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domingo, 18 de dezembro de 2022

Com o Mundial de 2022, o negócio do futebol atinge a incongruência perfeita


"Como espectáculo, o futebol é uma maravilha que enleva multidões. Como negócio, é o exemplo mais acabado de todas as aldrabices e injustiças deste mundo. Só não vê quem não quer ver.

Comecemos pelo princípio; a Federation Internacional/Futebol Associacion (FIFA) foi fundada há 118 anos, em 1904, e inclui actualmente 211 federações nacionais (embora só existam 195 países...). Tal deve-se ao facto de reconhecer federações de territórios como Gales, Escócia ou das Ilhas Faroé — que têm cada uma as suas próprias seleções nacionais —, porque a confederação a que estão associadas (a UEFA, uma das 6 que fazem parte da FIFA) também reconhece.
A FIFA organiza o Campeonato do Mundo desde 1930 e o Campeonato Feminino desde 1991, além dos menos badalados torneios internacionais de futsal e futebol de praia. Não é tutelada por ninguém — portanto, não responde perante nenhuma entidade reguladora senão a si mesma — e as suas receitas vêm dos patrocínios. Para se ter uma ideia de magnitude, em 2018 teve receitas de 4,6 mil milhões de dólares e contava com 2,7 mil milhões de dólares de reservas.
Recuemos um pouco: os jogos em que se chutam bolas são velhos como a humanidade, mas o futebol moderno começou a ser praticado pelas universidades de elite inglesas e formalizado em 1863 — as chamadas “regras de Cambridge” — de modo a que pudessem jogar umas com as outras.
Os ingleses exportaram o futebol para todo o mundo. Em Portugal, por exemplo, o primeiro jogo ocorreu na Madeira, em 1875, organizado por um inglês que trouxa a bola da Grã-Bretanha. Em Lisboa, foram os irmãos Pinto Basto que lançaram a moda, em 1888.
O jogo era praticado por amadores, evidentemente, com o privilégio das classes altas, juntamente com outros sports, como o ténis, equitação, etc. Mas foi despertando o interesse dos “have nots”, formaram-se inúmeros clubes e surgiram equipas em associações populares.
Não há uma data determinante em que tenha passado do amadorismo para o profissionalismo. Os jogadores mais competentes e menos abonados começaram a ser pagos sub-repticiamente; a questão teve de ser encarada publicamente em 1884, quando a federação inglesa expulsou dois clubes por pagarem aos jogadores. O choque devia-se ao facto dos reguladores do desporto quererem mantê-lo amador e elitista, apenas acessível a quem não precisasse de ser pago para jogar. As mudanças laborais e industriais e a popularidade do futebol forçaram os segmentos aristocráticos e endinheirados a largar mão do controlo sobre a modalidade e permitir a profissionalização.
No final do século XIX, lá como cá, tornou-se necessário criar empresas futebolísticas para gerir a posse dos terrenos dos estádios, ao mesmo tempo que os treinadores, tendo que dedicar muito tempo ao passatempo, também passaram a receber ordenados. Quem pagava tudo isto eram as quotas dos adeptos.
O futebol era mesmo um desporto, praticado por quem gostava de jogar e sustentado por quem gostava de ver. Até que, fatidicamente — ou não, dependendo do ponto de vista — chegou a uma escala em que o amadorismo na gestão e na prática se tornaram impossíveis.
Em Portugal, tudo mudou em 1997, o ano em que foi publicada a lei que cria a figura jurídica “Sociedade Anónima Desportiva”. Os clubes que formaram SAD’s passaram a ser empresas de capital aberto, sendo as decisões diluídas entre os administradores e acionistas da empresa/clube, podemos dizer assim.
Em 2013, foi passada uma lei que essencialmente obriga os clubes nacionais a formarem SAD’s ou SDUQ’s (Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas, onde a titularidade do capital social pertence em exclusivo ao clube fundador) para poderem participar nas competições nacionais.
O caso não é grave quando o controlo da SAD está nas mãos do clube, isto é, quando o clube — e, por consequência, os seus sócios — tem mais de 51% do capital social, pois aí mantém-se soberano na gestão. No entanto, quando a SAD é controlada sobretudo por investidores, a situação muda de figura, pois cria-se um novo segmento dentro do clube que tem autonomia nas suas tomadas de decisão. O sócio deixa de ter o poder de voto como antes e as decisões do futebol do clube passam a ser dos acionistas. Com isso, as atitudes começam a seguir caminhos questionáveis e outros rumos não imaginados, como qualquer outra empresa, como aconteceu no caso do Belenenses e noutros emblemas históricos.
E assim o futebol deixou de ser um desporto, para passar a ser um negócio e um espectáculo.
1997 foi uma data marcante em Portugal, mas já há anteriormente o jogo tinha-se profissionalizado noutros países, e nunca mais deixou de sê-lo. Esta situação, acompanhada pela internacionalização de capitais e bens, levou a duas situações no mínimo estranhas: primeiro, os clubes passaram a ter donos que não eram da mesma nacionalidade e muitas vezes usavam o negócio como lavagem de dinheiro. Ficou famoso, entre muitos outros casos, o de Roman Abramovitch, o oligarca russo que comprou o Chelsea em 2003 (e só vendeu porque foi obrigado pelas sanções derivadas da Guerra na Ucrânia). Mas se formos ver a lista de proprietários dos clubes ingleses, por exemplo, a maioria são americanos, árabes e chineses! O Paris Saint-Germain, para dar um exemplo francês, pertence ao Qatar Sports Investments, que por sua vez pertence ao fundo estatal Qatar Investment Authority. Ou seja, na verdade pertence ao Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, emir do Qatar.
A segunda situação estranha (à falta de melhor palavra) é que nem todos os treinadores e jogadores das seleções nacionais nasceram no país que representam. Os treinadores não precisam de pertencer, pelas regras da FIFA. Quanto aos jogadores, podem naturalizar-se caso não tenham jogado pela sua seleção de origem — o que para muitos, nascidos em países de fome, representa um upgrade muito vantajoso.
Chegamos assim à situação surreal em que as seleções nacionais não são constituídas por jogadores ou técnicos desses países. Dependem exclusivamente da capacidade financeira das federações nacionais, ou dos clubes, para os captarem.
Voltemos agora à FIFA. Num negócio sem supervisão jurídica de nenhum órgão internacional e que mexe com zilhões de dólares — não só os patrocínios como também as transferências de jogadores e a escolha dos países organizadores — são inevitáveis as jogadas, os favores, enfim, a corrupção de todos os tipos. Basta ver que a quantidade de presidentes e vice-presidentes da organização que foram acusados de receber dinheiro e favores por fora. Alguns, como Sepp Blatter, conseguiram ser absolvidos perante a justiça por falta de provas. (Como se sabe, o mais difícil nos casos de corrupção é a necessidade do corruptor activo admitir culpa...) Mas houve ouros, como Reynaldo Vasquez, João Havelange e Chuck Blazer, que não conseguiram escapar. Ao todo, mais de 24 quadros superiores da FIFA foram acusados.
A escolha do país que organiza o campeonato é uma das decisões mais suspeitas, como foi o caso da Rússia em 2018 e, mais evidentemente, o Qatar este ano. Até Eva Kaili, vice-presidente do Parlamento Europeu, é suspeita de ter sido corrompida pela Qatar. Nunca se saberá a teia de pagamentos, compromissos e favores que levaram à escolha dum país que não tem nenhuma, mas mesmo nenhuma, razão para ser escolhido. O clima, a falta de estruturas, a ausência de tradição futebolística, o desprezo pelos direitos humanos, a humilhação das mulheres... a lista é interminável.
Só mesmo os fundos inesgotáveis do petróleo e a máquina de corrupção que o negócio de futebol se tornou justificam esta escolha.
E, por falar em Qatar, chegamos ao aspecto mais surreal a que o espectáculo chegou: não havendo adeptos dos países participantes para encher os faraónicos estádios, quer-me parecer que o Emirado pagou aos escravos que construíram esses estádios para os encherem durante os jogos. Uma promoção para eles, com certeza; depois de receberem uma miséria para amassar cimento, recebem uma miséria e mais uma camisola para assistir aos jogos e torcer por países de que mal ouviram falar.
E chegamos assim, simbolicamente, ao supra-sumo das aparências: equipes nacionais constituídas por estrangeiros, aplaudidas por claques que também não pertencem aos países que apoiam. Nos camarotes VVIP (uma nova classificação, acima de VIP) os ricos e poderosos têm ao seu dispor alta cozinha, champanhe à vontade e até quartos nas traseiras para comemorar intimamente os golos dos seus clubes, enquanto os fãs são alojados em tendas e contentores.
Não há dúvidas que chegamos ao epítome da civilização: nada é o que parece, as convicções são apenas um espectáculo, e a diferença entre muito ricos e muito pobres é a maior desde que o homem descobriu o fogo.
Se alguma vez formos visitados por uma civilização inteligente (tipo, os vulcanos) como é que lhes vamos explicar isto?"

