Últimas indefectivações

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Jesus, um e outro

"Meu caro Jorge Jesus:
Você pode ter mudado com o Benfica, mas o Benfica mudou muito mais consigo. A cada semana que passa a equipa é melhor, mais consistente, mais acutilante - e você deixou de ser o lunático em ebulição a olhar para ela obcecado pelo seu umbigo (Houve tempos em que o fez - e se perdeu). Por isso sempre tive este feeling: que só se a terra passasse a rodar ao contrário é que você deixaria de ser campeão (e até acreditei que ganhasse a Liga Europa também...) - e não por capricho do destino mas por mérito seu mais do que qualquer outro. Sabe porquê? Porque, este ano, raro foi o dia em que você não foi o que o Galeano diz que um treinador deve ser: ter a genialidade de Einstein, a subtileza de Freud, a perseverança de Gandhi e a capacidade milagreira de Jesus. (É verdade: ele, o Galeano, ao falar da capacidade milagreira não falou de nenhum Jesus, falou da Virgem de Lourdes, mas, para o caso, fica melhor o Jesus.)
Mas queria dizer-lhe mais: com essa nova faixa de campeão ao peito, você não é só o maior treinador do Benfica no século XXI, é um dos maiores da sua história. Sim, há quem tenha ganho muito mais, mas não houve ninguém que ganhasse o que você ganhou (e pode ganhar...) apanhando um Benfica, trôpego, a cair no inferno - e um FC Porto a olhá-lo, garboso, refastelado no paraíso.
Ah! Lembrei-me de outra coisa, de ideia de poeta que nunca morre, o Drummond. Ele dizia que no futebol (e na vida) o mérito da derrota consiste em isentar o derrotado de qualquer responsabilidade na vitória - e o que você fez foi dar a Vítor Pereira esse mérito de o isentar de qualquer responsabilidade na derrota. (Sim, não tenho dúvidas: este Vítor Pereira não foi pior que Vítor Pereira campeão, bem pelo contrário, viu-se, ontem, de novo, contra o SC Braga, você é que foi melhor do que se imaginara...)
PS: Como se percebe, esta crónica tem um truque literário: tratado que ainda não sucedeu. Mas se não suceder eu continuarei a achar de Jorge Jesus (e de Vítor Pereira) tudo isso na mesma..."

António Simões, in A Bola

Jesus, o mestre da gestão

"É elementar o elogio público ao Benfica de Jesus, que, nos momentos fundamentais da nossa Liga, tem sabido estar à altura dos acontecimentos: a sua equipa é organizada e disciplinada, com bom sentido estratégico e posicional, com talento colectivo e com jogadores que, nos últimos metros, são capazes de decidir as vitórias. Mérito do seu treinador e dos seus jogadores e ainda dos seus dirigentes que, numa época em que é proibido falhar o que quer que seja, têm dado uma boa resposta. É um facto que o Benfica pode ganhar as três competições em que ainda está envolvido – para já foi afastado da Taça da Liga e da Liga dos Campeões –, o que será óptimo  mas não deixa de ser também verdade que ainda nada ganhou e nada pode ganhar, o que será difícil.
Compreende-se, pois, a atitude prudente de Jesus, hoje em dia e cada vez mais o porta-voz do clube – papel que desempenha com evidentes dificuldades –, que nesta fase da época tem colocado as suas preocupações só no jogo seguinte, o que não deixa de ser uma boa solução, embora por vezes não saiba cuidar da sua narrativa e se deixe levar pelas emoções que, afinal, são tão próprias de uma personalidade, como é o caso da sua, que precisa de estar constantemente no centro do mundo. Mas desta vez com razão, reconheça-se, porque Jesus voltou a ser o que foi no seu primeiro ano no Benfica: um treinador que sabe muito de futebol e que treina como há poucos.
O Benfica corre assim imparável para o título e o que mais tem surpreendido nos seus últimos jogos é a atitude manifestada pela equipa que com a máxima disponibilidade e coragem, com uma gestão inteligente – Jesus aprendeu depressa e muito bem com os erros da última época – força o ritmo e renova a intensidade até chegar à vitória final, como se verificou, por exemplo, na última jornada em Olhão. Essa situação só vem confirmar, no fundo, esta ideia: todos querem garantir o campeonato o mais depressa possível, e todos fazem “das tripas coração” para chegarem ao Dragão com vantagem suficiente para não precisarem desse jogo para nada.
Com tudo a rolar sobre esferas, o que só prova que Jesus há um mês não tinha razão quando não privilegiou a Liga Europa – erro grave embora de pronto corrigido –, verifica-se agora que este Benfica dispõe de todas as condições, mesmo todas, para igualar a época de André Villas-Boas no FC Porto – ganhou tudo o que havia para ganhar e só falhou a Taça da Liga enquanto Benfica só não pode ganhar a Taça da Liga e a Supertaça nacional. Este facto conduz-nos a uma pergunta: o que é que mudou em apenas dois anos para esta cambalhota?!"

Estranha pequenez

"O Braga vai perigosamente escorregando para uma pequenez de que já tinha conseguido sair em tempos bem mais memoráveis e foi essa triste realidade que manifestou no Dragão, onde o FC Porto ganhou, porque só podia, mesmo, ganhar. Os portistas dominaram em tanto espaço e por tanto tempo que, mesmo admitindo uma exibição que chegou a ser preocupante, nunca pareceu distante de uma vitória que sempre mereceu, garantindo, assim, a expectativa de um campeonato que poderá ser jogado até à última gota.
Não admira que Benfica e FC Porto continuem invictos na ponta final do campeonato. Até mesmo adversários como o Braga, que já nos tinha habituado à personalidade e ao carácter de uma equipa competitivamente adulta e competente, se tornaram demasiado frágeis e vulneráveis. É pena. Depois de ter prometido aproximar-se dos grandes, chegando até a uma final europeia, onde lutou de igual para igual pelo jogo e pelo resultado com o FC Porto, o Braga aparece agora tolhido de ambição, de capacidade, de convicção, com uma equipazinha medrosa e insegura com um futebol encolhido e inútil.
Provavelmente, em qualquer circunstância, o FC Porto teria sido sempre mais forte e teria ganho o jogo, mas, ao menos, tivesse sido o Braga uma equipa menos inócua e não se teria perdido o espectáculo. Pode entender-se o que se viu, ontem, numa pequena equipa a lutar estoicamente com o FC Porto para não descer de divisão, mas é inaceitável ver aquela recusa tão óbvia de jogar o jogo pelo jogo numa equipa, como o Braga, com aspirações a uma qualificação de acesso à Champions."

Vítor Serpa, in A Bola

Toca a apertar o cinto

"1. Pela primeira vez na história do futebol italiano e, segundo creio, europeu, a Liga da Série B aprovou duas medidas revolucinonárias: a introdução de um tecto salarial máximo de 300 mil euros para os novos contractos a partir da época 2013/2014 e a redução dos plantéis. Ou seja, os clubes só poderão pagar, no máximo, a cada jogador 300 mil euros ilíquidos (divididos igualmente entre a parte fixa e variável). Se alguém prevaricar será objecto de sanções pecuniárias. Convém dizer que este salary cap (tão comum nos EUA) foi votado por unanimidade. Os dados disponíveis permitem concluir que, em média, os clubes economizarão cerca de 25 por cento. Outra decisão igualmente importante diz respeito à composição dos plantéis a partir da próxima temporada: máximo de 22 jogadores (18 com mais de 23 anos, 2 sub-23 e 2 com quatro anos de formação no clube) que descerão para 20 em 2014/2015 (18+0+2). Em carteira ficou ainda uma nova alteração para ser implementada a breve prazo: as actuais 22 equipas serão reduzidas para 20 e de seguida para 18.

2. Mas há mais, desta vez a nova Direcção do Comité Olímpico, presidida por Giovanni Malagó, deliberou acabar com os favores e os privilégios reservados aos deputados, senadores, ex-secretários de Estado e ex-ministros além de autoridades locais e regionais que todos os fins-de-semana enchiam à borla as tribunais de honra dos estádios de todo o país. A partir de 31 de Maio cessam os cartões gratuitos para a casta política.

