Últimas indefectivações

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Gabriel Ìndio


Com algum atraso, aqui está o anúncio oficial da contratação do jovem zagueiro brasileiro! Chegou com 17 anos, fez 18 nos últimos dias, e só agora podia ser apresentado!


Já fez alguns minutos, e muito sinceramente gostei: é rijo, alto, agressivo, e com a bola no pé não é tosco, tem um estilo de posse de bola, pouco ortodoxo, mas sabe jogar... como se viu, no passe para o Olívio para o golo do Durán, contra o Belenenses!

Ainda no Brasil, sofreu um acidente que colocou a carreira em risco, e por isso acabou por sair do Flamengo, e só assim acabou por ficar 'disponível' aos cofres do Benfica. Mesmo assim, não foi barato, mas repito tenho gostado... e até poderá ser opção este ano, na rotação do plantel! Sendo que deverá ganhar algum ritmo, em alguns jogos da B...

Terceiro Anel: Gabriel Índio...

Pois é... então foste empurrado, por quem?!

Ameaças?!

Desdentado ao natural...!!!

Porque será?

Zero: Canto - Sofrimento crónico na ressaca de St. Gallen

Falar Benfica #254 - Derrota na Suíça, amigável e o jogo da 2 ª mão

Oliveira: Campeão?!

Tiki-Tasca #7 - "Suárez é melhor que Liedson

Zero: Mercado - Mastantuono é sonho do Benfica

BF: Cortes...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - NBA: Lebron James em Philadelphia, o que esperar?

Observador: E o Campeão é... - João Pinheiro mostrou que os árbitros deviam falar mais?

Observador: Três Toques - Golo de Sidny Cabral à Argentina é o melhor do Mundial 2026?

A Bola Não Mente - S01E61 - LEBRON NOS SIXERS!

SportTV: Grelha de Partida - S4E23 - O Rei das quedas

DAZN: Paddock Clube - Papaia é a melhor fruta para o verão

Renascença: Vasco Ribeiro...

Expresso: Infantino manda os críticos rezar e prepara-se para fazer o que quer na FIFA por muitos anos, dep...

Zeteo: The Real Winner of the World Cup? FIFA

Excluir para preparar para a vida?


"Nos últimos anos tenho sentido que existe uma ideia cada vez mais presente no desporto de formação: a de que excluir também educa. Que deixar uma criança no banco durante um jogo inteiro pode ser uma ferramenta pedagógica importante porque a ajuda a lidar com frustrações, adversidades e injustiças, preparando-a para aquilo que encontrará no futuro.
A intenção pode até parecer positiva, mas a questão que me surge é simples: estaremos realmente a preparar crianças para a vida ou estaremos, muitas vezes, apenas a justificar decisões que têm sobretudo uma lógica competitiva?
Querer ganhar nunca foi um problema. O desporto também é competição, ambição e procura de resultados. O problema surge quando essa procura pela vitória se esconde atrás de um discurso educativo que transforma todas as decisões em oportunidades de aprendizagem.
Se o objetivo principal é competir e ganhar, talvez a maior demonstração de respeito para com as famílias seja assumi-lo desde o primeiro dia. Explicar que existirão crianças com mais espaço, outras com menos, e que o rendimento imediato terá influência nas escolhas. O que me parece difícil de aceitar é receber o compromisso, o tempo, o investimento e o sonho de uma criança sabendo, desde o início, que ela terá muito poucas oportunidades para participar.
Há uma pergunta à qual continuo sem encontrar resposta. Tendo em conta a maturidade emocional de uma criança, a frustração constante de não jogar prepara-a realmente para o futuro ou poderá, em alguns casos, deixar marcas na forma como se vê a si própria?
Um adulto consegue, normalmente, separar uma derrota do seu valor pessoal. Mas será que uma criança consegue fazer o mesmo?
Também me faz pensar outra aparente contradição. Se a intenção é ensinar a lidar com frustrações, porque é que essa aprendizagem parece acontecer quase sempre com as crianças de menor rendimento imediato? As que demonstram maior aptidão não terão também de aprender a lidar com erros, fracassos, rejeições e dificuldades?
Na prática, parece existir uma curiosa distribuição da aprendizagem pela frustração. Uns aprendem no banco. Outros aprendem dentro do jogo. Mas serão estas experiências equivalentes?
A criança que joga erra, toma decisões, falha, sente as consequências das suas escolhas, ajusta comportamentos e tenta novamente. Aprende a lidar com a pressão, com o erro, com a responsabilidade e com a crítica. Cresce através da experiência.
Já a criança que observa durante longos períodos aprende, acima de tudo, a lidar com a ausência de oportunidade. E existe uma diferença importante entre sentir uma dificuldade e desenvolver ferramentas para a ultrapassar.
Talvez seja precisamente dentro do jogo que essa aprendizagem acontece. É aí que a criança falha um passe, perde uma bola, toma uma decisão errada, enfrenta as consequências e procura soluções. É nesse processo que desenvolve persistência, confiança e capacidade de superação.
A verdadeira preparação para a vida talvez não aconteça quando afastamos a criança da experiência, mas quando a colocamos dentro dela.
Porque ninguém aprende a gerir o erro sem errar. Ninguém aprende a lidar com a derrota sem competir. E ninguém aprende a ultrapassar dificuldades sem ter oportunidade de agir sobre elas.
No fundo, talvez a pergunta mais desconfortável seja esta: se acreditamos verdadeiramente que excluir educa, aceitaríamos essa lógica noutros contextos?
Na escola defenderíamos que um aluno com mais dificuldades passasse o dia inteiro sem participar, apenas a observar os colegas, para aprender a lidar com a frustração? Provavelmente não. Procuraríamos dar-lhe mais apoio, mais oportunidades e mais experiências de sucesso. Então porque é que, no desporto, tantas vezes seguimos o caminho contrário?
O desporto pode ser uma extraordinária escola de vida. Mas talvez não seja a exclusão que educa. O que verdadeiramente educa é a oportunidade de participar, errar, aprender e voltar a tentar."

