Últimas indefectivações

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A todos os títulos lamentável

"A última coisa que faltava ao Benfica era acabar esta temporada de 2010/2011, a todos os títulos lamentável, com um processo disciplinar a Fábio Coentrão que foi, simplesmente, o único jogador do Benfica que jogou à bola a sério, sem falhas, sem quebrantos, sempre em altíssimo nível durante a época inteira.

Coentrão, de todos os jogadores do Benfica que estiveram no Mundial da África do Sul - e foram muitos, ao serviço de muitas selecções - foi o único que não foi vítima da síndrome do Mundial. Fez as suas feriazinhas, mais curtas do que o habitual, e apresentou-se no Estádio da Luz fresco como uma alface, pronto para mais um ano de trabalho que cumpriu com brio, profissionalismo e talento do principio ao fim.

Parecia até, em comparação com alguns companheiros bem mais experientes do que ele nestas altas andanças, que Coentrão tinha-se limitado a ver pela televisão os jogos do Campeonato do Mundo da África do Sul, confortavelmente sentado no seu sofá em Caxinas, que é a terra onde nasceu.

Fábio Coentrão terminou a época no Estádio da Luz, no jogo com o União de Leiria, e despediu-se dos adeptos do Benfica com uma promessa enganadora, uma promessa que não devia ter feito: «Cá estarei no dia 22 de Junho», disse. Também é verdade que ninguém acreditou que alguma vez viesse a ser verdade a continuidade do lateral-esquerdo no Benfica, pelo que Coentrão jamais passará por mentiroso.

É de presumir que Coentrão, durante largo tempo, esteve em sintonia com o Benfica no que diz respeito à sua transferência para o Real Madrid. E ao despedir-se «até 22 de Junho», o jogador mais não estava do que fazer a sua parte da pressão sobre o Real, demonstrando aos espanhóis que se o queriam levar teriam de abrir os cordões à bolsa e bater os 30 milhões da cláusula da rescisão.

Aparentemente, Coentrão fartou-se de esperar pela conclusão do negócio entre o Benfica e o Real Madrid e, impaciente, mudou de campo um tanto precipitadamente. Passou a fazer parte da pressão do Real Madrid sobre o Benfica ao confidenciar - confidenciar? -ao jornal desportivo madrileno As que era do Real «desde pequenino» e que já estava de corpo e alma em Chamartín.

O Benfica quer o dinheiro todo e Fábio Coentrão quer ver-se rapidamente no Santiago Bernabéu. Neste conflito de interesses provocado pela demora nas negociações ficou estragado o idílio amoroso entre Coentrão e o Benfica. É uma grande pena que uma relação que foi exemplar de paixão mútua e de profissionalismo termine em zaragata nos jornais e em ameaças de processos disciplinares.

É um negócio de milhões e, assim sendo, compreende-se não só a dimensão do conflito como também a intervenção pronta do presidente do Sindicato dos Jogadores que veio provar ao País que um sindicalista que se preze tanto olha pelos casos desesperados dos jogadores que não recebem salários como pelos casos milionários. Joaquim Evangelista correu à praça pública para clamar que Coentrão «tem toda a liberdade para manifestar a sua opinião, desde que não colida com os interesses do Benfica».

Escolheu mal as palavras o presidente do Sindicato dos Jogadores porque a pressa de Coentrão em ver-se em Madrid colide, precisamente, com os interesses do Benfica num valor de 5 milhões de euros, que é a diferença entre o que o Real oferece e o que o Benfica não pretende aceitar.

Os benfiquistas bem gostariam de ser poupados a este episódio final de uma época tão triste. Como se não nos bastasse ter de ver Coentrão ir-se embora, ainda temos de ver Coentrão no absurdo papel de mal-amado.




ARGEL garantiu esta semana que Bruno César, o canhoto que o Benfica já contratou ao Corinthians, «é muito parecido com Moutinho a jogar, é muito bom, forte, vai ajudar o Benfica=, disse o antigo defesa-central do FC Porto e do Benfica.

Era com que Bruno César fosse «parecido» com Moutinho. Aliás, foi uma pena que, no defeso passado, o Benfica, no lugar do FC Porto e, sobretudo, pelo mesmo preço, não se tivesse abalançado a um João Moutinho em rota de colisão com os responsáveis do Sporting. Que jeito teria feito o dínamo Moutinho no depauperado meio-campo do Benfica pela saída do dínamo Ramires.

Mas agora vem aí Bruno César e chega bem credenciado. Se Argel tiver razão e o brasileiro for «muito parecido» com Moutinho, será sem qualquer espécie de dúvida uma boa contratação do Benfica. E pode acontecer ainda melhor.

Imagine-se que Bruno César acumula não só as qualidades de João Moutinho mas também outra gama de talentos de vocação mais virada para a baliza. Vamos esperar para ver, é este o encanto de todos os defesos...




NOLITO visto no youtube é fantástico. Falta vê-lo a sério, na chamada vida real, noventa minutos todos os fins-de-semana ao longo de meses, com sol e som chuva, inspirado e desinspirado, como acontece a todos.

O jogador espanhol tem vindo incessantemente a explicar através dos jornais as razões que o levaram a optar pelo Benfica em detrimento do Barcelona, onde raramente tinha acesso à equipa principal. Nolito, segundo se depreende das suas palavras, vem para o Benfica para «jogar com regularidade», ambição legítima para um profissional com 24 anos de idade.

Nolito parece ser uma pessoas humilde. «Jogarei onde o treinador quiser, procurarei adaptar-me às necessidades da equipa», disse a A BOLA na sua edição de ontem. Ficam-lhe bem estas palavras. Depois acrescentou: «E se for preciso jogar a guarda-redes também o farei.» Pronto, aqui é que estragou tudo.

Porque se Nolito, afinal, também dá para jogar na baliza, então, nesse caso devia ter vindo para a Luz um ano mais cedo.




NO sábado passado a selecção portuguesa não fez nem mais nem menos do que lhe competia. Ganhou à Noruega e saltou para o primeiro lugar do seu grupo de qualificação para o Europeu de 2012.

Apesar de ser um jogo importante, era obrigatório ganhar, o Portugal-Noruega foi vivido nas bancadas da Luz num ambiente de fim de temporada e até de fim de ano escolar. Basta dizer que o único momento de verdadeiro delírio entre o público aconteceu já em tempo de descontos quando um adolescente atrevido invadiu o relvado embrulhado numa bandeira nacional e foi cerimoniosamente cumprimentado por alguns jogadores que não resistiram a embarcar no momento cómico da noite.

A multidão adorou e o nosso streaker imberbe rematou a sua performance com uma frase digna de registo: «Sou o orgulho da Nação!».

Já Cristiano Ronaldo mostrou, uma vez mais, que tem grandes dificuldades em ser o orgulho da Nação sempre que veste a camisola da Selecção Nacional. Não é que Ronaldo tenha jogado mal contra os noruegueses. Mas quando está de quinas ao peito, Ronaldo raramente consegue produzir aquelas fabulosas habilidades que o transformam num ídolo mundial e que o vimos protagonizar em Manchester e, agora, em Madrid.

Há quem justifique esta perpétua crise de Ronaldo na Selecção com o facto, indesmentível, de não ter a seu lado jogadores do mesmo nível galáctico que tem em Madrid.

E como o futebol é um desporto colectivo, estes pormenores acabam por ter a sua importância em termos práticos. Ronaldo joga melhor no Real de que na Selecção porque está inserido num elenco de bastante melhor qualidade.

É, por exemplo, o que acontece precisamente a Hélder Postiga que joga muito melhor na Selecção do que no Sporting pelas mesmíssimas razões. E que bom golo marcou Postiga aos noruegueses, a passe de Nani, pois claro!




VAI começar a Copa América e o Benfica, com Luisão, e o FC Porto com Guarín e Falcao, vão estar representados na mais importante competição sul-americana entre selecções. Hulk, no entanto, não foi convocado ainda que seja ele, entre todos os avançados brasileiros a jogar por esse mundo fora, o único a ter um contrato com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros.

Vê-se logo que o seu empresário não se chama Jorge Gomes..."


Leonor Pinhão, in A Bola

Ainda o defeso: no Benfica(II)

"Estou consciente das dificuldades que uma Direcção sempre tem na construção de um plantel. Por isso, o que para hoje (e ontem) escrevi deve ser lido, não como uma crítica, mas como um desabafo solidário de quem, fora do vulcão das transacções do defeso, ainda quer acreditar que é possível conciliar razão com emoção. Ora, acontece que, nestas semanas, a minha memória já não é capaz de abarcar a pletora de putativos candidatos a jogadores do Benfica. Todos os dias surgem como cogumelos, numa volúpia inflacionista de quem se serve do nome e prestígio do Benfica, não para 'memória futura', mas para 'comissões futuras'. Os casos de pura imaginação ou boataria - e são muitos - deveriam ser liminarmente desmentidos e repudiados.

Depois, todos os dias há notícias(?) sobre o plantel: ou é Saviola com proposta das arábias, ou Aimar em reflexão, ou Cardozo hesitante entre a Rússia e a Luz, ou Luisão com vontade de sair, ou Maxi que pode ser assediado pelo rival, ou Roberto que fica-e-não-fica, etc.

E, finalmente, o que se passa com Coentrão. Não faz qualquer sentido que o ainda empregado pago pelo Benfica fale como se já fosse do Real Madrid. «Tentaram que eu ficasse mas, claro, a minha decisão está tomada», disse a jornal espanhol. Há limites para tudo, mesmo para Coentrão. Por isso, apoio inteiramente a decisão disciplinar da SAD. E a firmeza para com o Real Madrid que, se o quiser ter, deverá bater a cláusula dos 30 milhões (e que até é pouco para a sua valia) sem jogadores em troca. Aliás, estou cansado do argumento (generalizado entre futebolistas) de que, coitados! «não podem ficar contrariados». Como se cumprimento de contrato assinado de livre vontade fosse punição!"


Bagão Félix, in A Bola

Nunca mais

Não tenho muita vontade em escrever sobre o tema do momento, por isso vou tentar ser curto:

O comportamento do Real, e do seu actual comparsa não é novidade para ninguém, bem pelo contrário... As roubalheiras arbitrais, a corrupção ao mais alto nível no dirigismo são cancros que ameaçam o Futebol, mas os efeitos nefastos causados pela acção dos ditos empresários, não ficam atrás. Estes oportunistas nada trazem ao Futebol, enchem os bolsos, vão distribuindo as comissões pelos dirigentes dos clubes, das Federações Nacionais, e dos organismos internacionais, garantindo assim, total impunidade. Vão agindo declaradamente contra os interesses da Industria, mas aparentemente ninguém se preocupa!!!