17 de Dezembro


sábado, 17 de dezembro de 2022

Antevisão...

Catarses 3️⃣3️⃣ Mundial é quando a FIFA quiser


"Chega ao fim o mais controverso campeonato do Mundo de sempre. Disputado num país anacrónico em que o principal desporto é a corrida de camelos. Disputado num país onde o dinheiro se sobrepõe a qualquer valor humano por direito.
Disputado graças a uma teia de corrupção à escala planetária, dos pratos de migalhas para os dirigentes do futebol aos contentores de euros para os políticos de Bruxelas.
Disputado pela primeira vez no meio de uma época desportiva sem respeito pelos jogadores, cujo esforço extraordinário vai certamente prejudicar as performances das equipas no segundo semestre, e, portanto, sem respeito pela saúde da própria indústria do futebol, mantida pelos clubes e pelas ligas e não pela FIFA. Disputado em estádios faraónicos, autênticas necrópoles de trabalhadores inocentes, doravante condenados a uma vida de elefantes brancos, sem préstimo nem justificação, num país onde a média de espectadores é inferior a mil pessoas por jogo na principal liga.
Disputado num ambiente artificial de festa ecuménica, paredes meias com a repressão ideológica e religiosa que condena à morte filiados do futebol só porque defendem direitos básicos das mulheres.
Do Mundial do Catar, talvez o pior de sempre, salvaram-se os profissionais, os treinadores e os jogadores, que alguém uma vez disse, profeticamente, que são o “melhor do futebol”. Apesar do péssimo nível das arbitragens, sacrificado pela necessidade de satisfazer as clientelas regionais da FIFA.
Os jogadores deram tudo em situações adversas, para satisfazer os caprichos dos novos césares nas tribunas e para gáudio das galerias acéfalas, como na Roma do poeta Juvenal, inconformado com a hipócrita política social de distribuição gratuita de comida e acesso aos jogos dos coliseus: “pane et circenses”.
Milenar contradição essa do filósofo romano também autor da expressão “Mens sana in corpore sano”, que alguns atribuem a uma Grécia olímpica onde não se escrevia em latim, de usar a saúde dos atletas para manipular as vontades dos povos: “o único caminho de uma vida tranquila passa pela virtude”, escreveu Juvenal na sua Sátira X.
É óbvio que os dirigentes do futebol mundial não seguem os Clássicos. O próximo Mundial, em 2026 na América do Norte, será expandido de 32 para 48 selecções, o que significa que um em cada quatro países será finalista. Foi a solução proposta por Platini, primeiro, e agora por Infantino para distribuir o mal pelas aldeias, assegurando a reeleição pelo voto dos pequenos países, mas vulgarizando a um nível infra-competitivo o que era supostamente entendido como o máximo desafio deste desporto.
E porquê?
Porque a nova fórmula expandirá a competição de 64 para 80 jogos, concentrados no mesmo número de dias, quase um milagre da multiplicação, dos pãezinhos e dos circos, à razão de 120 milhões de euros por cada jogo a mais - que é o valor estimado das receitas de cada partida do Mundial para a FIFA, que, tudo somado, em 2026 deverão rondar os dez mil milhões de euros.
Ou, quem sabe, para a monstruosidade de 104 jogos em 32 dias, como a FIFA estuda agora, em função do “sucesso” do Catar, em cima de um Mundial de clubes completamente insano.
Indiferente aos avisos de sábios como Joachim Löw, para quem os “jogadores já atingiram os limites físico e mental”, e à oposição formal da Associação Europeia de Clubes, que considera inaceitável o actual calendário - Mundial é quando, como e onde Infantino quiser."

Schmidt vai arrumar a casa | SL Benfica


"Técnico alemão já deverá saber com quem não vai contar para a segunda parte da época e prepara “limpeza”.

O mercado de Inverno está aí à porta, com o habitual frenesim de entradas e saídas de jogadores. Afinam-se os motores das equipas, dão-se uns retoques aqui e ali, para que no começo do novo ano estejam melhor apetrechadas para conseguirem os seus objetivos. Na Luz, o SL Benfica prepara a afinação de um motor que esta temporada tem estado imparável e que quer continuar em altas rotações.
Perspectivam-se novas contratações para dar equilíbrio à equipa mas, acima de tudo, que venham acrescentar qualidade para atacar todas as frentes em que o SL Benfica está envolvido. Mas se uns entram, outros vão ter que rumar a outras paragens e Roger Schmidt já afirmou que vai haver alterações no plantel.
Comecemos então pela baliza. O nome de Helton Leite tem sido falado com uma das possíveis saídas já em Janeiro. O guarda-redes brasileiro não tem sido aposta do treinador germânico e já terá manifestado interesse em sair para um clube onde possa jogar com mais regularidade. A Taça de Portugal e a Taça da Liga eram as competições onde o número 77 das águias esperaria somar minutos, mas até ao momento conta apenas com uma presença a titular, no encontro da prova rainha do futebol português, frente ao Caldas SC.
Na defesa, existe a possibilidade de haver mais que uma saída. John Brooks, central norte-americano que o SL Benfica contratou em Setembro para colmatar a lesão de Morato e a saída de Vertonghen, poderá abandonar a Luz nas próximas semanas. O defesa de 29 anos, que estaria com esperanças de ser aposta regular de Roger Schmidt, não correspondeu às expectativas, mas também não contava com a ascensão meteórica de António Silva, que entrou no onze encarnado e de lá nunca mais saiu. No eixo defensivo existem ainda Otamendi, titular indiscutível, João Victor e Lucas Veríssimo, já totalmente recuperado da grave lesão que contraiu o ano passado.
Em relação às laterais, Gil Dias e André Almeida podem também ter guia de marcha. O primeiro conta apenas com 11 minutos esta temporada, e a contratação de Ristic para o lado esquerdo da defesa, veio complicar ainda mais vida ao português, que pode também atuar como extremo esquerdo. No lado contrário, André Almeida, que já faz parte da mobília da casa, poderá ter os dias contados de águia ao peito, ele que está no SL Benfica desde 2012.
Já no que diz respeito ao meio-campo, este será o sector onde à partida não deverá sair ninguém. O único que poderá deixar o ninho da águia será Paulo Bernardo, e por empréstimo, já que os responsáveis encarnados vêm neste médio de apenas 20 anos, potencial para evoluir noutro clube, à semelhança do que aconteceu com Florentino.
Finalmente, o ataque das águias poderá também ser alvo de dispensas. A possível contratação de um avançado com créditos firmados vai fazer com que alguns jogadores da frente percam definitivamente o seu espaço. Rodrigo Pinho é aquele que está mais perto da porta de saída. O avançado brasileiro nunca conseguiu agarrar o lugar e conta com poucos minutos esta época, pelo que deverá abandonar a formação encarnada no início do ano. Diogo Gonçalves, extremo direito de 25 anos, tarda em “explodir” e o seu adeus à Luz é um cenário provável. Apontou apenas um golo nos 19 jogos em que participou esta época e as suas exibições estão aquém das expetativas.
Rui Costa, presidente do SL Benfica, afirmou há dias que não vai vender os seus jogadores mais influentes, a não ser que seja pela cláusula de rescisão. No entanto, admitiu que vai fazer ajustes no plantel, e isso passa por vender alguns excedentários nesta janela de transferências que se aproxima. Resta saber se os jogadores aqui mencionados irão resistir ao frio do Inverno, leia-se, permanecer no plantel encarnado, ou se vão partir para uma nova aventura fora da Luz."