O Tour de France é a aula de marketing que o futebol nunca frequentou


"O futebol gosta de pensar que inventou o negócio do desporto. Não inventou. Em muitos casos, apenas o tornou mais caro. Quem quiser perceber como se transforma competição em território, sofrimento em conteúdo, tradição em turismo e paisagem em valor económico devia olhar com mais atenção para o Tour de France.
A edição de 2026 começou a 4 de julho em Barcelona e terminou a 26 de julho nos Campos Elísios, em Paris. Foram 21 etapas, 3.320 quilómetros, 23 equipas, 184 ciclistas e quase 54 mil metros de desnível acumulado. O percurso atravessou a Catalunha e França, passa por montanha, contrarrelógios, etapas planas, cidades históricas e chegadas míticas como o Alpe d’Huez. Isto não foi apenas uma prova de ciclismo. É uma narrativa itinerante cuidadosamente desenhada para vender um país, uma cultura e uma experiência.
O Tour tem uma vantagem que o futebol raramente consegue explorar: não precisa de estádio para existir. O seu estádio é a estrada. O seu relvado são montanhas, aldeias, vinhas, castelos, pontes, praias e centros urbanos. Cada etapa é um jogo, mas também é um anúncio turístico de várias horas. Enquanto muitos clubes investem milhões para criar conteúdos digitais artificiais, o Tour produz diariamente imagens orgânicas, emocionais e globais. O produto é a corrida, mas o valor está muito para além da corrida.
Os números confirmam esta força. Segundo dados da organização, o Tour de France 2025 atingiu quase 150 milhões de espectadores na Europa, mais de 700 milhões de horas vistas em transmissão direta e 45 milhões de franceses a acompanhar a prova em direto na France Télévisions. No digital, o site oficial registou 33,2 milhões de visitantes únicos e mais de 102 milhões de visitas. Nas redes sociais, os conteúdos oficiais do Tour geraram 1,3 mil milhões de visualizações de vídeo, quase duplicando o valor de 2024.
Isto mostra uma coisa simples: o Tour percebeu que a audiência moderna não se conquista apenas com o resultado. Conquista-se com continuidade. Durante três semanas, há uma história todos os dias. Há heróis, quedas, recuperações, paisagens, sofrimento, estratégia, rivalidades e emoção. O futebol, pelo contrário, vive muitas vezes obcecado com os 90 minutos e esquece tudo o que poderia construir antes, durante e depois. O Tour vende o percurso. O futebol vende o calendário. A diferença parece pequena, mas é enorme.
Há também uma dimensão económica evidente. As partidas fora de França tornaram-se uma peça importante da estratégia comercial. Copenhaga, Bilbao e Florença terão pago cerca de seis milhões de euros cada uma para receber o Grand Départ, segundo fontes citadas pela AFP. Barcelona acolheu a partida de 2026, reforçando essa lógica de internacionalização.
Mesmo as cidades que recebem partidas ou chegadas intermédias pagam centenas de milhares de euros, porque sabem que compram muito mais do que a passagem do pelotão: compram exposição global, turismo, ocupação hoteleira, consumo local e reputação territorial.
Este é talvez o ponto que o futebol português devia estudar. Continuamos a discutir direitos televisivos, horários, arbitragens e contratações, mas raramente pensamos o campeonato como plataforma de território. Quantos jogos da Liga são usados para promover cidades, regiões, património, gastronomia, universidades, empresas ou comunidades locais? Quantos clubes transformam verdadeiramente o dia de jogo numa experiência de consumo, cultura e destino? Quantas vezes a televisão mostra Portugal para além do relvado?
O Tour de France não é perfeito. Tem problemas de sustentabilidade, segurança, desigualdade entre equipas e dependência de grandes patrocinadores. Mas tem uma lição poderosa: um evento desportivo vale mais quando deixa de vender apenas desporto. O Tour vende França. Vende Barcelona. Vende montanha. Vende dor. Vende memória. Vende verão. Vende uma ideia de aventura que começa muito antes da meta e continua muito depois da camisola amarela.
O futebol tem melhores atletas, maiores salários e mais dinheiro. Mas nem sempre tem melhor produto. O Tour de France lembra-nos que o desporto mais valioso não é necessariamente aquele que tem mais estrelas. É aquele que sabe contar melhor a sua história. E nessa etapa, o futebol ainda vai muitas vezes a reboque."

A procissão vai no adro


"1. Perdoem-me voltar a um assunto da época passada, mas já se percebeu que o assunto vai continuar na ordem do dia nesta época e nas épocas vindouras, mantendo-se tudo na mesma num setor específico do futebol português. A arbitragem.

2. Não é necessário falar em nomes. São do domínio público os artifícios da arbitragem do jogo Famalicão-Benfica, que custou ao nosso clube a presença na Liga dos Campeões e, como se não bastasse o prejuízo, são do domínio público os artifícios do relatório do juiz da partida que, referindo episódios que só ocorreram na sua imaginação, viu-se repreendido pelo CD da FPF.

3. Face aos danos causados, a repreensão por escrito será um castigo ridículo na perspetiva dos benfiquistas. Na perspetiva do árbitro em causa e de uma dezena de colegas seus da mesma associação, é um castigo intolerável. Vai daí, zangaram-se as comadres com a APAF por não ter defendido convenientemente o árbitro-protagonista e o seu relatório-imaginativo.

4. Dizem agora que vão sair de sócios da APAF, que é o organismo associativo dos árbitros portugueses. Mais valia não saírem da APAF, onde estão tão bem, e sair da arbitragem, onde estão tão mal.

5. A época oficial ainda não começou em Portugal, mas o Benfica fez 2 jogos de preparação no Algarve e foi presenteado com duas arbitragens medíocres. A procissão vai no adro.

6. O suíço Haris Seferovic foi um dos muitos que passaram por cá e que por cá foram campeões. Hoje tem 34 anos e joga nas Arábias. Foi entrevistado no início da semana por um jornal do seu país a propósito do confronto do St. Gallen com o Benfica na pré-eliminatória de acesso à Liga Europa que teve a sua 1.ª mão na quinta-feira [23 de julho]. Quando Seferovic fala do Benfica sabe do que fala. O suíço, que marcou 74 golos em 188 jogos com a camisola do nosso clube, “explicou” aos seus compatriotas o sentimento benfiquista que impera neste arranque de temporada: “O Benfica está furioso por não se ter classificado para a Liga dos Campeões neste ano. O objetivo deles será o título da Liga Europa.” Absolutamente de acordo, Seferovic. Mas “explicou” outras coisas que o marcaram no Benfica: “Às vezes eu tinha a sensação de que o clube era mais importante para as pessoas do que as suas próprias vidas.” Um abraço para o Seferovic.

7. Jhon Durán é um jovem internacional colombiano que chega ao Benfica por empréstimo, depois de deambular em vários continentes. Vamos acreditar que o Benfica é casa ideal para Jhon Durán ser, finalmente, Jhon Durán."

Leonor Pinhão, in A Bola

Assistências lucrativas


"CAMPEONATO DO MUNDO DE 1966, A PARCERIA ENTRE EUSÉBIO E TORRES FOI BEM-SUCEDIDA E O PRÉMIO FOI REPARTIDO.

No futebol, as equipas entram em campo com 11 jogadores e exige-se que atuem de forma associativa, organizada e sincronizada. Embora existam figuras que se destaquem pela sua qualidade, garra ou personalidade, é a força do coletivo que sustenta o sucesso duradouro. Ainda assim, muitas dessas dinâmicas constroem-se em parcerias decisivas: a solidez da dupla de centrais, a articulação entre laterais e extremos, a complementaridade no meio-campo ou a cumplicidade entre avançados.
Na estreia de Portugal numa fase final do Campeonato do Mundo, em 1966, Eusébio e Torres, companheiros no ataque do Benfica, transportaram essa parceria para a Seleção Nacional. No primeiro jogo, diante da Hungria, aos 89 minutos, na sequência de um canto cobrado por Eusébio, Torres confirmou o triunfo luso por 3-1. Frente ao Brasil, na 3.ª jornada, os papéis inverteram-se: aos 26 minutos, “Jaime Graça apontou o respetivo livre, por alto e cruzado. Na meia-esquerda, Torres elevou-se bem e cabeceou para […] Eusébio, que se antecipou também a Orlando e, com um oportuno golpe, aplicado com a testa, levou o esférico às malhas”.
Nos quartos de final, perante a Coreia do Norte, num dos encontros mais memoráveis da história dos Mundiais, o “Bom Gigante” voltou a ser determinante. Aos 42 minutos, quando se preparava para finalizar isolado, foi derrubado por Shin Yung-Kyoo dentro da área. Da grande penalidade resultante, Eusébio marcou o seu 2.º golo numa partida em que acabaria por assinar um póquer, liderando uma recuperação épica.
Mesmo na derrota das meias-finais, frente à anfitriã Inglaterra, a dupla voltou a sobressair. Após um cruzamento para o 2.º poste, Torres cabeceou com perigo e obrigou Jack Charlton a intercetar a bola com a mão. Eusébio converteu novamente o castigo máximo, alcançando o 8.º golo na competição. No encontro de atribuição do terceiro lugar, diante da União Soviética, Torres conquistou mais uma grande penalidade, prontamente transformada por Eusébio.
Com 9 golos, o avançado sagrou-se melhor marcador do torneio. Contudo, o espírito de parceria foi além das quatro linhas. Ao receber o prémio de mil libras (80 contos) pelo feito, Eusébio cumpriu o pacto estabelecido com Torres, “que nisto dos golos, o que marca mais, conta sempre com o outro”, e deu 10 contos ao “Bom Gigante”. O gesto simbolizou uma amizade e cumplicidade raras, em que o sucesso individual nunca se sobrepôs ao coletivo.
Saiba mais sobre este e outros feitos na área 24 – O “Pantera Negra” e Outras Lendas, no Museu Benfica – Cosme Damião"