Sendo considerado quase por todos como o actual 'rei' destes filhos-da-puta, Jorge Mendes não deixa a fama por mãos alheias. Neste caso especifico é ele o principal culpado desta situação, o Coentrão é maior e vacinado, devia pensar antes de abrir a boca, mas é o Mendes que está a puxar os cordelinhos... Aliás como já fez com o Ronaldo recentemente, e com o 'nosso' Tiago no passado...

O maior beneficiado com toda esta palhaçada é o Real, tudo isto é uma tentativa clara de baixar o preço, mas não me admirava nada se o Real tivesse prometido uma 'comissão' maior ao Mendes caso o Coentrão ficasse mais barato!!!

Alguns ainda colocaram a possibilidade, desta novela, ser uma forma da Direcção do Benfica passar para cima do Fábio a ónus da 'culpa', mas o curriculum do Mendes deixa poucas dúvidas...

O Benfica, infelizmente pouco pode fazer, até porque o tempo corre 'contra'. Ainda por cima o outro defesa esquerdo do plantel deve ir para o Mundial na Colômbia, portanto não temos defesa canhoto para o primeiro compromisso oficial da época. Atrasar o negócio Coentrão até à 'última' (como aconteceu com o David), poderá comprometer desportivamente a atempada, e desejada construção do plantel...

Os jogadores tem o direito de procurarem o melhor para si, e para as suas famílias, mas existem limites para tudo. Por exemplo o Simão, pelo menos publicamente, nunca teve comportamentos deste tipo... É uma questão de respeito pelo Clube que os projectou e principalmente pelos adeptos, nada mais...

Mantendo a minha coerência, assim como disse: Tiago nunca mais, após uma conferência de imprensa na Selecção, forçando a saída (além obviamente do Miguel, do Manuel Fernandes...), volto a afirmar hoje, independentemente de todos os potenciais prejuízos desportivos: Coentrão no Benfica, nunca mais!!! Por muito que isso possa chocar... o jogador está a ser manipulado, é verdade, mas a culpa não é minha, nem do Benfica...

A corrente 'catastrófica Benfiquista' quer fazer deste caso mais um exemplo do fim dos valores do Benfica. Eu 'por acaso' discordo: no passado isto praticamente não aconteceu, é verdade, mas em muitos casos os jogadores até tinham vontade em sair, mas o Clube tinha o 'queijo e a faca' na mão, bastava accionar a clausula de opção, hoje nenhum Clube pode impedir estes casos, e enquanto não se regular convenientemente, ao nível da FIFA estes casos, isto irá acontecer repetidamente, sempre com os Clubes com mais dinheiro a saírem beneficiados...

PS1: Parece que os Benfiquistas ficaram muito ofendidos com as palavras de um tal Evangelista!!! Recordo que este senhor é mais um daqueles supostamente Benfiquista!!! Se o comentário sobre o Coentrão ainda se pode aceitar, por mais estúpido, e ignorante que seja, as palavras sobre o Nuno Gomes são de uma profunda má-fé...

PS2: Já agora sobre o Nuno Gomes, relembro que nem o Eusébio terminou a carreira no Benfica!!!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ainda o defeso: no Benfica(I)

"Para se juntarem vitórias e repetir êxitos há uma regra a preservar: a estabilidade do plantel, apenas com as mudanças cirúrgicas (e financeiras) necessárias.

O Benfica, campeão em 2010, perdeu Ramires e Di Maria, atletas cruciais para o título e deixou sair, inexplicavelmente a meio da época, David Luiz (depois dele, foi batido o recorde de 19 jogos sempre a sofrer golos, 27 ao todo!).

Sem estes jogadores, e agora provavelmente sem Coentrão e Salvio, com Aimar no crepúsculo e com dúvidas sobre Saviola e Cardozo, como se podem fazer milagres?

Bem sei que as mais-valias dos direitos dos jogadores são necessárias para aguentar a nau financeira. E que, por isso, mais tarde ou mais cedo, se tenha de ceder ao mercado. Mas com conta, peso e medida.

A consistência do sucesso no Benfica também não é compatível com jogadores emprestados por outros (Reyes e... provavelmente, Salvio). Aliás, com o Atlético Madrid o saldo é-lhe sempre irritantemente favorável: os dois jogadores relacionados com a transferência de Simão nunca apareceram, Roberto é o que se sabe, Salvio fez subir o preço e adquiriu-se uma percentagem do passe de Reyes provavelmente sem qualquer retorno...

Do mesmo modo, o sucesso continuado não se escreve com jogadores, ainda que excelentes, que por cá passam a caminho da Europa (exemplo: Ramires). E entretanto, qual clube rico, emprestam-se Urreta e Sidnei e compra-se Rodrigo para emprestar...

Assim, o treinador vai ter, 2011/12, uma equipa quase toda diferente da campeã em 2009/10 (restarão Luisão, Maxi, Javi Garcia e Saviola?). Por isso haverá a necessidade de um reset... com uma catrefada de novos jogadores.

Prefiro a qualidade em pequena quantidade do que a quantidade de pequena qualidade."


Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 7 de junho de 2011

A dimensão europeia do Benfica

"Chegou o dia: 31 de Maio de 1961! A data em que o Benfica consagrou o seu nome pela Europa fora. Os 'encarnados' deslocaram-se para a Suíça com uma semana de antecedência. Ali estagiaram num local recatado e aprazível. O Barcelona, adversário do 'Glorioso' na final de Berna, aterrou na cidade helvética com a auréola de vencedor pré-enunciado. Os 'blaugrana' com uma frente atacante composta pelos húngaros Kubala, Kocsis e Czibor, a que juntavam o brasileiro Evaristo e o super avançado espanhol Suarez, eram uma formação temível. Não só por todos estes elementos de valia, mas pelo poderio granjeado ao longo da década de 50, em que os catalães disputaram o domínio pelo futebol no país de 'nuestros hermanos' e no 'Velho Continente' com o grande rival Real Madrid, o Barcelona antecipava o caminho da história da UEFA.
Antes, os 'merengues' haviam constado cinco Taças da Europa, de forma consecutiva. Desta feita, eliminados pelo Barça nos oitavos-de-final da prova, suponha-se terem aí passado o testemunho ao novo vencedor da competição.

Um confronto entra David e Golias
O Barcelona, com o futebol profissionalizado há bastante tempo, para chegar a Berna deixou por terra o 'Pentacampeão' Madrid, mas também o grande Hanburgo de Uwe Seeler. Na extinta Taça Latina arrecadara dois troféus, em 1949 e 1952. Ao invés, o Benfica um clube que abraçara o profissionalismo somente em 1954, participava na Taça dos Campeões pela segunda vez e lutava pelo reconhecimento a nível europeu e mundial, apesar, de ter, como se sabe, triunfado no Campeonato Latino de 1950. Portando, constava-se um desafio entre dois pólos opostos.
Os espanhóis iniciaram o encontro numa toada lenta. Todavia, fruto da superioridade que ostentavam, inauguraram o marcador à passagem do minuto 20, por intermédio de Kocsis. Com Costa Pereira na baliza, os raçudos Mário João e Ângelo nas laterais, os consistentes Neto, Germano e Cruz na zona central, e veloz José Augusto, o estandarte Coluna, os tecnicistas Santana e Cavém e o 'matador' Águas reagiu o Benfica à vantagem 'culé'. À meia-hora, após jogada rápida pela esquerda, o 'capitão' empurrou para o empate. Um minuto depois, as 'águias' colocaram-se em vantagem, beneficiando da infelicidade da defesa catalã, com Ramallets a marcar na própria baliza. Reviravolta na 'placard' e agora a história haveria de ser definitivamente diferente.

Grande Benfica para a vitória
Entrada forte do 'Glorioso' no segundo tempo. Quando a televisão suspendia a emissão, por falta de condições técnicas, o Benfica ampliava a vantagem para dois golos. Coluna, com um potente e colocado remate na zona da meia-lua da área do Barcelona, ascendia o marcador para 3-1, aos dez minutos da etapa complementar. Um sensacional disparo, a recordar o chamado 'pontapé de moinho', para o ângulo inferior direito da baliza de Ramallets.
A capacidade de sofrimento dos atletas encarnados foi sublime até final. Aos 75 minutos, o Barça reduziu, grande tento de Czibor, de pé esquerdo, sem 'chances' para Costa Pereira. O Campeão espanhol começou a apertar, em busca da igualdade. Mário João e Ângelo limpavam o esférico do perigo, o gigante Germano varria as bolas difíceis e o Guarda-redes Costa Pereira realizou a exibição de uma vida, impedindo o golo por diversas ocasiões. Ele... e os postes, diga-se. É que perto do fim, os jogadores Benfica viram a bola na madeira direita, para logo em seguida observarem novo lance, em que a 'redondinha' pingou num poste, andou sobre a linha e embateu no outro poste. Sorte para as 'águias'. E a definitiva glória estava ali tão perto. Pertíssimo, fazendo o clube jus à ostentação do nome de 'Glorioso' para a enternidade.
Um emblema português, de um pequeno país marcado por uma ditadura fascista, tornava-se no sucessor do Real Madrid de Puskas e Di Stefano. A Europa futebolística passou a respeitar o Benfica, como um grande do 'Velho Continente'. Ganha a dimensão europeia, faltava mantê-la. Bem se pode dizer que, 50 anos depois, os jogadores que têm defendido as cores 'encarnadas' dignificaram o nome do Benfica, prestigiando o Clube pelo mundo. Vejamos: nova vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1962, três presenças na final da Taça da Europa na década de 60, outras três aparições nos anos 80, inúmeras presenças em fases adiantadas das competições europeias e muitas digressões pelo planeta, onde o Benfica é chamado a representar o nome de Portugal.
31 de Maio de 1961 foi há 50 anos. Comemora-se a primeira vitória da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Parabéns aos 14 atletas, que ilustraram o imaginário de sonho dos benfiquistas. Mas acima de tudo, Parabéns ao Sport Lisboa e Benfica!"

João Queiroz, in O Benfica

Voltar a ganhar

"Antes de ser um espectáculo, o Futebol é um jogo, que vive de resultados. Quando se ganha, tudo está bem, quando se perde, tudo se transforma subitamente. Procuram-se então as razões para a derrota, mas essa busca nem sempre é conclusiva. Na verdade, uma importante fatia do êxito ou inêxito desportivo reside na natureza aleatória do próprio jogo, e procurar causas para certas derrotas (sobretudo quando ocorrem entre equipas da mesma igualha) é como tentar perceber porque não acertamos no Euromilhões. Havendo que vender jornais, e que subir audiências televisivas, somos frequentemente confrontados com análises que, a partir do resultado, constroem uma retórica de vazio, por vezes divertida, por vezes interessante, mas raramente esclarecedora. Estamos a falar de Futebol, que não sendo propriamente uma ciência oculta, também não aceita prognósticos antes dos jogos - como uma voz sábia um dia nos ensinou.

