Últimas indefectivações

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A pequena aldeia do futebol


"Ainda se está por perceber como é que Benfica, Sporting e FC Porto partilham tantas vezes a cobiça pelos mesmos jogadores. A história das contratações dos três grandes está cheia de casos de reforços que foram 'desviados' do seu percurso original por um interesse comum seguramente potenciado pela tremenda rivalidade que existe entre eles.
Os motivos não estarão, por certo, exclusivamente relacionados com a ânsia de tentar "passar a perna" ao rival. Há, obviamente, razões acrescidas que colocam os clubes na pista de jogadores que podem ser bons negócios. A pequena aldeia do futebol já não consegue esconder muitos segredos e Benfica, FC Porto e Sporting dedicam especial atenção a mercados que são trabalhados por especialistas ao melhor estilo dos garimpeiros.
O argentino Franco Cervi é o último exemplo de uma luta travada neste caso, entre Benfica e Sporting. Começou por ser dado como alvo dos leões, chegou mesmo a ser classificado como mais do que isso, mas a verdade é que vai acabar na Luz, depois de os encarnados terem sido mais incisivos na concretização do negócio.
A novidade desta história é a assunção por parte do Sporting que este jogador, Cervi, não deveria ter escapado e que tal desenlace foi motivo suficiente para afastar do pelouro das contratações um administrador da SAD. A medida pode ter duas leituras que até serão complementares: é a prova de que a cultura de exigência no Sporting não poupa os mais altos responsáveis e/ou uma forma de justificar a Jesus o fracasso de uma contratação que estaria entre as mais desejadas pelo treinador leonino."

Peitos há muitos, sua palerma!

"A polémica rebentou por causa de uma inovação nas camisolas do Manchester United postas à venda, passando a haver modelos para homens e para mulheres.
Tudo reside na profundidade do bico em V da gola concebido pela Adidas. Nos homens, platonicamente, mais perto do pescoço. Nas mulheres, sensualmente, mais perto do peito.
As adeptas estão divididas. Umas acusam esta ideia de sexismo e discriminação. Outros aplaudem-na. Barafustam as primeiras porque o modelo «obriga» as mulheres a mostrar parte dos dotes peitoriais. Replicam as segundas, reprovando os anteriores e únicos modelos masculinos, em que «parecia que era a camisola que as levava e não elas que levavam a camisola». Uma das mais críticas disse que «seria estranho usar uma roupa tão 'reveladora'. Não consigo relaxar e pular no estádio». São as que levam a questão a peito, porque estão de peito feito. Ao invés, outra internauta escreveu: «Amei o novo modelo. Celebremos as diferenças! É uma boa mudança, já que me sinto estrangulada por camisolas. As reclamações são das meninas que não têm peito para as preencher». E outra adiantou: «Numa hora, criticam quem as censura por mostrar o corpo, e noutra hora, condenam inovações que lhes valorizam o corpo». São as que, do fundo do peito, consideram a Adidas um amigo de peito. Alegam, ainda, que o novo modelo não é obrigatório, podendo optar pelo masculino. Por falar em masculino, os homens, menos dados a filosofias, estão felizes com a inovação. «O que é de gosto regala o peito», diz o ovo.
Já agora, será que a expressão da gíria «peitudo e raçudo» será posta em causa?"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Eusebismos

"ELBASAN - Faltavam cerca de 20 minutos para os adeptos albaneses desatarem a gritar MESSI, MESSI, MESSI, quando senti um puxão no braço esquerdo.
Olhei para trás e esbarrei no sorriso de um senhor já velhote e no olhar fascinado do sobrinho. Não houve cá tempo para bons-dias nem boas-tardes, que o italiano do homem era tão improvisodesenrascado que ele parecia nem respirar. Sorria, e repetia, agora fazendo-se entender: «Quem é melhor, Ronaldo ou Eusébio?» Assim mesmo, de chofre, sem me dar tempo para pensar, logo insistindo, agora pela voz do rapaz, em inglês.
Tenho para mim que Eusébio foi um gigante, mas - eventualmente porque nunca o vi jogar a não ser em imagens de TV sem grande qualidade - entendo que tudo o que Cristiano Ronaldo já conseguiu, o extenso currículo que ostenta, o facto de ser um quebrador incansável de recordes no Real Madrid e na Seleção o torna já merecedor da coroa de melhor português de sempre (e isto sem qualquer desprimor para génios como Eusébio, ou, por exemplo, Luís Figo).
O jovem traduziu as minhas palavras do inglês para o albanês e o olhar do tio alterou-se. Sem respirar, disparou (a sonoridade era parecida e o google tradutor diz que a frase era algo como isto): «Pelé ka thene se ne qofte se ka pasur nje loje kunder nje ekipi marsian dhe Eusebio nuk ka luajtur, ai gjithashtu nuk do te luaje». Percebi, ali pelo meio Pelé, equipa de marcianos e Eusébio, mas tive de esperar que o rapaz explicasse que o Pelé tinha dito que se o Eusébio não jogasse contra uma equipa de marcianos ele próprio não jogaria! Sorri e apreciei o momento. Não rebati - para quê contrariar tão forte paixão? - e desejei-lhes boa sorte, que aproveitassem o jogo. Para eles, foi um dia mágico. Afinal, era só um jogo de futebol e isso, toda a gente sabe como pode ser mais importante que tudo."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Certezas e surpresas europeias

"No Euro-2016, vai haver muitos neófitos. Por um lado, porque aumentou o número de selecções apuráveis (passou-se, sucessivamente, de 4 para 8, 16 e agora 24!). Mas também porque a globalização se instalou no futebol, com a migração de bons atletas para ligas mais competitivas.
Assim, vamos ter a Islândia no próximo Europeu e, provavelmente, Albânia, País de Gales e a dobradinha checoslovaca. E para o play-off (ou até para o apuramento directo) há Israel, a muito antes poderosa Hungria e a Noruega. Além disso, saúda-se os quase certos regressos da Roménia (ao contrário da deprimida Bulgária), Bélgica, Áustria e Polónia (estas duas sem o bónus de apuramento por terem sido anfitriãs).
Em sentido inverso, a Holanda é um caso estranho de dificuldade, logo num sistema em que o mais difícil é uma boa selecção não ficar apurada, tal a fartura de lugares disponíveis. Logo a seguir, a Grécia, ex-campeã europeia, que, depois do nosso Fernando Santos, está em último, 3 pontos atrás - imagine-se! - das Ilhas Feroé. Acrescem a Sérvia, antes equipa poderosa, a irregular Turquia e a sempre imprevisível selecção russa.
No campeonato dos pequeninos, duas selecções fingem que competem e ainda não pontuaram: Andorra e Gibraltar (no conjunto, marcaram 5 golos e sofreram 76 (!). Além delas, brilham São Marino, com um empate, e única que ainda não soube o que é um golo (0-25) e Malta. Ceguinhos de há uns bons anos, temos a excelente, mas não surpreendente, evolução de Chipre (3 vitórias, até ver) e até o Liechtenstein (5 p.) e Luxemburgo (4 p.) fazem pela vida."

Bagão Félix, in A Bola

As mesmas condições


"Quando a esmola é grande, o pobre desconfia, costuma dizer-se e é bem capaz de ser verdade. Aqui a 'esmola' são as notícias de propostas tentadoras por jogadores do Benfica, prontamente rejeitadas, e o 'pobre' é o plantel do Glorioso que precisava de ter sido reforçado e não foi.
Logo após o fecho do mercado foi noticiada uma proposta de 10 milhões do Chelsea por Luisão, outra de 16 milhões do Nápoles por Cristante, ainda uma de 20 milhões de origem desconhecida por Gonçalo Guedes e foi ainda aventado que o Liverpool teria oferecido 25 milhões por Gaitán. O mercado fechou, o Benfica não se cansou de recusar propostas (claro está, devidamente almofadado pelos vários jogadores da equipa B vendidos pelo número redondo de 15 milhões) e, no fim, ficou com um plantel paradoxalmente grande e desequilibrado.
Com quase 30 jogadores, o Benfica consegue a proeza de ter, pelo menos, três jogadores (Talisca, Djuricic e Taarabt) para a posição 10, que raramente utilizará, enquanto a posição 8, fulcral no 4x4X2, depende apenas de uma solução de recurso (Pizzi), que continua a gerar cepticismo.
É por isso que, ao longo desta época, continuarão a ecoar as palavras de Luís Filipe Vieira na apresentação de Rui Vitória: "Há uma garantia que quero deixar - vais ter as mesmas condições que outros tiveram." Rui Vitória pode ser capaz de dar a volta ao texto e formar titulares num ápice a partir de jogadores da formação, mas não parte com as mesmas condições de Jorge Jesus. Já Vieira "gostava de ter dado mais um ou dois jogadores" ao treinador, a verdade é que não deu."