António Pinto, in A Bola

Si, se puede


"Acabou o Mundial da América. Do Norte, geograficamente fa - lando. Ganhou a Espanha. E bem. Não só foi a equipa mais competente, como também a que soube usar melhor quase todos os jogadores convocados por Luis de la Fuente. O antigo lateral-esquerdo do Atlético de Bilbau, do Sevilha e do Alavés mostrou-se um gestor de homens e de egos, recorrendo a profissionais de clubes de meio da tabela do campeonato espanhol para compor o ramalhete das oito estrelas do FC Barcelona. Do Real Madrid não foi nenhum, mas conseguiram fechar negócio com Cucurella já ao serviço da seleção. Contas feitas, assim se fez uma equipa e não um conjunto de jogadores. Foi justa a vitória, por muito que estivesse a torcer pela Argentina. As minhas raízes familiares falam sempre mais alto nesses momentos, mas, de facto, o título está bem entregue. Se é assim no que diz respeito ao futebol, a vitória é ainda mais merecida se olharmos para os atuais indicadores sociais e políticos de ambos os países. Aí, a Espanha goleia em vários campos. Do lado ibérico, um país inclusivo, com boas práticas, respeito pela diferença e indicadores de crescimento assinaláveis e elogiados. Na outra metade do terreno, um país liderado por um louco que ouve vozes e está a levar as classes baixa e média argentinas para um poço sem fundo. E a entregar o troféu e a querer ficar na fotografia, outro alucinado. Nem o espetáculo do intervalo, a apelar ao amor global, conseguiu fazer esquecer o cenário de perseguição, mentira generalizada, belicismo e divisão nos EUA de Trump, da ICE e dos seus apoiantes. Os cofres dos organizadores devem ter ficado bem cheios, mas a maioria dos adeptos de coração não pôde lá estar a assistir, com preços proibitivos e vistos de entrada sempre em perigo. A mim, este Mundial não deixa saudades. Foi tudo demasiado plástico e descartável. Valeram Espanha, Argentina, Cabo Verde e Noruega para mostrar paixão e qualidade."

Espanha exemplar


"A merecida vitória da Espanha no Mundial confirma uma verdade muitas vezes esquecida: o futebol é um desporto de equipa.
A Argentina tinha porventura a maior estrela. A França tinha o maior conjunto de estrelas. Outras equipas tinham também as suas individualidades. Portugal teve uma estrela cadente e alguns grandes jogadores espalhados pelo campo sem critério. Aquele que era tido como o grande craque da selecção espanhola, o jovem Lamine Yamal, começou o torneio a recuperar de lesão, e só a espaços mostrou a sua classe. O que a Espanha mostrou sempre, a tempo inteiro, foi um bloco muito sólido, tacticamente bem trabalhado, que em 8 jogos apenas sofreu 1 golo, e que, com as suas movimentações, com rotinas criadas desde há muito (das camadas jovens até à selecção principal), se superiorizou, um a um, a todos os adversários que foi encontrando pelo caminho – entre os quais, como sabemos, a equipa portuguesa. Aliás, já no último Europeu, com o mesmo treinador (um homem bastante discreto), e com um onze praticamente igual, os nossos vizinhos ibéricos haviam levado a melhor. São agora campeões da Europa e do Mundo com todo o mérito.
Uma equipa de futebol assemelha-se a uma máquina, que necessita de 11 peças (e naturalmente de peças suplentes), cada uma com a sua finalidade – as quais, se colocadas nos sítios certos, constroem um todo mais forte do que a soma das partes. Não adianta juntar peças de ouro ou de prata se a máquina não estiver bem desenhada e oleada. Sendo que o desenho perfeito demora tempo a fazer.
Isto é válido também para o nosso Benfica, que precisa agora de desenhar a sua máquina de novo. Para isso, não necessitamos de peças de ouro, mas sim das peças certas. E, naturalmente, de tempo para olear as rotinas, e construir o bloco sólido e ganhador que todos desejamos."

Luís Fialho, in O Benfica

Editorial


"1. “Virar na Luz” é o título de capa deste jornal O Benfica e o mote para o jogo da 2.ª mão com a equipa suíça do St. Gallen. O treinador Marco Silva é elucidativo: “A nossa obrigação é dar a volta, é o que vamos fazer.”

2. Nota de relevo para a reportagem que apresentamos nestas páginas sobre o Benfica Institute for Sport Excellence. Uma plataforma aberta ao conhecimento, à investigação e à inovação. O objetivo passa por partilhar com a sociedade, instituições de ensino e outras organizações corporativas o que de melhor o Benfica sedimenta em termos de desenvolvimento de talento, num saber-fazer que coloca o Benfica Campus como a melhor academia do mundo. Uma iniciativa pioneira num projeto que posiciona o Benfica na vanguarda da formação.

3. Nesta semana, assinalamos igualmente mais um episódio da Zona Mística, com Diogo Rafael. Impressiona a humildade de quem durante 22 anos fez história no Benfica e deixou um legado de dedicação, títulos e benfiquismo. Um percurso imenso que culmina com a entrega ao Museu Benfica – Cosme Damião de vários objetos que simbolizam uma relação especial. Diogo Rafael expressa na entrevista o imenso orgulho que foi ter envergado por mais de duas décadas o manto sagrado. O Benfica será sempre grato a Diogo Rafael por tudo o que nos deu. Para sempre um dos nossos! Vale a pena ler neste jornal e acompanhar nas nossas redes.

4. Ponto de luz para o trabalho com Inês Nunes, neste que é o fim de carreira de uma das atletas mais marcantes do polo aquático do Benfica. A frase-chave de um trajeto notável de uma heptacampeã: a estrutura do Benfica não é comparável à de qualquer outro clube."

Pedro Pinto, in O Benfica

Benfica que junta!


