Últimas indefectivações

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Arouca é que é do nosso campeonato

"Convém não se esquecerem, adeptos e jogadores, que foi na Luz, com um apoio massivo de benfiquistas, que o Arouca arrancou na primeira volta um empate a 2 bolas. Lembram-se?

POR razões que só ao Arouca assistem, o jogo do próximo domingo com o Benfica foi transferido, aparentemente com as autorizações devidas, do Estádio Municipal de Arouca, com capacidade para 5 mil espectadores, para o Estádio Municipal de Aveiro, com capacidade para 30.970 espectadores.
Pode, assim, o Arouca vender mais 25.970 bilhetes o que constitui, certamente, uma alegria para o tesoureiro do clube. Se o Arouca vendesse cada bilhete a 5 euros, um preço de saldos, faria uma receita de perto de 130 mil euros, o que já dava muito jeito com certeza.
Como o Arouca decidiu, e bem, não fazer saldos, a receita pode ultrapassar o meio milhão de euros, verba sonante num momento em que os clubes lutam por verbas como quem luta pela vida.
Quero com isto dizer que é mais do que compreensível a felicidade dos arouquenses em vésperas de receberem o Benfica em Aveiro.
Quanto ao Benfica, é verdade que vai jogar fora num estádio em que, muito provavelmente, vai contar com um apoio massivo dos seus adeptos.
Convém só não se esquecerem, adeptos e jogadores, que foi no Estádio da Luz, com um apoio massivo de benfiquistas, que o Arouca arrancou na primeira volta um empate a 2 bolas. Lembram-se? Carrega, Benfica! Mas carrega mesmo!

ANDRÉ ALMEIDA, impecável. Era só isto.

É de estranhar o silêncio do Sindicato dos Jogadores sobre uma ocorrência ainda recente e que, por inerência de funções, lhe diria directamente respeito em defesa do bom nome de um seu associado.
A cessação do contrato do jogador Márcio Rozário por iniciativa do patrão, o Marítimo, que alegou a inusitada justa causa de «quebra de confiança» no desempenho do empregado, não mereceu nem uma conferência de imprensa, nem um comunicadozinho, nem uma linha ao Sindicato dos Jogadores.
Que singular estatuto é este do jogador que não inspira confiança a quem lhe paga o ordenado e que se vê, de um momento para o outro, sem contrato e sem trabalho e sem o apoio formal e obrigatoriamente estridente do seu Sindicato?
Márcio Rozário foi notícia por um dia – melhor, por uma manhã – e o seu tormentoso caso desapareceu como que por artes mágicas das páginas dos jornais.
O país está em crise, todos sabemos. Vivemos um período de grande contenção de despesas e, em boa verdade, ao preço a que está a tinta, só o que se poupou nos rios de tinta que este caso normalmente faria correr, justifica em pleno o silêncio geral sobre o estranho caso de Márcio Rozário.

NA última jornada da Liga de Honra, o FC Porto-B deslocou-se a Faro e os seus jogadores recusaram-se a entrar em campo de mãos dadas com a criançada local, inocente cerimónia da praxe nos jogos das competições organizadas pela Liga. A imprensa relatou o episódio. Com paninhos quentes foi até adiantada uma justificação considerada minimamente plausível para a insólita atitude. O Farense vendeu os direitos de transmissão dos seus jogos em casa à Benfica TV e, posto isto, até as criancinhas da terra terão passado a ter peçonha. No que diz respeito ao resultado do jogo de futebol propriamente dito, pois ganhou o Farense por 1-0. Quanto ao jogo filosoficamente falando, pois perdeu o FC Porto-B por 10-0.

O treinador do AZ Alkmaar, Dick Avocaat, tem sido inexcedível em encómios ao Benfica desde que o sorteio dos quartos-de-final da Liga Europa colocou os holandeses no caminho da equipa de Jorge Jesus. 
Na véspera do jogo da primeira-mão, Avocaat avisou logo que a sua equipa não tinha qualquer tipo de hipótese na eliminatória. A verdade é que o Benfica acabou por vencer na Holanda, ainda que pela diferença mínima, resultado agradável mas que, de modo algum, garante a qualificação para as meias-finais da prova.
Ontem, na véspera do jogo da segunda-mão, Dick Avocaat voltou a dispensar altos elogios ao seu adversário. Diz o treinador do AZ Alkmaar que lhe bastou ver «meia hora» do jogo do Benfica com o Rio Ave para ficar perfeitamente esclarecido sobre o destino que aguarda a sua equipa esta noite no Estádio da Luz.
Por curiosidade, resta apenas saber que «meia hora» viu Avocaat desse jogo da última segunda-feira.
Se viu trinta minutos da primeira parte é natural que o treinador do AZ tenha ficado impressionado com a saúde e com o fulgor da equipa do Benfica. Se viu trinta minutos da segunda parte, terá ficado certamente impressionado com a capacidade de baixar a intensidade do jogo exibida pela equipa do Benfica sem nunca perder o controlo das operações.
Está, portanto, ganha a eliminatória com o AZ Almaar? Longe disso. As palavras de Dick Avocaat são muito bonitas, encantadoras mesmo, mas encarar o jogo de hoje à noite como um pró-forma antes do sorteio das meias-finais poderá ser fatal para as aspirações do Benfica na Liga Europa. Se é que as tem. Presume-se que sim.
É natural ambicionar mais e melhor numa competição internacional ainda que, por razões de ordem vária, não seja essa a maior prioridade. Nesta fase quase final da temporada, o Benfica vê-se ainda envolvido em quatro competições mas, como todos sabemos, o Arouca é que é do nosso campeonato.

LIMA, sempre impecável. Era só isto.

CAMPEONATO à parte, vamos lá então à discussão das coisas menores. No presente estado das ditas coisas menores, o FC Porto leva vantagem substantiva e formal sobre o Benfica na discussão das outras duas competições nacionais em que ambos os rivais estão ainda envolvidos: a Taça de Portugal e a Taça da Liga.
Dificilmente o Benfica ganhará este ano qualquer uma destas competições ainda que não sejam intransponíveis os obstáculos que tem pela frente até porque, tratando-se de futebol, tudo pode acontecer. 
Mas sabemos, por experiência acumulada, que tudo o que pode acontecer em futebol acontece sempre mais a uns do que a outros.
Peguemos na Taça de Portugal, por exemplo. Está em vantagem por 1-0 o FC Porto depois do jogo da primeira-mão das meias-finais que ocorreu no Dragão. Antigamente, 1-0 em casa era um resultado que não dava garantias para o jogo da segunda-mão fora de casa. Era no tempo em que se marcavam muitos golos. 
Agora já não é assim. Ao preço a que estão os golos e os goleadores, 1-0 em casa tornou-se num resultado excelente para defender fora de portas. É verdade que se o Benfica repetir para a Taça o resultado que fez com o FC Porto na Luz para o campeonato, segue direitinho para o Jamor. Mas basta o FC Porto marcar um golo para complicar imenso a vida ao Benfica que não marcou no Dragão.
Conclusão: o FC Porto é muitíssimo favorito nesta meia-final da Taça de Portugal.
Peguemos agora na Taça da Liga, ainda sem data marcada para a realização da meia-final a uma “mão”, no Dragão, na sequência da demora da decisão do processo que o Sporting moveu à bondade do atraso do início do jogo FC Porto-Marítimo o que conduziu a uma situação duplamente inédita: a já referida ausência de data para o jogo que decidirá quem se vai encontrar com o Rio Ave na final da competição e, mais raro ainda, o facto de o Sporting ter sido eliminado por três vezes nesta edição da Taça da Liga: uma no campo e duas na secretaria.
É obra!
Com data ou sem data, o FC Porto é também o favorito para chegar à final porque jogará em casa a decisão, num único jogo, e é certo e sabido que o Benfica raramente ganha no Dragão mesmo quando tem melhor equipa e joga melhor futebol, tal como vem sucedendo nos últimos longos anos.
E, portanto, sem devaneios poéticos, é esta a situação: Taça de Portugal e Taça da Liga, no estado em que estão, pendem fortemente para o FC Porto.
Temos pena.
Prioridades são prioridades. E sobre isto ninguém me convence do contrário até porque o Arouca é que é do nosso campeonato."

