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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Poderosos!

"Feitiço de Rafa, incompreensível mas feliz continuidade de Bruno e o talento de Félix

Haverá ou não um Rafa antes e um Rafa depois da chegada de Bruno Lage ao comando técnico do Benfica? Creio que há. O Rafa que vi chegar à Luz já tinha um potencial tremendo, que evidenciou e se destacou em Braga. Já era, porventura, o jogador mais rápido da Liga e, sobretudo, e muito especialmente, e jogador mais rápido com a bola. Correr sem bola, como facilmente se percebe, é muito mais fácil do que correr com bola. Correr sem bola, como facilmente se percebe, é muito mais fácil do que correr com bola. E uma das enormes vantagens do Rafa sempre foi a de conseguir ser tão rápido com bola. Mais do que qualquer outro.
Mas o Rafa que vi chegar à Luz também era um jogador ainda algo imaturo do ponto de vista do jogo colectivo. Parecia querer fazer tudo tão depressa que facilmente se atrapalhava a ele e à equipa. E falhava demasiadas vezes na hora de decidir ou finalizar. Dava a ideia de ser um jogador demasiado irracional na hora de definir os lances.
Talvez por isso, Rafa andou muito tempo (demasiado tempo!) à procura do seu lugar, porque ora o tinha, ora o perdia. E ora marcava um golo, ora falhava dez! Era um enigma - como podia um jogador de tão grande potencial, e com características tão especiais e raras, ser ao mesmo tempo tão explosivo e tão ineficaz?
O que passou a ver-se, desde que Lage chegou ao comando da equipa, foi um Rafa bem diferente. O jogador manteve intactas todas as suas mais fortes capacidades e acrescentou-lhes o que lhe faltava para deixar de ser tão improductivo e se tornar num dos mais decisivos jogadores da equipa.
Ainda por cima, Rafa consolidou dentro do campo o que parece ser, fora dele, uma relação muito próxima com Pizzi, o que prova que se dois jogadores talentosos se dão muito bem fora dor elevado maior e mais forte possibilidade têm de transformar essa relação em algo mágico dentro do campo.
Com as devidas diferenças e o maior respeito pelo impacto e importância de cada um, não posso deixar de recordar os tempos em que Rui Costa e João Vieira Pinto pareciam jogar de olhos fechados com a camisola do Benfica ou da Selecção Nacional, numa fase da vida em que era conhecida e grande amizade entre os dois.
Este Rafa continua a ser rapidíssimo com e sem bola, e faz a grande diferença, sublinho, por ser tão rápido com bola, mas já racionaliza muito mais o jogo, temporiza-o, parece saber muito melhor quando fazer a pausa, quando esperar pelo companheiro, e parece bem mais frio no momento de decidir se assiste ou se remata.
Um Rafa assim pode tornar-se realmente num caso muito sério!
(...)

Parece que está meio mundo surpreendido porque afinal o rapaz que custou ao Atlético de Madrid uma pipa de massa tem afinal um talento extraordinário. Pois tem. Mas já tinha. Não se trata de saber se deu ou não provas de valer no mercado do futebol os mais de 120 milhões de euros que o clube espanhol pagou por ele. Trata-se de saber se João Félix é ou não é um talento excepcional. E é!
Estava na cara por tudo o que fez no Benfica que Félix é, realmente, um jogador diferente dos outros, porque quem, aos 19 anos, faz o que ele fez com a camisola do Benfica e com a simplicidade com que o fez só pode ser na verdade um jogador invulgar, com inata aptidão para vir a ser um grandíssimo jogador de futebol.
Para alguns, pelos vistos, foi preciso verem o que ele jogou, e como marcou, ao Real Madrid, ou os dois golos extraordinários que apontou à Juventus, na fantástica competição que foi, sobretudo este ano, a International Champions Cup com que a organização do norte-americano Charlie Stillitano brinda no verão os amantes do futebol.
Mas não era preciso nada disso do que se viu frente ao Real e Juventus para se perceber que João Félix está muito longe de ser mais um dos bons garotos-promessa que têm saído nos últimos anos da academia do Benfica, no Seixal.
João Félix já tinha mostrado ser no Benfica muito mais do que isso.
Ah, mas só jogou seis meses a titular? E então?
Seis meses não chegam para ganhar praticamente nada - enfim, foram suficientes para o Benfica, com João Félix, fazer magnífica e invulgar segunda volta de campeonato e chegar ao título.
Mas seis meses são mais do que suficientes para se perceber o que vale o talento de um jogador.
Ninguém sabe, nem pode saber, que carreira vai João Félix fazer nos próximos 10 ou 15 anos. Mas o futebol não se julga ou analisa pelo que um jogador vai fazer no futuro. Vê-se pelo que tem vindo a fazer ou faz no presente e, quanto muito, pelo potencial que mostra para uma carreira de sucesso.
Pelo talento que já se viu que João Félix tem, como é possível que alguns possam ter posto em causa o talento dele só porque o Benfica exigia que pagassem 120 milhões para o levar?
Se foi caro ou barato só o Atlético de Madrid pode conclui-lo, a partir de agora. Mas que contratou um fantástico jovem jogador disso não me parece que possa haver a mais pequena dúvida.
O que terão visto em João Félix os responsáveis do Atlético de Madrid - e, já agora, os de muitos outros clubes que o queriam mas talvez não estivessem disponíveis para pagar 120 milhões por ele?
Viram certamente o que muitos de nós vimos em Portugal nos seis meses - ou quase - que João Félix esteve como titular do Benfica.
Que jogava perante 50 ou 60 mil espectadores com a mesma simplicidade e tranquilidade como se estivesse a jogar no Seixal, diante de meia dúzia de adeptos, a divertir-se com os companheiros mais ou menos da mesma idade.
Que mostrava ter uma inteligência fora do normal para a idade, visível no modo como se movimenta em campo, se posiciona, domina a bola e a joga. E visível ainda no modo como dá quase sempre a ideia de pensar mais rápido do que a maioria, e de saber o que vai fazer com a bola antes de a receber, e, sobretudo, como nunca está lá mas como aparece lá... ou seja, na forma como surge no espaço quando o adversário menos espera, especialmente no momento de chegar ao golo - vejam-se os casos do golo feito ao Real Madrid na pré-época (quando Marcelo, na pequena área, quis cortar a bola já a bola não estava lá...) e do primeiro dos dois golos feitos à Juventus, com o felino João Félix a surgir, no coração da área, a rematar de primeira sem deixar a bola tocar na relva, surpreendendo um defesa italiano pela impressionante rapidez do movimento.
E eis-nos num dos pontos mais impressionantes do perfil de Félix - o ter tanto golo, como se diz na gíria do futebol. Em meia dúzia de meses como titular fez 20 golos pelo Benfica! Com 19 anos! Tem tanto golo e pareceu ter tanta facilidade de os marcar, dos mais fáceis aos mais difíceis, de cabeça (que jogo aéreo tem!!!), ou de pé direito (o mais forte) ou pé esquerdo (nada cego!!!, como também se conclui, mais uma vez com recurso à gíria do futebol).
Realmente, como escreveram os espanhóis, quem faz aos 19 anos o que o jovem João Félix fez com a camisola do Atlético de Madrid, que é só o maior dos rivais do Atlético, mesmo tendo em conta que era um jogo de pré-temporada, tem forte probabilidade de vir a ser, quando tiver 24 ou 25 anos, realmente um dos melhores jogadores do mundo, porventura candidato a conquistar mais numa Bola de Oura para o futebol português. É o meu palpite!

PS - Primeiro clássico da Liga já amanhã, com o Benfica fortemente moralizado e o FC Porto ainda inevitavelmente marcado pelo tremendo insucesso na Champions - e inevitavelmente atingido pelos 4-0 do Olympiakos ao Krasnodar! Veremos se o Benfica confirma alguma vantagem sobre o dragão ferido. Porque ferido, o dragão costuma ser poderoso!"