"A dimensão universal do Sport Lisboa e Benfica não se mede apenas pela sua história ímpar, pela estatura das suas figuras mais icónicas, ou pelo número e geografia dos seus adeptos. Mede-se também, como é próprio dos verdadeiramente grandes, pela sua capacidade de transformar a força do seu nome em proximidade, esperança e oportunidades concretas na vida comum.
É por isso particularmente importante que a mão solidária e firme do Benfica se estenda para lá de Lisboa ou mesmo de Portugal, sobretudo para os países de expressão portuguesa, com propósito e força transformadora. Quem o faz é a Fundação Benfica, garantindo aos sócios e adeptos que o seu Benfica, tão vibrante e envolvente nestes países, desenvolve projetos concretos de apoio humanitário e desenvolvimento social, tornando-se parte da sua sociedade civil e atuando com os seus pares em prol de todos. Partilhamos uma língua, uma história comum e uma identidade que aproxima, numa mesma pertença, comunidades separadas por milhares de quilómetros. Essa relação é uma oportunidade e mesmo uma responsabilidade para um clube do povo, que galvaniza o povo e os povos. Uma responsabilidade que pode e deve traduzir-se em cooperação, respeito e compromisso para o futuro.
Cabo Verde ocupa, neste caminho, um lugar especial. Na cidade da Praia iniciou-se neste ano o projeto Djunta Mon, promovido pela Fundação Benfica em parceria com a Fundação Dretu. O próprio nome encerra o essencial: juntar as mãos, mobilizar vontades e construir respostas com as pessoas, e não apenas para as pessoas. Mais do que uma ação humanitária e pontual, que também faz, o Djunta Mon é um projeto de desenvolvimento humano que pretende reforçar competências, criar oportunidades e apoiar crianças, jovens, famílias e comunidades na construção do seu próprio futuro. É esta lógica de continuidade que dá verdadeiro sentido à intervenção social da Fundação Benfica e é nela que radica a essência da Mística Benfiquista: a pertença e a conquista coletiva que valoriza cada um, a procura incessante da melhoria contínua, a verdade e a Justiça.
Quando o Benfica chega a Cabo Verde desta forma, não leva apenas um emblema reconhecido, leva sobretudo valores, responsabilidade e a vontade de estar presente onde a sua história e a sua comunidade também vivem. Porque falar português é também partilhar caminho, e ser Benfica é também juntar as mãos e a forma mais bela de transformar essa pertença em futuro."

Jorge Miranda, in O Benfica

terça-feira, 28 de julho de 2026

BI: Jhon Durán

Visão: S08E01 - Nova época, mesmas desilusões | St. Gallen, regresso, espectativas

Avençados Lagartos...

Avençados

Desejos proibidos!

Regime!

Palhaçada!

Muito interessante...

Surpresa?!...

Benfica: deixem jogar o Gonçalo!


"A época passada acabou mal, a nova começou pior e na Luz não há tempo para esperar. Equipa grita por sangue fresco e irreverência e ontem era tarde para apostar, de vez, em Gonçalo Moreira

A única boa notícia que o Benfica trouxe do horripilante jogo em St. Gallen foi a possibilidade de, na quinta-feira, na Luz, dar a volta à eliminatória para evitar um dos maiores vexames europeus de que há memória, mas só o facto de a passagem a uma 3.ª pré-eliminatória de Liga Europa estar em risco é revelador do estado de desgoverno a que chegou o clube.
Desde 24 de maio, data da final da Taça de Portugal, que o Benfica sabia que arrancaria a temporada muito cedo e, dois meses volvidos, quase tudo continua por resolver no mercado. É difícil de compreender, por exemplo, que António Silva esteja a jogar com a braçadeira de capitão, quase por favor e com o selo de vendido por não haver outra opção ou que Tiago Gouveia seja utilizado na Suíça horas antes de ser transferido para o México. Na Luz, a temporada 2026/2027 nasce torta e o Benfica parte muito atrás de FC Porto e Sporting para ela.
Ao deixar a segurança do Fulham e o prestígio da Premier League para ser a última boia de salvação de Rui Costa, Marco Silva saberia do monstruoso desafio em que se estava a meter, mas, estou certo, ao meter a mão na massa, é que se terá feito o clique do quão difícil será recolocar o Benfica no caminho certo. Se do planeamento da estrutura quase nada de bom o treinador pode esperar, há, para lá do urgente regresso dos mundialistas, outras notícias de quem já cá está que poderão ser animadoras. José Mourinho fez-lhe vista grossa na época passada (um mísero minutinho em campo, contra o Nacional), mesmo com a equipa a definhar, mas há muito que Gonçalo Moreira merece outro tratamento e pode ser ele o farol de que a equipa precisa.
Aos 20 anos, Gonçalo está na fase em que ou é aposta, ou pode ficar no baú dos esquecidos como tantos outros, e com Sudakov a ser um fantasma da versão do Shakhtar Donetsk, pode ser a hora dele. É certo que a amostra ainda é curta, foi apenas um jogo-treino com o Belenenses, da Liga 3, mas há uma energia contagiante, rapidez de processos e leitura de jogo que não enganam.
Gonçalo Moreira é daqueles que fazem a equipa andar e, hoje, os dedos de uma mão chegam para contar os jogadores do plantel do Benfica com essas valências. Não é por ser da formação que tem de jogar, naturalmente, mas o Benfica até nem se deu mal quando apostou em Ferro, Rúben Dias, Gedson, Florentino e João Félix (2019), ou em António Silva e João Neves (2023), certo?"

Dia 30 está já ali…


"Dizia, com muita piada, o Luís Afonso, no excelente ‘Braba e Cabelo’, a propósito do jogo do Benfica na Suíça, que «nunca há uma segunda oportunidade para deixar uma primeira boa impressão.» O que há é uma segunda-mão que pode colocar o comboio encarnado nos carris, para a grande viagem que o espera em 2026/27. Eliminar o St.Gallen deve ser, acima de tudo, para os da Luz, um ponto de honra.

Quis o destino, em forma de surpresa a que chamou Torreense (foi surpresa, sim, mas feita de mérito e superação!), que Benfica e SC Braga tivessem que fazer de jogos oficiais de acesso a competições europeias, jogos de preparação.
Mais penalizados os da Luz - que para agravar a situação têm sido pouco lestos no reforço do plantel - do que os de Braga, em função do Campeonato do Mundo, cada um a ter de fazer pela vida porque não há calendário que lhes valha como desculpa, em caso de insucesso. Para já, o conforto dado por uma vitória fora mora na Pedreira, enquanto que se sente o fervilhar da nação encarnada, após a derrota (e sobretudo a forma como perdeu) na Suíça. No final do St. Gallen-Benfica, o treinador germânico dos helvéticos teve uma frase bem humorada, a que o Benfica deve agarrar-se: «É pena que haja segunda volta.»
O jogo da próxima quinta-feira, onde Marco Silva contará com mais umas gotas do conta-gotas que tem sido a disponibilidade dos seus jogadores, deve ser encarado pelos encarnados como a final que é, para a Liga Europa, claro está, mas sobretudo para o prestígio europeu do clube.
Recordo que há pouco mais de um ano o Benfica registou, na Luz, o pior resultado do seu longo percurso na UEFA, ao perder (depois de estar a vencer por 2-0) com o Qarabag por 3-2, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mais tarde, o golo de Trubin ao Real Madrid levaria a equipa de Mourinho à fase a eliminar, onde viria a cair aos pés dos merengues. Mas se não há detergente que limpe essa nódoa no currículo, frente aos azeris, o mesmo pode ser dito de uma eventual eliminação pelo St. Gallen.
Li várias declarações de personalidades do universo encarnado a queixarem-se da falta de atitude dos jogadores, na Suíça. Não concordo, via-se que a entrega ao jogo era boa e a vontade de ganhar, muita. O que faltou - e faltou mesmo - foi personalidade para ter bola e mandar no jogo, houve jogadores que se esconderam (e quando a cabeça não ajuda e as dúvidas se instalam, o caldo está entornado…), obrigando outros a saírem de posição para darem linhas de passe, e alguma descoordenação defensiva no jogo aéreo.
Nada disto teria o impacto que se conhece se os jogos fossem a ‘feijões’, como seria normal nesta fase da pré-época. Mas não são. E a segunda-mão frente ao St. Gallen é uma oportunidade perfeita para aqueles que têm mais responsabilidades darem um passo à frente, mostrando o caminho aos ‘rookies’, e outros deixarem de acusar tanto o peso da camisola. Por muito bons que sejam, se a camisola lhes pesar demais e tolher os movimentos, o melhor mesmo é encontrarem futuro noutras paragens. Depois, há a questão política, reavivada por uma época insossa, e por várias decisões questionáveis: se o campo de batalha das várias fações for o interior das quatro linhas, procurando atingir Marco Silva para fragilizar Rui Costa, não tardará e ouvir-se-ão justificados sinais de regozijo vindos de Alvalade e do Dragão. O ex-treinador do Fulham merece, pelo crédito que conquistou, que lhe deem tempo para apresentar serviço, precisando, para isso, pelo menos, de ter o plantel completo à disposição. Pois é. Mas quinta-feira já está à porta…