Leonor Pinhão, in A Bola

Boavista

"O Boavista está de regresso à principal competição do futebol nacional. Muito se falou já das razões (ou falta delas) que estivessem na base desta decisão. Não é disso, porém, que escrevo agora.
É, antes, para, desportivamente falando, saudar este retorno. O Boavista faz falta na Liga principal. Pela sua história, pelo título e taças conquistadas, pelas condições desportivas que, apesar da extrema dificuldade por que passa, continua a ter, pela escola de jogadores que, ao longo do tempo, tão bons resultados teve. E até pelo xadrez das camisolas que só deixou de ser estranho (lá fora) quando a Croácia também se axadrezou!
Também a cidade do Porto merece ter mais um clube na 1.ª Divisão. Tempos houve em que além do FCP, lá militavam o Boavista e o Salgueiros, para além do vizinho Leixões.
Quiseram as entidades que dirigem o nosso futebol que, com a chegada dos boavisteiros, a Liga passe a ter 18 clubes. Tal significa mais 4 jornadas. E talvez o fim da tão escanzelada Taça da Liga. A ver vamos...
Este (saudoso) regresso do Boavista vai, todavia, implicar, a poucas jornadas do fim das competições uma alteração de expectativas de alguns clubes. Desde logo, no modo como poderão encarar os seus jogos contra adversários que, por sua vez, podem estar empenhados noutras lutas (campeão, acesso à Europa). Tudo porque afinal já não descem 2 clubes, mas só um. Porque afinal o 3.º da 2.º Liga até pode vir a subir. Porque afinal, uns clubes deixaram de estar ameaçados de descida e outros, de repente, vêem-se com a possibilidade de jogar uma liguilha que os promova. Não temos emenda..."

Bagão Félix, in A Bola

Iceman Oblak

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Vitória na Taça...

Benfica 11 - 2 Mealhada

Esta noite o Benfica soube transformar um jogo potencialmente complicado, num festival de golos. Noutro contexto este jogo seria sempre acessível, mas o Benfica não tem convencido, e o Mealhada até tem conseguido alguns resultados surpreendentes...
Sendo assim qualificação para os Oitavos-de-final da Taça de Portugal. Mas o próximo compromisso importante é já no próximo sábado, quando recebermos na Luz os Catalães do Reus no jogo da 2.º mão dos Quartos-de-final da Liga Europeia, onde estamos obrigados a recuperar de uma desvantagem de 2-5, se quisermos manter o sonho de repetir o triunfo Europeu do ano passado.

PS: Mais uma vitória Corrupta dos Corruptos!!! Com porrada no final, e com a famiglia Pinto a resolver a partida... a única coisa engraçada deste jogo, é que esta noite os prejudicados, foram os aprendizes dos Corruptos, tantas vez beneficiados esta época, da mesma forma, pelos mesmos artistas!!! Karma...!!!

Escrevo à condição

"Há um ano escrevi nesta coluna sobre a praga de tanta coisa ser agora «à condição». Deixando de lado o deficiente português que arrumou de vez com o bem mais correcto «sob condição», estes últimos dias foram pródigos à condição. O Sporting tinha, até 2.ª -feira, o melhor ataque à condição, o Rio Ave, jogando fora, tinha a melhor defesa à condição, o Cristiano Ronaldo tem o joelho esquerdo à condição. Até Espírito Santo sabia o onze do Benfica à condição, falhando apenas no Fejsa que não estava em condições. O Benfica é que, a poucos de ser campeão, não poderá vir a ser campeão à condição porque o Sporting joga sempre antes do rival, embora baste um seu empate para a condição de o Benfica ser campeão deixe de ser à condição. Leonardo Jardim disse que, se existir tempo, ambicionava mais do que o segundo lugar. Ora aí está uma condição que mesmo à condição começa a escassear.
Parece que a Direcção da Liga também está à condição, porque os opositores estão mandatados por poderes externos para que não haja condição para a actual equipa dirigente. Quaresma foi agarrado pelo árbitro assistente à condição que é como quem diz sem amarelo, laranja, vermelho ou castigo e até pode ser seleccionado à condição. E este ano criou-se a figura - com intenção - começar um jogo uns minutos depois da hora à condição. Mas nem à condição, os jogadores do Porto B entraram no campo em Faro com os miúdos da formação algarvia, dando um péssimo exemplo. Quem já não está à condição na principal competição nacional é o Boavista, mas disso falarei amanhã.
E por aqui me fico. À condição de voltar amanhã."

Bagão Félix, in A Bola

Vamos assobiar para o lado, boa?

"O Marítimo despediu Mário Rozário, jogador que há dois anos ia sendo titular e a quem, entenderam os responsáveis, a braçadeira de capitão assentava bem, quando necessário. Ponto.
A notícia parece ter morrido no próprio dia, mas há motivos suficientes para despertar atenções. Afinal, foi o presidente do Marítimo quem a deu ao defesa brasileiro voltar a vestir a camisola do clube: «Houve uma quebra de confiança relativamente às suas prestações nos últimos tempos».
Ora, a ver se eu entendo: o Márcio Rozário jogou mal nos últimos jogos e, por isso, mandaram-no embora.
Curioso, e porque não queria confiar apenas na minha memória, deitei-me a ler o que fez Márcio Rozário recentemente. Gil Vicente-Marítimo (1-1) - cometeu penalty e foi expulso quando a sua equipa vencia por 1-0; uma semana antes, no Marítimo-Sporting (1-3) - cometeu penalty aos 2 minutos sobre Mané e quando o jogo estava empatado 1-1 fez o corte na área para a frente, aproveitado por William Carvalho para marcar o segundo golo.
Reli as palavras do presidente do Marítimo - «Houve uma quebra de confiança relativamente às suas prestações...» - e fico com dúvidas que me parecem relevantes. Se o normal quando um jogador está num mau momento de forma é mandá-lo para o banco ou até nem convocá-lo, então despedi-lo e informar que ele não voltará a vestir a camisola do clube é algo que merece ser olhado com atenção, estamos de acordo?
Suspeitará o presidente do Marítimo de algo que não quis verbalizar? Saberá Carlos Pereira algo que tenha querido manter privado? Como terá sido a «conversa franca» que disse ter tido com o jogador? Enquanto não houver cabal esclarecimento destas questões, todas as interpretações serão possíveis. Existe suspeições enquanto não houver respostas. Mas prelos vistos ninguém quer saber disto..."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Não esquecemos os nossos

"Aqueles que nos acompanham em cada jogo nas bancadas, que nos seguem dentro e fora das fronteiras de Portugal, que nos incentivam e nos apoiam sem condições e sem reservas, merecem o nosso respeito e admiração. Estão connosco por paixão, nos bons e nos maus momentos, percorrendo milhares de quilómetros, muitas vezes ao frio e à chuva.
Temos para com todos eles uma dívida de gratidão que nunca conseguimos pagar porque ela renova-se em cada ano que passa. Ontem ficámos mais pobres porque um dos nossos partiu. À família de Arlindo Afonso a nossa palavra de solidariedade. Nunca o esqueceremos, porque não esquecemos os nossos."

terça-feira, 8 de abril de 2014

We stand, we rise

Alegre visita aos Leões da Almirante Reis

"Quando assistirem a um Benfica-Marítimo, não se esqueçam: estão com os olhos postos num clássico com mais de 100 anos! E a primeira presença dos encarnados na Madeira já foi há mais de 90...

