Últimas indefectivações

terça-feira, 28 de maio de 2019

Lá longe, Jaime Graça...

"Era campeão no campo e na vida. Talvez lhe tenham chegado, ecoando nas caudas dos cometas, os gritos felizes de benfiquistas em festa. Mas, mais do que isso, esteve em campo, no Estádio da Luz. Porque a memória e o reconhecimento também são uma das imagens indeléveis dos grandes campeões.

Ainda há ecos da festa. Ainda há pessoas pelas ruas vestidas de camisolas vermelhas. Orgulhosas. Triunfantes.
O mesmo tom de vermelho que Bruno Lage envergou quando vestiu, por cima do seu habitual traje negro, a camisola de Jaime Graça.
A última vez que encontrei o Jaime foi à porta do Seixal. Não me recordo do motivo. Ou nem sequer o houve. Foi apenas cruzarmos-nos, trocar palavras, ouvi-lo durante uns minutos porque valia sempre a pena ouvir o que ele tinha para dizer.
Bruno Lage não esqueceu Jaime Graça no momento mais feliz da sua carreira.
Sejamos correctos: ninguém que foste de futebol pode esquecer Jaime Graça.
Era um tipo baixinho, cheio de energia, ele que antes de se estrear pelo Benfica já era o Jaime Graça de Portugal, titular da selecção nacional no Campeonato do Mundo em Inglaterra, em 1966, lado a lado com Coluna, acabado de assinar contrato, vindo do Vitória de Setúbal.
Era um daqueles jogadores que não deixavam dúvidas. Técnica requintada, um bulício contínuo de dobadoira, acorrendo a todos os espaços que corriam o risco de se tornarem potenciais focos de perigo para a sua equipa, passes certeiros, desequilibrantes.
Ah! Não. Jaime Graça não enganava! Ele que nasceu no mesmo ano que Eusébio, 1942, em Setúbal, origens de gente trabalhadora, sem dinheiro, irmão de Emídio, que também jogou no Vitória, emérito de stick nas mãos, no hóquei em patins. A malta dizia. 'Jogava de caras no Barcelona!' Ganhou a alcunha de Catalunha.
Jogava de caras no Barcelona. No hóquei e no futebol.
Jogou de caras no Benfica.
Jaime, o baixinho Jaime enorme Jaime. Tinha para aí uns 36 pulmões, acreditem.

Campeão na vida!
Não sei o que existe para lá da planície da eterna saudade. Ainda não chegou a hora de ter esse conhecimento infinito. Sei que aí, no lugar onde anjos-meninos dão pontapés certeiros na empaturrada imagem deste mundo, como escreveu uma vez Torga, o Poeta da Montanha, ele se entretém a observá-los e a apontar, sem dúvidas, aqueles que poderiam jogar a seu lado no Benfica da imensidão do tempo: Coluna, Eusébio, Torres... Eles também por lá, a seu lado.
Jaime Graça, percorreu o Estádio da Luz na camisola de Bruno Lage.
Mais uma vez foi campeão.
Campeão em cima dos sete campeonatos que somou enquanto por cá esteve.
Campeão que fez um golo numa final da Taça dos Campeões, contra o Manchester United.
Campeão quando, em Dezembro de 1966, salvo a vida Malta da Silva e de Eusébio no acidente com o sistema de hidromassagem que ditou a morte de Luciano.
Diria simplesmente: 'Percebo algumas coisas de sistemas eléctricos. Trabalhei nisso quando era miúdo'.
Não salvou o infeliz Luciano, de Olhão, mas havia certamente um deus qualquer a iluminar a sua serenidade naquele momento trágico.
Não basta apenas ser campeão no campo da relva, com balizas em cada ponta: é preciso ser-se campeão na vida!
Jaime Graça foi um campeão da vida e, lá longe, onde se calhar os gritos felizes de benfiquistas felizes ressoam nas caudas dos cometas, não deixou de ver, com o orgulho paternal de homem sincero, Bruno Lage vestir a sua camisola e ir, com ela, receber ao pescoço a medalha dos campeões.
Já no meio-campo era assim: via tudo. Adivinhava o futuro imediato da progressão da bola, pressentia o pensamento dos adversários, lançava sobre os companheiros mensagens silenciosas, desbravando-lhes caminhos, como se tivesse o dom da telepatia,
O tempo já passou sobre a morte do Jaime. Tinha 70 anos e encantou-se, para usar a expressão maravilhosa de Guimarães Rosa - 'A gente não morre. Fica encantado'. E dois dias depois de a ter proferido, encantou-se.
Jaime Graça está lá longe, encantado. Ou, se calhar, está aqui bem perto, vivendo no conforto da alma de um jovem que se chama Bruno Lage e que está no caminho certo para se tornar um campeão da vida..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Tudo a postos

"Faltam 34 dias para o plantel principal do Benfica voltar ao trabalho, mas há já bastante tempo que estão definidos os pilares essenciais da pré-temporada 2019/20.
Datas dos exames médicos, data do primeiro treino, data dos primeiros jogos particulares em Portugal e datas – essas conhecidas desde o final de Março – dos três jogos que o campeão nacional vai realizar no âmbito da International Champions Cup.
Na Luz, a 11 de Julho, o Benfica fará a apresentação para a nova época. Dois dias depois, a 13, jogo no Estádio Municipal de Coimbra, frente à Académica. Segue-se então, no dia 15, a partida para os Estados Unidos e os compromissos frente a Chivas (20), AS Roma (24) e AC Milan (28).
Está tudo a postos, pois, para o regresso ao trabalho, com todos os passos programados até praticamente ao dia em que o Benfica irá começar a competir oficialmente – que será na discussão da Supertaça, frente ao Sporting, no primeiro fim de semana de Agosto.
É difícil imaginar – para não dizer que é impossível – um nível de programação superior a este. A capacidade de organização, o detalhe, o método e o rigor também ajudam a fazer a diferença. Como lembra o título de um famoso livro de gestão desportiva, ‘A Bola Não Entra Por Acaso’...