João Bonzinho, in A Bola

Depois do clássico 93 pontos em jogo

"Joga-se amanhã o primeiro clássico da época para o Campeonato e a única certeza é que, mal termine o jogo, Benfica e FC Porto ainda terão de disputar mais 93 pontos até ao fim da prova. Não há campeões em Agosto e, até por isso, o duelo da Luz pode ser menos condicionado tacticamente do que em outros momentos mais sensíveis e tardios da temporada.
O contexto das equipas é conhecido, mais consistentes e rotinados os donos da casa, ainda à procura do melhor equilíbrio os forasteiros, sem que quaisquer destes argumentos determine, por si só, a sorte do jogo. Quando se defrontam equipas do calibre de Benfica e FC Porto, são muitas vezes os detalhes a fazer a diferença, o que significa que os treinadores não deixarão de fazer pungentes apelos à concentração de cada um e à solidariedade entre todos, deixando aos deuses a inspiração que pode descer do céu e bafejar algum dos eleitos.
Este duelo entre águias e dragões surge num momento em que não têm existido grandes polémicas com a arbitragem, que pareceu (salvo uma ou outra excepção...) mais segura na utilização do VAR e mais confortável com a introdução das linhas de fora de jogo. A partir de agora, graças à tecnologia, a verdade desportiva está mais defendida, não fazendo sentido os lamentos de quem, em nome de uma explosão emocional momentânea, ainda diz que preferia o futebol com erros. Estes, infelizmente, continuarão a existir, mas em muito menor número...
E agora, a pergunta recorrente em véspera de clássico: quem vai ser o árbitro? Os dois melhores são do Porto e ambos dão garantias plenas de um trabalho sério e competente..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Ferro: Um central de aço com um toque de porcelana

"Olhando de relance para o sucesso e para o bom futebol praticado pelo Benfica, desde a chegada de Bruno Lage, há certos executantes que se destacam e magnetizam assim para si toda a atenção do público geral. Rafa e toda a sua velocidade, Pizzi e o seu toque de bola e qualidade de passe, Gabriel e os seus passes típicos de quarterback, Florentino e a sua capacidade de posicionamento defensivo. Tudo isto capta a atenção dos adeptos encarnados e provoca aplausos em catadupa no Estádio da Luz. No entanto, para mim, há um jogador cuja importância para a equipa, tanto ofensivamente como defensivamente, é claramente menosprezada, este jogador é Ferro.
Até dentro do próprio sector defensivo, Ferro acaba por ser algo desvalorizado face às exibições do seu companheiro no sector central da defesa, Rúben Dias. Em termos defensivos, Ferro é uma grande mais valia para o Benfica. Fazendo uso da sua boa estatura física (1.89 metros de altura), na época transacta, Ferro ganhou 58,6%* dos duelos aéreos (*dados OptaSports trabalhados pelo Sofa Score), face aos 57% de Rúben Dias, jogador bem mais conhecido pela sua capacidade no jogo aéreo. Já na questão dos duelos no solo, Ferro é também bastante eficaz ganhando 60% dos mesmos, mais 9% do que Rúben Dias que ficou pelos 51%. Já em termos disciplinares, Ferro cometeu apenas 0,5 faltas por jogo, o seu compatriota Rúben Dias chegou às 1,6 faltas. Estes dados estatísticos, por muito relativos que possam ser, demonstram a capacidade que Ferro tem no posicionamento defensivo, na leitura do jogo e a sua eficácia no momento do desarme, eficácia essa que subiu para lá dos 75%.
Apesar de ser bastante competente defensivamente, é no momento ofensivo que o jovem central de 22 anos, se diferencia de grande parte dos centrais na Europa. A equipa de Bruno Lage aposta quase sempre na construção de jogo a partir de trás e com a recente mudança na regra do pontapé de baliza, que veio permitir a entrada dos defesas na área, a importância de ter centrais capazes de pensar e iniciar o jogo é cada vez mais fundamental. A percepção do jogo e a inteligência táctica da qual Ferro dispõe, são características algo atípicas para um jogador de tão tenra idade. Ferro é capaz de ser decisivo no momento ofensivo em duas situações de construção diferentes:
No caso da equipa encarnada enfrentar equipas com as linhas mais juntas e que não aposte na pressão alta, Ferro transporta o esférico, “invadindo” os espaços que se abrem pela inexistência de pressão, aproximando-se o mais possível do meio campo ofensivo e aí realiza passes verticais com a intenção de “quebrar linhas”, ou seja, que permitam que algum jogador do Benfica receba a bola mais perto da baliza adversária e que ao mesmo tempo esteja mais longe das primeiras linhas de pressão do adversário. Quando a equipa das águias enfrenta situações destas, quase sempre os laterais estão projetados dando “largura” à equipa e os extremos procuram espaço interior. Isto deixa a equipa algo vulnerável a um contra-ataque rápido do adversário, caso aconteça a perda da bola, tendo apenas os centrais recuados e possivelmente os médios na cobertura. Face a esta situação é absolutamente preponderante a acção e a qualidade de passe dos centrais. Ferro prospera nesta conjuntura tendo uns impressionantes 80% de passes completados para o meio campo ofensivo, números de elite a nível europeu. Os passes de Ferro não se limitam a ser direccionados para a zona correta ou para o jogador desmarcado, a bola sai quase sempre dos pés do internacional sub21 “com contrapeso e medida”, de forma a facilitar a recepção orientada dos seus colegas, de forma a permitir a continuidade da jogada. 
Numa situação em que o Benfica sofra uma maior pressão na primeira fase de construção do jogo, em que o transporte de bola é dificultado, o camisola 97 das águias, opta quase sempre por passar o esférico aos laterais que, perante a pressão adversária, ajudam na construção, ou para um médio que baixe no terreno com a intenção de ligar o jogo. Neste capítulo, Ferro é igualmente eficaz, tendo uma taxa de acerto de 92% de passes dentro do seu próprio meio campo. Sobretudo nos jogos europeus, onde o Benfica terá que jogar necessariamente muitos minutos à procura de transições rápidas, a capacidade do passe longo torna-se um recurso fundamental na procura da baliza adversária. Esta será provavelmente uma das “melhores armas do arsenal” de Ferro. O jogador formado no Seixal, completa 63% dos passes longos, números incríveis em comparação com 90% dos centrais no mundo do futebol. Para que se tenha melhor noção, a eficácia de Ferro nas bolas longas é superior à de defesas centrais como Koulibally, Hummels ou Bonnuci, todos centrais de classe mundial e bastante elogiados pela sua qualidade de passe.
Ferro ainda comete alguns erros defensivos e por vezes toma decisões erradas, mas estes erros apenas poderão ser reduzidos com a experiência dentro de campo. O que é certo é que o central do Benfica demonstra já muita qualidade, tanto defensivamente como ofensivamente, e tem ainda muita margem de progressão. Na minha opinião, o que mais diferencia Ferro dos restantes é a enorme maturidade táctica e emocional da qual o jovem já dispõe. A manter o trajecto de progressão que já tem sido seu apanágio, não ficará muito mais anos em terras lusas."

Jogadores que Admiro #104 – Florentino

"A admirável série televisiva Dark, de produção germânica, explora as implicações existenciais e os efeitos dos saltos temporais na mente humana. Dividindo a quarta dimensão em ciclos de 33 anos, são criados loops, onde as histórias se repetem eternamente num ciclo sem final aparente, criando paradoxos pelo caminho e pondo em causa a perspectiva linear do tempo.
Estamos em 1982. Um rapaz sueco chegava a Portugal com a UEFA debaixo do braço: Eriksson era um jovem talentoso, mas a sua idade criou desconfianças inicialmente. Assente no seu 4-4-2 vertiginoso e abrigando-se do sol nas abas largas do seu panamá da Macieira, o sucesso não demorou a aparecer e, assim, poucas foram as vozes que se atreveram a questionar as opções tomadas. Numa equipa recheada de qualidade individual, Sven entrega o comando do seu meio-campo a um rapaz calmo, tímido, que raramente se exaltava e jogava de pantufas. De aspecto franzino, Shéu Han, seu nome, fazia da inteligência e da gentileza as suas armas como grande recuperador de bolas, num trajecto profissional sempre de mãos dadas com o Benfica.
Ora, 33… não, 37 anos depois, Bruno Lage assume o Benfica, num clima de incertezas várias, derivado do seu parco currículo. Era uma opção a prazo. Igualmente fã de um 4-4-2 eléctrico, impõe as suas ideias naturalmente e os resultados tornam-se avassaladores. De fininho, foi introduzindo os meninos da B e entrega a batuta do meio-campo a um Florentino Luís que em tudo se assemelha à lenda benfiquista: pouco expressivo, nunca exaltado, sempre leal e com as mesmíssimas pantufas calçadas. Orgulhosamente e sem grandes dramas, Florentino Ibrain Morris Luís percorre todo o centro do terreno pedindo com licença, tirando a bola muito educadamente dos pés adversários e a entregá-la, limpa e bem cuidada, nos homens da frente encarnada.
Florentino só abre a boca para, aqui e acolá, ser educado. Mentalmente, tira um raio-x do campo e guarda as coordenadas de cada adversário. A seguir, calça as pantufas, corrige a postura e dirige-se a cada um deles: “peço desculpa, era uma bola, por favor” e tira-a, nunca de forma brusca. O 10 adversário vai a passar e quando dá por ele, tem um rapaz educado a tocar-lhe no ombro, “boa noite, queria uma bola, se faz favor”, e puff. É um requintado pedinte. A sua esmola, que é uma bola Select de motivos vermelhos em fundo branco, é a única coisa de que precisa para ser feliz e manter-se vivo.
Quero então acreditar que a série está correcta: Florentino é Shéu, Shéu foi Florentino e assim será sempre, num ciclo interminável de desarmes limpos e linhas de passe bloqueadas. Os dois, que são um, a mesma pessoa, combinaram separar-se para ensinar boas maneiras num campo de futebol e, consequentemente, na vida. Quiseram demonstrar que o futebol não é só para brutos e que, um trinco, para ser genial, pode pregar a palavra de Paula Bobone por esses estádio fora."

De Todos, Um!