Tenho feito deste espaço, e vocês também, pois ele depende da magnânima paciência de que me lê, um local de peregrinações. Pelo tempo e pelo espaço. Às vezes regresso bem atrás na memória. Não na minha que não é felizmente tão antiga, mas na dos que viveram momentos extraordinários da história do Benfica e do Futebol em Portugal. Vamos então até 1922. Abril de 1922.
No dia 5, exactamente pelo meio-dia, a equipa do Benfica embarca no cais de Santos com destino à ilha da Madeira. Um acontecimento! Pela primeira vez um clube continental visita o arquipélago. Mas no momento da partida há elementos em falta. O guarda-redes Francisco Vieira não consegue licença militar e fica em Lisboa; o mesmo se passa com o defesa José Pimenta, aluno da Escola de Guerra. Como medida preventiva é chamado Herculano Santos, empregado numa fábrica de chocolates a pouca distância do cais de embarque, que sai do escritório com a roupa que tem no corpo e segue viagem.
São então estes, os excursionistas, segundo o registo de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva: Luís Caldas, José Bastos e Herculano dos Santos; Fernando Jesus, Vítor Gonçalves e Fausto Peres; Belford, José Simões, Ribeiro dos Reis, Jesus Crespo e Alberto Augusto, todos do primeiro «team». Suplentes eram:  António Brás, António Pimenta, Mário de Carvalho e Vítor Hugo. Os «cartolas», como dizem os brasileiros, ou seja os dirigentes: Cosme Damião, «capitão geral», como se dizia na altura e Júlio Ribeiro da Costa. «Fazia também parte da comitiva o dedicado consócio do Benfica José de Melo».
Ribeiro dos Reis escreveria mais tarde em «Os Sports»: «Foi um belo passeio, o melhor de toda a minha carreira futebolística. Duas semanas de vida intensa, acarinhados festivamente em todos os lados».

É assim que nascem os clássicos
O Benfica ganhava o saudável hábito das viagens. Não apenas no estrangeiro, mas pelo território português, nas ilhas e nas colónias, como sucederia no espaço de alguns anos. Na Madeira, os 'encarnados' defrontaram o Marítimo (2-3), o Clube Sports da Madeira (1-0, de novo o Marítimo (3-6), a selecção da Associação de Futebol do Funchal (6-1) e um misto do Clube Sports da Madeira e do Santa Clara, clube formado pelos Ingleses que trabalhavam na colocação do cabo submarino (4-0). Um calendário preenchido e repleto de momento de fraterna amizade.
Dia 9 de Abril, frente ao Marítimo, o campo da Almirante Reis - o Marítimo é conhecido pelos Leões da Almirante Reis, graças ao seu leão agarrado a um leme - rebentou pelas costuras: 4 mil pessoas não perderam pitada de um jogo emocionante. Muitas senhoras presentes, notava a imprensa. Mas um pelado irregular e cheio de pedras soltas, queixavam-se os jogadores 'encarnados'.
Nasceria aí uma relação entre o Clube Sport Marítimo e o Sport Lisboa e Benfica, com cada um dos clubes a ser nomeado sócio honorário do outro.
De relevo, também, a qualidade competitiva das equipas madeirenses, que não tinham contactos com o continente, mas beneficiavam da forte presença de ingleses na ilha, de tal forma que foi no Largo da Achada, freguesia da Camacha, que se disputou o primeiro jogo de Futebol em Portugal, em 1975, iniciativa de Harry Hinton, treze anos antes do famoso encontro promovido por Guilherme Pinto Bastos, em Carcavelos.
A despedida foi, pois, apoteótica. Antes de entrarem a bordo do Vapor Funchal, da empresa Insulana de Navegação, para regressarem a Lisboa, os representantes do Benfica foram agraciados com uma festa de despedida. Álvaro Reis Gomes, director do Marítimo, fez de Cosme Damião «capitão geral» honorário do seu clube e Júlio Ribeiro da Costa e Ribeiro dos Reis directores honorários.
O mesmo tenente-coronel Ribeiro dos Reis escreveria: «As tradições do Benfica, a sua popularidade e ainda o facto de ter sido ele que trouxera a Lisboa, alguns anos antes, o Marítimo, justificaram a escolha do seu nome para inaugurar o intercâmbio que se pretendia estabelecer».
Por isso, quando hoje Benfica e Marítimo se defrontam, às vezes perante um certo desinteresse de jogo sem história, são se esqueçam: estão a assistir a um clássico com mais de 100 anos de história!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Lixívia 26

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......67 (-7) = 74
Sporting........60 (0) = 60
Corruptos...52 (+3) = 49
Braga.........35 (+3) = 32

Foi uma jornada estranhamente calma em termos de arbitragem!!! Existem aqueles que pensam que algo está a mudar no sector da arbitragem em Portugal, com os Corruptos a serem prejudicados em alguns jogos, com o Proença a marcar um penalty a favor do Benfica... Pessoalmente, ainda não estou convencido. Acredito que os Corruptos desistiram prematuramente do Campeonato, para apostarem tudo nas Taças... Também acredito que o início da próxima época, os Corruptos vão 'atacar' com tudo, prevejo um início parecido com o arranque da época 2010/11 onde o Benfica nas 4 primeiras jornadas, foi 'roubado' de 9 pontos: Cosme Machado (Académica), Proença (Nacional), e Benquerença (Guimarães) e pelo meio ainda tivemos o Vasco Santos na Luz, onde vencemos a jogar com 10 !!! Se tudo correr bem até ao final da época, e o Benfica se sagrar Campeão, teremos que ter muito cuidado nas movimentações nos bastidores durante o Verão, e não podemos entrar em euforias e festejos demasiado prolongados...
Quando estava a finalizar este post, fui informado que o Hugo Miguel será o árbitro do Arouca-Benfica!!! Inacreditável, estamos numa sequência impressionante: Proença, Cosme, Huguinho...!!! Com o Olhanense deverá ser o Benquerença, depois o Soares Dias e no antro Corrupto o Super-Dragay Jorge Sousa!!! Isto só confirma aquilo que escrevi: o Sistema está muito longe de estar morto!!!

Tal como escrevi na crónica, a 1.ª parte do Cosme Machado foi muito boa. Já ouvi, que o critério nos cartões foi apertado, para mim, foi o ideal. Uma falta para amarelo ao minuto 2, é igual a uma falta ao minuto 90. Estamos mal habituados, são muitos os jogos onde os nossos adversários usam e abusam da porrada, sempre com impunidade, neste jogo os jogadores do Rio Ave cedo perceberam que não o podiam fazer, e assim tivemos um jogo aberto, sem violência excessiva...
Na 2.ª parte tudo mudou, não sei o que se passou ao intervalo, mas o critério mudou... as recuperações de bola do Benfica foram praticamente todas abortadas por faltas, no Estádio a maior parte, pareceu-me serem inexistentes. Na parte final, lá marcou 2 penalty's evidentes, que vão ajudar a estatística, apesar do jogo já estar resolvido nessa altura... E ainda houve mais 3 lances dentro da área duvidosos: 1 sobre o Rodrigo na 1.ª parte, outro sobre o Maxi já no 2.º tempo, e outro sobre o Djuricic...
Sou um defensor da utilização dos video-árbitros, como existe em outras modalidades. Mas sempre que leio, algumas opiniões de ex-árbitros fico com medo, muito medo!!! Hoje, dois ex-árbitros: Coroado, Leirós defendem que o Enzo devia ter sido expulso!!! Notou-se que os jogadores do Rio Ave fizeram tudo para 'sacar' o 2.º amarelo ao Enzo, no início do 2.º tempo, mas o Enzo nada fez para o merecer. Este tipo de análises tortas deixam-me fulo. Porque é que estes senhores não discutem se o Amarelo ao Braga, deveria, ou não, ser Vermelho, já que o Maxi estava em posição de remate à baliza, só com o guarda-redes pela frente?!!!


