Últimas indefectivações

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Vermelhão: Obrigatório vencer estes jogos, para manter a esperança...

Santa Clara 1 - 2 Benfica


Armadilha montada: o Benfica com pouco tempo para preparar esta partida, com duas viagens de avião pelo meio, relvado mau, vento forte contra na 1.ª parte, um treinador adversário 'esperto' que sabe montar esquemas para travar adversários mais fortes, adversário que aparentemente 'surpreendeu' o Benfica ou pelo menos os jogadores do Benfica na forma como jogaram e mais uma arbitragem encomendada... 

Somando isto tudo, um Benfica com uma entrada desinspirada, provavelmente a pior da temporada, com o Marco Silva, que tantas coisas boas tem feito, mas que continua a dar o estatuto de titular, a dois jogadores que não a 'merecem' neste momento: Rafa e Sudakov! O que deixa o Benfica a jogar em 'inferioridade' desde do primeiro minuto!

Mesmo assim, contra a equipa surpresa da Liga, que preparou este jogo como a Final da Champions, sendo inclusive eliminados da Taça pelo Mafra a semana passada, e apesar da nossa má prestação, o Samu na 1.ª parte, não foi obrigado a trabalho complicado! Houve alguns ataques potenciais perigosos, mas os remates à nossa baliza foram 'tranquilos'... e só num estúpido penalty, sofremos o golo! O outro remate mais perigoso, foi um livre frontal, após uma mais uma falta mal assinalada!!!

O problema é que não conseguimos construir praticamente nenhum ataque de jeito. A nossa posse de bola foi inconsequente. O Santa Clara fez marcação individual a vários dos nossos jogadores, com muita agressividade e o nosso jogo, com muitas perdas de bola pelo meio, ficou bloqueado!

Ao intervalo, com as entradas do Lukebakio e o Schjelderup, as coisas mudaram... mas a atitude também foi outra, fomos mais agressivos na recuperação, mas a grande diferença, foi o posicionamento do Prestianni, que jogando no meio, tornou a marcação individual que estava a sofrer mais complicada de ser efectuada! O Marco já  o tinha colocado à direita, ainda no 1.º tempo, mas no meio, se o Médio adversário fosse sempre atrás dele, iria abrir um buraco no 'meio' e se fosse atrás dele, no flanco o Prestianni teria sempre vantagem na velocidade... como aconteceu no 1.º golo!!!

Agora, os dois Alas entraram bem, começaram a ganhar duelos, e pelo menos não perdiam a bola imediatamente, algo que com o cansaço natural do adversário, virou o jogo para o nosso lado! Mesmo assim, ainda permitimos um contra-ataque muito perigoso, com um mal posicionamento do Lenglet que foi retificado por um grande corte do Dahl... que fez o tal estúpido penalty, mas no 2.º tempo, defensivamente fez um grande jogo!!!


Remontada de rajada, com o Prestianni a ser decisivo, mais uma vez, com toda a justiça. Mas desta vez, não houve condições para continuar a carregar no acelerador, à procura de mais golos! Tivemos oportunidades, várias foram travadas em faltas sem punição adequada, mas desta vez, tivemos que 'recuar' e fechar o bloco, e reforçar o nosso jogo aéreo defensivo, pois o Santa Clara mostrou perigo nas bolas paradas... qualquer falta no meio-campo do Benfica, dava bola para a área!!!

Sendo que hoje faltaram soluções no banco, o Barreiro e o Enzo, teriam sido bastante úteis!!!

Nenhuma discussão sobre o MVP, o Prestianni continua a colecionar troféus!!! Se na 1.ª parte, ninguém jogou bem, no 2.º tempo, os Laterais atinaram com as marcações... o Palhinha também melhorou muito, o Aursnes como costuma ser habitual, com os minutos a passar, vai sempre subindo de produção... e o Pavlidis continua a marcar golos importantes!!!

Arbitragem horrível, que acabou em completo descontrolo!!! A raiva nos olhos naqueles minutos após o final da partida, procurando insistentemente por razões para expulsar jogadores do Benfica, foi óbvia! O Benfica acaba com 13 faltas (várias que não existiram), 6 Amarelos e 3 Vermelhos, num jogo onde nenhum jogador do Benfica agrediu um adversário!!! O facto do Santa Clara equipar de vermelho, não ajudou em nada, a 'confusão' na cabeça do Ladrão!!!

A expulsão do Durán, que não fez nada, só pode explicada por anti-Benfiquismo primário, misturado com racismo. O homem é provocado, agarrado pela camisola, não tem qualquer reação, e acaba expulso!!! Vai ser bonito ler outro árbitro, mentir num relatório...!!!

No penalty do Dahl, a decisão acaba por ser correta, tendo em conta os actuais critérios. O Dahl não tem qualquer intenção, tentou jogar de cabeça, falhou, e a bola bate-lhe no braço, que ao contrário dos expert's está na posição natural de quem está a saltar... ninguém salta, com os braços, encostados ao corpo!!! Houve alturas onde só seria falta, se os braços, estivessem acima da linha dos ombros, mas hoje parece que já se esqueceram disso...

Penalty por marcar sobre o Bah, que leva uma ombrada no focinho, existe outro lance muito duvidoso sobre o Schjelderup que é agarrado dentro da área, e depois derrubado, ficando a dúvida se foi dentro da aérea, sem nenhuma repetição esclarecedora!!!! Disciplinarmente, permitiu muita coisa ao Santa Clara, só nos primeiros minutos da 2.ª parte, perdoou 3 Amarelos aos nossos adversários, sendo um deles, um 2.º Amarelo que deixaria o Santa Clara com dez durante mais de 35 minutos!!!