"Estádio cheio e excelentes equipas em campo, incluindo a de arbitragem, em que todos certamente darão o seu melhor, é o que desejamos para o grande jogo de amanhã. E, da nossa parte, naturalmente que o Benfica vença.
Vimos de um ciclo extraordinário de resultados, mas isso, como se sabe, tradicionalmente pouco conta neste tipo de clássicos. Apelamos por isso a um forte apoio desde o primeiro minuto por parte de todos os benfiquistas que amanhã estarão na Luz em nome da ambição e confiança que esta equipa tanto merece.
A imagem de marca da nossa equipa, mais do que os destaques individuais, é a solidez que tanto nos orgulha de constituir-se como um grupo forte, unido e coeso sob a liderança tranquila de Bruno Lage. Uma equipa, um grupo, em que acima de tudo e de todos está o Benfica e em que todos rumam no mesmo sentido tal como Jonas fez questão de realçar no momento da sua despedida.
Este ciclo de jogos ficará completo na próxima semana, com a sempre difícil deslocação a Braga. Seguir-se-á a paragem das competições de clubes para dar lugar às das selecções e a habitual saída temporária da maioria dos nossos atletas para representarem os seus países. É a consequência normal em qualquer clube, como o Benfica, em que impere a abundância de talento.
E depois continuará o ritmo frenético das competições, iniciando-se mais um ciclo de jogos, que inclui, em cerca de 18 dias, recepções ao Gil Vicente e Vitória de Setúbal, intercaladas pela jornada inaugural da fase de grupos da Liga dos Campeões, cujo sorteio será realizado a 29 de Agosto, e a deslocação a Moreira de Cónegos para visitar o Moreirense, e culminará com a segunda jornada da Liga dos Campeões a 1 ou 2 de Outubro.
Mas agora todo o foco está nestes dois jogos com FC Porto e Braga.
“De todos, um” é mais que uma mera divisa no nosso emblema. É a atitude certa e a única para tornar ainda mais gloriosos o nosso palmarés e a nosso percurso. A união entre todos os benfiquistas, que não haja dúvidas, tem sido um trunfo imprescindível no passado recente marcado por tantas e inolvidáveis conquistas. Assim persistamos e estamos convictos de que continuaremos a trilhar o caminho do sucesso.

Cadomblé do Vata (Ansiedades...!!!)

"1. Continua tumultuosa a reacção dos adeptos sportinguista à anunciada venda de Bas Dost, por considerarem o valor da transferência muito baixo... eu também ficava desagradado se um jogador que foi comprado com 27 anos, 1 ano depois de ser o melhor marcador do 2º classificado da Bundesliga por 10 milhões, fosse vendido com 30 anos, 1 ano depois de ser o melhor marcador do 3º classificado da Liga Portuguesa pelos mesmos 10 milhões.
2. O Sporting anunciou um novo acordo de cedência de bilhetes às claques, obrigando-as a pagar quotas e bilhetes, revogando assim o acordo que entre borlas e pré pagamentos, lhes reservava 3.375 ingressos... isto num universo de Grupos Organizados de Adeptos que tem cerca de 2.900 adeptos inscritos.
3. Nos últimos dias apareceu a rolar pela internet um video de Manuel Vilarinho a cantar o hino do Sporting e ficou tudo chocado porque se trata de um ex. Presidente do Benfica... não vi as imagens e por isso pergunto: o que consideram Hino do Sporting é o que a desguedelhada de cabelo verde canta ou aquela música do "eram só três, venham mais duas"?
4. O Clássico é já amanhã e hoje o Record traz à estampa os "Novos Truques de Pizzi e Rafa" para o confronto com o FC Porto... continuo a aguardar impacientemente que o Record apresente os "Novos Truques Para Voltarmos a Ser um Jornal a Sério".
5. Petit diz que o Benfica está numa boa fase, porque "hoje estão Rafa e Pizzi a fazer golos, amanhã estarão De Tomas e Seferovic"... é esta a grande diferença para o seu tempo, onde "hoje estariam Simão e Nuno Gomes a fazer golos e amanhã Manduca e Kikin a falhá-los"."

Antevisão...

Vinte e Um - Previsões...

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"Estamos já a menos de um ano dos Jogos Olímpicos e parece que ainda ontem os atletas estavam reunidos a tirar ilações do Rio de Janeiro e a planear o projecto para Tóquio 2020.
Se para a maioria dos portugueses o processo de qualificação (e os seus muitos altos e baixos) acaba por passar despercebido, para os atletas, mediante a forma de qualificação para Tóquio, posso assegurar que é um período de enorme tensão e em que tudo tem de correr bem. Mas muitas vezes não é isso que acontece. Afinal de contas, a “simples” presença nos Jogos Olímpicos já indica que se está na Elite da sua modalidade.
No meu caso, escrevi logo no início dos dois anos que demora a qualificação para a minha modalidade (BTT – Cross-Country Olímpico) que “não será certamente uma estrada alcatroada, mas sim uma dura batalha em caminhos com muitas pedras e raízes”. Escrevi isto de forma figurativa e com a consciência de quem já passou por duas qualificações olímpicas, tendo sido a primeira (Londres 2012) a estreia de Portugal a este nível. Mas estava longe prever que nos três meses seguintes ia passar por duas fracturas complicadas e que colocaram em risco não só a qualificação, que, à data, em igual período do ciclo anterior estava praticamente assegurada, mas a própria permanência na alta competição.
O meu caso não é isolado. Os atletas das modalidades ditas “amadoras” - terminologia comum mas redutora - passam por inúmeras situações que lhes podem hipotecar o objectivo Tóquio e não só. Não falo somente de lesões mas da própria estabilidade do atleta que, ano após ano, tem de rever o seu projeto desportivo em termos de apoios e se consegue (ou não) o mínimo: dedicar-se em exclusivo à modalidade. O atleta é o elo final das estruturas desportivas em que, quando algo corre mal, é a própria carreira que fica em jogo. O atleta de elite das modalidades extrafutebol (onde os salários felizmente dão para provisionar o futuro) é precário e, normalmente, o que ganha é para conseguir mais e melhores condições de treino/competição para chegar mais além.
Escrevo isto porque a sazonalidade quadrienal permite antever que uma das questões mais colocadas nos meses anteriores ao início dos Jogos Olímpicos seja: “Então e medalhas”? Acreditem: não há ninguém que se esforce tanto para as obter como os atletas nem quem fique mais frustrado quando as coisas não correm bem. Há que ter em atenção que os atletas nacionais vão contracorrente, estando na maioria dos casos em realidades desportivas e competitivas bem diferentes dos seus adversários. Quantos seguem “influencers” e não atletas Olímpicos/alta-competição? A valorização do atleta a nível social e junto de patrocinadores começa com algo tão simples quanto isto.
A minha mensagem é a seguinte: sigam os atletas das variadas modalidades, façam parte da sua caminhada e da sua luta de superação diária para que percebam o que é necessário para atingir a excelência desportiva. Em alguns casos somos brindados com medalhas, noutros com diplomas e em muitos a primeira vitória é poder alinhar à partida daquele que é o evento desportivo mais exclusivo que há. A partir daí, acredito que a questão deixe de ser “Conseguiste medalha?”, mas sim: “Superaste-te?”. Porque é isso que o atleta pode controlar no dia “D”.
Eu não sei se estarei em Tóquio ou não, mas trabalho para isso todos os dias acreditando que ainda é possível. Em qualquer um dos casos estarei sempre do lado dos atletas que lá estarão a representar o meu país, pois conheço na primeira pessoa o que significa poder vestir aquela camisola com orgulho e responsabilidade no maior evento desportivo do mundo."

