Últimas indefectivações

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Uma questão de coerência

"Resistiu, até esta segunda-feira, o Sport Lisboa e Benfica a entrar numa discussão que entendeu ser natural num primeiro momento, mas que no tempo e no tom em que a mesma se está a prolongar é completamente absurda e merece repúdio.
Sejamos sérios. Há lances de dúvida no jogo? Claro que há, como há em todos os jogos com a intensidade em que decorreu o jogo do passado sábado. Os lances duvidosos repartiram-se, mas os reparos e acusações limitaram-se a apontar, de forma parcial, prejuízos apenas para o Sporting Clube de Portugal.
É claro que a omissão, por parte do operador televisivo, da linha virtual em alguns casos e da má colocação da mesma em outros também contribuiu para desvirtuar a análise de alguns lances.
A discussão faz parte do Futebol e por isso é legítimo que o Sporting peça os relatórios que entender sobre o jogo, e que disso dê publicidade nos jornais que entende, mas seria coerente que pedissem, com a mesma indignação que publicamente têm exibido, os relatórios do jogo com o Benfica em Alvalade, com a Académica em Coimbra, com o Olhanense no Algarve e com o Marítimo, também em Alvalade.
Não podemos reclamar apenas de algumas cenas do filme, temos de ser coerentes e ter memória do filme todo. Quando assim não acontece perdemos credibilidade e ficamos reféns da demagogia e do mais primário populismo.
Quantas vezes já vimos alguns directores, editores ou articulistas de jornais escreverem e condenarem o excesso de protagonismo que os dirigentes assumem em detrimento dos jogadores? E do absurdo de discutir as arbitragens da forma como se discutem em detrimento do jogo?
Pois bem, os jornais e os seus directores têm toda a legitimidade de definir a linha editorial, os editores e opinadores têm todo o direito em assumir o que bem entenderem, mas uma vez percorrido este caminho não podem, no futuro, estes mesmos responsáveis voltar a cair na tentação hipócrita de criticar este tipo de comportamento por parte dos dirigentes desportivos, dada a forma como estão a dar eco de algumas declarações irresponsáveis.
Registe-se, ainda, que não houve da parte de nenhum dirigente do Benfica qualquer palavra desrespeitosa em relação a algum profissional do Sporting. Não é admissível, por isso, que o presidente do Sporting, pela segunda vez, se dirija da forma que se dirigiu ao treinador do Sport Lisboa e Benfica. A liberdade de expressão tem fronteiras que devem ser respeitadas. Não é por gritar mais alto nem por insultar mais vezes que se ganha a razão."


PS: Apesar de numa primeira leitura ter ficado agradado com este comunicado, penso que ele está incompleto. Com o mesmo tom, seria perfeitamente possível, no meio dos parágrafos direccionar a discussão por exemplo: para o fora-de-jogo do Capel, para o fora-de-jogo do Sílvio, para a entrada de pitons do Montero, para os amarelos perdoados especialmente ao Mauricio.. etc...!!!
Admito, isso não devia ter 'trabalho' do Benfica. Os Benfiquistas que têm tempo de antena nas TV's nas rádios e nos jornais tinham essa obrigação, mas como os poucos que dão a cara, são mansos, ficamos só com uma versão da história...
E assim, ficará tudo em cima dos ombros do Rui Gomes da Silva, que entre os berros do Alguidar, e os copos de Jameson, terá uma tarefa muito complicada... duvido mesmo que consiga terminar uma frase!!!

Os erros e os homens

"Por muito esforço que alguns tenham feito e vão continuar a fazer no jogo das palavras, o último dérbi terá um lugar na história e não será por causa dos erros de arbitragem, por mais graves que tenham sido. Será para sempre o dérbi de Rui Patrício, por causa de um lance invulgar, altamente penalizador, a partir de uma falha de concentração, depois de quase duas horas de extrema intensidade e pressão.
Parafraseando o presidente do Sporting, é realmente uma enorme palermice tentar desfocar a ordem de importância dos factores decisivos deste jogo inesquecível, a saber: primeiro, o erro de Patrício, depois, os três golos de Cardozo e, finalmente, o imbróglio em torno da verdade desportiva. É assim que a história reserva um espaço para este embate, digno de uma final, mas disputado numa fase tão precoce da Taça de Portugal. Nenhum penálti por assinalar tem o valor simbólico de um golo sofrido por entre as pernas de um guarda-redes e esta imagem colar-se-lhe-á à pele e ao currículo para sempre. E daí?
Quem conhece minimamente a história do futebol nacional saberá o valor e a influência que, Costa Pereira teve na grandeza do Benfica (e da Selecção Nacional) dos anos 60. Foi um grande, mas sempre num patamar abaixo dos Damas e dos Bentos, por causa de um golo sofrido assim, numa bola pífia, por baixo das pernas, na final de Milão. A história é o homem e a sua circunstância, não há escapatória.
Muitos sportinguistas insurgiram-se ontem contra o relevo dado pelo Record ao momento do jogo, uma extraordinária foto de Paulo Calado, chegando alguns a alegar a falta de patriotismo dos editores, tendo em atenção o próximo jogo da Selecção. Muitos benfiquistas, pelo contrário, consideraram muito frouxa a opção de deixar de fora do léxico garrafal o "frango" e o "peru" que estiveram nas mesas de tantas conversas de domingo.
Rui Patrício ainda vai a meio de uma carreira que teve um início fulgurante, mas tem vindo a estagnar pela dificuldade em conquistar títulos, mantendo-se no topo da confiança do seleccionador, mas ultrapassado sistematicamente nas escolhas dos grandes clubes europeus.
O moral da história do dérbi, à face desta incontornável situação, é que os erros dos guarda-redes, que são muito raros e, por isso, iconográficos, têm custos pessoais incomparavelmente mais graves que os dos árbitros, que são banais."

Ò sr. Guarda não se prenda!

