Últimas indefectivações

segunda-feira, 18 de julho de 2022

O Benfica e a Morte


"Juntar o Benfica a uma palavra - Morte - que historicamente foi passada a quase todos como sendo um assunto "tabu", é algo que poderá deixar algumas pessoas desconfortáveis.
Isto porquanto não entra no léxico habitual de grande parte das pessoas, talvez por desconforto, superstição ou eventualmente por nos (re)lembrar da inevitabilidade da mesma para todos nós.
Por tudo isto, ao que podemos eventualmente adicionar alguma tradição e antigos costumes, quando nos deparamos com a morte, normalmente de alguém que nos é próximo, a reação generalizada é de um certo desnorte. Não falo naturalmente do choque e tristeza pela perda, mas a incerteza subsequente acerca daquilo que o falecido gostaria em termos de cerimónia.
Perante o tema, é inegável a importância que o Benfica tem para muitos dos sócios e adeptos, um amor e ligação que, estou certo, muitos gostariam de ver relembrado e, se possível, eternizado.
É por isso habitual ver cachecóis, camisolas ou outros símbolos do Glorioso a acompanhar os seus adeptos em muitos momentos marcantes das suas vidas, seja em Portugal ou no estrangeiro, na praia, no cume de uma montanha milenar ou até debaixo de água.
Benfica é sinónimo de paixão intensa e são muitos os cânticos que fazem alusão a essa ligação "eterna", tais como as passagens "Benfica é nosso até morrer"; "sê-lo-ei até morrer"; "Benfica até morrer"; "para sempre, quero-te ver a ganhar"; "até morrer, Benfica até morrer"; "és o meu eterno amor"; "Benfica vais vencer, estamos contigo até morrer; "o amor da minha vida", cantados habitualmente com genuína emoção no apoio às equipas do Benfica.
Contudo, não existe nada que o Benfica proporcione aos seus adeptos quanto a este tema. Desconheço se nunca foi equacionado ou o motivo de não existirem alternativas, por isso fica dado o mote para que se pense neste ponto. Porque não o Benfica disponibilizar serviços relacionados com a morte de um sócio ou adepto?
As opções e possibilidade são várias, deixando desde já algumas: criação de um jardim da memória, com um memorial da eternidade "eternamente Benfica" com os nomes dos falecidos aí gravados para sempre; no início de cada época (creio que a Eusébio Cup seria apropriada) ler o nome de todos os sócios falecidos nesse ano com um enorme "minuto de palmas", possibilidade de criar um local de culto para velórios ou cerimónias junto ao Estádio; ponderar a existência de cemitério ou mausoléu em algum existente para acolher sócios falecidos no "cemitério Benfica", ponderar a possibilidade de ter alguém do Benfica presente nas cerimónias fúnebres, criação da "bandeira eterna", uma bandeira personalizada que acompanhe o caixão do falecido até á sua última morada, são alguns exemplos que merecem ser ponderados. Sem preconceitos e sem medo do inevitável.
Como já referi anteriormente, o Benfica não pode estagnar e deve estar na vanguarda do desenvolvimento de uma relação cada vez mais próxima com os seus sócios e adeptos. Sendo este um tema sempre sensível na sociedade portuguesa, conforme referi, terá de ser o Benfica o pioneiro daquilo que é obvio para muitos sócios e adeptos: querem ser relembrados no último adeus e se possível para sempre. Sem dramas e sem receios de inovar.
Por outro lado, e sem que sejamos tratados numa visão de "clientes", acredito que estes serviços e produtos serão uma nova e surpreendente fonte de receita para o Benfica a nível financeiro.
Tudo visto, haja determinação para avançar e recordar Cosme Damião: "Não sou Benfiquista de coração, porque esse um dia pára. ?Sou Benfiquista de alma, porque essa é eterna".
A morte trágica e prematura do jovem piloto André Serra, ocorrida há poucos dias quando combatia os incêndios, relembra-nos abruptamente como não controlamos esta aventura que é viver. E a fotografia do André com a camisola do Benfica vestida num momento claramente feliz da sua vida que circulou na comunicação social é particularmente impactante.
Sentidas condolências à família e votos que descanse em paz torcendo pelo Benfica no "quarto anel", com a certeza de deixar "aqui em baixo" uma nação agradecida pelo seu derradeiro sacrifício."

Águia: Fulham...

Benfica FM - Fulham...

5 minutos: Fulham...

Jogada coletiva e pormenor de David Neres em destaque na goleada do SL Benfica sobre o Fulham FC


"O SL Benfica voltou a vencer na pré-época. Encarnados golearam o Fulham FC de Marco Silva por esclarecedores 5-1. Existiram vários momentos interessantes, tanto a nível coletivo, como individual. Águias conquistaram a Algarve Cup.

O SL Benfica venceu o Fulham FC por 5-1, em mais um jogo de pré-temporada, disputado no Estádio do Algarve. Os golos da partida foram apontados por Rafa (3′), Gonçalo Ramos (21′ e 29′), Roman Yaremchuk (57′) e Henrique Araújo (64′) para as águias, já Mitrovic (61′) fez o golo solitário da equipa orientada por Marco Silva.
Entre os destaques do jogo está a alta pressão feita pelas águias, bem como este terceiro golo da equipa das águias, que resulta de uma bonita ação coletiva da formação de Roger Schmidt:

A destacar, agora a nível individual, há também este pormenor técnico interessante de David Neres pouco antes do terceiro golo dos encarnados:

O 1º esboço do Benfica de Schmidt


"As ideias do novo treinador do Benfica são já bem visíveis, numa equipa que começa a ganhar forma e que promete entusiasmar (o que é bem diferente de dizer que vá obter resultados). Contra o Nice, uma primeira parte de bom nível com o 11 próximo daquele que poderá ser o titular, e uma segunda parte mais fraca com vários jogadores que poderão nem constar do plantel.
Construção em 2+2. Laterais híbridos, mais baixos quando em construção mais baixa e/ou quando existe pressão adversária, e maior projeção quando o Benfica se começa a instalar em meio-campo contrário. Liberdade para os 4 de trás adotarem vários posicionamentos, com os médios a poderem montar no meio dos centrais, por fora ou a manterem-se à frente.


Procura por verticalizar o jogo, muitos jogadores em corredor central e maior agressividade ofensiva, com mais ataques ao espaço. Criação de dinâmicas de corredor lateral a 3 elementos, com apoios, rupturas e intenção de acelerar jogo.


Defensivamente, um 442 muito pressionante. Avançados de frente nos centrais, linha média muito alta (2 médios envolvidos na pressão em simultâneo) e linha defensiva com responsabilidade de seguir e “matar” jogadores entre linhas. Apesar das muitas recuperações de bola altas, pressão batida por algumas vezes e equipa exposta, ainda que a recuperação defensiva dos elementos eliminados tenha sido a uma velocidade de assinalar. Grande basculação defensiva que permite criar um lado forte com uma grande densidade de jogadores. Ainda assim, lado contrário muito permeável.


Por fim, nota para os diversos cantos curtos que o Benfica tentou, com combinações a 2, a 3 e até a chamar um 4º jogador."


