Últimas indefectivações

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Ruben Amorim é um visionário


"Tudo para decidir na última jornada, sinal inequívoco de competitividade da Liga. Mais: só Farense e Boavista, os dois últimos, não roubaram pontos aos quatro primeiros.

Final de campeonato digno de Hitchcock, o mestre do suspense. Está tudo praticamente por decidir, pelo que o adepto do futebol não podia pedir mais emoção. Título, UEFA e manutenção, tudo vai decidir-se no sábado, a partir das 18h00.
Sou daqueles que gosta do futebol português. Dos jogadores e dos treinadores — quanto aos dirigentes já é outra conversa... Considero que têm muito valor e uma capacidade de se reinventarem a cada momento.
Conseguem constantemente fazer muito com pouco, uma qualidade que muito aprecio. Não sou apologista de que a Liga portuguesa é pouco competitiva ou que é nivelada por baixo. Uma narrativa construída já há muitos anos e que a cada dia ganha mais simpatizantes. Eu próprio, confesso, por vezes me deixo ir na onda.
Ainda no início desta época escrevi aqui neste espaço que o campeonato estava perigosamente desequilibrado. O Sporting de Ruben Amorim voava, como dizem os brasileiros, e tudo parecia ser só facilidades. Curiosamente, foi a partir do momento a que assisti a uma conferência de imprensa do agora treinador do Manchester United que refleti melhor sobre o assunto.
Então, Ruben Amorim disse que era um privilegiado em Alvalade, que o clube estava muito bem organizado e que o plantel tinha sido construído a tempo e horas e com os jogadores que tinha pedido, além de que o Conselho de Administração do Sporting presidido por Frederico Varandas lhe dava toda a confiança. Bem diferente, sublinhou, era a posição de muitos dos homólogos da Liga, para os quais pediu tempo. Nada mais acertado, como se percebeu depois…
Recordei-me dessas palavras nestes últimos dias, com tudo por decidir na 34.ª e última jornada. O final de campeonato só não vai ser ainda mais emotivo porque o SC Braga, que tão bom trajeto estava a realizar nesta segunda volta, claudicou nas três rondas anteriores: sete pontos perdidos em nove possíveis.
Os guerreiros entregaram desta forma o terceiro lugar, que vale o acesso direto à UEFA Europa League, ao FC Porto — os minhotos só matematicamente têm possibilidades de terminar no pódio, mas daquelas nas quais ninguém acredita, pois seria necessário vencerem o Benfica e os dragões perderem em casa com o Nacional e ainda que a combinação de resultados permitisse anular uma desvantagem de sete golos.
Quanto ao título, todos os portugueses já sabem de cor e salteado o que terá de suceder para Sporting ou Benfica festejarem. Volto a reafirmar o que escrevi há uma semana: quem saísse na liderança do dérbi tinha tudo para ser campeão e considero mesmo que o mais provável é os dois rivais terminarem empatados, com a vantagem no confronto direto a fazer a diferença. Querem mais equilíbrio? Só mesmo se o critério de desempate fosse a diferença de golos. Que até é bem pequena: três — 86-27 para os leões e 83-27 para as águias.
Dada a final da Taça de Portugal ser disputada entre Sporting e Benfica abriu-se mais uma vaga na UEFA via campeonato, com o 5.º classificado a ter acesso à Conference League e também aqui não podia pedir-se maior equilíbrio, com V. Guimarães e Santa Clara empatados à entrada da última jornada.
Emotiva, como quase sempre, é a fuga aos lugares de despromoção, esta época com quatro clubes envolvidos. Entre E. Amadora, Aves SAD, Farense e Boavista só um vai festejar e dois não vão evitar as lágrimas. O outro, o 16.º classificado, ainda vai depois realizar mais dois jogos, no play-off com 3.º classificado da Liga 2 — esta, para não variar, está extremamente equilibrada e é um verdadeiro hino à competitividade temporada após temporada.
Voltando a Ruben Amorim, que como sabemos tem uma clarividência notável e uma forma de comunicar que a todos deixou saudades — não cometia gafes como, por exemplo, a de Rui Borges ao falar, de forma despropositada, dos amarelados do V. Guimarães, algo que esta sexta-feira, não tenho dúvidas, vai tentar emendar perante os jornalistas, nem tão-pouco abria exceções para comentar arbitragens, como sucedeu com Bruno Lage no final do dérbi, lamentando a não intervenção do VAR, que até identificou pelo nome, num lance no qual se sentiu prejudicado, claro… —, recordo ainda que na tal conferência de imprensa sublinhou o facto de muitos treinadores em Portugal nem terem começado as campanhas com os plantéis definidos. Nada mais verdadeiro e decisivo. Como se constatou durante a segunda volta.
E depois ainda dizem que a Liga portuguesa é desequilibrada. Olhem para a tão elogiada Premier League e vejam as pontuações de Ipswich, Leicester e Southampton, há meses (!) condenados à descida, o que permitiu que cerca de metade das equipas daquele que é considerado o melhor campeonato do Mundo andem praticamente a cumprir calendário desde o Natal…
Com tempo e sem presidentes irracionais, que trocam de treinadores como quem troca de camisa, o trabalho dá resultados. Querem um exemplo? Só Farense e Boavista, não por acaso os dois últimos classificados da Liga, não roubaram pontos aos primeiros quatro classificados! E o aflito Aves SAD travou Benfica e Sporting, tal como o Arouca, com a equipa de Vasco Seabra a ter a desfaçatez de o fazer em Alvalade e na Luz!
Os treinadores portugueses têm muita qualidade e uma resiliência notável, suportando a exigência de autênticos milagres por parte dos dirigentes, que até ousam alterações no comando técnico a duas jornadas do fim. Para já, com bons resultados. Não é, José Mota? O desenrascanço é, sem qualquer dúvida, uma arte… portuguesa.
Ruben Amorim é mesmo um visionário. É realmente de lamentar ter deixado o futebol português, onde continua muito boa gente com uma falta de bom senso aflitiva."