Mas a jogada que vão falar, é a rasteira sobre o Schjelderup, 'parecida' à expulsão do Central do Gil Vicente, no jogo contra os Corruptos. A posição do Andreas é muito mais perigosa: está mais perto da área, está claramente a caminhar em direção à baliza, tem a bola completamente controlada... e o único defesa que o pode travar, está a 'marcar' o outro jogador do Benfica, e muito provavelmente nem sequer iria tentar fazer a diagonal para interceptar o Schjelderup, pois se o fizesse o mini-Bacalhau só tinha que passar a bola para o meio, tal como o Lukebakio fez no Chipre no golo do Lukebakio! Pessoalmente, acho que a decisão do Amarelo 'aceitar-se', mas na jornada onde aconteceu outro escândalo que favoreceu os Corruptos, numa jogada parecida, é só falta de vergonha na cara!!!


Quinta-feira, Taça da Liga, na Luz, com o Gil Vicente que nos deu tanto trabalho para a Liga, também na Luz!!! A diferença grande é que o Gil jogou na Sexta, e vai ter 7 dias para preparar este jogo, e o Benfica 72 horas, com mais uma viagem de avião pelo meio, e com o Marco a ser obrigado a mudar praticamente todos os jogadores!!! Só as lesões podem evitar uma mudança dos 11 jogadores!!! As lesões do Enzo e do Barreiro, neste momento, com este calendário, são extremamente incovonientes!

Acredito num onze mais ou menos assim: Trubin; Banjaqui, Circati, Índio, Karouani; Manu, Aursnes; Lukebakio, Echeverri, Schjeledrup; Anísio (porque o Durán não vai ser despenalizado)!!!

NAS MÃOS DA PJ E DO MP


"1. Não estou a afirmar nada, não estou a querer sequer insinuar alguma coisa, estou apenas a registar aqui para vocês uma coincidência.

2. Desde que Luciano Gonçalves ascendeu ao lugar de presidente do Conselho de Arbitragem, os monumentais e decisivos erros dos senhores do apito que favoreceram o Sporting foram vários. Relembro, apenas a título de exemplo, três dos mais escandalosos:
-> um golo, validado com câmara de fora de jogo pendurada num poste de iluminação, valeu ao Sporting o empate para a liga 24-25 nas Aves. (Não foi o único erro a favor do Sporting nesse jogo.)
-> um pisão na cabeça, que decidiu a Taça de Portugal 24-25, ignorado por um árbitro português com as insígnias FIFA, por um juiz de linha a um metro do escândalo e por um VAR, que dizem ser o melhor do país, a ignorar o protocolo. (Essa final teve mais erros que favoreceram o Sporting.)
-> uma falta inexistente em cima do final do jogo transformada em penálti ao fim de 15 - leu bem, 15 - minuciosos minutos de VAR, escândalo que manteve o Sporting na Taça 25-26. (Fez-se justiça: perdeu-a para o Torreense, da segunda liga, na final do Jamor.)

3. Fruto das denúncias de Duarte Gomes, Luciano Gonçalves passou a estar desde o verão (defeso no futebol) debaixo de investigação da justiça (Polícia Judiciária e, julgo que também, Ministério Público).

4. Desde o início da época, o Sporting, em apenas 9 jornadas, perdeu 9 pontos na liga, todos em jogos com equipas ditas 'pequenas': 5 pontos em casa (Arouca e Académico de Viseu) e 4 pontos fora (Estrela da Amadora e Famalicão).

5. Vamos esperar que as investigações da PJ e do MP não deixem de ir até ao fundo da gestão de Luciano Gonçalves à frente do Conselho de Arbitragem. Isso é fundamental para que a justiça faça o trabalho que lhe compete - neste caso a bem da verdade desportiva sem a qual as competições são uma autêntica palhaçada."