3. Ao contrário de Vítor Gaspar que fustiga os detentores de salários ricos para debelar a crise, e quem diz salários ricos diz jogadores de futebol, François Hollande castiga com 75 por cento de IRC as empresas e clubes que pagam mais de 1 milhão de euros a qualquer colaborador. Em França o futebol está em pé de guerra. O presidente do PSG, Al Khelaifi, limita-se a dizer: «Respeitaremos as leis». Para evitar problemas, os jogadores são todos pagos pelo líquido. Conclusão: Ibrahimovic vai custar 70 milhões/ano, dos quais 56 para o Estado, e Thiago Silva e Lavezzi à volta de 45."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

O voo da águia entre Einstein e Darwin

"No futebol como na vida tudo é relativo, e a Lei do mais forte impera.
Diz-se que na prática, a consequência mais importante da Teoria da Relatividade, formulada por Einstein, trouxe uma proporcionalidade directa entre massa e energia, isto é, quando uma cresce a outra também cresce, e quando uma diminui a outra diminui proporcionalmente.
E no futebol a proporção de massa e energia pode ser considerada equivalente. Pois, se um clube tem muita “massa” constrói uma grande equipa sempre com energia presente para vencer. Já um clube com pouca “massa”, ou nenhuma, precisa de encontrar uma fonte energética alternativa para não definhar, ou um amigo incógnito para ajudar.
Tudo é relativo, e no caso da deslocação do Benfica a Olhão, onde os encarnados não venciam há três épocas, os desaires no Algarve não significavam propriamente a derrota. E como se veio a provar, este jogo acabaria por ser o mais fácil do Benfica na condição de visitante, mesmo alinhando com alguns jogadores que não estavam a cem por cento. E apesar disso, o Benfica passou, no estádio José Arcanjo, uma noite de turismo e de convívio com os seus adeptos algarvios.
Enzo, Matic e Sálvio são “ricos” jogadores que não poupam na energia, e parecem mesmo ter um reservatório infinito para esta recta final, mesmo num campo difícil. Refiro-me ao piso do terreno porque o adversário nunca incomodou. Os jogadores atrás referidos jogaram bem e todos teriam marcado golos se Enzo não desperdiçasse uma excelente oportunidade.
Em termos atacantes só o Benfica jogou. O Olhanense só defendeu, mas nem sempre bem. Na primeira parte, as águias, como predadoras que são, comeram a bola, saborearam o jogo a seu belo prazer, mas na hora de colocarem a reserva alimentar nas balizas desviaram o bico e desperdiçaram seis ocasiões para “encaixar” a bola no armazém do golo.
Claro que o Olhanense, qual Gaivota-de-bico-fino defendia-se como podia das contínuas investidas da Águia – Real, a qual deseja manter o seu ninho bem lá no alto da classificação. Os algarvios recuavam em bando na esperança de aproveitarem algum peixe que se escapasse pelo buraco das redes.
Na segunda parte, Sálvio numa das suas deambulações para o corredor central, recebeu a bola e ao avançar assustou três defesas e depenicou o primeiro golo. Também Matic, outro elemento que não estava a cem por cento, rematou e a bola em voo rasante acabou por entrou na baliza de Bracali. Bem, se este duo de marcadores não está em pleno fisicamente e realiza duas excelentes exibições, pergunta-se como estarão quando estiverem totalmente em condições.
O voo da Águia parece estar imparável e na sua altiva rota tem três possíveis e agradáveis destinos. Neste momento, o Benfica sobrevoa serenamente o campeonato nacional. Esta semana, as águias vão emigrar provisoriamente para Newcastle, onde procuram ganhar mais “ar quente” para continuar a voar na Europa. E é ponto assente que depois daquele passeio na Mata-Real terminará a época no Estádio Nacional!"

terça-feira, 9 de abril de 2013

Em Cádis, com rabos e orelhas!

"Em 1963, sob o comando de Lajos Czeizler, o Benfica vence pela primeira vez o Troféu Ramon Carranza, o «Trofeo de los trofeos»... Barcelona e Fiorentina caem aos pés de uma equipa ávida de golos (Dez em dois jogos!!!).

AINDA há pouco tempo falámos aqui de Lajos Czeizler, treinador breve (apenas uma época) de um. Benfica que marcava golos aos pontapés. Pois hoje falamos desse Benfica de Lajos Czeizler e de mais golos aos pontapés.
Foi um dos primeiros desafios do treinador húngaro: a disputa do Troféu Ramon Carranza, em Agosto de 1963.
Ramon Carranza: os espanhóis chamam-lhe «Trofeo de los trofeos». Disputa-se em Cádis, no Verão, como os mais famosos torneios espanhóis de pré-época, os «veraniegos». Disputa-se desde 1955. Falaremos aqui dele em pormenor uma destas semanas.
Em 1963, o Benfica participou no Troféu Ramon Carranza pela primeira vez. Antes dele, tinham participado o Atlético (1955) e o Belenenses (1957). O Benfica voltaria a Cádis em 1964, 1965, 1971 e 1972. Em cinco presenças conquistou duas taças volumosas. Depois pouca a pouco, o Ramon Carranza viria a perder importância.
Mas em 1963, o Ramon Carranza estava no auge da sua importância. Além do Benfica, estavam em Cádis o Barcelona, o Valência e a Fiorentina.
Como geralmente acontecia, os espanhóis preparavam uma final o mais caseira possível  E assim, nas meias-finais, Valência e Fiorentina foram encaixados de um lado enquanto Barcelona e Benfica se encaixaram no outro. A ideia podia ser boa mas saiu frustrada. Empatados (1-1) ao fim de 90 minutos, Valência e Fiorentina seguiram para um prolongamento que firmou a vitória dos italianos (3-2).
Por seu lado, portugueses e catalães reeditaram a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de Berna. Até no resultado (3-2). Aos 26 minutos, o Benfica chegava à vantagem, por Serafim. Já na segunda parte (49'), Ré, que substituíra Vicente, fez o empate. Não se esperou mais de um minuto para que Yaúca desse nova vantagem ao Benfica.  Zaldúa, aos 66 minutos, volta a empatar para Serafim (81') decidir do jogo e atirar o Benfica para a final.
Para que se comparem os «teams», eis o registo:
BENFICA - Rita; Cavém, Raul e Cruz; Coluna e Humberto; Yaúca, Eusébio, Santana, Serafim e Simões.
BARCELONA - Pesudo; Foncho, Olivella e Eladio; Segarra e Garay; Zaballa, Pereda, Zaldúa, Kocsis (depois Goywaerts) e Vicente (depois Ré).
Mas o melhor estava para vir.

O súbito destroçar da Fiorentina
DEPOIS de o Barcelona ter despachado (4-1) o Valência no jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, a grande final foi ainda mais vibrante do que prometia.
O Benfica entrou em campo com: Rita; Cavém, Raul e Cruz; Coluna e Humberto; José Augusto, Eusébio, Santana, Serafim e Yaúca.
E a Fiorentina: Albertosi; Rubosi, Conciantoni e Castelletti; Guarnesi e Marchesi; Hamrin, Lojacono, Seminário, Maschi e Partu.
Juan Seminário, «El Loco», um fantástico avançado peruano, já havia jogado em Portugal, no Sporting, e não tardaria a ser transferido para o Barcelona.
Esperava-se um jogo de qualidade entre duas equipas com pergaminhos, mas ele até começou lento, sem grande entusiasmo. Depois explodiu.
Hamrin pôs os italianos em vantagem aos 31 minutos. Sobre o intervalo, Santana lesionou-se e deu lugar a José Torres. E o gigante não tardaria a tomar conta dos acontecimentos. Mal saído das cabinas, aos 46 minutos, fez o golo do empate. Agora o desafio era combativo, excitante. Serafim faz 2-1 (72'), mas Locajano empata três minutos depois. Depois é de novo Hamrin a fazer o 3-2, logo no minuto seguinte. Não há aflição do lado benfiquista: Torres está lá a faz o 3-3.
Segue-se para o prolongamento. A Fiorentina não resiste à cavalgada dos 'encarnados'. O lilás pálido de Florença fica destroçado com os golos de Torres(2), Eusébio e Yaúca. A superioridade portuguesa é de tal ordem que o resultado poderia ter sido mais pesado. Sete-a-três! O Benfica sai de Cádis em ombros, como diriam os aficionados da festa brava, com rabos e orelhas. É a sua primeira vitória no Troféu Ramon Carranza. Voltaria mais vezes. É esse o destino dos vencedores.
E repetiria a vitória. Em 1971. Mas é outra vitória..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Doping regulamentar

"A verdade desportiva ficou ameaçada no sábado pela decisão da Liga de alterar as regras a cinco jornadas do fim.
Equipas que estão na iminência de descer de divisão, como ditam os regulamentos, assumem já a perspectiva de passarem por cima de uma temporada desastrada, ou apenas infeliz. A mudança das regras a meio do jogo é um sacrilégio para qualquer actividade e especialmente grave no que respeita aos princípios desportivos, tão inaceitável como o doping fisiológico. Os clubes que vencerem a derradeira etapa com este acréscimo de energia estão para o campeonato como os ciclistas que tomam doping para o último sprint. Estão a violar a verdade desportiva."