Pais, pressão e a crise de valores no desporto jovem


"O desporto é, por excelência, um espaço de promoção de valores: respeito, disciplina, solidariedade, resiliência e cooperação. No entanto, quando observamos os recintos desportivos ligados às competições de formação, onde jovens dão os primeiros passos na prática competitiva, onde mais do que campeões se pretende formar homens e mulheres de valores, encontramos, cada vez mais, episódios de violência que contrariam claramente os princípios que o desporto deveria enraizar.
Segundo o Relatório de Análise da Violência Associada ao Desporto (RAViD), o número de incidentes registados nos recintos desportivos em Portugal aumentou de 6.090 casos em 2022/2023 para 8.879 em 2023/2024, um crescimento expressivo de 46%. Embora grande parte destes casos esteja associada ao futebol profissional, muitos ocorrem em contextos de escalões de formação, como evidenciado pelos 917 incidentes registados no futebol distrital, onde a esmagadora maioria das equipas de formação. Esta tendência é particularmente alarmante quando os próprios progenitores, na condição de adeptos, se tornam protagonistas de comportamentos agressivos, sejam eles verbais ou físicos e que se estendem rapidamente ao campo de jogo. No futebol de formação destacam-se, sobretudo, como incidentes mais comuns as invasões de campo e confrontos entre adeptos, as agressões físicas e verbais a árbitros, treinadores e outros pais e, ainda, o uso de linguagem ofensiva e ameaças por parte de encarregados de educação.
Para compreender as causas destes incidentes (reforço mais uma vez nestes artigos que procurar compreender não é nem nunca será sinónimo de aceitar) é fundamental olhar para além dos números e aplicar uma análise fundamentada nas ciências do comportamento humano e social.
Do ponto de vista sociológico, a Teoria da Anomia oferece uma lente esclarecedora. Em contextos onde as normas sociais estão fragilizadas, ou onde o sistema de valores que deveria reger o comportamento é substituído por uma lógica puramente competitiva, instala-se a anomia: a ausência de referências claras. Nos recintos desportivos juvenis, onde a linha entre apoio e pressão é frequentemente violada, muitos pais sentem-se autorizados a atuar como treinadores, árbitros e até juízes morais, substituindo o espírito desportivo por uma lógica tribal de vencer a qualquer custo.
No desporto de formação, encontramos um cenário propício à anomia social, há uma evidente fragilidade das normas morais atendendo a que por muitas vezes os valores de respeito, cooperação e aprendizagem são substituídos por uma obsessão com o resultado e pela competição desmedida, perdendo-se assim o “mapa moral” que deveria guiar o comportamento de todos os envolvidos, pais, atletas, treinadores e árbitros. Além disso, a ausência de sanções claras ou de intervenção eficaz das organizações desportivas contribui para que estes assumam comportamentos invasivos: criticam árbitros, insultam jogadores adversários ou pressionam os filhos com expectativas desmedidas, invadem campos, agridem árbitros e outros intervenientes.
Complementarmente, a Teoria da Frustração-Agressão sustenta que a agressividade é frequentemente uma consequência direta da frustração, ou seja, do bloqueio na realização de uma expectativa ou desejo. No contexto desportivo, especialmente nos escalões de formação, esta teoria ajuda a compreender a origem de muitos comportamentos violentos por parte dos pais. Quando estes projetam nos filhos os seus próprios sonhos desportivos, muitas vezes não concretizados, qualquer obstáculo no percurso do jovem, como um erro técnico, uma substituição pelo treinador ou uma derrota, é interpretado não apenas como uma falha desportiva, mas como um ataque ao seu próprio valor pessoal. A frustração resultante gera emoções negativas intensas, que se manifestam frequentemente em comportamentos agressivos.
Este tipo de comportamento é prejudicial para desporto, mas também para a sociedade e principalmente para os próprios jovens. Por norma, os jovens atletas sentem ansiedade de desempenho, não pela competição em si, mas pelo medo de desiludir os pais. Quando os pais gritam, insultam árbitros ou manifestam agressividade nas bancadas, os filhos experimentam vergonha e constrangimento público, podendo sentir-se responsáveis por esses comportamentos. A longo prazo estes comportamentos podem condicionar o comportamento dos jovens que por um lado podem interiorizar a normalização e banalização do comportamento violento e adotá-lo como modelo de reação à frustração ou, o que acontece com muita frequência, abandonam o desporto de forma precoce. Em suma, a longo prazo poderá trazer consequências para a saúde mental, a autoestima e a motivação dos jovens.
O combate a este tipo de comportamento violento tem de passar por uma recolocação da cultura desportiva. Quando vencer se torna o único objetivo legítimo, qualquer comportamento que contribua para a vitória, mesmo que antiético ou violento, pode ser justificado, é como um parasita que corrói o desporto por dentro. É necessário refocar o desporto jovem na valorização do progresso individual, do espírito de equipa e do fair play."

Atividade benfiquista


"Há muitos jogos para acompanhar e apoiar o Benfica nos próximos dias.

1. Distinções
Bruno Lage foi eleito pelos seus pares como melhor treinador na Liga Betclic em abril.
Nos prémios da Liga Portugal Betclic relativos ao mesmo mês, Otamendi foi distinguido como o melhor defesa e Trubin como o melhor guarda-redes. Numa atribuição do Sindicato dos Jogadores, Pavlidis foi o mais votado para melhor jogador.

2. Bilhetes esgotados
Já não há ingressos para o SC Braga-Benfica da última jornada do Campeonato Nacional, nem para a final da Taça de Portugal que opõe Benfica e Sporting.

3. Nas meias-finais
O Benfica está apurado para as meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol. No segundo jogo dos quartos de final venceu o Vitória SC por 68-88. O próximo adversário é o vencedor da eliminatória entre Oliveirense e Ovarense.

4. Jogo do dia
Os Sub-23 do Benfica recebem o Estrela da Amadora nos quartos de final da Taça Revelação.

5. Agenda para amanhã e sábado
A equipa masculina de futsal inicia, na sexta-feira, o percurso nos play-offs do Campeonato Nacional com a visita ao Eléctrico (21h30). No mesmo dia, a equipa feminina de hóquei em patins mede forças com a Stuart Massamá em Vila Nova de Famalicão nas meias-finais da Taça de Portugal (18h30).
No sábado, há o SC Braga-Benfica relativo à última ronda do Campeonato Nacional de futebol. Às 11h00, a equipa B visita a sua congénere do FC Porto. Às 15h00 começa a final da Taça de Portugal de futebol no feminino. As já tetracampeãs nacionais de andebol fecham o Campeonato Nacional no reduto da Academia São Pedro do Sul (18h00). A equipa masculina de hóquei em patins tem o primeiro jogo dos quartos de final do play-off com o SC Tomar (na Luz às 15h00).

6. Em busca do triplete
As pentacampeãs nacionais e vencedoras da Taça da Liga de futebol disputam a final da Taça de Portugal com o Torreense no próximo sábado, às 15h00, no Estádio Nacional.
Andreia Norton, Christy Ucheibe e Cristina Prieto estiveram no Espaço Casa, em Alverca, para uma sessão de autógrafos, e anteviram a próxima final.

7. Título em análise
O bicampeonato nacional de basquetebol no feminino pela voz de Marcy Gonçalves e Raphaella Monteiro.

8. Iniciativa do Museu
O Museu Benfica – Cosme Damião celebra a Noite Europeia dos Museus na sexta-feira. Entradas gratuitas entre as 18h00 e as 24h00, no dia 16 de maio.

9. Ações solidárias
Elementos dos Sub-23 de futebol participaram em mais uma iniciativa no âmbito do projeto "Ligação à Comunidade". E Ana Silva e Duda, da equipa feminina de andebol, e ainda a judoca Bárbara Timo, marcaram presença numa iniciativa do projeto "Benfica faz Bem".

10. Casa Benfica Abrantes
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o seu 31.º aniversário."

Zero: Saudade - S03E36 - Bobó, o mítico: «Fui apanhado no Cinema Batalha à uma e tal e o FC Porto castigou-me»

Rabona: The Renato Sanches situation is getting WORSE, and is a WARNING…

Rabona: He survived cancer, addiction & now he's a UCL FINALIST | Acerbi

BolaTV: F1 - Debrief Pladur Orçamental

BolaTV: MotoGP - Zarco...

Zero: Afunda - S05E63 - Lesão de Tatum abre o Este?

BolaTV: NBA - Candidatos em apuros

BolaTV: Lado B #39 - Dos Portugueses lá fora à estreia de Cristianinho Jr.

BolaTV: Lado B #38 - Bad Bunny na Luz e os looks dos desportistas na Met Gala

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Vitória em Guimarães...

Vitória 68 - 88 Benfica
22-19, 10-12, 19-33, 17-24

Segundo jogo, segunda vitória, numa má primeira parte e um péssimo segundo período, mas acabámos por melhorar no 2.º tempo... Agora, nas Meias-finais, seja a Ovarense ou a Oliveirense, temos que melhorar!
Nota de destaque para o regresso aos bons jogos do Rorie, parece, pelo menos para já, recuperado... Nota ainda para a ausência do Stone, que na minha opinião, deve ser o estrangeiro a ficar de fora nos jogos mais decisões, pois tem demonstrado pouco compromisso com a equipa nos restantes jogos!

