Era uma vez...
Últimas indefectivações
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
terça-feira, 18 de outubro de 2016
A flecha negra
"Era uma questão de estilo: a leveza em vez da força, a velocidade no desarme, na antecipação. Samuel era diferente. Sobreviveu no tempo dos grandes centrais do Benfica.
Franzino, quase frágil, parecia inapropriado para a função de central. Chegou ao Benfica em 1983, ano de vitórias e de inflamação clubista levada a cabo por um sueco que tinha a alcunha de «Periquito»: Sven-Goran Eriksson. Era uma criança ainda. Nasceu na Guiné, em Bissau, no dia 3 de Março de 1966. Jogou logo no Benfica. No Benfica de Bissau, entenda-se. Era como se o destino lhe marcasse a infância.
Curioso que tenha sido indicado aos encarnados por Cavungi, uma daquelas promessas que ficaram por cumprir, tanta era a necessidade de se encontrar um novo Eusébio, desse lá por onde desse. Cavungi foi, portanto, uma espécie de padrinho de Sanuel. Pal Csernai, um dos treinadores, mais mal-amados da Luz, é o responsável pela sua estreia na equipa principal Samuel está lá, com o seu estilo rápido, com o seu futebol fino, com a figura magrinha que não parece coadunar-se com o futebol de combate que se exige a um central. Mas impõe-se. Há Humberto Coelho, António Bastos Lopes, Oliveira... Mas mesmo assim, o menino da Guiné arranja lugar. Marca um golo até: estranho golo, esse. No Estádio 1.º de Maio, em Braga, contra o Sporting de Braga. A bola cai à entrada da área sobrando de uma refrega própria de um canto. Samuel devolve-a para a grande área, de cabeça, mas ela acaba por sobrevoar o guarda-redes contrário e entrar na baliza. Resultado 2-2.
Com John Mortimore, o inglês sisudo e narigudo que raramente sorria, Samuel foi titular. Formava dupla com Oliveira. Era a flecha negra da defesa encarnada foi internacional por Portugal, mantinhaou-se no topo até que as lesões começaram a massacrá-lo. Viveu um calvário. A fragilidade física que entrava pelos olhos dentro tornou-se um facto indesmentível. A concorrência tornou-se dura: Mozer, Dito.
O regresso de Eriksson
Sven-Goran Eriksson voltou ao Benfica, e o sueco gostava de Samuel. Recuperou-o. Tornou-se polivalente, também jogava do lado direito ou do lado esquerdo da defesa. Foi precisamente nesse posto que jogou a final da Taça dos Campeões frente ao AC Milan. Eriksson preparou-se afincadamente para esse confronto, testando-o várias vezes na posição antes da final. O Benfica perde. Samuel não será campeão europeu.
Fino, concentrado, mestre da antecipação.Samuel tinha um estilo diferente e essa diferença notava-se na sua forma de correr, de tocar a bola com simplicidade, no passe correcto e sem arrebiques. O Benfica continuava a contratar centrais fantásticos. Veio Ricardo Gomes, veio Aldair. E Samuel lutava por um lugar que sentia poder ser seu. Mas é emprestado ao Boavista onde faz uma época brilhante. Regressa à Luz mas já não tem espaço nas escolhas de Ivic, por muito pouco que Tomislav fique no comando dos encarnados. Na época de 1992/93 vai para Guimarães. É o adeus definitivo. Dez anos depois.
Samuel António da Silva Tavares Quina: assim, por extenso. Para todos, apenas Samuel. Foi três vezes Campeão pelo Benfica, venceu quatro Taças de Portugal. Corria pelo campo como uma flecha negra. Franzino, quase frágil. Um menino calado, metido consigo mesmo. Sem euforias, sem excessos. Uma calma olímpica na forma como ensaiava os desarmes, como impunha a leveza em vez da força física. Perdeu muito em lesões, em momentos infelizes e injustos. Mas deixou o seu nome. A gente escreve-o e todos recordam: simplesmente Samuel."
Afonso de Melo, in O Benfica
Ups... já não és da minha equipa!
"Uma semana após a histórica vitória na Taça Latina, o Benfica viveu momentos emotivos e caricatos em Abrantes.
Era Domingo de madrugada. Apesar da hora, a secretaria do Jardim do Regedor assinalava uma grande azáfama. Uma longa caravana benfiquista preparava-se para acompanhar a equipa de honra de futebol num roteiro apoteótico até Abrantes, a convite da filial local. Os benfiquistas sentiram, em todas as localidades por que passaram, o apreço e grandes demonstrações de simpatia por parte dos habitantes.