Um passeio, quem diria!

"Afinal, em Olhão, não mandam os que lá estão.
É verdade que tal princípio se aplica às gentes para lá do Marão, mas não ficaria mal a versão sulista, que não necessariamente elitista e liberal. Mas este Olhanense, afogado em problemas mil, que até já ameaçou não comparecer aos seus compromissos, não parece estar à altura de uma resposta capaz, muito menos quando, pela frente, se lhe depara um adversário do estofo deste Benfica, que atravessa um momento de forma exuberante e não larga os olhos do título.
Para este jogo, a principal novidade nos encarnados residiu na adaptação do habitual lateral direito, André Almeida, na faixa contrária, suprindo assim a ausência do castigado Melgarejo, o que diz bem da confiança que nele deposita o técnico Jesus. No resto, os "suspeitos do costume", com Ola John e Cardozo, desta vez, a ficarem no banco. Um muito versátil 4.1.3.2, que, desde cedo, tomou contas das operações e tratou de pressionar o adversário, já de si pouco dado a aventuras.
De facto, a formação algarvia, ciente do poderio do antagonista, apresentou-se muito defensiva e apenas com Targino com características mais atacantes, quando no banco contava com Djaniny e Djalmir, para não falar de Leandro ou Ivanildo. A palavra de ordem era aguentar e o certo é que o Olhanense foi cumprindo o plano, embora fossem visíveis os fracos argumentos de que dispunha. Valeu, na altura, a atenção de Bracali e algum espírito perdulário da dupla Rodrigo-Lima.
Era, contudo, evidente que esta situação dificilmente se eternizaria. Para a 2ª parte, Cajuda manteve o figurino à espera de um milagre, mas o Benfica não embarcou em devoções e, claro, chegou mesmo à vantagem, por Salvio (52'), num remate cruzado e certeiro. Obrigado a rectificar, o técnico de Olhão lá se decidiu a apostar em David Silva e Leandro, sem que daí surgisse qualquer notícia. E nem o facto de ambos se integrarem na sua linha mais adiantada fez deles avançados que se vissem, uma vez que todo o conjunto da casa primou sempre por um posicionamento pouco afoito no terreno.
O 2-0 (Matic,64') acabou mesmo com as dúvidas, que, a bem dizer, nunca as houve e aí, sim, pôde o Benfica iniciar a gestão do plantel, fazendo descansar quem mais necessitava, tendo em conta o próximo compromisso europeu. Uma vitória por certo mais fácil do que se aguardava e mais curta do que poderia ter sido. O Benfica está irresistível, mas também não era motivo para um Olhanense tão ausente."

A galinha

"O Azeiteiro-da-Cabeça-d'Unto foi à gala. Vendo bem não se tratou propriamente de uma gala. Foi, por assim dizer, uma gala mais pequenina. Uma galinha, portanto. E o Azeiteiro lá estava, circunspecto, bem untado, a cabeça brilhando mas não por dentro, por fora. Não exibia o sorriso velhaco de outras circunstâncias. Talvez por se ver sentado na segunda fila, logo ele que gosta de estar no palco e de dar nas vistas. A primeira fila estava reservada para o Madaleno e para os seus cães. Cães-de-fila. Cães-de-primeira-fila. Uns besuntavam-lhe as mãos com a saliva inquinada dos amestrados; outros lambiam-lhe as botas com a estúpida eficiência dos invertebrados. E o Madaleno troçava, canalha, daqueles que, serviçais, dobram a cerviz à sua passagem. Parece que houve homenagens, mas como reconhecê-las no meio de tanta porcaria?
Entre a homenagem e a sabujice a distância é curta. E a memória também. Mas fizeram questão de nos avivar memórias não assim tão distantes: prostitutas e prostitutos, mariscos e marisqueiras, viagens intercontinentais, convites para camarotes dirigidos a respeitáveis membros da podre magistratura, perseguições, espancamentos, apedrejamentos, atropelamentos. Animada, a turba bateu palmas. É disso que gostam, sem isso não sabem viver. Contente, a cáfila babou-se de baba pestilenta. Sórdido, o Madaleno adormeceu cansado de tanta subserviência. O Azeiteiro-da-Cabeça-d'Unto foi ignorado. Ali era apenas mais um obnóxio que não dava jeito. Terá tempo para retribuir o convite para a galinha. E já não falta muito...
P.S.- O Senhor-de-Cócoras disse: «Os árbitros estão prontos para a fase final do Campeonato». Pelo menos um tal de Rui Costa já vimos que está."

Afonso de Melo, in O Benfica

Cumplicidades

"Podemos acusar a Associação de Futebol do Porto de muita coisa. Podemos lembrar-nos de tudo o que aconteceu no dramático consulado de Lourenço Pinto no Conselho de Arbitragem da FPF. Podemos recordar Escutas telefónicas e fugas para a Galiza com avisos prévios. Mas há algo que todos temos de reconhecer àquela gente: a gratidão para com quem lhes presta bons serviços. Aliás já vimos disto em filmes.
À Gala promovida pela referida Associação, e pelo seu sinistro presidente, não faltou ninguém. E, na maioria dos casos, não se pode dizer que não merecessem o convite. Falo, por exemplo, do impagável Pedro Proença.
Devo fazer, porém, um pequeno reparo. Achei algo injusto o lugar que lhe foi destinado na sala. O treinador André Villas-Boas, que deu somente um Campeonato Nacional ao FC Porto, tinha assento reservado na primeira fila, bem próximo de Pinto da Costa.
Enquanto isso, o árbitro da brilhantina, que, com idêntico zelo, ofereceu, pelo menos, dois Campeonatos ao FC Porto - e nunca percebi se é o FC Porto o filiado na AF Porto, ou se, pelo contrário, é esta a funcionar como um mero departamento do clube -, ficava-se por uma modesta segunda linha, bem atrás daquilo que o seu protagonismo sempre fez por justificar. Pormenores à parte, há que dizer que o homem estava em família, e rodeado pela sua gente.
Não sei de, desta vez, houve lugar a prémios. Mais uma medalha, não lhe ficaria nada mal, embora fossem necessários muitos e muitos troféus para premiar todas e cada uma das ocasiões em que o jiz lisboeta ajudou os seus amigos.
Também desconheço quanto vale, nesta sombria contabilidade, uma final da Liga dos Campeões, e uma final de um Europeu. Saldo para um lado, ou saldo para o outro, o certo é que tanto a coluna do crédito, como a do débito, parecem neste caso muito bem preenchidas. Entre galas, relvados portugueses e nomeações internacionais, veremos como decorrem os próximos episódios desta saga, algures entre o romance e o 'film noir'."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Bispo

Atitudes

"1. Pinto da Costa irá continuar como presidente do FC Porto. Segundo os estatutos do clube (bem estranhos, por sinal), ele pode optar entre continuar mais um ano ou ir para eleições para novo mandato de três anos. Como sempre tem acontecido (e acontecerá...) vai lançando a ideia de que brevemente terá que sair, que não sabe se se recandidata, que um dia terá que ser substituído. Mas, depois, chega a altura e, claro, continua. E continuará. No FC Porto nem são necessários sistemas electrónicos para contagem dos votos. Na última eleição (ou 'eleição' com aspas?), nem foi tornado público o número de votantes e o resultado. Será que desta vez se saberá?

2. Segundo alguns sportinguistas intelectualmente menos honestos, o semanário do seu clube comemorou o 91.º aniversário, sendo 'o jornal de clube mais antigo da Europa'. Vão afirmando isso até à exaustão e como uma mentira muitas vezes repetida...
O n.º 1 do jornal saiu em 1949 e, 28 anos depois (1977), o Sporting resolveu saltar do n.º 1360 (numa semana) para o n.º 1529 (na semana seguinte), englobando os 168 boletins que, de forma irregular (chegaram a estar quatro anos sem publicação), foram distribuídos aos sócios entre 1922 e 1949 à média de... seis por ano! Tal como o FC Porto, mais recentemente, inventou anos de existência (sem existir), o Sporting inventou anos de publicação de um jornal que não foi mais que um boletim interno que saía quando saía...