PS: A renovação de Pizzi, ontem anunciada, foi uma excelente notícia para todos os Benfiquistas. O MVP da Liga 2018/19 ampliou a sua ligação ao clube até 2023, ficando assegurada por mais 4 anos a permanência de um dos pilares do plantel de Bruno Lage e peça essencial no equilíbrio entre os talentos da formação e os jogadores mais experientes."

Os homens do título: Samaris

"Começou como proscrito, atrás de Alfa Semedo na cadeia alimentar do plantel do Benfica. Mas com a chegada de Bruno Lage e a lesão de Fejsa, Andreas Samaris voltou ao onze para nunca mais sair. 

Seguramente um dos grandes beneficiados com a entrada de Bruno Lage. Com Rui Vitória, entre os jogos em que nem sequer era convocado, os que não saía do banco e os que entrava uns minutinhos, Andreas Samaris jogou seis minutos no campeonato, sendo preterido na sua posição a favor de, por exemplo, Alfa Semedo, que nem sequer acabou a temporada no plantel encarnado.
Com a lesão de Fejsa no início de 2019, poucas semanas após a chegada de Bruno Lage, Samaris pegou de estaca no onze e não falhou nem mais um jogo, nem mesmo após a recuperação do sérvio - foi titular no difícil encontro em Guimarães, na 18.ª jornada e ganhou desde logo o lugar. Líder dentro do campo e no balneário, a grande segunda metade da época valeu-lhe uma renovação de contrato que com certeza não esperaria nos primeiros meses da época.
Em 1410 minutos no campeonato, divididos em 19 jogos, Samaris marcou dois golos e deu três assistências a companheiros, oferecendo ainda mais 14 passes para finalização. Rematou 13 vezes à baliza, com uma taxa de conversão de 15,4%.
Na defesa, o grego teve 50 acções no 1.º terço do terreno, mais 44 no terço intermédio e 8 no último terço. Destacou-se no número de desarmes: 39. Em termos de comparação, Rúben Dias, que tem mais 13 jogos no campeonato que Samaris, tem um total de 44 desarmes. Dos 39 desarmes, 28 foram completos, aos quais juntou ainda 18 intercepções, 13 bloqueios de passe e mais dois a remates adversários.
Alívios foram 30, 19 deles de cabeça e 25 deles dentro da área. O internacional grego provocou ainda dois foras de jogo a adversários e recuperou qualquer coisa como 117 bolas.
Por tudo isto, a renovação de Samaris até 2023 foi festejada pelos adeptos como se de uma taça se tratasse."

O incansável Januário Barreto

"Jogador, presidente do Clube, médico e activista republicano: Januário Barreto ficou conhecido pelos vários talentos e altruísmo

No final do século XIX, havia um desporto que estava a contagiar as camadas populares de Belém: o futebol! Entre os jovens que ficaram rendidos às brincadeiras com a bola estava Januário Barreto, um nome que perduraria na história da modalidade e do Sport Lisboa e Benfica.
Januário Barreto, natural da Covilhã e órfão de pai, era aluno da Casa Pia de Lisboa, 'onde revelou desde logo uma superior capacidade intellectual e uma notável applicação', e reza a história que, com um outro colega, introduziu o futebol nesta instituição. Poucos anos depois, ingressou na famosa equipa de 1897 que venceu o invencível conjunto inglês, o Carcavellos Club.
Este brilhante aluno formou-se em Medicina, tornando-se conhecido pelo 'seu tacto medico e pelo carinho com que tratava os doentes, sem exceptuar os das casas mais pobres, a quem se consagrava com tamanho interesse como se lhe retribuíssem generosamente os serviços. Era no Bairro Alto, sobretudo, que elle mais exercia essa clínica gratuita, toda abnegação e humanitarismo'.
Fiel aos seus valores colaborou na Associação do Bem, fundada por ex-alunos da Casa Pia de Lisboa, entre os quais Cosme Damião. Esta tinha o objectivo humanitário de ajudar antigos alunos desta instituição que estivessem a passar por dificuldades.
Januário Barreto, nas 'horas vagas da sua profissão, dedicou-se ao «sport»'. Integrou a equipa de futebol da Associação do Bem e, depois a do Sport Lisboa, tornando-se no primeiro presidente eleito do Clube, em 1906. Foi, também, presidente da Liga Portugueza de Foot-ball, precursora da Associação de Futebol de Lisboa.
Activista republicano, 'tendo prestado relevantes serviços ao partido republicano e que era um dos mais prestimosos membros', não chegaria a ver a implantação da República. A sua morte prematura, a 23 de Junho de 1910, com apenas 33 anos, chocou o país, deixando a viúva a Dr. Carolina Beatriz Ângelo, 'uma médica como elle egualmente ilustre, e que fôra sua condiscípula', e que ficaria célebre por ter sido a primeira mulher a votar em Portugal.
Pode conhecer mais sobre esta figura incontornável da história do Clube na área 28 - Homens do Leme do Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