CAPA
Tadej Pogaçar, a estrela que joga em equipa
Pogaçar já está junto de Anquetil, Merckx, Hinault e Indurain, no ‘clube do penta’ do Tour. Mas, na segunda-jornada do Alpe d’Huez, apesar de ser quem é, transformou-se em gregário de Del Toro, levando o mexicano, às costas, até ao pódio de Paris. Esta humildade, só a têm os grandes campeões. E é por isso que recebem, como retorno, tudo o que a equipa tem para lhes dar. E há quem ainda não perceba isto…

CARTAS
ÁS
Pedro Gonçalves
‘Pote’ já disse adeus a Alvalade, onde marcou uma época, com um futebol de fino recorte, deixando como imagens de marca muitas finalizações subtis, com passes para o fundo das redes adversárias, sem necessitar de rematar. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…

REI
Nélson Évora
O campeão olímpico de Pequim/08, sagrou-se campeão nacional do triplo-salto, aos 42 anos, com uma marca 1,71 metros abaixo do seu melhor. Louva-se a persistência de Nélson Évora, os 16m03 conseguidos, para a sua idade são respeitáveis, mas, pergunta-se, onde estão os sucessores?

DUQUE
Rui Costa
Bastou um jogo negativo do Benfica para se ver sob uma chuva de ataques e críticas, que prenunciam ventos e tempestades se a temporada não correr de acordo com as aspirações dos encarnados. Com a imagem desgastada, Rui Costa só pode responder de uma forma: ganhando.

FOTOLEGENDA
ALMA DE CAMPEÃO
Impressionante o número de adeptos que acorreram ao estádio do Dragão para a apresentação da versão de 2026/27 da equipa de Francesco Farioli. Foi perante casa lotada que o FC Porto derrotou o Aston Villa (nesta fase da temporada o resultado nem é o mais importante, o mesmo não podendo dizer-se do banho de confiança dado aos azuis-e-brancos), revelando uma coesão clubística que nunca deve ser subestimada. Sabendo-se que é sempre mais difícil renovar o título do que conquistá-lo pela primeira vez, a pronúncia do norte ecoou alto naquele que pode ser o primeiro aviso sério à concorrência…"

Ainda o jogo com o St. Gallen


"A liderança também se mede pela capacidade de controlar as emoções nos momentos de maior pressão. Porque, no futebol como em qualquer organização, a confiança contagia. Mas a insegurança também.
Um líder comunica permanentemente, mesmo quando não diz uma única palavra e a imagem de Rui Costa no final do primeiro jogo com o St. Gallen, levando as mãos à cabeça, transmitiu uma mensagem profundamente errada.
Se o presidente demonstra desespero ao primeiro jogo oficial da temporada, que mensagem recebe o balneário? Que confiança sentem os jogadores? Que tranquilidade transmite à equipa técnica? E que conclusão retiram os sócios, que procuram precisamente no presidente a serenidade que muitas vezes lhes falta?
Os líderes existem para reduzir a ansiedade, não para a amplificar. Existem para ser o ponto de estabilidade quando tudo parece incerto, não para exteriorizar as dúvidas que inevitavelmente todos sentem.
Um presidente pode estar preocupado. Pode até ter dúvidas. Mas há uma diferença essencial entre sentir essas dúvidas e comunicá-las, ainda que involuntariamente.
Foi o primeiro jogo oficial da época ainda com muitos jogadores ausentes. Quando se acredita no projeto e na forma como se preparou a época não há razões para levar as mãos à cabeça. A não ser que o líder já não acredite!"

DeLetra #46 - ⚽ Ronaldo vs Messi, mercado do Benfica e luta pelo título

SportTV: Mercados - Renovações na baliza?

Master: Mercado...

Zero: Mercado - Leão ainda espera por Irankunda

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - FC Porto apresentado: o que muda no dragão em 2026/27?

Observador: E o Campeão é... - O rumor do regresso de Darwin Núñez a Portugal é absurdo?

Observador: Três Toques - A fortuna de Bruno Fernandes dentro e fora de campo

Oliveira: Risco...

Parabéns, Museu Benfica – Cosme Damião


"Nesta edição da BNews, o destaque é o 13.º aniversário do Museu Benfica – Cosme Damião celebrado ontem.

1. 13 anos de serviço ao Benfica
O Museu Benfica – Cosme Damião celebrou o 13.º aniversário e assinalou a data com a abertura da exposição "O Manto Sagrado – Um Olhar sobre as Camisolas de Futebol do Benfica" e uma visita guiada temática.

2. Pré-época formação
Vários jogos de preparação realizados: os Bês defrontaram o Mérida; os Sub-23 mediram forças com os seus congéneres do Estoril; os Juniores tiveram embate com Os Marialvas; e os Juvenis foram anfitriões do Estoril.

3. Movimentações do defeso
Claudia Tarín, voleibolista internacional cubana, é reforço do Benfica. No andebol feminino, Patrícia Rodrigues renovou o contrato com as águias.

4. Líder
Vasco Vilaça terminou a 6.ª etapa, realizada em Londres, do World Triathlon Championship Series no 2.º lugar e mantém o 1.º posto no ranking mundial da modalidade.

5. Campeonatos de Portugal de atletismo
Esteja a par do desempenho dos atletas do Benfica nos Campeonatos de Portugal de atletismo.

6. Campeonatos Nacionais de natação
Confira o desempenho dos nadadores do Benfica.

7. Parceria
Conheça o protocolo assinado entre o Sport Lisboa e Benfica e o Grupo Sportivo de Loures no âmbito da formação de futebol.

8. Elite Training Camps
Foram 285 participantes de 50 países na 16.ª edição."

Tailors - Final Cut - S05E31 - Taarabt

Mochila: Macau...

DAZN: F1 - A primeira de LN1

ESPN: Futebol no Mundo #616

Chuveirinho #182

O Melhor!