No Dragay, o Manuel Mota, enquanto esteve em campo, voltou a fazer uma boa arbitragem, sendo mal auxiliado pelos fiscais-de-linha. O insólito foi mesmo a lesão do Mota, que ao intervalo teve que ser substituído pelo 4.º árbitro!!! Uma nota para a estratégia ofensiva da Académica, que na Luz, à poucas jornadas, jogou com 2 autocarros!!! Opções...!!!
O Duarte Gomes em Olhão, marcou dois penalty's a favor do Braga, ambos pareceram-me correctos. Não assisti ao jogo, mas não li, nem ouvi, reclamações...
Na Mata Real o Xistra não cometeu erros graves. Mas relevo dois lances na área dos Lagartos: após as repetições parece-me que a decisão, de não marcar penalty, foi a correcta, mas em ambos os lances, ao vivo, facilmente se vê árbitros a marcar penalty: na 1.ª parte o Rojo corta uma bola para canto com a coxa, lance parecido com o do Luisão na Choupana... Na 2.ª parte o Cedric faz um corte por trás sobre o Del Valle, onde toca na bola, e no resto... a 'sorte' foi que o Pacense 'saltou' e evitou o contacto... Mas isto só prova, que depois da choradeira, em caso de dúvida (dúvida honesta...), nunca mais houve uma decisão contra o Sporting, que pudesse ser decisiva no resultado do jogo!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenenses(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar
12.ª-Arouca(c), E(2-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
13.ª-Olhanense(f), V(2-3), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
16.ª-Marítimo(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
17.ª-Gil Vicente(f), E(1-1), Paixão, Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
18.ª-Sporting(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
21.ª-Belenenses(f), V(0-1), Jorge Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
22.ª-Estoril(c), V(2-0), Paulo Baptista, Beneficiados, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
23.ª-Nacional(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
24.ª-Académica(c), V(3-0), Rui Costa, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
25.ª-Braga(f), V(0-1), Proença, Prejudicados, Sem influência no resultado
26.ª-Rio Ave(c), V(4-0), Cosme Machado, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Nacional(c), E(0-0), Miguel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Estoril(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
16.ª-Arouca(f), V(1-2), Cosme Machado, Beneficiados, Impossível contabilizar
17.ª-Académica(c), E(0-0), Paulo Baptista, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
18.ª-Benfica(f), D(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Olhanense(c), V(1-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
21.ª-Braga(c), V(2-1), Soares Dias), Nada a assinalar
22.ª-Setúbal(f), E(2-2), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), Impossível contabilizar
23.ª-Corruptos(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
24.ª-Marítimo(f), V(1-3), Jorge Sousa, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
25.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
26.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Xistra, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
12.ª-Braga(c), V(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-Olhanense(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
15.ª-Benfica(f), D(2-0), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
16.ª-Setúbal(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
17.ª-Marítimo(f), D(1-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
18.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Cosme Machado, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
19.ª-Gil Vicente(f), V(1-2), Paulo Baptista, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
20.ª-Estoril(c), D(0-1), Vasco Santos, Nada a assinalar
21.ª-Guimarães(f), E(2-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
22.ª-Arouca(c), V(4-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
23.ª-Sporting(f), D(1-0), Proença, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
24.ª-Belenenses(c), V(1-0), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
25.ª-Nacional(f), D(2-1), Capela, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), (-1 ponto)
26.ª-Académica(c), V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Corruptos(f), D(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Setúbal(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
14.ª-Marítimo(f), E(2-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15.ª-Guimarães(c), V(3-0), Benquerença, Nada a assinalar
16.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
17.ª-Belenenses(f), D(2-1), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
18.ª-Gil Vicente(c), V(4-1), Capela, Nada a assinalar
19.ª-Estoril(f), D(2-1), Xistra, Nada a assinalar
20.ª-Arouca(c) E(2-2), Duarte Gomes, Nada a assinalar
21.ª-Sporting(f), D(2-1), Soares Dias, Nada a assinalar
22.ª-Nacional(c), V(2-1), Nuno Almeida, Nada a assinalar
23.ª-Académca(f), E(1-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
24.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Rui Silva, Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
25.ª-Benfica(c), D(0-1), Proença, Beneficiados, Sem influência no resultado
26.ª-Olhanense(f), V(0-2), Duarte Gomes, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

No caminho certo...

Benfica 4 - 0 Rio Ave

Noite sem sobressaltos, não por incapacidade do Rio Ave, mas por muita competência do Benfica. Hoje, tivemos nota artística, eficácia ofensiva, coesão defensiva, e os desejados 3 pontos.
Mais uma vez os elogios colectivos são obrigatórios, mas o Nico pelas assistências e pelo golo vai ser quase de certeza considerado o melhor em campo, mas para mim, os dois laterais - Maxi, Sílvio - foram os melhores em campo...
O único jogador que hoje me pareceu em baixo foi o Markovic. Defensivamente continua a cumprir, mas ofensivamente desequilibra pouco... é verdade que o jogo do passe curto do Benfica, não é favorável ao estilo do Markovic, mas o Sérvio tem que se mostrar mais aos colegas. Já começo a pensar que neste momento, o Salvio pode estar em melhor forma!!! Em sentido contrário, gostei muito da exibição do Enzo, que nos últimos jogos tinha estado abaixo do normal... ainda lhe falta um pouco mais de velocidade, mas esteve muito melhor... a jogada do 2.º penalty, já nos descontos, é o exemplo perfeito da sua melhoria física. O melhor elogio ao André Almeida, é que nem se deu por ele!!! Discreto, com muitas recuperações, e sem perdas de bola comprometedoras, jogando simples... O André era no início da época a 4.º opção para a posição de Trinco: Matic, Fejsa, Rúben Amorim, e só depois vinha o André. É um luxo quando a 4.ª opção joga assim...!!!
Estava receoso, aquelas superstições parvas, que nós adeptos, inconscientemente seguimos, durante o dia, só aumentaram os meus receios!!! Mas aparentemente este ano, as encomendas do Bruxo de Fafe não vão abrir telejornais!!!
A rotação manteve-se na média: 6 jogadores, em relação ao jogo de Alkmaar!!! Só Maxi, Luisão, Garay, Gaitán e Rodrigo repetiram a titularidade. E a equipa continua a manter o nível. Muito sinceramente não me recordo de observar uma equipa, num Campeonato Europeu do nosso nível ou superior, com competições Europeias pelo meio, fazer uma rotação tão radical, e manter os níveis exibicionais e os resultados positivos. Mudar 2 ou 3 jogadores é normal, agora 6 alterações, constantemente, de jogo para jogo, é caso único... Tem sido dado pouco relevo a esta estatística... um dos indicadores mais importantes, se alguém quiser explicar o sucesso do Benfica nesta temporada, até agora!!! E sendo os jogadores os artistas, este é um dos grandes méritos do Jesus: um modelo de jogo definido, que todos os jogadores do plantel estão identificados.
Ao intervalo estava completamente abismado: Cosme Machado estava a fazer um exibição exemplar!!! Nunca pensei, tal coisa, ser possível!!! Os cartões amarelos mostrados bem cedo, foram essenciais... ao contrário de outros jogos, os Vilacondenses perceberam cedo que não podiam aviar porrada!!! E partir daí, jogou-se futebol, em vez da habitual caça-ao-homem, com impunidade, que estamos habituados a assistir!!! Mas ao intervalo, algo se passou nas cabines, na 2.ª parte, marcou falta a todas as recuperações de bola do Benfica!!! Foi de longe o melhor defesa do Rio Ave... Na parte final, em dois lances óbvios, foi obrigado a marcar 2 penalty's a favor do Benfica... Foi obrigado, mas com o resultado empatado, não sei se os marcaria!!!
A nossa época continua a correr da melhor forma, só faltam 5 pontos, em 4 jogos, para sermos Campeões. O objectivo do Campeonato, é a prioridade das prioridades. O discurso do Jesus no final da partida, não mudou. Dito isto, creio que nos próximos dias vai existir a tentação em alterar um pouquinho a rotação que tem sido feita até aqui, explico:
Com o 2.º jogo da Taça de Portugal a aproximar-se, com a almofada no Campeonato, não será preferível, poupar um pouquinho no Domingo em Aveiro, contra o Arouca, para na Quarta-feira seguinte, pôr a 'carne toda no assador' no jogo decisivo da Taça, contra os Corruptos?!!! Será preferível, ou não?!!!
O jogo do Olhanense na Luz ainda não tem data marcada, mas se for adiado para Segunda-feira, após o Domingo de Páscoa, teríamos 5 dias para preparar esse jogo do Campeonato.
Creio que deveríamos definir rapidamente esta situação, porque se a 2.ª prioridade é a Liga Europa, e a Taça de Portugal é somente a 3.ª prioridade, então o jogo do Olhanense deveria ser antecipado para Sábado - mesmo com o jogo com os Corruptos na Quarta-feira anterior -, já que na semana seguinte, na Quinta-feira, teremos o 1.º jogo da muito provável Meia-final da Liga Europa...!!!
A poupança em Arouca, até pode ter mais um argumento: o jogo com o AZ na próxima Quinta-feira. Não podemos encarar este jogo, como mais um treino, como fizemos contra o Tottenham na Luz. Os Holandeses são inferiores, mas são competitivos, e rematam à baliza, com 70 horas de preparação para esse jogo, na minha opinião a rotação não deverá ser exagerada... e a concentração, tem que ser máxima. Com a utilização de alguns titulares contra o AZ, o jogo de Aveiro poderia ser ideal para rodar - o Jardel por exemplo...!!! -, pensando no jogo da Taça!!!
Se a decisão do Jesus, for manter, a rotação, tal e qual com tem feito até aqui, terá a minha concordância, mas admito, estou tentado e creio que na cabeça do Jesus, deve-se estar a passar o mesmo!!!