"1. No tempo do Fascismo reprimia-se (além de muitas outras coisas) o direito à reunião. Temia o velho Estado Novo que os agrupamentos fizessem nascer ideias subversivas pondo em causa o normal funcionamento do bafiento Portugal que, felizmente, já não existe. Diligente, a sinistra PIDE procurava saber com antecedência os locais e os participantes nos conclaves e estes, quando sucediam, eram clandestinos e secretos.
2. O presidente do Sporting, no intervalo de dar uns pontapés na bola com os jogadores e de tentar fazer-se ouvir, decidiu reunir-se com adeptos do seu clube num local do norte (ou seja, a Oeste de Pecos) na véspera do jogo no estádio das Antas. O direito de o fazer é uma das virtudes daquilo a que chamamos, se calhar exageradamente, de Democracia.
3. As autoritárias autoridades decidiram aconselhá-lo vivamente a não levar avante essa subversiva ideia de reunião. Garantir a sua segurança e a daqueles que com ele queriam conviver não terá passado pela cabeça dos responsáveis de tão diligentes corporações. «Proibir» pareceu-lhes, certamente, mais conveniente. A despeito de, como é óbvio, tal decisão atentar contra a ideia de um Estado de Direito no qual pensamos todos viver. Um erro, como se vê.
4. Diligentes, as autoridades, nos arredores das Antas, em vez de cumprirem os serviços básicos de segurança impedindo confrontos entre bandos de marginais disfarçados de adeptos, assistiram a tudo no conforto dos seus coletes fluorescentes e desencaram os incautos que lhes passaram ao alcance dos bastões. Dá vontade de dizer, como nos tempos do inesquecível «Pão Com Manteiga»: Ò sr. Guarda, não se prenda!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Sobre rodas

"O Benfica somou ao título de Campeão Europeu a vitória na Taça Continental de Hóquei em Patins, batendo o detentor da Taça CERS e alcançado assim o 46.º título da história do Clube na modalidade no escalão de seniores, oitavo título nos últimos quatro anos. É um feito notável que equipara a actual geração de hoquistas do Benfica, os seus dirigentes e equipa técnica, aos que em décadas do século passado brilharam ao melhor nível na modalidade. O Benfica, desde a época de 2009/2010, alcançou os maiores títulos do Hóquei em Patins europeu: Liga Europeia, Taça CERS e Taça Continental, esta pela segunda vez.
A vitória do Benfica segue-se a alterações na equipa técnica e no plantel, em relação à época anterior, mas a contribuição para esta onda vitoriosa do treinador e de jogadores que entretanto deixaram o Clube não foi esquecida no momento da vitória e da justíssima consagração dos técnicos e do plantel actuais. A vitória agora alcançada, e por marca tão expressiva, é um grande êxito do Benfica, do espírito do Clube, da sua estrutura dirigente e da organização que que tornam possíveis os sucessos dentro do rinque. A par das conquistas da equipa sénior, o Benfica tem somado sucessos no Hóquei feminino e em escalões da Formação: o Clube tem quatro Campeões do Mundo na casa dos Sub-20.
E a vitória na Taça Continental, decidida em casa e com a casa cheia, ficou a ser também uma conquista dos adeptos. Nem por um segundo do tempo do jogo na Luz os adeptos deixaram de apoiar vibrantemente a equipa. O sucesso do Hóquei em Patins do Benfica rola sobre rodas e esta conquista vai trazer mais e novos adeptos aos pavilhões, que é onde melhor se vê e aprecia esta modalidade de alta velocidade, grande beleza, enorme emoção e com uma história gloriosa na memória do Clube e do País."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Épico

"A tradição dos fantásticos dérbis da Taça ainda é o que era. O Benfica - Sporting foi, com toda a certeza, o melhor jogo de futebol realizado esta temporada em Portugal. E, mais do que isso, confirmando-se como um duelo emotivo até ao extremo e imprevisível até ao cair do pano. Como um verdadeiro dérbi deve ser. Treinadores e jogadores mostraram que, afinal , é viável haver grandes espectáculos quando os artistas fazem por isso. Só é pena que tivesse sido a eliminar. Nenhum dos lados merecia ficar pelo caminho.
1 - Comecemos pelos verdadeiros protagonistas e pelos dois pólos. À cabeça, Óscar Cardozo. Vindo de uma lesão, demonstrou - se dúvidas houvesse - que o Benfica com e sem ele não é exactamente a mesma coisa. Fazer um hat-trick num clássico já é obra, mas obtê-lo em meia parte marca ainda mais. Esta temporada o paraguaio já resolveu vários jogos e, desta feita, contribuir com três golos em quatro tem um peso decisivo. E só não foi mais longe porque Rui Patrício não lho permitiu. E por duas vezes.
Passemos então a Patrício. Fica como a antítese de Cardozo : um "frango", uma derrota. Demasiado duro para quem, como refiro acima, teve um papel importante no adiar do desaire. Mas é a vida. Patrício vai saber lidar com isto e só se espera que quando voltar à Luz, na próxima semana, tenha varrido da cabeça um daqueles momentos que dão direito a insónia.
2 - O Benfica tem neste 4x3x3 a real escapatória. Vira-se em Atenas, voltou a constatar-se na Luz. Ter Rúben com Enzo (uma exibição absolutamente notável), deixando espaço a Matic (que neutralizou André Martins), leva a uma consistência no meio campo que ditou leis durante grande parte do jogo. Foi mais do que coincidência a quebra de rendimento da zona nevrálgica depois da saída, por lesão, de Amorim, que teve reflexo no "aparecimento" de Adrien. Ao descer de um lado correspondeu o subir do outro, como num sistema de vasos comunicantes.
O problema continuam a ser os lances de bola parada. Jesus odeia que se fale do assunto, mas contra factos não adianta argumentar. Maurício saltou mais alto que Luisão e Garay ficou a ver Slimani passar. Num canto e num livre. Nada que não tenhamos já visto noutras alturas, mas que se pensava estar devidamente acautelado. A consequência é que, desta forma, os encarnados passaram de um confortável 3-1 para um perigoso 3-3.
3 - O modo como o Sporting não desistiu - perante uma desvantagem de dois golos - é um aspecto revelador de uma força anímica pouco comum. Mais ainda quando suportara uma pressão maior do adversário e vira a batalha do meio campo globalmente ganha pelo Benfica nos 45 minutos iniciais. Adrien voltou a ser a chave para muitas soluções e Capel agiu até se esgotar.
Contudo, a tal imaturidade também apresenta a factura. E voltaria ao quarto golo do Benfica para sublinhar que a história não se resume a Patrício. Alguém consegue explicar como é que um lançamento de linha lateral bate no relvado, salta por toda a gente e acaba na cabeça de Luisão empurrado por Rojo?
4 - Jesus e Jardim jogaram para ganhar. Cada um com os seus recursos, mas jogaram. O técnico encarnado, confrontado com a lesão de Amorim, apostou em Ivan Cavaleiro e deslocou Gaitan para a zona central. A caminho dos 90 minutos, quando ainda estava a vencer, retirou um Markovic cansado e pouco inspirado para dar lugar a André Gomes e, por via das dúvidas, reservou uma substituição para o prolongamento. Lima entrou para provocar roturas na "saudável anarquia" que vigorou nos 30 minutos suplementares.
O treinador leonino agiu mais cedo. Tinha de ser, estava a perder, e Carrillo poderia ser uma alternativa credível a Wilson Eduardo. Depois, consumado o 3-2, "vira" a agulha para um 4x4x2 de tudo ou nada, com a troca de André Martins por Slimani. E, quase de caminho, abdica de Capel para optar por Carlos Mané. Se bem que no prolongamento o refrescamento quase total da frente de ataque levasse a um 4x2x4 (que também ajudaria a "partir" o jogo). Jesus e Jardim, cada um à sua maneira, não permitiram que se apagasse a caldeira da emoção.
5 - A arbitragem voltou a ser o elo mais fraco do desafio. Outra vez por culpa própria (o penálti de André Almeida é o caso mais incompreensível). Já esta época, no jogo de Alvalade, o Benfica falou de prejuízo. Com razão. Agora, no jogo da Luz, o Sporting falou de prejuízo. Com razão. É mais um clássico dentro do clássico. Mas houve algo que se alterou. Agora, os responsáveis dos clubes - profissionais - se quiseram apresentar os seus lamentos devem fazê-los junto da entidade patronal dos árbitros. É que estamos a falar de árbitros tão profissionais quanto os jogadores e treinadores, lembram-se?"