Impressão digital

"As Selecções Nacionais de futebol estão de regresso ao trabalho e com elas as discussões sobre o seu valor desportivo. Depois do sucesso dos jovens lusos Sub-20 e dos Sub-21 e apesar do lugar que ocupa a nossa Selecção A, 6.ª no ranking da FIFA, há quem se entretenha a desvalorizar e hipotecar o nosso património desportivo.
Sejamos justos. É da mais elementar justiça reconhecer o sucesso das Selecções Nacionais e premiá-lo. Concretamente: jogadores: individual e colectivamente, que de forma brilhante, em cada jogada, afirmam a sua identidade e o seu valor. Afirmam mais a identidade do nosso futebol, do nosso país. Jogadores, a quem é dado tão pouco e é pedido tanto. Jogadores que nos fazem grandes, que nos fazem sonhar, sair do rectângulo que é o campo e o país. Sobretudo os mais jovens, apesar das condições adversas, nomeadamente da falta de investimento na formação, nos equipamentos desportivos ou nas condições laborais, conseguem superar-se e dar uma bofetada 'de luva branca' a quem os quer remeter para a 'zona de conforto'. São eles, com esta atitude, com os seus êxitos, dribles e golos que chamam a atenção para os sucessos e os problemas do futebol, são eles que obrigam à sua reflexão, à tomada de decisões. O futebol português, implacável quando falham, que não hesita em explorar os fracassos, é o mesmo que anda a reboque dos seus êxitos.
Há talento. Tanto talento. Talento que muitos não vêem ou não querem ver. Talento que é escondido. Talento que é nosso, que importa reconhecer, em que devemos investir e valorizar. Sempre.
Treinadores: jovens, a maioria ex-jogadores, nomeadamente Rui Jorge, Emílio Peixe, Hélio Sousa e Filipe Ramos, sob a orientação de Ilídio Vale e agora de Fernando Santos implementaram um modelo de sucesso na Federação. Competentes, com um lado humano do tamanho do futebol que faz a diferença. Uma atitude própria, de respeito pelo jogador, pelo jogo. Atitude potenciada pela partilha e complementaridade entre todos.
Parabéns.
Dirigentes: a estrutura federativa não ganha jogos, mas ajuda e de que maneira. Fernando Gomes arrepiou caminho, organizou, renovou, apoiou e projectou o futebol português. Os resultados não acontecem por acaso. As Selecções Nacionais estão de regresso e no desporto são o garante da nossa identidade, a nossa impressão digital. Saibamos preservá-la."

O papel dos empresários

"1. Nenhum jogador, nem mesmo Messi, vale 80 milhões de euros, muito menos Martial, um miúdo de 19 anos que o Manchester United do atarantado Van Gaal comprou ao Mónaco de Leonardo Jardim para jogar como ponta-de-lança. Os valores a que o mercado chegou neste verão são deveras alucinantes, para não dizer escandalosos, e os responsáveis são os intermediários, mais eruditamente ditos gestores de carreiras, acolitados pelos vários comissionistas que nestas ocasiões nunca faltam. Sem o seu poder de especulação, as cotações nunca teriam atingido estas exorbitâncias. Por isso é que os intermediários estão ricos, tão ricos que nada me espantaria se qualquer dia algum deles fosse incluído no top da Forbes. Pelo contrário, surpreende-me, isso sim, que nenhum clube tivesse aproveitado esta onda inflacionária para levar Gaitán por apenas 35 milhões, ele por quem - segundo a imprensa - choveram propostas de toda a Europa durante 5 meses!
2. Se há um futebolista por quem hipoteticamente aceitaria que tivesse sido paga uma mão cheia de milhões, no caso de ter podido imaginar o percurso que viria a fazer e a dedicação que viria a demonstrar a um só emblema, esse futebolista é Francesco Totti. O capitão da Roma,que completa 39 anos de hoje a 19 dias, vai na sua 24.ª época na SérieA sempre com a camisola giallorossa e está pronto a renovar o contrato. É a última bandeira italiana de um futebol cada vez mais volúvel e mercantil. Totti está no clube desde 1989, é o segundo melhor marcador de sempre da Liga, apenas superado pelo lendário Sílvio Piola nos anos '30 e '40. Para já, tem duas metas a alcançar: 300 golos oficiais no campeonato (tem 299) e chegar ao registo de 100 jogos em provas da UEFA (vai nos 95). Entretanto, com a Roma exibe já dois recordes absolutos: o de presenças em campo (745) e o de golos marcados, os já referidos 299. A frescura física e a resistência não são as mesmas, mas o treinador, Rudi Garcia, já decidiu que só o utilizará nas partidas mais importantes."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

PS: Acrescento um pormenor em relação aos empresários: os ditos estão milionários, e a grande maioria dos Clubes vai-se endividando cada vez mais... sendo que as instituições, nacionais e internacionais, nada fazem para alterar o formato do mercado.
Em relação ao Gaitán, aconselho o cronista, perguntar aos colegas jornalistas da Bola ou dos outros, quais foram as fontes de tantas capas, garantindo a venda do Nico!!!

O desporto e os refugiados

"Após a II Guerra Mundial, 1,6 milhões de alemães que tradicionalmente habitavam na Checoslováquia foram expulsos, abandonando as suas casas. Miroslav Vanek, um dos mais ilustres pioneiros da psicologia do desporto mundial e segundo presidente da Sociedade Internacional de PD, era então um jovem oficial checo cumprindo o serviço militar. Como outros oficiais, recebeu ordens para ocupar uma dessas habitações que muitos utilizaram como casa de campo. Se recusasse, poderia vir a ter graves problemas e ser considerado nazi. Assim, Vanek, que assistira de coração partido à tragédia daquelas famílias deslocadas, contou-me uma tarde em sua casa, ainda emocionado passados 50 anos, que escolheu a casa mais degradada e destruída de entre todas.
Miroslav Vanek era um humanista. Foi o primeiro psicólogo do desporto do mundo a participar em Jogos Olímpicos (México, 1968). Dedicou a vida a promover os valores humanos do desporto na sua abordagem com atletas e nas suas funções internacionais. Contribuiu para a cooperação internacional, designadamente entre colegas dos blocos comunista e ocidental, beneficiando de falar cinco idiomas. O único caminho possível para o desporto é o dos valores humanistas. Sem isso não encontra justificação porque não respeitará o indivíduo e a Sociedade. Será apenas espectáculo, porventura bárbaro. Têm sido tímidas as intervenções do mundo do desporto relativamente aos refugiados. O minuto de silêncio da Selecção Nacional de futebol foi bonito. Urge agora outro nível de acção. O Futebol Clube do Porto propôs que seja doado um euro por bilhete nos jogos da Champions e o Bayern de Munique ofereceu a colocação de jovens num centro de estágio e um milhão de euros, assumindo ambos o que designam de responsabilidade social. Celtic e Borussia Dortmund anunciaram outras iniciativas. Adeptos organizados dos campeonatos alemães e ingleses exibem faixas dando as boas-vindas aos refugiados. São exemplos a seguir e a ampliar."

Sidónio Serpa, in A Bola

PS: Desta vez os Corruptos, em vez de uma ajuda directa aos necessitados, resolveram apelar aos outros para doarem, sendo que estou para ver, se eles vão ajudar (€1 por cada bilhete vendido na Champions)!!! Até porque, ninguém sabe quantos bilhetes são vendidos no antro Corrupto!!! As vitimas das enchoradas na Madeira, por exemplo, ainda estão à espera...!!!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

«Astana é um bom nome...»

"O Cazaquistão será um país novo na história do Benfica que já visitou mais de 70 em todo o Mundo. E a Liga dos Campeões é mais um passo decidido no caminho dos 400 jogos europeus, algo só ao alcance dos maiores dos maiores...

O Rui Reninho podia muito bem ter cantado: «Astana é um lugar/Quem sabe?/Difícil de encontrar»...
Não cantou. A letra dos GNR não levava Astana, levava Tirana, essa cidade onde o Benfica esteve para ir e não foi, depois de ter vencido o Partizani em casa por 4-0 e os albaneses provocarem um tal charivari no Estádio da Luz que levou a UEFA a suspendê-los das taças europeias e a dispensar os encarnados da segunda mão.
Foi pena. Seria mais um país a juntar à lista incrível de países que o Benfica já visitou, algo de único na história do futebol e de fazer inveja a muito pintado.
Não há Tirana mas há Astana.
«Astana é um bom nome»...
Mais um país para a lista, portanto. O Cazaquistão, no caso.
A gente diz Astana, mas deve dizer-se Astaná. Significa, muito simplesmente, capital.
«Astana é um menina/Foi/ Muito sedutora»...
Já se chamou Akmolinsk, Tselinogrado e Akmola.
Agora Astana é um lugar, quem sabe?, difícil de encontrar.
Logo se verá, lá mais para Novembro. Quando vierem os frios.
Antigamente, a capital do Cazaquistão era Almaty. Capital soviética e, em seguida capital do país novo. Almaty ou Alma-Ata: a cidade das maças.
O Benfica viaja, portanto, mais uma vez em direcção a um destino onde nenhum outro clube português foi. É essa a sua sina. Ir sempre mais além. «Se mais mundo houvera...».
Também o adversário é novo. Ou nem por isso. Novo por ser inédito nos registos benfiquistas; novo por ter sido (re)fundado em 2009; mas nem por isso tão novo, pois existia anteriormente com os nomes de FC Alma-Ata e FC Megaspor, unidos para dar origem a este tal de FC Astana que caiu em sorte visitar a Luz não tarda nada, logo na primeira jornada da actual Liga dos Campeões.
E assim somando, a pouco e pouco, pondo o pé em mais um país meio exótico, europeu de nomenclatura mais bem entranhado na velha Ásia, a águia voa em direcção ao seu 72 território (países e antigas colónias, por exemplo) «conquistando», algo só ao alcance dos grandes viajantes.
Que um vento de felicidade acompanhe o seu voo tranquilo...