Nas últimas épocas há relatos de centenas de agressões a árbitros. Quem bate de forma violenta tem que ser violentamente castigado


"Se até eu estou cansado de falar e escrever sobre agressões a árbitros, imagino o caro leitor que, de vez em quando, lá tem que levar com uma série de vídeos a mostrar aquilo que nunca devia acontecer no desporto.
Em minha defesa, uma garantia: sou apenas um dos muitos mensageiros, não a mensagem. Importa não confundir quem condena e expõe, de quem bate e magoa.
Esta questão, eterna por cá mas também comum lá fora, parece não ter solução à vista, mas, na verdade... tem. E é bom que tenhamos consciência que este fenómeno pode ser controlado, diminuído e, quem sabe até, erradicado.
Como qualquer desafio difícil, é preciso começar ontem. É preciso pensar, planear e agir, com firmeza e consistência, ainda que isso implique navegar em águas turvas, repletas de burocracias e anticorpos.
Por muito que as estatísticas tentem relativizar a frequência com que acontecem, as agressões a agentes desportivos são sempre graves, são sempre condenáveis. Uma, dez, cem, que importa?
Bater deliberadamente em alguém, fazê-lo de forma inesperada, covarde e agressiva, é a antítese de tudo o que se espera numa atividade capaz de criar momentos fantásticos.
O desporto é nobreza. Apela ao melhor de cada um e ao melhor de todos. No desporto formam-se jovens, dando-lhes ferramentas para crescerem e serem os adultos de amanhã. É ali que aprendem a conviver, a socializar e a trabalhar em equipa. É ali que aprendem a vencer e a perder, a competir e a ser altruístas, educados e respeitosos. É ali que aprendem a ser responsáveis e líderes. É ali que treinam o corpo, a mente e a alma, tornando-se mais saudáveis e independentes. Mais aptos.
Cabe a todos nós, mas em particular às estruturas com poder, a desafiante missão de resgatar o que há de melhor nessa atividade.
Cabe-lhes a obrigação formal e moral de criarem medidas que garantam que quem compete se sinta feliz e seguro. Acima de tudo, seguro.
Quando isso não acontece, falham todos.
Falha o adepto que perde a cabeça e agride o atleta ou o treinador. Falha o jogador que sucumbe à pressão e atinge o árbitro a soco ou a pontapé. Mas falham sobretudo aqueles que, podendo e devendo, não tiveram capacidade de evitar que isso acontecesse.
Nas últimas épocas há relatos de centenas de agressões a árbitros. Centenas.
Muitas levaram jovens às Urgências, às enfermarias e a consultórios de psiquiatria. Muitos tiveram que ser suturados. Muitos foram sujeitos a intervenções cirúrgicas. Vários ficaram marcados para sempre, no corpo e na mente. A maioria abandonou a carreira. Quem pode censurá-los?
Meus amigos, isto não é normal. Não no meu país, que por vezes parece incentivar e permitir tudo isto.
Incentiva através de alguns exemplos vindos de palcos maiores que deviam ser referência oposta. Permite pela sensação de impunidade que continua a passar para o exterior.
Quem bate de forma violenta tem que ser violentamente castigado. Nada contra o homem ou contra a pessoa que tem um gesto para esquecer. Tudo contra o autor material de um momento tresloucado. Esse tem que ser responsabilizado e punido exemplarmente pela justiça desportiva e civil.
Quando a sensibilização e a prevenção não funcionam, a sanção pesada é a única forma de dissuadir atos destes.
A pergunta que se impõe é muito simples:
- Perante as sete agressões do passado fim de semana (um dos agredidos tinha 15 anos, outro 17) e tantas outras antes dessas, quando é que federações, associações de futebol, ligas, sindicatos e poder político vão reunir-se para propor implementação efetiva de medidas mais restritivas?
Que mais tem que acontecer para vermos avanços nessa área? É preciso que um árbitro fique desfigurado? É preciso que perca a vida?
Temos uma oportunidade de ouro de fazer algo que raramente fazemos por cá: andar à frente do problema. Antecipá-lo. Preveni-lo. Resolvê-lo.
Coragem, independência e atitude.
Atuem já, por favor."

A Verdade do Tadeia #709 - O caminho da sucessão

Águia: Seleção...

Águia: Diário...

Rabona: Predictions Final...

Terceiro Anel: Dia 19

Catarses 3️⃣2️⃣ Uma tragédia à grega


"O fim de Fernando Santos, o nosso “el Greco”, à frente da seleção portuguesa, é o epílogo de uma tragédia de final anunciado, um borrão para quem a maior dificuldade da arte foi sempre atingir a perfeita harmonia plástica através da paleta futebolística à sua disposição.
E talvez o leve de volta ao Partenon e ao encontro dos “parakaló” calorosos de quem mais gostou dele, a Grécia, tão mais grata e influente na sua vida de treinador de futebol.
Enquanto esperamos pelas explicações e justificações dos outros protagonistas desta história - sobretudo Cristiano Ronaldo e Fernando Gomes, bem menos assertivos do que o achista Marcelo Rebelo de Sousa, que o comentou em direto nas televisões 32 minutos antes do anúncio formal da Federação -, situemos a ação dramática nessa pátria da filosofia e da compreensão humana.
E cada um dos “hipokrytes” (intérpretes) nos perfis dos três pais da tragédia grega - que foi o primeiro grande espectáculo de massas, para mais de 15 mil pessoas, no anfiteatro de Dionisio, o estádio panatenaico do teatro.
Fernando Santos podia ser um Ésquilo, encenador do enredo, muito estrito na sua crença e estética teológica, em obediência à moral do destino e à ortodoxia do trabalho: “Deus ajuda aqueles que se esforçam”.
Em Cristiano Ronaldo vejo um Sófocles, artista ufano de dezenas de vitórias nos campeonatos dramáticos, introduzindo a influência do “coro” como pressão externa para sublinhar o conflito em palco, sempre à procura de roubar o protagonismo, no limiar dos caprichos divinais: “nenhum inimigo é pior do que um mau conselho”. E, finalmente, um Fernando Gomes como Euripides, privilegiando o realismo e desconsiderando a irracionalidade dos deuses, tendo introduzido em palco a bombástica “deus ex-machina” para detonar a explosão final perante o impasse da história: “questiona tudo, entende o principal e nada respondas”.
Três frentes de uma guerra surda, que escondem motivações e estratégias, atrás de declarações formais e estereotipadas, com menos respeito pelos espectadores, de acordo com outro axioma de Ésquilo segundo o qual “na guerra, a primeira vítima é a verdade”.
Foi do pensamento de qualquer um destes dramaturgos originais, que retiramos orientações à medida das equipas de futebol conquistadoras, organizadas e determinadas, tão básicos princípios como “a felicidade exige esforço” ou “a obediência é a mãe do sucesso”.
As tragédias gregas também se compunham de três partes distintas como a vida de uma equipa de futebol, acabando invariavelmente na desgraça ou na redenção dos protagonistas:
Prólogo: a fase de conhecimento e apresentação em que se desenham os objetivos; Episódios: os jogos e peripécias dos protagonistas que incluem os comentários, as interpretações e as interpelações dos jornalistas (coro);
Êxodo: o final dramático e marcante em que o herói recebe a sentença divina. Uma seleção nacional de futebol emula as famílias nobres em que se desenrolavam as tragédias que apaixonavam os gregos. Formadas por seres humanos que, pela sua posição social e actividade profissional, se colocam em pedestais e palcos de enorme exposição à crítica, nem sempre pelas melhores razões.
Uma grande parte dos enredos dramáticos eram atenuados por finais cómicos ou, pelo menos, surpreendentes do ponto de vista cénico para atenuarem a carga dramática da trama que, normalmente, mexia com a justiça e a coerência dos deuses. Desfechos de reconciliação ou de castigo, mas definitivos para a vítima, perante a necessidade de mexer em alguma coisa para que, certamente, tudo fique na mesma.
E agora, como diria Fernando Santos, no seu grego moderno: “Antío kai efcharistó” Adeus e obrigado."

Saltillo II


"O resultado da falta de liderança na FPF saltou à vista de todos durante este Campeonato do Mundo.
Um DESASTRE, foi pelo que se saldou a participação de Portugal no Catar.
Consequências para Fernando Gomes: Nenhumas até ao momento. Explicações ao povo português: Nenhumas até ao momento.
Basta! Basta desta pouca vergonha! Basta de uma FPF ser gerida ao sabor e vontades de um jogador!
Queremos mudanças na Federação Portuguesa de Futebol."