Duarte Gomes e os atrasados mentais

"Duarte Gomes não fez uma arbitragem perfeita no Estádio da Luz, O Sporting queixa-se de dois penáltis que ficaram por marcar num jogo que foi a melhor propaganda para o futebol também devido ao trabalho do árbitro.
Um grande jogo já estragado pelos atrasados mentais, fanáticos e otários do costume. Aqueles que estão cego pela clubite e que, infelizmente, têm direito a palanque numa televisão qualquer.
Foi esse o caminho que sobretudo as televisões quiseram seguir em nome, digamos, da polémica e do espectáculo: dar antena a trauliteiros de vistas curtas que numa qualquer tasca deste país seriam corridos a pontapé.
Por isso, ninguém fala da fantástica decisão de Duarte Gomes e da sua equipa no lance do frango de Rui Patrícia e na forma ridícula como o guarda-redes da selecção nacional (ups) tentou demonstrar que a bola não tinha entrado. Sem chip na bola, o árbitro decidiu bem, o que é chato para a tal petição...
Vimos todos um grande jogo e uma arbitragem que não lhe ficou muito atrás. Com erros, sim, mas no geral boa.
Mas o que interessa por ora é atirar esterco para o que há de mais puro no desporto-rei. O que seria no mínimo uma infâmia num mundo de gente inteligente e lúcida mas que é algo de perfeitamente normal nesta nave dos loucos.
(...)"

O Benfica e o fora-de-jogo de centrímetros

"O dérbi da Luz foi um daqueles jogos que daqui por muitos anos ainda nos vamos lembrar. Pela espectacularidade do jogo - apesar da primeira meia-hora menos excitante - e pelos muitos golos, o último do mais caricato que já vi. Vi eu e quem estava a ver na tv porque dos jogadores do Benfica só Luisão e Lima viram pois os restantes estavam todos de costas para a bola a pedir um penálti.
Esse foi um dos erros de Duarte Gomes, o não assinalar penálti no lance, porque nos penáltis não se dá a lei da vantagem. O problema é que, pareceu-me, o árbitro não deu a lei da vantagem, simplesmente não considerou falta sobre Luisão.
Na ressaca, os sportinguistas queixam-se do árbitro. Queixam-se de dois penáltis por assinalar e têm razão, embora no segundo se veja nas imagens que Duarte Gomes não podia ver o braço de André Almeida a tocar na bola (está tapado pelo corpo do jogador - isto é já a resposta aos sportinguistas e portistas que vão contestar esta tese). Queixam-se, também com razão, do fora-de-jogo de Cardozo no 3-1 mas são os mesmos que no dérbi da Liga consideraram que Montero estava só ligeiramente adiantado (no lance do 1-0).
Já os benfiquistas desculpam Duarte Gomes pois o fora-de-jogo de Cardozo era só de uns centímetros, muito difícil de apanhar. E esta é a ironia suprema: os benfiquistas odeiam Pedro Proença pelo fora-de-jogo de há dois anos, o que deu o título ao FC Porto. Esse já não era de centímetros, era obrigatório ver.
Só mais uns curtos apontamentos sobre o dérbi:
Jesus devia ser proibido de falar das arbitragens.
Rui Patrício, depois de uma defesa fantástica quando Cardozo se isolou, não merecia aquele frango. 
Cardozo confirma-se como o matador menos simpático (nunca se ri) do futebol português mas parece já não ser o mal amado da Luz - talvez pela cena do Jamor.
Bruno de Carvalho, que elogiei aqui uma vez - já tinha perdido todo o crédito para mim quando se referiu à idade de Pinto da Costa - voltou a acusar um árbitro após uma derrota, insinuando a perseguição ao Sporting, e foi bastante deselegante para o treinador adversário, esta parte sem necessidade.
Nos outros jogos da Taça, destaque para a vitória do FC Porto em Guimarães, com um golo espectacular de Fernando. Um jogo no qual o defesa vimaranense Abdoulaye (cedido pelos dragões) não participou por se ressentir de uma lesão, tal como aconteceu no jogo da Liga. Um azarado este Abdoulaye."


