Últimas indefectivações

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Otamendicídio



"Uma nova novela do futebol português está no ar e promete muitos episódios nas televisões. A contratação de Nicolás Otamendi causou enorme azia sobretudo no FC Porto, que estava interessado no internacional argentino e não o conseguiu contratar. Como acontece com todos os jogadores que chegam a um clube com a dimensão do SL Benfica, a adaptação de Otamendi está a ser feita passo a passo.
As internacionalizações pela selecção da Argentina e os 210 jogos realizados na Premier League, ao serviço do poderoso Manchester City, são o melhor cartão de visita de um jogador de craveira mundial, com uma carreira marcada por 526 jogos e 33 golos.
Depois da polémica que suscitou o seu ingresso no SL Benfica, seguiu-se a questão da braçadeira de capitão. Apesar de ser o quinto da hierarquia do plantel, atrás de Jardel, André Almeida, Pizzi e Samaris, a verdade é que escolha de Jorge Jesus foi explorada como mais um caso.
Depois, seguiram-se os erros cometidos por Otamendi, em alguns jogos, tentando passar a ideia de que o argentino é o grande culpado pela actual crise de resultados. Chega a ser divertido assistir, diariamente, às profecias mais funestas de vários experts de TV. Estas almas penadas omitem os 20 títulos conquistados por Otamendi, entre eles uma Liga Europa e dois campeonatos ingleses, ambos ao serviço do Manchester City, onde foi titularíssmo e treinador pelos prestigiados Manuel Pellegrini (12 títulos) e Pep Guardiola (30 títulos). Já para não falar nos 56 jogos na Liga dos Campeões e os 17 na Liga Europa. Ou a sua participação em dois Mundiais e em três Copas América."

Pedro Guerra, in O Benfica

Usem máscara!


"Todos nos recordamos da primeira vaga da pandemia. Não sabíamos nada, não havia informação, não havia álcool, não havia máscaras, nem conversa sobre a sua utilidade e eficácia. Só havia medo e insegurança, mas, por outro lado, tínhamos uma esperança inabalável de que, uma vez finda, com o bicharoco de malas aviadas, 'vai ficar tudo bem!'. Sentimos falta dos espaços livres, do exercício físico, saudades da escola, do futebol, da religião, dos entes queridos, da vida social que nos conforta e reafirma, a cada dia, que não estamos sós nesta caminhada pela vida, que muitas vezes parece solitária. Depois veio o verão, e com ele o desconfinamento, primeiro a medo, depois, às vezes inconscientemente, sem medo nenhum. Mas enquanto durava a curta trégua, os países preparavam-se e apetrechavam-se o melhor que sabiam e podiam. E o vírus, esse teimava em sobreviver como se ansiasse pelo cair da folha para se espalhar em grande escala. Cá estamos agora, mas já sabemos algumas coisas, já interiorizámos comportamentos, estamos mais preparados, mas o desafio é também maior. Por isso, todos temos de colaborar de forma responsável, pelo bem de todos. Para isso são indespensáveis máscaras e viseiras, em toda a parte, mas muito especialmente nas escolas e nos hospitais. Razão por que aprofundámos parcerias e desencadeámos acções de reforço destes equipamentos individuais. Porque, mais cedo do que tarde, havemos de gritar aos milhares, novamente, nos estádios. É só mais um esforço... Façam-no!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Futebol formação


"Devido à pandemia e suas implicações nas mais diversas áreas, colocou-se-nos a todos o desafio de transformar a adversidade em oportunidade. O desporto, e em particular a componente da formação, tem sido extremamente afetado, pelo que importa divulgar o que tem sido implementado no Benfica Campus.
Todo o funcionamento diário das instalações no Seixal e restantes usadas pelas equipas de formação estão adaptadas ao contexto atual para que seja possível dar continuidade ao processo de desenvolvimento dos jovens jogadores do Clube e para que todas as áreas que compõem o futebol de formação mantenham atividade regular.
As equipas B e Sub-23 são as únicas em competição, mantendo atividade com processo de treino coletivo e normalizado, embora as rotinas dos grupos de trabalho tivessem também de ser adaptadas ao momento que vivemos. De referir que, para que a participação em competição seja viável no presente contexto, o SL Benfica tem estado na linha da frente das medidas de prevenção e proteção pessoal no meio desportivo.
Além das medidas tomadas a nível interno, tanto a Equipa B como os Sub-23 estiveram envolvidos na génese da aplicação dos testes rápidos na Liga Portugal 2 SABSEG e na Liga Revelação, em parceria com a Liga Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol, respetivamente.
Apesar da atual crise pandémica, ninguém está parado e todas as restantes equipas de formação de futebol do Clube estão em atividade, embora com processo de treino individualizado e adaptado às orientações da Direção-Geral da Saúde. Falamos de um universo que abrange todos os escalões do Benfica Campus (dos iniciados aos juniores), mas também os escalões de iniciação (até aos infantis), incluindo as equipas em atividade em Lisboa e nos cinco Centros de Formação e Treino do Clube espalhados pelo país (Faro, Aveiro, Viseu, Braga e Vila Real).
A capacidade da residência do Benfica Campus está neste momento limitada e o número de jogadores a viver no centro de estágios é reduzido em relação ao habitual (todos os quartos são atualmente individuais e residem no Benfica Campus apenas jogadores juvenis Sub-17 e juniores Sub-18). Isto significa que todos os restantes jogadores entre infantis Sub-13 e juvenis Sub-16 que, em condições normais, estariam a residir no Benfica Campus, estão neste momento a viver nas respetivas zonas de residência familiar, um pouco por todo o país.
Para esses cerca de 60 jogadores, o Clube desenvolveu um projeto à escala nacional, ímpar no futebol de formação em Portugal: todos os fins-de-semana, desde setembro, são levados a cabo estágios em duas localizações estratégicas (em Vouzela, no distrito de Viseu, e em Lagoa, no Algarve), que permitem a manutenção da proximidade entre jogadores, staff técnico e restantes departamentos do Clube, assim como a continuidade do processo de treino segundo as metodologias SL Benfica.
Trata-se de uma operação de elevada magnitude, que denota uma capacidade singular por parte do SL Benfica em responder a um contexto de adversidade, também ele, singular.
A crise pandémica resulta em limitações óbvias na vida desportiva dos nossos jovens jogadores, quer ao nível do treino, quer da (inexistente) competição. Mas este contexto de grande adversidade é encarado como um desafio que o SL Benfica está preparado para enfrentar e a partir do qual podem até surgir oportunidades.
Aquele que sempre foi o foco principal do projeto de formação do Clube transformou-se agora na regra: o desenvolvimento individual.
Sem a agenda preenchida da competição, a prioridade passa por desenvolver novas ferramentas que permitam potenciar ainda mais a progressão individual dos nossos jovens, recorrendo ao profundo conhecimento e experiência dos nossos treinadores em relação à metodologia de treino e ao modelo de jogo SL Benfica. Trata-se ainda de um exercício diário e constante de criatividade que coloca à prova toda a estrutura e que trará, no futuro, valor acrescentado ao projeto de formação do Clube, permitindo que o SL Benfica se mantenha na linha da frente do desenvolvimento de jovens futebolistas a nível mundial.
Tendo em conta que a formação integral dos nossos jovens é vista como prioridade, também as áreas de formação pessoal, social e escolar têm desenvolvido novos métodos de proximidade e transmissão de informação, não só para com os jovens jogadores, mas também para com as respetivas famílias e entidades escolares. Mais uma vez, as limitações e distâncias a que o contexto obriga trarão ferramentas renovadas e potenciarão um desenvolvimento cada vez mais sustentado e enriquecido dos nossos jovens no futuro."

Everton Cebolinha | O que falta ao brasileiro para brilhar?