As Olímpicas condecorações do Presidente da República

"Correr mais depressa, saltar mais alto, lançar mais longe e, sobretudo, marcar mais golos na baliza do adversário tornaram-se os espectáculos mais queridos dos portugueses. E o Presidente da República, numa dinâmica luso-populista, aderiu com força e entusiasmo ao novo atleticismo português pelo que não perde a oportunidade para se associar directamente à festa. E, assim, perante os extraordinários resultados desportivos conseguidos à custa do sacrifício dos atletas, da competência dos treinadores, do empenho dos dirigentes dos Clubes e Federações Desportivas e do notável envolvimento das famílias, o Presidente da República tem entendido por bem manifestar o reconhecimento da generalidade dos portugueses, atribuindo aos atletas campeões as devidas condecorações da República. Num País cujos órgãos, tanto públicos quanto privados, do vértice estratégico do Sistema Desportivo, primam por um oligárquico distanciamento relativamente às verdadeiras necessidades sociais, a atribuição das condecorações pelo Presidente da República não podia ser mais oportuna, clara e compreensível para os portugueses que assistem com orgulho, para os agentes desportivos que aderem com entusiasmo e para a comunicação social que as anuncia ao País.
Mas, assim, não entende o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP)! E, dando mostras que, em termos institucionais, ainda não percebeu qual é lugar que ocupa na sociedade, publicou um artigo no digital Observador (2018-09-06) em que se permitiu comentar as condecorações atribuídas pelo Presidente da República dizendo: “… como em tudo na vida, o excesso ou uma opção não baseada em critérios de valor desportivo corre o risco de banalizar o que deveria ser considerado um registo de excelência”. E, mais recentemente, numa entrevista ao jornal Record (2019-07-21), o dito entendeu por bem voltar ao assunto e, na sua racionalidade burocrática, esclarecer que “o Comité Olímpico enviou pelos meios institucionais o seu entendimento sobre essa matéria. Que era necessário perceber-se o critério porque é que em certas circunstâncias o senhor Presidente da República convida e condecora, noutras só convida, noutras não convida nem condecora”. E informou acerca do “desconforto que os meios desportivos têm relativamente a esta matéria”, sem ter, concretamente, identificado as várias entidades desconfortadas. E concluiu que não fará mais nenhum comentário sobre as iniciativas que o Senhor Presidente da República toma relativamente a esta matéria, dizendo: “o que pensamos já ele sabe, o que eu penso ele conhece”. Por mim, concluo que o presidente do COP “perdeu o pé” na medida em que, de maneira nenhuma, é possível aceitar que um simples presidente de um Comité Olímpico Nacional (CON), enquanto tal, eleito num sistema fechado por duas ou três dezenas de representantes de Federações Desportivas, possa permitir-se questionar o critério de valor suportado na Constituição do país, de um Presidente da República eleito por sufrágio direto e universal.
O exercício do poder burocrático no século XXI está a deixar de se coadunar à realidade política teatral do século XX em que as instituições, na sua generalidade, acabaram transformadas em oligarquias completamente alienadas dos interesses das populações que deviam servir. E, foi o que aconteceu em 2004-2005 quando, à margem das Federações Desportivas, foram introduzidas alterações significativas na estrutura de competências no Sistema Desportivo que alteraram, radicalmente, a correlação de forças no desporto nacional sem que as Federações Desportivas tivessem meios para se oporem ou, sequer, defenderem os seus interesses uma vez que nunca foram consultadas. Em consequência, os resultados que deviam, pelo menos, incomodar a generalidades dos agentes desportivos, estão à vista.
Muito provavelmente, Marcelo Rebelo de Sousa foi o primeiro político português a compreender esta nova realidade política ao assumir, desde a organização da sua campanha de candidatura à Presidência da República, que o poder, em muitas circunstâncias, já não reside nas instituições tradicionais uma vez que elas, a partir de finais do século passado, começaram a transformar-se em máquinas oligárquicas de simples conquista e manutenção do poder completamente desligadas dos cidadãos e das suas reais necessidades. Assim, dispensou os “favores” do Partido bem como de todas as suas “prima donnas” e, com pouco mais do que a ajuda de um motorista, organizou uma campanha, simples, barata e eficaz, em regime de autogestão, numa ligação directa às populações. 
Nesta perspectiva de ligação directa ao povo, o actual Presidente da República, para além das burocracias institucionalizadas, de acordo com as suas competências constitucionais, entende dever atribuir condecorações a portugueses que conquistam resultados de pódio em competições internacionais nos mais diversos desportos. Ao fazê-lo, reconhece-os e honra-os. Aproxima o desporto da sociedade, atribuindo-lhe a importância que merece. E, na consciência do seu livre-arbítrio, toma as decisões à margem das preocupações, opiniões ou interesses, dos institucionais orgânicos que chefiam o sistema burocrático do desporto nacional, muitos deles, num quadro democrático, pelo menos, questionável.
E, ainda bem que o Presidente da República tem agido desta maneira. Porque, no actual contexto de concentração excessiva de poderes, acabou por atribuir um certo significado humano ao desporto nacional que está, cada vez mais, a cair num profundo vazio de princípios, de valores e de projectos com objectivos verdadeiramente sociais, num País com uma miserável taxa de participação desportiva e 20% da população a viver abaixo do limiar de pobreza.
A atribuição de condecorações desportivas, muitas ou poucas, deve ser processada de acordo com o modelo de desenvolvimento do desporto que se pretende para o País. E o modelo de desenvolvimento do desporto que se pretende para o país depende da sociedade em que se deseja viver, quer dizer, ou numa democracia popular de economia de Estado ou numa democracia liberal de economia de mercado. Porque, uma situação é viver-se num país como a Coreia do Norte onde o desporto, para lá dos festivais de performances coreográficas de massas em honra dos queridos líderes, termina nas sete medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos do Rio (2016) e outra situação, completamente diferente, é viver-se num país como a Finlândia que ganhou uma única medalha nos Jogos Olímpicos do Rio (2016) mas onde o desporto, na mais plena liberdade, é das actividades mais importantes das crianças e dos jovens e, de uma maneira geral, 90% da população pratica desporto pelo menos duas vezes por semana e 50% mais de quatro vezes.
Em cada uma destas perspectivas ideológicas, cada regime político atribui as condecorações à sua maneira.
Nos regimes autocráticos de esquerda e de direita, a nomenclatura político-desportiva, de acordo com a orientação do partido único, estabelece “cientificamente” o critério que determina o atleta que deve ser condecorado. E este, passa a ser, perante o povo que o ignora, o “herói” representante da oligarquia que o povo odeia. Nestas circunstâncias, não existe nada mais útil do que um critério que será sempre elaborado de acordo com o critério da burocracia que o concebeu. Tal como acontecida na antiga URSS com a Ordem Lenine, em Cuba com a Ordem José Martí, ou na generalidade das democracias populares satélites da URSS onde o desporto era um dos instrumentos mais eficazes ao serviço do aparelho repressivo do Estado.
Nos regimes liberais democráticos, as condecorações nacionais, de acordo com a respectiva finalidade, são atribuídas ou por propostas de terceiras entidades que podem ou não ser aceite ou, por iniciativa própria de entidades com competência constitucional para tal. Em qualquer das situações, a decisão final depende, exclusivamente, do livre arbítrio de consciência do decisor político que deve partir de um “véu de ignorância” que, na perspectiva de Rawls, pode ser traduzida numa espécie de “firewall” contra o uso de quaisquer interesses particulares das oligarquias que, nos últimos anos, têm vindo a destruir as próprias democracias liberais.
Infelizmente, o actual problema maior das democracias liberais é, precisamente, o liberalismo poder transformar-se em um agente destruidor da democracia através de oligarquias que, sem qualquer legitimidade democrática, se permitem questionar as decisões de políticos que, como os Presidentes de muitas Repúblicas, são eleitos por sufrágio directo e universal. Nestes termos, como, recentemente, tivemos a oportunidade de ver, através do exemplo das relações de um grande clube com o governo do respectivo país, o desporto, passou a ser um instrumento privilegiado para a mudança ideológica de um paradigma democrático liberal para um paradigma democrático iliberal. 
De acordo com as suas convicções ideológicas e estilo de magistratura, o Presidente da República só podia escolher o segundo modelo. Em conformidade, dispensou os solícitos institucionais orgânicos intermediários, passou a relacionar-se directamente com os desportistas através dos seus representantes orgânicos (Clubes e Federações Desportivas) e, independentemente dos olímpicos incómodos que podia causar, através do desporto, abriu, ainda mais, a Presidência da República à sociedade.
Portanto, não faz qualquer sentido pretendermos viver numa democracia liberal e, depois, aceitarmos a imposição de um modelo institucional triunfalista do tipo das democracias populares em que as condecorações desportivas têm, muito mais, a ver com os interesses dos regimes e das suas oligarquias e, muito menos, a ver com os êxitos dos atletas e a cultura desportiva da generalidade dos cidadãos. Neste sentido, com a sua estratégia luso-populista, o Presidente da República, se bem entendo, ignora os interesses das oligarquias e procura promover a importância do desporto entre os portugueses.
Assim sendo, ao contrário do que sugere o presidente do COP, o Presidente da República não desvaloriza as condecorações, despreza é uma visão burocrático-ornamental de configuração totalitária que lhes é conferida nos regimes autocráticos tanto de esquerda quanto de direita. Ao fazê-lo, suplanta a nomenclatura e passa a atribuir a devida importância aos atletas que, geralmente, são esquecidos, considera, na justa medida, o trabalho dos técnicos tantas vezes ignorados, respeita o esforço dos dirigentes dos Clubes e Federações Desportivas que, bastas vezes, são mal agraciados, valoriza a dedicação e o esforço das famílias e, sobretudo, faz passar para o País a ideia da necessidade de ultrapassar a medíocre taxa de prática desportiva nacional.
Ora, perante a abertura ao desporto do Presidente da República, o que se esperava era que o Presidente do COP, na tradição da liderança de Pierre de Coubertin que tinha Mundo, aproveitasse a disponibilidade da primeira figura da nação, a fim de, através do aproveitamento pedagógico do Efeito de Ídolo, desencadear programas de promoção do desporto com o objectivo de melhorar o volume da prática desportiva do País. Infelizmente, devido a uma lamentável falta de visão estratégica, assim não aconteceu.
Neste sentido, confrontados com líderes desportivos que já nem são de ontem mas de anteontem, cujas preocupações não vão além do “dress code” e dos protocolos das cerimónias públicas, bem como com lideranças políticas que, na maior das infantilidades, estão completamente alienadas pela bola (que não é a mesma coisa que futebol), os presidentes das Federações Desportivas, como tem vindo a acontecer no âmbito da Plataforma do Desporto Federado, devem reafirmar a sua vontade de voltarem a ser a “pedra de toque” do processo de desenvolvimento do desporto nacional. Deste modo, começam a corrigir o erro estratégico cometido em 2004/2005 quando as Federações Desportivas foram usurpadas das suas competências inalienáveis no que diz respeito, em primeiro lugar, à visão e intervenção global no processo de desenvolvimento da respectiva modalidade e, em segundo lugar, da capacidade de relacionamento directo com a tutela político-administrativa em todos os assuntos que digam respeito ao desporto que por delegação pública administram no âmbito nacional e no da representação internacional.
Para isso, seria muito bom para o desporto nacional e para o País que aproveitassem a oportunidade proporcionada pela abertura da Presidência da República ao desporto desencadeada pelo atual Presidente da República. Porque, tal abertura, do ponto de vista cultural, pode significar uma mudança radical do actual modelo de desenvolvimento do desporto que, cada vez mais, tem menos a ver com as verdadeiras necessidades dos portugueses e do País. Não se trata de nada de revolucionário ou de inédito uma vez que, sem se imiscuir nas questões do âmbito governativo, Nelson Mandela, na África do Sul, protagonizou um processo em que surgiu como o líder inorgânico do desporto sul-africano do qual resultou uma extraordinária mais-valia para a superação do “apartheid” e a consciencialização interna da unidade nacional.
Perante a forte atomização social que, nas últimas décadas, por todo o Mundo, tem vindo a animar as lutas sociais com o risco real de destruição identitária mesmo em países como Portugal com mais de oito séculos de história, é necessário desencadear uma nova perspectiva ético-cultural de desenvolvimento do Sistema Desportivo que, a partir do empenhamento da Presidência da República, ganhe coerência sistémica no longo prazo de maneira a ultrapassar a visão distorcida e desintegrada dos interesses partidários e dos proveitos dos institucionais orgânicos de que o desporto tem sido vítima ao longo dos anos.
Assim sendo, a Plataforma do Desporto Federado, no respeito pela sua inorganicidade, tem todas as condições para aproveitar a abertura ao desporto protagonizada pelo Presidente da República porque, parafraseando Nelson Mandela, se o desporto tem o poder de mudar o Mundo, tem, também, o poder de inspirar e unir as pessoas em torno de um país, incutindo-lhes, para além do próprio desporto, esperança num futuro partilhado.
Este é o grande desafio que, hoje, se coloca à generalidade dos dirigentes desportivos em Portugal a começar pelos presidentes das Federações Desportivas."

