Últimas indefectivações

sábado, 20 de julho de 2024

A escrever História em Bloemfontein


"Um jogo histórico para Portugal e muito importante para os 'Springboks'

É sempre um momento especial: cada jogo dos Springboks é seguido com uma paixão única e só comparável à própria história da nação arco-íris, feita de resistência, capacidade de luta, sentido de equipa e espírito de conquista.
A seleção nacional de râguebi da África do Sul integra todos esses valores, e representa o desporto mais popular entre os sul-africanos (ainda que o críquete seja um rival de peso). Por isso, o jogo de sábado, em Bloemfontein, frente a Portugal, surge num momento em que o selecionador Rassie Erasmus procura testar novas alternativas para um conjunto bicampeão mundial mas que, nos seus jogos de teste de 2024, vem de uma derrota tangencial frente à Irlanda (25-24).
Serão 14 as novidades, sendo que sete jogadores integrarão pela primeira vez o combinado Springbok. Isso, porém, não retira qualidade e competitividade à equipa, e mantém a expetativa alta em Bloemfontein, a capital judicial do país, situada no centro do território e numa zona onde a comunidade portuguesa é dispersa.
Os 46 mil lugares do Toyota Stadium estarão certamente lotados, até porque as aparições dos Springboks no seu território não são muito frequentes. Para os Lobos, esta será uma oportunidade única de sentirem o ambiente caloroso que rodeia habitualmente a equipa sul-africana, e de replicarem (desta vez no terreno do titular mundial) a excelente imagem deixada no Mundial de 2023, em França.
Um jogo histórico para Portugal, cuja evolução gradual no panorama mundial do râguebi é agora também reconhecida pela receção dos sul-africanos, e pelo 15º lugar ocupado no ranking, e muito importante para a segunda linha dos Springboks, com jogadores que pretendem ganhar a confiança de Erasmus e mostrar qualidades para continuarem a integrar, em pleno, a muito restrita elite dos campeões do mundo."

O essencial: jogar bem

"Mão amiga fez-me chegar à mão uma crónica de notável lucidez, assinada recentemente por Raúl Caneda em La Voz de Galicia, nas vésperas da final do Euro 2024. O enquadramento era um de um país – a Inglaterra, adversária da Espanha – que, em relação ao futebol e como nenhum outro, enquadra na perfeição as dimensões de tradição (nasceu lá o futebol como o conhecemos há mais de um século) e negócio (nasceu lá a mais lucrativa competição nacional de clubes, a Premier League, há 30 anos). Mas a nível de seleções falta-lhes algo essencial: ganhar.
A Inglaterra está historicamente agarrada a um único sucesso de seleções, o Mundial de 1966, vencido em casa, como a Espanha esteve largas décadas a suspirar por repetir o Europeu de 1964, curiosamente também ganho em casa. E crescemos nós, os nascidos ali pela década de 1970, a ouvir falar da capacidade atlética invulgar dos futebolistas ingleses ou da celebrada fúria espanhola. A verdade é que, a nível de seleções, quando só podiam utilizar os seus nativos, eram um deserto de vitórias.
A Espanha mudou, com Cruijff e depois com Guardiola, com os teóricos do Jogo de Posição e da cultura de La Masia que Aragonés e Del Bosque aproveitaram sabiamente, com um culto do belo jogo exponenciado por jogadores de qua
lidade e a seguir exportado em treinadores de elite. Libertou-se da fúria e cuidou da bola, valorizou o passe e percebeu de vez que a intensidade que mais conta é a de pensamento. Em pouco mais de década e meia, ganhou um Mundial e tornou-se rainha da Europa, com três vitórias em cinco edições de campeonatos continentais de seleções.
Portugal ganhou um Europeu, mas sentimos hoje, oito anos passados, que vivemos um feliz acidente de percurso. A qualidade acrescida do talento disponível não como consequência um rendimento de qualidade constante. Em boa parte porque, mesmo descontando a paixão por árbitros e VAR, quase só discutimos banalidades e preconceitos: se os melhores jogadores são compatíveis, se suficientemente rápidos e físicos, se um clube é mais favorecido que outro e quem mais influencia afinal as convocatórias, a miragem do tempo útil de jogo por caminhos errados. E também porque continuamos maioritariamente - até entre os especialistas - a insistir no prisma individual: se Ronaldo ainda é goleador, Pepe indispensável na liderança, Palhinha único a ocupar espaços, Leão pelo acrescento de velocidade, Conceição a espalhar brasas. Como bem escreve Caneda, valorizamos os jogadores pelo que fazem e não pelo que geram. Daí o sacrilégio de haver recorrentemente quem se desiluda com Bernardo Silva de quinas ao peito. No fundo tomam-no pela individualidade, quando ele é na essência o oposto disso.
Entre a obsessão do individual e os lugares-comuns perde-se o essencial: jogar bem, algo que Portugal não fez, nem a Inglaterra, nem a França. Jogar bem, mesmo com alterações de perfil, que os tempos mudam, vai ser a forma de estar mais perto de ganhar. E a Espanha voltou a prová-lo, eloquentemente."

Espanha: uma potência mundial em desporto


"Este domingo demonstrou que a Espanha é uma potência mundial em desporto, só faltou um ciclista espanhol vencer a etapa do Tour de France, para fazer o pleno neste super-domingo.
A política desportiva seguida pelo governo de Felipe González de apoio à prática desportiva e de acompanhamento de talentos continua a dar os seus frutos.
A magnifica vitória sobre a Inglaterra, em que imperou um todo e um treinador Luis de la Fuente que não tem medo de mexer na equipa, em que não há primas-donnas.
Aqui no Record o tema será naturalmente futebol e a nova campeã de Espanha.
Vou focar-me no ténis, na precoce e extraordinária carreira de Carlos Alcaraz. A forma como se superiorizou a Djokovic dá que pensar.
É verdade que Djokovic vem de uma lesão no joelho e mentalmente estava algo limitado, todavia, isso não justifica tudo que se passou. Vencer numa final de Wimbledon em 3 sets não é para qualquer um.
Como já tenho alguma idade, tenho tendência para torcer por quem é mais velho, Djokovic tem 37 anos, frente aos 21 anos de Alvacaz – 16 anos mais novo. Todavia, enganei-me redondamente.
Djokovic, este ano, chegou à final depois de uma temporada algo irregular, sem vencer nenhum torneio e com algumas derrotas surpreendentes. Muita gente pensou que estaria no seu ocaso no domínio do ténis. Porém, neste torneio de Wimbledon, Djokovic mostrou quando chegam os grandes momentos é capaz de se reinventar e reconstruir.
Contudo nesta final, Alcaraz foi muito superior, só oscilando no último set, mas perfeitamente normal para a sua idade.
Não há dúvida nenhuma que Alcaraz, no momento, é o melhor jogador do circuito e tem armas para vencer em qualquer piso.
Alcaraz já venceu 4 "Grand Slam" aos 21 anos e, tem todo o direito de pensar que, pode chegar aos feitos de Nadal, Federer e Djokovic.
O seu limite é o céu e pode continuar a sonhar."