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Campeões da Recepção ao Autocarro

Benfica Podcast #560 - Out of Our Hands

Entrada condicionada


"A aproximação ao dérbi foi exaustivamente comentada e todas as possibilidades imaginadas. Muitas contas feitas e cenários traçados ao detalhe. A grande expectativa, o nervosismo geral e a tensão acumulada eram enormes, talvez como nunca, nos dias que antecederam aquele que poderia ter sido o jogo do título.
Para quem partia atrás para o jogo do ano, marcar primeiro era quase obrigatório. Ao contrário do desejado, o golo inaugural adversário acabaria por ser um verdadeiro rombo na estrutura moral da equipa do Benfica, que procurava iniciar a recuperação. Pior cenário não se imaginava e logo a abrir. De repente, a necessidade absoluta de marcar pelo menos um golo passava a dois. As dificuldades eram, assim, logo dobradas, ampliando as dúvidas e projetando um teste muito duro, mas que viria a ser discutido até final. Di María, a dúvida que persistia quanto ao onze, regressava, acrescentando valor de um jogador especial, mas também envolto na dúvida se estaria realmente preparado para o grande embate.
Com a atitude competitiva de sempre, mesmo depois de algumas semanas ausente, foi, ainda assim, um jogador muito ativo enquanto jogou e que ameaçava poder fazer a diferença. No primeiro tempo, os dois remates mais perto do golo são da sua autoria. António Silva, outro dos visados, correspondeu à responsabilidade que sobre ele recaía face ao temível adversário direto. No golo que cedo condicionou o jogo, o avançado sueco atraiu as atenções principais para si, mas soltou para Trincão, que beneficiou de uma deficiente cobertura do espaço central, mesmo com superioridade numérica da defesa. À quantidade não correspondeu a qualidade posicional de preenchimento do espaço defensivo.
Este foi dos jogos em que um início desastroso acaba por condicionar o jogo inteiro. O Benfica sentiu, claramente, a gravidade do momento e mostrou-se precipitado, apressado, preocupado. As ações eram individualizadas e as perdas de bola frequentes. A resposta mais racional e coletiva demoraria a chegar. Mesmo visivelmente afetada pelo golo, a equipa forçou o domínio, mas esbarrando num adversário já reunido atrás, com destaque para o seu trio central defensivo e para Hjulmand, pilar absoluto do meio-campo.
As bolas paradas representam, principalmente em jogos mais fechados, importância especial que decide muitos jogos. Esta arma, da qual o Benfica vinha tirando frequente proveito, não funcionou como vantagem desta vez, também resultado da estatura superior dos defesas do rival. Do banco vieram Schjelderup e Belotti, principalmente estes, que mexeram com a equipa, e o Benfica forçava, ameaçando conseguir a desejada vantagem. A urgência crescia e a tensão também, provocada por faltas e interrupções sucessivas que travavam a fase decisiva do jogo.
Foi um jogo mais combatido que jogado e, com o decorrer do tempo, cada vez mais frequentemente interrompido. O golo de Akturkoglu, servido principescamente por Pavlidis, reavivou a chama, mas também reforçou o antijogo adversário e o alinhamento passivo do árbitro. O intenso desgaste do momento acabou por prevalecer, não premiando quem fez por ganhar.

Factos
Voltando a Di María, no rescaldo do clássico, tenho percebido algumas teorias e opiniões várias sobre a sua substituição. Será que fui o único a vê-lo levar a mão à coxa e logo depois alongar o músculo em causa, pouco antes do intervalo? Quanto a mim, confesso que o meu palpite antes do clássico apontava para a decisão do campeonato na derradeira jornada. Reconheço, no entanto, que esperava que o Benfica chegasse ao último dia a precisar só de empatar e sem depender de terceiros. As probabilidades diminuíram, todos o sabem, mas existem. Aconteça o que acontecer, impõe-se agora uma vitória em Braga.

Classe
Rui Borges é alguém que, como por exemplo, Luís Freire, seu próximo adversário, começou como treinador nos escalões mais baixos e subiu pelos resultados que foi alcançando. Estes dois casos, como alguns outros (não muitos), pertencem a histórias onde o verdadeiro mérito fala mais alto, sendo mostrado e confirmado no decorrer do tempo. Porém, como antigo jogador não pode ignorar uma responsabilidade moral acrescida.
Não se pode dizer que seja inédito, mas foi de profundo mau gosto o que publicamente declarou, em referência ao rendimento de jogadores de outras equipas, insinuando supostas diferenças de atitude. Desrespeita a classe a que pertence. Haveria ainda de repetir o excesso, então relativamente à gestão disciplinar dos jogadores do Vitória, atletas que ainda há pouco treinava. Treinador que foi jogador, mesmo que humilde, deve sempre manter o respeito pelo que foi e pelo que é.
Ter a responsabilidade de representar uma classe, cuja atividade é exigente e obriga a frequentes declarações públicas, pede especial contenção no discurso e o respeito pelos outros deve prevalecer, sempre."

Terceiro Anel: DRS #10 - Imola...

Zero: Mercado - Gyökeres a ir, Otamendi a ficar

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Finalmente Ancelotti: quais os desafios do italiano na «canarinha»?

Zero: Senhoras - S05E29 - «Benfica? Será David contra Golias, mas podemos ganhar»

Zero: Negócio Mistério - S04E08 - Paulo Nunes no Benfica

Zero: Hóquei - S03E42 - Luís Querido, Conti Acevedo e a pesada Champions no zerozero: «É indescritível»

No Princípio Era a Bola: Benfica-Sporting, o flop do século que vinha para definir tudo e não definiu nada

Erros meus… mais fortuna


"Não haverá um grande campeão esta temporada, já o sabíamos há algum tempo, mas no final é sempre assim: quem ganha celebra e quem perde justifica-se. E é mais que provável, ao dia de hoje, que o Sporting celebre e o Benfica tenha de se justificar uma vez mais. As águias voltaram a investir muito para conquistar pouco e acumulam um só título de campeão nas últimas seis épocas. Dá que pensar.
Ambos os clubes cometeram erros relevantes. Anoto dois (ou três) no Sporting: a troca de Ruben Amorim por um João Pereira totalmente inexperiente - mesmo se considero o último mais vítima que culpado - e um mercado de janeiro falhado, que deixou o meio-campo sem alternativas quando já não havia muitas opções e, não tendo Pote para mais alguns meses, um ataque reforçado apenas com Biel (e está tudo dito). Se acontecer o que parece provável, a época pode acabar muito bem, com o título, ou em glória, com uma dobradinha, mas os erros fizeram parte dela e não foram pequenos. O terceiro pode ter sido a escolha de Rui Borges, que nunca apresentou grande rendimento coletivo, tomou opções muito discutíveis (depois do que se criticou Roberto Martínez, que dizer do técnico leonino a propósito de Quenda?) e teve momentos de comunicação muito infelizes (sobre Harder ou o Gil Vicente). Não provou, por enquanto, ser treinador para o Sporting e (ainda) corre o risco de falhar um campeonato tendo Gyokeres no plantel, o que dificilmente se perdoaria. Contudo, se se confirmar campeão, terá o seu cantinho na história, como outros antes. Isso e a responsabilidade de preparar a próxima época, verdadeiramente a primeira depois de Amorim.
O Benfica cometeu erros no plural, mas um deles condicionou quase tudo o resto: a insistência absurda em Roger Schmidt como treinador, que aqui critiquei desde sempre. Rui Costa teimou num treinador que já tinha demonstrado ir de mal a pior, o que redundou numa série de decisões absurdas desde o início, como contratar Beste para lateral esquerdo por não acreditar em Carreras, assumir Barreiro como jogador de nível Benfica (que não é) colocando Kokçu como secundário ou despachar um talento no auge de rendimento como David Neres para celebrar o fim da carreira de Di María. Nesta última, bem como na contratação disparatada de Renato Sanches, o presidente tem, no mínimo, responsabilidade repartida com o treinador alemão. E provavelmente vai pagar por ela, agora a meias com Bruno Lage.
Lage melhorou o rendimento coletivo e, beneficiando da saída de Amorim para Inglaterra, devolveu os encarnados à luta pelo título, mas nunca conseguiu que o modelo de jogo encarnado fosse mais robusto que as suas preocupações estratégicas e, mesmo tendo ganho vários duelos com equipas fortes, falhou na abordagem do jogo em que não podia falhar. Aí, o estatuto de Di María foi mais forte que a estratégia que se recomendava e os 45 minutos de abordagem errada comprometeram a vitória indispensável, mesmo se o Benfica podia ter sido mais feliz quando Pavlidis acertou no poste. Mas é neste ponto que volto ao início: se não acontecer no sábado o que hoje parece mais provável (mais que provável, até), os erros não se apagam, apenas a fortuna, boa ou má, terá mudado de campo. E tivesse qualquer das equipas sido um pouco mais competente e não precisaria da sorte para nada.

PS: Schjelderup tem 20 anos e está longe de ter um talento banal. A jogar entrelinhas é mesmo capaz de ser o mais competente entre os médios ofensivos do plantel encarnado. Atirar sobre um jovem que nem sequer é titular num momento de fracasso coletivo é muito injusto, além de revelar uma ignorância atrevida."