Sangaré | A máquina que falta no miolo da fábrica de Schmidt


"Gostarias De Ver Sangará De Águia Ao Peito?

Ibrahim Sangaré continua a ser apontado ao SL Benfica, apesar de todas as notícias nesse sentido apresentarem sempre a ressalva de que o preço e a concorrência são fatores de grande peso e que poderão significar que este namoro de verão não será consumado.
Mas Roger Schmidt parece encantado com a possibilidade e o clube parece disposto a ir à luta pelo médio-defensivo.
Isto apesar das boas prestações de Florentino no centro do terreno, quer ao lado de Weigl, quer ao lado de Enzo. O técnico alemão parece gostar do médio português, mas não abdica da insistência na contratação de um futebolista que foi pedra basilar do seu PSV na temporada transata. E faz sentido.
Sangaré é um médio defensivo de grande raio de ação, com uma leitura excelente do seu posicionamento, com grande capacidade de desarme e de antecipação e com um incomum poderio defensivo.
Viria naturalmente para ser titular, mas tal não implicaria algebricamente um travão no crescimento de Florentino Luís, que teria na mesma as suas oportunidades numa longa e desgastante época, podendo ainda aprender com um dos melhores médios-defensivos do futebol europeu.
No entanto, para a vinda de Sangaré acontecer, muita gente teria que sair, a concorrência teria que mitigar o seu interesse e o preço pedido pelo clube neerlandês teria que ser diminuído de alguma forma. É difícil crer nesta contratação, mas seria uma das melhores dos últimos anos por parte dos encarnados."

Alexander Bah | A solução que se esperava há anos


"Como É Que Classificas A Contratação De Alexander Bah?

O lateral-direito Alexander Bah foi um dos reforços já confirmados pelo Sport Lisboa e Benfica para a temporada 2022/2023.
O lateral contratado ao Slavia de Praga custou sete milhões de euros aos cofres dos encarnados, depois de ter sido considerado o melhor defesa do campeonato checo na última época, contribuindo para a revalidação do título por parte da sua equipa.
Apesar de ter chegado como um jogador pouco conhecido para a generalidade dos adeptos do SL Benfica, os seus números em Praga deixaram muitos benfiquistas com expectativas elevadas em relação ao que ele poderia mostrar ao Benfica. E a verdade, é que os seus desempenhos nos primeiros jogos da pré-época parecem cumprir essas mesmas expectativas.
A posição de lateral-direito estava carenciada desde a venda de Nelson Semedo no Verão de 2017. Desde então, o SL Benfica contratou quatro laterais direitos (Douglas, Corchia, Gilberto e Lázaro), três dos quais a título de empréstimo, e ainda foram lançados os jovens Tomás Tavares e João Ferreira na equipa principal.
A gestão desportiva tem sido particularmente danosa nesta posição, vendo um SL Benfica a ser capaz de gastar valores de 15 ou 20 milhões de euros em avançados e apenas uns meros tostões em laterais, sem que nenhum dos contratados demonstrasse qualidade para ser o dono indiscutível da lateral-direita encarnada.
Com a recente contratação do lateral-direito internacional pela Dinamarca, o Benfica já mostrou fazer uma aposta mais séria na posição e esta aparenta ter tudo para dar frutos. Alexander Bah é um lateral que tem o perfil que encaixa perfeitamente no modelo de jogo de Roger Schmidt.
É um jogador com uma grande disponibilidade física e uma grande intensidade de jogo, que participa ativamente na manobra ofensiva da sua equipa, e que tem grande capacidade para sair na pressão à equipa adversária.
Mais importante que isso, a contratação de Alexander Bah é fruto de uma aposta que eu defendo que o SL Benfica deveria começar a fazer: a aposta em mercados periféricos do futebol europeu.
Existem outros campeonatos como o dinamarquês, o belga, o austríaco ou o suíço, que são ricos em jovens prospects disponíveis a preços acessíveis que estariam perfeitamente ao alcance do Benfica.
Levando os dirigentes do SL Benfica a desembolsar sete milhões por ele, Alexander Bah tornou-se no defesa-lateral mais caro da história das águias, situação que diz bem da má gestão desportiva na posição, bem como da mudança de paradigma que esta contratação significou.
Muitos adeptos podem achar que é um valor elevado para um jogador vindo do campeonato checo. No entanto, se formos ver os laterais mais caros da história do futebol português, verificamos que Danilo custou 13 milhões de euros ao FC Porto, Alex Sandro custou 9,5 milhões e Alex Telles custou 6,5 milhões, enquanto que Pedro Porro custou 8 milhões de euros ao Sporting CP.
Portanto, por estes valores dá para perceber que será preciso desembolsar alguns milhões de euros num lateral que tenha qualidade para entrar de caras no onze titular da equipa. Mas pelo potencial que demonstra, os sete milhões de euros investidos em Alexander Bah será um valor que irá sair muito “Bahrato”."

Vermelhão: Consistência...

Benfica 5 - 1 Fulham


Mais um excelente teste, confirmando as boas indicações anteriores, e desta vez, até a equipa da '2.ª parte' esteve bastante bem...!

Reacção à perda de bola fortíssima, e transições rápidas, jogando simples nos últimos metros! Parece ser esta a nova identidade do Benfica! Mas, na minha opinião a equipa tem melhorado, noutros 'departamentos': melhor posicionalmente quando tem que defender mais atrás, melhor quando a primeira linha de pressão é ultrapassada, melhor quando somos obrigados a fazer ataque de 'posição'!
Voltámos a marcar de 'bola parada', mas desta vez também sofremos de Canto...

Creio que nos próximos dias, vamos ter o plantel mais 'pequeno', estes jogos serviram para tirar algumas ilações. Os não utilizados (ou menos utilizados...) devem estar de saída... Apesar da insistência no 11 da primeira parte, parece-me que o onze ainda não está definido: apertado entre o Gil e o Bah; o Weigl, ficando, pode ganhar o lugar ao Tino; e na frente o Gonçalo está na frente (até porque na pressão é muito eficiente...), mas...; enquanto o João Vítor e o Veríssimo estiverem lesionados, os Centrais vão ser o Nico e o Morato! Na baliza, também me parece haver luta...; quando o Ristic regressar, também não sei quem será titular...

Dito isto, precisamos de opções para o trio de médios ofensivos (Neres, Mário e Rafa), o Henrique hoje jogou bem na posição do Mário, até pode ser que no Tugão sejamos obrigados a jogar com um ponta-de-lança naquela posição, mas para os jogos mais competitivos, precisamos de outro tipo de jogador... Repito, o Horta encaixa bem, mas não podemos ficar reféns... Como o Moreira deverá ir para a B, acho que precisamos não de 1, mas no mínimo 2 jogadores para aquelas posições!

Boa resposta do Neto, hoje. O Bernardo não tem estado bem, mas também quando jogou, tinha o Meite ao lado e o Pizzi à frente!!! Parece-me que o meio-campo estará 'fechado', só mesmo se o Weigl sair, e formos buscar alguém melhor!