domingo, 6 de abril de 2014

Ganhar... aqui, ou na Coreia do Norte !!!




Nenhum jogo está ganho à partida, nada nos é oferecido... Amanhã, em Lisboa (se fosse em Pyongyang era igual!!!), só a vitória interessa...!!!

PS: A azia do jornaleiro ainda é notória, depois da conferência de imprensa, do pré-jogo!!!

sábado, 5 de abril de 2014

Heróis !!!

Oliveirense 1 - 2 Benfica B

Não há muito para dizer, num jogo de futebol disputado num relvado, que nem para Rugby servia, só se podia exigir atitude aos jogadores, e esta tarde, não faltou atitude aos jovens jogadores do Benfica, bem pelo contrário... Para se vencer um jogo nestas condições, só mesmo com muita raça Benfiquista...!!! Nem o nevoeiro, que atrasou o início da partida, em quase uma hora, nos travou, nem o penalty prematuro contra nos desmoralizou... a alegria e a lama na cara dos jogadores no final do jogo, prova que a equipa está concentrada na vitória da II Liga!!!

Inacreditável, como se permite relvados nestas condições em campeonatos profissionais... e neste caso, já é recorrente!!!

Vitória no Derby...

Benfica 8 - 2 Sporting

Mais um jogo nervoso, que só na 2.ª parte ficou decidido. Nota-se que a equipa fica demasiado ansiosa quando as coisas não correm bem, e hoje, na 1.ª parte isso foi muito notório, com os jogadores a querem decidir individualmente, e demasiado depressa...
A entrada no 2.º tempo foi a 'matar', com dois golos de rajada... o Benfica acalmou, gerimos melhor os tempos de ataque, e os golos foram surgindo naturalmente.
O jogo teve momentos de boa intensidade, mas mantenho a dúvida se esta equipa do Benfica, é capaz de defender consistentemente nos jogos mais complicados que se aproximam!!!
A arbitragem foi mais um festival de incompetência, mas desta vez, ao contrário da 1.ª volta, os erros foram para os dois lados, e isso deixou as Lagartixas muito nervosas!!!

Não foi assim tão fácil...

Benfica 4 - 1 Póvoa Futsal

Resultado enganador. O 1.º golo só surgiu no final da 1.ª parte, e o 2.º, só apareceu a 7 minutos do fim... Os outros golos, foram marcados nos minutos finais, quando o Póvoa já arriscava tudo...
O jogo só teve um sentido, o Póvoa meteu literalmente o autocarro à frente da baliza, e desta vez, conseguimos mesmo evitar contra-ataques perigosos, as nossas transições defensivas foram boas, nota-se uma grande evolução (só não evoluímos na eficácia ofensiva!!!)... mas durante a maior parte do tempo, com o resultado em 1-0 tudo podia acontecer, felizmente a jogada de laboratório que deu no 2.º golo, resultou, e partir daí, o resultado pareceu-me fechado!!!

Vitória... preparando o play-off !!!

Benfica 86 - 65 Ovarense
23-18, 16-19, 22-14, 25-14

Boa 2.ª parte, com uma boa percentagem de triplos... e com o Barroso, desta vez, a olhar para o cesto!!! Sem o Jobey (poupado, o 1.º lugar já está garantido... e ainda sem o Andrade) era preciso que alguém assumisse... Bonito o espectáculo do Betinho!!!

Juniores - 9-ª jornada - Fase Final

Romário
Benfica 3 - 1 Guimarães

Com um golo no 1.º minuto, tendo como adversário a equipa mais frágil nesta Fase Final, ainda pensei que íamos ter uma daquelas goleadas históricas... O 2.º golo surgiu pouco depois, mas o penalty inventado pelo árbitro contra o Benfica colocou a dúvida no marcador novamente. Marcámos o 3.º logo a seguir com alguma sorte... mas com algum excesso de individualismo, e com a tradicional ineficácia na cara do golo, acabámos por não voltar a marcar, e até permitimos alguns contra-ataques perigosos ao Vitória!!!
A opção pelo Estrela e o Gilson no 11 inicial, pareceu-me um 'teste' o jogo com o Real Madrid para a UEFA Youth Cup, o nosso próximo compromisso. A ser assim, deixar o Guzzo de fora é discutível... mas se resultar!!!
Com o empate do Braga em Alcochete ficámos isolados na liderança, mas nada está decidido... vamos ver como a equipa reage após o regresso da Suíça.

Benfica............22
Braga...............20
Sporting...........16
Corruptos.........15
Oeiras.............11
Leixões............8
Leiria...............4
Guimarães........1

Escapou entre os dedos !!!

Fonte do Bastardo 3 - 2 Benfica
18-25, 25-18, 25-27, 30-28, 15-10

Jogo acompanhado à distância, e com pouca informação. Mas parece que no 4.º Set, com 1-2 em Set's a nosso favor, chegámos ao 2.º tempo técnico a vencer por 8-16, e mesmo assim, permitimos aproximação da Fonte... e perdemos mesmo o Set !!!

