Últimas indefectivações

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Barriga de aluguer !!!

"Estamos em semana de um dos jogos mais sujos do campeonato português e vamos hoje falar aqui de algumas situações referentes a Portimonense e Porto, onde pelo meio também aparece o Varzim. 
Comecemos então pelo início, em 2011 o Portimonense desce de divisão rumando então à Segunda Liga. Logo na época seguinte, o Portimonense ficou na última posição da então Liga Orangina, mas a descida acabara por não se concretizar devido a incapacidade do Varzim em preencher os requisitos necessários para ascender aos escalões profissionais.
Theodoro Fonseca, empresário brasileiro, entra em Portugal pelas portas que se abriram com a transferência de Hulk para o FC Porto. E através dos contactos estabelecidos no negócio com o Porto no âmbito da transferência de Hulk, Theodoro Fonseca conheceu Fernando Rocha, presidente do Portimonense e antigo dirigente do FC Porto, começando então uma relação empresarial que culminou com a formação da SAD do Portimonense onde Theodoro Fonseca se tornou sócio maioritário.
Após Theodoro Fonseca se ter tornado sócio maioritário da SAD do clube algarvio, aparece Rodiney Sampaio amigo de infância de Theodoro, como presidente da nova SAD do Portimonense.
Posto isto, vamos então começar a falar dos negócios obscuros que envolvem o Porto e Portimonense:
- Em 2015, ainda na Segunda Liga, o Porto paga 2,8 milhões de Euros ao Portimonense pelo passe de Danilo, jogador do Marítimo e que nunca teve qualquer tipo de ligação ao... Portimonense.
- Portimonense sobe, então, à Primeira Liga em 2017, e a 21 de Janeiro de 2018 o Porto oficializa o empréstimo de Paulinho com cláusula de compra obrigatória de 7 milhões de Euros, vindo então do Portimonense. A 21 de Agosto de 2018 e já com a cláusula de 7 milhões de Euros accionada, o Porto dá, repetimos, dá, Paulinho ao Portimonense sem qualquer contra-partida.
- A 2 de Julho de 2018, e depois de já ter pago 7 milhões de Euros ao Portimonense por Paulinho, o Porto oficializa a contratação de Ewerton, também ele jogador do Portimonense por... 5 milhões de Euros.
- A 23 de Julho de 2018 estala o verniz entre as SAD de Portimonense e Porto. Existe desacordo entre as SAD sobre as transferências de Paulinho e Ewerton. Rodiney Sampaio presidente da SAD do Portimonense, afirmou publicamente que o FC Porto não tem possibilidades de pagar os futebolistas, falou em valores - 7 milhões por Paulinho e 5 por Ewerton - e anunciou então o regresso imediato dos dois jogadores a Portimão. O Porto desmente então o presidente da SAD do Portimonense e afirma que pagou 5 milhões pelos dois jogadores, valor esse que iria, então, constar no relatório e contas da SAD do Porto. O "filme" prossegue no dia seguinte, e dia 24 de Julho, o Portimonense SAD desmente que haja qualquer tipo de incumprimento do Porto para com os jogadores Paulinho e Ewerton, dizendo mesmo em comunicado que "as saídas de Paulinho e Ewerton nada têm a ver com incumprimentos de pagamento das suas transferências pelo FC Porto." Confusos?
- Para terminar este assunto dos negócios Portimonense - Porto, a 20 de Janeiro de 2019 (coincidência de ser quase um ano após ser anunciada a ida de Paulinho para o Porto), o Porto oficializa a contratação de Wilson Manafá ao Portimonense, desconhecendo os valores mas sabendo que foi em definitivo com o Porto a ficar com 50% do passe do jogador. Entretanto saiu um rumor ainda por confirmar, que no contrato de Manafá para o Porto, existe uma cláusula de prémio de 1 milhão de Euros que o Porto tem que pagar ao Portimonense, caso seja campeão. Este rumor precisa de ser imediatamente oficializado para se saber se é real ou não, pois é demasiado grave existir esta cláusula em equipas que disputam o mesmo campeonato, caso seja verdade espera-se que alguém seja punido.
As perguntas que aqui ficam são quem ficou a ganhar, quem ficou a perder, quais foram afinal de contas os valores destas transferências. Porquê que Danilo foi pago com quase 3 milhões de Euros ao Portimonense, tendo em conta que nunca teve qualquer ligação contratual aos algarvios. A cláusula de Manafá é verdade ou não?
Vamos então terminar o nosso post falando das ligações de Rodiney Sampaio e Theodoro Fonseca com o Varzim.
Antes da contratação de Keaton Parks por parte do Benfica, apareceu Theodoro Fonseca que queria levar o jogador para Portimão e até pagava mais que o Benfica, mas o jogador queria assinar pelo Benfica. Após rejeitar ir para Portimão, foi dito a Keaton Parks que caso não aceitasse a proposta de Theodoro, Keaton passava o resto do contrato posto de lado do plantel do Varzim.
Posto isto o jogador rescindiu com o Varzim por justa causa, e o clube levou o jogador a tribunal. Entretanto no dia 25 de Maio de 2017, a Comissão Arbitral Paritária deu razão ao jogador e a rescisão foi confirmada.
É, assim, também conhecido o tipo de negócios que Varzim e Portimonense têm com jogadores, onde sabemos que o Portimonense negoceia jogadores do Varzim a preço da chuva. Último caso foi de Ruster que deixou o Varzim e assinou pelo Portimonense no último dia do mercado de inverno desta época.
Só um à parte antes de terminarmos o nosso post. O registo do Porto em jogos frente ao Portimonense desde o seu regresso à Primeira Liga é de: 3 Jogos, 14 golos marcados e 4 golos sofridos.
Terminamos, então, assim o nosso post com a esperança que mais tarde ou mais cedo todo este lodo irá terminar, bastando a Justiça querer."

O Brás descobriu a pólvora!!!

Conversas à Benfica - episódio 56

Reconhecimento Europeu

"A marca de qualidade do Seixal impõe-se em definitivo nas provas da UEFA e até vai para além do extraordinário feito de João Félix. É claro que, hoje, os principais jornais desportivos europeus aparecem rendidos à exibição superlativa da mais recente pérola do Benfica. Há bons motivos para isso: Félix superou registos históricos e tornou-se no português mais jovem de sempre a apontar 3 golos num jogo europeu.
Esta ronda dos quartos de final da Liga Europa, porém, teve em destaque outros jogadores com ligação ao Seixal: excelentes exibições de Rúben Dias (com direito a golo!) e Gedson Fernandes, mas também nota positiva para o rendimento e para os golos de Gonçalo Guedes, Daniel Wass ou mesmo Luka Jovic: a ‘marca Benfica’ responsável por 61,5% dos golos ontem apontados.
Rúben Dias, Gedson e João Félix (mas também Gonçalo Guedes) acabaram por estar, sem grande surpresa, nas escolhas da UEFA para a Equipa da Semana da Liga Europa.
Bruno Lage tinha pedido, na véspera, exactamente aquilo que veio a acontecer: uma boa exibição e um bom resultado. O Benfica está agora em vantagem na eliminatória, mas tendo a certeza de que o mais difícil ainda está por fazer.
Equipas de grande qualidade (como a Lazio, o Marselha ou o Shakhtar) saíram recentemente vergadas de Frankfurt por pesadas derrotas. Tenhamos noção, pois, que estamos a defrontar um adversário poderoso e que tem a mesma ambição do que o Benfica.
Por tudo isto, é justo destacar o mérito daquilo que foi feito: o Eintracht sofreu no Estádio da Luz a primeira derrota do ano. Não perdia desde 23 de dezembro (com o Bayern, para a Bundesliga) e só duas equipas lhe conseguiram marcar mais do que 3 golos em toda a temporada 2018/19: o Bayern Munique… e o Benfica!
Agora é tempo de voltar ao campeonato nacional. Foco absoluto, a partir de hoje, no Vitória de Setúbal e naquilo que teremos de fazer, em campo, para somar mais 3 pontos. O apoio da onda vermelha volta a ser fundamental. Tal como foi, aliás, em Santa Maria da Feira e em tantas outras jornadas deste caminho que, juntos, estamos a percorrer.
O Vitória de Setúbal será um adversário tão ou mais complicado do que foi o Eintracht Frankfurt. Teremos de ser uma equipa focada e contar com um estádio cheio para podermos viver uma noite – mais uma – à Benfica. É esta a receita."