Uma nota óbvia, para a melhoria dos jogadores que chegaram mais tarde, e que com o Nice fizeram os primeiros minutos da época, e como é habitual começaram imediatamente a serem 'trucidados' pelos próprios Benfiquistas!
Curiosamente o único que desde do 1.º segundo em campo, parecia que estava a jogar à meses, foi o Otamendi!!!

Quinta-feira, temos jogo na Suíça, com o Girona, se tudo correr bem, com a equipa mais definida!

domingo, 17 de julho de 2022

Análise ao mercado do SL Benfica


"Como É Que Classificas O Defeso De Transferências Das Águias?

Depois de uma época interna desastrosa e de uma campanha europeia em que até caiu de pé, o SL Benfica vive agora um período de grandes mudanças, quer no plantel, quer na sua estrutura. A entrada de Roger Schmidt, revela que os encarnados voltaram a apostar em treinadores estrangeiros, algo que não acontece desde a saída de Quique Flores.
Já em relação plantel, este parece longe de estar fechado. O treinador alemão decidiu levar 38 jogadores para o estágio em Inglaterra, já com a inclusão das contratações David Neres, que chega do Shahktar Donetsk sem nunca ter jogado um jogo oficial pelos ucranianos, Alexander Bah que vem do Slavia de Praga, Mihailo Ristic do Montpellier, Petar Musa do Boavista e o central João Victor do Corinthians.
O número elevado de jogadores em estágio, vem mostrar que são muitos os casos por resolver no plantel benfiquista, que recebeu 12 regressados de empréstimos, e ainda só conseguiu recolocar seis deles.
De entre os casos por resolver destacam-se o de Pizzi e Chiquinho, no caso dos que regressados, mas também o de André Almeida, Seferovic, Taarabt, Meité e Rodrigo Pinho. Já Ebuehi e Gabriel nem sequer entram nas contas, devendo mesmo estar para breve a sua colocação.
No que toca à atuação no mercado das entradas, depois dos cinco nomes que já estão integrados no plantel, as águias, após desistência da contratação de Reinier, já garantiram Enzo Fernández, ex-médio centro do River Plate que vem trazer grande expectativa para o futuro do futebol encarnado, tanto futebolística como financeiramente falando.
Até porque o próprio já fez saber que o SL Benfica é uma espécie de trampolim para se transferir para um clube maior. Algo que quem anda no futebol já sabe que assim funciona, mas que não é usual esta honestidade gritante.
Resumindo, o SL Benfica contratando um ponta-de-lança, um extremo direito, um médio para a faixa central, dois laterais (esquerdo e direito) e um defesa central, reforçou assim todas as zonas o terreno.
Contratações cirúrgicas, as realizadas por Schmidt e pela estrutura benfiquista com um único objetivo, voltar a levantar o troféu de campeão nacional, que foge das vitrines do museu Cosme Damião desde 2018/2019.
A meu ver, tanto em relação ao timoneiro, como em relação às entradas de jogadores, está no bom caminho. Colmatar a preponderância de Darwin na época transata e melhorar o desempenho do conjunto que atua no Estádio da Luz são os grandes desafios que o SL Benfica terá para a época que se avizinha a passos largos."

5 golos do SL Benfica dignos de Puskás


"Achas Que Estes 5 Golos Do SL Benfica Merecem Destaque Na História Encarnada?

O exercício é hercúleo mas nós tentámos, num esforço conjunto entre memória e pesquisa. Certamente que para trás ficaram muitos que nem televisionados foram – como o famoso remate de Eusébio em Turim, a 40 metros do golo – e portanto foram cartas fora do nosso baralho.
Outros, tão óbvios que dói – Carlos Manuel na final da Taça nas Antas, o primeiro e o segundo de João Pinto em Alvalade – ficaram no banco a descansar que era tempo de descobrir outros tão bons ou melhores.
Tentámos, a todo custo, conjugar a beleza do golo com a importância de todas as circunstâncias que o proporcionaram: e aqui estão, os cinco que não serão os de todos os benfiquistas, que estão convidados a discutir e a sugerir outros, mas um quinteto que merecia prémio.

1. Ricardo Gomes vs. Dnipro, Taça Dos Campeões Europeus 1989-90

 

Um central brasileiro em acrobacia a rematar ao ângulo num jogo europeu fora de casa. O vídeo podia ser o do golo de Luisão em Eindhoven frente ao PSV, em 2010-11, mas o de Ricardo Gomes é mais adornado no capítulo da classe do gesto e da trajetória da bola – directa ao ângulo superior, não em balão como aquela 21 anos depois.
No frio ucraniano, o golo de Ricardo foi a cereja no topo do bolo duns Quartos de Final manifestamente fáceis para o SL Benfica, que assim transitava rumo às Meias Finais e ao embate lendário frente ao Marselha.

2. Poborsky vs SC Braga, Primeira Liga 1998-99

 

O sprint de Rafa desta época não é original por cá. As semelhanças com o golaço do checo Karel são indesmentíveis.
E se a Poborsky já lhe reconhecia talento suficiente para sacar um destes da cartola, é preciso atentar o contexto para perceber como é que um golo consegue estar ainda hoje fixado na memória duma geração inteira: o Benfica passava pelo seu ‘Vietname’, era quarto na ordem de prioridades da Liga Portuguesa.
Nessa época, por exemplo, o Boavista, que ainda não era o Boavistão de 200, veio à Luz acabar com as esperanças de título com uns esclarecedores… 0-3 – e caminhava assim para a quinta época sem título.
Poborsky, junto a PreudHomme, JVP e Nuno Gomes, eram a única garantia que os adeptos tinham de que em campo jogava o SL Benfica e não qualquer outro clube equipado de vermelho. Um golo destes, no meio de tudo isto, justifica todos os elogios.

3. Lima vs Sporting CP, Primeira Liga 2012-13

 

O SL Benfica que tudo perdeu era bem mais entusiasmante que aquele que tudo ganhou: ou seja, o de 2012-13 jogava um futebol muito mais aberto e alegre que o de 2013-14, que compensava em eficácia e pragmatismo.
E se há lance que expõe o brilhantismo dessa época de má memória é o golo acrobático de Lima criado pelo tango de Salvio e Gaitán, os artistas de serviço que alimentavam o brasileiro e Cardozo, a dupla que acaba a temporada com… 63 golos faturados.

4. Eusébio VS La Chaux-De-Fonds, Oitavos De Final Da Taça Dos Campeões 1964-65


O vídeo deixa muito a dever aos standards qualitativos atuais no que toca á qualidade e nitidez, mas o essencial não passa despercebido: recepção orientada, chapelada no central francês e bolão na gaveta – o golo é uma réplica dum ainda mais famoso de Pélé, que chapelou dois antes de finalizar, mas não deixa de ser um lance de levantar o estádio.
O SL Benfica venceria o campeão suíço de 1963-64 por 5-0 (depois de empatar a um na primeira mão) e avançaria rumo aos Quartos, preparadíssimo para voltar a defrontar o Real de Di Stéfano, Puskas ou Amancio, o autor do golo de honra dos blancos no… 5-1 do Estádio da Luz. “Depois é que foram elas” comentava, e bem, Rui Tovar.