Crónica de um away a Chipre


"Estas deslocações ao estrangeiro começam sempre da mesma forma. Sai o sorteio e a excitação começa logo. 'A que jogo prefiro ir? Liga Europa tem destinos bem exóticos! Chipre? República Checa? Países Baixos?'.
Após a análise financeira e disponibilidade de férias, opto por Chipre. E como habitual, a aventura seria uma montanha-russa: cinco dias com passagens por Malta, Chipre e Itália! Para quem sonha com estas viagens, é importante saber que é preciso alguma capacidade e folga financeira, mas também não é uma loucura - quatro voos ficaram por 150 euros. Airbnb's, hostels e camaratas terão sido outros 150 euros. O que sobra é comida (muitas vezes fast food) e cerveja, muita cerveja...
O dia do arranque ficou combinado para terça-feira e o Benfica jogou na quinta. O primeiro voo é para Malta, um pequeno país que não impressiona a vista. Tudo parece inacabado, com poucos recursos e sem planeamento urbanístico. Uma pequena ilha em que a única parte que pareceu mais agradável foi a zona de Valetta.
Mas diga-se que estamos lá mais para beber e nos divertir do que para turistar. Entre hambúrgueres (apesar de nos terem dito que o prato tradicional é o coelho) e Cisk (a cerveja local), a noite acaba às tantas de forma inusitada: num bar de ingleses, que fecham o estabelecimento connosco lá dentro, passam-nos um microfone e o que se segue é uma noite de karaoke. Ora eles colocam Oasis, ora nós cantamos o Ser Benfiquista. E não confirmo nem desminto que a noite terminou com um mergulho no mar de Malta...
Quarta-feira é o dia do arranque para Chipre: voo até Pafos e, após alguma indecisão sobre o que fazer, decidimos ficar nessa cidade para 'ver as ruínas que dizem ser bonitas'. Claro que acabámos por não ver ruínas nenhumas e a tarde foi passada numa esplanada com mais amigos benfiquistas que iam chegando e banhos na praia mesmo em frente.
Só ao final da tarde nos deslocámos (no carro que tínhamos alugado) para Limassol, uma nova cidade. Noite num bar a ver os jogos da Champions e no dia seguinte já seguimos para Nicósia, a cidade do jogo. A tarde foi passada num restaurante a comer a saborosa carne local e a beber Keo, a cerveja mais popular do Chipre. A determinada altura sugerimos à dona do restaurante se podia pedir ao cantor que está a dar animação no restaurante para parar um pouco e cantarmos nós o 'Ser Benfiquista'.
A dona, de forma hesitante, lá aceitou e o que se seguiu foi vários cipriotas curiosos a olhar para a nossa mesa e para a música que alegremente cantávamos. Mas estava na hora de ir para o estádio!
Um estádio pequeno, com apenas 20 e pouco mil lugares, e também nós somos um contingente pequeno. Talvez apenas uns 200 benfiquistas no nosso setor, mas isso não nos impediu de cantar o jogo todo. Um duelo que foi fácil, apesar de uma primeira parte mais fraquinha. Nos momentos em que os cipriotas se entusiasmaram, o ambiente no estádio foi fantástico. Mas também tiveram vários momentos de silêncio, a fazer lembrar o Estádio da Luz...
O cansaço já era grande (principalmente o meu, com muitas dificuldades num joelho) e o pós-jogo foi na cama, a dormir - processo muito em falta nos dias anteriores.
Sexta-feira, visita-se a área turca de Nicósia, faz-se tarde de praia numa terra cujo nome já nem recordo e a noite termina connosco a ir ver um jogo da segunda divisão do Chipre! É tudo o que se pode imaginar: estádio só com uma bancada a cair aos bocados, pouca gente e jogadores sem grande qualidade.
Daria vontade de rir, se não pensarmos que a maioria dos jogos do Tugão não são muito diferentes disto. A noite teve um grande susto, contudo! Um dos nossos perde a carteira e, quando já tinha assumido a derrota e ligava para os bancos a cancelar os cartões, recebe uma chamada de um número estranho. Atende e era a polícia cipriota. Alguém tinha ido lá entregar-lhes a carteira! Com dinheiro a menos, mas ainda assim um pequeno milagre no Chipre! Será que em Portugal devolviam a carteira numa esquadra?
Avançamos para sábado e já foi dia de dormir até tarde, almoçar num centro comercial em Pafos e apanhar um avião para Roma ao final da tarde. Apenas estaríamos umas horas na cidade italiana e com um plano difícil de concretizar: em pouco mais de uma hora, sair do aeroporto, deixar as mochilas no hostel e conseguir estar no Olímpico de Roma para ver o Lazio - Parma!
O voo chegou mais cedo que o previsto e, quando pensamos que estava tudo a correr bem, olhamos à nossa volta e percebemos que algo de muito estranho se passava: polícia por todo o lado, trânsito fechado e pessoas com semblante carregado. Também em Roma as manifestações políticas acontecem.
Ainda assim, a muito custo, lá conseguimos apanhar um uber para o estádio, mas quando já nos sentíamos o Pavlidis, o falhanço foi à boca da baliza! Como não tínhamos a certeza se chegávamos ao estádio, não compramos os bilhetes online e, quando chegámos, já o jogo tinha começado e não havia maneira de comprar bilhetes, nem online, nem presencial. Nem fazendo mais que um choradinho aos stewards na entrada, nem falando com os trabalhadores nas roulottes sobre bilhetes a mais, nada feito.
Ficamos mesmo barrados à porta de um estádio quase vazio, tendo em conta o protesto de meses dos adeptos da equipa romana. Foi a pequena desilusão da viagem, que teve que ser curada com mais cerveja e uma pizza, ora pois. Em Roma, sê romano..
Quatro horas para dormir numa camarata e táxi para o aeroporto às 3h da manhã. Chegada a Lisboa às 9h. Às 16h entrei no trabalho. Na nona deslocação ao estrangeiro para ver o Benfica, foi apenas a terceira vitória.
Mas estas viagens não são só pelo Benfica ou pelas vitórias. São pela aventura, pela amizade, pela experiência, pela cultura, pela diversão. Porque eu e o meu grupo de amigos que fomos a Nicósia nunca nos iremos lembrar de todas as noites que passámos em casa no sofá a ver TV, mas certamente não esqueceremos aquela vez que fomos a locais tão exóticos como Malta e Chipre ver o Benfica.
Várias vezes nos próximos anos falaremos divertidos da noite de karaoke, da carteira perdida, do jogo da segunda divisão do Chipre onde estava lá o irmão do Pavlidis e o Vítor Venâncio (o avançado da equipa, que por ser brasileiro resolvemos apoiar) ou das fotos divertidas à entrada do Olímpico de Roma!"

Marco Silva, sim senhor


"Desde que sucedeu a José Mourinho, em junho de 2026, o tom de Marco Silva tem sido exigente e direto, raramente agressivo: é firme nas críticas — chama “erros que não podem ser normais” aos falhanços da equipa e avisa que o Benfica “não pode deixar o jogo cair na pasmaceira” — mas distribui a exigência de forma equilibrada e, portanto, inteligente.

