1: Agora, gostei da forma como alguns Sites, supostamente independentes, mas esverdeados até ao tutano, se referiram ao Raul, como o 'suplente'!!!! Pois, mas este 'suplente' é diferente do Barcos... este marca golos e resolve jogos!!!!!!!!!!!!!

PS2: Hoje, a selecção de sub-19 foi eliminada nas Meias-finais no Europeu do escalão, pela França por 1-3 (afinal, a França é mesmo letal... nas meias-finais!!!).
Foram muitos os Benfiquistas em campo, mas notou-se a ausência do Renato, que em condições 'normais' faria parte deste grupo!!!!
Nota positiva para o Buta o Pêpê e o Yuri... para mim os melhores. O Ferro muitas vezes na sombra do Dias também fez um campeonato regular, tal como o Guga...
O Joãozinho e o Digui precisam de ganhar 'eficiência'... é possível ser 'jogador' sem talento, mas às vezes o talento não chega...!!!
Erros defensivos em todos os jogos, e uma substituição suicida no jogo de hoje, definiu o destino neste Europeu... Mesmo assim, conseguimos a qualificação para o Mundial de sub-20, de 2017 na Coreia...

Tratamento no mundo da bola

"«Se tu não marcas em cima o adversário, podes comprometer o meio-campo». Esta é uma hipotética frase de muitas ditas no fim de um jogo ou na antevisão do mesmo. Nada de fora de comum, a não ser o tratamento por «tu», ainda que, na maioria dos casos, até nem se conheça o interlocutor ou se esteja a dirigir a um grupo de jornalistas.
Creio que este modo de relação através da segunda pessoa do singular, que se ouve amiúde no nosso futebol falado, terá sido inspirado pelo generalizado tratamento por «tu» na língua castelhana, em versão espanhola ou sul-americana, Jorge Jesus e não só fazem-no correntemente. Alguns jogadores e até dirigentes seguem-nos. Mas não se trata apenas do «tu». O mais curioso é colocar o outro no próprio jogo. «Se tu marcas o livre...», dirigindo-se ao interlocutor e transformando o jornalista num jogador. Por vezes, trata-se mesmo de uma senhora ou de alguém com idade para, há muito, estar aposentado de chutos e pontapés.
Por outro lado, está mais esbatida a moda - entre jogadores - de se referirem a eles próprios pelo nome em vez de simplesmente «eu». «O Jardel sempre marcou muitos golos», o que levava gente menos acostumada a esta linguagem a pensar que o Jardel que falava se referia a outro Jardel. Uma espécie de selfie em versão linguística que precedeu as selfies fotográficas.
Ao invés, fez escola na última e renhida temporada, tratar um clube rival (mormente, o Benfica) pela pronome demonstrativo «os outros», como se não tivesse sequer um nome. Sim, gramaticalmente demonstrativo, mas também demonstrativamente despeitado, como se balbuciar o nome queimasse a língua..."

Bagão Félix, in A Bola

Vieira percebeu o que não daria...

"Irrepetível saltarem 5 miúdos da equipa B... Daí 7 aquisições (para já, promissoras). Sporting: aí os reforços! Sem vendas, há verba?

Quase sem tempo para respirar... Da Selecção campeã da Europa, pondo Portugal, aquém e além-fronteiras, em comoventes/fascinantes explosões de alegria, para intensa expectativa nos primeiros sinais de quem poderá ser mais do que quem na nova temporada nacional.
Ainda quase nenhuns dados sobre o FC Porto de Nuno Espírito Santo. Defrontar Valadares, Rio Ave e Osnabruck foi muito leve aquecimento. Não deu para inicial avaliação da equipa e das principais aquisições: Filipe, Alex Telles e o regressado Otávio. Hoje sim, haverá teste, face ao PSV, campeão holandês que goleou o Sporting.
Mau arranque do Sporting (já lá irei). Interessante Benfica. Não pelos resultados: empate com V. Setúbal, seguido de bom, no 4-0 ao Derby County, e de medíocre, no 0-1 face ao Sheffield de Carlos Carvalhal. Interessante por dois motivos:
1 - Adaptação de política desportiva. Luís Filipe Vieira percebeu ser irrepetível e fantástica soma de 5 miúdos da equipa B num ápice saltarem para a principal e logo como titulares (recorde-se: Nélson Semedo e Gonçalo Guedes, Renato Sanches, Lindelof e Ederson). Irrepetível! E não vislumbro alguém capaz de o mesmo fazer esta época. A partir desta sensata reflexão, nada menos de 7 aquisições.
2 - Sinais de plantel pode ser globalmente mais forte do que o anterior... Mau grado a dificuldade de substituir o talento extra de Gaitán e de Renato! Qualidade de Carrillo é bem conhecida (nesta altura, está muito perro, após 9 meses sem jogar). Promissor potencial dos médios Celis e André Horta, dos extremos Zivkovic e Cervi, de Benitez (segundo ponta de lança, ou extremo) e do muito jovem Kalaica, defesa central. Júlio César e Ederson ainda estão de baixa clínica, Lindelof, Eliseu, Talisca, Jonas, Jiménez não jogaram, Mitroglou reapareceu ontem, na 2.ª parte, Carcela idem, e só 10 ominutos. Mais de meia equipa diferente dos titulares da época anterior. Muita afinação a fazer... Quanto a mim, um problema neste plantel (para além da urgência de Júlio César e Ederson recuperarem, pois Paulo Lopes está praticamente sem suplente): forte alternativa como n.º 8. André Horta promissor, mas não o afiram pela bitola de Renato Sanches...

