Últimas indefectivações

quarta-feira, 6 de julho de 2022

O Capitão — Henrique Vieira


"O que é a Mística do Sport Lisboa e Benfica? O Sr. Henrique Vieira.

Chegou ao Glorioso na época 81/82 com os seus 24 anos. Era um base “adaptado” 😊, que estava a despontar no mítico Atlético CP e que tinha raízes africanas, mais propriamente de Moçambique, tal como os heróis Eusébio e Mário Coluna. Em 1981, recebeu o convite do SL Benfica e juntamente com o seu amigo Rui Miranda chegaram ao antigo Estádio da Luz “A Catedral” e as suas pernas tremiam ao passar na “Rampa”. Era um menino emocionado que estava a cumprir o sonho.
Mas o início no seu clube do coração não foi nada fácil. Viviam-se tempos conturbados no Basquetebol do SL Benfica. Na primeira temporada tínhamos uma equipa mais fraca que os rivais, fruto de várias decisões erradas e falta de planeamento. Contudo, na época seguinte, foi tomada uma decisão que começou a mudar de forma positiva a modalidade no clube: a contratação do Prof. José Curado. Um “organizador, um craque na educação física”. O Sr. Henrique não o conhecia, mas José Curado e respetiva estrutura souberam dar um passo atrás para dar muitos à frente. Deixamos de ter estrangeiros, nem fomos à fase final e começamos a ter o núcleo de portugueses que viria a ser hegemónico em Portugal: Zé Luís, José Carlos Guimarães e Carlos Lisboa, entre outros. “Ganhar e Perder não era igual” – O Lema daquela equipa inigualável e ultracompetitiva.
Henrique era O Capitão dessa geração. Uma geração onde cada um sabia o seu papel dentro do conjunto. Recebia os novos jogadores, ele adorava fazer isso. Jean Jacques, José Carlos Guimarães, Pedro Miguel, entre muitos outros, falam do Capitão como alguém especial. Uma liderança a todos níveis desde tenra idade. Amava erguer as Taças, toda a gente falava com ele, era mais que um jogador. Era natural. Era um LÍDER, dentro e fora do campo! Unanimemente respeitado! “Nunca nos esquecemos de um título. Quanto mais ganhamos com esta camisola, mais queremos ganhar”.
De 1984 a 1987, o nosso SL Benfica foi Tricampeão, mas como eterno insatisfeito que era, aquele título perdido em 87-88 contra uma excelente Ovarense constituiu um enorme amargo de boca numa fabulosa carreira. Saiu José Curado e veio um homem que estava muito à frente no tempo a nível tático: Tim Shea. Com experiência em Itália e Espanha, trouxe para Portugal o scouting (filmava os jogos!) e também o 1.º fisioterapeuta para o Basquetebol, prescindindo de um adjunto. Somaram mais um Bicampeonato, Taça da Liga, Supertaça. Faltava o troféu maldito na sua carreira: a Taça de Portugal. Continuava a hegemonia da geração Dourada do Basquetebol português e na Europa começavam a dar luta a nomes consagrados da modalidade. Shea saiu, pois teve uma grande proposta da ACB, mas hoje está arrependido. Chegou então ao comando técnico o Sr. Mário Palma. Mais uma lenda da modalidade que soube manter a hegemonia daquela geração. Mesmo numa época cheia de problemas físicos, O Capitão Henrique e seus companheiros perdiam 0-2 na final com a Ovarense. Perdemos os 2 jogos na Luz. Toda a gente dava o título entregue aos vareiros. Havia festas marcadas. E o que aconteceu? A nossa equipa foi a Ovar vencer os 2 jogos seguintes, levando a decisão para a Luz. Aí, no Inferno que estava cheio a horas do início da partida, o Capitão faz um jogaço (23 pontos!) e leva a sua equipa ao Tetra e ao seu 7.º Campeonato em 8 anos de SL Benfica. Foi a sua despedida a fazer o que mais amava: ganhar e levantar troféus pelo Glorioso. E entregou a camisola ao adepto nº 1 do Benfica: o “Zé sem pescoço”. A Direção do clube quis renovar mais 2 anos com o Sr. Henrique, mas ele não aceitou. E porquê? Não queria prejudicar o seu clube. O seu Benfiquismo estava à frente de tudo. Já tinha passado o legado ao Pedro Miguel e os problemas físicos não davam para mais. Saiu com a Humildade de um Eterno Campeão! Com um Triplete. A Taça de Portugal já estava no bolso. Foram como jogador e Capitão “somente” 7 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 2 Taças da Liga, 3 Supertaças e várias noites épicas a nível Europeu. Lenda!
Após a extraordinária carreira como capitão e jogador, veio o natural percurso de treinador. Alguém com a sua liderança e capacidade de perceber o jogo só podia dar um excelente coach de Basquetebol. E também aí foi crescendo passo a passo, com a sua humildade e espírito de resiliência. Estoril Basket, Oliveirense e Ovarense (clubes com grande história na modalidade), mas faltava o seu Glorioso. Em 2007 chega à cadeira de sonho. E tal como em 81, o início do percurso de treinador no SL Benfica em 2007 foi complicado. O Benfica estava, há muitos anos, sem ganhar títulos e longe das decisões. Até foi parar à Proliga. Em 2008, sem ter como grande objetivo o campeonato, o Sr Henrique no comando consegue juntar uma série de jogadores portugueses de enorme qualidade como Diogo Carreira, António Tavares, Elvis Évora ou João Santos, aos quais se juntou outra grande figura e capitão do clube: Sérgio Ramos. Estes, juntamente com dois americanos - Ben Reed e Seth Doliboa - muito bem recrutados, formaram uma equipa que viria a sagrar-se Campeã Nacional com 4-0 na Final em Ovar, 14 anos depois do último título. Mais uma vez, o Sr. Henrique ajudou o nosso Benfica a regressar ao patamar mais alto do Basquetebol português. Ano seguinte e fez o Bicampeonato num percurso fabuloso com apenas 3 derrotas ao longo do ano na Liga e com um 4-1 na final contra o FC Porto, com o troféu a ser levantado na Luz. A missão do Sr. Henrique Vieira estava cumprida também como treinador! Foram 5 anos com 8 troféus para o Museu. “Treinar é perceber relações. Temos de conseguir ter uma boa relação com quem trabalhamos.”
A camisola 5 de Basquetebol tem que estar no teto do pavilhão! Como a do Mike Plowden, a do Jean Jacques, a do José Carlos Guimarães ou a do Pedro Miguel. Em suma, a melhor equipa portuguesa de todos os tempos tem que ser lembrada/homenageada sempre que um adepto ou sócio do SL Benfica entre no seu pavilhão. Esta 1h40 juntamente com os meus Amigos, Sérgio Engrácia e Ricardo Campos foi um privilégio enorme! Poder falar com o Monstro Sagrado dos Pavilhões. Uma Lenda do Ecletismo do SL Benfica. Muito Obrigado, Capitão Henrique Vieira! Não tenho palavras para agradecer tudo o que fez pela “minha” modalidade e pelo “meu clube”. O meu Benfica é o seu Benfica. Minha Vénia! Até Sempre, CAMPEÃO!
DISCIPLINA, SACRIFÍCIO E COMPROMISSO!"

Falar Benfica #70

O Brinco do Baptista #98

terça-feira, 5 de julho de 2022

... Sport Lisboa e Benfica!


As coisas têm que mudar, estes podem ser pormenores, mas temos que começar por algum lado!