PS: Esta é daquelas opiniões 'quase' justas, mas lá no meio, não se conteve, e esbarrou-se contra a parede...!!!
Comparar o fora-de-jogo do Cardozo, com o do Montero em Alvalade é justo. Apesar de um ser de milímetros e outro de centímetros!!!Agora comparar qualquer um destes foras-de-jogo com o do Maicon, é pura má vontade. Estes dois lances, são bolas corridas, não são bolas paradas, e o do Maicon foi pelo menos 1 metro, e eram dois jogadores... que estavam fora-de-jogo, quando antes do livre ser marcado, estavam fora-de-jogo quando o livre foi marcado, e estavam ainda fora-de-jogo depois do livre ter sido marcado, em nenhum momento os defesas do Benfica lhes passaram para a frente...!!!
Outro curiosidade, é que a discussão dá de barato que existe mesmo fora-de-jogo do Cardozo, e nem sequer questiona se o passe do Amorim foi para trás, para o Nico, e que a bola só vai para o Tacuara depois do Rojo tocar na bola... E nem sequer se fala do fora-de-jogo do Capel!!!

Na paz do julgador

"Todas as épocas recebemos imagens que ilustram consequências terríveis – potenciais ou efectivas – para a integridade física dos jogadores de futebol em resultado de cotovelos a despropósito, cabeças mal direccionadas ou virilidades inadmissíveis. A mais recente ocorreu no campeonato francês: arrepia ver a “tesoura” de Zouma, do Saint Étienne, sobre Guerbert, do Sochaux. O esgar de dor e aflição do jogador prenunciava o pior: fractura da tíbia e paragem mínima de seis meses. A Comissão de Disciplina da Liga Francesa não hesitou na dureza: 10 jogos de suspensão para Zouma.
O Regulamento Disciplinar (RD) da Liga tem um regime próprio para estas situações – ainda que só para as agressões físicas “dolosas”. Sempre que delas resulte a lesão do atleta atingido, a suspensão “será mantida até que o lesionado retome ou esteja em condições de retomar a sua actividade”, desde que o castigo não exceda o prazo de um ano. Já se sabe que a pedra de toque destes processos será averiguar a “intenção do jogador”, pois uma atitude descuidada ou negligente não merecerá tal pena. É uma consequência que, de todo o modo, deveria ser alargada para as “entradas” ilegítimas na disputa da bola, como foi o caso de Zouma; como tal, a não ser que se qualificasse a conduta como “agressão”, caso idêntico ao de Zouma, ocorrido entre nós, não poderia levar a essa suspensão até ao regresso do jogador lesionado.
Também para evitar situações de “risco grave para a integridade física” continua a estar no RD o “processo sumaríssimo”, para agressões e indignidades que não são vistas e sancionadas pela equipa de arbitragem. Porém, desde a entrada nos órgãos disciplinares da equipa escolhida por Fernando Gomes (na Liga, primeiro; depois, em parte, na FPF), o “sumaríssimo” é letra morta do RD. Logo, não foi com base em “sumaríssimo” que, esta semana, foram sancionadas as agressões sem expulsão de Douglas, V. Guimarães (na foto) e Rúben Ferreira, Marítimo. Antes partiu da iniciativa da Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga (o “Ministério Público” do futebol profissional) a elaboração do “auto por infracção verificada em flagrante delito”, baseada em imagens televisivas, que “obrigou” o Conselho de Disciplina da FPF a decidir e, portanto, a exercer os “poderes públicos desportivos” de que é titular. Ainda que só com 1 jogo de castigo, numa moldura que vai até 10 jogos, no critério “minimalista” que, em oposição à jurisprudência estrangeira, satisfaz o infractor e atira o descrédito para o julgador da FPF. Mas é assim que se constrói a “paz gloriosa” de Napoleão, certo?"


PS: O que passou despercebido ao Ricardo Costa, é que este aparente regresso aos Sumaríssimos, deveu-se exclusivamente à necessidade/vício de beneficiar os Corruptos. Com a suspensão do Douglas. Nada mais...
Por acaso vi alguns minutos do jogo em questão, e vi duas agressões duras, uma para cada lado... aliás a segunda pareceu-me retaliação, já que atingiu o jogador do Gil que tinha agredido o Olímpio no 1.ª parte. Em ambos os momentos o Rui Costa mostrou amarelo, e devia ter sido vermelho. No lance do Douglas, muito sinceramente não vi nada de especial... mas nós sabemos como as coisas se passam...

domingo, 10 de novembro de 2013

Vitória muito saborosa !!!

Sporting 7 - 8 Benfica

A equipa nas últimas jornadas não esteve bem, talvez por isso a confiança não era muita, admito. Mas um derby, é um derby... e hoje, apesar de alguns erros evitáveis - sofremos 2 golos em situações de 'bola parada'... já parecem os outros!!! -, no ataque, conseguimos baixar o nível do desperdício, que normalmente é bastante elevado na nossa equipa!!!
Na história dos derby's, temos levado com várias exibições do Benedito, tipo Roberto em Atenas, hoje, isso não aconteceu, com o Cristiano na baliza, a fazer uma exibição boa, mas 'terrestre' e com os nossos artilheiros com confiança, sem medos, até conseguimos alguns golos de antologia: Henmi e Joel...
A lesão do Brandi acabou por não atrapalhar, apesar de na parte final do jogo, quando era preciso congelar a bola, o espanhol fez falta.
O resultado é totalmente enganador, o Benfica não merecia vencer por 1 golo de diferença, hoje o resultado justo, era uma goleada... chegámos ao 3-6 a jogar em igualdade numérica. Quando a mais de 13 minutos do fim, o Sporting apostou no 5x4, tudo mudou. De início aproveitámos, e chegámos aos 3-8, mas depois sofremos 4 golos, quase consecutivos, não é fácil estar tanto tempo a defender nestas circunstâncias.
Quem me conhece, sabe que sou totalmente contra esta regra. Já o afirmei em situações inversas. Não é justo uma equipa liderar, ou dominar a jogar 4x4, e depois nos últimos minutos o marcador ser completamente desvirtuado, com um alteração de estratégia que as regras não deviam permitir.
Se a atacar em 5x4 o Benfica tem demonstrado muitas debilidades, a defender ultimamente mostrou alguma evolução, hoje parece que retrocedemos... é preciso continuar a treinar estas rotinas, porque - infelizmente para mim... -, fazem parte do jogo.
Também é curioso, que neste derby não tenha existido os tradicionais escândalos de arbitragem... que no passado, tantas vezes nos empurraram...  E talvez por isso, vencemos. Mesmo assim, foi preciso 12m30s para marcar a 1.ª falta aos Lagartos, e em ambas as partes, ficámos 'tapados' com faltas bem cedo!!!