Existe uma outra fatia deste bolo, que pode, essa sim, ajudar a explicar sucessos e fracassos com alguma objectividade. Arbitragens, lesões, ou simples mérito dos adversários, são aspectos que interferem nas performances competitivas, desenhando-lhes o rosto, e traçando-lhes o rumo. Todos eles condicionaram, directa ou indirectamente, a temporada do Benfica: Benquerença em Guimarães e Xistra em Braga (não esquecendo outros), lesões de Salvio e Gaitán em altura de decisões (sem falar de Ruben Amorim), e 'last but not least', um super-FC Porto (provavelmente o melhor de todos os tempos), marcaram inegavelmente o nosso destino, não permitindo que o sucesso do 2009/10 pudesse ser repetido.

Nestes dois parágrafos está espremido muito do sumo das nossas frustrações. Creio, honestamente, que nelas se situa a maior parte dos fundamentos para os pobres resultados conseguidos. Basta imaginarmos uma época com arbitragens perfeitas, sem lesões, com alguma sorte (por exemplo em bolas que bateram nos postes) e com o FC Porto do ano anterior, para percebermos o quanto poderíamos ter sido felizes com o mesmo plantel, com o mesmo treinador, e com a mesma metodologia de trabalho.

Azar, arbitragens, lesões e um opositor fortíssimo são, de facto, factores suficientes para explicar uma época de desilusões. Mas seria errado, e até contraproducente, concluir então que, para além deles, nada de mais ou de melhor poderíamos ter feito. Esconder a cabeça na areia não é política de campeões, e o Benfica - que melhorou bastante nos últimos anos - tem de saber aprender com os erros, aprendendo também a evitá-los, aumentando as possibilidades de sucesso, e reduzindo o campo de acção aos desígnios da fortuna. É justamente dessa componente interna (a única, afinal, em que podemos interferir) que nos devemos ocupar agora, de modo a que 2011-2012 possa ser uma temporada bastante mais feliz.

O FC Porto preparou-se convenientemente, no Verão passado, para enfrentar um grande e temível Benfica, acabando a época a ganhar-lhe em toda a linha. Cabe-nos a nós, agora, prepararmo-nos meticulosamente para o combate com um grande e temível FC Porto, de modo a que, dentro de poucos meses, lhe possamos ganhar também. O desafio não é fácil, mas um clube com a dimensão do nosso tem de saber estar à altura. A alternativa seria o assumir de um estatuto de inferioridade, que nenhum de nós está disposto a aceitar.

Numa análise necessariamente superficial, e com as limitações próprias de quem está do lado de fora, eu identificaria cinco cinco itens, em face dos quais o Futebol benfiquista pode, e deve, melhorar, aproximando-se da concorrência mais directa - que é como quem diz, daquele que foi o grande triunfador da temporada. Nesse sentido, haveria que:

1) Dotar a equipa de um perfil atlético bastante mais robusto;

2)Incutir-lhe agressividade, combatividade, e mentalidade ganhadora;

3) Manter humildade na acção e no discurso;

4) Aperfeiçoar os timings da definição de plantel;

5) Privilegiar a solidez defensiva.

Na minha modesta opinião, parecem-me ser estes os vectores em que, no campo e fora dele, o Benfica tem mais espaço para crescer competitivamente.

Alguns deles podem subdividir-se. Por exemplo, o ponto 1) prende-se, por um lado, com a política de aquisições, por outro, com o planeamento físico, e até, porventura, médico. O ponto 2) pode ter a ver com disciplina e rigor, com cultura, mas também com protecção, acompanhamento e afecto. O item 3) refere-se aos dirigentes, aos profissionais, mas também aos sócios e adeptos. E todos eles estão, de alguma forma, interrelacionados: uma equipa mais robusta, e com maior agressividade, garantirá maior solidez defensiva, um plantel definido atempadamente, pode facilitar a implementação de um registo ganhador, e assim sucessivamente.

..."


Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Nada poderia derrotar o Benfica! - Nem o Barça, nem os ursos, nem o passarinho...

"Foi há 50 anos que o Benfica espantou o mundo do Futebol ao conquistar a Taça dos Campeões Europeus. Uma vitória frente ao poderoso Barcelona catapultou Costa Pereira, Mário João, Ângelo, Neto, Germano, Cruz, José Augusto, Santana, José Águas, Coluna e Cavém para a fama.

BERNA é uma cidade pequena, medieval. Foi, no passado, terra de ursos: Bär é uma palavra alemã para urso e diz-se que foi o Duque Berthold V de Zähringen que lhe deu o nome depois de aí ter matado um urso.
Ainda hoje há ursos perto de Berna: em Nydeggbrüke, na Fossa dos Ursos. Por causa de Berna e dos ursos, no ano seguinte, em Amesterdão, na final da Taça dos Campeões frente ao Real Madrid, o Benfica seria presenteado com um urso bebé. A mascote seria, depois entregue ao Jardim Zoológico.

Foi no Wankdorf Stadium que a Alemanha bateu a invencível Hungria (3-2) na final do Campeonato do Mundo de 1954. Um estádio fadado para surpresas.

O Benfica parecia condenado a ser Campeão Europeu desde aquele dia, em finais de Setembro, no qual batera o Hearts, em Edimburgo, por 2-1. Daí até à final, seis vitórias, um empate e uma derrota, vinte e três golos marcados e oito sofridos. Impressionante!

No «Tribune de Lausanne» escreveu-se: «Nada poderia derrotar o Benfica. Mesmo que houvesse um 'penalty', marcado por Kubala, certamente um passarinho voaria sobre a área dos portugueses e levaria a bola, afastando-a da baliza...»

Kubala, Suarez, Evaristo, Koczis e Czibor. Provavelmente a melhor linha avançada do Mundo.


O Barcelona

Ladislao Kubala: conhecido por «Grande Lazlo»; nascido em 1927, em Budapeste, era de origem eslovaca; joga no Ganz e no Ferencvaros; em 1945, após a morte do pai, vai viver com a mãe para Bratislava e joga no Slovan; regressa à Hungria no ano seguinte para jogar no Vasas; a situação política empurra-o para Itália em 1948 e, daí, segue para Espanha e para o Barcelona onde joga até final de 1961; foi 6 vezes «internacional» pela Hungria, 10 pela Checoslováquia e 19 pela Espanha; excelente rematador, hábil, atlético, era famoso pela forma como surgia na grande-área adversária nos lances de conclusão.

Luisito Suarez: nascido na Corunha em 1935; começou no Desportivo, passando depois para o Barcelona; Bola de Ouro do «France Football» em 1960, transfere-se nesse ano para o Inter de Milão; dez anos depois terminaria a carreira na Sampdoria; 31 «internacionalizações» pela Espanha, sendo Campeão da Europa em 1964.

Evaristo de Macedo: nascido no Rio de Janeiro, em 1933; jogou no Madureira e no Flamengo antes de se transferir para o Barcelona em 1957; em 1963, trocou o Barça pelo seu grande rival, Real Madrid, onde ficou até 1965; acabou a carreira no Flamengo e foi «internacional» brasileiro por 14 vezes; goleador temível fez 173 golos em 219 jogos pelo Barcelona.

Sandor Koczis: nascido em Budapeste, em 1929; conhecido pelo «Cabeça de Ouro» pela qualidade do seu jogo aéreo; formava com Czibor a dupla de pontas-de-lança da famosa selecção húngara de 1954; jogou no Honved e no Young Boys de Berna antes de se transferir para o Barcelona em 1958 na companhia de Czibor; em 68 jogos pela Hungria marcou 75 golos.

Zoltán Czibor: nascido em Budapeste, em 1929; o seu feitio excêntrico, dentro e fora do campo, valeu-lhe a alcunha de «Passáro Louco»; ponta-esquerda de drible imprevisível; após a invasão soviética da Hungria, em 1956, fugiu para Itália com alguns dos seus companheiros do Honved; foi suspenso por dois anos pela FIFA; em 1958, por influência de Kubala, assinou pelo Barcelona; jogou 43 vezes pela selecção da Hungria e marcou 17 golos.


O 'Monstro Sagrado'

Mas o Benfica tem Coluna, o 'Monstro Sagrado', nascido em Lourenço Marques, Moçambique, no dia 6 de Agosto de 1935. Mário Esteves Coluna: muito provavelmente a mais carismático jogador da história do Futebol português. Grande «capitão» do Benfica durante sete épocas (sucedeu a José Águas), o seu estilo calmo e a sua figura imperial fizeram dele um jogador profundamente respeitado, tanto por colegas como por adversários e árbitros. Era dono de um Futebol elegante e muitas vezes explosivo na forma como rematava de longe à baliza adversária com força e eficácia. Mário Coluna somou 525 jogos oficiais pelo Benfica, marcando 127 golos. Dois deles foram marcados em finais da Taça dos Campeões Europeus: em 1960/61, frente ao Barcelona, aos 55 minutos, fazendo o 3-1 (resultado 3-2), e em 1961/62, frente ao Real Madrid, aos 50 minutos, fazendo o 3-3 (resultado final 5-3). Jogaria ainda mais três finais da Taça dos Campeões, frente ao Milan (1-2), ao Inter (0-1) e ao Manchester United (1-4), tendo cumprido nessa final o seu 50.º jogo para as taças europeias.

E tem José Augusto, ponta-direita, chegado ao Benfica em 1959, pela verba de 350 contos para o Barreirense e 130 contos para o jogador. Dinheiro bem empregue. Mas suas 11 épocas pelo Benfica, José Augusto foi 8 vezes Campeão Nacional, venceu 3 Taças de Portugal e 2 Taça dos Clubes Campeões Europeus. Fez parte das suas famosas linhas avançadas do Benfica, primeiro com Santana, Águas, Coluna e Cavém, depois com Coluna, Eusébio, Torres e Simões. Em 11 épocas no Benfica, José Augusto somou 369 jogos oficiais, marcando 175 golos, José Augusto jogou 5 finais da Taça dos Campeões. Foi «internacional» por Portugal 45 vezes, marcando 9 golos, e sendo um dos famosos «Magriços» que em 1966 tanto brilharam no Campeonato do Mundo de Futebol em Inglaterra.


O polivalente Cavém

E tem Cavém: Dominicano Barrocal Gomes Cavém nascido em Vila Real de Stº António no dia 21 de Dezembro de 1932. Esteve no Benfica de 1955 a 1969. Foi 9 vezes vencedor do Campeonato Nacional, venceu 2 Taças dos Campeões e 5 Taças de Portugal, uma delas com um golo seu aos 15 segundos, frente ao FC Porto (1-0). Fez 420 jogos com a camisola do Benfica, marcando 104 golos. Foi defesa direito, defesa central, defesa esquerdo, médio direito e médio esquerdo, sempre com a mesma pendular eficácia.