Kick-Off 2022/23


Se por um lado vamos ter 9 jornadas iniciais, relativamente ideais, para os jogadores se adaptarem ao estilo do jogo do Roger, no meio da qualificação para a Champions, sem grandes viagens a atrapalhar! Na recta final, vamos ter um 'Evereste' para subir! Nas últimas 8 jornadas do campeonato, vamos a Chaves, Barcelos, Portimão e Alvalade e recebemos os Corruptos e o Braga na Luz!!! Em contrapartida, os Corruptos, nas últimas 7 jornadas, têm 21 garantidos! Em caso duma Liga disputada ao ponto, teremos poucas hipóteses!!!

Destaque ainda para os prémios individuais, relativos à época anterior, ao Darwin (melhor jogador da Liga), ao Henrique Araújo (melhor jovem da II Liga), ao Vlachodimos (o jogador com mais fair-play, prémio Neno), à Fundação Benfica e o prémio Fair Play da Liga ao SL Benfica.

1.ª Benfica-Arouca 18.ª
2.ª Casa Pia-Benfica 19.ª
3.ª Benfica-P. Ferreira 20.ª
4.ª Boavista-Benfica 21.ª
5.ª Benfica-Vizela 22.ª
6.ª Famalicão-Benfica 23.ª
7.ª Benfica-Marítimo 24.ª
8.ª V. Guimarães-Benfica 25.ª
9.ª Benfica-Rio Ave 26.ª
10.ª FC Porto-Benfica 27.ª
11.ª Benfica-Chaves 28.ª
12.ª Estoril-Benfica 29.ª
13.ª Benfica-Gil Vicente 30.ª
14.ª Braga-Benfica 31.ª
15.ª Benfica-Portimonense 32.ª
16.ª Benfica-Sporting 33.ª
17.ª Santa Clara-Benfica 34.ª

1.ª Benfica B-Ac. Viseu 18.ª
2.ª Tondela-Benfica B 19.ª
3.ª Benfica B-E. Amadora 20.ª
4.ª Torreense-Benfica B 21.ª
5.ª Benfica B-Leixões 22.ª
6.ª Vilafranquense-Benfica B 23.ª
7.ª Benfica B-Covilhã 24.ª
8.ª Oliveirense-Benfica B 25.ª
9.ª Benfica B-Mafra 26.ª
10.ª B SAD-Benfica B 27.ª
11.ª Benfica B-Moreirense 28.ª
12.ª Trofense-Benfica B 29.ª
13.ª Benfica B-Penafiel 30.ª
14.ª Nacional-Benfica B 31.ª
15.ª Benfica B-Feirense 32.ª
16.ª Farense-Benfica B 33.ª
17.ª Benfica B-FC Porto B 34.ª

Parabéns Nuno...

Uma final perdida celebrada


"Lisboa parou para receber apoteoticamente o finalista da Taça Latina de 1957

A massa associativa encarnada é conhecida pelo forte apoio que tem dado ao Clube ao longo da história e não apenas nas vitórias. Pois o 'Benfica, mesmo a perder, nunca morre ou soçobra porque nas suas gentes jamais arrefece ou diminui o seu extraordinário e permanente sentimento de «tudo pelo clube, custe o que custar»'. Esta 'mística verdadeiramente sui-generis que envolve o «Glorioso»' foi visível após a sua grande prestação na Taça Latina de 1956/57, na qual foi derrotado na final pelo Real Madrid pela diferença mínima, mas que mesmo assim foi recebido na capital portuguesa 'à Benfica'!
Em Madrid, a equipa encarnada foi apoiada por cerca de quatro mil portugueses, que se deslocaram 'por estrada e via férrea' para 'a acompanhar, a aplaudir e a incitar', o que causou espanto aos espanhóis. Perante o bicampeão europeu, o Clube foi um finalista digno, pois, apesar de ter perdido, alcançou 'a vitória da luta (...) até à última gota de sangue'. E foi com este sentimento de que foi recebido em Lisboa, no dia de São João.
A comitiva benfiquista foi acolhida no aeroporto em clima de festa e, quando entrou no autocarro, a 'delirante multidão rodeou a viatura, obrigou-a a parar e assaltou-a (...) Num ápice o tejadilho do autocarro ficou pejado de temerários entusiastas, desafiando as leis do equilíbrio... e da policia. Mas não arredaram dali'. Foi um lento 'cortejo improvisado' de perto de duas horas que os jogadores chegaram, finalmente, à secretaria da Rua Jardim do Regedor. Aguardados por 'massas compactas de multidão', foram recebidos com 'indescritível entusiasmo (...) tal a loucura alegre de todos, e o seu desbordante interesse em vitoriar os briosos rapazes'.
Já no interior do edifício, onde foram felicitados pela Direcção do Clube, 'os jogadores eram frequentemente solicitados pela multidão da rua e tinham de vir à janela agradecer os aplausos' que celebravam o honroso feito do Benfica.
Saiba mais sobre os incomuns sócios benfiquistas na área 16 - Outros Voos do Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

Nada mudou


"O futebol português é pródigo em bizarrias. A mais recente (escrevo na quarta-feira, talvez já tenha acontecido outra quando o jornal lhe chegar às mãos) foi a realização de uma assembleia-geral extraordinária da Federação Portuguesa de Futebol para se discutir e votar três pareceres sobre o palmarés do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal.
Não se entende como a Federação aceitou sequer discutir a situação vergonhosamente criada pelo Sporting, uma vez que a própria Federação havia deliberado, em tempo útil, ou seja, há 84 anos, e com a concordância das associações, sobre a natureza de cada uma das competições em causa.
O próprio processo foi absurdo: submeter à votação três pareceres de historiadores, como se a história, depois de analisados factos e interpretados acontecimentos, fosse passível de ser votada de acordo com sensibilidades do momento da parte de quem, por muito voluntarismo e interesse que tenha pela matéria em apreço, pura e simplesmente não deveria ser competente para participar num processo deste cariz.
Convém, no entanto, realçar que a Federação actuou bem tendo em conta o futebol que superintende. A forma como este processo se desenrolou talvez fosse a única forma eficaz de arrumar o assunto.
Felizmente, na votação houve bom senso, pudor e honestidade intelectual. Faltou o rigor histórico, mas não se pode ter tudo.
É extraordinário que o único parecer respeitador dos factos, o 2, tenha merecido somente um voto favorável. Perdeu-se assim uma oportunidade (canhestra, pois a FPF já decidiu em 1938) de se respeitar institucionalmente a prova rainha do futebol português, iniciada em 1921/22 sob a anterior designação “Campeonato de Portugal”, a qual foi alterada para “Taça de Portugal” em 1938.
O parecer 1, que considero interpretar abusivamente a natureza do Campeonato de Portugal até 1934, ano em que o Campeonato Nacional começou, mereceu 13 votos favoráveis. E o terceiro parecer, evidentemente revisionista e incluído a pedido, foi aprovado por 8 delegados. Sobraram 7 abstenções e 33 votos de rejeição a qualquer dos pareceres e o mesmo é dizer que nada mudou.
À hora que escrevo os votos não são públicos (desconheço se serão ou não), mas seria interessante perceber quem, além do Sporting, quis vilipendiar a história do futebol português, atribuindo-se na secretaria títulos a quem não os ganhou em campo, desrespeitando-se, pelo caminho, todos os que, ao longo das décadas, lutaram por se sagrar campeões nacionais. Parafraseando Agustina Bessa-Luís, são figurinhas que o país produz para que o futebol se arrependa de as inspirar. Lamentável.

P.S.: E aquele relógio dos 23 títulos de campeão publicitado no canal 11 da FPF? É caso para se concluir que o Sporting deverá ser o único clube do mundo cujo merchandising inclui um relógio adiantado uns 40 anos."