3. Há dias veio a público que José Mourinho chegou a assinar contracto com o Sporting, o qual Luís Duque foi depois obrigado a rasgar por pressão da Juventude Leonina. Nada que surpreenda. Quando Mourinho, a seguir à vitória sobre o Sporting, 'exigiu' a Manuel Vilarinho que renovasse de imediato contracto com ele, ameaçando que sairia caso não o fizesse, já estava garantido com a proposta do Sporting. Perante tal exigência do treinador, o presidente do Benfica só tinha uma resposta possível: então saia (Mourinho não passava, então, de um treinador promissor). Depois, a história é conhecida: Mourinho tornou-se o melhor treinador do Mundo, como treinador, e o pior como pessoa. É assim que o vejo e os exemplos, num caso e noutro, são constantes."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Objectivamente (1 de Abril)

"A antiga tradição de atirar mentiras para as primeiras páginas dos jornais no dia 1 de Abril veio mesmo a calhar ao «Record». No dia das mentiras o jornal aproveitou para contar a história que gostaria de contar como verdadeira sobre a saída de Jorge Jesus do Benfica para o FC Porto. E faz uma narração perfeita de como seria bom que assim acontecesse porque dá a ideia que é esse o desejo de muito muito boa gente naquele jornal mais virado para o Sporting e seus aliados estratégicos!
Não viria mal ao Mundo se Jesus saísse do Benfica e fosse para outro qualquer clube, pois a vida dos profissionais de Futebol tem destas coisas. A questão aqui é diferente. É a forma como se menta a «mentira» tão cheia de pormenores deliciosos, como sejam conversas de Jesus com Pinto da Costa ou os recados de Luís Filipe Vieira para os jornais através de um seu assessor, uma vez que o presidente do Benfica não se dignou sequer a falar com o treinador, limitando-se a um «qualquer dia falamos»...
Curiosa é também a forma como o Record «avia» de uma assentada os dois treinadores - Vítor Pereira e Jesus! Um, o do FC Porto, foi avisado depois de ter sido afastado da Liga dos Campeões e num jantar em Espinho foi avisado que sairia no final da época, mas com a garantia tradicional de uma colocação no estrangeiro em equipa que luta na Liga Europa.
O outro, Jesus foi avisado do interesse de Pinto da Costa através de um amigo comum.
O pormenor da resposta de Jesus também é interessante. Iria mas só se não chegasse a acordo com o SLB. Isto é, como o Benfica deseja baixar-lhe substancialmente o vencimento, ele sairia para o FC Porto pelo mesmo que aufere agora no Benfica. E pronto... o negócio estava feito.
Para compor o ramalhete, uma foto que já saiu várias vezes no citado jornal com Pinto da Costa e Jesus muito sorridentes trocando confidências como dois bons velhos amigos. E assim se constrói uma boa mentira!"

João Diogo, in O Benfica

Sempre Benfica

"Hoje, por coincidência, é dia de aniversário para mim. Com 53 anos, que tributei, imodestamente, a várias lutas, muitos afectos, enormes prazeres. Também, nos mesmos 53 anos, colectei dissabores, angústias, raivas.
Lembro-me dos meus primeiros anos de vida? De forma muito obscurecida, muito distante. Mas já me lembro do Benfica, do Benfica desde os primeiros tempos de vida. Do Benfica do Eusébio, do Coluna, do Simões, do Zé Augusto. Do Benfica de jogadores espectaculares, hoje espectacularmente meus amigos, grandes amigos.
Mal sabia que idade tinha, mas sabia que era do Benfica. Do Benfica que foi a maior fábrica de sonhos do século XX português. Do Benfica que me fez sonhar, mas que transformou sonho em realidade. Esse Benfica que preencheu, preencheu sempre o meu quotidiano. O Benfica que tem um pedacinho de mim. De mim e de milhões de outros, constituindo-se num colectivo amado em todas as latitudes, elixir de agrado, suspeita de triunfo, certeza de vitalidade.
O que seria, desde o mais dócil da idade, a minha vida sem o Benfica? Inconcebível, inimaginável, impensável. Hoje, posso sentir-me realizado em aspectos múltiplos, mas sempre com o transporte do Benfica. Transporte emocional que me faz feliz, transporte comovedor que me faz afortunado, transporte emocionante que me faz bem-aventurado.
Quis o Benfica, quase sem saber porquê, já lá vão 53 anos. Quero o Benfica, sabendo porquê, mais alguns anos. Porque o Benfica, como nenhum outro emblema desportivo nacional, traduz os valores mais arreigados da portugalidade. Por isso, o Benfica é mais Benfica. Por isso, eu sou mais eu. Gloriosamente."

João Malheiro, in O Benfica

O alargamento que encolhe o futebol

"Mesmo que o Boavista não consiga inscrever-se, o alargamento da Liga Zon Sagres mantém-se. Mais palavras para quê?

Os clubes que compõem a Liga decidiram que a partir da próxima época haverá 18 clubes a disputar a Liga Zon Sagres. O argumento para o alargamento é a necessidade de acolher o Boavista entre os maiores, na sequência da prescrição do caso que levou à despromoção dos axadrezados. No entanto, se o Boavista (que deve cerca de 20 milhões de euros ao Fisco) não tiver condições de se inscrever, o seu lugar será preenchido por outro clube. Gato escondido com o rabo de fora. Se a verdadeira razão para o alargamento fosse de facto o Boavista, na impossibilidade de participação deste clube tudo deveria ficar na mesma, ou seja, com 16 clubes. Mas não é o Boavista a razão do alargamento, é apenas um pretexto invocado por aqueles que fizeram da possibilidade de uma Liga a 18 bandeira eleitoral e que, há um ano, foram derrotados por uma decisão da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). No sábado, o alargamento da Liga Zon Sagres foi aprovado pelos clubes. Pudera. Com as competições a decorrer, cada emblema fez contas de cabeça e na hora de votar olhou para os seus interesses próprios, algo que nunca deveria acontecer: mudar as regras do jogo a meio de uma prova é um crime que não devia compensar porque atenta contra os mais básicos princípios de transparência e credibilidade.
Vejamos então: Na I Liga há seis clubes que lutam pela permanência, enquanto que na II Liga outros tantos são candidatos à liguilha que passou a estar contemplada. Só aqui temos 18 votos com interesse comprometido por um objetivo concreto e imediato.
A batata quente passa agora para a esfera da FPF, que terá a palavra seguinte neste inquinado processo de alargamento. O mais normal, em defesa da indústria do futebol - a que os clubes, maioritariamente, se mostraram insensíveis - é que a entidade presidida por Fernando Gomes chumbe a decisão e faça tudo voltar à estaca zero. Porque, em limite, para reintegrar o Boavista - se for esse o entendimento - não é necessário alargar a I Liga. Se a questão é o regresso dos axadrezados, porque não descer de divisão mais um clube? Mas o Boavista é apenas um pretexto para a concretização de um plano adiado. Porque se a FPF pactuar com o alargamento e depois o Boavista não tiver condições para cumprir os requisitos de inscrição na Liga Zon Sagres, haverá, mesmo assim, 18 clubes a disputar a competição.
Sejamos muito claros: o futebol português não precisa de mais clubes na I Liga, precisa de menos; o futebol português não precisa de mais jogos sem qualidade, precisa, isso sim, de jogos que levem público aos estádios, motivem os patrocinadores e aumentem as audiências. Essa é a única via de regeneração do futebol português. Quem tiver dúvidas do que estou a dizer tem bom remédio. É ir ao site da Liga de clubes - www.lpfp.pt - e ver os números de espectadores nos jogos do futebol profissional em Portugal...



OITO semanas depois, onde para a polícia?
«O computador portátil de Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, também foi furtado no assalto à sede do organismo.»
A Bola,  14 de Fevereiro de 2013

RECAPITULEMOS: Há mais de OITO semanas a sede da FPF foi assaltada, pensava-se que só tinham sido roubados dois computadores, do oitavo andar, mas o portátil do presidente dos árbitros, no sexto andar, também desapareceu. O ladrão, de cara destapada, foi caçado pela vídeo vigilância. Deixou um rasto de sangue e impressões digitais. E nada?

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Sem emenda

"A Liga e a maioria dos dirigentes dos clubes não têm emenda. A habitual fuga em frente ontem sufragada ressurge como a solução milagrosa, felizmente condenada à recusa pelo plenário da Federação, a quem compete impedir o último passo para o abismo.
Um ano depois de ter assumido uma derivação positiva na gestão do futebol profissional, prometendo mais dinheiro, mais notoriedade e mais independência, a nova direcção da Liga só averbou derrotas e desconfianças. Perdeu para sempre a possibilidade de entendimento com o principal contribuinte líquido da televisão, bilheteira e merchandising, o Benfica, que inviabilizou uma futura negociação em bloco, viu o campeonato desaparecer do sinal aberto das televisões pela primeira vez em 50 anos, perdendo margem de negociação com os patrocinadores, e ficou nas mãos da Federação e da tutela governamental em todos os itens desportivos, da arbitragem à justiça, da calendarização à segurança. 
Portanto, no atual contexto nacional, a Liga não serve para nada, está moribunda, mas parece que ainda não percebeu. A divisão administrativa das duas entidades, com a organização dos jogos ainda delegada, não tem razão de ser, representa um custo acrescido em tempo de crise aguda e sugere um regresso às origens, com a Federação a dever retomar conta de todo o futebol nacional e não apenas das selecções.
Semana após semana, a Liga assiste envergonhada e impávida às notícias sobre a concorrência desleal de clubes que não pagam salários e têm contas cheias de buracos. Em vez de encontrar soluções para os sócios que ainda podem ser recuperados e revitalizados, de acordo com a lei, propõe-se agravar as condições em que todos se debatem, aumentando o grupo dos incumpridores e desportivamente desleais. Em vez de olhar em frente, a Liga volta-se para o passado: não são boas vistas."

domingo, 7 de abril de 2013

Campo de Minas, ultrapassado !!!