Ao aproximar-se da Cidade Florida, 'a apoteose recrudesceu de animação' e os 'abrantinos vieram em peso' receber a caravana benfiquista, formando um compacto cortejo até aos Paços do Concelho. Este dia memorável foi marcado por vários homenagens, até que chegou o momento que todos aguardavam, a disputa de um jogo amigável entre a equipa local e o Benfica, que jogou com um misto da equipa de honra e reserva.
Ainda faltava uma hora para o início do jogo e o Campo de Barro Vermelho já registava elevada assistência, chegando a ficar totalmente lotado, um recorde na altura. Entraram em campo as duas equipas, muito aplaudidas, principalmente a visitante. Após um 'lindo espectáculo', o Benfica ganhou, como era de esperar. Ganhou por 1-10, só que foi o guarda-redes benfiquista quem sofreu mais golos! 'Mas explica-se'. Logo após o apito inicial, o Benfica ascendeu em campo e rapidamente atingiu os quatro tentos sem resposta. Eis então que se assistiu 'a uma acção digna de elogios' - a troca de guarda-redes, que foi muito aplaudida pela assistência. Assim, Bastos passou a defender a baliza da filial de Abrantes, o que trouxe momentos caricatos, pois foi 'muito curioso o seu duelo com os avançados' e por vezes enganava-se a entregava a bola a '«adversários» desmarcados'! Apesar dos seus melhores esforços, Bastos sofreu seis golos dos seus 'antigos' colegas de equipa, e o único tento dos abrantinos foi conseguido à custa do seu anterior guarda-redes.
Foi um dia inesquecível, marcado pelo desportivismo e pela alegria reflectida da vitória na Taça Latina, que pode ser vista na área 12. Honrar o país no Museu Benfica - Cosme Damião."
Lídia Jorge, in O Benfica
Esclarecimento
"Na sequência de notícias vindas a público sobre o processo de investigação em curso no âmbito do denominado “Caso dos Vouchers”, o Sport Lisboa e Benfica, esclarece:
1 – Quando tomou conhecimento sobre o conjunto de insinuações e acusações proferidas pelo presidente do SCP no programa “Prolongamento” da TVI 24, no dia 5 de Outubro de 2015, o Sport Lisboa e Benfica, por sua iniciativa expressa e pronta, solicitou à Federação Portuguesa de Futebol que remetesse uma participação às instâncias competentes, visando promover a averiguação da situação referida no mais curto espaço de tempo.
2 – Em consequência direta, foram instaurados diversos processos tanto na esfera disciplinar como na esfera criminal, visando quer o apuramento dos factos denunciados, quer a responsabilidade de quem de forma insidiosa tentou, e tenta, denegrir o bom nome e imagem do Sport Lisboa e Benfica.
3 – O Sport Lisboa e Benfica reitera o seu empenho que a exemplo do realizado e já concretizado nos órgãos próprios das instâncias desportivas, exista um cabal esclarecimento e célere decisão sobre este processo por parte das entidades competentes.
4 – O Sport Lisboa e Benfica contribuirá para que o processo decorra com a necessária descrição, sem qualquer tipo de condicionamento (ou tentativa) dos órgãos decisórios, sendo perfeitamente natural e desejável que ocorram várias diligências no âmbito do referido processo, factor determinante para que a análise dos factos seja totalmente esclarecedora, pondo fim a especulações que reiteramos serem totalmente descabidas."
PS: Quando de madrugada vi a capa do Correio da Manha, percebi imediatamente que íamos ter nove novela!!!
O curioso, é que lendo o conteúdo da notícia, chegamos à conclusão que tudo isto faz parte do processo que o Benfica 'exigiu' seguir para o Ministério Público, contra a vontade do Babalu, e que vai terminar, seguramente, com um processo por difamação agravada, contra o dito Babalu...
Mas não deixa de ser engraçada, esta sucessão de 'spin's' negativos contra o Benfica, por parte do Correio da Manha, depois das revelações do André Ventura... tem sido um fartote...!!!
A azia é muita...
Tanto saber que Portugal desperdiça...
"É muito mau para o futebol português a ostracização dos mestres, impedindo-se de transmitir aos mais novos o seu saber...