E tem Germano: Germano Luís de Figueiredo nascido em Lisboa, no dia 23 de Dezembro de 1932, considerando por muitos como o melhor defesa-central do Futebol português de todos os tempos.


O 'Matador' José Águas

E tem José Águas, o «capitão» avançado-centro finíssimo, nascido no dia 9 de Setembro de 1930, em Luanda, e descoberto em Lobito pelos olheiros do Benfica.

Goleador felino, com um jogo de cabeça temível, somou 379 golos em 384 jogos oficiais pelo clube da águia. Foi 5 vezes campeão nacional, venceu 7 Taças de Portugal e 2 Taças dos Campeões. Somou 25 «internacionalizações» por Portugal e marcou 11 golos.

E tem Costa Pereira e Mário João; e tem Ângelo, Neto e Cruz e Santana.

E tem, sobretudo, uma raça impressionante que resiste e se sobrepõe à soberba catalã.



Foi de Kocsis o primeiro golo do jogo, marcado ao minuto 20. O Benfica treme por momentos. Czibor e Evaristo estão à beira do 2-0. Mas, dez minutos depois, um lance de Cavém e um erro do guarda-redes Ramallets deixam a bola à mercê de José Águas sobre a linha de golo: 1-1. Mais dois minutos e Vergés, de cabeça desvia um centro de Neto para dentro da sua própria baliza: a bola bate no poste, Ramallets ainda desvia com as mãos, mas o árbitro Gottfried Dienst não tem dúvidas: 2-1.

O Barcelona força. Lança-se em desespero sobre a área de Costa Pereira. Os minutos finais da primeira parte e os primeiros dez minutos da segunda são terríveis para a defesa do Benfica.

Ao minuto 55, Coluna, a uns trinta metros da baliza, acorre a uma bola que pinga na sua frente e dispara com potência junto ao poste esquerdo de Ramallets: 3-1.

Atordoados, os catalães demoram a reagir. Mas a sua revolta é tremenda. Marcam o segundo golo a quinze minutos do final do jogo, por Czibor. E é então que a palavra sorte entra no dicionário dos grandes momentos da história do Benfica: Kubala remata, a bola embate no poste direito de Costa Pereira, rola sobre a linha de golo, bate no poste esquerdo e lança-se nos braços do guarda-redes encarnado; Czibor chuta à trave; Czibor, isolado, tem um pontapé fortíssimo mas à figura de Costa Pereira.

Três lances que os «culés» do Barça nunca esquecerão.

Dienst apita: uma, duas, três vezes.

Os adeptos portugueses invadem o relvado e transformam o Wankdorf Stadium num pandemónio. Os jogadores correm na sua frente, tentando manter as camisolas, os calços, as meias.

É ao «capitão» Águas que cabe levantar a Taça dos Campeões Europeus. O seu sorriso atravessará décadas.

O regresso a Lisboa é apoteótico. O aeroporto da Portela está entupido de gente. Dirigentes, jogadores, simples adeptos: todos esperam pela chegada dos Campeões Europeus. Uma história que fica para a história!"


"Béla Guttmann deu a táctica: 'Entrem tranquilos porque vamos ganhar'"


Afonso de Melo, in O Benfica

O ponta-de-lança elegante

"No ano em que se comemoram 50 anos da conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus, recordamos José Águas, em dos melhores pontas-de-lança da história do Benfica e o capitão que ergueu o primeiro troféu europeu da história do futebol nacional.

Nasceu em Luanda, em 1930, mas três décadas depois viria a ficar imortalizado em imagem. José Águas, o capitão benfquista que em 1961 ergueu a Taça dos Campeões, num momento que nunca os amantes do desporto-rei, em Portugal, esquecerão. Ele que nessa mesma final, diante do Barcelona (vitória 'encarnada' por 3-2), marcara aos catalães. O marco numa carreira de um ídolo que nunca marcou menos de 18 golos por época ao serviço do Benfica. De 'águia' ao peito, ganhou cinco campeonatos (1955, 1957, 1960, 1961 e 1963), sete Taças de Portugal e foi o melhor marcador do campeonato em cinco ocasiões. Mas dois golos ficarão decerto na sua memória. O primeiro da equipa frente ao Barcelona, na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961, e, igualmente, o primeiro apontado frente ao Real Madrid, em nova final, um ano depois. Foi, portanto, decisivo também quando mais a história exigia.

Herança de golos

Estreou-se ao serviço da Selecção Nacional a 23 de novembro de 1952, no empate a uma bola frente à Áustria. Totalizou 25 internacionalizações, marcou 11 golos. Despediu-se a 17 de maio de 1962, na derrota por 1-2 frente à Bélgica. Depois de ter abandonado o Benfica, aos 33 anos, representou o FK Austria Wien, retirando-se um ano depois. Faleceu em Lisboa, aos 70 anos, já depois de ter assistido à evolução do seu próprio filho, Rui Águas. O habitual 'nove' benfiquista, no final dos anos 80 e inicio dos 90, herdou do pai a capacidade de cabecear, sendo também ele um goleador no clube da Luz, assim como na Selecção Nacional. Foi mesmo protagonista no apuramento para uma final europeia, em 1988, quando marcou os dois golos com que o Benfica eliminou os romenos do Steaua de Bucareste na meia-final da Taça dos Campeões Europeus. O Benfica perdeu a final frente ao PSV Eindhoven no desempate por grandes penalidades. Mas, quando passam 50 anos da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus do futebol português, ninguém esquece a imagem daquele elegante goleador que, em 1961, abriu o caminho para a vitória sobre o Barcelona e ergueu ele mesmo o mais cobiçado dos troféus.

Chamava-se José Águas..."

Ricardo Soares, in Mística

Recordar 61

"Na terça à noite, exultei e emocionei-me a assistir à reposição, na Benfica TV, do quinto episódio de “Vitórias & Património” (um programa que, se passasse na Porto TV, intitular-se-ia “Vitórias & Aumento do Património dos Árbitros” e, se estivesse na grelha da Sporting TV, chamar-se-ia apenas “Património”), a propósito do cinquentenário da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus.

Antes de mais, é necessário ter presente que, em 1961, o futebol era muito diferente daquilo que é hoje em dia, nomeadamente porque havia, pelo menos, uma defesa contra a qual o Barcelona não fazia farinha. Outros tempos. Mas o ataque do Sport Lisboa e Benfica não ficava atrás: tinha jogadores com tanta qualidade, que o Eusébio nem era convocado.

Regressando ao documentário, há vários momentos assinaláveis. A saber: José Águas, na segunda mão das meias-finais contra o Rapid de Viena, implora ao árbitro inglês que assinale uma grande penalidade a favor dos adversários (“Marque o penálti, senhor, para ver se saímos todos daqui vivos!”); Mário João declara que, hoje em dia, senta-se a ver a final contra o Barcelona todas as semanas; vê-se o lance em que a bola bate num poste da baliza de Costa Pereira, atravessa a linha, bate no outro poste e sai (é curioso como a do Isaías, contra o Milan na Luz, já não tem tanta graça); vê-se o golo monumental, a partir do qual o Sr. Coluna devia ter passado a ser tratado por Dr. Coluna; nos últimos 15 minutos, perante a pressão do Barcelona, o Benfica estaciona o autocarro (o que, na altura, significava passar-se a jogar com quatro defesas); no final dos 90 minutos, o presidente do Benfica, Maurício Vieira de Brito, decide celebrar a vitória, tendo um AVC – ao seu lado, os funcionários do clube que estavam a saltar, todos nus, e a beber champanhe da garrafa sentem vergonha por, comparativamente, estarem a festejar de forma tão contida. Mais tarde, já recuperado, o presidente diria aos jogadores, no balneário: “Morrer ali, a ver o meu Benfica campeão europeu, não seria assim tão terrível.”"


Vitrine

"From: Domingos Amaral
To: Fábio Coentrão

Caro Fábio Coentrão

Esta semana tivemos um exemplo perfeito e refinado de como se pode, na praça pública, pressionar dois clubes para que um jogador se transfira de um para o outro. De um lado, um dos melhores jogadores do Mundo, Ronaldo, e um dos melhores treinadores do Mundo, Mourinho, lançaram-te inúmeros elogios, dizendo que eras um jogador fantástico e uma “mais-valia” se fosses para o Real Madrid. Na prática, e no meu ponto de vista de benfiquista, essas foram pressões boas. Mourinho e Ronaldo, com os seus elogios, estão a valorizar-te, e ao mesmo tempo a pressionar o Real para te comprar. Se um ativo é assim tão bom, o seu preço sobe, e quem o quer terá de pagar mais. O meu obrigado público aos dois pelas suas palavras, que ajudam a posição negocial do Benfica.
Infelizmente, o mesmo não posso dizer das tuas declarações. Depois de meses a dizeres que estavas feliz no Benfica, e que por ti até assinavas um “contrato vitalício”, de repente mudas radicalmente o discurso, dizendo que adoravas ir para o Real, “o melhor clube do Mundo”, para ser treinado por Mourinho, “o melhor treinador do Mundo”. Não duvido que penses isso, mas dizê-lo em público prejudicou a posição negocial do Benfica, e foi uma pressão a roçar o inaceitável. Se um ativo se quer ir embora para outro clube, o seu preço desce imediatamente.
Desceste na minha consideração, tanto por esta razão, como pela aparição patética ao lado de José Sócrates. Foram dois momentos péssimos. Mas nem tudo é mau, pelo menos não disseste que o Benfica era uma “boa vitrine”, como disse um jovem brasileiro que para o ano virá jogar para o FC Porto. Ele lá sabe por que o diz…"


domingo, 5 de junho de 2011

Por um Portugal "à Benfica"

"Tem sido lembrado nas páginas da Mística, amiúde e com propriedade, que o Benfica é o melhor de Portugal. O que não tem sido suficientemente referido é que o Benfica não é só o melhor de Portugal como é o melhor que Portugal. Retorquirão alguns que o afirmo de forma leviana; concedo, censuro-me, e corrijo: o Benfica é muito melhor que Portugal. E para o demonstrar basta analisar o que foram os últimos anos desta nação. E de Portugal também.