«Dois, três, seis, multiplicar, somar»
Certíssimo é que o Benfica cumprirá nos próximos tempos mais seis jogos nas competições europeias, somando algo que também só está ao alcance de meia dúzia de históricos do Continente.
Trezentos e oitenta confrontos europeus contam os encarnados até ao momento - 388. Chegarão esta época aos noventa e quatro (94) pelo menos. Pois, pois, ficarão a seis dos 400 o que é obra, mas obra. Obra digna dos Jerónimos, da abóbada do Afonso Domingues ou dos frescos da Capela Sistina, se me permitem as hipérboles.
Se querem comparações, que vêm sempre a propósito e caem que nem ginjas, vamos a elas.
A segunda equipa portuguesa com mais jogos nas taças europeias é, sem surpresa, o FC Porto: soma trezentos e cinquenta e três. Ainda precisa de pedalar um bocado.
A terceira, também sem surpresa, é o Sporting, que tem um total de trezentos e oito jogos (308) já contando com estes dois últimos frente ao CSKA de Moscovo.
Depois, os restantes, ficam a quilómetros, e que quilómetros: Boavista com o número redondinho de 100, com o Braga a um joguinho apenas (99), mas com mais seis jogos garantidos na actual Liga Europa, e depois os Vitórias, de Guimarães (74, já com os dois mais recentes) e Setúbal (71).
Mas se os números do Benfica são impressionantes, são-no ainda mais grandes gigantes da Europa.
Façamos a ponte, para que se entenda.
O Barcelona cumpriu na Supertaça frente ao Sevilha a enormidade de 516 jogos europeus. E aproveito para acrescentar que contabilizo nesta lista de equipas de todo o Continente, as velhas Taças Latinas e Copas Mitropa, precursoras de todas as outras e tão oficiais como estas porque o futebol não começou com a UEFA nem vai acabar com o fim dela, por muita vontade de revisionismo que exista na âmago de alguns.
Em Itália, por exemplo, equipas antiquíssimas como o Inter (antiga Ambrosiana) e a Juventus, já ultrapassaram as quatro centenas: a Juventus largamente (472), o Inter por pouco (419).
O grande AC Milan ainda não lá chegou, está pouco à frente do Benfica (tem 392 jogos) e será ultrapassado porque mais uma vez não se qualificou para a Europa.
Eu não disse que as comparações mereciam estudo?!
O maior dos alemães, o Bayern de Munique, tem a bonita soma de quatrocentos e trinta e quatro (434).
O fantástico Ajax, da Holanda, está nos 382 (já contabilizados os dois últimos «play-offs»), ou seja, ombro a ombro com o Benfica.
Os reis de Inglaterra, Liverpool e Manchester United, sofreram, como sabemos, sanções duras por via do comportamento imbecil dos seus «hooligans» e ficaram claramente para trás: o Liverpool soma 349 jogos e o United 322 já somados os confrontos deste mês face ao FC Brugges.
Dos enormes, falta falar do Real Madrid, ainda assim longe dos rivais Barcelona: quatrocentos e oitenta e oito (488) jogos europeus. Número redondo e brilhante.
Como vêem, é restrito, muito restrito o clube daqueles que somam mais de 400 jogos nas taças europeias.
O Benfica está à porta. Não precisa de pedir licença para entrar. É só dar os passos necessários em frente. De peito feito!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Lagarto, lagarto, lagarto!...

"A história de uma felina escultura que, antagonicamente, vigiava o ninho da águia.

No primeiro dia de Setembro de 1954, entrou em funcionamento o Lar do Jogador. Aí passaram a residir os jogadores solteiros das categorias de honra do Clube e os casados, apenas no dias que antecediam os jogos, juntamente com treinador e massagistas.
Para morada dos seus atletas, o Sport Lisboa e Benfica escolheu 'uma casa portuguesa, em pleno coração do bairro que lhe deu o nome, no meio de uma vasta Quinta (Quinta da Nossa Senhora do Cabo, na Calçada do Tojal) onde a terra, as árvores, a água, tudo o que torna realmente «campo» (...) parece murmurar páginas imortais do Eça'.
Porém, antes dos jogadores do Benfica, um outro inquilino habitava a vivenda, criando alguma inquietação num dos nossos consócios: 'Tendo ido (...) lançar uma vista de olhos pelo exterior do solar dos nossos jogadores, verifiquei (...) que um motivo escultório representando um leão (lagarto, lagarto, lagarto!...) domina o pátio fronteiro do edifício. Agora, que vão ali instalar-se tantas «águias», seria um anacronismo, um verdadeiro atentado até, manter a felina escultura'. Na mesma carta, dirigida ao proprietário do imóvel, pede 'que o leãozinho seja retirado', mas não sem mais nem menos, 'aliás com carinho, peça por peça' e, numa deliciosa ironia, acrescenta: 'Bastaria olhar para a leonina efígie para ver que o seu semblante denota já um certo constrangimento por virtude de pressentir a próxima vizinhança... Repare V. Ex.ª no seu ar de pétrea neurastenia e não hesitará em dar-nos a grande satisfação de libertá-lo de tão incómoda sentinela'.
Semanas antes da inauguração, o jornal O Benfica fez uma visita à casa, guiada por Manuel Abril, presidente da Comissão Instaladora do Lar do Jogador. No fim da visita, apenas uma pergunta faltava:
'- E o leão? - Manuel sorri.
- Venham comigo - disse.
Descemos as escadas, entrámos na sala de jantar e saímos logo de seguida para o pequeno pátio. Abril, sorridente disse-nos:
- O leão «estava» ali.
Gargalhada geral. De facto, o leão já não se encontrava no seu lugar'.
No Museu Benfica - Cosme Damião, na área 17. Chão sagrado, encontra referência a esta e a outras instalações do Clube."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Mais um Mito !!!

Parece que o Mito da saída do Judas do Benfica, já está consolidado. Sempre que alguém fala do assunto, as mesmas mentiras e meias-verdades são repetidas à exaustão, como fosse verdade absoluta...
Recordo-me do meu post: Ego. Nada se alterou, mas desconfio que daqui a 20 ou 30 anos, quando alguém discutir este tema, a maioria desinformada, vai insistir na mentira.
O Judas saiu do Benfica porque quer demonstrar que o responsável pelos títulos do Benfica, nos últimos 6 anos, é ele, exclusivamente. Tudo o resto que se possa dizer é treta... da grossa!!!

Só acredita que tudo foi feito e decidido em três dias, após o Campeonato ter terminado, quem for otário, dos grandes... A proposta do Benfica esteve sempre em cima da mesa: o mesmo contrato. Foi o próprio Judas que se recusou (em todas as renovações), em assinar contratos antes do fim da época...

A forma como os cumentadores independentes, passam por cima da filha-putice pessoal, que o Judas fez ao Presidente, depois de tudo o que Presidente fez por ele... diz bem, da falta de independência desta gentalha.

Grandes a jogar em dia de eleições

"Se houvesse um entendimento da necessidade de proibir espectáculos em dia de eleições, há muito que o legislador o teria feito

Pela primeira vez, em 41 anos de democracia, o futebol vai coincidir com um ato eleitoral. Até agora foi possível conciliar a calendarização dos jogos, prevalecendo o necessário recato que deve envolver a ida às urnas, na convicção de que o bom senso recomenda espaços e tempos próprios para cada uma das actividades.
Quis a calendarização nacional e internacional que a jornada de 5 de Outubro ficasse entalada entre uma ronda europeia de clubes e um jogo decisivo da Selecção Nacional, deixando fora de equação a possibilidade de - com razoabilidade - se jogar noutra data. Assim os três grandes vão entrar em campo, concitando sobre si atenções, no mesmo dia em que os portugueses vão a votos para decidir quem sucede a Passos Coelho, se o próprio Passos Coelho se António Costa. É isto um facto perturbador da democracia? 
Não creio. Se, ao longo de quatro décadas de eleições democráticas em Portugal, o legislador nunca sentiu necessidade de proibir actividades desportivas em dia de votos, provavelmente haverá alguma razão para isso. Da mesma forma que os restantes espectáculos não são proibidos...
Diz o bom senso - e foi isso que prevaleceu ao longo dos últimos 40 anos - que é preferível que não se jogue, para não desfocar atenções. Mas, perante uma situação limite como a que está criada para o fim-de-semana de eleições, não só não se afigura nenhuma solução melhor, como não virá nenhum mal ao mundo pela realização dos jogos de Benfica, Sporting e FC Porto. Do ponto de vista objectivo, do número de votos entrados em urna, ninguém, de boa fé, dirá que haverá beneficiados ou prejudicados. Poder-se-á, quanto muito, argumentar que na noite eleitoral haverá menos atenção para a decisão política, em função dos jogos dos grandes e das respectivas análises. Mas, muito provavelmente, aqueles que vão estar mais atentos à noite desportiva de 5 de Outubro não estariam, de qualquer forma, muito virados para as abordagens políticas da noite eleitoral, onde, regra geral (e ao contrário do que acontece com o futebol), há uma sensação de déjà vue, com todos os partidos a declararem-se vencedores.
Em resumo, ao futebol o que é do futebol, à política do que é da política. E deixem-se, por favor, de dramatizar tudo, por tudo e pelo seu contrário. já cansa...


JESUS MUDOU DE CLUBE MAS CONTINUA IGUAL
«Se compras um Ferrari tens de ter dinheiro para a gasolina. Se me contrataram têm de ter dinheiro para a gasolina. Não é?»
Jorge Jesus, treinador do Sporting, in 'Record'
Jorge Jesus tem uma personalidade complexa, em muitos aspectos contraditória, mas sempre colorida em tons muito vivos, agora predominantemente verdes. Num país cinzento, em que quase todos os protagonistas medem as palavras e procuram não fugir ao politicamente correto, o auto-elogio recorrente do treinador do Sporting tem o efeito de pedrada no charco...