5. Vitor Paneira vs Boavista, Final Da Taça 1992-93

 

A época não havia começado da melhor forma com Tomislav Ivic no comando, Toni chegara a meio para salvar como tinha salvado em 1987-88, quando acabou por chegar à final da Taça dos Campeões.
O plantel de 1992-93, em qualidade individual, seria capaz do mesmo feito, se existisse a estabilidade de outros tempos: Mozer, Schwartz, Veloso, Kulkov, Paulo Sousa, Rui Costa, Futre, Pacheco, Paneira, Isaías, João Vieira Pinto, Rui Águas, Mostovoi, Yuran.
Ufa, tanta qualidade que teve a sua única demonstração de força na final da Taça, com o golo inaugural a provar que havia matéria para título europeu. Mas o SL Benfica estava do€nt€ e Damásio havia substituído Jorge de Brito…"

Benfica solidário com vítimas da vaga de incêndios


"O Sport Lisboa e Benfica expressa solidariedade a todos os que estão a sofrer com as consequências desta vaga de incêndios que assola o País e presta homenagem aos milhares de homens e mulheres que, de forma determinada e incansável, os procuram combater.
O Clube manifesta igualmente o seu profundo pesar pela morte do Comandante André Serra, falecido durante um combate a um fogo na região de Torre de Moncorvo, e cuja enorme dedicação cívica e bravura profissional a todos sensibiliza.
Através da Fundação Benfica continuaremos empenhados em diferentes iniciativas que ajudem a prevenir, mas também a mitigar os terríveis efeitos deste momento difícil que Portugal atravessa."

Bastidores: St. George...

Bigodes: Nice...

Fura Redes: Nice...

BI: Nice...

5 minutos: Nice...

Se fosse...


"As pessoas brincam e gozam, mas se fosse o FC Porto era penálti. Nunca esquecer a #ligadafarsa e os #40anosdisto.
O que se passou na época passada tanto na Liga Portugal como nos escalões de formação não se pode voltar a repetir. Os roubos foram absolutamente escandalosos.
Temos de estar unidos na defesa do Benfica!"

Darwin: Teorias que fazem espécie


"Já aqui o dissemos imensas vezes. O futebol é (ainda) um lugar sem misericórdia. E já que estamos nisto estenda-se o pensamento à globalidade. Não só o futebol como o Mundo no geral. Mas, sendo que o que nos interessa aqui é o futebol (que até dá um bom ponto de vantagem para como funciona o Mundo), fiquemo-nos só pelo campo e pela sua periferia (análises, comentários, opiniões nos média e redes sociais acerca do fenómeno). Pois bem, o que é isto de misericórdia? Normalmente temos um conceito muito mais épico de misericórdia, do género de alguém muito poderoso poupar a vida de alguém que não tem meio de defesa. E visto desse prisma tornar-se-á idiótico misturar misericórdia com futebol. Mas a verdade é que, mesmo aquilo que parece um Mundo glamouroso como o do futebol de topo e mesmo pegando-se num jogador que ganha milhões, pode haver, e sofrer-se de, falta de misericórdia. Isto porque a misericórdia é, nada mais e nada menos, do que ‘tirar-se uma foto’ de alguém e formular o argumento de que a pessoa (ou neste caso o jogador) não é, nem será, mais do que isso. E isso sim, é idiótico.
E a mais mediática vítima (desta semana) em relação a esse nefasto aspecto (que já está tão impregnado que nem o questionamos), é alguém com o nome perfeito para ilustrar esta temática. Darwin, neste caso o Nuñez, que sofre com as ramificações das teorias de outro Darwin, neste caso o Charles. Só os mais fortes sobrevivem e, neste caso, bastou um clip de 10 segundos para se tentar instituir o que Darwin vale e condená-lo à categoria de flop. Bem sei que adiante, os minutos jogados na derrota contra o Manchester United, parecem confirmar tudo isso. Mas também sei que quem rejubila agora com essas fotos tiradas a Darwin mais não quer do que ver confirmada a (sua) ideia inicial: a de que Darwin não é jogador para o Liverpool ou a de que Darwin é só aquilo a que já chegou (com os seus defeitos e virtudes) e pronto, por aí ficará – sendo mais fácil descer até uns degraus do que subi-los.
Falamos de Darwin como falaríamos de outro qualquer. Isto porque no futebol e na análise de algibeira tornaram-se hábito estes snapshots. Sendo que muitos dos que defendem a evolução do jogador são também aqueles que querem ver a sua opinião validada. Ora isto é bem simples. Havendo duas hipóteses (ou dá ou não dá, ou vinga ou não vinga) não há pensamento intelectual que seja assim tão necessário. O Zé da tasca pode acertar e o pé de microfone errar – ou vice versa. E o que os dois querem é, basicamente, dizer ‘eu bem vos disse!‘ Como se estivesse escrito na pedra que ‘já falhou‘ ou ‘já deu‘.


Por certo já devem ter dado conta que não estou aqui para dar a minha opinião sobre Darwin. Facto que se explica facilmente pela razão de que não faço, nem posso fazer, a mínima ideia se Darwin terá ou não sucesso na cidade dos Beatles (e nas outras onde o Liverpool for jogar). O que se pode tirar disto é perceber-se que, ainda não tendo acontecido, há milhentas condicionantes a ter em conta. E para cada uma delas um argumento a favor e outro contra. Bem sei que a algumas pessoas lhes dará jeito jogar este jogo mas enquanto o fazem nunca sairão da mente linear, da mente dualista do certo e errado. E mesmo que tenham criado um espírito forte que lhes permite jogar bem esse jogo, esse é um que nada tem que ver com o futebol em si. Ora Darwin tem dificuldades a jogar de costas. Tem algumas carências técnicas, de criação, definição e de finalização. Tem também condições excepcionais para se dar à finalização (especialmente partindo da esquerda) como tem um poderoso remate e é fisicamente impressionante a desgastar defesas (em vários momentos do jogo) como é impressionante a facilidade com que pode virar um jogo tal a quantidade de situações-chave que torna possíveis. Somando-lhe o modelo de Klopp em que é que ficamos? Ah sim, pode dar. Mas também pode não dar. Ok. E então agora o que é que se faz?
Fugindo às certezas absolutas (umas mais refinadas pelo mediatismo, outras mais brutas pelo algum anonimato das redes) importa também dizer que a análise não parte de um desejo. E ao formarem-se opiniões tão definitivas (mas sempre subjectivas), acontece que, depois, tudo o que se passar terá de caber nessa caixa. Por exemplo, esta semana tivemos Darwin a aparecer num treino e a falhar um golo. Vimo-lo depois a falhar outro, já num jogo. Mas se para a semana fugir à defesa e marcar e, de seguida, ganhar um duelo e assistir, em que ficamos? As duas facções vão sempre tentar encaixar qualquer ideia no statement que já fizeram. Vai uma aposta? E se já está pré-definido onde haverá então margem para evolução? E é aqui que o futebol foge e se distingue da análise fácil.