"Um dos jogadores mais irreverentes e talentosos do Brasileirão foi contratado pelo SL Benfica no passado verão, mas tarda em corresponder às expectativas. Sim, falamos de Everton Cebolinha, que veio do Grêmio FBPA num negócio a rondar os 20 milhões de euros.
Como veio a público antes da vinda de Jorge Jesus para os “encarnados”, o extremo brasileiro é um jogador que o técnico aprecia bastante. Inclusive, ainda como treinador do CR Flamengo, Jorge Jesus chegou a referir que o ex-Grêmio era muito superior a Pedrinho, outro extremo contratado pelo Benfica.
Este gosto pelo craque brasileiro reflete-se nos números da época atual: 11 jogos em outros tantos possíveis pelas águias. Além deste impressionante histórico em Portugal, o internacional brasileiro ainda conta com 80 minutos divididos em dois particulares pela seleção brasileira.
Os números são, de facto, importantes para a confiança do jogador e para o seu desenvolvimento no futebol da Primeira Liga, mas não será prejudicial para a sua condição física fazer 11 jogos em pouco mais de dois meses?
Desde o escandaloso desaire frente ao PAOK que o extremo não sai do onze de Jorge Jesus e nos últimos encontros frente ao Boavista FC, Rangers FC e SC Braga, Everton Cebolinha tem estado uns furos abaixo daquilo que já demonstrou tanto na seleção como no Grêmio.
Ao observar-se o sistema tático de Jorge Jesus, o tradicional 4-4-2 com Rafa e Éverton no apoio aos dois avançados, não é aquele onde Everton deslumbrava no Brasil: o Grêmio jogava tradicionalmente em 4-3-3. Mas será este o maior problema do extremo?
Ao que tudo indica, o fator mais decisivo será mesmo a fadiga. Entre viagens para a seleção (duas ocasiões), jogos de três em três dias (sempre a titular) e o pouco entrosamento com os novos colegas de equipa, seria de esperar um rendimento diferente daquele que deixou saudades na “torcida” do Grêmio. 
Ainda assim, Jorge Jesus deverá manter a sua aposta em Cebolinha depois do encontro frente ao USC Paredes para a Taça de Portugal, onde o craque brasileiro deverá descansar dos compromissos da sua seleção.
Durante a semana seguinte, Jorge Jesus vai, muito provavelmente, apostar no seu esquema habitual com Everton, Rafa, Waldschmidt e Darwin Nuñez para fazer frente aos imbatíveis escoceses do Rangers de Steven Gerrard."

É isto tudo...!!!

O segredo está na massa


"Sinto-me apoiado por um dos maiores. Depois de tantas crónicas a perorar em nome do talento, que pode estar nos mais jovens, baixos e franzinos, tanto como nos mais velhos, altos e encorpados (que fazem a preferência de uma maioria, não ignoro), surge Valdano, que escreve como pouca gente mas que antes jogou, treinou e dirigiu ao nível de menos gente ainda, a valorizar meninos ladinos feitos de arte - Ansu, Pedri, Rodrygo, Vinicius, Kubo e Yunus - que “desequilibram jogos adultos”, porque “a única coisa realmente adulta é decidir bem, executar com precisão e não ter dúvidas”, para concluir que a sistematização e as regras “fazem dos gregários muito bons gregários, o que é genial, mas fazem dos artistas também muito bons gregários, o que é uma calamidade”. Escreveu em “A Bola”, mas escreveu tão bem que merece ser lido de novo.
Ainda por cima estamos no país em que Felipe Anderson “só pode” jogar mais vezes no Porto quando defender melhor ou em que Everton Cebolinha anda a fazer treinos a lateral no Benfica (talvez valesse mais a pena que alguns laterais, como os sofríveis Gilberto e Nuno Tavares, treinassem como extremos, embora não acredito que lhes valesse de muito). Não faz sentido que numa equipa grande, particularmente numa dessas, se pense sempre mais no que o jogador pode contribuir sem bola do que pelo que garante com ela. Eu quero é ver Anderson ou Cebolinha a arriscarem em posse, a multiplicarem diabruras que encantam e não a assumirem comportamentos formatados ao alcance de qualquer burocrata. Por isso é bom ver à solta o talento de Pedro Gonçalves no Sporting, Pote de ouro a quem já ninguém reclama “mais experiência”, quando por uma vez os leões foram mais espertos a perceber o que brilhava no fim do arco-íris. E comprovar de novo que o elemento decisivo pode estar num corpo de 1,73m e 68 kg, muito na linha de Bruno Fernandes, o insubstituível que já não é. E também há ouro de brilho verdadeiro em Angel Gomes, o Midas que muda o jogo do Boavista, ou em Ryan Gauld, acima de todos os outros num Farense que já merecia ser feliz. Vale uma aposta que se tivessem mais de 1,80m já eram capas de jornais como alvos de Inverno de um qualquer grande emblema, português ou estrangeiro?
Vejo o treinador do Tondela reclamar mais “intensidade” para que o rendimento melhore, como vejo Rogério Ceni chegar ao Flamengo e prometer mais “físico” para pressionar muito e atacar sempre. Interrogo-me se acreditam mesmo que é pelo pulmão que vão melhorar a qualidade de jogo. É que se a maior parte das equipas técnicas estuda pelos mesmos livros e acrescenta idêntica tecnologia complementar – gosto de pensar que é apenas “complementar” – que sentido faz crer que é na condição atlética que se vai fazer a diferença? O segredo está na massa, dizia um antigo anúncio de pizzas. Também aqui está, na massa cinzenta, de quem pensa o jogo e o treina, e na de quem o executa. Por isso, quando lhe perguntaram pela “adaptação física” de James Rodríguez à Premier League, Carlo Ancelotti respondeu que se fosse essa a preocupação teria contratado Usain Bolt. Acrescento que teria perdido aquele que é, de longe, o melhor jogador da equipa."

A estúpida arte de despedir treinadores


"Um ano depois, volto a um tema que me é particularmente caro. Possivelmente por ter crescido numa casa onde vivia um treinador de futebol, o meu pai. Admito essa sensibilidade extra e os consequentes exageros ao escrever na defesa desta classe.
Um ano depois, mantenho o meu espanto pela leviandade com que grande parte dos presidentes dos clubes nacionais, e respetivas direções, contratam e despedem treinadores. Não há planificação, não há uma leitura rigorosa do perfil escolhido antes da contratação, não há certezas nem convicções.
Um ano depois, à primeira desilusão, ao primeiro abalo, a casa vem abaixo. E o treinador é obrigado a sair. Perdoem-me a expressão: esta não gestão é uma estupidez pegada. Tudo o que criticámos no futebol brasileiro ao longo de décadas está a tomar conta das mentes mesquinhas dos nossos dirigentes. 
Os exemplos mais recentes, no Moreirense e no Gil Vicente, são particularmente ridículos.
Ricardo Soares acabou a época anterior num excelente oitavo lugar, depois de ter substituído Vítor Campelos ainda numa fase inicial. Esta época, com um plantel completamente renovado - 17 entradas! - e uma quantidade anormal de lesões (perdeu, por exemplo, os dois laterais esquerdos e contratou Afonso Figueiredo há poucas semanas) conseguiu um arranque muito interessante.
Duas vitórias em casa (Farense e Marítimo), duas derrotas fora (Benfica e Rio Ave) e mais dois empates. Se vencer o jogo que tem em atraso, contra o Paços de Ferreira, a equipa pode saltar para o quinto lugar. A direção do Moreirense leu estes resultados e considerou-os insuficientes?
Rui Almeida, agora. Recebeu uma pesada herança deixada por Vítor Oliveira, fez cinco pontos nos primeiros três jogos e depois perdeu no Dragão por 1-0 (com uma exibição muito boa) e em Alvalade (3-1, tendo estado a ganhar até perto do fim). O que se seguiu? Uma derrota extremamente injusta contra o Vitória de Guimarães e outra contra o Nacional, num jogo em que o Gil falhou dois penáltis e sofreu o 2-1 já no período de descontos.
Tive o cuidado de falar com atletas das duas equipas. Nenhum deles compreendeu estas demissões. Mas em Portugal é assim, cada vez mais assim. Num ano de sofrimento para todos, em que se pede prudência e cabeça fria a tomar decisões, os dirigentes tornaram a figura do treinador absolutamente descartável. Como se não fosse mais do que uma maçada ter de contratar e despedir.
Incompreensível. 

PS: desconheço eventuais problemas graves de relacionamento entre estes dois treinadores e as respetivas direções. A existirem, os responsáveis deviam ter tido o bom senso de não misturar as coisas e defender os interesses desportivos das suas instituições."