Esta derrota, com 2 Set's ganhos, dá 2 pontos à Fonte e 1 ponto ao Benfica, assim a vantagem de 3 pontos, passa só a ser de 2 pontos. Faltam 2 jornadas, jogamos fora com o Atlântico da Madalena, e recebemos na Luz o Castêlo. Continuamos a depender só de nós, para terminar a 2.ª Fase em 1.º lugar, e assim, jogar a Final com a vantagem de potencial 'negra' ser na Luz... mas a vitória hoje, poderia ter sido importante psicologicamente, assim acabámos por dar 'esperança' ao nosso principal adversário!!!

A injustiça da justiça no futebol português

"Aos olhos dos cidadãos a justiça do futebol não é credível. É grave. Nem só o 'doping' põe em causa a verdade desportiva.

Entre todos os pilares essenciais à democracia, penso que o da justiça é o mais débil. A saúde não é exemplar, mas funciona; a educação não é a melhor (muito por culpa dos ratos burocráticos dos gabinetes do ministério) mas é ampla; a justiça, porém, é profundamente deprimente pela inaceitável demora dos processos e, acima de tudo, pela gritante desigualdade entre cidadãos.
As mais recentes e badaladas prescrições de processos a gente rica e mediática tem, aliás, dado da justiça portuguesa uma imagem disfuncional da própria democracia, sem que sobre o assunto se sinta um verdadeiro incómodo político do Governo e da própria Assembleia da República.
Percebo que a justiça portuguesa assente na ideia de que mais vale inocentar um criminoso do que culpar um inocente e que para isso procure oferecer amplos e generosos mecanismos de defesa que permitem infindáveis recursos que demoram infindáveis decisões dos tribunais. Não acredito, porém, que a Europa desenvolvida passe a vida a condenar inocentes e, no entanto, os prazos de decisão dos processos são descomunalmente menores.
Há, pois, uma inércia processual e uma evidente resistência à mudança na estrutura judicial portuguesa. A questão está mesmo em saber se o problema está na incompetência da capacidade de mudar, ou se está na falta de vontade de mudar.
Aparentemente, não parece aqui haver matéria desportiva que justifique a análise obviamente sucinta que usámos. Mas haverá, porque não me parece ser entendível, apenas à luz do desporto, a aberração de algumas decisões disciplinares feitas por órgãos com competência para julgar os processos de natureza desportiva e que evidenciam o mais evidente desrespeito pela inteligência e pelo bom senso dos cidadãos.
Quando o conselho superior de magistratura se pronunciou no sentido de impedir que juízes figurassem nesses órgãos disciplinares percebeu-se que o maior dos receios era o de que juízes com responsabilidades sociais e profissionais inerentes à sua função acabassem, na hora das decisões, por se deixaram influenciar pelas suas paixões clubísticas e decidissem, não em conformidade com os regulamentos e com a lei, mas de acordo com interesses particulares.
Ora, o que é legítimo perguntar é se esses juízes se deixam apenas influenciar pelos seus clubes e por quem os dirige. Ou seja, parece-me legítimo admitir, no mínimo, o receio de que esses juízes simplesmente influenciáveis, quer seja por clubes e pelos seus dirigentes, quer seja por outros poderes com influência na sociedade.
A verdade é que o futebol ficou a perder muito com essa decisão, até porque desde logo passou a ideia de que o próprio Conselho Superior da Magistratura admite que há dois pesos e duas medidas éticas e técnicas para a justiça do futebol e para a outra justiça, sendo que a do futebol poderá ser mais permissiva, mais tolerante à subjectividade ou à tentação de acomodar as decisões com os interesses próprios.
Acredita-se que a criação do novo tribunal desportivo (tanto tempo que tudo demora em Portugal, meu Deus!...) ajude a resolver esta situação de credibilidade zero em que vive a justiça do futebol português, mas até que tudo esteja devidamente regulamentado e, enfim, activado, a verdade é que continuaremos a ter casos que mancham a credibilidade do futebol e colocam sobre inevitável suspeição. É preciso entender, uma vez por todas, que não é só o doping que põe em causa a verdade desportiva.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Desporto mundial e política mundial

"Nem o Comité Olímpico Internacional nem a FIFA nem a UEFA têm assumido posições claras sobre a invasão da Crimeia pela Rússia. E já era tempo. Antes, aliás, o COI também nunca se intrometeu no desastre diplomático dos Jogos de Socchi. O pretexto, ora assumido com estas palavras por dirigentes ora subentendido por toda a gente, foi sempre: «Não fazemos política.»
Discordo destes posicionamentos. Se as mensagens políticas são proibidas a jogadores ou clubes, quando a FIFA, por exemplo, passa a admitir véus e turbantes no futebol está, inevitavelmente, a ser política. A política, pois, é uma inevitabilidade. Outros exemplos se encontrariam. A verdade é que a mensagem política não é de nenhum campo em concreto. A política, ela própria, não é um exercício diplomático de bem-falantes - ou não creio que devesse ser. O que é a política senão tudo, senão a orientação doutras actividades? Quando as grandes instituições desportivas, como o COI ou a FIFA ou a UEFA, dizem que não se imiscuem em políticas estão, dessa forma, a dar à política esse espaço injustificadamente privilegiado de actividade à parte.
A FIFA, dando seguimento aos exemplos, também não se tem pronunciado suficientemente sobre as agitações sociais no Brasil contra o Mundial nem contra as acusações de corrupção na atribuição do Mundial-2022 ao Catar nem, lá está, sobre a transversalidade das questões russas e ucranianas. Afinal, o Mundial de 2018 será na Rússia... E a UEFA, apesar de ter parceiros económicos russos e clubes na Crimeia que não sabem em que país vão competir, tem-se mantido afastada de discussões e posições. O silêncio sobre a actualidade, sobre a vida, por mais que seja hábito, não veste monges.
A falta de acção é até, paradoxalmente, sempre um acto político comprometido. Porque a política, como se disse, não existe por ela própria e logo ninguém é absolutamente político ou apolítico. Tudo está no meio. Não fazer é fazer também."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Conquistadores!

"TABRIZ - Ao longo dos últimos 25 anos, o treinador português foi ganhando fora de portas, com a conquista de evidentes sucessos, que têm ajudado a que cada vez mais o técnico nacional seja requisitado para diferentes partes do Globo. Queria aqui separar os que têm feito a sua carreira na Europa, à frente de equipas e selecções de primeira linha do futebol como o nosso grande Mourinho, Artur Jorge, Queiroz, Fernando Santos ou Jesualdo por exemplo, e outros que têm andado por futebóis e países, apesar de emergentes, ainda de menor dimensão futebolística, digamos assim.
O leque é vasto. Uma quase interminável lista de treinadores que foram tendo mais ou menos sucesso como Manuel José à frente do Al Ahli, no Egipto (exemplo de enorme glória!...), Manuel Cajuda ou Jaime Pacheco com as suas passagens pela China - com uma emotiva e intensa despedida do Jaime dos adeptos locais, que deixa marcas... - Calisto ou Vietname, Nelo Vingada na Coreia do Sul, Pedroto em Angola, Neca, que já treinou em todos os continentes, José Couceiro, que também andou por Lituânia, Turquia e Rússia, Acácio Casimiro em Marrocos e Kuwait, José Rachão igualmente no Kuwait, José Peseiro nos Emirados Árabes Unidos, José Dinis em Angola, António Caldas também em Angola, Rui Capela no Bangladesh... e as minhas desculpas por não me lembrar de todos.
Ao partirmos para estas aventuras e para estes desafios, todos nós nos confrontamos com diferentes culturas, religiões, costumes, línguas, que nos levam a preparar-nos para uma identificação com os países e com os clubes para onde vamos. São intensas experiências de vida que nos enriquecem e deixam marcas na forma como nos envolvemos, sem falsas modéstias, nesses desafios, com competência, dedicação e profissionalismo. Muitos de nós carregam a experiência como antigos jogadores, e todos como treinadores procuramos ajudar os atletas a ser melhores cada dia que passa.  Todos estas são, ainda, extraordinárias oportunidades de construir novas amizades e a riqueza de novas relações. Imaginem quantas histórias de vida não teremos todos para contar..."