Uma nota para a azia do arrogante treinador Lagarto, que nem hoje, com o baile que levou, conseguiu admitir a superioridade do Benfica. Se na Final da Taça de Honra da AFL se mostrou eufórico, e desrespeitoso para com os jogadores e o treinador do Benfica, após ter ganho um jogo, com a ajuda do árbitro, no último segundo, jogando em 5x4, hoje parecia que estava a ser torturado durante a conferência de imprensa, balbuciando algumas frases alucinadas...

PS: Esta manhã na Sobreda da Caparica, voltou-se a disputar o derby em Rugby. Recordo que as camisolas com as riscas horizontais que os Lagartos vestem, foram 'inventadas' por esta secção... que após uma cabazada histórica que levaram num derby, há mais de 50 anos, resolveram fechar a secção!!! E só agora, depois de já terem afogado as mágoas, resolveram reabrir...!!! Sendo assim, nada melhor, que no primeiro derby disputado, tenham novamente perdido, desta vez por números um pouco mais respeitosos: 34-10!!! Espero que não voltem a fechar a secção!!!


Regresso às vitórias...

Clube K 1 - 3 Benfica
19-25, 25-21, 13-25, 21-25

Depois do desaire de ontem, pedia-se uma vitória convincente hoje. Vencemos é verdade, com a pontuação máxima, mas perder 1 Set, não estava nos planos!!!

Cardozool... e o inevitável, caçador de Lagartos: Luisão, mesmo sentado...!!!

Benfica 4 - 3 Sporting

Grande jogo, emotivo, intenso, nem sempre bem jogado, e com a equipa que mais remata à baliza com perigo, a vencer!!!
Muito sinceramente, ao intervalo pensei que o jogo estivesse ganho. O Sporting como é costume até tem muito posse de bola, mas tem poucos jogadores no último terço do campo, e cria poucas oportunidades. O Artur voltou a não fazer muitas intervenções de qualidade (não foi obrigado, uma mais difícil, e do canto deu o golo...!!!), sendo que o Patrício - excepto no Pato -, esteve muito activo, com várias defesas decisivas... e além dos golos, também vencemos nas bolas aos ferros!!! Mas as bolas paradas voltaram a assustar!!!

Não sei quais foram as razões que levaram o Benfica a aceitar a marcação do jogo para Sábado. Com o jogo de Terça em Atenas, com os Lagartos a verem a Europa na TV, corremos sérios riscos de ser eliminados, devido ao desgaste Europeu... Felizmente, as coisas correram bem.
A pressão estava toda em cima do Benfica: a frustrante derrota em Atenas, a guilhotina na cabeça do Jesus, que vem desde da pré-época... Ao contrário o Sporting nada tinha a perder neste jogo, bem pelo contrário. O discurso dos Lagartos, a partir de amanhã, vai ser o da equipa jovem, 'low-cost', que bateu o pé ao melhor plantel do Benfica dos últimos anos... O Benfica não tinha (nem tem) espaço para estes álibis, portanto o peso da responsabilidade era nosso, e o Cardozo resolveu o assunto rapidamente...
Tacuara não marcava de livre directo hà dois anos, em Basileia, e até foi parecido (por baixo da barreira), e quando o Sporting empatou, o Cardozo não gostou!!!
Na 2.ª parte o Benfica entrou em modo: controle, algo que está a fazer melhor, mas as bolas paradas, voltaram a trair a equipa. Temos que resolver este problema rapidamente, não podemos continuar a sofrer golos destas maneira... muito menos nos descontos. Apesar do golo do empate ter dado emoção ao jogo, foi totalmente injusto, o Benfica fez o suficiente para vencer nos 90 minutos...
No prolongamento, após várias grandes defesas do Patrício, depois dos postes, terem evitado o golo do Benfica, o já tradicional goleador dos momentos decisivos (principalmente aos Lagartos) apareceu: Luisão!!! Que sentado, após ser empurrado pelo defesa do Sporting, marcou... com o Patrício a chocar um Pato magistralmente!!!
Até ao final do jogo, foi novamente o Benfica a falhar várias chances de golo...

O Lagartos continuam a confundir posse de bola, com domínio, ou mesmo remates perigosos à baliza. E talvez por isso, somos obrigados a ouvir estas analises Lagartas que são de partir o coco a rir... o Adrien disse mesmo que o Benfica jogou no erro, e que além dos 4 golos, não fez mais nenhum ataque!!! Esta gente vive mesmo noutro planeta...!!!