João Tomaz, in O Benfica

Nada de novo


"Enquanto Roger Schmidt e a sua equipa técnica vão conhecendo os cantos à casa, continua o desfile de 'notícias' sobre jogadores do SL Benfica ou que podem estar na esfera de interesse do Glorioso. Não é novidade, trata-se apenas de mais uma pré-época ao bom estilo nacional. Não é só o facto de se crucificaram alguns jogadores que cá estão, isso já é normal. O mais interessante é que os futebolistas que são dispensados ou que são contratados por outros clubes passam a ser melhores profissionais e atletas do que alguma vez poderíamos ter pensado. De não utilizados (ou pouco chamados) no SL Benfica passam a peças demasiado importantes para serem dispensadas. E quando os valores das transferências batem recordes, então é porque qualquer coisa deve estar mal. Mas só quando há ligação ao maior clube de Portugal.
Quando a coisa mete os nossos rivais, já tudo é absolutamente normal e silencioso, mesmo que se minta descaradamente sobre propostas, como no caso de um tal de Evanilson que ia para Inglaterra mas ninguém por lá sabia disso. Ou de um outro, um Vinagre, que chegou com altos custos e uma fama sem precedentes e acabou dispensado de forma quase ácida, a condizer com o apelido. Ai, meus amigos, se fosse com o SL Benfica, o que seria destas duas notícias. Íamos ter assunto e debate durante largas semanas. Mas, enfim, para isso era preciso que os clubes rivais tivessem o mesmo impacto na esfera pública. Não têm, nunca tiveram e não vão ter. Aguentem e não chorem."

Ricardo Santos, in O Benfica

Lista de Schmidt com 725 possíveis reforços


"Calor, praia, férias. Já entrámos nos meses de verão, o período do ano onde os jornais e as televisões anunciam contratações suficientes para o Benfica construir plantéis disponíveis para competir desde e Premira Liga até à Liga Inatel. Seria inédito em Portugal e no mundo. Um calendário de futebol nacional com esta overdose de Benfica tinha potencial para levar os meus níveis de entusiasmo a um pico extremo e possivelmente para também levar a minha namorada a colocar-me as malas à porta. Dava jeito, porque assim já ficava com as camisolas e os cachecóis à mão para não andar a repetir os mesmos adereços em todos os estádios. O leitor já se imaginou a sair a correr de um Inter Fradelos - Benfica às 12h00 de domingo para chegar a tempo de um Benfica - Sporting a meio da tarde? Nem precisava de parar para almoçar, se antes de arrancar passasse pelo bar para levar consigo uma sandes de teias de aranha com presunto. De Portugal, da Alemanha, dos Países Baixos, do Brasil ou da Argentina, a avalancha de novos jogadores vem sempre de todos os cantos do mundo. Os principais meios de comunicação, que, como se sabe, têm uma relação de tremenda proximidade com Roger Schmidt, uma vez que vão com regularidade lanchar a casa dele, sabem exactamente o que vai na alma do treinador alemão. Conhecem os motivos pelos quais cada jogador está referenciado na lista de possíveis contratações, sabem das conversas privadas que tem com o presidente Rui Costa, têm a informação do número de vezes que se desloca à casa de banho durante a noite e já descobriram que é um grande apreciador das músicas do Toy. À escassez de água é um problema para o mundo, mas felizmente estas fontes nunca secam."

Pedro Soares, in O Benfica

Bancadolândia


"Uma proeza maltratada
A desigualdade de género inferível da observação das capas dos jornais desportivos de domingo, 26 de Junho, o dia seguinte à consagração das Eneacampeãs Nacionais de hóquei em patins, é credora de lamento e reprovação. Se os meus olhos não me atraiçoam, não houve nem uma linha na montra das publicações vocacionadas para a divulgação das notícias de desporto relativamente à façanha da equipa feminina do Benfica, que, com total mérito, materializou a conquista do nono título nacional consecutivo. E fê-lo, note-se, numa modalidade em que Portugal é tão-só uma das potências mundiais, ou seja, não se trata de uma brilhante série de sucesso na macaca, sem qualquer desprimor para este respeitável jogo. A verdade constatável é que (também no desporto) ainda há muito que palmilhar para se atingir um absoluto nivelamento dos pratos da balança dos géneros.

A outra missão de Roger Schmidt
Arrancou a pré-temporada do futebol profissional do Sport Lisboa e Benfica, e o treinador Roger Schmidt entrou com tudo. Não podemos (nem devemos) apagar o passado, também para que nos sirva de lição em momentos-chave de qualquer processo, mas o que aconteceu fica arrumado. O optimismo e a vontade de vencer são dínamos que nos renovam expectativas, ansiedades, estados de alma e que nos convocam para a nova era que recém-começou. Além de pôr a equipa a praticar um futebol cativante e ganhador, o técnico tem igualmente generosa parte da responsabilidade e da missão de reaproximar os adeptos do grupo que comanda, numa dialética que, quando estabelecida numa frequência comum, costuma ter os êxitos como consequência. É o que nos diz a história do Clube! A primeira conferência de imprensa de Roger Schmidt no Estádio da Luz como treinador do Benfica, onde escutámos respostas 'inabituais', configura mais um indicador de mudança e de como, sendo-se claro e franco, é possível chegar facilmente aos adeptos.

Divórcio amigável
As estatísticas demonstram-se que nem todos os matrimónios convergem inevitavelmente para uma espécie de 'guerra civil' quando se desfazem. O casamento de Benfica e Everton não resultou, é uma realidade, mas, pelo que foi possível perscrutar da bancada, não terá sido por falta de compromisso do extremo. Esperava-se muito mais dele, sim, mas os lances mágicos e diferenciadores que lhes deram estatuto e o elevaram à selecção do Brasil foram vistos poucas vezes. O verdadeiro Everton não 'pegou', a separação foi natural."

João Sanches, in O Benfica

Mulheres à Benfica


"Futebol, basquetebol, futsal, andebol, hóquei em patins e polo aquático. Em todas estas seis modalidades aas equipas femininas do Benfica se sagraram campeãs nacionais. Apenas não vencemos no voleibol e no râguebi (em ambas caímos na meia-final). Nunca outro clube português havia alcançado tamanha proeza numa só temporada.
Não é preciso grande perspicácia para perceber que o desporto feminino tem enorme margem de progressão. Há poucos anos, alguns dos campeonatos mencionados eram quase clandestinos. Hoje já vão sendo seguidos, televisionados e festejados. E num futuro próximo terão o protagonismo que merecem, ou seja, um absoluto paralelismo com as equipas masculinas. No futebol talvez demore um pouco mais. Nas modalidades de pavilhão estou seguro de que está para breve.
O Benfica tem tido, e certamente continuará a ter, um papel preponderante e único na afirmação do desporto feminino em Portugal. A popularidade de que alguns destes campeonatos já desfrutam deve-se à presença (e às vitórias) do nosso clube. As principais atletas vão-se afastando cada vez mais do anonimato de outrora. As nossas e as adversárias, que também se promovem jogando contra o Benfica.
E é muito bonito ver a forma como as diferentes modalidades, se unem pelo clube, apoiando-se umas às outras, ao mesmo tempo que vão enchendo o Museu Cosme Damião de troféus. Caso alguém ainda não saiba o que significa a palavra 'Mística', é só olhar para estas mulheres, para a sua raça, para o seu espírito solidário, e para a entrega à camisola que vestem. Merecem tudo. São Mulheres à Benfica."