O texto foi escrito antes do Liverpool-Palace desta sexta-feira. E os momentos de Darwin no mesmo confirmam o tal mapa que se desenhou aquando da sua contratação pelos reds. Dificuldades em estender o raio de ação e servir de fixo, servido na profundidade como principal arma. A novidade (que não é assim tanta se nos lembrarmos da sua chegada à Luz) será já a carga emocional num jogo de pré-época. Demasiado ansioso para demonstrar e justificar o valor, o uruguaio terá que perceber que pode trabalhar nas dúvidas que tem e chegar a um balanço confortável na reação à pressão externa que carrega agora nos braços. E pegando no vídeo acima será fácil ver por onde começar. Porém, ao contrário da adivinhação que já se fez, a chave do seu sucesso estará ainda num limbo difícil de prever e dependerá da análise a essas reações (já bem visíveis no segundo jogo de pré-época) e na transcendência das mesmas. Bem sei que a pressão será: ou é perfeito ou não vale nada. Mas Darwin terá que estar acima dessa dualidade e apresentar-se o mais neutro e tranquilo possível. E a evolução começa aí. Ainda bem que tem Klopp com ele.

Tudo isto para dizer que em futebol isso interessa zero. Bola. E o futebol real está tão longe desse pensamento a preto e branco que deveria envergonhar quem, do lado de fora, o ‘analisa’ com a sobranceria de tudo saber e de tudo prever. Já aqui o disse: é impossível saber se Darwin (mesmo tendo falhado um golo no treino) terá sucesso. Mesmo que dê jeito a uma ideia preconcebida e que valide o ego de quem a adoptou, é impossível. E porque é que é impossível, meus caros?
Porque o que tornará possível ou impossível não é o mapa que nós desenvolvemos ao ver o Darwin jogar. É o território real que o comanda quando ele joga: a mente. E bem sei que conhecem o físico do Darwin, as fintas do Darwin (e a falta delas), as movimentações… e que alguns até conhecem tudo isto a um detalhe muito interessante. Mas o que vai definir muito do sucesso de Darwin são as suas reações mentais. E essas virão da ideia de si próprio (já que tanto se fala em identidade) e da abertura da mesma para evoluir. Como irão depender da ideia de si próprio em relação ao jogo (já que se fala tanto na mente) e das emoções (positivas ou negativas) com que vai forçar essas duas ideias anteriores no seu jogo. E na análise a esses três factores mentais estará muito do que o Darwin é hoje, como estará muito do que Darwin poderá vir a ser no futuro. E o que preocupa agora Klopp não é se ele vai dar já ou não, ou se der quando o vai fazer. O que Klopp se foca agora é no processo de crescimento e transcendência do jogador, e mesmo esse dependerá da abertura de Darwin e das suas reações a esta nova (e intensa a todos níveis) realidade. O trabalho com Darwin será esse, o de primeiramente acabar com qualquer dúvida na sua mente para que possa agir livremente e não reagir aos medos que advêm dessas dúvidas. E só transcendendo essas poderá estar liberto para agir e não reagir a tantas e tantas ‘fotos‘ que vão tirar dele dizendo: isto é o que o Darwin é! Mas o que o Darwin é, primeiramente, é alguém que pode perfeitamente pegar num aspecto menos evoluído e, com o devido trabalho, transcendê-lo. Isso é o que somos todos, embora as dúvidas disso (e a falta de misericórdia) tenham tirado fotos de todos nós para nos definirem limites. E o futebol (e sua periferia) não pode ir nessa cantiga. Há um processo com vista à evolução. Esse em futebol é importante (nuclear até), no totobola nem tanto. Mas como dizia o outro: com a medida que me julgaste a mim, já te julgaste a ti próprio!"

sábado, 16 de julho de 2022

Vermelhão: Sinais positivos...

Benfica 3 (5) - (4) 0 Nice
(Yaremchuk, Dias, Vertonghen, Tó Silva, Pizzi)


Mais boas indicações, essencialmente na 1.ª parte, onde jogámos bem e acabámos por concretizar... O resultado ao intervalo foi ligeiramente pesado, premiando o acerto nas bolas paradas do Benfica!
Mas a pressão alta, resultou... e hoje, notou-se melhorias no momento em que a 1.ª linha de pressão foi ultrapassada, com toda a equipa a 'fechar' no meio!

Apresentado num dia, titular no dia seguinte!!! O facto do Enzo, estar a meio da época, ajudou... mas acabou por jogar com companheiros novos, num esquema que não está habituado, numa partida que apesar de pré-temporada, foi jogada numa velocidade muito superior ao que ele estava habituado na Argentina, especialmente a forma como os Franceses também pressionaram no meio-campo!

Regresso do Otamendi, que 'adora' jogar na antecipação... bem coadjuvado pelo Morato, que me parece, será titular 'descarado'!
O Tino sabia que esta era a última hipótese de se fixar no Benfica, nas férias preparou-se para isso, mas além da questão física (que às vezes nas pré-temporadas pode enganar!), parece-me estar bastante melhor, no passe: tanto na velocidade com que larga a bola, como na 'decisão'!
Rafa nas suas sete quintas! Com os Extremos a jogar 'por dentro' como 2.ºs avançados (as linhas ficam para os laterais), o Rafa só tem que estar 'feliz', pois ele nunca foi um extremo de Linha...
Neres a demonstrar que será um desequilibrador ofensivo essencial... tanto na bola corrida, como na bola parada!
A aposta do Ramos como ponta-de-lança, indica que o Algarvio vai lugar com o Henrique e com o Chuk pelo lugar, e não na posição que tem sido ocupada pelo João Mário...

No 2.º tempo, as coisas mudaram, o Bah voltou a demonstrar qualidade... mas a imagem que ficou, foi da lentidão de alguns jogadores. Algo que pode ser 'fatal' tendo em conta o esquema de jogo do nosso treinador...
Pizzi e Vertonghen (1.º jogo), com muitas dificuldades... e o Meite com as habituais paragens cerebrais (inconstância constante...!!!). O puto Silva, vai jogar na B (com a entrada do João Vítor e depois do Veríssimo), mas ultrapassou claramente o Tomás Araújo (empréstimo será a melhor opção...)-
Entre o Chiquinho e o Pizzi, prefiro claramente o Chiquinho neste momento...
Pena a lesão do Ristic, que vinha a dar boas indicações...

João Vitor, Weigl e Musa, ficaram de fora por questões físicas.
Importante tomar 'decisões' no final deste Torneio... Dispensas urgentes!

Já agora, este Nice, ficou em 5.º lugar na Liga Francesa, à frente do Lyon, e a 5 pontos do 2.º lugar! Uma equipa do 'segundo pelotão' atrás do PSG, e que vai lutar pela entrada direta para a Champions! Portanto um adversário de valor...

A novela Horta, promete durar até ao último dia do mercado! É de facto pena, porque o Horta encaixa neste esquema que nem uma luva, e neste momento no trio de médios ofensivos (Rafa, Mário e Neres) não temos opções de igual valia no banco (o Moreira ainda está 'verde'). Mas por mim, o Benfica devia procurar opções, porque ao jogar com um ponta-de-lança, é essencial os jogadores do meio-campo ofensivo marcarem golos... E ficar 'dependente' do Salvador, neste mercado de transferências, é uma politica extremamente perigosa!