O silêncio ajuda o racismo (sim, é sobre o vídeo de Enzo)


"Seleção argentina entoou cântico racista durante os festejos da Copa América e a sanção terá de ser exemplar. Só Milei os defende (o que diz muito…), mas não é hora para silêncios do outro lado

O vídeo tem Enzo Fernández em primeiro plano, mas fica claro que muitos outros também estavam a participar na ‘festa’ no autocarro, após a vitória na Copa América. Vimo-lo num direto no instagram e provavelmente foi a única coisa que Enzo fez - sem querer - bem: mostrar ao mundo que o racismo e a transfobia ainda servem para comemorar vitórias desportivas, como se nada fosse ou se não percebessem o que estavam a dizer.
O médio pediu desculpas, a federação francesa queixou-se, o Chelsea e a FIFA vão investigar e alguns – poucos – jogadores negros, franceses e companheiros de equipa de Enzo Fernández denunciaram. De resto, silêncio.
Da federação argentina – que já desde a final contra a França no Mundial de 2022 devia ter condenado o cântico criado pelos seus adeptos -, nada. Dos outros jogadores em causa – salvos pela confusão do vídeo que não os permite identificar claramente -, nada. De Messi – capitão e craque mundial, cujas palavras fariam mais pela luta antirracista do que mil campanhas – nada. De outras figuras do futebol que não as vítimas do cântico, também nada.
Entretanto, já tivemos o clássico «Nós não somos racistas», até «vivem pessoas na Argentina de todo o mundo» (disse-o Mascherano) e o governo de Milei a defender «as verdades que não querem admitir» (disse-o a vice-presidente Victoria Villarruel), após ter despedido o subsecretário do Desporto (que tinha afirmado que Messi devia pedir desculpa). Mesmo na crença de que os jogadores argentinos são todos iletrados e inconscientes do que diziam, há sempre quem consiga usar isto para difundir discriminação e ódio.
Por isso, enquanto a desresponsabilização (e o racismo, já agora) se alastra(m), não há tempo a perder: os inquéritos têm de ser céleres e com as respetivas sanções. O futebol não pode ser lugar para estas palavras e atitudes e não há «excesso» nos festejos que o desculpe. Mas o que também já podemos e devemos refletir é se isso chega, quando uma coisa destas acontece à vista de todos e a maioria fica calada.
Porque o vídeo de Enzo é tão óbvio que já só Milei e os seus discípulos vêm dizer que não é racismo. Parecem irrelevantes (e racistas), mas ganham eleições. Não fazem falta, mas andam por aí. E o que nos faz falta mesmo era alguém que viesse dizer que é."

Hegemonia lusa no futsal e ascensão do futebol de onze: uma análise dos títulos nacionais


"Portugal apresenta um histórico notável no desporto, com vitórias importantes em várias modalidades. Determinar que seleção acumula mais títulos exige uma análise detalhada.
A seleção nacional de futsal é a mais premiada, com 26 títulos em competições como Mundiais e Europeus. Este sucesso reflete a excelência do futsal em Portugal, com Ricardinho a destacar-se como sete vezes vencedor do prémio de Melhor Jogador do Mundo.
No entanto, o futebol de onze também merece atenção. A seleção principal masculina conquistou dois dos títulos mais importantes do futebol europeu: o Campeonato Europeu de 2016 e a Liga das Nações de 2018-19. Estas vitórias estabeleceram a seleção portuguesa como uma das principais no panorama mundial, com Cristiano Ronaldo a liderar e a acumular diversos recordes e prémios individuais.
As seleções jovens têm igualmente um papel relevante, com títulos europeus e mundiais em várias categorias. Estes sucessos sublinham a qualidade da formação de jogadores em Portugal, com figuras como Figo e Rui Costa a emergirem de tais equipas.
Em resumo, a seleção de futsal lidera em número de títulos, enquanto a seleção principal masculina alcançou as conquistas de maior prestígio. Ambas, juntamente com as seleções jovens, contribuem para o reconhecimento do futebol português a nível internacional."

O pele-vermelha Jim e as suas medalhas perdidas


"Gustavo V, da Suécia, fez questão de saudar Jim Thorpe, o maior atleta do mundo!