Analisando as declarações desde que entrou no Benfica (com a ajuda da IA), conclui-se que para ele treinar o Benfica é “o maior desafio” da carreira, fala em “honra, orgulho e responsabilidade” e pede paciência para construir uma “identidade dominadora”. Quando a equipa perde, puxa a responsabilidade para dentro, coisa rara em Portugal, uma saudável extravagância. Por exemplo, a seguir à derrota no Dragão foi muito claro: “Nós é que perdemos o jogo”. E logo a seguir concentrou-se na falta de “equilíbrio emocional” dos seus jogadores.
Marco Silva consegue até ser autocrítico e admite que é “um bocado mais chato do que deveria ser” no banco, embora tente controlar-se e ser “o primeiro a penitenciar-se” quando não consegue. E sabem que mais? O treinador do Benfica desvaloriza o próprio papel nos êxitos, dizendo sobre a chamada de Palhinha à seleção que “o mérito é do jogador”. O lado conciliador aparece na defesa pública da equipa, mas sem exageros piedosos — veja-se o escudo que fez a Trubin a propósito das notícias de venda, que classificou de “injustas e duras”. Percebia-se que estava a ser genuíno, não era fita e em momento algum foi colérico.
Quanto à arbitragem, não é um assunto recorrente, mas também não o evita por completo: desde a apresentação que avisa que não é fã de falar de arbitragem todas as semanas e, regra geral, remete o assunto para o clube (“se o clube tiver de dizer alguma coisa, o clube deve dizer”). A exceção foi o jogo com o FC Porto, após a expulsão de Lenglet, onde deixou a frase mais dura do seu mandato: “Venho de uma cultura diferente. Aqui, infelizmente, consegue-se condicionar árbitros antes dos jogos, depois dos jogos, durante a semana”. Uma observação dolorosa e verdadeira.
Resumindo: reclama pontualmente e sem vitimismo declarado, com ironia quando provocado (respondeu assim às palavras de Farioli), mas prefere canalizar a frustração para a exigência interna — pedindo mais intensidade e maturidade à equipa — do que para uma guerra aberta com os árbitros.
Marco Silva é um homem sério e um treinador competente, não um histérico em incesto com o próprio ego. É um tipo que não se disfarça como tantos outros com a baba bovina da humildade a pender-lhe dos lábios quando precisa — quer a nossa atenção e quer resultados, mas não vende a alma ao diabo, não manipula e não vicia a conversa com mentiras para salvar a pele.
O Benfica — que não é o meu clube — encontrou o seu Rúben Amorim e esta foi a melhor notícia do futebol nesta época em Portugal. Puxa todos para cima num campeonato ainda muito rasteiro. Marco Silva é um decisor que assume os próprios erros e respeita o espaço público, um contributo estimulante que alimenta o sentido de exigência de todos, serena um ambiente cada vez mais medíocre e, tudo isto somado, aumenta as possibilidades de êxito do Benfica. E agora vou ali penitenciar-me."

Elina e Heorhii, sombra e luz


"Como a guerra na Ucrânia afeta os atletas e a empatia necessária para os entender

A tenista Elina Svitolina, de 32 anos, não aguentou mais. Entrou, há semanas, com o processo de divórcio para se separar do marido, o também tenista Gael Monfils. O casal era, até então, um sucesso de união internacional desportiva e interracial. Um sucesso que encobria um sofrimento pessoal: Elena é ucraniana e, sobretudo desde 2022, lida com tudo que uma pessoa normal lida, como profissão, casamento, filhos, com saber que o seu país natal está em guerra. Em comunicado, falou no peso insuportável que a guerra na Ucrânia teve em si como pessoa e como abalou a dinâmica conjugal. «Ninguém viu as noites sem dormir, as dúvidas e a sensação de que me estava a perder a mim própria aos poucos. Com o tempo, percebi que tenho de reencontrar o meu próprio caminho.»
Em maio, o jogador do Benfica Heorhii Sudakov fez soar alarmes com a admissão, rara num futebolista, de um certo cansaço emocional. Com 20 e poucos anos, numa idade em que a esmagadora maioria das pessoas mora em casa dos pais, tem dois filhos pequenos e está num país estranho. Pessoas que ganham muito dinheiro têm meio caminho andado para a felicidade, mas para o jogador de apenas 24 anos, ver a casa destruída em Kiev, meses antes, foi algo difícil de processar.
A 24 de fevereiro de 2022, acordámos com a notícia: a Rússia invadiu a Ucrânia e a Europa tinha mais uma guerra. A fuga em massa de mulheres e crianças do país em poucos dias, e a facilidade com que a Rússia parecia avançar, levou muita gente a elevar o stock de atum, renovar passaportes, olhar para um quarto suplente em casa e pensar que ali caberia uma família refugiada. Chorei quando um menino de 7 anos sussurrou à repórter no New York Times, um mês depois do início da invasão, na estação de comboios de Lviv, que tinha um segredo: na viagem de carro até lá, arrancara dois dentes de leite a abanar com a mão.
O assunto abria telejornais, era chocante ver plataformas de estações cheias de pessoas, filas de carros na fronteira com a Polónia. Ver aqui um carro com matrícula ucraniana suscitava um sorriso, «pelo menos estes fugiram». Mas o tema começou, para mim e muitos outros, a ser corriqueiro. A Ucrânia não se rendeu e a guerra continua. Recebemos alertas no telemóvel sobre drones que atacam aqui e ali, a par das notificações do preço dos combustíveis ou dos resultados desportivos. É só mais um tema.
Mas para Elina e Heorhii, o peso desta guerra não passou a ser apenas uma notificação no telemóvel. Ambos têm, seguramente, lembretes diários do que é aquela luta - do que é ter medo de lá voltar, ainda que milhares de pessoas continuem as suas vidas debaixo de uma ameaça que já tem mais de 4 anos.
No caso dela, o tempo sublinhou problemas, mas como diz Monfils, que se viu forçado a defendê-la, o casamento acabou, mas não a família.
No caso dele, as nuvens parecem começar a levantar e o cansaço a desaparecer. Na Luz a pressão é menos e há dias arriscou falar nas flash-interview em português, sorriso no rosto. Um pouco de empatia e paciência não fazem mal a ninguém e no Benfica parecem ter percebido isso. Espero que Elina volte a encontrar o seu sorriso."