Glory Days


"Viram o Rodrigo Mora no Bessa? Marcou um grande golo, mais um. Mais do que isso, o Mora não joga com a bola. Mora joga com um segredo. E quando, num rasgo de generosidade, decide mostrá-lo, fá-lo quase a pedir desculpa. Com a melancolia incurável dos predestinados

Viram o Rodrigo Mora este fim-de-semana? Não viram; deviam ter visto. E deviam ter vergonha. De repente, o mundo suspendeu a sua giratória — e giraram os pés do Rodrigo Mora. Numa valsa lenta, exuberante, inevitável.
É que o Mora não joga com a bola. Mora joga com um segredo. E quando, num rasgo de generosidade, decide mostrá-lo, fá-lo quase a pedir desculpa. Com a melancolia incurável dos predestinados. Como se nada daquilo fosse com ele. Como se fosse apenas um instrumento. Um vidro fosco. Um portador. Como se fosse — o nosso Paulinho Cascavel.
Neste momento, o leitor franze a testa e pensa: — “Paulinho Cascavel? Como assim? O do Vitória? Do Sporting? O brasileiro?”
Nada mais errado. Falo de outro. Do verdadeiro. Do único. Paulo Alexandre Carvalho da Silva. De Areias. De Santo Tirso. De Portugal. Jogava tanto, com tamanha realeza, que o nome que lhe deram era pouco. Precisava de um nome com uma coroa. Certo dia, num recreio, alguém disse: “Paulinho Cascavel!” E ficou. Porque era ele.
Todo o pátio de toda a escola tem a sua lenda. Um pequeno D. Sebastião de chuteiras. O herói trágico de um futebol que não aconteceu. Aparece aos seis. Encanta aos sete. Desaparece aos quinze. E toda a lenda tem o seu tempo. A sua década. O seu crepúsculo. Em Santo Tirso, nos anos 90, foi ele.
No sistema de escolhas do futebol-de-intervalo o Paulinho era sempre aclamado capitão — porque todos queriam jogar ao seu lado: os irmãos mais velhos, os vigilantes, os adversários. Jogava com todos, mesmo sem precisar de ninguém. Porque o Paulinho, como os maiores, como os santos, tinha em si o aceno magnânimo. Mesmo que a bola se recusasse a abandoná-lo, ele dava-a, fazia o passe — o gesto mais caridoso de todo o futebol. Até aos cepos como eu.
O futebol era a Primavera, e a bola a abelha junto de sua flor, numa afeição mutuamente necessária. O Paulo jogava com a alegria dos inocentes. Era a graça sem esforço, sem vaidade e sem metáfora. O nosso Baggio, o nosso Rui Costa, o nosso mundo inteiro. Silencioso e puro — uma Cordélia com um número 10 nas costas.
Claro que era futebol a mais para aquele recreio. Por isso, já jogava no ARCA — o mesmo onde brilhou Ricardo Rocha — até que o Manelzinho do Tirsense o levou. Era o destino com dê maiúsculo. E foi aí, aos onze anos, que tudo pareceu confirmar-se. Um torneio internacional em França. Equipas estrangeiras. Campos a sério. E o Paulo brilhou. Um emissário do Boavista aproximou-se. Havia interesse. Queriam levá-lo.
Mas do Abel Alves Figueiredo até ao Bessa era uma travessia. Mudar de clube, de escola, de amigos. Mudar de mundo. Em 1994, a grande cidade era ainda um monstro. E o futebol não vinha com motorista nem psicólogo. O Boavista hesitou. O Tirsense endureceu. Pediram dinheiro. O outro lado recuou. “Miúdos de onze anos há muitos”, terão dito. E o Paulinho ficou.
O futuro, que era largo, começou a encolher. Deixou de ser “ele e mais dez” para ser apenas “só mais um”. Ele, que era dos mais altos e mais fortes, tardava em dar o salto. Como se o próprio corpo reagisse ao “E se?” que lhe ficou entalado na alma.
A vida seguiu o seu caminho. Mas com o som ligeiramente abafado. Não era homem de livros. Não tinha grandes planos para grande coisa. Num tempo em que se adiava a tropa para não adiar a vida, ele foi para a tropa para ganhar algum tempo.
Nunca chegou a jogar como sénior pelo Tirsense. A camisola que seria sua foi ficando na cruzeta. À espera de um corpo que já não viria. Jogou por clubes pequenos, em campos menores. Onde os balneários cheiram a detergente barato e sopa de couve. Depois, desapareceu.
Quando nos cruzamos, pergunto-lhe pela loja. Trabalha numa casa de artigos desportivos. Ele responde com um sorriso onde ainda cabe tudo. O talento. A memória. A ironia. O ocaso. A paz. Porque o Paulo sempre soube uma coisa que vos vou dizer agora e que é vital: o futebol é só uma das formas possíveis de perder com elegância.
Mas depois — depois eu vi o Mora a fazer aquilo. Talvez tenha sido o domínio com o lado de fora do pé direito. Ou o rosto sereno. Ou então porque, naquele instante, o mundo pareceu endireitar-se. Como se tivesse cabido ao Rodrigo do Porto cumprir o destino do Paulinho de Areias. Como se, aos 20 minutos de jogo, nesse movimento imperturbável, nessa noite de Domingo no Bessa, o futebol se tivesse tornado em promessa saldada com atraso."

O sentido de humor vai acabar?


"Numa altura em que tanto se define no futebol nacional, pode ser difícil conseguir juntar uma pitada de graça a todas as emoções em causa. Mas não custa tentar...

No final da partida no Bessa, Martín Anselmi tinha os olhos a brilhar durante a flash-interview da SportTV, tendo afirmado que gostou muito do ambiente e que há algum tempo que não vivia um jogo assim. O que, vindo de um argentino, não pode ser coisa pouca...
É verdade que a estrutura deste estádio ajuda a criar uma atmosfera mais vibrante, com o apoio (ou outras formas de expressão) dos adeptos a sentir-se intensamente, mas com Boavista e FC Porto em estado de depressão, só mesmo um dérbi especial podia ter algum encanto. A rivalidade da Invicta nunca se aproximou da que se vive na capital, devido à grande diferença entre as duas equipas, mas é suficiente para animar um pouco até quem luta por um 3.º lugar ou para não descer.
O assunto era sério, claro, porque os portistas não admitem uma época desportiva destas e os boavisteiros podem cair novamente num poço bem fundo. Não há grandes motivos para sorrir na cidade. Mas é precisamente nestes momentos que pode sobressair algo que muito prezo, no futebol e na vida: o sentido de humor. Houve portistas munidos de bóias de salvamento e balões em forma do número 2 e a certa altura o narrador até elogiou a festa que se vivia na bancada visitante, tendo sido alertado que o que os azuis e brancos estavam a cantar, enquanto agitavam as luzinhas dos telemóveis, era «o Boavista vai acabar». Não era uma festa, até porque não há razões para isso, mas uma provocação, que não magoa. Os axadrezados, obviamente, não gostaram, mas eles melhor do que ninguém sabem que o Boavista não vai acabar, porque mesmo em condições muito difíceis, o clube renasce sempre graças aos seus adeptos.
E é por isso que, depois de um fim de semana com dois dérbis, em que felizmente não tivemos notícias tristes para dar neste aspeto, quero mencioná-los. Quando a rivalidade é saudável, o futebol respira melhor - até porque precisa dela. Se houver sentido de humor, então, por mim, ainda melhor. Não somos grandes especialistas nisto: os portugueses, que são tão bons a fazer piadas nos momentos mais deprimentes, parece que têm um bloqueio no futebol. Há insultos para os rivais, tensão, vandalismo e por vezes violência. Mas raramente há algo que faça rir, sem que isso desvalorize a seriedade do momento. Quando ouço cânticos ingleses para os rivais com piada, ou vejo um adepto espanhol com uma bola de praia para mostrar a Vinícius Jr., dou por mim a pensar que Portugal podia fazer muito melhor, e nem sequer sou nacionalista."

Revolução em França. E por aqui?


"Se os franceses, com o seu elevado orgulho, conseguem admitir que outros fazem melhor que eles, o que impede Portugal de seguir o mesmo rumo?