Gustavo é nome de reis na Suécia. Gustavo Adolfo, ou Gustavo VI, por exemplo, era um gajo porreiro. Em 1958, no dia da final do Campeonato do Mundo entre o Brasil e a Suécia, desceu ao relvado para cumprimentar os jogadores das duas equipas e fez questão que lhe apresentassem os fenómenos desse Mundial, Pelé e Garrincha. Seu Mané, naquele jeito agarotado que fazia parte da sua idiossincrasia, apertou-lhe a mão dizendo em bom português: «Estás bom Gustavo?». O rei riu-se quando lhe traduziram a familiaridade e foi sentar-se no seu real lugar e assistiu, impávido como um rei, à forma como os brasileiros esmagaram os suecos por 5-2. Parece que o gosto de cumprimentar atletas notáveis vinha de família. O seu pai, Gustavo V, que subiu ao trono em 1907, excitou-se com a realização dos Jogos Olímpicos de 1912 na sua capital Estocolmo. E ficou impressionado com a capacidade física do grande vencedor do decatlo, o americano James Francis Thorpe, catolicamente batizado como Jacobus Franciscus Thorpe, ele que era filho de um irlandês e de uma índia da tribo dos sauk. Fez questão de ir cumprimentá-lo depois de receber a medalha de ouro, e disse-lhe cara a cara: «Para mim, você é o melhor atleta do mundo». Jim agradeceu, ainda não adivinhando que haviam de lhe tirar a medalha.
Jim tinha um nome índio: Wa-Tho-Huk, que significa Caminho Brilhante, e foi despojado das suas duas medalhas de ouro, a do decatlo e a do pentatlo, ambas conquistadas no Jogos de Estocolmo, por ter optado por uma carreira profissional no basebol e, em seguida, no futebol americano, algo que, ao tempo, ia contra o que se chamava pomposamente de espírito olímpico. Sentiu-se traído e magoado, engoliu a afronta, teve uma carreira brilhante como ‘outfielder’ no New York Giants e no Boston Braves e outra tão brilhante como essa na National Football League, jogando por seis equipas diferentes, entre as quais os Canton Bulldogs, os Rock Island Independents, os New York Giants, e os Chicago Cardinals. A sua fama de atleta incomparável foi registada para a posteridade num filme que levou o título de Jim Thorpe – All-American, com Burt Lancaster a fazer de Thorpe. O diretor da película seria uma daquelas figuras únicas da história do cinema, Michael Curtiz, nascido em Budapeste com o nome de Manó Kaminer, responsável por dezenas de obras de arte como The Adventures of Huckleberry Finn, The Vagabond King, White Christmas, We’re No Angels, Night and Day, The Sea Wolf, Angels with Dirty Faces, Captain Blood e, sobretudo, Casablanca. E Jim participou como ator secundário, fazendo um pequeno papel de treinador, recebendo 15 mil dólares da Warner Bros por isso, o que serviu para irritar ainda mais os puritanos dirigentes olímpicos do seu tempo.
Criado e educado como nativo-americano, uma daquelas expressões eufemísticas próprias de um povo tão profundamente racista, Jim Thorpe não deixou, apesar da sua fama crescente, de ser um discriminado. Ainda hoje se discute se as medalhas não lhe foram tiradas por causa das suas origens e, sempre que fez algo para as recuperar foi-lhe sugerido pelas autoridades norte-americanas que deveria assumir um tipo de vida mais consonante com a civilização que o recebera. Quando, ainda estudante, jogando pelos Carlisle Indians, se qualificou para os Jogos de 1912, o New York Times não foi de modas ao escrever: «Indian Thorpe in Olympiad – Redskin from Carlisle Will Strive for Place on American Team». O pele-vermelha Jim casou três vezes e teve oito filhos e foi obrigado a todos os sacrifícios para alimentar tantas bocas. Quando o corpo deixou de aguentar as exigências de profissional de futebol americano e, depois, de basebol, os empregos fugiam-lhe por entre os dedos. Mais uma vez não houve como escapar às queixas de racismo. A América ainda não estava preparada para Obamas, fossem eles presidentes ou campeões olímpicos. Thorpe voltou ao cinema.Fazia o papel de si próprio: ou seja, de índio em «westerns» com duelos ao pôr-do-sol. Na maior parte do tempo cabia-lhe morrer cedo, pois esse era o destino dos peles-vermelhas caçadores de escalpes aos quais jamais perdoaram a vitória de Touro Sentado sobre o general Custer e o Sétimo de Cavalaria na Batalha de Little Big Horn. Era um sauk mas fingia-se navajo ou sioux, ou até de moicano até acabarem com todos eles. Foi operário de construção, segurança, lavador de pratos, serviu na marinha mercante durante a II Grande Guerra, e estava falido quando o internaram com cancro em 1950. Morreu três anos mais tarde. A sua família e a sua tribo tiveram de esperar por 1983 para terem as medalhas de volta. O amigo de Gustavo já era apenas uma recordação guardada nas gavetas da memória."

sexta-feira, 19 de julho de 2024

BI: Modalidades #158 - Semanada...

Fontes credíveis...

A lista...!!!

Infalíveis...

Di María não pode ser o Ronaldo de Schmidt


"Alguém terá de explicar ao argentino que o seu ponto de partida já não pode ser o mesmo e ninguém melhor do que Rui Costa, amigo e líder do clube, para fazê-lo

Di María provocará sempre sentimentos contraditórios. Há o reconhecimento da sua importância no passado, e não só com a camisola do clube, porque atingiu níveis de grandeza, não completamente esperados aquando da primeira passagem, por gigantes continentais e pela Argentina. Junte-se ao estatuto – justo, reconheça-se, basta olhar para a despedida que lhe fizeram Messi e companhia – os números com que concluiu a segunda etapa na Luz e a dúvida ficará mais forte. O impacto individual foi grande numa equipa que falhou depois coletivamente.
Apesar de todo esse peso, o individual não garantiu mais do que um 2.º lugar na Liga e uma Supertaça. Notaram-se no argentino fragilidades naturais que decorrem da idade avançada e perda de potência e resistência muscular, e só um coletivo forte, com todas as peças no sítio certo, recolocará os encarnados no caminho do sucesso.
Ora, a influência de Di María junto de Rui Costa é grande. Há uma amizade que torna ainda mais complicado o papel do treinador. Daí que, perante as dificuldades em escolher o melhor 11 para cada encontro, ficando refém da obrigação de tê-lo quase sempre em campo – como aconteceu com Portugal e Cristiano no Euro –, e inclusive de gerir esforço para tê-lo a top para quando realmente preciso, como ficou demonstrado na primeira vez que o substituiu, é necessário defender desde já um Schmidt mais exposto do que na época anterior.
O arranque teve sinais positivos. Foram contratados jogadores que se enquadram melhor no modelo. A adaptação de Rollheiser também parecia estar a ser feliz, provando que o processo analítico chegara a conclusões interessantes. Há ainda jovens e outros menos jovens a dizer presente perante a chamada. Não faz sentido colocar tudo em causa.
Quer isto dizer que Di María não pode ser útil? Pode. Alguém só terá de lhe explicar de que ponto parte e cabe-lhe aceitá-lo. Ronaldo, por exemplo, todos sabíamos que não iria conseguir fazê-lo. O argentino, figura enorme do futebol mundial, terá de ser capaz dessa humildade. É muito dinheiro para ter no banco? É, mas pior investimento será se o clube não cumprir objetivos. Schmidt nunca montará (e bem) uma guarda pretoriana para sustentar Di María, já que contrariará as suas ideias e, por muito que custe a todos, o passo tem de ser dado. Liderado por quem realmente manda, protegendo o treinador: Rui Costa."

Benfiquismo na Suíça


"A inauguração das novas instalações de duas Casas do Benfica na Suíça, com a presença do Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, é o tema em destaque nesta edição da BNews.

1. Em Genève e Romont
As embaixadas do benfiquismo nestas cidades suíças, onde existem grandes comunidades benfiquistas, inauguram as novas instalações no próximo sábado, dia 20. A comitiva oficial do Sport Lisboa e Benfica é liderada pelo Presidente do Clube, Rui Costa.

2. Estatutos
A Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica anuncia, no âmbito da revisão estatutária, a mediação de reuniões com associados benfiquistas no sentido de atingir "o consenso possível, mas desejável".

3. Novo adversário
O jogo de preparação do Benfica, agendado para o próximo domingo, em França, é com o Almería.

4. Empenho e intensidade
Os trabalhos de pré-época do plantel às ordens de Roger Schmidt prosseguem.

5. Jogos-treino
O apronto da Equipa B com o Mafra, no Benfica Campus, saldou-se por um empate a uma bola. Os Sub-23 venceram, por 4-0, frente ao Fabril.

6. Renovação de contrato
José Melro, avançado que, na temporada passada, se destacou pelos muitos golos marcados ao serviço dos Sub-23, estendeu a ligação ao Benfica.