3 anos sem Jonas, 3 momentos marcantes


"Jonas Despediu-se Da Luz Há Três Anos E Há Quem Ainda Suspire Pelo Antigo Avançado Brasileiro

Parece que foi ontem. Mas na verdade, fez no passado domingo três anos que Jonas Gonçalves Oliveira, também conhecido por “Pistolas”, ou simplesmente Jonas, deixou o SL Benfica e encerrou a sua carreira como futebolista.
Dirão os mais nostálgicos que as saudades pelo brasileiro continuam a fazer-se sentir e não é para menos. Foi um jogador decisivo nos vários troféus que venceu pelo clube da Luz e o tetra-campeonato foi o ponto mais alto dessas conquistas.
Jonas deixou o Valência CF e assinou pelo clube encarnado no dia 12 de Setembro de 2014. Foram muitos os que na altura duvidaram do sucesso que podia ter em Portugal, ou não fosse conhecido no Brasil como o “pior avançado do mundo”, além da sua idade já a caminhar para a reforma que no mundo do futebol começa a partir dos 30 anos.
Mas cedo se percebeu que estávamos na presença de um craque e logo no jogo de estreia marcou o seu primeiro golo com a camisola das águias. Era o início de uma bela história de amor entre o avançado brasileiro e o SL Benfica que começou a crescer ainda mais no encontro seguinte para a Taça de Portugal, ao apontar um hat-trick frente ao SC Covilhã.
O resto da história daí para a frente já toda a gente conhece com golos para todos os gostos e feitios. Ganhou rapidamente a admiração dos adeptos, que mais tarde começaram a tratá-lo como um Deus, fazendo-lhe vénias quando marcava ou era substituído.
A velocidade não era de todo o seu ponto forte mas a sua astúcia, a técnica apurada e o seu sentido de oportunidade, faziam dele um avançado temível para qualquer adversário. Jonas era aquele tipo de jogador que aparecia sempre no momento certo para finalizar e revelava sempre muita calma na hora de atirar à baliza.
Mas o brasileiro não era só bom de bola e fora dos relvados era um homem bastante alegre e com um grande coração. Carregou muitas vezes a equipa às costas e foi nas costas que usou dois números enquanto jogador do SL Benfica. Primeiro com o 17 nas duas primeiras épocas e depois com a mítica camisola 10 após a saída de Nico Gaitán.
Jonas despediu-se da Luz em lágrimas no dia 18 de maio de 2019, onde fez o seu último encontro oficial com o manto sagrado. Haveria depois uma nova despedida, esta sim de fim de carreira, num jogo amigável que lhe serviu de homenagem.
Em cinco anos fez 183 jogos e marcou 137 golos, tornando-se no segundo melhor marcador estrangeiro da história do clube. Foi por duas vezes o melhor artilheiro da Liga e ajudou a conquistar quatro Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e duas Supertaças. Para trás, deixou um legado que ainda hoje está por preencher e parece não existir um sucessor à vista.
Passou por algumas fases menos boas mas foram mais os momentos positivos do que negativos e são esses que ficam na memória. Eis os três momentos que considero como os mais marcantes de Jonas com a camisola do SL Benfica.

1. Herói do Bessa deixou livre o caminho para o “Tri”
Há golos que valem campeonatos e na época 2015/2016 isso teve um significado ainda maior. Após o derby de Alvalade onde o SL Benfica passou para o primeiro lugar no campeonato com um golo também ele decisivo de Mitroglou, os encarnados estavam proibidos de perder qualquer ponto que fosse na reta final da Liga para não verem novamente o Sporting CP no topo da classificação.
No dia 20 de Março de 2016, a formação da Luz viajou até à cidade do Porto para defrontar o Boavista FC num jogo que se adivinhava e provou ser difícil. Quando toda a gente pensava que o encontro ia terminar num empate a zero, eis que aos 92 minutos, Jonas iniciou e concluiu a jogada para o único golo da partida.
De repente, o Estádio do Bessa transformou-se num vulcão encarnado em erupção e os minutos que se seguiram foram de autêntica loucura como há muito não se via. Sabia-se da importância que este jogo tinha para o desfecho do vencedor do título e só Jonas conseguiu encontrar esse caminho para a felicidade que culminou com a conquista do tricampeonato semanas mais tarde.
Este foi, muito provavelmente, o golo mais importante da carreira de Jonas ao serviço do SL Benfica.

2. O jogo do tetra e um chapéu para mais tarde recordar
O dia 13 Maio de 2017 vai ficar para sempre guardado na memória de todos os benfiquistas. Foi neste dia que o SL Benfica conseguiu, finalmente, alcançar o tão desejado tetracampeonato, uma proeza nunca antes conseguida na história dos encarnados.
As águias venceram o Vitória SC por 5-0 e Jonas foi uma vez mais um dos melhores em campo com um bis e uma assistência. Aliás, os dois últimos golos desse jogo foram da autoria do craque brasileiro que fechou com chave de ouro uma partida inesquecível.
Inesquecível foi também a forma como Jonas marcou o quarto golo da equipa, num chapéu perfeito ao guarda-redes vimaranense. Um momento de pura magia do antigo avançado que levou à loucura os 65 mil espectadores que encheram o Estádio Luz nessa tarde.

3. Golo 100
No dia 26 de Novembro de 2017, SL Benfica e Vitória FC defrontaram-se no Estádio da Luz em partida da 12ª. jornada do campeonato. Foi um jogo relativamente fácil para as águias que golearam os sadinos por 6-0, mas para a história fica o golo 100 de Jonas com a camisola encarnada.
Decorria o minuto 39 quando Pizzi bateu um pontapé de canto e meteu a bola direitinha na cabeça de Jonas para este atirar para o fundo da baliza e alcançar esse número redondo. O “Pistolas” foi mesmo considerado o melhor em campo nesse encontro, pois ainda marcou o golo 101 e fez uma assistência."

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica reitera o seu integral comprometimento e disponibilidade para uma total colaboração com a Justiça, à imagem do que sempre tem acontecido.
Em face da multa recentemente aplicada pelo Supremo Tribunal de Justiça, relativa a um atraso no envio de informação requerida pelas autoridades no âmbito do processo Lex, cumpre ao Sport Lisboa e Benfica clarificar:
1) O departamento jurídico do Sport Lisboa e Benfica foi notificado no dia 08/06/2022.
2) A resposta à referida notificação implicou uma compilação superior a 500 páginas (com consulta de muitas mais) e acesso a informação dispersa e sobre várias temáticas, com mais de 5 anos, a qual se encontrava já em arquivo.
3) A informação foi entregue, por via postal, no dia 07/07/2022.
4) No dia 08/07/2022 o Sport Lisboa e Benfica foi notificado para pagar uma coima de €306,00 e foi-lhe concedido um prazo de 5 dias para juntar a referida documentação. O que já tinha sido feito.
5) O Sport Lisboa e Benfica, no requerimento em que juntou os Documentos, colocou-se, como sempre faz, à disposição do Tribunal para esclarecer qualquer questão que fosse colocada no âmbito do processo, pelo que continuará a colaborar com a Justiça, como sempre fez.
6) O Sport Lisboa e Benfica não é arguido no processo em causa."