Ninguém mais do que nós quer chegar o mais à frente possível


"Cresci em São Martinho do Conde, onde o Atletismo apareceu na minha vida por acaso. Nem gostava muito de correr, mas na escola faltava uma para fazer a equipa e lá fui eu. Ganhei o gosto pela corrida e daí até chegar ao ACR Conde, a minha primeira equipa, foi um abrir e fechar de olhos.
As primeiras medalhas começaram aparecer, depois os troféus e o entusiasmo do meu pai fizeram o resto. Nunca mais parei e continuei a correr até ir para o FC Vizela fazer a minha formação nos escalões mais jovens. E que grande formação tive a oportunidade de fazer com pessoas competentes que me ajudaram imenso até à minha primeira seleção nacional como júnior!
O abandono da escola por vontade própria, ir trabalhar para uma fábrica durante oito horas, nada me tirou a vontade de continuar, pois comecei a perceber que poderia estar aqui o meu “ganha-pão“, pois via atletas que só viviam do Atletismo. Na altura, os prémios eram muito bons, e eu queria seguir esse caminho. Chegou um momento, já com a minha treinadora, Sameiro Araújo, em que tive de fazer uma escolha: deixar de trabalhar e optar por me dedicar 100% ao Atletismo. Sabia que não havia qualquer risco, pois, se as coisas não corressem bem, a fábrica estaria sempre ali para eu trabalhar.
Já com as cores do SC Braga, a evolução foi enorme e os resultados começaram a aparecer. Em 2008, os Jogos Olímpicos de Pequim ficaram muito perto, o que me deu mais confiança e determinação para o futuro.
A primeira lesão a sério aconteceu em 2010, quando parti um dedo do pé em plena competição - o escafoide. É muito raro partir-se, mas o que é certo é que partiu mesmo, no crosse curto, em Vagos. Mesmo assim terminei a prova e passados 30 minutos não conseguia andar. Tive de ser operada e quatro meses depois estava a competir no Europeu de Barcelona, nos 10 000 metros. Recuperei muito bem.
O pior momento da minha carreira foi a perda do meu pai, em 2013. Ele acompanhava-me, em todo o lado, nos treinos longos de domingo. Se não me fosse dar os abastecimentos, ficava chateado comigo; se houvesse uma competição perto de casa e não me fosse ver, ficava danado. Foram seis meses terríveis, nos quais o Ribas teve um papel importante. Andei à procura da marca de qualificação para o Mundial até a última e consegui. Fui, correu-me muito mal. Só eu sei o que passei nessa fase. Estava a preparar a Maratona de Nova Iorque, os treinos corriam muito bem, mas a cabeça não acompanhava. 
Surgiu-me a proposta do Maratona Clube Portugal, onde estive três anos. Deu-me estabilidade para acreditar ainda mais no meu potencial e foi assim que aconteceu depois representar o clube do coração, o SL Benfica. Foi a cereja que faltava para em termos emocionais estar a 300%. O carinho das pessoas, do clube, tudo ajuda para que os resultados apareçam com toda a naturalidade.
A decisão de ser mãe sempre foi muito desejada e tive o apoio incondicional do meu clube, SL Benfica, da FP Atletismo, do COP e do meu patrocinador, Adidas. Todos me apoiaram, renovando-me contratos, o que me deu e confiança e responsabilidade para, quando regressasse, não falhar. E os resultados apareceram ao mais alto nível.
O momento mais alto da minha carreira aconteceu em 2012, quando fui campeã da Europa, em Helsínquia, e tive a sorte de o meu pai me ver na televisão. O Ribas conta que ele só dizia: “Não olhes para trás, rapariga, não olhes para trás.“ Arranquei a faltarem quatro quilómetros e nos últimos 500m acho que me doía o pescoço de tanto olhar. Sem dúvida que, passados três anos depois de ter arriscado no Atletismo, ser campeã da Europa foi um momento único.
Ser olímpica em Londres 2012 e no Rio 2016 faz parte daqueles momentos que não dão para descrever com palavras, são momentos de emoções muito fortes, em que consegui resultados de excelência. Nós queremos sempre mais, ninguém mais do que nós quer chegar o mais à frente possível. Ter sido campeã da Europa foi a realização de um sonho, mas ainda quero um resultado entre o top 8 dos Jogos Olímpicos. É para isso que trabalho todos os dias e eu e o meu treinador sabemos que há margem de progressão para isso.
O corta-mato foi a disciplina onde mais medalhas conquistei a nível europeu, onde mais títulos consegui a nível nacional, mas temos uma referência que nos faz sonhar, o recorde racional da meia-maratona, 1h08´32”. Isso e os 42 195m da maratona. Neste momento, é nisso que estou focada e é para isso que trabalho arduamente todos os dias.
Os momentos mais felizes da minha carreira são três: o nascimento da minha filha Matilde, a passagem de testemunho da Sameiro Araújo para o Ribas e o regresso à competição, depois de ter sido mãe, ao mais alto nível, com a minha segunda melhor marca de sempre na Maratona de Valência 2019, com 2h25´22”.
Agora, o meu pensamento é só um: estar presente em mais dois Jogos Olímpicos. É para isso que eu e a minha equipa trabalhamos diariamente. No imediato, o foco está em Tóquio 2021."

Factos e interpretações!


"Num dos módulos do último Curso de Formação de Treinadores de Karate, em que tive a honra de actuar como formador, explorava eu a axiologia e as variáveis sócio-culturais desta modalidade fundamentado em vários factos quando um formando me interpelou: “Por que motivo o professor apresenta sempre os casos relativos ao desporto pela negativa?” Respondi-lhe em três passos: o primeiro, irónico, porque para falar bem do desporto já cá havia muita gente; o segundo, baseado em António Damásio, o qual na sua última obra (1) nos diz que para se saber o que uma coisa é teremos de saber o que ela não é (a citação correcta é: “Para explicar bem o que uma coisa é, convém deixar claro o que a coisa não é.”); o terceiro, elucidando-o que não apresento os casos pela negativa, antes apresento aqueles que menos são conhecidos tanto dos treinadores como dos desportistas e do público em geral – são factos, independentemente das interpretações –, dado que se fala muito em ética no desporto e em valores do desporto mas o resto fica na penumbra e, embora seja normal abordarem-se casos de corrupção, de violência e de doping no desporto, muito fica por apresentar ou por esclarecer em relação às restantes perversidades no desporto. E elas existem…
Mas por que motivos se coloca, e bem, uma questão destas num módulo de Formação de Treinadores que aborda normas, símbolos, valores (éticos, morais, sociais e individuais) e crenças? Exactamente porque o desporto tem sido tratado de uma forma politicamente correcta. A única excepção vem de Jean-Marie Brohm que, apesar de numa perspectiva marxista, desde a sua “Sociologie Politique du Sport”(2) em 1976, tem desenvolvido de uma forma perene a sua Teoria Crítica do Desporto (3).
O desporto tem sido apresentado como uma actividade educativa e formativa imbuída de valores e de pressupostos éticos quando as suas características actuais estão acrescidas de exigências sistemáticas de espectáculo, de interacção com os ‘mass media’, de organização através da política e da economia, da presença do negócio, do marketing, da tecnologia, da ciência e de um profissionalismo regulado juridicamente por códigos laborais.
Pretende-se que o desporto, ideologicamente, não se encontre açambarcado pelo capitalismo e pelo mercantilismo quando, na verdade, já o está na prática. Nele, até os humanos são transaccionáveis…
O gosto do adepto ou do espectador pelo jogo ou pelo clube, a dedicação do treinador e o comprometimento do desportista continuam ainda a explorar o ‘ethos’ do «amor à camisola» – a paixão –, da «verdade desportiva» – a justiça – e do «fair-play» – a equidade. Invocam-se constantemente estes três conceitos, generalizados em clichés, sem se definirem previamente o que são e do que se fala. E ao invocarem-se sem se definirem não poderemos saber do que se está a falar, o que origina falsas interpretações.
O desporto é actualmente um produto manuseado através de campanhas de marketing bem concebidas. Hoje em dia o «amor à camisola» é vendido ao adepto sem disto ele se aperceber… e logo ele corre à loja do seu clube a comprar a camisola (com o patrocinador nas costas), o boné, o cachecol e a bandeira do mesmo – para além do bilhete para assistir ao evento como espectador. Aquilo que o adepto despende para o clube pelo seu «amor à camisola» é uma parte importante dos montantes que o financiamento do clube proporciona a alguns. Afinal, o adepto acaba por comprar a sua própria paixão… Mas no sentido inverso, o adepto – espectador ‘in loco’ ou espectador no sofá – não absorve só o espectáculo desportivo: ele absorve também, através de imagens subliminares, tudo aquilo a que é exposto. E aí a publicidade faz o seu trabalho. Já não consumimos publicidade! É a publicidade que nos consome!!! E aí somos manipulados… mesmo que tenhamos uma crença contrária!
E o espectador – tal como o próprio jogador, o treinador, o árbitro, o jornalista, o comentador – traz à liça na sua argumentação a «verdade desportiva» e o «fair-play». Peça-se a qualquer um destes intervenientes no fenómeno desportivo para definir qualquer um destes conceitos… (exercício que o próprio leitor poderá executar!) e veja-se qual o resultado.
Como nos diz Manuel Sérgio (4), “são muitos os riscos de alienação, no consumo do desporto, por parte do espectador pois que é tentado a fazer seus alguns valores que o desporto altamente competitivo produz e reproduz: a quantificação do êxito, a exaltação desmedida dos mais capazes e a hierarquização meritocrática – valores que não têm em conta quaisquer critérios pedagógicos e não ajudam por isso, à formação de pessoas livres e libertadoras.”
Não se trata de negar a existência de valores no desporto – porque sim, eles existem e estão aí inúmeros factos para os demonstrar. Os valores podem e devem ser apresentados através dos contra-valores e a ética ser apresentada através do seu inverso, mas realcemos que a função formativa do desporto – formação do carácter, inculcação de valores tais como a disciplina, a perseverança, a cooperação, a justiça – está só presente na fase inicial da práctica do indivíduo. Passada esta, o desporto deixa de ser apenas para desportistas e passa a ser só para vencedores.
Será a transparência de métodos e de actuação uma pertença do desporto?
Por que motivos tantos suicídios provocados por condições existentes no desporto? Sim, porque são mais do que imaginamos…
Quais as causas – ou as origens dessas causas (este é o ponto que, de facto, me parece ser mais relevante, embora nunca abordado!) – de tanta morte súbita na competição? Sim, “tanta” porque a maior parte dos casos nem sequer são divulgados ao público em geral. Estatísticas no nosso país são desconhecidas. A própria comunidade médica parece revelar um certo desassossego em explicar cientificamente estes casos.
As circunstâncias em que decorre o treino intensivo precoce nas várias modalidades são explicadas em toda a sua plenitude? Até que ponto não se trata – ou tratará mesmo? – de exploração infantil?
As fraudes cometidas intencionalmente por competidores, treinadores, árbitros e outros agentes desportivos, não só no futebol mas também na ginástica, no atletismo, no ciclismo, na esgrima, no ténis e em muitas outras modalidades fazem ou não parte do desporto?
Os resultados combinados, a manipulação destes por causa das apostas e a movimentação de altas verbas à volta dos mesmos serão variáveis inerentes ao próprio desporto?
E o que dizer sobre os abusos sexuais no desporto? Os detectados e os não detectados… São relatados e/ou participados todos os casos ocorridos? São sancionados? Existem estratégias de prevenção?
No que se refere à morbilidade e às lesões permanentes dos competidores com a consequente interrupção antecipada das suas carreiras desportivas, há medidas para a sua diminuição? Sabemos que o risco e o acaso fazem parte do desporto, mas o sistema desportivo acautelará os interesses e a integridade física (e psicológica) dos desportistas?
São factos existentes, ocorridos, interpretemo-los de um modo ou de outro. Mas o que é feito para serem evitadas ou prevenidas estas situações e as mesmas erradicadas do desporto?
São perguntas demais para tão poucas respostas… e repare-se que sobre corrupção, violência e doping nem sequer aqui deixo uma palavra.
É hora de deixarmos de analisar o desporto de uma forma politicamente correcta. Temos de analisar factos, ponderar diferentes interpretações e conjugar medidas. Já não vamos lá só com campanhas de sensibilização nem só com o agravamento de sanções. Sejamos realistas e tratemos de explicar o desporto através dos seus efeitos para conseguirmos chegar a bom porto. Sim, é isso mesmo: efeitos – e-fei-tos!"