Na última década, Portugal cresceu sempre menos que o resto da Europa e hoje está a viver a maior crise financeira de que há memória. Já o Benfica, no mesmo período de tempo, ultrapassou a maior crise financeira de que há memória e entrou no clube dos mais ricos da Europa. Cenário que se vislumbra impossível para Portugal. A única forma de Portugal entrar no clube dos mais desenvolvidos é acontecer ao País aquele fenómeno inexplicável que aconteceu ao Benfica nos anos 90 do século passado, e que permitiu a um King, a um Simanic e a dois Luíses Gustavos entrarem no nosso clube. Mas a prova irrefutável da superioridade do Benfica face a Portugal, neste aspecto, é a relação de ambos com os mercados: Portugal está nas mãos dos mercados; o Benfica tem os mercados a seus pés, nomeadamente o inglês - maravilhado com David Luíz e Ramires -, o espanhol - rendido a Di Maria -, e todos, em geral suspirando por Fábio Coentrão.

O que nos leva ao ponto seguinte. Face à crise em que Portugal está mergulhado, é unânime que o País tem de apostar em produzir bens para exportação. Algo que o Benfica já está a fazer, e de forma brilhante. Com a melhor matéria-prima portuguesa, brasileira ou argentina, o nosso clube produz jogadores de altíssima qualidade, que depois vende por essa Europa fora, encaixando chorudas mais-valias. Em termos de eficiência, o Benfica é a economia alemã do mundo do futebol.

Agora, que Portugal não espere ainda mais ajuda financeira da nossa parte. É que nos últimos dez anos só o contributo do Benfica para o Serviço Nacional de Saúde, por exemplo, foi enorme: a redução drástica da prevalência de problemas cardíacos nos benfiquistas - na maioria da população portuguesa, portanto - representou uma poupança para o Estado de muitos milhões de euros. Já para não falar no apoio que o Benfica tem concedido às empresas privadas. Basta ver o que temos apoiado a Olivedesportos ao cedermos as transmissões televisivas dos nossos jogos com cerca de 75% de desconto.

Portanto, se Portugal pretende sair da situação calamitosa em que se encontra, a solução é simples: é pôr os olhos no Benfica. Mas se o quiser fazer ao vivo é melhor despachar-se, porque vai ser complicado arranjar lugar. É que, ao contrário do que acontece com Portugal, de onde sai cada vez mais gente à procura de melhores condições de vida, no Estádio da Luz entra cada vez mais gente ansiosa por soberbos espectáculos de futebol."


Tiago Dores, in Mística

sábado, 4 de junho de 2011

Orgulho






Terminamos em 2º lugar no Campeonato, com os mesmos pontos do 1º, com mais golos marcados, e com menos golos sofridos!!! Além do famoso jogo dos Corruptos no Pico com o Candelária, ainda tivemos os dois confrontos directos, onde a Roubalheira foi mais do que muita!!! Na modalidade provavelmente mais Corrupta de todas (e não é fácil ganhar este estatuto!!!), o Benfica fez uma época extraordinária, acabou por ceder um empate com o Candelária, perder os tais dois jogos com os Corruptos, e de resto 100% vitorioso!!! Na Europa vencemos a Taça Cers, perdendo somente um jogo em Itália!!!

Não gosto de vitórias morais, mas é justo considerar este Benfica foi Campeão Português de Hóquei patinado na 'pista', e vice-campeão no Hóquei patinado no 'alterne'!!!

Construímos uma grande equipa, com uma equipa técnica competente, e com todos os jogadores internacionais (só os veteranos neste momento não são chamados...!!!). Apesar do suposto insucesso é necessário não perder a perspectiva, temos que nos concentrar naquilo que estiver ao nosso alcance e onde podemos melhorar, porque o resto, aquilo que se passa fora dos ringues, num País onde a impunidade é geral, nada podemos fazer... mas seria engraçado ganhar a Liga dos Campeões!!!

Na próxima semana recebemos o Candelária para os Quartos-de-final da Taça de Portugal, vai ser um jogo difícil (ultimamente estamos a sofrer muitos golos!!!), mas queremos a terceira da Taça da temporada...!!!


Desperdício, com final feliz !!!





Com menos intensidade (2 jogos em menos de 24 horas), mas com todo o merecimento... o regresso do Joel acabou por ser decisivo nesta eliminatória, mas para os jogos da Final, é necessário melhorar (muito) a finalização...
A cultura desportiva em Portugal na generalidade é uma vergonha, o comportamento da equipa do Instituto na minha simples opinião foi um bom exemplo disso mesmo: As picardias constantes, as provocações, as simulações, as discussões, o xico-espertismo, o anti-jogo de hoje onde na maior parte do tempo por opção estratégica não quiseram construir 'jogo'!!! Tudo isto com um treinador que até com o homem da esfregona andou a discutir!!! Normalmente em Portugal confunde-se este tipo de comportamento com raça, agressividade, elogia-se o espírito, fala-se em equipas competitivas, e assim prepétua-se o estilo...
Em condições normais estaria muito ansioso pela Final do Play-Off, mas como prevejo atitudes muito parecidas por parte dos Lagartos, dúvido que seja a qualidade das equipas a decidir o vencedor... exige-se aos jogadores do Benfica que mantenham o espírito vencedor, mas com 'cabeça fria'!!!


Nolito, garantia de qualidade

"Desconheço por completo se Nolito é bom ou mau jogador. Nunca o vi jogar e não embadeiro em arco com contratações de pré-época. Mas gostava de sublinhar um aspecto que, ao contrário daquilo que tem sido dito, me agrada, tem 24 anos e joga na Europa.

Nunca são os miúdos de 18 anos, que no primeiro ano da sua chegada, vindos da América do Sul, mudam a história de uma equipa.

Mesmo os talentosos, como Di Maria; só no terceiro ano despontou para patamares de excelência, e quando atingem essa qualidade voam para outras paragens.

Ser suplente deste Barcelona é quase garantia de qualidade, pois é raro ver tanta qualidade junta num plantel de futebol.

Os últimos jogadores que comprámos ao Barça também eram suplentes, Giovanni e Simão, e deixaram saudades. Vieram para conquistar um título com Trapattoni.

Nolito pode até ser o melhor jogador do mundo, porque os que jogam como titulares deste Barcelona tem mostrado ser de outro mundo.

Quando por vários vezes elogiei nestas linhas o futebol do Arsenal, estava longe de imaginar que podia assistir a uma Eusébio Cup com um dos mais agradáveis futebóis da actualidade.

O Arsenal perdeu (ou não ganhou) todos os títulos que disputou, mas tem para mim o mais bonito futebol praticado na melhor Liga do Mundo, a Inglesa.

Inter, Milan, Tottenham e Arsenal dão um lastro de prestígio ao nome que se pretende homenagear, rimam bem com Eusébio.

Importante vitória na taça de Andebol, mais de vinte anos depois da última conquista, foi um final feliz para uma modalidade em que se apostou bastante.

Em véspera de eleições, bom seria fazer um grande comício na Luz e comer um bacalhau da Noruega."


Sílvio Cervan, in A Bola

Considerações (modalidades...)

"Conquistou-se no passado domingo a Taça de Portugal de Andebol, 24 anos depois. O Basquetebol, depois de muito contestado, foi 'à negra' na passada quinta-feira, ontem.

O Hóquei em Patins só não foi Campeão na presente temporada devido ao fenómeno Candelária, a juntar ao roubo em Barcelos no sábado passado e ao último jogo a efectuar no próximo fim-de-semana entre Tó Neves, treinador da Oliveirense, frente ao Tó Neves, próximo treinador dos 'Andrades'. Como é fácil de calcular, vai ser um jogo em família.

Nunca as modalidades tiveram um apoio como agora se está a verificar. E como tenho conhecimento do que para o ano iremos estar bem mais fortes.

Aquilo que se tem passado na Imprensa, dando conta das buscas da PJ às instalações do Benfica é revoltante e tem rostos. Mas 'o tiro vai-lhes sair pela culatra'. Vamos estar tranquilos, eu estou, pois na hora certa tudo irá ser explicado. E as indemnizações vão ser preocupantes para quem quis 'brincar com fogo'.

Eles ganharam uma série de provas nesta época, é verdade, mas continuam a cantar S.L.B, S.L.B...

Estas gentinhas de QI de nível zero são bem manipuláveis por um Nabucodonosor que no seu trono de plástico se limita a expelir gazes por cima e por baixo, a pensar em orgias químicas não funcionáveis e a incentivar os cabecilhas da horda de selvagens aos cânticos habituais que lhe dão um prazer inigualável naquela pança ruminantesca com um riso alarve e uma dicção que mais parece um primata em plena coçadeira à procura de pulgas.

Ainda não perdi a esperança de ver o TAKIKU atrás das grades."


José Alberto Pinheiro, in O Benfica

Cada vez mais longe..!!!

O nosso Júnior, Tiago Aperta, voltou a bater o recorde nacional absoluto no Lançamento do Dardo, desta vez com 73,82m...



PS: Uma futura atleta do Benfica (quase de certeza), Jessica Galvão ainda Juvenil, depois de uma operação complicada, voltou à competição com excelentes marcas no Lançamento do Martelo, neste momento já é provavelmente uma das melhores atletas nacionais 'absolutas' da actualidade!!!

Iniciados - 6ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 3 Braga



Muito mau, é verdade que vários jogadores desta equipa vão continuar neste escalão, na próxima época, mas é preciso melhorar bastante...

Intensidade






Primeira parte demolidora, e com o talismã Joel, a abrir o marcador, algo que tem faltado em jogos anteriores...

Nada está ganho, amanhã é necessário repetir a dose.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Campanha

"Alguém se recorda de que é que falavam os jornais, em matéria de casos do futebol, antes de se entregarem em exclusivo, e com inusitado afinco, a um suposto caso envolvendo o treinador do Benfica? E alguém sabe o que acontece ao primeiro destes dois casos? Eu conto, do meu ponto de vista de simples observador. Antes do suposto caso envolvendo o treinador do Benfica, o Correio da Manhã anunciara com o maior destaque as denúncias contidas em gravações do árbitro Jacinto Paixão sobre corrupção na arbitragem do Futebol e, dias depois, um caso de alegadas «luvas» do líder do Porto e do Sistema, transferidas para paraísos fiscais. A diferença, em relação ao suposto caso do treinador do Benfica, é que as notícias sobre o líder portista pouco ou nada passaram para além das páginas do Correio da Manhã. Ou, quando passaram, consistiam no desmentido do visado. De repente, tudo - que já era pouco - cessou. E porquê? Porque surgiu o alegado caso com o treinador do Benfica, este com eco estrondoso, não apenas no Correio da Manhã, mas na generalidade dos outros jornais, com destaque para DN e JN, com supostas notícias que se desmentem umas às outras.

O Benfica, para o bem ou para o mal, vende mais papel que qualquer outro emblema e há interesses accionistas e editoriais interessados em hostilizar o mesmo denegrir a imagem do Benfica.