Benfiquismo (MCCLXX)

Golo...!!!

Aquecimento... antevisão...

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Nova vitória...

Benfica 2 - 1 Feirense


Jogo bastante agradável, só no início da 2.ª parte, nos primeiros 10 minutos, até ao golo do Feirense aos 55', jogámos mal, no resto da partida estivemos bem...

Muita rotação no onze, sem que se tivesse sentido as 'ausências', parece-me que vamos ter uma equipa de sub-23, a tentar jogar bom futebol... Uma novidade, diga-se!!!

De negativo, as lesões, mais duas: Fabinho e Gouveia... Três laterais lesionados em poucos dias: Pinheiro, Cruz e agora o Fabinho!
De positivo: Serginho, excelentes indicadores...; Kokubo, continua muito bem dentro dos postes, e parece estar mais 'tranquilo' nas saídas...

Inacreditável como nenhum jogador do Feirense foi expulso!!! Chegou-se ao ridículo do Duk ter sido placado à entrada da área por dois jogadores, e ter sido assinalado falta contra o Benfica!!!

Um clássico em tempo de férias

"Primeiro clássico do campeonato, logo à terceira jornada, em Agosto, quando o país ainda está de férias, gozando o sol, os rios e o mar. Porém, um Benfica - FC Porto é sempre um jogo especial. Agora, talvez ainda mais especial, porque são, de facto, os dois maiores candidatos ao título e lutam, ombro a ombro, pela hegemonia do futebol português.
Os sinais apontam para um novo ciclo de poder encarnado, mas o FC Porto tenta resistir, apesar de menos forte, menos coeso, menos sólido. Sobrevive, no entanto, uma cultura única de ambição e de conquista. Uma cultura que se torna mais guerreira quando o adversário representa, não apenas o principal rival, mas o primeiro representante da capital do que resta do velho império lusitano.
Neste tempo precoce da época, não há, obviamente, jogos decisivos, mas há jogos de diferentes graus de importância e, este, é um dos muito importantes. Talvez se deva admitir que sendo muito importante para os dois clubes, é ainda mais importante para o FC Porto, porque teve uma desastrosa abertura de se reerguer e de dar uma outra imagem, mais competente e, sobretudo, mais esperançosa para os seus adeptos.
Partirá o Benfica - é inevitável dizê-lo - com um muito teórico favoritismo para este clássico. Porque joga em casa, porque parece ser uma equipa já mais construída e mais consolidada, porque continua a ter uma forte dinâmica de vitória, porque tem menor pressão. Mas sendo, este FC Porto, uma equipa construção, é de admitir que faça da sua aparente desvantagem uma razão maior para vencer."

Vítor Serpa, in A Bola

O desporto devia ser benevolente com os camionistas de matérias perigosas

"A greve deixou claro que os motoristas de transportes de matérias perigosas são os criadores de valor económico que os governos, os empresários e organizações de classe manietaram durante décadas. O desporto tem uma situação semelhante.

A greve deixou claro que os motoristas de transportes de matérias perigosas são os criadores de valor económico que os governos, os empresários e organizações de classe manietaram durante décadas. O desporto tem uma situação semelhante pelas perdas do valor económico criado pelo seu capital humano na produção desportiva. Nada de novo se se considerar que entre os deuses gregos Crónus destacava-se por comer os seus filhos logo que nasciam.

Os camionistas de matérias perigosas
A população será contrária à greve dos camionistas de matérias perigosas por falta de literacia económica e cultura democrática. Os condutores de camiões de transporte de matérias perigosas são profissionais cuja importância é perceptível para quem tem uma carta de condução e a usa responsavelmente.
As mortes e os feridos directos e indirectos, a destruição da propriedade dos causadores dos acidentes e de terceiros provocados com quaisquer camiões são um custo inaceitável. Um sinistro com um camião que transporta matérias perigosas pode ter consequências privadas e públicas elevadas. Para além das possíveis mortes, que não têm um preço, alguns dos feridos mais graves poderão ter sequelas ao longo da vida cujo custo será muito grande para o próprio, famílias, amigos e sociedade. 
Obter a carta de condução destes veículos exige requisitos especiais. A qualificação para lidar com essas competências específicas exigem investimentos ao longo do tempo o que restringe a oferta de bons condutores sobre a procura das empresas, aumentando o salário que os motoristas auferem. Por esse motivo o seu nível de remuneração acaba por ser superior a outras profissões em que as exigências de formação e o seu custo são menores e a oferta de trabalho é maior face à respectiva procura.
A comunicação social demonstrou que a escassez de oferta é uma realidade quando referem que o salário total dos motoristas chega a montantes que são várias vezes a remuneração de parte significativa dos trabalhadores portugueses.
A greve sugeriu haver falhas relacionadas com a distribuição do valor económico gerado pelos seus motoristas. Não menos importante é o arrastamento ao longo de décadas das iniquidades da redistribuição do valor económico criado o que contribuiu para a gravidade da actual crise que, não tendo sido contidas no âmbito das negociações entre as partes envolvidas, levarão a que a população e restante economia venham a ser lesadas pela não resolução atempada das iniquidades sofridas.

Os praticantes desportivos e os técnicos, dirigentes e voluntários no desporto
No desporto há igualmente quem beneficie de rendas extraordinárias obtidas na produção associativa. O desporto tem 2 vertentes humanas: a primeira vertente é a matéria-prima da actividade desportiva e são as pessoas que a praticam e transformam o seu capital humano para elevarem os níveis bem-estar relacionados com a produtividade pessoal, desportiva e profissional; a segunda vertente são os factores de produção humanos das organizações, como os técnicos, dirigentes e voluntários, entre outros.
Na primeira vertente, a não prática regular e a má prática de uma actividade desportiva contribuem para o sedentarismo e têm consequências negativas para a vida dos indivíduos como a obesidade e outras doenças. A falta de um estilo de vida activo através do desporto tem custos de milhares de milhões de euros ao longo da vida da população pela sua falta de produtividade e na menor qualidade da sua saúde, por exemplo. É gravíssimo que mais de 50% da população portuguesa não tenha estilos de vida activos através da prática desportiva.
Relacionada com a primeira vertente estão os erros de política desportiva que são incapazes de valorizar o valor da vida da juventude nos casos graves que acontecem com as claques desportivas, nas praxes académicas, na formação militar, nos acidentes que acontecem no mar, praias, rios e zonas ribeirinhas em todo o país e durante todo o ano, etc.
A segunda vertente, relacionada com a qualidade dos técnicos, dirigentes e voluntários, condiciona a qualidade da produção, ou seja, a qualidade do valor desportivo que beneficia a vida do praticante.
Os fracassos no mercado de produção de actividades desportivas geram a diminuição do valor da vida e pode acarretar a perda de anos de vida dos cidadãos. O velho Modelo de Desporto Português, que se encontra em vigor, impede a criação de valor humano desportivo quer através da falta de incentivo à participação desportiva regular, quer no insuficiente ou mau financiamento dos seus factores de produção técnicos, dirigentes e voluntários. Em particular, a base da formação de populações desportivamente activas está no investimento na prática dos sectores carenciados da população que abrange cerca de 40% dos portugueses e dos seus clubes produtores de desporto.