Em relação às alianças da mulher do Lagarto-mor, só tenho que o avisar, que com o Jardim como treinador, nem sequer a aliança de casamento está segura nos dedos do dele, bem pelo contrário!!!
Que o Duarte Gomes é mau árbitro?!!! Isso não é novidade nenhuma... nós sabemos disso, à vários anos... Agora, quando começam a chorar parvoíces como: 'sempre para o mesmo lado', por favor não se esqueçam como é que empataram esta época no Alvalixo, e já agora quando o Luisão supostamente fazer penalty sobre o Montero, devido a um pontapé no tronco, é bom que o Colombiano não se queixe do tornozelo!!! O mais ridículo disto tudo é que estamos a falar da equipa que esta época está farta de marcar golos em fora-de-jogo!!!
O jogo foi intenso, houve muitos contactos, os amarelos saíram com facilidade para a equipa da casa... nos lances mais discutidos, acho que foram decididos em coerência com o critério usado no resto do jogo, o que tendo em conta o árbitro, já não é nada mau:
- O Luisão não tem qualquer intenção de atingir o Montero, é o Lagarto que mete o corpo à frente do pé do capitão, e depois faz o habitual espectáculo (tal como o Nico tentou fazer com o Maurício, para mim, era amarelo para os dois)...
- No lance com o Almeida, não acho deliberada a Mão na Bola, é à queima, e o braço está onde devia estar... Essa história dos braços junto ao corpo, é uma história da carochinha, já que ninguém anda (ou corre) com os braços junto ao corpo!!! Mas no critério que normalmente é usado em Portugal, devia ter sido marcado.
- Foras-de-jogo: ainda não revi todos os lances, mais tarde poderei fazer uma adenda neste ponto. No 3.º golo do Cardozo não existe fora-de-jogo, o Óscar está em linha. E mesmo assim tenho dúvidas, já que o passe do Amorim não é para o Cardozo, é para o Nico, e a bola só vai para o Óscar após o Rojo tocar na bola...!!! No 1.º golo do Sporting, parece-me que o Capel também está em linha, e portanto em posição legal, mas gostaria de ver a linha da SportTV e gostaria que este lance tivesse o mesmo destaque que o lance do Cardozo, mas isso é impossível...
- Agora aquilo que ninguém vai falar é de como o Maurício (e até o Willian...) chegou ao fim do jogo, depois de várias faltas duríssimas... e o tal penalty sobre o Luisão (do Rojo), que por graça divina deu em golo!!!

Mas como é óbvio, a arbitragem supostamente prejudicial ao Sporting vai ficar para a história deste jogo, até porque todos os Lagartos que poluem a (des)comunicação social desportiva, demonstraram toda a sua azia no final da partida... até aqueles que se dizem independentes deixaram cair a máscara: Freitas!!! Sou obrigado a destacar neste aspecto o aziado-mor: Coroado!!!


ADENDA(1):
Ainda me falta rever o lance que dá o 3.º golo ao Sporting - o fora-de-jogo posicional do Montero no momento da marcação do livre, não me parece irregular... -, parece que a falta não existiu, mas antes que me esqueça, deixo aqui as fotos, dos dois foras-de-jogo milimétricos no 1.º golo do Sporting, e ainda o gif do fora-de-jogo mal tirado ao Sílvio, que daria muito provavelmente o 4.º golo ao Cardozo, no início da 2.ª parte!!!
Já agora, o penalty sobre o Luisão devia ter sido marcado: assim perdoava-se o frango ao Patrício; o Cardozo provavelmente marcaria o 4.º golo; e o Rojo ia logo para a Rua !!!




Mais um Gif. Este é do minuto 54, um duplo penalty que não foi assinalado!!! Empurrão e rasteira ao Matic, e agarrão ao Cardozo... tudo normal!!!


ADENDA(2):
Deixo aqui a foto, do pé em riste do Montero sobre o Luisão, no lance onde os Lagartos pedem penalty... na foto, não dá para ver o mergulho que se seguiu, e a 'dor' intensa que o Colombiano sentiu na perna, depois do Luisão lhe ter acertado meio no braço, meio no tronco...!!! Pelo menos não partiu o nariz!!!

sábado, 9 de novembro de 2013

Juventude a marcar...

Benfica 13 - 3 Diessbach

Entrada a todo gás na Europa, naquilo que se espera ser a época da revalidação do título. O jogo até começou com alguns azares - aquele 2.º golo Alemão foi muito estranho!!! -, mas rapidamente o marcador começou a mostrar a diferença entra as equipas.
Destaque como é óbvio para o Miguel Rocha, não é todos os dias que se marca 8 golos!!! E para o Diogo Neves, o puto (ainda júnior) tem muito talento, aquele 1.º golo, à La Zorro, só mesmo para quem tem muita auto-confiança!!!

O grupo não é complicado, o adversário mais difícil é o Ventrell (derrotado na Continental recentemente), o Benfica vai quase de certeza passar à fase seguinte, mas estas 'facilidades' vão adiar a nossa auto-avaliação sobre se temos mesmo potencial para repetir o triunfo Europeu do ano passado...

Fácil...

Benfica 40 - 23 Madeira SAD

Jogo de grau de dificuldade baixo, que deu para rodar todo o plantel... Mesmo assim, durante grande parte do jogo, mantivemos uma diferença a rondar os 6 golos, e só na parte final demos a machadada... Falhámos demasiados contra-ataques: 7 (em 19)!!! Não se pode falhar tantos golos, só com o guarda-redes pela frente. Ainda falhámos 3 livres de 7 metros (em 4)!!! Como se pode ver por estas duas estatísticas o resultado podia ter sido muito mais pesado...
O calendário deixou-nos 4 jornadas, com adversários mais acessíveis, este foi o primeiro... no meio vamos ter a Europa (complicado), e depois vamos ter uma sequência muito difícil, potencialmente decisiva... portanto é bom que fisicamente a equipa prepare essa fase da melhor forma. Hoje a maneira como o Carneiro saiu lesionado, deixou-se assustado...

Mau... (mas) !!!

Guimarães 80 - 70 Benfica
22-17, 19-13, 16-12, 23-28

O 'mas' no título, deve-se às ausências: Gentry, Andrade, Carreira e até o Ferreirinho. Hoje, jogámos basicamente com 7 jogadores. É verdade que estes 7 jogadores tinham a obrigação de fazer melhor... a diferença pontual chegou a ser muito maior, do que o resultado final demonstra... mas o Benfica nestas últimas épocas tem ganho muitos jogos, devido à profundidade do banco, jogando com o desgaste do adversário, hoje isso não foi possível...
Quando se tem 3 em 24 nos lançamentos de 3 pontos, não se pode ganhar jogos. O trio Doliboa/Barroso/Betinho em nove tentativas marcou 0 !!! O Benfica não pode depender dos triplos, hoje perdemos a luta dos ressaltos, e voltámos a sofrer demasiados pontos...
O Guimarães, pelo que fez hoje, e pelo que tinha feito na Supertaça, será muito provavelmente o nosso principal adversário este ano. Mas isso, não desculpa a má exibição da equipa... já começa ser tradição perder em Guimarães...