Com esta campanha - que espero que a Justiça não deixe arrastar sem uma conclusão, provada irrefutavelmente, com transparência e credibilidade - o Benfica está a pagar diversas facturas. No plano desportivo e competitivo é o único clube que afronta o Sistema. Em seguida, o Benfica mexeu com algo sagrado que são os direitos de transmissão televisiva. Depois, só o Benfica poderia fazer esquecer notícias, embora limitadas e sem grande eco, sobre o mistério dos offshore. E, por fim, há quem não perdoe ao treinador do Benfica ter resistido ao aliciamento, no início da época, pela equipa mãe do Sistema."


João Paulo Guerra, in O Benfica

A cruz de Jesus

"A nova temporada já começou. Ainda não? Começou mesmo, começou com as primeiras tentativas para denegrir Jorge Jesus. Um conjunto de atoardas tem feito manchetes nos jornais e propiciado múltiplos comentários nos diversos órgãos de comunicação. A intenção é clara, o objectivo é fragilizar o técnico principal do Benfica. Há um ano, vitorioso no Campeonato, Jesus estava na ribalta, após ter orientado com mestria a melhor equipa nacional. Do Norte, no defeso, houve mesmo a tentativa de mudar a rota do treinador, propósito que saiu frustrado para gáudio dos benfiquistas a angústia dos mentores da tramóia.

Desta feita, na conclusão de uma temporada que terminou de forma menos conseguida, Jorge Jesus aparece como o alvo daqueles que apostam na instabilidade e desestabilização do Benfica. Qual é o fito? Aumentar a pressão no começo da época com a intenção de crucificar o responsável técnico 'encarnado'.

Sem o mesmo capital de confiança de há um ano, inclusive no universo benfiquista, as atenções estarão voltadas para o Jesus, sendo que os resultados no início do novo ano competitivo recrudescem de importância. Só que Jesus é um profissional experimentado, sobejamente arguto e competente. O enredo, já montado, pode e deve abortar, mais ainda se os adeptos do Clube perceberem sem reservas o que está em causa.

Afinal atacar Jesus é o mesmo que atacar o Benfica. O momento não se compadece com distracções, antes implica vigilância e firmeza. Pretende-se colocar Jesus na cruz do infortúnio. Importa é que Jesus reconquiste a cruz do sucesso."


João Malheiro, in O Benfica

Títulos e «títulos»

"1. Numa sala de jogos ao pé de minha coisa, acabo de cometer a proeza de igualar o máximo de tacadas de bilhar seguidas entre os elementos do meu grupo. Sou um jogador recente pelo que enquanto os outros, mais experimentados, jogam numa mesa às três tabelas, eu entretenho-me numa outra, jogando a variante mais simples. Já igualei o melhor de entre eles e espero brevemente, ultrapassá-lo.

Também sou o melhor vendedor da minha rua. Tenho uma peixaria e, num mês, vendo bastante mais peixes do que o proprietário de uma sapataria vende sapatos, no prédio ao lado. E coitado do vendedor de automóveis, que no stand ali perto lá vai despachando um carro de vez em quando. Ultimamente, desde que me tornei vendedor de peixe, ninguém me bate na minha rua.

Enfim, poderia somar exemplos. É só uma questão de imaginação e de misturar proezas a sério com outras de 'meia tigela', de misturar, por exemplo, campeonatos que dão títulos nacionais ou europeus com jogos que, no final dos 90 minutos, dão simples troféus...


2. Já passaram algumas semanas, a desilusão foi grande, mas há algo que não pode ser escamoteado. O Braga-Benfica das meias-finais da Liga Europa teve mais audiência televisiva que o FC Porto-Braga da final. Lógico. Mas há que recordar que, à mesma hora do Braga-Benfica, o FC Porto jogou em Espanha, pelo que, mesmo na Sport TV, grande parte dos adeptos do FC Porto tinham nesse dia alternativa. Faria se não tivessem...


3. Alguns jornais têm-se multiplicado nos últimos dias em notícias sobre as contratações efectuadas pelo Benfica em épocas recentes, falando em Roberto, Júlio César, Jorge Jesus e não sei que mais. Lendo o que escrevem uns e outros, fica-se com a ideia de que vai por aí muito sensacionalismo e uma grande confusão. Mas se a polícia está mesmo a investigar, que investigue tudo e, tão rápido quanto possível, divulgue o que apurou e... não apurou. Todos queremos contas transparentes. E não queremos notícias a conta gotas, que vendem jornais e... desestabilizam."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Quem provoca o ruído?

"Num ambiente de grande perturbação provocada por um militante, pouco inocente e sistemático ruído exterior provocado por um sector específico da comunicação social, continua a preparar-se a próxima época da equipa sénior de futebol.

No entanto, o escarro constante que alguns chefes de redacção fazem no código deontológico da sua profissão leva a que as energias e as atenções que deveriam estar concentradas apenas na dita preparação da época vindoura dispersem pela necessidade de dar resposta às graves acusações que têm sido feitas a alguns responsáveis do Benfica.

Sobre estas acusações, e nos superiores interesses do Benfica, é essencial que as entidades competentes investiguem o que tiverem de investigar, que apurem a verdade dos factos e que este seja um processo justo. Para isso, é indispensável que haja independência e impermeabilidade a pressões. No imediato, louve-se a atitude dos responsáveis do Benfica, pois vieram a público esclarecer sobre a sua reafirmada inocência, não fugiram – ao invés de outros que coincidentemente viajaram para a Galiza – e continuam a poder andar de cabeça erguida.

Dito isto, importa que não sejamos ingénuos e saibamos que todo este ruído não aproveita apenas aos nossos rivais desportivos. Além de outros que se movimentam em águas bem mais profundas, lembremo-nos que também desse ruído contam tirar proveito alguns dos que esperam pela futura renegociação dos direitos de transmissão televisiva. Sabendo a quem aproveita o ruído, resta saber quem o provoca e agir em conformidade."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

As nossas culpas

"Quando o Benfica ganha, nós ganhámos. Quando o Benfica perde, eles perderam.
Esta parece ser a matriz de pensamento de muitos benfiquistas, que na hora da derrota se apressam a procurar culpados, esquecendo que o problema também pode passar por si próprios.
A época não foi feliz, e ninguém deve fugir às responsabilidades. O presidente foi o primeiro a assumi-las, num exercício de humildade que dignifica e engrandece o cargo que ocupa. Também o treinador já confessou ter errado em diversas situações ao longo da temporada, o que não lhe diminui a competência. Obviamente que os jogadores não escapam ao escrutínio, pois muitos deles não renderam aquilo que se esperava. Mas os adeptos também não podem colocar-se à margem do processo.
Se a força das bancadas foi uma das armas com que o Benfica conquistou o campeonato de 2009-2010, é preciso dizer que, nesta temporada, esse apoio nem sempre se fez notar.
Não consigo entender, por exemplo, como ficaram 8 mil bilhetes por vender numa meia-final europeia. Não consigo entender como, no jogo da Taça de Portugal com o FC Porto – que tanta importância viria a ter – apenas estavam presentes cerca de 35 mil espectadores. Não consigo entender como um clube com milhões de adeptos não consegue esgotar o estádio, uma só vez, em tantos meses de competição. A crise económica dói, mas não explica tudo.
Pior ainda foram as incompreensíveis manifestações de hostilidade para com os jogadores. A mais chocante terá ocorrido após a final da Taça da Liga. Mas outras houve, desde invasão de treinos, a esperas nos parques de estacionamento, que trouxeram para nossa casa o que de pior se tem visto nos rivais. Se somarmos os assobios que se dirigiram a Óscar Cardozo (marcando 100 golos, como é possível?), a César Peixoto, a Roberto, e a outros jogadores, teremos matéria suficiente para não deixar quase ninguém inocente.
Antes de atirarmos pedras, pensemos naquilo que fizemos, e naquilo que poderíamos ter feito. Talvez comece aí um Benfica mais forte."


Luís Fialho, in O Benfica

Realidade futebolística !!!

Assustador a forma como passou praticamente 'despercebida' na descomunicação social desportiva Portuguesa, as trapalhadas no último congresso da FIFA, que elegeu o Blater de uma forma que tenho a certeza deixou o Pintinho, extremamente orgulhoso!!! Isto de 'mandar' por baixo da mesa, insinuações para os mérdias, que o único adversário nas eleições, era suspeito de corrupção, obrigando-o a desistir (isto apesar, de que bem à pouco tempo, até seriam 'grandes' amigos, e muito provavelmente até 'cozinhavam' tudo juntos!!!). Isto de ter um suposto comité de ética a investigar as acusações, em vez de pessoas independentes, é extremamente conveniente!!! Isto de ser eleito, em eleições de lista única, é um truque muito antigo!!! Ainda por cima teve o descaramento de exigir uma contagem de votos, muito cuidada!!! Este Suíço, que já tem mais anos de FIFA, do que o Amândio tem de FPF, é um génio...!!! E já agora as tais insinuações sobre o seu ex-adversário, curiosamente são menos graves que muitas das acusações feitas ao Blater, por parte de várias pessoas, só que este nunca se sentiu atingido na sua dignidade, e portanto nunca se demitiu!!! Algumas delas já confirmadas em Tribunal, com condenações em Tribunais Suíços...!!! E é assim que o Futebol é dirigido ao seu mais alto nível!!! E a gente ainda exige a Verdade Desportiva em Portugal...!!!


Enquanto isto, no País da Máfia, mais uma investigação da Policia levou ao desmantelamento de uma rede criminosa de manipulação de resultados na segunda divisão Italiana!!! Ligada às apostas desportivas, envolvendo o Signori (ex-Lázio, ex-Selecção Italiana), onde se pagava a jogadores para perder, e até se chegou a embebedar uma equipa inteira, para baixar o rendimento da mesma!!! Ainda vamos ver jogadores a soprar no balão antes de entrar em campo!!! Haverá jogadores, que se calhar bêbados jogaram melhor...!!! Curiosamente esta história também está a passar ao lado das primeiras páginas!!!

Sidnei emprestado ao Besiktas



O Sidnei não foi um jogador barato, espero que com o estilo de vida Turco (mais 'recatado'), consiga evoluir como jogador para regressar ao Benfica, ou então consiga convencer o 'mercado' a pagar o nosso investimento...




PS: Luisão, Jardel, mais um novo central (pode ser o Garay...) são 3 centrais!!! Isso quer dizer que é preciso mais um, com o empréstimo desejado (por mim, e creio que por todos) do Roderick, será que o Miguel Vítor vai ficar?!!! Ou será o Kanu?!!!

Para o ano é nosso...






Podemos analisar este resultado de duas maneiras:

-Tendo em conta os duelos directos durante a época, as exibições antes desta final, e os dois primeiros jogos desta final do Play-off, este resultado acabou por ser 'normal'. O facto de termos obrigado o adversário a jogar a 'negra', até me surpreendeu...!!!