O futebol que dorme na forma


"A orquestra do Titanic continua a tocar, os passageiros dançam como se não houvesse nenhum icebergue ao virar da onda, e o desastre aproxima-se. Assim vai o futebol português, onde o ‘penacho’ de estar na I Divisão fala mais alto, e permite uma competição formatada no surrealismo, sem adesão à nossa realidade…

Queiramos ou não, por mais maquilhagem que apliquem ao problema, a verdade é que no futebol português nada mudou: Há três clubes que arrecadam mais de 90 por cento do mercado, um outro que tem infraestruturas e capacidade para se afastar dos restantes (embora a época não esteja a ser boa) e os demais vivem na dificuldade, um ou outro consegue, pontualmente, um fogacho, a maior parte das vezes ditado por malabarismos táticos, e no final da temporada haverá cerca de 40 pontos a separar o campeão do quinto classificado.
A falência da classe média do nosso futebol acentuou-se a partir de 1995 e da Lei Bosman, que deu aos grandes meios, através de uma subsequente aposta na formação e na venda dos principais ativos, de atuarem em mercados proibitivos para os demais. Apesar do Torreense, que soma três pontos na Liga Europa, já ter feito mais do que se esperava, a temporada dos clubes portugueses nas competições da UEFA, que começou prometedora, ameaça desmoronar-se com reflexos no ranking de Portugal, e a culpa, para quem quiser observar a situação friamente, reside no facto da nossa I Liga ter jogos, ou nivelados por baixo, ou desequilibrados, mesmo que, graças a ‘autocarros’ e outros expedientes, os resultados por vezes não reflitam essa realidade. E como seria possível ser diferente se as receitas televisivas variam de um para quinze (e continuo cético quanto ao sucesso do processo de venda centralizada dos direitos televisivos - meu caro Reinaldo Teixeira, tudo o que desejo é estar enganado…), para não falar da incipiência das infraestruturas da maior parte dos clubes e das assistências diminutas, quando retirados os três grandes da equação.
Enquanto os clubes preferirem o ‘penacho’ de competir na I Divisão, em detrimento da aceitação da nossa realidade social, económica e desportiva, nada se alterará, andaremos a empurrar com a barriga, adbicando do salto quântico que seria dado através de uma reformulação dos quadros competitivos do futebol profissional. Isto é uma espécie de pescadinha de rabo na boca: é impossível mudar seja o que for porque os clubes que não estão interessados na mudança têm mais votos que os outros, e bloqueiam tudo o que possa colocar em causa o seu estatuto de primodivisionários.
Mas quem pode alterar este deprimente estado das coisas? O Governo não é, não tem nada que se imiscuir nos quadros competitivos de cada Federação; a FPF também não, porque o futebol profissional é coutada da Liga de Clubes; e a Direção da Liga, que se encontra sujeita à vontade maioritária dos clubes, também, por mais que deseje a implementação de um quadro competitivo diferente, está de pés e mãos atados.
Quem tem, então o poder? Os clubes, que - um pouco como nas eleições para a presidência da FIFA - valem todos o mesmo em termos de votos, dois para a I Liga e um para a II. Será possível uma solução reformista? Não acredito nessa possibilidade. Se os clubes grandes, que de facto representam mais de 90 por cento do negócio, não deixarem as rivalidades bacocas de lado e não se chegarem à frente, continuaremos como estamos, a dizer que somos melhores do que realmente somos, a olhar para o umbigo e a ficar cada vez mais longe de quem não anda a dormir na forma.

CARTAS
ÁS
Dódi Lukébakio
O internacional belga, a quem os recentes jogos pelos ‘diables rouges’ devolveram confiança e retiraram ansiedade, assinou em Nicósia um momento de pura classe, ao correr 50 metros com a bola e só a soltar para entregá-la em bandeja de prata a Prestianni, que não falhou. A equipa antes do indivíduo.

ÁS
Patrick Morais de Carvalho
A reeleição de Patrick Morais de Carvalho como presidente do Belenenses traduz o apoio dos sócios ao caminho das pedras que o clube quis trilhar, e a confiança na capacidade do líder reeleito em levar os azuis do Restelo ao lugar no futebol nacional que é historicamente seu.

ÁS
Nuno Lopes
O mundo está, de facto, a ficar esquisito: a França é campeã do Mundo de hóquei em patins, batendo Portugal e a Argentina. Mérito dos gauleses, treinados pelo alentejano Nuno Lopes, onde evolui o clã Di Benedetto, Roberto, Carlo e Bruno, jogadores de Benfica, FC Porto e Oliveirense.

CAPA
O Príncipe de Rosário coroado nas Astúrias
Lionel Messi, que jogou com a Argentina três das últimas quatro finais do Campeonato Mundo, recebeu das mãos da sucessora ao trono de Espanha, Leonor, o prémio Princesa das Astúrias de 2026, na categoria de Desporto: um diploma, uma escultura de Joan Miró, um emblema e 50 mil euros. Em paz com a ‘albiceleste’, de que já se despediu, mantendo velocidade de cruzeiro em Miami, Messi está a viver uma pré-reforma feliz.