Olhanense 0 - 2 Benfica

Enorme vitória... a aparente falta de audácia por parte do adversário, pode passar a ideia que este foi mais um jogo fácil: engano total. Hoje, o Benfica jogou com 70 horas de intervalo em relação ao último jogo - mais uma vez... -, tivemos que fazer uma viagem relativamente longa, e fomos obrigados a jogar num batatal... contra toda a frota de autocarros Algarvios!!! A competência como o Benfica tem vindo a jogar, pode ser confundida com facilitismos por parte dos adversários, aliás essa a mensagem que os anti's querem transmitir...
Salvio abriu a 'lata', mas podíamos e devíamos ter marcado golos na 1.ª parte...

Vitória nas próximas 3 jornadas, e o título será nosso, esta é a minha convicção.

PS: Espero que amanhã nos pasquins, se recorde que neste momento, o Benfica tem 7 pontos de vantagem!!! É raro o Benfica jogar antes dos Corruptos - calendários cozinhados!!! -, e sempre que o Benfica joga depois, os jornaleiros não perdem a oportunidade para usar a matemática para pressionar o Glorioso, vamos ver se o vão fazer agora...!!!

1.º lugar


Benfica 3 - 2 Fonte Bastardo
25-15, 25-20, 23-25, 24-26, 15-10

Vitória difícil, contra aquela que para mim é o 2.º melhor plantel do Campeonato. O jogo até começou fácil, mas no 3.º set, cometemos alguns erros, e quando quisemos recuperar, os palhaços do costume não deixaram!!! O Fonte galvanizou-se e na fase decisiva do 4.º set voltámos a ceder... Na negra, não demos quaisquer hipóteses !! A nota negativa do jogo, acabou por ser as lesões do Roberto e do Magalhães, que me pareceram não ser graves...

Com a vitória, de hoje, do Sp. Espinho na Maia, é quase seguro que o nosso adversário na final será o Sp. Espinho, que na última jornada vai receber o Esmoriz, e portanto deverá vencer por 3-0. A FPV, o Miguel Maia, e o anti-benfiquismo primário de muita daquela gente, serão os nossos grandes adversários, mas a decisão está nas nossas mãos... sem bloqueios mentais, seremos Campeões!!!

Desperdiçar...


Benfica B 2 - 2 Oliveirense

O Benfica começou a ganhar, marcou os dois golos - com o Mika a defender um penalty pelo meio!!! -, mas logo a seguir permitimos o empate... tudo isto na 1.ª parte!!!

ADENDA: Vi agora o resumo do jogo: bem, o penalty contra, parece o Cristo-rei a cair em câmara lenta!!! O golo anulado ao Deyverson, praticamente no final da partida, com o Benfica a jogar com 10, é mais do mesmo...

Títulos


Mais um título nacional para a Joana Vasconcelos, desta na prova de fundo (5 Km), em K1, na pista de Montemor-o-Velho. Parabéns...

PS1: Este fim-de-semana nem Quarteira, a nossa secção de Triatlo, não esteve tão bem como na semana passada... mesmo assim alguns bons resultados, principalmente os mais jovens.

PS2: A nossa secção de Artes Marciais, conseguiu mais alguns títulos nacionais este fim-de-semana, desta vez foram os atletas do Karaté Shotokan, modalidade que curiosamente, pratiquei !!!


sábado, 6 de abril de 2013

Aguenta coração !!!


Benfica 11 - 6 Turquel

Esta equipa está-se a tornar especialista em provocar taquicardias aos Benfiquistas!!! Mas hoje exagerou, estar a perder 2-5 ao intervalo, é difícil de compreender. Com isto não estou a desvalorizar o Turquel que vinha de uma série vitoriosa - 7 creio!!! -, mas esta equipa é forte jogando em casa, na Luz não se esperava uma réplica destas... Felizmente, a 2.ª parte foi diferente, o Turquel também quebrou, mas não podemos dar tantos de avanço!!! Eu sei que os jogadores estiveram na Selecção, mas os sustos esta época já foram muitos!!!

PS: Como já escrevi a algumas jornadas atrás, tenho esperança na visita dos Corruptos a Turquel... e hoje só reforcei a minha convicção...!!!

João Silva 'Bronze' no outro lado do Mundo !!!


Excelente resultado do João Silva, na 1.ª prova da Taça do Mundo, da temporada de 2013, em Auckland na Nova Zelândia. Num pódio totalmente Ibérico, com o consagrado Gomez a vencer, o nosso jovem portou-se muito bem...
O dia só não foi perfeito, porque o João Pereira, na mesma prova, quando estava muito bem lançado, caiu no segmento de Ciclismo, sendo obrigado a desistir...


Aquecimento para amanhã !!!


Esmoriz 0 - 3 Benfica
9-25, 18-25, 17-25

Vitória esperada, deu inclusive para poupar vários jogadores para a partida de amanhã, com a Fonte Bastardo na Luz.

A Fonte Bastardo venceu esta noite em Espinho, e assim complicou as contas!!! Agora o Sp. Espinho precisa que o Benfica tire pontos aos Açorianos, amanhã na Luz, porque se a Fonte Bastardo fizer os 3 pontos, muito provavelmente teríamos uma final Benfica-Fonte, mas pessoalmente não acredito neste cenário... O Benfica só precisa de vencer um dos dois jogos que faltam para garantir o 1.º lugar, e amanhã não o devemos adiar (o outro é em Guimarães)... Para aqueles que pensam que a Fonte Bastardo seria um adversário mais fácil na final, aconselho a não pensar no assunto!!! Até porque para isso acontecer o Benfica tinha que perder amanhã, por 3-1 ou 3-0, com 3-2 para os Açorianos, o Sp. Espinho passava na mesma, para 2.º!!! Eu sei que o historial recente do Benfica com o Sp. Espinho não é o melhor, eu sei que eles contra o Benfica se galvanizam, mas muito sinceramente, com todos os problemas internos, o Sp. Espinho parece, neste momento, estar mais frágil...

Galos tenrinhos !!!


Benfica 88 - 63 Galitos
29-18, 19-5, 20-17, 20-23

Jogo que a equipa soube tornar fácil, com uma entrada forte, e concentrada no jogo, sem abébias... Além da ausência do Doliboa - não joga mais esta época -, também não jogaram o Heshimu e o Andrade, e o Carreira continua a jogar com uma protecção no ombro. Só falta mais um jogo da fase regular, em Ovar, pelo nosso lado temos o 1.º lugar garantido, mas é bom manter o ritmo vitorioso, espero que os nossos dois guerreiros regressem a tempo para o Play-off.
Uma nota especial para o Gentry, que depois de todos os problemas com a sua inscrição/naturalização, tem sido o substituto do Doliboa, e que para minha surpresa, nos últimos jogos tem marcado muitos pontos, quase todos em lançamentos, com excelente média!!!

Goleada sem goleadores !!!


Piratas 0 - 7 Benfica

Sem César Paulo castigado, e sem Joel Queirós lesionado (na Selecção!!!), tivemos que procurar goleadores noutras camisolas... e ao intervalo a vantagem era curta (0-1), mas o descanso fez bem, e os golos foram aparecendo na 2.ª parte...