Luís Fialho, in O Benfica

Futebol que anda


"Futebol é sempre futebol, e é isso que atrai as pessoas de todas as idades e géneros. Só que, à medida que crescemos, passamos do jogo infantil à prática e desta à condição de adeptos ou mesmo directamente à condição de adeptos sem nunca termos passado do informal jogo de rua para o futebol propriamente dito. Depois dos 50, então, nem uma coisa nem outra na maior parte dos casos. É como se o futebol fosse exclusivo dos jovens e jogar à bola passasse de jogo universal da infância a miragem universal dos adultos que encontraram compensação no consumo do espectáculo desportivo e de todas as manifestações possíveis do futebol. Todas, claro, menos jogar à bola!
Mas o que aconteceria se, em vez de correr, andássemos e se, em vez de riscos para a saúde, aumentássemos a nossa condição de saúde física e mental? Se em vez de sermos vistos como velhos, todos apreciassem o nosso futebol? E se as vitórias fossem celebradas, as participações medalhadas, as conquistas amplamente publicitadas e reconhecidas pela sociedade em geral? Se as mulheres jogassem com os maridos, e se os netos assistissem ao jogo dos avós? Se, em vez de nos sentirmos sozinhos pela perda dos próximos, reconstruíssemos ou alargássemos o nosso mundo de relação, amizade, cooperação e amparo mútuo?
Bom, se fosse assim, o futebol seria bem mais que futebol, e não perderiam nada nem a competição nem o futebol em si, apenas ampliariam a sua importância e os seus impactos. É isto mesmo que se passa no walking football, envolvendo já mais de mil jogadores de todo o país com equipas espalhadas de norte a sul e ilhas. E estes números estão a crescer a cada dia, porque o walking football é bom, faz bem e sabe melhor! É o Benfica ao lado de todos pela vida fora, sempre a motivar, sempre a inovar, sempre a inspirar e transformar cada um de nós. Tudo isto, como sempre, a partir de uma simples bola!"

Jorge Miranda, in O Benfica

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"0
O Benfica sagrou-se campeão nacional invicto de hóquei em patins feminino. Nos 28 jogos realizados na prova, 26 vitórias e 2 empates;

1
O Benfica sagrou-se campeão nacional elite e juniores de triatlo, estafetas mistas;

4
Dos 5 golos marcados pela seleção feminina portuguesa nos 2 jogos de preparação com a Grécia, 4 foram da autoria de jogadoras do Benfica. Francisca Nazareth (2), Jéssica Silva e Carole Costa fizeram o gosto ao pé;

5
Reforços, até 3ª feira, anunciados para a nova época: Bah, Enzo Fernández (caso se concretize o princípio de acordo), Musa, Neres e Ristic, além de se se antever a integração plena de jovens da formação no plantel da equipa A;

8
Com o título conquistado pela equipa feminina de hóquei em patins, subiu para 8 os Campeonatos Nacionais ganhos por equipas seniores do Benfica em 2021/22. Masculinos: basquetebol e voleibol; Femininos: andebol, basquetebol, futebol, futsal, hóquei em patins e polo aquático;

9
Eneacampeões nacionais! Está igualado o recorde benfiquista de campeonatos consecutivos numa modalidade coletiva. O Benfica domina a vertente feminina do hóquei em patins há 9 anos, como o fez no voleibol feminino entre as décadas de 60 e 70. Nos masculinos, o recorde continua pertença do basquetebol, com 7, de 1988/89 a 1994/95;

17
Domingo, às 17 horas, treino à porta aberta no estádio da Luz, uma oportunidade para ver ao vivo os reforços e os métodos do novo treinador Roger Schmidt;

40
Realizou-se a 40ª gimnáguia do Sport Lisboa e Benfica, desta feita de volta ao pavilhão após 2 edições no formato virtual, devido à pandemia."

João Tomaz, in O Benfica

Só nós sentimos assim


"No domingo, 23470 adeptos do Benfica juntaram-se numa autêntica romaria ao Estádio da Luz, que me trouxe à memória Mário Wilson, o saudoso Velho Capitão, que na Gala Cosme Damião de 2012 proclamou uma das frases mais marcantes da história benfiquista recente: 'Só nós sentimos assim'.
Para quem, como eu, marcou presença na Luz no domingo, o que aconteceu não foi 'só' um treino. Foi a demonstração da esperança do universo benfiquista que, depois de três épocas sem conquistar um título, anseia pelo regresso às conquistas. Foi o grito de uma massa associativa que exige mais e que acredita na capacidade da equipa de corresponder a essas expectativas. No domingo, depois de muito tempo desavindos, vimos a tão desejada união entre os sócios do Benfica, interligados pela sua fome de vencer. Para um benfiquista, não foi só um treino. Foi o sonho de uma tarde de verão.
O treinador, Roger Schmidt, demonstrou compreender a importância do momento ao presentear os adeptos com um jogo-treino, que permitiu aguçar a curiosidade para esta época. Apesar de ser impossível julgar os atletas recorrendo apenas a um treino, algumas caras conhecidas mostraram vontade de complicar as contas ao treinador, enquanto os jovens da formação provaram estar prontos a desempenhar um papel importante no plantel. Também as contratações conseguiram dar um ar da sua graça, demonstrando a sua qualidade técnica e exibindo vontade de impressionar neste primeiro encontro.
Após o jogo, Bah e Ristic, duas caras novas, mostraram-se surpreendidos com o número de presentes para um simples treino. Para além de contribuir para a união entre o grupo de trabalho e os adeptos, o treino de domingo cumpriu uma função essencial: ajudar os novos atletas a compreender a grandeza do Sport Lisboa e Benfica.
Depois de três épocas de sofrimento, os adeptos benfiquistas continuam a dar a cara, sempre prontos para incentivar os atletas que os representam. Como dizia Mário Wilson, 'por muitos desgostos que possamos ter, valores mais altos se levantam e o valor mais alto que se levanta em termos futebolísticos, chama-se Benfica'. Agora cabe aos jogadores darem a resposta e honrarem o manto sagrado.
Benfica dá-nos o 38."

SL Benfica ganha a luta por João Victor


"O Sport Lisboa e Benfica parece estar próximo de oficializar mais um reforço. João Victor, jovem central do Corinthians parece ter chegado a acordo com as águias e mudar-se-á para Lisboa nos próximos dias.
O clube encarnado estava de olho no central canarinho desde dezembro passado, altura em que Lucas Veríssimo se lesionou e surgiu a necessidade de reforçar o plantel para a posição mais ao centro da defesa. Contudo, o clube resolveu esta situação internamente, mas o central ficou sempre na mira das águias.
Neste início de temporada e depois de ter colocado a transferência em standby, as águias ultimaram os últimos detalhes e chegaram a acordo com o jogador por valores a rondar os 10 milhões de euros por 75% do passe.
João Victor estaria a ser disputado por dois clubes portugueses. SL Benfica, que parece ter conseguido garantir a contratação do jogador e FC Porto, o eterno rival.
A qualidade do defesa é inegável e vem acrescentar muito ao plantel encarnado. Forte fisicamente, é bastante rápido e capaz de sair a jogar com bola controlada.
A sua forma robusta (187 cm) garantem-lhe grande capacidade de desarme o que aliado à sua inteligência dentro de campo o podem tornar num jogador de classe mundial.
O Sport Lisboa e Benfica fez um excelente negócio, contudo haverá ainda o período do processo de habituação ao futebol europeu. A língua será, pelo menos, um fator a favor, assim como a presença de mais jogadores brasileiros a atuar no plantel dos encarnados.
Logisticamente falando, o Sport Lisboa e Benfica fica, então, com vários defesas centrais à disposição de Roger Schmidt. Jan Vertonghen, Nicolas Otamendi, Lucas Veríssimo, Morato e Ferro. Ainda assim, Ferro deverá ser novamente emprestado ou então sair em definitivo.
Julgo que o treinador alemão deverá optar por começar a temporada com dois centrais e serão eles Jan Vertonghen e Nicolas Otamendi, sendo que Lucas Veríssimo estará em recuperação da lesão que contraiu na temporada passada até, pelo menos, setembro e o defesa belga está mais que habituado a fazer parelha com o argentino.
A terceira opção na linha de centrais deverá recair em João Victor com Morato à espreita de um lugar na rotação. Assim que Veríssimo esteja recuperado, acredito que recuperará o seu lugar no XI e Vertonghen perca bastante espaço no plantel.
João Victor tem todas as qualidades para se tornar num grande jogador e almejar a voos maiores, mas ainda tem muito que trabalhar e evoluir. A verdade é que tem uma margem de progressão enorme e pode efetivamente chegar ao topo do futebol mundial.
Assemelho muito João Victor a um jovem David Luiz, fazendo lembrar, muitas vezes, o antigo defesa das águias no seu estilo de jogo. Como adepto fico bastante satisfeito com a chegada de João Victor e penso que terá sido uma boa contratação da parte do Sport Lisboa e Benfica."