Conquistar, decidir e afundar

"Conquistar
Conquistar já não tem desde há muito o significado bélico que no tempo do fascismo ensinavam aos alunos na escola. No entanto, Game of Thrones, ou, em português, Guerra dos Tronos, é das séries de televisão com maior audiência.
Isto só vem provar que se mudam os nomes, mas não se mudam as vontades!
Existe em todos nós uma vontade de sermos 'agradecidos e recompensados', pelo que consideramos os nossos méritos, que na maioria das vezes não o são.
No momento em que escrevo este artigo, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) considerou que as classificações dos árbitros e árbitros assistentes da I Liga e II Liga em 2017/18 são ilegais. Ora, desconhece-se o citado acórdão salvaguardou efeitos jurídicos já produzidos, nomeadamente que os árbitros que agora viram a sua classificação mudada não tinham competência para arbitrarem jogos que entretanto apitaram.
Este tipo de preservação de efeitos jurídicos é um principio jurídico universal, e por isso espera-se que o mesmo tenha sido salvaguardado. É que, caso não o tenha sido, podemos ter aqui um problema quanto ao nosso título, que foi obtido de forma totalmente legítima, justa e merecida. E os 'lobos' espreitam tudo para comer a carne!
A conquista do 37.º título por parte do SL Benfica deverá resultar num encaixe de, pelo menos, 70 milhões de euros, com a entrada directa na Liga dos Campeões, a verba relacionada com o mercado televisivo de cada clube, aumento da receita de bilheteira e de marketing, assim como os contratos comerciais e de patrocínio.
(...), as receitas do Benfica desde 2009/2010 até 2017/2018.
(,,,), apenas as receitas dos prémios das competições europeias. A melhor época foi 2015/2016, e a pior foi 2008/2009. Não temos ainda dados da época 2018/2019.
Se o melhor resultado até agora foi na ordem dos 35 milhões de euros, e se a previsão para a époac de 2019/2020 é de 70 milhões no mínimo, acho que está tudo dito.

Decidir
Decidir nos tempos que correm é realmente das coisas mais difíceis de fazer.
Ele é porque surge logo uma chuvada de críticas, que criticam não sabem bem o quê, ele é pelos anticorpos que se criam pela mais pequena coisa, gerando imediatamente reacções de ódio e inveja, seja mesmo pela estupidez humana, que entre outros encontramos bem explicada no livro História Natural da Estupidez!
Por essa razão, sempre admirei quem tem os ditos no sítio para tomar decisões e, mais corajosamente ainda, para assumir que as tomou e dar a cara por essas decisões.
Um decisor sabe que ao tomar uma decisão arrisca toda a sua vida e a sua credibilidade, mas em nome da instituição toma-a, obviamente pensando ser a mais acertada, e a verdade é que foi mesmo.
É bom que ninguém esqueça quem teve coragem de assumir decisões e enfrentar oposições dominadas pelo ódio e pela inveja e, claro está, pela estupidez. É bom que ninguém esqueça que quando um navio se está a afundar, existe um comandante que fica lá, para tentar salvar o navio. É bom que nenhum de nós tenha memória curta e veja o que tem vencido nestes anos todos pelo facto de ter um comandante com 'eles no sítio'! Esquecer é feio, muito feio, para não dizer estúpido!

Afundar
Sabem o que é afundar?
Não, não é o que os basquetebolistas costumam fazer quando saltam para o cesto. É antes um grande clube português ter de ficar sem meio plantel para poder cumprir o financional fair play. Isso é que é afundar!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Benfiquismo (MCXCIII)

Mural...

Pizzi 2023



O Pizzi, tem tudo para no final da carreira ser uma lenda do Benfica. Eu que continua a ter muitos haters nas bancadas e nos sofás, mas isso também o Nené tinha!!!

Rúben Dias...

Estratégia vencedora

"O título de campeão conquistado esta época pelo Sport Lisboa e Benfica consolida a hegemonia do nosso clube no futebol português em que nos últimos seis anos conquistámos cinco campeonatos. Premeia a visão estratégica hoje tão reconhecida de que valeu a pena a aposta na formação como prioridade. E representa um início de um novo ciclo, em que surgimos com uma estabilidade, ambição e rumo que tem na afirmação europeia o nosso principal objectivo.
Este título é justo, indiscutível e premeia uma segunda volta absolutamente extraordinária, com vitórias no terreno de todos os outros principais rivais. Em que batemos o nosso mais directo competidor nos dois confrontos, ganhámos cinco e empatámos 1 dos seis jogos com FCP, SCP e Braga, igualámos a maior marca de sempre de golos marcados pelo nosso clube, a saber 103 golos, tivemos o melhor goleador da competição, Seferovic com 23 golos, e marcámos mais 29 golos que o segundo classificado, tudo isto partindo de uma desvantagem de 7 pontos. É obra!
Este título é também a vitória da verdade desportiva, como reconhecem todos os analistas independentes face aos benefícios que outros amealharam em pontos por erros claros de avaliação.
Mas o 37.º título conquistado pelo Sport Lisboa e Benfica ficará também marcado pela simbiose perfeita que houve entre os nossos milhares de sócios, adeptos e simpatizantes (incansáveis no apoio à equipa e que fizeram desta caminhada uma enorme demonstração do que é o amor ao Benfica), os jogadores e o jovem treinador que a partir do meio do campeonato assumiu a liderança da equipa e que ficará para sempre ligado a esta conquista, Bruno Lage.
Aposta certa, no momento certo, Bruno Lage assumiu com coragem a aposta no lançamento dos jovens talentos formados no Seixal como peça nuclear de toda a estratégia de afirmação do modelo de jogo que quis implementar, criando uma autêntica revolução de frescura e juventude na equipa, na conciliação perfeita com outros valores já consolidados. Uma aposta que nos permite estar hoje a festejar uma vitória no presente, mas também ter uma enorme estabilidade e ambição quando olhamos para o futuro.
Que esta época sirva de lição de que na vida não vale tudo. Que os tempos mudaram e que é uma ilusão pensarem que podiam ganhar simplesmente usando os antigos métodos de pressão e ameaça sobre agentes desportivos. Aos ataques mais ignóbeis que sofremos, respondemos nos locais certos e com a elevação de sempre. E o mar vermelho e paixão com que em Portugal, na lusofonia e e todo o mundo se festejou este título foi a melhor demonstração de que os momentos difíceis só serviram para nos tornar mais unidos, fortes, determinados e ambiciosos.
E vencendo jogo a jogo no último local onde sabemos como o fazer, que é dentro do campo e com verdade desportiva.
A reconquista foi consumada."