Juniores - 8.ª jornada - Fase Final

Clésio

Benfica 4 - 1 Nacional

Sporting............17
Corruptos..........16
Benfica............14
Braga................11
Guimarães...........8
Setúbal..............8
Rio Ave..............6
Nacional.............4

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Perto do sonho depois do pesadelo

"Os próximos três adversários do Benfica no campeonato são os três clubes que tiraram pontos, nesta volta, ao nosso rival.
Foi com Olhanense, Sporting e Marítimo que o FC Porto escorregou e nos deu esta pequena vantagem de quatro pontos.
Temos que ser melhores e mostrar que sabemos fazer a diferença para ser campeões. Contra o Rio Ave foi assim. Não demos hipóteses a que nada corresse mal.
Nos próximos três jogos decidimos a nossa sorte. Olhanense num campo impraticável, e moralizado pela vitória de Aveiro e o dinheiro caído de um amigo, será a próxima batalha.
Não costumamos ser felizes em Olhão, nem nos jogos, nem nas exibições, nem nas arbitragens (lembro Soares Dias e João Capela). O mesmo Benfica que jogou contra o Rio Ave saberá ficar a salvo de intempéries e manter a rota e o rumo do 33.º campeonato.
Facto que parece indesmentível é que os jogadores do Sporting rendem menos. Veja-se Van Wolswinkel: desde que é jogador do Norwich já marca hat-tricks.
A eliminatória com o Newcastle é bem diferente da disputada com o Bordéus. Estes ingleses são bem mais débeis fora de casa que em St. James Park.
O Benfica está longe de ter a eliminatória resolvida. Mas depois do pesadelo, acabámos perto do sonho das meias finais.
No frio do norte de Inglaterra teremos que manter a humildade e a concentração competitiva. O Newcastle tem muitas e boas soluções ofensivas, teremos aproveitar alguma fragilidade de uma defesa aquém do resto da equipa.
Lazio e Tottenham terão de suar para chegar às meias-finais. Chelsea e Benfica deverão respeitar os rivais para evitar surpresas."

Sílvio Cervan, in A Bola

Gente feliz com golos

"Benfica "superstar" depois de início titubeante.
Mais um teste, mais um triunfo. Despachados os alemães, foi agora a vez dos ingleses do Newcastle provarem da receita, tão precisados estavam depois das fanfarronices do seu técnico, para quem a deslocação a Portugal era mera formalidade. Já deviam era saber ao que vinham, após a goleada que lhes foi imposta em Alvalade, aqui há uns anos, mas, pelos vistos, nunca mais aprendem.
É verdade que este Newcastle até surgiu confiante e poderoso. De tal maneira que soube intimidar e interferir no ânimo do seu opositor, um Benfica que talvez não estivesse à espera de tamanho atrevimento. As movimentações de Cissé, na frente de ataque, cedo causaram pânico, tanto quanto as assistências e demais apoio de Sissoko e Marveaux, sempre numa roda-viva de excelente e veloz circulação de bola.
Daí que não tenha surpreendido o golo dos visitantes (12'), após combinação entre Sissoko e Cissé, que deixou completamente derrotada toda a retaguarda encarnada. Poucos minutos depois, já com "epicentro" no flanco esquerdo, foi a vez de Gutierrez solicitar o senegalês para o 0-2, mas o poste devolveu a bola, após desvio providencial de Artur. O momento era, pois, do Newcastle e o Benfica acusava retracção em demasia. Mas, num repente, tudo se modificou.
Cardozo teve oportunidade de aplicar o seu valioso pé esquerdo e Krul apenas pôde repelir para a frente, surgindo então Rodrigo para a recarga vitoriosa. Era o empate e o início de um novo ciclo no jogo. Os ingleses acusaram o toque, mas, mais do que isso, foi o Benfica a acreditar no milagre da reviravolta, encostando o adversário às cordas, que é como quem diz à baliza do atento Krul, verdadeiro responsável pela escassa capacidade concretizadora dos donos da casa neste primeiro período.
Tentou o Newcastle reeditar, após o descanso, o arranque protagonizado no jogo e Cissé, sempre ele, bem servido por Marveux, explorou a má colocação das linhas recuadas do Benfica e apresentou-se isolado para um caprichoso segundo remate ao poste. Ter-se-ia aí iniciado, provavelmente, novo capítulo na história da partida, mas se a sorte que o evitou esteve do lado do Benfica, há que reconhecer que a ela se juntou também a sageza de Jorge Jesus.
De uma assentada fez duas substituições que tiveram o condão de transmitir mais dinâmica ao jogo da equipa. Saíram André Gomes e Rodrigo, duas boas exibições sem dúvida, mas o Benfica não ficou a perder, já que entraram Enzo Perez e Lima, qualquer deles a garantir maior agressividade nas respectivas zonas de intervenção e com a particularidade de estarem mais frescos para a refrega que os aguardava.
A comprová-lo, o golo de Lima, logo após a sua entrada em campo, aproveitando um erro crasso de Santon. Logo a seguir, o 3-1, numa grande penalidade cobrada a dobrar (a primeira não valeu) por Cardozo. Dois brindes da defesa inglesa, é certo, mas que não retira mérito à maior insistência ofensiva do Benfica, que, naquela fase do jogo, podia muito bem ter causado ainda maiores estragos.
Para a parte final, Jesus completou o seu número de prestidigitação nas substituições, tirando o extenuado Cardozo para apostar numa unidade mais defensiva, Maxi, assim procurando garantir a coesão em terrenos mais recuados e, com isso, a manutenção do resultado. Já Alan Pardew tentou mais o ataque, com o recurso ao fogoso Ameobi, em detrimento do mais cerebral Marveux, mas não ganhou grande coisa com isso.
Em resumo, o Benfica teve sorte do jogo, com as tais duas bolas no poste, mas acabou por ganhar bem, pela forma como soube virar o rumo dos acontecimentos e pela clara superioridade com que, a partir daí, se impôs ao seu antagonista. Já não falando de um outro "penalty" que terá ficado por marcar por falta sobre Cardozo, ainda na primeira metade..."

Bruno de Carvalho, 35 - Pinto da Costa, 30,5

"Desde os 6 anos que Bruno de Carvalho pensa como presidente do Sporting. Pinto da Costa só em Agosto completará 31 anos como líder; Carvalho leva quatro de anos e meio de avanço...