-Tendo em conta este jogo, acho que oferecemos o título ao adversário!!! E nem foi na defesa, falhámos demasiados ataques fáceis, demasiadas Perdas de Bola, e desta vez lances livres falhados, foram 11 !!!

Tivemos queixas da arbitragem? Sim, tivemos, nada de novo... é impressionante como o Carlos Andrade, não é excluído, depois de fazer 50 faltas, e ter simulado 1000, em média por jogo!!!


Apesar de tudo a equipa nestes últimos 5 jogos demonstrou dignidade, e como no desporto não se pode ganhar sempre, fica para a próxima...!!!

Agora é levantar a cabeça e preparar a próxima época, e é necessário tomar muitas decisões: Temos que ter jogadores totalmente disponíveis fisicamente, temos que ter mais juventude (velocidade) na equipa, temos que ter estrangeiros estilo 'Ben'!!! (qualidade inquestionável, que não se escondem nos momentos decisivos). E é necessário definir prioridades, esta época a equipa ficou dividida entre as competições Nacionais e a Eurochallenge (e este título na minha opinião ficou decidido na Fase Regular, quando perdemos o factor casa, por causa da Europa!!!)...


Recordo ainda, que esta época não ficou em 'branco'!!! Vencemos a Supertaça, e a Taça Hugo dos Santos (ex-Taça da Liga), falhámos o objectivo principal, mas...

Confesso mesmo, que aquilo que mais me irritou com nesta derrota, foi a felicidade do incompetente, sem carácter Monchito. É necessário relembrar que o actual plantel Corrupto foi formado com o seu treinador a utilizar a sua influência como Seleccionador Nacional, para aliciar jogadores do seu principal adversário (e não só), para se mudarem para o seu clube!!!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O defeso

"O defeso é o período do ano em que é proibido pescar ou caçar. Ora, no futebol, o defeso é, ao invés, o período entre temporadas em que mais se procura caçar ou pescar. O deste ano começa num tempo em que, por força das eleições, há também a caça aos votos.

O defeso é sempre um tempo de renovada esperança, sobretudo para os perdedores da época terminada. E é a matéria-prima a que se agarra a informação desportiva, agora que o ciclismo já não desperta a paixão de outrora.

Normalmente, o defeso começa por ser o arrolamento caudaloso de jogadores sinalizados, acompanhados, oferecidos, apalavrados, pré-contratados, quase firmados, recusados, descartados, trocados e tudo mais. Tudo com o condimento excitante da utopia da caça grossa e o realismo sortido da caça miúda, enquanto se espanta a cala alheia, à espera do milagre de uma qualquer maquineta caça-niqueis. O defeso é, também, a época alta da intermediação de substanciais prebendas comissionistas.

Como sempre, o Benfica é o abono de família do defeso. Este ano, mais acompanhado pelo Sporting, por razões compreensíveis.

Leio quase tudo o que é noticiado sobre o meu clube, mas aqui confesso, humildemente, que já não consigo acompanhar o cacharolete de notícias sobre tantas hipóteses de contratação. Argentinos, brasileiros outros sul-americanos e versões em castelhano (será já o primeiro idioma do balneário?), cada qual com um nome mais difícil de fixar ainda que por breves instantes. Estou até a pensar em usar uma cábula à moda antiga, para não ficar inferiorizado perante... mim próprio.

Seja o defeso mais onírico ou simplesmente mais modesto, prefiro sempre a qualidade concentrada à embriaguez da quantidade liofilizada."


Bagão Félix, in A Bola

É que não havia mesmo necessidade

"DO ponto de vista dos interesses do Sport Lisboa e Benfica, fez bem Luís Filipe Vieira ao apresentar-se na noite de segunda-feira à hora marcada nos estúdios da TVI para ser entrevistado por Judite de Sousa no final do Jornal das 8. Nas 48 horas precedentes, o seu nome, o nome de Jorge Jesus e o nome do clube abriram noticiários e foram discutidos pelas piores razões em todos os cafés e barbearias do país.

Exigia-se, portanto, ao presidente do Benfica que aparecesse, que dissesse qualquer coisa e, de preferência, que mostrasse o contrato de Roberto a toda a gente. Foi o que fez. Em abono de si próprio e da defesa do Benfica neste episódio judicial, Vieira teve ainda a boa fortuna de ser entrevistado por uma jornalista que não estava ali, de modo algum, para lhe fazer o frete das perguntas amáveis e das deixas a preceito.

Compreende-se o interesse das autoridades pelo contrato de Roberto. Oito milhões e meio de euros é muito dinheiro por um guarda-redes que se revelou de uma mediania baixa, por vezes caricatamente baixa. Luís Filipe Vieira revelou sem qualquer tipo de embaraço, o que só lhe fica bem, que a PJ já aparecera na Luz há alguns meses para analisar o documento da transferência do jogador do Atlético de Madrid para o Benfica.

E, na sequência de todo este imbróglio de cariz policial que, como se sabe, vem logo a seguir a um imbróglio de cariz desportivo, já ouvi sócios e adeptos do Benfica manifestarem a sua revolta contra a Polícia Judiciária de forma muito veemente. Mas por não terem ido à Luz logo em Agosto do ano passado arrecadar o próprio Roberto solucionado, assim, o problema da baliza do Benfica.

Era pedir demais à PJ, no entanto, que fosse ela própria, enquanto instituição, a resolver a tempo uma questão que marcou de forma indelével a última temporada dos ex-campeões nacionais.

Vieira, em directo da TVI, sugeriu à PJ a criação de uma equipa especial de investigação dos negócios do futebol. É impensável, em prol do progresso e da civilização, que essa equipa não exista já. E é muito importante que exista e que trabalhe com todas as condições. Mas, respeitando as opiniões em contrário, foi bastante despropositado aquele desafio lançado pelo presidente do Benfica no sentido da PJ investigar as contas e as transferências do FC Porto.

Mais do que um desafio despropositado, foi uma sugestão absolutamente dispensável no contexto actual. É que não havia mesmo necessidade...

Tendo o Correio da Manhã noticiado em manchete que a PJ tem escutas que comprometem a lisura de processos e de intenções de responsáveis da Luz e de agentes desportivos na transferência de Roberto de Madrid para a Luz, há uma questão imediata e prática que os benfiquistas devem desde já salvaguardar. E por mim falo. Se essas escutas existem e se, algum dia, forem disponibilizadas no Youtube, nem nada nem ninguém nos impedirá de as comentar livremente e sem constrangimentos de qualquer espécie. O Benfica, felizmente, é um país livre.

Luís Filipe Vieira teve também de responder às perguntas de Judite de Sousa sobre a transferência de Júlio César do Belenenses para o Benfica. Em causa, segundo o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, estarão parte das verbas desse negócio, suspeitas de terem servido para pagar comissões indevidas a terceiros. E é aqui que entra o nome de Jorge Jesus. O presidente do Benfica, fazendo o que lhe competia por inerência de cargo, defendeu o seu treinador com aparente convicção.

São temas que vão continuar na ordem do dia pelos próximos largos tempos. Como benfiquista desejo muito ver Jorge Jesus tão rapidamente ilibado deste episódio infeccioso como rapidamente foram ilibados os pepinos espanhóis do episódio bacteriano que está a alarmar a saúde pública europeia.




EM Wembley foram 87 mil os espectadores que assistiram à final da Liga dos Campeões. Outros 160 milhões espalhados pelo mundo viram o jogo através da televisão. Em Portugal, o Barcelona - Manchester United também despertou muito interesse e fez balançar de maneira especial o coração dos adeptos.

Muito para além dos apreciadores do jogo, diletantes puros, indiferentes ao resultado desde que o espectáculo fosse garantidamente excepcional, como foi, também houve quem se sentasse no sofá, de frente para o aparelho, a desejar uma vitória dos ingleses por causa de Nani, o único português em palco. E chama-se a isto um sentimento patriótico.

E ainda houve quem fizesse figas pelo triunfo do Barcelona pelo prazer pequenino de ver José Mourinho e o seu Real Madrid novamente acabrunhados com mais um sucesso do arqui-rival da Catalunha. Sim, porque, contingências várias, há uma irrequieta facção anti-Mourinho em Portugal.

Ganhou o Barcelona e com uma mestria que até fez impressão. Por isso mesmo, foi um sábado terrível para o Real Madrid. E para José Mourinho? Respeitando as opiniões em contrário, a vitória imperial do Barcelona, reduzindo à vulgaridade o Manchester United, foi para José Mourinho a melhor coisinha que lhe podia ter acontecido neste final de uma temporada que não lhe correu tão bem como o mundo inteiro aguardava.

O Barcelona saiu de Wembley consagrado como a melhor equipa do mundo e arredores. O seu poderio não nasceu no último defeso. Vem sendo construído há anos graças a um trabalho de prespecção e de formação de talentos ainda imberbes que vão chegando à equipa principal com uma frequência imparável assim que a barba lhes começa a despontar.

Destronar este Barcelona, programado à distância, é uma tarefa muito complicada. O futebol não é uma ciência exacta, dizem. Mas o Barcelona é.

Cabe historicamente ao Real Madrid reagir a isto. E preparar-se para a vingança, reconquistando no campo o seu estatuto perdido. Analistas apressados concluíram rapidamente que o despedimento de Jorge Valdano foi o primeiro passo nesse sentido e que foi obra de Mourinho.

Nada mais errado. O despedimento de Valdano foi exclusivamente obra do Barcelona. Tivesse o Real Madrid feito uma época com mais títulos do que a solitária Taça do Rei e Valdano, director-geral do clube há mais de uma década, continuaria em Chamartin intocável e sorridente.

O problema do Real Madrid é, actualmente, a absurda altura da fasquia a que o Barcelona se alçou. E por muito especial que seja José Mourinho, ninguém de bom senso lhe pode exigir que resolva, numa época ou duas, a questão estrutural que preside a esta distância que se começa a alargar entre os dois emblemas.

No entanto, ganhando ou perdendo, o Real Madrid vai continuar a ter uma equipa de futebol que dá gosto ver jogar. E com Fábio Coentrão de blanco será, certamente, uma equipa admirável. Mas mesmo a superior achega do grande Fábio Coentrão pode não chegar para o Real roubar ao Barcelona todo o ouro brilhantemente arrecadado nos últimos anos.




O Atlético subiu à II Liga e não há lisboeta que se preze que possa ficar indiferente a esta façanha dos da Tapadinha. Dizem os mais velhos que o Atlético foi uma grande vítima da primeira ponte sobre o Tejo que ligou Alcântara e Cacilhas, destruindo parte importante do bairro de Alcântara onde assentam os pilares que alicerçam a ponte.

O Atlético está de volta à notoriedade futebolística e vivam, pois, os nossos bairros populares!