7. Juniores com bola
A equipa Sub-19 do Benfica já trabalha no relvado.

8. Calendário definido
Os Iniciados começam a temporada oficial com um dérbi com o Sporting.

9. Contratações no andebol
Egon Hanusz, central de 26 anos oriundo do TVB Estugarda, chega ao Benfica para reforçar o plantel, ao qual se juntará após a participação, pela Hungria, nos Jogos Olímpicos.
Anteriormente, o Benfica já havia anunciado a contratação do pivô internacional português Fábio Silva."

Lanças...


História Agora


5 minutos: Diário...

Zero: Mercado - João Neves, Renato Sanches e Ioannidis

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Sporting: análise ao arranque dos leões

Zero: Saudade - S02E46 - Higuita, Ceni, Chilavert, Jorge Campos: sim, adoramos guarda-redes goleadores

Zero: Reactzz #14| Festa e confusão: retrato do programa

Tadeia: Reis da Europa - Arménia 2024

João Félix: uma flor num jardim de cimento


"Continuo a alimentar a ideia de que João Félix continua sem encontrar o jardim e os jardineiros certos. Terá de pensar muito bem no que vai fazer

Ali pelo final de 2022, numa intervenção para a rádio espanhola Cadena SER, convidado a falar de João Félix, deixei escapar uma ideia, seguramente inspirado por alguém a quem hoje não consigo atribuir o mérito apenas por esquecimento, para descrever momento e circunstância do avançado português. Que João Félix, naquele Atlético Madrid e já com relação irreparável com o treinador, me parecia uma flor num jardim de cimento.
A imagem sugere uma crítica a Simeone e, no entanto, até confesso que tenho um fraquinho pela arquitetura brutalista e pela figura do técnico argentino. Os anos passaram desde que João Félix, ainda adolescente, deixou o Benfica num negócio de €126 milhões. Não se afirmou no Atlético Madrid, teve uma passagem de meia temporada, sem brilho, num Chelsea em crise e outra de uma época num Barcelona sem as armas do principal rival, vítima de dificuldades financeiras e desnorte político, que levou o treinador a dizer que saía, para depois voltar atrás e finalmente sair.
Depois de duas temporadas prometedoras no Atlético Madrid até ser operado ao tornozelo, estaremos muitos de acordo em dizer que João Félix esteve longe de corresponder às elevadas expectativas que criou quando foi determinante para o Benfica conquistar o título de 2018/2019.
E, no entanto, quem olhar para João Félix sem os óculos do respetivo clube vê que está tudo lá como há cinco anos. Aquela elegância a tratar a bola, a leveza sobre o relvado, o génio na tomada de decisão e na execução de um passe ou de um remate, a facilidade com que torna simples o que é difícil.
Sem querer ignorar que João Félix também terá responsabilidade na situação que atravessa, até porque nem todos os males do mundo podem ser culpa dos outros, continuo a alimentar a ideia de que Félix continua sem encontrar o jardim e o jardineiros certos. Pode acontecer, mesmo, que nunca possamos ver tudo aquilo que ele tem capacidade para oferecer, até porque o futebol de hoje não valoriza muito o que ele faz.
João Félix tem 24 anos, tem muito caminho pela frente e, neste verão, terá de pensar muito bem no que fazer. O Benfica está de braços abertos para recebê-lo, os benfiquistas iriam acolhê-lo com carinho paternal, dispostos a perdoar-lhe erros e defeitos, mas o futebol é uma máquina industrial sem consideração pelo sentimento.
Muita coisa teria de falhar ao Atl. Madrid, ao qual pertence o passe e que pagou muito pela transferência, e a João Félix, que terá mais oportunidades para lá do Benfica, noutros campeonatos mais competitivos e ricos, para que se concretizasse o regresso a casa.
Em sentido contrário, muita coisa teria de correr bem para o Benfica poder contratar João Félix por €30 milhões ou €40 milhões, admitindo que estaria disponível e teria capacidade para pagar um salário que nada tem a ver com a realidade nacional."

Talvez seja inconsciente, mas não deixa de ser racismo


"A propósito do cântico dos jogadores argentinos entoado após a conquista da Copa América

«O bicampeão americano, campeão argentino e melhor jogador da história não tem de pedir desculpas a ninguém. Eles que continuem a chorar por uma simples canção de futebol.»
Rodrigo Marra, político argentino

A canção de péssimo gosto que os jogadores argentinos entoaram após a conquista da Copa América, no autocarro da equipa, e que Enzo Fernández, absurdamente, partilhou em direto nas redes sociais, causou ondas de choque em todo o lado. Da França à própria Argentina.
Abstenho-me de a reproduzir, basta referir que tem diversas referências às origens africanas dos jogadores franceses e que questiona inclusivamente as preferências sexuais de Mbappé. Está, sem dúvida alguma, pejada de racismo e xenofobia.
Foi por serem racistas e xenófobos que os jogadores argentinos a cantaram agora, após ganharam a Copa América à Colômbia? Creio que não. Provavelmente, nem pensaram no significado das palavras, foi apenas uma provocação a um rival. Mas mesmo que inconsciente, ou não propositado, o racismo não deixa de ser racismo.
E a sugestão do secretário de Estado do Desporto argentino, de que Lionel Messi, como capitão, e o presidente da federação deveriam pedir desculpas, parece-me perfeitamente legítima. Mas neste mundo polarizado em que vivemos, e no qual tudo serve de arma de arremesso, até essa sugestão teve resposta dum político de Buenos Aires, que diz que Messi, por ter ganho o que ganhou, não tem de pedir desculpas a ninguém. Como se o palmarés fosse um livre-trânsito para se dizer tudo com impunidade..."

A bem ou Yamal


"O tratado filosófico de Jorge Palma: «Somos todos escravos do que precisamos. Reduz as necessidades se queres passar bem.»