Foi mergulhado em afectos, bairradinos, conimbricenses, lisboetas e iranianos, que Toni entrou no clube dos septuagenários. Da personalidade única de Toni, a sua principal mais valia, já muito se falou. Mas ainda estará por explicar por que é que o futebol português, ao mesmo tempo que louva a figura consensual, lhe fecha as portas da profissão, onde continua a ser dos melhores. Há, neste momento, no nosso país, um capital de experiência e saber que está a ser desaproveitado (Toni, Calisto, Cajuda, Manuel José, Vítor Manuel, Artur Jorge, Jaime Pacheco, António Oliveira, entre outros...), correndo-se o risto de se retirar densidade à formação das gerações vindouras. Porque, o que estes homens sabem, não se aprende nos livros, é preciso lidar com eles para apreender a essência cultural e a matriz do futebol português, numa linha de evolução que terá começado em Cândido Oliveira, passando depois por Pedroto, Fernando Vaz e Mário Wilson, os mais importantes, mas também por Ferreirinha, Manuel de Oliveira, António Medeiros, Juca, Joaquim Meirim ou Quinito.
Procuro compreender os movimentos da sociedade, as tendências e as modas. E sei que é da tensão entre o moderno e o clássico que resulta a evolução sustentada, que vai para lá da espuma dos tempos.
Hoje, há muitos treinadores portugueses a dar cartas pelo mundo fora, desde José Mourinho, o porta-estandarte, a Carlos Queiroz, André Villas-Boas, Leonardo Jardim, Marco Silva ou Paulo Sousa, cada um deles considerado para os trabalhos mais apetecidos do planeta. E muitos outros afirmam-se, ainda que num plano menos visível, graças à estupenda formação receberam. Mas o que os torna especiais é a sagacidade táctica do treinador português, uma habilidade desenvolvida ao longo de muitas décadas e transmitida de geração em geração. Aquilo que temo é que, com a inexplicável ostracização de homens de saber futebolístico infinito, se perca o fio condutor que está na génese do sucesso; e que se comece a formar uma fornada de treinadores de aviário, capaz de debitar uns quantos lugares comuns e alguns neologismos redondos (porque não têm ponta por onde se peque...), mas que olham para o jogo e não percebem nada do que está a acontecer à frente dos seus olhos.
(...)"
José Manuel Delgado, in A Bola
As contas do Benfica Clube II
"Na (...), reproduzimos novamente os rendimentos operacionais do Sport Lisboa e Benfica (Clube).
Ora vejamos, o que dá mais receitas do SLB (Clube).
A quotização que inclui os Kits, o Merchandising e os patrocínios de publicidade.
Aplicando-se o Métodp da Equivalência Patrimonial, que é uma forma de consolidação, verificamos que temos mais 10 milhões que acabam por ser o valor nominal positivo em termos de resultados das sociedades onde o Benfica Clube participa no capital.
A contabilidade é como o Direito e a Economia, coisas muito discutíveis, mas é claro que o SLB (Clube), aplicando o princípio da prudência, imputa o valor liquido em termos de resultados das participadas e não o valor do Activo reavaliado, ou mesmo, reajustado. É que, como já se referiu anteriormente, existem vários métodos de aplicação da consolidação.
Em termos práticos é assim: se o Caixa Futebol Campus e o Estádio pertencem ao grupo Benfica, é evidente que estaríamos a falarem muitos milhões de imputação positiva. Mas o Método da Equivalência Patrimonial é uma característica contabilística.
Com referência aos gastos operacionais, vejamos a (...).
Nos gastos operacionais as rubricas com maior montante são os fornecimentos e serviços externos, que basicamente englobam os custos normais de uma actividade e os gastos com o pessoal, o que significa que o SLB (Clube) tem uma função de criação e manutenção de emprego muito razoável. E tudo isto, como bem explica o relatório, porque, a rubrica de Fornecimentos e Serviços Externos registou um decréscimo de 21% face ao ano anterior, justificando pela realocação de gastos com o Pessoal, resultado da aplicação de contratos de trabalho desportivos aos jogadores profissionais das 5 principais modalidades de pavilhão (Andebol, Basquetebol, Futsal, Hóquei em Patins e Voleibol),
Os Gastos com Pessoal aumentaram 67% comparativamente com o exercício anterior, devido à alteração do vínculo laboral, através da aplicação de contratos de trabalho desportivos aos jogadores profissionais das 5 principais modalidades de pavilhão, o que justifica a diminuição dos Fornecimentos e Serviços Externos explicada no ponto anterior.
Para uma sociedade em que cada vez existem mais insolventes e em que o trabalho é cada vez mais precário, acho que está tudo dito.