O mito grego de Crónus
Crónus é o Deus da mitologia grega que comia os filhos assim que nasciam. A mulher Rhea escondeu o nascimento do filho Zeus que obrigou o pai a regurgitar todos os irmãos. Este mito ilustra a desigualdade de uma sociedade onde a distribuição da riqueza favorece uns poucos à custa da maioria.
A greve dos camionistas de matérias perigosas alerta para um padrão de desigualdade de bem-estar de outras profissões como os enfermeiros, médicos, jovens doutorados, jornalistas, operadores de call centers, de supermercados, bombeiros, para citar algumas.
A sociedade portuguesa é das mais desiguais a nível europeu em que as condições de apropriação da riqueza gerada contam com a exiguidade da actuação do Estado. Sectorialmente, o velho Modelo de Desporto Português celebra Crónus por ser um instrumento de desigualdade entre as necessidades de criação de capital humano desportivo da população e os comportamentos rentistas de alguns parceiros.
O desporto deveria actuar para além das obrigações de curto prazo impostas por certos parceiros sociais e políticos e promover a valorização do capital humano desportivo sem restrições e numa perspectiva de longo prazo.
Alertados pela greve dos motoristas de matérias perigosas, a reforma do Modelo de Desporto Português deveria combater no desporto o comportamento do Crónus nacional."

Cadomblé do Vata (Touro...!!!)

"Quando Jorge Jesus deixou a Nação Benfiquista, emigrando para o Terceiro Mundo competitivo do outro lado da 2ª Circular e compôs e orquestrou aquela ária chorosa dos vouchers, cresceu em mim um absurdo sentimento de "quero tanto ganhar este campeonato, que não me importo de ficar 11 anos à espera de vencer novamente". Claro que estando Vitória do lado dos bons e Jesus do lado dos maus, facilmente se atingiu tal desiderato e se acompanhou o repasto com o do ano seguinte. O desejo ardente de vencer não foi singular e na temporada transacta surgiu-me novamente ali por volta do Carnaval, obtendo por conseguinte, novo final feliz, que se espera vir a fazer parelha em Maio de 2020.
Antes de podermos ter hipótese de festejar em Maio de 2020, temos no sábado a recepção ao FC Porto na Catedral do Futebol Mundial. E mal grado o pouco tempo que tenho tido para pensar no jogo, a verdade é que gostava mesmo de passar o domingo com um sorriso na face. Gostava tanto, que arrisco dizer "quero tanto ganhar o próximo clássico, que não me importo de ficar 11 clássicos seguidos sem vencer novamente". As razões para tamanho desejo, empilham-se como Mega Blocks de Lego na minha sala de estar.
Vencendo no sábado somamos 3 vitórias seguidas sobre o rival Duriense. Nunca vi tal acontecer e deve ser lindo de ver. Alcançando o apito final com mais golos facturados do que sofridos, deixamos os azuis e brancos a 6 pontos com apenas 3 jornadas decorridas. Repito, nunca vi tal acontecer e deve ser bonito de ver. Se esfrangalharmos o FCPorto juntamos-nos ao Krasnodar e Gil Vicente na lista de desaires em apenas 1 mês de competição. Se já alguma vez vi acontecer, não me recordo. Mas deve ser engraçado de ver.
Tal como na primeira aparição de tamanha vontade de vencer em troca de derrotas sucessivas, também este projecto se afigura como um Evereste para acontecer. Nenhuma equipa no Mundo tem tanta capacidade de vingar orgulho ferido como os rapazes dos pijamas às riscas das Antas e este é um dado de muita importância numa equipa que baseia todo o seu jogo na evoluída "Táctica do Touro"... muita força física e marra no vermelho."

O Lateral Direito

"A caminho do quarto jogo oficial, a zona do lateral direito ainda tem muitas incertezas e por esta altura já merece alguma reflexão pois o mercado fecha dentro de 9 dias. Há dois jogadores que fazem a posição de raíz no plantel, duas grandes promessas no Seixal a pelo menos um ano de distância de estarem prontos para dar o salto (na teoria) e tem sido Nuno Tavares a jogar lá. O que é que vai acontecer na posição de lateral direito?
1. André Almeida. Fez uma boa época o ano passado no Campeonato. A grande questão é ver se consegue fazer o mesmo na Liga dos Campeões. Não acho que seja pelo André Almeida que as coisas possam vir a correr mal. É um jogador sólido, versátil, comprometido com o clube e que encaixa bem no nosso modelo de jogo, onde os laterais são muito verticais. Faz sempre falta.
2. Tyronne Ebuehi. Há muita falta de paciência neste caso. O que é totalmente compreensível. Em mais de um ano no Benfica, o Ebuehi não tem um jogo completo, nem se chegou a estrear em jogos oficiais. Há quem diga que um clube que faz 200M em jogadores num verão, tem mais do que capacidade para ir buscar um lateral direito que ofereça garantias. Mas estranhamente (ou não) ou Ebuehi vai ficando. Pelo andar das notícias das últimas semanas vai mesmo continuar. Uma coisa é certa, as únicas pessoas que sabem o que ele realmente vale, é Bruno Lage e restante equipa técnica que o viram treinar. Mas se correr mal, vai-lhes cair tudo em cima.
3. Tomás Tavares e João Ferreira. Em teoria, um jogador só salta da equipa B para a equipa principal depois de fazer um volume significativo de jogos na Segunda Liga. Tanto o Tomás Tavares como o João Ferreira, ambos juniores de 2º ano, têm dois jogos na equipa B, que é manifestamente pouco. Nuno Tavares tinha 13, é um ano mais velho e fisicamente já tem uma estampa que nem um nem outro têm. Não os vejo a fazer muita coisa na equipa principal, a menos que o vendaval de lesões continue - que é na minha opinião a principal razão para estarem a treinar na equipa de Bruno Lage. No entanto, o facto de ambos para o ano puderem estar prontos a dar o salto, parece-me estar a pesar bastante na decisão de manter Ebuehi. É que André Almeida renovou, logo não faria sentido contratar outro lateral direito para competir pelo lugar no plantel com Ebuehi sendo que num espaço de um ou dois anos o Seixal poderia oferecer uma alternativa.
4. Nuno Tavares. Já vai com alguns jogos a lateral direito. Se contarmos com a pré-época, já foram seis. As exibições têm vindo em crescendo e contra o Paços de Ferreira foi, para mim, o melhor em campo. Mas depois ainda são visíveis algumas falhas naturais de quem não tem um pé direito assim tão desenvolvido, tanto a nível ofensivo, como a nível defensivo.
Quando se faz um plantel, não se pensa apenas no ano que corre, mas também no impacto que uma contratação pode ter a dois ou três anos. Acho que é isso que está a travar o Benfica de resolver esta questão de vez. No Seixal acreditam bastante no Tomás Tavares e/ou no João Ferreira. Para não lhes tapar o percurso natural de subir à equipa principal, não se contrata ninguém. Até porque André Almeida oferece algumas garantias como titular. Quanto a Ebuehi, ninguém fora do Seixal sabe bem. Mas para continuar, pelo menos garantias como suplente deve oferecer.
Por outro lado não deixo de compreender a frustração de quem vendeu a maior promessa do futebol mundial por 120M e a única contratação feita desde então foi um ponta de lança por 17M quando ele o ano passado tinha custado 4M - ou seja, um jogador claramente overpriced que ainda por cima tem ligações claras ao empresário responsável pela transferência de João Félix que já tinha recebido 12M. Se a grande aposta é o Seixal, não se pode deixar sair os melhores jogadores. Mesmo por propostas de 120M. Alguém tem dúvidas que se o Atlético quisesse vender o João Félix hoje não fazia mais de 120M? É um craque. E 120M foi uma pechincha. Não digo que devíamos ter ido buscar um lateral direito. Mas como é que é possível o Benfica estar no mercado por um guarda-redes há três meses tendo 120M em carteira há mês e meio?"