Luís Filipe Vieira, in A Bola

O Benfica e os novos ventos da história

"O Benfica chega ao 37.º título de campeão nacional numa fase de aparente recuperação da hegemonia do futebol português, depois de um longo período de domínio do FC Porto.
Bastará uma análise simples e objectiva para apoiar esta tese. Nos últimos 25 anos, o FC Porto venceu 14 campeonatos; o Benfica oito; o Sporting dois e o Boavista 1. Nos campeonatos do século XXI, já a diferença entre FC Porto e Benfica diminui consideravelmente: o FC Porto venceu 10, o Benfica 7, o Sporting e o Boavista 1, cada. Porém nos últimos seis campeonatos, o Benfica venceu 5 e o FC Porto apenas 1, título este conseguido na época passada e que veio interromper uma série de 4 campeonatos consecutivos do Benfica.
Parece, pois, haver por parte do Benfica um padrão sólido de reconquista, não apenas de um título de campeão nacional, mas de uma posição cimeira no futebol português.
A dúvida que, eventualmente, pode ainda subsistir advém do facto do FC Porto, esta época, ter chegado a ter o título nas mãos, especialmente na altura em que chegou a uma vantagem confortável de sete pontos, o que leva muitos analistas a admitir que o mérito do título deste ano, por parte do Benfica, assentou, também, no demérito do FC Porto.
Seja como for, este é o campeonato que consagrou as duplas. Em primeiro lugar, à frente de todas, a improvável dupla Vieira-Lage. A escolha do jovem treinador foi decisiva e, aí, o mérito começa, evidentemente, em quem o escolheu e em quem apostou num jovem sem experiência de futebol maior. Por causa desse jovem nasceram outras duplas determinantes: na defesa, Rúben-Ferro, no meio-campo, Gabriel-Samaris, na frente, João Félix-Seferovic.
Lage não foi, apenas, um factor essencial na mudança de estilo, de atitude competitiva, de consagração de um futebol com outro ritmo, com outra dinâmica e, sobretudo, com outra mentalidade; Lage foi, também, um atrevido sensato. Juntou a irreverência de um jovem ao conhecimento que só a maturidade parece poder proporcionar. Por isso, Lage descomplicou a vida difícil a que o Benfica parecia condenado. Não se acomodou a nomes, a idades, a estatutos. Trouxe juventude, inovou, transformou, diria que, por vezes, revolucionou e tudo isso sem perder identidade, sem perder unidade, sem perder a confiança do balneário.
Luís Filipe Vieira será o homem da mudança, o homem dos novos ventos da história do futebol nacional. Lage será o herói improvável que chegou num quadro generalizado de interrogações e dúvidas, assumiu a responsabilidade e virou a equipa do avesso, reinventando-a e levando-a a comportar-se como um verdadeiro campeão."

Vítor Serpa, in A Bola

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Não é já tempo de se entenderem?

"Estamos na antecâmara de mudanças profundas nas competições da UEFA e corremos sérios riscos de ficar fora da primeira classe

A festa da Taça de Portugal marcou o fim de semana cheia de picardias que não engrandecem o futebol português. Haverá alguma razão que nos leve a pensar que a temporada que agora vem será diferente, para melhor? Os sinais não são muitos animadores e os clubes não parecem preparados para desmobilizar os franco-atiradores que, entre jogos, incendeiam o ambiente. Sendo verdade que no discurso de Bruno Lage e na forma elevada como Frederico Varandas esteve na Tribuna do Jamor, podem ser vistos alguns sinais de esperança, fará falta que mais protagonistas se juntem à causa, aceitando que em cada fim da época só pode haver um campeão.
É certo que nunca, como agora, no futebol português, houve tanta necessidade de conquistar o título, não só pela honra, mas também pelo acesso a uma plataforma milionária que dá pelo nome de Champions. Para quem fica de fora desses milhões, torna-se difícil encontrar argumentos para competir ao mesmo nível de quem participa, e daí à radicalização do discurso e demais desproporções, vai apenas um pequeno passo.
Também por tudo isto, é urgente acelerar, entre nós, o processo de centralização dos direitos televisivos, forma usada em toda a Europa e garante de um rendimento mínimo capaz de promover algum equilíbrio na competição.
Na actual fórmula, os clubes que menos recebem em Portugal, arrecadam menos dez vezes do que os emblemas em iguais circunstâncias em Espanha e menos vinte e cinco vezes que os mais mal pagos na Premier League.
Em vez de se andarem a ofender, directamente ou por interpostas pessoas, os clubes nacionais deviam era encontrar plataformas de entendimento que criassem um colectivo forte, que pudesse alavancar uma indústria que é tratada, se calhar por ser do futebol, ao pontapé. Não é a primeira vez que, neste espaço, lanço um apelo ao bom senso e à racionalidade. Até agora, foi como se estivesse a pregar aos peixes. Mas chegará o dia em que a situação irá estar de tal forma degradada que não haverá alternativa no entendimento. Mas, quando isso acontecer, corremos o seríssimo risco de ser tarde demais. Até parece que não estamos na antecâmara de mudanças muito profundas nos quadro competitivos da UEFA, onde corremos o risco de não ter lugar em nenhuma das carruagens da primeira classe. Acreditem, que é verdade!