Mas vejamos o Passivo, sem vermos o Activo, que tanta e tanta confusão faz a muita gente com os cotovelos reçados na (...).
Por falta de espaço termino aqui, mas juro-vos que vou explicar este Passivo todo e veremos que quase 60 milhões não o são de facto!"
Pragal Colaço, in O Benfica
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
domingo, 16 de outubro de 2016
Vitória no último suspiro...
Leões de Porto Salvo 2 - 3 Benfica
Ré, Gonçalo, Coelho
Não foi um grande jogo, mas acabou em modo épico para o Bruno!!! Marca o golo da vitória, a poucos segundos do fim, e com a cabeça 'tira' o golo do empate no último segundo... Isto tudo, no meio das habituais provocações naquela casa... Sendo que para a TVI (dupla maravilha Brás & Sousa), a culpa é toda dos jogadores do Benfica, pois mesmo quando são agredidos, como aconteceu ao Bruno Coelho, não tinha nada que meter a cabeça à frente do punho do adversário!!!!!!! Isto na RTP era mau... mas na TVI ainda ficou pior...!!!
Já se sabia que o jogo ia ser complicado, mas até começamos bem, agora o final da 1.ª parte foi muito mau... No 2.º tempo à medida que o tempo ia passando, com o Benfica em desvantagem, as provocações foram aumentando, começamos a jogar mais com o coração do que com a cabeça... com alguns jogadores a perderem completamente o controlo emocional... o Capitão empatou e... Acabámos por chegar à vitória, depois de arriscarmos o 5x4...!!! Até porque demonstrámos alguma falta de criatividade no ataque..,
Eu já tinha avisado, que não podemos 'formatar' o nosso jogo ofensivo exclusivamente para o Elisandro... se fizermos isso, o nosso ataque será demasiado previsível... é importante ter variações!
Ciclo de Outubro
"Em 2018 podem suscitar-se cenários bem complexos para o universo dos exclusivos direitos televisivos em Portugal.
1. Os principais clubes portugueses, após a pausa das selecções e esta eliminatória da Taça de Portugal - nada fácil, como o Benfica bem percebeu no Estoril face ao 1.º de Dezembro e graças ao graúdo Luisão... - vão iniciar o ciclo de Outubro das competições europeias e da Liga portuguesa. Ciclo bem complexo e ciclo, digo eu, determinante para os clubes portugueses envolvidos na Liga dos Campeões e, o Sporting de Braga, na Liga Europa.
Na Liga dos Campeões e no espaço de duas semanas o Benfica defronta o Dínamo de Kiev na Ucrânia e na Luz. O Sporting recebe o Dortmund em Alvalade e vai à Alemanha. E o Futebol Clube do Porto tem de ultrapassar o Brugge, primeiro fora e depois no Dragão. E no que respeita ao Benfica, e depois da prolongada viagem a Kiev, regressa à Liga nacional com uma visita ao Restelo, agora com nova e portuguesa liderança e, no fim de semana seguinte, tem uma deslocação bem difícil a Paços de Ferreira. E logo no arranque de Novembro recebe o Dínamo e vai ao Dragão. Tudo antes de uma nova e curta pausa para novo confronto das selecções e também, na sequência do calendário interno - que protege, é bom assumir, as equipas portuguesas na Europa! - antes da quarta eliminatória da Taça de Portugal marcada para o fim de semana de 20 de Novembro. Ou seja antes do ciclo decisivo e que só termina na décima quinta jornada da nossa Liga, a vinte e um de Dezembro. Em que o Benfica recebe o Rio Ave, o Futebol Clube do Porto o Marítimo e o Sporting visita o Restelo! Neste ciclo de Outubro o fundamental é conquistar o maior número de pontos. Diria que muito bom seria ganhar todos os jogos. Mas assumo que é importante, na Liga dos Campeões, os nossos emblemas conquistarem, neste duplo confronto, pelo menos quatro pontos. Seria uma tripla alegria. Uma alegria para o futuro próximo nesta competição. Uma alegria para a tesouraria dos três clubes, ou seja, das três sociedades anónimas desportivas. E uma alegria intensa para o conjunto do futebol português em razão dos pontos que seriam conquistados para o ranking da UEFA. Onde os pontos igualmente alcançados pelo Sporting de Braga também serão bem relevantes. E num tempo em que o nosso actual sétimo lugar no ranking da UEFA não antecipa boas notícias para o futebol português daqui a duas épocas... E, logo, na época em que se iniciam, em tese, os novos contratos televisivos. Alguns dos quais, com maior ou menor subtileza, já determinaram antecipação ou revisão de receitas para alguns dos grandes e europeus clubes portugueses. O que suscita cenários bem complexos em 2018 para o universo dos exclusivos direitos televisivos em Portugal, para os operadores seus titulares e, assumo-o, para os amantes subscritores do futebol em Portugal. E talvez o programa de um próximo Governo - ou ainda deste... - se tenha que preocupar, seriamente, com os consumidores do futebol... em Portugal. E quem avisa... vosso amigo é. De verdade!