No regresso a casa depois mais um dia de trabalho, após a final do Europeu, vou ainda a digerir como é que um miúdo que fez 17 anos na véspera da final se assume como figura maior da competição em todas as valências técnicas, táticas e de personalidade. Lamine Yamal. Ouvir música ajuda-me a pensar e a escolha é demasiado óbvia para mim: «A gente vai continuar», de Jorge Palma.
Jorge Palma tem lugar garantido na minha playlist. Mais do que um grande intérprete, escreve canções com a arte e precisão de um ourives. E a letra de A Gente Vai Continuar é um verdadeiro tratado filosófico: «Somos todos escravos do que precisamos / Reduz as necessidades se queres passar bem». E eis como em dois simples versos encontramos um roteiro para a felicidade. A felicidade nunca está naquilo que temos mas no saldo entre o que temos e o que desejamos. É possível ser-se feliz com pouco, é possível ser-se profundamente infeliz com muito, em especial se esse muito se consome num processo de dependência. Porque – dou de novo a palavra a Jorge Palma – «A dependência é uma besta / que dá cabo do desejo». Um estado em que o objeto do desejo desafia as leis da física por, em vez de preencher espaços, aumentar vazios. Neste contexto, reduzir as necessidades é um exercício de liberdade que, no tratado filosófico de Jorge Palma, «é uma maluca que sabe quanto vale um beijo».
Esta semana, Francis Obikwelu decidiu também ele transformar simples declarações num tratado filosófico. Não entende o medalha de prata dos 100 metros nos Jogos de 2004 porque é que os jovens se queixam tanto tendo tudo. Vida difícil? Não. Havendo saúde, é muito fácil, atira Obikwelu. E a necessidade aguça o engenho e os… músculos, já a fartura torna-nos escravos das necessidades que a sociedade vai inventando para nós.
Lembrei-me agora de um provérbio que julgo ser oriental: «Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes.» Um ciclo que se renova e que só pode ser quebrado quando homens fortes garantirem que as gerações mais jovens serão livres para escolherem apenas o que é essencial e tiverem de lutar por elas próprias. Estamos a perder essa batalha.
Estou a chegar a casa e acho que já estou a divagar. Voltando ao tema, não sei se Lamine Yamal vai ter a carreira que o seu talento antecipa. Não sei se vai chegar ao topo. Sinceramente, espero que ele seja o primeiro a nem pensar nisso. O mal de definirmos metas é que nos limita o prazer do percurso. Meu caro Lamine Yamal, «Vai onde tu quiseres, mas goza bem a tua rota», é o conselho de Jorge Palma. Reduz as necessidades, ordena bem a lista de prioridades e assume o direito a seres livre, deixando espaço para seres feliz a fazer o que mais gostas. Se assim fizeres, vais ter sucesso. A bem ou Yamal."

Obrigado, Espanha


"Luis De la Fuente defendeu uma ideia e ganhou. Uma equipa a fazer lembrar o Sporting de Amorim e o FC Porto de Mourinho

Grande vitória da Espanha no Euro. Campeão da Europa com toda a justiça, com sete vitórias em sete jogos e diante de adversários do calibre de Croácia, Itália, Alemanha, França e Inglaterra. Melhor era difícil. Confesso que a Espanha não era uma das minhas favoritas a vencer o Euro. Coloquei numa primeira linha França, Inglaterra e… Portugal, pelo que só faltou à La Roja vencer a Seleção Nacional. Isto tudo antes de 14 de junho.
Vi o primeiro jogo da Espanha, com a Croácia, e logo constatei que estava ali um candidato ao título. Confirmou-se. A Espanha foi sempre a melhor seleção. A que melhor futebol apresentou, a que melhores espetáculos proporcionou. A mais alegre e irreverente. É uma equipa de autor. Luis De la Fuente chegou ao topo aos 63 anos, depois de um longo percurso nas seleções jovens. Depois dos títulos europeus de sub-19 e sub-21, conquistou a Liga das Nações e agora viu consagrada a sua ideia de jogo.
O basco apostou nos jovens e ganhou. Ganhou porque defendeu uma ideia e fez os jogadores acreditarem nela. Simplificou os processos e escolheu os jogadores que considerou mais adequados para os interpretar. Salvaguardadas as devidas distâncias, esta seleção espanhola fez-me lembrar o Sporting de Rúben Amorim e o FC Porto de José Mourinho. O Sporting pela fome — expressão até muito utilizada por Amorim — que os jogadores demonstraram, jogando sempre nos limites, com alegria, como se cada jogo fosse uma final e pela disciplina que a equipa apresentou. Todos, individualmente, sabiam bem o que tinham de fazer para que o coletivo funcionasse. Como, por exemplo, Dani Olmo que começou como suplente de Pedri e acabou como um dos melhores jogadores do torneio. Ou Oyarzabal que partiu sempre como alternativa a Morata e ficou na história como o homem do golo do título.
Para Luis de la Fuente sempre se percebeu que não havia vacas sagradas, ninguém está acima da equipa. Não há estrelas, todos são iguais, ou melhor sempre fiquei com a sensação que ninguém se sentia superior a ninguém. Um bom exemplo disso foi o à-vontade com que Zubimendi entrou ao intervalo do jogo para o lugar de Rodri, só o melhor jogador do Europeu. A fazer lembrar a revolução que Mourinho operou no FC Porto antes de levar os dragões à conquista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões, reforçando-se no Vitória de Setúbal ou no União de Leiria.
De la Fuente descomplicou um bocadinho o futebol e isso também me deixou feliz. A seleção espanhola abriu sempre as portas à imprensa, os jogadores e o próprio treinador surgiam todos os dias nas redes sociais, divertindo-se fora e dentro de campo. Sem fantasmas. Depois também fiquei rendido àquele 4x3x3 bem agressivo, alegre, ofensivo e disciplinado, bem distante do da escola Barcelona, com um meio-campo à FC Porto, com um 6 (Costinha/Rodri), um 8 (Maniche/Fabián Ruiz) e um 10 (Deco/Dani Olmo). Simples. Obrigado, Espanha."

O espelho de um país


"A nossa Seleção é representada maioritariamente por jogadoras que ou jogam no estrangeiro ou nos três principais clubes portugueses

A Seleção Feminina de Portugal empatou com a Bósnia, no penúltimo jogo da fase de grupos da Liga das Nações B, e desse empate resultaram duas boas notícias.
A primeira é que, apesar do resultado sem golos, Portugal garantiu o apuramento para voltar a jogar a Liga das Nações A, onde se encontram as melhores seleções europeias. O que nos permite jogar ao mais alto nível contra as melhores jogadoras e as melhores equipas e com isso construir um caminho de exigência máxima que nos leve a continuar a crescer e evoluir.
A segunda boa notícia é que vi muita gente, dentro e sobretudo fora da seleção, descontente com o resultado e com a exibição. Sinal de que a exigência está a subir e que já não nos contentamos ou que ficamos frustrados quando a vitória não aparece.
Esse nível de exigência tem de vir principalmente de fora. Dos adeptos, que gostam de ver bom futebol e já perceberam que o feminino proporciona bons espetáculos, dos clubes que investem para ter cada vez melhores condições – apesar de nesse particular faltar muito caminho – e melhores jogadoras.
Uma seleção nacional representa o espelho do futebol de um determinado país. A nossa Seleção – que jogou com Malta, na última terça-feira, apenas para cumprir calendário, preparando já o play-off de acesso ao Europeu – é representada maioritariamente por jogadoras que ou jogam no estrangeiro ou nos três principais clubes portugueses, aqueles que no fundo são sustentados por orçamentos que refletem décadas de aposta ao mais alto nível no futebol masculino. E é neste pormenor que todos nos devemos empenhar e batalhar. Só construindo um campeonato profissional, competitivo e com condições dignas, os restantes clubes conseguirão crescer, fomentar a competitividade e com isso abrir as portas das suas jogadoras na Seleção.
Foi com agrado que li as notícias que deram conta que as inscrições para as captações de jovens para o futebol feminino no FC Porto rapidamente esgotaram. Pode ter demorado, mas o FC Porto parece ter percebido o potencial de jovens jogadoras que existe na cidade do Porto e na região. E parece determinado a fazer as coisas bem feitas, começando a casa pelas fundações e não pelo telhado. Oxalá não se desvie do caminho."