Lionel Messi: vi jogar


"É uma das minhas histórias preferidas do Mundial e nem sequer aconteceu (ou vai acontecendo) em Doha. Então é assim: quando se transferiu para o Boca Juniors e viu a plata a entrar-lhe bolsos adentro, Diego Maradona tirou os pais da vida insalubre que levavam na Villa Fiorito, bairro de má fama nos arrabaldes de Buenos Aires, e comprou uma casa em Villa Devoto, onde Don Diego, o pai, e Doña Tota, a mãe, se permitiram finalmente a um dia a dia de classe média.
A casa, número 4575 da calle José Luis Cantilo, caso o caro leitor queira lá dar uma passada, ficou na família até à morte do Barrilete Cósmico, em 2020, e acabou comprada por três irmãos. Não se sabe quem são, mas eles sabem que a sua propriedade faz parte de um legado comum de amor por Diego, o mais malabarista dos futebolistas. E quando assim é, torna-se obrigatório abrir portas, partilhar.
Durante este Mundial, a casa tem estado de portas escancaradas a quem quer entrar para ver os jogos da Argentina. Fazem-se festas alvicelestes. Não se perguntam nomes, quem são as pessoas, se conhecem os donos: entra-se e pronto. E ontem à noite não pude deixar de pensar como ali se terá vivido aquele slalom messiânico ao minuto 69, quando Lionel, a encarnação em campo mais perfeita de Diego, arrancou por ali fora, com a bola num beijo interminável com a bota, pela direita como Maradona em 86, e driblou uma, duas, três vezes o melhor central deste Mundial, Josko Gvardiol, que aos 20 anos terá percebido ali que a diferença entre o céu e o inferno pode ser um génio de um metro e sessenta e nove a dançar à nossa frente.
Aos 35 anos, Messi continua a guardar as forças que lhe restam para três ou quatro momentos celestiais e neste Mundial tem pintalgado os jogos da Argentina com esse pó estelar de que são feitos os sonhos. Isso chega para nos maravilhar, passados todos estes anos. No domingo, jogará a sua segunda final de um Mundial e nunca esteve tão perto de se desamarrar das comparações a Diego. Mas, aconteça o que acontecer, abata-se ou não sobre ele o fantasma da derradeira oportunidade perdida, um dia vamos todos poder dizer, Lionel Messi: vi jogar.
Hoje, à noitinha, Messi saberá quem terá pela frente na final de domingo, França ou Marrocos. Um duelo com Mbappé elevaria o estatuto do jogo a acontecimento essencial para o presente e futuro do futebol, um desses alinhamentos cósmicos que marcam a história das coisas. Seria forte, muito forte."

O meu nome é Luka


"Aveludado nos pés, totémico no quão representativo é na Croácia, a história de Luka Modrić, um futebolista indescritivelmente talentoso pelas tropelias com que doma uma bola, fá-lo ser um paradoxo. Também uma improbabilidade. Teve uma infância montanhosa, em criança perdia-se na contagem de tempo com o avô em Zaton Obrovacki, aldeia onde o pai do seu pai cuidava de ovelhas, cabras e galinhas, caçando nos tempos livres. Há fotografias de Luka ainda gente de palmo e meio, no meio da neve, agarrado a uma espingarda maior do que ele, ao lado do avô, de boina e casaco de caçador, ambos rodeados por neve.
Não muito longe dali, o sexagenário com quem partilha o nome foi morto por forças sérvias, varrido por uma ronda de metralhadora a poucas centenas de metros da porta de casa. Luka recorda-se do avô deitado num caixão aberto, de o pai lhe dizer para o beijar e fugir com a família para Zadar, junto ao mar, onde se diz que Ernest Hemingway viu o mais bonito fechar de persiana do sol. E Luka lembra-se do Hotel Kolovare, o improvisado centro de refugiados na cidade, onde jogava à bola no parque de estacionamento e a agarrava mal soassem as sirenes a urgir as pessoas a acudirem aos abrigos subterrâneos. “Aqueles assobios terríveis seguidos de uma explosão” também lhe estão na memória, quando o pai já tinha sido chamado a combater na Guerra da Independência da Croácia (1991-95).
Depois há as fotos de Modrić com uma bola de gomos brancos e pretos, das clássicas, com idade de ainda nem sequer dominar a fala. Dele fardado à militar, abraçado ao pai e ao tio quando cumpriu o serviço obrigatório. E hoje há as imagens das sobras, captadas por quem visita o país em paz e vai à aldeia onde Luka cresceu para fotografar a casa do avô em ruínas, com crateras de artilharia e e engolida por vegetação, ladeada por um sinal de “não se aproximem” devido ao perigo de minas. As pessoas lá acorrem, curiosas, julgando presenciar o lugar onde o pequeno dínamo de inspiração viveu, mas não, ele ali sobreviveu, dali ele escapou. Viver seria apenas mais tarde.
Pulando no tempo, a história do capitão da Croácia é como a de incontáveis outros croatas. Nascido em 1985, nunca chegou a pegar em armas, mas lutou contra a história que forjou um país e, diretamente, várias gerações. O Luka Modrić que ainda perdura com o seu ondulado e loiro cabelo, riscado ao meio desde sempre, veio da brutalidade da guerra e tantos anos depois ainda não mostrou aos três filhos a casa do avô, a essa tríade de descendência que saltou para o campo a abraçá-lo quando ele prevaleceu, uma vez mais e diante do Brasil, com a seleção que parece resistir mais do que joga.
Os croatas são paradoxais como Luka. Vêm de um país nem com quatro milhões de pessoas, pequeno em tamanho e em gente, embora repetente na proeza futebolística de estar, pelo segundo Mundial seguido, nas meias-finais, a tentar replicar a presença na final conseguida há quatro anos. Na Rússia, ultrapassaram dois prolongamentos com penáltis à sobremesa, no Catar já imitaram esse filme contra japoneses e brasileiros. Lá estavam os 37 anos de Modrić, dono de um dos QI’s futebolísticos mais avançados e proprietário dos necessários pés aveludados para o evidenciarem com uma bola, a batalhar e a lutar, a enganar-nos mais um pouco, fazendo crer que é possível passar a perna ao tempo.
Ele e o Lionel Messi, com os seus 35, colidem hoje na primeira meia-final do Mundial que será um forçado render da genialidade para alguém. O berço do argentino nem se aproxima de balas, armas ou disparos, o esqueleto da sua história é feito de anonimato, hormonas de crescimento e um crónico tímido em quem a família apostou o futuro do outro lado do Atlântico, longe das agruras de um rapaz croata que aos 10 anos, na escola, versou sobre granadas e a morte do avô quando o professor pediu aos alunos que escrevessem uma história. “Apesar de ainda ser muito pequeno, já vivi muito medo na minha vida”, redigiu no papel, como contou, há anos, ao “The Guardian”.
Luka Modrić já era vice-campeão mundial e vencedor da Bola de Ouro de 2018. Hoje ainda é o predominante médio ić a suster a resistência croata, à sua volta gravitam Brozović e Kovacić e atrás está Joško Gvardiol, prodígio defensivo que corta tudo o que o trio no miolo deixa passar. Terão de lidar com o derradeiro obstáculo para o reencontro com a proeza, a Argentina é uma seleção a urgir-se na superação em prol do derradeiro tango da sua lenda, mas o tanto que merecidamente dedicamos a louvar Messi tem roubado louros a Luka, um futebolista incrível, um tenor a cantar com os pés no meio de tantos batuques de percussão que vão resistindo a tudo.
Zvonimir Boban, o primeiro capitão da Croácia que alcançou as ‘meias em 1998, confessou ao “New York Times” não saber “como chegou à cultura” croata o facto de o povo sempre achar que são melhores do que qualquer outra seleção, seja qual for. A explicação pode estar em tantos terem sobrevivido a uma guerra e hoje quase todos viverem com memórias dela."

O Benfica Somos Nós S02E33 - Sevilha...