TRIUNFO NA VUELTA
Grande vitória de Nélson Oliveira na etapa que acabou em Tarazona, ponto final e um jejum de sucesso luso na prova espanhola, que durava há nove anos, desde Sérgio Paulinho. Um gosto que suaviza a pedra do sapato que desde 1974 incomoda o ciclismo português: Joaquim Agostinho venceu, de facto, a Vuelta desse ano, mas 'nuestros hermanos' 'enganaram-se' nas contas, marcaram o tempo de José Manuel Fuente no derradeiro contra-relógio à entrada da pista e o de Agostinho apenas na meta. E o espanhol foi declarado vencedor por 11 segundos.

ÁS
Gareth Bale
O País de Gales vai participar pela primeira vez numa grande competição de futebol (os galeses só estão habituados aos grandes palcos no râguebi) e Gareth Bale é, sem dúvida o seu profeta. Bale, que parece mais à vontade na selecção do que no Real, contribuiu com um golo decisivo em Chipre, carimbando o passaporte...
(...)

O jogo da vida do futebol albanês
Vida difícil espera hoje a Selecção Nacional em Elbasan, na Albânia. A selecção local está muito perto de, pela primeira vez, atingir a fase final de uma grande competição internacional e Portugal surge como derradeiro obstáculo. Prevê-se um jogo de luta, de mais transpiração do que de inspiração."

José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 6 de setembro de 2015

«Mudança implica dores de crescimento»

" «GOSTARIA DE TER DADO MAIS UM OU DOIS JOGADORES AO RUI VITÓRIA»
Numa fase de mudança estratégica, o presidente do Benfica assume os riscos do novo projecto baseado no Seixal e perante algumas dificuldades anunciadas fala até em dores de crescimento. A aposta em Rui Vitória, as saídas de Jesus e Maxi, as guerras na Liga, nada escapa à análise de Vieira. Que, diz, ainda não pensou nas eleições...
- Fechou o mercado e não houve novidades do ponto de vista de aquisições ou vendas. Está confiante e optimista em relação à conquista do tri?
- Confiante e optimista, sim. Passei as últimas semanas no Seixal e sei que o plantel está motivado e vai dar tudo para conquistar o tri. Mas também sei que assumimos uma opção de mudança em relação ao que era a realidade do Benfica nas últimas décadas, e essa mudança implica algumas dores de crescimento normais neste tipo de processos.

- Mas já se ouvem aqui e ali algumas vozes críticas em relação à opção assumida...
- É normal que assim seja. Seria igual caso tivéssemos decidido continuar a investir como no passado no mercado, fechando as portas da nossa equipa principal aos jovens do Seixal. Vozes discordantes haverá sempre, mas fui eleito para tomar decisões estou muito confortável com a decisão assumida. Quando se avança para uma mudança com esta dimensão, é normal que haja um período de transição, é normal que se necessite de tempo para fazer os ajustes necessários.

- A aposta na formação é por convicção, ou ditada pelas restrições financeiras?
- Claramente por convicção, ou então o Caixa Futebol Campus não faria sentido. Sou testemunha privilegiada do trabalho realizado pelos nossos treinadores das camadas jovens e do talento que desenvolvemos no Seixal. Ao contrário de outros, não fomos forçados a seguir este caminho. Chegamos a esta fase de forma planeada e desejada. Foi para chegar aqui que investimos e desenvolvemos o centro de estágio ao longo destes dez anos. O Seixal é hoje um centro de excelência na formação de jovens, e isso é reconhecido a nível internacional.

- Mas seguir este modelo, se tudo correr como deseja, significa menor investimento na compra de jogadores, ou seja, menos investimento, menos dependência de financiamento?
- Essa será uma das consequências deste modelo, e não a razão de ser desta mudança. É verdade que teremos uma redução das necessidades de investimento, uma vez que deixamos de ter um custo de aquisição, teremos uma redução do custo salarial do plantel e, finalmente, um aumento das mais-valias nas vendas futuras.

- Percebo a lógica que está por detrás desta mudança, a minha questão é se não sente que é uma mudança muito rápida na paradigma do futebol do Benfica?
- Sinceramente, acho que não. Chega no tempo certo. Podemos rapidamente ver como chegámos aqui: até 2008/2009, vivemos um primeiro ciclo deste novo Benfica em que o nosso esforço de centrou na restituição da credibilidade interna e externa do clube, no planeamento, na construção de infra-estruturas, na profissionalização do Benfica a nível dos seus recursos humanos. Depois, uma segunda fase que eu posso situar até ao ano passado, em que se privilegiou um modelo de forte investimento em jogadores estrangeiros com experiência e forte potencial através do recurso ao financiamento alheio, seja bancário ou de outro tipo, que depois amortizámos com as mais-valias das vendas. E agora, em 2015, estamos a entrar numa nova fase em que a estratégia passa por apostar em talentos gerados no Seixal. Jogadores formados dentro de casa, com baixo custo de aquisição, como disse atrás, com menor tecto salarial e, não menos importante, com maior identificação com o clube. É um modelo que equilibra a competitividade desportiva com a redução do endividamento e o reforço dos capitais próprios.

COMPRAR MUITO MENOS ESTRANGEIROS NO FUTURO
- Quer dizer que o Benfica do futuro vai deixar de comprar jogadores estrangeiros?
- Não, mas vamos passar a comprar muito menos. Este modelo, e é assim que está pensado, é compatível com a continuação do investimento em jogadores estrangeiros ou portugueses de outros clubes. Provavelmente, o Benfica de agora não vai investir no Aimar ou no Saviola como fez no passado (com todo o respeito e admiração que tenho pelos dois), mas nada impede que o futuro Aimar seja o João Carvalho ou o futuro Saviola seja outro jovem que cresceu no nosso centro de treinos.

- Sente-se o entusiasmo quando fala do Seixal e da formação. isso significa que o investimento no desenvolvimento do Seixal vai-se manter?
- Seguramente, mas o nível de investimento que hoje é necessário é muito menor do que foi no passado. Os benfiquistas têm de ver o Caixa Futebol Campus como um projecto de geração de valor para o clube. E, quando falo de geração de valor, não significa apenas o que vier a resultar de vendas futuras. Quando se fornecem jogadores às selecções nacionais, e é bom recordar que somos o clube que mais jovens fornece, ou quando se disputam títulos nacionais ou internacionais como a UEFA Youth League, isso significa gerar valor e reputação para o Benfica.

- A aposta na formação está reflectida na equipa neste arranque de época. Acha que o Benfica pode ganhar campeonatos com quatro ou cinco jogadores da formação?
- Como foi que o Barcelona ganhou e continua a ganhar? Sim, acho possível, desde que a aposta seja consistente e continuada. E, já agora, apostar na formação não significa a necessidade de jogar obrigatoriamente com quatro ou cinco jogadores da formação na equipa titular. Mas significa dar oportunidades a estes jovens para trabalharem e crescerem junto da equipa principal, e é isso que tem vindo a ser feito.

- Está surpreendido com o desempenho do Nélson Semedo?
- Só pode estar surpreendido com o Nélson Semedo quem não acompanhou o seu percurso até aqui. Para a idade dele, é efectivamente surpreendente a postura e o à-vontade que ele revela em campo. Se é um jogador feito? Não, claramente não é, mas vai crescer muito, e seguramente que, dentro de três ou quatro jogos, será um jogador muito mais confiante, e muito melhor ainda do que é hoje. Mas atenção, ele, como qualquer outro jovem, tem direito ao erro, e, no momento em que errar, temos de o apoiar, não assobiar. É assim que todos eles vão crescer.

- Esta aposta é para continuar nos próximos anos, ou, se o Benfica não ganhar o tri, o projecto fica comprometido?
- A mudança de rumo que deriva da qualidade do trabalho realizado no Seixal implica naturalmente um caminho que não é isento de dificuldades. Já o sabíamos quando tomámos a decisão de implementar a nova estratégia. Os resultados irão aparecer. E espero que apareçam ainda esta época. Independentemente do que aconteça, a aposta deve ser mantida. Ninguém disse que o caminho ia ser fácil. É preciso ter paciência para integrar os nossos jovens na equipa A, mas também é preciso assumir riscos de forma que eles possam crescer. Não temos pressa mas não podemos perder tempo.

- O Benfica tem vendido alguns jogadores da formação por €15 M. Acha que têm sido bons negócios, ou admite que há aqui um risco de venda prematura?
- Qualquer jogador de 18/19 anos que seja vendido por 15 milhões sem ter actuado na equipa principal, e num mercado como é o mercado português, tem de ser considerado um bom negócio. Disso que ninguém tenha dúvidas. Nós vendemos um talento, mas quem compra assume o risco sobre o futuro desse jogador. Sinceramente, espero que todos os jovens que vendemos nos últimos dois anos se afirmem nas suas equipas, porque isso é a melhor certificação de qualidade que podemos dar ao Seixal.

- Mas o valor de mercado do Bernardo Silva já está acima dos 15 milhões de euros...
- Ainda bem, porque isso significa o reconhecimento pelos jovens que saíram do Seixal. Percebo onde quer chegar e não quero fugir à sua pergunta: eu diria que a primeira boa geração/fornada do Seixal foi queimada do ponto de vista desportivo e salva do ponto de vista financeiro.

- Queimada por quem ou porquê?
- Não vou entrar por aí. Apenas reconheço um facto que não creio que possa repetir-se no futuro.

- O jornal L'Equipe escreveu que o Ivan Cavaleiro custou 3,5 milhões de euros e não 15 milhões. É falsa a notícia?
- O único comentário a fazer é que somos uma sociedade cotada em bolsa, e bastará consultar o nosso relatório e contas para poderem verificar o absurdo dessa notícia.