Zero: Treino aberto...

Henrique Vieira


Uma das lendas do Benfica, deixou-nos ontem...
Como jogador, como treinador e como adepto!

Modalidades #92 - Semanda...

Fura Redes: Pré-épocas!

Nunca caminharás sozinho, Darwin | SL Benfica


"O Avançado Uruguaio Esteve Apenas Duas Épocas Na Luz, Mas Permanece No Coração Dos Benfiquistas

Despedir-nos de uma pessoa que nos marcou num determinado momento da nossa vida é sempre uma situação complicada e no mundo do futebol isso também acontece com todos aqueles jogadores que idolatramos e os vemos partir para outras paragens.
O meu artigo de hoje é uma espécie de despedida/balanço da passagem de Darwin Núñez pelo SL Benfica, que esteve apenas duas temporadas na Luz mas que tocou o coração dos adeptos com toda a sua classe e humildade dentro e fora de campo.
Darwin foi contratado ao UD Almería da segunda divisão espanhola em 2020 e confesso que para mim era um total desconhecido.
“Mais um sul-americano para encher chouriços”, pensei eu quando vi o nome do avançado uruguaio ser dado como certo na equipa que Jorge Jesus estava a preparar, isto depois de ter levado uma “facada nas costas” de outro uruguaio, Edinson Cavani, esse sim aquele que eu e toda a nação benfiquista esperávamos que fosse uma realidade mas que acabou por ser apenas um sonho.
Claro que em pouco tempo mudei de opinião em relação ao agora antigo número nove encarnado e os primeiros jogos do campeonato mostraram um jogador de apenas 21 anos muito aplicado e com vontade em mostrar serviço.
Mas o que é que se pede a um avançado que custou 24 milhões de euros? Golos, muitos golos. Sim, Darwin não marcava mas assistia os seus companheiros de equipa, um fato que me deixava satisfeito mas obviamente o que eu queria era que ele metesse a bola dentro da baliza adversária.
Seguiu-se o primeiro desafio da fase de grupos da Liga Europa frente ao Lech Poznan e foi nesse encontro que começou a sua relação com os golos de águia ao peito, ao assinar um hat-trick e a deixar-me com água na boca. Darwin marcou novamente no jogo seguinte para o campeonato e acabaria por bisar noutra partida a contar a para Liga Europa, diante do Rangers FC.
Agora sim, estava a ficar convencido que o SL Benfica tinha ali um diamante por lapidar e que podia ser um avançado para ficar alguns anos no clube lisboeta e com isso ajudar a conquistar títulos. Era o que eu esperava mas não foi isso que aconteceu.
Não por culpa dele, mas de toda uma conjuntura que começou com a pandemia que devastou o plantel em alguns jogos e com a instabilidade vivida no balneário durante a época que agora findou. Analisando o ano de estreia de Darwin pela formação encarnada, podemos afirmar que foi sempre um dos melhores elementos da equipa, terminado a temporada 2020/2021 com 14 golos e 11 assistências.
Chegou a nova época e com ela a confirmação absoluta de que estávamos na presença de um craque de nível mundial. Mesmo falhando o arranque da temporada enquanto recuperava de uma lesão no joelho, o avançado uruguaio foi entrando aos poucos na equipa até agarrar a titularidade para nunca mais a largar.
Os golos e as boas exibições começaram a aparecer de forma natural e o bis frente ao FC Barcelona em jogo da Liga dos Campeões foi aquele que o deixou de imediato no radar dos tubarões europeus.
É certo que o SL Benfica falhou novamente o objetivo de ser campeão nacional mas Darwin foi coroado como o melhor marcador da Liga, o que diz muito sobre a sua importância no segundo ano com o manto sagrado, já que foi sempre a grande referência da equipa ao longo de toda a temporada.
A boa prestação europeia dos encarnados na Champions foi determinante na sua ascensão para outros patamares e a sua performance na eliminatória com o Liverpool FC (dois golos) foi a chave que lhe abriu a porta de Anfield Road.
Darwin Núñez fechou a época 2021/2022 com 34 golos em 41 jogos, registo assinalável que já não vai poder bater, pelo menos de águia ao peito. Deixou Lisboa há menos de um mês por 75 milhões de euros mas as saudades já são mais que muitas.
Merecia ter conquistado títulos no SL Benfica e saiu sem saber como é o Marquês pintado de vermelho. Talvez um dia ainda venha a descobrir mas neste momento o meu desejo é que mostre todo o seu potencial em Terras de Sua Majestade.
Darwin ficou no meu coração e espero que também fique no coração dos fervorosos adeptos do Liverpool FC. Porque, da minha parte, ele também nunca caminhará sozinho."

Igor Paixão | O avançado observado por águias e dragões


"Seria Igor Paixão Uma Boa Adição Para A Frente De Ataque Encarnada?

O mercado da Luz está ao rubro e as mexidas no plantel do Sport Lisboa e Benfica não parecem ter acabado.
Roger Schmidt está a fazer uma autêntica revolução no balneário encarnado e muitos foram os jogadores que tiveram ordem de saída, alguns ainda presentes no plantel, mas por pouco tempo.
Também as entradas têm sido bastantes, até porque é preciso colmatar as saídas e, no geral, os adeptos benfiquistas estão satisfeitos com as novas aquisições para a próxima temporada.
Novo dia, novo rumor. Igor Paixão, extremo direito do Coritiba está no radar das águias que parecem estar focadas em substituir os jogadores das linhas.
O jovem jogador de 22 anos está a ser um dos destaques do Brasileirão e conta já com onze golos e seis assistências na presente época.
No mercado fala-se também do interesse de mais um clube português. O Futebol Clube do Porto também parece ter demonstrado vontade de adquirir os serviços do jogador brasileiro que está realmente a dar nas vistas.
Este é já o segundo jogador que está a ser disputado por estes eternos rivais. João Victor, central do Corinthians também está, ao que tudo indica, a ser abordado pelos dois clubes.
Voltando a Igor Paixão, este é um jogador que poderá realmente ter sucesso no futebol europeu. É rápido e ágil, bastante acutilante na defensiva adversária, consegue criar espaço e tem uma boa capacidade de decisão.
Igor Paixão é daqueles jogadores que não dá garantias, apenas porque não acredito que esteja totalmente preparado para trocar o futebol carioca pelo europeu, mas que valerá sempre o risco.
Julgo que mais uma temporada, ou pelo menos terminar esta no Brasil seria bastante benéfico para Igor Paixão e para o seu futebol. A qualidade está lá e é inegável, contudo é preciso tomar atenção e não apressar a mudança.
O Coritiba, atento ao progresso que o avançado tem demonstrado, ofereceu um novo contrato ao jogador e colocou a cláusula de rescisão em valores irreais para os clubes portugueses.
Para clubes fora do Brasileirão, a dita cláusula é de cerca de 50 milhões de euros, um valor muito acima daquilo que um clube português pode pagar.
Não acredito que o SL Benfica apresse o processo e compre já o avançado. É um daqueles casos que tem de ser bastante analisado ainda, até porque estamos a falar de um negócio que envolveria muitos milhões de euros.
Assim, creio que se continuará a avaliar e a monitorizar o crescimento do jovem brasileiro e quando este mostrar realmente está pronto, avançar para a sua contratação."

segunda-feira, 4 de julho de 2022

8.º Taça de Portugal

Sporting 1 - 3 Benfica

Oitava Taça, com dobradinha e triplete!!!
Superioridade clara, e o resultado só não tem sido mais desnivelado nestes jogos com o Sporting, porque as arbitragens tem tentado equilibrar o que não pode ser equilibrado!
Ainda hoje, o golo do Sporting, foi num power play, após um Azul ridículo ao Benfica! Baste rever a última falta assinalada contra o Benfica, já no último minuto da partida, para perceber o 'critério'!!! A senhora Sílva Ribeiro não tem condições de apitar qualquer equipa, em qualquer escalão, do Benfica!!!