O talento do jogador português


"O jogo de futebol continua a ser indiscutivelmente nos dias de hoje a modalidade desportiva de maior impacto na sociedade, capaz de orientar a imagem que a mesma representa, sendo muitas vezes por ela influenciada.
Quanto a mim, a essência deste tipo de jogo reside no seu caráter lúdico, apelando ao alertar para uma inteligência coletiva, numa exigente adaptação às múltiplas situações que a sua prática impõe. Daqui, emerge uma figura capaz de fazer despertar o prazer na concretização dos seus objetivos de conquista — o TALENTO.
As crianças e jovens bem cedo, através da prática do jogo espontâneo, aprendem a controlar as suas emoções, estabelecem uma partilha comunitária, de canseiras repetidas até ao limite, num envolvente desafio pela conquista do suor experimentado, numa paixão continuada.
Das praças, ruas, montes, caminhos, estradas em terra batida… sem árbitros, com um número de jogadores variável de acordo com o tamanho do terreno (mas quem mandava era o dono da bola), balizas marcadas com pedras sobrepostas, quantas vezes descalços, para não estragar a bola, sem hora marcada… tinha lugar o futebol de rua!...
Hoje, a maioria dos jovens cresce em ambiente marcadamente hostil para o desenvolvimento da sua criatividade. O contexto familiar e escolar carateriza-se por um clima de orientação intencional, com normas altamente restritivas, o aumento dum clima de desconfiança, a ausência de espaços livres em proximidade, a existência de uma ocupação repetidamente construída, em que os teclados são os primeiros mensageiros a um comodismo doentio, que sempre acaba por impor as suas regras.
Entretanto a formação emocional no seio familiar, da criança e do jovem, fica dependente do reconhecimento que lhe é prestado. Crianças e jovens mais reconhecidos e amados acreditam mais nas suas capacidades, enquanto as pouco elogiadas ou esquecidas, ou quando o elogio não está de acordo com a sua verdadeira evolução, entram em dúvida sobre si próprias, retraem-se e acabam por desistir das tarefas que lhe estavam confiadas.
A acrescentar o facto de ver certos pais, por um lado a alhearem-se completamente da prática desportiva de seus filhos, vemos outros, pelo contrário, a usar a pressão por comentários depreciativos com interferências no trabalho dos treinadores, utilizando expectativas elevadas, usando a proibição da prática desportiva como forma de castigo de um mau resultado escolar, acabando por causar um autêntico descontrolo emocional de quem tem pelo treino e pelo jogo uma das melhores prioridades para evoluir de forma qualificada.
Por outro lado, e no que diz respeito à escola, as atividades da educação física e o próprio desporto escolar encontram-se cada vez mais reunidas num dossiê de magras intenções, vendo aumentar-se cada vez mais uma iliteracia desportiva e que certos donos da verdade se gabam de aplaudir. Cargas horárias irracionalmente desajustadas. A disciplina de Educação Física, sendo obrigatória a sua avaliação, a partir de um determinado momento apenas servia para fins estatísticos (felizmente algo está a mudar). O desporto escolar com horários desajustados para o interesse dos alunos e em que os federados numa determinada modalidade participam com os não federados, não tendo estes a possibilidade de competir a nível mais elevado, entre outros aspetos…
Deste modo, o desporto vê-se confrontado com uma escola que muitas vezes não serve os verdadeiros interesses que lhe estão confiados, como seja a formação integral do jovem e que assim se vê mais disponibilizado para uma certa preguicite, renunciando ao esforço, ao suor, à dor, ao sacrifício, à perda de hábitos de trabalho em equipa, ao abandono da responsabilidade no cumprimento de regras, deveres e obrigações, da capacidade de emulação e superação para se tornar mais forte, mais ágil, mais resistente, mais veloz, mais inteligente, que pela prática desportiva convertida do pensamento em ação, pode fazer transbordar numa energia coletivamente consagrada.
Deste modo, os clubes vão-se preparando para dar respostas, criando academias ou escolinhas de formação desportiva, começando por inserir na sua marca o conceito verdadeiramente formativo, quer pela construção de estruturas básicas de qualidade garantida, quer com o recrutamento de treinadores pedagogicamente qualificados, recorrendo alguns deles, ao apoio de equipas na área médica, nutritiva, pedagógica, psicológica e social.
É evidente que por vezes se vai assistindo, aqui e acolá, a uma sistematização dum ensino pedagogicamente standardizado e, com uma agravante motivação para a tipificação para a clonagem de jogadores, com expectativas elevadas a curto prazo, mas excessivamente previsíveis a longo prazo, retirando-se ao génio e ao criador o seu verdadeiro espaço.
Por vezes opera-se uma demasiada tecnificação do ensino do jogo e do treino, constituindo um entrave à evolução inteligente do jogador, orientando-o para práticas descontextualizadas, que uma repetição constante aborrece e constrange.
No entanto, felizmente, algo mudou: o que se via há uns tempos a esta parte em matéria de treino, foi praticamente irradiado, isto é, obrigando os jovens atletas a cargas de treino barbaramente excessivas para as qualidades energéticas e funcionais dos atletas em formação, usando métodos utilizados pelos adultos, como se uma criança fosse um adulto em miniatura, dando origem ao vulnerável aparecimento de lesões, saturação, hipertrofias, que conduziam a traumatismos articulares, ligamentares e músculo tendinosos, culminando no esgotamento e, por fim, no próprio abandono.
Como dizia, os clubes estão cada vez mais apostados em capitalizar de forma humana, técnica e cientificamente os seus quadros no âmbito formativo. Os seus treinadores, numa larguíssima maioria ou são oriundos das universidades ou com grau de formação de treinadores compatível para as funções a desempenhar.
Sabem perfeitamente que em matéria de treino deve haver um respeito absoluto pelo grau maturacional do atleta e, por isso, a qualidade do treino tem obrigatoriamente de ser feita com a observação da idade biológica do atleta e não apenas recorrendo à idade cronológica, no sentido de evitar os perigos de uma especialização precoce. Sabem que têm de seguir as grandes etapas de desenvolvimento — da formação, iniciação, orientação e especialização até ao alto rendimento. Sabem que têm de ser pacientes e persistentes, tornado os treinos motivadores, criativos e organizados. Sabem que devem evitar as instruções de forma hostil ou primitiva, mas sempre de forma encorajadora. Têm consciência de que ganhar é muito importante, mas a capacidade de rendimento ainda se torna mais operante e sabem ainda que no seu diário de bordo tem que estar inscrito em letras douradas os valores da honestidade e a firmeza das convicções, procurando ser um educador, amigo, conselheiro, enfim, um modelo de comportamento exemplar, segundo o qual se permita corrigir sem ofender e orientar sem humilhar.
Desejo que na época que agora se inicia algumas destas recomendações façam parte do tesouro do seu crescimento, tal como refere Jorge Valdano (1998): «Jogar bem não chega quando não se ganha; ganhar não chega se não se jogar bem; jogar bem e ganhar não chega se não tivermos jogadores de grande nível e ao grande nível não chega, jogando apenas bom Futebol.»"