Muitas frentes


"Não obstante a paragem competitiva do futebol, devido às datas FIFA, prossegue a atividade desportiva intensa do Benfica, com diversas equipas do Clube a prepararem-se para os compromissos no fim de semana.
A primeira a entrar em campo será a de andebol, com uma deslocação a São João da Madeira para defrontar a Sanjoanense numa partida a contar para a 10.ª jornada do Campeonato Nacional (sexta-feira, dia 13, às 21 horas). Estamos em primeiro lugar, ex-aequo com o Sporting, fruto do pleno de triunfos conseguido até ao momento. O nosso adversário ocupa a nona posição.
No sábado, às 11 horas, será a vez do hóquei em patins, com uma difícil deslocação a Valongo. A nossa equipa tentará sair vitoriosa do rinque do atual terceiro classificado, de forma a solidificar o segundo posto e manter a pressão sobre o líder.
À mesma hora, mas na Luz, teremos o confronto com o Portimonense em futsal. Ao fim de sete jornadas, em que vencemos todas as partidas, partilhamos a liderança com o Sporting. O clube algarvio é o terceiro na classificação.
Mais tarde, às 19 horas (18 horas locais), os nossos basquetebolistas entrarão em ação no reduto do Lusitânia, em Angra do Heroísmo. Ambos os clubes têm um jogo a menos e alcançaram, até ao momento, quatro vitórias e uma derrota na Liga Placard, o que vale a quarta posição na tabela classificativa.
Na segunda-feira (12 horas), a nossa equipa de voleibol defrontará a Fonte do Bastardo, em mais uma jornada do Campeonato Nacional. Vencedora da Supertaça e líder invicta do Campeonato, a nossa equipa terá pela frente o atual terceiro classificado.
Também algumas das nossas equipas femininas prosseguirão com a atividade neste fim de semana.
O destaque vai para o futebol, com desafio marcado para sábado, às 11 horas, na Tapadinha, frente ao Sporting. Ambos os clubes só conhecem a vitória desde que teve início a prova. A nossa equipa lidera isolada a Zona Sul, pois disputou mais uma jornada que o próximo adversário. Recorde-se que a nossa equipa teve uma estreia vitoriosa na Liga dos Campeões, apurando-se para a ronda seguinte, na qual medirá forças com o Anderlecht, em Bruxelas.
Nas restantes modalidades, haverá o Quinta dos Lombos – Benfica em futsal (sábado, 11 horas), em que a nossa equipa procurará somar nova vitória depois da estreia a ganhar. No dia seguinte, domingo, também às 11 horas, o terceiro classificado Stuart HC Massamá receberá o líder invicto Benfica.
Há ainda a assinalar o adiamento dos jogos das equipas de andebol e voleibol. No andebol, após três jogos, a nossa equipa está no segundo lugar. Enquanto no voleibol, garantida a presença no escalão maior já no início da presente temporada, num regresso após muitos anos de ausência, estamos presentemente na nona posição, com apenas cinco jogos disputados. E, finalmente, no basquetebol, em que lideramos a classificação ao fim de seis jornadas, também não haverá jogo neste fim de semana."

A Paz Benfiquista


"Dificilmente o Sport Lisboa e Benfica podia ter passado por 6 meses tão traumáticos: recomeçou a Liga após suspensão, em virtude da COVID, ficámos sem o título por responsabilidade própria, apesar dos 7 pontos que tivemos de avanço, saiu o anunciado treinador para uma década (Bruno Lage), manteve-se um interino que não teve capacidade para segurar a equipa, perdemos a Taça de Portugal de forma inglória, contratámos Jorge Jesus e alguns bons reforços, caímos com estrondo da Liga dos Campeões e em consequência saiu o esteio da defesa, não se reforçando, como fora prometido, o miolo e as laterais - o que deixou o plantel profundamente desequilibrado.
Ao mesmo tempo, defrontaram-se em eleições dois pólos, que se tornaram antagónicos e que saíram do vieirismo: os jovens turcos, que pediram a mudança, os velhos do Restelo (como eu), que mantiveram a esperança nos que nos governam. Repito, dois pólos com o mesmo Pai: o vierismo.
O nosso Clube viveu, assim, um dos mais complexos períodos de que há memória.
Passadas as eleições e quando pensávamos em estabilidade e paz interna, surgiram duas derrotas seguidas e novas buscas (será que as 8 anteriores não chegaram?) destinadas, diz-nos a imprensa, esse eco da Justiça do século XXI, a “fechar inquéritos” (Sic).
O Benfica terá paz?
Tenho as minhas dúvidas, as minhas mais fortes dúvidas. Na verdade, os próximos tempos serão demasiado complexos para que se assista a uma normalização das relações entre Benfiquistas.
Por um lado, as consequências económicas do tempo que vivemos, as devastadoras consequências económicas, trarão, mais dia menos dia, consequências negativas evidentes ao futebol português, com o necessário desinvestimento dos principais Clubes, sendo claro que o nosso não ficará fora dessa realidade, o que enfraquecerá a qualidade do futebol português.
Por outro, e não menos importante, há uma crise geracional no Benfica, parecendo-me que as gerações mais novas imporão, numa postura quase ditatorial, uma mudança nos órgãos sociais, seja ela qual for, nem que passe pela lógica do “golpe de estado”, como têm ameaçado amiúde...
Não lanço, pois, o apelo à “Paz Benfiquista”, uma vez que isso seria colocar-me sob fogo amigo e inimigo. Mas deixo um repto: se sem essa paz, como sabemos, é impossível alcançarmos o sucesso, para quê manter a guerra?
Por exemplo,
O processo eleitoral teima em não findar, com um pedido de recontagem de votos (e não contagem, como muitos parece não perceberem) feito 15 dias depois da proclamação do vencedor, apesar do vencido, com muita dignidade, ter aceite os resultados, o que mantém abertas feridas que já deviam estar a sarar, com reflexo claro nas redes sociais: a cada golo sofrido, a cada revés, enchem-se de ódio e proclamações vertiginosas.
Ódio esse incompreensível, deixem-me que vos diga.
Um querido amigo, com o humor refinado que muitos lhe conhecemos, perguntava antes do último jogo para o campeonato, em pleno Twitter, uma coisa deste género: não levam a mal que apoie o Benfica? 
Muitos de nós crescemos com os nossos Pais a ensinarem-nos que assobiar o Benfica era pior que cuspir no prato da sopa. Esses professores, que aprenderam, por sua vez, de seus Pais, envergonhar-se-iam se descessem ao Twitter, ao Facebook ou ao wattsapp durante um jogo de futebol do nosso Benfica. Aí não se assobia, mas faz-se pior: achincalha-se, destroem-se jogadores e faz-se política no infortúnio - como será, lamentavelmente, feita na vitória.
O que fazer, então, para terminar com este sufoco, sabendo que assim será difícil vencermos?
Não há respostas claras, mas há uma evidência: se em Maio festejarmos, uma, duas, três vezes, como todos queremos e muitos pensamos ser possível, tudo passará a ser diferente e a ser visto com outros olhos.
Não é a primeira vez que o digo, que o escrevo: no Benfica, muitas vezes, as ondas de euforia começam no campo e estendem-se às bancadas, num processo inverso à tradição do futebol.
É aqui que o actual momento da equipa, em que parece desligada da corrente e em que o treinador aparenta estar pouco motivado para alterar o “estado do tempo”, deixa-me perplexo e incapaz de ter um momento de sossego: o que se passa, o que se passa rapazes? Não são capazes de dar a volta e serem a força motriz da onda que nos levará às vitórias?
Vamos a isso? Vamos a essa crença na Vitória?"