Tremedeira !!!

Fonte Bastardo 3 - 0 Benfica
25-23, 25-23, 26-24

O Benfica discutiu os três Set's mas tremeu sempre na hora da decisão. Se no 1.º estivemos sempre atrás, mas recuperámos no final (não o suficiente), no 2.º e no 3.º Set's estivemos sempre na frente, mas permitimos a recuperação adversária...
O Zelão é um dos jogadores mais emocionais do Benfica, não sei se esta tremedeira, se deveu à sua ausência, mas esta situação, não se pode repetir... O Flávio também está a regressar após lesão, ainda sem ritmo, e hoje nem o recurso à opção de emergência deu resultado.

Amanhã em São Miguel é para regressar às vitórias.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A benfiquista

"Por norma, o benfiquismo é associado a homens, a um estádio inteiro de machos xingando a sorte e uma certa senhora. Mas o verdadeiro macho alfa do benfiquismo é a benfiquista. Tenho conhecido adeptas que metem o meu fanatismo a um canto. Esta colecção de cromas gloriosas é vasta, mas julgo que devemos começar o inventário por aquelas eloquentes varinas do terceiro anel, senhoras que fazem questão de ensinar novas combinações de palavrões à minha mulher, matronas que empalariam os Super Dragões ao estilo do Pulp Fiction, cinquentonas que acham que o Youtube foi inventado para gravar coisas do Pinto da Costa. Um mimo.
E, de certa maneira, eu conheci as filhas destas varinas em chuteiras. Na escola, certas miúdas eram as maiores fanáticas. Se a maioria andava com recortes do Kurt Cobain ou do Michael Jackson, as garotas da bola, normalmente com cabelos oleosos e peles lunares, roubavam A Bola ao avô e recortavam a figura do João Vieira Pinto para colar nos cadernos pretos da Ambar. Eram tão benfiquistas que até iam ver os jogos dos juvenis nas tardes de sábado, embora eu conceda que estas incursões talvez fossem provocadas pelas hormonas e não pelo benfiquismo. Vinte anos depois, as paixões adolescentes pelos homens do Benfica continuam activas. Há dias, por exemplo, descobri que uma prima tinha uma fixação doentia pelo Fábio Coentrão. Fábio, o Justin Bieber das Caxinas.
Mas a minha benfiquista favorita é aquela executiva, advogada ou jornalista, uma lady na mesa, uma louca no estádio. Educada, letrada e com a dentição completa, esta benfiquista terminal perde o uso da razão. Ela é que é a verdadeira índia do Terceiro Anel. Durante o jogo, aliás, durante o dia do jogo, ela fica possuída pelo espírito de Cosme Damião e trata o sportinguismo ou o portismo do marido com aquele desprezo pós-coito da Viúva Negra.
Amém."

Que regressem as boas vitórias

"Não há vitórias morais num clube como o Benfica, mas a jogar como na Grécia estamos muito mais perto de conseguir vitórias reais. Campeonato e Taça de Portugal são provas para vencer, ter uma boa participação europeia também é exigível, mas são os títulos que nos fazem falta, aquilo que mais desejamos. 
Se bem conheço os adeptos do Benfica, o jogo de Atenas devolveu dez mil adeptos ao estádio, ao contrário de algumas vitórias pálidas que não deixaram ninguém eufórico.
Ganhar. Ganhar ao Sporting, porque não há alternativa a quem quer reconquistar a Taça, e depois continuar a ganhar nos jogos do campeonato. Uma boa exibição e uma vitória no sábado contra o rival e estavam afastadas quase todas as nuvens que pairaram sobre a luz.
No Campeonato estamos de novo a três pontos da liderança,o que por um lado nos aproxima do topo, por outra significa o regresso das arbitragens que nos tiraram de lá. Mesmo sem jogar bem, há que repeti-lo, sem erros de arbitragem, liderávamos o Campeonato com vantagem confortável.
Mas isso fica para as 'classificações da verdade' que vários órgãos de comunicação fazem, e nos quais todos são unânimes.
O Benfica só pode tratar da sua parte, de jogar bem, de chamar adeptos ao estádio e de vencer de forma repetida e convincente. Jogamos melhor em Atenas que em Coimbra, mas há quem só comente resultados e por isso nada se possa fazer.
Hulk mostrou mais ternura pelo FC Porto ao falhar o penalty, do que Roberto pelo Benfica com seis excelentes defesas. Razão tinham aqueles que diziam que Roberto era bom guarda-redes. Por oito milhões, hoje há quem pense que foi vendido muito barato.
De regresso às boas exibições... venham as boas vitórias. Amanhã desejo um bom jogo, uma bela vitória contra um grande rival."