O videoárbitro trouxe verdade ao futebol? Adorava acreditar nisso

"No início da época 2018-2019, quando foi anunciado que os jogos passariam a ter supervisão de um videoárbitro, aplaudi a decisão. A partir do momento em que a tecnologia fosse introduzida, os árbitros deixariam de poder alegar não se ter dado conta deste ou daquele lance ilegal que era evidente para qualquer adepto que estivesse em sua casa. Com a transparência daí decorrente, haveria, também, menos margem para os ataques à arbitragem e as polémicas desceriam de tom.

Hoje já não estou tão certo disso. É verdade que qualquer novidade precisa de tempo até começar a funcionar com total eficácia, mas aquilo a que temos assistido deixa-me pouco optimista.
Se antigamente havia o risco de o árbitro não ver o suficiente, de lhe escapar alguma coisa, hoje, com o videoárbitro, há o risco de ver demasiado. Seja para invalidar um golo, seja para apontar um penálti, pode quase sempre encontrar-se um pretexto ou pelo menos um ponto de dúvida. Não haveria um jogador fora de jogo? Não terá ali havido um toque com a mão na bola? Um pequeno puxão? Um encosto que desequilibrou o adversário?
Mal comparado, faz lembrar certos polícias ultraescrupulosos, que, quando mandam parar um condutor na estrada, encontram sempre uma boa desculpa para lhe passar uma multa.
Segundo uma estatística publicada pelo jornal O Jogo, desde a introdução da tecnologia de videoárbitro, a média de penáltis por jogo aumentou 22%. Ora, toda a gente sabe que há penáltis e penáltis... e alguns são mais do que duvidosos. Mas isso conta pouco quando o jogador remata da marca dos 11 metros. Justo ou injusto, um penálti é praticamente sinónimo de golo.
O videoárbitro trouxe mais verdade ao futebol, como diz Rui Santos? Adoraria acreditar nisso. Mas o que tenho visto deixa-me cheio de dúvidas. E não me espantaria muito ver essa bela ideia ser completamente adulterada e tornar-se mais um instrumento ao serviço dos suspeitos do costume."

Felix Felicis

"Jogadores do calibre de João Félix (ainda) fazem os adeptos ir aos estádios. Não sabemos até quando teremos a sorte de ver Félix de águia ao peito. Por isso é melhor aproveitar, porque essa sorte não

No sexto livro da saga Harry Potter, J.K. Rowling apresenta aos leitores uma curiosa poção chamada “Felix Felicis”, conhecida também como Sorte Líquida. Quando bebida, esta concederá sorte durante um determinado período de tempo, findo o qual tudo volta ao normal.
No capítulo 2018/2019 da história do Sport Lisboa e Benfica, os seus adeptos foram apresentados a João Félix e vice-versa. A estreia oficial na equipa principal aconteceu no Estádio do Bessa, na 2a jornada do campeonato, mas a apresentação “oficial” aos adeptos encarnados aconteceu na jornada seguinte, em casa, frente ao grande rival da 2a Circular. O miúdo de apenas 18 anos foi chamado a jogo aos 79 minutos, com a sua equipa em desvantagem, entrando para empatar o jogo, numa fase em que o Benfica apresentava já sinais de desespero e frustração. Uns podem chamar-lhe sorte, outros podem dizer que é algo mais. A única certeza: aqueles que o presenciaram ao vivo, jamais esquecerão o cartão de visita que Félix apresentou.
É inegável que, desde o primeiro momento, houve um encantamento, uma química, entre adeptos e João Félix, de quem sabe que o que está ali não é apenas mais um produto da cantera. Félix é João Pinto na mobilidade, nos slaloms de bola colada ao pé e no excelente jogo de cabeça. Mas também é Rui Costa, na forma como pega na bola e a trata por tu, jogando de cabeça levantada, seja no miolo ou nas alas, a descortinar uma linha de passe quando e onde ainda ninguém o conseguiu.
Para além de marcar ao Sporting, João Félix tem deixado a sua marca ao longo desta época, com destaque para o importante golo no Clássico no Estádio do Dragão, que ajudou o Benfica a vencer o Porto e a passar para a frente do campeonato.
Na noite desta 5a feira, Félix voltou a ser decisivo e mostrou-se ainda mais na montra europeia. Manteve a titularidade, mas sem a companhia habitual de Seferovic, e bateu-se que nem gente grande com os imponentes alemães, não se escondendo e assumindo as lides do ataque benfiquista. Muitos terão questionado a decisão de deixar Félix sozinho no ataque, em detrimento de Seferovic, que atravessa um bom momento de forma e possui características que, à partida, eram mais favoráveis para o embate com os germânicos. Mas João Félix mostrou estar à altura do que lhe foi exigido, correspondendo com três golos e uma assistência. Com isso, tornou-se o português mais jovem de sempre a assinar um hattrick nas competições europeias, superando o registo de Eusébio.
Na época de estreia na equipa principal do Benfica, João Félix Sequeira conta com 36 jogos oficiais e 15 golos marcados. A juntar a estes números, incontáveis jogadas, pormenores e movimentos que não deixam ninguém indiferente e que fazem qualquer adepto que goste de futebol sentir que o bilhete que pagou valeu cada cêntimo. Porque não tenhamos dúvidas, jogadores do calibre de João Félix (ainda) fazem os adeptos ir aos estádios. Não sabemos até quando teremos a sorte de ver Félix de águia ao peito. Por isso é melhor aproveitar, porque essa sorte não será eterna."

Quinta-feira gorda

"Foi a noite de João Félix, um menino cujo nome o mundo já sabe de cor.

O estádio da Luz viveu ontem uma noite entusiasmante que permitiu aos seus apaniguados festejar uma enxurrada de golos, uma exibição de qualidade e o surgimento da estrela maior da noite que dá pelo nome de João Félix.
Previam-se justificadas dificuldades do Benfica frente a uma equipa com uma carreira quase imaculada tanto a nível nacional como internacional. O Eintrack ainda não havia conhecido a derrota na segunda mais importante competição da UEFA e, mais do que isso, para chegar aos quartos-de-final deixara pelo caminho equipas de enorme gabarito como são as do Inter de Milão e do Shakttar Donetz.
Porém, um golo marcado aos 21 minutos e, momentos antes, a redução da formação germânica a dez unidades, lançaram os comandados de Bruno Lage para uma noite de gala, e a quase garantia de qualificação para as meias-finais da Liga Europa.
E, se escrevemos no condicional, é porque a eliminatória pode não ter ficado resolvida com a vitória gorda do Benfica, embora a vantagem de dois golos dê uma certa margem de conforto.
Na Alemanha, a actuar de novo com onze unidades, com o ambiente a seu favor, e capacidade demonstrada de atacar com sucesso a baliza contrária, a equipa de Franckfurt pode acabar por dar a volta e anular a diferença com que regressaram a casa.
Foi a noite de João Félix, um menino cujo nome o mundo já sabe de cor.
Ao marcar três golos, a coroar uma exibição de luxo, a jovem promessa reforçou a cobiça que já se passeia por essa Europa fora.
Para além de tudo isto, Gonçalo Guedes, autor de dois golos do Valência, e Gonçalo Paciência completaram o ramalhete erguido por jovens portugueses que assim voltam a reforçar a confiança que é justo depositarmos no futuro do futebol português."