O descontrolo emocional de Sérgio Conceição
«A questão aqui são formas de estar, valores e educação diferentes...»
Frederico Varandas, Presidente do Sporting
A época do treinador do FC Porto foi dura e emocionalmente desgastante, com frentes de batalha internas e externas que acabaram por fazer mossa. Uma semana depois de ter-se envolvido numa confusão com o guarda-redes do Sporting, no último sábado deixou o presidente dos leões de mão estendida. As férias chegam na altura certa, para Sérgio arrefecer a cabeça.

Valência em grande
Depois de uma época marcada por uma enorme inconsistência exibicional, o Valência recuperou sobre a meta, garantiu o quarto lugar de La Liga, que lhe abriu as portas da fase de grupos da Champions, e fechou em festa, em Sevilha, ao derrotar o Barcelona na final da Taça do Rei, utilizando quatro jogadores com ligação ao futebol português, Gonçalo Guedes, Garay, Rodrigo e Piccini. Já o Barcelona, que foi ao tapete em Anfield, nunca mais foi o mesmo, arrastando-se em modo zombie, a sugerir que o tempo de Valverde está esgotado.

Os Raptors depois dos Maple Leafs e Blue Jays
Pela primeira vez, uma equipa canadiana de basquetebol atinge a final da NBA, proeza que coloca os Raptors na senda das outras equipas de Toronto, os Maple Leafs, do hóquei no gelo e os Blue Jays do basebol, já campeões da América do Norte. Seguem-se os Warriors, último obstáculo ao sonho maior..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Não aposto nem um cêntimo

"O dragão João Pinto é que a sabia toda quando disse que «prognósticos só no final dos jogos». Como será 2019/2020? Digo-o em Maio de 2020

Prognósticos só no final do jogo, disse um dia o dragão João Pinto. E tinha razão. Fazer previsões no futebol, sobretudo a longo prazo, é como tentar adivinhar os números do Euromilhões: costuma dar mau resultado. Em 2001 e 2002, na ressaca da passagem de Vale e Azevedo pelo Benfica, quando a equipa de futebol ficou em 6.º e 4.º lugares, respectivamente, muitas vozes negras se ergueram: «Não será campeão nos próximos fez anos!». Três épocas depois, como se sabe, se bem que na mais miserável época de um campeão nacional (65 pontos em 34 jogos), o Benfica venceu o Campeonato.

Oito anos depois, em 2013, o Sporting caiu mais baixo do que alguma vez se pensara ser possível: 6.º lugar na Liga. O clube estava sem dinheiro e a equipa de futebol tinha nomes como Pranjic, Boulahrouz, Fokobo, Viola, Rubio ou Jeddrén. As mesmas vozes que tinham pronunciado a queda do Benfica em 2001 e 2001 reapareceram: «O Sporting caiu tão baixo que nunca mais voltará a ser o que foi». Três anos depois, perderia o Campeonato por apenas dois pontos. E desde a queda de 2013 ganhou duas Taças de Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça. Pouco para um clube da dimensão histórica do Sporting, imenso para quem batera no fundo dos fundos dos fundos.

Porém, como se sabe que acontece no Sporting,  fundo dos fundos nunca é o fundo. Há sempre um fundo para lá do (alegado) último fundo. E este chegou a 15 de Maio de 2018: o fundo dos fundos dos fundos dos fundos. «Nunca mais voltarão a lutar por algo grande», lançaram as mesmas vozes proféticas. Os leões tiveram, de facto, meses difíceis pela frente. Basta lançar alguns nomes para o recordarmos: Bruno de Carvalho, Sinisa Mihajlovic, Jaime Marta Soares, Elsa Judas, múltiplas rescisões de contrato e múltiplos regressos, pré-época e conta-gotas e três treinadores ao longo da época. E no final duas taças no bolso. Parece um milagre, mas, é no fundo (no caso do Sporting, o fundo do fundo do fundo do fundo), a confirmação das palavras de João Pinto: «Prognósticos só no fim do jogo». O Sporting não voltará a ser campeão? Não se sabe. O Benfica vai ganhar oito dos próximos dez campeonatos? Não se sabe. O FC Porto, perdendo Casillas, Maxi, Felipe, Militão, Alex Telles, Herrera, Brahimi e Marega, não lutará pelo título em 2019/2020? Não se sabe. Esperemos pelo fim do jogo.