Resultados de uma estratégia

"Se olharmos para o onze inicial mais vezes utilizado pelo nosso clube há cerca de cinco, seis anos, verificamos que era raro existir um jogador português.
Definida uma estratégia, hoje é com enorme satisfação que, tendo por base o onze titular mais vezes utilizado esta época, podemos constatar que a equipa campeã nacional tem uma maioria de jogadores nacionais (neste momento seis: Ferro; Florentino; Nuno Tavares; Pizzi; Rafa; Rúben Dias), a que acrescem mais sete no plantel (André Almeida, Chiquinho, David Tavares, Gedson, João Ferreira, Jota e Tomás Tavares), num total de 13, um número impressionante a que ainda se pode acrescer Nuno Santos, Pedro Álvaro e Tiago Dantas que, tendo integrado o estágio de pré-época, estão neste momento na equipa B.
São maioritariamente jovens com toda a sua formação feita no Seixal e a grande dificuldade é conseguir mantê-los o maior número de anos possível face ao assédio que a sua qualidade merece por parte dos mais ricos clubes europeus.
E são jogadores que reconhecidamente têm qualidade para jogar em qualquer das principais equipas do mundo e alguns já com títulos internacionais ao serviço da selecção.
Mas esta aposta na formação não se esgota, como se sabe, só em jovens portugueses e é com orgulho que verificamos os trabalhos feitos por diversos media internacionais com os jogadores made in Benfica que brilham nas principais ligas europeias.
Um rumo e uma identidade que se têm vindo a reforçar ano após ano e agora também acompanhadas por uma aposta em equipas técnicas lideradas por treinadores nacionais, constituindo Bruno Lage o melhor exemplo da qualidade e mais-valia que isso representa.
Uma estratégia com benefícios imediatos nas nossas selecções e que tem vindo a alargar o leque de opções para a primeira equipa, enquanto, tal como tinha prognosticado Luís Filipe Vieira, o Benfica por norma é o clube com mais seleccionáveis nos diferentes escalões.
Acreditamos que esta aposta em jovens, e naturalmente a maioria deles portugueses, pela equipa campeã nacional servirá de exemplo para outros clubes com tudo o que isso poderá representar para a competitividade e sustentabilidade da nossa Liga e para a consolidação da afirmação do nosso país nesta indústria.
Para percebermos o valor do trabalho que é feito neste sector de actividade em Portugal, seria bom que o país no seu todo ocupasse os rankings europeus que temos. Sejam treinadores, jogadores, empresários e agora gestores destas áreas, a afirmação dos profissionais nacionais cresce e a sua procura tem aumentado de forma constante. Para nós foi claro desde o primeiro momento a necessidade de profissionalização nas mais variadas áreas. E o crescimento reconhecido que temos é muito fruto dessa aposta.
Mas tudo isto só é importante porque existe aquele maravilhoso espectáculo dentro das quatro linhas. Estamos a dois dias de mais um clássico no nosso Estádio. Casa cheia, duas grandes equipas crónicas candidatas ao título e emoção ao rubro neste início de época.
Da nossa parte, foco total aos verdadeiros protagonistas – os treinadores e os jogadores – e à sua arte e magia que apaixona milhões."

Benfiquismo (MCCLXIX)

Bons Tempos!!!

Lanças... #318 - Entradas...

Prossegue a sociedade 'Razzi'

"A velocidade e técnica do primeiro e a sagacidade e visão do segundo têm permitido que nos 3 jogos oficiais, 7 dos 12 golos tenham sido desta dupla

1. Vitória difícil, mas merecida, do Benfica SAD, que, na época passada, tirou 5 em 6 pontos possíveis aos campeões nacionais. Com esta vitória, chegou-se à 10.ª vitória seguida fora de casa no campeonato (27 golos marcados e 7 sofridos), num percurso até agora imaculado desde que Bruno Lage passou a liderar a equipa. Um feito tão mais assinalável, quanto, para este percurso imaculado, ganhou em Alvalade, no Dragão, em Guimarães, Braga e Vila do Conde. No sábado e no Jamor, foi um triunfo difícil por várias razões: a primeira, porque o adversário jogou bem dentro das suas naturais possibilidades, tratando-se de uma equipa bem treinada e que sabe o que deve fazer no jogo; a segunda, porque o Benfica desperdiçou algumas boas oportunidades, tendo reduzido o seu grau de eficácia, face aos jogos contra o SCP e Paços de Ferreira; a terceira, porque o relvado de um estádio que se diz nacional é dos mais fracos do nosso campeonato, o que dificulta o andamento da bola que corria aos soluços e que, ainda que prejudicando ambas as equipas, tal foi mais notório no modo como o Benfica joga. Importa ainda sublinhar duas oportunidades flagrantes da equipa azul, ainda que resultantes de infelicidade (Rúben Dias escorregou e Vlachodimos impediu com classe) e de uma oferta de Nuno Tavares, que quase me fez lembrar  modo como o Belenenses SAD marcou os golos que lhe deram o empate do ano passado, na Luz.
Sublinho aqui o jogão que Florentino Luís fez, com uma capacidade física inexcedível e uma ocupação de espaços notável. E, obviamente, a sociedade Rafa & Pizzi (ou, abreviando, Razzi) que continua a ser decisiva em momentos em que é difícil penetrar na área para o golo. A velocidade e técnica do primeiro e a sagacidade e visão do segundo têm permitido que nos 3 jogos oficiais já disputados (12 golos marcados, 0 sofridos), 7 tenham sido desta dupla, a juntar às assistências de um para o outro, ou para outros colegas facturarem. Eis uma brilhante razia da sociedade Razzi. Sobre Rafa Silva, há, no entanto, que registar com preocupações um ponto comum às 3 partidas efectuadas. Não chegam os dedos das mãos para contar os raides com que avançou rumo à baliza adversária que, todavia, foram anulados por faltas duras e perigosas sobre o atleta. Este modo de massacrar o jogador (a que uns dóceis comentadores chamam «faltas tácticas inteligentes»!= deve ser severamente punido sob pena de um claro benefício do jogador infractor que, quase sempre, tem levado uma mera repreensão ou, no limite, uma generosa cartolina amarela.
Continua a sentir-se a falta do lesionado Gabriel, um jogador esclarecido e que tão bem faz a sintese entre defender e atacar. Isto apesar da generosidade de Samaris que, todavia, me parece longe da forma que atingiu na fase final da época transacta.
Uma última nota sobre este jogo e relacionada com o golo anulado ao Benfica (que seria o segundo). A anulação, depois de cinco (!) longos minutos de análise e hesitação, foi devida, segundo a sinalética do árbitro, a um fora de jogo no início da jogada. Não pretendo escrever sobre a decisão tomada, mas, mais uma vez, salientar o aspecto tendencialmente negativo de infracções que só uma tecnologia com a precisão de um relógio suíço é capaz de ultrapassar o que com a mente e sentidos humanos jamais seria possível. No caso deste (não) golo, a festa do futebol deu mais uma vez lugar à retroactividade do (não) festejo, ainda por cima, numa empolgante e melhor jogada da partida.
Quem me estiver agora a ler poderá pensar que assim penso porque foi um golo não validado ao meu clube (imagine-se, todavia, o que poderia ser se o resultado então quase no fim fosse ainda de 0-0...). Se uma acção desta beneficiasse o meu clube, não negarei que até me poderia agradar no redemoinho emocional em que vemos os jogos, mas, racionalmente, teria a mesma opinião que sempre tenho exprimido nesta coluna. Agora com esta nova e infalível tecnologia de linhas a três dimensões, vai haver lances de fora-de-jogo esmiuçados até ao centímetro. Terá sido o caso deste golo  no Jamor. Só não percebo tanto tempo para decidir, pelo que poderei concluir que nem o VAR, nem o árbitro em campo (que foi ver ao monitor, onde esteve algum tempo) tinham a certeza inabalável de ter sido (ou não) offside. Se se entrega à geometria virtual pura a decisão milimétrica destes lances, não compreendo as dúvidas ou hesitações: ou está ou não está fora-de-jogo, ponto final. Pelo que, a contrario sensu, posso concluir que neste tipo de infracções ainda há espaço para a discricionariedade (ou subjectividade). Ou seja, afinal com tão sublime e infalível tecnologia, ainda não é sempre pão, pão, queijo, queijo... Depende dos gostos. Por outras palavras, se o árbitro tivesse decidido validar o golo, os argumentos visuais teriam sido absolutamente os mesmos. Há (havia?) uma regra de sensatez: a de, em caso de dúvida, nas situações potenciais de fora-de-jogo, beneficiar quem ataca. Ora, parece-me que tal prática desapareceu com o primado totalitarista desta tecnologia.
O VAR tão afoito neste lance estaria, porém, a dormir quando de um penálti claro sobre o inevitável Rafa. Eis outra sociedade a seguir com atenção: Veríssimo & Xistra ou Xistra & Veríssimo...

2. Aproximam-se os sorteios por potes. Uma lotaria de potes, portanto. Forçando um neologismo de união entre estes duas palavras, uma verdadeira potaria. Para uns - os insaciáveis donos disto tudo - pote quer dizer compoteira, para outros - os apurados no pote 4 para compor o ramalhete - não passará de uma peniqueira. Por força da eliminação supreendente do FC Porto face a um quase ignoto clube russo de nome Futbolniy Klub Krasnador da cidade com o mesmo nome (antes chamada Ekaterinodar), num jogo com direito a transmissão debutante pelo Porto Canal (mas não visto na Rússia), o Benfica  foi promovido do pote 3 para o pote 2. Coisa de somenos, pois o que mais interessa é o sorteio dos potes e não tanto os potes do sorteio.
Com o Porto e Sporting assegurados na Liga Europa, bom será que Sp. Braga e Vitória de Guimarães alcancem também a fase de grupos, o que levaria - ao que creio - à maior representação portuguesa nesta competição e poderia aumentar as possibilidades de melhoria do ranking, pois que vitória na Liga Europa vale, para este efeito, tanto como vitória na Champions (outra música é a do dinheiro encaixado...).
Entrementes, havia sido anunciada, com algumas circunstância, a disposição da direcção da Liga para evitar, tanto quanto possível, a anomalia de haver jogos à segunda-feira, que em nada beneficiam a competição nacional, afastam adeptos e promovem estádios às moscas. Se tivermos em atenção o que aconteceu nas duas primeiras jornadas, custa a compreender que não se tenha concretizado a boa intenção anunciada pela Liga, pois houve jogos neste dia da semana, sem que houvesse motivos imperiosos para tal. Se todas as quatro equipas portuguesas atingirem a fase de grupos, não sei como vai ser, pois os jogos da Liga Europa são sempre à quinta-feira. Será que, em determinadas jornadas, vamos ter a segunda-feira como o dia quase principal dessas rondas?