Toni, A Bola

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Jesus continua a bater recordes

"O campeonato não está decidido mas está quase. Ganhar em Braga foi determinante. Neste momento, pese embora a prudência da equipa técnica e jogadores, os adeptos já vaticinam a jornada para os festejos. Mesmo eu, pessimistas de serviço, dou comigo a fazer contas para comprar o cachecol do 33.º título. Ora, se ser campeão nacional era o objectivo principal, vamos agora tratar de objectivos secundários com a mesma competência. A vitória de ontem na Holanda foi a prova de que Jorge Jesus continua a bater recordes com a equipa do Benfica. Desde 1969 que o Benfica não vencia na Holanda. Se pensarmos que a segunda mão é fácil, podemos ter surpresas desagradáveis, mas se fizermos um jogo intenso e aplicado estamos outra vez numas meias-finai europeias. A Liga Europa parece desenhada para a Juventus ganhar em casa, mas podemos bem contrariar esse desígnio, tal como outros já foram contrariados. Basileia está na meia-final, e o FC Porto está quase.
Uma palavra para o treinador do FC Porto, que vê os mesmos jogos que nós, diz coisas sensatas e ganha e perde com igual elevação. O FC Porto não está em crise nenhuma. Numas meias-finais da Taça de Portugal, nas meias-finais da Taça da Liga, à porta das meias-finais de uma competição europeia e só agora fora da luta pelo título nacional, este FC Porto pode fazer uma excelente época. O problema do FC Porto não é a sua época, mas aquela que o Benfica está a fazer. O Benfica não é para o FC Porto um adversário, é um complexo. Ora, como o Benfica está melhor, a fazer melhor, e a jogar melhor, esse complexo esconde uma temporada até muito positiva. O que tem faltado ao FC Porto são derrotas do Benfica para festejar. O que faz falta ao Benfica, para o FC Porto entrar verdadeiramente em crise, é festejar muito e por muitos motivos.
Segunda-feira contra o Rio Ave e quinta-feira contra o AZ podemos e devemos dar mais dois passos para esses festejos."

Sìlvio Cervan, in A Bola

Vaidade e verborreia

"1. Há uma frase do Antigo Testamento que, em latim, vai assim: vanitas vanitatum et omnia vanitas. Eu traduzo: vaidade das vaidades, tudo é vaidade. A vaidade é uma doença. E há quem a pratique como se fosse uma religião. No futebol há os artistas - os jogadores; e os directores dos artistas - os treinadores. Todos os outros deviam reduzir-se à sua insignificância secundária. Alguns pura e simplesmente não conseguem: lá está, é uma doença.

2. Ver um árbitro num programa de televisão a distribuir beijos e abraços sublinhados com querido para aqui e querido para ali foi-me absolutamente deprimente. Senti vergonha: não por mim mas pela figurinha. Há quem chame aos árbitros juízes. Porque têm de decidir. As decisões isentas e ponderadas não se tomam por ente excessos de intimidade. Tomam-se com distância e isenção. Mas, por falar em tomar, não há compridos que se tomem contra o excesso de vaidade.

3. Tão deprimente como um árbitro que ainda percebeu que a sua função não é a de ser vedeta é ver um presidente de um clube histórico sofrer de verborreia aguda. Não controlar os músculos que comandam a língua também deve ser uma doença. Coordenar o discurso já é uma questão que não tem solução. Isto é: irremediável!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Do dolo e outras coisas cómicas...

"O Conselho de Justiça da FPF deu como provado que o FC Porto provocou, dolosamente, o atraso do início do jogo que disputou, para a Taça da Liga, com o Marítimo. Mas, num acórdão que constituirá preciosa doutrina para os vindouros, nem que seja a contrario sensu (e se calhar também para alguma stand up comedy...) os doutos conselheiros plasmaram que não se provou que essa acção dolosa visava o prejuízo de terceiros, neste caso, do Sporting, parte interessada no apuramento para as meias-finais da Taça da Liga. Trata-se, de uma conclusão imaginativa, porque consagra o princípio do crime sem vitima.
A justiça, em Portugal, não passa por um bom momento, a crise limita ainda mais os meios ao serviço da lei e uma série de prescrições em casos mediáticos arrasta pela lama e credibilidade de um dos pilares da nossa sociedade. Infelizmente, também no futebol, onde todas querelas jurídicas são altamente publicitadas, das decisões dos Conselheiros de Disciplina e Justiça não resultam quaisquer ganhos para a imagem do sector.
Veja-se, por exemplo, o castigo a Luís Filipe Vieira que, carregado de razão, falou contra o árbitro do Benfica-Belenenses, disputado há 24 semanas: dois meses de suspensão. Mas o presidente do SC Braga que, carregadíssimo de razão se atirou ao árbitro do Rio Ave-SC Braga da Taça da Liga, em termos ainda mais pejorativos, passou entre os pingos da chuva da justiça desportiva.
São situações destas que fazem com que se olhe para os membros dos órgãos disciplinares do futebol sem a consideração que as suas atribuições normalmente justificariam. É por isto que o Conselho Superior da Magistratura não gosta de ver juízes na Justiça do futebol. Nem nos camarotes..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Competência à prova de títulos

"Quando, em Maio do ano passado, contrariando opiniões oriundas dos mais diversos quadrantes internos e externos, bem ou mal intencionadas, Luís Filipe Vieira decidiu, convictamente, renovar contrato com o treinador Jorge Jesus, afirmou também que pretendia uma temporada igual à anterior, mudando apenas o desfecho final.
É verdade que ainda não ganhámos nada. Mas estamos em pleno mês de Abril, e podemos já dizer que, independentemente do desfecho das várias competições que disputamos, a época 2013-14 está, de facto, a ser muito semelhante à anterior.
Semelhante na força competitiva da equipa, semelhante na qualidade de futebol apresentado, semelhante nas esperanças que nos vai abrindo no horizonte. Estamos destacados na liderança da classificação, mantemo-nos firmes em todas as provas, sonhamos vencer tudo, ou quase tudo. Falta, 'apenas', o final diferente. É preciso dizer que, com Jorge Jesus ao leme, o Benfica realizou as melhores cinco temporadas das últimas décadas. Não se trata de uma opinião. São factos, que podemos comprovar olhando para a pontuação dos vários campeonatos desde o início dos anos noventa.
Sem interferências externas em 2012, e com um pouco mais de sorte em 2013, estaríamos agora a bater-nos pelo 'Tri'. O que, diga-se, faria justiça a todo um trabalho que começa nas condições criadas pela administração, acaba no valor e empenho dos jogadores, mas passa, também, pela indiscutível competência de um técnico nem sempre bem entendido por todos.
Importa ainda lembrar que, em 2009,ocupávamos um discreto 23.º lugar no ranking da UEFA, e neste momento estamos numa brilhante 6.ª posição, apenas superados por Barcelona, Bayern, Real Madrid, Chelsea e Man. United. Nestas cinco temporadas chegámos sempre, pelo menos, aos quartos-de-final de uma prova europeia - sequência inédita na história internacional do clube.
Há momentos em que é fácil decidir. No rescaldo da dramática primavera de 2013 não o era. E é nas horas difíceis que se encontram os verdadeiros líderes."