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Mística a dois: Carlos Manuel e João Mário

Visão: React - Mística...

BI: Jan-Niklas Beste

Treino... eles!

Treino... elas!

Fotocópia!!!

A sério?!

Credibilidade!

Tudo tranquilo!

Are you ready for the all-new FIFA Club World Cup? 🏆🇺🇸

5 minutos: Diário...

Zero: Mercado - David Neres, Ioannidis e Modric

Zero: Tema do Dia - Análise ao primeiro teste do FC Porto

Terceiro Anel: Diário...

Mística a dois


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas da atualidade benfiquista, com destaque para mais um conteúdo imperdível com assinatura BPlay.

1. Carlos Manuel, João Mário e o Benfica
A glória Carlos Manuel e o subcapitão de equipa João Mário partilham experiências sobre a mística benfiquista e conversam sobre o momento da equipa de futebol do Benfica, as expectativas para a temporada, o treinador Roger Schmidt e o Presidente do Clube, Rui Costa. Mais um conteúdo BPlay, agora também disponível nas restantes plataformas de comunicação do Sport Lisboa e Benfica.

2. Ingressos disponíveis para venda
Está agendado para dia 2 de agosto, às 20h00, no Estádio Algarve, o jogo de preparação entre Benfica e Fulham. Os bilhetes já estão à venda.

3. Reforço anunciado
O MVP, por 5 vezes, do Campeonato espanhol de hóquei em patins é jogador do Benfica. Pau Bargalló chega à Luz após 8 épocas ao serviço do Barcelona e um currículo impressionante pelo clube catalão e pela seleção espanhola.
O reforço explica o que o levou a optar pelo Benfica: "A principal razão foi o projeto, muito ambicioso. A outra razão foi a confiança que me mostraram o Presidente, o vice-presidente e os responsáveis da secção. Desde o início que ficou claro que eu queria vestir esta camisola, estou muito orgulhoso."

4. Em representação de Portugal
Catarina Amado, Carole Costa, Andreia Norton e Jéssica Silva contribuíram para a vitória portuguesa ante Malta.

5. Arranque de temporada
A equipa masculina de andebol do Benfica já prepara a nova época. Bélone Moreira deixa uma mensagem ambiciosa: "Queremos muito conquistar títulos."

6. Sorteio realizado
A equipa feminina de voleibol do Benfica participa na CEV Challenge Cup e vai encontrar-se, nos 16 avos de final, com o vencedor do embate entre AEK AC, da Grécia, e RSU/MSG, da Letónia.
Entretanto, foi conhecida a convocatória da Seleção Nacional feminina de voleibol para o estágio de preparação para a fase de qualificação do Campeonato da Europa 2026, e há quatro benfiquistas entre as eleitas: Joana Garcez, Mariana Garcez, Marisa Pardal e Alice Clemente.

7. Museu Benfica – Cosme Damião
Consulte o plano de atividades para o terceiro trimestre de 2024. São muitas as atividades programadas."

1 Minuto...


- Minuto...

Di María é uma boa notícia para o Benfica?


"Copa América ou Mundial são competições curtas e a Argentina é uma seleção formatada para proteger um jogador como ele; no clube, não

Corre o minuto 119 da final da Copa América e Rodrigo de Paul pressiona o defesa contrário, depois cai em cima do guarda-redes para onde se dirige a bola, de seguida faz um sprint de 20 metros para o flanco esquerdo defensivo do adversário para onde o guardião da Colômbia colocou o esférico. São segundos de alta voltagem. Fosse o futebol ciclismo, o médio do Atlético Madrid seria um gregário, a função que João Almeida está a desempenhar com todo o brilho nesta Volta à França. Messi ou Di María são, à vez, o Pogaçar.
Vemos esta Argentina jogar e compreendemos as saudades por antecipação que treinador, colegas e adeptos vão ter do esquerdino que na época passada jogou pelas águias. Lionel Scaloni teve a inteligência de estruturar uma equipa que trabalha a dobrar para não obrigar os dois jogadores mais criativos (e mais velhos) a defender. Até o ponta de lança Julián Álvarez assume esse perfil de lutador - não por acaso é pretendido por Diego Simeone no Atlético Madrid).
Esta é uma estratégia que faz sentido para torneios de curta duração. Desde o início do século, quando começaram a esbater-se as diferenças entre os mais apetrechados e os menos abonados (pela melhoria global da qualidade do treino e das condições de trabalho), todos os campeões mundiais ou europeus o foram porque, acima de tudo, defenderam bem e com muita gente. O último título do Brasil, no longínquo 2002, não aconteceu só por causa de Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, mas também por causa dos três médios posicionais (sem um típico 10) a resguardá-los (Edmilson, Kleberson e Gilberto Silva).
Mas um Europeu, Mundial ou Copa América têm uma lógica diferente de provas longas. E por isso El Fideo sabe que não irá ter na Luz em 2024/2025 a mesma aura da albiceleste. Não por culpa própria. Afinal, na temporada anterior ele limitou-se a ser o que é: brilhante do ponto de vista técnico, mas com lacunas óbvias no pressing e nas transições. Fez das melhores temporadas da carreira, mas numa equipa desequilibrada e que nunca pareceu formatada para ele, como a Argentina. Momentos houve de muito Di María e pouco Benfica. Um paradoxo com a assinatura de Roger Schmidt, que por vezes pareceu inebriado com o talento do argentino, esquecendo-se de proporcionar os ajustamentos necessários. Foram muitas fintas que caíram no vazio.
Fosse hoje anunciada a renovação e com direito a subir à varanda sobre a porta 18, não se repetiria a cena de há um ano quando dois mil adeptos acorreram ao Estádio da Luz para saudar o regresso de um génio, 13 anos depois. Aqueles que gritaram por Ángel Di María a 6 julho de 2023 são os mesmos que hoje encaram com alguma desconfiança a continuidade do campeão do mundo. Não pela qualidade intrínseca do futebolista, mas por tudo aquilo que a equipa tem de prescindir para não beliscar essa qualidade, incluindo a afirmação de valores emergentes e de outros seguros como David Neres. A não ser Schmidt transforme alguns criativos em gregários. A adaptação de Rollheiser não será por acaso: não corre como De Paul mas estará disposto a dar tudo para proteger um dos seus ídolos. A dúvida é se isso é suficiente para evitar os erros do passado."