E que bom seria que o Benfica se virasse para os bons ventos do Atlético da Tapadinha do que para os maus ventos e maus casamentos do Atlético de Madrid.

É porque Alcântara, enfim, é mais a nossa gente...




DESDE Lazlo Boloni, em 2001/2002, que mais nenhum treinador conseguiu ser campeão no Sporting. Já lá vão quase dez anos.

Domingos Paciência chega agora a Alvalade sem ter que temer a concorrência fresca do sucesso de colegas de profissão. À partida, todas as comparações num passado mais ou menos recente, de José Peseiro a Paulo Sérgio, de Paulo Bento a Carlos Carvalhal, são favoráveis à tranquilidade de Domingos.

E é esta uma das grandes curiosidades da próxima temporada. O jovem treinador português que fez o Sporting de Braga sonhar alto terá estofo para as peculiaridades que o aguardam?

E em Braga, como poderá explicar Leonardo Jardim, se tiver sucessos, que o mérito é seu e não de uma estrutura bem montada que já lançou dois ex-treinadores, Jesus e Paciência, para a alta-roda? Ora aqui está outra curiosidade para 2011/2012. E não é pequena."


Leonor Pinhão, in A Bola

Há 50 anos

"Completou-se ontem meio século sobre o primeiro grande feito do futebol português: O Benfica sagrara-se campeão europeu.

Como português e como benfiquista não poderia deixar de assinalar esta efeméride. Tinha eu 13 anos, naquele dia glorioso. Lembro-me bem da ansiedade, do nervoso e da excitação com que vivi o antes, o durante e o depois daquela final.

Lembro-me do relato do som da rádio e da imagem sincopada da artesanal televisão. Apesar de ser a preto e branco, recordo-a como se fosse a cores, tal a fantasia que estava para além do que os olhos fisicamente enxergavam.

Lembro-me, como se fosse hoje, daquela bola na baliza do Benfica, que bate nos dois postes e acaba nas mãos do Costa Pereira. Apercebi-me para sempre do relativismo do tempo num jogo, com aqueles minutos finais a parecerem uma eternidade perante a avalanche do trio húngaro do Barcelona. Não sei até se a felicidade que reconhecidamente houve nesse jogo, condenou o clube à falta de sorte em finais perdidas mais tarde (em especial, contra o Milan em 63, Inter em 65, M.United em 68 e PSV em 88).

O futebol naquele tempo era mais puro. E certamente, mais ingénuo. Jogava-se o jogo pelo jogo. Até à exaustão. Não havia sequer lugar para o pseudo-espectáculo à volta dos jogos, nem para as conferências de imprensa ridiculamente ocas ou feitas do que agora se apelida sofisticadamente de mind games.

Tenho, para sempre, no meu coração os onze heróis de Berna. Todos portugueses. E benfiquistas, amando o seu clube acima dos contos de réis. O Benfica é mesmo a única que conquistou duas vezes o título europeu só com jogadores nacionais.

Por tudo isto, o meu reconhecimento profundo aos jogadores do Benfica por esta dádiva de vida!"


Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 31 de maio de 2011

Há 50 anos...

"1. Fará 3.ª-feira 50 anos. Lembro-me bem. Ainda não tinha TV e fui a casa de um amigo ver aquela que foi a primeira transmissão da Eurovisão para Portugal. Não se viu quase nada, as interrupções foram constantes e a transmissão foi mesmo interrompida definitivamente ao intervalo. A 2.ª parte foi 'vista' através da rádio, sozinho, em minha casa. O sofrimento era tanto que até fechei o rádio nos últimos minutos, apenas o reabrindo quando calculei que o jogo estaria a terminar. Que alegria! Era um Benfica (ainda sem Eusébio nem Simões, recorde-se...) de luta, de Mário João, Neto, Ângelo, Cruz, Cavém, a par da técnica de José Águas (memorável aquela foto com a Taça!), José Augusto, Germano, Santana, da classe de Costa Pereira e de um Coluna 'todo-o-terreno'. Tivemos sorte nesse dia? Sem dúvida. Mas não foi apenas sorte e provámo-lo no ano seguinte. E se nesse dia tivemos a sorte do jogo, que dizer do que se passou em muitas das outras finais em que estivemos: a jogar no campo ou país dos adversários (Inter, Manchester); a terminar com 10 - não havia substituições (Coluna a fazer figura de corpo presente com o Milão, Costa Pereira de fora com o Inter); a perder nas grandes penalidades (PSV); Eusébio inferiorizado (seria operado a seguir) a falhar golos que seriam decisivos (Manchester). Em miúdo, o principal motivo de orgulho, na escola, era dizer que o Benfica era o único clube português que ganhara a Taça Latina. A partir desse dia, 'juntei-lhe' a Taça dos Campeões!


2. A propósito: o jornal Record, na colecção que está a publicar, apresenta assim o jogo (que data, erradamente, de 30 de Maio...): «Na época em que o Real Madrid é eliminado pela 1.ª vez da Taça dos Campeões ao fim de cinco anos e meio (mérito do Barcelona), é o Benfica quem aproveita para escrever história, com muita sorte à mistura. Na final de Berna, o Barcelona acerta três vezes nos postes mas perde por 3-2» (e segue-se a referência ao feiticeiro Bela Guttmann, não se esquecendo de assinalar que viera do FC Porto). Mas há mais: a foto não é de José Águas a levantar a Taça, nem de nenhum dos três golos do Benfica. É de uma jogada de perigo junto da baliza de Costa Pereira. No mínimo lamentável. E que diferença para as fotos e legendas dos dias seguintes, enaltecendo (justamente) as vitórias do Sporting na Taça das Taças (cantinho de Morais) e do FC Porto na Taça dos Campeões (calcanhar de Madjer)..."


Arons de Carvalho, in O Benfica



A Europa que se segue

"No meio de tão grandes desilusões, ninguém valorizará muito o facto de o Benfica se ter qualificado para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. Dir-se-á que era quase uma obrigação, e, em parte, é verdade. Mas também é verdade que só em cinco das últimas treze épocas terminámos o Campeonato num dos dois primeiros lugares, e esta foi uma delas.

Independentemente de tudo isso, é altura de antecipar aquilo que nos espera na maior competição internacional de clubes, onde tantas vezes escrevemos história, e onde podemos, uma vez mais, marcar presença. É, de resto, esse, o primeiro objectivo de nova temporada.

O Benfica entrará na 3.ª pré-eliminatória, e vai ser cabeça-de-série. De acordo com o ranking de países, estarão igualmente nessa ronda os segundos classificados dos campeonatos da Ucrânia, Roménia, Holanda, Turquia, Grécia, Suíça, Bélgica e Dinamarca, bem como o terceiro colocado da Liga Russa. Ao todo, dez equipas, que serão hierarquizadas de acordo com o ranking particular de cada uma delas.

Olhando para as classificações dos campeonatos em causa, esse lote deverá integrar, além do Benfica, também Dínamo Kiev, Panathinaikos, Standard Liege, Twente, Rubin Kazan, Trabzonspor, Zurique, Timisoara e Odense. Com menor ranking, estes cinco últimos serão os não cabeças-de-série, logo, os nossos possíveis adversários. Bem pior é o que pode acontecer depois, no play-off final de acesso. Aí entram equipas dos chamados 'big-five', designadamente os quartos classificados de Inglaterra, Espanha e Itália, e os terceiros de Alemanha e França, ou seja, Arsenal, Villarreal, Udinese, Bayern e Lyon. No entanto, o Benfica entrará (esperemos) nessa fase também como cabeça-de-série, o que significa que, pelo menos, Arsenal, Bayern, Villarreal e Lyon não terá no seu caminho.

Numa perspectiva teoricamente optimista, poderíamos assim chegar à Champions eliminando o Zurique, e depois o Standard. Na pior das hipóteses, teríamos de ultrapassar Rubin Kazan e Udinese.

Veremos o que a sorte determina."


Luís Fialho, in O Benfica

Investigue-se tudo e todos !!!


Normalmente nestas entrevistas não costumo fazer comentários, deixo os vídeos, o texto por completo, ou as principais citações, mas desta vez, depois de ler algumas barbaridades pela Gloriosesfera (como já é habitual!!!), sinto-me obrigado a deixar umas palavrinhas:

Em primeiro lugar esta entrevista era para falar das noticias da última semana, que lançaram suspeitas gravíssimas sobre os dirigentes, e o treinador do Benfica, relativamente a supostas comissões, fuga de impostos, lavagem de dinheiro, e afins. Esta entrevista não foi dada para se falar nem do Coentrão, nem do Rui Costa... além disso o Presidente, nestes assuntos, disse o esperado... e o exigido, nada mais.

Em segundo lugar, apresentou publicamente o contrato do Roberto, e explicou a negocio do Júlio César:

-Pergunto eu, quantos Presidentes de Clubes Portugueses podem fazer a mesma coisa, sem correrem o risco de irem presos?!!!

-Quantos Presidentes de Clubes Portugueses são entrevistados com tal 'agressividade', em directo, sendo constantemente interrompidos?!!!

-Será que o Presidente fugiu para Santiago de Compostela?!!!

-Será que nos contratos do Roberto, ou do Júlio César apareceu alguma Off-Shore?!!!

-Será que o nosso Presidente, e os nossos administradores antes de servirem o Benfica, tinham como única 'entrada' no seu curriculum profissional, a falência de uma empresa de electrodomésticos?!!!

-E que após 'entrarem' no Benfica, se tenham tornado multi-milionários?!!!

-Será que alguém alegou algum erro 'processual'?!!!

-Será que o Presidente se defendeu, atacando a PJ, ou MP?!!!


Agora uma dúvida sincera. O que é que o Presidente, poderia ter dito, para deixar todos os Benfiquistas satisfeitos?!!!


Já agora para os bandalhos avençados, será que alguém é capaz de apresentar alguma prova, por mais ténue que ela seja, que possa sustentar todas as primeiras páginas, que já fizeram?!!!

...e qual a razão que depois da publicação da suposta investigação às irregularidades nos Corruptos por parte do Correio Manhoso, ninguém, mas mesmo ninguém (nenhum órgão de comunicação social) 'pegou' na noticia e repetiu-a?!!! E até o próprio CM nunca mais voltou as assunto, enquanto com o Benfica, já vai para uma semana, com 'caixas' diárias, chegando ao ponto do ridículo, onde outros jornaleiros usam como fonte o jornaleiro 'do lado'?!!!


PS: Existe um único ponto onde acho que o Presidente deveria ter sido mais contundente: Deveria ter chamado os 'bois pelos nomes', no ataque aos Grupos de Comunicação Social que estão por trás desta campanha. E pelo menos insinuado, que o que está em causa são os Direitos de Transmissão dos jogos do Benfica.