FOTOLEGENDA
INFANTINO
Escrevi-o durante a tormenta que se abateu sobre Gianni Infantino, por altura da abortada venda dos direitos sobre o Campeonato do Mundo, e o tempo parece dar-me razão: cada vez mais se perspetiva a reeleição do atual presidente da FIFA, com o conforto que os votos que lhe vão caindo no regaço lhe dão. Embora muitas das mais importantes Federações Nacionais, nomeadamente na Europa, estejam contra esta evolução na continuidade, a verdade é que, por um lado, Infantino vai recolhendo apoios para chegar aos 106 votos que precisa para ser reeleito; por outro, e as candidaturas devem ser apresentadas até 18 de novembro, não há rival à vista. Aliás, na história da FIFA apenas um presidente /candidato não foi reeleito: Stanley Rous, em 1974."

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - As explicações para o desaire do Sporting

Observador: E o Campeão é... - Rui Borges e o Sporting já encomendaram mais lenços brancos?

Ganhar nos Açores


"O Benfica joga hoje em casa do Santa Clara a contar para a Liga Betclic (18h45 de Portugal Continental). Este é o destaque na BNews.

1. Somar três pontos
Marco Silva sublinha o momento benfiquista e a qualidade do adversário: "A equipa está bem, confiante, depois de mais uma boa vitória na Liga Europa. Após a paragem, três jogos, três boas vitórias. O Santa Clara vai exigir um Benfica no máximo das suas possibilidades para podermos obter os três pontos, que é o nosso objetivo."

2. Sorteio da Taça de Portugal
O Benfica visita o Torreense nos 16 avos de final da prova-rainha do futebol português.

3. Bastidores
Do Estádio da Luz ao convívio com adeptos fervorosos em Ponta Delgada.

4. Estádio da Luz – 23 anos
A carta de Pizzi ao Estádio da Luz pelos 23 anos de história, emoção e evolução.

5. Assembleia Geral
Os sócios do Sport Lisboa e Benfica podem, através do Site Oficial, colocar questões de forma antecipada para a Assembleia Geral do Clube agendada para o próximo sábado, 31 de outubro.

6. Triunfo claro no dérbi
Em futebol no feminino, o Benfica ganhou ao Sporting, por 4-1, perante 9286 adeptos na Luz.

7. Últimos resultados (masculino)
Em andebol, derrota com o Marítimo por 28-27. Em basquetebol, vitória em Queluz por 72-89. Em voleibol, triunfo, por 3-0, ante a São Mamede. Em râguebi, frente à Académica, 37-28 a favor das águias. Em hóquei em patins, vitória por 2-5 na apresentação do SC Tomar.

8. Últimos resultados (feminino)
Em futsal, sucesso caseiro com a Novasemente (5-0). Em voleibol, vitória por 3-0 ante o SC Braga. Em râguebi, triunfo por 17-8 frente ao Sporting.

9. Últimos resultados (formação)
A equipa B empatou sem golos na deslocação ao Feirense. Os Sub-23 perderam por 4-3 em Braga. Os Juniores empataram 0-0 no Casa Pia. Os Juvenis triunfaram por 0-3 no reduto do Sporting. Os Iniciados ganharam por 2-1 à Académica de Santarém.

10. Campeões do mundo
Aimée Blackman, por Espanha no feminino, e Roberto Di Benedetto, por França no masculino, falam das conquistas dos mundiais de hóquei em patins dos respetivos países em entrevista à BTV.

11. Chamadas internacionais
Arthur e Cléber Souza estão convocados pela seleção brasileira de futsal. 

12. Mundial de maratonas de canoagem
Fernando Pimenta alcança o bronze em K1 short race.

13. Dia especial no adidas Benfica Campus
101 jovens dos Centros de Formação e Treino do Benfica passaram o dia no adidas Benfica Campus.

14. O sonho da Miriam
Uma iniciativa do Futebol Feminino e da Fundação Benfica.

15. Benfica Faz Bem
Veja a nova série da BTV dedicada aos projetos da Fundação Benfica, com o Benfica Faz Bem em destaque no primeiro episódio.

16. Casa Benfica Resende
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 25.º aniversário."

Torreense


Como vai sendo tradição, o Sorteio da Taça de Portugal foi mais uma vez madrasto. Enquanto 'outros' defrontam equipas de escalões bem inferiores praticamente até aos Quartos-de-final, o Benfica terá um caminho com equipas da II Liga, que basicamente têm plantéis praticamente iguais aos plantéis das equipas da metade de baixo da I Liga!!!

Vamos a Torres Vedras, os actuais detentores da Taça, que já provaram várias vezes que são especialistas a jogar com bloco baixo, muito baixo mesmo, e aproveitar as transições. Com o calendário que o Benfica tem, e com a quase obrigatória rotação que o Benfica tem que fazer nestes jogos, a qualificação não está assegurada!!!

Em caso de vitória, recebemos na Luz, o vencedor do AFS-Tondela.

ESPN: Futebol no Mundo #643 - REAL MADRID VENCE O BARCELONA, UNITED EM CRISE COM CARRICK E MUITO MAIS!