A equipa neste momento está a jogar melhor, a rotação é mais bem feita, mas pessoalmente continuo a defender a contratação de um treinador, que permita um jogo, mais 'equilibrado'...

PS1: Parabéns aos nossos sub19 masculinos, pelo título nacional de hóquei em patins...

PS2: Grandes marcas do Reynier Mena, nos 100m (9,99s) e nos 200m(19,63s)! Espetacular, temos aqui Ouro! As marcas foram obtidas em altitude, em grande altitude, acima dos 3000m, mas mesmo assim...!!!

PS3: Dois Ouros nos Jogos do Mediterrâneo: primeiro foi o Diogo Ribeiro na Natação, nos 50m Mariposa; e depois o Leandro Ramos, no Dardo... Em relação ao Leandro estou com esperança num grande resultado no Mundial de Atletismo que se avizinha...!!!

Treino Aberto...

Saudades...

Bigodes: Pré-época...

Bastidores: Nova Era...

Treino aberto do SL Benfica – Notas


"- Meinhos de 6×2 e 60′ de jogo GR+10×10+GR dividido em 4 períodos, na totalidade do campo.
- Novo Benfica de Schmidt em 4231 a atacar e 442 a defender, com o 10 a juntar-se ao 9 na frente e extremos na linha média.
- Construção em 2+2, com muita liberdade para os 2 médios poderem inclusive montar no meio ou fora dos centrais. Laterais intermédios, alternam entre posicionamentos mais em construção com posicionamentos mais altos. Extremos dentro, juntamente com 10 e 9, alternando entre apoios e rupturas.
- Muita utilização de apoios frontais para progredir, seja em combinação direta (passa e vai) ou a descobrir o 3º elemento.
- Ataques à profundidade interessantes e algumas boas dinâmicas de corredor lateral (principalmente com Neres). Vai ser um Benfica com maior agressividade ofensiva que nos últimos anos, seguramente!
- Defensivamente, 442 com avançados a pressionar de frente nos centrais. Médios altos para pressionar (houve algumas recuperações por parte dos médios encarnados). No entanto, algum espaço para jogar entre linhas com o avanço da linha média.
- Laterais com bastante referência individual dos extremos, o que obrigará ao extremo defender o lateral na profundidade. Poderemos assistir durante a época a alguma procura deste espaço por parte dos adversários.
- Linha defensiva com bastante intenção de seguir para matar jogadores de costas, ainda assim alguns espaços entre elementos.
- Ainda sem os índices físicos em valores normalizados e sem a velocidade e agressividade defensiva, vai ser um Benfica certamente pressionante e a querer estar alto no campo sem bola.
- A nível individual, salientar o bom regresso de Florentino (capacidade defensiva e sem perdas ofensivas), o muito critério de David Neres (técnica e decisão acima da média) e o mais do mesmo de Henrique Araújo (a forma como marca todos os jogos é impressionante).
- Veremos como cresce este Benfica de Schmidt, o mote está dado."

As 10 notas a retirar do treino aberto do SL Benfica no Estádio da Luz


"Estará A Mudança De Paradigma Já Consomada?

Parecia um ambiente de jogo de campeonato, mas estamos apenas no início da pré-época. Esta foi logo a primeira ilação de quem esteve presente no treino aberto do SL Benfica que se realizou este domingo, dia 3 de julho, no Estádio da Luz.
Mesmo já com o plantel e as novas caras a concluir os exercícios de aquecimento, ainda havia quem entrasse pelas bancadas da casa encarnada. Schmidt finalmente teve o primeiro contacto com a massa associativa que tanto pediu e os jogadores sentiram a primeira pressão para este “novo Benfica”.
Que rode a bola (entre os de colete amarelo e t-shirt preta) e que se retirem as principais dez notas do treino com cobertura BnR.

1. Treino também contou com a presença de uma equipa de arbitragem
Para aumentar o realismo do encontro, o SL Benfica também contou com a presença de uma equipa de arbitragem para acompanhar as principais incidências.
Nuno Santos, Frederico Couto e Tiago Fernandes foram os árbitros escolhidos e este foi provavelmente o único encontro sem as habituais polémicas que prometem entrar na próxima época.
Está assim apresentado um pouco daquilo que pode vir a ser este novo SL Benfica, ainda com muitas mudanças em perspetiva.
Mas uma coisa é certa, o paradigma não é o mesmo e será algo a acompanhar de perto na próxima época pelo Bola na Rede.

2. Seixal em peso
Talvez esta época volte a fazer renascer o projeto do Seixal. No jogo-treino de hoje, vimos muitos jovens a mostrar serviço. Henrique Araújo (com golo nos pés), Diego Moreira (a entrar e a mostrar-se a bom plano), Martin Neto, Tiago Gouveia e António Silva (também com um golo).
Do ano passado mantiveram-se jogadores como Paulo Bernardo, mas a juventude está claramente nos planos do novo treinador.

3. Weigl com um papel mais ofensivo na presença de Florentino
Tal como João Mário, Weigl também aparenta ter um novo papel nesta equipa. A questão aqui prende-se com um possível descontentamento do alemão que passa a ter um papel mais ofensivo com um seis puro atrás.
Hoje não deu muito nas vistas nem pela positiva nem pela negativa. Se permanecer no plantel, parece que já se percebeu qual o papel do alemão.

4. João Mário mais envolvido no processo ofensivo e criativo
Destacaria João Mário individualmente porque, contrariamente à época passada, parece ser um jogador com um plantel mais definido na ideia de jogo deste SL Benfica.
A confirmar-se a presença no plantel, será um número dez com um papel fulcral na dinâmica ofensiva e criativa da equipa. Hoje viu-se precisamente um jogador mais perto do ponta de lança do que o habitual.

5. João Mário e David Neres a deixarem água na boca
Dois jogadores a agitar claramente as bancadas no treino de hoje. João Mário – o desaparecido no final da época passada – apresentou-se a muito bom nível e com dois golos na conta.
Já David Neres trouxe a euforia com a qualidade técnica nos pés. O extremo brasileiro chamou várias vezes a atenção ao serpentear os companheiros de equipa e promete ser um dos grandes desequilibradores do plantel.

6. Lucas Veríssimo ainda ausente
Uma das principais ausências neste treino-aberto. O central brasileiro ainda está em processo de recuperação e decerto será mais um nome a contar. Tem é de correr contra o tempo na conquista do ritmo competitivo dos companheiros.

7. 4-2-3-1 já bem definido
Este deve ser o sistema tático das águias para a próxima época. Os três centrais parece ser algo que desapareceu por completo do panorama encarnado e o sistema com um segundo avançado também parece ter sido abolido.
Deste 4-2-3-1 destaque para os laterais bem abertos e para o terceiro homem da linha de meio-campo a ter um papel mais ativo no ataque. João Mário e Weigl apareceram mais nesse sentido.