2. Neste Domingo temos o futebol de todos a encher muitos estádios - pequenos e médios - de Portugal. Famalicão, 1.º de Dezembro e Gafanha encheram os cofres com as transmissões televisivas dos seus jogos. E, hoje, a Académica, e a sua tesouraria, sorriem um pouco, com a transmissão do seu confronto com o Belenenses. Mas nesta tarde teremos um intenso confronto de vizinhos, o Vizela-Moreirense. Teremos também o Arouca a visitar Massamá-Monte Abraão para defrontar o Real. Teremos um Torreense-Académico de Viseu. Teremos festa em Santa Iria, clube do distrital de Lisboa, com a visita do Vitória de Guimarães. Teremos um confronto entre duas margens operárias do Tejo, um Oriental-Barreirense. Termos nas Caldas o Estoril. Em Estarreja o Nacional. Na Sertã o Tondela. E na Figueira da Foz a Marítimo reencontra o Naval. E todos os pequenos sonham com o acesso à quarta eliminatória. Meio caminho para no próximo sorteio lhes sair, em verdadeira sorte, um dos grandes do futebol português. E, logo, os milhares de uma transmissão televisiva que, em muitos casos, vale o orçamento de uma época. Como ocorreu, na noite da passada sexta-feira, com o 1.º de Dezembro. Que bem pode agradecer a imensa simpatia do Benfica e do seu Presidente Luís Filipe Vieira. Como escreveu Francis Bacon «a amizade duplica as alegrias e divide as tristezas»! Duplica mesmo!
3. A Federação Portuguesa de Futebol, na dinâmica e serena liderança de Fernando Gomes, e no exercício de 2015/16, apresentou um saldo positivo de três milhões de euros. Os milhões da selecção A pagam todas as outras selecções. E o doutor Fernando Gomes, com a sua sagacidade de economista, sabe investir e bem! Agarra o futuro com o dinheiro do presente. Sabe como Gandhi que «o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente»! Se outros, em outros momentos bem próximos, aprendessem com ele acredito que alguns presentes seriam bem... diferentes. Mesmo diferentes!
4. Morreu o engenheiro José Lello. Foi ministro do Desporto e foi meu colega no Parlamento. Era um amante do desporto, e em particular do futebol e um assumido adepto do Boavista. Escreveu neste jornal muitas crónicas, algumas delas deliciosas. Não esqueço o seu sorriso em algumas segundas-feiras em razão de certos resultados da jornada do fim de semana anterior... Não esqueço, meu caro engenheiro! E não esqueço a imensa ternura do seu forte abraço sempre que nos reencontrávamos. Aqui apresento sentidas condolências a sua querida família.
5. Luís Filipe Vieira é, naturalmente, candidato único à presidência do Benfica. Ele é o exemplo concreto da tridimensionalidade do poder. O poder, o poder efectivo, é autoridade, influência, e claramente, poder. E ele sabe assumir, como o Marquês de Maricá já assumia no século dezanove, que «o poder repartido por muitos não é eficaz em nenhum»!"
Fernando Seara, in A Bola
Concorrência no desporto
"Demos conta há algum tempo atrás, nesta mesma coluna, do estudo levado a cabo pela Comissão Europeia relativamente à legislação europeia relacionada com a dimensão económica do Desporto, quer a relacionada com a sua organização, chamando particular atenção à forte censura que mereciam as normas federativas que proíbem atletas de participar em competições internacionais não autorizadas pela respectiva Federação, face à possibilidade destas poderem constituir práticas anticoncorrenciais.
Recentemente, a Comissão Europeia emitiu um Statement of Objections (comunicação escrita que a Comissão tem de dirigir às entidades visadas, antes de adoptar uma decisão que afecte negativamente os seus direitos) à União Internacional de Patinagem, porquanto entende que as regras que determinam que um atleta que participe em competição não aprovadas pela UIP são uma restrição à livre concorrência.