A paixão do desporto passa nos genes


"Um avô gigante, uma mãe exemplar e uma neta cheia de potencial são o rosto do râguebi do Benfica

É natural ver os filhos seguirem as pegadas dos pais, pois são o seu modelo enquanto indivíduo. No desporto, a probabilidade acresce, acabando por ser uma forma do filho se manter mais próximo do pai e um motivo de alegria para este.
Na família benfiquista, muitos foram os filhos que seguiram os pais. Mas há casos excepcionais em que a paixão passa pelo pai, pelo filho e chega à terceira geração, como se de um gene se tratasse, como é o caso de uma família benfiquista que tem o râguebi nas veias.
Tudo começou com Carlos Nobre, nome que se liga diretamente ao Benfica pelos anos que serviu enquanto jogador, treinador e presidente da secção. Em campo colocava a sua experiência, visão e capacidade de decisão. Em mais de 50 anos de dedicação, conquistou dezenas de títulos como jogador e treinador das equipas masculinas e femininas.
A sua filha, Sofia Nobre, seguiu as pegadas do pai e foi a principal impulsionadora da formação do râguebi feminino em Portugal, nos anos 80. Em 2001, esteve na frente do arranque oficial das competições femininas, na equipa que já representava, o CD Pescadores da Costa da Caparica. Em 2004/05, esta equipa passou a integrar o Benfica que, assim, deu início à secção feminina de râguebi. Com mais de 50 anos, Sofia Nobre é uma das atletas mais velhas no activo, em campo, em Portugal, e pelo Benfica conta com uma trintena de títulos em múltiplas variantes de râguebi.
A filha de Sofia, Matilde, neta de Carlos Nobre, nasceu já no século XXI e conta com o râguebi nos genes paternos também, pois Francisco Goes foi múltiplas vezes campeão na viragem do século pelo GD Direito. Ainda na barriga da mãe, terá 'treinado' até aos 6 meses de gestação. Aos 7 anos, tomou a decisão de praticar o desporto da família depois de ir com os pais a Inglaterra assistir ao Mundial de râguebi feminino.
Apesar da preocupação dos pais, Matilde Goes demonstrou ser uma criança com grandes aptidões e, depois de fazer a formação no antigo clube do pai, ingressou no Benfica nos sub-14. Ainda com 13 anos alinhou pela equipa sénior, com a qual conquistou o seu primeiro de cinco títulos: o Campeonato Nacional de Sevens.
Actualmente joga com a mãe na equipa feminina de râguebi encarnada, desejando 'manter a ligação umbilical que tem' com a modalidade que lhe está na família e no coração, muito antes de ter nascido.
Conheça estas e outras figuras que fazem parte da história do râguebi benfiquista na área 3 - Orgulho Eclético, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

sexta-feira, 15 de julho de 2022

2011 / 2022...

 

De Águia ao Peito, in Facebook

Enzo


Mais uma novela de Verão terminada, com a apresentação oficial de Enzo Fernández, como reforço do SL Benfica.
Mais um nome, que à partida, parecia impossível, mas que neste momento é jogador do Benfica. Nas últimas épocas, o Benfica aparentemente esteve interessado em jogadores do River Plate, mas houve sempre algum obstáculo que não permitia o negócio! Desta vez, apesar de todas as incertezas, tudo se resolveu...


Pessoalmente, acho que fizemos uma grande contratação. Um verdadeiro 'oito', um box-to-box, que defende, mas que também sabe atacar, e até marca golos com alguma regularidade, normalmente com remates de longa distância! Mas que também sabe, pautar jogo, com passes curtos e longos... e quando é preciso, também sabe driblar! Provavelmente, no futuro próximo titular da seleção argentina, no miolo!

Com o sistema de duplo-pivot que o novo treinador gosta, será essencial no sucesso da época. Vindo com ritmo de jogo, poderá ser fundamental nesta fase inicial, incluindo as qualificações da Champions!

St. George Park!!!

💬 Roger Schmidt [Münstersche Zeitung]:


"«Não sei se é o meu clube de sonho, é difícil dizer isso, mas é, sem dúvida, um clube especial. Senti-o desde o início, quando estabelecemos contacto. Estou em Lisboa há 2 semanas e consigo sentir a paixão e o amor que há pelo Benfica»."

Bom início do nosso treinador!

Treino!!!


"Disfarçar para quê? Já todos sabem que o Portimonense é o FC Porto B e que são 6 pontos garantidos antes do campeonato começar. Esta é só mais uma prova do que temos vindo a dizer ao longo dos anos e que se comprova todas as épocas. Por alguma coisa o Portimonense não vence ao FC Porto há 32 (!) anos.
A cereja no topo do bolo é o jogo-treino à porta fechada para treinar os lances estudados do FC Porto. Sim, lances estudados que ninguém pode saber, menos o Portimonense.
O futebol português é um lodo.

P.S.: Conceição utilizou dois onzes, ou seja, muitos jogadores devem ter ficado baralhados se jogavam pelo FC Porto ou pelo Portimonense, já que ambos os onzes pertencem na realidade à mesma equipa e só muda o nome."

A integridade do Desporto


"Sempre que usamos da palavra no espaço público gostaríamos de nos podermos circunscrever ao lado virtuoso do Desporto.
De falar apenas da excelência dos resultados, da qualidade dos atletas, da estética dos corpos em competição, das emoções vividas, da expressão cultural e formativa de uma atividade que Pierre de Coubertin queria que fosse de musculação moral ao serviço do desenvolvimento humano.
Só que para poder continuar a falar destes valores do desporto e da sua dimensão cultural e social, teremos de fazer como pedia Saramago: olhar; se possível ver e depois reparar.
E ao reparar reconhecemos um outro lado do Desporto: aquele que é invadido por episódios de manipulação de resultados, de apostas ilegais, de uso e tráfico de drogas, de infiltração criminosa, de corrupção, de tráfico de menores, de fraude fiscal, de branqueamento de capitais ou tráfico de influências que o usam para fazer florescer proveitos de origem criminosa.
A globalização do fenómeno desportivo, a sua mercantilização acelerada por um crescente volume financeiro e interesses de cariz económico e político, uma cultura de autorregulação que resiste ao controlo dos poderes públicos, tem exposto vulnerabilidades preocupantes da indústria do Desporto à permeabilidade das ameaças crescentes que corroem os seus pilares fundamentais.
A integridade, não tenhamos dúvidas, há muito está posta em causa e a sua violação é hoje uma das maiores, mais sérias e complexas ameaças que o Desporto enfrenta. Maiores pelos volumes financeiros que comporta. Mais sérias pela dimensão da rede de criminalidade organizada transnacional que opera com baixo risco e elevados lucros. Complexas pela sua dimensão global e sofisticação tecnológica.
A prevenção da criminalidade associada ao Desporto não pode ser algo que dependa do impulso de uma ou outra entidade, ou do proclamar de princípios éticos sem uma clara componente prática e, portanto, vazios de sentido.
Os agentes e organizações desportivas devem saber reconhecer, resistir e reportar estas ameaças às autoridades judiciais. Mas as organizações desportivas devem dar exemplo de boas práticas, adotando padrões de governação onde prevaleçam o bom uso dos recursos, a transparência e a integridade.
O Desporto nasceu fora da órbita do Estado. E essa circunstância tornou as organizações desportivas avessas ao controlo público. À tentação de criarem um "estado" dentro do Estado. De fazer coabitar dois direitos. Esse tempo passou. Não é mais possível voltar para trás.
As opiniões públicas não compreenderiam que, estando em causa relevantes interesses públicos, o Estado não regulasse, não supervisionasse e se necessário não punisse.
Esta é uma batalha sem tréguas para a qual todos estamos convocados e temos a perfeita noção que uma ameaça global desta índole requer o compromisso intransigente e empenhado de organizações que partilhem a mesma visão reformista e preocupação face à dimensão dos problemas que atravessamos.
Que cruzem as competências das organizações desportivas, com as dos governos, entidades intergovernamentais, órgãos de investigação e polícia criminal, reguladores e operadores de apostas, garantindo a reputação e credibilidade de patrocinadores, operadores televisivos e demais entidades cujos investimentos e marcas serão postos em causa se manchados por eventuais escândalos.
Se não soubermos preservar o Desporto, se formos incapazes de cuidar dos seus valores e princípios fundamentais, se não salvaguardarmos a sua integridade, se o não colocarmos ao serviço do desenvolvimento social e humano, todo o seu valor formativo se perde.
Porque se chegarmos aí o Desporto vira-se contra si próprio. Subverte a sua missão essencial, descredibiliza-se irremediavelmente perante a sociedade e compromete a reputação dos agentes e das organizações que desempenham aquilo que deverá ser um relevante serviço de interesse público."