No Qatar, como um avô


"“No meu tempo, não era assim”, dizem os experientes saudosistas, desdenhando os mais jovens que vêem o mundo de forma diferente. Quando o tom é condescendente, nunca é bom ouvir isso.
Mas este Mundial 2022 colocou-me, ainda antes dos 30 anos, a ser o condescendente e até paternalista velho do Restelo que não compreende que raio faz a juventude. E que raio faz a juventude?
Estávamos com 12 minutos de Brasil-Coreia do Sul. Neymar ia bater um penálti. No Brasil, loucura à frente dos televisores por parte de quem adoraria estar no estádio 974. No Qatar, na bancada central, alguns sortudos assistem ao momento... no ecrã.
Dias depois, estávamos com 34 minutos de Argentina-Croácia. Messi ia bater um penálti. Na Argentina, loucura à frente dos televisores por parte de quem adoraria estar no estádio Lusail. No Qatar, na bancada central, alguns sortudos assistem ao momento... no ecrã.
Porquê? Não sei. Mas fazem-me sentir avô.
No caso do jogo do Brasil, eu nem me tinha apercebido do fenómeno. “Olha para estes gajos a verem o penálti do telemóvel”, apontou-me um colega jornalista.
No jogo da Argentina, eu já estava de olho na bizarria. Enquanto Messi se preparava para bater, cheguei a fotografar os gaiatos – não há palavra mais "avô" do que esta –, mas apaguei a fotografia quando limpava a galeria ontem à noite – lá está, como um bom avô.
Para estes jovens, poderem oferecer o penálti aos seus seguidores das redes sociais ou gravarem o momento para verem mais tarde era mais excitante do que terem os olhos em Neymar e Messi, para apreciarem o momento.
Faz sentido? Talvez faça, não sei bem. Mas já tenho maior dificuldade em aceitar os dois que vi a seguirem o penálti na transmissão que passava nos respectivos telemóveis. Não estavam sequer a filmar, estavam a ver o jogo no telemóvel. Ninguém me contou, vi eu.
No meu tempo, não era assim. Palavra de avô."

Segunda...

16 de Dezembro


sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Vitória no Luxemburgo...

Diddeleng 59 - 72 Benfica
15-18, 18-19, 14-16, 12-19

Mesmo com algumas ausências, voltámos às vitórias, no Luxemburgo, com muitos benfiquistas nas bancadas...

Com o 1.º lugar do grupo já garantido antes desta partida, já sabemos que nos 16 avos de final, vamos defrontar as Espanholas do Cadi La Seu, a 5 de Janeiro... A recuperação da Compal, da Alves, da Trehub ou da Huff, será importante...

Pesado...

Benfica 2 - 6 Barcelona


Nova derrota, pesada, numa partida onde desperdiçamos 2 penalty's(!!!) e ainda ficou outro por marcar, num atropelamento à Amado!!!

Entrámos com demasiado medo e voltámos a sofrer um golo demasiado cedo... Contra uma equipa com um dos maiores orçamentos do futebol feminino, com alguns detalhes corrigidos, até podiamos ter discutido o jogo de outra forma...

Golaço #135 - La Coupe du Monde 2022 sonne le glas de l'ère Santos

Modalidades #108 - Semanada...

Lutar pela vitória


"Hoje há jogo da Liga dos Campeões de futebol feminino frente ao poderoso Barcelona. A qualificação para os oitavos de final é difícil, mas ainda está em aberto. Este é o tema em destaque na News Benfica.

1
Frente a um dos favoritos a vencer a Liga dos Campeões, o Barcelona, a nossa equipa procura deixar uma boa imagem, embalada pelos dois triunfos consecutivos na prova ante o Rosengard.
Para Filipa Patão, tendo como pano de fundo o desaire da primeira jornada na Catalunha, "o nosso dever é deixar uma imagem diferente. A estratégia passa por conseguir mostrar o que temos crescido e evoluído, sabendo do poderio do Barcelona". A nossa treinadora confia no plantel que tem à disposição: "Tenho a certeza que as jogadoras vão dar uma excelente resposta no jogo."
Quanto à continuidade em prova após a fase de grupos, Filipa Patão revela ambição: "Vamos centrar-nos no que podemos controlar, que é o nosso jogo, e queremos deixar tudo em aberto para a última jornada."

2
A guarda-redes Rute Costa também anteviu a partida e partilhou o sentimento prevalecente no balneário: "Enquanto houver a mínima possibilidade, vamos sonhar e acreditar que haverá oportunidade de continuar a fazer história."
O jogo é no Benfica Campus e tem início agendado para as 20h00. Apoie a nossa equipa!

3
No basquetebol feminino temos mais uma partida da fase de grupos da EuropeCup Women, sendo que o apuramento para a fase seguinte já está assegurado. O jogo é no Luxemburgo, frente ao T71 Diddeleng, às 19h00 (Portugal Continental).

4
Depois do defesa António Silva, foi a vez do médio Enzo e do avançado Gonçalo Ramos serem eleitos, pelos treinadores, os melhores da Liga nos meses de outubro e novembro.

5
A nossa equipa de basquetebol sofreu ontem a primeira derrota no Campeonato Nacional, mantendo, no entanto, a liderança da prova. O jogo com o Sporting foi pautado pelo equilíbrio, só ficando decidido perto do apito final e com o marcador a sorrir ao nosso adversário (90-93).
Norberto Alves reconheceu mérito ao adversário e lembrou o calendário intenso da nossa equipa, indicando a questão física como fundamental no desfecho da partida: "Sentimos que não estávamos com energia, cansados, o jogo com o FC Porto foi muito próximo, não houve tempo para descansar."
Veja o resumo do jogo no site oficial.

6
São muitos os jogos ao longo dos próximos dias, entre os quais se destaca o regresso à competição da nossa equipa masculina de futebol, com a deslocação a Moreira de Cónegos na última jornada da fase de grupos da Taça da Liga (sábado, 19h00). Consulte a agenda, aqui."

O dilema do capitão | SL Benfica


"Nicolás Otamendi reforçou o Sport Lisboa e Benfica no início da temporada 2020/21, seguindo o percurso inverso de Rúben Dias, que seria vendido ao Manchester City. A chegada de Otamendi ao clube não foi muito bem recebida pela generalidade dos benfiquistas, não só pelo seu passado num clube rival, mas também porque este reforçou o clube já numa fase avançada da sua carreira, na qual muitos adeptos (eu inclusive) questionavam se seria capaz de acrescentar mais-valia à equipa.
O percurso de Otamendi no clube encarnado não começou bem, tendo cometido vários erros que viriam a custar golos sofridos à equipa. Outra questão que não foi do agrado dos adeptos foi o facto do central argentino ter sido o jogador no Benfica que menos jogos precisou para ostentar a braçadeira de capitão, ao assumir a mesma na segunda parte do jogo contra o Lech Poznan a contar para a Liga Europa, o seu terceiro jogo oficial de águia ao peito.
Mas a verdade, é que apesar de duas épocas péssimas a nível desportivo, o central internacional argentino foi um dos jogadores mais regulares da equipa nesse período, tendo conseguido conquistar o respeito dos adeptos. Mas mais importante que isso, Otamendi mostrou ser o capitão que faltava à equipa desde a retirada de Luisão.
Com a chegada de Roger Schmidt ao comando técnico da equipa, uma das questões que se colocou acerca da construção de um plantel à medida das ideias do técnico alemão, era de que era necessário renovar o centro da defesa, visto que não se poderia colocar uma equipa a jogar de forma agressiva e com as linhas subidas com dois centrais lentos e envelhecidos. Posto isto, muitos benfiquistas defendiam que era imperativo que entre Otamendi e Verthongen, pelo menos um deles teria de ser vendido.
A fava acabaria por calhar ao central internacional belga, que viria a deixar o Benfica à beira do fecho do mercado, depois de ficar tapado pelos jovens Morato e António Silva. Enquanto isso, Otamendi continua a ser titular indiscutível tanto no Benfica (tendo já chegado aos 100 jogos de águia ao peito), como na selecção argentina, rubricando exibições de grande nível.
Porém, fazendo 35 anos em Fevereiro e terminando contrato no final da temporada, muitos benfiquistas questionam legitimamente se ele será capaz de manter este nível a médio prazo. Ainda para mais, jogando numa posição na qual o Benfica tem o futuro salvaguardado, com a presença de António Silva, Morato, Lucas Veríssimo, João Victor, tendo ainda Tomás Araújo emprestado ao Gil Vicente FC.
No entanto, Lucas Veríssimo vem de uma lesão gravíssima; Morato lesionou-se após um início de época muito bom; João Victor chegou lesionado e ainda teve poucas oportunidades para se mostrar, enquanto Tomás Araújo tem sido suplente no emblema gilista. Portanto, existe ainda muita incerteza face às alternativas existentes no plantel.
Por outro lado, Nicolás Otamendi continua a mostrar-se como um líder dentro e fora de campo, algo que já faltava à equipa há alguns anos. E perante a falta de referências que ainda existe no plantel, o Benfica também corre o risco de perder aqui alguém que exerce esse papel na perfeição.
Até ao final da época, haverá coisas que ainda poderão mudar. E a volatilidades das circunstâncias fará com que esta seja uma decisão que tem de ser muito bem ponderada. E, acima de tudo, os dirigentes do Benfica não podem tomar esta decisão, deixando-se condicionar pelos erros do passado."