Vale a pena estarmos atentos ao que se passa em França: políticos e dirigentes desportivos estão na iminência de provocar uma revolução nas competições profissionais de futebol, aproximando-se do modelo inglês, com a extinção da atual Liga e substituindo-a por uma empresa da qual todos os clubes serão acionistas, mas não donos. Uma Premier League à gaulesa, cuja Direção não é eleita, mas nomeada.
A diferença relativamente ao modelo atual estará precisamente aqui e merece uma reflexão: os clubes não parecem oferecer resistência, mesmo que percam poder. Transpondo para a realidade portuguesa, seria algo do género: Benfica, Sporting e FC Porto (só para citar os grandes) seriam acionistas de uma sociedade e quanto mais lucro desse a empresa, mais ganhavam; nem Benfica, nem Sporting nem FC Porto iriam andar num pé de vento para eleger o presidente da Liga porque esta nova entidade teria um conselho de administração nomeado e não eleito; as assembleias gerais da Liga para aprovar regulamentos (disciplina ou de competição) pura e simplesmente desapareceriam e essa responsabilidade passava para a Federação, com um papel verdadeiramente regulador.
Pode soar estranho, mas é precisamente isso que os franceses se preparam para fazer: colocar os clubes como donos do espetáculo mas não donos da organização; acabar com a autorregulação e entregar esse papel à Federação Francesa de Futebol (FFF) no seu papel de mediador entre as competições e o Estado.
Muitos dirão que uma mudança tão radical só acontece em caso de desespero ou por um estado elevado de maturidade. Não parece ser nenhum dos casos: há um óbvio problema na Ligue 1 de desequilíbrio face ao poder do PSG, mas é um campeonato que continua a formar grandes jogadores e tem estádios cheios; por outro lado, maturidade é relativo quando vemos o dono do Lyon a aparecer de chapéu de cowboy como resposta a provocações do homólogo do PSG ou a invasões de campo muito piores que a do senhor do Benfica no final do dérbi, coitado, só quis desabafar.
O que realmente fez a diferença neste processo foi a existência de uma visão, arrojo e iniciativa. Aquilo que, no fundo se pede a quem dirige, seja na política ou no desporto. Aqueles que têm a responsabilidade de fazer alguma coisa perante os sinais de preocupação.
O mais curioso é verificar que projeto não é original, mas uma adaptação (para não lhe chamar mesmo uma cópia) do modelo da Premier League. Quem conhece os franceses e a sua história sabe o quão difícil é engolir o sapo e admitir que os ingleses fazem algo muito melhor do que eles, mas assumem-no sem problemas. Um problema que não se coloca aos portugueses, cujo orgulho nacional é muito mais baixo relativamente ao dos gauleses e que adora copiar o que vem lá de fora. Estranhamente, no entanto, no futebol luso teima-se em continuar a ignorar as boas práticas europeias, mantendo-se um modelo datado há muito tempo: regulamentos criados à medida dos clubes e não em prol de um interesse comum, modelos de gestão arcaicos e um permanente sectarismo.
Vamos apenas imaginar o seguinte: se no final de um Liverpool-Man. United um adepto entrasse no relvado e fizesse ameaças físicas ao juiz, tudo ficaria reduzido a uma multa? Quando tivermos um real alcance da resposta talvez entendamos o quão necessária é uma revolução à francesa."

Acidentes desportivos


"A Lei n.º 48/2023 estabelece o regime jurídico relativo à reparação dos danos emergentes de acidentes de trabalho dos praticantes desportivos profissionais. Bem se compreende que exista um enquadramento próprio destes praticantes, pois a sua atividade apresenta especificidades relativamente à relação laboral comum.
A Lei define os limites máximos da indemnização por incapacidade temporária parcial, da pensão por incapacidade permanente parcial e por incapacidade permanente absoluta.
No primeiro caso, a lei define os limites máximos das indemnizações por incapacidade temporária parcial igual ou inferior a 5%, impondo que, nesse caso, a reparação tem como limite máximo 14 vezes o montante correspondente a 5 vezes a retribuição mínima mensal garantida em vigor. Caso se trate de incapacidade temporária parcial superior a 5%, não existe limite máximo para a reparação. Esta situação, embora se compreenda na perspetiva da proteção do praticante, pode gerar — como tem gerado — o aumento dos valores que os clubes têm de suportar a título de prémios de seguro dos seus atletas.
No que diz respeito à pensão por incapacidade permanente parcial, a lei distingue os limites máximos da pensão anual em função do grau de incapacidade e da idade do praticante desportivo.
Assim, a fixação do valor máximo da pensão dependerá de vários fatores, a saber: (i) de a incapacidade ser igual ou inferior a 5% ou superior a 5%; (ii) de o praticante desportivo profissional ser menor de 35 anos; (ii) de o praticante desportivo profissional ter entre 35 e 45 anos de idade; e (iv) de o praticante desportivo profissional ter completado já 45 anos de idade."

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Falar Benfica #207

Terceiro Anel: Bola ao Centro #130 - À espera de um milagre!!!

Do derby levamos uma certeza


"Escrevo no dia a seguir ao derby, com mais de 500km feitos por este amor que move milhões. Pudesse o Benfica oferecer “milhas” como oferecem as companhias aéreas e haveria Benfiquistas que viajariam para a Catedral de borla para sempre.
Do derby, levo uma certeza e uma ideia da qual nunca duvidei: este clube nunca cairá.
Para saber isto, basta apenas fechar os olhos e ouvir de novo as milhares de pessoas na avenida, cheirar de novo as centenas de tochas e sentir de novo os abraços aos milhares de desconhecidos que abraçámos naquele momento em que todos queríamos o mesmo.
Mesmo nos momentos em que o clube até possa estar dividido, ou nos momentos em que a incerteza reina no clube do povo. Queríamos todos o mesmo. Pusemos todos as nossas ideias de parte. Só o 39 interessava. Não chegou, ontem, no derby, ainda não chegou.
Mas o 39 chegará, mesmo que não seja este ano. A taça chegará, mesmo que não seja este ano, até a terceira orelhuda chegará. Digo-vos isto com toda a certeza do mundo. Sabem porque? Porque este clube tem, em todos os dias, “Milhões de chamas bem acesas”.
E se houve dias em que eu, como muitos outros, tiveram medo que esta chama alguma vez se apagasse, ontem tive a certeza de que não. Tive a certeza de que nos podem espezinhar, humilhar, roubar (e aqui não falo de arbitragem), fazer-nos de burros, totós ou cúmplices (passo a mensagem). Escusam. Podem parar.
Este Clube tem uma alma infinita. De todos, haverá sempre um. Esse um é o Sport Lisboa e Benfica. Nunca deixem que alguém tente apagar a chama imensa que vos percorre a alma. Estaremos lá sempre, mais perto, ou mais longe. Mais calor ou mais frio. A Luz mais cheia ou mais vazia. Com DJ, sem DJ. Com coreografia, sem coreografia. Com rotunda ou sem rotunda.
E no fim, como provámos no derby, estaremos sempre juntos, mesmo que nos queiram afastar.
Viva o Sport Lisboa e Benfica. Vivam os Benfiquistas."