Fernando Urbano, in A Bola

Falemos outra vez de milhões e tostões


"O que têm comum o Real Madrid, o Boavista, o Sindicato de Jogadores e a Seleção Nacional feminina? Mais do que parece, embora em proporções totalmente inversas

Kylian Mbappé foi apresentado em Madrid perante 80 mil pessoas no estádio Santiago Bernabéu. Tomara dois terços dos clubes das Ligas profissionais portuguesas terem 80 mil pessoas no estádio, em acumulado e repetindo utilizadores únicos, durante toda uma temporada. As camisolas do Real com o novo número 9 estampado esgotaram num ápice e estima-se prazo de seis semanas para reposição de stocks. Lá haverá gente em lista de espera.
No mesmo dia, a 590 km, no Porto, um jogador rescindiu com o Boavista por falta de pagamentos acordados para os últimos dois anos. A SAD do Bessa garante que não se trata de salários em atraso e o jogador não desmente. Fala, porém, de «compensações e prémios» que lhe eram devidos. Seguir-se-á uma batalha legal e dirão os tribunais quem tem razão. Uma coisa parece certa: num futebol economicamente saudável não haveria espaço para estas dúvidas. Os empregadores contratariam e os empregados receberiam. Ponto. Sabemos que não é sempre assim em Portugal, sucedendo-se casos aos quais, ano após ano, o Sindicato acorre para ajudar futebolistas e a Liga ou a FPF pouco podem fazer por estarem amarradas a procedimentos legais e burocráticos que têm pouco a ver com o espírito das próprias leis, antes com a sua execução e respetivo contorno por parte de advogados (provavelmente sem honorários em atraso).
No mesmo dia, a pouco mais de 600km, em Odivelas, jogadores de futebol desempregados efetuavam um jogo-treino com o 1.º Dezembro na esperança de que um olheiro, um empresário, um dirigente — alguém, por favor! — os visse e lhes conseguisse um contrato que seria sempre a prazo, certamente não milionário e sabe Deus se cumprido. Volto a um tema que me é caro: sempre que pensarem em Mbappés e Ronaldos, lembrem-se dos milhares de sonhos que esbarram na realidade, na falta de sorte ou (quase sempre) na falta de um talento correspondente às expectativas.
Ainda no mesmo dia, a 550 km, em Leiria, a Seleção Nacional atuava em casa sem mobilizar os portugueses num final de tarde de verão. Estranho? Não, se acrescentarmos que a Seleção em causa é a feminina. Apesar do enorme trabalho que tem sido feito por clubes e federação, a evolução e o caminho tendentes à igualdade ainda esbarram na realidade do interesse das pessoas. O trajeto faz-se caminhando, mas não é possível transpor montanhas inexploráveis.
Há um fosso a separar o Real Madrid do Boavista, do Sindicato de Jogadores e da Seleção feminina — chama-se poder económico. Não se transpõe esse fosso só com boas intenções. Mas é bom que comecemos por elas, ou lhes demos continuidade."

Jogo Pelo Jogo #48 - Ukra

Tadeia: Reis da Europa - Andorra...

Terceiro Anel: Euro24...

Terceiro Anel: Copa América - Argentina...

Golaço #45 - Le Portugal est il un Grand pays de Football ?

De CR7 a Yamal... simplifique-se!


"Ou como disse Mbappé após a eliminação de França nas meias-finais: ««Não vale a pena complicar o futebol. Ou és bom ou não és. E eu hoje não fui bom e vamos para a casa. É tão simples quanto isso»

Já muito se escreveu nos últimos dias sobre «o fracasso da Seleção Nacional no Euro 2024», em particular do «flop que foi a prestação de Cristiano Ronaldo» no torneio, ele que «aos 39 anos deveria ter ponderado uma despedida enquanto estivesse por cima», evitando, quiçá, «um adeus que roçou a humilhação».
Muito se falou também de que, enquanto Portugal batia os recordes dos mais velhos (aos 39 de CR7 junte-se os 41 anos de Pepe), Espanha, seleção que apresentou o melhor futebol e que acabou, por isso, premiada com o título europeu, ia batendo recordes de juventude, destacando-se, claro, a grande estrela do Euro, Lamine Yamal, que começou a dar nas vistas, aos 16 anos, com o melhor golo da competição (aquele disparo fenomenal em arco contra França, na meia-final) e acabou com o troféu na mão, um dia depois de completar 17.
Pelo meio, analistas houve que arrasaram Martínez e «a qualidade de jogo de Portugal, com diagonais mal medidas, basculações defeituosas ou posicionamentos táticos errados». Não é nem a razão nem a correção das análises que aqui ponho em causa, mas opto pela reflexão final de Kylian Mbappé, ontem mesmo apresentado 'à CR7' no Real Madrid. «Não vale a pena complicar o futebol. Ou és bom ou não és. E eu hoje não fui bom e vamos para a casa. É tão simples quanto isso», disse a estrela francesa, após derrota com Espanha na meia-final do Euro.
Uma frase que podia ser dita por Ronaldo, sim. Mas não só. Também Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Griezmann, Modric, Foden ou De Bruyne poderiam dizê-la..."

'Y Viva España!'


"Nas principais modalidades, aquelas que captam a atenção mediática à escala global, Espanha tem nesta altura sempre uma palavra a dizer. Espanha investiu no desporto sem complexos e é hoje uma potência mundial