A CORAGEM DE RUI VITÓRIA
- Sei que disse no ano passado várias vezes que, neste ano, estariam quatro ou cinco jovens da formação a trabalhar no plantel, mas esperava ver tantos jovens a jogar neste início de campeonato?
- É uma opção do Rui Vitória, que seguramente vê qualidades neles. A questão na nossa formação sempre foi a de estes jovens terem oportunidades para poderem chegar ao plantel principal. Os jogadores do Seixal tinham de ter oportunidades de crescer trabalhando com a equipa A, mas jogar ou não jogar, como o Rui Vitória bem disse, são eles que têm de merecer e demonstrar que o merecem. Se têm jogado, é porque o treinador vê que têm capacidades para jogar. Já agora, deixe-me que faça aqui um desabafo: nos últimos anos, todos reclamavam porque não apostávamos nos nossos jovens. Jornalistas, comentadores e adeptos. Agora, há miúdos da formação na equipa principal, e de repente já vejo alguns benfiquistas, muito comentadores e jornalistas a dizer que, se calhar, não vamos lá assim? É claro que vamos, mas para tudo é preciso tempo. Vamos ter paciência.

- Mas acha que este plantel dá garantias em relação aos desafios que vão ser exigidos?
- Dá garantias de trabalho, de empenho, de total dedicação, o que é sempre o primeiro passo para garantir o sucesso. Acho que temos um plantel sólido, que vai praticar bom futebol e que vai lutar pela conquista do tri. Se este caminho implica riscos? Claro que sim, mas não há opções sem riscos. Ou outros clubes foram por caminhos diferentes, mas também assumem riscos. São diferentes, é certo. No final, espero que os benfiquistas se possam orgulhar dos resultados alcançados.

- Disse no dia da apresentação de Rui Vitória: «Há uma garantia que aqui te quero deixar: vais ter as mesmas condições que outros tiveram e vais poder contar com uma equipa competitiva capaz de dar corpo às tuas/nossas expectativas». Acha que o Rui Vitória conta com as mesmas condições que o treinador anterior?
- Assumo que gostaria de poder ter dado mais um ou dois jogadores ao Rui Vitória. Não foi possível, mas isso não significa que a equipa seja menos competitiva, ou que tenha menos soluções que no ano passado. É verdade que perdemos o Maxi e o Lima e, momentaneamente, estamos sem o Salvio, mas encontramos soluções para esses lugares, e creio que a equipa vai crescer muito a partir daqui. Prefiro uma equipa de fato-macaco, que deixe tudo em campo, a uma equipa de fato-gravata, sem compromisso.

- Que avaliação faz do trabalho de Rui Vitória até agora? O treinador já foi fortemente criticada por analistas e alguns benfiquistas porque não ganhou jogos na pré-época, perdeu a Supertaça e um jogo do campeonato...
- No Benfica é assim, passamos da euforia à depressão em muito pouco tempo, e o inverso também é verdade. A mudança que fizemos foi muito grande, e o Rui faz parte desse processo de mudança, portanto é normal que haja um período de adaptação. O Rui chegou ao Benfica pelas capacidades que demonstrou nos últimos 12 anos, e disso que ninguém tenha dúvidas, tem as qualidades necessárias para estar à frente do projecto. E, mais do que um treinador, é um gestor que faz a coordenação de todo o futebol do Seixal, coisa que até aqui nunca tivemos. Há momentos em que temos de ser pacientes, em que temos de apoiar. O trabalho vai acabar por dar resultados. E há uma coisa que devemos reconhecer no Rui, é um treinador corajoso.

- Portanto, não é um treinador a prazo?
- Todos os treinadores são treinadores a prazo, o último esteve seis anos no clube. O Rui tem capacidade para ficar aqui muitos anos. Vai deixar a sua marca no Benfica.

- Mas não fica preocupado com este início de época? A Supertaça perdida, dois jogos ganhos nos últimos 15/20 minutos, a derrota com o Arouca...?
- A equipa actual tem menos de dois meses de integração, muitos jovens, uma nova liderança, novos métodos de trabalho. Seria interessante ver como é que nos seis anos anteriores esteve a equipa antes da pausa de Setembro.

- Dos três grandes, qual é o principal favorito a ganhar o campeonato?
- Creio que partimos os três em situação de igualdade. O Benfica vai defender o título, temos essa ambição; o FC Porto e o Sporting, pelo investimento feito, têm obrigatoriamente de lutar pelo título.

- Temos um Benfica que baixou drasticamente o investimento de anos anteriores, ao contrário de FC Porto, que, embora baixando, mantém o investimento num nível elevado, e do Sporting, que deixou a contenção dos últimos anos para investir com algum significado no plantel e no treinador. Não teme ser vítima desportiva da nova opção desportiva/financeira?
- É uma opção que dará frutos. Se não for de imediato, a médio prazo sairemos reforçados. Digo isto, mas acredito que mesmo desportivamente podemos ganhar no imediato. Quanto aos outros clubes fazem aquilo que entendem fazer e não me vou pronunciar.

GAITÁN, LIMA, CARCELA E TAARABT
- O melhor reforço do Benfica chama-se Nico Gaitán?
- Diria que o melhor reforço do Benfica é todo o plantel. É evidente que o Nico é um jogador com um talento único e que sempre esteve comprometido com a equipa. E isso é algo que vale a pena dizer. Com todas as notícias que houve ao longo de meses, o jogador esteve comprometido com o Benfica, o que é justo destacar.

- Mas houve, ou não, ofertas?
- Vou responder de outra forma: não houve nenhuma oferta que fosse merecedora de levar o jogador para fora do Benfica.

- Esta dedicação do Gaitán merece um prémio?
- Os adeptos e os sócios vão dar-lhe esse prémio. Sei onde quer chegar com a pergunta, mas isso são assuntos que tratamos dentro de casa, e não nos jornais.

- Era inevitável perder Lima?
- Seria injusto para um jogador que tanto deu ao Benfica não o deixar fazer o contrato da sua vida.

- Entre os que entraram, há dois avançados: Raúl Jiménez e Mitroglou. Num ano em que o Benfica gastou tão pouco em contratações, faz sentido investir nove milhões por metade do passe de um avançado?
- Faz, se tivermos as garantias de que é um jogador que nos vai trazer rendimento desportivo e de que nos pode dar, no futuro, retorno financeiro. Confesso, que não foi uma decisão fácil, mas entendi que era um jogador que nos iria trazer uma mais-valia desportiva que justificava o investimento.

- E também houve duas apostas de risco e que ainda estão por provar: Carcela e Taarabt...
- São dois jogadores com muito potencial, e têm um desafio que não podem desperdiçar: provar o seu valor aqui. O Benfica não representa para eles mais uma oportunidade, representa a oportunidade. E tenho, a certeza de que a vão agarrar.

- Entre os que saíram está Maxi Pereira. Como é que o Benfica perdeu Maxi Pereira para o FC Porto?
- O Benfica não perdeu Maxi Pereira. Ele é que não quis continuar aqui. Mas isso é um capítulo fechado. O jogador e o seu empresário escolheram outra equipa para continuar. Já não tenho a visão romântica do futebol, isso já lá vai. Não lhe desejo felicidades desportivas, obviamente, mas também não vou dizer mal do Maxi. Tomou a sua opção, e nós vamos seguir o nosso caminho.

- O Benfia fez tudo para continuar com o jogador?
- Sinceramente, creio que sim. E também acredito que não foi pela vontade do jogador que se deu a mudança. Mas antes quero falar dos que cá ficaram e dos que entraram no plantel do que de jogadores que não são nossos.

- Jesus sai do Benfica, é hoje treinador do Sporting e, entretanto, muito coisa se disse e escreveu. Foi o Benfica que não quis JJ, ou foi JJ que não quis o Benfica?
- Disse bem, muita coisa se escreveu e disse que não tem nenhum fundamento, nem correspondência com a verdade, mas isso é passado. Seguimos por caminhos diferentes, e cada um do seu lado vai fazer o melhor na defesa dos seus interesses.

- Se voltasse atrás, teria feito tudo da mesma forma em relação ao processo Jorge Jesus? Fez tudo para o manter?
- Sinceramente, acho que fui muito honesto e muito sério com Jesus e com a sua família. Mas o meu treinador chama-se Rui Vitória. Interessa-me falar do presidente e do futuro, não do passado.

- É inevitável o processo de saída de Jorge Jesus acabar em tribunal?
- Quando há diferendos entre as partes, os tribunais servem exactamente para isso, para decidir quem tem razão, e é isso que neste caso vai acontecer. Sem qualquer tipo de dramatismo... Dei instruções - em função do entendimento do nosso departamento jurídico - para defender os interesses do Benfica, e é isso que importa dizer.

- E depois disto... daqui para a frente: como é que vai ficar a relação Benfica-Jesus e a relação Luís Filipe Vieira-Jesus?
- Não me interessa a relação de A com B ou de B com C, o único que interessa aqui é o Benfica e a defesa dos interesses do Benfica.

- E a relação Benfica-Sporting e Luís Filipe Vieira-Bruno de Carvalho?
- É ao nível da Liga, que é onde se deve falar e defender o futebol português.

AS ELEIÇÕES DA LIGA E PINTO DA COSTA
-Antes das últimas eleições na Liga, falou-se de uma aproximação Benfica-FC Porto...
- Falou-se de muito coisa. Numa altura em que o negócio do futebol esteve seriamente ameaçado, houve necessidade de convergir na procura de uma solução, de um nome que ajudasse a credibilizar a Liga e a trazer os patrocinadores de volta. Luís Duque foi esse nome, e houve, nessa medida, não diria uma aproximação, mas uma convergência na necessidade de salvar os campeonatos nacionais. Mas no capítulo desportivo, cada um por si. Como sempre foi e sempre será!