Em particular, entende a Comissão que tais regras limitam a liberdade dos atletas e também impedem que organizadores de novas competições possam entrar no mercado. A questão é particularmente sensível, uma vez que os atletas que participem em tais eventos podem ser expulsos permanentemente da União.
A eventual decisão que recaía sobre esta investigação iniciada pela Comissão pode abrir um importante precedente no que toca à legalidade, necessidade e proporcionalidade deste tipo de restrições, sendo, para já, uma importante manifestação de preocupação da CE quanto ao cumprimento das regras da concorrência europeias no mundo do Desporto."
Marta Vieira da Cruz, in A Bola
sábado, 15 de outubro de 2016
Taça Continental, fica na Luz...
(3-1)
Basta observar a forma como os jogadores festejaram o triunfo, logo após o apito final, para perceber que esta vitória, valeu mais do que a Taça em disputa! O mau início de época, acabou por ficar reconhecido pelos próprios jogadores, que sabiam que hoje, era necessário começar a 'dar a volta'...
Foi de longe o nosso melhor jogo da época... ainda por cima, sem sofrer golos de 'bola parada' e a marcar golos de 'bola parada' (o inverso do que vinha a acontecer...)!
Além dos golos marcados, estivemos muito melhor a defender, o Trabal foi importante nas 'bolas paradas' (e foram várias), mas em 'jogo jogado' até teve 'pouco' trabalho!!!
O destaque individual tem que ir para o João Rodrigues... arrisco, afirmando que após a lesão prolongada da época anterior, este foi o melhor jogo do João ao serviço do Benfica! O Nicolia não marcou, mas fez 3 assistências... e o mal-amado Tiago Rafael além do golo, ainda fez 2 assistências!
Agora a dúvida que fica no ar é a seguinte: será a equipa capaz de manter este nível de intensidade em todos os jogos?!!! Até porque hoje, apesar de todas as coisas positivas, notou-se alguns 'problemas' na rotação... Aquele jogo totalmente aberto, a meio da segunda parte, quando o Benfica tinha toda a vantagem em 'congelar' o jogo, foi perigoso...!!!
Mais um 'caneco' para o Museu Cosme Damião... Mais um título Europeu (Supertaça Europeia) a 3.ª Taça Continental...
Vitória no Luxemburgo...
Kaerjeng 30 (26) - (31) 33 Benfica
(12-14)
Resultado parecido com a 1.ª mão na Luz, num jogo onde começamos muito bem, nunca tivemos em desvantagem... só permitimos o empate no início da 2.ª parte... e sinceramente, nunca senti a eliminatória em perigo!!!
Nota de destaque para a inspiração ofensiva do Moreno, tem marcado muitos golos ultimamente, parece que tem trabalhado a finalização...; o Terzic continua a melhorar; o Capdeville aproveitando a lesão do Mitrevski fez toda a 2.ª parte na baliza (recordo que é ainda júnior); o André Lima (outro júnior) também tem aproveitado bem os minutos...
Nota negativa, para a total desinspiração ofensiva do Vidrago... todos têm direito a dias maus!!!
Estamos na 3.ª ronda, a última antes da Fase de Grupos, onde vão aparecer alguns 'tubarões' indesejáveis... vamos esperar por um sorteio agradável!!!
Vitória... finalmente!!!
Corruptos 74 - 76 Benfica
15-20, 24-23, 23-15, 12-18
Ganhámos, justamente, mas não é esta vitória que vai resolver todos os problemas que esta equipa tem demonstrado!
Hoje, defendemos melhor, tivemos um jogador muitíssimo inspirado ofensivamente: Hollis... e na parte final, apesar de um erro infantil do Carlos Morais, logo a seguir o Tinsley foi 'amigo' e retribuiu o erro (dois lances livres falhados, após falta 'duvidosa')!!! Além disso a eficácia Triplista dos Corruptos, baixou bastante em relação ao jogo da Supertaça...
Já tinha afirmado que temos melhor plantel esta época... por exemplo o Carlos Morais, voltando a não fazer um grande jogo, acabou por ser o nosso melhor ressaltador... Hoje, também houve mais rotação da nossa equipa, com o Lonkovic a 'ganhar' mais minutos (merecidamente)... Pessoalmente, continuo a achar que o Nuno Oliveira tem que jogar nestes jogos!