Tradições que valem mais do que qualquer troféu


"O futebol vive obcecado por uma única pergunta: quem ganhou? Os troféus respondem a essa pergunta. Os gestos respondem a outra, muito mais interessante: quem é, afinal, a pessoa que os conquistou?
É por isso que, muitas vezes, o momento mais bonito de uma conquista não acontece quando a taça é erguida, mas nos minutos que se seguem, quando já não há nada para provar e cada campeão escolhe, instintivamente, para onde vai. Há quem procure os colegas. Há quem procure as câmaras. Pedri, campeão do mundo pela Espanha no passado domingo, procurou o pai. Por instantes, deixou de ser um campeão para voltar a ser o miúdo que passava tardes a rematar penáltis no quintal, com o pai na baliza. Não era uma fotografia para as redes sociais. Era uma viagem ao lugar onde tudo começou. Uma tradição repetida a cada conquista, que representa a recriação de um momento da infância. É impossível não pensar numa ideia simples: talvez o verdadeiro troféu nunca tenha sido a medalha de campeão do mundo…
Praticamente ao mesmo tempo, outra imagem percorreu o mundo. Nico Williams recebeu a medalha de campeão e fez algo inesperado: saiu da festa, caminhou até às bancadas e colocou a medalha ao pescoço da mãe. Foi um gesto simples. Mas carregava quase quatro mil quilómetros de história. Décadas antes, os pais de Nico abandonaram o Gana em busca de uma vida melhor. Atravessaram o Saara, enfrentaram a fome, a sede, traficantes de pessoas, viram companheiros morrer pelo caminho e, já no norte de África, escalaram a vedação de Melilla para entrar em território espanhol. Não procuravam riqueza. Procuravam uma oportunidade e um futuro para os seus filhos.
Trinta anos depois, o filho mais novo devolveu-lhes tudo num único gesto. A medalha não era apenas dele. Era deles e há uma frase de Nico Williams que explica tudo: «Os meus pais são heróis.»
Talvez seja essa uma das maiores diferenças entre os grandes campeões e os restantes: os primeiros nunca confundem sucesso com origem.
Há uma razão para estas imagens correrem o mundo em poucos minutos. Não é apenas porque envolvem atletas de elite. É porque nos lembram que, por detrás da camisola, continua a existir um filho, uma mãe, um pai, uma família. Durante alguns segundos, deixam de ser ídolos inalcançáveis e voltam a ser pessoas de carne e osso, iguais a nós. Talvez seja por isso que estes momentos emocionem até quem nunca viu noventa minutos de um jogo de futebol.
Messi, em 2022, conquistou finalmente o Mundial que lhe faltava. O planeta esperava a fotografia perfeita com a taça. Ele preferiu outra imagem: os filhos a brincar com o troféu como se fosse apenas mais um brinquedo. O maior objetivo da sua carreira só fazia sentido quando era partilhado com quem nunca lhe pediu uma Bola de Ouro para o amar.
Rafael Nadal, no ténis, repetiu durante quase vinte anos exatamente o mesmo ritual em Roland Garros. Antes das entrevistas, antes das cerimónias e antes dos discursos, subia às bancadas para abraçar a família. Toda a gente sabia que ia acontecer. Mesmo assim, ninguém deixava de esperar por aquele momento.
Lewis Hamilton, na Fórmula 1, fez o mesmo durante anos. Mal saía do carro procurava o pai. Não era um gesto preparado para as câmaras. Era um agradecimento silencioso a quem hipotecou tempo, dinheiro e sonhos para que aquele momento fosse possível.
Curiosamente, nenhum destes momentos faz parte do espetáculo. Não são ensaiados. Não aparecem no plano de comunicação de um clube ou de uma federação. São escolhas espontâneas. É precisamente por isso que nos marcam tanto. Porque a autenticidade continua a ser um dos bens mais raros no desporto moderno.
Repare-se no padrão. Nenhum destes gestos melhora uma estatística. Nenhum acrescenta um título ao currículo. Nenhum vale uma Bola de Ouro, um Grand Slam ou um Campeonato do Mundo. Mas todos explicam melhor um campeão do que qualquer número.
Já mencionei em artigos anteriores que vivemos numa época em que o desporto mede tudo. Golos, assistências, quilómetros percorridos, velocidade máxima, títulos, seguidores nas redes sociais etc. Mas continua sem conseguir medir a gratidão.
Não existe uma estatística para o número de sacrifícios de um pai que acordava de madrugada para levar o filho aos treinos. Não há um algoritmo capaz de calcular quantas refeições uma mãe deixou de fazer para comprar umas chuteiras ou pagar uma viagem. Não existe inteligência artificial que transforme abdicações familiares em números. E, no entanto, é sobre esse investimento invisível que quase todas as grandes carreiras são construídas.
Há um momento curioso na vida de qualquer atleta de elite: o sucesso tem o hábito de apagar as origens. Mudam as casas, os carros, as rotinas e até as namoradas. De repente, deixamos de falar de pessoas para falar de marcas universais. É por isso que estes pequenos rituais têm tanto valor. Porque obrigam os campeões a regressar ao ponto de partida. Ao pai que defendia penáltis num campo de terra. À mãe que atravessou um deserto para oferecer um futuro aos filhos. Ao abraço que existia muito antes das medalhas, dos contratos milionários e dos milhões de seguidores.
Estas histórias marcam-nos. Inspiram-nos e devem de servir de exemplo para muitos porque, no fundo, todos nós temos uma «baliza» para onde regressar, um quintal, uma rua, um treinador, uns pais e uns avós. Alguém que acreditou em nós quando ainda não havia medalhas para mostrar. O desporto, quando é verdadeiro, não nos faz apenas admirar campeões. Faz-nos recordar as pessoas que tornaram possíveis as nossas próprias vitórias.
No fim do dia, todos os troféus acabam numa vitrina. As tradições, essas, não. Vivem nas famílias. Sobrevivem às carreiras, aos recordes e até à memória das finais.
Os títulos dizem-nos quem venceu. Os gestos e as atitudes dizem-nos quem nunca esqueceu de onde veio. Porque, no fim, não é a taça que eterniza um campeão. É antes a forma como esse «campeão» escolhe celebrar com aqueles que estiveram ao seu lado muito antes de existir qualquer troféu."

Por favor, Tadej, não fales com a Oprah...


"Pogacar é um monstro: quinto Tour no bolso e com apenas 27 anos. Nunca alguém o fizera! E que dizer de Nélson Évora? Enorme, meus caros, enorme!