O novo presidente do Sporting inaugurou-se em funções em Rio Maior num jogo da II Liga entre as equipas B do Sporting e do Benfica que terminou com a vitoria do histórico rival por 3-1, o que sempre doí.
Para se poder atirar ao árbitro à vontade sem correr riscos de sanções disciplinares pela parte da Liga, como as que no ano passado recaíram sobre um ex-vice-presidente do Benfica, Rui Gomes da Silva, o estreante Bruno de Carvalho recorreu a uma inovadora metáfora de cariz ornitológico, por sinal bem divertida, que causou furor e jamais lhe causará incómodos.
Recorde-se que no princípio da temporada, Rui Gomes da Silva foi castigado, suspenso e multado com violência por ter dito no final do jogo Académica-Benfica, arbitrado por Carlos Xistra, que o Benfica já tinha sido «avisado» do que iria acontecer. O resultado foi um empate a 2-2 e os dois golos da Briosa nasceram de duas curiosas grandes penalidades que resultaram de decisões inabaláveis do árbitro albicastrense.
Os árbitros são humanos, enganam-se.
E temos uma vez mais, um campeonato a penalties.
Queixa-se, por exemplo, o FC Porto das duas grandes penalidades desperdiçadas a seu favor por Jackson Martínez e que, só por si, justificam os correntes 4 pontos de atraso que os campeões nacionais levam do Benfica.
Lamenta-se por sua vez o Benfica da actuação de Xistra em Coimbra que, só por si, lhe terá substraído 2 pontos que somados aos correntes 4 já somavam 6, o que era logo outra coisa.
Concluindo: neste campeonato, o Carlos Xistra é o nosso Jackson Martínez. E nem é caso para se dizer que cada um tem o que merece, longe disso.
Há, no entanto, quem ande a pensar nestas coisas dos árbitros há muitos mais anos do que os que Gomes da Silva levava como dirigente do Benfica quando definiu «um roubo de Vaticano» os dois penalties que o nosso Jackson Martínez particular vislumbrou em Coimbra.
E vem como exemplo Bruno de Carvalho que andou desde os 6 anos, idade em que decidiu querer ser presidente do Sporting, a pensar no que chamar ao primeiro árbitro lampião que lhe aparecesse pela frente. Tendo o presidente do Sporting, actualmente 41 anos de idade, basta fazer as contas para se concluir que andou 35 anos a pensar seriamente no assunto.
E se pensarmos que Pinto da Costa só no próximo mês de Agosto completará uns modestos 31 anos na condução do FC Porto, chegamos facilmente à conclusão de que Bruno de Carvalho, a pensar nestas coisas todas como presidente, leva uns quatro anos e meio de avanço sobre o vetusto presidente dragão.
Muito à frente, portanto.
Viu-se em Rio Maior isto tudo. No fim do derby-B, de zangado que ficou, o presidente do Sporting referiu-se à necessidade de exterminar «um bando de pássaros» e ainda outro bando de 'inúteis» que andam por aí à solta a estragar o futebol português.
Se são pássaros não são humanos e os árbitros são humanos como não se cansam de nos dizer. E se são inúteis é porque não são úteis a ninguém. E se não são úteis a ninguém é porque, sendo pássaros, acresce que nem ninhos sabem fazer.
Inimputável! Chapéu!
A metáfora dos pássaros é o primeiro marco da longa caminhada do presidente eleito do Sporting cumprido o seu sonho de criança. Num futuro mais ou menos longínquo, os que lá chegarem lerão como a História se haverá de referir a este episódio inaugural de Bruno de Carvalho em Rio Maior sabendo-se, por certo, que a dita História é sempre escrita pelos vencedores.
Daí a importância de ganhar Campeonatos, Taças de Portugal, Taças da Liga e até jogos particulares e torneios de verão. De outra maneira, serão os outros, os vencedores, a escrever a nossa História e, quando isso acontece, não é de esperar piedade nem, muito menos, comiseração.
Tudo isto vem a propósito de um livro que estou a ler. Trata-se de Um Diário Russo, escrito pelo escritor estado-unidense John Steinbeck depois de visitar a União Soviética em 1947 no dramático rescaldo da II Guerra Mundial. Há em Lisboa no fundo da Rua de São Bento uma adorável livraria chamada Palavra Viajante, especialista em livros de viagem com uma vasta e muito bem escolhida oferta de títulos, facto deliciosamente surpreendente numa pequena livraria de bairro.
Foi aí que comprei o livro de Steinbeck ilustrado com fotografias do grande Robert Capa, o fotógrafo de origem húngara que se imortalizou com a sua reportagem sobre a guerra civil em Espanha e que haveria de morrer no palco da guerra da Indochina em 1954.
Os detractores de Bruno de Carvalho poderão dizer que pássaros e ratada não rimam e que foi disparatada a estreia do novo presidente do Sporting no ataque à arbitragem que temos por casa. Mas lendo Steinbeck lembrei-me de Bruno de Carvalho e forçosamente dou razão ao presidente do Sporting. Pássaros e futebol, afinal, podem rimar desde que haja génio para tal.
No seu périplo pela URSS, John Steinbeck visitou Tblissi, a capital da República da Geórgia. Levaram-no logo à bola:
«Da parte da tarde fomos ver um jogo de futebol entre as equipas de Tiblissi e de Kiev. Jogaram bem, depressa e empenhadamente num estádio enorme. Pelo menos 40 mil pessoas estavam a assistir, a multidão foi vibrante porque estes jogos entre equipas de Repúblicas diferentes são sempre emotivos. O jogo terminou empatado 2-2 e assim que acabou foram lançados dois pombos. Antigamente, na Geórgia, em competições de todos os tipos e mesmo em combates, era lançado um pombo branco em sinal de vitória ou um pombo preto em sinal de derrota. E eram esses pombos que levavam a notícia dos resultados para outras cidades sob o céu da Geórgia. Hoje, como o resultado foi um empate, foram lançados dois pombos, um branco e um preto, que voaram por cima do estádio e logo desapareceram.»
Bonito, não é? Futebol e pombos, uma perfeição.
E vendo Bruno de Carvalho aos saltos no final do jogo de Braga lembrei-me outra vez de Steinbeck e do relato da sua viagem à URSS. É que não se cansou o presidente do Sporting de lançar pombos brancos do relvado da Pedreira. Foi um pombal inteiro. Temos personagem. Bem-vindo.

O Benfica manda na arbitragem? Sim! Bastou ver Pedro Proença, o maior benfiquistas de todos os tempos, tão perfilado na plateia da gala da AF Porto para desfazer qualquer tipo de dúvidas sobre o assunto. Proença foi lá meter-lhes medo.
Na mesma ocasião, o presidente do FC Porto foi distinguido com o galardão para o «dirigente do século». Parece-me francamente exagero porque, de uma maneira geral, um século tem 100 anos.
Só se justificaria semelhante distinção se, tal como Bruno Carvalho, Pinto da Costa tivesse começado a pensar como presidente do FC Porto aos 6 anos. Aí sim, já se aproximava do século. Mas, mesmo assim, que exagero.

PABLO MIGLION, guarda-redes do San Lorenzo de Almagro, foi preso à saída de um jogo do campeonato argentino por suspeitas de encobrimento de um crime. O San Lorenzo de Almagro até é o clube confessado do Papa Francisco I mas, neste caso, nem o Papa lhe valeu. Na Argentina é assim. Para e bola não é a mesma coisa do que árbitros e pássaros.

NA próxima jornada, o Moreirense do treinador Inácio vai ao Sporting do director Inácio. É uma situação cómica e nada mais. Faz lembrar aquela velha rábula da grande Ivone Silva, «Olívia Patroa contra Olívia Costureira». Os mais velhos lembram-se.

QUE bem jogou o Benfica com o Rio Ave. Agora segue-se o valoroso Olhanese acossado por uma tormenta financeira que impede os seus jogadores e treinadores de receberem os devidos salários mas não os impede de lutar e de ganhar como aconteceu na última jornada em Aveiro. No meio há o jogo com o Newcastle é a equipa mais francesa da Premier League. Conta com 10 jogadores franceses. Para facilitar a comunicação, o Platini mandou para a Luz um árbitro todo ele também francês. Ai a passarada...
Mas que importa?
Este ano a Liga Europa está para o Benfica como a Taça da Liga está para o FC Porto. Só mesmo se tiver de ser...

P.S. - Também temos Belenenses para o ano. Bem-vindo."

Leonor Pinhão, in A Bola

Normalidade

"Sabemos que o nosso conceito de ‘normalidade’ mudou no momento em que o Benfica vence por 6-1 o Rio Ave, clube da primeira metade da tabela classificativa, e consideramos que é um resultado normal.
Foi com normalidade que ouvi consócios benfiquistas, no terceiro anel, dizer que esperavam na segunda parte do jogo outros tantos golos quantos os marcados na primeira parte (e assim aconteceu). Foi com normalidade que estava o resultado na meia-dúzia e as bancadas pediam “só mais um”. É com a mesma normalidade que nos apercebemos a meio do jogo de que acabáramos de ultrapassar a barreira dos cem golos marcados, nesta época, em competições oficiais. Dentro da mesma toada, aceitamos como normal termos em Lima o futebolista com mais golos marcados na época de estreia desde os tempos de Eusébio. Aceitamos como normal que neste jogo na Luz tenham estado mais espectadores do que no somatório de todos os outros jogos desta jornada. Chegar a esta normalidade foi e é um trabalho hercúleo.
No meio de toda esta normalidade, foi muito interessante observar a prudência com que todos nós, adeptos e profissionais, encaramos mais esta vitória que nos deixa mais perto de sermos campeões. A mesma prudência que nos leva a não entrar em euforias e a perceber que ao Benfica nada é oferecido e tudo é conquistado pelo trabalho árduo. Afinal, é com normalidade que percebemos que o arreganho da Académica se esgotou no jogo contra o Benfica e se transformou em docilidade no jogo contra o FCP. É com normalidade que nos preparamos para as xistremas, olegarices, proençadas ou o soaresdiasismos do costume. Estamos perto das meias-finais da Liga Europa, estamos perto da final da Taça de Portugal e estamos perto da vitória no Campeonato. É com normalidade que sabemos que estar perto não basta… é preciso ganhar, como sempre, contra tudo e contra todos."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

O dinheiro do «amigo»

"Os jogadores do Olhanense foram os heróis da semana. Revoltaram-se contra quatro meses de salários em atraso e, ao mesmo tempo que activaram um pré-aviso de greve, a concretizar no jogo com o Benfica, foram a Aveiro, fizeram das fraquezas forças, e arrancaram, provavelmente, os mais saborosos três pontos das suas carreiras. Deram uma lição de dignidade profissional que deverá ficar registada a letras de ouro na história das relações laborais no contexto do futebol português e depois aguardaram pelo desenvolvimento da situação. O Olhanense deveria pagar pelo menos um dos quatro meses em atraso para que a greve não se tornasse efectiva. E assim aconteceu. Os profissionais do emblema de Olhão venceram a luta.
Posto isto, tirados do filme os jogadores rubro-negros, foquemo-nos na Direcção do Olhanense que, até agora, fez quase tudo bem, ou seja, encontrou, de forma expedita, meios para resolver a parte mais escaldante do problema que tinha nas mãos. Porém, ao não divulgar quem avançou com a avultadíssima verba que lhe permitiu pagar aos futebolistas, colocou-se numa posição insustentável face à opinião pública e não só. A transparência exige que se saiba os contornos do empréstimo até agora imputado a «um amigo». O anonimato, neste caso (e sem entrar em implicações legais de outra ordem...) não pode vingar, sob pena de grassar uma especulação intolerável, devastadora. Para defesa do Olhanense, nomeadamente do seu presidente que tem dado a cara neste processo, o dinheiro não pode ter caído do céu, até porque nestes tempos difíceis, de lá só jorra água. E como não caiu do céu e porque certamente se trata de uma operação feita com base na boa-fé, não há nenhuma razão para que permaneça secreta. Ou então..."