Sporting: recorde-se que, há um ano, a pré-temporada do Benfica ameaçava ser desastrosa. E foi! Se foi! Porém, ao contrário do que então se pensou,roçando certeza, não impediu o bicampeão de atingir o tri... Ou como pareceu confirmar-se não interessar como começa, sim como acaba. Claro que fundamental é a chegada à meta. Mas, mesma numa maratona, é bem importante não falhar estrondosamente a embalagem inicial. O triunfo de Rui Vitória, naquelas condições - péssima preparação que teve de fazer e atraso que chegou a 8 pontos... -, é pouco menos do que irrepetível. Por ele, ou por outro treinador.
Agora, muitíssimo mal começa o Sporting. Ainda só pré-época e 4 jogos... Só que no outro polo do entusiasmo de há um ano, detonador de galvanização para todo o campeonato. Ok, o Sporting acaba de defrontar Mónaco, Zenit, PSV, equipas de peso. Foi o calendário de preparação que Jorge Jesus escolheu. Risco assumido, sofrimento em goleadas. Quando Rui Vitória entrou no Benfica, já estava definida aquela digressão americana, tão exaustiva e sem tempo para treino entre jogos... - ainda por cima, com novo treinador...
Há uma virtude neste mau arranque sportinguista... Fica a nu que os 4 campeões europeus - Rui Patrício, William Carvalho, Adrien, João Mário - são o sustentáculo da equipa, deles de situando a anos luz todas as alternativas. Ou seja: plantel fraco, recentes aquisições nada convincentes. Óbvio: pressão de Jorge Jesus para ter reforços a sério. Problemão de Bruno Carvalho: que engenharia financeira para contratar quem convença o treinador, sem abdicar de alguns dos tais sustentáculos (acrescente-se Slimani) cuja saída renderia catadupa de euros... crê-se que necessária? Parece situação de manta curta..."

Santos Neves, in A Bola

Santos e o lóbi do futebol gourmet

"A luta pela nova selecção proletária beneficia com a permanência do seleccionador. Não é uma guerra ganha

Os treinadores saem da selecção portuguesa sempre pela porta pequena. Quem tenha alguma cultura futebolística, contesta logo esta frase: todos os seleccionadores, de todas as selecções, saem normalmente pela porta pequena. E eu insisto que, no caso português, a porta é ainda mais pequena, daquelas que nem os cães e os gatos usam. De Saltillo até ao estardalhaço da saída de Carlos Queiroz, passando pelos alhos e pelos passeios na praia de António Oliveira ou pelo desrespeito dos jogadores a Humberto Coelho, foi-se sempre arranjando maneira, mais ou menos original, mais ou menos fictícia, de ferir ou até acabar com as carreiras dos seleccionadores, nos poucos exemplos em que não foram eles próprios a fazê-lo. Fernando Santos podia ter sido o primeiro - nos últimos 30 anos, pelo menos - a sair da Selecção directamente para o altar-mor do mosteiro dos Jerónimos. Em vez disso, recusou os milhões estrangeiros que o Europeu lhe podia ter valido e renovou o contrato. Por um lado, é bom. Talvez não chegue ganhar um jogo para criar uma identidade nacional baseada na autoconsciência da nossa pequenez. Em Portugal, o lóbi do futebol gourmet é muito forte. Mal Fernando Santos virasse as costas, voltariam a suspirar pelo Brasil de 1982 e a reclamar Zicos, Falcões e Sócrates (o brasileiro, para não alarmar ninguém). Por outro lado, o seleccionador fica obrigado a defender a tese da união, da competitividade e do sacrifício perante uma plateia cheia de peneiras que, em parte, só fingiu tolerar o Europeu operário. Sem taças, a conversa será outra."

Benfiquismo (CLXVIII)

O nosso Cosme Damião... a espalhar classe!

Hóquei em Patins 2016/17

Tudo resolvido na nossa secção de Hóquei.
Ainda a época não tinha acabado, já sabíamos que íamos perder o Torra (razões familiares) e o Pedro Henriques (à procura de ritmo...).

Sendo assim a grande 'discussão' acaba por ser a não-substituição do Torra!!! O mercado do Hóquei é 'pequeno', os 'grandes' jogadores disponíveis para substituir o internacional Espanhol são poucos ou nenhuns.., Sem ninguém disponível neste momento, o Benfica decidiu 'subir' o jovem João Sardo ao plantel principal!!! Sendo que o grande beneficiado desta opção, deverá ser o Miguel Rocha, que vai ganhar muitos minutos, seguramente...

Suspeito que o Benfica, durante o próximo ano, vai estar atento ao Mercado... para o poder reforçar na época 2017/18. Recordo que o Vieirinha já está garantido para essa época!

As nossas últimas épocas têm sido quase perfeitas, as derrotas internas são quase inexistentes, a manutenção deste nível, vai depender de duas coisas:
- a ausência de lesões graves, nos nossos principais jogadores.
- capacidade do Miguel Rocha em contribuir para a equipa: a marcar golos, mas também a defender!

O substituto do Pedro Henriques foi o Diogo Almeida, é o 'regresso' da família Almeida à baliza do Benfica!!!!

Ainda não foi anunciado o nosso novo treinador-adjunto.

Este aparente 'desinvestimento' do Benfica é perigoso, já que os Corruptos vão seguramente estar mais consistentes (o ano passado com o novo treinador começaram mal...); a Oliveirense voltou a investir muito...; e os Lagartos também voltaram a contratar muito... (apesar de andarem a arranjar esquemas para não pagar a alguns jogadores do plantel do ano passado...!!!).

Guarda-Redes
Guillem Trabal
Diogo Almeida

Defesas/Médios
Valter Neves
Tiago Rafael
Diogo Rafael
Miguel Rocha

Avançados
João Rodrigues
Carlos Nicolía
Jordi Adroher
João Sardo