8. Equipa com traços mais versáteis e com bom ritmo competitivo
Já sabíamos o que Roger Schmidt poderia trazer a este SL Benfica, mas quem assistiu a este treino conseguiu comprovar isso mesmo.
Um futebol mais dinâmico, agressivo e com os jogadores capazes de ocupar diversas posições. Apesar de ser reconhecido a qualidade na posse de bola, a eficácia no contra-ataque também foi um traço a destacar dentro das quatro linhas.
Esta versatilidade e ritmo competitivo trazem boas perspetivas até porque ainda se está no início da pré-época.

9. 28 jogadores em campo
Com o processo de triagem já em curso e com a ausência de alguns internacionais, foram 28 os timoneiros hoje às ordens do novo treinador encarnado.
Depois de um período de aquecimento sob o aplauso dos adeptos, formaram-se duas equipas preparadas para os jogos-treino: uma com colete amarelo e outra apenas com os habituais fatos de treino pretos do clube.
No início da “peladinha”, alinharam com colete Helton Leite, Gilberto, António Silva, Morato e Grimaldo; Florentino e Weigl; João Mário, Neres, Rafa e Henrique Araújo.
Já sem colete apresentaram-se Samuel Soares; Bah, André Almeida, Tomás Araújo e Gil Dias; Meite e Paulo Bernardo; Chiquinho, Diogo Gonçalves, Tiago Gouveia e Petar Musa.
A ascensão dos “amarelos” foi clara e antes do primeiro apito final do árbitro, destaque já para a vantagem de 3-0 dos coletes amarelos. O primeiro golo foi marcado por Henrique Araújo, mas João Mário bisou através da conversão de uma grande penalidade e na sequência de um contra-ataque.
Os momentos seguintes foram marcados por mais minutos de jogo sempre com as devidas pausas para hidratação. O alto ritmo e as altas temperaturas também pediam isso!
Diego Moreira, Rodrigo Pinho, Martin Neto, Ristic e Pizzi também se foram juntando ao jogo. Ocasionalmente, Roger Schmidt também procedia a algumas trocas de elementos das duas equipas.
Mas uma coisa é certa, golos não faltaram esta tarde.

10. Bancadas a ultrapassar a fasquia dos 21.000 adeptos
Sim, o recorde já está batido antes da época começar e este novo SL Benfica não se pode queixar da falta de apoio. A crença é muita e até foi preciso abrir o segundo anel da Luz para todos poderem entrar.
O 12º jogador está bem presente e Roger Schmidt ficou agora a perceber isso."

Fura Redes: Grimaldo...

Jogadores do Milan multados por insultos ao Inter na festa do título


"Agora é aguardar que Otávio, Fábio Cardoso, Manafá e Diogo Costa sejam igualmente multados pela Federação Portuguesa de Futebol por terem chamado “filhos da puta” a todos os benfiquistas aquando os festejos do FC Porto.
Esperamos que o Conselho de Disciplina seja célere na decisão e siga o exemplo europeu.
Qualquer outra decisão que não seja a condenação dos 4 jogadores do FC Porto será uma vergonha para o futebol português cuja resposta terá de recair em queixa formalizada às instâncias europeias e internacionais que regem o futebol, nomeadamente a UEFA e FIFA."

Reforços?!


"A dificuldade que o jornal do Calor da Noite tem de divulgar os nomes do mercado do seu clube. Se não o fazem, fazemo-lo nós. Assim, o Box-to-Box pretendido terá de ter obrigatoriamente o perfil de Artur Super Dragão (ASD). Já os dois centrais, apontam para Rui Costa e Manuel Oliveira. Em última hora, e pelos vistos pela aparente enrabadela que levaram no João Victor, o Calor da Noite tem já o plano B em marcha e vai renovar contrato com a tripla Fontelas, Paulo Costa e Bertino Miranda.
Enquanto Benfica e BCP tentam mexer no seu plantel, o Calor da Noite aponta no mesmo sentido dos últimos anos e prepara-se para limpar mais um campeonato a bater recordes de invencibilidade em Portugal e ganhar novamente 2 joguitos na Europa em mais de uma dezena. Fenómeno único no Mundo."

domingo, 3 de julho de 2022

As 5 contratações mais underrated do SL Benfica


"Acrescentarias Algum Nome À Lista?

Os verões benfiquistas são pródigos em novelas de longa duração e actores de grande nível. Exemplo maior Cavani, Götze esta época, como já foram Klinsmann, Wilhelmsson ou Robinho; Aimar ou Saviola foram as excepções, os que vieram realmente parar à Luz e tiveram sucesso.
Ora, tanta apetência para nomes grandes ou craques impolutos afasta muitas vezes o SL Benfica da contenção financeira ou do verdadeira descoberta de pérolas escondidas em escalões inferiores ou clubes de menor nomeada.
Os cinco exemplos que aqui damos são a prova que basta procurar de forma competente para se encontrar talento, que naturalmente abunda no nosso país e noutros de grande tradição futebolística.

1. Nélson Semedo
Referenciado pelo Sporting, contratado pelo Benfica no começo de 2012 para integrar a equipa B, que viria a ser reintroduzida no contexto competitivo português nesse ano.
As avaliações da altura comparavam as suas qualidades ás de Ramires e Nélson repetia-lhe os posicionamentos na chegada ao Seixal – era interior ou ala direito, podendo eventualmente recuar para lateral, que foi onde se acabou por consolidar.
De 2012 a 2015 vão três anos, o tempo que se demorou a estrear pelos AAs do Benfica, pela mão de Rui Vitória que, ao ter perdido Maxi Pereira – nem o chegou a conhecer – viu-se obrigado a optar entre Nélson e André Almeida.
Aquela Supertaça era de cortar à faca, era o reencontro do Benfica com Jorge Jesus, era um Benfica-Sporting para começar a época e Rui Vitória, corajoso, lançou Nelsinho. Cumpriu, começou bem a época até se lesionar – e só em 2016-17 estaria em pleno, pronto para fazer 45 jogos e levar o SL Benfica aos oitavos da Champions.
A velocidade, a técnica, a resistência e a inteligência pela banda não deixaram o FC Barcelona indiferente.

2. Jardel
É vendido David Luiz em Janeiro de 2011, tendo o fracasso na Champions (3º lugar do grupo, quatro derrotas) como motivação para novo reequilíbrio financeiro.
O substituto encontra-se nos Algarves, em Olhão: Jardel era a revelação daquela Liga e tudo apontava que o defesa brasileiro de 24 rumasse a Braga, num passo muito mais calculado que um salto diretamente para um grande.
Chegou, encostou Sidnei definitivamente para fora das contas do treinador e dos dirigentes e aguentou o barco, a maior parte do tempo no relvado (289 jogos) e, numa última fase e muito por culpa da sua própria impetuosidade, fora dele – onde se assumiu como um líder silencioso, um estímulo de disciplina e regularidade para restantes companheiros.
Cinco Campeonatos, duas Taças, duas Supertaças e cinco Taças da Liga, além de participação em duas caminhadas europeias até á final. Nada mau.

3. David Luiz
O SL Benfica começa 2006-07 com Luisão, Anderson, Ricardo Rocha e Alcides como opções para o eixo da defesa. Em Janeiro, Alcides volta à casa-mãe e Ricardo Rocha não resiste aos cantos de sereia da Premier League e de White Hart Lane.
O SL Benfica decide então, num impulso completamente anárquico, suprimir as saídas com a inclusão dum miúdo que andava pela Série… C do Brasileirão. David Luiz era alto e espadaúdo, tinha tudo menos estilo de jogador da bola e só a pender para o lado positivo da avaliação a sua inclusão nos trabalhos da Canarinha em sub20.
Pior: chega em janeiro e estreia-se… no Parque dos Príncipes, frente a um PSG que não era o de agora mas o suficiente para andar pelos Oitavos da Taça UEFA (havia Pauleta, Rothen e Gallardo, calma): o miúdo treme, erra nas primeiras intervenções mas lá se vai endireitando e acaba bem.
O jogo e a época, que faz nove titularidades no campeonato e mais três na Europa. A partir daí voou, ao centro ou à esquerda como gostava Quique Flores – menos Jorge Jesus – e quatro anos depois estava a caminho do Chelsea, a troco de 25 milhões.