Em 1962, Eusébio fez um hat-trick histórico que Félix revisitou: este é o Benfica - Norrköping de uma feliz noite de novembro

"Toda a gente está a falar do recorde de juventude de Eusébio que Félix bateu esta quinta-feira. Mas qual foi, realmente, o jogo em que o Pantera Negra fez o que ninguém antes fizera? Esta é uma viagem ao passado

As lágrimas de João Félix, poucos segundos depois do hat-trick ao Eintracht Frankfurt (crónica AQUI, contracrónica AQUI), limparam o pó de arquivos esquecidos: o miúdo-maravilha da Luz acabava de bater um recorde de Eusébio, a lenda maior do clube, e era agora o futebolista mais jovem a marcar três golos na Europa pelo Benfica. Com 19 anos e 153 dias.
Esse título pertenceu ao pantera negra desde 22 de Novembro de 1962, quando os rapazes orientados pelo chileno Fernando Riera arrumaram o Norrköping por 5-1, no Estádio da Luz (primeira mão: 1-1).
“Bastou cerca de um terço dos 90 minutos regulamentares para confirmar, em definitivo, o incondicional favoritismo” do Benfica, escreveu no dia seguinte Fernando Soromenho no “Diário de Lisboa”.
Se esta quinta-feira, na Luz, Luka Jovic assustou a multidão logo no arranque do jogo, há quase 57 anos José Águas a afastou as reticências muito cedo. É que os encarnados ressacavam de uma derrota caseira contra o FC Porto (1-2). O que mudou, segundo Riera? “A bola entrou. Desta vez não estava o Américo nas balizas.”
Viajemos na pena de Soromenho: “O «team» português começou em grande estilo com aquele impulso entusiástico que não deixa ninguém na dúvida. Foi para o ataque… Assim, dentro do primeiro minuto, estava feito o 1.º golo e vislumbrada, na circunstância, a sorte dos suecos. No «corner», que foi a solução para anular a infiltração de Simões, a bola levava a medida ideal e Águas, com a cabeça, limitou-se a dizer sim”.
O Benfica era bicampeão europeu, depois de derrotar o Barcelona (3-2), em 61, e o Real Madrid (5-3), em maio de 62. Talvez por isso, ou então porque era a sua natureza (ou uma mistura de ambos), os campeões suecos investiram numa abordagem pouco meiga. “Apercebendo-se das intenções dos portugueses, os suecos, que marcavam, perseguindo, entrando ao desarme com rudeza, mesmo violência, trataram de tirar partido das constantes interrupções ditadas pelo critério do árbitro, extremamente meticuloso”, notava o cronista.
O Benfica respondeu com bolas que fizeram dançar as redes da baliza de Bengt Nyholm. “Eusébio vingou-se do ‘mimo’ do defesa-direito, transformando o «livre» com um «tiro» digno da sua lavra. E Coluna, num golpe individual, a assinalar a sua subida de rendimento na emergência, «incendiou» o Estádio da Luz de alegria, culminando com um remate «à Benfica da Europa».
Esse “remate à Benfica da Europa” trouxe boas lembranças a Coluna. “Fiquei satisfeito [com o golo], tanto mais que há já bastantes jogos que não marcava tentos. Este fez-me lembrar o de Berna, pois foi quase do mesmo sítio.” Em Berna, na final da Taça dos Campeões Europeus, os lisboetas enganaram o Barcelona de Luis Suárez e Kubala. Coluna marcou o golo decisivo aos 55'.
A goleada ganhou forma pouco depois. “O 4-0, aos 35’, cúpula que definia uma inegável superioridade, liquidando o jogo, provocou, porém, efeitos antagónicos: no Benfica agiu como um sedativo, que amoleceu energias, disposição e, principalmente, talento futebolístico.”
José Águas, outro dos heróis de Berna, reconheceria a postura no final. “A equipa fez uma boa exibição na primeira parte; na segunda descansou e os suecos subiram.”
Apesar dos muitos golos e massacre, o cronista torcia o nariz a algumas exibições, numa discussão que é muito dos nossos dias, sobre paciência excessiva e, quem sabe, falta de verticalidade. “(...) Todavia, o defeito de complicar os enlaces - Coluna e, agora, Cavém não dispõem de aptidão suficiente para a tarefa na região intermediária do rectângulo - avultou na medida em que se tornava indispensável uma penada, apenas, e não longos devaneios, na possessão de bola, e que afecta o estilo acutilante de Eusébio, compelido a ser um elemento ambulatório, a viajar para a esquerda, a viajar para a direita, e a recuar. Parece o Coluna dos tempos áureos (...)”
Conclusão: “Fácil triunfo, sem a mínima sombra, mas exibição desigual, notoriamente diferenciada, por compreensível processo psicológico, mas que não ofuscou problemas latentes no «onze», tanto de ordem atlética como eficiência técnica. Um abrandamento momentâneo dentro do actual Benfica faz avultar, para além da descrença, uma sensação de dificuldade que, note-se, nenhuma equipa, em qualquer parte, pode evitar durante as ocorrências de um despique. Daí, a insatisfação exterior, que brota como a labareda em braseiro latente, e a complicação, que não desorientação, inoculada dentro do rectângulo”
Eusébio, com apenas 20 anos e 301 dias, foi a grande figura com um hat-trick. Até o árbitro Jean Tricot, que também teve direito a uma caixa no “Diário de Lisboa”, estava encantado: “Para mim o jogo foi muito bom e agradou-me imenso a correcção de todos os jogadores. Isso é que conta para o árbitro. O momento alto do jogo foi o golo de «livre» marcado por Eusébio. Formidável!”
O Benfica chegaria à terceira final consecutiva da Taça dos Campeões Europeus, em Wembley, mas desta vez perderia com o AC Milan de Gianni Rivera, José Altafini, Cesare Maldini e Giovanni Trapattoni. O golo de Eusebio foi insuficiente."

Cadomblé do Vata

"1. Comemoraram-se esta semana 101 anos da derrota das tropas Portuguesas na Batalha de La Lys... em resposta, hoje o SL Benfica derrotou uma equipa alemã na Batalha de La Luz.
2. Dia histórico para o futebol nacional, tendo sido batidos 2 recordes... com 19 anos Félix tornou-se o português mais jovem a fazer um hat trick nas competições europeias e com 101 anos Peyroteo tornou-se no mais velho a fazer um poker.
3. Emprestamos Talisca ao Besiktas, ele marcou-nos um golo; emprestamos Jovic ao Eintracht, ele marcou-nos um golo... se não queremos sofrer golos de jogadores nossos nas competições europeias, temos que começar a empresta-los ao Sporting CP.
4. Gedson fez uma excelente exibição no meio campo, mas compreensivelmente não foi feliz a lateral direito... qualquer jogador que perca 10 segundos a pensar no histórico de lesões da concorrência "almeidiana", concluí que ali ou joga mal ou vai para o hospital.
5. Queria dizer aqui ao Félix, que tal como ele, eu também chorei no seu 3° golo... a diferença é que ele borrou o rímel pela emoção da façanha alcançada e eu lacrimejei avulsamente pela emoção de me estar a despedir dele."

As lágrimas de Félix? Angústia por não poder responder aos nudes, que deixou o telemóvel descarregado em casa

"Vlachodimos
No final do jogo uma criança foi ter com o grego e entregou-lhe um desenho explicativo de como intervir em lances aéreos. Talvez assim Vlachodimos perceba. Logo a seguir outra criança entregou um desenho de um adepto benfiquista com os olhos a sangrar. Considere-se o recado entregue. 

Corchia
Esteve mais de uma hora em campo e deu indicações muito positivas como parte integrante do motor ofensivo liderado por Félix, isto antes de sucumbir à macumba de André Almeida, que já não estava a achar piada nenhuma. "Respeitem o Puskas", terá dito.