Jogadores ao poder é batalha a travar
"Em Portugal, jogador que termina a sua carreira profissional e deseja continuar ligado ao futebol tem de ser treinador. É o que fazem, uns por se sentirem capazes de enfrentar esse desafio, outros por não descortinarem soluções alternativas, e, no entanto, elas existem. O exemplo do Bayern representa o sonho dos sonhos, um caso excepcional em que algumas das suas grandes figuras passaram a preencher altos cargos na gestão e a terem papel determinante na estratégia de crescimento do clube bávaro, como Franz Beckenbauer, que chegou à presidência do conselho de administração, e Karl-Heinz Rummenigge, que lhe sucedeu. Por cá, Rui Costa é o que mais se lhes aproxima, com lugar na SAD do Benfica.
Li em A BOLA que o Barcelona talvez enverede pelo modelo alemão, havendo a expectativa de, em futuro próximo, o 'poder' ser reclamado por referências da sua geração de ouro, conforme foi anunciado por Xavi Hernández, considerando-se os jogadores motivados e preparados para ficarem ao leme da enorme nau catalã.
A eleição de Michel Platini para a presidência da UEFA foi o primeiro grande sinal de mudança, a seguir a uma experiência que o entusiasmou pouco como seleccionador francês. Mostrou ao mundo que o papel de um (ex) futebolista não se esgota no relvado. Estende-se além dele, de aí que se aplauda a decisão do FC Porto em recorrer ao bibota de ouro Fernando Gomes para intervir na área de observação, confiando na sua intuição na descoberta de jovens talentos.
No futebol português, dado a luxos, como escreve João Bonzinho, director de informação de A BOLA TV, a propósito do ostracizado Toni, aceitar que antigos jogadores tomem conta de um clube... talvez daqui a uma eternidade, mas é batalha que a classe tem de travar."
Fernando Guerra, in A Bola
Bola de Ouro para Bob Dylan
" «Eu gosto dos fãs mas não sinto que tenha obrigação de ser um exemplo para eles; não da mesma forma que um jogador de basebol ou de futebol americano. Não tenho de ser desportista, alguém com um comportamento que os outros devem seguir.»
Bob Dylan
Não acho bem bem mal o Nobel da literatura para Bob Dylan. Acho só óptimo tema de conversa, partindo dos argumentos básicos: é um letrista e não um escritor vs é um poeta. Eu acho que consigo manter ambas opiniões e passar a tarde a discutir comigo.
O que é verdadeiramente gracioso neste prémio é que ninguém perdeu por Dylan ter vencido. Não é a Bola de Ouro da FIFA, com a qual há um vencedor e pelo menos um derrotado, o segundo. O Nobel nasce dum mundo inteiro de alternativas. Quando anunciam o da literatura, aposto que todos os grandes escritores do planeta estão a dormir, a noite ou a sesta, sem quererem saber (o próprio Dylan, arrisco, também estaria a dormir...).
Assim, tentar classificar alguém capaz de vencer prémios musicais (Grammy), cinematográficos (Óscar), jornalísticos (Pullitzer) e literários (Nobel) é do mais difícil que pode haver, mas tentar desclassificá-lo, dizer que não merece este ou aquele, é ainda mais.
Fui procurar e parece que Dylan só escreveu uma música sobre desporto: Catfish, que o autor queria publicar no Desire,de 1976, mas acabou nas The Bootleg Series, de 1991, uma compilação de raridades, gravações perdidas, coisas por mostrar. A Catfish era sobre James Catfish Hunter, um jogador de basebol dos Yankees que se celebrizou nos anos 60 por se ter tornado o primeiro free agent multimilionário. A canção, essa, não era assim tão impressionante. Talvez por isso Dylan nunca ganhou nada que se veja no desporto. Lamentavelmente."
Miguel Cardoso Pereira, in A Bola
Bob Dylan e Diego Maradona
"Geniais as personagens de um e a autenticidade do outro
Apanhar conversas a meio pode criar situações embaraçosas. Ontem terá acontecido a mais gente ligar o rádio e ouvir um fórum sobre Bob Dylan, mudar de estação e estar a passar uma música dele. O pensamento torna-se fatalista e brejeiro: mais um que pendurou as botas sem festa de homenagem. A seguir fica-se mentalmente envergonhado porque o que está a acontecer é, mesmo e só, a festa de homenagem. Dylan ganhar o Prémio Nobel da Literatura é uma surpresa, mas ao longo do dia vai-se sabendo mais coisas. Quem percebe desses assuntos nunca se surpreende e explica: o nome já havia sido cogitado outras vezes para tal honraria.