No domingo não foi apenas o Campeonato da Europa de futebol. Aliás, desde há muitos anos que não é apenas o futebol. E no domingo, além de Espanha se sagrar campeã da Europa pela quarta vez (1962, 2008, 2012 e 2024), o que faz dela a maior de todas nesta competição – Alemanha com três títulos e Itália e França ambas com dois seguem-na agora –, foi também Carlos Alcaraz a revalidar o título em Wimbledon, feito que o grande Rafael Nadal também alcançou em 2008 e 2010, curiosamente anos em que abriram caminho à era dourada da seleção espanhola de futebol – desde essa altura, ano de vitória no torneio de ténis inglês é também ano de festejo em grande competição no futebol.
Mas como dizia, no domingo não foi apenas o Campeonato da Europa de futebol. Aliás, desde há muitos anos que não é apenas o futebol. Nas principais modalidades, aquelas que captam a atenção mediática à escala global, Espanha tem nesta altura sempre uma palavra a dizer. Carlos Alcaraz, vencedor de Wimbledon 2024 No basquetebol – com o devido desconto dos Estados Unidos, que quase sempre apresentam equipas secundárias e mesmo assim são o país com mais títulos (5) –, apresentam-se como candidatos e de 2006 para cá conquistaram dois títulos mundiais (o outro foi em 2019). No andebol, são também dois títulos mundiais todos já neste século (2005 e 2013). Em alturas de Tour, impossível passar ao lado das cinco vitórias de Miguel Indurain e de mais vencedores espanhóis da maior volta do mundo: em França, de 1988 para cá, celebraram também Pedro Delgado, Óscar Pereiro, Alberto Contador e Carlos Sastre. Já para não falar do desporto motorizado, da Fórmula 1 ao Moto GP…
No feminino os sucessos do desporto espanhol também são enormes e o Campeonato do Mundo de futebol, que teve lugar em 2023 na Austrália e na Nova Zelândia, é disso o último grande exemplo.
Acrescente-se a isto o facto de as ligas espanholas serem das melhores do mundo, como La Liga no futebol ou a Liga ACB no basquetebol, para muitos a que vem logo a seguir à NBA – basta ver as transmissões para se ter a noção com o nível de jogo, dos jogadores, dos pavilhões e do ambiente que se vive – e não é exagero dizer que Espanha é nesta altura uma potencia desportiva mundial. A organização dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, levou a um investimento que não se traduziu apenas nas 22 medalhas conquistadas nessas olimpíadas (13 de ouro, sete de prata e duas de bronze) mas num legado que desde então colocou Espanha no topo do desporto mundial, nas infraestruturas, na organização, na maneira de ver o desporto pela sociedade e pelos governantes, nacionais e regionais, e nas vitórias.
No domingo, não foi apenas o Campeonato da Europa de futebol a celebrar a melhor equipa, a que melhor futebol praticou, a que não teve pejo em apostar nos mais jovens se os mais jovens eram os melhores, a única que realmente mereceu ganhar. No domingo, a vitória foi de toda (e mesmo toda sem divisões) a Espanha. Na que investiu no desporto como setor tão válido e importante como outro qualquer, da indústria à agricultura… Y olé!

SELO DE GOLO
O Tour entrou na última semana e com João Almeida na 4.ª posição, na missão de ajudar Tadej Pogacar a chegar a Paris na liderança. O esloveno é de outro planeta mas o nosso João mostra que é dos melhores deste. Talvez um dia…"

Sempre campeãs


"Depois de carreiras de sucessivos recordes nacionais, participações em Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos onde elevaram a natação portuguesa, Ana Catarina Monteiro e Tamila Holub deixam a natação e saudade em que teve hipótese de trabalhar com elas, não só como nadadoras de elevado nível, mas como pessoas que sempre disponíveis a abertas a contar o que lhe ia na alma e nos sonhos.

Sem que os Nacionais de natação do fim de semana tenham ficado marcados por quedas de recordes absolutos ou marcas que os tenham ameaçado, o fim das provas no Jamor foi emotivo com o adeus de várias pessoas. Entre elas Ana Catarina Monteiro, do Vilacondense, e Tamila Holub, do Sporting de Braga. Ainda que, neste caso, não tenha sido definitivo porque lhe custa dizer, para já: não quero mais isto.
Percursos distintos. A primeira, deixa a competição aos 30 anos, não despontou desde cedo na Seleções, mas a persistência e trabalho permitiu que, mais tarde, o que ambicionava fosse realidade. A segunda, de 25, uma estrela desde jovem que sucessivamente derrubou máximos nos escalões de formação e sagrou-se campeã e vice-campeã europeia júnior.
Em comum o comprometimento numa modalidade que não é fácil tal a carga de treino. Não digo que fizeram sacrifícios. Não gosto desse significado quando alguém fez o que quis e não porque estava obrigado. Podiam ter sido as melhores a sair com os amigos, a jogar videojogos, ver televisão… Mas não, quiseram sê-lo no que as apaixonava. Abdicaram, não se sacrificaram. É improvável que alguém chegue aos Jogos Olímpicos e Mundiais obrigado, tem -se prazer no que se faz e deseja-se ser melhor, todos os dias.
Ambas nadaram nos maiores palcos. Tamila, especialista sobretudo nos 400, 800 e 1500 livres, competiu nos Jogos do Rio-2016 e Tóquio-2020, disputou sete mundiais de piscina curta e longa, sendo uma vez semifinalista, e sete europeus, onde foi finalista em quatro ocasiões. Ana Catarina, nadadora sobretudo de 100 e 200 mariposa, em Tóquio-2020 e tornou-se na primeira semifinalista lusa — terceira de sempre depois de Alexandre Yokochi e Alexis Santos —, conseguindo ainda uma final e duas meias-finais em quatro Mundiais e uma final e duas semifinais em sete Europeus.
Mas também são duas pessoas extraordinárias que perceberam e ajudaram quem escrevia sobre elas. Discursos estruturados, permitiram boas entrevistas. Davam-se tanto a falar como a competir. Antes de entrevistar Tamila já sabia que teria duas ou três histórias deliciosas que me resolviam o título e com a Ana Catarina que não havia dúvida na clareza de ideias. Quando estivemos juntos em Jogos, Mundiais e Europeus ou ficava em Portugal, sempre ajudaram a que também eu pudesse bater os meus recordes. Devido ao trabalho não estive nas suas últimas provas de alta competição, mas já me disseram que esse adeus, afinal, será apenas um até já na vida. Obrigado pelo que são."

Miguel Candeias, in A Bola

Alto rendimento e vida escolar


"Alunos que são também praticantes de alto rendimento usufruem alguns apoois na conciliação do desporto e vida escolar

O desporto de alto rendimento reveste especial interesse público na medida em que constitui um importante fator de desenvolvimento desportivo. Deste modo, o legislador entendeu criar um regime legal especial, que permite aos alunos que são também praticantes de alto rendimento usufruir de alguns apoios na conciliação entre o desporto e a vida escolar. Entre esses, elencamos as seguintes:
I) Podem inscrever-se em estabelecimento de ensino fora da sua área de residência sempre que seja declarado pelo IPDJ que tal se mostra necessário ao exercício da sua atividade desportiva;
II) Devem ser facultados o horário escolar e o regime de frequência que melhor se adaptem à sua preparação desportiva;
III) As faltas dadas pelos praticantes durante o período de preparação e participação em competições desportivas devem ser justificadas mediante entrega de declaração comprovativa emitida pelo IPDJ;
IV) As provas de avaliação de conhecimentos destes alunos devem ser fixadas em data que não colida com o período de participação nas competições desportivas e podem ser fixadas épocas especiais de avaliação;
V) Têm direito à transferência de estabelecimento de ensino;
VI) Podem ser concedidas bolsas académicas a estes alunos que desejem frequentar, no País ou no estrangeiro, estabelecimentos de ensino que desenvolvam modelos de compatibilização entre o respetivo plano de estudos e o regime de treinos daqueles."