Bistrot - [FR] #40 - After Match Journée 7 - Braga

O Brinco do Baptista #59 - Zoom na Intervenção Cívica

As 5 piores derrotas extra-grandes do SL Benfica (século XXI)


"As duas semanas de pausa para selecções vieram a calhar bem ao SL Benfica. Jorge Jesus, apesar de perder grande parte do plantel, estará certamente agradecido por finalmente interromper tão diabólica sucessão de jogos – e de desaires, que se começavam a acumular perigosamente.
Depois da inesperada imposição protagonizada por Vasco Seabra no Bessa, foi a vez do SC Braga de Carvalhal vir à Luz assinar exibição personalizada, que anulou grande parte do manancial ofensivo das águias.
À parte da má segunda volta da temporada transacta, os exigentes adeptos encarnados não estão habituados a semelhante sequência de derrotas caseiras e, as que acontecem ocasionalmente, ficam imediatamente gravadas no imaginário colectivo – incluindo e sobretudo dos rivais directos.
Reunimos aqui cinco das mais vergonhosas deste século XXI, derrotas que ditaram chicotadas psicológicas, que confirmaram épocas cinzentas e até que serviram de abanão psicológico em caminhadas difíceis rumo a títulos.
Existem desaires passíveis de menção, mas que não chegaram à lista, por variadíssimas razões: aquele para a Taça de Portugal 2006-07, contra o Varzim, na inesquecível noite de Mendonça; a noite caricata de Roberto na Choupana, em 2010-11, ou até o que aconteceu no Estádio Dom Afonso Henriques no ano seguinte, onde Jesus voltou inexplicavelmente ao 4-4-2 e hipotecou o campeonato – marco na viragem de 2011-12 e jogo que incendiou o rastilho que viria a explodir como uma bomba, no 2-3 do FC Porto na Luz.
Figuram aqui, arrumadinhas num corpo de texto que poderá esconder certas incongruências e descurar outros pontos de vista, mas que o justifica pelo contexto de cada derrota a seguir enunciada.


Taça de Portugal 2002-03, terceira eliminatória
SL Benfica 0-1 Gondomar SC – Numa época que começou com o galvanizante regresso de Nuno Gomes, as águias desde cedo demonstraram não ter estofo para acompanhar o FC Porto na luta pelo domínio nacional: a 21 de Novembro, data da hecatombe com o Gondomar, levavam três derrotas e dois empates na Primeira Liga – eram terceiro classificado ao cabo de 11 jornadas, sete pontos distanciavam já do conjunto liderado por Mourinho.
Jesualdo Ferreira tinha o lugar em perigo após derrota na Póvoa do Varzim, por 2-1, e procurava na Taça tirar barriga de misérias. Em tarde chuvosa, com equipamento alternativo – versão toda bordeaux, quase inédita – houve interessante estratégia de Jorge Regadas e um tiro longínquo de Cílio Souza, brasileiro que acabou por fazer carreira nas divisões inferiores do nosso país e que, naquele dia, executou com mestria um livre a 25 metros.


Primeira Liga 2004-05, 14ª jornada
CF Os Belenenses 4-1 SL Benfica – Em visita ao Restelo, onde morava… Carlos Carvalhal, Trapattoni via-se obrigado a ganhar para garantir a liderança isolada da Superliga Galp Energia.
O Boavista FC, que tinha ganho no sábado, era primeiro à condição e o Sporting CP, que poderia tê-lo sido também, tinha empatado a zero em Alvalade.
O Benfica entrava em campo sem a liderança de Luisão e Ricardo Rocha no eixo, encarregando Argel e Amoreirinha de supervisionar (e travar) as qualidades de Antchouet ou Zé Pedro.
Foram pesadas as toneladas de responsabilidade, foram fáceis as travessuras azuis e… pronto, noite inspiradíssima para os da casa, havendo arte para fechar ao intervalo com 3-0 e garantir a humilhação de um quarto golo na segunda metade: que surgiu, como também surgiu a fúria de Trapattoni por assistir a tanta inaptidão dos seus pupilos – e Moreira foi tornado injustamente bode expiatório, perdendo aí a titularidade para Quim.


Primeira Liga 2006-07, segunda jornada
Boavista FC 3-0 SL Benfica – Depois de eliminar o Áustria de Viena para garantir acesso à Liga dos Campeões, o Benfica de Fernando Santos vira a sua estreia nacional adiada à custa do Caso Mateus, suspendendo o jogo com o Belenenses para data incerta.
Assim, começaram os encarnados por visitar o Bessa, defrontando um Boavista perigoso, apetrechado de talento vindo do Leste europeu. Da neve polaca vieram Kazmierczak e Grzelak, do frio austríaco chegou Roland Linz – este último, com exibição inesquecível alimentada por duas finalizações de classe, vingou a derrota uefeira da sua antiga equipa aos pés dos encarnados.
A Fernando Santos cabia apenas lamentar «derrota pesada e fora de contexto», palavras vãs não fosse a explicação subsequente. «A expulsão do Nuno Gomes tornou as nossas contas mais difíceis e verificou-se um descontrolo emocional da equipa a partir do segundo golo do Boavista», sugerindo a primeira quebra de estofo numa equipa que nunca se equilibrou definitivamente durante a temporada, falhando nos momentos-chave.


Primeira Liga 2007-08, 26ª jornada
SL Benfica 0-3 Académica OAF – A época ia longa, penosa em muitos momentos e só o facto de ser a última de Rui Costa nos relvados dava alento à massa adepta, que vira na construção do seu plantel inúmeros erros de casting.
O quarto lugar final na Primeira Liga é justificado com 13 (!) empates e quatro derrotas ao longo das 30 jornadas, além do 5-3 em Alvalade para a Taça ou a eliminação natural – de tanta diferença na qualidade colectiva – aos pés do… Getafe, na Taça UEFA.
Fernando Santos tinha feito a primeira jornada e saído logo a seguir para dar lugar a Camacho, que fez as malas em Março e deixou declaração enigmática, ele que sempre fora rosto de disciplina: «Não consigo fazer mais nada para melhorar o rendimento da equipa».
Restava a Chalana acabar a época e, naquele dia 11 de Abril, a equipa deixou-se levar pelo atrevimento de uma Briosa ao ritmo de Luís Aguiar, que chegou posteriormente a representar SC Braga e Sporting. Igualou-se a diferença de golos das maiores derrotas de sempre na Luz – Boavista (1998-99) ou Sporting (4-1, 1947-48).


Primeira Liga 2008-09, 13ª jornada
CD Trofense 2-0 SL Benfica – Por incrível que pareça, a 4 de Janeiro ainda não existia derrota para o Benfica de Quique Flores a nível de campeonato. Já tinha sido eliminado justificadamente da UEFA – último lugar do grupo e 5-1 sofrido no Pireu, frente ao Olympiakos – e da Taça de Portugal, frente ao grande Leixões de José Mota em Matosinhos, mas no campeonato os encarnados viravam o ano civil em primeiro lugar. 
Na primeira ronda de 2009, visitava-se a Trofa, onde morava equipa recém-promovida pela primeira vez na sua história. Ainda que fossem os conceituados Delfim, Paulo Lopes ou Hugo Leal as caras da equipa, já existia no talento de Hélder Barbosa, ainda um imberbe e prodigioso canhoto à procura de espaço, a capacidade para grandes noites. Assinou portentosa exibição e consumou aos 82’ o maior feito do Trofense na primeira divisão, na primeira e única temporada que aí cumpriram."