O Benfica não será o mesmo se perder João Félix. Verdade absoluta. Tal como não foi o mesmo quando Eusébio (ou Simões ou Nené ou Chalana ou Rui Costa ou Simão) deixou de jogar. Não será o mesmo, mas continuará a ganhar. Tal como o FC Porto continuou a ganhar em Pedroto, Oliveira, Gomes, Jardel, Mourinho, DEco, Maniche, Baía, Villas-Boas, Falcao, Hulk ou James. E continuará a ganhar. O caso do Sporting parece ser diferente. Continuou a ganhar quando perdeu Jesus Correira, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano, continuou a fazê-lo quando se viu sem Hilário, Osvaldo Silva ou Mascarenhas, ainda o foi quando já quase só tinha Manuel Fernandes e Jordão e, finalmente, perdeu brilho quando deixou de ter Jardel, João Pinto, André Cruz, Beto, Paulo Bento. Pedro Barbosa ou Sá Pinto. Parece precisar de muito tempo para se recolocar ao nível de Benfica e FC Porto. É aqui, porém, que me lembro da frase de João Pinto: «Prognósticos só no fim do jogo». Ou, neste caso, prognósticos só no final de cada época. Se alguém quiser apostar números bem altos um como o Sporting não será campeão na próxima época, esteja à vontade. Eu, desculpem lá, não aposto um cêntimo.

Quem já viu o Manchester United ser campeão da Europa em 1999 não pode ser ousado no prognóstico. Quem já viu o Benfica ser campeão nacional com um plantel que tinha, entre outros, Alcides, André Luiz, Everson, Paulo Almeida ou Delibasic também não poderá ser ousado. Quem já viu o Liverpool virar um 0-3 com o Barcelona tem de ser comedido nas previsões. O Sporting bateu, há um ano, no fundo do fundo do fundo? Sim. Agora, apesar das duas taças, continua a lutar por sair do fundo dos fundos. Não será campeão nos próximos três anos? Assim parece. Mas eu, como diria João Pinto, não aposto nem um cêntimo."

Rogério Azevedo, in A Bola

Cadomblé do Vata (os verdadeiros culpados!!!)

"Não consigo esconder mais o embaraço que me assola, de cada vez que vejo políticos à procura de culpados para a alta taxa de abstenção, quando os mesmos estão em frente dos seus narizes. É claro como água, que se a abstenção bateu recordes, foi apenas devido aos adeptos do futebol, essa escória social que consoante as suas cores clubísticas, deitaram mão a razões fúteis para não exercer o respectivo direito de voto.
Os Benfiquistas, que há 1 semana inundaram as ruas do país, não votaram por cansaço. Há apenas 7 dias estavam embriagados de euforia, meteram o sábado de baixa para recuperação física. Foi esparramados no sofá que descobriram que a época tinha terminado e que faltavam 3 meses para o próximo jogo do Glórias. Aí, meteram baixa no domingo para recuperação psicológica. Mesmo eu, Benfiquista e Democrata, apenas votei porque quis manter intactas as possibilidades de ser Presidente da República.
Os Sportinguistas, que no sábado inundaram a rua do Estádio de Alvalade, não votaram por desconhecimento. O Sporting CP ganhou uma Taça e eles pensaram que o Mundo tinha acabado e quem sou eu para os criticar, também pensei no mesmo. E aqui de nada valeu serem um grupo de adeptos com raízes elitistas. O ópio redondo tomou conta daqueles bilhetes de identidade com apelidos de dupla consoante e origem além fronteiras e apagou das suas cabeças a cidadania.
Os Portistas, que há um ano inundaram a rua do Centro de Treino dos Árbitros, não votaram por acabrunhamento. Em Janeiro já tinham encomendado faixas para todas as competições, mandado gravar camisolas com FC Porto Campeão e feito o rendering do palco das celebrações, passaram o dia de eleições fechados num quarto escuro, perdendo a oportunidade de homenagear o seu clube e respectivos craques, substituindo no quadradinho da escolha, a cruz por uma bola, bem redondinha, igual ao número de títulos por eles conquistados em 2019."