Um Benfica do tamanho dos benfiquistas


"Costuma dizer-se que nenhum plano sobrevive ao primeiro contacto com o inimigo, e o jogo de sábado foi violentamente rápido a demonstrar-nos isso. Este é talvez o texto que menos vontade tenho de escrever desde que ocupo esta página. Da mesma forma que não me apeteceu muito consultar jornais nos dias anteriores ao jogo, por me alimentarem a ansiedade, continuo um pouco fora do mundo, amargurado com o que se passou este fim de semana, sem uma enorme vontade de saber o que todos os analistas pensam sobre o assunto. Tenho ainda menos vontade de desatar a fazer autópsias, nomeadamente porque continuamos vivos. Pouco mais me interessa nesta fase do que continuar a acreditar e ver a equipa transmitir exatamente o mesmo sentimento.
Voltemos ao plano e ao seu inimigo. A ideia do Benfica, interpretada de forma única pelos seus adeptos um pouco por toda a parte, mas também comunicada naquilo que o onze inicial parecia capaz de oferecer, era subjugar o Sporting à melhor versão do nosso futebol esta época: uma combinação de agressividade, força bruta, vontade e até uma certa pressa de vencer, que, aliada ao talento e à experiência superior do plantel do Benfica em jogos a doer, faria a equipa levar a melhor e controlar o jogo. No melhor cenário possível, tudo isto aconteceria com relativa naturalidade. Infelizmente, o plano do Sporting levou a melhor logo nos primeiros minutos e a dureza do golpe fez-se sentir durante toda a primeira parte. É complicado dizer agora que todas as opções de Lage estavam erradas, primeiro porque não me parece ser o caso, segundo porque a teoria subjacente às mesmas parecia certa.
A ideia de um último jogo de Di María na Luz, nestas circunstâncias, depois de todos os ambientes de enorme pressão em que o argentino já passeou a sua classe, parecia escrita para um final muito feliz. Assim que vi o onze, convenci-me de que essa opção seria vencedora. O facto é que Di María acabou por não ter um jogo inspirado. A ele juntaram-se dez colegas um pouco atordoados pelo impacto inicial e provavelmente um treinador que nunca precisou tanto de tempo para pensar quando tempo era exatamente aquilo que não tinha. Em suma, demos 45 minutos de avanço numa final. Raramente o que resulta daí é uma vitória.
Apesar do empate de sábado, mantenho que o Benfica é mais forte do que o Sporting, pelo menos em tese, se nos basearmos nas melhores versões demonstradas pelas duas equipas até aqui: uma (Benfica) mais capaz de operar coletivamente e demonstrar, nos seus momentos mais solidários e intensos, um futebol difícil de travar até nas competições europeias. O problema é, de facto, o nível de consistência e regularidade com que essa versão se apresenta em campo, e durante quanto tempo por jogo. Já a melhor versão do Sporting está quase totalmente dependente de um finalizador de qualidade excecional, Gyokeres, e de um dos centrocampistas mais equilibrados do futebol português, Morten Hjulmand.
Sei o que vale o Benfica sem alguns dos seus melhores jogadores e já vi a equipa vencer vários jogos sem a sua presença em campo. Também sei o que vale o Sporting, e não é por acaso que tanta gente teme pela ausência de Hjulmand no jogo contra o Vitória de Guimarães. Seriam insensatos se subestimassem a importância do jogador, e farão bem em passar os próximos dias a calmantes. Futebolisticamente falando, desejo-lhes naturalmente o pior para o próximo sábado e para o dérbi que falta disputarmos esta época.
Espero encontrar a melhor versão do Benfica no próximo sábado. Em primeiro lugar, importa limpar uma certa imagem que ficou, um medo de ser feliz que transpareceu do dérbi. Em retrospetiva, é difícil determinar se o ambiente intimidou os jogadores. Aconteceu tudo demasiado depressa e o contexto tornou-se muito adverso. Seria fácil criticar agora, mas não tenho dúvidas de que todos os jogadores queriam muito vencer aquele jogo e dar uma alegria gigantesca aos adeptos. Convém seguir por aí. Só essa crença nos resta neste momento — e ainda pode valer muito.
Fazer o trabalho necessário para deixar uma última impressão positiva. Se o fizerem, demonstrarão algo que foi caracterizando o percurso rocambolesco da equipa ao longo desta Liga: esta equipa já caiu várias vezes, mas foi sabendo levantar-se. Que o façamos mais uma vez e, quem sabe, ainda acabamos a sorrir. É uma enorme ansiedade dependermos de terceiros, mas, como diria um treinador tetracampeão nacional pelo Benfica, se fosse fácil não era para nós. Teremos todos oportunidade de discutir e pensar nas dimensões maiores indicativas daquilo que foi esta época, mas não é o momento para isso. Esta equipa e o seu treinador fizeram, apesar das inconsistências, o suficiente para que estejamos ao seu lado e acreditemos que ainda é possível.
Não ganhámos o jogo e não sou fã de vitórias morais, mas acho fundamental falar disto. Não consumi muitos jornais na última semana, mas fui vendo muito daquilo que os benfiquistas fizeram. Foi uma missão extraordinária. Já foi muito elogiada, mas nunca é de mais. É sempre comovente ver gente que, movida exclusivamente por entusiasmo e amor ao clube, dá tanto de si para retribuir. Ao longo daqueles dias muito longos que precederam o jogo do século, como lhe chamaram, os adeptos estiveram à altura. A receção ao autocarro da equipa vai permanecer como o momento mais memorável desse dia, e é bastante justo que assim seja. Os benfiquistas foram mesmo o MVP deste dérbi e merecem celebrar o título nacional no próximo sábado. Espero um Benfica do tamanho dos seus adeptos — e que seja feita a sua enorme vontade."

Segunda Bola...


3x4x3


1 Minuto


- Minuto...

Zero: Mercado - Arsenal entra no balneário do Sporting

Pre-Bet Show #137 - Quem vai ser Campeão Nacional? 🔥

Jogo Pelo Jogo - S02E40 - Benfica - Sporting

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Há drama entre Nuno e Marinakis? O caso em Nottingham explicado

Zero: 5x4 - S05E32 - Acabou a fase regular: houve justiça?

Um triste fim


"A interrogação final do título deste artigo resulta mais da esperança, que se diz ser sempre a última a morrer, do que de uma convicção que a razão não consente. Muito provavelmente, o Benfica perdeu no sábado um título que deveria ter ganho, porque é melhor e ainda foi a tempo de o mostrar no sábado passado, por culpa própria essencialmente, ainda que não só… Se há umas semanas foi um mau fim de jogo com o Arouca que tirou ao Benfica a vantagem de jogar com dois resultados, no sábado foi o mau início de jogo que lhe tirou tempo e espaço para a poder recuperar. Ansioso, hesitante em cada duelo, desconcentrado a cada ataque, desconfiado em cada contra-ataque do adversário, o Benfica só “entrou” no jogo pela meia hora e, assim, deu uma parte de avanço ao adversário, que soube aproveitar um dos três ataques com perigo que fez. 
Na segunda, reagiu com alma, empurrou o adversário para trás tanto quanto Debast empurrou Otamendi, lance que também marcará a história deste campeonato, fez um golo e poderia, se o poste o consentisse, fazer outro, aquele que faltava… Depois, depois o jogo acabou cerca dos 75 minutos, com interrupções atrás de interrupções e um atarantado árbitro, perdido, a correr para as “urgências” que iam acontecendo um pouco por todo o lado, arrastando a partida até que, com a pressa de quem passou a semana fora de casa, terminou com um mau jogo que não promove uma Liga que se quer vender...
Resta ao Benfica fazer o trabalho em Braga e esperar que a esperança confirme o que dela se diz…Infelizmente é o que fizemos por ter, mas também o que fizeram por termos…"

DAZN: The Premier Pub - Forest Europeu... 30 anos depois!

DAZN: Partidazo - Especial ELCLÁSICO: Habemus Campeón?

Zero: Afunda - S05E62 - Será a Lottery aldrabada?

BolaTV: Entrevista - Mitchell Van Der Gaag

BolaTV: MotoGP...

BolaTV: NBA...

Da euforia ao conflito, da paixão à agressão!