Falar Benfica #93

O Brinco do Baptista #105 (parte 1) - A Palavra é Vermelha

For sale!!!


"Cada bilhete custa cerca de 3 mil euros. O senhor Macaco, sem qualquer pudor ou vergonha na cara, mostra que tem 10 bilhetes para vender, ou seja, 30 mil euros. Questionamos como é que um sujeito que declara 500€ mensais tem dinheiro para isto.

É o descalabro e impunidade total. Esperamos que a Federação Portuguesa de Futebol não tenha dedo nisto, porque se tem, todos os envolvidos têm de ser corridos, e rapidamente.
Chega de gozarem com os portugueses!"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Catarses 3️⃣1️⃣ Mãe-África


"Nunca a expressão “Mãe-África” fez tanto sentido como neste dia da meia-final do Mundial entre França e Marrocos, a primeira com uma seleção africana. Ou melhor: com duas.
Uma recheada de jogadores filhos ou netos de africanos, contra outra com mais de metade de internacionais nascidos noutros continentes - todos orgulhosos e vinculados às respectivas raízes.
Muitos povos em luta social e política contra o estigma do colonialismo irmanaram-se fervorosamente nos últimos dias aos 40 milhões de marroquinos no sonho de celebrar a simbologia de um triunfo à escala mundial sobre os pesadelos da opressão e da escravidão que esteve na sua génese. No Brasil, chamaram-lhe “Brarrocos”.
Marrocos apresentou-se com africanos naturais do Canadá, de Espanha, de França, dos Países Baixos, da Bélgica e de Itália.
França com europeus oriundos da Argélia, Congo, Benim, Camarões, Guiné-Bissau, Angola, Mauritânia, Costa do Marfim, Mali e do próprio Marrocos.
Todos nascidos dessa grande, terna, forte e incansável mulher africana, lutadora, trabalhadora e sustentáculo das famílias, como as homenageadas no relvado de Doha pelo “espanhol” Hakimi, filho de Fatima, e pelo “francês” Boufal, filho de Zoubida, após a vitória sobre Portugal.
“Viemos ganhar por África, pelos países que estão em desenvolvimento” - assumiu o seleccionador marroquino, Walid Regragui, ele próprio nascido perto de Paris em 1975, apenas um ano depois de as seleções africanas terem sido admitidas pela primeira vez no torneio da FIFA.
Após se ter coroado novo Califa do Al-Andalus, com as suas vitórias sobre Espanha e Portugal, Regragui desvendou a mudança psicológica que pode vir a mudar a mentalidade das equipas de África para sempre, uma atitude que reflete, precisamente, a rejeição dos seus 14 jogadores nascidos fora de Marrocos ao rótulo da “ingenuidade” do futebolista africano “puro”:
“Há uma ideia baseada na nostalgia preconceituosa de que os africanos precisam ser ingénuos, atacar com tudo, ou então não prestam”.
O “regraguismo”, que promete alastrar a todo o continente como um grande movimento motivador de referência, começando por reinvindicar mais do que os cinco lugares atuais nos finalistas dos Mundiais, sofre todavia de uma patologia crónica que dificulta essa unidade, um paradoxo de ordem racista, uma idiossincrasia à escala continental: muitos povos e países da chamada África negra não se revêem nos países do Magreb e estes, politicamente, estão muito mais virados para a Europa do que para Sul.
O sonho marroquino terminou quando já não era possível ir mais longe, com a derrota inevitável em campo frente a um adversário muito superior, sem margem para o triunfo do romantismo sobre a experiência e o pragmatismo dos franceses. Um jovem “congolês” nascido na cosmopolita Île-de-France, Kolo Muani, ditou a sentença final à seleção africana que mais alto chegou num campeonato do Mundo. Foi o futebol, em campo, a ratificar sem margem para dúvida a crescente e decisiva influência deste pan-africanismo moderno, em que todos se sentem irmanados por uma matriz comum, independentemente das nações onde nasceram. Mas igualmente e em simultâneo a lei do mais forte, ainda (e sempre?) um país europeu com todo o poder de convencer e reter os melhores talentos.
Além disso, este histórico desafio em marcha à escala transcontinental tem de se haver ainda com um adversário de peso, que é a própria rivalidade a sul e a norte do Sahara.
Quando o continente foi chamado a organizar o Mundial de 2010, um dos “slogans” da candidatura vencedora, da África do Sul, apoiada pelos países sub-saharianos, foi “África somos nós”, marcando uma evidente e profunda distância e diferença relativamente à concorrência de países como Marrocos, Líbia, Tunísia ou Egipto. E esta questão ancestral não se resolve, tão simplesmente, apenas com a melhor classificação e exibição de sempre de uma seleção africana.
Talvez só com todo o amor das mães de África."

A Verdade do Tadeia #708 - Avança a França, cai Marrocos

Rabona: France...

15 de Dezembro


Benfica FM - Edcarlos, especial Natal!!!

5 magníficos centrais do SL Benfica


"Ingrata será sempre a selecção dos cinco melhores de qualquer posição no relvado de futebol de qualquer clube, assustador é fazê-lo tendo que filtrar os magníficos que compõem a extensa História do SL Benfica, um percurso recheado de sucessos arrebatadores e um chinfrim de talentos ensurdecedores na prática harmoniosa do futebol.
Nos defesas-centrais então há muito por onde escolher, que ao volume ofensivo que se fez tradição como imagem de marca dum jogo á Benfica, é necessário segurança na rectaguarda para soltar os artistas endiabrados do ataque à baliza oposta.
Felizmente para nós, alinha-se no firmamento uma clara linha sucessória de impenetráveis líderes defensivos, líberos que se expressaram desmesuramente como os melhores da Europa nos relvados da antiga e nova Luz e que, por força da própria evolução tecnico-tática do futebol, se foram substituindo de forma que, se não é propositada, assim nos deixa a dúvida de tantas conveniências cronológicas: quase que imediatamente, quando um abandonava surgia outro, tão parecido nas aparências do talento, mas tão progressivo no estilo, que permitiram através das suas expressões futebolísticas perceber o desenvolvimento da posição, em tempos tão arcaica e simplista e hoje vital na obtenção da eternidade para uma equipa.

1.
1 Campeonato Nacional, 4 Taças de Portugal, 1 Taça Latina
188 jogos (1944-53)

Félix Antunes – Também apelidado de “O Pantufas”, sobre o talento de Félix se disse e se tem dito, décadas fora, que suplantava os maiores – mais populares, vá… – nomes do sector defensivo que o futebol português já viu. Coincidentemente, estreou-se na selecção no mesmo dia que se despedia Feliciano, a lenda belenense campeã nacional de quem muito se distanciava do estilo áspero de jogar futebol – e, na partida seguinte ao último jogo de Félix com a camisola das Quinas (o 9-1 em Viena no recital de Ocwirk) estreava-se Germano de Figueiredo, a grande referência da época dourada do futebol nacional. Félix foi, portanto, um marco de transição entre o estereotipado central duro e rezingão dos primórdios e o central moderno, astuto no corte e irreverente no trato de bola, o pioneiro nesse estilo mais arrojado de futebolista que, ostentando todos os argumentos técnicos dum playmaker, preferia distanciar-se dos palcos de decisão, junto da baliza adversária, e assumia ele as rédeas da primeira ideia do conjunto, do primeiro esboço do ataque colectivo ainda no próprio meio-campo. Isto, pode-se facilmente imaginar, foi revolucionário nos anos 40.
Era tão dotado tecnicamente que, claro, iniciou carreira mais à frente, como interior ou médio centro no WM da moda. Jogava nos Unidos, a filial da CUF, e o Benfica não tardou em descobri-lo. Janos Biri, o mago húngaro antecessor de Béla, inventou-o como defesa-central – estávamos em 1948-49. Foi uma loucura geral. Àquele Benfica, que vivia ainda na sombra dos 5 Violinos, chamava-se muitas vezes Sport Lisboa e Félix – não sendo dificil imaginar porquê – e quando Peyroteo saiu, no final dessa época, viveram-se momentos de pânico em Alvalade: não havia substituto credível. Ao fim de algumas experiências lá se descobriu a solução quase perfeita na adaptação de João Martins, mas era tarde demais – nesses entretantos, já o Benfica tinha aproveitado para agarrar o primeiro lugar, conquista de 1949/50. Título que permitiria disputar a Taça Latina, ganha com todo o esplendor e com exibições memoráveis de Félix, que se diz ter encantado a Europa.
Voltemos aos tais 9-1 de Viena, a catástrofe na qualificação para o Mundial de 1954 (onde essa Áustria seria medalha de bronze). Félix é castigado pela FPF por supostos comportamentos erráticos no estágio de preparação e nas viagens de ida e volta.
Joaquim Ferreira Bogalho (presidente do Benfica e o ‘pai’ da Antiga Luz) herda as dores dos responsáveis federativos e quando volta a ver Félix em Lisboa dá-lhe novo castigo e nova multa: um conto. Um balúrdio. Frustra-se Félix, sente-se injustiçado pela facilidade com que é alvo apesar do estatuto. Os jogos que se seguem correm-lhe mal, há ecos de facilitismos do central, fagulhas que ateiam finalmente a fogueira que seria aquele jogo – 18 de Outubro de 1953 – nos Arcos (o pré-Bonfim), no qual o Vitória setubalense dá 5-3 ao Benfica – e Félix é feito culpado dos cinco golos sofridos, à boleia de muito exagero.
No balneário, a versão mais comum diz que atira a camisola do Benfica ao chão e a pisa, justificando que Ferreira Bogalho o irradie enquanto jogador de futebol do Benfica. Alberto Miguéns conseguiu interpretação ímpar sobre o processo, explicando bem os porquês: naquela fase de transição entre o semi e o profissionalismo à séria, havia um meio-termo que era bomba relógio no balneário.
Uma paz podre onde os que chegavam recebiam enormidades em relação aos atletas mais antigos, que nunca tinham oportunidade de renovar vínculos contratuais e precisavam doutro emprego para sobreviver. Era necessário um golpe ‘político’. Sobretudo um pretexto para desatar aquele nó. Em 1953 sai Félix, em 1954 sai Rogério Pipi – também empurrado pela urgência do profissionalismo -, sai Arsénio, sai Francisco Moreira. Foi a lenda Félix a mais duradoura – utilizada como propaganda de justa lição de benfiquismo, que ninguém pode estar acima do símbolo. Félix seria sacrificado em prol duma causa maior.
Muito à frente do seu tempo, o primeiro grande central moderno do nosso futebol numa era em que a televisão era ainda um milagre longínquo para a realidade portuguesa – e por isso pouca justiça se faz ao seu nome e ao seu talento.