Sílvio Cerva, in A Bola

O guarda Abel

"No final do jogo entre o Belenenses e o Futebol Clube do Porto, João Fonseca, jornalista da Rádio Renascença, terá sido agredido por Rui Cerqueira (na foto), director de comunicação do FCP. Vários camaradas seus foram testemunhas desta agressão, entre os quais um jornalista da TSF. Os repórteres procuravam ter reacções de Helton e Rui Cerqueira, que é ex-jornalista, decidiu intervir. O próprio garante que terá sido empurrado e agarrado depois de dar ordens para não haver declarações. Uma horda de jornalistas a bater num director de comunicação para conseguir declarações de jogadores. Já ouvi histórias mais credíveis, mas no futebol tudo é possível.
A acusação de agressão a jornalistas, seja por seguranças, seja por adeptos, seja por dirigentes, é um clássico em jogos em que o Porto esteja envolvido. Nunca se ouviu da boca de Pinto da Costa uma palavra de condenação. Achou sempre mais interessante fazer piadas. Quando uma vez foi confrontado com o tema, respondeu: “Vou montar um hospital lá nas Antas, porque com tantos feridos isso é capaz de ser um bom negócio”. Muitos risos. Não é grave. O Estado de Direito, já se sabe, fica à porta dos estádios.
Mas apesar de o “guarda Abel” ser um símbolo à memória da arbitrariedade e da impunidade no futebol, seria injusto ficar-me pela relação obviamente difícil que o Porto mantém com a liberdade de imprensa. Esse mal é bem mais abrangente. Não se mede apenas por situações mais radicais, como insultos e agressões. Vê-se nos blackouts, nas interdições selectivas de entrada de jornalistas em estádios e em intimidações várias. Por eles são responsáveis os dirigentes dos clubes e uma justiça permissiva. Mas também uma classe de jornalistas incapaz de mostrar laços de solidariedade, demasiado temerosa da popularidade dos dirigentes desportivos e, em alguns casos, promiscua na sua relação com os clubes. Não é preciso imaginar o escândalo que seria se um qualquer jornalista fosse agredido por um dirigente partidário. O movimento de solidariedade entre jornalistas que tal provocaria... Pois está na altura de os jornalistas desportivos se verem como merecedores do mesmo respeito. Boicotando colectivamente, se preciso for, qualquer clube que ponha em causa a sua segurança."

Cardozo em ascensão em duelo sul-americano

"O futebol é um jogo colectivo, pelo que no final da cada competição o que mais interessa é saber quem a venceu. Contudo, os desempenhos individuais são igualmente valorizados, nomeadamente no que se refere à lista dos marcadores. Ser o goleador-mor em qualquer prova de relevo é uma distinção que todos os avançados (e não só) ambicionam, mesmo tendo noção que esses galardões têm mais valor quando associados às conquistas da equipa.
Em Portugal, a menos que aconteça algo de verdadeiramente inesperado nas próximas semanas/meses, o título de melhor marcador da actual edição da Liga vai ser discutido entre sul-americanos. E se os brasileiros Derley (Marítimo) e Evandro (Estoril) surgem, de momento, bem colocados, poucos serão os que não apostam num despique mais reduzido, envolvendo apenas dois colombianos e um paraguaio ou, dito por outras palavras, as referências ofensivas dos três grandes.
Fredy Montero, dianteiro que o Sporting resgatou à MLS norte-americana, tem sido o grande protagonista do primeiro terço da Liga, aparecendo como melhor marcador, com nove remates certeiros em igual número de partidas. Contudo, o avançado leonino vai numa inédita sequência de dois encontros sem marcar. Não são muitos jogos em branco, bem pelo contrário, mas há quem diga que Montero é mesmo assim: começa sempre bem e depois vai perdendo fulgor. Será?
Também em seca há duas partidas está o compatriota Jackson Martínez, depois de ter começado a Liga em alta ao facturar nos primeiros cinco compromissos. O dianteiro que o FC Porto elegeu para fazer esquecer o também colombiano Radamel Falcão, estreou-se a época passada em Portugal logo como melhor marcador (26 golos) e agora soma sete “tiros”, pelo que totaliza 33 golos em 39 jogos na prova.
Mas em franca inspiração, por agora, está o benfiquista Óscar Cardozo. O paraguaio – que chegou ao nosso país em 2007 – demorou a encontrar os caminhos das balizas esta temporada, mas tal como Jorge Jesus havia prognosticado ainda com o pupilo a zeros... não parou desde que acertou o primeiro remate. Em Coimbra, para além de ter aberto o caminho ao triunfo das águias, Tacuara cumpriu o quinto jogo seguido na Liga a marcar (antes festejara diante de V. Guimarães, Belenenses, Estoril e Nacional). Será que está suficientemente embalado para pôr em causa o seu recorde de sete jogos seguidos a marcar no Campeonato Nacional? Veremos... Para que tal suceda, o avançado que há uns meses esteve com pé e meio fora da Luz necessita de manter a eficácia na recepção ao Sp. Braga, na deslocação a Vila do Conde e no encontro caseiro com o Arouca.
Goleador de créditos firmados, apesar de não ser um futebolista muito consensual em Portugal ou no Paraguai, Cardozo já marcou 108 vezes na Liga, em 167 partidas, das quais 111 terminaram com a vitória do Benfica, 36 resultaram em empates e 20 em desaires. Nas seis épocas anteriores, o avançado oscilou entre um mínimo de 12 golos e um máximo de 26 na Liga. Agora, só ainda tem 5, mas faltam disputar... 21 encontros!"

Um Roberto nunca vem só

"Jesus continua a receber os louros pela contratação de Roberto na época 10/11. Infelizmente, para o treinador do Benfica, esta prova chega no pior momento possível, quando o Guarda redes espanhol se encontra ao serviço do Olympiacos, adversário do Benfica neste grupo da Liga dos Campeões.
Ontem defendeu tudo o que parecia impossível. Depois de na primeira mão, na Luz, ter oferecido o empate com um frango típico, no jogo realizado na Grécia defendeu, defendeu, defendeu e defendeu. O ataque benfiquista fez de tudo mas no momento da finalização acabou por ser travado por um Roberto inspirado e visivelmente concentrado, consciente do erro cometido em Lisboa.
Mas, colocando de lado o histórico de Roberto, um bom Guarda Redes também pode ser batido.
Do lado encarnado, onde reinam os “estrangeiros” Rúben Amorim brilhou com uma série de assistências desperdiçadas pelo atacante sérvio Markovic. Por uma boa oposição de Roberto, nalguns casos, mas também por pouca eficácia e convicção na hora decisiva.
Recuperando a história da nota artística, o Benfica de ontem na Grécia foi talvez o melhor desta temporada, mas não evitou a derrota por 1-0. Jogar bem e não marcar de pouco adianta a uma equipa que precisa de pontuar para chegar à fase seguinte da liga milionária.
Roberto é o herói da noite, para contrariar a sua prestação na passagem pelo Benfica, e ontem parecia estar acompanhado na baliza. Pela sombra, por um qualquer Deus grego ou simplesmente pela sorte. Jesus sonha, Roberto nega e a Luz fica com menos brilho."