Rúben Dias
Não sei se já repararam, mas o semblante de Rúben Dias vai evoluindo ao longo de um jogo para se assemelhar ao do jogador de Frog Hammer. Em vez de sapos a espreitar, apareceu um alemão, depois apareceram dois, três, até mesmo um português, e a tensão de Rúben Dias foi subindo, bem como a sua capacidade de resposta. No final, os anos de experiência no salão de jogos Arco-Íris revelaram-se cruciais e o nosso centralão saiu maioritariamente vencedor. Foi dos poucos que não cumprimentou Gonçalo Paciência com um abraço no final, o que também é de saudar.

Jardel
Nunca um jogador tinha demorado tanto tempo a abandonar o relvado da Luz para ceder o lugar a um colega de equipa. Jardel precisou de 90 minutos para fazer essa curta caminhada rumo ao banco de suplentes, dando até a entender que tal não era do seu agrado, mas isso não evitou um longo e sentido abraço a Ferro no final para gáudio dos presentes. Pelo menos foi isso que eu vi.

Grimaldo
Estamos tão habituados a ver Grimaldo fazer o que lhe compete que por vezes nos irritamos se tal não acontece. Ontem, por exemplo, foi um daqueles casos em que o espanhol se voltou a revelar decisivo na manobra ofensiva da equipa e muitíssimo importante cá atrás. Por tudo o que tem feito, é cada vez mais provável que estes sejam os últimos jogos de Grimaldo na Luz. Que lhe demos a despedida que ele merece, como só nós sabemos. Comecemos por uma assobiadela, seguida de críticas do espanhol que culminarão num enorme abraço colectivo e agradecimento por tudo.

Fejsa
Não percebemos se o novo penteado tem o objectivo de intimidar os adversários ou se é uma antena cuidadosamente para captar sinais de extraterrestres, mas talvez tenha sido mais bem sucedido neste último capítulo.

Samaris
Agora a sério. É preciso criar uma conta de crowdfunding para garantir a renovação de Samaris? Exibição monstruosa. Leitura de jogo, capacidade de impor o físico sempre que necessário, até mesmo para carregar Ljubomir Fejsa às costas em alguns momentos. Não é qualquer um que levanta aquele sérvio.

Rafa
Fez meia horinha à Rafa e depois percebeu que a noite era de João Félix. Humilde como é, abandonou discretamente a partida e deixou que os holofotes apontassem para o jovem colega. Não tem problema nenhum. O próximo hat-trick será dele, já este este domingo.

Cervi
Há muito tempo que os neurologistas do Benfica não registavam tamanha actividade cerebral em Cervi, que conjugada com um espírito de sacrifício que nele parece por vezes vontade de dar a vida, fez da sua exibição um acontecimento surpreendentemente agradável. Se tem marcado aquele golo na cara do guarda-redes estaríamos agora aqui os dois presos num gif eterno, abraçados a beber Sagres e a festejar a reconquista. Mas não, isso é só daqui a umas semanas.

João Félix
Ao contrário do que se possa pensar, as lágrimas de João Félix após a consagração em forma de hat-trick não são de comoção pelo regresso aos golos e boas exibições, não são por ter acontecido em sua casa, e muito menos serão por ter sido o mais jovem de sempre a fazer isto num jogo da Liga Europa. Não. As lágrimas são de angústia por saber que não poderá responder afirmativamente a todos os nudes recebidos nas horas seguintes, e ainda por cima não deixou o telefone a carregar antes do jogo. 

Gedson
Vou usar as posições ocupadas por Gedson esta noite para criar uma nova chave fixa no Euromilhões. Sofreu mais no papel de lateral direito, mas por essa altura já tinha conseguido o mais importante: uma noite de afectos múltiplos trocados com a bola e com todos os adeptos que não sentem a sua sexualidade ameaçada por esta frase.

Seferovic
Hoje foi a vez de Dr. Haris prevalecer sobre Mr. Seferovic. Se este último é um portentoso avançado suíço capaz de concretizar em quaisquer circunstâncias, Dr. Haris é um teórico que falha golos escandalosamente e acende a luz da câmara do telemóvel quando se senta na bancada.

Pizzi
Foi pouco tempo, mas chegou para ficarmos ansiosos por rever a dupla Pizzi-Gedson na ala direita, se possível a cada ano bissexto.

Zivkovic
O seu futebol parece-se muito com o meu comportamento numa aula de ginástica. E flecte, insiste, cruza, não desiste, epá, desculpem, chega disto."

SL Benfica - Eintracht Frankfurt

"Dois onzes surpreendentes. O Frankfurt entrou com 6 defesas. O Benfica entrou com 4-3-3. O jogo começou muito aberto, com ambas as equipas a criar oportunidades. Quem marcasse primeiro, iria ter a vantagem do jogo. O vermelho acabou por ditar muito do que foi o jogo. O Frankfurt não pôde fazer a pressão habitual. 4-2. Umas notas sobre o jogo.
1. João Félix. Jogo a roçar a perfeição. É ele que faz o passe para Gedson na jogada que dá o penalty, é ele que bate o penalty, é ele que marca o segundo golo (que é incrível), é ele que faz a assistência para o golo de Rúben Dias e como se não bastasse ainda fez o nosso último golo. Se há algum mau aspecto nisto tudo é que depois deste jogo não vai haver clube grande na Europa que não esteja interessado nele.
2. Andreas Samaris. Não pode ser o melhor em campo por causa de João Félix, mas Samaris esteve fantástico hoje. Numa fase inicial em que o Frankfurt estava com uma pressão intensa, conseguiu sempre controlar a bola e coloca-la no sítio certo (na ala, onde a pressão não era tão intensa). Numa das vezes que arriscou um pouco mais, furou a linha média do Frankfurt, colocou em Félix que descobriu Gedson dentro da área, que é carregado em falta. Passou o resto do jogo a jogar e a fazer jogar. Com passes a rasgar o campo e cortes fundamentais. Dos melhores jogos de Samaris com a camisola do Benfica. Já devia ter renovado.
3. Gedson Fernandes. A surpresa do 11. Jogou no vértice avançado do triângulo do meio campo de início, acabou a defesa direito a fazer piques no ataque. Esteve integrado na manobra ofensiva. Rende mais no centro do terreno.
4. Rafa. Mais um bom jogo do Rafa. Fiel a si próprio: um pouco por todo o lado, com muita velocidade, com muita técnica, a criar muito perigo.
5. Rúben Dias. Esteve bem nos dois lados do campo. Um erro ou outro lá atrás, mas conseguiu sempre corrigir. Lá à frente marcou mais um golo na sequência de um canto.
6. Fejsa. Não foi só a jogada do primeiro golo do Frankfurt. Logo a abrir faz um passe a queimar que criou um contra-ataque para os alemães. Fejsa não consegue jogar no centro do terreno. Em Alvalade recebe uma bola, é pressionado nas costas, demora muito tempo a livrar-se da bola, acaba por perde-la e oferece um contra-ataque. Hoje foi igualzinho. Só que desta vez deu em golo. Não pode jogar neste sistema. Ou constrói junto dos centrais, numa construção a 3, ou não joga. No meio dá sempre mau resultado.
7. Jardel. Contra o Sporting não comprometeu. Hoje tem dois deslizes. Logo a abrir há uma bola que passa por cima dele e que deixa Jovic isolado. Salvou Grimaldo. Depois no canto que dá o golo ao Gonçalo Paciência. Tem fazer melhor. Não pode deixá-lo cabecear sozinho. Não sei se com o Ferro sofriamos este segundo golo.
O Frankfurt sai daqui vivo. Ferido mas vivo. Podemos falar se 4-1 era melhor que 4-2. Mas quem deu um banho de bola foi o Benfica. Agora também é verdade que a segunda mão vai ser diferente. O Frankfurt vai voltar a pressionar alto. Não vão começar a jogar com 10. Se vamos entrar com Fejsas, é meter-nos a jeito. Mas com Seferovic no ataque temos tudo para marcar golos na Alemanha. Não há nenhum alemão que não gostasse de estar no nosso lugar. Só temos que confirmar a primeira mão. Isto está bem encaminhado."