Tadej Pogacar, Pogi para os amigos, não é deste Mundo. Ninguém sabe a que planeta o esloveno pertence, se a Júpiter, Saturno, Urano, Mercúrio, Vénus ou Neptuno. Uma coisa é certa: não é terrestre. Se quem conclui uma Volta a França é, por si só, um herói do desporto mundial, que dizer de quem termina sete e ganha cinco? É um E.T. Pogacar merecia que, entre 2020 e 2026, espaço temporal em que foi o mais forte em cinco Tours e perdeu dois para Jonas Vingegaard, a sua vida fosse filmada por Steven Spielberg, tal como o E.T. the Extra-Terrestrial de 1982. Pogacar sobe sentado o que os outros sobem a pedalar em pé. Pogacar sorri, quando os outros sofrem; o coração de Pogacar bate a 100 por minuto, quando o coração de todos os outros bate a 120 ou 130. Um monstro. Como Pelé ou Maradona; Michael Jordan ou LeBron James; Usain Bolt ou Eliud Kipchoge; Michael Phelps ou Mark Spitz; Jonah Lomu ou Jonny Wilkinson
Há agora cinco homens que ganharam cinco Tours: Jacques Anquetil, Monsieur Chrono; Eddy Merckx, o Canibal; Bernard Hinault, Le Patron; Miguel Indurain, Big Mig; e agora Tadej Pogacar, Pogi. Merckx ganhou o quinto Tour aos 29 anos. Anquetil aos 30. Hinault e Indurain aos 31. Pogacar tem 27. Ou seja, tem mais três ou quatro anos para ser o primeiro a chegar aos seis. Entre 1999 e 2005, doses animalescas de eritropoietina, testosterona, cortisona e hormona do crescimento ganharam sete Tours de enfiada, mas a marosca descobriu-se.
Todos os que gostam de desporto e de ciclismo em particular esperam agora que Tadej Pogacar não nos surpreenda, no futuro, pela negativa. O ciclismo é uma modalidade fisicamente arrasadora e a Volta a França ainda o é mais. Como Joaquim Agostinho dizia ao grande Carlos Miranda nas décadas de 70 e 80, «não se sobe o Alpe D'Huez com bife grelhado e água Evian». Ninguém pede, assim, a Pogacar ou a outro qualquer Pogacar, antigo ou futuro, que se alimente, apenas e só, de bifes grelhados e goles de água Evian, mas, por favor, Tadej, não nos desiludas. Não queremos que vás, um dia destes, conversar com Oprah Winfrey e confesses o que Lance Armstrong confessou a 17 de janeiro de 2013:
- Alguma vez tomou substâncias proibidas para melhorar o seu rendimento no ciclismo? - Sim. -Uma dessas substâncias proibidas foi EPO?
- Sim.
- Alguma vez fez doping sanguíneo ou usou transfusões de sangue para melhorar o seu rendimento no ciclismo?
- Sim.
- Alguma vez usou outras substâncias proibidas, como testosterona, cortisona ou hormona do crescimento humano?
- Sim.
- Em todas as suas sete vitórias na Volta a França, alguma vez tomou substâncias proibidas ou fez doping sanguíneo?
- Sim.
Por favor, Tadej, sê sincero e responde sempre não a tudo, ok? 
Por último, Nélson Évora: campeão olímpico, campeão do Mundo, campeão da Europa e, por fim, campeão de Portugal. Anteontem, aos 42 anos (!), o 13.º título de campeão de Portugal. Apenas uma vírgula num dos mais completos currículos de atletas portugueses. Já não é o recordista nacional de triplo salto, mas mantém-se, intocável, no coração dos portugueses. E que bonito foi ver o seu sorriso de medalha ao peito, ao lado de outro craque: Mário Aníbal."

A surreal mensagem de Infantino, que uma semana depois da final do Mundial aponta o dedo a quem esteve “por trás dos ecrãs a espalhar ódio”


"Numa longa mensagem deixada no Instagram, o presidente da FIFA, que não deu qualquer conferência de imprensa após o final do Mundial, atirou-se a quem, nas suas palavras, andou “a plantar sementes de ódio” durante o Mundial, “por trás das canetas e por trás dos ecrãs”

Uma semana depois da final do Mundial, em que a Espanha bateu a Argentina, em Nova Iorque, conquistando a sua segunda estrela, Gianni Infantino falou. E escolheu uma espécie de violência, logo num texto em que tantas vezes referiu a “a alegria” e a “felicidade” que a FIFA levou ao mundo no último mês e meio.
Numa longa mensagem deixada no Instagram, o presidente da FIFA, que não deu qualquer conferência de imprensa após o final do Mundial, apontou o dedo a quem, nas suas palavras, andou “a plantar sementes de ódio” durante o Mundial, “por trás das canetas e por trás dos ecrãs”.
“A todos os que não viram as emoções, as celebrações, as gargalhadas, as lágrimas, as deceções e as alegrias. A todos os que não viram crianças, bebés, avós e pais todos juntos pelo futebol, eu digo lamento que os jogos tenham acabado e lamento que não tenham visto toda essa alegria e união. Lamento que tenham estado tão consumidos pelo ódio e pelas críticas que perderam tudo isto”, escreveu o líder da FIFA. 
“A todos por trás das canetas, por trás dos ecrãs a espalhar ódio e falsos rumores, só quero dizer que enquanto vocês estão sentados, nós na FIFA estamos na linha da frente a organizar, a trabalhar arduamente para vos dar o maior espectáculo do planeta. Enquanto vocês dividem, nós unimos”, continua Infantino, que sublinha que o Mundial não teve episódios de violência, foi “100% seguro” e que trouxe apenas “alegria e felicidade”.
Na mensagem, Gianni Infantino fala do caso do Irão, puxando dos galões para dizer que enquanto certas entidades que nunca nomeia “espalhavam ódio”, a FIFA trabalhava “incansavelmente para unir dois países em guerra”.
“O Irão entrou nos Estados Unidos sem incidentes ou conflitos”, garante Infantino estranhamente esquecido que a equipa asiática foi obrigada a montar o seu quartel general no México, por não poder permanecer mais do que 48 horas nos Estados Unidos, e viu parte importante do seu staff impedido de atravessar a fronteira.
Durante o Mundial, Mehdi Taremi, ex-avançado do FC Porto, disse mesmo que a competição era “um desastre”, acusando a FIFA de não resolver os problemas causados pela administração Trump. A mesma que, pela voz do secretário de Estado de Segurança Interna, Markwayne Mullin, disse estar “contente” pela eliminação do Irão. “Fiquei tão feliz quando conseguimos cancelar os vistos deles e lhes dissemos que podiam sair do território dos EUA que até posso ter cantado uma ou duas canções e dançado de alegria” - e sim, são declarações reais.
Convenientemente olvidado na mensagem de Infantino ficou, por exemplo, o árbitro somali Omar Artan, um dos melhores de África e impedido de concretizar o sonho de apitar num Mundial depois de proibido de entrar nos Estados Unidos.
“Vocês mencionaram as poucas pessoas que viram os seus vistos negados e não os milhões que foram aprovados, de todos os lados do planeta”, escreveu o líder da FIFA, diminuindo a importância de um árbitro ou vários membros de equipas técnicas ficarem presos na fronteira devido à sua origem.
Nada disso é relevante, aparentemente, num Mundial que “virtualmente todas as celebridades globais da música, cinema, entretenimento e desporto assistiram e desfrutaram”. E isso, no pensamento de Gianni Infantino, é que ninguém escreve.

Balogun e um pedido de reflexão
A forma como o caso Balogun, ainda que não tratado pelo nome, foi escrutinado também teve direito a críticas do presidente da FIFA.
“Decisões arbitrais ‘discutíveis’ ou ‘estranhas’ deliberações disciplinares como um cartão vermelho ou amarelo mal dado e a subsequente decisão de não castigar o jogador são rotina e aceites em algumas das maiores ligas por todo o mundo”, apontou Infantino, não exemplificando a que ligas se refere, dizendo apenas que “é curioso que os mesmos países que aplicam essas práticas são os mesmos que criticaram” a FIFA no caso.
Palavras incompreensíveis, a roçar a desresponsabilização, quando a decisão de deixar jogar Folarin Balogun foi praticamente inédita na história dos Mundiais - é preciso recuar até 1962 para ver um caso semelhante, com Garrincha, que jogou a final depois de ser expulso nas meias-finais, num processo com influência política.
Para terminar uma mensagem em que a ação da FIFA é, naturalmente, descrita de forma amplamente laudatória, em que este Mundial é caracterizado como “o mais marcante” de sempre, Infantino propõe, de forma paternalista, uma reflexão.
“A todos os que gastaram o seu tempo a odiar-nos, por favor tirem um momento para refletir, meditar e rezar ou verem um jogo de futebol e observarem verdadeiramente para as caras, os olhos, as emoções”, pode ler-se num texto em que o líder da FIFA parece confundir críticas e escrutínio com mal-dizer."

Triplo Duplo - João Crespo

BolaTV: Falso Plano #132 - Rescaldo Le Tour de France