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Bigodes: Enzo...

BI: João - Reading FC

'Maurice et Hippolyte'


"Maurice Garin, o primeiro vencedor do Tour, esperava ter como rival Hippolyte Aucouturier, mas este gostava demais de tinto

Aos 85 anos, Maurice estava muito confuso. Conta o seu médico particular que acordava sobressaltado e perguntava: «Onde é o controlo? Onde fica o controlo?». Era como se ainda continuasse sentado no selim da sua bicicleta a percorrer quilómetros e quilómetros pelas estradas de França. Muitas vezes saía de casa, sem ninguém dar por ele, e dirigia-se à esquadra da polícia de Lens, onde vivia. Chegando lá, perguntava ao agente de serviço: «O controlo é aqui?». Depois, com todo o carinho, havia alguém que o devolvia à procedência. Ficava sentado, a olhar pela janela, o olhar perdido no horizonte, ele que fora um vencedor de horizontes.
Maurice Garin foi vítima de uma daquelas ironias muito comuns na natureza: nasceu num lugar sem horizontes, o Vale de Aosta. Quando era menino, em seu redor só existiam os picos brancos dos Alpes. Arvier não é um lugar propriamente fácil para se nascer, ainda por cima no ano de 1871. A menos que se goste muito de vinho e se opte por ficar lá até à idade não para o beber, porque sopas de cavalo cansado a gente do campo enfiava pelas goelas dos seus petizes sem cerimónias, mas pelo menos até conseguir apreciá-lo condignamente. Afinal, pelas redondezas abundam as plantações de castas como Dolcetto, Gamay, Neyret ou Pinot Noir. Começou a trabalhar muito cedo. Era de uma família que não tinha para gastos. Foi limpa-chaminés em Reims, aí pelos seus 15 anos, para onde a mãe, Teresa Ozello, uma italiana, se escapara entretanto, para tentar uma vida um pouco mais longe das montanhas e sobretudo da morte já que deixara para trás o cadáver do marido, Maurice-Clément, e do filho mais velho, Joseph-Isidore. Maurice tinha muito para doer. E doeu-lhe até morrer.
Os dois irmãos mais velhos sobrevivos de Maurice, César e Ambroise, gostavam de bicicletas. Instalaram-se em Roubaix e abriram uma loja. Farto de passar os dias sujo de fuligem, Maurice seguiu-os até Roubaix. Não tardariam a ser, os três, ciclistas profissionais.
A primeira bicicleta de competição de Maurice pesava a ninharia de 16kg mais os seus pneus de borracha e respetivas câmaras de ar. Ainda como amador, pegou nela e pôs-se a caminho de Avesnes-sur-Helpes, a cerca de 25km de sua casa, para participar numa prova para o qual o tinham desafiado. Enfim, uma chatice. Chegou lá e os regulamentos só permitiam que corressem profissionais. Manhoso, ficou quedo. Deixou partir toda a gente e, pela calada, foi atrás, na perseguição das vedetas. Tal e qual acontece nos filmes, passou-os a todos e terminou em primeiro. A populaça que se juntou na linha de chegada ficou fascinada com o atrevimento do moço e levou-o em ombros. Já os organizadores não estiveram para palhaçadas e recusaram-se terminantemente a pagar-lhe o prémio de vitória de 150 francos. Maurice encolheu os ombros: tinha muito para ganhar daí para diante. O público, esse, não suportou a injustiça: fez uma vaquinha e angariou cerca de 300 francos. Campeão é campeão e merece ser tratado como tal.
No dia 1 de julho de 1903, à saída da primeira etapa da primeira edição da Volta à França, Maurice Garin estava no grupo dos favoritos. E ganhou! Não era mais nenhum saloio dos montes como lhe chamavam ao princípio. Ganhou logo no primeiro controlo, em Lyon, 467km depois da partida em Montgeron, nos arredores de Paris, mesmo em frente do albergue Reveil Matin, e ganhou no fim. Na altura, o intendente da capital francesa, o inefável Louis Lépine, um tipo francamente organizado e pouco dado a rodas pedaleiras, não permitia que os ciclistas rodassem nas ruas da sua cidade. O prémio de vitória por etapa variava entre 50 e 1500 francos. Os 14 primeiros a cortarem a reta da meta ganhavam desde 3000 para o primeiro até 25 para o último. Os restantes recebiam cinco francos por cada dia de corrida. 21 chegaram ao fim das seis etapas. 38 desistiram pelo caminho.
Toda a gente estava convencida de que o maior adversário de Maurice iria ser Hippolyte Aucouturier, um fulano que concitava a simpatia geral. Chamavam-lhe Le Terrible. Era um pândego. E um bocado fanfarrão. Queria era farra e viva lá o seu compadre. Não se coibiu de, nos dias que antecederam o início da prova, andar de festarola em festarola, escorropichando os seus copázios de tinto. Já Maurice, que era da terra do tinto mas preferia a cerveja, preparou-se com rigor. Por muito que tivesse lucrado 150 euros acima do prémio em Avesnes-sur-Helpes continuava com a lição entalada na garganta. Por falar em garganta, Hippolyte desistiu logo ao fim de 320km. Alguém lhe perguntou: «Que se passa?» E ele, a custo: «Estou bem. Da cabeça e das pernas. mas o estômago, meu Deus!». Pudera!"