Luís Fialho, in O Benfica

Justiça com Nuno

"Qual é a maior herança na história centenária do nosso Clube? Por mais e maiores que sejam os troféus, de resto abundantes, nada substitui, em grandeza, o seu património humano. Atletas e técnicos, basicamente. Responsáveis primeiros pelo estatuto de clube mítico, motivo de orgulho do Benfica, apenas partilhado por meia dúzia de emblemas desportivos em todo o mundo.
Sem Eusébio, sem Coluna, cruelmente desaparecidos, o universo benfiquista pode recordar-se de um ano doloroso como poucos. Ainda assim, as homenagens que foram prestadas aos dois grandes símbolos atestam a generosidade, veneração mesmo, do cosmos vermelho, apostado também em dedicar-lhes, a breve trecho, saborosas conquistas.
Quando se fala no exaltante passado, no respeito e admiração por todos os que serviram a causa rubra, é de elementar justeza sublinhar a importância do presidente Luís Filipe Vieira. Não há memória, pelo menos nas últimas décadas, de termos um líder tão próximo, no plano emocional, de todos aqueles que fizeram a gesta do Benfica.
Há escassas horas, o regresso de Nuno Gomes à estrutura do futebol, num cargo vocacionado para as relações internacionais, é mais um episódio que se inscreve nesse contexto. O antigo avançado, jogador de enorme agrado popular, profissional irrepreensível, inteligente e aprumado, desportista modelar, benfiquista fidedigno, vai acrescentar maior valia aos actuais quadros do Clube.
Luís Filipe Vieira operou justiça. Nuno Gomes vai operar competência. Todos nós, vamos operar aplausos."

João Malheiro, in O Benfica

Aguenta Coração!

"Faltam cinco jornadas, três das quais em casa, e a vantagem mantém-se confortável. Mas nós sabemos, por saber de experiência feito, como são estas coisas. E também sabemos que, dos nossos adversários mais directos, um voltou a ganhar com um golo irregular, outro voltou a escaqueirar a loiça na sequência de uma derrota. Mas pensemos em nós, pois só de nós dependemos.
O Benfica tem um calendário terrível até ao fim da temporada. Depois de sete jogos em Fevereiro e oito em Março, seguem-se em Abril três jogos para o Campeonato - em casa com o Rio Ave e Olhanense, fora com o Arouca -, dois jogos para a Liga Europa, com o AZ Alkmaar, um jogo para a Taça, em casa. Pelo menos, pois há um Taça da Liga pendurada não se sabe de quê nem até quando.
De maneira que agora, e como se viu em Braga, é pedir ao coração que aguente, pois está tudo em aberto: o Benfica pode ganhar tudo, alguma coisa, ou nada. Cá por mim, coloco o Campeonato como prioridade, porque é a competição que dá o título de Campeão, o que mais se adequa ao Sport Lisboa e Benfica. O Clube Campeão. Mas ainda bem que o Benfica está em todas e luta por todos os títulos. Só chegar a esta fase de todas as competições é um feito extraordinário. O Benfica está este ano em alta no Club Worl Ranking - 9.º lugar da lista dos melhores do mundo e em Portugal o resto é paisagem - pela época que tem feito, independentemente do que venha a ser o resultado final, e pela extraordinária época que fez no ano passado.
De maneira que até final da época é jogo a jogo e com uma recomendação especial ao coração para que aguente. Viu-se em Braga, como a gestão do esforço nos bate no peito. O que nos vale é a confiança: não esperamos milagres nem favores. Somos Benfica."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Já só faltam oito!

"1. Não gostei da exibição em Braga, demasiado passiva. Faltou o segundo golo para justificar essa passividade. A equipa da casa nunca chegou a ameaçar muito (mérito nosso também) mas há sempre a possibilidade de surgir em golo inesperado.
Depois, no final, outra contrariedade: não foi chamado Lima (que tem estado impecável a marcar penalties) para a grande penalidiade e... não houve golo. Mas ganhou-se com toda a justiça e agora já só faltam oito pontos em cinco jogos para o título ser finalmente nosso. Segunda-feira teremos que ganhar mais três...

2. Apesar das péssimas condições atmosféricas, foi um êxito mais uma Corrida do Benfica, que homenageou o nosso saudoso António Leitão. Entre os milhares de concorrentes na corrida, há a salientar os 4.931 que completaram os 10 Km da corrida, mais 49 por cento (!) que o anterior recorde de 3.305 e mais 15 por cento que os 4270 que há meses completaram a Corrida do Sporting, realizada em dia bem mais agradável e sem a concorrência de outras provas como houve agora.

3. O presidente do Sporting, Bruno Carvalho, completou um ano à frente do seu clube e o balanço segundo os sportinguistas, é bastante positivo. Depois de muito dinheiro mal gasto, de um nunca muito bem explicado depósito de dinheiro na conta de um árbitro assistente, efectuado a mando de um vice-presidente (e do qual o clube nunca se demarcou), enfim após um triste mandato, as coisas estão bem melhores no seio do nosso eterno rival. Embora falando demasiado, Bruno Carvalho tem-se demarcado da política dos seus antecessores que, com poucas excepções, sempre se 'atrelaram' a Pinto da Costa e às suas lamentáveis atitudes, mantendo uma triste política de vassalagem que em nada beneficiou o futebol português... e o próprio Sporting.

4. Fazendo contas 'à Bruno Carvalho', o FC Porto pode lamentar-se pelo facto de, em duas jornadas apenas, ter sido prejudicado em nove pontos que lhe dariam o 2.º lugar: um golo mal anulado e um penalty não marcado em Alvalade e no Nacional não são seis pontos. Com três que o Sporting somou indevidamente, estaria em 2.º lugar.
Este Campeonato, realmente, está muito diferente: até o FC Porto tem razão para se queixar das arbitragens! Algo nunca visto em 30 anos..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

As boas-vindas

"Esta é a terceira vez que digo “bem-vindo sejas” ao Nuno Gomes. A primeira vez já vai longínqua, era a saudação a uma jovem promessa do futebol. A segunda vez já era a saudação a uma certeza do futebol, feita de benfiquismo, de classe e inteligência fora e dentro do campo. O primeiro regresso foi um momento de renovar a esperança no futuro e uma garantia de que Nuno Gomes era um fiel depositário dessa esperança. Regressou já como um capitão, um líder da equipa, independentemente de ostentar ou não a braçadeira.
Nas doze épocas de Benfica soube ser e soube estar, soube ser o tempo e o modo, soube ser o profissional, o adepto e assumir o papel de símbolo que a muito poucos está reservado e que, no futebol moderno, é cada vez mais escasso. Para se ser símbolo é necessário ter a mística, a fidelidade, a classe e a paixão pelo Clube. Nuno Gomes soube ter tudo isto. Nos tempos que correm, estes símbolos escasseiam e são essenciais como referência. Depois de ter saído para terminar a carreira noutras paragens (nunca gostei da ideia de o ver jogar por outro clube português que não o nosso), regressa pela segunda vez à nossa casa. 
Em Maio do ano passado, no aeroporto de Amesterdão, depois de uma final europeia perdida, encontrei o adepto Nuno Gomes, anónimo na multidão, de cachecol, aborrecido com a derrota, mas orgulhoso pelo benfiquismo. Disse-lhe pessoalmente que estava chegado o momento de lhe dar, novamente, as boas-vindas ao Benfica, agora na condição de dirigente. Quase um ano depois, as boas-vindas estão consumadas. O futuro do Benfica constrói-se dirigido, também, com símbolos como Rui Costa e Nuno Gomes. Dêmos, então, as boas-vindas ao futuro."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica