Últimas indefectivações

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Relançar desporto pós-desconfinamento

"A crise sanitária ligada à Covid-19 colocou os cidadãos em casa e os países ficaram “fechados”. Para além das incertezas que esta situação excepcional provocou (e provoca), esta crise oferece também um tempo de reflexão sobre a sociedade que queremos, colectivamente, construir depois desta crise. O desporto, nas suas múltiplas dimensões (prática desportiva, espectáculo desportivo, actividade económica), não se pode afastar deste questionamento. Algumas preconizações (a curto, médio e longo prazo) poderiam ser tomadas em conta quer a nível nacional, quer a nível europeu:
1. A curto prazo: relançar o desporto de forma partilhada e solidária. Na Europa o desporto pesa 2,12% do PIB europeu e representa 2,72% de empregos. Neste sentido, é essencial que o sector seja considerado como um elemento da retoma económica e que possa beneficiar de todos os apoios colocados em prática para fazer face a esta pandemia. A nível nacional: os actores desportivos devem beneficiar das medidas urgentes colocadas à disposição; estabelecer um plano de relançamento do desporto numa perspectiva de longo prazo (via fiscal, por exemplo); favorecer a convergência dos dispositivos de apoio; assegurar uma comunicação fluída e acompanhar os actores, por forma a responder à grande heterogeneidade de situações (associações desportivas, empresas privadas, etc.). A nível europeu: reorientar alguns apoios financeiros, nomeadamente dos fundos estruturais de investimentos europeus (FSE, FEDER), para acções que visem a promoção de bem-estar dos cidadãos, pelo desporto e exercício físico.
2. A médio prazo: apoiar o desporto durante a fase de desconfinamento. O desporto representa um importante instrumento de coesão social, susceptível de facilitar novas formas de viver colectivamente e de acompanhar o processo de saída da crise. A nível nacional: adaptar materiais de protecção às especificidades das disciplinas desportivas; propor, no quadro escolar, um programa de educação e de higiene relativamente aos gestos de segurança apropriados, adaptado segundo as idades (as associações desportivas deveriam ser chamadas para desempenhar essas funções); encorajar a digitalização e a individualização da oferta de serviços desportivos propostos pelos clubes, federações, e privados; coordenar os calendários desportivos, evitando uma concentração de actividades e locais de prática. A nível europeu: encorajar as boas práticas no âmbito do desenvolvimento de ferramentas pedagógicas, mobilizando o desporto e a actividade física na Escola; criar novas oportunidades de financiamento e apoiar as inovações técnicas e sociais associadas à actividade física e desporto.
3. A longo prazo: promover o desporto na sociedade. A nível nacional: encorajar o desporto para todos, nomeadamente para os mais frágeis socialmente; valorizar o estatuto do voluntário (colocar em prática contratos de trabalho associativos, permitindo aos clubes remunerar os voluntários com valores definidos e exonerados de impostos); desenvolver ferramentas informáticas (as universidades e os politécnicos poderiam auxiliar); transformar os espaços urbanos, para fazer das cidades, escolas, empresas, etc. ambientes de vida activos, combatendo o sedentarismo e a falta de exercício físico."

Benfiquismo (MDXXXVIII)

Portimão...

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Recordações: Henrique Vieira...

Recordações: Trabal...

Recordações: João Tomás....

Recordações: Calado....

Recordações: José Manuel Reinaldo...

Em memória de uma antiga opulência

"O Benfica sempre se deu bem com adversários da Hungria, mesmo quando os húngaros ainda era dos grandes da Europa. Os velhos nomes passaram pela Luz: Upjest, Vasas, Honvéd... No dia 1 de Novembro de 1989, o mágico clube de Púskas perdeu em Lisboa por 7-0.

Um mal insidioso tomou conta do mundo, espalhando-se como um fedor, virando-nos de costas uns para os outros, transformando a nossa vida numa coisa qualquer que não é a nossa vida. Olho para a data do calendário e percebo que não saio de Alcácer há mais de dois meses, e foi como se tivesse posto na porta da existência letreiro a dizer. Volto já! Maio, não tarda, caminha para o fim. Deveria estar neste momento a preparar-me para ir para mais um Campeonato da Europa, o sétimo da minha carreira de jornalista, viajando para Budapeste, essa cidade sempre sentimental onde Portugal jogará, eventualmente para o ano, o primeiro jogo da fase final. Mas não. Os países escolheram-se dentro de si próprios. Fecharam fronteiras. O futebol caiu num desânimo que entristece adeptos, e nem o anúncio de que vai voltar, ainda que sem público nas bancadas, parece animar as gentes.
O Benfica sempre se deu bem com adversários húngaros. Desde o seu primeiro confronto, em 1960-61, com o Upjest, para a Taça dos Campeões que haveria de conquistar. Vitória por 6-2 em casa; 1-2 na Hungria. Em 1964-65, nas meias-finais, foi a vez do Vasas Gyor: 1-0 fora e 4-0 na Luz. Em 1967-68, nos quartos-de-final, outro Vasas, o de Budapeste: 0-0 e 3-0. O Ujpest vingou-se em 1973/74: 1-1 e 0-2. Em 1975-76, pagou o atrevimento com juros: 5-2 na Luz, 1-3 na Hungria. Depois, o futebol húngaro ficou doente, também atacado por uma espécie de epidemia. Mole, sem chama, perdeu a categoria do passado e os nomes de Kubala e Czibor, Púskas, Hidegkuti e Florian Albert não tiveram sucessores à altura. Ficaram para sempre guardados na memória do romantismo.

1 de Novembro
Quando, no dia 1 de Novembro de 1989, estive na Luz, em trabalho, no Benfica-Honvéd, sabia que o Honved já não era mais a equipa assustadora no final dos anos 40, princípios de 50. Clube do exército húngaro, tinha gente como Ferenc Púskas, que ganhou a alcunha de Major Galopante, Sàndor Kocsis, József Bozsik e Zoltán Czibor, e um treinador chamado Bélga Guttmann. Mas o nome estava ali, sobreposto à realidade. Era o Honved, e só isso merecia uma vénia e um obrigado por tudo quanto deu à história do futebol.
Na Hungria, o Benfica vencera por 0-2. O jogo de Lisboa foi um passeio, numa tarde agradável e luminosa. Os benfiquistas andavam felizes com o regresso de Sven-Góran Eriksson, apesar de Toni, que passou para seu adjunto, ter levado a equipa ao titulo nacional e à final da Taça dos Campeões Europeus perdida nos penáltis para o PSV Eindhoven. Era tempo de sonhos grandes na Europa dos grandes. Os jogadores de categoria afirmavam a categoria: Aldair e Ricardo Gomes no centro da defesa; Valdo, Thern e Vítor Paneira no meio-campo; Diamantino e Magnusson na frente.
Um vendaval vermelho percorreu o relvado verde, bonito. Um futebol gracioso, encantador, à moda dos antigos húngaros, aqueles que se atreveram a ir a Wembley bater a Inglaterra por 6-3, e, no encontro de desforra, chegaram ao descaramento divino que o Eça atribuía ao Alencar: 7-0.
E 7-0 também na Luz, primeiro de Novembro, feriado.
César Brito (15' e 42'), Abel Campos (36'); Vata (62' e 64') Mats Magnusson (86' e 89').
Ah! Pobre Honvéd, de tal, forma destruído. Destruído pela sabedoria de Valdo, de régua e esquadro e tira-linhas, a fazer desenhos finos, a tina-da-china, traçando arbitrárias e pondo os companheiros no caminho da baliza de um infeliz Péter Diszit. Já não lhe bastava o nome complicado, de provocar cãibras na língua de qualquer cidadão português que resolvesse relatar o que se ia passando numa Luz cheia de luz, sobrava-lhe a infelicidade de ter pela frente defesas incapazes e avançados assassinos, os primeiros da sua própria equipa, claro está, os segundos com as camisolas rubras de águia ao peito.
Era apenas um Honvéd bisonho, só com nome e sem conteúdo, mas também tinha sido, primeiro, e Derry City(1-2 e 4-0), como seriam depois o Dnipro (1-0 e 0-3) e o Marselha (2-1 e 1-0), antes da final impossível com o Milan intratável dos holandeses Rijkaard, Gullit e Van Basten (0-1).
A águia voava pelos céus da Europa e sentia-se bem, era ali o seu lugar. Talvez esses céus ainda tenham guardado um lugar para o seu regresso. Um lugar vermelho, agora vazio."

Afonso de Melo, in O Benfica

Eusébio,superstar no Real Madrid

"Em dia de festa, o Real Madrid exibiu em Madrid uma equipa peculiar, com Eusébio a envergar a camisola dos 'merengues'.

Em Maio de 1962, o Benfica sagrava-se bicampeão europeu, após uma final sensacional em Amesterdão, contra o Real Madrid de Puskás, Di Stéfano e Gento. A estrela emergente do Benfica, o jovem Eusébio, marcou dois dos golos que deram o título europeu ao Benfica, o jovem Eusébio, marcou dois dois golos que deram o título europeu ao Benfica. Durante os anos seguintes, o avançado benfiquista assumiu o protagonismo no futebol nacional e internacional.
Ao longo da sua carreira, Eusébio foi convidado para diversos eventos, entre eles, em 1972, para participar num jogo de homenagem a Francisco 'Paco' Gento, extremo madrileno, inserido nas comemorações do 25.º aniversário do Estádio Santiago Bernabéu.
Curiosamente, a equipa convidada para o evento foi aquela que, 1947, inaugurou aquele mesmo estádio: o Belenenses. Para alinhar pelo Real Madrid, ao mais talentoso internacional português juntaram-se outros três grandes nomes do futebol europeu: o romeno Nicolae Dobrin de Arges, o jugoslavo Dragan Dzajic do Estrela Vermelha e o húngaro Ference Bene do Úspest FC, pois 'o Real quis formar uma linha dianteira à base de estrangeiros'. O homenageado, considerado por muitos como o nariz rápido extremo do mundo, era 'uma figura quase lendária do clube'. O jogo foi caracterizado pela imprensa nacional como 'um jogo artístico, quase de circo, com alguns futebolísticas, especialmente os 'super-stars', a quererem mostrar quanto valem'.
O avançado do Benfica, apesar dos seus 30 anos, impressionou os cerca de 70 mil adeptos que se deslocaram, naquela noite de 14 de Dezembro, ao estádio do Real Madrid. Era 'Eusébio que de vez em quando espantava o público com as suas arrancadas fulgurantes e colocava a bola à frente dos companheiros com passes primorosos' e tudo isto 'sem correrias, sem loucuras. Apenas com talento'. Somente um futebolista de primeira categoria como Eusébio seria capaz de um espectacular entendimento com companheiros de equipa com os quais não jogava, estando envolvido nos lances dos dois golos do Real Madrid. Eusébio e Dobrin 'fizeram do futebol um jogo extremamente fácil. Ambos montaram cátedra e demonstraram como se joga em tabela, como se coloca a bola à frente de um companheiro lançado para golo, como se refém o esférico e como se produzem jogadas'. Só faltou mesmo marcar, mas as suas palavras foram esclarecedoras 'não marquei golos porque não calhou, evidentemente, e porque a defesa do Belenenses não deixou. Mas ainda bem, porque, se tivesse marcado algum, agora quase estava com remorsos - o Belenenses é um clube português e de minha simpatia'. Apesar de não ter sido eficaz na festa de Gento, Eusébio foi o melhor marcador do Campeonato Nacional em 1972/73, com 40 golos, e o vencedor da Bota de Oura, a segunda da sua carreira.
Saiba mais sobre este especular jogador na área 24 - O 'Pantera Negra' e Outras Lendas do Museu Benfica - Cosme Damião."

Carina Santos, in O Benfica

Disney

"1. Uma gelataria de Hong Kong criou o sabor a gás lacrimogéneo para recordar os protestos. Será que têm sabor a estupidez? Calma senhores dirigentes dos clubes portugueses, façam fila. Copo ou cone?
2. Frederico Varandas diz que o nosso futebol é doentio. O diagnóstico é bom, sem dúvida, falta a vacina da coragem contra o terrível vírus da autorregulação.
3. Nunca fui fã do estilo de liderança de Pedro Proença na Liga, mas adiantaria ter mão de ferro em trono de gelatina?
4. «Uma orquestra boliviana de flautas de pan está presa em castelo alemão rodeado por lobos.» Se eu não estivesse habituado ao futebol português, esta notícia (Blitz) até seria surpreendente.
5. A NBA está em negociações para acabar a época no complexo desportivo da Disney. Era uma óptima solução para a nossa Liga. Não nos faltam ratos e patetas.
6. Curioso: o regresso do campeonato fomentou a retoma de outros dois desportos: ginástica artística e tourada.
7. Acho muito bem que se tenha limitado ao máximo o número de estádios. 18 eram muitos, 15 é que é (talvez 16, vá).
8. Não vejo nenhum problema em os árbitros viajarem com as equipas. O único risco é comerem marisco para lá e um pacotinho de snacks para cá.
9. A ministra da Saúde não quer concentrações para assistir aos jogos. Imagino que as agressões entre claques também fiquem limitadas a pequenos grupos.
10. O Marselha contratou um Cientista de Informação Desportiva, para analisar dados. Lembro-me logo da frase épica de Manuel Cajuda. «Hoje fala-se em encurtamentos, transições multissetoriais, passe de primeira e segunda estação, mas ninguém fala do passe de m...» 
11. Quase todos os dias são dias D em Alvalade: dívidas ou demissões. Assim não há clube que aguente.
12. O PAN quer impedir que os deputados tenham cargos no desporto. Só uma dúvida: a ideia é proteger os deputados da selva ou a selva dos deputados?

P. S. - Caro leitor, continue a cuidar-se e lembre-se: mais vale um desconfiado na mão do que dois desconfinados a voar."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Em Maio começaram as 'nortadas'

"Ainda faltam duas semanas para a retoma da Liga mas sente-se já a poeira que anda no ar, trazida por palavras que espalham a desconfiança e agitam a suspeição

A cartinha que resolveu enviar ao Presidente da República, solicitando-lhe, pelo que consta, que intercedesse junto das operadoras no sentido de aceitarem a transmissão de jogos da Liga em canal aberto, foi apenas o último problema que Pedro Proença arranjou desde que decidiu interromper o campeonato sem se dar ao cuidado de abordar o caso com elas ou, no mínimo, ter a elegância de informá-las do facto consumado e dar-lhes as necessárias explicações antes da notícia ser pública.
No desejo de tornar-se o actor principal em todo o processo, foi ziguezagueando para não perder o equilíbrio e retardar até ao limite do possível o trambolhão anunciada. Era uma questão de tempo. A missiva dirigida a Marcelo, na sequência de outras tendo por destinatários membros do Governo, foi apenas a gota que fez transbordar o copo. Não lembraria nem ao Diabo procurar envolver a primeira figura de Estado em tema menor e, ainda por cima, que o tivesse feito, mais uma vez, sem sujeitar a sua magnífica ideia a uma discussão prévia com quem se julgava no direito de ser informado. Se bem percebi, a direcção da Liga.
Pedro Proença diz entender mal a reacção que a sua atitude suscitou e respaldou-se na posição antes assumida pelo secretário de Estado de Juventude e Desporto, o qual também admitira a solução de abertura de transmissões televisivas, de modo a evitar ajuntamentos em cafés, restaurantes e outros espaços comerciais. O governante em causa pode ser muito hábil noutras tarefas e noutras áreas, mas no exercício específico das funções para que foi eleito, enfim, o ainda presidente da Liga só por ingenuidade imperdoável terá tomado como boa a comparação que se lembrou de apresentar em sua defesa.
Marcelo sem sequer leu a cartilha, pois claro, e o caldo entornou-se, não só pelo atrevimento do remetente, mas também pela trapalhada que deve ter incomodado as administrações das operadoras por causa do défice de contenção revelado por quem se deixou trair pelo seu excesso de entusiasmo.

Vejo em Pedro Proença uma pessoas inteligente, educada, cortês e que sabe pensar, mas a solidão perturbou-se e retirou-lhe a capacidade de reflectir, procurar apoios e delinear uma estratégia segura e que a protegesse de uma constipação à primeira corrente de ar. O acordo com transmissões em canal aberto deveria ter sido tratado nos locais próprios. Não sei se alguma abordagem foi feita, mas partindo do princípio que sim não me custa acreditar que todas as operadoras, até por respeito aos seus assinantes, terão destacado a inoportunidade da sugestão, que também tem motivado discussão em Inglaterra, por exemplo, sem progressos significativos.
O calendário está concluído e creio que houve a preocupação de retirar os jogos de FC Porto e Benfica dos fins-de-semana, pois só na jornada 30 a águia recebe o Boavista, no sábado, e o dragão o Belenenses, no domingo.
Nas restantes, os dois candidatos ao título jogam a meio da semana e em dois horários, apenas com uma excepção, o Marítimo-Benfica, às 18 horas, sempre depois das sete da tarde ou das nove da noite. Prevaleceu esse cuidado e as aglomerações,que até ao momento a população em geral tem sabido evitar com sábia prudência, a ocorrerem, não passarão de atropelos isolados, sobretudo no exterior dos estádios, e promovidos pela estupidez das claques, mas sem nenhuma relação com o facto de os jogos serem transmitidos em canal aberto ou pago.

Voltando a Pedro Proença, e como a coerência não é uma das características da classe dirigente, vou seguir com interesse as cenas dos próximos capítulos, para ver o que irá acontecer na assembleia geral de 9 de Junho: se ela aprovará ou não a sua saída e independentemente da deliberação que vier a ser tomada qual será a atitude do ainda presidente da Liga. Isto é, se aceita continuar a servir de bola neste pingue-pongue de interesses ou se, tomando consciência dos erros que cometeu (só não erra quem são decide), agradece a confiança nele depositada e vai à sua vida.
Poderá parecer uma saída cambaleante, mas de cara levantada. Porque se adivinham tempos muito complicados que podem obstruir o imenso esforço que está a ser desenvolvido para se completar o campeonato com a normalidade possível, dado ser no mês de Maio que começa a época dos nortadas e acaba a época dos futebóis. A diferença é que, por força das exigências da pandemia, este ano vão conciliar até ao final de Junho, o que nada, mesmo nada, indicia de tranquilizador.
O confinamento obrigatório foi sufocante e apesar de ainda faltarem duas semanas para a retoma sente-se já a poeira que anda no ar, trazida palavras ditas escritas que espalham a desconfiança e agitam a suspeição. O costume, tal como convém a quem aprecie este tipo de comunicação feito de frases suspensas, usual em ambiente de cabaré do antigamente: todos fazem de contam que se entendem, sem ninguém se comprometer. Assim nascem os boatos..."

Fernando Guerra, in A Bola

Treino...

Regresso a Casa: Benfiquistas de todo o mundo, uni-vos!

"Não, não sou comunista. Não acredito em utopias nem em mitos e ideias irrealizáveis. Se calhar até consigo sonhar alto, como a ínfima possibilidade de o Sport Lisboa e Benfica se sagrar campeão europeu. Mas se calhar nós, portugueses, também nunca pensámos que nos viríamos a sagrar campeões de duas competições internacionais, e, no entanto, os pés direitos de Éder e de Gonçalo Guedes chutaram o sonho português para dentro da baliza.
Porém, com o título alegórico que dei a este texto pretendo fazer uma chamada de atenção a todos os Benfiquistas que perderam a confiança no nosso Glorioso, antes de um vírus nos ter afastado o futebol. Sim, perdemos os sete pontos de vantagem que tínhamos sobre o Futebol Clube do Porto, e sim estamos agora em segundo lugar do campeonato português a um ponto do primeiro classificado. 
Benfiquistas, vamos olhar para esta pausa prolongada como um timeout, daqueles que se fazem no basquetebol, por exemplo. Vamos acreditar que os jogadores e todo o staff vão voltar com ainda mais empenho que antes para chegar ao fim e levantar a taça por todos nós. É apenas um ponto. Claro, não estamos a depender de nós próprios, mas é apenas um ponto. O nosso papel a desempenhar é muito simples: apoiar, deste lado do ecrã, enquanto a equipa faz o espectáculo nos campos de futebol.
Na minha passagem pelo Bola na Rede, na época 2018/2019, redigi um artigo de opinião no qual fiz precisamente aquilo que estou a fazer agora neste Regresso a Casa, sendo que ainda estávamos a 17 jornadas do fim, a cinco pontos do FC Porto, e já se ouvia o barulho das toalhas a cair ao chão, por parte daqueles que as devem segurar até ao fim, os adeptos. Tal como escrevi nesse mesmo artigo: “isto não é uma atitude à Benfica”.
Vamos então mostrar por todo o lado que os adeptos, apesar de não poderem estar presentes nas bancadas, estão aqui, deste lado, a apoiar a nossa equipa. Vamos mostrar o que é uma atitude “à Benfica” ao Jorge Baptista Laires de 2019. Mal sabia ele, coitado, que estaria cerca de um ano depois fechado em casa sem poder ver um joguito ou outro do seu Benfica, não podia ir ter com os avôs ao café para ver o Glorioso jogar, nem com os amigos que vestem a mesma cor para berrar os golos do Benfica. Avante, Benfiquistas!
Avante pelo Benfica!

PS: desculpem-me as contínuas referências. Volto a frisar que não sou comunista."

SL Benfica | Milhões empatados devido à COVID-19

"Com a situação mundial, provocada pelo surto do coronavírus, a conjuntura económica dos clubes deteriorou-se bastante. Agora, os clubes (sobretudo os clubes sem investidores) irão procurar soluções mais acessíveis e explorar a sua formação. Isto é bom do ponto de vista da sustentação do clube, mas é negativo para emblemas que procurem colocar jogadores. O SL Benfica enquadra-se perfeitamente nisto.
Os encarnados serão privados de cerca de 20 milhões de euros, fruto de cláusulas de compra que não serão activadas. No lote de emprestados que irão regressar à Luz estão Bruno Varela, Ferreyra, Cádiz, Lema e Fejsa (podendo ainda incluir-se outros jogadores como Pedro Pereira).
Facundo Ferreyra esteve emprestado uma época e meia ao RCD Espanyol, onde marcou nove golos em 33 partidas. Esta temporada o avançado argentino tinha vindo a receber poucos minutos, mas com a chegada de RDT as oportunidades escassearam ainda mais. Ferreyra regressa agora à Luz, mas dificilmente será opção para Bruno Lage. O já experiente avançado parece estar longe da forma que demonstrou nas últimas épocas ao serviço do FC Shakhtar Donetsk. Bruno Varela representou o AFC Ajax nas últimas duas épocas. No entanto, o guarda redes luso-cabo-verdiano tem apenas três jogos realizados e nestas três partidas não impressionou os responsáveis do clube de Amesterdão.
Bruno Varela regressa agora ao SL Benfica, onde até poderia ser um bom suplente para Vlachodimos, mas o seu futuro deverá passar pela saída do clube encarnado. Jhonder Cádiz esteve esta época emprestado ao Dijon FCO. Na Liga Francesa, Cádiz chegou a impressionar, tendo marcado quatro golos em 20 jogos, incluindo o golo da vitória frente ao PSG. O avançado venezuelano tem, na minha opinião, alguma qualidade, mas dificilmente consigo imaginar um cenário onde seja habitualmente opção nos encarnados.
Jhonder Cádiz, provavelmente, ainda dará um pequeno encaixe financeiro à equipa das águias. Depois do empréstimo ao CA Penarol, Cristian Lema esteve esta época emprestado ao CA Newell’s Old Boys clube histórico de Messi e Marcelo Bielsa. Após 22 jogos e cinco golos, o clube argentino demonstrou interesse em adquirir em definitivo o jogador, mas não estava disposto a pagar a cláusula de compra de 2,5 milhões de euros. Lema já demonstrou não ter interesse no regresso a Portugal, passando o seu futuro por um novo empréstimo ou uma venda a um clube sul-americano.
De todos os jogadores nesta lista, Ljubomir Fejsa foi sem dúvida o mais importante para o SL Benfica, mas com a chegada de Bruno Lage perdeu espaço no meio campo dos encarnados. Em Janeiro foi emprestado Deportivo Alavés, onde realizou apenas cinco jogos. O clube espanhol já disse que não irá accionar a cláusula de compra, obrigando assim o jogador a regressar ao clube encarnado. Dificilmente Fejsa conseguirá recuperar o lugar num “lotado” meio campo encarnado. O futuro do sérvio deverá passar por uma transferência ou mesmo uma rescisão de contrato amigável. Uma partida ingrata para um jogador que tanto deu ao clube.
Germán Conti está emprestado até dezembro. Yony González irá render três milhões de euros aos encarnados (na sequência do negócio de Pedrinho). Filip Krovinovic provavelmente continuará em definitivo no West Bromwich Albion FC. Gedson Fernandes está emprestado até ao final da próxima temporada, podendo o Tottenham Hotspur FC exercer a cláusula de compra de 50 milhões de euros. Caio Lucas, emprestado ao Al Sharjah FC dos Emirados Árabes Unidos, conta com uma cláusula de compra a rondar os dez milhões de euros."

Benfica FM #114 - Taça de Portugal...

BnR TV - João Alves...

Tudo muda para que tudo fique na mesma

"A Liga ainda não recomeçou e o futebol português continua igual a si próprio. A situação mais mediática é a da eventual saída de Pedro Proença, que, aparentemente, terá irritado alguns clubes por defender a transmissão dos jogos em sinal aberto. É um dossier complexo: envolve demasiados milhões de euros. Por um lado, é inegável que as operadoras (e a própria SportTV) vão querer defender a sua posição, os seus investimentos e as suas fontes de rendimento. Os clubes, naturalmente, temem que um cenário diferente do actual os penalize financeiramente. No entanto, com os estádios fechados ao público, jogos fora do circuito pago seriam uma agradável surpresa nesta pandemia, e podia-se até prevenir eventuais aglomerados desnecessários de adeptos ávidos para acompanhar os jogos do campeonato.
Pelo meio, percebe-se também que já surgem desentendimentos entre vários clubes e a Altice, devido ao pagamento (ou falta dele) dos direitos televisivos de Abril e Maio. Além disso, a NOS já assegurou que não vai prolongar o contrato de patrocínio da Primeira Liga. Repito, o dossier é complexo, mas este avolumar de situações prometem semanas de mais polémicas. Tudo como dantes, portanto.
Frágeis continuam também os jogadores. Desde isolamento prolongado de desportistas saudáveis (terá um quê de inconstitucional?), maior risco de lesões - como aconteceu na Bundesliga - e, evidentemente, maior risco de contágio em treinos e jogos. Começa a ficar a ideia que os atletas não tinham grande alternativa: ou jogam ou jogam. A ideia do recomeço, ao que sei, não é consensual entre todos, mas os desabafos tendem a ficar em off. 
Infelizmente, muitos jogadores têm gatilho rápido nas redes sociais, mas pouca vontade para abordar directamente os problemas que os afectam enquanto classe. É certo que milhões de trabalhadores estão também (demasiado) expostos aos riscos da pandemia, e se esses devem ser defendidos acima de tudo, os jogadores são também trabalhadores e têm o mesmo direito de estar em segurança (ou, pelo menos, junto das famílias). Não esquecer que um suplente de uma equipa de meio da tabela dificilmente ganha um salário principesco…
Para finalizar, a perder a 100% estão os adeptos. Os jogos vão ser à porta fechada, e não sabemos quando os estádios voltam a abrir. A julgar pela postura de muitos clubes nesta fase de recomeço da Liga, os adeptos não estão no topo das prioridades, pois não representam uma fatia fundamental nas receitas dos clubes. Que, sejamos francos, na era dos clubes-empresa, é o que interessa.
Se os estádios acabarem por abrir com limitações, o que os espera? Bilhetes mais caros pela escassa oferta e muita procura? Prioridade para quem teve lugar ou bilhete anual em épocas anteriores? Todo um mar de dúvidas. E com os jogos apenas disponíveis nos canais pagos, e com os efeitos de uma anunciada crise, também se percebe que muitos vão perder o acesso ao espectáculo futebol. Preocupante, mas nada de novo.
Lá está, tudo muda para que tudo fique na mesma."

Liga Menos ao Futebol

"O campeonato volta para a semana. O futebol? Não sei.

No futebol, ainda não há sinais do regresso à normalidade. Abro um site de um jornal desportivo e a homepage rapidamente me apresenta a resposta em relação a uma pergunta que há muito fazia na minha cabeça: quem será o novo treinador do F91 Dudelange, o actual detentor do título de Campeão do Luxemburgo? A investigação jornalística não desilude: é Carlos Fangueiro quem vai estar ao leme dos colossos luxemburgueses. Pronto.
O pior? Muito dificilmente seremos compensados desta longa abstinência futebolística com uma merecida bebedeira de bola. Se em Portugal se praticava um futebol pobre no pré-Covid, para a semana começará algo provavelmente semelhante a um Interturmas do 2º ciclo de um agrupamento de escolas no Interior do país. Se o debate futebolístico já era baixo e infantil, imaginemos nos próximos dois meses, em que, dado o pouco tempo entre jornadas, poucas horas haverá para debater lançamentos laterais, inventar crises internas, pressionar árbitros e levar a cabo comédia de adereços em programas no cabo.
Os jogos serão à porta fechada, o que é necessário mas triste. Mas mais deprimente é a ideia de utilizar o sistema de som dos estádios para replicar o apoio dos adeptos. O ambiente no futebol não se pode comprimir num .mp3. Não estou a ver os adversários que visitarem o Estádio da Luz a sentirem-se intimidados com o CD "Ninguém Pára o Benfica Vol. 2" que saiu com “A Bola” em 2002 ou algo assim. E, já agora, se a playlist não incluir uma faixa de assobios ao Pizzi, não estará a replicar na perfeição o complexo ambiente da Luz. Não, não. Já joguei demasiado FIFA nos últimos dois meses para continuar a querer uma simulação.
A NOS não renovará o patrocínio com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Especula-se sobre qual poderá ser o novo patrocinador: Liga Sagres, Liga Prozis ou Liga Car Wash e Detalhe Automóvel "O Cláudio" - Quinta do Conde - Setúbal. Mas um sponsor não tem necessariamente de ser uma marca, pode ser um conselho. Nesse sentido, e tendo em conta a qualidade do futebol, o peso mediático do extra-futebol e a situação financeira de muitos clubes, o melhor nome que o campeonato poderia ter era Liga Menos. A obsessão com o futebol não aumentou a qualidade do desporto que é praticado em Portugal. Prestar-lhe menos atenção pode ser uma estratégia vencedora para melhorá-lo."

Suicídios no desporto

"No passado fim de semana fomos confrontados com as notícias de que o futebolista sérvio de 38 anos Miljan Mrdakovic, que alinhou pelo Guimarães em 2007/2008, e de que a japonesa Hana Kimura, ‘Pro Wrestler’ de 22 anos, teriam cometido suicídio. Ventila-se que o primeiro caso poderá ter acontecido devido a uma depressão do jogador, enquanto o segundo poderá ter origem em ‘online bullying’.
De imediato nos vem à memória os nomes do antigo guarda-redes do Benfica, Robert Enke (suicídio em Novembro de 2009, aos 32 anos), e a do ciclista Marco Pantani (suicídio em Fevereiro de 2004, aos 34 anos)… e colocam-se também de imediato as questões: serão frequentes os suicídios entre os desportistas? Quais as causas prováveis dos suicídios conhecidos?
No ano do suicídio de Robert Enke demos conta também também das mortes semelhantes de Christophe Dupouey (campeão do mundo de BTT em 1998), de Mike Whitmarsh (vice-campeão olímpico de voleibol em 1996) e do futebolista brasileiro Marcelo Moço, do ASK Bruck/Leitha, que aos 30 anos foi encontrado enforcado no sótão da casa onde vivia. Ainda em 2009 o ciclista belga Dimitri de Fauw pôs termo à vida aos 28 anos.
Não conseguimos saber se serão frequentes os suicídios entre os desportistas, mas quase que poderemos dizer que são mais do que aqueles que imaginamos ou até daqueles que chegam ao nosso conhecimento através da comunicação social.
O mais antigo suicídio de um desportista que temos conhecimento remonta a 1886 e refere-se ao cavaleiro James Archer. Em 134 anos muito aconteceu… Recordamo-nos entre outros, por terem nomes sonantes devido aos seus desempenhos, de Abdón Porte (futebol), de Luís Ocaña (ciclismo), de Sandor Kocsis (futebol), de Melvin Turpin (basquetebol), de Antonio Pettigrew (atletismo), da judoka austríaca Cláudia Heill e do andebolista sérvio Novak Boskovic.
Devido à sua tenra idade realçamos o suicídio do halterofilista russo Igor Tepikin, de 15 anos, ocorrido em Moscovo, em 2012… e da ‘snowboarder’ britânica Ellie Soutter em 2018, nos Alpes Franceses, no dia em que completava 18 anos…
Entre nós registamos os suicídios do nadador Rui Abreu (este ocorrido nos Estados Unidos em 1982), assim como do ciclista Gonçalo Amorim em Santarém e de um cavaleiro francês na Herdade da Comporta, ambos em 2012.
A grande maioria destes suicídios é provocada por estados depressivos e de ansiedade, os quais são resultado da pressão colocada em cima dos desportistas, pela sua ânsia de ganharem ou atingirem bons resultados competitivos e pelas exigências de um desporto sujeito ao mercantilismo, a patrocinadores, a dirigentes e treinadores sem escrúpulos, ao uso da imagem e ao consumismo. A máquina desportiva (ao contrário do que muitos parafraseiam) não se compadece com a formação dos desportistas, com a sua maturação, a sua sociabilização e a sua adaptação. Mas o competidor também tem a sua quota parte das responsabilidades ao tentar alcançar os maiores feitos a qualquer preço, ao querer ultrapassar o inultrapassável – os seus próprios limites –, ao arriscar a sua saúde e a sua vida, e a correr atrás da fama, da glória e do dinheiro. E não, não estão sozinhos nesta corrida: nós temos também as nossas responsabilidades ao aclamá-los, ao incentivá-los, ao continuarmos a correr atrás da vitória, do recorde, da exaltação e do herói.
Muitos destes factos ocorrem nas cercanias de outros fenómenos: o treino intensivo precoce, o ‘doping’ e o terminar de uma carreira…
O médico Jean-Pierre Mondénard mostrou-nos em 1998 que dos 667 ciclistas franceses que participaram na Volta à França num espaço de 51 anos (de 1947 a 1998), 77 morreram prematuramente, 30 morreram de cancro, 18 de doenças vasculares, 19 em acidentes de viação e 5 suicidaram-se. Estes últimos são só 0,74%, dirão alguns…
Mas no desporto o suicídio não atinge só os principais intervenientes. Ainda não há muito, em 2011, na Alemanha, o árbitro Babak Rafati tentou cometer suicídio horas antes do encontro entre o Colónia e o Mainz. Em 2012 o treinador russo da equipa feminina de voleibol, Sergey Ovchinnikov, de 43 anos, consumou o suicídio. E só mais um exemplo, este mais recente: Robert Follis, treinador de MMA, cometeu suicídio mais recentemente, em 2017.
Resultado diferente tiveram aqueles que escaparam aos seus impulsos ou que não sucumbiram à depressão. Michael Phelps reconheceu ter pensado em suicidar-se logo após os J. O. de Londres em 2012. Em 2015 o futebolista Emmanuel Adebayor confessou já ter pensado em cometer suicídio em várias ocasiões, tal como em 2016 Ronda Rousey também admitiu que chegou a ponderar o suicídio após a derrota por KO frente a Holly Holm…
Urge estudar esta problemática. Urge proteger a saúde e a vida de competidores seja qual for a sua modalidade, a sua idade ou o seu estatuto desportivo. Urge modificar comportamentos e criar condições para que estes exemplos não se repitam. É urgente que o desporto o permita. E o possibilite!"

Benfiquismo (MDXXXVII)

Lindo...!!!

terça-feira, 26 de maio de 2020

Golo: Lima

Golo: Rodrigo

Silêncio...

"Passaram +48horas desde a notícia, e nada se passou. O nível do futebol português é tão baixo, que tudo isto é encarado com toda a naturalidade.
Deve ser do “Benfiquistão”, claro está.
Não acreditamos em coincidências.
São 4 jogadores do próximo adversário do #PortoaoColo que foram impedidos de treinar, por uma empresa que tem nas suas fileiras os filhos de Fernando Gomes, Presidente da FPF e Luís Filipe Menezes, antigo Presidente da CM Gaia.
É caso para dizer que as facturas, fruta e obras com o € dos contribuintes falam por si.
É por tudo isto que existe uma constante necessidade da Torre das Antas em lançar todo o tipo de poeiras, mentiras e manipulações. Distrair para golpar!
Este caso é gravíssimo e não pode valer literalmente tudo.
O que mais está preparado para estas 10 jornadas?"

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Treino...

SL Benfica | 4 rivais que passaram pelo Seixal

"O SL Benfica tem, ao longo dos anos, formado centenas de jogadores de topo, fazendo com que o clube seja reconhecido internacionalmente como uma fábrica de fazer jogadores.
Nomes como Bernardo Silva e João Félix vêm logo à cabeça de todos quando pensamos na formação encarnada. No entanto, há jogadores que também passaram pela formação do clube da Luz e cujo nome raramente é associado. Portanto, esta semana decidimos recordar quatro jogadores que jogaram no Sporting CP e/ou FC Porto e de cuja passagem pela fábrica de talentos do Benfica nos esquecemos.

1. Miguel Veloso – No primeiro lugar da lista vem Miguel Veloso, outra das jóias da coroa da formação dos verde e brancos, e um nome que muito pouca gente associa ao Benfica – tirando o facto do seu pai ser uma das glórias do clube. O médio português, actualmente ao serviço do Hellas Verona, passou pela formação encarnada entre 1995 e 1998, antes de ingressar no CAC Pontinha e, mais tarde, no Sporting.

2- Danilo Pereira – Um dos jogadores do núcleo forte do actual FC Porto é um jogador “made in Seixal”. Danilo Pereira chegou às “águias” em 2008, para ingressar na equipa sub-19. Esteve lá dois anos, até que foi para os italianos do Parma Calcio 1913, a custo zero. Danilo iria regressar ao futebol português em 2013, pelo CS Marítimo e, dois anos mais tarde, chegaria ao FC Porto, onde é, actualmente, um dos capitães de equipa.

3. Maniche – Passou pelos maiores clubes de Espanha, Inglaterra, Itália e Portugal. Quando pensamos em Maniche não nos recordamos logo do Benfica – apesar de ainda ter somado 1747 minutos na equipa dos encarnados. O que é certo é que Maniche acabou por sair das “águias” para ingressar no FC Porto, a custo zero, tendo acabado por ganhar uma UEFA Champions League ao serviço do mesmo.

4. José Sá – Chegou ao Benfica na época 2011/12, vindo do Merelinense FC, para ingressar na equipa sub-19 dos encarnados. Após uma época na formação do clube da Luz, Sá transferiu-se para o Marítimo onde, após uma época na equipa “b” dos insulares, foi promovido ao plantel principal. O português iria, mais tarde, ingressar no FC Porto, onde ganhou um título de campeão nacional."

Futsal 2019/20

"A época de Futsal terminou e é altura de fazer uma introspecção à temporada que passou.
Depois da vitória no Campeonato de 2018-19, o Benfica partia para esta temporada com a expectativa de vencer o primeiro bicampeonato do clube em mais de 10 anos. O plantel sofreu uns ajustes mínimos, mas acabou por ser menos forte do que o plantel da temporada passada. Algo que também aconteceu no nosso principal rival, o Sporting. Saíram Cristiano Marques, Marc Tolrà, Silvestre Ferreira e Raúl Campos (os dois jovens portugueses saíram por empréstimo). Para os seus lugares chegaram André Sousa, Fernando Drasler, Célio Coque e já a meio da temporada, Jacaré regressou do empréstimo ao Azeméis.
A linha de pensamento parece-me ter-se focado em (1) melhorar as alternativas para a baliza - apesar do Cristiano ter assumido bem a equipa nos últimos anos, o André Sousa é o guarda-redes da Seleção; (2) trocar Marc Tolrà, que ainda tinha contrato, mas quis sair; (3) visto que o sétimo estrangeiro mal foi utilizado - em Portugal só podem estar 5 estrangeiros na convocatória - , podemos baixar o número de estrangeiros tirando o Raul Campos e a meio a época chamar o Jacaré de volta porque a partir de Janeiro o jovem brasileiro conta como um jogador formado localmente. Facto é que nem tudo saiu como a equipa técnica do Benfica esperava.
O Benfica até fez uma pré-época interessante onde batemos o Inter Movistar por 5-0 e o Kairat por 3-1 na International Masters Cup. Mas quando a época começou, começaram os desastres. Com André Sousa a titular na baliza e sem Roncaglio - que ficou como 6º estrangeiro e foi para a bancada - o Benfica começa a época com um humilhante 6-2 contra o Sporting na Supertaça. Jogo em que o André Sousa não esteve propriamente espetacular. Logo a seguir na primeira jornada do Campeonato empatámos fora contra o Eléctrico por 3-3. A equipa eventualmente assentou, venceu o Sporting à 4º jornada e acabou por saltar para primeiro lugar, que acabaríamos por perder na segunda volta de novo contra o Sporting no João Rocha. Vencemos a Taça da Liga, batendo o Sporting na final por 5-4 e fomos eliminados pelo Sporting na Taça de Portugal no último jogo da época numa derrota por 5-3. Em suma, em cinco jogos contra o Sporting, perdemos três e vencemos dois. Estava tudo muito equilibrado.
Na Europa, vencemos o nosso grupo no Main Round com uma vitória sobre o Araz Naxçivan, outra vitória sobre o Halle-Gooik e um empate contra o Kherson. Na Ronda de Elite foi um desastre completo com lesões e castigos à mistura. Perdemos contra o Pesaro e contra o ElPozo e acabámos por vencer o Kairat já no último jogo. Não deixámos uma boa imagem.
Fernandinho foi o nosso melhor marcador com 31 golos ao todo (20 no Campeonato, 3º melhor da prova). Roncaglio, Robinho, André Coelho também fizeram épocas muito boas. Em especial o guarda-redes, que nos ajuda bastante nos dois lado do campo. O melhor ataque do Benfica é num 5x4 com Roncaglio na frente. Tiago Brito, Bruno Coelho, Fábio Cecílio e Rafael Hemni voltaram a mostrar que o Benfica tem uma boa base para durar vários anos. A grande desilusão da época foi Fernando Drasler que contribuiu muito pouco. Fits continua a ser um jogador que acrescenta pouco nos jogos grandes. Miguel Ângelo já está com 26 anos e continua a não mostrar o nível de um jogador de rotação que exige, como Tiago Brito ou Rafael Hemni. Afonso Jesus voltou a não assumir um lugar.
Há várias questões no plantel nesta altura. Imensos jogadores terminam contrato e ao que tudo indica vai haver saídas de peso. O objectivo no Benfica nesta modalidade deveria ser competir por títulos europeus e como podemos ver nos últimos anos, para fazer isso é preciso mais do que neste momento temos. A situação no plantel neste momento é a seguinte:
1. Guarda-redes. Diego Roncaglio é um dos que termina contrato, mas tem sido uma peça fundamental do Benfica. Tudo indica que irá renovar.. André Sousa e André Correia deverão continuar a ser as alternativas ao brasileiro.
2. Fixo. André Coelho, pelo menos antes da crise do covid-19 rebentar, estava a caminho do Barcelona. Fernando Drasler foi consistentemente o “6º estrangeiro” de Joel Rocha. Apesar de ter contrato, não parece que faça sentido que continue connosco. Fábio Cecílio deverá continuar e a ele deve juntar-se mais um estrangeiro (para o lugar de André Coelho) e Nílson Miguel, fixo do Braga e da selecção nacional (para o lugar do Fernando Drasler). Afonso Jesus e Célio Coque também devem ter um lugar na equipa
3. Alas. Bruno Coelho e Chaguinha estão a caminho de França e de Itália. Ao que tudo indica Robinho e Miguel Ângelo também terminam contrato e não se sabe para já se vão renovar. Os únicos jogadores que garantidamente vão cá estar para o ano parecem ser, para já, Tiago Brito e Rafael Hemni. Um jogador que faria sentido trazer neste sentido era o Júnior do Viseu, que foi o melhor marcador do Campeonato esta temporada e que já passou pela formação no Benfica. Tem apenas 21 anos. Mas já assinou pela Quinta dos Lombos. Saindo o Chaguinha é certo que teremos um novo estrangeiro a ala, podendo ser dois se Robinho não renovar. Para já, Hossein Tayebi, ala/pivot do Irão que levou a sua seleção a um 3º lugar no Mundial de 2016, parece posicionar-se para substituir Chaguinha. Pessoalmente - e devo confessar que o Robinho foi dos melhores jogadores que vi no Benfica - acho que não devíamos renovar com o Robinho. Na próxima temporada tem 38 anos e já percebemos que já não tem aquilo que é preciso para nos levar a um título europeu. Tem-se falado em Arthur do Barcelona para o seu lugar. Para o lugar de Bruno Coelho, Miguel Ângelo e/ou Fábio Cecílio deverão subir na hierarquia, abrindo um lugar para o regresso de Silvestre Ferreira ou Bruno Pinto. O mais provável parece-me ser Bruno Pinto que foi o 11º melhor marcador do Campeonato este ano.
4. Pivot. Fernandinho está de saída para o Kairat. Pela mesma ordem de ideias do Robinho, parece-me um jogador que faz sentido sair, apesar de continuar a ser dos jogadores com maior impacto no marcador. Para o seu lugar, ao que tudo indica, vem o pivot Russo de 24 anos Ivan Chishkala, um dos melhores jogadores russos da actualidade. Fits termina contrato, mas segundo consta deverá renovar. Eu não acho o Fits um mau jogador - já foi à selecção brasileira nos últimos anos diversas vezes - mas faz-me impressão o quão diferente ele era em Itália comparado com estes dois anos no Benfica. Falta a criatividade toda que tinha. Aqui parece um jogador que limita a jogar com o físico.O que também pode ser culpa de Joel Rocha que me parece que lhe pede outras coisas. Jacaré deverá ter um lugar assegurado no plantel.
5. Treinador. Joel Rocha é das personagens mais polarizantes no Benfica neste momento. Há quem o adore. Há quem não o possa ver à frente. Eu gosto muito de Joel Rocha. Gosto muito do trabalho dele no 5x4 quer a atacar quer a defender. Mas também consigo ver que tem tido algumas falhas graves: (1) a falta de evolução de jogadores jovens. Tanto Miguel ngelo, como Cristiano Marques, Afonso Jesus, Silvestre Ferreira, Bruno Graça, Tiaguinho ou Gonçalo Sobral, nenhum jovem se afirmou no Benfica com Joel Rocha; (2) Sistema de jogo muito desajustado ao nosso plantel. O sistema de jogo do Benfica tira muito pouco da qualidade de jogadores como o Fits, torna-nos muito dependentes de Robinho e muito previsíveis quando atacamos em 4x4; (3) As declarações de que conhecia o Drasler há dois anos e depois mal o utiliza durante a época não são nada positivas. Ainda assim, Joel Rocha será quase de certeza o treinador da próxima temporada.
Plantel ainda está longe de estar definido, mas até agora parece-me que o racional por de trás faz sentido. O plantel estava dependente de duas peças já com alguma idade que não sabemos ao certo quando é que os sinais da idade iriam aparecer, mas é sempre melhor não arriscar. Tanto Tayebi como Chishkala são dois jogadores que podem explodir na nossa Liga. Se conseguirmos trocar Drasler por um fixo mais seguro, acho que o nosso plantel vai ter mais soluções e maiores hipótese de sucesso. O Sporting para já também parece que vai ter muitas mudanças. Deo, Leo e Alex, pelo menos, parecem estar de saída e há rumores de que mais gente poderá seguir."

Novo timoneiro no andebol - e agora?

"Há uns meses atrás, após a participação da selecção nacional no EHF Euro 2020, escrevi aqui um artigo no qual falei sobre as coisas que eram necessárias para fazer a secção de andebol do Benfica entrar nos eixos. Por muita coincidência, poucos dias após escrever esse artigo surgiu a notícia de que o Benfica estava em conversações com o espanhol Chema Rodríguez para substituir Carlos Resende no comando técnico da equipa de andebol. Na última quarta-feira, o vice-presidente das Modalidades do Benfica Domingos Almeida confirmou que Chema Rodríguez será o técnico de andebol dos encarnados na próxima época.
Ora, aquando da chegada de Carlos Resende ao Benfica em 2017, o sentimento geral dos benfiquistas que acompanhavam a modalidade era de que este seria o homem que ia recolocar o andebol do Benfica na rota do sucesso. E agora, passados três anos, essas expectativas seriam completamente defraudadas, gerando um sentimento de tristeza e desilusão nos adeptos encarnados.
Como aqui cheguei aqui a mencionar no artigo anterior, na minha opinião, o projecto de Carlos Resende para o Benfica falhou por três motivos:
Primeiro, porque Carlos Resende quis fazer do Benfica uma espécie de "ABC de Lisboa", ou seja, quis construir uma equipa com uma espinha dorsal portuguesa (entre os miúdos da formação e os jogadores que trouxe do ABC), achando que tal seria suficiente para lutar pelo título.
Segundo, porque o clube se mostrou completamente incapaz de assegurar as maiores promessas do andebol nacional , como os casos de André Gomes e Luís Frade, que viriam a rumar para os clubes rivais. 
Terceiro, porque nas três épocas em que treinou o Benfica, Carlos Resende nunca teve uma noção real do que é a dimensão e a realidade do clube e consequentemente, não foi capaz de incutir aos jogadores o grau de exigência necessário para singrar neste clube.
Após o anúncio oficial da uma saída há cerca de duas semanas, Carlos Resende não teve qualquer problema em assumir que falhou em cumprir os objectivos propostos, mostrando ser um homem com H grande e com um carácter inabalável. E apesar das coisas não terem corrido bem, continuarei a ter muita consideração por Carlos Resende pela referência que é na modalidade e pela sua postura e forma de estar no desporto.
E agora, quem é Chema Rodriguez?
Chema Rodriguez é dos grandes nomes do andebol mundial neste século. Como jogador, representou clubes como o Atlético Valladolid, o BM Ciudad Real e o Telekom Veszprem, tendo conquistado vários campeonatos e Taças em Espanha e na Hungria, duas EHF Champions League e ainda se sagrou campeão mundial pela selecção espanhola em 2005.
Como treinador, iniciou a sua carreira como adjunto de István Gulyás na selecção da Hungria, desempenhando também o papel de jogador/treinador-adjunto no clube onde jogava até ao cancelamento do campeonato, o Saran da 2ª divisão francesa.
No entanto, seria no Europeu realizado em Janeiro deste ano que Chema Rodríguez dar-se-ia a conhecer a partir do banco. Apesar da Hungria ser uma potência do andebol mundial, a selecção magiar apresentou-se na competição com uma equipa em renovação, tendo eliminado a Dinamarca na primeira fase, derrotado a Eslovénia e a Islândia na Main Round, e só mesmo a derrota contra a selecção portuguesa os afastou das meias-finais.
Porém, Chema Rodríguez ainda é um treinador em início de carreira e que irá cumprir a sua primeira experiência como treinador principal. Portanto, esta é uma aposta de risco, visto que aquilo que o espanhol vale enquanto treinador é neste momento uma incógnita.
Voltando um pouco atrás no tempo, nesta temporada, bastou-me ver o primeiro jogo oficial contra um adversário directo (recepção ao Sporting em Setembro) para perceber que Carlos Resende não estava mais a altura das exigências. Nessa altura, rapidamente me apercebi que o Benfica precisava de um treinador com um perfil idêntico ao de Magnus Andersson e Thierry Anti: alguém com grande experiência a nível internacional e que seja capaz de implementar novas ideias e métodos de treino. 
Quanto a Chema Rodríguez, a incógnita resume-se sobretudo ao segundo requisito. Enquanto jogador, experiência internacional é coisa que não lhe falta. E isso por si só, pode trazer vantagens que podem ser benéficas para o Benfica.
Primeiro que tudo, já têm sido vários os jogadores que têm sido apontados à equipa de andebol. Todos estes jogadores (sobre os quais falarei num artigo futuro), dão a entender que Chema Rodríguez tem uma extensa rede de contactos. Já tenho vindo aqui a defender que o andebol do Benfica deveria reestruturar o seu scouting e um treinador com este requisito pode ser um passo dado nesse sentido.
Segundo, os acompanhantes da modalidade sabem que nesta momento, a Espanha tem provavelmente, a melhor escola de treinadores do mundo na modalidade. Só para se ter uma ideia, as quatro equipas que chegaram à Final Four da Champions na época passada eram todas treinadas por treinadores espanhóis. Quatro das últimas cinco equipas campeãs europeias também eram treinadas por espanhóis. No Europeu realizado neste anos, 7 das 24 selecções participantes também tinham seleccionadores de origem hispânica. Para terem uma melhor ideia da influência e da popularidade dos treinadores espanhóis no andebol mundial, segue aqui um artigo da MARCA a falar sobre o assunto:
https://www.marca.com/balonmano/2020/05/18/5ec19003e2704eed208b4615.html
Não sabemos que ideias Chema Rodríguez irá trazer ao andebol do Benfica. No entanto, o facto dele vir de uma realidade competitiva muito diferente, poderá implementar uma outra mentalidade no andebol encarnado em termos de exigência e de cultura de trabalho.
Se formos pegar nos exemplos dos dois melhores treinadores da história do andebol do Benfica (Eugene Trofin e Aleksander Donner), ambos eram conhecidos por serem treinadores bastante exigentes e rigorosos, tanto a nível do treino, como a nível mental. E essa exigência natural poderá ser determinante para os jogadores poderem mostrar o que valem.
Nas entrevistas a antigas figuras do andebol do Benfica no Benfica de Quarentena, vários deles fizerem referência ao facto de nos últimos anos, o Benfica ter contratado vários andebolistas reputados a nível nacional e internacional que não viriam a fazer a diferença que se esperava. A meu entender, isto pode acontecer por dois motivos: ou pelo simples facto do jogador não suportar o peso da camisola (e há quem diga que a camisola do Benfica pesa 40 Kg), ou por mera falta de compromisso do próprio jogador, que muitas vezes também é causada pela falta de liderança da estrutura.
Chema Rodríguez ainda não tem o perfil que eu defendia que o andebol do Benfica deveria ter. No entanto, também entendo que, se o Benfica neste momento nem sequer consegue competir com os rivais, também fica mais difícil para o clube conseguir atrair um treinador com esse estatuto. Assim, em vez de gastar uma fortuna num treinador de topo, apostou num treinador em início de carreira, com experiência internacional como jogador e vindo de uma escola de topo, que tem potencial para ter o perfil pretendido.
Outra coisa que acho essencial face a esta mudança, é que Chema Rodríguez tenha na sua equipa técnica um adjunto português e que conheça bem o campeonato. À imagem do que se sucede no FC Porto com Carlos Martingo e no Sporting com Rui Silva, acho muito importante que Chema Rodríguez tenha um braço direito que o possa ajudar a preparar os jogos e a adaptar-se à nossa realidade.
No meio disto tudo, qual é a moral da história? Neste Momento, ainda é impossível para qualquer adepto dar garantias de que Chema Rodríguez é o treinador de que o andebol do Benfica precisa. Ainda existem muitos pontos de interrogação à sua volta e só com tempo e paciência é que teremos as respostas que queremos obter."