- Depois do processo eleitoral na Liga, está outra vez mais distante de Pinto da Costa?
- Não é uma questão de estar mais ou menos distante. Houve opções diferentes ao nível da Liga. Nada mais do que isso. Para bem de todos temos de ter uma Liga forte e credível. No meu entendimento, Luís Duque dava essas garantias. A opção foi outra, vamos trabalhar para que não se volte atrás no tempo...

- O Benfica apoiou Luís Duque e perdeu. Também foi uma derrota do Benfica?
- Não foi o Benfica que perdeu, foi uma derrota da coerência dos clubes da primeira e da segunda Liga, que 15 dias antes aprovaram um voto de louvor pelo trabalho desenvolvido por Luís Duque. É uma falta de gratidão enorme em relação a uma pessoa que devolveu a credibilidade à Liga.

- E que avaliação faz do trabalho do Pedro Proença até agora?
- Não se pode fazer a avaliação do trabalho de alguém que chegou há menos de um mês ao cargo.

- Os clubes deram passos atrás com esta mudança na Liga?
- Só o tempo e a gestão do novo presidente poderão responder a essa pergunta. Sinceramente, espero que não.

«CENTRALIZAÇÃO? DESDE QUE GARANTA PRINCÍPIOS DE LIVRE CONCORRÊNCIA...»
O projecto BTV não está em causa. Mas a centralização dos direitos TV pode alterar parâmetros.
- Como é que está o processo de centralização dos direitos televisivos, em estudo há algum tempo?
- Era um projecto que se estava a trabalhar na anterior direcção da Liga. Neste momento, desconheço em que ponto é que está. Não estamos contra o princípio, pelo contrário, até acho que pode ser uma boa solução, desde que os critérios em relação à distribuição de verbas sejam justos e, fundamental, desde que sejam garantidos os princípios de uma livre concorrência entre os candidatos a ficar com esses direitos.

- Este processo não coloca em causa o projecto Benfica TV?
- Não, embora seja evidente que, se a centralização vier a avançar, a BTV terá de ter um enquadramento diferente daquele que tem hoje, mas não vale a pena falar do que será a BTV em função de um cenário que está longe de se concretizar.

- A abertura da BTV 3 é um hipótese em estudo?
- É algo que estamos a equacionar.

- A Premier League vai continuar na BTV?
- É esse o nosso desejo.

- A mensalidade da BTV tem-se mantido nos 9,90 euros. É para continuar?
- Apesar de neste ano a BTV ter incorporado as ligas francesas e italiano, vamos manter o valor.

«HOJE GANHAMOS PORQUE CRIÁMOS CONDIÇÕES PARA ISSO»
É com satisfação que fala do sucesso das modalidades. O orgulho pelo projecto Olímpico.
-Olhando ao futebol e às principais modalidades de pavilhão, o Benfica venceu cinco campeonatos em seis possíveis e fez quadro dobradinhas. A melhor época de sempre a nível desportivo...
- Foi sem dúvida um ano excepcional, e só tenho pena de o andebol não nos ter acompanhado neste percurso, mas, tal como no hóquei levámos tempo a construir uma base sólida, no andebol vamos fazer o mesmo. Vamos lá chegar. Mas as pessoas, quando olham para o sucesso da época passada, têm de olhar para o trabalho dos últimos 14 anos. Chegámos aqui porque fizemos aquele percurso. A credibilização do clube, as infra-estruturas criadas, a BTV, o museu, tudo isto foi importante para chegar aqui. Hoje ganhamos porque criámos condições para isso.

- Lembro-me de muitas vezes se ter ponderado acabar com esta ou aquela modalidade...
- Nunca defendi esse caminho, pelo contrário, sempre defendi que o ecletismo era uma das marcas do Benfica. As modalidades fazem parte do ADN do clube. Toda a reestruturação e aposta que fizemos no futebol de formação e profissional também fizemos nas nossas modalidades. Este trabalho nunca é um trabalho que dê frutos a curto prazo, é sempre um trabalho de paciência. Soubemos ter essa capacidade e agora estamos a colher os frutos. No atletismo, por exemplo, foi um trabalho praticamente iniciado do zero com a Professora Ana Oliveira. Foram anos a formar, a criar condições, a consolidar trabalho e agora o Benfica passou a ser a principal referência do atletismo português.

- Ainda recentemente o Nélson Évora ganhou o bronze em Pequim. Espera que os atletas do Benfica ganhem muitas medalhas no Rio de Janeiro?
- Ainda bem que falou do Nélson Évora, é totalmente justo destacar a medalha ganha nos mundiais de atletismo e é, naturalmente, um dos atletas de quem sinceramente espero possa trazer uma medalha para Portugal. E é curioso porque muita gente já não acreditava que ele pudesse voltar a este nível, mas o Benfica através do seu projecto Olímpico sempre acreditou e sempre o apoiou, e quase que apostava que se não fosse este trabalho desenvolvido aqui, talvez o Nélson não tivesse voltado a ser o que é. E isso para mim é motivo de orgulho. Não devo andar longe da verdade se disser que o Benfica será o clube que mais atletas vai emprestar à nossa representação Olímpica e que espero que alguns deles possam fazer ouvir o nosso hino no Rio.

- Isto é recado para alguém?
- O quê? A questão do Nélson ou o facto de sermos o clube que mais atletas vai levar ao Rio? Não é recado, são duas constatações. Vamos lá ver, com o projecto Olímpico contribuímos - com gosto - para que a nossa representação Olímpica seja a melhor a cada quatro anos. Só gostava que da parte das instituições públicas, fosse feito esse reconhecimento, em vez do discurso recorrente que hostiliza os clubes e os menoriza enquanto instituições que nada fazem pelo desporto português.

«AINDA NÃO PENSEI NAS ELEIÇÕES»
Daqui a um ano há eleições e ainda não sabe se se recandidata. Não governa a pensar nisso...
- Falta pouco mais de um ano para as eleições no Benfica. Já pode revelar se vai recandidatar-se para mais um mandato?
- Um ano é muito tempo. Sinceramente, nem sequer pensei nisso. Portanto, não tenho ainda uma reposta.

- Acha que a conquista do título de campeão vai ser determinante na sua decisão de continuidade?
- Nunca o foi o não será também desta vez. Em todo o caso, esta mandato deve ter sido um dos mandatos mais bem-sucedidos do ponto de vista desportivo de qualquer presidente na história do Benfica. Mas não será isso que determinará a minha decisão.

- Em ano eleitoral, não considera arriscado optar pelo modelo da formação e do menor investimento no futebol?
- O caminho mais fácil seria continuar como até aqui, mas isso, sim, é que seria perigoso. As decisões não devem ser tomadas em função de haver ou não eleições. Fizemos uma escolha que privilegia o futuro, a independência e a sustentabilidade do Benfica, e é isso que importa.

- A um ano das eleições, como é que estão as contas do Benfica? Há um plano em marcha para reduzir o passivo? Quais são as metas?
- As contas estão equilibradas. Temos vindo a reduzir o passivo, mas não há uma meta fixa. Se tudo correr como acho que vai correr, vamos voltar a ter capitais próprios positivos.

- Já disse que consigo o Benfica não será vendido a um investidor externo; neste momento, é difícil o acesso ao crédito bancário. Perante a dificuldade na captação de investimento, como é que se consegue manter esta máquina a funcionar sem correr o risco de ela parar?
- Com inovação, com uma equipa muito dinâmica. Mais de 90% das propostas feitas pela nossa equipa de marketing são feitas para fora de Portugal. O patrocínio da Emirates foi trabalhado durante quase um ano e meio. Nada se consegue sem trabalho e sem bons profissionais. Felizmente, é algo que existe na nossa organização.

- O Benfica perdeu cerca de 100 mil associados de acordo com a última actualização de sócios. Consegue entender esta redução quando o Benfica fechou em 2014/2015 a época com mais títulos na sua história?
- Há sempre maneiras diferentes de olhar a mesma realidade. É verdade que se perderam quase 100 mil sócios, numa década terrível do ponto de vista das dificuldades económicas e em que as pessoas foram sujeitas a grandes sacrifícios. Mas também podemos ver isto de uma outra forma. Na última renumeração, em 2005, o Benfica tinha 95 mil sócios. Portanto, nós, nos últimos dez anos, crescemos e consolidámos mais de 50% em relação a 2005. Estou satisfeito? Claro que não, mas agora compete-nos voltar a crescer. E se na próxima renumeração voltarmos a crescer e a consolidar mais de 50%, então isso será uma excelente notícia."

Entrevista a Luís Filipe Vieira, por José Manuel Delgado, in A Bola

Horas e números

"Importa ter cuidado com a selecção albanesa, sofreu poucos golos e está a um passo de concretizar um sonho.