Foi igualmente notícia o lançamento de mais uma autobiografia de Maradona. Por momentos, fazia sentido na cabeça a rebeldia misturada em letra de forma, as histórias é que não, excepção feita à genialidade de ambos.
Dylan tem uma obra multifacetada, um percurso incoerente e de negação, mas as palavras cantadas e escritas foram sempre guiadas pelo brilhantismo. Esse foi o escritor, o poeta a quem a Academia sueca atribuiu o Nobel. O cidadão que em 2004 plasmou numa biografia ser dono de armas e querer "pegar fogo" aos hippies não conta; contabilizam-se as personagens criadas ao longo da vida e os hinos cantados. Foi Dylan quem escreveu: "O mundo era absurdo... eu tinha poucas coisas em comum com uma geração que não conhecia e da qual se supunha que era um dos porta-vozes."
Do homem do pontapé na bola, com passado tortuoso e penitências várias, leu-se: "Quando morrer quero voltar a nascer e ser futebolista. E quero voltar a ser Diego Armando Maradona. Sou um jogador que deu alegrias às pessoas e isso chega-me e sobra." A nova biografia começa assim: "Fala-vos Diego Armando Maradona, o tipo que marcou dois golos à Inglaterra e um dos poucos argentinos que sabe quanto pesa a Taça de campeão do mundo..."
Um Nobel para Diego, que nunca quis deixar de ser Maradona."
Benfiquismo (CCL)
Início da caminhada Europeia de 82/83
1-0, na Luz; e vitória por 2-1 em Sevilha...
...que terminou com o amargo Anderlecht!!!
Susto na Taça...
1.º Dezembro 1 - 2 Benfica
Muito complicado, muito parecido com o jogo com o Vianense na época anterior, na mesma eliminatória da Taça de Portugal!!!
Nestes jogos existe sempre a expectativa de goleada, mas a realidade é diferente: o Benfica vem de 10 dias, com o plantel repartido com as Selecções; depois dá-se minutos a jogadores menos utilizados, que têm falta de ritmo...; e depois ainda existe a ultra-motivação do outro lado... Tudo isto misturado, dá quase sempre em jogos equilibrados!
O Benfica entrou a tentar dominar, e foi isso que aconteceu, mesmo que tivesse criado poucas oportunidades, pois faltou 'peso' na área... Com os minutos a passar, a confiança no adversário aumenta, a nossa capacidade de recuperar a bola alta diminui, e os contra-ataques vão-se tornando mais perigosos... Mesmo assim o Ederson raramente foi chamado a intervir.
Marcámos no arranque do 2.º tempo, numa excelente jogada do Danilo... mas pouco depois, num erro do Celis, o árbitro marca penalty contra o Benfica (por acaso o Ederson toca na bola... o contacto é posterior... Já agora, com as novas regras, neste tipo de lances, onde o defesa 'tenta' jogar a bola, nunca pode ser Vermelho!!!).
A partir daqui, o jogo ficou ainda mais perigoso... A falta de entrosamento era notória, e nem a entrada de alguns dos habituais titulares parecia 'resolver' a partida!
Até que, mais uma vez, no último dos descontos, o Luisão marca... e o jogo acaba!
Uma nota para a quantidade industrial de porrada que o Benfica levou!!! O Malheiro é um dos afilhados do 'desdentado'... hoje, passou a jogo a avisar os jogadores o 1.º Dezembro, que para a próxima levavam Amarelo... Houve jogadores que receberam 3 avisos!!!
O positivo deste jogo, foram os minutos do Danilo e do Zivkovic... acredito que vão acabar a época, como titulares.
O negativo continua a ser a atitude do Carrillo... Em relação ao Celis, quando foi anunciada a sua contratação, vi alguns minutos dum jogo na Copa América, e fiquei assustado... mas podia, ter sido um jogo mau! Infelizmente, está a confirmar que não é jogador para o Benfica... e não é por falta de atitude!!! Neste momento, o Pêpê (Pedro Rodrigues), já me dá melhores garantias do que o Celis... e até o Gilson!!!.
Na próxima Quarta-feira temos um jogo muito importante em Kiev, para mim é mesmo decisivo! E mesmo que alguns dos lesionados recuperem até Quarta (Jardel, Horta, Rafa, Samaris, Jiménez...), vão chegar obviamente com pouco ritmo, devido às longas paragens... Mais um quebra-cabeças para o Rui Vitória resolver!!!
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