4. Pacheco
Veio num pacote do qual nem era o craque. Quem mais se destacava naquele Portimão era um médio de fino recorte chamado Augusto, titularíssimo e quem o SL Benfica realmente queria – Pacheco não passava de alguém promissor, ainda a aparecer, sem real peso na equipa.
Ironicamente, é ele quem se adapta aos ares lisboetas e ao balneário da Luz, Augusto não resistiu á pressão e ao peso da camisola e perdeu-se. Pacheco chegou, aprendeu com Chalana – acabado de chegar da aventura francesa – e foi-lhe bebendo os ensinamentos.
Bebeu tanto que se tornou num ponta esquerda de referência, talvez o último tradicional extremo português, vertical e de entrega sempre sobre a linha de fundo. Foi finalista da Liga dos Campeões, obrigou Futre a jogar do lado direito em 92-93, foi campeão nacional duas vezes e só falhou a terceira pela pior decisão da sua vida: alegar salários em atraso e rumar a Alvalade, erro que já admitiu ser o maior da sua vida.

5. Vítor Paneira
Imaginemos que o Benfica tinha sido finalista da Liga dos Campeões em 2021-22. Imaginemos que uma das contratações este Verão seria um miúdo da Segundona – que, claramente, viria para assentar as malas enquanto descobria o destino de empréstimo.
Agora imaginemos também que esse miúdo teria personalidade suficiente para se impor desde logo e arranjar maneira de se consumar na titularidade à… 3ª jornada. E que se manteria pela Luz por sete anos, acumulando 289 jogos, três campeonatos, uma final europeia, uma Taça de Portugal e momentos inesquecíveis como uma vitória categórica frente a uma Juventus ou aquela tarde em Alvalade que só não figura do jogo – com quatro assistências – porque houve alguém que fez hattrick. Impensável, não é?
Artur Jorge, como cúmulo duma sequência de decisões estapafúrdias, decide dispensá-lo – quando era o mais indicado para a assumir a braçadeira de capitão, vinda de Veloso – e interromper a sua ligação à Águia no peito, na plenitude das suas capacidades (28 anos).
Foi para Guimarães, fez parte de um super Vitória europeu – eliminando o Parma – e é convocado para o Euro96. Rejeitou Sporting e rejeitou FC Porto. Avisou Damásio, em altura oportuna, da catástrofe a ser feita a partir de 1994.
Em 2011, Luisão atirou uma das inúmeras e caricatas larachas para a comunicação social: dizia ser altura de dar oportunidade aos mais novos e que queria sair do Benfica, logo após o desastre 2010-11.
Paneira vem poucos dias depois a público: “Ele tem 30 anos, está há oito no Benfica e quer sair. Eu fui mandado embora com 28 e gostaria de ter ficado mais 10!”. Uma daquelas suas fintas curtas, no estilo irrepreensível (de Veloso) como eternizou Gabriel Alves."

sábado, 2 de julho de 2022

Fura Redes: Jota...

Bar SportTV - Nelinho e Colorado! - Parte 1

O desporto tem cura


"O meu comentário de hoje é feito desde Odense, na Dinamarca, onde me encontro a participar na Conferência daquela que é, provavelmente, a Organização Não-Governamental, mais conhecida dedicada à integridade no Desporto: Play the Game. A Conferência junta especialistas, atletas, ativistas e muitos outros que pretendem contribuir para um desporto que seja fiel aos princípios éticos e valores humanos em que diz assentar. Infelizmente, o tema deste ano, reflete o quanto estamos longe disso: "Há Cura para o Desporto?" A razão são os múltiplos escândalos que têm afetado o desporto nos últimos anos. Desde inúmeros exemplos de corrupção à identificação do desporto como uma das atividades mais propícias à lavagem de dinheiro. Da evasão fiscal à multiplicação dos casos de match-fixing (agravados pelas apostas desportivas online). Mas também podemos falar dos inúmeros casos de violação de direitos humanos, incluindo no âmbito de grandes eventos desportivos. Tal como também se continuam a revelar inúmeros casos de doping (alguns promovidos por Estados) e são inúmeras as relações suspeitas entre política e desporto.
Em todos estes casos, as organizações desportivas, nacionais (dos clubes às federações) ou internacionais (da FIFA ao Comité Olímpico Internacional) têm sido ou cúmplices ou participantes ativos. O diagnóstico é praticamente unânime na conferência: há um problema profundo com a cultura de governo das organizações desportivas. O seu modelo de governo assenta numa enorme concentração de poder, suportado num cartel político e isento de mecanismos eficazes de escrutínio e contra-poder. Se a isto associarmos os enormes volumes financeiros envolvidos nesta atividade, a sua natureza transnacional, enorme opacidade e quase ausência total de regulação, temos o terreno mais fértil possível para que atividades ilícitas e criminais possam prosperar.
Acresce que o seu conflito de interesses entre serem reguladores das competições desportivas e operadores económicos dessas competições está a fazer com que sejam, também, crescentemente incapazes de promover objetivos fundamentais como o equilíbrio competitivo. No futebol, por exemplo, o desequilíbrio competitivo tem aumentado significativamente. Ao mesmo tempo que a UEFA usa belas palavras contra a Superliga, tem vindo a transformar a Liga dos Campeões na sua Superliga (nos últimos cinco anos apenas 5% dos semi-finalistas da Liga dos Campeões eram de um país de fora das cinco principais Ligas quando esse valor era antes de 50%).
Significa isto que não há cura? Há cura, o paciente é que não a deseja. Há um enorme conflito de interesses sistémico no âmago das organizações desportivas que as torna incapazes de se auto-reformarem. Aqueles que vivem e prosperam neste sistema não têm qualquer interesse na cura.
A cura só terá lugar com a criação de uma agência independente responsável por licenciar e supervisionar o funcionamento das organizações desportivas e o cumprimento de certas regras éticas e princípios de bom governo. Mas a probabilidade de tal acontecer é reduzida. Tenho defendido a criação de tal agência, mas estou cada vez mais cético que se consiga a vontade política necessária para isso. Acho que quase todos os políticos caem em duas categorias que, por razões diferentes, convergem na mesma inércia. Há aqueles tão amantes do desporto que são facilmente capturados pelo fascínio dos camarotes e o convício com os grandes personagens desportivos. São os que quando aparece mais um escândalo vão a correr pedir conselhos aos líderes desportivos que estão na origem desses escândalos. Há os outros que não gostam de desporto e que estão tão enojados pelo que se passa nesse âmbito que não querem sequer ouvir falar do tema, esquecendo-se que se trata de uma das principais áreas económicas com enorme peso no PIB europeu e mundial.
Como me diziam alguns dos participantes, o meu pessimismo está agora muito próximo do cinismo. É, infelizmente, o que a experiência me tem ensinado. Mas continuarei a defender a necessidade de impor a cura ao desporto. Sobretudo porque é isso que merecem aqueles, muitos que aqui conheci, que dentro deste mundo do desporto batalham diariamente para que as coisas sejam um pouco diferentes, um pouco melhores. É bem mais difícil do que ser apenas um académico algo cínico ou um adepto frustrado. Se não o fizermos por nós, que seja por eles. Sejamos um pouco mais consequentes, um pouco mais exigentes, começando com os nossos clubes."