2.
4 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal, 2 Taças dos Campeões Europeus
138 jogos (1960-67)

Germano de Figueiredo – Voltamos à conversa dos 9-1 em Viena e do jogo de volta, um 0-0 no Jamor, que é onde Germano de Figueiredo se estreia na selecção – exactamente o jogo a seguir ao último de Félix, ninguém imaginando naquela altura o simbolismo da coisa. Germano tinha 21 anos e dava cartas na Tapadinha com a camisola do Atlético, recém-formado da fusão entre Carcavelinhos e União de Lisboa. Isto em 1947, e é nesse ano que o senhor Germano se inscreve nas camadas jovens do clube – entrando para guarda-redes, também certamente nunca pensando que seria nessa posição que alargaria a dimensão já colossal da sua lenda, quase duas décadas depois.
Guarda-redes começou, avançado foi pela predisposição para domar a redondinha e tratá-la melhor que qualquer fantasista – a defesa-central se fixou por influência do seu ídolo (Carlos Baptista, referência da posição no Carcavelinhos) e adivinhem quem o estreou como esteio defensivo na primeira equipa? Sim, o mesmo que descobriu Félix como número 4, Janos Biri. Coincidências…
Até chegar ao Benfica na viragem da década, com 27 anos, muito penou senhor Germano. A doença – uma pleurisia líquida – retirou-o dos relvados entre 1955 e 57. Recuperou, sacou a II Divisão liderando de braçadeira o seu Atlético já depois de ter caído por terra a oportunidade de ir para Alvalade. Béla Gutmann é campeão em 1959-60, vai buscá-lo e torna o Benfica campeão europeu no ano seguinte. E no outro. Sempre com Germano em destaque, pelas qualidades de liderança além das técnico-táticas. Em 1965, mais uma final – em San Siro, contra o Inter de Helenio Herrera. Jair marca aos 57, Costa Pereira é obrigado a sair no seguimento – Germano, lembrando as origens, volta á linha de golo e mete as luvas. Em meia-hora, três grandes defesas e a tranquilidade tão característica, ganha à custa de vida dificil – aos onze anos fica sem o pai, aos 14 sem a mãe – e duma curiosidade insaciável na procura do conhecimento. Era um homem culto. Mário João, colega de defesa na época dourada, chamava-lhe “Mister Book”. Eusébio dizia que, enquanto ele e outros liam o jornal, Germano agarrava-se aos livros calhamaço, “com mais de 500 páginas”…
Foi o capitão dos magriços e é já como adjunto de Otto Glória que participa na final da Taça dos Campeões de 1968 (contra o Manchester de Charlton e Best). Depois, o silêncio e a seclusão, longe dos holofotes da fama – o que só lhe aumentou ainda mais a lenda…

3.
8 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal, 1 Supertaça
498 jogos (1968-76 e 1977-84)

Humberto Coelho – A evolução perfeita de Félix e Germano, Humberto imitou-lhes as melhores características e adicionou um monumental jogo de cabeça, evitando tão bem golos como os fazia na área contrária: marcou 79 (!) nos 15 anos que passou pelo Benfica, uma enormidade dado que a sua principal função sempre foi defender – e como líbero sempre jogou, só subindo à área contrária quando as circunstâncias o exigiam.
Se Félix foi descoberto pela Europa naquela Taça Latina e Germano assumiu protagonismo nos anos dourados do futebol nacional, Humberto continuou essa tendência e assumiu-se definitivamente como ‘O’ defesa luso de prestígio internacional, uma presença mediática numa altura em que a própria venda da imagem dos protagonistas do jogo se começava a transformar no panorama ofuscante do século actual. O “Beckenbauer Português” chegou ao zénite da fama primeiro em 1981, quando é convocado para a Selecção da Europa que iria defrontar a congénere da Checoslováquia – que fazia 80 anos; E um ano depois, convocado novamente pela selecção europeia para confronto com o Resto do Mundo em Nova Iorque, em jogo com receita a reverter para a UNICEF. O onze: Zoff, Krol, Humberto, Pezzey e Stojkovic; Beckenbauer, Antognoni e Tardelli; Boniek, Blokhin e Rossi, o lendário ponta-de-lança que fez furor no Espanha 82, artilheiro daquela Copa (com seis golos) e protagonista do épico jogo contra o Brasil. Humberto, com uma figura destas na equipa e outras de iguais gabarito… foi quem teve honras de levantar o troféu da vitória!

4.
2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal
142 jogos e 160 jogos (1988-91 e 1995-96) (1986-89 e 1993-95)

Ricardo Gomes & Mozer – Incorre-se na ofensa grave de aproximá-los enquanto dupla em vez de lhes dar, individualmente, o destaque merecido para tanta qualidade e história construída no Benfica. Mas foi enquanto parelha que Ricardo e Mozer inscreveram (de forma eterna) o nome na memória colectiva da massa adepta do Benfica, pela forma quase sobrenatural com que um disfarçava as fraquezas do outro, pela entreajuda que possibilitava transformar a linha recuada do Benfica num muro de betão armado, numa muralha intrasponível que por si só garantia títulos.
Foram figura numa era em que a 1ª Divisão portuguesa era jogada por 20 equipas e 38 jornadas – uma monumentalidade bíblica – e disputada taco a taco com um FC Porto fortíssimo, campeão europeu em 1987 e com registos inacreditáveis de aproveitamento de pontos. Só á custa duma irrepreensível contribuição de todos os sectores conseguia o Benfica manter a equipa à tona competitiva e dividir os troféus durante aquela década. Em 1988-89, com Toni como comandante, Mozer e Ricardo Gomes juntos (com Silvino na baliza, Veloso na direita e Álvaro Magalhães ou Fonseca à esquerda) garantiram, nas infindáveis 38 jornadas de Liga… 15 golos sofridos! Uma média de 0,39 por jogo, que dura até hoje como o melhor registo defensivo de sempre numa prova doméstica.