José Manuel Delgado, in A Bola

O amigo do presidente

"O presidente do Olhanense tem um amigo que todos nós gostaríamos de ter. O homem não é de Olhão - a acreditar nas palavras de quem sabe do que está a falar - mas deixou-se sensibilizar pelo drama dos jogadores do Olhanense, que já iam em três meses de ordenados em atraso. Vai daí, esqueceu-se do tempo de crise em que vivem os portugueses e emprestou, do seu bolso ou do seu banco, 288 mil euros sem garantias, o que, na pior das hipóteses, pode querer dizer a fundo perdido.
Isidoro Sousa, o presidente do clube, ficou naturalmente sensibilizado com o gesto, tanto mais que nem sequer ficou assente que esse dinheiro serviria de primeira prestação do benemérito para uma entrada no capital da SAD. «Logo se verá, depois» - diz Isidoro, com uma serenidade surpreendente. O que interessa é que o dinheiro apareceu, os cheques foram passados e os jogadores levantaram a greve anunciada.
Não me parece que a coisa seja, de facto, assim tão simples. Tanto pode ter sido apenas um gesto de generosa loucura de alguém sem amor ao dinheiro, como pode ter sido um gesto com fins inconfessáveis, admitindo eu que, num e noutro casos, poderá haver justificação para o anonimato.
Pode o presidente do Olhanense considerar que ninguém tem a ver com o assunto e que essa questão de saber quem emprestou o dinheiro e porquê será, apenas, um pormenor. Não é verdade. Ninguém empresta 228 mil euros a um amigo para pagar ordenados de uma equipa de futebol sem ter interesses. Não quer dizer que sejam interesses obscuros, mas é importante que a Liga perceba os contornos desta pouco luminosa operação e que se travem, assim, as especulações que, inevitavelmente, foram surgindo."

Vítor Serpa, in A Bola

Elogio canhestro

"«Penso que na Premier League jogariam para os oito/dez primeiros lugares»
Alan Pardew, treinador do Newcastle, ontem, sobre o Benfica

Há muito sabemos que os britânicos continuam a achar que o sol nunca se põe no império, apesar deste ter acabado no século passado e de em Londres chover 164 dias por ano.
Essa coisa de se acharem o centro do universo leva-os a olhar com uma perspectiva distorcida para tudo o que seja medido no sistema métrico e onde se conduza pela direita.
Alan Pardew, treinador do Newcastle, decidiu ontem tentar fazer um elogio ao Benfica. Pensando que o Newcastle é 15.º da Premier League, lembrou-se de dizer que os portugueses jogariam pelos primeiros oito/dez lugares.
É impossível saber, claro. Mas o 8.º da classificação inglesa é neste momento o West Bromwich Albion, o nono o Swansea, o décimo o Fulham. Pardew olha para o Benfica e coloca-o abaixo de Man. United, Man City, Tottenham, Chelsea, Arsenal, Everton e Liverpool. Mas para mim o Benfica está muito mais próximo do nível do Everton, ou do Liverpool, ou até do Arsenal, que de WBA, Swansea ou Fulham. Nos últimos três anos e meio, aliás, o Benfica defrontou quatro clubes ingleses na UEFA: dois empates com o Man United, duas vitórias sobre o Everton, vitória e derrota com o Liverpool e duas derrotas no ano passado com o Chelsea, em circunstâncias muito especiais.
Parece-me óbvio que FC Porto e Benfica, em Inglaterra, lutariam pelos quatro primeiros lugares (acesso à Liga dos Campeões). Nem sempre conseguiram - o Liverpool também falha apuramento há três épocas seguidas.
Esta soberba britânica já se vira na Luz quando Souness achou que com bons jogadores em fim de carreira, como Saunders e Michel Thomas, e outros fracos (Pembridge, Gary Charles, Harkness) seria campeão sem problemas. Acho que Pardew também não está a ver bem o filme e arrisca-se esta noite a sair da Luz com um olho negro."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

PS: Esta declarações, na minha opinião, não são significativas, servem somente para os jornais venderem papel, se os jogadores do Benfica estiverem à espera destas supostas provocações, então estaríamos muito mal... só coloquei aqui esta crónica, para enquadrar o excelente cartoon do Henrique Monteiro:

Começou mal, mas acabou bem !!!


Benfica 3 - 1 Newcastle

As minhas dúvidas ficaram desfeitas logo no início: o Jesus manteve a rotação, mais pronunciada. E eu concordo. Por todas as razões e mais algumas, o jogo de Domingo em Olhão será muito complicado, e assim vamos ter vários jogadores frescos: Lima, Enzo, Maxi - Luisinho -, e também será muito importante a recuperação do Salvio, já que hoje, os dois alas - Nico, Ola -, fizeram os 90 minutos.



Começamos mal, com pouca intensidade, e a dar espaços... Como tem sido habitual, desde do sorteio, temos assistido a uma campanha de desvalorização do Newcastle, campanha premeditada, canalha, com a intenção óbvia de em caso de sucesso do Benfica, desvalorizar a vitória, e em caso de derrota, achincalhar o Benfica. O Jesus tem toda a razão ao elogiar os dois avançados do Newcastle: titulares de caras em qualquer equipa Portuguesa - incluindo o Benfica!!! -, e na maior parte das equipas, que neste momento estão ainda na Champions. O golo sofrido foi um déjà vu de uma jogada exactamente igual ao último jogo com o Rio Ave, onde a indecisão/incompetência do Ukra e a experiência do Luisão, acabou por resolver a situação. O Melga não pode 'dar' a linha de passe interior, tem que defender mais junto do Garay. O Garay é 'agressivo' na pressão, não fica na dobra - como o Luisão faz muitas vezes, por falta de 'pernas'!!! -, portanto o defesa esquerdo não pode dar as 'costas'. Situação que tem que ser resolvida nos treinos.
O Benfica acordou, tornou-se mais agressivo, e o André Gomes subiu no terreno. O André começou a jogar praticamente ao lado do Matic, e isso tirou profundidade ofensiva ao Benfica, deixando para o Rodrigo o transporte de bola, entre-linhas... Curiosamente o 1.º golo, foi numa subida-surpresa do outro André, o Almeida!!! Que como é natural não faz nem metade das 'piscinas' do Maxi, o que também retira muito jogo ofensivo ao Benfica, já que o Maxi sendo defesa, é um jogador que com as suas subidas, cria muitos desequilíbrios ofensivos. Na minha opinião ainda na 1.ª parte já merecíamos estar em vantagem, já que o Krul estava a ser o melhor em campo...!!!
Voltámos a ter sorte no início da segunda parte, com uma 2.ª bola no poste do Artur - abençoados pelos postes, mas traídos pelos apitos!!! -, mas depois o jogo foi todo nosso. O Newcastle, empatado, também decidiu controlar o jogo, fazendo claríssimo anti-jogo - estilo nada Britânico -, o que facilitou a nossa tarefa, com a entrada do Lima e do Enzo, o Benfica ganhou objectividade ofensiva, pressionou mais, e rapidamente marcámos dois golos - foram três, já que o Tacuara foi obrigado a marcar o penalty 2 vezes... estupidamente!!! -, aliás era visível que a defesa deles, pressionada  iria ceder... A arbitragem foi vergonhosa, o critério disciplinar uma nódoa, e tecnicamente mal, creio mesmo que na 1.º parte ficou um penalty por marcar a nosso favor, e o penalty marcado foi por indicação do árbitro de baliza - finalmente...!!! Mas aqui está outro ponto, que reforça a minha teoria, que a aposta tem que ser total no Campeonato, porque na UEFA, o Platini - ou o Colina ou outro qualquer que para lá trabalhe...!!! -, parece que não gostam do vermelho do Glorioso!!! Não tenho as estatísticas, mas não me recordo do último penalty a nosso favor na UEFA, mas não têm sido muitos, e este teve que ser em duplicado!!!


Acredito que o Benfica vai marcar em Newcastle. Mas o jogo não será fácil, aquele tipo de jogo directo, dos últimos minutos, foi uma amostra daquilo que nos espera. Com um árbitro caseiro, que não marque as faltas constantes que os Avançados fazem sobre os Centrais, podemos ter muitos problemas, porque eles normalmente ganham as segundas bolas!!!