1. Nestes dias sabemos bem a que horas joga a nossa selecção nacional. É às oito menos um quarto. Em rigor às sete e quarenta e cinco. Tal como os jogos da Liga dos Campeões. Esta é a hora do futebol de primeira: Da Liga e das selecções. Antigamente, no meu tempo do Colégio Militar, os jogos eram às três ou às quatro horas da tarde. Todos. E já no final da tarde de domingo, poderia comprar, antes de reentrar naquele espaço que me moldou como jovem, o então Diário Popular e saber as equipas e os golos da jornada. De toda a jornada. Agora o futebol vai de sexta a segunda. As horas variam. E agora até há, pela primeira vez, jogos em dia de eleições. As competições europeias determinam, que neste quatro de Outubro, os três grandes joguem no dia das eleições. Para ser sincero, e na linha de um grande e ponderado amigo que conhece, e muito bem, o futebol e 'todas as suas gentes', o calendário desse domingo poderia não envolver os três grandes. Mas parece que houve um 'pacto de solidariedade'! Todos no domingo. Todos a quatro. De Outubro. Dia certo para a decisão quanto ao futuro Parlamento e conexamente quanto ao futuro Governo de Portugal.
2. Teremos algumas dúvidas acerca dos dias dos jogos das selecções e dos nossos clubes e logo ficamos surpreendidos ao saber que jogamos, amanhã, segunda feira contra a difícil selecção da Albânia. Mas a gestão dos jogos pela UEFA também envolve as suas transmissões televisivas. Que são rigorosamente organizadas. Em razão das televisões. Sabendo que sábado e domingo pode haver jogos às cinco da tarde. E outras à hora habitual, às oito menos um quarto. Que é na Europa um produto atractivo em razão da diferença horária. Uma hora mais! Logo jogo ao princípio da noite! Mas importa ter cuidado com esta selecção albanesa. Sofreu poucos golos - apenas dois - e está a um passo de concretizar um sonho: marcar presença na fase final de uma grande competição do futebol europeu. Esperamos que em disputa directa com a Dinamarca a partir da noite de segunda feira. Mas basta olharmos para o quadro da Liga Europa para percebermos que a Europa dita do Leste - a Europa oriental- está a chegar às fases de grupos das principais competições europeias. Com duas equipas do Azerbaijão! E o Benfica bem o percebeu já que jogará contra o campeão do Cazaquistão, o Astana. E com o jogo a disputar-se a 25 de Novembro, num campo sintético e com uma temperatura que será, se não houver significativa alteração climática, bem negativa! Há mudanças na Europa do futebol. Não tantas quantas àquelas que o drama dos refugiados estará a provocar. Com as nossas almas em dor com imagens que jamais esqueceremos!
3. Mas o quadro da Liga dos Campeões evidencia-nos duas realidades que importa não ignorar. Das trinta e duas equipas envolvidas na fase de grupos vinte e uma repetem a presença. Ou seja 65%! O que mostra que começa a haver uma clara hierarquia de participantes na principal competição europeia. Há clubes com presença certa. Entre outros, os grandes de Espanha, de Inglaterra (aqui com o United a substituir o Liverpool), os alemães Bayern e Leverkusen (com o Dortmund a disputar a Liga Europa este ano), o francês PSG, a Juventus e a Roma, o Zenit e o CSKA e os nossos Benfica e Futebol Clube do Porto são presenças confirmadas. Mas se olharmos para as três grandes ligas - espanhola, inglesa e alemã - elas representam 40% dos clubes participantes nesta fase de grupos da Liga dos Campeões. Com a Espanha a ter cinco representantes em razão do Sevilha ter conquistado, uma vez mais, a Liga Europa! As novidades, para além do Astana, são, esta época, o Dínamo de Zagreb, o Dínamo de Kiev, o Gent e o PSV Eindhoven. Ou seja nas conhecidas ligas intermédias há mudanças com a não presença dos habituais Ajax e Anderlecht. E com a nota que há dois anos que o Celtic, o escocês Celtic, só chega à Liga Europa. Importa olhar para os quadros e perceber que há estabilidade nos grandes e alguma instabilidade em ligas intermédias que são, também elas, e os seus clubes, 'exportadoras de jogadores'. Ou, em rigor, 'grandes exportadoras'. E, aqui, entra, necessariamente, a nossa Liga. Como acabámos de constatar neste mercado de verão. O que implica uma reflexão estratégica por parte da nova Direcção da Liga de Clubes. Seja dos representantes dos grandes clubes seja, igualmente, daqueles, como Guimarães ou Rio Ave, que, este ano, se ficam pelas competições internas. Mas os quadros aí estão. Para ver e para ler! Com a atenção que esta importante indústria já exige. Para além da hora e dos dias dos jogos. E, também, e já agora, do canal que os transmite! E já lá vai o tempo, tanto tempo, em que o futebol tinha a sua hora e não outra. Tudo mudou. Mas a hierarquia do futebol europeu está a sedimentar-se. Talvez seja conveniente não ignorar os números. Aqueles números. Sessenta e cinco por cento de repetentes e quarenta por cento das três grandes ligas! Dados que a 4 de Outubro se não verificarão. A não ser nos números da abstenção!"

Fernando Seara, in A Bola

No labirinto de Proença

"Não teve a discussão merecida a súbita mudança de opinião dos clubes que acabaram por rejeitar Luís Duque e colocar Pedro Proença na cadeira de presidente da Liga de Futebol Profissional. Depois de uma aclamação generalizada por ocasião da 'prestação de contas' da sua gestão e do avanço (induzido por essa aclamação) para uma 'renovação' de mandato determinada pela revisão dos Estatutos da Liga, não se compreenderam as razões (a não ser, objectivamente, da Sporting SAD e, perfunctoriamente, da FC Porto SAD) para o decaimento maioritário de Duque e essa conversão súbita ao ex-árbitro. Se foi pelo projecto, não se apreendeu nada de especialmente diferente de Duque ou, na novidade, compatível com os tempos e com a lei. Se foi pela equipa, nada foi avançado quando aos 'executivos' que se perfilavam, sendo certo que Proença trabalharia com os órgãos das listas de Duque. Se foi para minar o poder de Fernando Gomes e Vítor Pereira na FPF, só pode ser vista essa hipótese no espectro de um 'conto de crianças' - como a rejeição na Federação do sorteio dos árbitros decidido pelos clubes na Liga mostrou à saciedade. Se foi para os clubes obterem jogadores emprestados do Sporting e do FC Porto (táctica usada durante anos para constituir 'sindicatos de voto' nas assembleias da Liga), só pode ser ingenuidade pensar que essa cooperação dura mais do que o tempo dos negócios de ocasião. Enfim, se Mário Figueiredo se percebeu, Proença na presidência da Liga é um daqueles factos que parece ter sido uma espécie de capricho concretizado de alguns. Segue-se a pergunta cimeira: o que esperar da vontade de Pedro Proença em assumir este cargo e da capacidade da sua direcção?
Para além dos tacticismos e das manipulações, Proença marca um novo ciclo na gestão de topo do futebol associativo: um agente desportivo 'puro', que comungou do relvado e dos balneários com jogadores, treinadores e dirigentes ao mais alto nível. Sabe tudo do jogo e dos seus intervenientes, o que lhe confere outro tipo de autoridade e bom senso. Terá sido lúcido para aprender sobre aquilo que o 'negócio' hoje solicita e qual a posição comparativa que o nosso futebol pode ambicionar. Não terá contas para ajustar e, se as tem. deve optar pelo estilo federador (nomeadamente chamando árbitros, treinadores e jogadores para associados da Liga). Terá proveito em socorrer-se de recursos humanos íntegros e capazes, mesmo que isso desagrade aos 'interesses'. Se Proença agarrar esta oportunidade, outra história se começará a contar."

Árbitros recusam fazer exames

"Os árbitros da primeira categoria recusaram realizar os exames escritos e físicos agendados para ontem, em Tomar. Uma posição que, no fundo, constitui um ato de protesto contra o peso que estes parâmetros de avaliação têm na classificação final dos juízes. Actualmente, os testes representam 5% da nota final, percentagem que os homens do apito consideram ser elevada. O que pretendem, segundo apurámos, é que os referidos testes tenham um peso menor, semelhante a um jogo de futebol. A falta de acordo levou a que não se tivessem realizado os exames. Os árbitros acabaram por deslocar-se a Tomar e de lá saíram sem terem cumprido essa tarefa. Posto isto, a realização das provas escritas e físicas foi adiada para o próximo dia 24, igualmente em Tomar. Até lá, o Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol irá reflectir sobre o assunto, existindo da parte dos árbitros a esperança de ver reduzida a percentagem da classificação final dedicada aos exames. Aliás, o CA, presidido por Vítor Pereira, terá mesmo prometido corresponder à exigência dos árbitros. Mesmo que haja acordo entre as partes, este não deixa de ser mais um factor a agitar um sector que tem dado que falar neste arranque de temporada...

A.G. / E. Q., in Record

sábado, 5 de setembro de 2015

Entrada à Benfica !!!

Benfica 29 - 22 ISMAI

Entrada muito forte, em poucos minutos decidimos o jogo, de tal maneira que na 2.ª parte até tivemos tempo para as habituais desconcentrações, sem que isso tivesse posto em causa o resultado!!!
O ISMAI venceu na Luz, o ano passado. Mudou de treinador, perdeu alguns jogadores, mas não são tão fracos, como pareceram naqueles primeiros minutos...
Como já era esperado o Belone, como lateral direito, entrou muito bem... depois do que tinha visto do Uelington com o Sporting, fiquei apreensivo, mas hoje pareceu-me mais solto, com alguns grandes golos!!!
O Dragan estreou-se hoje, depois de uma lesão... posso estar enganado, mas duvido que seja útil na defesa, no ataque precisa de maior entrosamento. O regressado Hugo Lima também recuperou da lesão... Falta o Semedo.

Com o play-off no Campeonato, temos tempo para melhorar. Temos muitos jovens, alguns ainda juniores com muito potencial, mas os jogadores mais valiosos têm que fazer a diferença...

Nove fora nada !!!

Rio Ave 0 - 9 Benfica

Goleada, num jogo que acabou por ser fácil, muito por culpa da atitude da equipa: os primeiros golos foram criados com pressão alta, mesmo falhando um penalty, chegámos ao intervalo a vencer 0-3 e podiam ser mais...!!!
No 2.º tempo, aumentámos um pouco o ritmo, e com a nossa rotação do banco, o marcador foi subindo com alguma 'tranquilidade'... continuamos a mostrar trabalho nas bolas paradas.
Destaco a adaptação do Fábio Cecílio, tem um estilo de jogo um pouco tímido, mas hoje voltou a marcar, e fez várias assistências... além da consistência defensiva, será importante no ataque. O Fernando voltou a fazer um grande golo, mas teve algumas falhas (desconcentrações) defensivas!!!
Além do Patias castigado, o Jefferson também ficou na bancada... O Mário Freitas, lesionado na pré-época, estreou-se hoje com alguns minutos...