Três foi a conta que Félix fez

"O menino de ouro da Luz tornou-se o mais novo de sempre a fazer um hat trick pelo Benfica nas competições europeias e deixou os encarnados em vantagem na luta pelas meias-finais da Liga Europa. Teria sido perfeito, não fossem os golos do emprestado Jovic e do regressado Gonçalo Paciência que deixaram o resultado em 4-2 e mantêm a eliminatória em aberto para a segunda mão 

As aulas na escola do mestre Lage não dão grandes mostras de parar. Na sessão de hoje, os pupilos do Seixal tiveram oportunidade de viver lições práticas de poupanças, contas, castigos por desatenções e reações imprevisíveis. Deu para todos os gostos e feitios mas a estrela da turma foi mesmo o benjamim João Félix. Após umas sessões em que o cansaço se mostrou, o avançado respondeu da melhor forma e fez três golos frente ao Eintracht Frankfurt e mostrou estar mais que preparado para os exames que se avizinham.
Prova para europeu ver e que permitiu a João Félix tornar-se o mais novo jogador de sempre a fazer um hat-trick pelo Benfica nas competições europeias e a chamar a atenção do velho continente num grande palco. O colega Rúben Dias também contribuiu com um tento só que os repetentes Fejsa e Jardel não levaram a matéria bem estudada e tiveram papel nos dois golos adversários, que levam a segunda-mão dos quartos de final da Liga Europa para um sempre perigoso 4-2.
Um resultado que espelho um jogo de alta cilindrada na luz, sempre disputado a alta velocidade e que fez jus à reputação atacante das duas equipas, mesmo com os alemães a jogar com menos um desde os 20 minutos, e logo para dar penálti e golo. O que, repito, não impediu em nada o seu ímpeto ofensivo, para gáudio dos mais de sete mil adeptos que viajaram desde Frankfurt e que se fizeram sempre ouvir ao longo da noite na Luz.
E cedo os alemães se lançaram no ataque, fortes na pressão, rápidos nas transições e a não deixar o Benfica, com seis alterações, jogar. Jovic, emprestado pelos encarnados, foi titular e entrou com vontade de mostrar serviço, ou não tivesse visto logo um amarelo aos 4 minutos por travar um contra-ataque para logo a seguir estar no outro lado do campo a aproveitar um erro de Jardel que o deixou com caminho livre para a baliza. E provavelmente mais perigo teria provocado, se o bombeiro Grimaldo não tivesse aparecido.
O Frankfurt estava em cima só que a lição de que tudo pode mudar num instante estava mesmo ao virar da esquina. João Félix, a começar a mostrar os seus dotes perante o júri, isolou de um momento para o outro Gedson, com este a ser carregado de forma imprudente por N'Dicka, dentro da grande área alemã. Penálti e ordem de expulsão dada por Anthony Taylor aos 20 minutos. Quem ficou imune a tudo isto foi mesmo quem começou o lance e que, da marca do castigo máximo, fez questão de o concluir para o 1-0.
A jogar com mais um tão cedo e em vantagem, tudo parecia encaminhado para uma noite tranquila para o Benfica com possibilidade de matar logo a eliminatória. Só que os alemães mostraram não ser uma equipa habitual e tentaram sempre responder, sem parecerem contentados em limitar os estragos ao mínimo. E foram recompensados aos 40 minutos com o golo do empate. Responsabilidades para Fejsa que, claramente sem o ritmo de outrora, perdeu a bola para Rebic que seguiu pela esquerda e serviu Jovic para este finalizar e atormentar a equipa que ainda lhe paga.

Em Todas
Só que João Félix não estava nem para aí virado. Para que lhe tirassem os holofotes, isto é, porque logo a seguir fez questão que se voltassem a virar para ele. De passe rendilhado em passe rendilhado após a bola ao centro, a bola chegou ao avançado que, sem pedir licença a ninguém, rematou de fora da área para o fundo da baliza de Kevin Trapp e colocou o Benfica de novo em vantagem aos 43 minutos. Explosão de alegria na Luz, que continuou para o intervalo porque, após grande defesa de Trapp a remate de Cervi, o árbitro anulou novo empate ao Frankfurt (por fora-de-jogo) pouco antes de mandar as equipas para o balneário.
O descanso fez bem ao Benfica que finalmente apareceu como se estivesse efectivamente a jogar com mais um jogador e rapidamente pareceu resolver a eliminatória. Já depois do outro grande agitador das águias, Rafa Silva, ter atirado ao poste em posição irregular, surgiu o 3-1 aos 50 minutos, com Rúben Dias a responder da melhor forma a um canto de Grimaldo que pelo meio ainda contou com um desvio de, já deve ter adivinhado, João Félix.
Que fez mesmo questão de estar em todas pela sua equipa porque aos 53 minutos já estava outra vez na grande área para responder a um cruzamento de Grimaldo e fazer um 4-1. Hat-trick do menino de ouro, mãos na cabeça e recorde atingido . Os encarnados surgiam cheios de confiança nesta fase e os alemães encontravam poucas respostas para a dinâmica dos pupilos do Seixal. Teria que ser mesmo o seu guarda-refes a responder na altura de maior aperto e ele assim o fez, sobretudo com uma grande intervenção com o pé que impediu o golo certo do isolado e recém-entrado Seferovic.
Foi o balão de oxigénio necessário e que permitiu aos alemães ainda terem forças para chegarem à recompensa que durante toda a segunda parte pareceu quase impossível. Cortesia de Gonçalo Paciência (entrado na segunda parte perante um coro de assobios), que aproveitou uma desatenção defensiva de Jardel num canto para, de cabeça, fazer a bola sobrevoar Odysseas rumo no fundo das redes encarnadas.
O tento do jogador formado no FC Porto aos72 minutos podia fazer toda a diferença para a segunda mão e o Benfica pressionou em busca do quinto golo e de nova vantagem de três golos que permitisse encarar a deslocação à Alemanha de outra forma. O Frankfurt respondeu em contra-ataque e o golo podia ter surgido de novo nas duas balizas só que o resultado final já estava encontrado. Vitória das águias por 4-2 num jogo emocionante e que promete para a segunda mão. Com os três cartões de visita europeus do pupilo João Félix."