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Agora ouve-se tudo: a falta de público nos estádios é um fardo pesado a todos os níveis e era dispensável a gritaria folclórica


"A falta de público nos estádios é um fardo pesado a todos os níveis: os jogadores deixam de ser aplaudidos e incentivados, as equipas deixam de faturar receita importante para as suas contas e o espetáculo fica mais pobre, por perder o seu condimento maior, a sua força motora: o apoio maciço dos adeptos.
O jogo fica a preto e branco. Pálido e triste. Quase melancólico.
Como se não bastasse, a ausência desse ruído nas bancadas tem outro efeito colateral importante: o de permitir que se ouça, ao pormenor e sem filtros, tudo o que acontece lá em baixo. Tudo o que se passa dentro e fora do relvado. É aí que mora agora um "novo normal", que ainda não parece ter sido bem assimilado por alguns intervenientes.
Que os palavrões fazem parte do futebol, já todos sabíamos. Quando um jogador dispara um impropério, ele não está necessariamente a ofender o adversário ou o árbitro. Não está necessariamente a ser mal-educado, injurioso ou grosseiro.
No futebol, o calão é quase sempre um desabafo espontâneo, um lavar de alma. Uma forma de extravasar a emoção, a frustração momentânea. Não se esqueçam que aquela rapaziada corre noventa minutos, dá e leva pancada, salta, cabeceia, pontapeia, agarra e grita. Dá o litro pela sua camisola. Não é fácil conter tanta efervescência quando o oxigénio diminui a cada minuto. A linha que separa essa "liberdade" consentida da ofensa gratuita e ostensiva deve ser medida pela sensatez e experiência de um árbitro que saiba separar uma realidade da outra.
O problema não está, como já se percebeu, nos jogadores. O problema está na forma como alguns, cá fora, ainda não entenderam que a ausência de gente nas bancadas os tornou mais expostos.
Já todos vimos e ouvimos excessos a serem cometidos a partir dos bancos técnicos. Já aconteceu em todos os jogos de todas as equipas. Uns mais, outros menos, uns assim, outros assado. Mas agora, que os microfones exercem a sua ditadura sem contraditório, a coisa ganhou outra visibilidade. 
E deixem-me que vos diga, meus amigos... às vezes, é feio. Muito feio.
A indignação pontual, o esbracejar, o levantar tipo mola, a crítica a roçar o limite do aceitável... aguenta-se. A tensão ali também é alta, os batimentos cardíacos disparam e ninguém é de ferro. Certo. 
Agora aquela gritaria folclórica, reiterada e injustificada, que é cantada depois de cada lançamento lateral para o outro lado ou de cada faltinha não assinalada, tenham santa paciência, mas não. Poupem-nos e poupem-se.
É inócua e demasiado eighties. Fica mal.
Percebam que, sem gente para camuflar o som, todo esse espalhafato entra pela nossa casa dentro sem pedir licença. São demasiados decibéis. Decibéis que podem adulterar a ideia que todos temos de cada um de vocês.
Desculpem a sinceridade, mas é apenas um número de circo para inglês ver. Uma palhaçada mascarada de indignação pela verdade. Não convence ninguém, não muda decisões (garantidamente) e não vos ajuda a ganhar.
É lose, lose.
Uma das boas soluções seria acabar de vez com os bancos suplementares. Não estão lá a fazer nada (ou grande coisa), apenas a acrescentar ao ruído quatro potenciais vozes.
Vejam nestas palavras uma crítica construtiva, dirigida apenas àqueles que têm grande dificuldade em controlar-se. São esses que devem refletir sobre a sua maneira de estar no jogo.
Um conselho: revejam algumas partidas e ouçam ou melhor, ouçam-se. Observem-se. Vejam a figura que fazem. Vejam os gritos sem sentido e fora de contexto. Vejam os saltos dramatizados, os braços no ar a protestar por dá cá aquela palha. Vejam bem e tirem as vossas conclusões.
Pensem que vocês não estão lá sozinhos. Nós também estamos, a ver e ouvir tudo. Tudinho.
Vamos lá fazer o favor de dar um toque de classe e educação a um espetáculo que também é vosso. Já que têm a honra e privilégio de estar ali, sejam distintos.
Não custa nada e fica bem."

O marasmo desportivo


"Só uma perspetiva politicamente pobre e culturalmente frágil pode encarar o desporto, apenas, como um sistema de simples entretenimento ou de mero espetáculo de massas e, consequentemente, dispensar o papel social relevante que pode assumir junto de outras políticas públicas.

A proposta de Orçamento do Estado para 2021 ao reduzir o financiamento da administração pública desportiva e ao não incluir quaisquer medidas excecionais para a situação que estamos a viver prova, de forma irrefutável, a pouca importância conferida ao desporto, no preciso momento em que se avolumam os casos de clubes que não sobrevivem ao impacto de uma crise sem precedentes, mas na qual se inscreve a prioridade – quiçá por artes mágicas - em pôr Portugal, até 2030, no lote dos 15 países com mais prática de atividade física e desportiva da União Europeia.
É certo que o documento – o principal instrumento de política pública – é suficientemente ilegível para o comum dos mortais, mesmo para os especialistas, para se poder argumentar que algures existe uma dotação que afinal evidencia a possibilidade de alocar mais recursos. Exercícios que ficam no domínio das promessas e das boas intenções, mas que não alteram a questão de fundo.
Num outro plano, a menos de dois meses de Portugal assumir a presidência da União Europeia dispensou-se, até à data, o contributo dos parceiros desportivos no sentido de construir uma agenda de prioridades capaz de responder ao impacto económico, social e sanitário da crise pandémica na Europa. 
Obviamente estas não são realidades novas, no que respeita ao abandono político do desporto. Pelo contrário, são um traço comum no tempo, apenas interrompidas por breves oportunidades de capitalizar politicamente importantes conquistas desportivas. E abandonar o desporto é não nos sentirmos politicamente responsáveis pelos custos sanitários, educativos e económicos que é ter uma população com baixos hábitos de atividade física e desportiva.
Se a educação, a saúde, o emprego, a economia e a coesão social estão, e bem, na primeira linha das preocupações políticas então dispensar o contributo do desporto é, à partida, empobrecer os resultados a alcançar no final. Não porque o desporto tenha qualquer efeito mágico ou sobrenatural, mas por força da natureza estrutural em que é produzido, maioritariamente assente no voluntariado, logo incorporando uma significativa atividade não remunerada, de baixo custo, mas criando um valor económico e socialmente relevante.
Só uma perspetiva politicamente pobre e culturalmente frágil pode encarar o desporto, apenas, como um sistema de simples entretenimento ou de mero espetáculo de massas e, consequentemente, dispensar o papel social relevante que pode assumir junto de outras políticas públicas.
Pese embora o Vaticano também defenda estes princípios, o que aqui se afirma não é um ato de fé. Está evidenciado em dezenas de relatórios nacionais e internacionais, em milhares de textos publicados por esse mundo fora e em práticas governativas de muitos países. O que nos falta?
Tudo seria bem mais fácil no dia em que a iliteracia desportiva passasse a ser cultural e politicamente insustentável, e socialmente reprovável. Só tendo plena consciência deste facto e da verdadeira dimensão do problema, poderemos ajudar a reverter uma situação que, não sendo nova, assume particular incidência em tempo de crise.
Ao longo de tantos anos custa a aceitar este marasmo. Custa a aceitar que o desporto seja elevado à agenda política apenas quando algum resultado de nível internacional atrai a visibilidade mediática. Custa a aceitar que as prioridades políticas para o desporto estejam reféns da agenda mediática, a qual pela natureza das coisas é quase sempre monotemática e efémera. Custa a aceitar que as salas e os corredores do poder político não se abram às preocupações de todos os que no terreno enfrentam competições suspensas ou adiadas, ginásios, piscinas e campos encerrados, restrições à mobilidade e perda de receitas.
É urgente reverter a situação. Se não o fizermos, e se não conseguirmos centrar o desporto na vida política do Governo, mas também daqueles que escrutinam a sua atividade e exercem uma oposição responsável, então não seremos capazes de elevar o valor desportivo do país e as suas potencialidades únicas em domínios como a saúde, a educação, o turismo, o crescimento económico e o emprego, nem tão-pouco a aspirar resultados de excelência que projetem o país no panorama internacional e nos desaloje da cauda da Europa."

Para uma desmistificação educativa do desporto


"Considerando que todos os indivíduos são um produto de uma educação, esta é decisiva ao longo da vida e apoia-se numa pluralidade de atividades. O desporto assenta sobre um conjunto amplo de valores e reveste uma dimensão educativa incontestável. No entanto, se educar pelo desporto é uma evidência partilhada coletivamente, a diversidade de expetativas que estão associadas leva a uma certa confusão. Uma educação que pretende ensinar regras, por forma a programar e a prever certos atos, cai num certo condicionamento. Mais do que se limitar à questão da imposição de valores, que alguns chamam de “integração”, a educação desportiva – como todas as outras formas de educação – deve privilegiar a confrontação dos jovens à diversidade de valores que compõe a prática desportiva, por forma a libertar e a torná-los responsáveis pelos seus atos e pelos seus comportamentos. Os valores devem ser interiorizados conscientemente. A crença de que um poder mágico do desporto, apresentado como um espaço de reciclagem, do qual todos os praticantes saem virtuosos, é imaginária. A educação pelo desporto deve: 1) construir-se em torno de valores claramente definidos; 2) trabalhar sobre a sua assimilação voluntária e consciente; 3) apoiar-se sobre um desporto em que se percebe os interesses, mas também os limites. Os valores desportivos não devem ser considerados como objetivos ou como condutas que se podem prever ou avaliar, mas como quadros sociais a construir, organizando os comportamentos de cada um. O desporto não é apenas uma prática. Ele é também uma ética. Por isso, a aplicação de uma ética pelo desporto é indispensável. Só assim se pode esperar que o desporto seja um espaço educativo. Depois desta crise pandémica (Covid-19), os partidos políticos, com a participação da sociedade civil, deveriam promover uns “Estados Gerais sobre o Desporto” em Portugal, pensando no futuro."