"O Desporto e as atividades que dele fazem parte, tem tido ao longo do tempo um forte impacto na sociedade, despertando paixões, suscitando críticas, inspirando artistas, tudo isto justificado pelo maior impacto social transmitido pelos media, envolvendo direta e indiretamente toda a sociedade, quer pelo valor da sua prática, quer na condição de adeptos e profissionais pelos serviços prestados. Daí que qualquer jogo, em especial no âmbito do futebol e especialmente quando se apresenta como um fenómeno de consumo, resultado da sua alta popularidade, gera como consequência forte impacto nos hábitos e atitudes de um povo, podendo mesmo constituir-se como um laboratório de análise social, assumindo-se como um fenómeno de grande complexidade, servindo de espaço de união ou dispersão, alicerçando de forma abrangente toda uma sociedade sem fronteiras, onde a sua linguagem universal se documenta e exalta.
Como tenho vindo a referir nesta oportunidade comunicativa, perante a dinâmica que o jogo faz incidir e da importância excessiva atribuída tanto às vitórias como às derrotas, pode desempenhar um papel projetivo e coletor de frustrações dos adeptos quando perdem, e exaltação desmedida daqueles que simplesmente ganham, abrindo espaço para ondas de violência como feridas abertas, prontas a latejar como rastilho para o conflituoso uso de maneiras que não se desejavam.
Assim é que a violência se apresenta bem documentada, com estatuto de plena representatividade. Quantas vezes frases feitas de boas maneiras envoltas em simples gestos, cobertas por sorrisos abertos, escondem frustrações e desempenhos que a impulsividade de qualquer gesto acaba por ser a tampa dum ódio libertador.
A dinâmica imprimida pela conquista da posse da bola, a inquietude revelada nos lances falhados, a má interpretação pelo julgamento do jogo, a confirmação dum mau julgamento via informação prestada pelas novas tecnologias, a conquista do resultado positivo como única garantia para premiar o sucesso, associado a demais causas, tais como: deficiente formação educativa, acompanhada duma degradante iliteracia desportiva; impreparação cívica e humana dos intervenientes; natureza do recinto desportivo; obscuridade, ruído, álcool e outras drogas; rivalidade e racismo; historial qualificativo de violência; claques inseridas por grupos ultras e hooliganismo, etc… apresentam-se como índice de causalidade mais evocativo para a propalada violência.
Por vezes o estado de alma, como eco libertador da consciência de quem joga ou assiste, dirige ou treina, julga ou comenta, pode gerar festa e tragédia, esperança e medo, dúvida e razão e da euforia ao conflito, como da paixão à agressão, vai a distância dum tempo favorável para a criação de situações conflituosas, dando lugar à euforia e à cólera perante as fases mais relevantes: marcação ou não de penálti, o golo marcado ou invalidado, a falta inexistente e o estádio, ou outro espaço desportivo, transforma-se numa labareda de opiniões com efeitos por vezes dramáticos.
Cria-se assim à volta e por dentro do espaço do jogo um ambiente propício ao conflito, dado que proliferam escondidos nas próprias sombras, um contingente de inadaptados e marginalizados, que sempre estão dispostos a reincidir as regras do bom senso, incitando ao conflito, tendo ali uma boa oportunidade de provocar o tumulto. São como bestas humanas que se infiltram na multidão, estendendo tapetes de sangue por onde passam, cobrindo de luto a essência pacífica e emuladora que sempre o belo jogo deve promover.
Agressões de forma continuada a árbitros e público em geral (só no futebol de formação houve um crescimento de 109 para 595 ocorrências registadas pelas autoridades entre 2019/20 e 2023/24); discussões acesas em alguns programas de comunicação social que nos entram pela casa dentro, documentadas por imagens que enganam e disfarçam com a falta de vergonha como são expostas; o desporto na generalidade e o futebol em particular, este belo jogo, acaba como que sugado pelo trânsito das palavras e das ideias, demente entre as pessoas que espreitam o conflito, dele se alimentam e se revisitam no espelho da própria ignorância… eis a loucura de trato misturada por uma linguagem rasca entre alguns figurões, prisioneiros pelas malhas da animalidade, grosseria e bestialidade.
É urgente e necessário tomar mediadas severamente punitivas para quem não é capaz de viver de forma social e pedagógica o compromisso do fair-play, que implica o respeito pelas regras, a garantia de cumprimento de um conjunto de deveres, obrigações e comportamentos, um modo de pensar e atuar, perante uma filosofia de vida que enriquece de forma exemplar a identidade individual ou coletiva, pelas manifestações de orgulho cooperante e participativo.
Verificamos que a tutela, dada a lentidão de processos (sentenças adiadas e movidas por uma morosidade que mais parece fazer esquecimento na sua aplicação; penas leves com apenas alguns meses de suspensão, etc…) não tem sido tão eficaz como o deveria, tomando medidas punitivas de urgente responsabilidade, a fim de se assumir uma adequada e exemplar correção.
Um dia já o referi e volto a insistir, quanto a mim e a título de exemplo, dever-se-ia exigir um maior reforço de segurança, a identificação e imediata punição do agressor ( dada a facilidade de identificação pelas câmaras de vídeo colocadas em pontos estratégicos dos estádios e ou pavilhões), eliminando-lhe o acesso ao recinto do jogo, deslocando-se para o efeito à esquadra ou comando policial, possibilitando-lhe a audição em relato ou visualização do mesmo; obrigatoriedade de formação e educação cívica e desportiva; efetuação de trabalho comunitário congruente até à irradicação absoluta, podendo e devendo fazer constar na comunicação social os arautos da desgraça e a possibilidade de analisar o estado de resposta ao arrependimento.
Creio que deste modo, estariam criadas as condições para deixarmo-nos envolver por este belo sentimento de amor ao desporto em geral e ao futebol em particular, transferindo-o para o tal jogo fantástico, apelando a raros e únicos momentos de inspiração em movimento, onde a harmonia do gesto, insubordinado umas vezes, inspirador e ousado noutras, mas sempre emocionalmente excitante, nos vai facultando.
Como referia o meu distinto colega Professor Doutor Júlio Garganta: «FUTEBOL— um belo jogo em que em 90 minutos é possível condensar várias histórias e reproduzir muitas graças e desgraças da vida, daí um dos seus principais encantos. Uma magnífica construção cultural retratada em obras de arte em movimento, cuja magnitude social muitos intelectuais ainda não entenderam.»
Para concluir com uma referência ao meu amado e já tão saudoso Professor Doutor Manuel Sérgio: «Num espetacular jogo de Futebol podemos enquadrar um dos fenómenos sociais e culturais de maior magia do mundo contemporâneo.»
Façamos tudo, mas mesmo tudo para o merecer!..."

Não se fala de outra coisa


"1. Não há ninguém em Portugal dos 7 aos 77 anos - e dos 8 aos 88 e dos 9 aos 99 e por aí acima (haja saúde, que é o mais importa!) - que não saiba as regras do desempate dando-se o caso de esta Liga terminar com os grandes rivais de Lisboa exibindo o mesmo número de pontos no topo da tabela classificativa. Sabem as crianças, sabem os adolescentes, sabem os adultos e os mais velhos, toda a gente sabe. Pudera, não se fala noutra coisa. Portanto, não vou insistir nessa matéria. Já toda a gente sabe o que é preciso acontecer, quer para um lado quer para o outro lado. A mim, sinceramente, só me interessa o nosso lado.

2. Assim, por considerações pelos efeitos deste 'massacre das regras' a que todos fomos e continuamos sujeitos - basta isto, basta aquilo, basta aqueloutro... - por essa razão humanitária, não contem comigo para estar aqui a castigar-vos com informação igual à que vos vem sendo fornecida ininterruptamente há semanas e cujo volume agora se agravou exponencialmente porque já só faltam 2 rondas para o fim da caminhada.

3. Reparem como na frase anterior existe um 'ininterruptamente' e um 'exponencialmente', advérbios talhados para o exagero, o que não admira porque um dérbi será sempre um dérbi, um acontecimento exagerado por definição. E este dérbi, que se joga pelo final da tarde do próximo sábado, inclui ingrediente nunca reunido em mais de um século de História desses encontros: qualquer dos emblemas pode sagrar-se oficialmente campeão no fim do jogo.

4. O jornal A Bola elaborou no princípio da semana um trabalho bastante interessante sobre a história dos dérbis... desde que há dérbis. E lança-se a fazer previsões com base nos registos passados que apontam para que o mais provável é... não haver campeão já neste sábado.

5. 'Olhando para os resultados dos 90 Benfica - Sporting para a Liga na casa encarnada, há 44,4% de possibilidades de, no sábado, haver vitória do Sporting ou triunfo do Benfica por mais de 1 golo de diferença. E 55,5% de hipóteses de haver empate ou vitória tangencial das águias, o que levará a decisão para a 34.ª jornada', perspetiva A Bola. Acertará? Não acertará? Veremos.

6. Só temos o opor ao trabalho de A Bola o uso da expressão 'casa encarnada'. Encarnada? Vermelha, se faz favor. O anterior regime já caiu há 51 anos, e com a sua queda caiu proibição de se usar a palavra 'vermelho' em Portugal.