Negociadores de 'flops', especialistas portugueses em osteoporose

"A pena é um sentimento de perda emocional. De dor. Não é um golpe estatístico, nem sequer desportivo ou económico. Aqui não há pena, há apenas a constatação de incompetência. Ou desleixo. Talvez ambos, uma mistura explosiva.
Façam uma auditoria às contratações falhadas do futebol nacional – fiquemo-nos pela expressão «flops» - e arrepiem-se. Não de frio, não de medo, mas de espanto. Nomes, nomes e mais nomes, chegados à Liga e rapidamente devolvidos à procedência, com o selo de «Frágil» na caixa de obscuridade que os transporta.
Ninguém se salva. Pequenos e grandes, remediados e pobres, ricos ou milionários. Erros atrás de erros.
Alguém sabe quem é Erdal Rakip? E Saidy Janko? Talvez Hadi Sacko. Não, nada?
Bem, por impossível que isto possa parecer, todos foram contratados pelos três grandes do nosso futebol nos últimos anos. Com que critério? Com que expectativa? Que argumentos ponderados aconselharam estes investimentos?
Três nomes simbólicos apenas, três exemplos das péssimas políticas de scout/transferências dos nossos dirigentes, verdadeiros especialistas em escolher mal. Quase sempre.
É injusto incluir todos no mesmo saco, mas o panorama genérico é muito pobre. Em alguns casos por falta de recursos, noutros por mau aconselhamento, noutros ainda por influências incompreensíveis e ainda outros por estratégias enviesadas.
Vamos a mais nomes?
Roderick Miller e Brian Gomez. Christian Madu e Pablo Sabbag. Nikolaos Ioannidis e Kermit Erasmus.
Identifica facilmente algum deles? Um exercício maçador, porventura. Jogaram todos na Liga 2018/19. 
Gostava, confesso, de perceber a forma como alguns dirigentes aceitam estas encomendas.
Onde é que assino? Sim senhor, deixe ficar.
Rigor, conhecimento, convicção. Como é que algum clube profissional avança para um reforço sem o mínimo de garantias? Perguntas e mais perguntas, admito, a descrença é gigantesca.
Penso em tudo isto ao ter acesso aos números da recente auditoria às contas do Sporting (2013-2018), mas o prejuízo incauto e a duvidosa legalidade de dezenas de acções não é um exclusivo do defunto presidente BdC. Longe disso. Se assim fosse, o futebol indígena seria um mar de rosas, um poema à beira mar plantado.
O tema é intrincado, confuso, complexo. Demasiado complexo para apenas um artigo de opinião. 
Grave, verdadeiramente grave, é que estes negociadores de lã caprina gerem milhares de euros que não são seus e fecham os olhos às consequências sérias que uma mão cheia de 'flops' podem trazer. 
Os mais sérios falham por incompetência, sim; os desonestos aceitam dois pés em forma de tijolo em troca de uma comissão escura, ancorada num offshore de céus azuis e mares cristalinos. 
Impressionante, ainda mais, é assistir ao espectáculo dos dirigentes mais resistentes. Falham, voltam a falhar, exibem uma petulância sacrossanta e uma estoicidade granítica, verdadeiros especialistas no combate à osteoporose.
Tudo lhes falta em rectidão e coluna vertebral, só os ossos os mantêm de pé.
O meu desejo? Que a Justiça faça o seu trabalho. Que se perceba quem está no futebol para servir e quem está no futebol para dele se servir.
Os clubes, caros senhores, pertencem aos adeptos. Sem adeptos, a existência disto, do profissionalismo, não faz qualquer sentido. Respeitem quem paga para ver a sua equipa tarde e a más horas, muitas vezes longe, muitas vezes em condições miseráveis.
Numa casa séria e de poucas posses, a principal lei de sobrevivência é esta: escolher bem o pouco que se pode comprar.
Pagar um Taarabt, um Bueno ou um Castaignos épocas a fio não é para todos. Dá-me pena."

Os atletas só sabem treinar?

"Será que os atletas têm capacidade para dar uma boa resposta em áreas diferentes das suas? E será que a diferença entre o alto rendimento desportivo e performance empresarial é assim tão grande? Basta “googlar” o assunto e de imediato aparecem inúmero exemplos a nível mundial de empresas que tiveram a visão de “usar” as características que os atletas possuem para atingirem os seus objetivos desportivos e transferi-las para outras áreas profissionais.
Sabe-se que empresas como a Coca-Cola, a Visa ou a YE (Ernst & Young), entre outras, pela sua proximidade ao olimpismo como patrocinadoras, viram nos atletas uma oportunidade e contrataram alguns ainda em competição ou no final das suas carreiras, que na sua maioria a única experiência profissional que tiveram foi no mundo do desporto. Mas porque iriam empresas como estas contratar um atleta? Pela publicidade? Por compaixão? A resposta pode ser sim, pois é sabido que muitos campeões depois de terminarem as suas carreiras deparam-se com dificuldades na vida. Mas também não é uma atitude assim tão inocente ou apenas altruísta, é que no final das contas as empresas procuram resultados e os atletas provam ter características que as empresas procuram nos seus colaboradores, investindo muitos recursos para que as adquiram.
E que características são essas? Para estarem ao mais alto nível desportivo e competirem mundialmente, os atletas têm de aprender depressa, precisam duma adaptação constante à evolução das exigências na performance, precisam de uma dedicação extrema e focada, são orientados para o trabalho em equipa, pois precisam trabalhar com outros profissionais de diferentes áreas. Têm características de planeamento e estratégia, gestão adequada da pressão e do stress, são orientados para os resultados, precisam de boas capacidades de comunicação, experiência multi-cultural; são seguidores de regras, de procedimentos e instruções, espírito competitivo, respeitadores, apaixonados, dedicados, habituados à gestão do tempo, constante busca da perfeição, comprometidos, resilientes, disciplinados, motivados, habituados a enfrentar dificuldades e muitos obstáculos, com qualidades de liderança e com uma enorme rede de contactos… Então, encontramos ou não semelhanças com o mundo empresarial?
É claro que é preciso considerar outros aspectos para que estas pessoas tenham sucesso num campo profissional diferente do seu, mas, tal como no desporto, tiveram treino técnico e científico. No mundo empresarial não é assim tão diferente. Uma comparação simplista é olhar para o atleta como o CEO da sua organização, é um exercício que se faz muitas vezes e que bem analisado faz todo o sentido.
Afinal, o atleta tem de lidar com budgets para a sua preparação, aquisição de ferramentas, investimentos em áreas como a angariação de fundos ou apoios, para pagar aos recursos humanos que trabalham consigo, como o treinador, ou o nutricionista, ou o fisioterapeuta, ou o psicólogo, entre outros; tem de gerir o seu trabalho com estes profissionais e tudo o que advém da gestão de recursos humanos, que são contratados em função dos objectivos que pretende atingir. Têm de lidar com questões do foro fiscal, finanças, segurança social ou seguro desportivo. Os atletas precisam da logística necessária para organizar estágios, competições e toda uma série de aspectos relacionados com transportes, viagens, etc. Precisam estar treinados a comunicar, falar em público, apresentarem as suas ideias, tratarem da sua imagem, pois é daí que podem surgir os possíveis patrocinadores. Estarem capacitados que a gestão das suas agendas é dos aspectos cruciais para que tudo encaixe o melhor possível.
A par disto, devem estar permanentemente com atenção às novidades na área do treino, sendo relevante a familiarização com as tecnologias e tudo o que está relacionado com o hi-tech. É uma comparação que vale o que vale, mas não deixa de ser interessante. Se as empresas derem a oportunidade aos atletas de se envolverem no seu “business” e em complemento lhes derem formação técnica adequada, é uma questão de tempo até que mostrem que o desporto de alto rendimento não é só uma boa escola de valores e uma boa escola para a vida, mas também uma boa escola para o sucesso no mundo do trabalho.
O Comité Olímpico Internacional ao deparar-se com tristes e difíceis histórias de vida de ex-atletas, desenvolveu um programa de alerta, em parceria com a Adecco Internacional (empresa de recursos humanos), o “Athlete Career Programme” (ACP). Trata-se de um programa de sensibilização e apoio à carreira dos atletas no ativo e no final da carreira. Também os comités olímpicos nacionais foram desafiados a implementar o programa e o Comité Olímpico de Portugal é um deles.
O ACP tem várias vertentes, uma delas é sensibilizar os atletas para o planeamento da dualidade de carreiras, potenciando as suas características noutras áreas de interesse pessoal e apoiar com ferramentas para a conciliação da carreira desportiva com um emprego. Também procura divulgar este potencial dos atletas, para que lhes sejam dadas oportunidades e assim provem que as suas capacidades podem render fora do desporto.
Nem todos os atletas são vocacionados para o negócio ou para as mesmas tarefas, mas todos têm características que reconhecemos como válidas em qualquer profissão.
Portanto, o problema pode ser tão grande quanto o deixarmos ser e as organizações que tiverem a visão ou ousadia de contratar um atleta olímpico depressa vão perceber que pode ter sido uma jogada arrojada, mas vencedora!"

Benfiquismo (MCXLVIII)

Lotado...

Vermelhão: Incrível... mas soube a pouco!!!