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

BI: Antevisão - Santa Clara

DAZN: The Premier League - Jornada 8 - Golos

Zero: Ataque Rápido - S09E14 - Sporting em ruínas, FC Porto com muralhas

Feira dos Três - Feira da Bola #4 - ⚽ Falta muita liderança no Sporting

Rui Borges anula-se e anula o Sporting, na dimensão… ‘leonina’


"Francesco Farioli, treinador do FC Porto, está nas ‘bocas do Mundo’ por ainda não ter conseguido qualquer ponto na Champions, mas ainda há uma diferença entre o Manchester City, o Bétis e o PSV e, com todo o respeito, os adversários do Sporting, Galatasaray, Lens e Lask Linz. Este facto atenua os efeitos da carreira muito negativa de Farioli, na sua época de estreia na prova mais importante de clubes, na UEFA? Não! Porém, Farioli tem ‘skills de liderança’. Rui Borges, não.

1. O treinador do Sporting acumula até ao momento 18 jogos na Liga dos Campeões, chegou aos quartos-de-final da prova na época passada (o que lhe terá custado, provavelmente, o campeonato, aliás, como chegou a dizer Frederico Varandas, criticando a gestão do seu treinador na abordagem às duas provas) e, neste momento, sem esquecer que na sua estreia na Champions foi eliminado pelo Borussia Dortmund (com um total de 0-3) no respetivo ‘playoff’, regista 44,4% de vitórias, entre as quais o triunfo, já em Janeiro deste ano, frente ao PSG, que já ostentava na altura o título de campeão europeu conquistado em 24-25 e revalidado em 25-26.

2. Rui Borges não é um treinador consensual em Alvalade, porque tem ido do céu ao inferno muito facilmente. Agarra-se e bem, valorizando-a, a ‘dobradinha’ que conquistou há duas temporadas, depois de substituir João Pereira, após o ‘período de ouro’ de Ruben Amorim, durante o qual conquistou cinco títulos para o Sporting (2 campeonatos, 2 Taças da Liga e uma Supertaça), devolvendo aos ‘leões’ uma dinâmica de vitória que não conhecia há 19 anos.

3. Quando Rui Borges, oriundo do Vitória, chegou a Alvalade, o Sporting estava a 1 ponto atrás do Benfica, mas Amorim tinha deixado os ‘leões’ com 6 pontos de vantagem sobre o FC Porto e 8 sobre o Benfica, vantagem essa que João Pereira desperdiçou, com 4 desaires consecutivos (na Champions e na Liga), que determinaram então a decisão de Frederico Varandas (crente na solução João Pereira) em substituí-lo por Rui Borges.

4. O ‘pereirismo’ durou pouco, porque era algo, como dizer?, escanifobético, um choque de conceitos, entre aquilo que era a marca impressiva do futebol de Ruben Amorim e a tentativa de João Pereira de introduzir algumas variantes que pudessem fazer luzir a marca de um treinador sem experiência alguma nestas andanças, e, na altura, Rui Borges teve a inteligência de puxar a fita atrás, recuperar algumas das dinâmicas que haviam tido êxito e, só depois de recuperar a lógica de sucesso, arriscar a colocar a sua própria ‘marca’ no futebol do Sporting.

5. Não é uma marca ‘impressiva’, porque o Sporting alterna bons jogos com maus jogos e uma equipa que quer ser dominante no campeonato português não pode perder 6 pontos em 8 jornadas, sobretudo com adversários de menor valia, como o são o Est. Amadora, o Famalicão e o Arouca (em casa). Três empates em jogos em que Rui Borges esteve a ganhar e perdeu a vantagem, sendo que na partida com o Estrela e com o Arouca chegou a estar a ganhar por 2-0 e o treinador ficou completamente ‘nas covas’, como se costuma dizer. Houve, por isso, ‘lenços brancos’ em Alvalade e neste último jogo com o Lask Linz o Sporting voltou a estar em vantagem mas perdeu-a, porque Rui Borges não estudou bem a equipa austríaca (ou pelo menos não soube passar aos jogadores a forma como o Lask habitualmente joga, muito na pressão) e só conseguiu um último fôlego nos minutos finais, que lhe valeu reduzir o 1-3 para o 2-3 final, deixando em carne viva muitas insuficiências, sobretudo no momento das transições defensivas, para além do facto de ter mexido muito tarde na equipa.

6. Rui Borges voltou a mostrar que não é líder. Não estão em causa a sua honestidade intelectual e a humildade que vai mostrando aqui e ali, com alguns assomos de defesa da honra que habitualmente lhe saem mal, como se viu recentemente; está em causa o discurso pobre, a falta de determinação em tudo aquilo em que se envolve, seja na forma como lida com os inêxitos da equipa, seja pela forma como (não) comunica.

7. O Sporting não tem um líder no banco, não tem um líder dentro do campo, nem na baliza, nem na defesa propriamente dita, nem no ‘miolo’, nem mesmo no ataque. O Sporting chegou a ter Coates (que saiu em 2024), perdeu um líder de um carisma raro já este ano (Hjulmand), que aliás sucedeu ao central uruguaio. O último jogador português que, no (co)mando, fazia sentir a sua influência dentro do campo foi Bruno Fernandes, que tem confirmado, aliás, as suas características de líder.

8. Repare-se no plantel atual: Rui Silva não é líder, nem Eduardo Quaresma nem Gonçalo Inácio têm perfil de autênticos líderes, no meio-campo Altimira tem características mais próximas de um ‘patrão’ mas não as assume (nem verbalmente) e, na frente, Luís Suárez é muito competitivo, mas está demasiado virado para si próprio, é um excelente jogador, mas não só já desrespeitou gravemente o Sporting como é um atleta demasiado ríspido e rude na sua relação com os adversários e com as equipas de arbitragem e, quando assim é, afasta-se da condição de líder. Acredito que, pela sua bonomia, Rui Borges possa conhecer aquela tolerância mínima junto de um balneário muito jovem e, quando teve de lidar com uma situação potencialmente fraturante, com Luís Suárez, preferiu uma atitude conservadora. Recuperou o jogador, é certo, mas não sei até que ponto, num balneário mais maduro, recuperaria o respeito dos seus comandados.