Reconquista - Uma oportunidade para crescer

"Faz uma semana que a equipa de futebol do Benfica conseguiu a tão desejada reconquista. Este 37º campeonato acaba por ter particular importância em dois sentidos: primeiro, porque premiou a aposta em Bruno Lage, um homem da casa identificado com o projecto do clube e que implementou um futebol que promove a evolução dos jogadores; segundo, porque um eventual bicampeonato do FC Porto seria uma séria ameaça à hegemonia que temos vindo a construir nos últimos anos.
No entanto, tendo em conta as últimas duas épocas, tenho vindo a questionar seriamente qual é o investimento que deve ser necessário daqui para a frente, de modo a termos um plantel capaz de lutar em todas as frentes, um plantel a altura da dimensão do Sport Lisboa e Benfica.
É evidente que na temporada 2017/2018, a equipa começou a falhar o Penta no planeamento da temporada. O clube tinha vendido três jogadores nucleares e não arranjou jogadores capazes de os substituir no imediato. Apesar do visível desinvestimento que tanto foi falado ao longo dessa temporada, essa questão nunca me convenceu realmente porque apesar de termos gasto menos de 10 milhões de euros na compra de jogadores, perdemos o campeonato para um clube que gastou apenas um milhão de euros num guarda-redes que só fez um jogo oficial em toda a época. E ainda assim, apesar do desinvestimento, do mau arranque, e da campanha vergonhosa na Champions, o Benfica chegou a liderar o campeonato já perto do seu fim. Teve o pássaro na mão e deixou-o fugir.
A conclusão a que chego ao ter visto isso tudo, é que o condicionamento dos rivais é que levou a estrutura do Benfica a ter uma abordagem ao mercado mais leviana. A estrutura liderada por Luís Filipe Vieira terá entendido que, perante um rival intervencionado pela UEFA e outro presidido por um megalómano incapaz de ser emocionalmente estável, não seria difícil chegar ao primeiro penta da nossa história. Nada mais falso!
Dado o fracasso da época anterior, a estrutura arregaçou as mangas e abriu os cordões à bolsa. E a verdade, é que chegado o fim do mercado do Verão passado, eu dizia que ninguém podia falar em desinvestimento nem apontar o dedo à estrutura do Benfica pela abordagem ao mercado. Afinal de contas, para além do clube não ter vendido nenhum jogador influente, ainda foi buscar jogadores com provas dadas. Contratou o melhor guarda-redes do campeonato grego, o melhor marcador do campeonato ucraniano, o segundo melhor marcador do campeonato mexicano, os dois melhores defesas centrais do campeonato argentino, etc. Teoricamente, este era um plantel que cumpria os requisitos e a minha principal dúvida, era se Rui Vitória tinha unhas para tocar aquela guitarra. Porém, uma coisa é construir um plantel; outra coisa é fazer um bom planeamento da temporada e foi aí que a estrutura voltou a falhar.
Antes de mais, o plantel começou a pagar o preço de sucessivas épocas com uma preparação física completamente amadora, e a equipa continuou a arrastar-se sob uma liderança que estava visivelmente gasta e que já não era suficiente para unir e erguer aquela equipa. Nessa altura, já achava há algum tempo que os jogadores tinham deixado de acreditar nas ideias de Rui Vitória e entendiam que era preciso mais do que ele para levar o Benfica ao sucesso. Os meus receios acabaram por se confirmar e ainda foram arrastados por uma maldita luz, mas se há males que vêm por bem, cada vez acredito mais que este foi um deles.
Da mesma forma que acho que sem aquele traumatizante final da época 2012/2013 não teríamos sido Tetracampeões, acredito que esta reviravolta na temporada seja o início (ou melhor, a continuação) de uma nova história bonita em Portugal, mas também na Europa. Tal e qual como o Ajax mostrou nesta Champions que é possível competir com os tubarões por um lugar ao sol na Europa. Mas para isso, é necessário que a estrutura tenha a noção de que não se pode focar apenas na formação e que também é preciso investir quando necessário. Da mesma forma que quando se perde não significa que esteja tudo mal, quando se ganha também não significa que está tudo bem. E há muita coisa a ser melhorada.
Muita tinta vai correr nos jornais com rumores de contratações e de vendas e muitas opiniões hão-de se espalhar nas redes sociais. Mas o que eu espero acima de tudo é que os adeptos sejam lúcidos e coerentes naquilo que querem para o Benfica. Por exemplo, se os benfiquistas querem que se dê prioridade aos miúdos do Seixal, não podem andar a pedir que o clube gaste milhões em reforços de classe mundial. A mim pessoalmente, uma lição que esta época me deu foi que nos dias de hoje o rótulo de “reforço de gabarito” ou de “Reforço que entre directamente no onze titular” está cada vez mais subjectivo. Da mesma forma que Castillo e Ferreyra eram excelentes reforços no papel e não acrescentaram nada à equipa, também já houve jogadores que chegaram ao Benfica como desconhecidos e que se tornaram em jogadores de alta roda do futebol europeu.
O que é necessário acima de tudo, são jogadores que tenham o perfil e as características necessárias para encaixar no modelo de jogo da equipa, independentemente do nome e do currículo. E há também que analisar se numa determinada posição, existe alguém da formação preparado para dar o salto ou se é necessário ir ao mercado procurar alguém com o mesmo perfil. Outra coisa de que todos têm que ter noção, é que apesar de haver constantes promessas de que o jogador a, b ou c só sai pelo valor da cláusula de rescisão, é inevitável que aconteçam vendas. Mesmo que não seja neste Verão, mais ano menos ano há de haver. E é aí que está uma das provas de fogo que Bruno Lage irá enfrentar nas épocas futuras: a capacidade de se reinventar e encontrar soluções a altura das perdas. Como tal, creio que este 37, para além de ser a reconquista, é uma oportunidade para crescer. É uma oportunidade para se redimirem dos erros das últimas épocas, de modo a colocarem o Sport Lisboa e Benfica onde ele merece."