3. Lá fora, a coisa promete. Ou será sol de pouca dura? Registe-se a circunstância de, nos campeonatos inglês, alemão, espanhol e francês, o campeão em título já ter perdido jogos ou pontos. Na Itália, ainda estão nos preparativos. O Barcelona estreou-se como o Porto: perdendo fora de casa não em Barcelos, mas em Bilbau. O Chelsea, agora treinador pelo ex-grande jogador F. Lampard, baqueou estrondosamente diante do Man. United. O Man. City empatou em casa diante do sortudo Tottenham, tal como o heptacampeão Bayern de Munique que se viu em palpos de aranha para empatar no seu terreno diante do Hertha de Berlin. Em França, o actual e virtual campeão PSG já perdeu na primeira deslocação e esta liga tem tido um início desastroso para os treinadores portugueses (Leonardo Jardim, Paulo Sousa e André Villas Boas), que somaram 2 pontos em 18 possíveis.

Contraluz
- Memória: Morreu um grande ciclista dos tempos áureos deste desporto: o italiano Felice Gimondi. Foi um dos poucos corredores vencedor do Tour, da Vuelta e do Giro de Itália. Contemporâneo e amigo do maior ciclista de todos os tempos, Eddy Merckx, teve com eles duelos empolgantes, que transporto na minha memória. Ao tomar conhecimento da morte do italiano, o campeoníssimo belga, em lágrimas, disse que «diante do seu desaparecimento sinto que parte da minha vida também acabou para sempre».
- Citação: «Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola»
(Nelson Rodrigues, escritor brasileiro, 1912-1980)"

Bagão Félix, in O Benfica

Dedos gordos

"1. Os sinais estavam à vista, agora é oficial: a Direcção de Varandas está desorientada. Entre a ambição e discurso premium e a mentalidade e meios low cost, age como um tipo de dedos gordos a mandar mensagens num telemóvel de teclas pequenas. O comunicado sobre Bas Dost é inacreditável, digno de BcC.
2. Tendo em conta que Bas Dost marcou 93 golos em 127 jogos pelos leões e que é mais difícil descobrir a identidade de jogo da equipa do que a identidade de Bansky, talvez o Sporting esteja a tentar mandar embora o holandês errado.
3. Luiz Phellype pode fazer esquecer o Bas Dost dos dias maus, mas jamais fará esquecer o Bas Dost dos dias bons. E Vietto só com fertilizante.
4. Entretanto, Sá Pinto coração de leão ia matando o leão do coração.
5. A modelo e actriz Martina Big (tornou-se negra injecções de bronzeamento...), que pretende bater o recorde mundial de implantes mamários, deve ser contra as linhas do VAR. Eu percebo, faltam-lhe 10 centímetros. Mas por 10 centímetros se ganha e por 10 centímetros se perde. Nos implantes mamários e no futebol. Eu prefiro assim.
6. Claro que não resolve tudo. «Sinto-me um ignorante ao ver jogar o Man. City de Guardiola», disse há uns tempos Marcelo Bielsa. Eu sinto exactamente o mesmo ao ver apitar Fábio Veríssimo (e não só). Com ou sem linhas.
7. Todos os negócios das SAD cotadas em bolsa deveriam ser comunicados ao pormenor à CMVM. É que não se percebe onde começa a verdade da mentira e acaba a mentira da verdade.
8. Depois dos quatro golos sofridos pelo Benfica B frente ao Vilafranquense, começo seriamente a achar que o Benfica devia testar Svilar a ponta de lança. Tem uma invulgar atracção pelo golo.
9. Diz o Benfica que abriu a «caça ao Rafa» (versão moderna do «deixem jogar o Mantorras»). E pelos vistos abriu ao mesmo tempo que a caça aos árbitros.
10. Os carros eléctricos vão ser obrigados a ter um sistema de som que avisa da sua presença. Diaby também."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Clássico de tripla

"Bruno Lage continua a fazer a sua revolução; Sérgio Conceição parece ter reencontrado a sua nova equipa

Um clássico na terceira jornada do campeonato tem o mesmo valor classificativo de um clássico na antepenúltima, mas talvez não tenha o mesmo significado. O primeiro é preparado em clima mais desanuviado pelo facto de os actores saberem que nenhum conclusão se poderá extrair além da riqueza interpretativa que o resultado do jogo suscitar. O segundo, porém, envolve outro tipo de conversa: com a linha de meta à vista, aumenta a tensão e os competidores colocam em campo a totalidade de argumentação disponível na convicção de que lhes faltará tempo para rectificarem o que correr mal.
Este Benfica - Porto convida, portanto, a um espectáculo futebolístico de qualidade. Ambos vão lugar até no limite das suas capacidades pelo triunfo, que é o principal objectivo, mas conscientes de poderem investir no risco e darem liberdade aos seus mais talentosos executantes para deslumbrarem e decidirem. Teremos treinadores rigorosos, mas, provavelmente, mais tolerantes na medida em que seja qual for o desfecho, em termos de contagem final, as dúvidas continuarão a ser imensas e as certezas quase nenhumas.
No caso de se verificar o cenário que mais afastará águia e dragão (seis pontos), recordam-nos os exemplos mais recentes que essa diferença, ou até superior, se tornou irrelevante, com o Benfica a ser o beneficiário de recuperações significativas que o conduziram a dois títulos, na primeira época de Rui Vitória e agora, também na primeira de Bruno Lage. No entanto, o contrário é igualmente verdadeiro, pois em 2018, no ano do penta pedido pela águia, à 29.ª jornada, o FC Porto tinha um ponto de atraso e foi campeão com sete à frente.
No curto período de apenas cinco jornadas, no sprint decisivo, Sérgio Conceição conquistou 15 pontos contra sete de Rui Vitória. Inimaginável, mas real. Razão adicional para os adivinhadores de resultado não desprimorarem nenhuma das três hipóteses em relação ao clássico do próximo sábado, embora o treinador benfiquista, numa das suas últimas intervenções, tenha contestado o que considera ser um pensamento errado: aceitar como normal dar de avanço aos adversários, com a desculpa de ainda haver muito tempo pela frente para recuperar.
Lage que incutir uma atitude ganhadora em permanência, porque, defendeu, todos os oponentes querem derrotar o campeão, indo assim ao encontro da linha de pensamento de Rui Costa, o qual alertara, dias antes, para mais essa dificuldade em classificou como uma responsabilidade suplementar que jogadores encarnados devem estar preparados para ultrapassar.
Esta forma mais austera de abordar a competição por parte da águia, será, porventura, o mais entusiasmante dos desafios que se deparam a Sérgio Conceição, porque, no resto, está tudo inventado. Vai permitir-lhe também testar, em ambiente de alta voltagem, uma nova equipa, que teve de reencontrado. Fiquei com essa ideia depois do sucesso expressivo e tranquilo sobre o Vitória sadino.
Preparemo-nos, pois, para um grande jogo. Favorito? É um clássico de tripla.

Um treinador anti-Benfica
A empatar ninguém bate Silas, mas como não é encartado admite-se que esteja a meio do seu processo de formação e não tenha frequentado aulas de aprendizagem para ganhar mais vezes. No último campeonato, liderou o ranking dos empates (13 no geral e oito fora) em sinal inequívoco de que o Belenenses, em obediência à argúcia de quem o treina, bem como primeira etapa competitiva não perder, o que, não sendo criticável, para quem esgrime argumentos no campeonato do meio, não lhe dá cobertura em atrevimentos próprios de quem se julga ser o que não é. depois de levar três do Aves, apanhou oito do Sporting e antes de carregar mais cinco do Braga teimou em jurar fidelidade às suas ideias.
Ainda não é treinador da Liga, mas em matéria de convencimento está muito acima. O produto futebolístico que promove, e que tantos encómios tem gerado, para mim não passa de uma versão modernizada do velho e antipático estratagema do autocarro, daquele tipo de futebol que não dá prazer ver. O que mais me surpreende, contudo, é o seu discurso agreste quer para exaltar o empate na Luz, já no consulado de Lage, caído do céu, mas para ele fruto de muita ciência, quer, neste último sábado, para explicar a derrota no Jamor, que, segundo afirmou, se ficou a dever a «duas perdas» dos belenenses. «Não foram as dinâmicas do Benfica que desequilibraram», enfatizou.
Partindo-se do princípio que Silas não tem qualquer assunto mal esclarecido com o Benfica, ou se considera uma sumidade na área do treino ou é provável que alguém lhe tenha segredado para ir por aqui. O que só vem dar razão a Rui Costa por advertir que «o Benfica é o alvo a abater».

Fernando Guerra, in A Bola

A História Gloriosa - #4 Década de glória benfiquista e Estádio do Campo Grande | 1934-1944