7. Nos 90 dérbis no terreno das águias a contar para o Campeonato registaram-se 49 vitórias do Benfica, 16 do Sporting e 25 empates. Dessas 49 vitórias do Benfica, em nossa casa, sobre o Sporting. 24 foram por 2 ou mais golos de diferença. Este é o 'histórico', como agora se diz. Façamos história, é o que se pede."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Uma 'cidade de lona'


"Centenas de campistas celebraram as bodas de ouro do Benfica... Acampando!

No ano de 1954, o Benfica celebrava o seu 54.ª aniversário. Para participar na comemoração deste feliz acontecimento, a secção de campismo organizou o Acampamento das Bodas de Ouro, no Parque da Quinta das Águas Livres, em Belas, de 17 a 25 de Julho.
Ao todo, a 'cidade de lona' era composta por 258 tendas e 540 campistas, de dezenas de clubes e núcleos campistas. Entre estes estava um adepto do FC Porto, Costa Brandão, que 'veio a pé desde a capital do Norte para trazer as saudações do seu clube e dos campistas nortenhos ao popular Benfica'.
A organização e as condições do parque de campismo foram amplamente elogiadas por todos os presentes. Com a autorização do sócio Manuel João dos Santos Sobrinho, proprietário dos terrenos, a secção de campismo havia feito várias alterações e dotado o parque de instalações sanitárias, de modo a 'servir dignamente as nossas aspirações'.
A participação neste acampamento era, por si só, uma forma de homenagem ao Benfica, mas isso não impediu a oferta da inúmeras à secção de campismo e à Direção do Clube. Das diversas ofertas destacavam-se sacos de cimento, destinados à construção do Estádio da Luz, galhardetes e peças de arte. Por seu lado, o presidente da secção de campismo do Benfica, Barão Mascarenhas, 'entregou ao sr. dr. Paulino Gomes Junior um troféu simbólico da estima dos campistas pela Direção'.
Os campistas 'passaram dias agradabilíssimos gozando as maravilhas da Natureza, nem sentindo o calor', e puderam ainda participar em várias actividades, como o fogo de campo, canções, torneios de voleibol, gincanas e a eleição da 'rainha das Bodas de Oiro'. Foi coroada a jovem Maria Eduarda Firmino Fernandes, do Luso Futebol Clube, que 'alcançou essa honra pelos seus dotes de carácter, pela sua dedicação ao campismo, pela sua presença em acampamentos nos mais variados e dispersos lugares da Terra'.
O Acampamento das Bodas de Ouro do Benfica foi um 'êxito estrondoso', e 'todos os que nele participaram se retiraram encantados, a plenos pulmões entoando a marcha Adeus, até à vista'.
Saiba mais sobre o campismo no Benfica na área 14 - Lisboa e Benfica, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

É já amanhã


"Ao longo desta época de futebol profissional masculino, depressa percebemos que todos os jogos são difíceis. No início, por inoperância própria, vimo-nos atrasados na classificação. Já nos tinham encomendado o 'funeral', que estávamos fora da luta. Nesses primeiros momentos, a crítica acentuou-se, vinda de fora e de dentro.
Numa jogada de grande risco para a maioria dos especialistas, foi escolhida a equipa técnica de Bruno Lage para substituir a de Roger Schmidt. E tudo começou a mudar. Vieram vitórias, exibições com qualidade e golos (já vamos em 132 em todas as competições), mas no Sport Lisboa e Benfica isso nunca é suficiente. É preciso conquistar títulos e ganhar troféus. Seguimos em frente na Liga dos Campeões, conquistámos a Taça da Liga e recuperámos a diferença para quem ia à nossa frente na classificação. Pelo caminho, demos 4 ao Atlético de Madrid, fizemos um jogo épico com o Barcelona (não foi melhor pela tradicional complacência da arbitragem com os catalães), espetámos dois 4-1 ao FC Porto, e nada disso parecia (parece) chegar para apaziguar os detratores do Glorioso.
Esta é uma equipa para momentos grandes, mas que também sabe sofrer nos jogos contra adversários de meio e fim da tabela. Os jogadores têm sabido unir-se sempre que necessário, e é só isso que espero no dérbi deste sábado. Que se unam e pensem com orgulho no percurso que fizeram até chegar aqui. Deste lado, não se tornou habitual perdoar expulsões e cartões, validar golos em fora de jogo e fechar os olhos a grandes penalidades. Não, nós tivemos de jogar o dobro dos nossos adversários mais diretos. A equipa do Norte foi levada ao colo até se tornar impossível equilibrar as contas de um conjunto mediano de jogadores. Já o adversário de amanhã, basta ver a campanha que tem sido organizada por especialistas, comentadores e alguns jornalistas, incapazes de esconder a baba que lhes escorre pelo queixo, misturada com a saliva de raiva que lhes aflora o canto da boca quando pensam no SL Benfica.
Por tudo isto, a receita é só uma: ganhar. E bem. Não deixar dúvidas."

Ricardo Santos, in O Benfica

Operação Inferno


"Há três coisas na vida que tomo como certas: a morte, os impostos e o coração a bater mais forte quando joga o Benfica. Ora, antevendo as cervejas que vou pagar a malta amiga antes do dérbi - e, naturalmente, o respetivo IVA -, é até possível que se cumpram mesmo estas três sinas no sábado. Sei em que Luz vou estar quando o jogo começar, mas não sei ainda em que Luz vou estar quando o jogo acabar. Não foi à toa que o Hospital da Luz Lisboa, prudente e perspicaz, se construiu nas redondezas da Catedral. Já antevia a gigante exposição dos milhares de pessoas que ali ao lado, quase todas as semanas, contrariam as ameaças ao miocárdio através da técnica de socorro mais popular: roer as unhas até às falengetas.
Aliás, tem-se falado de forma insistente que este é um jogo de risco, e até aqui eu concordo. Só não estou de acordo que esse risco deva ser controlado por uma operação especial montada pela PSP. Neste caso, fazia muito mais sentido se esse controlo fosse feito por uma extensa equipa de médicos, eles, sim, habilitados a fazer todas as operações especiais que venham a ser necessárias durante os 90 minutos. As fardas e os equipamentos da polícia de choque deviriam ser substituídos por batas brancas e malas em desfibriladores, os choques que realmente podem ser necessários. Espalhar uma legião de doutores pelo estádio e pela cidade é a forma mais segura de garantir que tudo corre bem. Eu quero um médico perto de mim na bancada quando aparecer a primeira oportunidade de golo, pois o que me poderá fazer falta será um estetoscópio ou uma injeção de soro direta na veia, não serão algemas ou um walkie-talkie.
Vai ser uma prova de fogo ao coração. Nem eu nem o leitor sabemos se vamos sobreviver, mas sabemos que o Inferno espera por nós. Vamos, juntos, aquecê-lo.
Carrega, Benfica! Rumo ao 39!"

Pedro Soares, in O Benfica

Futebol na comunidade


"Este é o lema do trabalho social e de sustentabilidade do mítico clube inglês Arsenal FC. Em Londres, tem-se dedicado a usar o poder do futebol para desenvolver projetos com a comunidade, muito particularmente nas áreas de proximidade do estádio, com especial atenção aos problemas da exclusão social, da integração e do apoio às pessoas com deficiência.
Na Europa do futebol é comum os grandes clubes que têm fundações sociais, como é o caso, relacionaram-se entre si na partilha de boas práticas, no reconhecimento de projetos e metodologias, na formação e capacidade das suas equipas a partir do melhor que se faz na Europa do futebol social.
A Fundação Benfica, pelo trabalho inovador e pela abrangência dos seus projetos, é já uma referência internacional na Europa e para além dela. Por isso é com relativa frequência que recebemos delegações de outros clubes para conhecerem o nosso trabalho. Desta vez recebemos uma delegação da Fundação Arsenal FC e aproveitamos também para saber as novidades do outro lado do canal, na capital do país que inventou oficialmente o futebol e que é pioneiro inquestionável do movimento fundacional do futebol mundial. Uma orgulho para  Fundação do Sport Lisboa e Benfica e, certamente, para os benfiquistas!"

Jorge Miranda, in O Benfica