A culpa é do Benfica!!!

"O reinício do futebol europeu deu-se na Alemanha. Entretanto, mais 4 campeonatos já recomeçaram (Ilhas Faroé, Arménia, Hungria e Estónia).
Até domingo, regressam os campeonatos da República Checa, Dinamarca, Polónia, Croácia, Israel, Lituânia e Sérvia.
Nada disto seria possível, segundo alguns “iluminados”, caso o Benfica não estivesse em 2º na Liga NOS."

O bulo deu-lhes a volta

"Um dos jogadores que mais paixões (amor / ódio, próprios dos novos tempos das redes sociais) desperta em Portugal, encontrou o patamar intermédio que o seu potencial precisava para continuar a despontar e caminhar para rendimento.
Numa Liga plena de talento, que o coloca à prova a cada instante, mas inserido num contexto muito mais propício às suas qualidades – Um jogo que se parte e onde a sua irreverência quando há espaço, próprio das transições faz a diferença, não apenas na recuperação da posse e do posicionamento defensivo, mas ainda mais na forma como parte o jogo deixando para trás opositores incapazes de acompanhar a velocidade da sua condução.
Está ainda longe do nível a que pode chegar – Continua a ter erros e perdas da posse evitáveis, mas hoje janta na mesma mesa de Neymar, Verratti ou Di Maria para citar apenas alguns dos que lhe fazem companhia na melhor equipa da Liga Francesa, eleita pelo “L’Equipe”.
Uma das contratações mais caras de Luis Campos, o homem que tanto talento “descobriu” e permitiu potenciar nas suas equipas, Renato promete cumprir a tradição dos jovens recrutados pelo director desportivo português.
Um pouco do regresso do Bulo em 2020:

"

Acabar com a confusão

"Neste momento há 14 estádios para receber jogos de futebol.

A questão da aprovação dos estádios com vista à realização dos 90 jogos que faltam para concluir esta atribulada edição do campeonato de futebol da primeira Liga pode ter chegado ontem ao fim. E ainda bem, porque já não era sem tempo.
Aceites os estádios do Rio Ave e do Desportivo das Aves, estão por enquanto de fora apenas aqueles que pertencem ao Famalicão, Moreirense, Vitória de Setúbal e Santa Clara.
Pelas diligências que continuam a ser feitas é ainda possível a junção ao grupo dos 14 aprovados, os estádios famalicense, do Bonfim e de Moreira de Cónegos, estando de parte o da cidade de São Miguel, nos Açores, sabendo-se que o clube açoriano há muito optou por realizar os jogos que lhe faltam em Oeiras, na cidade do futebol, pertença da Federação.
Foi assim em vão tanta discussão ao longo de vários dias, ficando também sem efeito a possibilidade de o Benfica poder utilizar o Dragão e do Futebol Clube do Porto poder vir a jogar em Guimarães, ambos na qualidade de visitantes. E, como estes dois jogos, outros se perfilavam como fazendo parte de um cacharolete que, a consumar-se, não deixaria de provocar enorme discussão.
Está deste modo afastada uma grande parte da confusão que chegou a perspectivar-se.
Mas, em boa verdade, o futebol português já não dispensa estas e outras cenas porque fazem parte do ADN dos nossos clubes e, principalmente, dos seus dirigentes.
Em suspenso vai continuar, entretanto, a questão das equipas de arbitragem e das suas deslocações. E se é verdade que neste aspecto a logística continental é aparentemente mais fácil de resolver, já no que à Região Autónoma da Madeira diz respeito está ainda alguma pedra por partir.
Continuando a perder-se em meandros que ele próprio cria, o futebol português vai ter que encarar mais seriamente algumas questões que ainda não estão definidas, e que têm muito a ver com aspectos de ordem financeira, no fundo o que mais preocupa todos os clubes intervenientes.
A preparação das equipas prossegue, tentando todas elas aproveitar o melhor possível o pouco tempo disponível até ao dia 3 de Junho. E é aí que assenta igualmente uma das maiores preocupações: o espaço é curto, as lesões já começaram a aparecer e oxalá não venha a ser por aqui que surjam os problemas mais delicados."

Trago más notícias: o nosso futebol tem doença em fase terminal

"Ando mal humorado. Não acredito na regeneração do mundo na pós-pandemia e muito menos na reabilitação do futebol português. É uma pena, mas tenho bons motivos para tamanha descrença. Na humanidade e, em específico, nos nossos trágicos dirigentes desportivos.
Sobre o pobre planeta, enfim, as notícias não podiam ser piores. Enquanto for habitado por líderes políticos do quilate de Bolsonaro, Trump, Orban ou Boris Johnson, só podemos esperar e temer o pior. Gente que faz da desfaçatez, da intrujice e do egoísmo as linhas programáticas dos respectivos panfletos governamentais. É demasiado mau. Só de escrever estes quatro nomes sinto náuseas.
Se a sociedade global pouco ou nada aprendeu com os últimos três meses, o frágil microcosmos do nosso futebol muito menos. Num momento de extrema complexidade, onde se exigia uma acção concertada e um protocolo a envolver comunhão de esforços e decisões incontestáveis, apenas se identificam os sintomas de sempre: cada um a olhar por si e a gritar 'salve-se quem puder'.
Este egoísmo militante não é uma novidade. É uma prática corrente, uma característica inamovível na idiossincrasia da bola indígena. Mudam-se os nomes, mantêm-se as vontades. O 'grande' tudo quer, o 'pequeno' suplica pela migalha do barrigudo, a Liga sobrevive ao sabor de humores instáveis e sempre, sempre, enroscada num manto de impotência e incapacidade.
Neste hiato competitivo tudo correu mal. A inenarrável reunião dos três grandes e Proença com a DGS, FPF e o governo, a contestação ao mesmo Pedro Proença, a demissão do Benfica (e Cova da Piedade) da direcção do organismo, as falhas no laboratório responsável pelos testes de despiste aos futebolistas (entretanto desmentidas pela UNILABS), a reacção de alguns clubes contra a Altice. Tão mau, tão feio.
Já o escrevo há vários anos. Há duas situações que têm de ser corrigidas com urgência no nosso futebol. Digo só duas, para não me acusarem de achar que tudo está mal.
Primeiro: os clubes não têm nem maturidade nem equilíbrio para se regerem a si próprios. Por outras palavras, a direcção da Liga não pode ser constituída por membros que decidem em causa própria. Enquanto tivermos cinco emblemas da I Liga e três da II Liga a acompanhar o presidente, persistirá o protecionismo e a falta de fiscalização.
Convido-vos a passar os olhos pelo Regulamento Geral da Liga e a saltarem directamente para a página 18. É de levar as mãos à cabeça.
Segundo: os orçamentos anuais da esmagadora maioria dos clubes da I e II Ligas dependem sobretudo dos acordos efectuados com a operadora televisiva responsável pela transmissão de jogos. Enquanto estas negociações não forem centralizadas e a diferença de valores entre os maiores e os mais pequenos atenuada, a competitividade interna continuará a ser baixa e a contaminar a ambição nas provas da UEFA.
Por falar na UEFA, o organismo escrevia em Janeiro de 2019 que Portugal era «o pior país a distribuir as receitas televisivas». Um dado objectivo.
«Portugal é agora a única maior liga europeia em que os clubes vendem os seus direitos televisivos individualmente, o que se reflecte na enorme diferença entre os três principais clubes e os restantes. O rácio de um clube grande para clube médio é superior a 1.500 por cento em Portugal, comparado com uma média de 240 por cento nas 24 ligas com venda centralizada.»
Em ano e meio, a vergonha é precisamente a mesma, até porque há contratos em vigor. Contratos que reflectem o espírito vigente no nosso futebol: egoísmo, chico espertismo e uma disponibilidade assustadora para vencer no matter what, a qualquer preço. Não há uma visão de negócio, uma estratégia atraente para quem pondera associar a sua empresa a esta actividade. Zero.
Puxe uma cadeira e sente-se, caro leitor. Trago más notícias: a liga portuguesa é uma indústria com doença em fase terminal."