Benfica 4 - 2 Frankfut


Marcar quatro golos nuns Quartos-de-final da Liga Europa, em condições normais seria suficiente para um alargado contentamento, mas não foi com esse sentimento que saímos da Luz!!! Aparentemente quem estava mais contente, eram mesmo os Alemães!!!!
Que por acaso ainda não tinham perdido na Liga Europa esta época, e que vinham de uma sequência vitoriosa impressionante em todas as competições...!!!
Jogámos 70 minutos em superioridade numérica, podiamos e deveríamos ter 'matado' a eliminatória... Sofremos dois golos a jogar contra 10, em duas situações perfeitamente evitáveis... E como consequência, na próxima Quinta-feira em Frankfurt, vamos ter que sofrer... e se quisermos passar, vamos mesmo ter que procurar o golo, porque este Eintracht tem qualidade ofensiva. Os jogadores na frente definem bem, passam com qualidade... tem mais intensidade de jogo do que nós, e têm superioridade física em vários 'duelos'!
Já sabíamos que o Lage iria fazer alterações, pessoalmente, até pensava que a 'rotação' seria superior, mas desta vez, a necessidade de fazer descansar alguns jogadores, até 'encaixou' com as características do adversário!!! O Eintracht nesta Liga Europa, tem feito melhores resultados fora de casa, quando 'aposta' no contra-ataque... Com o Gedson no lugar do Seferovic, reforçamos o nosso poder de choque nas transições defensivas... tentando 'retirar' a principal arma ao Frankfurt.
Ofensivamente, em vez de procurar o 'choque' com os Centrais, apostámos quase tudo na velocidade, ou com bolas nas 'costas' da linha defensiva adversária (que resultou poucas vezes...); ou com o Félix a recuar, a receber 'entre-linhas', a virar-se e a fazer combinações com o Rafa, o Gedson ou o Cervi... Algo que resultou muitas vezes!!!
O Eintracht foi muito forte na pressão sobre a nossa 1.ª fase de construção, mesmo com 10  (!!!), mas quando conseguimos ultrapassar essa 1.ª linha, havia sempre espaço... Foi assim que ganhámos o penalty e respectiva expulsão do 1.º golo!!! Pareceu-me claramente que era esse o plano de jogo...
A expulsão 'mudou' o jogo, porque numa fase inicial o Frankfurt deixou de pressionar tão alto... e o Benfica ficou um pouco sem 'saber' o que fazer!!! Foi assim que nasceu o golo do empate...!!!
O intervalo fez bem, as ideias ficaram mais claras... a entrada no 2.º tempo foi muito forte!!! Mas a saída do Rafa (entrada do Seferovic) não deu resultado, porque sem o Gedson no 'meio', permitimos mais 'bola' aos Alemães... Que com a entrada do porco do Paciência (várias simulações... consecutivas...), foi ganhando 'terreno', o que deixou o Benfica algo intranquilo...
E quando podíamos ter feito o 5-1... acabámos por sofrer o 4-2!!! Os últimos minutos foram 'estranhos' porque defensivamente não estávamos 'seguros', apesar da superioridade numérica... e entre ir à procura do 5-2 à maluca, acabámos por ser a equipa mais conservadora!
Além do hat-trick histórico do puto (já o tinha escrito na Feira: depois de um abaixamento de forma, com a Selecção pelo meio, estava a recuperar a forma 'original'!!!), grande jogo do Samaris...
Muitas dificuldades dos Centrais, principalmente no ar... Gedson 'pau para toda a obra': bem no apoio ao Félix... como lateral-direito tem potencial, mas falta-lhe rotinas, principalmente nas 'saídas' de bola...
O Fejsa esteve muito mal no golo... nota-se que chega demasiadas vezes 'atrasado' aos despiques, que antigamente 'ganhava' todos... Neste momento, o Tino deverá ser a 1.ª opção no Campeonato!
Muitas dificuldades do Grimaldo e do Rafa nos confrontos físicos... só mesmo o Cervi, para se estar 'marimbando' para o facto dos adversários terem o 'triplo' do tamanho!!!
A lesão do Corchia 'preocupa-me' porque o Almeida está 'tapado' no Campeonato com Amarelos!!!
Existe muita gente que não devia ter 'autorização' de entrar na Luz!!! Os assobios nos últimos minutos não fizeram qualquer sentido!!! Já no jogo do Tondela, o golo do Seferovic, nasceu duma jogada que começou no Ody, com alguns passes entre os Centrais... para o Ody (assobios!!!), que depois meteu no Samaris, que descobriu o Grimaldo... e depois golo!!! E foi exactamente esta paciência, que faltou ao Benfica esta noite: só tínhamos que girar a bola, de um lado para o outro, à procura do 'buraco'... o pessoal que começa a 'gritar': para a frente, para a frente!!!... em muitas ocasiões só atrapalha!!!
Amanhã irei rever o jogo, mas não fiquei contente com a arbitragem: marcou o penalty e com algumas 'dúvidas' lá anularam bem o 2-2 ao Eintracht, mas pareceu-me ter existido 2 penalty's sobre o Cervi (então o segundo...) além de uma falta muito perigosa sobre o Rafa...!!!
Agora, é recuperar e pensar somente no Setúbal. Um Setúbal que provavelmente não recebe ordenados à vários meses, que tem um autêntico exercito de caceteiros, treinados por outros dois ex-caceteiros... e muito provavelmente vão ter uma Mala com mais de 400 mil euros de prémio!!! O jogo de Quinta, tem que ser esquecido para já...

E o pós-Europa?

"Duelo pelo título decide-se na resistência ao enorme desgaste - o que inclui lesões... (e excesso de 'amarelos'). FC Porto: que atitude na 2.ª mão? Benfica: que onze hoje?

Europa deixará importantes marcas no renhadíssimo duelo pelo título português? Nesta ponta final de temporada, quando o desgaste físico já é mais do que muito, nada improvável isso acontecer. Ou muito me engano ou, no hiperintenso mano a mano pela conquista do máximo objectivo, a decisão irá estar na resistência ao enorme desgaste (também psicológico), o que inclui, e de forma potencialmente crucial!; escapar, ou não, a... lesões de jogadores chave já muito massacrados. Ah! quase o mesmo quanto a importantíssimas ausências por excesso de cartões amarelos.

Pois, a Europa... Liverpool colocou o FC Porto num dilema... - que atitude na próxima semana? Tudo por tudo - outro tremendo esforço! - pela extraordinária proeza (seria histórica no futebol europeu!) de recuperar desvantagem de 2 golos perante um colosso? Ou, descrendo de milagre (3-0, quiça com prolongamento...), ficar por desgaste qb...? Se Marega tivesse concretizado uma das oportunidades de golo, zero de dúvida: bastando 1-0 ao Dragão, FC Porto por si próprio puxando ao máximo. Atenção: sem negativa crítica a Marega, pois só ele poderia estar nessas oportunidades; só ele, determinado e tão possante, afligiu Van Dijk, Lovren, Alisson. O nível do FC porto - sentido imenso a ausência do capitão Herrera - subiu muito na 2.ª parte; mas também verdade que o Liverpool (tão feliz no 1.º golo!) então se limitou a gerir 2-0 e esforço... - lá está: discute o título inglês, palmo a palmo, com o Manchester City...
Benfica: como sairá hoje do primeiro despique com alemães de Frankfurt? Parece óbvio: disso muito dependerá a dimensão da entrega a desgaste no 2.º confronto, na imediata semana. Aliás, já para esta noite, tenho muito curiosidade quanto ao onze que Bruno Lage irá escolher... Máxima força possível (Jonas castigado, Taarbat não inscrito), ou mais uma das surpresas em que o jovem treinador tem sido fértil? Gestão de desgaste está assaz problemática... Vide André Almeida (já não convocado para esta noite...), Rúben Dias, Grimaldo, Pizzi, João Félix sobrecarregadíssimos. Global quebra bem se notou no árduo 1-0, na Luz, ao Tondela e, de imediato, no adeus à Taça de Portugal (gigante Bruno Fernandes - levo quase 2 anos a cotá-lo como o melhor em Portugal, sem surpresa para quem o tinha visto nalguns jogos italianos e, sobretudo, mas Selecções mais jovens, exuberantes e já capitão... -, mas Benfica muito contido, com défice de... energia). Notou-se menos na Feira, mas se o 2-0 não fosse, polemicamente, anulado...
Benfica tem sido razões de queixa de arbitragens (ainda mais na comparação com benefícios de dúvida dados ao FC Porto). Mas o oposto ocorreu na Feira... E a Comunicação do Benfica, mais uma vez, foi péssima: insídias sobre o muito que os adversários correram! Esquecimento de que, 3 semanas antes, o FC Porto muito sofreu - e foi feliz - para ali aguentar o ímpeto feirense.