9. Rui Borges pode queixar-se de uma transformação profunda no plantel do Sporting. É um facto. Perdeu (para além de Quenda, que já era perda adquirida) Hjulmand, Francisco Trincão, Diomande, Pedro Gonçalves, Morita e Daniel Bragança, mas a SAD fez um esforço apreciável para lhe dar jogadores capazes de constituir uma equipa competitiva e ganhadora. O Sporting contratou Zalazar por um valor que continuo a achar absurdo (30M€), foi buscar Altimira que é um atleta interessante mas não é um Palhinha; e adquiriu Ibrahima Ba (lesionado) para a defesa, Issa Doumbia para o meio-campo, assim como Silas Andersen e Pedro Lima e, para o ataque, Irankunda e Jesse Derry (emprestado pelo Chelsea), sem esquecer Kaique para fazer concorrência ao guarda-redes Rui Silva, a oscilar tanto como a própria equipa no seu todo. Na pré-época, nos jogos particulares, vi Doumbia, Altimira, Silas Andersen e Zalazar praticarem um futebol muito interessante e com um grau de entrosamento muito raro para quem acabara de se encontrar. Essa manifestação de qualidade criou a ilusão de que as saídas haviam sido compensadas. Hoje, a visão é outra. Os jogadores são bons (estes quatro, pelo menos, têm qualidade para jogar mais e melhor) mas já tenho muitas dúvidas de que algum dos reforços seja melhor do que aqueles que saíram. Uma coisa é certa: Doumbia está muito mal aproveitado, Altimira pode dar muito mais, assim como Silas Andersen e Zalazar. Irankunda é uma boa surpresa, mas o que se está a fazer com Flávio Gonçalves (que potencial!) também ninguém entende. Está a jogar bem? Sai.

10. … E voltamos ao tema da falta de liderança de Rui Borges. Há um défice de andamento, os jogadores têm de ser mais determinados nos duelos, a intensidade tem de subir os níveis, a pressão tem de ser maior, nomeadamente sobre o portador da bola adversário e, numa palavra, Rui Borges tem de acordar. Esta coisa de parecer que no Sporting está tudo bem ou que é preciso melhorar parece coisa dos anos 80. Rui Borges precisa de refazer as suas lógicas e, se não o fizer, Frederico Varandas tem de fazer alguma coisa, se quer voltar a ser campeão. Ou também vai ficar agarrado à ideia dos ‘ciclos’ e que ganhar não é tudo?!…

EXAME
IURI LEITÂO
19
Segundo titulo mundial do ciclista de pista. Grande atleta!

VICENS
7
Sai de Braga sem história

FARIOLI
6
Incrível como viu jogar o PSV e ainda achou que a sua equipa esteve bem…

FPF
0
Castigo a Cristiano Ronaldo: a multa (255€) foi glosada em todo o Mundo…"

As regras a quem as trabalha


"Comparar os casos de Ricardo Carvalho e Cristiano Ronaldo parece óbvio, mas não é. Foram tratados de forma diferente logo após sucederem e isso torna-os iguais apenas no ponto de partida

Ainda o caso do castigo de Cristiano Ronaldo pelo abandono da Seleção Nacional: comparar o agora sucedido com o que aconteceu a Ricardo Carvalho em 2011, em situação muito semelhante, é não só irrelevante como, sobretudo, injusto. Porque os pressupostos de atuação definidos pela Federação Portuguesa de Futebol não foram os mesmos, o que transforma os dois casos em duas realidades perfeitamente distintas.
Quando Ricardo Carvalho abandonou o estágio de Óbidos, prevaleceu o — então em vigor — regulamento interno das Seleções Nacionais. A Direção federativa, liderada ao tempo por Gilberto Madail, chamou a si a resolução do diferendo, abdicou de participação ao Conselho de Disciplina (embora o próprio regulamento a previsse) e tomou a decisão de suspender Ricardo Carvalho por um ano, bem como retirar-lhe os prémios relativos ao apuramento para o Euro 2012.
Na realidade não foi uma suspensão, foi um acordo de cavalheiros assumido na altura pelas três partes: Direção, jogador e Paulo Bento, o selecionador. Claro que Paulo Bento não voltou a chamá-lo, mas o objetivo, aqui, não é tecer juízos de valor — nem sobre as opções dos selecionadores nem sobre a forma como as direções, com 15 anos de diferença, resolveram abordar os problemas.
O importante é voltarmos a perceber que quem julga este tipo de casos (e os outros todos) rege-se por regulamentos que, no caso muito particular do desporto e do futebol, são elaborados pelos seus próprios agentes.
O regulamento disciplinar previa a possibilidade de suspensão de Cristiano Ronaldo até seis meses. As atenuantes, previstas no mesmo, transformaram-na em 30 dias. Já agora, fiquemos a saber que o regulamento em vigor no tempo de Ricardo Carvalho previa um máximo de três meses.
Na altura a Direção agarrou o caso, agora ele seguiu os trâmites normais. É tempo de nos deixarmos de teorias da conspiração."

A Bola Não Mente - S02E09 - Lesões duras, reações exageradas e costoletas de borrego