25 de maio de 2005. A final em que eles não podiam dizer que eram jogadores do Liverpool se baixassem a cabeça

"Aquela final louca, em Istambul, onde cada equipa teve a sua parte para ser escandalosamente superior à outra, foi há 15 anos. Os primeiros 45 minutos fizeram o AC Milan desmantelar uma equipa que parecia não ter hipótese de reagir, mas, após o intervalo, o Liverpool ressuscitou com três golos e prolongou a penosa queda dos italianos até aos penáltis, onde Dudek imitou as pernas de esparguete que tinha dado a última Liga dos Campeões ao clube inglês

É o típico desastre anunciado pela pressa com que se tenta remediar o mal: o Liverpool perde a bola, os de vermelho são pacholas de movimentos, chamar de reacção é um eufemismo e quando Gerrard avança sobre um Kaká prestes a receber um passe, fá-lo pelo lado fechado, para onde o brasileiro já denunciou que não irá orientar a recepção. Dá uma ajuda para embelezar ainda mais a forma como médio se livra dele com um toque.
Kaká rodopia o corpo e vira-se, é poesia em movimento, a bola rola-lhe à frente e com o tempo e espaço que arranjou vê Crespo uns 35 metros lá ao fundo, escondido entre lateral e central, o mais esperançoso e otimista dos avançados ao correr pelo passe que, de facto, entrou - mas que para lhe chegar tinha de ser um dos mais geniais passes em finais da Liga dos Campeões, dos que dispensam ver todas as outras finais para se ter esta certeza.
Também com um toque, meio rosca, meio chapéu, num momento técnico de física e cálculo de trajectórias no cérebro, o argentino marca o 3-0 e Rafa Benítez nem o viu. Estava a olhar para o bloco de notas, a escrevinhar, já preocupado com o que haveria de dizer no balneário aos jogadores do Liverpool, ali a serem esquartejados por um AC Milan que espalhava os seus bocados calmamente pelo campo.
Havia 44 minutos de jogo e nada, em nenhures, de vivalma, mostrava que os ingleses tinham hipótese de sobreviver à final. Logo aos 50 segundos fizeram uma falta perto da área, Pirlo cruzou, esqueceram-se do mais rodado entre as gentes em campo e Maldini marcou. Aos 39 minutos, estavam os de Liverpool a refilar com o árbitro por uma suposta mão na área de Nesta enquanto Shevchenko punha Crespo a rematar o seu primeiro.
Era um desastre em curso. Gerrard admitira visualizar antes o jogo “três ou quatro vezes mentalmente”, certamente não este, um cataclismo que parecia roubar o interesse à que poderia vir após o intervalo, pois a ganhar estava o AC Milan, nos tempos em que era um temível portento, maquinado com Nesta, Maldini, Stam, Cafu, Pirlo, Gattuso, Seedorf ou Kaká, além dos já mencionados, todos jogadores que dificilmente amoleciam ou, vá, seriam surpreendidos por uma súbita revolta do orgulho adversário.
Os italianos "tinham os melhores jogadores do mundo em cada posição", sabia o capitão do Liverpool, pleno na sua consciência. "Não éramos tão bons como eles".
Benítez sabê-lo-ia, também, quando caminhou para o balneário, matutava o que poderia dizer e até perguntou a Paco Ayestarán pelo que haveria de puxar para, fora coisas táticas, de posicionamentos, que tinha nas notas, agitar as mentes dos jogadores. Se já difícil era “motivar uma equipa que perde por 3-0 falando em espanhol”, fazê-lo em inglês “ainda ia ser mais duro”, rebobinaria mais tarde, à revista “Panenka”.
Revolveu o óbvio, falou nos erros próprios, os golos eram culpa deles, das suas desatenções, era suicídio continuar a dar uma planície para Kaká galopar ao centro, Hamann entraria para salvar Xabi Alonso e fazer avançar Gerrard.
E depois tocou no orgulho.
A obrigação era que “saíssem de campo orgulhosos” deles próprios”, darem o máximo para “saberem que tinha feito tudo o que estava ao alcance”, porque “deviam algo aos adeptos do Liverpool que ali estavam” e “não se podiam dizer jogadores do Liverpool se baixassem a cabeça” e não voltassem ao campo “com ela levantada”.
Escrito assim, faz parecer que Benítez enfiou a mão na filosofia de bolso e sacou do que pôde, mas, no fim, diz que disse uma frase, e os jogadores já o disseram, que pode ter mexido mais com eles: “Dêem-se a oportunidade de serem heróis”.
Carregaram contra a área, mais pelo orgulho do que em ataque planeado, Riise tentou cruzar da esquerda, as costas de Cafu devolveram-lhe a bola, o norueguês mal olhou de novo e repetiu o provável cruzamento que queria acertar à primeira, rumo à cabeça de Gerrard, deixado sozinho por um erro indesculpável.
Aos 54 minutos tiraram um golo à desvantagem e roubariam outro logo aos 56’, sem cruzamento, mas de novo aproveitando um AC Milan encafuado junto à área, as linhas espremidas como se invadidos por um batalhão, a dar todo o espaço para a bola ser passada até Smicer a rematar de longe. E, aos 60’, com os italianos esbofeteados por palmas invisíveis, Gerrard sprintou campo fora para ir buscar um passe que toda a gente viu antes de acontecer.
Gattuso puxou-o, o capitão do Liverpool caiu e Xabi Alonso falhou o melhor penálti que teve, porque lhe deu a recarga que já celebrava antes de a bater baliza dentro. Um quarto de hora bastou para os ingleses se desentarrarem da cova e, depois, se aguentarem.
Os italianos despertaram da própria hipnose. Eram melhores, e por isso reagiram: Kaká volta a puxar os cordéis e Schevchenko a cabecear, uma e outra vez, contra alguma presença inamovível em cima da linha - Traoré, primeiro, depois Dudek, já no fim do prolongamento, com a dupla parada que salvou ali a Liga dos Campeões para o Liverpool, mesmo que ainda houvesse penáltis depois. 
Encaminhado-se para a baliza, a pensar no Papa João Paulo II para os seus botões, o guarda-redes polaco ouve-se na voz de alguém, “Jerzy! Jerzy! Jerzy!”, é Carragher, o outro dos jogadores nados e criados em Liverpool e com sotaque peculiar, que se apressa a aconselhá-lo: “Lembra-te do Bruce. Ele fez coisas malucas para os desconcentrar em 1984. Tens de fazer o mesmo”.
Este Bruce era Grobbelaar, o guardião do farto bigode que defendia o Liverpool nos tempos mais áureos do clube. Naquela na final de Roma, contra a Roma, no tal ano de 1984, também se foi a penáltis, e Grobbelaar abanou as pernas que nem um embriagado a tentar equilibrar-se antes de os adversários rematarem. Resultou então e resultaria em Istambul, onde Dudek parou duas bolas depois de imitar como pôde as pernas de esparguete e confirmou o auto-resgate do Liverpool.
A haver jogo que justifique o cliché que no futebol diz para se levantarem cabeças, foi este, há 15 anos e em Istambul, quando uma equipa de caras com jogadores inferiores ressuscitou para virar uma final da Liga dos Campeões e dar mais uma história para a coleção que faz muita gente ficar sempre do lado de quem corre por fora - os underdogs, como dizem os ingleses."

Benfiquismo (MDXXXVI)

Em Belém...