Querem mais dinheiro?... Toma...


"Numa nota enviada às redações o Comité Olímpico de Portugal (COP) (Público, 2020-10-12) manifestou a opinião de que o desporto está a ser “claramente” discriminado relativamente à versão preliminar do Orçamento de Estado (OE) para 2021. E acrescentou ainda que “o poder político que encontra soluções para a cultura é exatamente o mesmo que as ignora para o Desporto” .
A situação do desporto nada tem a ver com a dramática situação da cultura. Se, por um lado, há clubes de futebol a gastar milhões a contratar jogadores e a pagar lautos vencimentos, por outro lado, tanto a Federação como a Liga podem acudir às dificuldades que alguns clubes possam estar a passar. Felizmente, os clubes das mais diversas modalidades, médios e pequenos, por esse Portugal fora, não deixaram de ter, pelo menos, parte das suas receitas, porque desenvolvem atividades na base do pagamento pelos associados e os próprios atletas. Alguns, para além dos apoios das autarquias, até estão a ser apoiados pelas Federações que deixaram de ter despesas relativas às competições internacionais e nacionais como se verifica no Inquérito às Federações publicado pelo Instituto do Desporto e Juventude. Acresce que muito do enquadramento técnico e administrativo dos clubes é benévolo ou de duplo emprego, pelo que a situação, embora muito difícil, nada tem a ver com o dramatismo que se está a passar na cultura, com milhares de pessoas completamente desamparadas. Assim sendo, parece-me não ter qualquer sentido comparar a situação do desporto com a da cultura, setor ao qual prometeram 1% do PIB e estão a atribuir-lhe, tão só, a quinta parte (cerca de 0,21% apenas). Se os dirigentes desportivos querem que os políticos compreendam o desporto, enquanto realidade profunda da sociedade, têm de começar por ser capazes de compreender o desporto a partir do País e das suas circunstâncias económicas, sociais e políticas.
Por isso, não se percebe como é que se pode afirmar que o desporto está a ter “um tratamento claramente discriminatório” e muito menos que se trata de “um dos sectores mais expostos ao impacto da crise”. Repare-se que toda a superestrutura continua a ser alimentada financeiramente pelo Estado e o verdadeiro profissionalismo para além do futebol é exíguo e, em alguns casos, pejado de atletas estrangeiros. E também não se podem compreender as lágrimas de crocodilo que as mais diversas entidades choram devido a umas escassas centenas de milhares de praticantes estarem privados da atividade desportiva formal. Desde logo porque, ao longo das últimas pelo menos duas dezenas de anos, nunca ouvimos essas mesmas entidades manifestar o mínimo lamento por Portugal estar, miseravelmente, na cauda da União Europeia em termos de prática desportiva enquanto descarta (deixa abandonar) dessa prática cerca de 90% dos jovens quando atingem os 18 anos de idade para, de seguida, contratar atletas estrangeiros, a fim de fazerem parte das seleções nacionais e das delegações nacionais que inclusivamente participam nas edições dos Jogos Olímpicos!
Também não se compreendem as histriónicas lamentações da cúpula do desporto nacional que, à custa da pandemia, reforçaram o discurso do “queremos mais dinheiro” esquecendo-se que, desde que o país aderiu ao Euro, a casa da Moeda deixou de imprimir papel-moeda, pelo que para terem mais dinheiro ele terá de ser subtraído de outras quaisquer entidades, eventualmente com verdadeiras restrições, carências manifestas e necessidades não satisfeitas.
Infelizmente alguma comunicação social alinha em reportagens que, por ausência de sentido crítico e de contraditório, acabam por fazer passar uma narrativa que não expressa verdadeiramente o que na realidade acontece. E a ideia que sobressai é a de que Portugal em matéria de apoio do Estado ao desporto “está longe dos milhões da Europa”. E, regra geral, são apresentados alguns exemplos que, se em termos absolutos nada significam, quando verificados em termos relativos a conclusão é precisamente a contrária daquela que querem fazer passar. Pelo que, se olharmos com olhos de ver, chegamos facilmente à conclusão de que o problema do desporto nacional não é falta de dinheiro, antes pelo contrário, o problema do desporto nacional é dinheiro a mais e, sobretudo, dinheiro fácil, gerido sem organização, planeamento, objetivos claros e à margem de controlos externos, sistemáticos, competentes e credíveis. Um dinheiro despendido num sistema balcanizado, burocratizado, gerador de desperdícios, duplicação de funções, conflitos de competências, ausência de estratégia de desenvolvimento, desorientação, gestão política por impulsos, com o Alto Rendimento proletarizado e a mais completa ausência de um rumo claro a partir da base da Pirâmide de Desenvolvimento. Um sistema que acaba por ficar nas mãos de dezenas de organizações a funcionarem em roda livre, à margem de qualquer orientação política e, na máxima anarquia, sustentadas à custa do dinheiro dos contribuintes.
Por isso, quando a comunicação social, no quadro da estratégia do “queremos mais dinheiro”, é levada a proclamar que “Portugal está longe dos milhões da Europa”, é necessário considerar que uma coisa é o habitual folclore do discurso miserabilista de um faustoso desporto que prima nas ridículas galas em demonstrar quanto está afastado do país real e outra, completamente diferente, é a determinada pelos factos.
Comparemos, em termos relativos, os dados referentes a Portugal e a Espanha.
No âmbito do OE, uma comunicação social completamente escandalizada noticiou que o desporto nacional vai receber para o ano de 2021 a quantia de 65,4 M€ e Espanha vai receber 260,5 M€. Quer dizer que, se em termos absolutos o desporto português recebe do OE um quarto da verba do desporto espanhol, todavia, em termos relativos, uma vez que Espanha tem um território mais de cinco vezes maior e uma população mais de quatro vezes maior, o desporto português acaba por receber mais do Estado do que o desporto espanhol. E ainda acresce que à verba de 65,4 M€ do OE faltam contabilizar, pelo menos, mais cerca de 30 milhões de euros referentes aos Jogos Online e ao Placard, verbas que transitam diretamente da Santa Casa para as respetivas Federações. Nestes termos, o orçamento do desporto português por parte do Estado para 2021 rondará os 100 milhões de euros, o que significa bem mais de um terço do valor do orçamento espanhol, país que tem mais de quatro vezes a população portuguesa e um território cinco vezes maior do que Portugal. Assim sendo, o que se sugere é que a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto, de imediato, a fim de contrariar os discursos demagógicos, no quadro de um Livro Branco do Desporto Nacional, publique um documento onde sejam divulgadas todas as verbas afetas pelo Estado ao desporto nos últimos dez anos, bem como aquelas obtidas através de organizações privadas nacionais ou internacionais como é o caso da Solidariedade Olímpica.
Mas se regressarmos ao ano em que se realizaram os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016), a fim de cruzarmos a informação financeira com os resultados desportivos, a situação ainda se torna mais expressiva. Em 2016, o orçamento do desporto espanhol foi de 175,5 M€ e o de Portugal cerca de 72 M€ correspondentes a 42 M€ do OE, acrescidos de 30 M€ respeitantes ao Desporto Escolar, aos Jogos Online e ao Placard. Quer dizer, o desporto português em 2016 teve quase metade da verba do desporto espanhol. Todavia, se olharmos para os resultados desportivos, podemos apurar que nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) enquanto a Missão Espanhola foi composta por 306 atletas (163H; 143M) que competiram em 25 desportos e obtiveram 17 medalhas (7,4,6), a Missão portuguesa foi composta por 92 atletas (62H; 32M) que competiram em 16 desportos e conquistaram uma única medalha (0,0,1). Comparando os resultados conseguidos com o número de atletas da Missão Espanhola com os da Missão portuguesa temos de dizer que, nem nunca Coubertin disse que o “importante é participar” com o sentido que alguns lhe querem dar, nem os Jogos Olímpicos podem servir para fazer turismo à custa do bolso dos contribuintes.
Mas se, em função das condições proporcionadas, os resultados relativamente aos JO foram deveras medíocres com a agravante de terem sido despendidas avultadas verbas que deviam estar ao serviço da promoção do desporto, no que diz respeito à prática de base a situação desportiva portuguesa relativamente à espanhola é pior do que medíocre. Segundo o Eurobarómetro (2017), enquanto 14% da população espanhola pratica regularmente desporto e 40% diz nunca praticar, em Portugal só 5% da população diz praticar regularmente desporto e 68% diz nunca praticar.
O problema do desporto português não é falta de dinheiro. Sou mesmo de opinião de que, no estado atual da Situação Desportiva portuguesa, atribuir mais dinheiro ao desporto é agravar ainda mais a situação, uma vez que não é atirando dinheiro para cima dos problemas que eles se resolvem, como tem sido apanágio em muitas outras áreas em Portugal. Quando tal acontece fica-se sem o dinheiro e com mais e maiores problemas. É o que tem vindo a acontecer desde o golpe palaciano perpetrado em 2005. E quem quiser olhar para o futuro basta-lhe olhar para o futebol. Temos uma Federação rica e um futebol pobre do ponto de vista ético-cultural, que vive à custa de três ou quatro clubes, cujos exemplos que passam para a sociedade são pouco ou nada edificantes. Salva-se uma seleção de estrangeirados que, através das competições internacionais, contribui magnanimamente para o orçamento da Federação e, felizmente, ainda alimenta o umbigo nacional.
O desporto português necessita da assunção de um pensamento estratégico de regime. Para o efeito, é indispensável preparar um Processo de Tomada de Decisão sucinto tendo em atenção: (1º) Levantar a Situação Desportiva Real (aquela que existe); (2º) Analisar a Situação Desportiva Real em confronto com os países da EU; (3º) Determinar a Situação Desportiva Ideal (aquela que devia existir; (4º) Apurar o Nível Desportivo do País; (5º) Prospetivar o Nível Desportivo que se deseja obter a três Ciclos Olímpicos considerando valores nos marcos intermédios; (6º) Equacionar as grandes linhas estratégicas que, amplamente participadas, tendo em atenção o território nacional, hão de conduzir à melhoria do Nível Desportivo do País; (7º) Desagregar por Fatores de Desenvolvimento, por programas e projetos as grandes linhas estratégicas do desporto nacional; (8º) Determinar um sistema de controlo externo em tempo real; (9º) Orçamentar; (10º) Preparar o processo de decisão política de regime.
Trata-se de um Processo de Tomada de Decisão a ser elaborado de uma forma clara, precisa e concisa, sem narrativas inúteis e complicações desnecessárias pelo que deve ser formalizado em três, no máximo quatro páginas A4, de modo a ser compreendido, assumido e partilhado pela generalidade dos agentes. Depois, os programas e os projetos desenvolvem e especificam o que tiver de ser.
É de fundamental importância ultrapassar perspetivas de desenvolvimento suportadas em discursos vazios do tipo “o desporto é um desígnio nacional” porque, para além de só conduzirem a lado nenhum, fazem lembrar a qualquer ex-combatente como eu e tantos outros os velhos tempos da ação psicológica promovida pela PIDE/DGS nas Províncias Ultramarinas do regime colonial.
Por tudo isto, quando se ouvem os discursos de alguns dirigentes desportivos, há dezenas de anos agarrados ao poder ou a saltarem de poder em poder, completamente descontextualizados do País e da própria Situação Desportiva, a reivindicar direta ou indiretamente mais dinheiro, apetece-me parafrasear a velha frase de Bordalo Pinheiro e dizer: Queres mais dinheiro? … Toma…"