Duelo pelo título. Já de seguida, Benfica teoricamente mais à vontade (V. Setúbal na Luz) do que FC Porto (em Portimão). Devem estar a estalar bocas sobre Portimonense muito amigo do FC Porto (transferências nos 2 últimos meses de Janeiro, treinador Folha com portista carreira de jogador). Obviamente, isso será abjecto! Mas não esqueço o que comentadores portistas martelaram sobre a infâmia de facilidades do SC Braga no 6-2 na Luz! Pouco depois, o mesmo SC Braga só por diferença de menos 1 golo esbarrou em Alvalade (3-0) e no Dragão (3-0). Sim, amiúde infame é a cega clubite, quase generalizada, vide várias TV's - com honrosas excepções -, por quem assume públicos comentários que mais ateiam incêndios!

Moreirense. Sensacional carreira, sob comando de Ivo Vieira (mais um treinador português em notória ascenção). Já vencera na Luz (1-3!), já fizera sofrer o Sporting em Alvalade (2-1). Já empataram com FC Porto (1-1). Agora, também o SC Braga nele esbarrou (1-0). Senhor 5.º classificado, de gás aberto para ser campeão dos não grandes, em despique com o vizinho V. Guimarães, historicamente muito mais poderoso!"

Santos Neves, in A Bola

A auditoria à gestão de BdC

"O relatório da auditoria à gestão de Bruno de Carvalho não é um documento, é um caso de polícia. Pagamentos a serviços sem factura, pagamentos de alegadas comissões em forma de scouting, pagamentos de salários sob forma de direitos de imagem (com uma taxa fiscal mais baixa que os salários, situação que levou, por exemplo, e entre outros, Cristiano Ronaldo à barra dos tribunais em Espanha), pagamentos a entidades estranhas, etc. É um tratado de opacidade e um exemplo de como em Portugal o futebol é uma actividade altamente desregulada que fomenta a chico-espertice e à qual as autoridades fogem como o diabo da cruz, seja por falta de meios ou por falta de coragem. Há um submundo de personagens alimentado pelos mais variados dirigentes, sabe-se lá a troco de quê mas todos imaginamos porquê (alguns casos são flagrantes). Quem acompanha de perto os bastidores do futebol não pode ficar surpreendido com algumas conclusões deste documento. Afinal estamos a falar da pomposa expressão homens do futebol.

- Ronaldo
No regresso aos relvados após a lesão contraída pela Selecção (voltando a defrontar Tadic), mais um golo e meias-finais da Champions mais perto. Craque.
- Brahimi
Esperava vê-lo a titular em Anfield, onde os melhores devem jogar. Conceição é fiel aos seus princípios e lá terá as suas razões para deixá-lo no banco, mas não é só na raça que se ganham jogos.
- VAR/UEFA
Inexplicável a não expulsão de Salah após entrada sobre Danilo. Explicável a ausência de guerra de palavras: FCP sabe que não vale a pena. Ao contrário do que se passa cá."

Fernando Urbano, in A Bola

A pesada angústia de dois treinadores

"Hoje, é a vez do Benfica. Não sou bruxo, nem sequer adivinho, mas sei que apesar de todas as afirmações politicamente correctas dos treinadores, quando dizem que todos os jogos são importantes, que todos são para ganhar e que o jogo mais decisivo é sempre o próximo, a verdade é que existe uma hierarquia de importância, uma lista de prioridades, mesmo que não esteja escrita, mesmo que seja, apenas, uma referência mental.
Para Benfica e FC Porto, o que importa, mesmo, é o campeonato, até porque todos sabemos bem qual é o verdadeiro sonho dos adeptos dos maiores clubes portugueses. Há que manter as aparências de segurança e serenidade, mas é evidente que tanto Bruno Lage como Sérgio Conceição vivem, de forma muito intensa, a angústia desta recta final. Podem não se envolver - e ainda bem - na guerra dos discursos obscenos que têm autores vários, mas responsabilidades únicas e, aliás, muito precisas; podem não deixar transparecer o desejo obsessivo de chegar ao título de campeão. Porém, a Europa, neste momento de desgaste físico e psicológico dos jogadores, mesmo não podendo ser considerada um empecilho, é um estorvo, tanto mais que, de certa forma, o caminho está feito e as expectativas de uma eventual chegada à final das competições europeias e uma vitória na Champions (FC Porto) ou Liga Europa (Benfica) deve ser assumida como do domínio das utopias.
Depois de Anfield, o FC Porto, apesar de digno, terá quase nenhumas esperanças europeias. Vejamos o que sucede, esta noite, na luz e vejamos se Bruno Lage evita ou confirma a tentação de uma estratégica rotatividade."

Vítor Serpa, in A Bola

A força da Luz

"O Estádio da Luz acumulou um total de 4.256.545 espectadores entre as Ligas 2013/14 e 2017/18. Uma média de 50.077 pessoas a visitar a nossa ‘casa’ em cada uma das 85 jornadas que o nosso estádio recebeu durante as 5 anteriores épocas.
Estes são os números que colocam o Benfica num excelente 14.º lugar entre os clubes com mais assistências a nível mundial – apenas atrás de 6 alemães, 4 ingleses, 2 espanhóis e 1 norte-americano.
Os nossos principais rivais internos aparecem neste mesmo ranking na 39.ª e 52.ª posições. O Sporting consegue uma média de 39.068 espectadores por jogo, enquanto o FC Porto fica pelos 34.520.
Este é mais um bom indicador daquilo que representa hoje o Benfica no contexto do futebol português. Mas também da eficácia das suas boas práticas, do rigor do seu trabalho, do alcance do seu projecto e da qualidade dos seus gestores.
O crescimento do Benfica, como ficou claro na recente sessão de apresentação de ampliação do Caixa Futebol Campus, não ficará por aqui.
Mesmo em relação às assistências na Luz, parecendo difícil melhorar as médias ontem tornadas públicas pelo Centro Internacional de Estudos Desportivos (CIES), a realidade é que… os números continuam a subir!
Na actual temporada, com 13 jornadas já realizadas no nosso estádio (falta-nos receber Vitória de Setúbal, Marítimo, Portimonense e Santa Clara), a média está nos 52.429 espectadores por jogo! 
Também nas competições europeias, os números da actual temporada, nos jogos da Luz, apresentam crescimento, em linha com a tendência que se verifica no campeonato.
Esperemos que todos estes bons sinais se confirmem já esta noite, no jogo frente ao Eintracht Frankfurt. O desempenho dos adeptos será fundamental, como sempre, para aproximar o Benfica daquilo que Bruno Lage desejou: uma boa exibição e um bom resultado. A Liga Europa nunca foi, não é e nunca será um objectivo menor.

PS: O estádio que representa 25,9% das assistências da Liga NOS continua a ser alvo – a partir de argumentos que o Benfica considera “inaceitáveis e injustificáveis” – de tentativas e processos de interdição. O tempo encarregar-se-á de provar a nossa razão."

Coluna Vermelha v.40

Time Added #6