Liberdade para Augusto Inácio!

"Diz toda a gente que um dirigente do Sporting, Augusto Inácio, se arrisca a três anos de prisão pelo crime confesso, de pirataria audiovisual. Parece, assim, ser perigoso e excepcionalmente castigador o mundo dos visionamentos online de jogos de futebol mesmo quando há razões ideológicas que sustentam o delito, tal como Augusto Inácio, afinal um simples borlista, explicou: "Eu não contribuo 'pó' Benfica TV."
Inácio é um tipo coerente que já em 2011, quando fazia campanha por Bruno de Carvalho, proclamava que com ele no Sporting "ninguém usará botas vermelhas". Ao que acrescentou: "E o ideal seria que todos usassem botas verdes", o que também se aceita em nome das liberdades na vertente fundamental do calçado. E, convenhamos, que mal faz? Vermelhas ou verdes, botas são botas e Inácio, como qualquer um de nós, tem as suas superstições.
No entanto, o que espanta na celeridade com que se produziu a sentença de três anos de prisão para o dirigente que se recusa a pagar serviços de um operador televisivo é, precisamente, a falta de celeridade, e até o desinteresse, com que os mesmos especialistas do Código Civil, e até os órgãos disciplinares da Liga de Clubes e da FPF, se debatem com um outro tipo de delito apontado a um outro tipo de dirigente do Sporting.
A verdade é que é fácil condenar num minuto o simpático borlista a três anos de cadeia por não contribuir com os 9,90 euros mensais devidos à estação do inimigo. Mas não tem sido fácil saber o que pensam estes mesmos juízes, tanto os amadores como os profissionais, e que sentenças têm nas suas imparciais cabeças para punir o clube e o dirigente do clube que, em 2012, já vai para três anos, contribuiu indevidamente com 2 mil euros na conta bancária de um árbitro nas vésperas de um escaldante Marítimo-Sporting.
A maior vítima desta situação de relaxo das várias justiças, incluindo a desportiva, é, obviamente, o Sporting. Como todas as nossas classes laborais, os árbitros abusam de um forte sentimento corporativo. Por isso, solidários com o colega indevidamente gratificado, conluiaram-se e andam a perseguir como malucos o Sporting enquanto não se fizer jurisprudência sobre o infeliz e quase já esquecido episódio Cardinal.
Perante mais esta singularidade dos nossos costumes, é nosso dever gritar: - Liberdade para Augusto Inácio!"

O desporto e o regresso à escola

"Tempo de regresso à escola. Na agenda principal da discussão, a colocação dos professores, o desemprego no sector, a precariedade dos contratos, a continuada redução de alunos, porque há cada vez menos jovens em Portugal. Ninguém parece interessado em recentrar a discussão nessa questão essencial da qualidade do ensino e da escola. Os jovens não têm voz nos media, e, verdade seja dita, muitas vezes não sabem, não querem, não se interessam por ter voz.
A escola continua a ser uma quinta do ensino, cercada por tradições, preconceitos e uma estranha sobrevalorização do que se poderia chamar as ciências avulsas.
A escola, no seu conceito, na sua relação com o mundo, na sua natureza formadora, continua a ter uma sensação de perigo quando se aproxima da liberdade, da inovação, do concreto.
A visão alcatifada em que, desde há muitos anos mergulhou a escola, refém dos seus pensadores de gabinete, há muito que lhe retirou capacidade para se renovar ao ritmo do conhecimento que o homem conquista nos mais diversos sectores, numa sociedade que, na prática, rejeita as vantagens de um ensino estereotipado e velho, obrigando qualquer licenciado a adaptar-se à vida profissional aprendendo na escola prática das organizações empresariais.
A escola precisa de se relacionar com o mundo e de acompanhar o seu natural crescimento. Para isso, precisa de sair da escola e de ter a coragem de abandonar os velhos e ultrapassados conceitos cartesianos. Basta ter atenção ao olhar da escola sobre o desporto, sobre a música, sobre todas as artes. Basta perceber como a escola faz questão em manter uma estúpida hierarquia do conhecimento, dividido por patamares de disciplinas, sem entender que o conhecimento é, afinal, tão inteiro como o corpo e o espírito no homem.
Por essa mesma visão ultrapassada, preconceituosa e decadente, a escola desvaloriza a importância do desporto no crescimento e na afirmação de personalidade dos jovens portugueses. Portugal tem, hoje, uma das maiores taxas de obesidade jovem na Europa, os nossos jovens não têm mobilidade, são descoordenados, têm níveis de sedentarismo inimagináveis, mas o poder político (não apenas este) e as direções de escola continuam a promover a desvalorização do desporto, reduzindo a níveis caricatos a carga curricular, defendendo a ideia de que o desporto interfere no estudo das disciplinas que interessam e demitindo-se de uma séria organização do desporto escolar à escala nacional.
Claro que poderíamos encontrar por aqui, nesta situação relapsa e indigente do desporto nas nossas escolas, uma das principais razões do definhamento da qualidade internacional da alta competição. Convenhamos, porém, que face à questão essencial, que é a questão educativa, a questão do crescimento inteiro dos jovens portugueses, a questão da formação do homem e da mulher modernos, a deplorável situação competitiva em que manifestamente vivemos, salvo honrosas exceções que beneficiam do talento e do investimento humano de alguns, é uma questão menor face à dimensão da sociedade portuguesa do futuro.
O que mais intriga é que professores e políticos não entendam que não é de desporto que se trata e muito menos de conseguirmos criar novos campeões dos estádios. O que está em causa é criar condições para termos campeões para a vida, para os difíceis e complexos desafios das sociedades modernas, cada vez mais exigentes no conhecimento, cada vez mais competitivas. E não é possível fazer nascer um homem moderno e preparado sem incluir o desporto (coletivo e individual) na sua formação, no seu crescimento."

Vítor Serpa, in A Bola

Boas-novas vindas de Espanha

"E depois da profunda decepção que se revelou a Volta à França, no que tange à presença portuguesa, em especial pela prestação e subsequente desistência de Rui Costa, bem como pela ausência de um vencedor nacional da nossa Volta, eis que na magnífica Vuelta ainda em curso dois corredores lusos se têm destacado de forma a roçar a exuberância.
Primeiro foi José Gonçalves, o qual, aliás, já tinha sido merecedor do maior destaque na nossa principal prova doméstica. Agora em Espanha confirmou, e até reforçou, o que parecem ser os seus maiores predicados, como a coragem e a combatividade (que não são sinónimas...), além do talento próprio, claro está. Atributos que já lhe poderiam ter rendido uma vitória. Mas ela acabará por chegar, é seguramente só uma questão de tempo.
Já quanto a Nélson Oliveira, o campeão nacional de contra-relógio, não se poderá falar, em bom rigor, de mais uma revelação, e muito menos de uma promessa. A verdade é que se trata de uma real e indiscutida confirmação, porquanto vem demonstrando, época após época, um desenvolvimento competitivo manifestamente sustentado, por exemplo ao nível do desempenho em alta montanha, conforme esta semana ficou comprovado, a título definitivo, com a contundente exibição na etapa rainha da Vuelta. E ainda está por disputar aquela em que se deverá tornar a todos patente a sua valência mais distintiva, a saber, a luta contra o cronómetro, em que conquistará o reconhecimento como membro efectivo do restrito clube dos melhores especialistas do mundo. A sua vitória de ontem foi assim, estou certo, a prova do amadurecimento de uma classe inata. E por isso apenas a primeira de uma carreira ascendente."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Selecção e clubes

"A nossa Selecção é hoje, na sua essência, uma entidade completamente diferente do que foi até há 20 anos. Antes da globalização, a Selecção assentava num clube - fosse o Sporting (no tempo dos 5 Violinos), o Benfica (no tempo de Eusébio) ou o FC Porto (mais recentemente). Depois da globalização, porém, deixou de haver um clube-base da Selecção. Os jogadores começaram a emigrar, e a equipa tornou-se uma manta de retalhos, com jogadores vindos daqui e dali.
Claro que, neste processo, também se ganhou muita coisa. Enquanto no passado os jogadores só estavam habituados aos despiques caseiros, passando o ano inteiro a jogar contra equipas de meia tigela, hoje os jogadores da Selecção portuguesa, actuando no estrangeiro, estão familiarizados com os grandes palcos. 
Fenómeno idêntico se passou com a selecção brasileira, embora noutra escala e com piores resultados. O Brasil fornece futebolistas para o Planeta inteiro, mas tem uma selecção fraca. E a Argentina, produtora de estrelas de primeira grandeza, também não consegue rentabilizar totalmente o seu imenso potencial humano. 
Entretanto, no Mundo globalizado, ainda há selecções que assentam em equipas de clube, com óptimos resultados. Estão neste caso a Espanha, que replica o modelo de jogo do Barcelona, e a Alemanha, que assenta no Bayern Munique. Somando perdas e ganhos, é indiscutível que a Selecção portuguesa, ao contrário da brasileira ou mesmo da argentina, ficou a ganhar com a internacionalização dos nossos jogadores. Esperemos que na Albânia esta realidade volte a confirmar-se... "


PS: Acreditando no Brunão, a actual Selecção nacional, é o espelho do Sporting... os resultados e as exibições parecem confirmar!!!