O Brasileiro Predestinado da Luz

"Romário, Ronaldo, Denilson, Rivaldo, Ronaldinho, Kaká, Robinho, Marcelo, Neymar e tantos, tantos outros. São incontáveis os talentos oriundos do Brasil, talentos puros, predestinados para o jogo da bola no pé. Craques que pouco ou nada necessitavam de treinar. A bola era sempre redonda e os relvados eram sempre o seu parque de diversões. Mal a bola colava já eles sabiam como, e onde, a iam colocar.
No Sport Lisboa e Benfica, pelo menos nas últimas duas décadas, não fomos brindados pelo deleite do predestinado brasileiro. Geovanni, Roger, David Luiz e Léo foram os grandes talentos brasileiros de vermelho e branco nos relvados da Luz no corrente século. Nenhum deles um verdadeiro predestinado.
Isto, claro, até Setembro de 2014. Ou melhor, até dia 05 de Outubro de 2014, dia em que Jonas se estreou de águia ao peito, pisou os relvados da Luz, matou a bola no peito, controlou o esférico com os pés, analisou os detalhes do terreno e ainda balanceou as redes adversárias.
Tem o talento, a visão, o conhecimento e tem a classe. Um avançado goleador que passa boa parte do jogo a construir e a ensinar. E como se não lhe bastasse o talento ainda tem a alma. Jogador de equipa, jogador que sente o clube, jogador que tudo faz para garantir o sucesso do Sport Lisboa e Benfica, seja em esforço a colmatar buracos defensivos ou seja no banco a puxar pelos companheiros e treinador. Numa época em que se viu limitado fisicamente, não podendo dar maior contributo dentro das quatro linhas, Jonas consegue, ainda assim, ser a grande figura deste Sport Lisboa e Benfica. Fez a diferença quando jogou e fez a diferença quando apoiou.
Jonas é pura inteligência e criatividade. Coloca a bola onde quer e quando quer. Temporiza o jogo como nenhum outro, percebe os movimentos como nenhum outro, finaliza como nenhum outro e antecipa como nenhum outro. Sozinho consegue resolver um jogo, sozinho consegue abrir espaços que mais ninguém vê. Sozinho consegue partir uma defesa cerrada num só passo ou com um só passe.
Jonas é o predestinado que todos temos o prazer de ver brilhar com as nossas cores. É o melhor jogador do século no Sport Lisboa e Benfica e, ainda hoje, é o melhor jogador do plantel.
Pelo seu talento, pelo seu empenho e pelo seu sentimento, não há dores que o devam tirar do plantel encarnado para época 2019-20. Quando puder jogar será o melhor. Quando puder entrar irá fazer a diferença onde nenhum outro viu uma oportunidade. Quando não puder entrar irá ensinar, orientar e inspirar.
São 137 golos. E são, principalmente, milhares de deliciosos momentos de classe no voo da águia. 
Juntamente com Samaris, Jonas deverá juntar-se a Jardel e Almeida na honra de envergar a braçadeira.
Ídolo. Predestinado. MVP.
Rei Jonas."

Timelapse: Marquês...

Zorbas e afins...!!!

Balcanização !!!

Vlog: 5 minutos à Benfica: 'novidades' no Museu...!!!

Quando a política é igual ao desporto

"Uma noite de rescaldo de eleições não é muito diferente da análise à conquista de um campeonato

Antigamente, todos os partidos ganhavam, mas agora é muito diferente, ou não... pois passaram a definir-se objectivos por patamares de desempenho e assim sempre conseguem ganhar alguma coisa. No desporto chamam-lhes de vitórias morais, que é uma espécie de fracasso, mas com atenuantes, porque há uma desculpa qualquer, normalmente de causalidade externa, que originou o insucesso. Associada aos objectivos está a gestão das expectativas, outra forma de vencer alguma coisa; se diziam que íamos ser sextos e acabamos quintos, é porque não foi assim tão mau.
Na noite eleitoral de ontem, em particular, a abstenção bateu recordes e foi o facto mais comentado. Também no desporto estamos habituados a isso. As pessoas que não vão votar são as mesmas que passam o ano a criticar o desempenho da sua equipa, que querem que o treinador seja despedido todas as semanas, mas que não pagam as quotas de sócio há três anos, já não vão ver um jogo há mais de dois e nunca foram a uma assembleia geral sequer. Criticam tudo e todos, mas alheiam-se de participar ou contribuir. Ainda sobre a abstenção, ou sobre um penálti por assinalar em Setúbal, claro que a maior fatia de responsabilidade tem de ser dos desgraçados dos jornalistas...
Depois também há os comentadores, que aprendi a respeitar, pois os que dizem coisas com interesse são pessoas que investem tempo em estudar e a preparar-se. Como em tudo na vida, também há os outros, cujo principal objectivo é o de fazer sangue à primeira sondagem, ou ao primeiro "frango". 
Outro momento típico das celebrações, clubísticas ou partidárias, é quando alguém se lembra de estragar o momento da comemoração e pedir ao líder: "Nas legislativas vai ter de ser maioria absoluta". Que é como quem diz: "Ó mister, para o ano vai ter de ser o campeonato e a taça".
Quem venceu as eleições saiu para a rua a festejar, com o mesmo sentimento de quem ganhou um campeonato. Quem realmente sentiu que perdeu, sofre. Sofre pelas expectativas goradas, pelo tempo que empenhou e pelas pessoas que conseguiu comprometer para o projecto. Temos ainda o hábito de sofrer pela visibilidade pública do fracasso e das suas implicações no futuro. Mas nesse caso é um exagero, pois da mesma forma que não magnificamos o sucesso, também não perdemos tempo a memorizar quem ficou em terceiro lugar numas eleições ou num campeonato de qualquer modalidade.
Há um aspecto em que a competição político-partidária pode ser exemplo para o desporto, que é o da lealdade até ao fim. O líder que aparece para dar a cara e assumir uma derrota, de semblante carregado, é normalmente acompanhado por fiéis seguidores e apoiantes que naquele momento não o abandonam. Num gesto mais ou menos sincero, a verdade é que o líder não sofre a solidão da derrota que habitualmente um treinador sofre. Nós, treinadores, vamos dizendo que quando a equipa ganha, ganhamos todos, e quando uma equipa perde, perco eu, mas a verdade é que quem nos abandona nesse momento não merecia fazer parte da equipa."