A argumentação


"A História da Europa, em relação à aplicação da Justiça, depende da época em que se está a falar e da influência da Igreja Católica...

O Homem socializado aprendeu a respeitar-se a si próprio e ao seu próximo, numa lógica de respeito por um ser que é irrepetível e cuja dignidade humana, dentro de um espírito humanista deve ser preservada a todo o custo. O Direito nasceu da necessidade de se regular a sociedade, com justiça e equidade, para ser possível viver, e conviver, com uma certa segurança e harmonia, sem um clima de confrontação permanente, entre as pessoas, e com paz.
A lógica da Justiça, assenta num princípio (cristão) de dar uma segunda oportunidade a quem prevaricou, depois de reconhecer que errou, e de se mostrar arrependido e com vontade de se integrar, de novo, na sociedade.
A pena servirá para ressarcir a sociedade do mal por ela sofrido, ao mesmo tempo que servirá também como remissão para aquele que cometeu o delito. Mas quem argumentar que uma oportunidade é pouco, levanta a questão de se saber quantas oportunidades serão necessárias para quem viola a lei, poder, um dia, reinserir-se na sociedade?
Segundo alguns juristas, até católicos, deverá ser sempre dada uma segunda oportunidade, mas este entendimento depende da latitude e longitude do lugar.
Há quem argumente que o cumprimento da pena redime o violador da norma, e fica a sociedade ressarcida. Mas então pergunta-se, em relação àqueles que violam a lei 6,7,8,9,10 vezes, e mais, deverá a sociedade alimentá-lo e cuidar dele eternamente???
É preciso argumentar, neste caso, à luz da Moral, da ética, e do espírito humanitário que caracterizam a Justiça na União Europeia, embora com “nuances”, de Norte a Sul da Europa.
A História da Europa pode resumir-se, no plano intelectual e sociológico a um confronto de ideias e ações entre a visão positivista e a visão cristã, e entre o existencialismo e o materialismo dialético, para além de outras análises decorrentes do pós-guerra (1939/45) e da necessidade de uma Europa que perdeu 60 milhões de cidadãos, se reorganizar para o progresso, o desenvolvimento e a paz.
A História da Europa, em relação à aplicação da Justiça, depende da época em que se está a falar e da influência da Igreja Católica, com o Vaticano como autoridade central ‘avalizadora’ dos regimes. Argumentar que uma pena a aplicar a um violador pode ser atentatória dos Direitos do Homem, aquando da primeira condenação, pressupõe que à segunda já é possível à Justiça aplicar um castigo que não permita mais a repetição do crime por impossibilidade material?!? E se alguns acharem excessivo, por desumano, qual a solução que preconizam?
De 1914/18 até 1939/45 assistimos a um recrudescer da barbárie, de 1780 a 1850, com a revolução do carvão e do ferro, e a revolução do aço e da eletricidade, de 1850 a 1914 as Nações prepararam-se para os maiores e dos maiores massacres da Humanidade na Terra. Chamaram-lhe Revolução Industrial, com 18 horas de trabalho diário, com trabalho infantil, com escravatura, com genocídios, mas tudo em nome do progresso. É preciso argumentar, explicando que a Igreja Católica, piedosa e política, foi responsável pela Inquisição que não foi inferior ao nazismo. E a Rússia em 1917? E o Japão em Pearl Harbour?
É preciso argumentar que a Escravatura acabou, mas não por razões humanitárias mas sim por razões de rentabilidade!!! É preciso argumentar, ou seja, é preciso que os jovens tenham formação e informação, para poderem, e saberem argumentar de modo a estarem em condições de saberem votar em eleições, já que precisamos de governantes que levem o país ao progresso, ao desenvolvimento e à paz."

Fever Pitch - João & David... Inglaterra!

Vitória em Ponte de Sor...

Eléctrico 0 - 6 Benfica

Mais uma excelente vitória, e sem sofrer golos... Série impressionante sem sofrer... isto, apesar de várias ausências!

Regresso às goleadas...

Benfica 4 -0 Amora
Carole, Ana Rita(a.g.), Prazeres(a.g.), Jolina


Goleada, que de facto foi um 2-2 com os auto-golos!!!
A grande novidade, foi mesmo o facto do jogo se ter realizado no Seixal...

Empate parvo...!!!

Sanjoanense 4 - 4 Benfica

A vencer 0-4 ainda na primeira parte, com 1-4 ao intervalo, não faz sentido nenhum permitir o empate a 4, a 16 segundos do final!!!
Por acaso, esta época, temos play-off, mas se fosse como nas épocas anteriores, já tínhamos deitado fora o campeonato com pontos perdidos simplesmente por desleixo!!!

Independentemente dos nossos deméritos, a Sanjoanense, conseguiu não fazer uma única falta nos últimos 20 minutos do jogo, inacreditável...!!!

European Online Symposium: Good Practices In Conservation Special Collections

Carole Costa foi despenalizada no dia 6


"O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, Secção Não Profissional, deliberou e considerou totalmente procedente, na passada sexta-feira, dia 6, o recurso apresentado pelo Sport Lisboa e Benfica para revogação do castigo aplicado anteriormente à futebolista Carole Costa [dois jogos, após expulsão na partida da Liga BPI, com o Marítimo, a 17 de outubro]. A decisão, por unanimidade do Conselho de Disciplina, e com toda a justiça, despenalizou a atleta – voltando esta a estar disponível para jogar pelo Clube a partir desse dia – e anulou o respetivo registo em sede de cadastro disciplinar.
O grupo de trabalho do Sport Lisboa e Benfica prossegue focado nos objetivos desportivos definidos e realiza esta noite a partida com o Amora FC (jogo adiado da 5.ª jornada da Liga BPI), no Benfica Campus, às 21 horas – direto BTV. Um jogo de cada vez, À Benfica!"