5.
6 Campeonatos Nacionais, 3 Taças de Portugal, 4 Supertaças, 7 Taças da Liga
538 jogos (2003-2018)

Luisão – Ainda bem presente na memória de todos o contributo que Luisão deu enquanto jogador, por força de agora o entregar enquanto adjunto da primeira equipa, Anderson Luiz chegou ao Benfica já campeão brasileiro pelo Cruzeiro e assentou desde logo arraiais no eixo defensivo, sendo essencial no renascimento do Benfica pós seca da viragem do milénio.
É Luisão quem marca presença como protagonista nas principais noites do novo Benfica em franca recuperação competitiva e de prestígio: é ele que se antecipa a Ricardo para tornar o Benfica campeão 11 anos depois, é ele que destrona o Liverpool campeão europeu de Rafa Benítez na Luz e possibilita aquele jogo inesquecível em Anfield; é ele que capitaneia o Benfica em 2009-10 e faz golo contra o Braga de Domingos, naquele 1-0 já no sprint final; Interpretou ao lado de Garay a melhor dupla de zagueiros desde Ricardo-Mozer e com isso consegue o que eles não atingiram – duas finais europeias; E é ele que está presente como capitão e líder de balneário no inédito tetracampeonato. Luisão, apesar de dever talento a outras figuras desta lista, chega perto delas pela força da estatística atingida e duma longevidade invulgar para a contemporaneidade.
Segundo com mais jogos na História do Benfica (a par de Veloso e a 37 de Néné), primeiro no ranking de mais jogos europeus (127, o segundo é Veloso com… 77), e o jogador com mais títulos conquistados de águia ao peito (20, mais um que Néné e dois que Coluna). Um monstro sagrado!"

Demasiados jogos...

Benfica 90 - 93 Sporting
28-24, 19-25, 16-13, 27-31

Estamos a sentir as consequências do sucesso Europeu, com um calendário interno, muito carregado, com demasiadas fases, quando no final tudo será decidido no play-off!!!
Hoje, falhámos demasiados Triplos, e permitimos demasiados turnonvers, numa partida onde jogámos com um Poste, já que foi o Zirbes a ficar de fora na rotação...

Energúmeno,,,


"Caso Apito Dourado, caso Mesquita Alves, caso do roubo e divulgação dos emails deturpados, caso do jornalista agredido, casos de fraude fiscal, invasão ao centro de treinos de árbitros na Maia, fuga para Vigo com aviso prévio, juiz que recusa buscas no Dragão, e muito mais. O arguido por violência doméstica continua no seu mundo de realidade alternativa enquanto atira fardos de palha em tribunal.
É inenarrável esta constante narrativa repleta de mentiras e que foi, aliás, desmentida em tribunal. Os próprios jogadores que este sujeito menciona negaram depois em tribunal que o Benfica os tivesse comprado, contactado ou sequer mencionado. Nunca houve nenhuma interação - absolutamente zero - por parte da Instituição Benfica nem nada que se pareça e tudo não passou de uma cabala montada em que até uma reportagem fizeram (SIC) fazendo-se passar por jogadores, mas que, afinal, mais tarde se veio a saber terem sido atores contratados para o efeito.
Preocupante como um sujeito que usa pulseira eletrónica e esteve preso por, alegadamente, ter batido na mulher, continua a debitar cartilha, ódio e mentiras sobre o maior clube português, com o auxílio da comunicação social.
Que a justiça funcione em pleno e que este energúmeno pague a sério pelos crimes de difamação, roubo, partilha de informação privada, deturpação e outros tantos delitos de que está acusado.
Não passa de um mentecapto absolutamente tóxico e nojento que só tem empurrado o futebol português para o lodo."

Catarses 3️⃣0️⃣ Lionel, o gigante da Patagónia


"Quando Fernão de Magalhães tocou a Terra do Fogo, encontrou indígenas enormes, para o padrão da época, e com pés tão impressionantes que lhes chamou “patagões”. Era o primeiro choque de culturas da sabedoria europeia com a destreza pedestre dos argentinos, que não se cansa de espantar o mundo, na arte de dançar o tango e de jogar futebol.
Pela sexta vez, a Argentina, sempre subalternizada emocionalmente ao espalhafato brasileiro, vai disputar a final do Mundial, liderada por um patagão de corpo franzino, um anão, tantas vezes vítima de “bullying” por não ostentar os centímetros, os músculos, nem os caprichos dos deuses olímpicos.
Se o Mundial fosse um campeonato de boxe, teríamos um peso ligeiro à beira de derrotar por K.O. técnico todos os pesos pesados do futebol atual. Melhor Jogador, Melhor Marcador, Melhor Passador - o mundial do Catar é o Mundial de Messi, que ontem se tornou também o jogador com mais partidas nesta competição e o maior goleador da seleção em Mundiais - derrubando recordes de Maradona sem margem para dúvidas nem aferições capilares.
Talvez por ter nascido a norte da Patagónia, Messi foi condenado pelas fadas madrinhas a viver nos limites do nanismo, mas compensado por dotes artísticos, maravilhosos e inesgotáveis no controlo da bola, que lhe terão sido administrados junto com a hormona de crescimento, a somatropina só autorizada para fins terapêuticos pelas autoridades anti-doping, que os druidas da medicina lhe insuflaram no início da adolescência, dando-lhe os milagrosos 20 centímetros que faltavam para se tornar no rei dos anões do Futebol.
É esse bocadinho a mais que lhe permite humilhar adversários com toda a naturalidade e, por vezes, requintes de malvadez, como fez na jogada do terceiro golo frente à Croácia, transformando o magnífico Gvardiol num Orc desnorteado e duro de rins.
Golos e passes de morte, corridas, fintas, dribles, cruzamentos e passos de tango - uma forma técnica e física exuberante, aos 35 anos, a aparecer ao mundo quando o país e a equipa precisavam dele, sem se esconder, sem se escusar. Um gigante em corpo de minorca.
Como em “Aleph”, o conto de José Luis Borges, o Messi da literatura argentina, defrontamo-nos com um insolúvel paradoxo da condição humana, entre a imortalidade e a vulnerabilidade terrena, a identidade e o génio, a simplicidade e o sobrenatural, a aparência e a essência. Como isto anda tudo ligado, até Borges recorreu à mitologia nórdica dos elfos e duendes para descrever “Zahir”, a filosofia islâmica sobre o que os nossos olhos têm de ver para crer:
“Algo que uma vez tocado ou visto, jamais é esquecido - e vai ocupando o nosso pensamento, até nos levar à loucura”, como o futebol de Lionel Messi, agora a apenas uma vitória de completar a trilogia Copa América, Jogos Olímpicos, Campeonato do Mundo.
Com o auxílio de um treinador a sério, o mais jovem do Mundial, capaz de mudar peças, de trocar sistemas e de gerir génios sem dramas nem polémicas, ou de lançar jogadores jovens, semi-desconhecidos, em funções capitais, sem receio dos nomes, nem das antiguidades, nem dos egos.
A Argentina fora derrotada no jogo de abertura pela Arábia Saudita, mas absorveu o choque sem se desunir, sem se desfocar, sem duvidar, sem trocar o supremo objectivo por pequenas glórias transitórias de percurso, com a sabedoria e a experiência de quem sabe que os recordes vêm no fim de tudo, como uma “chocotorta” depois do “bife de chorizo” - e não o contrário.
“Desfrutar”, resume Messi quando lhe perguntam o segredo desta receita vitoriosa. Desfrutar como equipa, à altura da pressão e das exigências, e transformar a “última dança” projectada pelo marketing da FIFA em tango de uma pessoa só!
Talvez injusto para os Otamendi, para os Fernandez, para os Alvarez, mas quando a influência real de um jogador é tão grande, tão esmagadora, não há espaço para invejas, nem ingratidões, nem hipocrisias. Até porque metade dos golos dele em campeonatos do Mundo (9 em 20) são ofertas em bandeja aos colegas, como aconteceu ontem a Alvarez no lance do 3-0.
A Argentina é uma seleção em que todos e cada um se mostram conscientes do respectivo lugar, dimensão e importância, onde anões e patagões se complementam e se apoiam, dentro e fora das quatro linhas, sem espaço para salvadores da pátria.
Só falta, agora, o último “round”, o último teste à dúvida eterna dos hedonistas dos estádios: quem é o maior?
O irritante cupido pedipulador, a quem ninguém consegue parar, em corpo de duende como o Oberon de Shakespeare? Ou o poderoso, atlético e belo, imune ao envelhecimento e reencarnado no próprio corpo, como o Glorfindel de Tolkien? Um duende minorca ou um elfo colossal?
O Catar está a apenas 90 minutos de validar para sempre o Rei dos Gigantes da nova mitologia futebolística!"

A Verdade do Tadeia #707 - Super-Messi e a espera pela final

Rabona: Álvarez & Messi...